28 de abr de 2015

Uma pequena história da mídia brasileira, nos 50 anos da Globo


O avanço das telecomunicações, o desenvolvimento do micro ondas, abriram novas perspectivas para as redes de TV norte-americanas.

Em fins dos anos 50 elas começaram a planejar sua expansão internacional, de olho na América Latina.

Coube a Henry Luce, fundador e mentor do grupo Time-Life a grande revolução do período, que o tornou o norte-americano mais influente de sua época.

Antes da TV, Luce se consagrara com um conjunto de revistas campeãs, a Time (que se tornaria o modelo das revistas semanais de informação, espelho da futura Veja), a Life (copiada pela Manchete), a Fortune (de negócios) e a Sporteds Illustred, servindo de modelo para os novos grupos editoriais.

O lançamento da revista Time foi um divisor de águas na imprensa mundial, conferindo um novo status às revistas semanais, uma influência política sobre a opinião pública equiparável à dos grandes diários e inspirando similares em todos os países, muitos deles tendo a própria Time-Life como sócia.

O estilo Time consistia em organizar o universo (já abundante) das notícias diárias em uma periodicidade mais cômoda para o leitor — a semanal —, selecionando um universo restrito de temas, mas embalando-os de forma agradável, com um texto eminentemente opinativo que fosse compreendido pelo leitor mediano. 

Para obter esse alcance, havia uma simplificação de tal ordem, especialmente em cima de temas complexos.

Para conferir credibilidade ao texto, o estilo contemplava uma largo descritivo, criando diálogos imaginários, mas verossímeis, descrevendo detalhes de ambientes, passando a ideia da “onipresença” e “onisciência”. Tipo: “Salvador Allende entrou sozinho no salão do Palácio La Moneda, olhou longamente a multidão pela janela, foi para um canto, tirou a espingarda, e, com o olhar grave, encaixou-a debaixo do queixo, aguardou alguns segundos e apertou o gatilho”

Luce também inovou no modelo de negócios, ao criar uma nova empresa, a Time-Life, que se valia da grande penetração das revistas para a venda de produtos de catálogo. Tinha o perfil dos donos de mídia criados pelo novo modelo, fundamentalmente comerciantes com visão de produto.

Quanto começou a era da televisão, promoveu uma transição bem sucedida para a nova mídia tornando-se o primeiro grupo a juntar todas as formas de comunicação em um mesmo conglomerado, batizado de Time-Life Broadcast Inc

Nos anos 50, junto com as redes NBC, CBS e ABC, a Time-Life saiu à caça de parceiros internacionais, preferencialmente latino-americanos.

Em outubro de 1964, em um seminário do Hudson Institute, um dos principais executivos da Time Life explicou a fórmula de expansão das redes norte-americanas:

1. Ter posição minoritária nos países da América Latina, devido  às  leis  dos  respectivos  países  sobre telecomunicações.

2. Ter  sócios  locais,  e  “eles têm provado ser dignos de confiança”.

3. A programação diurna da TV  será  importante  para  o  êxito comercial e poderosamente eficaz e popular.

Ao mesmo tempo, propunha uma parceria com o governo norte-americano, “como um meio de atingir o povo do continente”. Um pouco antes, apontara sua mira para o Brasil.

O mercado de mídia no Brasil

Em 1928, quando o Brasil começou a se urbanizar e a lançar as bases de um mercado de consumo mais robusto, chegaram as primeiras agências de publicidade  internacionais, com a Ayer and Son representando a Ford. Logo depois, vieram a J.W.Thompson e a McCan Erickson ao mesmo tempo em que o modelo norte-americano de concessão de rádios começava a ser implantado no país.

O ecossistema dos grupos de comunicação com seus jornais, filmes e rádios começava a ensaiar a internacionalização, de mãos dados com as grandes multinacionais do país:

1.    A rede afiliada.

2.    As agências de notícias.

3.    As agências de publicidade, sendo o elo de ligação com os patrocinadores.

4.  O Departamento de Estado, conforme se verificou na Missão Rockefeller, na Segunda Guerra.

Nos anos 40, o esforço de guerra norte-americano incluiu decididamente a parceria com a indústria da comunicação. Jornais aliados ganhavam cotas de papel mas, principalmente, o conteúdo das agências puxado pelo fascínio de Hollywood.

No início dos anos 50, a imprensa brasileira de opinião resumia-se aos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, com sua rede de jornais regionais, o Estado de São Paulo da família Mesquita e, no Rio, um conjunto de diários, entre os quais O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Diário Carioca.

Entre as rádios, havia a Globo, Jornal do Brasil, Mayrink Veiga e a estatal Nacional no Rio; em São Paulo o sistema Record, da família Machado de Carvalho; e os Associados espalhando-se por diversas capitais

Inaugurada em 1950 pelo pioneiro Chateaubriand rapidamente a televisão avançou sobre o bolo publicitário. Naquele ano, o meio rádio detinha 24% dos investimentos em publicidade. Em 1960 sua participação caía para 14% enquanto o novíssimo meio televisão já dominava 9% do mercado publicitário, apesar do pais possuir apenas um milhão de aparelhos receptores contra 6 milhões de rádios.

Os Associados foram os primeiros a inaugurar um canal de televisão. Seguiram-se algumas tentativas individuais, dos Wallace Simonsen, com a TV Excelsior, os Machado de Carvalho, com a TV Record, as Organizações Victor Costa, com a TV Paulista, Casper Líbero com a TV Gazeta.

Direta ou indiretamente, Luce tornou-se o fator de desequilíbrio, principal inspirador dos dois grupos empresariais que acabariam modernizando e dominando a mídia brasileira nas décadas seguintes: as Organizações Globo e a Editora Abril.

Na época, Marinho havia sido procurado pela NBC (National Broadcasting Corporation) e pela Time-Life. A sócia escolhida foi a Time-Life devido à transição vitoriosa para a televisão.

O ponto de aproximação foi a diplomata Clare Booth Luce, que se tornou figura permanente nas manchetes lisonjeiras de O Globo. Clare era esposa de Henry Luce. Escritora de sucesso, foi a primeira mulher indicada para cargos relevantes na diplomacia norte-americana.

No período em que Clare foi embaixadora na Itália, houve o lançamento do Panorama, do Time-Life em sociedade com um grupo Mondatori.

A internacionalização do grupo dava-se em torno da bandeira do anticomunismo e de alianças com algumas das mais corruptas ditaduras do mundo – a mais ostensiva foi a parceria com o casal Chiang Kai-shek, o ditador da China pré-Mao, considerado na época o regime mais corrupto do planeta.

Nomeada embaixadora do Brasil, Clare não chegou a assumir devido a problemas nos EUA justamente devido a amizades chinsas. Mas serviu de ponte para a sociedade com Roberto Marinho, firmada em 1961. Já nos anos 50, o Globo recebera substancial apoio da American Tobacoo, que inclusive colocou seu diretor financeiro, Herbert Moses, na direção administrativa do jornal. Aliás, a mesma empresa que décadas antes valeu-se do poder da imprensa norte-americana para levar o governo norte-americana à guerra contra a Espanha pela posse de Cuba.

