29 de abr de 2015

Por que Teori Zavascki merece palmas de pé

Devolveu respeitabilidade ao STF
Teori Zavascki jamais vai ser o Homem do Ano da Globo, e isto é um formidável ativo que ele carrega.

Teori é aquele tipo de ministro do STF tão raro: aquele que não se deixa deslumbrar e intimidar pela mídia.

Suas sentenças não parecem feitas para agradar a Globo, e sim para buscar o máximo de justiça numa disciplina complexa e não exata.

Mais que nenhum outro juiz, ele deu uma cara nova ao Supremo quando a ele chegou, num momento em que Joaquim Barbosa, sob incentivo cínico da mídia, comandou um espetáculo tétrico de justiça partidarizada no Mensalão.

Depois de escolhas desastrosas de juízes pelo PT — Barbosa por Lula, Fux por Dilma — Zavascki devolveu ao menos parte da respeitabilidade perdida pelo STF no Mensalão.

É antológica a enquadrada que Zavascki deu, ontem, em Sérgio Moro, candidato a ser um novo Joaquim Barbosa como símbolo da justiça torta com sua condução descaradamente antipetista da Lava Jato.

Zavascki usou as palavras certas: o método de Moro — manter presas pessoas sem culpa configurada em busca de delações — é “medievalesco” e envergonha qualquer “sociedade civilizada”.

Moro acabou ali.

O que se verá, daqui por diante, são os restos de Moro vagando por Curitiba, à espera do desfecho de uma história da qual ele sai como vilão.

Gilmar Mendes acompanhou Zavascki na sessão que liberou nove empreiteiros que já não tinham o que fazer na prisão. Mas é difícil encontrar nobreza em Mendes.

É mais fácil imaginar que ele tenha votado certo pelo motivo errado — raiva de Moro por estar recebendo os holofotes que foram dele e colegas do STF no Mensalão.

Zavascki fez uma coisa que parecia impossível até pouco tempo atrás: deixou o STF com cara de tribunal de justiça, e não de departamento jurídico da direita.

Por isso, palmas para ele.

De pé.

Paulo Nogueira
No DCM
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A globalização e os idiotas

"A idiotice não permite autocrítica, pois não existe
um idiota relativo. Todo parvo é absoluto".
A estupidez é o que distingue os seres humanos dos demais animais. Se há uma característica realmente exclusiva do bicho homem é a idiotice. Nenhum outro animal é capaz de produzí-la. Portanto, se alguém lhe disser o contrário, imputando aos homens (e às mulheres) a inteligência como traço distintivo entre nossa espécie e as demais, tenha certeza: trata-se de um idiota, pois a maior característica dos idiotas é a incapacidade de compreender a própria estupidez. A idiotice não permite autocrítica, pois não existe um idiota relativo. Todo parvo é absoluto.

Nelson Rodrigues sabia que os idiotas são maioria na humanidade e a internet está aí para comprovar sua hipótese. Com o advento da internet e das redes sociais os néscios, antes circunscritos às suas aldeias, aos seus círculos de amizade e, quando muito às Câmaras de Vereadores, ganham agora dimensão planetária e, por que não dizer, universal.

As provas desta assertiva são abundantes e existem em maior quantidade que as músicas ruins ou os livros de auto-ajuda. Vejam por exemplo que há quem acredite, com a fé de uma devota de quermesse, que o Marco Antonio Villa é historiador, que o Rodrigo Constantino é economista e, pasme, que Rachel Sheherazade é jornalista.

Os estultos, em geral, são muito competentes no exercício de suas funções. Competentes e desinibidos. O senhor e a senhora, podem, com pouco esforço, se lembrar que não foram poucos os mentecaptos que, a pretexto de protestarem contra a corrupção, pousaram alegres e sorridentes ao lado de líderes de bandos como Antônio Imbassahy, José Carlos Aleluia ou Ronaldo Caiado.

Assim, não há um só dia qualquer em que não podemos assistir à hegemônica força da estupidez humana, presente em todas as famílias, inclusive na minha que, como é de conhecimento público, possui um idiota imortal, com direito a fardão e cadeira numerada.

Portanto, os energúmenos são como a água, que existe na mesma proporção há milênios. Se nos parece que aumentaram em número é porque, agora, com as postagens nas redes socais, os vídeos no youtube e a tecnologia digital alcançamos a democratização do acesso à idiotice.

Há 10 ou 20 anos atrás poucos saberiam que 28 idiotas se puseram numa “Marcha pela Democracia” rumo a Brasília, escoltados por 30 policiais. Graças à internet, entretanto, agora podemos assisti-los, em tempo real, no legítimo exercício de suas idiotices.

Medievaldo Pereira, jornalista e irmão de um idiota.
No Trabalhador da Notícia
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Por que o JN da TV Globo desdenha tanto da prosperidade do Nordeste? — assista


A notícia de ontem era a inauguração da fábrica da Fiat/Jeep em Goiana (PE), trazendo investimentos de cerca de R$ 10 bilhões. Tão importante para o desenvolvimento industrial do Nordeste que a presidenta da República compareceu.

E sabe como o Jornal Nacional da TV Globo noticiou na chamada? É isso mesmo que você vê na figura acima: "Presidente Dilma reconhece dificuldades da economia brasileira".



O fato, a inauguração da fábrica, inacreditavelmente desapareceu da chamada da notícia.

A que ponto chegou a má qualidade de informação do JN.

E que implicância e desdém pelo que acontece de bom no Nordeste.

Será porque a região votou maciçamente em Dilma e Lula desde 2002?

E o pior é que Dilma não deu nenhuma declaração nova sobre esse assunto que mereça destaque. Dificuldades na economia ela vem falando nas entrevistas e em pronunciamentos. Só que dizendo o que JN não diz, que as dificuldades são passageiras e serão superadas. A própria fábrica é um exemplo real de que tem muita gente apostando na economia do Brasil.

No conteúdo da matéria, provavelmente feita pela afiliada regional, melhorou um pouco em relação à chamada (manchete), narrando a inauguração da fábrica. Mas nada justifica o desdém pelo desenvolvimento do Nordeste no título da notícia.

Fora do JN, só há felicidade com a prosperidade do Nordeste.

No Amigos do Presidente Lula
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Cara, foi excelente! #betorichacanalha


O governo do Paraná ensina uma lição: professor também sangra

Ao serem responsáveis pelo cacete nos professores e servidores públicos do Paraná que protestavam contra uma votação na Assembleia Legislativa de um projeto que deve reduzir direitos, o governo Beto Richa e sua base aliada deram, nesta quarta (29), uma aula pública.

Ensinaram novos significados para a palavra “ignomínia'' (substantivo feminino):

1) Tratar profissionais de educação não com respeito e diálogo, mas com bala de borracha e gás lacrimogênio até dezenas deles sangrarem e desmaiarem no asfalto;

2) Proibir o acesso à Assembleia. Não faz sentido falar em “invasão'' porque a Assembleia, pelo menos em tese, já pertence ao povo do Paraná e não a deputados estaduais;

3) Ouvir da polícia que ela está só cumprindo ordens ao descer a taquara nos manifestantes;

4) Agir como se a função do professor na construção do futuro fosse um mero detalhe.

