18 de mai de 2015

De como a mídia anulou a Terceira Lei de Newton...

... ou, de como direcionar a capacidade de indignação de uma sociedade

Espero que todos recordem da Terceira Lei de Newton, aquela que diz que a toda ação corresponde uma reação, de mesma intensidade, mesma direção e sentido contrário.

O que fez a mídia nesses últimos 50 anos no Brasil? Entorpeceu as pessoas de tal modo, que a reação ao que fazem é, em grande parte, pífia ou inexistente. O resultado é que a força maior desloca a seu favor o corpo sobre o qual as forças atuam. A indignação troca de lado. A tal ponto, que substancial parcela da sociedade acha “bonito” acreditar em tudo quanto outrora sabiam ser a defesa da ditadura, a colaboração com a ditadura ou a tentativa de perpetuar um liberalismo econômico que prega a segregação econômica, a expropriação das riquezas, por todos produzida, apenas para uns poucos.

Vejo pessoas que estão incapazes de perceber a violência com que a mídia atua contra elas. E acabam simplesmente arrastadas para o pensamento único ditado pelas oligarquias.

Afinal, há que estar indignado contra o governo, contra o PT. Não mais contra a desigualdade social, não mais contra a que uns poucos — dentre eles os donos da mídia e seus “sócios” de expropriação, os banqueiros e os grandes sonegadores — fiquem com tudo. Perdem a capacidade de direcionar a indignação contra aquilo que realmente nos faz mal. E são direcionados a ficarem indignados contra quem, com erros e acertos, vem realmente mudando o país.

Esse fenômeno é mais perceptível quando atuamos com a mesma violência textual contra a mídia ou contra as pessoas “conduzidas”. As pessoas ficam indignadas contra nós, pois só veem a nossa violência. Não mais percebem a violência que sofrem da mídia. A única diferença, no entanto, é que a mídia inoculou a sua força em conta gotas, enquanto a nós só resta sermos mostrados como que usando de toda a força somente agora.

O que a mídia oligárquica tem feito é de uma violência extrema, tão extrema que trouxe para junto de si políticos que deveriam ser abominados da vida pública desse país.

Mas o que fazem essas pessoas? Apoiam! Simplesmente apoiam e vão para as ruas ou batem panelas. E dizem que eu é que sou violento quando me refiro a eles como manada.

Saudades do Newton…

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Aécio Neves recebeu propina da Petrobras e de Furnas, diz delator Nilton Monteiro


Delator do Mensalão — Nilton Monteiro — diz que filho de FHC Paulo Henrique recebia propina da Light, e Propinoduto vem desde governo Franco Montoro em 1983. Afirma também que Aécio Neves não aguenta uma investigação, pois o Mensalão mineiro é muito mais volumoso que o da Petrobras. Monteiro confirma ainda a participação de Aécio e outros políticos do PSDB nos desvios de Furnas.

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RedeTV tira o maior sarro da Globo


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Justiça condena 36 integrantes de organização criminosa que atuava no aeroporto de Guarulhos



Soma das penas de prisão alcança 400 anos; servidores da Receita Federal estão entre os réus

A Justiça Federal de Guarulhos condenou 36 pessoas por envolvimento em um esquema de descaminho e facilitação de descaminho no aeroporto internacional do município entre 2009 e 2010. Entre elas estão seis auditores-fiscais e um analista tributário da Receita Federal. Os réus foram denunciados pelo Ministério Público Federal com base nas investigações que levaram à deflagração da Operação Trem Fantasma, em novembro de 2010. Somadas, as penas chegam a 400 anos de prisão.

O esquema burlava o trâmite alfandegário do aeroporto para que mercadorias ilegalmente importadas entrassem no Brasil sem o pagamento de tributos. Por meio de suborno a servidores públicos e cooptação de despachantes aduaneiros e funcionários de empresas que atuam no terminal, a organização criminosa conseguia declarar falsamente a entrada de artigos de alto valor como se fossem produtos baratos.

Os criminosos solicitavam o trânsito aduaneiro para praticar os delitos. O procedimento permite que, para reduzir custos, as cargas importadas sejam liberadas em postos alfandegários diferentes daqueles por onde entram no país. No entanto, ao pedir o trânsito entre terminais nacionais, a organização retirava o carregamento real e o substituía por um lote de mercadorias de baixo valor, como declarado, para que a fraude não fosse descoberta no terminal responsável pela liberação. A operação contava com a participação direta de servidores do Fisco e empregados que garantiam o livre acesso dos comparsas ao terminal de cargas.

Quando os criminosos optavam por solicitar o trânsito aduaneiro internacional — os itens vindos do exterior apenas passariam por Guarulhos com destino a outro terminal estrangeiro — a substituição da carga não era necessária. Os servidores da Receita, mediante propina, emitiam registros falsos de embarque dos produtos em outro voo internacional, o que permitia aos membros da organização carregar caminhões com os lotes ilegais e sair do aeroporto sem levantar suspeitas.

Penas

Estima-se que o chefe do esquema, Ronaldo Muniz Rodrigues, tenha faturado mais de US$ 430 mil somente em 2010 com as fraudes. Ele foi condenado a 9 anos e 10 meses de reclusão. O então chefe da Equipe de Despacho de Trânsito Aduaneiro do aeroporto, Francisco Plauto Mendes Moreira, auditor da Receita Federal, também colaborou com os criminosos e recebeu pena de 11 anos e 7 meses de reclusão, além de ter decretada a perda do cargo público. Seu substituto à época, o auditor-fiscal Marcos Kiniti Kimura, que participou de 38 operações da organização e cujo irmão atuava como motorista para os criminosos, terá de cumprir pena de 15 anos e seis meses de prisão, pagar multa equivalente a 532 salários mínimos, e também não poderá mais exercer o cargo.

O MPF já interpôs recurso contra a sentença. O objetivo é que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região aumente as penas.

O número da ação é 10251-82.2010.403.6119. Para acompanhar a tramitação, acesse http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/.

No MPF-SP
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Ponte Rio-Niterói da Dilma é 29% mais barata do que a do FHC

“Com nova concessão, pedágio da ponte Rio-Niterói cairá de R$ 5,20 para R$ 3,70 a partir de junho”

Presidenta Dilma durante assinatura do contrato de concessão da Ponte Rio-Niterói.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.
O fim do antigo contrato de concessão da Ponte Rio-Niterói foi uma boa oportunidade para o governo não somente renovar o serviço de atendimento ao tráfego na região, que é importante, mas também viabilizar mais benefícios à população, como a redução no preço do pedágio e melhorias na infraestrutura viária de ambas as cidades. Apenas no preço do pedágio, o governo conseguiu obter uma redução de R$ 1,50.

Com isso, o valor cobrado cairá dos atuais R$ 5,20 para R$ 3,70 a partir de 1° de junho, um deságio de 36,7% em relação ao máximo previsto no na licitação. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (18), durante a assinatura do novo contrato com o grupo que assumirá a administração da ponte a partir de junho.

A presidenta lembrou que a estrutura de 13 km, a maior ponte rodoviária do País, tem grande relevância para o País pelos 80 mil veículos que passam diariamente por ali por motivos de trabalho e também por todos os visitantes e turistas, que vão para as praias da Região dos Lagos.

Então, quando a concessão veio aqui, para nós, era muito importante que fosse possível, não somente manter a qualidade da infraestrutura, mas também viabilizar outros benefícios para a população, tanto do Rio de Janeiro quanto de Niterói”, destacou.

Ela reforçou ainda que o governo, ao fazer essa licitação, obteve um pedágio mais barato, ao mesmo tempo em que o projeto incorporou, no caso de Niterói, a construção de uma passagem inferior do tipo “mergulhão” na Avenida Feliciano Sodré, passando sob a Praça Renascença, para proporcionar maior fluidez ao tráfego do sistema rodoviário.

