1 de mai de 2015

Assalto à Previdência do Paraná será repetido em outros estados


O ataque à Previdência dos servidores do Paraná não tem nada a ver com a credibilidade da Dilma e nem saiu da cabeça do governador do Paraná.

O confisco da Previdência tem a ver é com o endividamento do estado do Paraná com bancos privados, porque isso faz parte do “sistema de retroalimentação da dívida pública”.

Como funciona isso? Há uma lei federal absurda que foi intencionalmente criada para proibir que o próprio governo federal, ou seja, a União, possa emprestar o dinheiro necessário para que os seus estados federados utilizem nas suas necessidades (investimento ou pagamento de dívida), obrigando, dessa forma, que esses estados busquem recursos emprestando dos bancos privados nacionais ou internacionais.

Emprestando, os estados se endividam. Só que o recurso para satisfazer o pagamento do empréstimo dos estados não pode sair da União, então a saída é retirar de onde ainda há dinheiro ou partir para privatização de patrimônio público.

Pior ainda, os credores dessa dívida contraída pelos estados — os bancos que emprestaram — fazem com que os estados tomem atitudes como essa para saldar apenas os juros dessa dívida toda, porque o valor total é impossível de ser saldado, o que faz com que a dívida sempre exista e cobre o seu preço.

E o pior de tudo, o fiador de todas as dívidas internas brasileiras, que são as dívidas contraídas pelos estados, É O TESOURO NACIONAL,OU SEJA, TODOS NÓS BRASILEIROS!

Por isso é que se diz que o endividamento dos estados faz parte do sistema de retroalimentação da dívida pública, tanto a externa quanto a interna, porque ambas tem como fonte pagadora o mesmo devedor, o Tesouro Nacional – que é composto por TODO o dinheiro arrecado por todos nós brasileiros, ou seja, o nosso Orçamento é que paga essa dívida, ou melhor, acaba pagando só os juros dela.

Esse vídeo deveria ser transmitido em cadeia nacional para que os brasileiros entendessem o real problema do Brasil e tomassem uma decisão para a solução definitiva, porque há solução para esse problema. Qual é a soluçao? É fazer a AUDITORIA DA DÍVIDA PÚBLICA — interna e externa — porque ambas estão conectadas, têm a mesma origem legal fraudulenta e ilegal.

Só o clamor público é que obrigará essa Auditoria a ser feita e resolver, de vez, o nosso verdadeiro problema, caso contrário o Brasil morrerá pobre.

Por favor, assistam ao vídeo e entendam de uma vez a gravidade dessa situação.

Voces terão as respostas assistindo, mais precisamente a partir dos 8 minutos. Assista ao vídeo inteiro e entenda a dimensão do problema que ocorre com os estados e a complexidade da coisa. É o endividamento do estado do Paraná que origina esse confisco, mas pode e vai acontecer com todos os estados brasileiros. Em São Paulo, por exemplo, a Previdência dos servidores já foi entregue ao setor privado, a SPPrev.



Luiza
No Viomundo
Leia Mais ►

O fracasso de Beto Richa, da crise de gestão à violência brutal contra professores


O que leva um governo estadual com alto índice de votos e popularidade, vencedor das eleições de outubro no primeiro turno, contra candidatos de renome, sacrificar a própria imagem para aprovar medidas de arrocho a qualquer preço?

O que leva um político jovem, quadro promissor de um PSDB inflado de velhos caciques — um partido sem juventude e sem braço organizativo na sociedade civil — a orientar que policiais tomassem a iniciativa de avançar sobre os professores, sem qualquer sentido, em um estado já marcado pela repressão brutal dos governos de Álvaro Dias e Jaime Lerner?

O que explica esse suicídio político do governador Beto Richa, que antes tentou matar também a democracia do estado em todas as suas esferas? Nas entrevistas que concedeu antes do massacre dos professores, Richa aventava que a greve dos professores e do funcionalismo estadual era uma greve política, que contava com elementos dos Black Blocks.

O mais curioso é o fato de a greve, organizada pelo sindicato de professores, ter conquistado inclusive a simpatia de setores médios, intelectuais, artistas, entre outros segmentos, justamente pelo alto grau de organização, disciplina e postura pacífica.

Mesmo com tantos confrontos desde fevereiro, os professores nunca atiraram uma pedra, em que pese toda a provocação que sofreram nas madrugadas nos dois dias de acampamento nesta semana.

As redes sociais agora dão conta de narrar em detalhes, nos seus vários fragmentos, cada bala de borracha sem sentido dirigida no rosto dos manifestantes; mordidas de cães no deputado Rasca Rodrigues e no repórter cinematográfico da Band, Luiz Carlos de Jesus. Há pelo menos 213 feridos.

O que explica tamanha falta de lógica? O que explica um governador conseguir ser farsa e tragédia ao mesmo tempo?

A primeira resposta certamente é o imperativo do ajuste econômico, mas usado como argumento pelo governo para encobrir problemas de gestão e um estado quebrado.

No entanto, a História ensina que democracia e modelo econômico não precisam caminhar juntos. Richa resolveu aprovar alterações na Previdência dos servidores sem o diálogo suficiente com a sociedade e com as categorias. A conclusão imediata é que não precisava ter detonado os manifestantes.

O problema é que, na política, o governo Richa não tem comando e vive crises em diversas frentes. Na onda conservadora que se apresenta hoje, sua gestão parece mais com o deputado federal da bancada da bala, Francisco Francischini, secretário de Segurança do Paraná, como lembra o jornalista Jose Maschio.

A crise política se expressa, por exemplo, pelas investigações do Gaeco de Londrina que chegam ao primo de Richa, Luiz Abe Antoun, compadre e “mentor político” do governador, com acusações de corrupção na Receita Estadual.

Além disso, no contexto estadual, surgiram pelo menos três casos sérios e recentes de ameaças e intimidações contra repórteres investigativos. O mais recente envolve a ameaça de assassinato contra o produtor que investigava o caso de Londrina. O governo Richa e o secretário de Segurança não deram ainda resposta satisfatória para impedir a perseguição.

Arrocho salarial, limitações à democracia em diferentes frentes, inclusive comprovadas com denúncias. Agora, uma brutal violência contra os professores. Está na hora de unificação dos setores populares e progressistas, com apoio nacional, para medidas firmes e unitárias em retaliação ao governo tucano.

Pedro Carrano
No Escrevinhador



Ataque do Governo do Estado do Paraná aos professores que protestavam contra o roubo da Paraná Previdência em Curitiba na Praça Nossa Senhora de Salete no Centro Civíco.

Leia Mais ►

Cargueiro espacial Progress continua caindo em direção à Terra

A nave russa Progress M-27M continua em queda e nos últimos dias já baixou quase 10 km desde que ficou fora de controle no último dia 28. De acordo com o site parceiro Satview.org, a nave deve explodir na atmosfera entre os dias 8 e 10 de maio.


Segundo o Satview, a Progress está agora em uma órbita elíptica menos achatada, de 247x183 (247 km de apogeu e 183 km de perigeu), contra 259x187 observados no último dia 29. Esse "arredondamento" da orbita pode indicar alguma tentativa automática de estabilização, mas sem sinais de telemetria isso não pode ser aferido.

Com a perda de controle da nave confirmada pela agência espacial russa, a queda da Progress é apenas uma questão de tempo.

O cálculo da evolução orbital realizado pelo Satview prevê que em cerca de 10 dias a nave deve baixar muito e atingir o ponto de ruptura entre 120 e 140 km de altitude, quando queimará durante a reentrada na atmosfera da Terra.

"Ainda não é possível afirmar com exatidão o dia da queda, mas a data mais provável é que seja entre 9 e 10 de maio, com mais chance de ser no dia 10", afirma Rogério Leite, diretor dos sites Apolo11.com e Satview.org, especializado em acompanhamento de satélites.