O grupo Time-Life injetou quantia considerável no Globo, algo em torno de US$ 5 milhões da época. Com esses recursos, mais uma série infindável de privilégios — como a importação de equipamentos sem pagamento de impostos e com um câmbio especial —, a Globo logrou contratar as melhores atrações dos concorrentes.

Além disso, representantes da Time passaram o know how da programação, da comercialização, as séries-novela que fidelizavam o público diariamente, o modelo dos grandes eventos.

A sociedade ganhou velocidade após 1964 e só foi interrompida em 1971, quando Marinho adquiriu a parte da Time-Life, com o sócio incomodado pela CPI e pelas restrições do governo brasileiro.

A compra final foi uma novela à parte.

Marinho tinha sido sócio do banqueiro Walter Moreira Salles e do jornalista Arnon de Mello no Parque Lage. Quando Carlos Lacerda elegeu-se governador do Rio, mandou desapropriar o parque. Os três sócios ingressaram na justiça.

Quando Chagas Freitas foi eleito governador do então estado da Guanabara, Marinho apressou-se em negociar com ele a reintegração do parque, mas não avisou seus sócios. Pelo contrário, adquiriu a parte de Moreira Salles por valor irrisório, alegando que tinha caixa sobrando e queria apostar no parque a longo prazo.

Moreira Salles sentiu-se enganado e partiu à forra. Marinho precisava de US$ 5 milhões para quitar o empréstimo dado pelo grupo Time-Life. Na véspera do prazo fatal, Walther foi aos Estados Unidos e tentouy adquirir as ações de Roberto Marinho caucionadas para a Time-Life

Mas Robert Marinho agiu rápido e conseguiu um empréstimo com José Luiz de Magalhães Lins, que dirigia o Banco Nacional de seu tio Magalhães Pinto. Quitou o empréstimo e consolidou o controle da Globo.

Na área das revistas, Luce foi essencial também para alavancar os irmãos Civita – dois ítalo-americanos que aportaram no Brasil e Argentina, respectivamente, sem capital e com a intenção de explorar o mercado de revistas.

Civita tinha sido empregado do grupo Time-Life e chegou ao Brasil sem dispor de maiores capitais, enquanto um irmão ficava na Argentina.

Em pouco tempo, a Editora Abril, do Brasil, e o Editorial Abril, da Argentina, lançaram 19 títulos de revistas. Na Argentina, seguindo a fórmula Time o carro-chefe tornou-se a revista Panorama — que ostentava na capa a parceria da Abril com a Time-Life. No Brasil, a revista Veja.

No final dos anos 60, com a doença de Assis Chateaubriand e a crise dos Associados, a Globo assumiu a liderança na TV aberta e a Abril a do mercado de revistas.

O mercado de opinião passou a ser dominado por ambos, mais alguns jornais tradicionais – como o Jornal do Brasil no Rio e o Estado de São Paulo. Nos anos 80, graças ao gênio de Otávio Frias, a Folha entrou nesse Olimpo, transformando-se no mais influente jornal brasileiro, mas longe dos modelos contemporâneos da Globo e da Abril.

O JB desaparece com problemas de má gestão. E a entrada do Brasil na era da Internet se dá com a mídia tradicional sendo liderada pelo grupos dos 4: Globo, Abril, Folha e Estadão. Nenhum deles chegando perto do poder da Globo

Luís Nassif
No GGN
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PL da Terceirização terá discussão criteriosa no Senado


Renan Calheiros, presidente da Casa, reafirmou, agora em reunião com centrais sindicais, que projeto de lei 4330 será votado sem pressa

O PL da Terceirização, que precariza as condições de trabalho e retira direitos da classe trabalhadora, não vai tramitar de forma acelerada e açodada como ocorreu na Câmara dos Deputados. A afirmação foi feita por Renan Calheiros, presidente do Senado, em audiência na terça-feira 28 com as centrais sindicais CUT, CTB, NCST e UGT.

Calheiros está convicto de que o projeto de lei 4330 não regulamenta a situação dos 12,7 milhões de terceirizados. E concordou totalmente com o presidente da CUT, Vagner Freitas, que reafirmou durante a audiência o que diz já há alguns meses: o objetivo desse projeto é, na verdade, precarizar os outros quase 40 milhões de trabalhadores com contratos diretos com as empresas.

“O que eles querem é desregulamentar toda a legislação trabalhista brasileira. O Brasil tem alguns valores importantes que a gente foi construindo ao longo da história. Getúlio Vargas deixou um legado, a carteira assinada e a CLT que agora corremos risco de perder”, pontuou Vagner.

O dirigente explicou a Calheiros que pediu a audiência porque o Senado é uma câmara revisora, onde é possível construir um PL para realmente regulamentar a vida dos 12,7 milhões de terceirizados.

Vagner também disse a Calheiros que seria muito importante que ele costurasse um acordo com os partidos da coalizão em torno da proposta. E, por último, solicitou que, no debate sobre a terceirização no Senado, o presidente abrisse as galerias. “É fundamental que a gente possa expor nossa posição de forma democrática”, argumentou Vagner.

Calheiros garantiu que o debate em torno do PL 4330 será criterioso, transparente e a casa vai estar aberta.

“Eu não tenho compromisso com o cronograma de negociação”, disse o presidente do Senado em referência à pressa com que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, quer encerrar a tramitação do projeto.

Para Calheiros, se a terceirização da atividade-fim for aprovada, o país terá um novo modelo de desenvolvimento que não privilegia os direitos dos trabalhadores e, sim, a precarização.

O Senado, encerrou, tem a exata noção da responsabilidade quanto ao tema e vai discutir o PL 4330 com debates públicos quantas vezes forem necessárias.
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O ‘selfie’ dos jornalistas globais

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A TV Globo estendeu as comemorações de seus 50 anos de fundação para a programação geral. O Jornal Nacional de segunda-feira (27/4), quase todo tomado pela tragédia que atingiu o Nepal, foi contaminado pelo espírito da efeméride. Para a principal emissora de televisão do Brasil, mesmo numa situação-limite como os dramas que se abatem sobre o Nepal com o terremoto que deixou, até aqui, mais de 4 mil mortos, ainda sobra tempo e espaço para um pouco de autopromoção.

O tremor que sacudiu o sul da Ásia apresenta, como é natural, uma enorme variedade de abordagens, mas, para a Globo, tudo começa e termina em seu próprio espelho. A cobertura dominou o telejornal de maior audiência, com relatos e imagens sobre o drama de pessoas soterradas, a tragédia de quase um milhão de crianças em situação de emergência, a paciente fila de familiares que esperam para cremar seus mortos num dos templos hindus e, claro, a falta de comida e água e os milhares de desabrigados.

Como sempre ocorre nessas ocasiões, os editores encomendam entrevistas com brasileiros apanhados em meio ao acontecimento, em contraponto com imagens de suas famílias, aliviadas pelo serviço de mensagens da emissora. Mas, desta vez, os principais protagonistas dessas cenas emocionais foram os próprios jornalistas.

