8 de mai de 2015

Diretor da Câmara incrimina Cunha

Será que a tornozeleira combina com gravata Hermès?




Documentos recolhidos na Câmara mostram Cunha como autor de originais dos requerimentos

Autoria foi atestada por depoimento de diretor exonerado e por perícia da PGR

Os principais documentos recolhidos na operação de busca na Câmara, executada pela Procuradoria Geral da República (PGR) no início da semana, também atestam "dep.Eduardo Cunha" como autor dos requerimentos protocolados para investigar empresas suspeitas de pagamento de propinas. Esses documentos são os originais, em formato Word, antes da conversão para o PDF. Com a diligência feita, agora se sabe que tanto nas propriedades do Word quanto do PDF o presidente da Câmara aparece como verdadeiro autor. A conversão ao PDF é feita para inclusão no sistema de consulta pública.

O depoimento do diretor exonerado do Centro de Informática da Câmara à PGR reforçou as suspeitas de que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi o verdadeiro autor de dois requerimentos protocolados para investigar empresas acusadas de pagamento de propina. Os requerimentos, segundo a delação do doleiro Alberto Youssef, serviram para que os empreendimentos retomassem o pagamento de propina ao PMDB e ao deputado.

Luiz Antonio Eira foi demitido do cargo de diretor pouco depois da revelação sobre a autoria dos documentos, registrada no sistema da Câmara. No último dia 28, Eira prestou o depoimento à PGR, decisivo para o pedido de buscas na Câmara, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e realizado nas últimas segunda e terça-feiras.

“As informações prestadas reforçam as suspeitas de que os arquivos foram de autoria do deputado federal Eduardo Cunha e apenas inseridos no sistema pela então deputada federal Solange Almeida”, afirmou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no pedido de busca de documentos encaminhado ao STF na última segunda-feira. Solange, aliada de Cunha e hoje prefeita de Rio Bonito (RJ), ingressou com os dois requerimentos na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara em 7 de julho de 2011, como revelado em reportagem do GLOBO.

Em um documento, o pedido ao Tribunal de Contas da União (TCU) cobrou informações sobre auditorias nos contratos do grupo Mitsui com a Petrobras. No outro, a cobrança ao Ministério de Minas e Energia foi por cópias de contratos, aditivos e processos licitatórios envolvendo a empresa. A propina, conforme a delação de Youssef, era repassada a partir de contratos de aluguel de navios-sondas entre Samsung e Petrobras, com intervenção da Mitsui.

O PDF dos requerimentos mostra Cunha como verdadeiro autor dos requerimentos. A autoria dos documentos pelo login do parlamentar foi atestada pela Secretaria de Pesquisa e Análise da PGR. A secretaria analisou pedidos feitos por Solange em datas próximas e constatou não existir “nenhuma divergência entre a autoria do documento e a autoria do requerimento legislativo”.

Em seu depoimento, o ex-diretor do Centro de Informática destacou que não houve fraudes na atribuição de autoria dos pedidos e que os requerimentos entraram no sistema da Câmara com “dep. Eduardo Cunha” como autor. A PGR destacou no pedido ao STF a “franca possibilidade” de que as provas fossem “destruídas, alteradas ou suprimidas”, “especialmente os registros do sistema e outros dados mantidos pela área de Tecnologia da Informação da Câmara dos Deputados”. Zavascki autorizou a operação de busca de dados na Casa, o que foi feito por procuradores da República, peritos e um oficial de justiça do STF. O procedimento era sigiloso, mas o segredo dessa ação cautelar foi derrubado ontem.

Eira contou ainda aos procuradores da República que o diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, disse a ele que a demissão era para que não houvesse vazamentos. Mas o próprio Cunha acreditava que não teria havido vazamentos, conforme o depoimento do ex-diretor. “O diretor-geral disse ainda que o presidente Eduardo Cunha achava que o depoente não foi o responsável pelo suposto vazamento, mas que serviria de exemplo para todos os demais”, registrou a PGR.
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Desenvolvido músculo artificial com células de cebola

O músculo com células de cebola pode contrair-se.
Diferente do criado anteriormente, este podem contrair-se e dobra-se ao mesmo tempo.

Um grupo de pesquisadores de Taiwan desenvolveu dois músculos artificiais com células de cebola, noticiou a mídia local nesta quarta-feira.

Pesquisadores da Universidade Nacional de Taiwan explicaram que tinham como objetivo criar uma microestrutura a partir de uma engenharia em músculos artificiais para aumentar a deformação da atuação, ou seja, uma quantidade de músculo que podem dobrar-se ou esticar-se quando ativado.

O líder da equipe, Shih Wen-Pin, explicou como se deu o processo: "Um dia, vimos que a estrutura celular da cebola e suas dimensões eram similares ao que vínhamos fazendo."

Na verdade, ao contrário de músculos artificiais criados anteriormente, ele pode se expandir e contrair, além de dobrar em direções diferentes, dependendo da voltagem aplicada, explicaram os pesquisadores em um artigo publicado esta semana na revista Applied Physics Letters.


Shih acrescentou que as células extraídas da epiderme de cebola, (uma camada frágil abaixo da superfície do vegetal) possuem uma retícula apertada, e isso possível criar um músculo mais versátil.