Em fevereiro, milhares de professores e servidores públicos haviam sitiado a Assembleia Legislativa do Paraná em um protesto contra o “pacotão de austeridade'' que quer mexer com direitos trabalhistas e previdenciários. O governo Beto Richa tentou emplacar uma votação “expressa'' sem passar pelos debates de sempre. Isso enfureceu os manifestantes, que também ocuparam o prédio. Para se ter uma ideia aonde chegou a situação, um grupo de deputados só conseguiu entrar contrabandeado em um camburão da polícia. Por fim, o governo anunciou a retirada das propostas para “reexame'' e a fim de “garantir a integridade física dos parlamentares''.

Nesta quarta, o pacote está novamente em votação, protegido por decisões judiciais, escudos e cacetetes. Os manifestantes tentaram entrar para acompanhar a votação e foram reprimidos pela polícia.

Os “ajustes'' paranaenses têm sido acompanhados com atenção por outros governos municipais, estaduais e federal, que também planejam o mesmo. Se der certo, ueba!

Em tempo: De acordo com o governador, “ignomínia'' também pode ser sinônimo de “fracassamos retumbantemente com a educação''.


Veja também: O mico do tucano Beto Richa

Confrontos entre a PM e professores no Paraná deixam feridos 




Richa culpa “black blocks” por agressão a professores


A nota oficial do governo paranaense sobre o ataque da PM aos professores:

O Governo do Paraná lamenta profundamente os atos de confronto, agressão e vandalismo provocados na tarde desta quarta-feira (29) por manifestantes estranhos ao movimento dos servidores estaduais que estavam concentrados em frente à Assembleia Legislativa.

As reiteradas tentativas desses manifestantes de invadir o espaço do Parlamento Estadual culminaram com a ação de defesa das forças policiais, destacadas para cumprir a ordem judicial de proteção à Assembleia e ao seu livre exercício democrático.

O radicalismo e a irracionalidade de pessoas mascaradas e armadas com pedras, bombas de artifício, paus e barras de ferro, utilizados contra os policiais, são responsáveis diretos pelo confronto que se instalou na Praça Nossa Senhora de Salete. Lamentavelmente, pelo menos 20 policiais e quatro manifestantes saíram feridos.

Sete pessoas foram detidas por envolvimento direto nos ataques aos policiais. E a investigação sobre os atos protagonizados por pessoas ligadas ao movimento black-bloc já está em curso, sob responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária.



Palácio comemora ataque a manifestantes

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A peleja que se conquista ‘a retalhos’


Para Venício de Lima, amigo mestre carpina.

Quando já não via mais nenhuma esperança, Severino, o retirante, do poeta João Cabral, quis tomar a decisão extrema de saltar da ponte da vida. Mas quis a fortuna que José, mestre carpina, o impedisse. Não por qualquer ilusão, mas apenas pela própria vida, mesmo severina, e por isso não poderia entregar os pontos. Assim como a do retirante, a vida vivida pelo mestre “foi sempre comprada à vista” e nunca esperou poder algum dia “comprá-la em grandes partidas”.

Sabe o mestre que pior não fica: “Severino, retirante,/ muita diferença faz/ entre lutar com as mãos/ e abandoná-las para trás/ porque ao menos esse mar/ não pode adiantar-se mais”. Mas o retrato de Severino é da própria desolação: “Seu José, mestre carpina,/ e que diferença faz/ que esse oceano vazio/ cresça ou não seus cabedais/ se nenhuma ponte mesmo/ é de vencê-lo capaz?”. E é essa desolação que José vai convencê-lo a enfrentar.

Esse diálogo ilustra bem o estado da arte da peleja pela democratização da comunicação, quando nem mesmo ao próprio debate é permitido ganhar visibilidade. Impedindo de construir as pontes estão interesses particulares poderosos — políticos e econômicos —, que há anos mantêm o monopólio da voz.

Os países vizinhos e irmãos da América Latina — Argentina, Equador, Uruguai (para citar alguns) — já avançaram em novas e democráticas leis para combater a concentração da propriedade de mídia em seus territórios. Ainda não conseguiram diluir tudo, mas já estão com a discussão avançada. Na Inglaterra, além da regulamentação da radiodifusão, muito recentemente foi aprovada uma lei de regulamentação também para a mídia impressa, depois que foi constatado abuso da liberdade pelos jornais do grande grupo econômico de mídia do empresário Rupert Murdoch.

A União Europeia fez um relatório extenso que reúne um conjunto de 30 recomendações para a “observância, a proteção, o apoio e a promoção do pluralismo e da liberdade da mídia na Europa”. Lá eles não estão discutindo se deve ou não haver fiscalização ou regulamentação, mas qual a qualidade desses modelos de regulamentação e fiscalização. Afinal, não há nenhuma atividade comercial que não seja regulamentada. Com a comunicação não pode e não deve ser diferente, pois não é uma atividade comercial qualquer. Trata-se de regulamentar formas de acesso ao debate público, que têm incidência direta na capacidade de representação, diversidade e pluralidade desse discurso. E isso vale também para a internet, que só pode ser considerada espaço de liberdade se sua economia política for construída em bases democráticas. Coisa que ainda não é. Mas está em disputa.

Campo produtivo

Quando olhamos para o Brasil, nem mesmo a discussão sobre a baixa qualidade da legislação de radiodifusão — que é uma concessão pública — consegue avançar. A legislação de referência, o Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT), é de 1962. Está ultrapassado do ponto de vista tecnológico e político. Os principais artigos do capítulo da Comunicação Social da Constituição Federal de 1988 permanecem sem regulamentação. Na história brasileira, a CF de 1988 foi o primeiro texto constitucional a incluir a defesa vigorosa da liberdade de expressão e a proibição explícita de qualquer forma de censura. Mas a falta de regulamentação permite que os grupos econômicos continuem a exercer o controle da voz e a censura econômica por meio da organização do setor em um inconstitucional sistema de monopólio e oligopólio.

Por parte do governo, não há nenhuma sinalização objetiva no sentido de sequer colocar o assunto em discussão. A presidenta Dilma Rousseff deixou isso claro na última entrevista que concedeu a blogueiros e blogueiras. Falta força política ao governo. E também empenho. Por parte dos empresários de mídia, nem é necessário falar. Serão sempre contrários a qualquer legislação que signifique dispersão do poder. É assim por aqui. E também por lá, onde a discussão avançou, e o muito ou o pouco que se alcançou teve de enfrentar a resistência dos grandes grupos. O poder nunca vai querer se reformar. Essa ilusão ninguém tem. “Jamais nos fiaram nada.”

Nesse cenário, desenha-se mesmo uma peleja miserável. Difícil até mesmo ver por onde começar a comprar a vida a retalho. Seria o próprio desalento, estivéssemos sozinhos. Mas somos muitos severinos e severinas, insistentes em defender o direito de ter voz. O 2º Encontro Nacional pela Democratização da Comunicação (ENDC) reuniu 700 pessoas, em Belo Horizonte, no fim da primeira quinzena de abril. Os convidados que vieram da Argentina e do Uruguai (onde já lograram alguns avanços) elogiaram o tamanho e a diversidade do movimento brasileiro. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que organizou o evento, tem ganhado novas adesões. Cresce a consciência pública da importância de manter constante o debate em torno das melhores práticas para proteger e promover a liberdade de expressão para todos e todas.

A peleja pela comunicação democrática se faz um pouco a cada dia, sem ilusões de “comprá-la em grandes partidas”. Assim foi no Uruguai, como observou o professor Gustavo Gomez, ex-secretário nacional de Telecomunicações do Uruguai e um dos formuladores da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual em seu país (2014).

