22 de mai de 2015

De esperança dos paneleiros a ‘arregão’, o fim do governo paralelo de Aécio Neves

Com os líderes do Vem Pra Rua no Congresso
Terminou de forma melancólica o governo paralelo de Aécio Neves. De grande esperança branca da oposição a “arregão”, foram cinco meses de fortes emoções.

Numa eleição apertada, Aécio tentou cavou seu espaço na agenda nacional na marra. Sua cavalgada teve início com a não aceitação do resultado. Em sua volta ao Senado, em janeiro, Magno Malta, do Espírito Santo, uma das figuras mais grotescas de um Congresso grotesco, saudou-o num aparte sabujo: “Vossa Excelência recebeu um livramento”.

Vieram os protestos pelo impeachment. No primeiro, Aécio foi para a praia, para desespero de direitistas lelés como Lobão, que o aguardava na Paulista. Em março, deixou-se fotografar da janela do apartamento do Leblon numa camiseta da CBF. Sair na rua já era demais.

No último, sumiço total.

Como depositário dos desejos dos paneleiros, pediu pareceres a juristas, insuflando o deputado Carlos Sampaio, promotor e  carimbador maluco do PSDB. Recebeu na capital federal, em abril, diversos revoltados, entre eles Rogério Chequer, do Vem Pra Rua. Cobraram-lhe um posição firme.

“Então tenho a dizer, primeiro, que vamos atuar juntos sem preconceitos. E em segundo lugar quero dizer que nesse momento começamos a fazer história”, declarou Aécio, arrancando aplausos dos presentes.

Deu-se a sabatina de Luiz Edson Fachin, o demônio comunista polígamo abortista paranaense de bigode. Onde estava Aécio para desmascará-lo e impedir a bolivarianização definitiva do STF?

Em Nova York, com José Serra, homenageando FHC num evento organizado pelo lobista cansado mas muito animado João Doria Jr.

Enquanto isso, meia dúzia de manifestantes fieis a ele, inclusive pessoas que estiveram naquele encontro no Congresso, empreendiam uma marcha de São Paulo a Brasilia. Gastaram a sola do tênis, postaram vídeos fofos no YouTube e encheram o saco dos moradores de outras cidades — para quê?

Para descobrir que Aécio deu para trás. Nesta semana, depois de um parecer de Miguel Reale Júnior, ele admitiu que o impeachment “não é agenda para agora”.

Seus amigos das panelas não o perdoam. “Traidor”, “covarde”, “arregão”. O velho Batman do Leblon chorou. Num vídeo patético, que posto abaixo, os marchadores aparecem dizendo que o PT e o PSDB são “farinha do mesmo saco”.

Findo o mandato paralelo, rechaçado pelos corvos que alimentou, sem golpe à vista, resta a Aécio a dura realidade dos fatos. À direita, Ronaldo “Vou Chamar o Mujica” Caiado e Jair Bolsonaro adotam os paneleiros. No seu partido, a presença careca e cada vez mais incômoda de Geraldo Alckmin na corrida para 2018.




Kiko Nogueira
No DCM
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Pensar fora da caixa

A notícia que mobilizou a imprensa catarinense na semana passada foi a morte do senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB). O desaparecimento repentino de um dos políticos mais influentes das últimas décadas exigiu a reação imediata de profissionais e veículos. O acontecimento se deu em pleno domingo, quando as equipes estão enxutas nas redações e o noticiário é raquítico. Com isso, além da correria habitual desencadeada pelo fato, foi preciso um conjunto de esforços adicionais para dar conta do assunto. Os principais jornais de Santa Catarina não poderiam se restringir a um mero registro no dia seguinte. Esperava-se que trouxessem repercussões, impactos na política local e que retomassem a trajetória do senador.

É bem verdade que algumas empresas jornalísticas preparam com antecedência necrológios de personagens mais velhos e importantes, doentes ou com morte iminente. Embora seja uma prática polêmica, esta é uma maneira que as redações encontraram para não serem pegas de surpresa em situações como a do domingo, 10 de maio. Apesar de contar 75 anos, o senador Luiz Henrique não se enquadrava nesses parâmetros e estava em plena atividade política. Daí que sua morte caiu como uma bomba nas redações naquela tarde.

Não bastassem as dificuldades próprias desse tipo de cobertura — onde se corre o risco e a tentação do emocionalismo exacerbado, da superestimação do personagem e do esquecimento de eventuais insucessos e erros de sua trajetória —, aos domingos, os horários de fechamento das edições também são antecipados. Isto é, tudo conspira contra o bom trabalho jornalístico…

Clones nas bancas

Na segunda-feira (11/5), as manchetes dos principais jornais de Santa Catarina não poderiam ser outra, se não a morte de Luiz Henrique. Mas quem esperava que as primeiras páginas saíssem tão parecidas? Que os jornais de um mesmo grupo publiquem textos e imagens semelhantes para reforçar um contexto e uma versão é até esperado. É uma forma de otimizar recursos, de padronizar coberturas e de aproveitar ao máximo os materiais. Mas, e quando empresas concorrentes lançam às bancas produtos que mais parecem clones?

Foi assim com o Diário Catarinense — do Grupo RBS — e a edição de Florianópolis do Notícias do Dia — do Grupo RIC-Record. Atentos à gravidade do fato, os profissionais decidiram editar primeiras páginas emblemáticas, com caráter histórico, parecidas com as capas de revistas, onde se privilegia o conteúdo imagético, que ao mesmo tempo é sintético e contundente. Neste caso em particular, para além dos mesmos critérios de concepção, os capistas comungaram a mesma perspectiva de enquadramento do personagem e a mesma fotografia. Com um detalhe: o registro não era de nenhum dos repórteres fotográficos de DC e ND, mas de Pedro França, da Agência Senado.

É claro que jornais podem recorrer a materiais de agências noticiosas e de terceiros, desde que com as devidas permissões e créditos, mas a escolha daquela fotografia em especial ajudou em indagações incômodas nas redes sociais. Os jornais não tinham fotos próprias e de qualidade para ilustrar o político nessa hora? Com quarenta anos de vida pública e tantos registros fotográficos feitos pela imprensa local, não havia nada que pudesse ser utilizado? Se os jornais precisaram apelar para fotos da Agência Senado, isso é sinal de que não destacam seus repórteres-fotográficos para acompanhar os políticos catarinenses em Brasília?

Jornais SC_1

Não me arrisco a responder a questões acima, mas tenho certeza de que os responsáveis pelas primeiras páginas têm razões e argumentos para justificar suas escolhas. Mas as capas de DC e ND de Florianópolis não foram as únicas clones nas bancas naquele dia. Em Joinville, onde Luiz Henrique morreu, o jornal A Notícia e a edição local do Notícias do Dia também chegaram aos leitores muitíssimo parecidas, e também reaproveitaram fotografia de Pedro França, da Agência Senado.

Jornais SC_2

Três escolhas editoriais distinguiram levemente as capas. Enquanto A Notícia publicou a foto, sem corte, ocupando a largura no alto da página e em preto e branco, o ND optou pelo registro em cores, com um enquadramento mais fechado e uma orientação vertical da fotografia. Apesar disso, outro conteúdo externo intensificou as semelhanças: a publicação de um anúncio idêntico da Prefeitura de Joinville decretando luto de sete dias na cidade.

É de se perguntar: Foi por coincidência que os jornais ficaram tão parecidos? Os editores combinaram entre si? Existem agentes duplos nas redações?

Sinceramente, não acho possível nenhuma das alternativas acima, e isso me preocupa muito.

Pluralidade e diversidade

É bastante comum que tomemos as palavras “pluralidade” e “diversidade” como sinônimas. Afinal, elas apontam para uma mesma direção. Entretanto, elas podem até ser complementares, mas não são a mesma coisa. Este episódio das capas clones serve de ilustração. Temos grupos de comunicação distintos, orientações editoriais que não são as mesmas, mas os resultados que colhemos nas bancas no dia seguinte eram muito parecidos. E não apenas as capas — as coberturas e os vieses também, é preciso que se diga.

Por isso que as hipóteses de coincidência, combinação e vazamento me preocupam menos que uma quarta alternativa: a de que repórteres e editores estão vendo o mundo e as histórias com os mesmos óculos. Assim, a realidade — que é complexa, contraditória, multifacetada e dinâmica — se apresenta por um conjunto muito limitado de formas de expressão. A vida se torna conformada, acomodada em grandes certezas e pouco questionadora.

No caso em questão, só era mesmo possível representar aquele momento daquela forma? Claro que não, existem muitas maneiras de se contar o mesmo episódio, e não se trata apenas de modulação de linguagem. Não há descolamento entre estética e conteúdo, entre expressão e apuração jornalística.

Meu temor é que repórteres saiam das redações automatizados demais para se surpreenderem com os fatos; que editores permaneçam narcotizados diante de suas telas; que redatores vomitem textos apoiados em meia dúzia de fórmulas redacionais; que infografistas tenham as mesmas formações visuais; que jornalistas só façam perguntas idênticas nas entrevistas; que jornais e revistas tenham as mesmas capas; que não importe mais onde estejamos sintonizados para ver o noticiário; que o dissenso escorra pelo ralo, e que a nossa compreensão do que se passa lá fora seja cada vez mais restrita e conformista.

Existe espaço para a criatividade no jornalismo? Ainda há tempo para fazer algo novo? O trabalho do jornalista tem a chance de ser original e diferente? Pessoalmente, respondo um triplo “sim”. Se não acreditasse, não teria insistido até agora com o leitor. Mas este “sim” não é solitário. Ele precisa vir acompanhado de doses cavalares de disposição e empenho. Afinal, pensar fora da caixa, ir além do senso comum, não se satisfazer com as primeiras ideias são passos certeiros na direção do incomum, do singular, do inédito, do criativo.