Essa fina camada translúcida tem a capacidade de se dobrar enquanto se contrai, o que é uma novidade que contribui para a estrutura de músculos artificiais, que até agora só poderiam se dobrar ou se estirar, mas não simultaneamente.

Para entrar nas células os investigadores usaram ácido para remover uma proteína que faz com que as paredes da cebola sejam rígidas.

Em seguida, revestiram ambos os lados da camada de cebola com ouro, e depois ativaram uma corrente, que ao passar pelos eletrodos de ouro fez com que as células da cebola se dobrassem ou esticassem como um músculo.

Quando a corrente fluíai intensamente, os investigadores assumiram o controle das respostas do músculo: uma baixa voltagem fez com que se expandisse e felxionasse até abaixo, e uma tensão elevada, por outro lado, provocou que as células se contraissem e desviassem para cima, até a camada superior mais fina.

"Nós descobrimos que a estrutura da rede de uma única camada pode gerar modos únicos de ação que nunca foram alcançados com o músculo anterior desenvolvidos artificialmente. Nosso próximo passo é reduzir a voltagem utilizada para ativar a força motriz", diz Shih.

Até agora foram feitos dois músculos com células de cebola e os colocamos em um par de pinças ​​para pegar uma bola de algodão. Enquanto isso, especialistas aprimoram estudos para aumentar o poder de manejar seus músculos artificiais.

No teleSUR
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O governo enterrou de novo o debate da regulação da mídia?

Em audiência na Câmara dos Deputados, Ricardo Berzoini evitou falar sobre regulação da mídia. 
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
No segundo turno da campanha eleitoral do ano passado, Dilma Rousseff sinalizou que, finalmente, levaria ao debate público o tema da regulação da comunicação. Afirmou, inclusive, que faria a regulação econômica da mídia. Logo no início do novo governo, o novo ministro da pasta, Ricardo Berzoini, reiterou a proposta e chamou a sociedade civil para dialogar. Então, disse que as ações em torno do tema começariam em março. Mas parece que o que era um compromisso político mais uma vez foi abandonado.

Nesta quarta (29/04), o ministro participou de audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. Por mais de duas horas, discursou sobre a agenda do Ministério das Comunicações. Ao ser questionado sobre a necessidade de um novo marco regulatório, o ministro respondeu apenas que a liberdade de expressão deve ser exercida em equilíbrio com os demais direitos consagrados na Constituição Federal. Ele não tocou no tema da abertura do debate com a sociedade, ausência que confirma o que a própria presidenta Dilma havia sinalizado no início deste mês. Então, em entrevista coletiva a blogueiros, ela afirmou que não há a menor condição de abrirmos essa discussão neste momento, por conta de toda a situação. A frase, registrada pela jornalista Cynara Menezes, foi seguida pela seguinte pérola: me disseram que vocês estão para apresentar um projeto de lei de iniciativa popular, que estão colhendo assinaturas. Não sei como ele é, nunca vi mais gordo, mas acho que pode ser interessante.

Pelo visto, mais uma vez, o governo abriu mão de travar o debate e promover políticas em uma área fundamental para qualquer sociedade democrática.

Ao mesmo tempo em que continuaremos cobrando os compromissos firmados anteriormente pelo governo, seguiremos a pautar a necessidade de regulação da mídia. Isso porque os meios de comunicação ocupam no sistema democrático, hoje, o lugar importante do debate sobre temas de interesse público. Em uma sociedade como a em que se vive em 2015, tomar decisões em praça pública com centenas de milhões de pessoas ao mesmo tempo não é algo factível. A Internet talvez um dia permita isso, mas, com o nível de exclusão digital que temos, este cenário continua distante. O papel de mediação ainda é desempenhado pelos meios tradicionais, como a televisão.

Aliás, foi para enfrentar o problema da impossibilidade de reunir todos fisicamente em um espaço público comum que inventamos dois instrumentos: o sistema de representação política e a comunicação social eletrônica, ambos descritos e definidos na Constituição Federal. O Congresso Nacional passa a ser o lugar central dos debates, do qual participam com direito a voto os representantes eleitos da sociedade. Já por meio do rádio e da TV, a sociedade obtém o conhecimento de informações para tomar suas decisões, como eleger representantes ou sair às ruas para protestar contra o que percebe estar errado.

Vale notar que tanto o Congresso como os canais de rádio e TV são espaços públicos. A Constituição Federal fez questão de defini-los assim, pois eles são estruturantes do sistema democrático representativo. O problema é que a política brasileira privatizou o espaço público ao longo de sua história, favorecendo os interesses privados em detrimento dos interesses públicos e republicanos. Os representantes do nosso Parlamento são eleitos com campanhas milionárias, financiadas por corporações que passam a ter seus interesses verdadeiramente representados no Congresso. As cédulas de dólares e reais substituem as de votação em importância, corrompendo a estrutura do sistema. Da mesma forma, os canais de rádio e TV são entregues a poucas empresas privadas, que definem o debate político e cultural do país.

Para termos ideia do impacto da concentração de mercado no debate público, podemos analisar a discussão que ocorre neste momento sobre a possibilidade da redução da maioridade penal. Como será a reação de uma sociedade que é bombardeada diariamente por programas policialescos e telejornais que veiculam crimes cruéis supostamente cometidos apenas por adolescentes? Com adolescentes condenados na praça pública da TV, sem sequer ter o direito constitucional da presunção da inocência, a sociedade se vê impelida a apoiar a redução da maioridade penal, já que esse é o caminho mostrado como razoável diante dos fatos que foram selecionados para serem levados ao debate.

