19 de mai de 2015

Um novo caminho direto ao Pacífico e à Ásia se abre ao Brasil pela Ferrovia Transcontinental


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Marieta Severo diz que país vive um retrocesso que nunca imaginou


Em 1965, o mundo foi sacudido pelo assassinato do ativista negro americano Malcolm X e pelo envio de tropas dos EUA ao Vietnã. No Brasil, o regime militar recém-instalado começava a dar suas cartas sombrias. Para Marieta Severo, 1965 foi feito de revoluções internas com sua estreia no teatro (em “Feiticeiras de Salém”) e no cinema (em “Society em baby doll”). Foi o primeiro ano do resto de sua vida.

Marieta esteve por trás de alguns dos momentos mais importantes da cultura brasileira: em 1968, atuou em “Roda viva”, peça-símbolo de resistência à ditadura; em 1995, estrelou “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, marco da retomada do cinema nacional. Em cena, foi de tudo um pouco. E, ultimamente, tem sido muito mãe. Da sofrida matriarca de “Incêndios”, peça em cartaz há dois anos pelo país (acabou de encerrar uma segunda temporada no Rio e promete outra em 2016), à simpática Dona Nenê, da série “A grande família”, a quem deu adeus em 2014, após 14 anos de dedicação.

Passadas cinco décadas daquele fervilhante 1965 em que começou, Marieta olha ao redor com apreensão.

— Sou contra a redução da maioridade penal e contra muita coisa que está em evidência e que, para a minha geração, é chocante. Há um retrocesso que nunca imaginei. Eu sou da década de 1960, do feminismo, da liberdade sexual, das igualdades todas — diz.

Aos 68 anos, ela volta às novelas em junho, no papel da amoral Fanny, dona de uma agência de modelos, em “Verdades secretas”, que a Globo exibirá na faixa das 23h. Na sequência, filma o longa “Aos nossos filhos”, dirigido por Maria de Medeiros. Na semana passada, a atriz recebeu O Globo para a seguinte entrevista, em que também fala de personagens, lamenta o excesso de musicais na cena teatral e defende o Teatro Poeira, que mantém com a atriz Andréa Beltrão, como seu legado.

Você passou 14 anos com um personagem. Dona Nenê foi embora, agora que vem outro?

Nenhum personagem te habita de forma tão absoluta quanto um que você faz por tanto tempo. É quase a sensação de uma outra natureza. É muito louco. E aí é antinatural se despedir dele. Foi muito difícil. Se eu falo, até hoje me dá angústia. É uma perda. Vivi por 14 anos com essa família mais do que com a minha própria. Acho que não é para fazer tanto tempo um personagem. Mas ela foi embora. Estou gravando no mesmo estúdio de “A grande família”. Tive de respirar três vezes e entrar. Estou no mesmo camarim. Mas agora é Fanny.

E como é Fanny?

Uma das coisas mais atraentes da Fanny é ser diferente da Nenê. Brincadeira, mas isso é um plus sim. Eu não pretendia voltar às novelas ainda, mas achei ótimo. Ela é dona de uma agência de modelos, que complementa o orçamento vendendo as meninas. Vende esse submundo para as garotas com muita convicção e amoralidade.

Ao estilo “lavou, tá novo”?

É o que ela diz. É a maneira de Fanny estar no mundo. Ela é amoral, quer dinheiro, poder, não tem limite. Quando você toca nessas questões, quer criticar, dizer: aí gente, tem isso. Porque hoje se está com a mania de cobrir todos os sóis com as peneiras. Temos um conservadorismo no ar.

Conservadorismo político, de costumes?

Acho que mistura tudo, e isso é o pior. Quando você tem um Congresso votando uma lei de maioridade penal, é o quê? É um conservadorismo político apoiando um conservadorismo social, de ideias, de princípios, de valores.

Você é contra a redução da maioridade penal?

Sou completamente contra. Sou contra muita coisa que está em evidência e que, para a minha geração, é chocante. Há um retrocesso que nunca imaginei. Sou da década de 1960, do feminismo, da liberdade sexual, das igualdades todas. Quando você tem essas conquistas, a tendência é achar que elas estão conquistadas dali para a frente. Quando volta esse moralismo, e esse mundo religioso começa a ditar as regras, é muito assustador.

Acha que as conquistas da mulher também retrocederam?

Há espaços da mulher que foram conquistados e são sólidos. Mas há outros em que a gente não consegue ir adiante, como o aborto, que é um direito. E por quê? Por causa desse conservadorismo religioso com representação política. Não tenho nada contra religião. Sou a favor de todas, mas não exerço nenhuma. Só não quero uma religião legislando a minha vida.

Você vai fazer um filme também?

“Aos nossos filhos”, (baseado na peça) da Laura Castro. Faço uma mãe exilada com um passado de combate político, que tem uma filha casada com uma mulher. E essa mulher resolve ter um filho. Quem dirige é a Maria de Medeiros, que fez a peça. Filmo em novembro e aí volto com “Incêndios”, cujo grande valor é quebrar a norma de que o público só quer comédia ou musical. Não é verdade.

É uma ditadura do mercado?

É. Mas assim se aprisiona o mercado. Adoro musical. Meu filme favorito é “Amor, sublime amor”, mas não quero um mercado dominado por musicais. É o que está acontecendo. Hoje, 90% dos patrocínios da Rouanet destinados ao teatro vão para musicais. Isso não é correto. Não é saudável. Não sou contra o entretenimento. Mesmo. Mas tem que haver uma forma de incentivar outras áreas, de pesquisa, criação. Se não, vamos ficar nos caminhos já percorridos. Esses musicais usam uma fórmula estabelecida na década de 1950. “Incêndios” tem para mim esse valor enorme. E merece que a gente continue batalhando. Agora não temos mais patrocínio, temos que correr atrás. Somos oito atores, é difícil manter a peça com bilheteria.

Por quê?

Por causa da equação do preço do ingresso. Os serviços de todos os envolvidos na produção ficaram mais caros com o passar do tempo. E a propaganda custa uma fortuna. São várias questões.

Hoje se discute mudanças na Lei Rouanet, como você vê isso?

Os tempos mudam. As coisas têm que ser adaptadas. A Rouanet atendeu muito. Agora é bom conversar, aperfeiçoar. É o que se está fazendo.