Também se faz em muitas frentes, pois não só de leis se constitui essa peleja. É necessário construir as bases políticas para a diversidade de vozes, que são justamente as políticas públicas de comunicação. E para isso é preciso que se reconheça a dimensão pública — e não privatista — da comunicação. E isso significa um longo, porém produtivo, campo de discussão e debate para que sejam construídas as formas mais democráticas e participativas de políticas que possam promover mais liberdade de expressão, abrindo espaço para pessoas, grupos ou mesmo comunidades inteiras que historicamente foram ou são silenciados — assim com os povos indígenas, com negros e negras, com jovens da periferia, dentre tantos.

Espaços públicos

Essa consciência ainda tem de ser construída e passa pelo desafio de quebrar os velhos paradigmas de comunicação governamental — voltada mais para o contato com a mídia do que o contato com o cidadão, como observa a professora Elizabeth Pazito Brandão — e instituir um paradigma de comunicação pública.

Todos os governos, em qualquer esfera, têm verba destinada à comunicação. Por que não discutir a destinação dessa verba para ações que estabeleçam um fluxo de mão dupla de informação por meio do qual o governo presta contas, mas também ouve as demandas e críticas de seus cidadãos e suas cidadãs?

Em 2016 haverá eleições municipais. O assunto tem de ser pautado e os candidatos e candidatas devem prestar contas de seus planos para a comunicação em seus municípios. Da mesma forma os governadores e as governadoras que estão em seu primeiro ano de mandato devem ser cobrados sobre o tema.

Em Minas Gerais, durante a campanha eleitoral de 2014, foi muito discutido o problema da falta de transparência na divulgação do gasto de verbas publicitárias. Espera-se que o novo governador, eleito com uma agenda mais progressista e promessas de gestão democrática e participativa, altere a situação e vá além, discutindo a política de comunicação da mesma forma que pretende discutir as políticas com os segmentos da educação, saúde, segurança pública, assistência social…

Para que seja reconhecida como política pública e tenha espaço para participação social, é necessário ainda construir os conselhos estaduais e municipais de comunicação. O Conselho de Comunicação Social é previsto pelo artigo 224 da Constituição Federal de 1988. Como observa o professor Venício de Lima, “obedecendo ao princípio constitucional da simetria, nove das vinte e seis constituições estaduais — Amazonas, Pará, Alagoas, Bahia, Paraíba, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul — e a lei orgânica do Distrito Federal incluíram a criação dos conselhos estaduais de comunicação social. Mas, assim como aconteceu com a Constituição Federal, a norma não tem sido garantia para criação, instalação ou funcionamento dos conselhos”.

Sem fortalecer e dar mais transparência e institucionalização à participação popular, a comunicação continuará privatizada e controlada por um pequeno grupo de grandes empresas de mídia, terreno propício para a corrupção da opinião pública, pois o que prevalece é a opinião de um sobre as de muitos. Criar espaços públicos de discussão, como os conselhos, é o mínimo de crédito que se pede para seguir nessa peleja conquistada a retalho com um pouco mais de igualdade de condições.

Ana Paola Amorim é professora do curso de Jornalismo da Universidade FUMEC, doutora em Ciência Política pela UFMG e pesquisadora do Grupo de Pesquisa CERBRAS (Centro de Estudos Republicanos Brasileiros), sediado no Departamento de Ciência Política da UFMG. É coautora, com Juarez Guimarães, de A corrupção da opinião pública – Uma defesa republicana da liberdade de expressão, Boitempo, 2013
No OI
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O interrogatório completo de Paulo Roberto Costa na Lava-Jato

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Carta aberta de desagravo face ao repugnante texto de Reinaldo Azevedo publicado no blog da Veja


Capa do livro: Da Monogamia - A sua Superação como Princípio Estruturante do Direito de Família - Apresentação de Gustavo Tepedino - Prefácio de Luiz Edson Fachin, Marcos Alves da SilvaDa Monogamia - A sua Superação como Princípio Estruturante do Direito de Família - Apresentação de Gustavo Tepedino - Prefácio de Luiz Edson Fachin

“A razão não adere ao erro total”
“Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia; para que também não te faças semelhante a ele. Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus próprios olhos.”
Provérbios 26:4-5
O sábio poeta hebreu dá um conselho ambíguo. Devemos ou não responder ao tolo? Há na resposta um risco intrínseco. A arena de debate do tolo situa-se no campo da irracionalidade, da ignorância, da vaidade e, por vezes, do ódio. Posta-se o tolo em sítio distante da razoabilidade, do bom senso, da ponderação. Então, o conselho: não desça a essa arena jamais. Logo, não responda ao tolo segundo a sua estultícia. Mas, em aparente contradição, ensina o sábio: não deixe o tolo sem resposta para que não passe por sábio.

Considerado esse paradoxo, é que externo publicamente meu mais veemente repúdio ao que o Sr. Reinaldo Azevedo escreveu em sua lastimável coluna, no blog da Revista Veja, intitulado “Esta vai para o Senado”.

O senhor Reinaldo Azevedo que, nada lê muito além de orelhas de livros, busca ávido entre escritos jurídicos algum texto que lhe sirva de pretexto para atacar a indicação do professor Luiz Edson Fachin ao Supremo Tribunal Federal.

Este pretenso jornalista valeu-se de um livro de minha autoria, resultado de tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, para tentar agredir e infamar a imagem do professor Fachin.

Somente quem não leu o livro, como Reinaldo Azevedo, é que pode fazer a absurda assertiva de que há, na tese, uma defesa da poligamia e, concomitantemente, um ataque à família formada pelo casamento. O autor não subscreve esse disparate e, muito menos, o ilustre professor que prefaciou o livro.

O “blogueiro” da revista Veja promoveu distorção rasteira e fraudulenta de um complexo tema, que remonta às raízes da formação do Brasil e guarda estreita relação com a dominação masculina.

Trata-se de um ataque desleal, covarde, oportunista. O que lastimo profundamente é que uma pessoa como essa, que tem coragem de lançar mão de tão sórdida mentira, seja albergado por uma Revista que se pretende formadora de opinião. Lamento que tantos desavisados leiam estas postagens de textos desqualificados, tomando-os como expressão de verdade.

Ah! Se conhecessem quem é Luiz Edson Fachin e o que a sua obra e atuação jurídica significam para o Direito, no Brasil. É lamentável que sua indicação ao Supremo Tribunal Federal tenha ocorrido neste momento em que a irracionalidade, patrocinada por alguns veículos de comunicação de massa, vem tomando vulto e se verifica um notável esvaziamento do verdadeiro debate político.

Evoco, contudo, as sábias palavras de Dom Hélder Câmara, que sempre me serviram de alento quando vejo avolumar a barbárie, a brutalidade e, às vezes, a bestialidade. Ensinava o sábio Bispo de Olinda: “A razão não adere ao erro total”. Tenho viva esperança de que o Senado Federal não há de deixar-se conduzir pela fúria dos tolos. A luz da razão há de prevalecer.

Marcos Alves da Silva
Professor de Direito Civil
Advogado
Pastor Presbiteriano
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JN dá vexame ao agir como assessor de imprensa de Eduardo Cunha — assista


Você sabe que um jornalismo é parcial e veste a camisa de um político quando o fato noticiado é uma suspeita ou acusação, mas a manchete e o conteúdo enfatiza só a defesa do acusado, deixando o fato em segundo plano.

Foi exatamente isso que aconteceu no Jornal Nacional da TV Globo. O telejornal, sem o menor pudor, vestiu a camisa do queridinho da mídia, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o retratou como vítima, diferentemente do que faz com outros envolvidos na operação Lava jato.