Já no Rio de Janeiro, será feita uma ligação da ponte com a Linha Vermelha, com o objetivo de evitar que usuários que se dirijam à Baixada Fluminense e à Rodovia Presidente Dutra, utilizem a Avenida Brasil, o que atualmente agrava o trânsito na região.

Ao mesmo tempo, será construída a Avenida Portuária, para o acesso de caminhões ao Porto do Rio. “No caso do Rio, o trânsito para o Porto (…) criava grandes congestionamentos. Então, por todos os lados que se olha, a [nova concessão da] ponte trouxe uma melhoria operacional, agregando à cidade infraestrutura e novos benefícios”. As obras deverão ser executadas a partir de 2017 e 2018, respectivamente.

Dilma Rousseff elogiou ainda a beleza da Ponte Rio-Niterói, uma obra que já tem 41 anos e, “como vimos nessa apresentação, simplesmente reforça a beleza do Rio de Janeiro. É uma obra feita pelas mãos dos homens e mulheres que não agride uma das paisagens mais bonitas do mundo”.




No Blog do Planalto
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FHC ao Financial Times: Lula será candidato em 2018


"O PT não tem outra alternativa a não ser o Lula", disse o ex-presidente, em mais uma de suas entrevistas, agora ao jornal britânico Financial Times; isso explica todos os ataques recentes de Fernando Henrique contra seu sucessor; há 15 dias, ele escreveu um artigo pedindo à sociedade que repudiasse Lula, apontado por 50% dos brasileiros como o melhor presidente de todos os tempos, segundo o Datafolha; hoje à noite, usará o programa eleitoral do PSDB para dizer que a corrupção na Petrobras começou no governo do petista; na entrevista, o tucano diz ainda que "o sistema político do Brasil está quebrado" e atribui o que chamou de falta de interesse e descrença da população na política aos "muitos erros que vêm ocorrendo nos últimos anos"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ao jornal britânico Financial Times que acredita que o PT lançará novamente o ex-presidente Lula como candidato a presidente em 2018. "O PT não tem outra alternativa a não ser o Lula", disse o tucano, em mais uma de suas entrevistas, publicada nesta segunda-feira 18.

Isso explica todos os ataques recentes de FHC contra seu sucessor. Há 15 dias, ele escreveu um artigo pedindo à sociedade que repudiasse Lula, apontado por 50% dos brasileiros como o melhor presidente de todos os tempos, segundo pesquisa Datafolha.

Na noite de hoje, ele usará o programa eleitoral do PSDB para dizer que a corrupção na Petrobras começou no governo de seu sucessor, como afirmou em discurso na semana passada durante evento em Nova York. "Esses malfeitos vêm de outro governo, isso deve ficar bem claro. Vêm do governo Lula. Começou aí", declarou.

Na entrevista ao FT, o tucano disse ainda que "o sistema político do Brasil está quebrado" e atribuiu o que chamou de falta de interesse e descrença da população na política aos "muitos erros que vêm ocorrendo nos últimos anos". Para ele, o Brasil vive hoje uma mistura de parlamentarismo e presidencialismo — obrigando o Executivo a nomear ministros de aliados no Congresso para evitar uma paralisia.

Por isso, FHC diz apoiar a proposta do senador José Serra (PSDB-SP) de introduzir eleições majoritárias no Legislativo já para as próximas eleições para vereador. Este seria um primeiro passo para a reforma política em nível nacional, segundo o ex-presidente. "Vamos testar se, pelo menos a nível local, é possível tentar outro sistema eleitoral. Se for tudo bem, ampliamos para outros níveis", defendeu.

No 247
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O recado das Armas - Os Militares a e Democracia

http://www.maurosantayana.com/2015/05/o-recado-das-armas-os-militares-e.html

 

Segundo declarações dadas em Mimoso, no Estado do Mato Grosso, divulgadas pelo jornalista Jacques Gosch, do Rdnews, do mesmo estado, o Comandante do Exército, General Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, declarou, nas comemorações do sesquicentenário do nascimento do Marechal Cândido Rondon, que os "manifestantes que reivindicam uma intervenção militar contra a presidente Dilma Rousseff nas ruas ou nas redes sociais estão completamente fora da realidade".

Segundo o Comandante do Exército, "não é papel das Forças Armadas fiscalizar o governo, derrubar o governo ou interferir na vida política do país" ... "os manifestantes que pedem intervenção militar precisam compreender as normas da democracia brasileira antes de propor soluções sem fundamentação legal."

"Isso absolutamente não procede. Não tem nenhum fundamento. O Exército é uma força de sustentação do Estado de Direito e deve obediência à Presidente da República, que é nossa Comandante-em-Chefe."

As declarações do Comandante do Exército são didáticas e esclarecedoras, e deveriam servir de exemplo para outras áreas da administração pública, no sentido da orientação da população, muitas vezes manipulada pelos que torcem pelo "quanto pior melhor", e adoram disseminar boatos e desinformação, também a propósito das forças armadas, com táticas como a "invenção" de militares que não existem e o uso não autorizado de assinaturas de oficiais honrados da ativa e da reserva em manifestos de araque.

Os militares mais inteligentes e esclarecidos, não podem, como membros das forças armadas, expressar, diretamente, juízo de valor político.

Mas sentem — independentemente de sua posição política particular — que boa parte da resistência — e problemas — que os governos do PT vêm enfrentando, a ponto de o Brasil estar sendo reconhecidamente, descaradamente, espionado por potências estrangeiras, advêm da adoção de posições nacionalistas em áreas como a economia, as relações externas e a defesa nacional.

Não pode agradar àqueles que se consideram nossos tutores históricos ou eternos — por suposto destino manifesto — o fato de o Brasil ter passado da décima-quarta para a sétima economia do mundo, em apenas 12 anos, saindo de 504 bilhões de dólares de PIB em 2002 para 2 trilhões e 300 bilhões de dólares agora, segundo o Banco Mundial.

Não pode agradar a nossos concorrentes pela liderança continental, ou, pelo menos, aos seus segmentos mais imperialistas e conservadores, que o Brasil tenha estendido sua influência do Cone Sul ao Caribe, por meio de instrumentos como o BNDES, o Mercosul, a CELAC, a UNASUL, e, sobretudo, do Conselho de Segurança da América do Sul, que tem possibilitado estreita cooperação entre as forças armadas da região, no sentido da manutenção da paz e da colaboração no desenvolvimento de meios de defesa contra potências extra regionais, com a compra de lanchas de patrulha fluvial, pelo Brasil, em países como a Colômbia, a venda de aviões aqui fabricados para diferentes países latino-americanos; e a participação de países como a Argentina — antes considerados como nossos arqui-inimigos — no desenvolvimento de projetos conjuntos como o avião KC-390, da Embraer.

Não pode agradar a esses mesmos segmentos, que se expressam por meio de editoriais em jornais conservadores estrangeiros, que o Brasil mantenha uma postura independente e não alinhada na ONU e em outros fóruns internacionais; que tenha pago sua dívida com o FMI; que pleiteie mais poder nessa instituição e no Banco Mundial; que tenha estabelecido uma aliança estratégica com alguns dos maiores países do mundo, entre eles três potências espaciais e atômicas — China, Rússia, Índia, para oferecer ao planeta alternativa política e econômica à tutela dos Estados Unidos e da Europa, neste novo século; assim como nossa aproximação, também no âmbito do BRICS, com a África do Sul, para o estabelecimento de um eixo entre as duas maiores potências militares da região, para fazer frente estratégica e diplomaticamente à expansão da OTAN para o sul do Atlântico.