Há aspectos interessantes a se destacar, como, por exemplo, o esforço dos repórteres para explicar as diferenças de temperamento entre as vítimas de desastres em geral e a população do Nepal, que protagoniza poucas cenas de gritaria e desespero em público. Mas percebe-se que faltou aos profissionais colocados diante das câmeras aquela medida certa de compaixão e distanciamento que garante a boa narrativa sem cair na pieguice.

Talvez por falta de treinamento, os jornalistas destacados para o trabalho, especializados em aventuras cuidadosamente produzidas, que fazem o programa Planeta Extremo, não souberam enfrentar o verdadeiro drama humano quando se viram diante dele. O que se registrou foi uma patética repetição de lugares comuns e exibicionismo, em nada comparáveis com o desempenho que um dia marcou as carreiras de outros profissionais da emissora, como Pedro Bial e Caco Barcellos.

Tudo a ver

Mas não se pode responsabilizar apenas os repórteres que foram chamados para relatar a tragédia: todas as entradas em cena foram comandadas pelo editor e apresentador William Bonner, que estimulou o protagonismo exagerado. Houve, portanto, uma orientação da emissora para a estratégia de ancorar a dramaticidade do evento nas figuras dos jornalistas, deixando as vítimas principais da tragédia como pano de fundo, no papel de meros figurantes.

Um dos destaques da cobertura foram os mais de cinco minutos em que os dois repórteres do Planeta Extremo — Carol Barcellos e Clayton Conservani — deram seus depoimentos sobre o que haviam testemunhado.

O risco de colocar ao vivo profissionais habituados ao suporte da produção deu o resultado previsível: Conservani contou que havia comprado cem garrafas de água mineral, ao mesmo tempo em que relatava o sofrimento dos nepaleses com a falta de água para beber. No clima que o próprio tema provoca, muitos telespectadores devem ter ficado com a sensação de que faltou compaixão ao jornalista.



Na hora de expressar sua percepção do sofrimento em torno de si, ele saiu-se com uma platitude ao dizer que “uma característica muito legal do povo nepalês é que eles não ficam se lamentando, não ficam se queixando, eles simplesmente aceitam essa situação e tentam seguir em frente”. Ou seja, relativiza-se a dor do outro por que, afinal, sendo hinduístas ou budistas, certamente os nepaleses são mais resignados.

Diga-se, em favor dos repórteres, que eles estão mais habituados a entrevistar pedras e rios caudalosos, e que os seres humanos que costumam ter diante de si são dessa espécie de super-herói que decide deixar o tédio da vida burguesa para enfrentar montanhas e cachoeiras. Mas não se pode relativizar o empenho da emissora em transformar a tragédia alheia em produto de merchandising de sua programação.

Uma amostra já foi apresentada na segunda-feira, durante o programa Encontro com Fátima Bernardes, quando se criou um enorme suspense para dizer que a filha pequena da repórter Carol Barcellos ainda não sabia que a mãe estava retida no Nepal.



Alguém duvida de que os dois repórteres estarão na próxima edição do Domingão do Faustão ou do Fantástico, para relatar suas intensas emoções?

Globo e seu próprio umbigo: tudo a ver.

Luciano Martins Costa
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Equipe da TV Tribuna, (Globo) de Santos, é assaltada ao vivo


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Após denúncia, Cunha demite chefe de informática da Câmara


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), demitiu nesta terça-feira 28 o chefe da área de informática da Casa, Luiz Antonio Souza da Eira. A demissão ocorreu depois de a Folha de S. Paulo ter publicado uma reportagem que aponta que registros eletrônicos oficiais mostram Cunha como "autor" de dois requerimentos citados como suspeitos na Operação Lava Jato.

Oficialmente, Cunha disse ter exonerado o diretor porque funcionários do Cenin (Centro de Informática) da Câmara não estavam cumprindo as 40 horas semanais de trabalho exigidas pela Casa. O deputado, que tem o nome citado na Lava Jato, sempre negou envolvimento com os requerimentos, que, segundo o doleiro Alberto Youssef, teriam sido usados por ele para chantagear uma fornecedora da Petrobras a retomar pagamentos de propina.

Os requerimentos foram protocolados na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, em 2011, e pediam informações ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério de Minas e Energia sobre contratos das empresas Toyo e Mitsui com a Petrobras. Cunha revelou em depoimento à CPI os requerimentos eram de autoria da deputada Solange Almeida (PMDB-RJ).

Clique aqui e confira um dos requerimentos. Para visualizar o nome de Eduardo Cunha, clique com o botão direito do mouse e salve o arquivo em seu computador. O "autor" aparece quando buscamos mais informações no arquivo, como na imagem abaixo. 


Abaixo, reportagem da Agência Câmara:

Cunha diz que Câmara vai investigar se houve fraude no sistema de informática

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, informou na tarde desta terça-feira (28) que, após verificação no sistema de computadores da Casa, ficou claro que o registro que aparece no seu nome é de 30 dias após a data do requerimento registrado pelo gabinete da ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ).

Reportagem publicada hoje pela Folha de São Paulo aponta Eduardo Cunha como o autor de um dos dois requerimentos apresentados em 2011, pela então deputada Solange Almeida, que pediam informações ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério de Minas e Energia sobre contratos das empresas Mitsui com a Petrobras. Cunha e a deputada negaram as informações da reportagem.

Eduardo Cunha disse que acha "suspeito" que o único documento registrado com o nome de parlamentar é o dele, os outros todos que constam nos arquivos da Câmara são registrados com o nome do assessor que faz o registro. Segundo ele, isso pode sugerir que tenha havido fraude no sistema de informática, o que está sendo investigado.

Intimidação

Em delação premiada nas investigações da Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobra, o doleiro Alberto Youssef afirmou que o objetivo dos pedidos de informação dos requerimentos era intimidar a empresa Mitsui e forçá-la a voltar a pagar propinas. A informação foi desmentida, em seguida, pelo presidente da Câmara à CPI da Petrobras.

Investigação

Eduardo Cunha informou que o diretor-geral da Câmara está conduzindo uma investigação para saber o que ocorreu com os documentos. "Eu sei que o fato concreto é a prova que o requerimento foi feito pela deputada Solange, está certificado pelas máquinas que foram autenticadas e entregues a vocês. E o fato que é a base da matéria de hoje da Folha de São Paulo é um documento de 30 dias depois do requerimento da deputada Solange. Isso é o fato, o resto nós vamos investigar."

No 247
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Rodrigo Gularte em Bali

Fim de caso
O paranaense Rodrigo Muxfledt Gularte, 42, foi fuzilado na tarde desta terça-feira na Indonésia, depois de 11 anos de batalha nos tribunais deste pais asiático para escapar da condenação à morte por narcotráfico.

A família tentou até a última hora obter clemência alegando que ele estaria esquizofrênico.

Passei quatro dias conversando com Rodrigo em fevereiro de 2005, na cela dele. Perguntei se ele entendia os riscos e consequências de seu ato — ele foi preso pela alfândega local com seis quilos de coca escondidos em pranchas de surf, em julho de 2004.

Resposta: “Se a parada tivesse dado certo eu estaria surfando em Bali, cercado de mulheres”.

Não deu certo. Preso, ele confessou o crime e foi condenado à morte.