E essa confusão envolvendo a tela “Janelas e torres”, de Alfredo Volpi, que você possui? (Uma obra igual apareceu no ano passado na ArtRio, deixando o mercado atônito. O mistério sobre se uma tela é cópia da outra ou se o pintor fez duas iguais não foi elucidado).

Não sei. Não há muito a dizer. Esse quadro foi comprado no fim dos anos 1960. Ele esteve em duas exposições: na Bienal de Veneza, em 1964, antes de eu e Chico (Buarque) comprarmos, e no MAM do Rio, em 1972. O quadro passou por uma avaliação e foi atestado como autêntico.

O que você ainda quer na carreira?

Peças ótimas e trabalhos ótimos na TV e no cinema. Mas meu ponto de realização máximo é o Teatro Poeira e o Poeirinha, que fazem 10 anos. Eu quero que o Poeira continue com a importância que passou a ter. É o meu legado.

Debora Ghivelder
No O Globo
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O que a foto de Merval com o filho de FHC diz sobre o caráter do jornalismo brasileiro

Paulo Henrique Cardoso e Merval: promiscuidade jornalística
Está circulando na internet uma foto que é um símbolo perfeito da falência moral do jornalismo das grandes corporações brasileiras.

Nela, Merval aparece agachado ao lado do filho mais velho de FHC, Paulo Henrique.

A informação que corre é que foi tirada em Nova York, por ocasião de um prêmio dado a FHC.

Não importam as circunstâncias. A foto poderia ter sido tirada no Rio. O que importa é o fato em si.

A lição primordial do maior jornalista da história, Joseph Pulitzer, é: “Jornalista não tem amigo.”

Por uma razão essencial: amizades interferem no trabalho do jornalista.

Claro que não estou me referindo aos amigos de fora da vida profissional: o compadre, o companheiro de futebol ou de cerveja, este tipo de coisa.

Estou falando estritamente de figuras como Paulo Henrique Cardoso.

Nos Estados Unidos, a máxima de Pulitzer foi por algum tempo esquecida. Mas já faz décadas que foi recuperada.

Ficou na poeira a era dos jornalistas íntimos da Casa Branca, como James Reston. Entendeu-se que o conteúdo que produziam, embora frequentemente brilhante, era viciado pela amizade presidencial.

Merval é o anti-Pulitzer.

São abjetas as fotos que ele tirou com integrantes do STF na época do Mensalão. Um dos juízes chegou ao cúmulo de fazer o prefácio de um livro de Merval sobre o célebre julgamento.

(Tratando-se de Merval você bem pode adivinhar que se tratava de um coletânea de artigos já escritos e publicados.)

A imprensa deve fiscalizar a Justiça, e não confraternizar com ela. Da mesma forma, a Justiça deveria vigiar a imprensa.

A promiscuidade entre a imprensa e a Justiça, tão bem representada pelas fotos de Merval com juízes, é péssima para a sociedade.
Deveriam se fiscalizar, e não confraternizar
Deveriam se fiscalizar, e não confraternizar
Tão ruim quanto isso é um comentarista político que fica dando tapinhas nas costas de lideranças políticas.

Há aí um conflito de interesses.

Não vou entrar na seguinte questão. Se a fotografia é mesmo de Nova York, quem pagou a passagem de Merval? O Globo? Ele mesmo?

Pausa para rir e para invocar Wellington: quem acredita naquilo acredita em tudo.

Um dia, a desfaçatez com que Merval aparece ao lado de gente que ele deveria cobrir profissionalmente soará como aberração no Brasil, a exemplo do que já acontece em países socialmente mais avançados.

Por ora, termino com uma recomendação aos jovens jornalistas. Confio que eles construirão um ambiente jornalístico eticamente muito mais saudável do que esse que temos hoje.

A recomendação é: “Estão vendo esta foto? Jamais façam o mesmo.”

Paulo Nogueira
No DCM
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Vídeo chocante: Veterano do Iraque morre na prisão depois de receber maus tratos

O soldado estadunidense, no serviço ativo, James Brown ingressou em julho de 2012 na prisão do condado de El Paso, no Texas para cumprir uma pena de dois dias por dirigir embriagado e perdeu a sua vida na prisão em circunstâncias misteriosas. Um novo vídeo de sua breve e fatal passagem pela prisão revela a agressividade com que os funcionários da prisão usaram contra ele e os terríveis últimos minutos de sua vida.

James Brown, que serviu em dois períodos de serviço no Iraque e aparentemente sofrendo de transtorno de estresse pós traumático, supostamente estava exagerando em sua cela quando os oficiais tentaram dominá-lo. Minutos depois, Brown disse a funcionários da prisão, em repetidas vezes, antes de perder a consciência, que não conseguia respirar.

Os policiais o levaram para outro quarto e injetaram lorazepam, um sedativo, relata a KFOX14, que obteve e veiculou o vídeo. Brown pediu água, reiterando aos oficiais que tinham "problemas". Os funcionários da prisão, finalmente, deram-lhe um pequeno copo de água.

Mais tarde, eles levaram Brown de volta para sua cela, enquanto sua respiração piorava. No vídeo pode-se ver o soldado caído ao chão incapaz de piscar e respirando com dificuldade. Em nenhum momento as autoridades penitenciárias chamaram os serviços de emergência. Brown morreria pouco tempo depois.

As autoridades afirmam que o condenado morreu de causas naturais depois de um relatório da autópsia ter afirmado que ele teve uma "crise de anemia falciforme".

No entanto, a família insiste que ele morreu em consequência do tratamento na prisão.



No CubaDebate
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Outras razões para a pauta negativa

O sempre interessante Boletim UFMG que traz, a cada semana, notícias do dia a dia da Universidade Federal de Minas Gerais, informa, na edição de 4 de maio [Ano 41, nº 1.902], sobre trabalho desenvolvido por grupo de pesquisa do Departamento de Ciência da Computação (DCC) em torno da “análise de sentimento” que relaciona o sucesso das notícias com sua polaridade, negativa ou positiva.

Vale a pena conferir o artigo que originou a matéria (disponível aqui) e será apresentado, ainda este mês, em conferência internacional sobre weblogs e mídia social na Universidade de Oxford, Inglaterra.

