21 de mai de 2015

Richa diz que esposa não é corrupta porque “tem berço” e é religiosa


Em entrevista para um portal nacional, Beto Richa disse que sua esposa Fernanda Richa, que além de primeira dama é secretária de Estado, não é corrupta porque é religiosa e tem “bom berço”.

O Ministério Público do Estado do Paraná está investigando uma suposta propina de R$ 2 milhões que Fernanda tenha exigido para a campanha do marido em 2014.

Disse ainda que ele nem sabia o que era um auditor fiscal, o que ficou comprovado que é mentira, veja matéria abaixo. A suspeita é que ela tenha usado de sua influência para a promoção de auditores, em troca de R$ 2 milhões. Para salvá-la entrou em jogo um dos maiores advogados do Brasil, o professor René Ariel Dotti.

pastor-1



Presidente de sindicato disse que promoção de auditores contou com “empenho” de Fernanda Richa

Fernanda Richa, com o presidente do Sindafep, José Carlos Carvalho, e o vice-presidente sindical, Wanderci
Polaquini. A foto está em matéria no site do sindicato.
Uma publicação do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita do Estado do Paraná (Sindafep), de maio de 2014, cita o empenho da esposa do governador Beto Richa (PSDB) e secretária da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, nas promoções de auditores fiscais da Receita Estadual.

Em declaração publicada no Jornal dos Auditores Fiscais da Receita do Estado do Paraná (Notifisco), o presidente do órgão, José Carlos de Carvalho disse que o decreto que autorizou as promoções (número 10.937), assinado por Richa, “foi fruto do empenho da diretoria do Sindafep, da secretária Fernanda Richa, do secretário Luiz Eduardo Sebastiani e do diretor Helio Obara, que trabalharam unidos e comprometidos com a classe para que isto acontecesse”.


Outra publicação no site do sindicato, do dia 11 de agosto de 2014, traz como título: “Sindafep se reúne com Fernanda Richa para tratar de assuntos de interesse mútuo”. (veja matéria abaixo).

Em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, no portal UOL, Beto disse ontem que Fernanda Richa “nem sabe o que é um auditor fiscal” e que as acusações contra ela são uma “canalhice”.



Flagrante desmente e complica Beto Richa no escândalo de suborno para sonegação

Sindafep
A Promotoria de Justiça e Patrimônio Público de Curitiba investiga desde março uma denúncia contra a mulher do governador Beto Richa. Segundo a acusação, a primeira dama, Fernanda Richa, teria exigido R$ 2 milhões de auditores fiscais para que o tucano os promovesse de cargo.

"O valor teria sido arrecadado mediante contribuições espontâneas de integrantes da Receita Estadual e estaria destinado à campanha de reeleição de Carlos Alberto Richa", diz o texto da denúncia.

Fernanda Richa, através de nota, afirmou que "jamais interferiu em atos administrativos de competência do governador".

O governador tucano chamou a acusação de "canalhice" e disse que sua mulher “nem sabe o que é um auditor fiscal”.

Mas o passado desmente categoricamente Beto Richa e coloca em dúvida a explicação de Fernanda, pois ela reuniu-se com a diretoria do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita do Estado do Paraná (SINDAFEP) no dia 24 de julho de 2014, e foi para tratar também de pendências financeiras segundo notícia divulgada pelo sindicato com direito a foto.

"Durante o encontro, o presidente do Sindicato, José Carlos Carvalho, e o vice-presidente sindical, Wanderci Polaquini, apresentaram a pauta com as pendências financeiras existentes com os Auditores Fiscais paranaenses...".

No jornal do mesmo Sindicado, edição de maio de 2014, a página 5 traz a noticia "Governador assina decreto que autoriza a promoção dos Auditores". No texto está escrito com todas as letras “Isto foi fruto do empenho da Diretoria do SINDAFEP, da secretária Fernanda Richa (...)".

Apenas isto não é prova de malfeitos, mas desmente Beto Richa, pois Fernanda sabe muito bem o que é um auditor fiscal. E também desmente a própria primeira dama, pois segundo o sindicato dos auditores ela interviu sim pela classe para que atos administrativos do governador fossem assinados.



No Blog do Tarso | Gazeta do Povo | Amigos do Presidente Lula
Leia Mais ►

As táticas sujas da mídia golpista para abafar a Zelotes


A Folha se tornou um jornal muito esquisito.

Fui dar uma olhada na capa do portal. Sem surpresa: só dá Lava Jato, Dirceu, o de sempre.

A manchete é sobre a prisão de um empresário que tinha feito pagamentos a Dirceu, pelos serviços de consultoria que o ex-ministro prestava, sem esconder isso de ninguém.

Claro, quando interessa, o sujeito não é mais empresário: vira “lobista”, “operador”.

A linguagem é muito importante para estabelecer a narrativa.

Sergio Moro incluiu no texto o seu estilo barbosiano: diz que acha “suspeito” que alguém tenha contratado Dirceu.

O empresário em questão já declarou em juízo que Dirceu prestou serviços prospectando negócios no exterior.

Não adianta.

Moro escreveu aquele texto de Rosa Weber, que condenou Dirceu usando a famigerada frase: “não tenho provas contra Dirceu, mas a literatura me permite condená-lo”.

Parece que Moro continua pensando do mesmo jeito.

Prende as pessoas porque acha “estranho”. É como se Dirceu tivesse se tornado um vampiro. Qualquer pessoa que tenha contratado seus serviços, se torna também vampiro aos olhos de Moro — e da mídia.

É uma maneira de um setor radicalizado da oposição se vingar dos empresários que não se juntaram ao coro midiático do “delenda Dirceu”.

Mas eu queria falar de outra coisa.

Logo abaixo da manchete, vemos uma chamadinha ultra discreta para a Operação Zelotes, que envolve valores bem mais altos que a Lava Jato, e não corresponde a nenhuma obra, nenhuma refinaria, plataforma, hidrelétrica. É a corrupção pura, aquela que talvez Merval Pereira chamasse “corrupção do bem”.

A chamada: “PT quer inflar Zelotes.”

Ah, bom!

O PSDB não quer “inflar a Lava Jato”, nunca quis “inflar o mensalão”, mas o PT quer “inflar a Zelotes”.

A matéria, assinada por Leonardo Souza, é completamente esquizofrênica, porque o seu teor, o seu tom, a sua linha editorial, confirmam exatamente o que o texto procura denunciar como “delírio” do deputado Paulo Pimenta (PT-RS): o de que a mídia quer abafar esse escândalo.

Ora, os últimos dias trouxeram várias novidades sobre a Zelotes. Paulo Pimenta trouxe os delegados responsáveis pela investigação, que deram depoimentos ricos em informação. Houve um debate interessante na Câmara sobre as insuficiências do sistema para reprimir os crimes tributários.

Foi criada uma CPI no Senado, há somente dois dias!

Não falta assunto.

O que a Folha podia fazer: entrevistar especialistas em direito tributário; ativistas pela justiça fiscal; pesquisar como é feito o combate ao crime tributário em outros países; correr atrás da repercussão da Zelotes na sociedade civil, política e empresarial.