Rodrigo enfrentou o pelotão de fuzilamento na companhia de um padre católico irlandês. O último pedido dele à prima Angelita Muxfeldt foi para ser enterrado em Curitiba. Há controvérsias sobre o estado mental dele na hora final.

A mãe, dona Clarice, que lutou o bom combate para salvá-lo, não quis assistir o filho que trouxe ao mundo ser morto tão longe. A prima encomendou uma cruz de madeira artesanal para o caixão e vai trazer as cinzas dele para casa.

O Rodrigo que eu entrevistei na cadeia me pareceu um sujeito muito normal — pode ser que tenha pirado depois.

As autoridades indonésias afirmavam que ele fingia a doença para escapar da condenação.

Rodrigo era um traficante light. Fazia a rota Floripa-Bali-Amasterdã-Floripa para o traficante da pesada Dimi Papageorgiou, um carioca de pais gregos, apelidado de “barão do ecstasy”.

Rodrigo fizera várias viagens de “ensaio” para trazer ecstasy do exterior. Na primeira tentativa de levar tanta coca para Bali ele caiu. Dimi o visitou na cadeia, mas na volta ao Brasil foi preso pela PF.

Trechos das conversas na cadeia

O que mais me impressionou em 2005 foi o clima irreal na cadeia de Tangerang (subúrbio de Jakarta), onde Rodrigo e o carioca Marco Archer — fuzilado em janeiro — eram celebridades.

Entre a quarta-feira 9 e o sábado 12 de fevereiro, eles deram muitas gargalhadas relembrando suas aventuras.

Os dois não estavam nem aí para a possibilidade de enfrentar o Criador, via pelotão de fuzilamento, ou passar o resto de suas vidas presos na Ásia. Se sentiam como se tudo fosse apenas uma bad trip.

Rodrigo foi mais usuário do que traficante. Começou cheirando solvente aos 13 anos.

Dona Clarisse, a mãe de Rodrigo, mobilizou o Itamaraty para protegê-lo. Apelou para Lula, Dilma, papa Francisco e ao presidente da Indonésia, sempre sem sucesso.

Havia uma expectativa otimista no Itamaraty. No início, alguns diplomatas acreditavam que seria possível reduzir a pena de Rodrigo para prisão perpétua, em segunda instância, negociando em dinheiro uma redução maior ainda na terceira, para 20 anos, com soltura em sete, talvez 10 — na época o Judiciário indonésio adotava uma regra não escrita de trocar tempo de encarceramento por uma pena pecunária.

Os custos para dar jeitinho nas sentenças e as despesas para manter Rodrigo numa cela cinco estrelas eram calculados em 200 mil dólares – a mãe dele é rica e tentou pagar.

Mudanças políticas na Indonésia acabaram com o projeto de resgate por dinheiro.

No julgamento de Rodrigo, em 2005, já era possível prever. O povo muçulmano lotou o tribunal e pedia ‘‘morte aos traficantes ocidentais cristãos’’, descrição na qual se encaixam Rodrigo e Marco Archer.

O pedido da massa deixou o governo firme para rejeitar as campanhas internacionais por direitos humanos, livre de dúvidas existenciais sobre a pena de morte.

Nos momentos de maior delírio Rodrigo sonhava em voltar às praias de Floripa e contar aos amigos como escapou daquela fria.

Ele admirava muito Marco Archer. Eu pedi um exemplo da vida dele, Marco: “Ué, viajou pelo mundo todo, teve um monte de mulheres, foi nos lugares mais finos, comeu nos melhores restaurantes, tudo só no glamour, nunca usou uma arma, o cara é demais.”

Ele me disse aquilo e parou por alguns segundos. Refletiu um pouco e me pediu ajuda: “Por favor, brother, quando você for escrever, dê uma força, passe uma imagem positiva nossa, pra ajudar na campanha” (pela libertação).

Então diga lá o que você vai fazer quando for solto: “Bota aí que eu quero trabalhar 10 anos pro governo dando palestras pra crianças sobre a roubada que é o tráfico”.

Ele disse isto e saboreou o efeito das palavras. Tragou seu Marlboro. Parecia sério, até jogar a fumaça pra cima. Quando soltou tudo, o corpo já estava se chacoalhando. É que ele não conseguiu conter o riso.

Glória na cadeia

Rodrigo se exibiu para mim deslumbrado com a prisão, seu momento de glória: “Somos (com Marco) os únicos entre 180 milhões de brasileiros” (hoje o Brasil já tem 200 milhões).

Ele estava deslumbrado com a notoriedade obtida com o narcotráfico – cujo pico de audiência é entre jovens ricos praticantes de esportes radicais.

Rodrigo queria botar um diário na internet, coisa que nunca faria.

Enquanto Rodrigo esteve em Tangerang ele comprou privilégios: “Aqui é como numa pousada, muito legal, só que jogaram a chave fora”, me disse. Parecia satisfeito, mesmo sendo acostumado ao conforto de sua suíte com sauna, na casa da família, em Curitiba.

Enquanto os 1300 presos muçulmanos viviam amontoados em 10 por jaula, ele tinha uma exclusiva. Equipada com TV, ventilador, geladeira, forno elétrico, som pauleira, jardim privativo. Ele criava pássaros, bonsais e a gata Tigrinha.

Ele usava os presos pobres como faxineiros cabeleireiros e pedicures. Podia receber gente sem formalidades, todos os dias. Rodrigo foi visitado pela família, pela namorada, a empresária carioca Adriana Andrade, e pelo parceirão Papageorgiou.

A balada na cadeia não parava nunca. Rodrigo também tinha uma namorada local, prima de outro condenado, em quem dava uns amassos na sala do comandante – subornado para usar o sofá.

Podia consumir ecstasy e outras drogas. Nas noites quentes rolava um chopinho gelado, cortesia de um chefão local, preso no mesmo pavilhão.

Como Tangerang é uma prisão provisória, nos arredores de Jacarta, Rodrigo vivia como naquela piada da hora do recreio no inferno. O secretário do diabo poderia anunciar o fim dos privilégios a qualquer momento.

Este dia finalmente chegou. Depois de sentenciado, ele foi transferido para a ilha onde seria fuzilado — um Carandiruzão com 10 mil presos muçulmanos.

Nas drogas desde os 13

Rodrigo nasceu em Foz do Iguaçu. É neto de latifundiário produtor de soja, filho de mãe milionária, dona Clarisse. O pai é um médico gaúcho de Santana do Livramento, Rubens Borges Gularte — fragilizado pela idade e por uma doença, ele desistiu de tentar salvar o filho. Era tudo com a mãe.

Aos 13, já em Curitiba, Rodrigo começou nas drogas, cheirando solventes. “Era um garoto maravilhoso, a alegria da família, nunca levantou a voz”, isso é tudo o que a mãe contava dele naquela época.

Com 18 foi preso fumando um baseado no parque Barigüi. O pai queria deixar que ele fosse processado. A mãe não concordou, subornou um delegado com mil dólares pra soltar o garoto: “Se fossem prender todos os que fumam”, justificou dona Clarisse.

O garoto ganhou seu primeiro carro. Botou amigos dentro e saiu pela América Latina como um Che Guevara mauricinho, bebendo e se drogando. “Fiz cada loucura”, me contou.