Utilizando programas de computador desenvolvidos pelo DCC-UFMG, foram identificadas, coletadas e analisadas 69.907 manchetes veiculadas em quatro sites noticiosos internacionais ao longo de oito meses de 2014: The New York Times, BBC, Reuters e Daily Mail. E as notícias foram agrupadas em cinco grandes categorias: negócios e dinheiro, saúde, ciência e tecnologia, esportes e mundo.

As conclusões da pesquisa são preciosas.

Notícia negativa atrai mais leitores(as)

Cerca de 70% das notícias diárias estão relacionadas a fatos que geram “sentimentos negativos” — tais como catástrofes, acidentes, doenças, crimes e crises. Os textos das manchetes foram relacionados aos sentimentos que elas despertam, numa escala de menos 5 (muito negativo) a mais 5 (muito positivo). Descobriu-se que o sucesso de uma notícia [vale dizer, o número de vezes em que é “clicada” pelo eventual leitor(a)] está fortemente vinculado a esses “sentimentos” e que os dois extremos — negativo e positivo — são os mais “clicados”. As manchetes negativas, todavia, são aquelas que atraem maior interesse dos leitores(as).

Das cinco categorias de manchetes analisadas, a mais homogênea é a categoria “mundo”, onde só foram encontradas manchetes sobre catástrofes, sugerindo implicitamente que o país onde a notícia é produzida seria mais seguro do que os outros.

Descobriu-se também, ao contrário da expectativa dos pesquisadores, que os comentários postados por eventuais leitores(as) tendem a ser sempre negativos, independentemente do “sentimento” provocado pelo conteúdo da notícia.

Razões para a pauta negativa

Embora realizado com base em manchetes publicadas em sites internacionais — não brasileiros — os resultados do trabalho dos pesquisadores do DCC-UFMG nos ajudam a compreender a predominância do “jornalismo do vale de lágrimas” (ver, neste Observatório, “O vale de lágrimas é aqui”) na grande mídia brasileira.

Para além da partidarização seletiva das notícias, parece haver também uma importante estratégia de sobrevivência empresarial influindo na escolha da pauta negativa. Os principais telejornais exibidos na televisão brasileira, por exemplo, estão se transformando em incansáveis noticiários diários de crises, crimes, catástrofes, acidentes e doenças de todos os tipos. Carrega-se, sem dó nem piedade, nas notícias que geram sentimentos negativos. Mais do que isso: os(as) âncoras dos telejornais, além das notícias negativas, se encarregam de editorializar (fazer comentários) invariavelmente críticos e pessimistas reforçando, para além da notícia, exatamente os aspectos e consequências funestas de toda e qualquer notícia.

Existe, sim, o risco do esgotamento. Cansado de tanta notícia ruim e sentindo-se impotente para influir no curso dos eventos, pode ser que o leitor/telespectador(a) brasileiro afinal desista de se expor a esse tipo de jornalismo que o empurra cotidianamente rumo a um inexorável “vale de lágrimas” mediavalesco.

Triste mundo esse em que vivemos. Pautar preferencialmente o negativo se transformou, para além da política, em estratégia de sobrevivência empresarial.

Por enquanto, parece, está dando certo.

A ver.

Venício A. Lima é jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado), pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG e organizador/autor com Juarez Guimarães e Ana Paola Amorim de Em defesa de uma opinião pública democrática – conceitos, entraves e desafios (Paulus, 2014), entre outros livros
No OI
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Enfim, PSDB assume ser o partido dos paneleiros

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/05/19/enfim-psdb-assume-ser-o-partido-dos-paneleiros/

 Enfim, PSDB assume ser o partido dos paneleiros 

Meio envergonhado no começo, sem saber direito como agir diante dos protestos do "Fora Dilma", apresentados como "espontâneos e apartidários", com seus lideres relutando em sair às ruas para se misturar aos manifestantes, agora o PSDB resolveu assumir de vez o papel de partido dos paneleiros e das marchadeiras.

Na noite desta terça-feira, o programa dos tucanos que irá ao ar no rádio e na TV servirá como um divisor de águas na guerra política. Ameaçado de perder o protagonismo das oposições, a reboque da mídia e dos movimentos organizados pelas redes sociais, os tucanos deixaram de lado o pudor acadêmico, mandaram os escrúpulos democráticos às favas, e resolveram ir à luta.

Os grandes caciques tucanos voltaram bem diferentes da temporada em Nova York, onde participaram, na semana passada, de um festival de homenagens ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na gangorra do vai não vai que caracteriza a ciclotimia do partido, o PSDB preparou o mais duro ataque já desfechado contra seu adversário histórico, 12 anos após a perda do poder central.

É o próprio FHC, fugindo ao habitual estilo cordato, quem comanda a virada radical do partido, ao partir como um Carlos Lacerda para cima de Lula, após o programa abrir as baterias com as imagens dos panelaços das varandas promovidos contra o governo e o PT.

"Nunca se roubou tanto em nome de uma causa (...) A raiz da crise foi plantada bem antes da eleição da atual presidente. Os enganos e desvios começaram já no governo Lula. O que já se sabe sobre o petrolão é grave o suficiente para que a sociedade condene todos os que promoveram tamanho escândalo, tamanha vergonha".

Na mesma linha, e para não perder o lugar na fila dos presidenciáveis tucanos, Aécio Neves também desceu do muro e bateu pesado:

"O Brasil precisa saber definitivamente quem roubou, quem mandou roubar e quem, sabendo de tudo, se calou e nada fez para impedir. Se a corrupção ganhar, ela vai voltar cada vez pior, cada vez mais forte. É hora de fazer o que é certo".

E o que é certo? Ao longo do programa, o PSDB nada diz a respeito. Repete apenas as palavras de ordem da mídia, das ruas e das varandas contra o PT, Lula e Dilma, mas em nenhum momento aproveita a propaganda partidária para apontar alternativas à política econômica adotada pelo governo. Fica difícil saber o que o partido ganha com isso pois quem concorda com este discurso já votou em Aécio nas últimas eleições. Os descontentes com o governo podem buscar outras alternativas, não necessariamente as tucanas.