Nada disso. A Folha não agrega informação nenhuma. Não ataca os sonegadores. Não repercute a denúncia do procurador e do deputado, de que o juiz da Zelotes não está ajudando.

Ao invés disso, a Folha publica um texto contra o parlamentar que lidera, há tempos, uma luta solitária contra os grandes esquemas de sonegação no país.

É muito cinismo.

E confirma que o Brasil, se quiser lutar contra a corrupção fiscal, não poderá contar com esta mídia que aí está: vendida, partidária, e, mais que nunca, golpista.

Ah, e sonegadora também.

Miguel do Rosário
No O Cafezinho
Leia Mais ►

FHC, conte para o seu neto como foi a reeleição


Na última quarta-feira (20), em discurso para trabalhadores em São Paulo, o Presidente Lula respondeu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que usou o programa eleitoral do PSDB para atacar o petista ao falar em corrupção.

“Se ele [FHC] quisesse falar de corrupção, ele precisaria contar para este país a história de sua reeleição. Eu espero que, com a mesma postura com que ele foi agredir o PT ontem à noite, ele diga – se não quiser dizer para mim não tem problema, eu sei como foi. Senta na frente do seu neto e conta pra ele. Seja verdadeiro” ”, disse Lula no Seminário Nacional de Estratégia para o Ramo Financeiro, organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT, em São Paulo.

Leia Mais ►

A autoridade moral de Fernando Henrique Cardoso - II

Sem anestesia, FHC tirou dinheiro da área social e aumentou o desemprego com o pacote fiscal de 1998. E ainda assim quer falar de 'estelionato eleitoral'?


reproduçãoPor razões que qualquer pedaço amarelado de jornal da época indicam, é difícil entender a lógica do PSDB e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo a qual o pesadíssimo ajuste fiscal feito nos primeiros dias após as eleições de outubro de 1998 foi um ato louvável, e as medidas anunciadas pela presidenta Dilma Rousseff no ano passado, nas mesmas condições, são estelionato eleitoral.

Em 1998, o mundo tinha acabado de enfrentar a crise russa, com grande repercussão sobre o Brasil, que empurrou seus sérios problemas cambiais com a barriga até que FHC vencesse a disputa pela reeleição, apesar das fragilidades externas do país, e jogou o país na recessão.

No ano passado, Dilma, logo após o pleito que a reconduziu ao cargo, anunciou um corte drástico de despesas e investimentos do governo e reduziu gastos com alguns programas sociais — e, ao que tudo indica, paralisou também o país — sob o argumento de que a crise internacional, que o Brasil dribla desde 2008, havia, enfim, atingido a economia brasileira com intensidade.

A semelhança entre ambos é que os dois ajustes foram feitos seguindo o be-a-bá da ortodoxia e jogaram ainda mais para baixo uma atividade econômica já deprimida.

A diferença entre ambos é que o Brasil de FHC não tinha gordura, estava à beira da bancarrota e sequer teve escolha: seguiu à risca o receituário do FMI porque precisava desesperadamente da ajuda de U$ 41 bilhões que o FMI, outros organismos internacionais e países desenvolvidos condicionavam à aplicação dos famosos remédios amargos que, segundo o receituário neoliberal tão caro ao então presidente e sua equipe econômica, eram necessários, um preço a ser pago para entrar no clube do mundo globalizado.

Em 1998, sequer houve escolha: ou era isso, ou o Brasil quebrava. O clima beirava ao pânico. Tanto que, em 29 de janeiro de 1999, uma sexta-feira negra, boatos sobre a situação econômica do país provocaram uma corrida aos bancos. O governo teve que decretar feriado bancário na segunda-feira para evitar o pior. (“Agora, sob nova direção: FMI assume política econômica e impõe pesada recessão para conter a inflação e a queda do Real”, Isto É, 10/2/1999).

No caso de Dilma, embora haja uma justa discussão se o pacote fiscal foi amargo demais para o tamanho da doença, existe o fato inegável de que o Brasil não vai quebrar – e vai precisar de muito ataque especulativo ao país, como os que já ocorreram, para tornar o Brasil próximo ao que era na crise de 1998. Naquele ano, as reservas internacionais brasileiras eram de US$ 34 bilhões e cairiam para US$ 23,9 bilhões no ano seguinte. O Brasil fechou o ano passado com US$ 374,1 bilhões de reservas.

O que não é crível, no caso atual, é que o ex-presidente FHC, que considerou como remédio necessário o arrocho fiscal de 1998, venha dizer do pacote de Dilma que “estão operando sem anestesia” para uma plateia de empresários, em 29 de maio passado. Provavelmente, o mesmo público que, 17 anos atrás, pagava pelos danos do pacote de FHC. No final de agosto de 1998, um grupo de empresários e o então sindicalista Paulinho da Força foram ao vice-presidente Marco Maciel para alertá-lo dos efeitos colaterais do pacote (“Principal temor é o desemprego”, O Estado de S. Paulo, 8/10/1998). Não haviam conseguido chegar em FHC ou no seu ministro da Economia para apresentarem as queixas.

Naquele ano, o IEDI (Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial), em documento, diagnosticava que “as políticas de juros, cambial e tributária condenam as empresas ao desaparecimento”.

O governo FHC chegou a anunciar um “mutirão anticrise”, a disponibilização de linhas de crédito para empresas em dificuldade, segundo a Folha de S. Paulo para “compensar os efeitos das altas taxas de juros na economia e atenuar a recessão”. Mas, segundo o jornal, sem grandes chances de concretização, pois “falta dinheiro nas principais instituições oficiais de crédito”. “O BNDES deverá reduzir em 1999 seu orçamento de investimentos”, informa o jornal. (“Falta dinheiro para o mutirão anticrise”, Folha de S. Paulo, 27/01/1999).

Da parte de FHC, não teve anestesia nem remédio para dor. Depois dos cortes de outubro de 1998, em fevereiro seguinte o governo anunciou um corte adicional (“Governo decide cortar mais R$ 1 bilhão só no 1o. bimestre”, FSP, 20/2/1999). Sem Novalgina, FHC resolve reduzir “Outras despesas de custeio, que incluem os gastos em projetos sociais do governo federal”. O anúncio foi feito no mesmo dia em que era divulgado o resultado do PIB de 1998 pelo IBGE, de 0,15%, perdendo apenas para o posterior ao Plano Collor, em 1992, que provocou um crescimento negativo do PIB de 0,54% (“PIB tem o pior resultado em seis anos”, FSP, 20/2/1999).

O jornal Folha de S. Paulo, em 21 de fevereiro de 1999, deu na manchete que “País tem 5% do desemprego mundial”. Na página de dentro (a 7 do Caderno Dinheiro) informava que não apenas o ajuste fiscal do governo, mas o próprio modelo econômico do modelo FHC, havia levado o Brasil a um quarto lugar mundial em número de desempregados. “O crescimento recente da participação brasileira no desemprego mundial começou quatro anos atrás, em 1995. Não por acaso, o desemprego acompanha o aumento da abertura do país aos produtos importados”. Era a âncora cambial do governo FHC produzindo os seus efeitos. Sem anestesia.