Não à toa, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados que discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)171/93, que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, aprovou esta semana a convocação dos jornalistas Marcelo Rezende (TV Record), José Luiz Datena (Bandeirantes), Rachel Sheherazade (SBT) e Caco Barcellos (Globo) para uma audiência pública sobre o tema. Os três primeiros são recorrentes defensores da mudança e usam a televisão para divulgar suas ideias com veemência. Isso sem que o Ministério das Comunicações, por exemplo, os puna por, entre outros casos, incitar à violência, como feito por Sheherazade ao comentar ação de “justiceiros”, no ano passado. A falta de vontade política do governo, aliás, se dá não apenas quando ele se nega a travar o debate estrutural da comunicação, mas também quando se nega a fazer o que deveria e já pode ser feito com as leis existentes no país.

Diante desse cenário, a democracia existe no papel, mas não se realiza na prática. O artigo 220 da Constituição define que não pode haver monopólio ou oligopólio na comunicação social eletrônica. A Globo, no entanto, controla 70% do mercado, faturando sozinha mais do que todas as demais empresas de comunicação. Isso acontece porque o Congresso Nacional nunca elaborou leis definindo mecanismos que impedissem a formação de monopólio. Por que o Congresso tem sido omisso nas suas obrigações? O artigo 54 da mesma Carta Magna determina que deputados e senadores não podem ser donos de concessionárias de serviço público (o que inclui canais de rádio e TV). No entanto, a família Sarney, os senadores Fernando Collor, Aécio Neves, Agripino Maia e Edson Lobão Filho são apenas exemplos das dezenas parlamentares que controlam inúmeras emissoras em seus estados.

Criar leis que tornem viáveis os objetivos constitucionais é justamente o que se chama de regulamentar a Constituição, um passo fundamental para a regulação do sistema de comunicações do país, para que o jogo democrático possa ser justo e equilibrado. No entanto, congressistas e grandes emissoras de TV definem a regulação da mídia como cerceamento da liberdade de expressão e como um ataque de um suposto governo autoritário, que quer impedir críticas à sua gestão. Isso acontece porque as corporações de mídia, ao reconhecerem a possibilidade de um cenário em que terão que dividir o bolo que sempre comeram sozinhas, atacam a proposta e provocam medo na sociedade, para que ela também reaja contra a medida.

Podemos tirar, se achar melhor

Muitas vezes, o mais importante não é o que se comunica, mas aquilo que se deixa de comunicar. Recentemente, as redes sociais foram surpreendidas por uma notícia que foi ao ar com uma nota do jornalista ao editor que dizia: podemos tirar, se achar melhor. A frase estava inserida após um trecho da reportagem que ligava o esquema de corrupção da Petrobras ao governo FHC. O diálogo entre um jornalista e um editor é algo absolutamente trivial, mas, ao expor a preferência de se levarem ao debate público algumas informações e não outras, ele provocou a reflexão sobre quantas notas não foram tornadas públicas e quantas informações foram simplesmente retiradas do debate.

O fato de que a mídia tem lado, posicionamento e opinião contraria o discurso corrente de que os meios são técnicos e sempre optam pela melhor forma de informar. Tendo isso claro, fica fácil perceber que um cenário de mercado altamente concentrado, onde apenas poucos empresários decidem o que toda a sociedade vai debater, é algo mortal para uma sociedade que se pretende democrática.

Regular a mídia não é censura e nem coisa de comunista. Países não comunistas como a Inglaterra, a França, a Alemanha e até os Estados Unidos regulam as comunicações de maneira mais determinada que o Brasil. Enquanto os donos do The New York Times não podem ser os mesmos donos de uma emissora de TV, em Nova York, porque a regulação americana coloca limites à propriedade cruzada dos meios de comunicação, aqui os donos da Globo podem ter canais de TV, rádio, jornais, editoras, gravadoras e outros tantos veículos, sem qualquer limite.

Se, no Brasil, as emissoras de TV questionam na Justiça a Classificação Indicativa (mecanismo de regulação de conteúdo para proteger as crianças de cenas impróprias), na Suécia a publicidade infantil é absolutamente proibida. Estados Unidos e Suécia estão longe do projeto comunista e nem por isso definem regulação como censura.

Entendendo que a solução para esse problema não virá espontaneamente do Congresso Nacional e cansada de esperar por um governo que decida enfrentar a questão de fato, a sociedade civil brasileira elaborou e colhe assinaturas para o Projeto de Lei da Mídia Democrática (aquele que a presidenta disse desconhecer). Vários meios alternativos e outras iniciativas de comunicação, além de ações diversas das organizações sociais, buscam fomentar esse debate. Se, com todo o esforço da sociedade em pautar o assunto, ele não aparece na TV e no rádio, é porque certamente alguém achou melhor tirar. E isso sim é praticar censura.