“Inovação” é uma palavra da moda, mas ela só deixa de ser um substantivo pomposo para se tornar em verbo de ação se a conjugarmos no plural e em diversos tempos. As empresas devem investir em inovação para oferecer produtos e serviços de qualidade, para se consolidar em seus segmentos, para alcançarem liderança nos mercados. Por sua vez, profissionais com vocação inovadora tendem a ser versáteis, ágeis, mais valorizados, estratégicos nas equipes. Para se efetivar, a inovação depende de um conjunto variado de condições, pois precisa se estabelecer como uma cultura, um espírito comum. Há que se ter disposição, vontade, dedicação. Queremos pensar além dos limites impostos? Temos vontade para agir de forma distinta do que espera o senso comum? Responder a essas duas perguntas ajuda a abrir novos horizontes, e ajudaria também a editar primeiras páginas diferentes…

Rogério Christofoletti é professor da UFSC e pesquisador do objET
No OI
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Belém debate democratização da mídia

O Seminário foi um importante passo para o fortalecimento das lutas em prol da Democratização da
Comunicação no Pará.
A democratização da mídia no Brasil ganhou mais um reforço nesta quinta-feira (21), em Belém do Pará, no debate realizado durante um evento, que trouxe o tema novamente à capital paraense. 

Com a presença do jornalista e blogueiro Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Comunicação Alternativa "Barão de Itararé", que segundo um dos participantes, fez uma espécia de "aula magna", sobre política e comunicação no Seminário "Democratização da Comunicação: A comunicação e o Controle Social em Belém".

Miro fez um resgate da luta pela democratização e citou os motivos e danos que a demora deste processo causa ao país e à sociedade. Deu números importantes para uma análise profunda sobre os monopólios e sua voracidade sobre os recursos públicos, que mensalmente alimentam esta indústria.



Entre blogueiros, sindicalistas, jornalistas, estudantes de diversos cursos na área da comunicação, de quatro (04) universidades de Belém, assim como militantes de diversos movimentos sociais, o evento foi apoiado por entidades como o FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, o núcleo paraense do Barão de Itararé e o AmazonWeb - Fórum de Blogueiros e Ativistas Digitais da Amazônia e teve o apoio das Centrais Sindicais, como a CUT e CTB, além do Sindicato dos Jornalistas, e todos com o convite por iniciativa do mandato da vereadora de Belém, Sandra Batista (PCdoB).




Uma das falas mais marcantes da noite, foi feita pela ex-governadora do Pará, Ana Júlia Carepa. Além de uma análise sobre o papel das novas mídias, Ana fez a mea-culpa, admitindo que durante seu mandato, desconhecia o potencial da comunicação eletrônica e sua equipe de governo não valorizou os novos meios de comunicação alternativa e que isso foi um dos motivos de seu governo não ter tido êxito, a ponto de não ser reeleito. 


Em um dos trechos de sua intervenção, Ana Júlia chegou a lamentar que praticamente nenhum dos seus ex-secretário possuía sequer uma conta no twitter, mídia social fundamental, assim como outras citadas, pela hoje ativista digital e que foi a primeira mulher a governar o Estado do Pará, no período entre 2007 e 2010.


Radialistas também relataram suas experiências e lutas pela democratização da comunicação, quando as rádios comunitárias eram as vedetes dos movimentos sociais. A politização em torno das apreensões de seus equipamentos, prisões e processos dos dirigentes, foram resgatas pelos radialistas Nagi e Carlinhos, diretor e ex-diretor, respectivamente, do Sindicato dos Radialistas e na época, mantenedores da rádio comunitária Erê FM, lacrada pela polícia federal, há alguns anos.

João Eudes, do blog e jornal Gazeta Miriense, relatou o sucesso da iniciativa, ao enfrentar políticos e seu poder
financeiro.

A experiência do blog Gazeta Miriense foi feita pelo advogado João Eudes, que veio do município de Igarapé Miri à Belém, convidado para falar como surgiu e qual o papel que o blog cumpre na formação de opinião, informação e no debate político, na cidade que recentemente passou por uma eleição suplementar, por causa da cassação do ex-prefeito Pé de Boto, muito por conta das denúncias que a Gazeta Miriense fez.



Convidada para a mesa, Roberta Vilanova, presidente do SINJOR-PA (Sindicato dos Jornalistas do Pará), fez a defesa da categoria e lamentou que muitos profissionais da imprensa ainda sejam confundidos como representantes da patrões e pontuou exemplos de como estes trabalhadores sofrem com os baixos salários e péssimas condições de trabalho e concluiu dizendo que o sindicato estará presente nos demais fóruns e ações em prol da democratização da comunicação e reforçando a luta dos movimentos sociais no Estado.

A guerra entre as duas famílias que controlam as maiores empresas de comunicação do Estado do Pará, foi citada pela maioria dos presentes e houve um consenso em torno da necessidade de revigorar a luta por uma antiga bandeira dos que lutam pela democracia plena no Brasil: A quebra do monopólio das sete (07) empresas familiares, que controlam tudo que é dito, lido, exibido e assimilado pelo povo brasileiro, através dos meios de comunicação de massa no Brasil.

No fim, todos os participantes receberam certificado de participação e concordaram em manter a luta pela democratização da comunicação, através de uma agenda a ser construída de forma coletiva e horizontal.


Entre os encaminhamentos propostos para a continuidade do debate, estão:

A formação de um GT (Grupo de Trabalho) com as principais entidades presentes, para reformulação e implantação do Conselho Municipal de Comunicação;

A ampliação do FNDC-PA e a rearticulação do Núcleo Barão de Itararé-PA, assim como o apoio ao II AmazonWeb - Fórum de Blogueiros e Ativistas Digitais da Amazônia, previsto para acontecer no mês de Outubro deste ano. 

No As Falas da Pólis
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Operação da Polícia Federal prende em Brasília empresário Wagner Canhedo Filho

O empresário Wagner Canhedo Filho foi preso hoje (22), em flagrante, por porte ilegal de armas em meio à Operação Patriota, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em Brasília. Ele era uma dos alvos da operação que investiga um esquema de fraude fiscal superior a R$ 875 milhões.

Os gestores do Grupo Canhedo, que administram, entre outros negócios,  empresas de ônibus, de turismo e o Hotel Nacional — que inspirou o nome da operação —, são suspeitos de usar empresas de fachada para ocultar faturamento de empresas e, com isso, não pagar multas e débitos tributários.

As investigações começaram no ano passado depois que fiscais da Procuradoria da Fazenda Nacional tentaram bloquear o faturamento de seis empresas do grupo para pagamento de débitos na Receita Federal, mas não tiveram sucesso. Isso porque, apesar de ativas, essas empresas não tinham faturamento.

Com as investigações, a PF e a Procuradoria da Fazenda Nacional identificaram que empresas de fachada eram usadas pelos gestores do Grupo Canhedo para ocultar o faturamento das empresas em débito com a Receita Federal. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de condução coercitiva e 15 de busca e apreensão, sendo um deles na casa do empresário Wagner Canhedo, que ficou conhecido nacionalmente no década de 1990, após comprar a companhia de Viação Aérea São Paulo (Vasp). A empresa decretou falência em 2008, com dívidas superiores a R$ 1,5 bilhão.

Os suspeitos responderão por falsidade ideológica, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e de capitais. Wagner Canhedo Filho foi levado para a Superintendência Regional da Polícia Federal, no Distrito Federal, e foi estipulada fiança no valor de R$ 38 mil.



PF desarticula esquema de fraude contra o Fisco que pode chegar a R$ 900 milhões

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) desarticularam hoje (22), no Distrito Federal, esquema de fraudes envolvendo a cobrança judicial de créditos públicos inscritos em dívida ativa. As pessoas envolvidas estão sendo acusadas de lavagem de capitais, formação de quadrilha e falsidade ideológica. O golpe era comandado por gestores de um grupo empresarial que atua no ramo de transportes e turismo.

De acordo com PF, por meio de empresas de fachada, os gestores do grupo empresarial movimentaram cerca de R$ 900 milhões que deveriam ter sido usados para quitar débitos fiscais e tributários.

A Procuradoria da Fazenda Nacional afastou da gestão do grupo empresarial os suspeitos de comandar o esquema. Para ocupar o lugar dos gestores foi nomeado, pela PFN, um auditor fiscal. A operação, denominada Patriota, envolve o cumprimento de 29 mandados judiciais, sendo 18 de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva.

De acordo com PF, o nome da operação é uma referência a um hotel, de mesmo nome, que pertence ao grupo empresarial investigado.

No EBN
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Procuradora foi condenada por comentário contra juiz


A procuradora regional da República Janice Agostinho Ascari foi condenada a oito meses de prisão por ter manifestado sua opinião em comentário contra um juiz, que conduzia a investigação sobre o vazamento de informações da Operação Satiagraha, em publicação do Blog do Luis Nassif.

A procuradora da 3ª Região afirmou que o juiz federal Ali Mazloum "exorbitou suas funções" e "blindou e apartou os verdadeiros criminosos e denegrir a imagem dos investigadores”. O referido juiz apurava vazamentos de informações da Operação Satiagraha, comandada pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz contra o banqueiro Daniel Dantas. Mazloum determinou, em 2009, que os autos dos processos fossem enviados a pessoas envolvidas nas investigações ou citadas, como o empresário Luiz Roberto Demarco, ex-sócio de Dantas.