Assim como não pode agradar a esses setores conservadores e imperialistas estrangeiros, que o Brasil tenha voltado a produzir blindados, como os Guarani; que ele tenha construído uma nova base de submersíveis, que ele tenha montado uma fábrica própria e esteja construindo um submarino atômico e mais quatro convencionais. Ou que tenha alcançado a motorização própria de mísseis navais tipo Exocet; que esteja desenvolvendo mísseis de cruzeiro como o AV-MT 300 Matador, com 300 quilômetros de alcance; ou voltado a fabricar e a exportar barcos patrulha para países como a Namíbia; ou modernizado e voltado a exportar sistemas de mísseis como o Astros 2020 da Avibras; ou, com a participação de outros países, jatos militares cargueiros capazes de transportar até tanques, como o KC-390; radares como a família SABER da Bradar; a desenvolver caças de última geração como o Gripen NG-BR, com a Suécia; e fabricar, pela primeira vez, nossos próprios rifles de assalto, capazes de disparar até 600 tiros por minuto, como o IA-2, da IMBEL; ou mísseis Ar-Ar A-Darter como os que estamos desenvolvendo com a África do Sul.

O militar é o cidadão fardado. Ele é pai, ele é filho, ele é irmão. O militar brasileiro preza o campo de manobras, a bandeira da Pátria desfraldada ao sol, o avanço dos tanques e da infantaria, a “Selva!”profunda da Amazônia, o vento que sustenta o corpo do paraquedista em queda livre, que bate no rosto do marinheiro no convés da embarcação, na pista do porta-aviões ou na torre do submarino, ainda molhado, que acabou de emergir.

O militar brasileiro honra seu uniforme, tem — desde a escola e a academia — orgulho de se perfilar e desfilar com seus companheiros de farda, mas não se sente diferente, nem superior. Ele toma sua cerveja, gosta de assar uma carne, passeia com a família, frequenta a igreja, o cinema, leva o filho ao futebol e, quando é o caso de que possa se alistar como eleitor, comparece à sua Seção Eleitoral, exercendo, como qualquer brasileiro — seu pai, seu irmão, seu sobrinho, seu avô — o direito que tem de influenciar e decidir, pelo voto secreto e universal, o destino de sua cidade, de seu estado e de seu país.

O militar brasileiro preza o bom combate. A disputa limpa, homem contra homem, guerreiro armado contra seu oponente, o calor da luta, a vitória honrada, fruto da estratégia, do esmerado preparo, da determinação. Ele tem orgulho de defender, contra o eventual inimigo estrangeiro, as cores da Nação.

Os heróis do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, são aqueles, que, hoje, em tempos de paz, estão participando, direta e indiretamente, do desenvolvimento de nossas novas armas, e da proteção do país, assim como heróis das nossas três forças, são os que pereceram na defesa das costas brasileiras e na Campanha da Itália, que deram sua vida pela liberdade e a democracia, nas águas do Atlântico e na montanha, em lugares como Monte Castello, Castelnuovo, Montese, Collechio, Fornovodi Taro — onde o Brasil fez quase 15.000 prisioneiros em uma única batalha, obtendo a rendição incondicional do General OtttoFretter Pico, comandante da 148 Divisão Wermacht, e do General Mario Carloni, comandante da Divisão BersaglieriItalia, evitando que essa importante força escapasse para a Alemanha, e capturando centenas de caminhões e veículos militares.

Os brasileiros que caíram em nossa mais gloriosa guerra, o fizeram porque estavam combatendo o nazismo. Um regime em que não havia voto e a tortura e o assassinato eram moeda corrente. Os nossos pracinhas — cuja memória nunca é demais reverenciar — lutaram para que os brasileiros pudessem, um dia, votar diretamente em seu Presidente e livremente expressar suas ideias.

Aos macarthistas de plantão é preciso lembrar que o confronto entre as nações, agora, se dá muito mais no campo geopolítico do que no ideológico.

À China, não interessa expandir o seu bem-sucedido modelo de "um país, dois sistemas", que introduziu as modernas técnicas de produção capitalista em um país comunista com uma economia amplamente, em mais de 80%, estatizada, para outras nações, até para não arranjar concorrentes, como a maior base industrial do mundo.

Assim como não interessa a Cuba — que acaba de reatar relações diplomáticas com os EUA — exportar sua "revolução" a não ser que sejam seus “revolucionários” modelos de medicina tropical, de combate ao analfabetismo e de fomento ao esporte, de que são testemunhas os mais de 3 milhões de turistas estrangeiros que recebe todos os anos.

E, muito menos interessa meter a mão em cumbuca à Coreia do Norte, totalmente isolada, que está muito mais para mentecaptomunista do que para comunista, se formos considerar e dar ouvidos às notícias — algumas absolutamente incríveis — que nos chegam pela imprensa "ocidental" como a de que o Baby Doc às avessas que governa aquele país teria mandado executar um general, o seu Ministro da Defesa, por ter adormecido durante um desfile.

O discurso anticomunista, hoje, serve ao que quase sempre serviu no passado. Manter o status quo daqueles que não desejam perder seus privilégios, dentro de cada país, e atacar e enfraquecer os governos, nações, alianças e regiões que se oponham ao status quo consolidado, nos últimos 200 anos, pela dominação dos Estados Unidos da América do Norte, e, secundariamente, da Europa, sobre o resto do mundo, incluído o Brasil, mesmo que muitos brasileiros adorem emular os EUA e ajam como se já fôssemos de fato, e há tempos, uma colônia norte-americana.

Uma das principais razões para o Brasil estar sendo atacado, nesse contexto, é ter facilitado a aproximação, depois do balão de ensaio do IBAS (a aliança estratégica que nos une à Índia e à África do Sul) de potências que os conservadores norte-americanos — que usam o discurso anticomunista como meio de defender seus interesses — gostariam de manter afastadas e divididas, como a Índia, a China e a Rússia.

Não fazendo fronteira com nenhuma dessas nações, nem estando situado em sua região de influência, o Brasil — até mesmo por não ter ambições territoriais — tem atuado, desde o início da criação do BRICS, como um algodão entre cristais, facilitando a relação e ajudando a dirimir problemas no âmbito do grupo, e a viabilizar uma aliança contra a qual o "ocidente" sempre torceu, a ponto da imprensa ocidental tentar desancá-la, sabotá-la e desacreditá-la a todo momento, sempre que tem uma oportunidade.

O BRICS é perigoso para a hegemonia cultural, política, econômica e militar anglo-saxã, não apenas como exemplo, mas, principalmente, porque seus membros têm cacife para criar alternativas viáveis para o desenvolvimento econômico e social dos países mais pobres.

Alternativas que não passam por instituições sob o controle dos EUA e da Europa, como o FMI e o Banco Mundial, onde o poder e as cotas decisórias há muito não correspondem à importância do Brasil, China, Rússia e Índia no mundo atual.

Esta é a razão que está por trás da criação do Banco do BRICS e do fundo de reservas de seus países membros, para auxílio recíproco, aprovados pela Comissão de Relações Externas da Câmara dos Deputados esta semana.

A China é, hoje, o maior credor dos Estados Unidos. Pequim tem quase 4 trilhões de dólares em reservas internacionais. Nova Deli e Moscou têm mais de 350 bilhões de dólares cada, e o Brasil, com 373 bilhões de dólares (mais do que a Rússia ou a Índia, neste momento) acaba de voltar à condição de, isoladamente, terceiro maior credor externo dos Estados Unidos, segundo a página oficial do próprio tesouro norte-americano: http://www.treasury.gov/ticdata/Publish/mfh.txt

Se enganam, portanto, aqueles, que, na internet, ou nas ruas, acham que aos militares brasileiros, como cidadãos, interessa voltar ao tempo em que o Ministro das Relações Exteriores do Brasil tirava os sapatos no aeroporto, nos Estados Unidos, para deixar ser revistado; ou que devíamos 40 bilhões de dólares ao FMI; ou assinávamos voluntariamente tratados que nos impediam de pesquisar ou desenvolver armamento atômico.

O nacionalismo e o desenvolvimentismo, foram o esteio de governos militares como os do general Ernesto Geisel, que enfrentou os radicais das forças armadas e peitou os Estados Unidos, em episódios como o da assinatura do acordo nuclear Brasil-Alemanha.