Segundo Leite, a atividade solar é fator determinante para a previsão da reentrada. "O fluxo solar modifica tremendamente a densidade das camadas mais altas da atmosfera, aumentando ou diminuindo o arrasto sobre a Progress. Por enquanto, a atividade solar está calma e a previsão tem mais chances de estar certa", explicou.

Pelo último boletim divulgado na manhã de sexta-feira, a Progress M-27M deve entrar na atmosfera às 16h40 BRT do dia 9 de maio, acima do oceano Índico a sudoeste da Indonésia. No entanto, o modelo de evolução orbital indica que a cada dia o momento da queda atrasa em algumas horas, o que pode adiar ligeiramente o instante da reentrada.

Pode cair no Brasil?

Sim, a Progress M-27M pode cair em nosso país.

Devido à inclinação da órbita, a Progress pode cair em qualquer região da Terra localizada entre as latitudes 51.6 graus ao norte ou sul equador. Isso exclui as regiões acima do extremo norte da Europa e Canadá, Alasca, Groenlândia, extremo sul da América do Sul e Antártica. Por outro lado, inclui a parte mais populosa do planeta.

A massa total da Progress é de 7.3 toneladas, que serão consumidas em uma gigantesca bola de fogo ao penetrar na atmosfera. No entanto, peças maiores podem resistir ao calor e chegarem à superfície intactas.

Girando e Caindo

A Progress M-27M (identificada pela NASA como Progress 59 ou 59P) foi lançada com sucesso a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, no dia 28 de abril de 2015, as 07h09 UTC de terça-feira (04h09 pelo horário de Brasília BRT).

Segundo o Satview, a Progress está agora em uma órbita elíptica menos achatada, de 247x183 (247 km de apogeu e 183 km de perigeu), contra 259x187 observados no último dia 29. Esse "arredondamento" da orbita pode indicar alguma tentativa automática de estabilização, mas sem sinais de telemetria isso não pode ser aferido.

Com a perda de controle da nave confirmada pela agência espacial russa, a queda da Progress é apenas uma questão de tempo.

O cálculo da evolução orbital realizado pelo Satview prevê que em cerca de 10 dias a nave deve baixar muito e atingir o ponto de ruptura entre 120 e 140 km de altitude, quando queimará durante a reentrada na atmosfera da Terra.

"Ainda não é possível afirmar com exatidão o dia da queda, mas a data mais provável é que seja entre 9 e 10 de maio, com mais chance de ser no dia 10", afirma Rogério Leite, diretor dos sites Apolo11.com e Satview.org, especializado em acompanhamento de satélites.

Segundo Leite, a atividade solar é fator determinante para a previsão da reentrada. "O fluxo solar modifica tremendamente a densidade das camadas mais altas da atmosfera, aumentando ou diminuindo o arrasto sobre a Progress. Por enquanto, a atividade solar está calma e a previsão tem mais chances de estar certa", explicou.

Pelo último boletim divulgado na manhã de sexta-feira, a Progress M-27M deve entrar na atmosfera às 16h40 BRT do dia 9 de maio, acima do oceano Índico a sudoeste da Indonésia. No entanto, o modelo de evolução orbital indica que a cada dia o momento da queda atrasa em algumas horas, o que pode adiar ligeiramente o instante da reentrada.



O objetivo era levar 4.7 toneladas de suprimentos à Estação Espacial Internacional, ISS, incluindo 2375 quilos de combustível.

Logo após a separação do terceiro estágio do foguete propulsor um problema ainda não identificado impediu que os controladores de voo recebessem sinais vitais da espaçonave, além de não poderem determinar se as antenas de navegação haviam sido abertas.

Após isso, diversas tentativas de comunicação com a nave foram realizadas, mas não surtiram efeito. De acordo com a Roscosmos, a agência espacial russa, a nave está sem controle e a missão foi abortada.



Leia também: Cargueiro espacial russo desce descontroladamente em direção à Terra
Leia Mais ►

A entrevista de Domenico De Masi

Intelectual brasileiro tem mentalidade de Terceiro Mundo, diz sociólogo


Se trabalho é vida e vida é trabalho, o sociólogo italiano Domenico De Masi, 77, que estuda atividades produtivas na era pós-industrial, paradoxalmente reitera como solução para o crescente desemprego no mundo a antiga reivindicação dos proletários: redução das jornadas.

O professor da Universidade La Sapienza, em Roma, se celebrizou por conceitos como "ócio criativo" (aliar trabalho, estudo e lazer a um só tempo) e "teletrabalho" (produção à distância facilitada por meios tecnológicos).

Fã do Brasil e da cultura brasileira, que já destacou como "exemplo" de produção criativa, De Masi esteve em São Paulo para um ciclo de palestras intitulado "Utopia e Realidade: trabalho produtivo e qualidade de vida".

Em entrevista, ele diz os brasileiros têm complexo de vira-latas: o país coleciona posições de Primeiro Mundo, mas seus intelectuais só conseguem deixar de enxergar o país como Terceiro Mundo quando confrontados com dados. Leia a seguir.

Suas teorias sobre ócio criativo e redução das jornadas de trabalho são, em geral, encaradas como utopia. Essas ideias podem ser aplicadas?

À medida que a tecnologia avança, engole postos de trabalho nas mais diversas áreas. Mas suplanta principalmente os trabalhos executivos, físicos ou intelectuais, que são 77% das atividades laborais do mundo, restando os trabalhos criativos, que correspondem a 33%.

É como se tivéssemos uma mesma torta para dividir por um número crescente de pessoas. O que fazer? Dividi-la em pedacinhos menores para que todos possam comer. Assim funciona com o trabalho. Precisamos reduzir as jornadas de trabalho para que todos possam trabalhar.

Mas não se pode esperar que os setores produtivos estejam dispostos a reduzir jornadas para ter mais funcionários...

Não. Empresas são organizações conservadoras. Olham para trabalho como se fosse a era industrial. Só que apenas 33% da atividade produtiva hoje é braçal, o restante é trabalho intelectual.

Para produzir cem automóveis antes eram necessárias cem horas. Se hoje são necessárias 50 horas, ou o total de empregados trabalha metade do tempo de antes ou teremos metade dos funcionários. Os que ficarem sem trabalho não poderão mais consumir. E, se não puderem consumir, para quem vou produzir tantos automóveis? A conta não fecha.

É esse o motor de muitas das crises econômicas?

Não. Crise é algo transitório. Isto é uma reestruturação mundial da riqueza. Na Itália, dez pessoas têm a mesma riqueza de 6 milhões. No mundo, 85 pessoas, incluindo 12 brasileiros, têm a riqueza de 3,5 milhões de pessoas. Esses 85 bilionários podem ter duas, três, dez Ferraris, mas não vão comprar 3,5 milhões de calças, vestidos e sapatos. O consumo cai, a produção cai junto.

Como mudar essa reestruturação da riqueza?

Pagando impostos — e impostos altos. Na verdade, a maioria das 85 pessoas mais ricas do mundo é formada por ladrões de impostos. Eles sonegam impostos e, quando pagam, o fazem na Holanda, onde são mais baixos.

São pessoas que financiam campanhas eleitorais em barganha por leis que os favoreçam. E isso alimenta o ciclo da desigualdade.

Trata-se de uma luta de classes às avessas?

É uma vendeta. O neoliberalismo da era Thatcher inverteu as coisas: a luta de classes dos pobres contra os ricos se tornou a luta dos ricos contra os pobres.

Isso ocorre no Brasil também. Os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso adotaram uma política social-liberal, estabilizaram a economia e iniciaram uma política social. Os oito anos de Lula redistribuíram parte da riqueza que FHC criou, com uma política social-democrata, que permitiu a muitos brasileiros ascenderem.

Hoje, Dilma é vítima de uma vingança neoliberal. Aécio Neves (PSDB) perdeu as eleições, e o movimento neoliberal se voltou contra Dilma, que não é pior que outros presidentes. A corrupção sempre existiu no país.