"Curioso observar que mesmo Demarco não sendo suspeito ou investigado, o juiz franqueou, a ele e a 6 advogados, acesso a todos os dados do processo, incluindo os dados das ligações telefônicas dos policiais investigados. No Código Penal isso está lá no artigo 325: é mais uma violação de sigilo perpetrada pelo juiz no mesmo processo", escreveu a procuradora Janice, completando que “o juiz, exorbitando de suas funções, abre uma linha paralela de investigação pró-Dantas, sob o argumento de 'interesses comerciais'".

Sentindo-se ofendido, o magistrado apresentou queixa-crime contra a procuradora, afirmando ter sido caluniado com as acusações de abuso de poder, prevaricação e violação de sigilo funcional. Na petição, o juiz federal Ali Mazloum disse que Janice não esclareceu quem teria propiciado o vazamento de informações, "dando a entender, sibilinamente, que teria sido obra do magistrado" e sugerindo "a prática de inúmeras condutas, sem ética".

"Basta a leitura da mensagem colocada a acesso de qualquer pessoa que adentrasse ao mencionado sítio para se concluir que ofensa houve ao nome do autor", decidiu a juíza de Direito Inah de Lemos e Silva Machado, na sentença que tramitou na 19ª Vara Cível, em novembro de 2010.

A juíza havia considerado que o comentário da procuradora é um extensão da publicação do jornalista Luis Nassif e, assim sendo, sujeito à penalidade. "Ciente estava a requerida que diversas pessoas teriam acesso ao texto e o leriam em complementação à notícia do jornalista", publicou no despacho.

"O leitor da frase 'é mais uma violação de sigilo perpetrada pelo juiz no mesmo processo', provavelmente indagou-se a respeito das atitudes praticadas pelo magistrado dentro do processo, se seriam ao menos adequadas. Se o ato da ré causou danos, consequentemente, deverá arcar com o dever de indenizar", continuou, na decisão.

Dessa vez, o ministro relator do STJ, Og Fernandes, defendeu que não há como considerar essas palavras como simples comentário. "É inaceitável que alguém alegue estar de boa-fé quando se abstém de formular contra outrem uma grave acusação”, decidiu.

A pena de prisão foi substituída por restrição de direitos políticos e prestação de serviços à comunidade, mais 30 dias de multa no valor de um salário mínimo vigente à época.

No GGN
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O ‘mico’ da ‘coluna Aécio’

Ouça aqui



A Folha de S. Paulo anuncia em nota na sua primeira página, na edição de sexta-feira (22/5): “Grupos anti-Dilma dizem que PSDB e Aécio são traidores”. O Estado de S. Paulo, em reportagem interna sobre o mesmo tema, informa: “Grupos se dizem traídos por tucanos”.

A imagem que ilustra o texto do Estado mostra doze — isso, exatamente uma dúzia — de manifestantes que caminham pela Rodovia Anhanguera, com destino a Brasília, onde pretendem fazer sua pregação em favor do impeachment da presidente da República. Quando saíram de São Paulo, no fim de abril, os integrantes da marcha foram estimulados por líderes do PSDB, que imaginavam uma espécie de “coluna Prestes” invertida, a recolher, pelo caminho, milhares de cidadãos descontentes com o governo, numa chegada triunfal à rampa do Planalto. Mas, como no poema de Hesíodo, as relações entre os homens e os deuses devem se submeter ao crivo da verdade, e esta nem sempre se manifesta como desejam os humanos.

Entre o fim de abril e esta última semana de maio, a expectativa do grupo de manifestantes, estimulada por discursos inflamados do senador que perdeu a eleição presidencial em 2014, não foi justificada pelos fatos. O descompasso entre os trabalhos políticos e os dias de marcha acaba por produzir a ruptura entre os doze aloprados que imaginam reverter a decisão das urnas e os oportunistas que os apadrinharam.

Por sugestão do jurista Miguel Reale Jr., convocado a emitir parecer sobre a proposta do impeachment, os líderes do PSDB acharam melhor ingressar com processo contra a presidente Dilma Rouseff na Justiça comum, talvez confiantes na ação dos julgadores que o poeta grego chama de “comedores de presentes”. Mas o Judiciário, já embaraçado com a interferência do Congresso em suas atribuições, não dá sinais de que irá acolher tal petição.

Representantes dos grupos que pedem a interrupção do mandato da presidente da República teriam ouvido na semana passada, na capital federal, promessas de parlamentares do PSDB e de outros partidos de oposição de que entrariam com o pedido formal de impeachment assim que os marchadores alcançassem a Praça dos Três Poderes. Desde quarta-feira (20/5), a uma semana da chegada da marcha a Brasília, prevista para o dia 27, a página do Movimento Brasil Livre, um dos grupos que organizam o protesto, exibe um quadro dizendo que o senador Aécio Neves traiu a causa (ver aqui).

Ignorância política

Segundo o Estado de S.Paulo, líderes do PSDB avaliam, reservadamente, rever a estratégia de apoiar explicitamente a marcha, quebrando a promessa de dar um caráter apoteótico à sua chegada a Brasília.

O ex-deputado federal Francisco Graziano, assessor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse à Folha de S. Paulo que entende a frustração dos que querem o impeachment, mas considera que “atacar Aécio, FHC ou o PSDB mostra ignorância política”. De repente, os tucanos descobrem que meteram a mão em cumbuca.

Restará aos protestadores, certamente, o apoio do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e talvez a presença do deputado Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), cujas biografias não justificam os cuidados que precisam ter os líderes do PSDB.

O principal partido de oposição embarcou na aventura dos golpistas pela mão do senador Aécio Neves, que foi demovido do plano de impeachment pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na semana passada. Agora, precisa de um discurso consistente para evitar o constrangimento de se haver associado aos aloprados que seguem para Brasília.

Não se pode prever o que irá ocorrer na capital federal na quarta-feira (27/5), mas certamente não será a grande festa cívica que esperavam os organizadores do protesto. Nesse período, o núcleo principal das propostas de ajuste econômico já terá sido aprovado, ou uma nova agenda estará acertada entre o Executivo e o Congresso Nacional.

Analistas acreditados pela imprensa já registram uma redução das tensões entre os poderes, que vêm sendo estimuladas pela mídia desde a posse da presidente Dilma Rousseff em segundo mandato.

A decisão da presidente, de elevar a alíquota da Contribuição Social sobre o lucro líquido dos bancos, tende a reconciliá-la com parte de seu eleitorado, pela simbologia da medida, combinada com a manutenção da carência de um mês para pagamento de abono salarial, que beneficia os trabalhadores.

Tudo de que os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não precisam, neste momento, é barulho de manifestantes. O “mico” do impeachment fica com o PSDB, que vai ter que explicar, daqui para a frente, se considera que eleição é para valer ou se, nas próximas disputas, caso venham a ser derrotados novamente, os tucanos irão outra vez mobilizar a “coluna Aécio”.

Luciano Martins Costa
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Nota de Repúdio ao senador Aécio Neves


Nota de Repúdio do CFC ao pronunciamento do senador Aécio Neves

O Conselho Federal de Contabilidade, nesta Nota de Repúdio, representando os 27 Conselhos Regionais de Contabilidade e os 510 mil Profissionais da Contabilidade do Brasil, vem a público discordar das referências aos “contabilistas” feitas pelo senador Aécio Neves, em pronunciamento, no dia 20 de maio, em que criticou o Ajuste Fiscal proposto pelo ministro Joaquim Levy, conforme matéria publicada no Jornal O Globo (http://oglobo.globo.com/brasil/aecio-chama-ajuste-fiscal-de-joaquim-levy-de-contabilista-16217897).

Segundo a notícia, o senador disse que o pacote do ministro da Fazenda “é extremamente rudimentar, de um contabilista, que se baseia só na questão fiscal e esquece que as pessoas se levantam todos os dias e precisam comer e ir trabalhar”.

Quando o senador associa o termo “rudimentar” ao “Contabilista”, demonstra total desconhecimento da profissão contábil exercida atualmente no Brasil. Há muito tempo, os nossos Profissionais da Contabilidade deixaram de ser vistos como meros cumpridores das normas do Fisco. A Contabilidade que se pratica hoje no território nacional encontra-se em sintonia com as normas internacionais, com o nosso Profissional marcando presença nos fóruns mais avançados das nações desenvolvidas.

Nos últimos anos, o Sistema CFC/CRCs tem desenvolvido um profícuo trabalho em parceria com instituições governamentais e com o meio acadêmico, exatamente, para dotar a Contabilidade Pública da racionalidade e transparência que a sociedade brasileira exige. É, pois, de suma importância que os homens públicos do nosso País se atualizem. Por isso, é oportuno esclarecer que a Contabilidade é uma ciência social, com vastos recursos de controle e informação, indispensáveis à gestão pública e privada, possuindo uma responsabilidade evidente na proteção da sociedade.

Diante do exposto, o Conselho Federal de Contabilidade lamenta a visão distorcida e a forma equivocada com o que o senador se referiu aos Profissionais da Contabilidade.

Contador José Martonio Alves Coelho
Presidente do Conselho Federal de Contabilidade
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Cientistas políticos fazem abaixo-assinado contra distritão

Cerca de 60 cientistas políticos do Brasil se reuniram em um documento contra o distritão, sistema de voto defendido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), na reforma política. Os mais importantes especialistas da área do país elaboraram um abaixo-assinado que será enviado para Cunha na sexta-feira. O próprio relator da comissão especial da Câmara para a reforma política, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), é contra o modelo.