Pedro Ekman, jornalista, é membro do Coletivo Intervozes.
No Viomundo
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O factoide sobre Mujica e o mensalão é mais um golpe baixo para atingir Lula 2018

Eles
A campanha contra Lula 2018 produziu mais um capítulo infame. O Globo “revelou” que Lula teria dito a Pepe Mujica que sabia do mensalão. A história teria sido tirada da recém-lançada biografia de Mujica, “Una oveja negra al poder”, dos jornalistas uruguaios Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz.

O trecho que serviu para esquentar a matéria desmente a manchete. Hove uma reunião em Brasília nos primeiros meses de 2010. Segue o que se passou:
‘Lula não é um corrupto como Collor de Mello e outros ex-presidentes brasileiros’, disse-nos Mujica, ao falar do caso. Ele contou, além disso, que Lula viveu todo esse episódio com angústia e com um pouco de culpa. ‘Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens’, disse Lula, aflito, a Mujica e [o vice] Astori, semanas antes de eles assumirem o governo do Uruguai. ‘Essa era a única forma de governar o Brasil’, se justificou. Os dois tinham ido visitá-lo em Brasília, e Lula sentiu a necessidade de esclarecer a situação.
A frase sobre “a única forma de governar o Brasil” é um complemento daquela sobre “as coisas imorais, chantagens”. Você precisa de uma dose grande de má fé para enxergar a tal “confissão” ou o sonhado “Eu sabia”.

O próprio Danza declarou ao G1: “O que Lula transmitiu ao Mujica foi que é dificil governar o Brasil sem conviver com chantagens e ‘coisas imorais’”.

Danza e Tulbovitz trabalham na revista Búsqueda, que, na descrição do jornal, é uma das “semanais mais respeitadas do Uruguai” (é remotíssima a possibilidade dos jornalistas do Globo haverem folheado uma Búsqueda na vida).

Eles acompanham a trajetória de Mujica desde 1998 e afirmam que tiveram encontros pessoais toda semana. As conversas foram utilizadas na obra de 303 páginas.

Mujica fala bem e bastante e o livro tem diversas passagens que, retiradas do contexto, viram fofocas ao gosto do freguês. Sobre seu vice Danilo Astori, por exemplo: “Falta-lhe sex appeal. Sempre está para ser presidente e vai continuar aí porque não tem picardia, lhe falta maldade. Danilo não tem isso, é puramente racional e não alcança o coração das pessoas. Ele pode ser admirado, não amado. Outro problema que tem é falar uma língua que as pessoas não entendem um caralho. Isso é um pecado capital para ganhar votos.”

A respeito de seu sucessor Tabaré Vásquez: “Outro dia eu o vi perto de Anchorena sem nenhuma maquiagem. Tabaré é dos que se produzem. Mas eu o vi sem nada e está velho. Psicologicamente, ele e Astori estão mais velhos do que eu. Ser jovem é um pouco louco e Tabaré não vai cometer nenhuma loucura”.

O ex presidente Julio María Sanguinetti é “um capo, um encantador de serpentes”. Depois do episódio em que chamou Cristina Kirchner de “velha” e o marido Néstor de “caolho”, Mujica teria falado em seu país: “Eu caguei. Estraguei tudo, puta que o pariu”.

E por aí vai.

O Institulo Lula não respondeu, por enquanto. Mujica provavelmente não vai falar nada porque não há nada a falar. Segundo a biografia, ele quase não usa computadores. “Estou cansado de ler idiotices”, diz. Batata.

Kiko Nogueira
No DCM
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Alô, alô, Secom: o que cresce é a Internet!

Ministro Edinho, e a CPI do Caiado? Pra onde tá indo o meu rico dinheirinho?


Acaba de sair nos Estados Unidos o estudo anual para 2015 da situação da mídia americana pela PEW:


O Pew Research Center, com sede em Washington, é uma instituição apartidária que se dedica a informar o público americano com dados de pesquisas próprias.

Esse “State of the News Media” é a Bíblia da indústria de comunicação e notícias nos Estados Unidos.

Ele é relevante para o Brasil, porque aqui se replicou — diferente de centenas de outros países democráticos — o sistema americano privado, selvagem, sem qualquer interferência da Sociedade, através de, por exemplo, uma BBC, uma RAI italiana, ou uma CBC canadense.

Ou uma Ley de Medios argentina.

Aqui prevalece a Lei da Selva.

Nos Estados Unidos, onde se pratica também o Capitalismo Selvagem, há regras para a selva:

— a “propriedade cruzada” — uma rede de televisão não pode ter no mesmo mercado rede de tevê aberta, jornal, revista e rádio;

Assim: TV Globo, CBN, jornal O Globo, revista Época, G1, Globo online…

Aqui pode…

Porque o PT, com doze anos no Governo, não teve a coragem de enfrentar a Globo!

— nos Estados Unidos, uma rede de televisão não pode ter mais de 30% da audiência num mesmo mercado.

Quá, quá, quá!

Isso, nos Estados Unidos!

Não é na Coreia do Norte.

A Coreia do Norte é aqui!

Onde a Lei de Radiodifusão é de 1962, assinada pelo grande presidente João Goulart!

Estabelecidas essas PEQUENAS diferenças, o resultado da PEW interessa ao brasileiro — e à SECOM, que tem a MAIOR verba de publicidade do país.