O Brasil tem mil outros problemas para resolver... Há um grande desencontro entre o Brasil real e o Brasil intelectual.

Que desencontro é esse?

O Brasil tem uma taxa de desemprego que é um terço da italiana ou metade da norte-americana...

Mas espera-se um aumento...

No Brasil é assim: se algo vai mal, vai mal; se algo vai bem, no futuro vai piorar (risos). Esse é um pensamento típico dos brasileiros. Confrontadas com a realidade, essas ideias não param de pé.

Terminei uma pesquisa com 11 intelectuais brasileiros sobre como estará o Brasil em 2025. Grande parte desses intelectuais é pessimista.

O PIB brasileiro é o sétimo do mundo, à frente da Itália e da Inglaterra. O Brasil está em quinto em produção industrial. Está em terceiro lugar em acesso à internet, atrás dos EUA e da Suécia. Ou seja, o Brasil ocupa posições de Primeiro Mundo, mas os brasileiros ainda se enxergam como Terceiro Mundo.

Quando esses mesmos intelectuais foram confrontados com dados reais, eles se mostram mais otimistas do que quando discutiram entre si. Os brasileiros têm complexo de vira-lata.

Fernanda Mena
No fAlha
Leia Mais ►

A caminhada do PSDB para a direita está completa

O PSDB se tornou um boneco de ventríloquo: aparelhado pelas forças sociais conservadoras, coloca a truculência policial ao dispor do reacionarismo.

A violenta repressão da Polícia Militar a uma manifestação de professores em Curitiba — que justificadamente protestavam contra o assalto do governo do Estado a um fundo de Previdência que é deles — traz preocupações que transcendem a própria violência. O perfil dos governos do PSDB nos Estados onde, teoricamente, o partido tem líderes de vocação nacional, confluem para um conservadorismo orgânico, para um modelo tucano de governar vocacionado ao fiscalismo, à visão desumanizada do servidor público e do que se considera adversários políticos, ao desprezo pela gestão pública e, fundamentalmente, para uma opção por uma política de segurança pública pautada pela força bruta.

Se isso for considerado no plano nacional, e numa conjuntura em que a esquerda está enfraquecida, a perspectiva futura de poder federal — se as forças no poder não se reerguerem — é de governos altamente conservadores, fiscalistas, desumanizados, alheios à função social da gestão pública e truculentos. Esse é o pior dos Brasis pensados para o futuro.

Os dois governos, de Beto Richa (PR) e Geraldo Alckmin (SP), fecham o ciclo da caminhada perseverante do PSDB rumo à direita. É a linha ideológica, hoje, o principal liame entre os políticos do partido e sua base partidária, e ela foi tecida de fora para dentro, já que o partido nunca conseguiu resolver uma dificuldade histórica de constituir-se em formulador ideológico e formador de quadros.

Na verdade, são as forças sociais conservadoras e os meios de comunicação, apoiadores incondicionais do PSDB, que têm desempenhado o papel de escolher os quadros tucanos e de definir ideologicamente a legenda. Por esse filtro, jamais a qualidade do quadro é colocado como condição para sua ascensão midiática, que por sua vez define as escolhas internas do partido: o apoio é simplesmente proporcional à capacidade ofensiva (no pior sentido) do político, nunca ao que ele pode agregar a um projeto de Brasil ideológico e consistente.

No momento em que se aliou a essas forças de forma radical, o PSDB acabou se tornando prisioneiro de sua própria armadilha. A estratégia de desqualificar a política institucional, usada para minimizar os ganhos eleitorais do petismo, acabou se constituindo na desqualificação de si próprio. Para as forças sociais e para os meios de comunicação aliados ao PSDB por conveniência, o partido é apenas um instrumento na guerra deflagrada para vencer a esquerda, que teve no petismo a sua principal expressão.

Se a esquerda institucional hoje tem sérios problemas de qualidade de quadros, a direita mais ainda. Hoje, os políticos que “repercutem” as denúncias cavadas diuturnamente pela mídia tradicional, numa estratégia perseverante de desconstrução da esquerda, têm uma condição não melhor do que o boneco no colo do ventríloquo: fala o que o dono quer ouvir. Sem condições de alçar voos pela qualidade de seus quadros, o PSDB depende hoje desesperadamente, e unicamente, de ser o escolhido pela mídia tradicional como instrumento de guerra; e de, nessa condição, ser o alvo preferencial dos financiamentos empresariais dentro da oposição. Com dinheiro e com apoio das mídias, não há condições de qualquer outro partido oposicionista concorrer com ele como aparelho ideológico preferencial da direita.

Como força política institucional, o PMDB, hoje, estaria muito mais apto a desempenhar esse papel — a substância ideológica peemedebista, depois de extraído o sumo da fisiologia, é francamente conservador. Mas não vai. Isso porque o PMDB de Eduardo Cunha e Renan Calheiros não é um partido nacional com chances de ser aparelhado por esses grupos, mas uma soma de chefes políticos estaduais e de grandes interesses econômicos comezinhos e particulares. Os pemedebistas sobrevivem do outro lado do balcão, o governista, com mais segurança, hoje com chances de grande autonomia, e a um custo muito mais alto para essas forças sociais do que a que impõe um PSDB sem quadros e sem personalidade própria. As fragilidades tucanas são atrativas para a direita social porque isso o torna altamente manipulável.

A ausência de vida interna do PSDB e o aparelhamento do partido pelos meios sociais e forças políticas conservadoras, ao longo dos últimos 12 anos, produziu um saldo desalentador. O candidato a presidente nas últimas eleições, derrotado, não consegue sequer formular uma estratégia de oposição minimamente consistente para construir uma personalidade própria, sua e do partido. A única estratégia política de Aécio Neves, presidente nacional tucano, é tirar a candidata vencedora nas eleições do ano passado do poder, a qualquer custo, e antes que cumpra o mandato para o qual foi eleita.

Nos Estados, Alckmin e Richa professam o conservadorismo que os apoiam usando a linguagem mais conservadora disponível: o uso da truculência policial, que se submete ao executivo estadual. No Senado, a profissão do preconceito como arma ideológica, e a mesma truculência, se consolidam. E tudo isso leva de roldão o que se considerava, há pouco mais de duas décadas, a nata da inteligência socialdemocrata do Brasil. Não é à toa que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fala, desfala e desordena pensamentos, como uma biruta numa tempestade de ventos. Este não é um cenário propício para o exercício da inteligência.

Maria Inês Nassif
No Carta Maior
Leia Mais ►

Dever de casa com o vampiro de Curitiba

Hei de vencer, mesmo sendo professor. O mantra do adesivo que circulava em muitos fusquinhas dos anos 1970 e 80 está mais em voga do que nunca. Hei de vencer, vejo aqui no retrovisor da infância, Grupo Escolar Virgílio Távora, o mantra dos mestres estampado em uma faixa gigante na praça dos Ourives, Juazeiro do Norte.

Hei de vencer, mesmo sob as bombas e as porradas do governo Beto Richa ou Rixa (PSDB) na capital paranaense. Hei de vencer, mesmo depois de uma longa greve, uma quaresma, que o tucano Geraldo Alckmin define simplesmente como novela — parte da imprensa também lista o protesto no gênero ficção, acredite sem-querer-querendo, meu brother Jack Palance.

Hei de vencer, mesmo que pancadaria braba e covarde seja chamada tecnicamente de “confronto” nas emissoras de rádio e TV. Hão de pensar: se o cão, mesmo policial, mordeu o homem, no caso o cinegrafista Luiz Carlos de Jesus (TV Band), ainda não é lá essas notícias. Afinal de contas, o conceito clássico de notícia, como aprendemos na faculdade, é quando o homem morde o cachorro.