Antes que o telespectador tome conhecimento do que Eduardo Cunha é suspeito, o telejornal abre a notícia com "O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, NEGOU (...)" e blá-blá-blá.

A chamada (manchete), também traz o título dos sonhos da assessoria de imprensa do presidente da Câmara: "Cunha nega autoria de requerimento sob suspeita na Operação Lava Jato".

É por estes e por outros vexames que cada vez menos gente assiste o JN e menos gente ainda o leva a sério.



O fato:

No dia 15 de abril, a Polícia Federal encaminhou ao ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de autorização de coleta e mais duas testemunhas a fim de esclarecer pontos na investigação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Uma duas testemunhas a serem ouvidas são o advogado Francisco José Reis, dono da casa amarela onde o policial Jaime "Careca", diz ter feito uma entrega de R$ 1 milhão a mando do doleiro Alberto Youssef. Em seu depoimento, Careca disse que o dinheiro seria para Eduardo Cunha. O advogado de Youssef negou que seu cliente conhecesse Cunha, mas não esclareceu para quem seria a entrega na casa de Reis.

Outra testemunha a ser ouvida é o presidente do PMDB no Rio, Jorge Picciani, de quem Francisco José Reis foi assessor por longo tempo e apadrinhado na indicação para cargos em agência reguladora estadual.

Uma das coletas de informações da PF seria nos sistemas de informática da Câmara dos Deputados para reconstituir quem foi o mentor e autor de fato de dois requerimentos junto à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, pedindo auditorias no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério das Minas e Energia para apurar a relação da Petrobrás com a empresa Mitsui.

O doleiro Youssef, em delação premiada, disse que foi Eduardo Cunha e a motivação teria sido pressionar a Mitsui a retomar o pagamento de propinas supostamente combinadas com o PMDB e que haviam sido interrompidas.

Quem apresentou oficialmente o requerimento foi a ex-deputada federal Solange Pereira de Almeida, hoje prefeita da cidade de Rio Bonito-RJ, e aliada de Cunha. Mas o próprio Eduardo Cunha admitiu que assessores de seus gabinete ajudaram a redigir o texto, segundo ele, a pedido da deputada.

Ontem (28), o jornal Folha de São Paulo, publicou uma reportagem mostrando que um arquivo digital disponível no pŕoprio site da Câmara com o texto de um dos requerimentos, aparece como autor digital "Eduardo Cunha".

Com isso, quem pagou o pato foi o diretor do Centro de Informática da Câmara, demitido por Cunha no mesmo dia em que a notícia saiu.

Segundo Cunha, a demissão foi porque ele obrigou todos da informática a baterem ponto para cumprir a jornada, e ele suspeita que o arquivo tenha sido fraudado como retaliação de funcionários descontentes.

Cunha questiona a data do arquivo aparecer como criado em 10 de agosto de 2011 enquanto os requerimentos foram apresentados um mês antes, no dia 11 de julho de 2011.

Porém o argumento de Cunha quanto as datas não afasta suspeitas e a necessidade da criminalística da Polícia Federal investigar os computadores e arquivos da Câmara. Isto porque o arquivo de agosto é apenas um PDF, ou seja, é uma cópia tirada do original. O requerimento pode sim ter sido criado em um editor de textos em julho, e o gabinete de Eduardo Cunha ter gerado uma cópia em PDF em agosto, sem qualquer contradição. Pelo contrário, a cópia reforça as suspeitas do suposto interesse de Cunha no requerimento.

O JN não abordou nada falando da Polícia Federal, nem do advogado Reis que teria recebido R$ 1 milhão do doleiro Youssef.

No Amigos do Presidente Lula
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Cargueiro espacial russo desce descontroladamente em direção à Terra

A cada ano, três ou quatro cargueiros Progress saem para transportar material para a ISS.  
Depois de sua missão caem e queimam na atmosfera acima do Oceano Pacífico.
Foto: Nasa
A nave está carregada com suprimentos para os seis astronautas que estão na Estação Espacial Internacional. A indústria aeroespacial desconhece a data em que ela cairá na Terra.

A nave russa de carga Progress M-27M que havia sido lançada para a Estação Espacial Internacional (ISS) na quarta-feira, começou a descer descontroladamente em direção à Terra.

A informação foi confirmada por uma fonte na indústria aeroespacial consultada pela agência de notícias russa Ria Novosti, que explicou que a situação se deve porque não conseguiram inflar seus propulsores nem manobrar a nave cargueiro está descendo gradualmente de sua órbita.

A fonte salientou que a velocidade da nave dependerá da atmosfera e do vento solar, mas nas últimas 24 horas a nave já perdeu dezenas de metros de altitude.

Embora os controladores de vôo russo tenham tentado duas vezes restabelecer a conexão com o cargueiro, são poucas as possibilidades de êxito. "É impossível saber exatamente quando cairá na Terra, depende de muitos fatores. Mas a queda ocorrerá em condições incontroláveis", disse a fonte.

O Centro de Controle de Vôos Espaciais da Rússia perdeu o controle da nave espacial, lançada do Cosmódromo de Baikonur (Cazaquistão) às 07:10 GMT da última terça-feira, depois de que ela entrou em órbita errada e parou de enviar dados para a terra.

A Progress M-27M transporta cerca de 2,5 toneladas de equipamentos científicos e suprimentos como necessidades básicas (comida e água), no entanto, a perda da nave não será um problema para os seis astronautas que estão na Estação Espacial que já dispõem de reservas para vários meses.

Além de material, a Progress também transporta uma réplica da bandeira do Exército Vermelho soviético, içada em Berlim em 1945, e que os astronautas russos usariam para comemorar o dia 09 de maio, que marca a vitória aliada dos aliados contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Os custos deste acidente são estimados em 90 milhões de dólares, entretanto, a indústria espacial tem previsão de lançar outro cargueiro antes de 08 de agosto.

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Contra a agenda conservadora

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Uma nota de cinco linhas, publicada na edição de quarta-feira (29/4) da coluna “Panorama político”, do Globo, contém uma das questões centrais para entender como a crise alimentada pela mídia tradicional contribui para o retrocesso de direitos alcançados na Constituinte de 1988. Diz o texto:

“Criada no Senado, com 14 senadores, a Frente Progressista. Liderada por Lindbergh Farias (PT-RJ), ela pretende barrar a agenda conservadora: redução da maioridade penal e as mudanças nos estatutos da Família e do Desarmamento”.

A notícia tem apenas um reparo: a frente de senadores não é liderada por Lindbergh Farias — ele é um dos fundadores, responsável por contatar novos integrantes.

Criada oficialmente na terça-feira (28|), a Frente Progressista Suprapartidária tem também entre seus integrantes o ex-ministro Cristovam Buarque (PDT-DF), que a batizou de “grupo do não passarão”. O grupo, formado originalmente por senadores do PT, PMDB, PSB, PCdoB, PDT e PSol, pode chegar a trinta senadores nos próximos dias.

A solitária nota na coluna do Globo diz pouco mas revela muito: a motivação principal da Frente Progressista é se contrapor à onda de propostas oriundas na Câmara dos Deputados, que ameaçam eliminar conquistas essenciais da sociedade brasileira.

A informação não será encontrada em grandes reportagens ou em artigos dos mais lustrosos colunistas da imprensa, por uma razão muito simples: embora mantenha um discurso cuidadoso em relação a essas iniciativas das bancadas mais conservadoras da Câmara, a imprensa nutre envergonhada simpatia por algumas delas.