Só o nacionalismo — que pode se projetar para um regionalismo integrativo e pragmático na América do Sul — e o desenvolvimentismo podem conduzir o Brasil ao lugar que merece, como o quinto maior país em território e população e a sétima economia do mundo; e os adversários do PT deveriam estar preocupados em criar projeto nesse sentido que corrigisse os eventuais erros e omissões do atual governo, no lugar de querer se contrapor a esse objetivo, patriótico, permanente, nacional, com a defesa do neoliberalismo, da desnacionalização do patrimônio público, da entrega das reservas do présal — cuja lei de royalties deveria ser modificada para incluir também parte dos gastos com defesa — e o desmonte do BNDES, que tem sido essencial para a evolução da indústria bélica nacional.

Ao falar como falou — mesmo que o tenha feito fortuitamente, respondendo a indagação eventual do repórter que o entrevistava — o Comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas passou clara, serena e inequívoca mensagem.

As armas não têm coloração política. Não são socialistas, nem anticomunistas, nem "capitalistas", nem fascistas, nem conservadoras. Elas servem aos interesses permanentes da nacionalidade, que são o engrandecimento e o fortalecimento da Pátria, e o fazem sob o mandato do Povo Brasileiro, consubstanciado no Artigo Primeiro do texto constitucional, que reza: "todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido" por representantes eleitos, começando por aquele que tenha sido contemplado pela maioria dos votos como candidato à Presidente da República, a quem cabe, entre outras atribuições, a de Comandante Supremo das Forças Armadas.

Esse foi o recado das armas. Em defesa da Lei, da Constituição e da Democracia.
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Guga Noblat descobriu o óbvio: os paneleiros são doentes

Os doentes não respeitam nem crianças
O apresentador Guga Noblat descobriu a pólvora: os paneleiros são doentes.

Ele escreveu, no Facebook, que não imaginava que, carregando uma criança no colo, pessoas que protestavam contra Dilma pudessem hostilizá-lo.

Mas hostilizaram.

Quando nem um bebê é respeitado, é porque a doença é, definitivamente, grave.

E essa doença se chama ódio. É um tipo de ódio irracional, ilógico — e perigoso.

Sua origem é facilmente rastreável. Ele deriva do enxame de colunistas que, nos últimos anos, se dedicaram a fazer uma incessante e furiosa pregação contra o PT.

As grandes empresas de jornalismo se abarrotaram de pessoas com esse perfil: gente sem limites na agressividade antipetista.

Se você olhar para trás, verá que o primeiro deles foi Diogo Mainardi, na Veja.

Logo depois, também na Veja, mas no site, apareceu Reinaldo Azevedo.

Tolstoi não se gabava de ter escrito Guerra e Paz, mas Azevedo não perde uma chance de dizer que criou a palavra “petralha”, segundo ele dicionarizada.

Aos dois se juntaria, com a mesma selvageria, Arnaldo Jabor, que começou a enxergar bolcheviques sob a própria cama e a denunciá-los com estridência em jornais, rádio e tevê.

Com o correr dos dias, o grupo foi se ampliando rapidamente. Rachel Sheherazade surgiu dentro desse quadro.

Não quisesse Silvio Santos dar sua contribuição sorridente para o ódio anti-PT, Sheherazade ainda estaria no anonimato em que sua carreira se arrastou.

Esta é uma característica comum à brigada da raiva.

Em circunstâncias normais, não seriam nada, ou quase nada. Mas deixaram claro aos donos da mídia que topariam agredir incondicionalmente Lula, Dilma e o PT. E isso lhes trouxe emprego e dinheiro fácil.

A grande ironia de tudo, e já falei disso algumas vezes, é que quem financia tudo isso é o próprio governo, pelo dinheiro bilionário que ano após ano coloca nas corporações de jornalismo dedicadas a destruí-lo.

Sobra dinheiro aos Marinhos, Frias e Civitas para sustentar e ampliar a bancada do golpe.

Uma das grandes interrogações futuras sobre os governos petistas é por que continuaram a prestigiar, com copiosos anúncios, empresas jornalísticas que são hoje, para usar a palavra de Guga Noblat, fábricas de “doentes”.

O mistério é ainda maior porque as audiências das mídias tradicionais despencaram nos últimos anos, com a ascensão da mídia digital.

Um tipo de público foi especialmente afetado pela mídia: pessoas de classe média, ou classe média alta, com pouquíssima leitura.

São os chamados analfabetos políticos.

Um caso exemplar é o do executivo fracassado Danilo Amaral, que hostilizou Padilha num restaurante em São Paulo.

Você tem que estar doente da cabeça para fazer o que ele fez. A vida de Amaral foi vasculhada pelos que se condoeram de Padilha, e hoje todo o Brasil sabe que o ponto supremo de sua carreira foi enterrar uma companhia aérea.

Agoto todos sabem que Danilo Amaral enterrou a Bra
Agora todos sabem que Danilo Amaral enterrou a Bra
O que fez a fábrica de doentes com Amaral?

Aplaudiu.

Algumas pessoas notaram uma ironia nos apuros de Guga. Ele é filho do jornalista Ricardo Noblat, que em seu blog no Globo é parte do grupo semeador de ódio.

Talvez seja uma oportunidade para Noblat refletir sobre o triste papel que vem desempenhando como blogueiro.

Há um limite para agradar patrões — e este limite foi há muito tempo ultrapassado por Noblat e seus congêneres.

Paulo Nogueira
No DCM




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A virulência na rede digital

 

Ouça aqui



O cruzamento de algumas leituras do fim de semana e de segunda-feira (18/5) destaca algumas vozes que refletem certa preocupação com os níveis de hostilidade presentes nas relações sociais digitais.

O Estado de S. Paulo, citando a organização de defesa de direitos humanos Safernet, informa que em 2014 foram registradas 189,2 mil denúncias de crimes e abusos na rede, segundo levantamento feito com a participação do Ministério Público e da Polícia Federal. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o sociólogo Manuel Castells afirma que a internet está expressando um perfil naturalmente agressivo dos brasileiros.

Também pode-se colocar na mesma conta o episódio de que foi vítima o secretário municipal de Saúde de São Paulo e ex-ministro Alexandre Padilha, ocorrido na sexta-feira (15/5). Padilha almoçava com amigos de infância quando um cliente se levantou e, batendo com o garfo numa taça, pediu atenção aos presentes para avisar que ali estava o homem que havia criado o programa Mais Médicos cuja conta, segundo ele, cairia nas cabeças dos brasileiros. Padilha achou por bem não polemizar na ocasião, e depois usou as redes sociais para comentar o que chamou de “inaceitáveis instantes de intolerância”.

Pode-se encontrar algumas convergências e certa diversidade nas três citações da imprensa. A primeira, que se refere à preocupação de empresas e entidades civis com o aumento da agressividade nas redes sociais, aponta para um fenômeno mundial que tem sua versão brasileira associada a questões comuns como o preconceito de raça e de origem, o posicionamento político ou a preferência em termos futebolísticos. Especialistas citados na reportagem afirmam que tem havido uma redução da virulência, com outros sinais de amadurecimento do comportamento virtual.

Já Manuel Castells, que dos anos 2000 a 2006 esteve no topo das citações entre intelectuais que estudam a comunicação, com sua interpretação marxista da vida digital, faz uma projeção de teses que contrastam com a ideia equivocada do “brasileiro cordial”. A frase que a Folha escolheu para dar o título à sua entrevista reduz bastante o alcance de suas declarações: “A imagem mítica do brasileiro simpático existe só no samba”.

Mas a visão do sociólogo sobre o Brasil atual precisa ser discutida.