Hei de vencer, mesmo sendo professor em qualquer ponto desta terra que já foi a pátria de chuteiras e agora se propõe, ainda somente no slogan publicitário, uma pátria educadora. Hei de vencer, ilustríssimo Paulo Freire, mesmo sendo terceirizado e não mais dono do meu próprio suor para vendê-lo sem atravessadores, como tu já discutias, método por método, ti-jo-lo por ti-jo-lo, ainda em tempos mobrais.

Hei de vencer, professor Darcy Ribeiro, mesmo copiando, como em um antiditado construtivista, a sua lição de coisas mais conhecida:

"Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".

Vampiro de Curitiba

Hei de vencer, mesmo que tenha que convocar o “vampiro de Curitiba”, o perverso Nelsinho, personagem clássico do escritor Dalton Trevisan, para explicar como o sr. Rixa pode ser tão sádico com a turma do pó de giz. Só o vampiro, vagando pela madruga fria do Centro Cívico, é capaz de reconstituir o crime e explicar, tintim por tintim, miúdo humano por miúdo humano, a sanguinolenta pedagogia aplicada.

Hei de vencer, mesmo sendo professor em qualquer ponto desta terra que já foi a pátria de chuteiras e agora se propõe, ainda somente no slogan publicitário, uma pátria educadora

Estava escrito nos contos de Trevisan, curtos como os salários professorais, todo esse Boletim de Ocorrência. Um B.O. à maneira de Nelsinho talvez explicasse tudo, afinal de contas o vampiro, na sua ambivalência permanente, sempre fica entre o estranho e o familiar. É familiar que um governo tipo Rixa trate assim os professores: é estranho, mas necessário, que a gente ainda se espante e rejeite enxergar com a lente fumê da banalidade.

Hei de vencer, mesmo sob a tonfa de uma gestão “desgracida”. Até parece frase, embora este cronista seja um péssimo aluno de redação e estilo, do professor Dalton, mestre dos meninos e velhos contistas. Donde tonfa — “ai que saudade da professorinha que me ensinou o beabá” —, venha a ser o popularíssimo cassetete, pedagogia de quem força na marra o ajoelhamento no milho da humilhação política.

Agora de forma mais didática, repare como começa essa história de tonfa, na boca de um dos comandantes da PM paranaense:

"Se precisar usar a tonfa, é por baixo! Nada de sair girando por cima", deu ordens aos espartanos.

Problema é que, no “confronto”, sabe cumequié, meu caro vampiro de Curitiba, a tonfa acaba atingindo os elementos docentes em partes indesejadas da anatomia e não apenas nos membros inferiores, conforme orientação inicial à tropa.

Hei de vencer, mesmo dando a cara a bater aos corretos portadores de tonfa. Hei de vencer, mesmo que chova bombas de helicópteros.

Tonfa neles

Quem essa professorada pensa que é, só porque dá aulas neste país de analfas, só por ensinar alguma coisa... Sabe-se lá o que passa em sala, deve ensinar um comunismo medonho às pobres criaturas indefesas. Coitada das criancinhas. Eu poderia estar por ai protestando, bando de vagabundo, cada abusadinho desses ganha muito mais que eu, no entanto sigo na lida, na trabalheira, com farda ou na base do bico... Desço a tonfa mesmo, sem dó nem piedade, quem manda vandalizar o coreto?

Hei de vencer, mesmo diante do pensamento reto de qualquer soldado PM anônimo que vira herói imediato dos comentaristas de portais da Internet.

Hei de vencer, mesmo que pancadaria braba e covarde seja chamada tecnicamente de “confronto” nas emissoras de rádio e TV

Exclamações sangrentas nas manchetes dos jornais clamam por “Confronto”. Hei de vencer, mesmo eu entrando com a face e o PM com a tonfa, hei-de.

Tonfa neles, por baixo, por cima... Hoje a tonfa vai comer solta. Não foi por falta de aviso. Vai protestar, que deixe sua cabeça em casa. Hoje não tem selfie policial, só tonfa na confa — o mesmo que porrada, correria e confusão —, como o Nelsinho, o vampiro de Curitiba, sempre ele, descreveria o ocorrido no seu distrito.

Por pouco a confa não sobra mesmo até para o vampiro. Conhecendo o cara minimamente, deveria estar na área do “confronto”, na cobiça de uma normalista linda, óbvio. O vampiro tarado busca alimentar seu desejo nos lugares mais impróprios, independentemente das ordens expressas dos sangues de barata de todas as patentes, ideologias, religiões e credos.

O próprio criador, seu Dalton, reza a lenda, flanou, sob a proteção de um boné abaixado e com passadas largas do velho pisante Vulcabrás, no meio da carnificina. No seu raro passeio anual pela cidade, como o mais anônimo dos curitibanos, ninguém deu conta do vencedor do Prêmio Camões de literatura. Seu Dalton afina a surdina existencial todas as manhãs com o canto das corruíras. De tão discreto, seu Dalton nem chorou com gás lacrimogênio.

E por falar em testemunhas oculares da história, quem também deu pinta na área do “confronto” foi o escriba Guilherme Caldas. Saiu para investigar comidinhas de baixa gastronomia, especialidade do seu blog na “Gazeta do Povo”, e voltou com o melhor retrato do sanguinolento ocorrido:

“Gente ferida e assustada, um governador, digamos assim, desonesto, muita sujeira espalhada, incluindo cápsulas de escopeta e de invólucros de bombas molhados pela chuva do começo da noite. No meio daquele final de confusão, encontrei um amigo indignado com, entre outras coisas, a pipoca a R$ 5: “até o pipoqueiro metendo a mão na gente!”.

Hei de vencer, mesmo diante do pensamento reto de qualquer soldado PM anônimo que vira herói imediato dos comentaristas de portais da Internet

Calma, amigos do vampiro, o cronista que combate o raio gourmetizador, ali no meio da confa da tonfa, topou também, graças a Deus, com o Donizete, o Rei do Espetinho, que, alheio às pressões econômicas do momento, vendia seus sapecados de carne, linguiça, frango e coração a R$ 2. Donizete, autêntico habitante daquela Daltolândia, disse mais: só vai ao Centro Cívico em dias de bafafás, greves e protestos. No que o Caldas, safo, se saiu:

“Pedi um de frango, paguei e tomei rumo. Num dia com tantas coisas ruins, o tempero do Rei do Espetinho estava bom”.

Hei de vencer. Não me pergunte como. Hei de vencer, mesmo sendo o professor, naturalmente, um para-raio de tonfas e vampiros.

Xico Sá, jornalista e escritor, publicou “Big Jato” (editora Companhia das Letras), entre outros livros.
No El País
Leia Mais ►

Bala de Borracha #BetoHitler


Na escolinha, as criancinhas tem uma "tia" pra ensinar que não se deve roubar lanche dos coleguinhas, soltar cabeção de nego na sala de aula, nem mijar nos corredores do colégio. Já na vida adulta, o papel da "tia" continua lá. Só que agora ela usa coturno, gosta de ser chamada por sobrenomes escrotos, tem zero paciência e frequentemente castiga mais do que devia.

Elenco:
Antonio Tabet
Fabio Porchat
Gustavo Chagas
João Vicente de Castro
Rafael Infante

Leia Mais ►

Eduardo Cunha mentiu a deputados?

À CPI, ele negou participação em requerimentos suspeitos, mas registros da Câmara o contradizem

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal pedido pela Procuradoria Geral da República por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Um dos motivos para a desconfiança é a delação premiada do doleiro Alberto Youssef na Operação Lava Jato. Youssef descreveu uma tentativa de achaque praticada na Câmara contra um empresário que teria suspendido o pagamento de propina a Cunha. Novos indícios surgidos nos últimos dias aumentaram a suspeita e mereceram do deputado explicações esquisitas. 