O manifesto assinado pelos senadores se refere aos projetos que propõem a redução da maioridade penal, a redefinição do Estatuto da Família — que embute a limitação de direitos dos homossexuais —, a precarização de direitos do trabalhador e a flexibilização do Estatuto do Desarmamento.

E o que a imprensa tem a ver com isso?

Simples: essas propostas só têm encontrado acolhimento na Câmara dos Deputados por causa do contexto da crise política insuflada pelos principais veículos de comunicação do país.

Maioridade penal

A iniciativa da Frente Progressista Suprapartidária cria um abrigo institucional para mobilizações esparsas pela sociedade, que não encontram apoio na mídia tradicional. Em muitas cidades do Brasil, entidades sindicais, coletivos de cultura e organizações não governamentais promovem debates e esclarecimentos sobre algumas das questões que formam a agenda conservadora da Câmara e preparam manifestações que podem se juntar, por exemplo, às greves de professores que a imprensa insiste em ignorar.

Em São Paulo, grupos de educadores e ativistas participaram nesta semana de debates promovidos por entidades como a Ação Educativa e a Fundação Perseu Abramo, nos quais foram relatadas iniciativas de esclarecimento sobre a questão da maioridade penal.

A ativista Verónica Silveira, uma das coordenadoras da campanha que levou à rejeição de uma proposta de redução da maioridade penal no Uruguai em 2014, explicou como os movimentos sociais conseguiram superar o bloqueio da mídia e realizar o plebiscito no qual a maioria da população daquele país decidiu não alterar a legislação de proteção da criança e do adolescente.

No Brasil, questões como essa são conduzidas por grupos reacionários no Congresso Nacional, sob o olhar omisso da mídia tradicional. Os argumentos primários em favor da redução da maioridade penal invertem a lógica que levou a Constituinte a criar o arcabouço jurídico dos direitos da infância e a imprensa se mostra vacilante diante dessa e de outras propostas que, segundo muitos juristas, ameaçam a ordem constitucional.

O interesse explícito das grandes empresas de comunicação é apoiar as manobras que mantêm o governo federal refém dos interesses de líderes do Parlamento ameaçados no inquérito que investiga a corrupção na Petrobras. Esse é o contexto no qual as frações mais reacionárias do Congresso tentam contrabandear para o sistema legal medidas que, em circunstâncias normais, não passariam pelo crivo do Parlamento.

A criação da Frente Progressista não ganha destaque no noticiário porque é do interesse da imprensa manter ativa a agenda reacionária.

Luciano Martins Costa
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Entre Zavascki e Gilmar, o destino da Lava Jato

Vinte e quatro horas depois da decisão que liberou empresários e executivos, cabe a pergunta: o STF agiria da mesma forma diante do tesoureiro do PT João Vaccari?

O voto do ministro Teori Zavascki, ontem, que garantiu a soltura do empreiteiro Ricardo Pessoa após cinco meses e quinze dias de prisão sem culpa formada, permitindo também a libertação de outros oito executivos e empresários, é um ato civilizatório.

A decisão, por 3 votos a 2, merece aplauso. Ajuda a reestabelecer direitos e garantias dos acusados, além de colocar hieraquia do Judiciário no lugar adequado, lembrando a todos que o país tem um Supremo Tribunal Federal e que Sérgio Moro, da Vara Criminal de Curitiba, é um juiz de primeira instância.

Mas é cedo para se acreditar que essa decisão seja o anuncio mudanças de fundo. Questiona-se, por exemplo, se a 2ª Turma do Supremo, que tomou a decisão pelo apertado placar de 3 votos contra 2, terá a mesma postura e chegará ao mesmo resultado no dia em for colocada diante de um pedido de habeas corpus de João Vaccari Neto, tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, preso em 15 de abril.

Outra pergunta envolve as questões de mérito, que o Supremo irá julgar mais tarde, na hora devida. É razoável aguardar por uma postura mais equilibrada do que as decisões da AP 470?

Os dois votos contrários ao Habeas Corpus vieram do decano, Celso de Mello, e de Carmen Lúcia. Os votos favoráveis vieram do próprio Teori Zavascki, de Antonio Dias Toffoli e de Gilmar Mendes. Colocado na situação de fiel da balança, Gilmar fez um voto de oito páginas. Ele dedicou poucos parágrafos para justificar seu apoio ao Habeas Corpus, concordando, de forma lacônica, quase protocolar, com os argumentos do relator. Na maior parte de seu voto, Gilmar disparou críticas duras ao Partido dos Trabalhadores, alvo político reconhecido da Lava Jato.

Depois de recuperar longos trechos de um voto duríssimo de Celso de Mello na AP 470, quando este defendia que os réus fossem condenados pelo crime de quadrilha — tese que acabou derrubada na fase dos embargos infringentes — Gilmar fez uma comparação: “se, no Mensalão, analisamos pagamentos a parlamentares da ‘base aliada’, financiados por verbas de contratos de publicidade e empréstimos bancários fajutos, aqui temos um quadro potencialmente mais sombrio.”

Após assumir, como verdadeiras, as principais conclusões da Lava Jato, que mais tarde irá julgar, com direito de condenar ou absolver os réus, Gilmar denunciou o Partido dos Trabalhadores por usar a “máquina publica para desviar o patrimônio público, canalizando-o ao financiamento de um projeto de poder”. O ministro também lembrou as contas da campanha de Dilma Rousseff, aprovadas com o voto unânime dos juizes do TSE — inclusive o dele.

Com linguagem especialmente crua, Gilmar fez uma insinuação. Disse que “contas de campanha são um emaranhado que deixa muito espaço para a lavagem de ativos. O volume de despesas torna impossível verificar sua efetiva realização”. O ministro falou de uma empresa, Focal, que recebeu R$ 24 milhões mas, “a partir de investigações realizadas pela imprensa, chegou-se a fortes indicíos de que o grupo societário era composto por laranjas”. Referindo-se ao que chamou de “desfile macabro”, falou de impressos produzidos, “a pedido do tesoureiro do partido”, enaltecendo o governo, “considerados propaganda eleitoral ilícita pelo TSE”. Alguém tem dificuldade em imaginar qual será o voto — e o placar — quando os réus usarem a estrela do PT?

O placar de 3 a 2 é surpreendente a partir de determinadas circunstâncias, favoráveis ao Habeas Corpus, que poderiam justificar uma decisão mais folgada. Sem culpa formada, Ricardo Pessoa foi mantido na prisão por um tempo considerável pelos critérios de qualquer nação que preza a liberdade individual e os garantias do cidadão, algo que a humanidade aprendeu a valorizar desde a Revolução Francesa. Embora seja sempre necessário celebrar todo passo em direção a liberdade, também é possível perguntar por que a decisão demorou tanto. O STF liberou o empresário quando ele já foi destituído de suas funções na direção da empresa, UTC. Esta, por sua vez, está proibida de fazer novos contratos com a Petrobras. Pessoa vai passar seus dias com uma tornozeleira eletrônica. Conseguiu deixar a prisão após resistir a diversas tentativas de uma delação premiada capaz de levar a denúncia para patamar mais elevados do governo e do PT.

Ao condenar as prisões provisórias prolongadas, método de trabalho prioritário das investigações conduzidas pelo juiz Sérgio Moro, Teori Zavascki fez um debate erudito e também permitiu-se uma ironia, dizendo em determinado momento que “certamente passou longe da cogitação” do magistrado usar as detenções para forçar delações.