Também sem nenhum conforto para a dor, os preços dos produtos básicos chegaram à estratosfera. “Cesta básica sobe e bate recorde no real”, anunciou a Folha de S. Paulo, em sua edição de 23/02/1999. Onze dias depois, era a vez de mais más notícias: “Desemprego bate recorde em SP” (FSP, 3/3/1999). Segundo o IBGE, a Região Metropolitana de São Paulo atingia a maior taxa de desemprego desde 1983, de 9,18% da população economicamente ativa.

Dois dias depois, os jornais anunciavam que o novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no dia de sua posse, promoveu um aumento de juros para 45% ao ano, a unificação das taxas em uma única, a Selic, e o início do regime de metas de inflação — herança imposta aos sucessores de FHC. No mesmo dia, sem anestesia, o governo aumentou os derivados de petróleo em 11,5%. Esperou a campanha eleitoral passar. (“Juros sobem para conter a inflação; combustível terá aumento de 11,5%”, FSP, 05/03/1999).

Ainda no mês de março, e já como resultado das medidas fiscais restritivas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciou a redução de 0,71% no nível de emprego industrial do Estado (“Indústrias fecham 11,6 mil vagas em fevereiro em SP”, FSP, 11/03/1999). Na edição do dia 14, a FSP informa que “o PIB vai cair de 3,5% a 4% em 1999” segundo o FMI, previsão que “embute o recuo de 8% na produção industrial” (“Indústria tem pior queda com o FMI”, FSP, 14/3/1999).

Esses são apenas exemplos da autoridade moral de FHC para se tornar o porta-voz das críticas a Dilma. Quem quiser mais, basta ler jornais velhos.

Maria Inês Nassif
No Carta Maior

Leia Mais ►

Cunha aprova projeto para construir ‘shopping’ na Câmara no valor de R$ 1 bilhão


Por meio de uma manobra, o presidente da Câmara dos Deputados conseguiu colocar em votação e aprovar um projeto que prevê a construção de um centro comercial no Congresso – principal bandeira de sua gestão; “Uma megalomania típica de quem se acha dono do Parlamento brasileiro”, criticou deputado do PSOL

A Câmara dos Deputados terá um ‘shopping center’. Essa foi a principal bandeira de Eduardo Cunha (PMDB) em sua candidatura para presidente da Casa e, na noite desta quarta-feira (20), por meio de uma manobra, a proposta foi votada e aprovada.

Enquanto avaliam medidas de ajuste e que apertam os gastos públicos, os deputados aliados de Cunha não se ressentem em deixar passar um projeto de ampliação da estrutura do Congresso que, além do centro comercial, prevê a reforma e construção de novos gabinetes. O orçamento é de R$ 1 bilhão.

Para conseguir aprovar o projeto, o presidente da Casa e os deputados de seu partido incluíram a possibilidade da construção da obra dentro de uma outra Medida Provisória que trata da tributação sobre produtos importados. Assim, a Câmara pode recorrer a uma PPP (Parceria Público Privada) para realizar o projeto.

Deputados do PT, PSDB e PSOL votaram contra. “Uma megalomania típica de quem se acha dono do Parlamento brasileiro, e que legisla de costas para o povo e de mãos dadas com os financiadores privados de campanha, que agora serão sócios na construção do Shopping Center em plena Câmara dos Deputados. É o fim da picada! O povo deve repudiar este abuso”, afirmou o deputado federal Ivan Valente (PSOL).

No Fórum
Leia Mais ►

Como a CBN informou sobre o caso Fachin pouco antes da votação


Sócrates e Platão confabularam sobre a votação de Fachin no Senado, poucas horas antes dela, numa reedição dos clássicos Diálogos.

Ou pelo menos foi assim que Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada, caracterizou Merval e Sardenberg.

Ele não disse quem era Sócrates e quem era Platão, mas publicou a conversa — o diálogo, melhor — que os dois tiveram.

Sardenberg pedia luzes sobre a votação. Merval respondeu com sombras para os infelizes ouvintes.

Para mostrar intimidade com o poder, ele afirmou que acabara de falar com “senadores”.

Com base nestas conversas, o quadro, segundo Merval, estava completamente indefinido.

Fachin precisava de 41 votos, lembrou Merval, mas ele tinha, garantidos, apenas 38, e olhe lá.

A realidade esmagou a previsão obtusa, desinformada e desinformadora de Merval. Fachin se elegeu com 52 votos.

A margem de erro de Merval foi fabulosa: de 38 para 52 são mais de 30%. No ramo das pesquisas, ele estaria falido.

E mesmo no jornalismo — não tivesse ele plena licença para errar sempre que se tratar de falar contra o PT.

É uma licença de que gozam virtualmente todos os colunistas das grandes corporações de mídia.

De ninguém é cobrada precisão quando está em jogo o PT.

Não faz muito tempo, um blogueiro do UOL virtualmente matou Lula ao atribuir-lhe um câncer no pâncreas.

É o mais letal dos cânceres, e Lula já estaria morto se fosse verdade. O blogueiro, Leandro Mazzini, segue, tranquilo, na ativa.

Se inventasse uma pneumonia para Serra ou um resfriado para Aécio provavelmente já estaria na rua.

Na Época, o redator-chefe Diego Escosteguy descobriu a fórmula para a impunidade jornalística, apesar de sua relativamente pouca idade.

Nestes dias, ele tem insistido, contra os fatos concretos, que Lula está sendo investigado pelo Ministério Público.

Isso foi até capa da revista.

O que existe, na verdade, é um pedido de um procurador para que se abra uma investigação.

É um caso complicado. O procurador é acusado de postar mensagens contra a candidatura de Dilma na campanha, o que significa um problema ético e sugere uma visão partidária dele de justiça.

Será aceito seu pedido?

O tempo responderá. Mas para Escosteguy isso não importa. Ele próprio já decretou que sim.

No Twitter, ele vem postando loucamente mensagens que confirmam o que ainda não foi confirmado.

Em tempos menos conflagrados politicamente nas redações, Escosteguy já estaria demitido. Mas ele continua a bater panelas na Época.

De volta a Sócrates e Platão, quem realmente perdeu na história não foi nem Merval, “íntimo” dos senadores, e nem Sardenberg, outro luminar que fez carreira súbita depois de anos de medíocre trajetória.

Foi o público da CNN.

Pulitzer, o maior dos jornalistas, cobrava desesperadamente precisão de seus comandados.

Sem ela, não existe credibilidade.

Os irmãos Marinhos, e seus companheiros donos de empresas jornalísticas, não têm nada do espírito de Pulitzer.

É uma pena, e é uma das razões da miserável qualidade do jornalismo brasileiro feito pelas corporações.

Paulo Nogueira
No DCM



Leia Mais ►

As tolices a respeito do Bolsa Família


Do filósofo Eduardo Giannetti da Fonseca, liberal, ouvi a máxima de que os juros são altos porque o brasileiro entrou na voracidade do consumo e não sabe poupar, preferindo se endividar sem olhar a taxa paga.

De um economista de direita, em um Congresso Internacional de Direitos Humanos em Belém, as críticas acerbas quanto ao fato do pobre gastar dinheiro atrás de quinquilharias da classe média.