Na terça-feira 28, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma notícia que liga Cunha à tentativa de extorsão relatada por Youssef. Nos arquivos eletrônicos da Câmara, o deputado aparece como autor do arquivo de Word que originou requerimentos propostos para constranger uma empresa (Mitsui) e um lobista (Julio Camargo). Os requerimentos foram apresentados na Comissão de Fiscalização e Controle em 2011 pela então deputada Solange Almeida, aliada de Cunha no PMDB do Rio. 

Em entrevista convocada no mesmo dia para se defender, Cunha tentou desqualificar o indício existente contra si. Disse que o arquivo de Word está datado de 10 de agosto de 2011, um mês após o requerimento de Solange (de 11 de julho). E insinuou haver uma trama da área de tecnologia da Câmara, pois ele teria mandado a repartição cumprir uma jornada de oito horas diárias. 

Na entrevista, o deputado anunciou a demissão do diretor do setor de tecnologia, Luiz Antonio Souza da Eira. Bode expiatório, Eira foi secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional quando a pasta era comandada pelo baiano Geddel Vieira Lima (PMDB). O irmão de Geddel, deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), é da tropa de Cunha. 

Na entrevista, o presidente da Câmara não explicou se acredita que a suposta armação teria sido praticada em 2011 – e, neste caso, por que razão teria sido usada contra ele tanto tempo depois – ou se pensa que é algo de agora. Afirmou apenas ter ordenado a instauração de uma investigação interna para apurar o ocorrido.

De acordo com Youssef, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa firmou contratos de aluguel de sondas com as companhias japonesas Samsung e Mitsui, e parte do dinheiro pago por elas seria propina a Cunha. O suborno seria intermediado pelo lobista Julio Camargo, da Mitsui. Quando Camargo teria parado de pagar, por desentendimentos com a Samsung, Cunha teria decidido retaliar com ameaças de investigar o lobista e a Mitsui. 

Os requerimentos de Solange eram, de fato, constrangedores para os implicados. Um requisitava ao Ministério de Minas e Energia cópias de todos os contratos da Mitsui com a Petrobras. O outro pedia ao Tribunal de Contas da União dados sobre auditorias nos contratos. “Vários contratos envolvendo a construção, operação e financiamento de plataformas e sondas da Petrobras, celebrados com o Grupo Mitsui, contêm especulações de denúncias de improbidade, superfaturamento, juros elevado, ausência de licitação e beneficiamento a esse grupo que tem como cotista o senhor Júlio Camargo, conhecido como intermediário”, dizia Solange na justificativa formal dos requerimentos.

Apesar do que escreveu há quatro anos, Solange depôs à Polícia Federal recentemente e demonstrou não ter noção do que aconteceu naquela época. Na transcrição do depoimento, a PF diz que a ex-deputada “não se lembra de onde extraiu a motivação para formular o requerimento relativo à Petrobras” e “que o tema desse requerimento não se inseria em sua pauta de atuação parlamentar”.

Assessores de Cunha talvez possam refrescar a memória da atual prefeita de Rio Bonito (RJ). Na entrevista da terça-feira 28, ele admitiu a possibilidade de seus assessores terem ajudado o gabinete de Solange a preparar a papelada em 2011. “O fato de a deputada Solange, ou qualquer outro parlamentar do Rio, ter utilizado serviços de funcionários nossos, é porque tínhamos servidores compartilhados com a bancada do Rio nas comissões.”

De sua parte, Cunha recusou-se a prestar depoimento à Polícia Federal no âmbito do inquérito no Supremo Tribunal Federal. Limitou-se a comparecer, no dia 12 de março, à CPI da Petrobras da Câmara, de forma espontânea, condição que o desobrigou de prestar juramento de dizer somente a verdade. Ali, foi enfático: “Eu não fiz qualquer requerimento a quem quer que seja.”

Se o presidente da Câmara não tiver dito a verdade aos colegas, seu mandato correrá sério risco.

André Barrocal
No CartaCapital
Leia Mais ►

Cunha nega, mas gravação comprova críticas ao PT em jantar do PMDB


Ao ver a gravação, presidente da Câmara volta atrás e pede desculpas ao PT



No início da noite desta quinta-feira, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negou que, em jantar da bancada do PMDB na última terça-feira, tenha feito críticas ao PT. Mas, um áudio obtido junto a um parlamentar que estava no jantar, confirma as declarações de Cunha de que onde o PT vai está todo mundo contra e que o PT só ganha votação no plenário quando o PMDB fica com pena na última hora.

No twitter, o presidente da Câmara negou as críticas.












O jantar aconteceu na terça-feira no apartamento de Newton Cardoso Júnior (MG), o filho do ex-governador mineiro Newton Cardoso, e contou com a presença de cerca de 45 deputados do PMDB. No cardápio, dadinhos de tapioca, linguiça mineira e arroz carreteiro. Aos apreciadores, estava disponível uma cachaça de Salinas (MG), cidade famosa pela qualidade de sua aguardente.

Eduardo Cunha discursou por três minutos ao lado do ministro do Turismo, o peemedebista Henrique Eduardo Alves. O ministro Eliseu Padilha, da Secretaria de Aviação Civil, também estava presente.

— Muito bom ver essa bancada unida. É um bom momento para todos nós. Não ter dependido do PT e da oposição (para ganhar a eleição de presidente da Casa) permitiu ao PMDB esse protagonismo político. E nos deu a liberdade para fazer o que estamos fazendo. É só olhar. É impressionante. Onde o PT vai, está todo mundo contra. No plenário... Impressionante. O PT não ganha uma votação. Só quando a gente fica com pena na última hora - disse Cunha.

Ao ver publicada a gravação no site do Globo, Cunha voltou a se explicar no Twitter.
Leia Mais ►

Mensagem da presidenta Dilma pelo Dia do Trabalhador



Leia Mais ►

Jogos mortais

O jogo entre Arsenal e Chelsea, no domingo (26), foi chocho: 0 a 0. Mas era até comovente ver os lances de escanteio ou de falta perto da área. Em vez do vale-tudo que acontece no Brasil, os atletas dos times ingleses não se agarravam. Mal se tocavam. Pareciam seguir um princípio simplório: para eu jogar, o outro precisa jogar também. 

Se a Inglaterra criou as regras, foi o Brasil quem inventou o futebol como "arte", utopia. Pois hoje é na Inglaterra — atulhada de estrangeiros, é claro — que a bola corre solta, enquanto aqui o mantra é não deixar o adversário se mexer. 

O futebol é algo muito central na vida nacional — como nos mostram de Nelson Rodrigues a Nuno Ramos, de José Lins do Rego a José Miguel Wisnik — para fingirmos que ele não traduz o que somos fora de campo. 

Temos lutado para não compartilhar espaços (físicos e simbólicos); para que "eles" (os diferentes, os outros) fiquem longe de "nós"; para que o necessariamente público se torne criminosamente privado. 

Deputados e um governador eleitos pela população convocam a polícia para impedir que professores entrem numa casa mantida pelo contribuinte; parlamentares votam contra os direitos trabalhistas de seus eleitores e a favor dos interesses de seus doadores de campanha; parte da sociedade defende que mais e mais pessoas sejam encarceradas e, se possível, mortas. 

Em vez de civilização do futuro, somos a barbárie do presente. Nossa Constituição é: pouca farinha, meu pirão primeiro. 

Luiz Fernando Vianna
No Esquerda Caviar
Leia Mais ►

O imperdível discurso de Lula neste 1º de maio


Leia Mais ►

Na Época, o alto custo da politização do Ministério Público Federal


Não há mais limites para a politização do Ministério Público Federal.

A denúncia da Procuradoria da República do Distrito Federal contra a Odebrecht e Lula, por suas ações para conquistar mercados em países emergentes, é um dos capítulos mais graves da atuação política do órgão (http://migre.me/pGGtG).