A iniciativa começou com um professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e logo ganhou apoio de nomes de peso, como Fabiano Santos (IESP-UERJ) e Maria Hermínia Tavares de Almeida (USP), ambos ex-presidentes da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), o atual presidente da instituição, Leonardo Avritzer (UFMG), e Claudio Couto, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Os especialistas definem o distritão como “aberração institucional”. Para eles, o modelo exalta o personalismo dos candidatos, encarece a campanha (o que pode aumentar o financialmente ilegal) e transforma os partidos em meras siglas de registro de candidaturas, enfraquecendo a democracia.

— Eu iniciei esse movimento porque não conheço um colega da área que seja favorável a esse modelo. O distritão é uma aberração, isso é uma unanimidade na área. Prova disso é que já temos mais de 60 assinaturas no documento — afirma o professor da Unir João Paulo Viana, que faz doutorado na Universidade de Campinas (Unicamp).

Couto também chama o distritão de “aberração”. Para ele, o modelo fragiliza os partidos políticos e elevará os custos da campanha, além de ser um sistema que deixará sem representação os eleitores que votarem em candidatos não eleitos.

— O distritão exacerba as tendências ao personalismo já presentes em nosso processo político, tornando dispensáveis as identidades partidárias e levará aos píncaros os custos de campanha, pois cada candidato, para ser eleito, precisará ainda mais do que hoje percorrer todo o estado em busca de votos, criando comitês em todos os lugares possíveis, para o que somas vultosas serão necessárias. Nem é preciso dizer que isto aumenta a tentação do financiamento ilegal de campanha - explica o professor da FGV.

Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor do Departamento de Gestão Pública da FGV, concorda com Couto. Para ele, o projeto de reforma política busca, de maneira equivocada, por fim as eleições proporcionais para vereadores e deputados, o que pode aumentar ainda mais as disfunções relativas ao modelo atual de financiamento de campanha e os problemas do atual sistema partidário.

— Com o fim do voto de legenda e a utilização da simples ordem classificatória geral como fórmula para distribuir as cadeiras, o distritão vai aumentar ainda mais a dependência dos candidatos em relação aos seus financiadores de campanha e pode ampliar o estímulo a negócios escusos com o dinheiro público como os que estão sendo revelados pela operação Lava Jato e, também, vieram a público no chamado escândalo do Mensalão. Adiciona-se,ainda, o potencial de tal proposta para fortalecer o personalismo e a presença de oligarquias regionais que dominam algumas máquinas partidárias e controlam meios de comunicação locais que normalmente são utilizados na construção ou desconstrução de candidaturas — ressalta Teixeira.

O presidente da Câmara afirmou que as críticas ao modelo são normais e que todas as propostas serão votadas.

— Todos os modelos têm críticas, mas geralmente é melhor ter críticas de quem disputa a eleição Vamos ver o que pensa quem vai votar. Colocarei todos os modelos em votação, ganha quem tem mais votos — afirmou Cunha.
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Jornalismo, o moribundo agonizante


A gente entra na faculdade de jornalismo sonhando em ser Fátima Bernardes. (Pra vocês verem como eu tô velha. A referência é de uma era atrás.) A gente passa uns três semestres com essa ideia, esse romantismo, essa crença de que pra mudar o mundo basta uma capa de jornal. Mais que isso. A gente jura que vai escrever pra capa do jornal ou sentar na bancada ao lado do William Bonner (Ele anda meio gagá no Twitter. Vale conferir.) um dia depois de sair da faculdade.

Mas aí no meio da faculdade cê pira. Se cê é nerd tipo eu, cê pira muito. Primeiro que os professores te aterrorizam todo tempo que cê vai ser fudido de duro, mau humorado, fumador e ainda vai morrer cedo vítima de infarte. Verdade seja dita, o jornalismo tem bem pouca emoção pra matar alguém. Esquece tudo que te contaram sobre coberturas maravilhosas, cheias de emoção e aventura. Sendo jornalista mesmo, começando a trabalhar com reportagem sua emoção vai se dividir entre pesquisas no Google e ligações pra repartições públicas. (Coloquei link pro Google porque, por mais estranho que pareça, repórteres raramente sabem que o Google existe e pra que ele serve.)

Então você, meio aterrorizado e já nem tão confiante que vai ser Fátima Bernardes começa a pensar em assessoria de imprensa (Nunca passou pela minha cabeça!), você pensa até mesmo em fazer concurso público (Já passou pela minha cabeça. Tenho vergonha de admitir.). No final você se forma. Com sorte (Pra quem?) vai ganhar mal numa redação correndo risco de ser demitido semana sim, semana também. Sem sorte (Pra quem?) você consegue um QI, cai no Congresso (Trevas!), num conselho de classe ou numa fucking agência. De publicidade!

Se você é um futuro jornalista, um novo jornalista, um velho jornalista ou só alguém legal, assistaA Montanha dos Sete Abutres. É massa!

Seus sonhos já morreram há séculos, o que você quer mesmo é ter algum dinheiro pra comprar um celular legal, ir numas paradas cult/hipster no Balaio e viajar uma vez por ano pra uma praia ou uma Europa ostentação. O que dá errado nessa linha do tempo cagada que é a nossa vida? A gente não pensa, não discute, não melhora a profissão.

Dos dois que entraram românticos na faculdade e o continuam ao sair, tem o cara que vira defensor da empresa em que trabalha. Há seus benefícios. E há status. Não sejam tolos. O outro, no caso eu, passa os dias pensando que merda é essa que o jornalismo virou ou quando foi que aquela parada tão legal virou todo esse cocô que a gente vê hoje em dia.

Há uma questão fundamental que não ensinam pra gente na faculdade de jornalismo. Desde sempre, e isso vem aumentando, o que vende jornal é publicidade (Eles nos perseguem!) e não matéria. Com as matérias ficando cada dia piores e o consumo sendo cada vez ~mais legal~ a publicidade só nos esmaga cada dia mais e mais. Em tempos de impresso, era vender exemplar. Agora é vender clique. Tudo muda e permanece igual. É a vida. Aceitem.

oglobofolha

Daí, atolados da necessidade de atender demandas da publicidade temos aberrações do tipo sangue na capa d’O Globo (Sério, gente. Cês não precisam disso.) e um haitiano tomando banho em um mictório num tuíte da Folha, só pra ficar em exemplos de hoje. Isso sem falar numa matéria safada que circulou principalmente em Brasília falando de bons policiais que ajudaram um coitado que roubava pra comer. Desconfiei desde o princípio, mas a história revelada supera minha imaginação fértil…

Ou seja, descemos a ladeira e descemos feio! A gente não tem análise, mas nossos jornalistas e nossos jornalões se orgulham de ter no expediente pitaqueiros. A gente acha ok a Veja fechar uma sucursal em Brasília e não se importa com Joice Hasselmann fazendo suas caras e bocas afirmando que a revista tem lado, o do leitor. Não exigimos jornalismo, o partidarizamos e não vemos o tamanho do poder que estamos largando nas mãos mais sujas que existem.

Claro que tem toda uma questão monetária por trás disso. Mas em que ponto nós, leitores, não somos responsáveis pelo jornalismo flaflu. A nossa política é flaflu. Somos os maiores flafluzões de todos os tempos! E lemos mal, acreditamos em qualquer porcaria enquanto somos engabelados por mega empresas que objetivam apenas uma coisa: dinheiro.

Eu adulteci (Qualquer dia explico o uso do neo verbo adultecer. Qualquer dia.) ouvindo que o jornalismo era o quarto poder na sociedade. Isso é bonito. Isso tem peso. Mas olha que bosta de quarto poder é esse em que pobres não se sentem representados, repórteres são uns babacas elitistas de merda (Minha TL tá cheia!) e a apuração é um detalhe, que aparece vez ou outra ou nenhuma em matérias que interferem na nossa vida quotidiana. Vamos mal.

No Política, Foda e Mais
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Wagner faz a defesa da Defesa! — assista

Wagner está entusiasmado com satélites de defesa sob controle do Brasil

Se deixassem, o FHC vendia até a estátua de Caxias

O Ministro da Defesa Jaques Wagner, que foi aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro, acompanhado dos comandantes das três Forças, prestou longo depoimento nessa quinta-feira, 21/V, à Comissão de Relações Exteriores e Defesa, sob a presidência de Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Quem requereu a audiência foi o Senador Ferraço, do PMDB do Espirito Santos, que deslustrou a audiência com pronunciamentos tao pedantes quanto vazios.

A ponto de insinuar que tínhamos uma “Defesa de Power Point”.

A mesma agressividade — pedante e inócua — que demonstrou na audiência em que o Ministro Facchin desmontou ele e a oposição.

Wagner, sereno, tranquilizou os senadores — e a sociedade — quanto aos risos de a Defesa se desguarnecer, com o contingenciamento inevitável que virá com os ajustes.

O contingenciamento é necessário, será temporário, e não resultará em paralisação de projetos das Forças Armadas.

O que pode acontecer é se imprimir um ritmo mais lento de execução, mas os trabalhos não serão interrompidos.

Os senadores se mostraram justamente preocupados com a questão das fronteiras, por causa do trafico de armas e drogas.

Wagner informou que o controle das fronteiras se incluiu entre as tarefas prioritárias, e serão utilizados os serviços de inteligência para suprir as necessidades.

E o investimento no Censipan, previsto no contrato assinado ontem com o Governo da China, no Palácio do Planalto, vai ajudar no trabalho das fronteiras.

Os governos do Brasil e da China assinaram acordo para o sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia da informação para a Defesa e proteção das fronteiras da Amazônia.