Para que o dinheiro do contribuinte brasileiro não seja desperdiçado, através de publicidade inócua e desnecessária…

Porque, um dia, um Caiado desses da vida vai abrir uma CPI para se perguntar: por que a SECOM põe tanto dinheiro em mídia morta e moribunda?

Aos resultados da PEW, que compara 2014 com 2013:

a renda dos sites digitais de noticias tiveram uma ascensão vertiginosa.

O Google, que vai googlar a Globo, detém 1/3 da receita dos sites de noticias digitais.

E 37% (!!!) da receita em celulares.

A receita dos sites de notícias digitais chegou a US$ 51 bilhões, com um acréscimo de 18%!!!

A percentagem dos sites de notícias digitais sobre o resto da mídia subiu de 25% para 28%.

28%!

Alô, alô, SECOM: 28%.

Cuidado com o Caiado!

Pra onde tá indo o dinheirinho do povo brasileiro?

Os 50 maiores sites de notícias digitais são mais acessados nos celulares, mas os leitores gastam mais tempo quando acessam no desk-top.

A receita dos jornais caiu 5%, a circulação, 3% e a força de trabalho, 3%.

É por isso que, no Brasil, como diz o Mino, os jornalistas estão a cada dia piores que os patrões…

Pra segurar o emprego, enquanto não vão para a GloboNews…

Revistas

A nova redatora do Estadão, a Economist teve um aumento de circulação de 0,2%!!!

A Time, que o detrito sólido de maré baixa achou que ia replicar no Brasil, a circulação da Time — assinaturas e em bancas — caiu de 3,3 milhões para 3,2.

(E, com a queda da publicidade, quanto maior o volume de assinaturas, maior o prejuízo…)

Tevê por assinatura, à qual a Globo aderiu tarde, para não canibalizar a tevê aberta…

E, quando entrou, foi à concordata e teve que vender na bacia das almas ao Slim…)

Cabo, tevê por assinatura.

A audiência das maiores – Fox, CNN e MSNBC – caiu 7%.

Audiência dos noticiários na tevê aberta americana

A audiência conjunta cresceu muito pouco: de 22,6 milhões para 23,7%.

Ou, 0,4%.

Com a queda da publicidade, não paga as contas…

Isso, nos Estados Unidos.

Porque, aqui, com o BV da Globo, o Globope e a Bolsa PiG, a Globo ainda respira por aparelhos.

Por enquanto, diria o Fernando Henrique.

Em tempo: o Valdir Macedo insiste: ele não se interessa pela Globo. A folha é muito cara…

Em tempo2: por falar em “folha de pagamentos” da Globo, não perca “Ah, se o Sardenberg não fosse da Globo”.

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O triste caso de Marcelo Madureira, de ex-Casseta a dublê de Gentili

BFF
Acontece. Comediantes podem perder o senso de humor como chefs perdem o paladar, juízes ficam incapazes de julgar e roqueiros perdem o cabelo.

Veja o que se passou com Steve Martin, Eddie Murphy, Woody Allen, Jim Carrey, Jô Soares, entre outros. Uma hora o espírito simplesmente desaparece e não volta mais.

Marcelo Madureira está a milhas dessa liga, mas, durante os melhores anos do programa Casseta & Planeta, foi responsável por boas risadas na TV. O personagem Coisinha de Jesus, um coreógrafo baseado em sua total inabilidade de dançar, era um achado.

Foi roteirista do impagável TV Pirata e criou, junto com o colega Hubert, o jornalista picareta Agamenon Mendes Pedreira. Bussunda morreu, o Casseta desidratou e morreu, a trupe se separou e Madureira se transformou no Danilo Gentili.

Em mais um caso de obsessão monomaníaca, descobriu que Lula, Dilma, o PT, a esquerda, o estado — enfim, você conhece o pacote — são os responsáveis pelas desgraças do universo. E tenta tirar piada só disso.

Lula é “impostor e vagabundo”, Dilma é “um travesti de Kim Jong-Il”. Risos. KKKKKKKKK. No entanto, com esse tipo de sacada espertíssima, Madureira achou um jeito de sobreviver. Aparece como “especialista” (??) no Instituto Millenium, ganhou uma coluna na Veja, fala na CBN.

É uma espécie de Lobão da comédia, cujo talento também secou para se “reinventar” como ativista de direita.

Descolou um troco produzindo um vídeo para a campanha de Aécio, discursou em carros de som na Avenida Atlântica nos protestos antiDilma. Em seu blog, avisa que faz palestras. Deu uma entrevista à Folha denunciando a “parasitagem” do PT, num país em que “a classe média quer um emprego público, os pobres querem bolsas assistencialistas e os ricos querem ‘Bolsa BNDES’”. Etc etc.

É sintomático que ele não perceba o enfado que isso provoca em qualquer cidadão que não seja um revoltado on line. Quando não se queixa do lulopetismo ou algo que o valha, Marcelo é um poço de ressentimento.

“Obliteraram o Casseta & Planeta da memória da televisão. Isso é uma coisa que me deixa triste”, disse. A Globo acabou com a atração porque começou a “cortar conteúdo” — não porque a audiência mirrou.

Marcelo Adnet é um banana. “Eu não entendo tantos elogios ao ‘Tá no Ar’, especialmente porque tudo o que eles fazem é exatamente como o Casseta & Planeta e o TV Pirata. Ele e a Globo podem fazer coisas mais originais e bem elaboradas”.