Aos 20 Rodrigo era um rapaz de 1,84m, magrão, modos educados, cheio de namoradas. Teve um breve romance com a professora catarinense Maria do Rocio, 13 anos mais velha, fazendo Jimmy, hoje com 23, autista. Raramente via o filho: “Eu não estava preparado para a paternidade”, disse — no dia do fuzilamento Rocio e o filho não foram localizados.

Rodrigo contou que viajava muito, na piração total: “Em Marrocos, fumei o melhor haxixe”. No Peru: “Coca da pura”. Na Holanda: “Ecstasy de primeira”.

Aos 24, sai bêbado e drogado de uma festa. Bate o carro num táxi, tenta fugir, bate noutro carro, abandona tudo e corre pra casa da mãe. Ela dá uma volta na polícia, chama um médico, interna o garoto.

Na ficha de internação, o médico anotou: “Mostrou onipotência, estava depressivo” — o diagnóstico de esquizofrenia só apareceria na reta final do fuzilamento.

Nos anos seguintes a mãe fez de tudo para ele dar certo. Abriu para Rodrigo uma creperia, em Curitiba. Não deu. Uma casa de massas, em Floripa. Não deu. Mandou pra fazenda da família. Não deu. Rodrigo foi estudar no Paraguai. Não deu. Ele se matriculou na UFSC. Não deu.

Rodrigo começou no tráfico: “Fiz várias viagens à Europa só para trazer skunk”, confessou pra mim.

“A cocaína é do mal”

A prisão: “Os carinhas (Dimi e seus asseclas) me deram as pranchas com cocaína dentro (em Floripa). Embarquei em Curitiba, onde o raio x é ruim, pra desembarcar em Jakarta”.

Ele se lamentou: “Só depois soube que os japoneses doaram um raio x potente pros indonésios, eles pegaram a droga”.

Rodrigo filosofou: “Meu erro foi a coca. O skunk é energia positiva, o ecstasy dá um barato legal, mas a cocaína é do mal”.

O desabafo: “Se a parada tivesse dado certo eu estaria surfando em Bali, cercado de mulheres”.

Renan Antunes
No DCM
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Alckmin também só nega

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STF derruba a delação que Veja quis impor a um réu


A decisão do Supremo Tribunal Federal de libertar o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, representa uma dura derrota editorial para a revista Veja, que, em duas edições recentes, tentou convencer os ministros da corte a mantê-lo preso para que, assim, o réu fizesse uma delação premiada contra o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.

A primeira tentativa aconteceu no dia 21 de março deste ano, quando Pessoa foi capa de Veja, numa reportagem que, supostamente, antecipava o que ele pretendia dizer. No texto, a revista também ameaçava o próprio réu, com a informação de que, se não fizesse a delação nos termos pretendidos, receberia uma condenação entre 90 e 180 anos de prisão (leia mais em "Veja tenta arrancar nova delação a fórceps").

A segunda investida de Veja ocorreu no dia 4 de abril deste ano. No texto, a revista sugeria que Pessoa poderia indicar "o chefe", "o cabeça" responsável pelo "desfalque bilionário". Dizia ainda que "quanto mais o tempo passa, maior a probabilidade de um empreiteiro de primeira linha contar o que sabe e, portanto, maior a agonia do governo" (leia mais em "Veja coloca de novo a faca no pescoço do STF").

O STF, no entanto, resistiu ao jogo de pressões. Em seu voto, o ministro Teori Zavascki, relator do caso, disse que manter preso Ricardo Pessoa para forçar uma delação premiada seria "medida mediavalesca que cobriria de vergonha nossa sociedade". Seu voto foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que decidiram a votação em favor da liberdade do réu.

Como Veja se deu conta de que Pessoa não estava disposto a se transformar em delator, dedicou sua capa desta semana a outro empreiteiro preso: José Adelmário Pinheiro, da OAS, que segundo a revista também poderia acusar o ex-presidente Lula.

No entanto, sob os mesmos argumentos que sustentaram a libertação de Ricardo Pessoa, o executivo da OAS e outros sete diretores e funcionários de empreiteiras também cumprirão prisão domiciliar.

No 247
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Por que os policiais federais brasileiros estão se suicidando?


Em junho do ano passado, um barulho de tiro no terceiro andar do prédio da Superintendência da Polícia Federal do Mato Grosso do Sul preocupou quem ainda estava trabalhando no local. Não era um confronto. O delegado Eduardo Jaworski Lima, de 39 anos, foi encontrado morto em pleno ambiente de trabalho. Diagnosticado com depressão, ele passava por tratamento, mas não estava afastado do cargo. Longe da mulher, também delegada federal, e da filha de dois anos, tirou a própria vida.

Entre março de 2012 e março de 2013, o número de policiais federais que se suicidaram assustou a corporação brasileira: 11 no total. Praticamente um por mês. Nos últimos anos, estudos, pesquisas e levantamentos demonstram que as questões ligadas à saúde psicológica dentro da Polícia Federal são preocupantes. Os sindicatos de diversos Estados do país denunciam o sucateamento da categoria.

Atualmente, estresse, alcoolismo, ansiedade, depressão e síndrome do pânico afetam muitos servidores. Dentre 11 mil policiais (número total da corporação brasileira) entrevistados recentemente, dois mil afirmam tomar algum tipo de medicamento para tratamento psicológico e psiquiátrico, de acordo com a FederaçãoNacional dos Policiais Federais (Fenapef). O órgão denuncia a precariedade no setor: oficialmente, existem apenas um psiquiatra e cinco psicólogos para atender toda a PF.

Foto: Reprodução/Facebook da Polícia Federal
Agente federal há 18 anos, M.P. conta que, nos últimos dias, ligou para um amigo também policial federal que estava retornando à função depois de 15 dias de férias. O colega de profissão desabafou que o descanso não foi suficiente: "Estou me entupindo de Rivotril pra ir trabalhar".

O assunto dos suicídios intrigou a delegada federal Tatiane da Costa Almeida, que levou a questão para fora do país ao defender a tese de mestrado Quero Morrer do Meu Próprio Veneno no Instituto Universitário de Lisboa, em Portugal. Para dar consistência ao trabalho acadêmico, ela entrevistou policiais federais e desenvolveu um questionário, que, posteriormente, foi aplicado à dois mil alunos da Academia de Polícia.

A ilusão com a rotina da profissão é um dos pontos que provavelmente deprime o policial recém-ingresso na corporação. "Quando estamos na academia, vivemos um mundo cheio de coisas novas. Aprendemos a lutar, a atirar, nos acostumamos com a agitação. Quando você começa a trabalhar, não existe todo esse dinamismo", frisa. Muitas vezes, o trabalho da PF é burocrático. Para a delegada, o inquérito policial é o maior exemplo de procedimento desprovido de "aventura".