Wagner confirmou que as tropas da ONU vão sair do Haiti até o fim de 2016. Tanto as tropas brasileiras quanto as tropas de vários países.

Ao longo de dez anos de permanência, o governo brasileiro reduziu o contingente da missão humanitária que executa a pedido da ONU, de 30 mil militares, logo no início, para atualmente 1.343. E, a partir de 7 de junho, quando haverá troca de tropas, o contingente vai cair para 970 e, na próxima etapa, para 850.

Wagner ressaltou o papel estratégico desempenhado pelos investimentos que o Brasil faz na produção do avião de transporte militar KC-390, com fabricação na Embraer.

O Governo brasileiro é um “investidor” no projeto e vai ganhar dinheiro com sua exportação já prevista.

Ele falou dos helicópteros militares e, mesmo que a encomenda da Defesa venha a diminuir, o senador Jorge Viana sugeriu que o Governo mantenha a produção com a exportação do produto da Avibras.

Wagner anunciou que falta pouco para o Governo submeter ao Senado a aprovação do contrato de financiamento para a produção dos caças suecos Gripen.

E descreveu com entusiasmo as obras do ProSub, em Itaguaí, onde o Brasil constrói submarinos de propulsão diesel-elétrico e nuclear.

Com igual entusiasmou falou da breve entrada em operação dos satélites geo-estacionários, em que o Brasil assumira o controle de sua comunicação de Defesa.

Como se sabe, o governo entreguista de FHC — cujo neto precisa saber como foi a compra da reeleição —, ao vender a Embratel à empresa americana MCI, entregou dentro a comunicação das Forças Armadas brasileiras…

Naquele episódio edificante do “se der m…”.

E ainda levam ele a sério… Menos o Lula.




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Por que a China é um parceiro melhor que os EUA

Dilma e o primeiro-ministro Li Keqiang no Palácio do Planalto
Você quer luzes sobre o significado da China como grande parceira, e não as sombras que encontra na cobertura das corporações de mídia?

O mundialmente aclamado livro “Winner Take All” (O Vencedor fica com Tudo), da economista zambiana Dambisa Moyo, é um ótimo caminho.

(A editora Objetiva adquiriu os direitos. Se não lançou ainda, deveria.)

Li o livro em 2012,  quando foi lançado, e reli agora por conta dos novos investimentos da China no Brasil.

Numa linguagem simples, jornalística, Dambisa dá ao leitor aquilo de que ele precisa.

Mostra, em primeiro lugar, a lógica da estratégia chinesa. Quando e por que a China se lançou vorazmente à compra de recursos mundo afora, sobretudo nos países mais pobres.

E conta também como os países em que a China mais investiu inicialmente, na África, enxergam, passados anos, o papel chinês.

Pesquisas feitas por respeitados institutos como o americano Pew demonstram que os africanos gostam dos parceiros chineses.

Veem neles um sócio melhor e mais confiável do que os americanos.

Os chineses desenvolvem parcerias que Dambisa qualifica de “simbióticas”. É o tipo de sociedade em que as duas partes precisam muito uma da outra.

Para a China, é vital se abastecer de recursos naturais que tendem a ser perigosamente escassos no futuro.

E para os países que oferecem tais recursos à China falta dinheiro para explorar adequadamente suas riquezas.

Ganha um, ganha o outro, ganham todos.

Adicionalmente, a China investe na infraestrutura dos países dos quais compra recursos minerais, para facilitar o escoamento da mercadoria.

É exatamente isso que se viu, agora, nos acordos fechados com o Brasil.

Dambisa sublinha bem a diferença entre o estilo chinês e o estilo ocidental de colocar dinheiro em nações em desenvolvimento.

Os ocidentais se intrometem e impõem condições muitas vezes terríveis. (Os brasileiros têm memória das exigências do FMI, por exemplo.)

A China, não. Tudo que ela deseja está estampado nos negócios que fecha. A política fica inteiramente de fora: cada sócio que cuide de suas coisas.

Nos países africanos, a China foi adiante como sócia. Para ganhar corações e mentes, perdoou dívidas (o que o Brasil também fez, sob críticas ferozes dos conservadores) e construiu na África escolas, hospitais e coisas do gênero.

Este, enfim, é o jeito chinês de se relacionar com o mundo.

“Os chineses aparentemente aprenderam com os erros ocidentais e dão a seus anfitriões exatamente aquilo que eles querem — dinheiro, estradas, ferrovias — em troca de acesso a recursos naturais”, escreveu Dambisa em seu livro. “Todos os envolvidos triunfam.”

Por tudo isso, é muito bom ver o Brasil fechar negócios bilionários com a China — a despeito das vociferações dos desinformados ou mal-intencionados.

E muito bom não para Dilma ou o PT apenas — mas para o Brasil.

Paulo Nogueira
No DCM
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Um Plano Marshall sem ideologia


Acordo de investimentos com governo chinês não tem paralelo em nossa história e lembra iniciativa que permitiu reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra

A principal dificuldade para se compreender o alcance real do conjunto de acordo de US$ 53 bilhões para investimentos da China no Brasil reside em sua dimensão. Embora possam ser resumidos, hoje, a um simples calhamaço com algumas centenas de folhas de papel, autografadas pelas autoridades dos dois países, os 35 acordos bilaterais entre os dois governos envolvem um conjunto gigantesco de decisões, possibilidades e perspectivas, formando um bloco de medidas capaz de produzir um impacto tão grande em nosso futuro que é difícil encontrar um parâmetro de comparação.

Não há, na história diplomática brasileira, o registro de qualquer evento desta envergadura, envolvendo um espectro tão amplo e variado de atividades estratégicas como mineração, petróleo, defesa, aeronáutica, ferrovias, exportação de carne — e ainda um curioso programa de cooperação esportiva para aperfeiçoamento de atletas de ping-pong e ainda de badminton, aquele esporte que é uma mistura de volei de praia e jogo de peteca, muito popular na China e quase desconhecido no Brasil.

Anunciado numa conjuntura em que a oposição faz o possível para criar um grande pessimismo em torno do futuro do país, o acordo levou o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães — secretário-geral do Itamaraty na gestão de Celso Amorim, ministro nos dois mandatos de Lula — a fazer uma ironia em entrevista ao 247: “ou os chineses são desinformados e totalmente equivocados, ou quem imagina que o Brasil enfrenta uma situação catastrófica precisa aprender prestar atenção à realidade.” Crítico do programa de ajuste econômico que marca o segundo mandato de Dilma, Samuel também afirma: “ninguém investe 50 bilhões de dólares num país à beira do abismo. Muito menos quem tem as maiores reservas do mundo e pode escolher aonde coloca cada centavo.”

Em busca de uma referência histórica para o acordo com a China, diplomatas ouvidos pelo 247 admitem alguma semelhança entre os acordos assinados no início da semana e o Plano Marschall, programa de investimentos criado pelo governo dos Estados Unidos logo depois da Segunda Guerra Mundial, que permitiu a reconstrução da economia européia nas décadas seguintes.

“Mas é um Plano Marshall sem contrapartidas políticas nem ideológicas,” adverte o embaixador José Alfredo Graça Lima, que coordenou as negociações pelo lado brasileiro. Assim batizado em homenagem ao então secretário de Estado George Marshall, a partir de 1947 o plano que leva seu nome mobilizou US$13 bilhões na época — cerca de US$ 130 bilhões em dinheiro de hoje — para produzir uma dupla mudança no Velho Mundo, que teve impacto em todo planeta. Se, de um lado, contribuiu para modernizar uma economia destruída pelos bombardeios dos próprios aliados, que carregava marcas duradouras da sociedade aristocrática do século XIX, também jogou um papel decisivo para atrair os países da chamada Europa Ocidental para a áerea de influência política dos Estados Unidos. Foi assim que França, Italia, Inglaterra e outros países se consolidaram como aliados incondicionais de Washington durante a Guerra Fria, condição assegurada por laços econômicos, diplomáticos — e também militares, através da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Os acordos Brasil-China têm como finalidade as metas de cada país neste século XXI: crescimento da economia, distribuição de renda, inclusão dos mais pobres — e assim por diante.

Com uma postura que a maioria dos observadores concorda em definir como 100% pragmática, a diplomacia chinesa convive com indiferença absoluta pelo mais diversos regimes políticos. Não debate assuntos internos dos países-anfitriões e não gosta de ser forçada a tratar de seus próprios tabus, onde a área de direitos humanos é sempre uma questão delicada. Suas reais finalidades externas começam e terminam na economia. Até pelo tamanho de seu país e a dimensão de sua população de 1,3 bilhão de almas, os chineses são caçadores de fontes de matérias primas de todo tipo e tem uma preocupação permanente em encontrar mercado para suas mercadorias — o país, hoje, tem a maior produção industrial do planeta.

Como ocorre com boa parte dos episódios relevantes da evolução humana, a aproximação entre brasileiros e chineses não foi feita por uma sucessão de atos de pura vontade política, mas pela capacidade das partes em dar respostas racionais diante de circunstâncias definidas.

Os dois países começaram a aproximar de verdade quando o Brasil consumava a transição da ditadura militar para a democracia, num processo simultâneo à consolidação do programa de reformas — na época chamado de “economia socialista de mercado ” — realizado por Deng Xiao Ping. Foi naquele período que José Sarney fez uma viagem a Pequim, foi recebido pelo próprio Deng e debateu tratados de natureza diversa, inclusive espacial.