Desde o início dos anos 90, obras de construtoras brasileiras no exterior foram enquadradas na categoria “exportação de serviços”, tendo acesso a linhas de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Já em 2003, o banco contava com um departamento especializado em América do Sul, com US$ 2,6 bilhões de projetos em carteira.

Junto com as obras vão equipamentos brasileiros, insumos brasileiros e, frequentemente, trabalhadores brasileiros.

Reconhecendo que as características da venda de serviços são similares a de exportação de produtos, houve enquadramento no PROEX (Programa de Financiamento às Exportações).

Em 15 de outubro de 2014, a Época Negócios exaltava a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras (http://migre.me/pGFJi) a partir de estudos da Fundação Dom Cabral.

A conclusão do estudo foi a de  que o melhor mercado para as multi brasileiras são países em desenvolvimento:  "Como as empresas brasileiras inovam mais em processos, acabam se dando melhor em países não desenvolvidos, porque sabem lidar melhor com instituições desestruturadas".

E qual a razão da melhor competitividade das empresas brasileiras?

“Nesse sentido, o estudo mostra que os brasileiros têm conseguido muita "aceitabilidade" e lidam melhor que os norte-americanos, por exemplo, com a diversidade cultural de outros países. "Ao invés de chegar e sobrepor a sua cultura àquele país, a maioria das empresas brasileiras adaptam processos, produtos e culturas aos do anfitrião".

A primeira colocada no ranking da Dom Cabral foi a Construtora Norberto Odebrecht (http://migre.me/pGFQN), com um índice de internacionalização de 54,9%.

A ascensão das multinacionais brasileiras foi um feito celebrado por todas as escolas de administração. Em 2005 a revista Forbes passou a incluir empresas de países emergentes entre as 500 maiores do mundo. Esse mesmo mapeamento passou a ser feito pela Boston Consulting, que incluiu 14 empresas brasileiras na lista dos “100 maiores desafiantes globais” (http://migre.me/pGG0i).

No ranking da Dom Cabral. A Odebrecht aparecia em 28 países do mundo.

As suspeitas do MPF

Saindo do governo, através do Instituto Lula, o ex-presidente focou sua atividade internacional na África. Da mesma maneira que a Fundação Clinton, do qual FHC é membro. E a o soft power brasileiro — cuja maior expressão é a imagem pública de Lula no mundo — foi utilizada para enfrentar a invasão chinesa na África e em outros países do terceiro mundo.

De repente, o que era uma estratégia brasileira vitoriosa, nos olhos da inacreditável Procuradoria da República do Distrito Federal — e da inacreditável revista Época — torna-se objeto de inquérito.

Trechos da reportagem da revista Época sobre as investigações do Ministério Público Federal de Brasília a respeito das viagens de Lula e dos negócios da Odebrecht em outros países.

As suspeitas são de superfaturamento de obras... em outros países.

Um resumo das denúncias:

1.     A Odebrecht venceu uma licitação para obras na República Dominicana, usinas termelétricas em Pinta Catalina no valor de US$ 2 bilhões. “Suspeita do Ministério Público”, segundo a revista: superfaturamento da obra (na República Dominicana) porque o valor proposto pela Odebrecht seria o dobro da segunda colocada. O MPF acolhe denúncia do grupo chinês que perdeu a disputa.

2.     Obra da Odebrechet em Gana, logo após a visita de Lula: construção de corredor rodoviário no valor de US$ 290 milhões. A “suspeita” do MPF é que, quatro meses após a visita de Lula, a Odebrecht fechou o contrato.

A maior empreiteira brasileira, a mais internacionalizada, a maior cliente do BNDES no setor, com obras em 28 países, é colocada sob suspeita devido a duas obras em pequenos países de terceiro mundo.

Entre 2009 e 2014, a construtora fechou 35 contratos com o BNDES, para financiar obras de infraestrutura em outros países, Angola, Argentina, Cuba, Equador, Venezuela e República Dominicana, construindo aeroportos, rodovias, linhas de transmissão, hidrelétricas, gasodutos, metrôs, portos (http://migre.me/pGGeH).  E 32 desses contratos firmados com governos nacionais, que são os entes responsáveis pelas obras de infraestrutura.

Nesse oceano de contratos, o Ministério Público Federal do Distrito Federal levantou um caso — o fato da construtora ter obtido uma obra em Gana após a visita de Lula — e transforma-o em algo suspeito.

Há uma disputa insana entre as construtoras brasileiras e as chinesas pelo mercado da África. As chinesas são acusadas até de levar empregados chineses, abrigados em containers de navios, quase como mão de obra escrava. Têm a facilidade de estruturar financiamentos de forma rápida, em condições mais vantajosas.

Para tentar competir, o BNDES estruturou carteiras de financiamento (http://migre.me/pGGjE) e as empresas brasileiras passaram a oferecer treinamento e utilização da mão de obra local como contrapartida.

Estudos da Ernest & Young situaram a África como o mercado mais promissor para as multinacionais brasileiras, segundo matéria do Estadão (http://migre.me/pGGmv):

“A África é, ao lado da América Latina, o principal vetor da expansão internacional de grupos brasileiros. Segundo um estudo da Ernst & Young, embora o Brasil só participe com 0,6% do total dos investimentos estrangeiros nos 54 países africanos, a expansão nos últimos cinco anos tem acompanhado de perto o ritmo chinês. Desde 2007, a atividade brasileira cresceu 10,7% ao ano na África, enquanto a chinesa subiu 11,7%.

Junto com o direito de explorar os recursos naturais do continente vem a obrigação de realizar obras de infraestrutura para os governos — o que abre um mercado cativo para as empreiteiras. Não é por acaso que Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht estão entre os grupos brasileiros mais bem conectados no continente”.

É hora de clarear esse jogo. É extremamente alto o custo da politização do Ministério Público e a falta de responsabilidade da mídia.

O Procurador Geral Rodrigo Janot precisa sair de sua zona de conforto, esquecer o show midiático, e garantir um mínimo de seriedade e responsabilidade institucional no órgão que comanda.



Luís Nassif
No GGN



Jornalixo:

Leia Mais ►

A modernização pelo cassetete

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7146

A crise espalha-se como uma epidemia. Não há vacina. Ninguém está protegido. O medo de ser atingido deprime as pessoas. As medidas tomadas por governantes parecem ter o dom de agravar o mal. O remédio tem o amargor dos xaropes inúteis e caros: fazer a plebe pagar a conta para não incomodar a “essencial” turma dos camarotes.

Tudo para não taxar grandes fortunas.

Os professores viraram sacos de pancada.

Os governos tucanos especializaram-se em espancar o magistério. No Paraná, o governador Beto Richa cumpriu rigorosamente a cartilha do velho neoliberalismo: tirou direitos, reformou a previdência do magistério na marra, contou com ajuda da justiça para esvaziar as galerias das Assembleia Legislativa na hora de fazer passar a sacanagem e mandou descer o cassetete em quem tentou se manifestar contra o esbulho. Um vídeo mostra o governador terminando de gravar uma entrevista com a mídia amiga para passar sua mensagem enganadora. Outro vídeo revela a turma de Richa vibrando quando a polícia foi para cima dos manifestantes. O Paraná já se tornou um “case” da maneira tucana de retirar direitos trabalhistas: a racionalidade do cassetete flexível, elástico, moderno e meritocrático.

Beto Richa é um governador medíocre que chafurda na ideologia da modernização pelo porrete.

Em São Paulo, a greve dos professores arrasta-se como longo funeral. Em Santa Catarina, o refrão é o mesmo. Em cinco Estados os professores reclamam e sofrem. A mídia faz tudo para enxergá-los o menos possível. Eles não são tão atraentes quantos os coxinhas. Não pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Não se vestem de amarelo. A manipulação da mídia tem atingido níveis estratosféricos. A Rede Globo, sobre terceirização, só entrevista a central sindical favorável ao projeto que esculhamba a CLT e “especialistas” que a rotulam a terceirização de quebra de tabu ou de regulamentação que dará segurança jurídica a relações de trabalho instáveis até agora.