O curso feito na Academia de Polícia dura cerca de cinco meses e só pode ser realizado em Brasília (Distrito Federal). O desempenho nas aulas implica na aprovação ou não do candidato. O que, segundo a delegada, já é estressante. É nessa primeira etapa que se inicia um dos grandes agravantes da profissão: o isolamento. "Ficamos internados. Só podemos sair aos fins de semana. Todos ficam longe da família e dos amigos." O próprio site da Academia confirma a informação: "Para que os objetivos pedagógicos sejam alcançados, os alunos estão sujeitos a uma intensa rotina, sob regime de semi-internato, das 7h40 às 19h30, de segunda a sábado".

Foto: Andre Gustavo Stumpf/ Reprodução/ Facebook da Polícia Federal
A aprovação na PF não facilita a questão da distância, já que as primeiras ações acontecem em lugares inóspitos, como a Região Norte do país e as fronteiras. "Na falta de coisas agitadas pra fazer, o policial acaba ficando deprimido", diz Tatiane. Para o diretor-adjunto da Fenapef, o isolamento faz parte da profissão e não pode ser visto como motivo principal. A precarização do trabalho parece ser mais grave. "Quando você é mandado pra cidades de fronteira do Brasil, você não recebe apoio nenhum do departamento", destaca. "Você vai às suas custas, tendo de pagar, inclusive, sua passagem pra ir lá. Você chega à cidade sem suporte pra moradia, hospedagem. Não te explicam o dia a dia do lugar, quais os riscos operacionais que você vai correr enquanto policial federal. E não tem um acompanhamento psicológico e psiquiátrico regular."

Tornar-se um policial federal pode ser sinônimo de prestígio e estabilidade profissional. Dados da Fenapef informam que o piso salarial de agente, escrivão e papiloscopista (policial especializado em identificação humana) é de R$ 8.702,20. Já o de delegado e perito criminal é de R$ 16.830,85. No ano passado, 600 vagas foram abertas.

Nem sempre os casos de suicídio são divulgados na imprensa. Em nota, a Fenapef diz acreditar que um acontecimento desencadeie o outro, "como se os policiais tomassem coragem para tirar a vida também". O tema é complexo. A própria assessoria de imprensa da PF se recursou a fornecer o número de policiais que tiraram a própria vida.

Foto: Reprodução/ Facebook da Polícia Federal
De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade de Brasília (UnB) em 2012, 53% dos policiais entrevistados responderam que gostariam de se desligar da Polícia Federal. Quando perguntados sobre a existência de programas voltados para o bem-estar ou atenção à saúde do servidor dentro da PF, 88% afirmaram não haver qualquer programa do tipo.

"O número de psicólogos tem diminuído, porque agora a polícia está num sistema integrado de saúde junto com todos os órgãos do Executivo", explica a delegada Tatiane. "Então, talvez, devemos repensar e colocar mais psicólogos trabalhando diretamente com os policiais." A terceirização também pode ser um agravante na relação médico-paciente. "O policial é muito isolado, muito desconfiado. Talvez ele tenha dificuldade pra falar com psicólogos que não sejam do quadro da polícia. Seria interessante termos um médico que conheça melhor o dinamismo do nosso órgão."

Para o agente M.P., a ajuda efetiva dos profissionais de saúde mental deve também ser contestada. "Num ambiente de trabalho muito desgastante, muito corroído, não sei até que ponto o psicólogo pode ajudar." Para ele, o clima dentro da PF hoje é "beligerante".

A Fenapef também aborda o assunto, afirmando que "o grande problema é que os agentes federais se submetem a um regime de trabalho militarizado, sem que tenham treinamento militar para isso." De acordo com a federação, a PF não cumpre com uma portaria da Secretaria de Direitos Humanos, que obriga o órgão a "desenvolver programas de prevenção ao suicídio, disponibilizando atendimento psiquiátrico, núcleos terapêuticos de apoio e divulgação de informações sobre o assunto".

Quando diagnosticado com transtornos psicológicos ou depressão, um policial federal pode ter sua arma e distintivo tomados pelo departamento. Para Jorge Caldas, presidente do SindicatoEstadual dos Policiais Federais do Mato Grosso do Sul, isso é um desserviço. "Tirar a carteira funcional do servidor e seu armamento pessoal faz com que ele se sinta marginalizado dentro da própria instituição. Ele precisa de tratamento psicológico. É preciso recuperá-lo e trazê-lo de volta para a atividade policial", afirma.

De acordo com o sindicalista, não é bem o que acontece. "O que o departamento faz é não dar o devido tratamento. Esse servidor fica marginalizado, encostado em sua residência. Cai num nível de depressão e estresse tamanho que acaba recorrendo ao suicídio."

Débora Lopes
No Vice
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“Pejotização” e terceirização: realidades no jornalismo


Em tempos de discussão sobre o PL 4330/04, que regulamenta a terceirização, há de se falar também sobre um fenômeno que hoje atinge principalmente a classe dos jornalistas — a “pejotização” —, e que poderá em breve atingir também outros trabalhadores.

Vagner Patini Martins, especialista em Direito do Trabalho e Sindical, e advogado no Sindicato dos Jornalistas, explica que o fenômeno é comum. “Algumas empresas de outros ramos de atividades, que não são jornalísticas, preferem contratar empresas de Assessoria de Imprensa ao invés de ter um empregado jornalista”, porque desse modo não precisam arcar com os gastos trabalhistas.

Entre as maiores reclamações que o Sindicato recebe, “a falta de registro em carteira de trabalho, 13° Salário, Férias 1/3, Vale Transporte, horas extras — uma vez que a jornada de jornalista, segundo a CLT, é de 5 horas diárias (art. 303 da CLT) — pagamento correto de INSS, e demais benefícios previstos em convenção coletiva, tais como: piso salarial, reajuste salarial, vale refeição, convênio médico e no, caso de mulher jornalista, o auxílio creche”, esclarece Patini.

Os “freelas” e a terceirização nas agências fotográficas

O fotojornalista Mario Palhares passou pela “pejotização”. “Se formos a fundo no funcionamento das agências de foto no Brasil, a terceirização é uma realidade antiga no jornalismo.”

Ele afirma que ainda existe CLT nos veículos de comunicação, mas “principalmente para salários mais baixos”. Em alguns jornais, os fotojornalistas são “freelas, sempre sem qualquer tipo de contrato”, muitos trabalhando meses a fio, “sem contrato, com cargas horários que podem passar de 12 horas diárias, trabalhando com equipamento próprio, sem segurança alguma — física ou trabalhista.”

As agências fotográficas também fazem parte dessa exploração, segundo o fotojornalista. “Os fotógrafos são, oficialmente, clientes das agências, mas elas chamam de ‘parceiros’. Parceiros que possuem um contrato que é uma folha em branco no que se refere a valores. Entretanto, são exigidos como funcionários.”

“Os valores das fotos são muito pequenos, e o que chega na mão do fotógrafo é ínfimo, chegando ao absurdo de menos de um real”, afirma Palhares. “Ter pacotes com essas agências pode ser muito vantajoso. A grosso modo, os maiores valores são de R$20,00 a R$30,00 por foto. Desses valores, metade é da agência e metade do fotógrafo. Algumas ainda descontam impostos. Em alguns pacotes os valores são menores ainda. A agência ganha na quantidade de fotos vendidas, mas usa o trabalho de quem ganha por unidade”, conclui.