No governo Luiz Inácio Lula da Silva, onde a diplomacia brasileira consumou uma guinada definitiva em direção aos países que começavam a ser chamados de emergentes, o Itamaraty deu um voto de imenso valor diplomático quando, nos debates da Organização Mundial de Comércio, aceitou incluir a China na categoria dos países que possuem uma ” economia de mercado.” O nascimento dos BRICS ajudou a pavimentar o processo construção de um pólo diplomático alternartivo ao lado de Índia e África do Sul, também, mas os 35 acordos da semana passada têm natureza bilateral.

Reunem interesses complementares de brasileiros — cuja economia pede novos investimentos — e de chineses, que não podem cumprir um planejamento economico destinado a modernizar o país e oferecer novas oportunidades a sua população sem abrir mercados externos para investimentos produtivos, que lhe permitam empregar centenas de milhões de pessoas.

Num mundo em prolongada crise econômica desde o colapso dos derivativos, em 2008, Pequim movimenta uma máquina em outro percurso, que não enfrenta concorrentes nem mesmo rivais.

Afundada em seus programas de austeridade, a Europa não consegue sair do próprio atoleiro e tem sido incapaz de responder ao drama — modesto sob todos os pontos de vista — até de uma economia como a da Grécia, que pede um pouco, só um pouco, de oxigênio para respirar. O desempenho dos Estados Unidos tem sido um pouco melhor. Nem de longe, contudo, os bancos que governam a economia norte-americana têm demonstrado apetite para levantar o mercado interno de forma regular, e muito menos para estimular o crescimento fora dos EUA. Preferem alimentar-se no tradicional cassino e acumular ganhos espetaculativos. O resultado é que a esperada recuperação mundial se mostra lenta, sem um sinal visível nem convincente.

Neste ambiente em geral pouco promissor, a China, com o segundo PIB do planeta, é a economia que faz o contra-ciclo. Crescendo 7,5% ao ano — já cresceu 10% por um longo período — atua como uma locomativa na contra-corrente de uma tendencia mundial ao crescimento baixo e mesmo a recessão.

Vem daí o papel crescente que a China passa a desempenhar fora de suas fronteiras, ocupando espaço — sempre pacificamente, sem estimular atritos políticos — que até há pouco pareciam reservados aos Estados Unidos. O desembarque no Brasil, na semana passada, consumou uma vitória indiscutível do Dilma Rousseff, também. “Demonstra a credibilidade do país, ” afirma Graça Lima.

Experimentado arquiteto da diplomacia comercial brasileira, a estrela de Graça Lima iluminou-se no governo Fernando Henrique Cardoso, perdeu força durante os dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e, de uns tempos para cá, recuperou o brilho durante o governo Dilma Rousseff. Na condição de Subsecretário de Assuntos Políticos 2, área responsável pelas relações com os países da Ásia e com os BRICS, Graça Lima conduziu negociações acompanhadas, de perto, pela própria presidenta da República — que sempre devotou gosto e atenção especial às negociações com a potência asiática. Semana sim, semana não, nos últimos meses Graça Lima recebia missões diplomáticas de Pequim no gabinete no Itamaraty, em conversas destinadas a acertar detalhes dos acordos. Os pontos mais complicados, como se pode imaginar, eram os urgentes e importantes, envolvendo a venda de aviões e as ultimas barreiras para a exportação da carne brasileira — e só foram resolvidos poucos dias antes da chegada da comitiva chinesa ao país.

Como se sabe, tão importante quanto a assinatura dos 35 acordos bilaterais, será o esforço para garantir sua execução em prazos compatíveis. A convivência econômica entre povos e países está recheada de iniciativas bem sucedidas e também de idéias que deram errado. Os anos iniciais do Plano Marshall foram muito menos animadores do que se podia imaginar no futuro. A Aliança para o Progresso, de 1960, que seria um esforço de John Kennedy para estimular o crescimento da América Latina em bases democráticas para fazer frente ao apelo da revolução cubana encerrou-se sem progressos visíveis e o apoio a golpes militares contra governos progressistas. O futuro dos países não se encontra numa bola de cristal e sempre será um horizonte formado por surpresas e movimentos inesperado. Mas é difícil negar que, por sua história recente, Brasil e China, tão diferentes, tão distantes, têm um conjunto de interesses diferentes mas complementares que podem ser atendidos de forma proveitosa pelas partes. Esta é a racionalidade do acordo.

Paulo Moreira Leite
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A imprensa e a terceira via

Ouça aqui



O tema é tratado nesta quinta-feira (21/5) por dois destacados colunistas. Um deles, Merval Pereira, escreve no Globo. O outro, José Roberto de Toledo, publica no Estado de S. Paulo. Embora este observador não costume citar nomes, mesmo quando analisa textos específicos, a circunstância aponta a conveniência de identificar os autores, porque o assunto provavelmente irá dominar a crônica política nos próximos meses, talvez nos três anos que nos separam da campanha presidencial de 2018.

O pano de fundo é a operação de guerra conduzida pela imprensa hegemônica, com o propósito de isolar e fragilizar a atual presidente da República e, ao mesmo tempo, atacar ininterruptamente a reputação do ex-presidente Lula da Silva, que é tido como provável candidato ao Planalto na próxima eleição. O grande destaque dado a sucessivas manifestações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a última delas dominando o programa de seu partido, o PSDB, na televisão, é parte desse processo.

Como já se afirmou neste espaço (ver aqui), a análise diária do noticiário político e sua extensão lógica — as escolhas da imprensa entre os fatos da economia — aponta claramente o propósito de manter sitiada a presidente Dilma Rousseff, nem que para isso seja necessário dar apoio ao senador Renan Calheiros e ao deputado Eduardo Cunha, dirigentes do Congresso Nacional visados pela Operação Lava-Jato. Mas essa pressão é controlada no limite da governabilidade, porque a mídia tradicional não pode contrariar o chamado setor produtivo, que tem interesse no plano de ajuste proposto pela presidente.

O nome do jogo é manipulação, mas esse é um aspecto tão explícito que sua observação não representa um desafio instigante: o leitor crítico enxerga isso com a simples visão das manchetes. Para entender metade da história, basta ler o editorial publicado pelo Estado de S. Paulo na quarta-feira (20/5), intitulado “O pesadelo de Lula” (ver aqui).

O texto pode ser considerado um clássico do lacerdismo, que passou a marcar a linguagem da imprensa brasileira a partir da ascensão dos “pitbulls” ao panteão do jornalismo. Escrita em chulo — a novilíngua que caracteriza o jornalismo predominante no Brasil —, e sem a verve que marcava as diatribes de Carlos Lacerda, essa declaração explícita de engajamento partidário funciona como ancoragem para o discurso do veterano líder tucano na TV.

Tecendo a rede

Um filósofo diria que ambos — o editorialista, em nome do jornal, e o político-sociólogo, em nome da fração da sociedade representada por seu partido — personificam o cinismo em estado clássico, ou seja, a alienação em relação à sociedade como um todo, ou a construção de um mundo à parte da política. Esse mundo particular é regido por uma ética muito conveniente, na qual os malfeitos do poder têm um calendário especial: segundo esse calendário, a corrupção nasceu em 2003, quando Lula da Silva assumiu a Presidência da República em primeiro mandato.

Voltando aos dois colunistas citados, por que seus textos marcam de maneira tão clara o próximo episódio na disputa partidária que estimula radicalismos e divide de maneira tão visceral a sociedade brasileira? Porque os dois avançam na observação do cenário retratado pela imprensa hegemônica e apontam para um horizonte em que se torna propício o surgimento de uma terceira opção aos dois polos em torno dos quais se adensam as forças políticas. Na opinião dos dois autores, PT e PSDB correm o risco de morrer abraçados em 2018.

Tanto Pereira quanto Toledo se referem ao fato de que, ao se engalfinhar com o PT, o PSDB perde apoio de muitos de seus eleitores, porque os correligionários tradicionais dos tucanos “não se reconhecem mais no radicalismo assumido”, segundo Merval Pereira. Pode-se acrescentar que, alinhando-se com as forças mais reacionárias do espectro político, o PSDB se desfigura aos olhos do cidadão politicamente educado que apoia a socialdemocracia. Já o jornalista do Estado de S. Paulo pondera que 66% dos brasileiros não têm preferência partidária — apenas 14% votam firmemente no PT, e o PSDB tem o suporte incondicional de apenas 6% dos eleitores.

Os dois colunistas enxergam um cenário favorável ao surgimento de uma “terceira via”. Merval Pereira vislumbra uma candidatura do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa e cita, mais à direita, o senador Ronaldo Caiado e o deputado Jair Bolsonaro. José Roberto de Toledo afirma que “há espaço de sobra para quem souber contar uma história nova e convincente”. Nenhum dos dois se lembrou da ex-senadora Marina Silva, que tece sua rede longe do barulho da mídia.

Luciano Martins Costa
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A Globo usa uma tragédia carioca em sua campanha pela redução da maioridade penal

O médico Jaime Gold
A tragédia com Jaime Gold, assassinado na Lagoa Rodrigo de Freitas quando andava de bicicleta, está sendo usada de maneira escandalosa num proselitismo a favor da redução da maioridade penal.

Gold tomou três facadas no abdômen. Os bandidos levaram sua bike, carteira e celular. No hospital Miguel Couto, foi submetido a uma cirugia, mas não resistiu.

Desde o início havia a possibilidade de que os criminosos fossem menores de idade. A cobertura de sua morte extrapolou o jornalismo e se transformou em campanha.