Por que os opositores do projeto não são convidados a falar?

Que mistério é esse?

Os professores brasileiros estão entre os mais mal pagos do mundo.

Existem “especialistas” para garantir que salário não é o ponto central para melhorar a educação.

Resumo da tragédia: retirar direitos trabalhistas, liquidar a CLT, escorchar professores, gradear espaços públicos, privatizar o que der e vender, diminuir a idade penal como se o descalabro fosse responsabilidade dos menores de 18 anos de idade, aplaudir a pena de morte para quem vende a droga consumida pelas classes médias e altas do mundo inteiro, que, obviamente, encontra meios de não se responsabilizar e, claro, chamar tudo isso de modernização.

Triste 1º de maio de 2015.
Leia Mais ►

Morre o autor do clássico Stand By Me


O cantor estadunidense de soul e pop Ben E. King, mais conhecido pela canção clássica "Stand By Me", morreu nesta sexta-feira aos 76 anos.

Fontes próximas a lenda pop, citadas pelo jornal "The Telegraph", disseram que a morte foi devido a causas naturais.

O cantor, conhecido mundialmente por seu hit 1961 "Stand By Me", chegou à fama no final dos anos 1950 com The Drifters, com canções como There Goes My Baby e Save the Last Dance For Me.



No CubaDebate
Leia Mais ►

“A Globo é a responsável pelo não aprofundamento da democracia no Brasil”

Laurindo Lalo Leal Filho é professor aposentado da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Seu principal objeto de estudo tem sido a análise de políticas públicas de comunicação, em especial para a televisão. Publicou, entre outros, os livros “Atrás das Câmeras: relações entre Estado, Cultura e Televisão” e “A melhor TV do mundo: o modelo britânico de televisão”. Hoje, apresenta o programa VerTv, exibido pela TV Brasil e é colunista do site Carta Maior.

Nessa entrevista para o Brasil de Fato, parte da cobertura especial “Globo 50 anos – O que comemorar?”, Laurindo falou sobre a história da emissora, os interesses que ela representa e como sua atuação se torna um obstáculo à ampliação da liberdade de expressão em nosso país.

A Rede Globo está comemorando seu aniversário de 50 anos. Como ela serve de exemplo e nos ajuda a entender como os meios de comunicação foram estruturados no Brasil?

As Organizações Globo ocuparam um espaço que foi aberto na sociedade brasileira a partir da ideia de que não deve existir regulação para os meios de comunicação. A TV Globo é herdeira do jornal e da rádio Globo, que ocuparam, desde o início, sem nenhum tipo de controle, o espaço eletromagnético, as ondas de rádio e TV. Com isso, criaram uma estrutura que acabou se tornando praticamente monopolista. As concorrentes que surgiram acabaram por adotar o seu modelo, mas nunca conseguiram atingir os mesmos graus e índices de cobertura.

Ela conseguiu isso graças, primeiro, à total falta de regulação e, segundo, às relações que ela sempre buscou ter com os membros do poder, particularmente, aqueles mais conservadores.

A forte presença da Globo no cenário brasileiro é fruto da conjugação de vários fatores que acabaram determinando essa posição, que lhe deu a condição de pautar o debate político no Brasil.

Hoje, é a Globo que determina o que as pessoas vão conversar: é sobre novela, futebol ou escândalo político. São esses três eixos de conteúdo que ela oferece, de forma quase monopolista, sem que haja qualquer tipo de alternativa a esse debate.

A Globo se tornou um poder que impede uma maior circulação de ideias e a ampliação da liberdade de expressão. Hoje, o debate público é controlado pela Globo.

Como se deu esse processo em que a Globo se torna a maior empresa de comunicação do país?

O início foi o jornal O Globo. Depois veio a construção de canais para o rádio, entre os anos de 1930 e 1940. Em 1950, quando a televisão entra no Brasil, demora um pouco para as organizações Globo perceberem a importância desse novo veículo, mas, quando percebem, passam a fazer uma articulação, primeiro, para conseguir a concessão para um canal e, depois, obter benesses para tornar esse canal equipado.

O jornal e a rádio Globo obtiveram, através do seu presidente, Roberto Marinho, o canal que era pensado originalmente para ser a primeira emissora pública brasileira, que seria a TV Nacional, no Rio de Janeiro, durante a década de 50, no governo de Getúlio Vargas. Naquela época, o monopólio das comunicações estava nas mãos do Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados. Ele impediu, após a morte do Vargas, a criação dessa televisão pública.

As Organizações Globo se beneficiaram dessa ação do Chateaubriand contra o então presidente Juscelino Kubitschek. O Juscelino não criou a TV Nacional, mas acabou entregando o canal para a Globo. Esse foi o processo de outorga, que era uma forma de [o Juscelino] conquistar o apoio desse grupo que era economicamente mais bem organizado do ponto de vista empresarial que os Diários Associados, que já enfrentava uma crise. Esse foi o apoio político, mas houve também o apoio econômico.

Esse apoio a Globo foi buscar fora do Brasil, fazendo o famoso acordo com a [empresa estadunidense] Time-Life, garantindo, na época, 5 milhões de dólares para levantar as Organizações Globo. Esse processo foi considerado inconstitucional por uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] na Câmara dos Deputados, porque era uma empresa estrangeira investindo em uma empresa de comunicação brasileira. Entretanto, na ditadura militar essa decisão não foi levada em conta pelo governo federal e aí a Globo decolou. Teve, portanto, primeiro o apoio do Juscelino e depois dos militares.

Nesse processo, os Diários Associados foram à bancarrota, a Globo ocupou esse vácuo, emergindo como a grande empresa de comunicação do Brasil.

Você falou das relações com os setores conservadores. Especificamente em relação à ditadura, qual foi o papel da Globo?

O início da história golpista da Globo, ainda com a rádio e o jornal, pode ser localizada na tentativa de golpe contra o governo Vargas. Ali se tentou um golpe que foi adiado por dez anos: de 1954, com a morte de Vargas, para 1964, com a deposição do Jango [como era conhecido o ex-presidente João Goulart]. Houve uma campanha sistemática contra ele — como a que fazem hoje contra a presidente Dilma —, dando todo o apoio ao golpe militar e, depois, fazendo a sustentação política da ditadura, em troca de favores e vantagens.

Nesse sentido, qual o saldo da atuação da Globo na política brasileira?

A Globo é a responsável pelo não aprofundamento da democracia no Brasil. Ela faz isso através de dois mecanismos. O primeiro é a questão cultural, mantendo a população alienada, afastada do processo político através de uma programação que faz com que as pessoas deixem de prestar atenção a aquilo que é essencial à vida delas enquanto cidadãs, distraindo com a superficialidade da programação. A Globo é responsável pela despolitização do brasileiro.

De outro lado, está a defesa de interesses antipopulares. Nesses 50 anos, do governo Vargas até hoje, [a Globo] esteve comprometida com as classes dominantes do Brasil, todas as bandeiras populares que aprofundariam a democratização do país são demonizadas.

Quais bandeiras, por exemplo?

Podemos citar o caso das eleições diretas [processo de mobilização da sociedade civil conhecido como “Diretas Já”, ocorrido entre os anos de 1983 e 1984]. Naquele momento, por exemplo, era muito interessante manter as eleições indiretas, sobre as quais ela mantinha um controle muito maior. As diretas poderiam levar à eleição de um líder popular que não atenderia aos interesses da Globo.

A rede Globo usou todos os recursos para impedir a eleição do Leonel Brizola para o governo do Rio de Janeiro em 1982. Ela se colocou ao lado daqueles que queriam fraudar o pleito. Depois, quando ele ganhou, se tornou persona non grata na emissora.