Afinal, qual a relação entre a pejotização e a terceirização?

“Eu acho que não ter receio, tem que falar com franqueza. Terceirização é, antes de qualquer coisa, um expediente de administração e de gestão de empresas, que foi largamente utilizado por diversos setores econômicos no Brasil para reduzir os custos com a mão de obra”, afirma Renan Quinalha.

E nessa redução de custos quem fica ao léu é o trabalhador. Mário, por exemplo, já ouviu “propostas de acabarem com a equipe de fotografia própria e usarem os profissionais de agência para cobrir pautas para os veículos”, antes mesmo do tema do PL entrar em pauta. Por isso acredita que precisamos “voltar a exigir dos empregadores” o cumprimento das leis trabalhistas, e não pedir por mais delas.

Para o advogado do Sindicato dos Jornalistas, o projeto representa um atentado aos direitos trabalhistas, “uma vez que as empresas tenderão a demitir seus empregados para recontratar os mesmos, através de ‘empresas terceirizadas’”.

Patini ainda cita dados do Dieese, que estimam “uma redução salarial de 27%”, além de uma “maior rotatividade dos trabalhadores”. Hoje, a média de anos trabalhados por terceirizados é de 2 anos e meio, enquanto a média de não terceirizados é de 5 anos e 8 meses.

Embora o cenário pareça desesperador, Quinalha acredita que o sistema de justiça não vai se curvar de maneira tranquila a esses parâmetros que estão fixados no PL. “Acho que vai haver uma resistência importante”.

“O TST, que é a côrte mais alta no ponto de vista trabalhista, tem 98% dos ministros contrários ao PL. Você tem juízes que fizeram greve de cartório para se manifestarem contrariamente ao PL. O Ministério do Trabalho, assim como outros Ministérios fiscais, se posicionaram contra o projeto. Então todos esses que estão na ponta da cadeia responsáveis pela aplicação das leis começarão a discutir os efeitos literalizantes desse PL. O termo de ‘parcela da atividade’, por exemplo, possui uma grande margem interpretativa. Então eu vejo que se tiver insatisfação desses setores, acontecerá alguma reação lá na frente”, finaliza.

A matéria agora segue para o Senado Federal. Semana passada, Renan Calheiros, presidente da Casa, declarou que “se demorar cinco anos para tramitar no Senado está bom”, uma vez que o PL tramitou por 11 anos na Câmara. Renan também disse que regulamentar a terceirização, “terceirizar a atividade-fim, liberar geral, significa revogar a CLT”, e foi rechaçado por Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

Natalie Garcia
No Justificando
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Nota à imprensa do Governo brasileiro

O Governo brasileiro recebeu com profunda consternação a notícia da execução, na Indonésia, do cidadão brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, ocorrida na data de hoje, 28 de abril de 2015, pelo crime de tráfico de drogas.

Em carta enviada ao seu homólogo indonésio, a Presidenta Dilma Rousseff havia reiterado seu apelo para que a pena capital fosse comutada, tendo em vista o quadro psiquiátrico do brasileiro, agravado pelo sofrimento que sua situação lhe provocava nos últimos anos.

Lamentavelmente, as autoridades indonésias não foram sensíveis a esse apelo de caráter essencialmente humanitário.

Ao longo dos dez anos em que o Rodrigo Muxfeldt Gularte esteve preso na Indonésia, o Governo brasileiro prestou-lhe a devida assistência consular e acompanhou sistematicamente sua situação jurídica, na busca de alternativas legais à pena de morte, observando rigorosamente o que a Constituição e as leis daquele país prescrevem sobre essa matéria.

A execução de um segundo cidadão brasileiro na Indonésia, após o fuzilamento de Marco Archer Cardoso Moreira, em 18 de janeiro deste ano, constitui fato grave no âmbito das relações entre os dois países e fortalece a disposição brasileira de levar adiante, nos organismos internacionais de direitos humanos, os esforços pela abolição da pena capital.

O Governo brasileiro transmite sua solidariedade e seu mais profundo pesar à família de Rodrigo Muxfeldt Gularte.

Secretaria de Imprensa
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
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Em São Paulo, Alckmin é vaiado por professores em greve



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No Paraná, professores em greve são agredidos pela polícia do tucano Beto Richa


Professores e educadores do Paraná, em greve, foram agredidos pela polícia militar hoje (28), no Centro Cívico em Curitiba. Veja as cenas chocantes abaixo e no Facebook de Rogério Zanetti.

Os professores voltaram ontem à greve, uma vez que o governo Beto Richa (PSDB) pretende reformar a previdência com claros prejuízos aos servidores públicos.

Os cidadãos estão sendo impedidos pela PM de entrar na Assembleia Legislativa do Paraná.



No Blog do Tarso



Paraná, uma democracia sitiada

Beto Richa – PSDB vs protestos professores Paraná
Dois meses depois do fim das grandes mobilizações feitas pelos servidores públicos estaduais do Paraná, onde os professores do estado foram protagonistas, o projeto que permitia a utilização do dinheiro da Paranaprevidência, instituição de previdência dos servidores públicos do Paraná, para integrar o orçamento cotidiano do estado (ou seja, permitia que o governo gastasse o dinheiro dos aposentados) volta a tramitar rapidamente na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), agora com algumas modificações no projeto. O projeto previa a fusão do fundo Previdenciário e do Fundo Paranaprevidência, agora prevê que mais de 33 mil funcionários saem da folha do tesouro e passam a ser pagos pelo Fundo Previdenciário, segundo informações sistematizadas pela Gazeta do Povo.

Mas a diferença, desta vez, não é primordialmente o projeto e sim a organização militar, para não arriscar que o projeto volte a ser barrado, o palco agora é de guerra.

O governador do estado, Beto Richa (PSDB), convocou desde o sábado, dia 25, um montante de 1.120 policiais para impedir que os professores que voltaram a entrar em greve na última segunda-feira, montassem acampamento nos arredores da ALEP, localizada no bairro Centro Cívico em Curitiba, assim como foi feito em fevereiro. Naquela ocasião, o acampamento possibilitou uma constante organização da categoria para que posteriormente ocupasse por vários dias a Assembleia, o que impediu que fossem votados uma série de ajustes fiscais do governo, inclusive esta reforma na Paranaprevidência.

Para garantir que o povo não chegasse à Assembleia Legislativa, o quarteirão inteiro foi interditado e a ALEP foi literalmente sitiada com barreiras e policiais. A casa que deveria ser a representação popular do estado foi — por vontade do governador Beto Richa — cercado para garantir a votação do projeto que apenas ele e sua base aliada acha digno. Na segunda-feira, primeiro dia de tramitação do projeto, não se via outra coisa no centro de Curitiba senão ônibus, camburões e carros socados de policiais armados em direção à Assembleia.

O governador tucano que dirige o estado há cinco anos, passa por uma crise financeira (crise esta tratada nesta coluna em artigo publicado no mês de fevereiro), o qual já resultou em demissões em massa de servidores temporários, cortes de benefícios e outros “ajustes”. Com isto, vê no dinheiro da Paranaprevidência, juntamente ao seu secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa (um “mãos-de-tesouras” conhecido dos governos PSDBistas por todo o Brasil), sua redenção — a verba que ele precisa para amenizar a crise que ele mesmo ajudou a formar no Paraná.