Buster Keaton, gênio do cinema mudo, ficou célebre arrancando gargalhadas sem mexer um músculo do rosto. Um crítico escreveu que seu sucesso advinha do fato de ele parecer “triste, o tipo de sujeito que os cachorros chutam”.

Madureira tem só a tristeza. É provavelmente o ex-cômico mais rancoroso do mundo. De Coisinha de Jesus a Gentilinho do Senhor. Para fazer esse tipo de humorismo de baixo nível, monotemático, odiento, Gentili é melhor, aliás. Culpa de quem? De MM, que não soube se renovar? Dele, que não procurou inspiração?

Magina. Do PT, merrmão. Rs. Kkkkkkkk.. Hahahahahahahhahahaha.



Kiko Nogueira
No DCM



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Nuestro derecho a ser Marxistas-Leninistas

Pasado mañana, 9 de mayo, se conmemorará el 70 aniversario de la Victoria del pueblo soviético en la Gran Guerra Patria. Dada la diferencia de hora, cuando elaboro estas líneas, los soldados y oficiales del Ejército de la Federación de Rusia llenos de orgullo, estarán ejercitando en la Plaza Roja de Moscú con los rápidos y marciales pasos que los caracterizan.

Lenin fue un genial estratega revolucionario que no vaciló en asumir las ideas de Marx y llevarlas a cabo en un país inmenso y solo en parte industrializado, cuyo partido proletario se convirtió en el más radical y audaz del planeta tras la mayor matanza que el capitalismo había promovido en el mundo, donde por primera vez los tanques, las armas automáticas, la aviación y los gases asfixiantes hicieron su aparición en las guerras, y hasta un famoso cañón capaz de lanzar un pesado proyectil a más de cien kilómetros hizo constar su participación en la sangrienta contienda.

De aquella matanza surgió la Liga de las Naciones, una institución que debía preservar la paz y no logró siquiera impedir el avance acelerado del colonialismo en África, gran parte de Asia, Oceanía, el Caribe, Canadá, y un grosero neocolonialismo en América Latina.

Apenas 20 años después, otra espantosa guerra mundial se desató en Europa, cuyo preámbulo fue la Guerra Civil en España, iniciada en 1936. Tras la aplastante derrota nazi, las naciones cifraron sus esperanzas en la Organización de las Naciones Unidas, que se esfuerza por crear la cooperación que ponga fin a las agresiones y las guerras, donde los países puedan preservar la paz, el desarrollo y la cooperación pacífica de los Estados grandes y pequeños, ricos o pobres del planeta.

Millones de científicos podrían, entre otras tareas, incrementar las posibilidades de supervivencia de la especie humana, ya amenazada con la escasez de agua y alimentos para miles de millones de personas en un breve lapso de tiempo.

Somos ya 7 300 millones los habitantes en el planeta. En el año 1800 solo había 978 millones; esta cifra se elevó a 6 070 millones en el año 2000; y en el 2050, según cálculos conservadores, habrá 10 mil millones.

Desde luego, apenas se menciona que a Europa Occidental arriban embarcaciones repletas de emigrantes que se transportan en cualquier objeto que flote, un río de emigrantes africanos, del continente colonizado por los europeos durante cientos de años.

Hace 23 años, en una Conferencia de Naciones Unidas sobre Medio Ambiente y Desarrollo expresé: “Una importante especie biológica está en riesgo de desaparecer por la rápida y progresiva liquidación de sus condiciones naturales de vida: el hombre.” No sabía entonces sin embargo cuán cerca estábamos de ello.

Al conmemorarse el 70 aniversario de la Victoria en la Gran Guerra Patria, deseo hacer constar nuestra profunda admiración por el heroico pueblo soviético que prestó a la humanidad un colosal servicio.

Hoy es posible la sólida alianza entre los pueblos de la Federación Rusa y el Estado de más rápido avance económico del mundo: la República Popular China; ambos países con su estrecha cooperación, su avanzada ciencia y sus poderosos ejércitos y valientes soldados constituyen un escudo poderoso de la paz y la seguridad mundial, a fin de que la vida de nuestra especie pueda preservarse.

La salud física y mental, y el espíritu de solidaridad son normas que deben prevalecer, o el destino del ser humano, este que conocemos, se perderá para siempre.

Los 27 millones de soviéticos que murieron en la Gran Guerra Patria, lo hicieron también por la humanidad y por el derecho a pensar y a ser socialistas, ser marxistas-leninistas, ser comunistas, y a salir de la prehistoria.

Fidel Castro Ruz
Mayo 7 de 2015
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Jô Soares detona tucanos


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Venezuela respeita os direitos humanos e a democracia, garante defensor do Povo


Jefferson Rudy/Agência Senado
O defensor do Povo da Venezuela, Tarek William Saab, negou nesta quinta-feira (7) a prisão de lideranças políticas, e disse que o país governado por Nicolás Maduro respeita os direitos humanos e a democracia. Ele afirmou que as notícias divulgadas pela imprensa sobre a Venezuela não correspondem à verdade, e que o país conta com um sistema eleitoral de “transparência digna”.