Por coincidência, o programa do PSDB, em clima de panelaços de fim de feira, vai ao ar na mesma semana em que o Brasil recebe o maior volume de investimentos externos já aportado no país. São US$ 53 bilhões em projetos de infraestrutura que a comitiva do primeiro ministro da China, Li Keqiang, vai apresentar hoje em encontro com a presidente Dilma Rousseff.

Como os chineses não são de rasgar dinheiro, eles parecem estar mais confiantes no futuro do Brasil do que os brasileiros da oposição. Tem algo aí que não bate, para além das panelas.

Vida que segue.
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#psdbNaoMeEngana




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O prazer de ser surpreendido

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Para que serve a manchete do jornal?

Tradicionalmente, sempre serviu para atrair a atenção de potenciais leitores, fazendo com que se aproximem do local onde o produto está exposto. Essa proximidade, teoricamente, aumenta as chances de o cidadão ter seu interesse atraído para o conjunto do noticiário. Por esse motivo, os redatores tratam de estabelecer uma relação entre os textos da primeira página e o universo de conhecimento de um determinado público.

Supõe-se que a manchete e os temas principais escolhidos para a primeira página devam produzir ao mesmo tempo uma sensação de reconhecimento e de novidade, uma vez que o jornalismo pretende ser uma continuidade do já sabido, com as versões sempre novas que a realidade produz.

Não ocorre, portanto, a um editor, estampar nessa fachada questões que não pertencem ao universo do seu público. É por isso que o leitor típico de um jornal de economia normalmente passa distraído pelas chamadas das revistas de fofocas da TV.

No entanto, embora esses sejam rudimentos básicos do jornalismo, discute-se atualmente se não seria conveniente mudar esse padrão, uma vez que a abertura de novas fontes informativas, que se multiplicam nos meios digitais, estaria expandindo o universo de interesse dos indivíduos.

O mesmo cidadão que centraliza suas preocupações no desempenho da economia, por exemplo, pode muito bem ser um apaixonado por novelas ou por futebol, de modo que a ampliação do escopo de determinado veículo de comunicação também reforce seu vínculo com este ou aquele segmento da população.

A dificuldade em abordar temas novos está justamente na necessidade de fazer com que o leitor reconheça, a cada nova edição, elementos daquilo que já faz parte de sua cultura. O risco, nesse caso, é que, distraído pela profusão de informações de maior ou menor interesse nas redes digitais, o cidadão considere que tudo é irrelevante. Por isso, um dos fundamentos do jornalismo ainda é a capacidade de surpreender o público.

No caso da imprensa brasileira, os últimos anos revelam a adoção de uma estratégia oposta a esse fundamento: engajados num projeto político, os jornais se dedicam a repetir um mesmo discurso, e perdem o caráter de novidade.

Mais do mesmo

Houve tempo, até o final do século passado, em que pelo menos um dos grandes jornais de circulação nacional, o Estado de S.Paulo, mantinha essa discussão como parte da rotina de seus editores, que eram estimulados a questionar as escolhas uns dos outros, para fazer com que os especialistas saíssem de seus casulos para facilitar a compreensão dos conteúdos que propunham para os leitores mais — digamos — genéricos.

Havia uma constante preocupação em fazer com que cada edição pudesse representar uma visão da História a partir da janela daquele dia específico.

Esse processo aumentava a autonomia dos editores, redatores e repórteres, porque eles tinham uma noção mais clara dos valores que deveriam perseguir ao fazer suas escolhas de todos os dias, contemplando o que se convencionava ser o interesse da sociedade.

Hoje, apanha-se o conjunto das primeiras páginas dos principais diários do país e, excetuando-se o viés partidário evidente em todos eles, o que se lê dá a impressão de que os jornalistas escrevem para si mesmos, ou para seus patrões.

Observe-se, por exemplo, a manchete da edição de terça-feira (19/5) do Estado de S.Paulo: “Por ajuste, Planalto quer fim da desoneração em 2015”.

É preciso ter acompanhado com atenção o noticiário específico dos últimos dias para entender que o jornal se refere ao fim da redução da contribuição previdenciária das empresas sobre a folha de pagamentos, benefício criado em 2011 para estimular a competitividade e aumentar a oferta de emprego.

Pressionado pela necessidade de aumentar sua receita e cortar gastos, o governo quer interromper essas desonerações ainda neste ano. O preço, claro, é a concessão de cargos para quem votar a favor.

Mas, embora se imagine que a imprensa está empenhada em fazer a denúncia dos modos viciados da política, os editores parecem enfeitiçados pelo objeto de suas narrativas. Repórteres e colunistas de política repetem cacoetes de suas fontes prediletas, jornalistas que cobrem o mercado de ações se imaginam grandes investidores. Como resultado dessa simbiose, o noticiário é uma repetição enfadonha de fatos conhecidos, e as manchetes não surpreendem ninguém.

O jornalista que se coloca como protagonista dos fatos que relata perde a capacidade do distanciamento crítico.

Luciano Martins Costa
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Fachin é aprovado pelo Senado e será Ministro do STF


Senado aprova indicação de Fachin para o Supremo por 52 votos a 27
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Educação se constrói com diálogo, não com violência


A educação é o principal caminho para um futuro melhor para todos os brasileiros. E esse caminho passa pela valorização dos professores. Em junho de 2008, eu assinei a lei do Piso Salarial Profissional Nacional. Minas Gerais, um dos estados mais ricos da federação, não obedecia a essa lei.

Por isso, fiquei muito feliz ao saber que o Governo do Estado de Minas Gerais celebrou um acordo histórico com o sindicato da categoria, estabelecendo o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional para os professores.

Cumprimento o governador Fernando Pimentel, que mesmo recebendo uma situação financeira difícil do governo anterior, conseguiu em cinco meses fazer o que não foi feito em 12 anos pelos tucanos no estado: dialogar e respeitar os educadores mineiros. E cumprimento também o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação em Minas Gerais (SIND-UTE), que depois de muita luta durante os governos tucanos, conseguiu, entre outras conquistas, reajuste salarial expressivo para todo o magistério, inclusive os aposentados, descongelamento da carreira e outras vitórias importantes para a qualidade da educação pública mineira.