Reproduzo aqui uma série de tuítes de matérias do jornal O Globo perpetrados em dois dias:
  • Morre ciclista esfaqueado por bandidos na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio.
  • Frequentadores da Lagoa, no Rio, dizem que falta policiamento no local
  • Morte de ciclista na Lagoa é ‘inadmissível’, diz Beltrame
  • Cara ou barata: ciclistas dizem que ladrões visam todos os modelos de bicicletas
  • ’Uma tragédia anunciada’, diz presidente da Comissão de Segurança no Ciclismo
  • Filha de médico esfaqueado na Lagoa desabafa: ‘Uma bicicleta e uma carteira por uma vida’
  • Morte na Lagoa: Pezão diz que não adianta polícia prender bandidos, se Justiça solta
  • ‘Não dormi, pensando no que aconteceu’, diz médico que socorreu ciclista esfaqueado na Lagoa
  • Após ataque brutal, movimento de esportistas diminui na Lagoa Rodrigo de Freitas
  • Cidade do Rio tem pelo menos 167 pessoas feridas a faca nos primeiros quatro meses de 2015
  • Polícia Civil apreende adolescente suspeito de esfaquear médico na Lagoa
  • Corpo do médico esfaqueado no Rio será sepultado no Cemitério Israelita do Caju
  • Pezão admite que houve erro no policiamento da Lagoa, onde médico foi esfaqueado
  • Suspeito de matar ciclista nega participação no crime, mas confessa roubos na Lagoa
  • Artista faz ilustração em protesto contra a morte de ciclista na Lagoa, no Rio
  • Após morte de ciclista, frequentadores da Lagoa farão protesto no domingo
Parte dessa insistência é fruto da obsessão riocêntrica da publicação. Outro pedaço é sensacionalismo puro. Uma das matérias tinha como título o seguinte: “Médico esfaqueado por assaltantes na Lagoa assumiu criação dos filhos após divórcio”.

“Como diziam os mais antigos, ele não era deste mundo”, abre o texto. As pedaladas enchiam “o coração do doutor de alegria” (Gold era cardiologista). E por aí vai.

A Globo é a favor da redução da maioridade penal e é seu direito inalienável. A questão é a exploração de alguém que não pode se defender.

No mês passado, o jornal publicou um editorial intitulado “Destravar o debate”. “Os indicadores evidenciam que a política brasileira para enfrentar a crescente criminalidade juvenil é um fracasso, tanto do ponto de vista judicial quanto dos programas de reinserção social”, lê-se.

Jaime Gold virou mártir involuntário da causa. Ontem, dia 20, a polícia apresentou um dos suspeitos. Ele tem 16 anos e já havia sido capturado pelo menos dez vezes por uso de drogas, roubo e ataques com faca.

Pronto. Nas redes, há centenas de pessoas pedindo seu linchamento. A sede de vingança precisa ser saciada. O adolescente é símbolo da impunidade, da fragilidade das instituições, da incapacidade de lidar com esses animais.

Em meio ao tiroteio, a voz mais sensata foi a da ex-mulher de Gold, Márcia Amil, mãe de Daniel, 22, e Clara, 21. Para ela, Jaime foi “vítima de vítimas, que são vítimas de vítimas. Enquanto nosso país não priorizar saúde, educação e seguranças, vai ter cada vez mais médicos sendo mortos no cartão postal do país. E não só médicos, afinal, morrem cidadãos todos os dias em toda a cidade”.

Todo crime bárbaro longe da favela traz em sua esteira um discurso demagógico e, no final das contas, perigoso. A sensação de alarme gera a ideia de que é preciso combater com mais violência os que atacam a sociedade. Márcia Amil fugiu do script, mas o teatro seguirá adiante.

Kiko Nogueira
No DCM
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A hipocrisia da punição aos ginastas que brincaram com o colega


Ao longo de minha vida, desde a adolescência, pude frequentar diversos ambientes: o do ativismo estudantil, o ambiente musical, o esportivo (em meus tempos da seleção de tênis de mesa da Caldense), o militar (no Tiro de Guerra), o jornalístico, o empresarial.

Os ambientes de maior camaradagem e menor preconceito sempre foram o esportivo, o militar e o musical. O esportivo ainda conseguiu a disciplina e o corporativismo do militar com a informalidade do musical.

Digo isso a respeito da punição aos três jovens ginastas por brincadeiras com o amigo negro.

O vídeo incriminador é claro. No começo brincadeiras com a cor do amigo. O amigo não gosta. Na sequência, os três gozadores pulam na cama do amigo, cobrindo-o de carinho para tirar-lhe a má impressão.

Aí o show encontra o grande tema para mostrar como é politicamente correto, o bode expiatório, tema que, permitindo à imprensa o exercício do linchamento, purga todos os seus pecados habituais, de prática recorrente do assassinato de reputação. Tudo dentro das boas normas, porque é permitido linchar o suposto linchador.


"Aparentemente inofensivo, um vídeo com conversas entre atletas da seleção brasileira masculina de ginástica olímpica que estão treinando em Portugal, visando aos Jogos Pan-Americanos, expôs ao país uma faceta nada agradável do esporte brasileiro: as injúrias raciais".

E aí levanta a bola para o exibicionismo amplo dos que gostam de exercitar o politicamente correto em temas irrelevantes.

Os quatro atletas — os três mais Ângelo — aparecem em vídeo explicando que era uma brincadeira entre amigos. Mas como Ângelo — a suposta vítima — ousa sair do papel de vítima apenas para atrapalhar a indignação dos homens de bem?

O Globo, do grupo que endossa as arbitrariedades do mais insidioso representante do retrocesso moral no país — Eduardo Cunha — levanta a bola para o secretário-executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência, Giovanni Harvey, cortar e desmentir a suposta vítima: não houve brincadeira, mas racismo.

"— No vídeo de desculpas, Ângelo está constrangido. Não contentes em discriminar Ângelo, postam isso — declarou. — Aguardo a manifestação da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), cujo código disciplinar, no Artigo 89, estabelece punições de advertência a desfiliação. Aguardo um pronunciamento do Comitê Olímpico do Brasil (COB), cujo superintendente Marcus Vinícius Freire afirmou em janeiro que racismo tem de ser punido igual ao doping".

Hipócritas, todos vocês.



Luís Nassif
No GGN
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Pedido de impeachment de Beto Richa será protocolado nesta sexta


Tarso Cabral Violin é advogado, professor universitário, autor do Blog do Tarso e presidente da Associação dos Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná – ParanáBlogs.

Ele foi um dos mais de 200 feridos (392, segundo a APP-Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Paraná) no Massacre do Centro Cívico de Curitiba, em 29 de abril de 2015.

Desde então, Tarso passou a refletir sobre o pedido de impeachment do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).

Em 8 de maio, em julgamento simbólico realizado na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), juristas concluíram que Beto Richa é o responsável pela barbárie contra professores, estudantes, servidores e cidadãos na manifestação de 29 de abril.

Presente, o professor Celso Antônio Bandeira de Mello, considerado o maior jurista do Direito Administrativo de todos tempos, disse cabia impeachment do governador.

O evento foi essencial para Tarso levar adiante o pedido de impeachment. Em uma madrugada da semana passada, ele decidiu “colocar no papel” a petição destinada ao Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná.

Inicialmente, iria assiná-la sozinho, como cidadão e advogado. Alguns amigos juristas quiseram assinar junto. Depois, os seguidores do Blog do Tarso. Ele começou a incluir na petição, manualmente, os cidadãos que pediam para apoiar a empreitada. Até que chegou uma hora em que não conseguia mais fazer a inclusão digital e decidiu criar uma petição on-line.

Trata-se de PETIÇÃO REAL, como Tarso faz questão de frisar, para pedido de impeachment de Beto Richa devido ao Massacre do Centro Cívico de Curitiba.

Encabeçada por advogados e professores universitários, a petição on-line será anexada à protocolada junto à Assembleia Legislativa, nesta sexta-feira, dia 22.

Quem quiser apoiá-la, tem de fazê-lo ainda hoje. Clique aqui.

Segue a petição, com os apoiadores até as 23h57 desta quinta-feira, 21 de abril.


Para: Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná

O advogado e professor universitário, Tarso Cabral Violin, autor do Blog do Tarso, vai protocolar no dia 22 de maio, na Assembleia Legislativa do Paraná, um pedido de Impeachment contra o governador do Paraná, Carlos Alberto Richa, vulgo Beto Richa (PSDB), por causa do Massacre do Centro Cívico de Curitiba, ocorrido no dia 29 de abril de 2015.

Se você é um professor, estudante, servidor público, advogado, blogueiro, ativista digital, dirigente sindical, político ou um cidadão que não aceita agressões graves contra seres humanos pelo Poder Público, assine essa petição.

Seja um apoiador da petição, preencha seu nome e e-mail.