De Frei Betto, de esquerda, que o grande erro do governo foi ter proporcionado bens materiais e não espirituais aos pobres.

De O Globo, sempre atento às invasões bolivarianas, ao fantasma de Che, e ao supremo risco dos irmãos Castro invadirem o Brasil, o endosso às teses de Frei Betto.

* * *

E aí se vê a geleia geral em que se transformou a política brasileira. No Bolsa Família, Frei Betto critica o caráter “compensatório”.  O Fome Zero, na versão idealizada por ele, era um “programa emancipador”, que primeiro daria formação, montaria uma estrutura em torno de conselhos populares, organização social, para depois premiar o pobre com o direito ao consumo.

Nada além do que organizações como o Movimento dos Sem Terra (MST), ou Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) propõem, ou seja, uma organização à parte do mercado, com fundas raízes ideológicas, ótimas para a organização de grupos sociais excluídos, temerária como política pública.

Releve-se o sofisma de Betto — que o governo deveria dar luz e saneamento em vez de renda familiar, como se ambas as prioridades fossem conflitantes.

O programa Luz para Todos é um sucesso amplo. O saneamento, uma frustração, mas por falta de competência gerencial, não de vontade política.

* * *

Nos três casos — o liberal, o esquerdista e o direitista — o mesmo preconceito em relação ao livre arbítrio do cidadão e do mercado como elemento de inclusão social. Nos três casos, uma posição profundamente elitista, um liberalismo de jabuticaba, que investe contra princípios básicos do liberalismo para políticas sociais, que defende o livre arbítrio do beneficiário de políticas compensatórias; um esquerdismo de araque, que só concebe o tal do povo submetido a programas educativos; e um direitismo em estado puro, para quem o povo é a ralé.

* * *

Sugiro aos três grupos os relatos da pesquisadora da Unicamp, Walkiria Leão, sobre o poder transformador do consumo — ela própria abrindo mão de seus preconceitos de esquerda contra o consumo.

São relatos extraordinários sobre a importância do “crédito” (de acredito) na vida das pessoas, a maneira como saíram do anonimato e ganharam um perfil público, levando-as a se transformar em outras.

Pobres que tinham até vergonha de frequentar locais públicos, graças ao consumo se sociabilizaram, não apenas venceram a fome e a insegurança financeira, mas ousaram novas profissões, novos voos.

* * *

Betto tem uma diferença em relação ao Bolsa Família: sepultou o seu Fome Zero, um conjunto de ideias soltas, sem nenhuma amarração conceitual, sem capacidade de implementar política alguma.

Em uma das críticas ao Bolsa Família, em 2009, taxou-a de “projeto de poder”. Projeto de poder mambembe era o Fome Zero, com sua visão missionária de emancipação.

São esses pobres, que se tornaram classe média sem a tutela do Estado, que estão hoje empurrando o país para frente, ao exigir melhoria nos serviços públicos, a volta do crescimento econômico, a recuperação do sonho que aprenderam a sonhar.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Mário? Que Mário?


A polícia do DF resolveu fazer filantropia. A notícia (rara) chegou rápido demais


Não perguntem a respeito do eletricista Mário Ferreira da Lima, de 47 anos, para a imprensa brasileira. É melhor que nós esqueçamos o homem que furtou 7kg de carne em um supermercado de Santa Maria, no Distrito Federal, para fazer a primeira refeição após dois dias de fome e também alimentar o filho, de 12 anos, que cria sozinho.

Preso em flagrante, após ser pego, no ato do crime, por seguranças do estabelecimento (vigiado por câmeras), Mário foi conduzido à 20ª Delegacia de Polícia (Gama Oeste), onde prestou depoimento. Às autoridades, ele disse ter contado com o ovo na cloaca da galinha: pensou que o valor referente ao benefício Bolsa Família (R$70) estaria disponível no momento de pagar a compra. Contou, ainda, que estava desempregado e vivia de bicos. Cerca de dois anos atrás, ele trabalhava com carteira assinada, mas perdeu o emprego depois que a esposa sofreu um acidente e passou oito meses internada em um hospital, necessitando de cuidados do marido. O crime teria sido “um ato de desespero”.

O delegado estipulou fiança de R$270 como condição para a liberdade de Mário. Comovida, uma policial pagou o valor, ainda na noite de quarta-feira (13/5), e Mário foi solto. A agente comentou a história com os colegas e organizou-se uma vaquinha, na delegacia, para dividir o valor. E mais que isso: os agentes levaram Mário até a casa onde mora. Lá, confirmaram a carência por que ele passava e resolveram levá-lo a um mercado para que fizesse compras de cesta básica, novamente paga pelos policiais.

Essa foi, basicamente, a apuração feita pelo Correio Braziliense e publicada no site do jornal nos últimos minutos da quarta-feira.

Esse foi, provavelmente, o release entregue pela Polícia Civil ao Correio Braziliense e publicado no site do jornal nos últimos minutos da quarta-feira.

Na manhã seguinte, a notícia era destaque no caderno de Cidades do maior jornal de Brasília e capa da versão popular do diário (Aqui DF), com a manchete: “A fome o fez roubar, mas a bondade o libertou”. Ainda nas primeiras horas da manhã de quinta-feira (14/5), a notícia estava em muitos outros sites da imprensa local. Ao longo do dia, tornou-se viral nas redes sociais e apareceu em absolutamente todos os grandes portais de jornalismo do país. Todos.


A foto que correu (várias sacolas de compras enfileiradas no chão da casa de Mário) foi clicada do celular de um dos policiais. A apuração que correu seguia o texto inicial do Correio Braziliense. (E, se bem nos conhecemos, sabemos que fora replicado / cozinhado sem pudor.) A exceção era o G1. O portal mostrou ter refeito a apuração e surgiu com novas (poucas) informações. Os sete quilos de carne, até então, eram apenas dois, por exemplo.

Instaurada a comoção na internet, os telejornais também trataram de produzir a notícia. Repórteres foram até a casa de Mário, abriram a geladeira vazia, exibiram a gambiarra de lenha para cozinhar os alimentos, no chão do quintal  —  pois também não havia gás para acender as chamas do fogão; gravaram entrevistas com ele, com os policiais e narraram o fato com entonação e texto que expressavam pena do homem e orgulho da polícia.

Tudo quase como à regra. Não fosse a filantropia da polícia e a compaixão pelo criminoso.



Na sexta-feira (15/5), Mário teve agenda cheia. Era pauta nacional e estava acompanhado de um conhecido advogado de criminosos “famosos”. Entre os compromissos, participou de um link no programa Encontro (Rede Globo), para uma conversa com a apresentadora Fátima Bernardes, em que ele repetiu estar arrependido e envergonhado. Poucos minutos depois, Mário (e o advogado) estava, novamente ao vivo, no estúdio do jornal local Balanço Geral (Record DF), onde repetiu a história, o arrependimento e a vergonha pelo ocorrido, em entrevista ao apresentador Henrique Chaves.

Paralelo às câmeras, ao restante da agenda e aos cuidados do advogado, grupos se formavam na internet, em uma mobilização a fim de reparar os prejuízos financeiros dos policiais; bem como continuar com as ajudas a Mário, que a esta altura conseguira também uma entrevista de emprego (articulada pela própria imprensa) e, sem saber, acumulava doações na delegacia onde fora preso por furtar  —  e a bondade o libertou.