Entrando na substância do debate, Teori foi aos fundamentos a decisão. Deixou claro que se a prisão preventiva pode ser uma forma de proteção da sociedade, não pode se transformar em método de investigação. Examinou cada uma das situações em que a legislação autoriza a prisão preventiva, medida que “desafia o direito a presunção da inocência”, devendo ser aplicada com muita cautela e prudência, pois “é uma exceção à regra de liberdade”, lembrou, mencionando um voto de Nelson Jobim, proferido em 2001. Zavascki passou em revista cada uma das condições que poderiam justificar uma detenção tão prolongada, sem julgamento, para demonstrar que elas não se sustentavam no caso de Ricardo Pessoa. A principal dessas condições, lembrou, é que “é indispensável ficar evidenciado que o encarceramento do acusado é o único modo efetivo de afastar o risco” de ameaça a ordem pública ou econômica, quando deixa de ser cabível “sua substituição por outra medida cautelar”.

Depois de reafirmar com a devida ênfase o direito de todos a usufruir de um regime de liberdade, o ministro lembra que a proteção das garantias individuais é mais do que uma opção — é uma obrigação do magistrado. Diz que a prisão preventiva talvez pudesse se justificar em novembro de 2014, quando o acusado foi encaminhado a cela da Polícia Federal em Curitiba, mas não tem relação com a situação de hoje, quando Ricardo Pessoa já foi afastado da direção de sua empresa, que por sua vez se encontra impedida de assinar novos contratos com a Petrobrás e a própria investigação, nas palavras do Ministério Público, se encontra “praticamente concluída”. São circunstâncias incompatíveis com a manutenção do acusado na cadeia. “Se essa substituição (no regime prisional) é possível, sua adoção passa a ser um dever do magistrado”, afirma Zavascki.

O esforço para garantir que uma investigação — da Lava Jato e todas as outras — seja feita de acordo com as instituições, com respeito a hierarquia e regras da Justiça, é mais importante do que parece. Em 1968, quando a ditadura militar estimulava campanhas periódicas contra a corrupção, chegou-se a criar uma Comissão Geral de Investigações, a CGI, que funcionava como um tribunal especial para colher depoimentos, encontrar testemunhos e provas que, dizia-se, não poderiam ser obtidas pelos caminhos convencionais — que favoreciam a impunidade. Conforme relata a historiadora Heloisa Starling, autora de uma obra essencial sobre o período (“Os senhores das Geraes”), para “agir contra a corrupção e dar conta da moralidade pública, os militares trabalharam tanto com a natureza ditatorial do regime como com a vantagem fornecida pela legislação punitiva. Deu em nada”, lembra ela. Em dez anos, os integrantes da comissão produziram cerca de 1.153 processos. Desse conjunto, mil foram arquivados; 58 transformados em propostas de confisco de bens por enriquecimento ilícito, e 41 foram alvo de decreto presidencial”.

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Costa cita propina de R$ 10 mi para PSDB — o vídeo que a Globo não mostrou

Em depoimento na Justiça Federal, ex-diretor de Abastecimento da Petorbrás reafirma delação e detalha encontro com senador tucano
Da esquerda para a direita: Paulo Roberto Costa, Eduardo da Fonte e Sérgio Guerra.
Fotos: Estadão e Agência Câmara
Em depoimento nesta terça-feira, 28, na Justiça Federal em Curitiba, base das investigações da Operação Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa disse que o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) o procurou para tratar de propina envolvendo os rumos de uma CPI que investigava a estatal petrolífera. Primeiro delator do esquema de corrupção desbaratado pela Lava Jato, Costa disse que R$ 10 milhões foram repassados ao então presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra — morto em março de 2014.



“Fui procurado, não me recordo exatamente se foi em 2009 ou 2010, pelo senador Sérgio Guerra, no Rio de Janeiro, junto com o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE)”, relatou Paulo Roberto Costa na audiência em que depôs simultaneamente em cinco ações penais da Lava Jato, todas relativas ao cartel das empreiteiras que teriam assumido o controle de contratos bilionários da estatal.

Costa prosseguiu. “O Eduardo da Fonte me ligou, disse que queria ter uma conversa comigo e marcou uma reunião em um dos hotéis lá da Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). Para surpresa minha, eu nunca tinha tido relacionamento nenhum com o Sérgio Guerra, o senador estava lá.”

“Isso resultou, se não me engano, em duas ou três reuniões. O pleito do senador era que se repassasse para ele um valor de R$ 10 milhões para que não ocorresse ou não progredisse ou não tivesse consequências uma CPI da Petrobrás neste período.”

O ex-diretor afirmou que o doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato, não participou do pagamento. A empreiteira Queiroz Galvão teria ficado responsável pelo repasse.

“Depois da terceira reunião, eu fiz um contato com a Queiroz Galvão, e a Queiroz Galvão honrou esse compromisso e foi pago. Não sei qual porcentual que foi para Sérgio Guerra, se teve porcentual para Eduardo da Fonte. Mas foi pago R$ 10 milhões para o senador nesse período”, afirmou o delator.

Na semana passada, o delator foi condenado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro oriundos de desvios de recursos públicos na construção da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), no município de Ipojuca, Pernambuco — emblemático empreendimento da estatal petrolífera alvo da Operação Lava Jato.

Paulo Roberto Costa não recebeu perdão judicial, conforme solicitado por sua defesa, e pegou 7 anos de 6 meses de reclusão. Deste total serão descontados os períodos em que ficou preso na PF e em regime domiciliar, que cumpre desde outubro de 2014, com tornozeleira eletrônica.

Quando Paulo Roberto Costa citou pela primeira vez o suposto pagamento de R$ 10 milhões, o PSDB esclareceu que não admite captação ilícita de recursos em suas campanhas. A Queiroz Galvão nega o repasse apontado pelo ex-diretor da Petrobrás.

O deputado Eduardo da Fonte nega envolvimento na transação denunciada por Paulo Roberto Costa.

Ricado Brandt, Julia Affonso e Mateus Coutinho
No Estadão
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Federação dos policiais federais denuncia PEC 412 e repudia o uso político das investigações


A Federação Nacional dos Policiais Federais, que representa cerca de 80% de todo o efetivo da Polícia Federal, vem a público manifestar-se contrária aos termos contidos na PEC 412/09, apelidada de PEC da Autonomia.

Além de não refletir os anseios da esmagadora maioria dos profissionais com atuação na corporação, verificamos que a proposta baseia-se em argumentos sofismáticos, onde o delegado de Polícia Federal figuraria como a própria instituição Polícia Federal, bem como que tal cargo deveria possuir prerrogativas próprias de magistrados para poder bem operar.

Nos bastidores da Polícia Federal, do Poder Judiciário e do Ministério Público são amplamente conhecidos os interesses ocultos nessa proposta. Tanto que ela sequer passou por debates internos e discussões entre os componentes de todos os cargos que compõem o quadro de servidores da Polícia Federal, sejam policiais, sejam administrativos.

Em suma, a PEC 412 tenta investir mais poder ao cargo de delegado de Polícia Federal, hoje isolado no ambiente de convívio social e funcional da Polícia Federal.

A pleiteada autonomia serviria para impedir o constitucional controle externo da atividade policial pelo Ministério Público, o que poderá trazer consequências desastrosas para possíveis investigações que poderiam surgir.

Todo e qualquer órgão policial deve ter o devido controle das suas atividades, como já ocorre com o controle externo realizado pelo Ministério público, sob pena de possibilitar que a sociedade volte a conhecer uma polícia repleta de desmandos e ações desenfreadas, eivadas dos mais diversos vícios, tornando-se uma espécie tupiniquim da GESTAPO.