— Em nosso país se vive, se respira rigorosa democracia participativa, com muito debate popular em todos os níveis. No processo de transformação institucional que viveu a Venezuela, o povo se tornou protagonista indiscutível, privilegiado, através de processo pacifico. Isso se deveu à vitória pacifica e legal do presidente Hugo Chávez, que instituiu mudanças constitucionais que o país reivindicava — afirmou.

Tarek afirmou que o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, não se encontra mais em prisão fechada, mas em prisão domiciliar, por decisão da própria Justiça venezuelana, e que as autoridades locais mantêm detidos apenas os acusados de homicídios e ações ilegais como o terrorismo. O representante de Nicolás Maduro acusou governos anteriores ao de Hugo Chávez de promover ações terroristas e criminais em prejuízo da população.

Tarek participou de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) para debater a situação dos direitos humanos no país. Também estiveram presentes a embaixadora da Venezuela no Brasil,  María Lourdes Durant, e o cônsul-geral em São Paulo, Manoel Vadell, que não se manifestaram durante o debate, realizado por iniciativa dos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Donizeti Nogueira (PT-TO).

Ao exibir fotografias na audiência pública, Tarek justificou que as violentas manifestações ocorridas na Venezuela, ao longo do primeiro semestre de 2014, foram promovidas por terroristas armados interessados em desestabilizar o regime. Ele apontou um total de 43 pessoas mortas em decorrência desses episódios, muitos dos quais funcionários do governo e policiais.

— Não permitiremos impunidade.  Foram manifestações terroristas armadas que implicaram tática insurrecional. Eram terroristas armados atuando com dezenas de companheiros. Queimaram unidades que servem para estabelecer a ordem pública. Funcionários e policiais foram sequestrados por manifestantes encapuzados e armados. Poderia mostrar centenas de fotografias, tomaria toda a audiência — afirmou.

Tarek disse que as decisões do governo venezuelano foram respaldadas em 18 consultas populares realizadas nos últimos anos. Ele afirmou que a Venezuela conta com uma Constituição “moderna e exemplar em matéria de direitos humanos no mundo, o que obviamente tem permitido extraordinários avanços de caráter institucional”.

— A Venezuela é um país com democracia que cada vez se consolida mais, independentemente das debilidades que podem atingir todos os regimes. Mantemos relações de trabalho com organismos de direitos humanos. A Defensoria do Povo é independente do Poder Executivo — afirmou.

Imprensa

Na avaliação de Donizeti Nogueira (PT-TO), há um movimento, tanto na Venezuela como no Brasil, “com a interferência de organismos internacionais, para desestabilizar a América do Sul e fazer com que os exploradores, que durante séculos massacraram o povo, retornem ao poder, não pelo voto, mas pela força”.

Para o senador, as notícias da imprensa sobre a Venezuela “não têm muita validade”, visto que o governo de Nicolás Maduro foi eleito de forma democrática pela população. Donizeti disse ainda que o discurso da oposição sobre a Venezuela é o mesmo discurso feito pela oposição brasileira contra o governo da presidente Dilma Rousseff.

— Na Venezuela, tem uma parcela que não quer respeitar o resultado da eleição, tal como aqui, que querem depor o governante eleito democraticamente. Aqui, os perdedores têm trabalhado a idéia de construir condições para pedir o impedimento da presidente — afirmou.

A senadora Regina Souza (PT-PI) também afirmou que há uma disputa ideológica com clara intenção de fazer propaganda contra os governos de esquerda na América do Sul. Segundo ela, a oposição no Brasil “não tem interesse em dialogar, já que tem opinião formada antes de ouvir”.

Já a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) lamentou que os parlamentares da oposição, que na parte da manhã lotaram a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) para ouvir esposas de líderes da oposição na Venezuela, não tenham ido à CDH para ouvir o representante do governo de Nicolás Maduro.

— Fica claro que os parlamentares ausentes não têm interesse de ouvir, mas apenas o de reforçar a versão deles, que não sei qual exatamente, mas que tudo indica que não representa a realidade de fato que aquele país vive —  afirmou.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) saudou a vinda de Tarek à CDH, e classificou a oposição na Venezuela de “golpista”. Segundo ele, os responsáveis pelo golpe de estado contra o governo de Hugo Chávez, em 2002, continuam participando de seguidas eleições no país. Ele ressaltou ainda que a legislação venezuelana prevê a revogação popular de mandatos, “o que, lamentavelmente, não ocorre no Brasil”.

Fraude em eleições

A procuradora do Distrito Federal, Beatriz Kices, perguntou a Tarek se as 18 consultas ao povo venezuelano tiveram a participação da empresa de votação eletrônica Smartmatic — “que fraudou eleições, tanto na Venezuela como no Brasil” —, e se a lei que autoriza o governo “a abrir fogo contra manifestantes” teve a participação da Defensoria do Povo em sua formulação.

Em resposta à representante do Foro de Brasília - entidade que reúne promotores de Justiça, juízes, advogados e policiais – Tarek disse que uma resolução do governo venezuelano regula apenas o uso da força quando as manifestações tornam-se “violentas e não pacíficas”. O defensor negou a ocorrência de fraudes nas eleições.

O integrante da Executiva Nacional do PSOL, Juliano Medeiros, expressou solidariedade ao governo venezuelano, e disse que a oposição quer “internacionalizar problemas internos da Venezuela em tema de política doméstica no Brasil”.