Ele voltou às publicações online do Correio Braziliense no final da tarde de sexta-feira (15/5), logo após a entrevista de emprego. Por ter sido contratado, o jornal deu uma suíte, permitindo, no lide, aspas do contratante e dados históricos da empresa em que Mário começaria a trabalhar na segunda-feira (18/5). Notoriamente em mais um ato de filantropia, agora do jornal para com a empresa que empregou Mário.

Simultaneamente, no corre e corre das redações, Mário constava na pauta do Fantástico (Globo) do último domingo (17/5) e em programas como o do Rodrigo Faro (Record). Talvez por isso a equipe do G1 decidiu terminar a apuração que, até então, possuía apenas duas falas: a de Mário e a da Polícia Civil. Entretanto, envolvia a esposa de Mário, os filhos de Mário (o que morava com ele e o que morava com a esposa), a comunidade onde Mário mora (e, portanto, os moradores vizinhos), o dono e os funcionários do supermercado onde o crime foi realizado e, ainda, um banco de dados da polícia  —  que não é interligado entre as unidades da federação.

Dessas possibilidades, a reportagem do G1 selecionou o banco de dados e o gerente do supermercado  —  possivelmente os mais acessíveis. Descobriram, então, que Mário já aparecera outras três vezes em delegacias. Todas por furto de carne. Ao ouvir o gerente do supermercado, a reportagem recebeu questionamentos próprios de repórteres, como o porquê de Mário ter tentado comprar, segundo disse, 7kg de carne de uma única vez, sem a garantia do dinheiro para pagar. Ou, ainda, o porquê de ter escolhido uma carne razoavelmente inacessível (coxão duro), em avaliação do gerente.

No sábado (16/5), o G1 publicou essa continuidade da apuração. No Domingo (17/5), Mário não apareceu no Fantástico e sequer chegou a receber algum convite do apresentador Rodrigo Faro. O site do Correio Braziliense deu o assunto por encerrado. As informações sobre a ficha criminal de Mário não viraram pauta nacional. Seu nome e imagem não surgiram mais no matinal de Fátima Bernardes nem nos jornais locais. As vaquinhas e mobilizações… é preciso apurar.

Pelo aplicativo whatsapp, a vizinhança de Mário comentava a recente fama do morador do Gama Oeste, velho conhecido dos “loteiros” (transporte coletivo ilegal) da região. Outras informações sobre o homem surgiram. Entre os áudios enviados, amigos comentavam:
— Rapaz, acabei de crer que esse mundo tá perdido, mesmo, viu? Cheguei do serviço, ontem, mas era tanto carro de imprensa, tanto carro de imprensa que parecia que tava o Barack Obama lá, a Dilma… O cara que tá aí passando no jornal, o ladrão de carne, que pegaram ele roubando a carne no supermercado e ele deu uma de doido lá, de coitado, e os policiais pagaram a fiança dele e soltaram ele… E ainda mandaram uma cesta básica pra casa dele… Resumindo, esse cara é o maior picareta. Hoje de manhã, indo na padaria, vi ele no programa da Fátima Bernardes dando depoimento! Dando uma de coitado. Essas peças de picanha que eu pego aí, direto, eu pego tudo na mão dele, pô! Pego a quinze reais, vinte reais à peça. Ele rouba e vende aqui pros loteiros do Novo Gama todinho. Agora tá aí, pagando de coitado aí. Vou te falar, esse mundo tá perdido, viu, véi? Desgrama! O cabra tá ficando rico, moço! Com as falcatrua! Dando uma de coitado, de passa fome… Esse bicho é tão cabuloso, que todo dia era uma peia na mulher dele lá, e é maior viciado em pedra, pô! Pega lotação com nóis, aqui no Novo Gama, e desce bem ali, perto da passarela, perto do viaduto, ali, onde fica aqueles viado e aquelas prostituta lá. Ele desce ali direto pra comprar pedra. Maior viciadão. A galera aqui tá todo mundo de cara, moço. Como é que pode uma coisa dessas? Ouvi falar que vai sair uma matéria dele até no Fantástico. O negócio tá sinistro, viu, bicho? Deixa o bicho ficar bem divulgado, bem estourado mesmo, aí, depois nóis vai lá e vamo extorquir o bicho. Rapar metade desse dinheiro dele, pra ele deixar de ser otário. Tem uma pá de galera aqui no Novo Gama que tem prova que esse bicho é pilantra. O que mais tem aqui é uma galera que compra carne na mão dele. Galera aqui não compra nem carne no mercado, não, pô! É tudo na mão dele. Barato… Umas galinha morta pagar vinte reais numa peça de picanha. Quem é besta de não comprar?
Observações:
  • Não é comum, na cobertura de Polícia no DF, encontrar filantropia da polícia. Não é comum que os agentes da 20ª DP recebam a imprensa  —  até mesmo o número de coletivas é mínimo. Não é de hábito da imprensa que cobre polícia ouvir versões que não sejam a da polícia.
  • Comum, na cobertura de polícia do DF, somente o fato de a Polícia Civil e a Polícia Militar pautarem as redações. Quando e como bem entendem.
  • Não parece uma ideia razoável um morador do Gama Oeste se deslocar 15km para comprar meia dúzia de alimentos  —  incluindo sete quilos de carne  —  em Santa Maria.
Lembretes:
  • Não é honesto esquecer-se de contar o restante da história.
  • Jornalismo é feito pra vender. E é vendido.
  • Ler jornal requer um esforço imenso.
Rhenan Soares — com colaboração de Raíssa Falcão
No Medium
Leia Mais ►

Reestruturação da Editora Abril atinge Veja

Movimento na cúpula editorial é um dos mais profundos dos últimos anos

Nas várias reestruturações efetivadas pela Editora Abril nos últimos dez ou 20 anos, um único núcleo da empresa manteve-se praticamente intacto e imune às crises de qualquer natureza: a revista Veja, menina dos olhos de Roberto Civita, que nunca deixou chegar à publicação cortes mais profundos. Com a morte dele e o agravamento da crise do mercado editorial, particularmente no segmento de revistas, essa blindagem perdeu vigor e a revista, após anos de uma certa segurança, sofreu este ano cortes importantes, como o anunciado semanas atrás, com várias demissões e o fechamento das Vejinhas BH e DF.

Agora, nos últimos dias, discretamente a revista negociou também as saídas das editoras executivas Vilma Gryzinski, que cuidava dos núcleos de comportamento, estilo e moda, e Isabela Boscov, que ali começou em setembro de 1999, respondendo inicialmente pela parte de cinema, e que, a partir de 2010, também acumulou as funções de editora executiva, respondendo por Artes & Espetáculos. Além delas, também saiu a editora Karina Pastore, do núcleo de saúde, e o colunista Leonel Kaz. Não chega a ser uma despedida completa para Vilma e Isabela, que continuarão como colaboradoras. Vilma, por exemplo, está gravando esta semana o Mundo Livre para a TVeja e Isabela define nos próximos dias os detalhes de sua colaboração, tanto para a revista impressa quanto para o online.