Outra ação nefasta da Globo é perseguir políticos com posições não conservadoras, com posições mais voltadas para os interesses populares, tratando de maneira negativa. Excluiu Saturnino Braga, ex-prefeito do Rio de Janeiro. Trata de forma pejorativa líderes populares, como o [dirigente do MST, João Pedro] Stédile. Ou nem abre espaço para essas figuras. O próprio [ex-presidente] Lula sempre foi tratado de uma forma menor, subalterna. Há uma política editorial antipopular que é a marca dos 50 anos da rede Globo.

Pode-se dizer que é uma linha editorial de manipulação?

Uma política editorial de manipulação contra os interesses populares, sempre a favor das elites.

Do ponto de vista da estrutura da Globo, como ela consegue pautar o debate nacional?

Ela acaba pautando os temas e discussões no país. Ela tem enraizamento graças a um processo de afiliação por todo o Brasil que frauda a legislação, que não permite o oligopólio. É um enraizamento de cima para baixo, vindo do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, que se espalha para todo o país. Há uma aliança com as elites locais, que reproduzem em seus estados a mesma linha político-ideológico da Rede Globo. Esse controle sobre todo o país faz com que questões importantes, de interesse do povo, que deveriam estar sendo debatidas, acabam não tendo espaço.

O Roberto Marinho deixou isso muito claro. Quando ele defendia a “TV Escola” [televisão pública do Ministério da Educação], o argumento que ele usava é de que se você tem todo o conteúdo produzido em um local central, você tem muito mais facilidade de controle sobre esse conteúdo. Isso ele disse para a “TV Escola”, mas vale para também o conteúdo jornalístico. Com a centralização da informação, tem-se uma capacidade muito grande de impor a pauta no país todo.

Há quem diga que, hoje, a imprensa é o grande partido de oposição. Você concorda?

Ela é. Não sou eu quem digo. A própria ex-presidente da Associação Nacional dos Jornais disse isso há alguns anos. “Como a oposição está muito frágil, a imprensa tem que assumir seu papel”. Então, nos governos Lula e Dilma a oposição está centrada nos grandes meios de comunicação que, inclusive, pautam os partidos de oposição. São inúmeros os casos em que a mídia levanta um problema e os partidos de oposição vão atrás, quando, em uma democracia consolidada, seria exatamente o oposto: seriam os partidos que deveriam levantar as questões antigoverno e a mídia iria cobrir. Hoje, a mídia é o grande partido de oposição e a Rede Globo é o principal agente desse partido.

Você falou como a Globo impede o avanço da democracia brasileira. Toda vez que se fala, por exemplo, em democratização dos meios de comunicação, a Globo fala em “censura”. Como responder a isso?

Na verdade, eles são os censores. Eles é que fazem a censura de inúmeros assuntos, temas e angústias da sociedade brasileira, que não têm espaço na sua programação. Apesar de estarmos há mais de 30 anos sem censura oficial, eles usam um conceito de fácil assimilação pela população, e que ainda tem reverberação por aquilo que ocorreu durante o regime militar, para taxar aqueles que querem justamente o contrário, aqueles que querem o fim da censura estabelecida por esses meios e a ampliação da liberdade de expressão. A batalha pela liberdade de expressão é uma batalha difícil, porque nós temos que contrapor um conceito de fácil assimilação, um conceito que tem de ser explicado em seus detalhes, que é o da liberdade de expressão. Quando se quer a regulação dos meios de comunicação, se quer que mais vozes possam se expressar na sociedade brasileira.

A Rede Globo quer o monopólio total, o controle absoluto das ideias, informações e valores que circulam no país e, por isso, utilizam todos os recursos para que a liberdade de expressão seja uma liberdade controlada por eles.

Rafael Tatemoto
No Brasil de Fato
Leia Mais ►

Lula aos trabalhadores: hoje é mais fácil reivindicar!


Leia Mais ►

Mensagem da presidenta Dilma pelo Dia do Trabalhador


Leia Mais ►

O desespero de um governador nas cordas!


O massacre de servidores públicos do Paraná, nesta quarta-feira no Centro Cívico de Curitiba, em uma tentativa desesperada de o governador Beto Richa (PSDB) aprovar mudanças nos fundo de previdência do funcionalismo estadual, mostra muito mais que as cenas de barbárie.

Depois de um primeiro governo sem oposição e com a mídia estadual “adestrada” com grandes verbas publicitárias, Richa não teve dificuldades em se reeleger, em primeiro turno, para um segundo mandato. Mas, mesmo antes de ser empossado em sua segunda gestão, as contas públicas vazaram e o governo iniciou 2015 sem caixa. Nem mesmo aquela para manter a mídia como sua aliada.

E, na falta de oposição, foram homens de seu próprio staff que colocaram Richa nas cordas, qual um pugilista à beira do nocaute. Uma sucessão de escândalos, desde abuso sexual de meninas e adolescentes a corrupção na Receita Estadual, que balançaram as estruturas do palácio Iguaçu. E todos os escândalos levam a Richa.

Vale recordar esses escândalos: o assessor direto de Beto Richa, Marcelo Caramori, é preso em flagrante por abuso sexual de meninas em Londrina. Chello Caramori, que se intitulava fotógrafo oficial e amigo pessoal de Beto é exonerado. E isso só agrava o problema, pois Caramori vira “delator premiado”.

Logo caem novos envolvidos no esquema de prostituição de meninas e adolescentes. Entre eles, auditores da Receita Estadual. O esquema, investigado pelo Gaeco, é gigantesco e tem como líder Márcio Albuquerque de Lima e sua mulher. Ele, além de chefe geral de fiscalização da Receita Estadual tem um laço esportivo com Richa: são colegas de equipe em corridas de automobilismo.

As investigações do Gaeco de Londrina chegam ao primo de Richa, Luiz Abe Antoun, compadre e “mentor político” do governador. Para se ter uma ideia da importância de Luiz Abe, Avelino Vieira Neto, cunhado de Richa — é irmão de Fernanda Richa — postou, nas redes sociais, em dezembro passado, que quem mandava “mesmo” no governo era o primo, não Richa.

As investigações do Gaeco mostram mais. Luiz Abe, o primo-forte como é conhecido no Paraná, comandaria um esquema maior de corrupção, em vários órgãos do governo, além da Receita Estadual.

Com as investigações a chegar perigosamente perto do Palácio Iguaçu, até mesmo a morte do repórter James Alberti, produtor da RPC (afiliada da Globo no PR) é tramada. Alberti está hoje fora do Estado. De novo, investigações mostram que a tentativa de atentado foi planejada dentro do governo.
Com um rombo nas contas públicas, obras paradas e a começar a sofrer críticas da mídia paranaense, antes tão cordial a ele, Richa só tem um caminho. Mandar uma pacotaço à Assembléia Legislativa para retirar R$ 8 bilhões do Paraná Previdência, dinheiro do fundo de previdência do funcionalismo estadual.
Contava o governador, para isso, com a base aliada sempre fiel ao seu governo. Só não esperava a reação do funcionalismo, especialmente professores da Rede Estadual de Ensino e professores das universidades estaduais.

Soma-se a esse quadro de desespero de Richa, a presença do delegado Fernando Francischini (PSDB) na Secretaria de Segurança Pública. Francischini, um aprendiz de Mussolini, conhecido por suas bravatas e destemperos, convocou PMs de todo o Estado, em um aparato repressivo-militar só visto na Ditadura Militar, para confrontar os manifestantes.

O resultado está aí. Um massacre do governo tucano-paranaense contra os servidores públicos. Ato semelhante só ocorrera no Paraná, em 1988, quando o então governador Álvaro Dias, também tucano, colocou a cavalaria contra professores em greve. A diferença é que hoje, Richa se esmerou em suplantar seu colega de partido e optou pelo massacre puro e simples dos seus oponentes, diga-se, desarmados.



fotos de Nicola Iannuzzi
José Maschio
No #JornalistasLivres
Leia Mais ►