Assinaram a petição inicialmente:

TARSO CABRAL VIOLIN – advogado e professor universitário

LUÍS FERNANDO LOPES PEREIRA – professor universitário

NASSER AHMAD ALLAN – advogado e professor universitário

LINCOLN SCHROEDER SOBRINHO – professor universitário

SAMIR NAMUR – advogado e professor universitário

HAROLDO ALVES RIBEIRO JR – advogado

BERNARDO SEIXAS PILOTTO – servidor público federal

ROGÉRIO BUENO DA SILVA – advogado

JÚLIO CEZAR BITTENCOURT SILVA – advogado e professor universitário

Apoiadores:

Salo de Carvalho – Jurista

Carolina Zancaner Zockun – Jurista

Gabriela Zancaner – Jurista

Larissa Ramina – Jurista

Valquíria Prochmann – Jurista

Juliana Leite Ferreira Cabral – Jurista

Maria da Conceição C. Oliveira (Maria Frô) – Blogueira

Elizamara Goulart Araujo – Diretora da APP-Sindicato

Ivete Caribe Rocha – advogada e membro da Comissão Estadual da Verdade do Paraná

Ludimar Rafanhim – advogado

Tânia Mara Mandarino – advogada e Diretora Jurídica da Associação ParanáBlogs

Gelson Barbieri – advogado

Guilherme Amintas – advogado

Adriana Sucupira

Adriana Zamperlini

Alessandra Melo Grijó

Alexandre Araujo van Erven

Aline Chalus Vernick Carissimi

Aluysio Fernandes Rodrigues – Campo Mourão (PR)

Amauri Ribeiro

Ana Carolina Caldas

Ana Paula Franco de Macedo

Anelize Paulo da Silva – Curitiba/PR

Anderson Carlos dos Santos

Anderson Luiz Fasolin

Anderson Sameliki Dionísio

Anderson Wiens

Andre Lacerda

André Luiz de Mello Meirelles

André de Souza Vieira – Curitiba/PR

Andréia Montani Basaglia – Londrina/PR

Andressa Teles – Pinhais/PR

Ângela Dilma Maria

Ângela Maria Fernandes

Aparecido Araujo Lima (Cido) – São Paulo

Aristides de Athayde Bisneto

Aryon Schwinden

Azevedo Pardinho – Curitiba/PR

Benito Eduardo Maeso

Bruna Schmidt Malerba

Carlos Arthur Avezum Pereira – São Paulo/SP

Carlos Barbosa Júnior

Carlos Eduardo Ribeiro

Carlos Eduardo Vieira

Carlos Jesus

Carmen Chamiço – Curitiba/PR

Carolina da Silva Crozeta

Carolina de Souza Baumel

Cesar Luiz da Silva Pereira

Cesar Mauricio Marçal

Chris Minuzzo

Cicero Andrade

Claudemar Pedroso Lopes

Claudio Roberto Angelotti Bastos

Claudino da Silva Dias

Cleide Velani

Cleuza Ribeiro Machado – Londrina/PR

Cynthia Werpachowskki

Cyro Fernandes Corrêa Júnior

Daniel Cezar Zanin

Daniel Zugueib Coutinho – servidor público federal DNIT

Deborah de Gracia Araújo

Denilson Roberto Zych – Curitiba/PR

Denise Maggiulli

Désirée Oberst

Diana Cristina de Abreu

Dionísio Cecílio Silva

Douglas Benício

Durval Gomes Viana

Eduardo Pacheco de Carvalho – Curitiba

Eddel Gusmão dos Anjos – Guaratuba

Edgar Della Giustina

Edilson Ferreira Bucker – Laranjeiras do Sul/PR

Edio Furlanetto Jr

Elane Xavier Gomes

Elcio Antonio Pizani

Eliane Gonzaga de Abreu

Elias Sebastiao da Silva

Eliete Gregorio Pacci

Elisângela Bertuzzzi

Elizangela Kurek

Ester Luisa Morais Cordeiro

Éverson Fasolin

Ewelyze Protasiewytch

Fabiana Fernandes

Fabio Aguieiras – Curitiba/PR

Fabricia Subtil Simão – Castro/PR

Fernando Antonio Moura Fialho Silva – Rio de Janeiro/RJ

Fernando Kertischka

Fernando Toledo Martins

Filipe Jordão Monteiro

Francieli Lisboa de Almeida

Francisco Alberto Grijó

Francisco Manoel de Assis França

Gabriel Fernando Kertischka

Gabrielle Martignago Soares

Geoff Martin

Georgette Vanessa Janaina Carneiro Chaves – Ivaiporã/PR

Geroane Santos

Gilson Mezarobba – professor de Pitanga/PR

Gislainy Regina Violin dos Santos

Gisleidy Violin

Gutenberg Alves Fortaleza Terixeira – Dois Vizinhos/PR

Heloisa Zila Rodrigues

Hugo Felipe Frison – Alto Piquiri/PR

Irma Carlletti

Ivone Ceccato

Jeferson Rodrigo Veneri Bonancio

Jessica Silveira Vysak – Ponta Grossa/PR

João Colbert Bello

Jade Cristiane Merlin

Joel Zambão Estevam

Jorge Ferreira

Josane Rangel Sanches – Curitiba/PR

José A. E. Huertas Calvente – Lauro de Freitas/BA

José Carlos R Ferreira – Balneário Camboriú/SC

José da Encarnação Leitão

Jose Luiz Desordi Lautert

José Pedro Xavier Netto

Joselisa Teixeira de Magalhães

Josiane Maria dos Santos

Jucinês da Silva Lemos

Juliana Grijo

Juliana Melo Grijó

Juliana Rodrigues Urbaniski

Júlio Bittencourt Silva

Julio César Cordeiro da Silva

Jussiara Lichacovski – Ponta Grossa/PR

Kaley Michelle Bolen

Kelly Cristina Miranda

Kelvyn Luchtenberg – Curitiba/PR

Ketrin Salloum Moreira

Lara Iung Nogueira Rocha

Larissa Graebin de Sousa

Leandro Alves dos Santos

Leilane Lazarotto

Leonardo Karvat Camelo

Leopoldo Tavares Viana

Ligia Maria Borba Rodrigues OAB/PR 70.974

Lindineia Ribas Santos

Loreni Willemann – Marechal Cândido Rondon/PR

Lucas Barbosa Mazzer

Lúcia Adélia Fernandes

Lucia Arruda

Luciana do Carmo Neves – Londrina/PR

Luciana Morales Maes

Luciana Paula da Silva Felix

Luciano Cesar Gonzaga

Lucilene de Menezes Silva

Luiz Ernani da Silva Filho – União da Vitória/Paraná

Luiz Gastão Mendes Lima Filho

Luis Guilherme Lange Tucunduva

Luizão Souza

Maikon Ferreira

Manoel Neto

Mara Araujo

Marcela Alves Bomfim

Marcelo Luis Santos Ribeiro – Duque de Caxias/Rio de Janeiro

Marcia Regina

Márcia Regina Dioniso Mota Bicalho

Marcia Regina dos Santos

Marcos Mussi de Lima

Margarete Lopes Iung

Maria Cecília Ferreira – Toledo, OAB/PR 41014

Maria de Fátima dos Santos Kertischka

Maria Dulcinéa Costa de Siqueira

Maria Gorete Ostapechem

Maria José de Lima Esplicio – Uraí/PR

Maria José de Oliveira

Maria José Resmer

Maria Helena Pupo Silveira

Maria Inês Braschi – Curitiba/PR

Maria Inês Furtado Corrêa Gabriel

Maria Pacheco

Marilena Silva

Matsuko Mori Barbosa

Mauro Sérgio Ribeiro

Melissa Teixeira Geronasso

Milena Beatriz Andrade

Miriana Fernanda Pietchak Massera

Nádia Iung Nogueira Rocha

Naiara Iung Nogueira Rocha

Neusa Chiapetti

Nicolle Silano Domingues dos Santos

Octávio Luís Vaz

Pablo Kremer da Motta

Pâmela Cristina Chaves da Silva

Paola Sayuri

Paulo Adolfo Matoso Nitsche

Paulo Afonso Ribeiro Júnior

Paulo Roberto Cequinel

Pedro Kiochi Kondo

Percia Verônica Kuklik Novadzki – Curitiba/PR

Poliana dos Santos Ramos

Pricila Oliveira

Rafael Athayde Marcelino da Silfa

Rafael Chiapetti de Moura – OAB/PR 46.983

Rafael Estacio Demio

Rafael Gustavo Lima Ribeiro

Rafael Wobeto de Araújo

Ramile Dutra de Araujo

Ramon Siqueira Arneiro

Regina Flávia Naves Freire-Maia

Regina Maria Machado

Regys Moreira Lins

Renaldo Landal

Ricardo de Campos Leinig

Roberta Valesca Bet

Robson Roberto da Silva – Londrina/PR

Rodrigo Leonardo Priesnitz

Rosana de Jesus Fernandes

Rosane Aparecida de Oliveira

Rosangela Borges

Rosani Clair da Cruz

Rosilei Vilas Boas

Rosinete Da Silva Moreira

Rubiana Joesa de Lima – Ponta Grossa/PR

Sandra Dugo

Sandra Regina Melo Grijó

Sandra Regina Pereira

Sara Beatriz Minuzzo

Sérgio Vicentin

Silvana de Assis Govoni

Silvana do Carmo Seffrin

Silvio Marcos Mendes Tagata – Curitiba/PR

Sirlei Bernadete Lorenzoni

Solange Maria Ribas

Solange Suscinsky

Sonia Boz – Curitiba/PR

Sonia Regina de Souza Rossato

Soraia Kemps Souza

Susidarlen Lara Ribeiro

Tainá Iara Gomes – advogada

Tânia Ferreira Pinhais

Tatiani T. Galvan Costa – Salto do Lontra/PR

Teodolino de Sousa Lima Neto

Thiago Douglas Moreira da Silva

Ulisses Rodrigues de Oliveira

Vanessa Lima

Vanessa Ribeiro de Souza

Velozo Santos – Evelozio Joaquim dos Santos – Jornalista de Araucária

Vera Armstrong

Vera Lúcia Doretto – Londrina/PR

Vicente Samy Ribeiro – músico e professor da UNESPAR

Victor Vanhoni

Vinicius Prado Alves

Wanda Karine Santana

Wictor Augusto Guimarães Dias

Willian Carneiro Bianeck

Conceição Lemes
No Viomundo
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