A fonte da intolerância

A rigor, o que Castells diz na entrevista é uma repetição de certa obviedade que vem afirmando em suas palestras: o fato de que as pessoas refletem na internet a educação que receberam ou desenvolveram. Se alguém é intolerante na vida social, tende a repetir esse comportamento quando acessa as redes digitais.

Ele acredita que a internet apenas amplifica os conflitos entre os brasileiros, que, na sua opinião, sempre foram agressivos: a internet funciona como um espelho, pondera. “A sociedade brasileira não é simpática — é uma sociedade que se mata”, afirmou, observando que a internet amplia os espaços para a expressão de sentimentos que já estão presentes na vida comum. Portanto, se nas relações virtuais “se articulam formas de violência, racismo, sexismo, é porque isso existe na sociedade”, acrescentou.

Mas Castells não acredita que a rivalidade política esteja mais intensa agora, no Brasil, do que foi antes. É nesse ponto que o sociólogo espanhol parece se distanciar da realidade brasileira: a observação diária autoriza a afirmar que o posicionamento partidário da mídia tradicional estimula radicalismos políticos no campo virtual, que se desdobram em outras formas de intolerância. O incidente que constrangeu o ex-ministro da Saúde é apenas uma das muitas manifestações diárias desse fenômeno, que mostra as classes médias urbanas expondo mais agressivamente seus preconceitos e sua visão de mundo reacionária.

Juntando-se aos dois textos o caso do ex-ministro, fica evidente que a sensação de liberdade do suposto anonimato — ou a possibilidade de uma ação incorpórea — nas redes digitais estimula a manifestação da intolerância que já existia nas camadas mais privilegiadas da sociedade brasileira. E, ao contrário do que diz Manuel Castells, essa rivalidade ideológica, estimulada e amplificada pela imprensa, oferece uma justificativa moral para o comportamento de pessoas como o cidadão que manifestou em voz alta, num restaurante, sua ignorância sobre o programa Mais Médicos.

Ao contrário da crença de Manuel Castells, o Brasil é um país conflagrado politicamente. Mas não se pode culpar a internet ou as redes sociais pela virulência que nasce nas redações.

Colunistas pitbulls e articulistas tendenciosos armam o palanque dos analfabetos políticos que esgrimem suas verdades por aí.

Luciano Martins Costa
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‘Está na moda odiar o Brasil’, diz inventor do termo Bric

Um dia depois de participar de almoço para investidores em Londres com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o economista britânico Jim O’Neill, contou ter ouvido dele uma perspectiva razoável, de que a tendência de crescimento para o país é de 3%, talvez 4%, se muitas medidas acertadas forem tomadas.

O que houve com o Bric? Brasil e Rússia não vão bem. Índia tem problemas. E a China reduz o passo...

A percepção sobre a desaceleração da China está errada. A China desacelerou menos do que eu imaginava. Para quem achava que ia crescer 10% para sempre, é um grande problema, sobretudo para países que dependem de commodities, inclusive o Brasil. A China é um dos Bric que não me decepcionam. A Índia mostra sinais de aceleração. Já a Rússia e o Brasil me preocupam. Têm um problema comum que é a dependência de commmodities. Isso faz com que sejam um pouco preguiçosos. Não implementam reformas em tempos de bonança e isso torna tudo mais difícil nos momentos ruins.

Quais as perspectivas para o grupo?

Mesmo com problemas de desaceleração, 14 anos depois, os quatro estão muito maiores do que imaginei. Ultrapassaram as expectativas na primeira década. A China continua no páreo para ultrapassar os EUA em 2027. Temos de olhar no longo prazo. Está na moda dizer que o Bric acabou. É ridículo. Mas o Brasil claramente tem problemas.

Como o senhor percebe o Brasil hoje?

Participei do almoço com o seu ministro da Fazenda. Foi muito bom conversar com ele e ouvir o que tinha a dizer. É a pessoa de que o Brasil precisa para restabelecer a credibilidade do país. É bastante conservador do ponto de vista fiscal, respeita a importância da meta de inflação e espero que a presidente esteja dando a ele autonomia de verdade.

Quais são os desafios da economia?

O Brasil, desde os últimos dias do presidente anterior (Lula), se perdeu no caminho. Seus assessores se deixaram levar. Não posso esquecer, em 2009 e 2010, havia uma visão de que o Brasil poderia ter um crescimento chinês, de 10%. Isso era loucura. E alguns assessores de Lula diziam 7%. Se você perguntar ao novo ministro da Fazenda, como fiz na quarta-feira (passada), qual é a tendência para a taxa de crescimento, a resposta é outra. Ele me disse 3%, talvez 4%, “se fizermos muitas coisas boas”. Parte do trabalho de recuperar a credibilidade é justamente ser mais razoável.

Levy disse que o resultado do ajuste só virá em 2016. Os investidores esperarão?

A realidade é que os investidores são sempre movidos por ganância e medo. Estamos sempre entre os dois extremos. No que diz respeito ao Brasil, os sentimentos têm tido altos e baixos. Atualmente, está na moda odiar o Brasil. Mas aqueles com instinto mais aguçado, pensam: “Peraí!”. Eu mesmo estou pensando nisso. Você olha para o Brasil e para Índia. O retorno do mercado de capitais em dólar é grande. Mas o Brasil está barato frente à Índia.

Qual é o calcanhar de Aquiles?

O ministro falou muito de investimentos em infraestrutura, foi ótimo. Mas é só o começo. Uma das razões para ter incluído o Brasil no Bric era o fato de o país ter metas de inflação. Não se pode fingir, se tem uma meta de inflação, tem que segui-la. Isso é o que digo que, durante Dilma (Rousseff), foi um retrocesso. Eles precisam dar ao Banco Central (BC) independência de fato, caso contrário, não tenha meta de inflação. Nos últimos anos, é quase como se o BC estivesse fingindo que está perseguindo a meta. É clara a pressão do governo para parar de prestar atenção nisso. Em contexto: 8% para o Brasil é ruim comparado com anos recentes, mas, meu Deus, muito melhor do que 20 anos atrás. Mas uma das razões para pensar no potencial do Brasil estava ligado à inflação baixa e estável. Não me incomoda que esteja um pouco acima. Mas é preciso explicar o que está acontecendo. Se a meta é de 3% a 6%, tem que assegurar que quando estourar, você vai trazê-la de volta. Se quer que a meta passe a ser de 7% a 10%, explique o motivo. Não mexa nisso apenas por mexer. Tem que explicar.

Os investidores que estiveram com Levy reclamaram de uma crise de comunicação do governo, de falta de explicações ou satisfações. O senhor concorda?

Os brasileiros não sabem se promover no palco internacional com confiança ou autoridade. E isso é um problema. Costumo trabalhar com um conceito que é Q (qualidade da ideia) X A (aceitação) = E (eficiência). Mas se A é zero, E também é zero. E, com frequência, o Brasil tem problemas com o A. Os americanos são sempre bons no A. O Brasil tem que trabalhar no A. O governo está meio que se escondendo. Numa era de tecnologias de mídia que funcionam 24 horas, sete dias por semana, você tem que ter uma mensagem simples, clara e crível. E isso está acontecendo em um momento em que o Brasil tem vulnerabilidades. Se os EUA começarem a mexer com juros, como nos velhos tempos, o real pode estar sob pressão de novo.

Vivian Oswald
No O Globo
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Simpatia do brasileiro é um mito, diz sociólogo Manuel Castells

Para Manuel Castells, 73, a agressiva polarização política que se vê hoje nas redes sociais "desconstrói o mito do brasileiro simpático". O sociólogo espanhol esteve no país durante os protestos de junho de 2013, e acrescentou a seu livro "Redes de Indignação e Esperança – Movimentos Sociais na Era da Internet" (ed. Zahar) um posfácio em que analisa os recentes acontecimentos no Brasil.

Professor da universidade da Califórnia, Castells participou, na semana passada, do Fronteiras do Pensamento na Bahia. Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista concedida à Folha, em Salvador.