Os policiais federais representados por esta Federação convocam todos os brasileiros para refletirem sobre o que está proposto na PEC 412: poder extremo ao cargo de delegado, libertação do controle do Ministério Público, poder para criar e extinguir cargos no âmbito da Polícia Federal.

A PEC 412/09 já trilha seu caminho, mostrando ainda de forma superficial, o que poderá vir mais adiante, pois, conforme notícias veiculadas na mídia, parlamentares têm sido procurados por representantes de associação de delegados da Polícia Federal em prol de sua aprovação e justificando que os trabalhos da operação Lava Jato, motivo de marketing em alguns momentos, tiveram iniciativa exclusivamente por parte da PGR, o que, como não houve prova em contrário, denota que tal associação joga contra a referida operação policial e, consequentemente, contra toda a sociedade. Seria isso apenas o começo?

A Federação Nacional dos Policiais Federais jamais seria contrária a qualquer proposta legislativa que realmente fosse trazer benefícios ao Departamento de Polícia Federal, mas nunca aceitará inerte que tentem fazer desse órgão uma espécie de locomotiva desgovernada.



Nota de Esclarecimento

Federação dos policiais federais repudia o uso político das investigações

A Federação Nacional dos Policiais Federais - Fenapef, única entidade sindical registrada no Ministério do Trabalho e Emprego com representação trabalhista nacional de todos os integrantes da Carreira Policial Federal, vem a público esclarecer que considera execrável qualquer uso político do trabalho investigativo, num momento tão delicado para a Sociedade Brasileira.

O complexo trabalho de análise e inteligência desempenhado pelos agentes federais na rede de ações apuradas pela operação Lava-Jato é fundamental, porém discreto, como toda investigação deve ser. E o esforço silencioso dos investigadores não pode ser apropriado por associações de classe, no intuito de que seus projetos de lei sejam aprovados no Congresso Nacional.

Independente do cargo que ocupam, o juiz, o promotor/procurador, o agente federal, o delegado, o escrivão federal e o perito/papiloscopista são servidores públicos, e como o próprio nome diz, servem à Sociedade, que paga os seus salários e deve exigir isenção, objetividade, discrição e, sobretudo, impessoalidade.

O juízo antecipado e o uso especulativo/espetaculoso de operações policiais é prejudicial à própria apuração dos crimes, motivo pelo qual a Federação Nacional dos Policiais Federais, em nome dos mais de 13.000 policiais federais sindicalizados em todo o Brasil, vem repudiar todo e qualquer uso político ou corporativista das investigações da operação Lava-Jato.

Federação Nacional dos Policiais Federais

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Dilma e Maduro estão entre os 20 líderes mais influentes do Twitter


Durante os últimos quatro anos, o Twitter se tornou a rede social preferida por líderes mundiais para alcançar grandes audiências com mensagens-chave, de acordo com o estudo anual "Twiplomacy" (http://twiplomacy.com), da consultoria internacional de comunicações estratégicas Burson-Marsteller, sobre o uso do Twitter por líderes mundiais.

O objetivo do Twiplomacy é identificar o quanto os líderes mundiais usam o Twitter e como eles se conectam através desta rede.

No estudo, encerrado em 24 de março último e publicado nesta terça-feira, foram analisadas 669 contas de governo em 166 países e foi constatado que 86% dos 193 governos na ONU tem presença no Twitter.

Vinte e seis por cento (172) dos Chefes de Estado e de Governo têm contas pessoais no Twitter e, apenas 27 países, principalmente da África e do Pacífico asiático não têm presença alguma nesta rede social.

No capítulo do relatório, correspondente à América Latina, o presidente do México, Enrique Peña Nieto (@EPN) é líder latino-americano com mais seguidores, superando por pouco o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (@JuanManSantos) e a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner (@CFKArgentina) que contam com mais de 3,6 milhões de seguidores cada.

A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff (@dilmabr) e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (@NicolasMaduro) completam o top 5 na América Latina, com 3,3 e 2,4 milhões de seguidores, respectivamente.

A conta do presidente Nicolás Maduro tem média de 64 mensagens por dia, tornando-o um dos mais líderes mais tuiteiros. Seguido pelos governos do México (@gobrep), com 60 tweets por dia, que muitas vezes também repete suas mensagens para captar diferentes audiências em momentos distintos. Completa a lista o Governo da República Dominicana (@PresidenciaRD) com a média de 58 tweets diários.

"Este estudo mostra que os governos estão se tornando mais profissionais no uso de redes sociais", disse Ramiro Prudencio, CEO da Burson-Marsteller América Latina.

"É interessante ver como os governos se adaptam às dinâmicas mudanças no panorama das redes sociais. Estas instituições têm construído equipes completas para administrar sua comunicação on-line", acrescentou.


No CubaDebate
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Professores de SP convocam assembleia


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O mico do tucano Beto Richa

HAHAHAHAHAHAHA Tio Betinho não cansa de passar vergonha!

Em sua página no Facebook, titio Beto postou um vídeo onde era entrevistado pelo "jornalista" Denian Couto.

Entrevista chatinha, repetindo as mesmas coisas de sempre e blábláblá.

O que o Titio Betinho não esperava é que um professor tenha encontrado a versão sem cortes da entrevista. Eis que no final da entrevista deixam claro algo que não me surpreende: a entrevista foi mais manipulada que meu remédio para acne! (Desculpa, o post precisava de uma piada ruim).

Graças ao sagaz Movie Maker, podemos ver claramente o final do vídeo. Me dá imagens governador!

E aí galera. Foi excelente, não foi? hahahahaha

Para não se aborrecer com o trololó, assista apenas a partir dos 11min



Weverton Carlos
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O PT cometeu muitos erros, mas Marta pode estar cometendo um muito maior


A senadora e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, anunciou nesta quarta-feira (28) sua saída do PT. Depois de 33 anos, o fim da relação não foi dos mais amigáveis. Marta deixa a legenda fazendo barulho e criando caso. Bem ao estilo Marta, o que não significa que ela não mudou muito nos últimos tempos.

O mandato de Marta como deputada federal foi muito bom. Ela era um pouco o Jean Willys da época, assumia temas polêmicos e com competência conseguia levar vários debates no Congresso.

Como prefeita, Marta tentou um discurso belezura, mas terminou fazendo o melhor governo que a cidade teve para a periferia. E até por isso ainda hoje é querida nos bairros mais pobres de São Paulo.

Na disputa com Kassab, ela já mostrou que sua sede por poder podia passar dos limites. E veio a famosa frase: “é casado, tem filho?”.

Depois, Marta se elege para o Senado, numa disputa difícil e onde evitava o candidato a governador de sua chapa, o atual ministro Aloysio Mercadante.

Antes tinha sido uma discreta ministra do Turismo e depois foi uma medíocre ministra da Cultura. Aliás, no ministério da Cultura, por exemplo, Marta reservava tempo e dinheiro para a indústria da moda e detonava os Pontos de Cultura. Tratava-os como algo ilegal, um esquema. Fez exatamente o inverso da sua gestão na prefeitura, deixou à míngua a cultura de periferia e colocou recursos apenas nos espaços de elite.

Ao fim e ao cabo, na eleição passada, se o seu voto tivesse sido filmado como o do senador José Sarney, talvez hoje ela não pudesse fazer um discurso tão de decepcionada.

Marta tem todo o direito de sair do PT. E o PT também tem o direito de pedir seu mandato de volta. Mas isso não significa que o divórcio precise ser tão ruidoso.