Enquanto em alguns estados os governos não dialogam com os professores, o Partido dos Trabalhadores e os partidos aliados em Minas Gerais mostram que é possível avançar tanto na negociação democrática quanto na valorização dos educadores. Educação se constrói com diálogo, não com violência.

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Deputado derruba mitos sobre a eficiência da redução da maioridade penal


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Líder do Vem Pra Rua mata trabalho e vai pra rua


Organizador de manifestações contra a corrupção e contra a presidente Dilma Rousseff nas ruas de Vitória, no Espírito Santo, o líder do movimento Vem Pra Rua, Armando Fontoura, foi flagrado por câmeras da Câmara Municipal batendo o ponto de presença e indo embora sem trabalhar; nas imagens, ele vestia bermuda, sandálias e óculos escuros; o líder oposicionista diz não se lembrar do episódio, para ele, uma "trama diabólica"; Fontoura, que acabou demitido, foi eleito no último domingo 17 o novo secretário do diretório municipal do PSDB; ele também é acusado de fraude na eleição interna por integrantes da juventude do PSDB, que afirmam que ele teria filiado pessoas de sua família para poder participar da disputa

O líder do movimento Vem Pra Rua em Vitória, no Espírito Santo, foi flagrado por câmeras da Câmara Municipal da capital batendo o ponto de presença vestido de bermuda, camiseta, sandálias e óculos escuros e indo embora sem trabalhar.

O vídeo causou sua exoneração, mas ele afirma desconhecer as imagens e não se lembrar de ter feito isso. O fato aconteceu em março de 2013, mas o vídeo só foi divulgado ontem.

Fontoura foi um dos organizadores de manifestações contra a corrupção e contra a presidente Dilma Rousseff nas ruas de Vitória. Para ele, a divulgação do vídeo é uma "trama diabólica".

Questionado pelo jornal A Tribuna sobre se sua conduta como assessor na Câmara condizia com o que prega nas ruas, Fontoura respondeu: "Minha luta sempre foi pública e quem me conhece sabe que eu não coaduno com nenhum tipo de malfeito".

No último domingo 17, Armando Fontoura foi eleito secretário do diretório municipal do PSDB. O vídeo foi divulgado por integrantes da juventude do PSDB, após a eleição da Executiva Municipal da legenda.

Eles denunciam uma fraude na disputa interna: Armando Fontoura teria a senha do programa de filiação do partido e teria filiado várias pessoas de sua família para participar da eleição. "O Armando conseguiu filiar pessoas que nunca tiveram ligação com o PSDB. Ele ligou para os parentes irem votar. Teve gente que foi votar de pijama", contou Bárbara Kuster, 25.

Para Elias José Salim, 20, a chapa vencedora, encabeçada por Wesley Goggi, e que tem Armando Fontoura como secretário, só está atrás de cargos, não tem ideologia. "Eles achavam que teriam cargo no governo com César Colnago (PSDB) como vice-governador", disse. O líder do Vem Pra Rua respondeu ser normal ter parentes filiados ao partido, mas não precisou o número de familiares que foi votar por ele no domingo passado.

No 247
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A resposta de Noblat aos paneleiros que hostilizaram seu filho e sua neta ficou pela metade

Ele
No filme “Desaparecido”, de Costa Gavras, baseado em fatos reais, o empresário americano Ed Horman (Jack Lemon), um republicano conservador, vai com a nora até o Chile em busca do filho que sumiu.

Charlie Horman, um jornalista simpático a Salvador Allende, fora capturado por agentes de Pinochet. O pai o acusava de ter visões políticas “radicais” e de ser um idealista. Nunca os EUA participariam de um golpe. Para encurtar uma história longa, Ed fica sabendo da pior maneira que o radicalismo homicida estava do outro lado. O despertar de Ed durou até o fim de seus dias.

Ricardo Noblat finalmente se manifestou sobre a agressão sofrida por seu filho Guga e sua neta na avenida Paulista, quando foram cercados por paneleiros histéricos. Preferiu o Facebook à sua coluna no Globo.

Segundo Noblat, foi uma violência contra a liberdade de expressão. “Alguns manifestantes reconheceram Guga da época em que ele foi repórter do CQC. Partiram para insultá-lo”, escreveu.

“Guga, infelizmente, está provando na pele o quanto dura e arriscada pode ser a vida de um jornalista. Ele mesmo, quando adolescente em Brasília, foi vítima de uma agressão que quase o deixou com parte do rosto paralisado.”

No festival de sofismas nas redes para culpar a vítima, um dos mais utilizados foi: “como é que pode ser filho do Noblat?” O colunista é uma espécie de herói para essa gente. Fofocas como a da suposta agressão de Dilma a uma camareira do Planalto, requentada por ele, alimentam o ódio de revoltados on line por semanas a fio.

Onde está sua indignação veemente, tantas vezes demonstrada em sua coluna, quando uma súcia ameaça sua neta de 7 meses? Ele definiu Dilma certa vez: “Uma pessoa que não ama seus semelhantes, ou que não sabe expressar seu amor por eles, não pode ser amada.”

Os degenerados que hostilizaram Guga e a pequena amam a quem? Esse ódio brota de onde?

Guga Noblat está experimentando as agruras de ser jornalista e encontrar cães raivosos. Ok. Duro é quando quem ajuda a servir a ração, do outro lado, é o próprio pai. A culpa? É do governo, claro.

Kiko Nogueira
No DCM
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Rede Jornalistas Livres



No próximo domingo, 24/5, uma festa-show celebra o nascimento da rede Jornalistas Livres, que soma diversos coletivos de mídia livre, artistas, jornalistas independentes, repórteres, editores, fotógrafos e cinegrafistas, empenhados em praticar um jornalismo que ajude a para enfrentar a escalada da narrativa de ódio e o permanente desrespeito aos direitos humanos e sociais no Brasil. A rede Jornalistas Livres atua sobre os pilares que sustentam o Jornalismo: história de pessoas, denúncia de abusos aos direitos humanos, acompanhamento e fiscalização de políticas públicas, agendamento de debates, pluralidade de fontes, contextualização dos temas abordados, democratização da informação.

O objetivo é ajudar na busca por um país mais justo.

Será uma festa-show com teatro, circo, samba, música brasileira, funk, pop e hip hop, prestigiada por representantes da cultura brasileira comprometidos com os ideais de um país mais justo e fraterno. A entrada é gratuita.