No Agência Senado
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É absurdamente cedo para avaliar o segundo mandato de Dilma

Começo de jogo ainda
Uma das coisas mais difíceis é enxergar o óbvio.

Lula, em sua visita ao Acre, mostrou que é muito bom nisso.

Ele lembrou algo que todo mundo parece ter esquecido no calor das discussões políticas: Dilma está há apenas cinco meses em seu segundo mandato.

É cedo, absurdamente cedo, para um julgamento definitivo.

Num jogo de futebol, seria o equivalente a tecer considerações com base em dez minutos de partida.

Tirada toda a espuma, o que há de concreto neste começo de Dilma 2?

A Petrobras acabou? Não.

O dólar desembestou? Não.

A inflação saiu do controle? Não.

O desemprego deslanchou? Não.

Note: tudo isso, e muito mais, era propagado freneticamente pela imprensa e por políticos como Aécio e FHC.

De concreto, o que existe é que, como basicamente todos os países do mundo, o Brasil vai enfrentar um 2015 desafiador na economia.

As previsões giram em torno de uma queda de 1% no PIB. Não é muito diferente do cenário de outros países.

A Rússia, para ficar num caso, trabalha com a hipótese de uma redução de 5% no PIB.

A própria China dos 14% de crescimento anual refez para baixo suas contas. Se avançar 7% em 2015, a China vai fazer muita festa.

Há um fator psicológico neste outono do descontentamento brasileiro.

A palavra-chave, aí, é “ajuste”.

Acho que o governo deveria, espertamente, ter trocado “ajuste” por qualquer outra coisa: “acerto”, “equilíbrio” etc.

Se você olhar sem paixão, vai entender que ajuste é uma coisa rotineira na vida das pessoas, das empresas e dos países.

O que faz a diferença é o teor dos cortes.

Em meus dias de executivo de mídia, promovi vários ajustes. Estávamos gastando além de nossas possibilidades e de nossas receitas.

Sempre procurei poupar, nos cortes, o conteúdo. Evitei demitir jornalistas e coisas do gênero.

Num governo é a mesma coisa. Cortes de despesas muitas vezes são vitais para que, logo depois, você volte a crescer mais.

Dilma está fazendo um acerto, e Aécio também faria.

Qual seria a diferença?

Dilma tem um compromisso com os “descamisados”. E Aécio é um homem do 1%.

Nos primeiros quatro anos, os fatos comprovaram o foco social de Dilma.

Agora é uma nova etapa.

Dizer que ela esqueceu os pobres neste momento, com cinco meses de mandato, é uma afirmação míope, cínica ou, simplesmente, tola.

Há que esperar.

Quando se trata de governo, você julga pela floresta, e não por uma árvore.

Dilma pode fazer um péssimo segundo governo, é verdade. Mas ainda é mais verdade que não existe a mais remota base para afirmar isto agora, em maio de 2015.

O maior talento de Lula talvez seja o de ver as coisas óbvias quando outros políticos, incluídos gente de seu próprio círculo, enxergam brumas e interrogações.

No Acre, ele fez isso.

Voltando à parábola futebolística, é como se você estivesse na arquibancada e, logo no começo do jogo, alguém gritasse, ululante: “Perdemos!”

Você diria: “Calma. Deixa o jogo ser jogado.”

Paulo Nogueira
No DCM
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Genocídio dos negros e racismo de Kamel

Foi divulgado nesta quinta-feira (7) o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial. Os dados são revoltantes e devem ter desagradado o “sociólogo” Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo — que obrou em 2006 o memorável livro “Não somos racistas” (Editora Nova Fronteira). Segundo o estudo, que remete novamente à citada obra ao lixo, o jovem negro corre 2,5 vezes maior risco de ser morto no Brasil do que os jovens brancos entre 12 e 19 anos. Em alguns estados, a situação é ainda mais dramática. Na Paraíba, por exemplo, um jovem negro corre risco 13 vezes mais de ser vítima de homicídio do que um jovem branco. Em Pernambuco, o risco é 11,5 maior. O relatório confirma que os jovens negros são os mais afetados e mais vulneráveis à violência.

O índice que serviu de base para o relatório (IVJ – Violência e Desigualdade Social), lançado pela Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República, leva em conta vários indicadores, como mortalidade por homicídios, grau de pobreza nos municípios, situação de emprego e frequência à escola. A escala vai de 0 a 1. Quanto maior o valor, maior a desigualdade. O estudo revela que Alagoas é o Estado com maior IVJ — 0,608. Outros três estados (Ceará, Paraíba e Pernambuco) foram classificados como de vulnerabilidade muito elevada. Foram considerados de baixa vulnerabilidade São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal — o que não significa que o racismo não se manifeste com força também nestes estados.

Para Valter Roberto Silvério, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFSCar, esses dados confirmam a existência de genocídio dos jovens negros e pardos no país. “É um termo forte para a academia e para a imprensa, mas, se pegarmos esses indicadores espantosos, eu pergunto: que termos usar quando morrem milhares de jovens negros ao longo de anos?". Para ele, os índices evidenciam que o racismo é forte no país, apesar das teses acadêmicas que tentam negá-lo. “Há uma ideologia da mestiçagem que nega o recorte de cor”. Será que Ali Kamel vai retificar a sua magistral obra?

Altamiro Borges
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