Segundo apurou o Portal dos Jornalistas, a saída do dia a dia da revista permitirá a Isabela retomar a produção de vídeos e sua veiculação pelo youtube; e lançar até o início de julho um blog de Cinema & Séries. Ela começou a carreira na seção de Cultura do Jornal da Tarde, onde trabalhou durante um ano, e de lá foi para a Folha de S.Paulo, ali permanecendo durante seis anos, entre as editorias de Cotidiano, Ciência (que era então um caderno semanal) e Ilustrada. Antes de ser contratada por Veja, dirigiu a revista SET durante cinco anos.

Dois outros editores executivos haviam saído numa fase anterior: Carlos Graieb, quando foi convidado a assumir a Direção de Redação da Veja.com, e Jaime Klintowitz, que exatamente um ano atrás se aposentou. As duas vagas não mais foram preenchidas. De modo que, dos cinco editores executivos que a revista mantinha até 2012, resta agora apenas Diogo Xavier Schelp, gaúcho de Santa Maria, 39 anos, que foi anteriormente repórter e editor de Quatro Rodas, chefe da sucursal de Veja em Porto Alegre, correspondente em Salvador e editor de Internacional da revista em São Paulo. As mudanças, até onde J&Cia pôde conferir, não chegaram a andar de cima, preservando a Direção de Redação (Eurípedes Alcântara) e os redatores-chefes Fábio Altman, Lauro Jardim, Policarpo Júnior (Brasília) e Thaís Oyama.

Embora tenham sido passos discretos, estima-se que o corte total, ao longo das últimas semanas, atingiu 32 pessoas em São Paulo e 49 em todo o Brasil. A revista também negociou uma redução da ordem de 10% nos fees de vários de seus colunistas. Pelo lado dos investimentos, consta que deve cacifar cada vez mais a TVeja, que, como diz um dos profissionais da casa, está bombando. Não é de se duvidar de que alguns dos que agora saem logo recebam proposta da concorrência. É o que se comenta.

No GGN
Leia Mais ►

A conexão Serra-Matarazzo no caso do jornal anti Haddad e no blog ‘Implicante’

Eles
O caso do panfleto anti-Haddad produzido pelo vereador Andrea Matarazzo, prefeiturável do PSDB em São Paulo, obedece a um modus operandi de seu mentor e melhor amigo José Serra.

Segundo a Folha, foram gastos, oficialmente, 13 mil reais para imprimir 55 mil exemplares de um tabloide com oito página denominado “Nova Cidade”. O dinheiro foi tirado da verba anual de 239 062,56 destinada a  “serviços gráficos, assinaturas e materiais de escritório”.

Segundo as normas da Câmara Municipal, esse tipo de material precisa ter “caráter educativo, informativo ou de orientação social”. É permitida a criação de um jornal para divulgação de atividades institucionais “desde que não haja promoção pessoal de qualquer dos vereadores por meio desse veículo de comunicação”.

O pasquim automopromocional tem fotos de Matarazzo triunfante em todo lugar. O editorial, assinado por ele, diz que “nos últimos dois anos, a vida na cidade piorou muito, graças a uma gestão ineficiente e sem noção de prioridades”.

Uma das matérias denuncia que São Paulo tem número recorde de queda de árvores, para emendar que Matarazzo propôs um projeto de lei para diminuir os processos de poda. Sobra também para as “ciclovias do absurdo”. O expediente traz o nome de cinco jornalistas, quatro repórteres e uma editora, todos eles lotados no gabinete do pessedebista.

A gráfica é a do Estadão. O repórter do DCM Pedro Zambarda fez um orçamento de uma publicação nos mesmos moldes. O valor foi de 4,1 mil reais, quase 9 mil a menos. Esse montante teria pago o trabalho do time.

A assessora de imprensa de Andrea, Bia Murano, editora do panfleto, acha que não há “nenhum problema ético” e que, pelo chefe ser de oposição, é natural que ele seja “mais crítico com o prefeito”.

novacidade

É um uso espúrio de dinheiro público. As digitais de AM estão também em outra história recente: a do Implicante, o site de difamação feito pela agência Appendix, contratada por Alckmin por 70 mil reais mensais para “serviços de comunicação da secretaria da Cultura”.

Ex-subprefeito da Sé na gestão Serra e secretário de Kassab, Andrea foi secretário estadual de Cultura entre 2010 e 2012, quando saiu para a vereança, mas deixou sua equipe (ganha um sorvete quem souber o nome do atual secretário). Eles eram chamados, segundo um pessedebista histórico, de “menudos”.

Uma destas pessoas é Cristina Ikonomidis, que também passou pela Secretaria de Cultura, foi secretária-adjunta de Comunicação Institucional do governo Serra e hoje é sócia da Appendix. Bia Murano gravou em 2010 um depoimento sobre Serra no YouTube, afirmando que o conhece “desde a infância” e que guarda “com carinho um presente muito especial que recebeu dele” — uma autógrafo numa cópia da Constituição.

Em setembro do ano passado, Andrea Matarazzo organizou uma coletiva de Aécio Neves com donos de mais de 80 jornais de bairro da capital. “Na semana seguinte, todos eles tinham anúncios da Secretaria de Cultura”, disse um desses empresários ao DCM.

O jornal detonando a prefeitura, que o contribuinte paulistano ajudou a lançar, é um aperitivo do que Matarazzo ainda fará até 2016. José Serra, o homem do “Pó Pará, governador?”, fez escola.

Kiko Nogueira
com reportagem de Pedro Zambarda.
No DCM
Leia Mais ►

O encontro de Celso Amorim com o Barão de Itararé


Entrevista com Celso Amorim

Leia Mais ►

Debate sobre humanização nas redes sociais é encerrado após demonstrações de ódio — assista

Enquanto Anderson Girotto, do MST, falava,
manifestações de ódio começaram
Por iniciativa da deputada Manuela D’Ávila (PCdoB), a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizou nesta quarta-feira (20) o debate #HumanizaRedes: Juntos contra o ódio e a intolerância na internet! No entanto, o evento teve de ser encerrado justamente devido a demonstrações de intolerância de forma presencial durante a audiência, que reuniu também o deputado Jorge Pozzobom (PSDB) e os jornalistas Juremir Machado, Moisés Mendes e Luciano Potter, assim como o chefe de gabinete da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Roberto Nascimento.

O debate transcorreu de forma respeitosa por cerca de meia hora, em que o colunista Juremir Marchado observou que “as pessoas fazem uma diferença entre o virtual e o real, como se o virtual não fosse real, fosse um mundo paralelo, e por isso possa haver intolerância”. Durante o evento, porém, algumas das pessoas na plateia começaram a criticar a posição dos integrantes da mesa, afirmando ser “só gente que pensa igual”. A deputada Manuela conseguiu contornar a situação destacando que todas as pessoas da plateia que desejassem teriam a oportunidade de se manifestar.

O evento continuou, com a abertura de inscrições para falas do público, momento em que alguns se manifestaram contrários à regulação de postagens e comentários na internet que instiguem o ódio. A confusão que levou ao encerramento do debate se deu durante a fala do militante do Movimento Sem Terra (MST) Anderson Girotto, que estava apontando que a sociedade brasileira vive um momento de “ódio aos pobres, daqueles que nunca tiveram nada”.