Jornalistas Livres

A ideia-força dos Jornalistas Livres é a da colaboração entre todos os comunicadores que se indignam com a naturalização do genocídio da população negra, pobre e periférica; com as humilhações e assassinatos a que são submetidos membros da comunidade LGBT; com a negação da existência de índios e quilombolas; com a desigualdade; com as injustiças; com as tentativas dos setores mais atrasados do país de suprimir direitos conquistados a duras penas pelos trabalhadores e pelas camadas mais vulneráveis da população. O desafio é constituir uma imprensa independente, inclusiva, crítica, pluralista de verdade, desafiadora dos clichês e preconceitos.

Quem somos? Conheça o manifesto dos Jornalistas Livreshttp://bit.ly/1ebWNZw

Lançamento

A festa do nascimento da Rede Jornalistas Livres será, por isso, também a festa de lançamento de uma campanha de financiamento coletivo. Será uma festa gratuita, com shows, saraus, intervenções, em que celebraremos a união de comunicadores, artistas, intelectuais e movimentos sociais pela construção de uma mídia independente forte e competente. Para a rede Jornalistas Livres, juntos, compartilhando e somando, se pode chegar mais longe, atingir públicos mais amplos, para assim construir um país mais justo, feliz e fraterno.

Artistas confirmados para se apresentar até o momento:

Flora Matos, Rico Dalasan, Tássia Reis, Akiles (Projeto Nave), Slim Rimografia, Fola Kemi, Vj Suave, Yvison Pessoa (Quinteto Branco e Preto), VJ Suave, Sandro Borelli (Dança Contemporânea),

Movimentos e personalidades confirmadas até o momento:

Jean Wyllys, Guilherme Boulos - MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Eduardo Suplicy, MST (Movimento dos Sem Terra), Jandira Feghali, Bebel Noronha - Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) Levante Popular da Juventude, Liga do Funk, Nação Hip Hop, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), UJS (União da Juventude Socialista), Intervozes, Barão de Itararé, Associação Brasileira LGBT, Periferia em Movimento, Comissão Guarani Yvyrupa - CGY, FNDC (Fórum Nacional Pelo Direito à Comunicação).

A entrada é gratuita.

LANÇAMENTO DA REDE JORNALISTAS LIVRES

ONDE: Praça das Artes – Avenida São João, 281, Anhangabaú
QUANDO: Domingo, 24 de maio de 2015, das 15h às 23h30

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Auditor comprova verba de corrupção em comitê de Richa


O auditor Luiz Antônio Souza, preso acusado de fraudar a Receita estadual do Paraná, diz que usou R$ 20 mil do dinheiro arrecadado no esquema de corrupção para comprar divisórias de compensados instaladas no comitê da campanha de Beto Richa (PSDB) à reeleição, em 2014.

Souza apresentou ao Ministério Público cópias das notas fiscais da compra. A Folha teve acesso a uma delas, de R$ 5.700, sobre a aquisição de 70 unidades de compensados na Gmad Complond Suprimentos para Móveis. De julho de 2014, a nota cita identifica o CPF de Souza como destinatário. O endereço de entrega é o mesmo do comitê de campanha do PSDB.

A revelação foi feita em delação premiada do auditor, já homologada pela Justiça. Souza está preso desde janeiro sob acusação de enriquecimento ilícito e de exploração sexual de menores, crimes que ele admite.

Nota fiscal da compra de divisórias que teriam sido compradas com dinheiro de propina

O auditor sustenta que cerca de R$ 2 milhões do dinheiro da propina foram repassados à campanha de Richa. No sábado, Richa disse que o relato é "coisa de bandido".

Segundo o Ministério Público, o esquema de corrupção lesou os cofres públicos em mais de R$ 50 milhões nos últimos dez anos.

Souza e mais 14 auditores e funcionários públicos são acusados de cobrar propina de empresários e, em troca, reduzir ou até anular dívidas tributárias. No total, 62 pessoas foram denunciadas pela Promotoria por participação no esquema.

O delator disse aos promotores que recebeu ordens do então inspetor-geral de fiscalização da Receita, Márcio de Albuquerque Lima — apontado como líder do esquema — para "atender a todos os pedidos do Vitor Hugo".

Na época, Vitor Hugo Boselli Dantas era o chefe do comitê da campanha tucana em Londrina. Com a vitória de Richa, Vitor Hugo ganhou o cargo de coordenador da região metropolitana de Londrina.

Márcio, que chegou a ser preso mas agora responde às acusações em liberdade, é amigo de Richa — os dois foram parceiros em corridas de automobilismo.

Intenção

O advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende o auditor, disse que ele tem "mais duas ou três notas" comprovando outros gastos que bancou no comitê do PSDB.

Ferreira afirma que seu cliente não tem intenção de prejudicar Richa. "Ele está apenas contando a verdade, para conseguir a redução da pena em todos os processos onde consta como acusado. E também vai indenizar o Estado, fazendo a devolução do dinheiro desviado". Ferreira não quis informar os valores que serão devolvidos.

Além da acusação de corrupção e enriquecimento ilícito, Souza é réu em nove processos pelo crime de exploração de menores. Ele foi detido com uma adolescente de 15 anos e R$ 20 mil em espécie. Segundo o Ministério Público, o auditor tem patrimônio avaliado em R$ 30 milhões. Como funcionário da Receita, recebia cerca de R$ 25 mil mensais.

Outro lado

O PSDB-PR afirmou, por nota, que "não reconhece a veracidade da alegada despesa." Segundo a sigla, "a coordenação da campanha eleitoral do PSDB não encomendou o referido material, não autorizou e nem recebeu qualquer nota fiscal referente ao alegado serviço."

O advogado Douglas Maranhão, que defende Márcio Albuquerque Lima, disse que não teve acesso à delação. Por isso, não poderia comentar.

A assessoria do governador Beto Richa disse que assuntos de campanha são tratados só pelo diretório do PSDB.

O coordenador da região metropolitana de Londrina, Vitor Hugo Dantas, não atendeu as ligações.