Em 2013, o sr. disse que nosso grande problema era político, não econômico. E agora, que nossa economia tampouco anda bem?

Quando aponto a questão política me refiro a uma crise mundial dos sistemas tradicionais de democracia representativa, por conta da corrupção, agora mais exposta porque as pessoas têm mais acesso à informação e mais capacidade de organização por conta da internet.

O sistema político brasileiro está mal como estão mal todos os sistemas do mundo. Há protestos e desgaste dos partidos tradicionais, além da aparição de correntes populistas de extrema-direita e de extrema-esquerda. Na Espanha, em Portugal e na Grécia, a reação é de esquerda. Na França, na Inglaterra e na Alemanha, é de direita.

O que causa essa crise de representatividade?

Os cidadãos deixaram de aceitar que sua capacidade política seja um voto a cada quatro anos. Há uma insatisfação com toda a classe política. E isso não significa que se acredite que todos os políticos sejam corruptos, mas sim que há uma classe política que está separada da cidadania, que é formada por profissionais que têm um interesse comum: o monopólio da política da corrupção.

Essa é a raiz do problema no Brasil, mas não só. Nos últimos anos vimos que afundou o sistema político italiano, espanhol, grego, está afundando o da Argentina, o do México. É algo mais profundo.

Qual a especificidade do Brasil, então?

Está ocorrendo a tempestade perfeita. Junto a essa crise de representatividade, uma piora da economia. Houve um período de bom crescimento com redistribuição. Mas a desaceleração da China fez com que ficasse difícil manter o mesmo alto nível de gasto público. E então ressurgiu a inflação, que já sabemos que foi um câncer para a economia e a sociedade brasileira em outras épocas.

No momento em que o governo atual percebeu que poderia haver um aumento da inflação, deveria ter restringido o gasto público, e não o fez.

O sr. tem estudado comparativamente protestos recentes — além do Brasil, os casos do Occupy (EUA), da primavera árabe, do Chile, do México e outros —. O que têm em comum?

O fato de não se tratarem de movimentos programáticos, mas emocionais, e de surgirem espontaneamente. Essa indignação inicial permite que se amplie a temática do movimento. A palavra "dignidade" se repete em todos eles. E por quê?

Porque as demandas não são concretas. Ainda que existam problemas concretos. O que as pessoas pedem é reconhecimento.

A primavera árabe começou com a autoimolação de um vendedor ambulante que não suportava mais o tratamento das autoridades municipais.

Um protesto pela dignidade inclui a luta contra a pobreza, mas é algo mais. É a tradução dos direitos humanos na consciência individual.

Seja na favela, seja como um profissional ou empresário, os indivíduos não sentem mais que as instituições os representam.

Em sua opinião, quais as principais diferenças dos protestos no Brasil em 2013 e 2015?

Em comum têm a denúncia da corrupção e o sentimento de que há demandas dos cidadãos que não podem se expressar nos atuais sistemas políticos.

O movimento de 2013 era popular, jovem, e partiu de demandas concretas, mas imediatamente levantou o tema da dignidade. E teve êxito, pois anulou-se o aumento das tarifas. O movimento no Brasil causou a reação política mais positiva de um governo no mundo.

A presidente Dilma Rousseff se conectou com ele. Mas o aparato do PT bloqueou a possibilidade de reforma.

Marina Silva deve seu fugaz êxito na campanha eleitoral justamente por ter se identificado com a crítica que se fazia nas ruas. Porém, não pôde resistir à ofensiva publicitária do PT e ao fato de que seu fundamentalismo evangélico não caiu bem entre a classe média intelectual.

Considero significativo que duas pessoas que disputaram a Presidência do Brasil — Marina e Dilma — haviam respondido positivamente ao movimento.

Já em 2015, é a classe média e média alta quem vai às ruas. E chegou-se a pedir a impugnação da presidente.

O grupo que pede um golpe de Estado é pequeno e considero impossível que isso ocorra. Mas o significativo é que existam cidadãos e políticos que o queiram.

2013 e 2015 se conectam com as recentes manifestações em outras partes do mundo porque mostram que a sociedade que quer expressar-se, hoje em dia, se expressa em movimentos espontâneos, coordenados pela internet, e presentes na rua.

Essa é uma transformação completa, não digo se é boa ou má, apenas digo que é uma transformação. As instituições clássicas não são capazes de representar a diversidade da sociedade. Às vezes é pela esquerda, às vezes pela direita, às vezes são jovens, às vezes são de idade madura, mas o comum a todos é que não creem na possibilidade de representação institucional, têm de conectar-se pela internet e sair às ruas.

E por que o brasileiro tem a sensação de que, na internet, há demasiada violência e intolerância no debate?

A internet é um instrumento de comunicação livre. Portanto, causa curto-circuito às instituições e ao poder do dinheiro.

A comunicação social estava monopolizada até hoje ou pelo poder político, ou pelo poder econômico. Agora, a internet permite às pessoas comunicar-se diretamente sem passar por esses controles, e sem passar por qualquer censura. Ainda que se queira controlar a internet, não se pode.

Eu não creio que no Brasil, com a internet, exista mais agressividade no debate. O Brasil sempre foi agressivo. Nos tempos da ditadura, no final dos anos 60, anos 70, o debate não só era agressivo como se torturavam pessoas diariamente com impunidade.

A imagem mítica do brasileiro simpático existe só no samba. Na relação entre as pessoas, sempre foi violento. A sociedade brasileira não é simpática, é uma sociedade que se mata. Esse é o Brasil que vemos hoje na internet. Essa agressividade sempre existiu.

A única coisa que a internet faz é expressar abertamente o que é a sociedade em sua diversidade. Trata-se de um espelho.

Como hoje não precisam passar pelos meios tradicionais de comunicação, as pessoas aparecem como realmente são.

A pergunta fundamental é: a liberdade é um bem em si? Se dizemos que sim, então a internet é uma tecnologia de liberdade, e portanto realiza uma mudança histórica. Mas é preciso aceitar que liberdade é também para coisas de que não gostamos. É para todos. Portanto, se ali se articulam formas de violência, racismo, sexismo, é porque isso existe na sociedade.

Na internet, um racista ou um sexista pode facilmente encontrar outros racistas e sexistas que, em seu entorno social, não podem se declarar abertamente assim. Na rede, não há constrangimento e se abre a possibilidade de expressão espontânea da sociedade.

E o que ocorre? Nos damos conta de que a sociedade não é tão boa e angelical como gostaríamos que fosse.

Vemos que, na verdade, a sociedade é bastante má. No Brasil e em todos os outros países.

E de quem depende a mudança social nesse novo contexto?

Certamente, não será da internet, mas sim dos sujeitos da mudança. Se estes querem um golpe militar, a internet facilita a organização desses sujeitos.

A internet é agnóstica, expressa o que somos. E o que somos depende da cultura. Repito, não creio que o Brasil seja pior agora, ou que a rivalidade política esteja mais intensa nesse momento do que foi antes.

No Brasil, a desigualdade diminuiu, mas ainda é muito grande. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizia que o Brasil não era pobre, mas sim injusto. Concordo. Há uma imensa riqueza, controlada por 1% da população. Como é que a sociedade não vai estar com com raiva? E há, também, um grupo de classe média que está descontente porque se tira deles alguns recursos para redistribuir.

Trata-se de uma classe média profissional, que teme perder seus privilégios e que vive melhor que seus pares nos EUA e na Europa. Quem pode ter dois ou três empregados domésticos permanentes, vivendo em casa, ou constantemente indo e vindo? Nenhuma classe média do mundo! Pode-se ver famílias com empregados domésticos em outros países, mas em número pequeno. Empregados domésticos como massa importante, só no Brasil.

A descrença no Estado tende a gerar para-Estados ou Estados paralelos, que se expressam na formação de milícias e de uma justiça civil, como no México, ou terrorista, no caso do Estado Islâmico?