Neste momento, ele foi interrompido pelas mesmas pessoas que antes haviam se manifestado, que gritavam e vaiavam da plateia. Manuela pediu que houvesse respeito a quem estava falando, mas seu pedido não foi concedido. Cerca de quatro homens brancos começaram a gritar “verde e amarelo, sem foice e sem martelo”, ao que Girotto respondeu: “A gente usa essa enxada aqui porque é com ela que trabalhamos”, mas as manifestações continuaram.

A deputada encerrou a atividade pedindo desculpas para os convidados e para Girotto. “Não há ambiente para discussão, as pessoas estão gritando e (…) não vamos deixar a nossa atividade ser encerrada com atos de violência, que é o que os provocadores querem”, afirmou, classificando de censura o que aconteceu com o militante do MST. “Essa não é a intenção de nenhum de nós. O ódio religioso, homofobia e ódio racial são crimes em qualquer ambiente. É a isso que estamos nos referindo”, completou a deputada.

Em seu Facebook, Manuela comentou rapidamente o acontecido. “A vida nos mostra o quão justa foi nossa atividade. A turma do ódio chegou para gritar. Tivemos q acabar para manter a integridade de todos. Contra o ódio na vida e nas redes!”, postou. Pelo Twitter, Juremir afirmou: “Deputada Manuela organizou belo evento na Assembleia sobre ódio na internet. Uma galera detonou tudo com manifestações odiosas. Há muito eu não via tanto ódio num evento”.

Débora Fogliatto
No Sul21






http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7200

A cultura do ódio na internet e fora dela

A deputada Manuela d’Ávila (PCdoB) organizou uma mesa na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul sobre ódio na internet.

Intitulou o evento HumanizaRede.

Convidou jornalistas: eu, Moisés Mendes (Zero Hora) e Luciano Potter (Rádio Gaúcha).

O chefe de gabinete do Ministro de Estado da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Roberto Nascimento, nem chegou a falar.

Participou também o deputado Jorge Pozzobom (PSDB).

Manuela é vítima constante de ódio na rede.

Já teve “ativista virtual” desejando que seu bebê secasse na barriga dela.

Assim mesmo.

Jorge Pozzobom é outro que não escapa da barbárie virtual.

Um psicopata perguntou quem ele mataria primeiro, a filha ou o seu cachorro.

Na mesa, todos se manifestaram contra o ódio na internet.

Quando Potter estava falando, um homem o interrompeu. Segundo ele, faltava contraponto na mesa.

Ficamos perplexos. Deveria ter alguém na mesa que fosse a favor do ódio na internet?

O tempo fechou.

Um grupo, visivelmente organizado, começou a boicotar o evento.

Gritavam palavras de ordem do tipo “verde amarelo sem foice nem martelo”.

Algo assim.

Era uma armação para esculhambar a mesa organizada por Manuela.

Um sujeito, de boné do MST, berrava:

– Reaça tem que morrer.

Segundo Gregório Grisa, presente ao evento, era mais um infiltrado para melar a discussão. No facebook, Grisa contou o que ouviu: “Ao fim desci as escadas casualmente atrás deles, eram umas 15 pessoas, o jovem com boné do MST estava junto com o grupo nitidamente antiesquerdista. Quando chegamos no térreo eu o ouvi comentar:

- essa do boné sempre da certo, todos saem achando que sou do MST.”

Consta que a tropa de choque que boicotou e levou à interrupção do evento teria sido enviada por um deputado de direita.

Um novo inimigo de Manuela.

O ódio na internet é uma evidência.

No twitter, comentando esse rolo, um cara escreveu: “Passa mais hipoglós no seu rabo que tá pouco, seu subnitrato de bosta!!”

Leonardo Sakamoto, blogueiro da Folha de S. Paulo, e eu, sem qualquer contato, paramos de liberar comentários em nossos blogues.

Por quê?

Simples. Cansaço com ameaças, perseguições, calúnias e bullying.

Como ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, também não somos obrigados a trabalhar contra nós mesmos.

Sou totalmente a favor de que falem mal de mim. De preferência, milhares de vezes por dia. Colaboro para isso. Escrevo. Com isso, alimento quem queira me combater. Mas não tenho mais disposição para fazer moderação de insultos sistemáticos.

Censura é uma política de Estado pela qual se fica impedido de publicar em qualquer lugar.

Não há isso no Brasil.

O resto é opção.

Sugiro a criação de blogues contra mim. Dezenas, milhares, milhões.

Por que alguns não fazem isso? Porque ninguém os leria.

Querem carona para aparecer.

Não dou mais carona.

Cansei da Síndrome de Estocolmo. Não trabalho para meu sequestrador. Não colaboro com o estuprador. Não sirvo ao amo.

A chantagem da internet é essa: a vítima, para não ser censor, teria de trabalhar para o seu algoz.

Não contem comigo.

O evento interrompido da deputada Manuela mostrou, em tempo real, a cara horrenda da extrema-direita.

Curiosamente com discursos contra o politicamente correto e em nome da liberdade de expressão.
Leia Mais ►

Atletas envolvidos em caso de racismo são afastados da seleção de ginástica


A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) decidiu afastar da seleção os atletas Arthur Nory Mariano, Fellipe Arakawa e Henrique Flores, envolvidos em um vídeo — (veja abaixo) — em que faziam brincadeiras racistas ao companheiro Angelo Assumpção.

Henrique, Arthur e Fellipe ficaram de fora da seleção nacional e de eventos da modalidade pelos próximos 30 dias, ou até a CBG ou STJD da Ginástica tomar uma decisão definitiva sobre o caso.

No polêmico vídeo, Arthur Nory e Felipe Arakawa faziam comentários supostamente racistas sobre Angelo Assumpção, que aparece na gravação, parecendo estar constrangido com as ofensas dos colegas de Seleção.

"Seu celular quebrou: a tela quando funciona é branca... quando ele estraga é de que cor?", pergunta Nory. "Preto!", dizem outros atletas que não podem ser identificados na imagem. A turma prossegue: O saquinho do supermercado é branco ... e o do lixo? É preto!".

Na mesma gravação, os ginastas tentam fazer as pazes com Angelo, que não parece querer conversar com os companheiros. "Não gosto de falsidade", diz o atleta.

No ESPN



Leia Mais ►

FHC precisa contar a história da sua reeleição, critica Lula


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou, na quarta-feira (20), que o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) esclarecesse aos brasileiros o escândalo sobre a compra de votos para a emenda da reeleição, em 1997.

“Se ele quisesse falar de corrupção, ele precisaria contar para este país a história de sua reeleição. Eu espero que, com a mesma postura com que ele foi agredir o PT ontem à noite, ele diga – se não quiser dizer para mim não tem problema, eu sei como foi. Senta na frente do seu neto e conta pra ele. Seja verdadeiro”, criticou.

As declarações de Lula foram dadas durante a abertura do Seminário Nacional de Estratégia para o Ramo Financeiro, organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), em São Paulo, na noite de quarta.