Mas ele está sendo assim barulhento porque Marta quer mostrar que mudou. E não porque ela quer denunciar que o PT deixou de ser o que era.

Marta não sai do PT pela esquerda. Sai com um discurso 15 de março, com uma crítica pouco estrutural e exageradamente blasé. Com um discurso de eu sou brasileira e nunca desisto, odeio a corrupção, mas não discuto sonegação.

E a partir da revista que tanto a esculhambou, sai buscando o diálogo com a elite paulistana que nunca lhe deu votos. E com quem tanto brigou como prefeita, deputada e mulher pública.

Isso não costuma dar certo.

Marta tende a ficar sem os votos daqueles que nunca confiaram nela e ao mesmo tempo pode ficar sem sua história, porque está preferindo recontá-la.

Num momento tão bonito e significativo da sua vida, fazer isso é algo muito arriscado. E só faz sentido se tudo que se viveu de verdade não valeu a pena. Se o PT mudou e ela quer pular fora do barco, nada mais justo. Mas ir por outro lado do rio é outra história.
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Escândalo abafado envolve Globo RBS

Quando se afirma que existe um seletivismo jurídico/midiático que tem por objetivo perseguir integrantes do PT, muitos fingem não entender.

Pois bem, vamos aos fatos.

A polícia federal deflagrou em 15 de abril a Operação Pavlova que investigou crimes financeiros praticados desde 2011 a partir do Rio Grande do Sul e que geraram desvios milionários a empresas do ramo de seguros, capitalização e previdência.

E ninguém viu em nenhum órgão de imprensa da velha mídia uma linha sequer de quem são os envolvidos nesta Operação Pavlova. Diferentemente do que ocorre com ações similares que envolvam o PT, quando são feitas intensas "reportagens".

Fomos pesquisar e descobrimos em um blog o nome de um graúdo integrante da família Sirotsky, a toda poderosa proprietária da RBS, a Rede Globo dos pampas.

Devo registrar que só foi possível encontrar as informações graças ao trabalho colaborativo de internautas que se indignaram com a calhordice da velha mídia que oculta do distinto informações que não sejam de seus interesses.

Soubemos ainda que Patrick Lucchese, o graúdo integrante da família Sirotsky, foi conduzido coercitivamente pela PF para prestar esclarecimentos.

* * *

RBS, ávida por todos os lados


A RBS atua segura e cirurgicamente. Não dá ponto sem nó. Às vezes esconde a informação. Faz exatamente o que a Globo manda. É a velha lei Rubens Ricúpero. Esconde os escândalos em que se envolve e cria nos adversários fantasias escandalosas. Poucas famílias tem um privilégio de ter um estuprador em Florianópolis.

O deputado Jorge Pozzobom (PSDB-RS) terá de renovar sua frase antológica; também os grupos mafiomidiáticos desfrutam de facilidades altamente premiadas.

Não é por acaso que os jornalistas puxa-sacos, vira-latas e vira-bostas viram PJ da RBS. Se for honesto, tá fora.


RBS – Escândalos nada republicanos mancham a imagem da família Sirotsky

by Leudo Costa

Dois escândalos policiais — Operações Zelotes e Pavlova 'rondaram e subiram' as escadarias do Grupo RBS nos últimos 30 dias. Ambos envolvem a alta direção do Grupo e o genro do presidente Nelson Sirotsky

Escândalos econômico-financeiros, crimes hediondos e repugnantes praticados contra o ser humano, desconstituição da imagem de políticos e administradores públicos e, principalmente a exposição diária de pequenos punguistas, ladrões e marginais de toda a ordem nortearam por décadas as seções mais populares dos jornais, emissoras de rádio e das tvs do Grupo RBS. Mas como diz a voz do povo… quem é estilingue, um dia vira vidraça.

Os gaúchos estão constrangido ao saber que o maior grupo de comunicação do Estado, a RBS, que todo o dia ministra “aulas sobre honestidade, bom comportamento e correção ética — possui um manual próprio —” fez uso métodos não republicanos para “fraudar” o fisco. Segundo informa a Polícia Federal e o Ministério Público, o Grupo RBS teria pago R$ 15 milhões para “fazer desaparecer” uma dívida para com o Brasil na ordem de R$ 650 milhões.

A ação criminosas apurada na Zelotes, praticada em qualquer país sério do mundo, teria os dirigentes da RBS, de forma preventiva, recolhidos numa cadeia pública — vide empreiteiros da Lava-Jato — para a necessária e justa aplicação da lei penal. A condenação seria duríssima. Os serviços concedidos pelo governo — rádio e televisão — seriam suspensos no primeiro momento e retomados após apuração sumária capitaneada pelo Ministério Público. Aqui não há que se falar em censura, perseguição ou mesmo retaliação. Seria uma decisão legal, prevista no ordenamento jurídico em vigência no Brasil, que só não é aplicada pela frouxidão e leniência de algumas autoridades, também “enroladas” nas falcatruas da Operação Zelotes.

Agora, deflagrada a Operação Pavlova outro nome ligado a família controladora do Grupo RBS surge no vértice de mais um escândalo. Trata-se de Patrick Lucchese, genro de Nelson Sirostky.

Deflagrada em 15 de abril, a operação Pavlova, da Polícia Federal, investigou crimes financeiros praticados desde 2011 a partir do Rio Grande do Sul e que geraram desvios milionários a empresas do ramo de seguros, capitalização e previdência. Contratos para prestações de serviços que não eram realizados ultrapassaram cifras de R$ 10 e até de R$ 20 milhões. O delegado de repressão a crimes financeiros, Tiago Busato, admite não ter o montante exato do prejuízo. “Colhemos, hoje, uma grande quantidade de provas e documentos. Vamos fazer uma análise do conteúdo probatório, mas dá para garantir que alguns contratos envolviam cifras milionárias”, adiantou. Para tentar reverter as perdas, foram bloqueados as contas bancárias e os bens dos investigados, como cinco veículos de luxo, além de imóveis localizados dentro e fora do Rio Grande do Sul. A procuradora federal Patrícia Weber explicou que o patrimônio das empresas do segmento é baseado nos recursos mensais pagos pelos segurados. “Se o fluxo financeiro das instituições está comprometido, gerando endividamento e situação de falência, quem fica prejudicado é o cliente que não garante o benefício em caso de necessidade. Desse modo, a prática gera uma preocupação social e o segurado é lesado diretamente”, afirmou ela. Os crimes praticados foram lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e gestão fraudulenta. Quatro empresários e um advogado, suspeitos de participarem do esquema, já prestaram depoimento, desse grupo, pelo menos quatro foram indiciados. Nesse grupo está Patrick Lucchese, filho do cirurgião cardíaco Fernando Lucchese, que é casado com uma filha do empresário Nelson Sirotski.

Familia Lucchese

O mais estranho é que as duas OPERAÇÕES POLICIAIS – ZELOTES E PAVLOVA – foram “blindadas” pela justiça. Foi decretado o segredo de justiça, mecanismo só aceitável quando se trata de matéria relacionada com o direito de família, onde pai, mãe e filhos tem de ser preservados.

O Juiz Sérgio Moro já ensinou: Não existe segredo de justiça quando as ações criminosas são praticadas contra o Estado. Toda a população tem o direito de ser informada sobre tudo. A Constituição e a Lei Penal em vigência no Brasil não contempla, nem mesmo em tese a classificação de “castas” sociais ou penas seletivas…

Outras fontes:



3) As fotos foram encontras em Deuochic e ZHBlogs

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