O México se transformou de fato num narcoestado. Há uma guerra civil ali, e ressurgem leis que são ancestrais, portanto reproduzem as formas de opressão que estão na raiz da violência.

O Estado Islâmico não é um grupo totalmente desvairado. Representa uma resistência profunda ao colonialismo cultural nos países muçulmanos e nas comunidades muçulmanas da Europa. Por que jovens dos EUA e da Europa vão morrer ali? Por que mulheres vão se casar e ter filhos com militantes do Estado Islâmico?

Essa diversidade cultural e política é a que existe no planeta. Não podemos criar um standard do politicamente correto e do humanamente correto, porque isso não existe. Cada vez que vamos afirmar um direito num sentido, vamos encontrar outras formas de opressão.

Vivemos atualmente numa contradição, e a internet exacerba isso. Se respeitamos realmente os direitos democráticos, devemos aceitar que são os povos os que elegem as formas democráticas em que querem viver.

Você não pode, com o pretexto do civilizado ou do não civilizado, impor formas de vida. Isso é colonialismo cultural e político, cuja reação violenta estamos vendo agora.

Sim, é preciso defender os direitos da mulher em todo o mundo, mas as mulheres de cada cultura é que têm de interpretar isso e mostrar como querem ter esse direito respeitado.

Valores universais há, mas a interpretação deve ser feita em cada sociedade. A forma de defendê-los depende de cada cultura.

Está em risco o Estado de Direito no Brasil?

Do ponto de vista concreto, ele não existe na maioria dos países. No Brasil, não há Estado de Direito. No Brasil, há uma classe política corrupta que utiliza o Estado para seus próprios fins. Faz isso como classe, ainda que como governantes concretos às vezes não o sejam. No Brasil não há um Estado de Direito, há a manipulação do Estado de Direito para manter um Estado patrimonial.

Mas ocorre o mesmo nos EUA. Ali se governa para a classe política e seus interesses. Sem Wall Street não se pode fazer política. E se Wall Street se afunda, toma-se o dinheiro dos contribuintes, e se entrega a Wall Street.

O movimento Occupy não mudou isso, mas fez com que mudasse a consciência dos EUA sobre a desigualdade social, que o americano médio não sabia que era tão importante.

O Occupy é responsável por conscientizar os norte-americanos sobre a desigualdade social e desconstruir a ideia do "sonho americano", de que você pode chegar aonde quiser se for empreendedor e trabalhar.

Sylvia Colombo
No fAlha
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A falácia do jornalismo tipo ‘ele disse, ela disse’


Os telejornais, a principal fonte de informação dos brasileiros, abusam cada vez mais da ferramenta editorial conhecida pelo jargão norte-americano como “ele disse, ela disse”, baseada na norma de ouvir os dois lados numa notícia. Pode tranquilizar redatores e editores, mas o telespectador fica perdido no meio de um tiroteio informativo.

O procedimento quase padrão nas reportagens de telejornais é partir de uma denúncia, dado ou fato impactante para em seguida apresentar declarações do denunciante, autor do dado ou protagonista do fato. Depois disso vem a declaração do lado contrário, geralmente com justificativas, explicações burocráticas ou o recurso a novos dados ou fatos, que aumentam ainda mais a confusão do leitor.

O “ele disse, ela disse” tem uma consequência ainda mais nefasta porque consagra a omissão dos repórteres e editores de investigar os fatos, eventos e dados numéricos objeto da notícia ou reportagem. Basta um ser contra e outro a favor para a tarefa jornalística ser considerada cumprida.

Tomemos um caso ocorrido recentemente e que serve de paradigma para a esmagadora maioria das notícias dos telejornais dos canais abertos. Fraude do leite. Destaque para a prisão dos suspeitos, seguindo-se a declaração de policiais e procuradores que explicam a fraude, os detalhes da captura, e fazem questão de sempre mencionar os anos de prisão a que estão sujeitos os acusados. No final, vêm as explicações dos advogados de defesa e dos suspeitos que dizem não ter feito nada de ilegal. O telespectador que se vire para entender quem tem e quem não tem razão.

É necessário reconhecer que uma notícia importante e digna de ser incluída num telejornal geralmente envolve questões complexas, cujo esclarecimento exige tempo e trabalho, dois itens críticos no ritmo industrial de produção de um noticiário como o Jornal Nacional, por exemplo. As questões operacionais servem de justificativa para jogar todo o peso do esclarecimento sobre os entrevistados, já que o repórter não teve tempo para checar os dados e situações citados pelas fontes ou personagens da notícia.

Até os contínuos das redações sabem que cada protagonista procura justificar o seu lado. Para o entrevistado não importa a verdade, mas sim a forma como ele será visto e julgado pelo telespectador. A maioria dos políticos, funcionários públicos importantes e empresários já passaram por sessões de “media training” e sabem como escolher palavras e abordagens que não prejudiquem a sua imagem pública. Nestas condições, uma notícia num telejornal quase sempre acaba se transformando num desfile de performances, para aflição dos telespectadores que sabem que o principal não está sendo dito, mas não conseguem identificar onde está a verdade.

Se formos analisar ao pé da letra, o “ele disse, ela disse” não é jornalismo. Principalmente num contexto em que o público está cada vez mais necessitado de profissionais que o ajudem a entender um mundo cada vez mais complexo. Nós, os jornalistas, precisamos perceber que não é dessa maneira que manteremos a confiança de leitores, ouvintes, telespectadores e internautas. Mais do que nunca temos a obrigação de focar mais no contexto do que na espetacularidade das ações policiais, no impacto das denúncias de procuradores e nas manobras de políticos ou empresários.

As redações precisam se preocupar mais com o público do que com as fontes. Isto já foi dito várias vezes por inúmeras pessoas, mas parece que ninguém escuta em redações automatizadas pela rotina de produzir material noticioso que serve para separar um anúncio de outro. Os executivos ainda estão convencidos de que a credibilidade do público na imprensa é infinita, mas o que se nota no contato informal e direto com as pessoas é um criticismo crescente em relação a jornais, revistas e telejornais.

Carlos Castilho
No OI
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Manchetômetro descobre a imparcialidade do jornal Estado de Minas



Nesta página apresentamos a cobertura feita pelo jornal Estado de Minas dos principais candidatos da eleição presidencial de 2014: Eduardo Campos (PSB) posteriormente substituído por Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Nossa base de dados é composta pelas capas publicadas durante o período oficial de campanha eleitoral, que teve início em 6 de julho e foi até 25 de outubro, véspera do segundo turno.

Pesquisa feita em colaboração com Eliara Santana (PUC-Minas/Capes).

Cobertura agregada

No gráfico abaixo temos o número de manchetes e chamadas de capa favoráveis, contrárias e neutras a cada candidato no período que vai de 6 de julho a 25 de outubro.

Série temporal semanal: valências favoráveis para os quatro candidatos

No gráfico abaixo temos o número das manchetes e chamadas de capa favoráveis a cada candidato ao longo do tempo, dividido em semanas, de 6 de julho a 25 de outubro.

Série temporal semanal: valências contrárias para os quatro candidatos

No gráfico abaixo temos o número das manchetes e chamadas de capa contrárias a cada candidato ao longo do tempo, dividido em semanas, de 6 de julho a 25 de outubro.

Série temporal semanal: valências neutras para os quatro candidatos

No gráfico abaixo temos o número das manchetes e chamadas de capa neutras a cada candidato ao longo do tempo, dividido em semanas, de 6 de julho a 25 de outubro.


Última atualização: 15/05/2015 às 14:57
No Manchetômetro
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Carmen Lúcia – “Sociedade do politicamente correto, do pensamento único é a do não pensar”


A ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, encerrou neste sábado (16), o VI Encontro da Associação dos Advogados de São Paulo - AASP. A palestra de encerramento da ministra teve como tema a liberdade de expressão.