Oficio enviado ao Ministério Publico

Carlos Ohara
No fAlha
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A bronca de Audálio Dantas no Estadão


Audálio Dantas
Com um questionamento — Que negócio é este? — o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Audálio Dantas, que teve a coragem de enfrentar o governo militar quando do assassinato do jornalista Vladimir Herzog (25 de outubro de 1975) nas dependências do DOI-CODI de São Paulo, bateu firme no Grupo O Estado de S. Paulo por conta da venda da sua antiga rádio Eldorado — hoje Rádio Estadão (AM/700 Khz) — para o missionário R.R. Soares, dono da Igreja Internacional do Reino de Deus. A partir de segunda-feira (25) ela passará a se chamar Nossa Rádio e terá sua programação voltada para o segmento Gospel. A programação da Estadão vai para o canal em FM 92,9 Mhz.

O anuncio da venda foi feito mais cedo pelo jornalista Anderson Cheni em seu blog (http://cheninocampo.blogspot.com.br/). Trata-se, na verdade, de mais um sinal da péssima situação econômica dos grandes grupos de comunicação. Como o produto que oferecem não rende o necessário para se manterem, eles acabam se desfazendo do patrimônio.

Segundo explicou Cheni “a falta de investimento na emissora, má administração e parcerias que não deram resultados esperados foram fundamentais para a família Mesquita tomar a decisão da negociação”.

A Eldorado, fundada em 1958, marcou época em São Paulo. Se destacou no jornalismo e na programação musical — em qualquer boa discoteca há excelentes discos (vinil e CD) de música popular brasileira com o selo Eldorado,

Na sua página no Facebook, Audálio  lembra que “um negócio desses, feito como outro qualquer, não pode ser considerado normal. Mas acontece frequentemente no Brasil”. Como adverte, “um canal de rádio ou de TV resulta de concessão pública e está sujeito a limites legais. Limites que, no Brasil, são desrespeitados impunemente. Como um bem público pode ser vendido assim, de uma para outra?”, questiona.

Ele cobra uma posição oficial do governo: “Os concessionários da Rádio Estadão estavam autorizados a fazer a transação? A resposta deve ser dada pelo Ministério das Comunicações”.

Por fim, aponta quem sai perdendo com a transação: “Com essa venda, a ex-rádio Eldorado, que marcou época como emissora que privilegiava o jornalismo, a informação, passa a operar no ramo de negócios religiosos. Quem perde é a sociedade, que, na verdade, é a legítima proprietária dos canais de rádio e TV”.

Audálio está certo. As concessões de rádio são bens públicos, mas há muito – desde o tempo em que Antônio Carlos Magalhães, o conhecido “Toninho Malvadez”, foi ministro das Comunicações do governo Sarney (escolhido por Tancredo Neves, que não assumiu), as frequências radiofônicas se transformaram em moedas políticas. Passaram a ser concedidas no toma lá, dá cá, do balcão da compra de votos e adesões no Congresso Nacional.

Não é o caso da Rádio Estadão. Mas esta negociação precisava passar por algum tipo de crivo da sociedade ou, pelo menos, do governo. Um maior controle delas (concessões e transferências) é o que todos devemos exigir, em prol da própria cultura do nosso povo.

Marcelo Auler
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O servidor “privado” de Ronaldo Caiado

O demo Ronaldo Caiado, sempre tão estridente na sua fantasia de vestal da ética, está quieto. Nesta segunda-feira (18), a Folha revelou que uma servidora pública, registrada no gabinete do líder do DEM no Senado, trabalha em seu escritório particular em Goiás. Ela presta serviços na sede de uma das fazendas do famoso latifundiário, fundador da nefasta União Democrática Ruralista (UDR). Diante da grave denúncia, o demo optou pela cautela — talvez torcendo para que a mídia ruralista logo abafe o escândalo. Nos últimos meses, Ronaldo Caiado fez questão de participar — vestindo a sua camiseta preconceituosa com quatro dedos – das marchas golpistas contra Dilma. Agora, ele é quem está na berlinda!

Segundo a reportagem de Rubens Valente — autor do imperdível livro “Operação Banqueiro” —, a servidora Meiry Rosa de Oliveira, nomeada pelo demo, opera numa casa localizada na Rua 26, em Goiânia. “O escritório político informado por Caiado à direção do Senado, porém, fica em outro endereço. Pela regra da Casa, assessores dos senadores nos Estados devem trabalhar nos escritórios indicados previamente pelos congressistas. O prédio em que Meiry atua é o escritório de apoio às fazendas de Ronaldo Caiado, também frequentado por seu irmão, Rondon, que, segundo a assessoria do senador, auxilia na administração das propriedades rurais da família. Caiado declara ter sete fazendas no interior de Goiás”.

Ainda de acordo com a matéria, a própria servidora confirmou que o local é usado para cuidar dos negócios privados do líder do DEM: “Escritório financeiro dele, no geral... Cuida de todas as finanças, de todos os pagamentos dele”. Procurado pelo jornalista, o incorruptível demo até tentou disfarçar o suspeito apadrinhamento. Ele garantiu que o escritório das fazendas não é o local fixo de trabalho da servidora pública. “Então, esse assunto, onde ela fica, é uma coisa muito relativa. Ela despacha comigo na minha casa, despacha comigo no escritório político, despacha comigo no escritório [em] que você viu meu irmão. Agora, falar que ela é fixa naquele local, isso não procede”, reagiu irritadiço.

Apesar do esperneio, a revelação do repórter Rubens Valente pode complicar a vida do demo. Além de Meiry Oliveira, outros noves assessores também trabalhariam em situação irregular. Em 2009, após uma série de denúncias sobre o uso irregular dos escritórios nos Estados, a mesa do Senado disciplinou a matéria. Ela estabeleceu que os senadores podem montar “escritórios de apoio” em suas bases eleitorais, mas fixou que os endereços devem ser comunicados por escrito. “O ato não prevê punições, no entanto deve ser obedecido por todos os gabinetes. Em caso de descumprimento, o Ministério Público pode ajuizar ações de improbidade e buscar ressarcimento aos cofres públicos”, relata a matéria da Folha.