Para o ex-presidente. FHC “não tinha o direito de falar a bobagem que falou” durante o programa partidário do PSDB, exibido em rede nacional na terça-feira (19). No vídeo utilizado para atacar o PT e o governo da presidenta Dilma Rousseff, os tucanos ignoraram os registros de corrupção no próprio partido.

“Eu vi o programa do nosso adversário na terça-feira. Fico triste, porque um homem que foi presidente da República, letrado como ele é, não tinha o direito de falar a bobagem que ele falou”, rebateu o petista.

“Não teve no nosso mandato ‘engavetador’ no Ministério Público e não teve afastamento de delegado da Polícia Federal por investigar. Só há um jeito das pessoas não serem incomodadas neste país, é serem honestas, é fazerem a coisa certa. Não tem tapete para esconder a sujeira. No tempo deles, só tinha tapete”, lembrou Lula.

O ex-presidente petista voltou a pedir que a oposição respeite a democracia e a reeleição da presidenta Dilma.

“Essas pessoas que estão batendo panela deveriam saber que democracia tem de ser respeitada, e a Dilma foi eleita presidente da República pelo voto direto”, afirmou.

“Nenhum país no mundo vai pra frente com a descrença, com o mau humor e a má vontade que está acontecendo no Brasil hoje”, criticou Lula, no evento.

No Agência PT
Leia Mais ►

PF investiga líder de protestos por intervenção militar

O capitão da reserva da Marinha Sérgio Luiz Zorowich, um dos líderes dos protestos que pedem uma intervenção militar no Brasil, foi intimado para depor em um inquérito da Polícia Federal que, segundo ele, tem como objetivo enquadrar os defensores da volta do regime militar na Lei de Segurança Nacional. Zorowich, que mora em Santos, recebeu a intimação há cerca de dois meses para depor na semana que vem.

O depoimento faz parte do inquérito 0161/15-4 instaurado pela Polícia Federal. A intimação não especifica o motivo da investigação.

Segundo ele, sua advogada apurou junto à PF que o objetivo é enquadrar defensores da intervenção militar no artigo 23 da Lei de Segurança Nacional, que prevê pena de um a quatro anos de detenção para quem incitar "subversão da ordem política ou social" ou "animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis".

Procurada por meio da assessoria de imprensa, a PF não negou as afirmações de Zorowich e se limitou a dizer que não comenta investigações em andamento.

Dono de empresas que prestavam serviços à Petrobras e acabaram falindo, Zorowich concentra sua atuação nas redes sociais, onde tem milhares de seguidores e publica mensagens nas quais pede a ação imediata das Forças Armadas para depor o governo do PT e chega a vincular a presidente Dilma Rousseff a grupos criminosos como o PCC ou terroristas como o Estado Islâmico. Para ele e seus seguidores, a tese do impeachment defendida por partidos de oposição é muito leve.

Em uma destas mensagens, em referência à Operação Lava Jato, escreveu: "que indiciamento que nada, vamos derrubar o governo pela força das massas e com apoio dos quartéis".

Indagado se as postagens não se enquadram no incitamento proibido pela lei, Zorowich respondeu: "não deixa de ser, não vou desmentir".

A Lei de Segurança Nacional foi criada durante a ditadura militar (1964-1985) para dar cobertura legal às ações das forças de repressão que investigavam, prendiam e torturavam integrantes de grupos contrários ao regime. A própria Dilma foi enquadrada na Lei de Segurança Nacional ao ser presa em São Paulo em 1970, quando militava no grupo armado VAR-Palmares.

"Não deixa de ser uma ironia que eu, defensor da intervenção militar, seja enquadrado em uma lei criada durante o regime", disse Zorowich.
Leia Mais ►

Apenas, e até o fim, um profissional

Causei preocupação involuntária ao procurador federal Sergio de Almendra Cavalcanti. Não me imagino capaz de desfazê-la, e talvez nem o desejasse: procuradores preocupados estão no seu melhor papel, o ideal é que assim estejam sempre. Mas proponho uma questão, objetiva e simples.

Se alguém dissesse de um trabalho sério feito por procurador, como Almendra Cavalcanti, que apenas o fez para "defender seus amigos" de determinado partido, não o estaria insultando?

Foi, em referência a mim, o que o leitor Eduardo da Rosa Borges fez, a propósito de pequeno artigo com fatos acrescidos de argumentos que, com muito mais autoridade, inúmeros juristas, advogados e ministros de tribunais superiores têm repetido, e escrevi: é preciso juntar às delações premiadas as provas, sem as quais é difícil haver condenação. E, no dizer dos próprios procuradores da Lava Jato, publicamente, ainda faltam as provas, passado mais de ano dessa operação. Só há pouco, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, determinou a quebra de sigilos de pessoas ligadas ao senador Renan Calheiros, o que poderia estar feito e esclarecido há meses.

Acusar um jornalista profissional de escrever para "defender seus amigos" — "do PT", como disse aquele leitor, ou de qualquer partido — é acusá-lo de indignidade profissional e imoralidade pessoal. Como seria, também, se acusação semelhante fosse dirigida a um procurador federal.

Não foi por aquele leitor "discordar dos argumentos do colunista", na suposição do procurador Almendra Cavalcanti ("Painel do Leitor", 20.mai), que o apontei como fascistoide. A mensagem acusatória daquele leitor não conteve argumento. Tive três razões para a maneira como o qualifiquei.

Nenhuma regra do jornalismo, da prestação de serviços ou da conduta pessoal sujeita alguém a ser agredido por insulto sem ter o direito de devolvê-lo. Vivi os 21 anos em que esse direito esteve expropriado. Não está mais.

Além disso, a inadmissão, seja por quem for, de que alguém escreva algo que o desagrade é conduta prepotente, autoritária, de um direitismo boçal — e intransigentemente inaceitável. É expressão do desejo de opressões, aumentadas as existentes e recriadas outras, que só desgraçaram este país e vão na contra-corrente de uma sociedade que precisa civilizar-se um pouco, antes que se perca de vez.

Ainda uma razão: para me insultar, aquele leitor inverteu o sentido do que escrevi, dando-o como contrário ao esclarecimento da corrupção na Petrobras e, portanto, dando-me como defensor da corrupção. Método típico dos fascistoides de direita e de "esquerda".

O "Painel do Leitor" não publicava mensagens grosseiras, mas parece que uma corrente grande de leitores nem permite mais esse cuidado. Melhores conhecedores da internet do que eu atribuem a irrupção da agressividade insultuosa, crescente contra autores e entre os próprios leitores, ao bruto linguajar comum nas redes, e estendido a manifestações como o "Painel do Leitor". Note-se que esta seção democrática da Folha, condicionada pelo espaço e por decisões de edição, publica apenas parte da correspondência dirigida ao jornal e a, ou sobre, autores. A tempestade de impropérios arquivados é grande.

No que se refira a mim, vou, a meu juízo, ignorar ou devolver a agressão. Não só como jornalista profissional e como pessoa: também em respeito à liberdade de expressão que aqui, do dia em que cheguei há mais de 30 anos até este fim de percurso, procuro usar com toda a responsabilidade de que seja capaz.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►