De jeito doce e contador de histórias, Carmen Lúcia dividiu a atenção do público com casos e pensamentos críticos. Para ela, a liberdade de expressão tem que ser plena, como forma de concretizar a democracia, inclusive em relação às opiniões que ela discorda diametralmente. A ministra criticou ao que ela chamou de Politicamente Correto — “Todo mundo tem que ser igualzinho”.

“A sociedade do politicamente correto, do pensamento único é a sociedade do não pensar. Fico imaginando como seria Vinícius de Moraes (ícone do politicamente incorreto do passado)”. Carmen defendeu o crescimento do pensamento crítico ao passo que as visões e opiniões sejam múltiplas. 

Apesar de defender o politicamente incorreto, o qual algumas vezes se utiliza de discriminação como forma de humor ou crítica, a ministra defende pautas que normalmente costumam a serem alvo desse tipo de pensamento. Em uma das suas passagens, fez questão de levantar a bandeira feminista — “mulheres morrem todos os dias apenas por serem mulheres. Homens não”. 

Carmen Lúcia defendeu que a falta de independência de pensamento leva pessoas a abdicarem da reflexão e fazerem coisas que não precisam — “Tem um ditado que eu falo para os meus alunos: você pensa por você? Pensa mal. Quem pensa por você é o comercial” —  ironizando sobre o consumo de coisas desnecessárias. 

Segundo a ministra, somente a liberdade de imprensa e expressão plena que pode construir um pensamento crítico para evitar essas formas de alienação. “Pessoas falam mal do Supremo o tempo todo. Vou fazer o quê? Tem que falar. Faz parte da Democracia”.

Brenno Tardelli
Foto: Carine Oliveira
No Justificando
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PSDB prova do próprio veneno

"Pegaram um criminoso, réu confesso, preso por abuso de menores, para me acusar sem nenhuma prova. Coisa de bandido."

Não, a afirmação não é de nenhum suspeito na operação da moda, a Lava Jato. O desabafo é do governador Beto Richa, tucano de carteirinha, num vídeo publicado no Facebook. Richa, como se sabe, ganhou notoriedade nacional — e internacional — como o carrasco de professores do Paraná.

Nada como um dia depois do outro. Eis que um auditor da Receita paranaense, Luiz Antônio de Souza, fez o que o doleiro Alberto Youssef pratica período sim, período não. Entrega uma delação premiada em troca de redução de penas. O conteúdo fica ao gosto de um certo público qualificado.

Para quem não sabe, Souza é acusado de participar de um esquema em que empresários pagavam propina em troca da redução ou até da anulação de calotes tributários. Puxando o novelo, surgiu a denúncia de que o grupo de auditores criminosos deveria molhar a mão da campanha de Beto Richa com R$ 2 milhões surrupiados na propinagem.

O conteúdo da delação tem tanto valor quanto as infindáveis "revelações" de Youssef. Ou seja, é tudo verdade? É tudo mentira? Que parte é verdade e que parte é mentira? Silêncio ensurdecedor no PSDB.

Assim como Souza, Youssef é um criminoso contumaz. O primeiro chega a abusar de menores; o segundo prefere negociar com adultos. "Incorrigível", como declarou o Ministério Público depois que o doleiro voltou a delinquir após atuar como delator no caso Banestado.

Mesmo assim, Youssef recebeu uma nova chance. Virou testemunha-chave na Lava Jato. Mais. Ganhou direito a delações editadas.

Algumas de suas denúncias estampam manchetes; outras, que envolvem gente de fora do governo atual, têm que ser procuradas com lupa nas redes sociais.

A história fica mais grave ao sermos informados de que a Operação Zelotes, criada para investigar roubalheira grossa na Receita Federal, corre o risco de absolver 90% dos suspeitos. O caso envolve processos que somam mais de R$ 19 bilhões em impostos sonegados, deixando a Lava Jato no chinelo.

Com a palavra Frederico Paiva, procurador responsável pelo processo: "Como as medidas investigatórias não estão sendo deferidas, as pessoas também não estão preocupadas. Está todo mundo em casa".

O procurador refere-se a pedidos de busca e apreensão, escutas telefônicas etc. sistematicamente negados pela 10ª Vara Federal. Nada como fazer parte da sobrenomecracia. Já o juiz Sérgio Moro só falta anunciar prisões pelo Twitter.

No Brasil, a Justiça é cega apenas para alguns. Para outros, depende de colírios financeiros.

Esqueçam o que escrevi

Com o vazio de lideranças dignas desse nome, a oposição escalou o veterano Fernando Henrique Cardoso para comandar a tropa de choque contra o governo. Rejuvenescido por amores tardios e celebrado pela banca em Nova York, faz o diabo para mostrar que está em forma.

Subiu no caixote e gostou do ambiente; aguarda-se um dueto com Marta Suplicy em rede nacional. FHC chama Lula para o embate, flerta com o impeachment de Dilma, opina sobre tudo. Menos, por exemplo, sobre o dinheiro torrado para comprar a própria reeleição.

Ricardo Melo
No fAlha
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Avião apreendido no interior do Ceará carregava 361,7 kg de cocaína. E esse é dos Perrelas?

Papiloscopista da Polícia Federal participa de perícia na aeronave 
(Foto: PF/Divulgação)
Pesagem de droga foi concluída na sede da Polícia Federal (Foto: PF/Divulgação)
Pesagem de droga foi concluída na sede da
Polícia Federal 

(Foto: PF/Divulgação)
A Polícia Federal concluiu, neste domingo (17), a pesagem da droga que estava em uma aeronave modelo Cessna apreendida na tarde deste sábado (16), na zona rural do município de Pedra Branca, no Centro Sul do Ceará. A pesagem foi feita na sede da PF, em Fortaleza. A aeronave transportava 361,7 kg de cocaína.

De acordo com a Polícia Militar, a aeronave já estava sendo monitorada pelo Serviço de Inteligência da Polícia Federal, foi interceptada por um 'caça' da Força Aérea Brasileira (FAB) e obrigada a pousar. Segundo a Polícia Federal, os suspeitos de tráfico fugiram quando perceberam a operação e estão sendo procurados.

Segundo caso no ano

Este foi o segundo caso de avião carregado de drogas apreendido no Ceará em 2015. Em abril deste ano, a Polícia Federal prendeu quatro pessoas que recebiam drogas de um avião carregado nas cidades de Canindé e em Boa Viagem. Além de a droga e do GPS, foram encontradas uma pistola, celulares, um mapa de navegação da Bolívia e do Paraguai e um plano de voo. Os entorpecentes estavam divididos em sete malas.

Antes de pousar em Canindé, o avião parou em outra cidade cearense, Boa Viagem, onde fez uma entrega de parte da droga a uma pessoa, que foi presa com uma mala de 30 kg de entorpecente. A partir dessa prisão, o avião e os possíveis locais de pouso foram monitorados. Uma hora e meia depois que aeronave pousou em Canindé para abastecer, o piloto foi preso por meio de denúncias de moradores de que havia uma pessoa à procura de combustível nos postos da cidade com roupa de piloto. O piloto da aeronave caminhava com uma mochila com  R$ 6.300.

Rota internacional do tráfico

O avião apreendido com 350 quilos de drogas na zona rural de Canindé, a 120 km de Fortaleza, fazia parte de uma rota internacional de tráfico de entorpecentes, de acordo com as investigações da polícia. Segundo o tenente-coronel Assis Azevedo, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, o aparelho GPS encontrado na aeronave rastreou localizações entre outros países, como Bolívia, Argentina e Colômbia. “Pelos voos, tipo e quantidade de droga apreendida deve se tratar de uma rota internacional”, afirmou.

Polícia Federal estima que o avião continha cerca de 300 quilos de droga (Foto: Polícia Federal/Divulgação)
Avião foi apreendido pela Polícia Federal na zona rural do município de Pedra Branca
(Foto: Polícia Federal/Divulgação)  
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