É certo que o ruralista Ronaldo Caiado conta com a cumplicidade dos poderosos. Em março, o ex-senador Demóstenes Torres — o “mosqueteiro da ética” da Veja cassado devido às íntimas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira — fez duras denúncias contra seu ex-colega do DEM de Goiás. Entre outros petardos, afirmou que Ronaldo Caiado “rouba, mente e trai” e garantiu que as suas campanhas foram financiadas pelo mafioso. A mídia privada, que adora promover a escandalização da política e ama bajular os falsos moralistas, simplesmente sumiu com as denúncias. Nada de manchetes ou reportagens bombásticas. O Judiciário também fez um silêncio ensurdecedor. E no Congresso Nacional, nenhum parlamentar tratou da explosiva denúncia. Será que a reportagem de Rubens Valente terá o mesmo fim frustrante. A conferir!

Altamiro Borges
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O bom negócio

O surpreendente lucro de R$ 5,3 bilhões da Petrobras nos três primeiros meses do ano, contra todas as previsões, deu um tombo na poderosa articulação para retirar dela a participação, por lei, na operação e exploração do pré-sal concedidas a outras petroleiras.

O tombo não causou danos fatais, mas trouxe duas linhas de problemas para a articulação.

A queda brutal de prestígio da Petrobras custou-lhe perda de força política e, na sua cúpula, uma perplexidade que a exauriu de autoconfiança. Em seguida aos êxitos no problemático pré-sal, de repente a Petrobras estava vulnerável. Para o objetivo de retirar-lhe a participação geral e até mesmo jazidas inteiras, era hora de atacar. E o ataque começou. Mais subterrâneo. Para efeito público, apenas aparições com a duvidosa sutileza de apenas defender enriquecimento maior e mais rápido do país.

Os resultados do primeiro trimestre mudaram essa arquitetura da situação. Ao lucro surpreendente juntou-se a surpresa do aumento de 10,7% na produção de petróleo. Desde o final da semana passada, a Petrobras, com toda a certeza, conta outra vez com prestígio e com a decorrente força política em medida bastante para resistir, e ter quem a defenda de investidas ambiciosas.

A confusão difundida entre a bandidagem de alguns dirigentes e a própria empresa paralisou os segmentos que sempre estiveram com a Petrobras, em sua guerra já de mais de 70 anos. Entre os efeitos do primeiro trimestre é bastante provável a reanimação dessas forças organizadas para contrapor-se a ações de redução da Petrobras.

Mesmo sob novas condições, o assédio à empresa e, em particular, ao seu pré-sal vai continuar. Com a conquista do Ministério de Minas e Energia, cujo ministro Eduardo Braga já se manifestou pela reversão de direitos da Petrobras no pré-sal, e com atitudes no Congresso. Onde José Serra propõe ao Senado um projeto que retira da Petrobras, explicita e drasticamente, a presença em concessões do pré-sal a outros.

Em entrevista à GloboNews, José Serra juntou, àquele argumento lembrado lá atrás, um de sua lavra que parece até ofensivo à Petrobras. Disse ele que a empresa nem dispõe de quadro funcional para a atividade que a lei lhe confere no pré-sal. Mas o corpo técnico da Petrobras é considerado o mais competente no mundo para exploração em ação profundas. Uma ligeira ideia disso: no pré-sal, os técnicos da Petrobras fazem extração até a oito quilômetros de profundidade.

Ignorância

É preciso dar resposta aqui ao leitor Eduardo da Rosa Borges (Painel do Leitor, 18/5). Bom de insulto e péssimo de leitura ou de raciocínio, esse fascistoide ainda não entendeu que defender investigações para coletar provas é uma proposta de eficiência maior da Lava Jato, para chegar a condenações.

Em outra página da mesma Folha, Bernardo Mello Franco dizia o mesmo que escrevi, mas pela palavra do juiz americano Stephen Trott: "Trott defende as delações, mas frisa que é necessário corroborá-las com provas". Porque "os delatores 'são notadamente manipuladores e mentirosos'". A esse juiz você também insulta, Rosa Borges?

Janio de Freitas
No fAlha
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Reforma política

Hoje deve ocorrer a votação do projeto de reforma política na Comissão Especial composta pelo Congresso para este fim.

Desde as manifestações de 2013, com o claro descontentamento da população com sua classe política igualmente corrupta e seu sistema movido a acordos de bastidores, permeado por interesses dos agentes econômicos mais fortes, este tema veio a tona.

Era clara a vontade popular por uma experiência política na qual a população tivesse presença mais direta e efetiva nos processos de decisão, veto e gestão. O slogan "não me representa" dizia ainda algo a mais, a saber, "cansei de existir politicamente apenas se sou representado por outro".

Em várias partes do mundo, fica evidente os limites da democracia representativa e a necessidade de pararmos com esta postura cínica que consiste em repetir que a "a democracia é a pior forma imaginável de governo, à exceção de todas as outras que foram experimentadas", isto na esperança de que nenhuma transformação estrutural do que entendemos por democracia seja sequer tentada. A constituição de novas formas de democracia é uma necessidade não apenas brasileira, mas mundial.

Foi com o espírito de discutir uma experiência política capaz de fazer jus às demandas que o tema da reforma política tem circulado nos últimos dois anos. No entanto, o projeto que o Congresso propõe a votar é um desrespeito ao povo brasileiro. Ele foi feito sob medida para a perpetuação da classe política que é parte atual do problema. Há uma casta que se consolidou através de uma estrutura partidária viciada e distorcida.

Com propostas como o "distritão", o mandato de dez anos para senadores e o financiamento misto de campanha, a vida política nacional corre o sério risco de ficar pior do que está.

Não há nada, absolutamente nada a respeito do problema político central de nosso país, a saber, a baixa densidade da participação popular nos processos decisórios e de gestão.

O povo brasileiro é algo que é pontualmente convocado em época de eleição para aclamar e referendar coeficientes eleitorais. Depois disto, ele desaparece.

Afinal, alguém perguntou ao povo brasileiro o que a maioria acha sobre projetos como a terceirização geral das relações trabalhistas?

Mesmo sobre o famigerado projeto de redução maioridade penal, alguém organizou um verdadeiro debate calmo com a população para que os vários aspectos do problema fossem expostos?

É assim, de costas para a população, que a casta que nos governa continuará seu trabalho, com ou sem reforma política.

Vladimir Safatle
No fAlha
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