Mas por que o governador precisa disto?

Em fevereiro, segundo o Instituto Paraná Pesquisas, 90% da população se declarava a favor da greve dos professores, e 80% a favor da ocupação da Assembleia Legislativa. Segundo o mesmo Instituto, após a série de cortes, greves e ocupações, o governador que foi eleito com 56% em primeiro turno, no ano passado, já tinha 76% de desaprovação (pesquisa de opinião publicada em março deste ano).

Com a sua baixa popularidade e uma mobilização que ganhou o apoio da população, inclusive por se tratar de um tema tão delicado quanto à aposentadoria dos servidores, o tucano não quer arriscar novamente, e nesta semana o projeto deve ser aprovado, pois com um aparato de guerra posto pelo Governo do Estado para esta proposta ser votada, apenas um crescimento considerável da resistência dos professores pode parar a sede pelo dinheiro da previdência estadual, por parte do Beto Richa.

Bem, por enquanto nos encontramos em uma democracia literalmente sitiada.

Eric Gil é economista do Instituto Latino-americano de Estudos Socioeconômicos (ILAESE) formado pela Universidade Federal da Paraíba, mestre e doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná

No Pragmatismo Político
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A Abril passou o pires pelo BNDES num de seus anos mais lucrativos

Dinheiro público na Abril? Presente
O grau de ignorância dos blogueiros da Veja é desumano.

Eles não sabem sequer o que acontece na empresa para a qual trabalham, e se metem a fazer considerações sobre o universo.

Recentemente, eles têm falado no BNDES. O dinheiro do BNDES, segundo o Brad Pitt de Taquaritinga, é dos amigos do governo.

Se a frase é verdadeira, teremos que concluir que a Editora Abril é amiga do governo.

Algum tempo atrás, a Folha publicou uma listagem com os empréstimos feitos pelo BNDES.

Republicou, a rigor. A Folha admitiu que o BNDES já vinha publicando as operações. O que o jornal fez foi “organizá-las” para que o leitor pudesse compreender melhor.

A ordem escolhida foi a alfabética.

Você vai na letra “e” e encontra o quê?

Editora Abril.

Em 2008, ano em que a Abril teve um de seus melhores resultados, o BNDES liberou para a empresa dos Civitas 27,344 milhões de reais.

Dinheiro público na veia.

O objetivo da operação era o seguinte. “Implantar diversas soluções de TI para unificação da base de clientes da empresa”.

Quer dizer: mesmo tendo muito dinheiro em caixa depois de um ano glorioso, a Editora Abril passou o pires no BNDES. E levou.

Não que fosse novidade entre as empresas de jornalismo.

Para fazer seu elefante branco que é uma gráfica gigante, a Globo, ainda sob Roberto Marinho, pediu dinheiro público ao BNDES na era FHC.

Terminada a gráfica, FHC se prestou ao vergonhoso trabalho de se deixar fotografar com um Roberto Marinho triunfal.

Dinheiro público para erguer a gráfica da Globo
Dinheiro público para erguer a gráfica da Globo
Por que a Globo não investiu na gráfica com seu dinheiro próprio? E a Abril, por que não modernizou sua TI com seus recursos?

Resposta: porque falam em capitalismo da boca para a fora. Na intimidade, jamais viveram sem os favores públicos.

Em 2008, o empréstimo de 27,344 milhões de reais não foi o único ingresso de dinheiro do BNDES na Abril.

A Abril recebeu uma copiosa quantidade de propaganda do banco naquele ano.

Muitas vezes as empresas de jornalismo pagavam os empréstimos que recebiam de bancos oficiais com anúncios.

O caso Projac, o estúdio nababesco da Globo, é um clássico. O dinheiro para erguê-lo veio do Banerj, o extinto banco público do Rio. E o pagamento se deu em anúncios.

Nenhuma empresas jornalística brasileira existiria sem privilégios e mamatas com dinheiro público.

Fato.

E ou por ignorância ou por má fé, ou por uma combinação de ambas, colunistas pagos para defender os interesses vis dos patrões posam de virgens.

Mas é aquela espécie de imaculada que você encontra num lugar chamado lupanar.

Paulo Nogueira
No DCM
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Presidenta Dilma inaugura polo automotivo em Goiana (PE)


A presidenta Dilma Rousseff inaugurpu, nesta terça-feira (28), um novo polo automotivo em Goiana, Pernambuco. O Polo Automotivo da Jeep, empreendimento do grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA), garantirá desenvolvimento econômico e geração de emprego para a região.

A multinacional tem como estratégia a produção de veículos para o mercado brasileiro e também para exportação. Os carros produzidos pela fábrica de Goiana saem da linha de produção com um índice de nacionalização de mais de 70%. O objetivo é chegar a 80%.

A previsão é que o complexo empregue, até o fim de 2015, mais de 9 mil trabalhadores, sendo 82% nordestinos e 78% pernambucanos.

Estudo realizado pela consultoria Ceplan projeta que, em 2020, o Polo Automotivo Jeep vai contribuir com 6,5% do PIB de Pernambuco.

O investimento no polo automotivo superou os R$ 7 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões na fábrica Jeep, R$ 2 bilhões no Parque de Fornecedores e o restante destinado a desenvolvimento de produtos e outros investimentos.

Desse total, R$ 1,9 bilhão recebeu financiamento da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), órgão vinculado ao ministério da Integração Nacional.
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Prefeito tucano assina contrato consigo mesmo em Minas

 Não foi decretada a prisão preventiva do meliante porque é do PSDB; e tucano não vai preso. 


O prefeito de São Sebastião do Paraíso, Rêmolo Aloise (PSDB), praticou vários atos improbos no município mineiro deixando a cidade perplexa. Ele que assinou contrato consigo mesmo para instalar um Hospital Municipal e a Secretaria de Saúde em um prédio em que é dono, fraudou o SUS (Sistema Único de Saúde) em R$5 milhões de reais, emitindo laudos falsos para pagamento com recursos do sistema de saúde, foi peça chave de uma operação da Polícia Federal. Entenda:

A Polícia Federal deflagrou a Operação Torniquete em 19 de maio de 2006, com o cumprimento de oito mandados de prisão e de busca e apreensão de documentos. Constatou-se a falsificação de fichas de atendimentos e laudos de exames de modo a fazer o hospital receber recursos do SUS por serviços não-prestados. De acordo com o Ministério Público Federal, foram encontradas 107.876 fichas de atendimento ambulatorial e 1.958 laudos de ultrassonografia e mamografia falsificados. O valor exato da fraude chegou a R$ 4.947.338,92.

Porém, entre as fichas falsificadas, estavam: operações de fimose em mulheres, gravidez em homens, ultrassonografia do útero em homens e extração de dente de leite em idosos. Com tantas irregularidades e esquemas gritantes, o hospital foi descredenciado e fechado pela PF.

Contudo, o tucano conseguiu ser eleito prefeito da cidade em 2012. E a partir disso mais escândalos vieram à tona: Em novembro de 2013, a Justiça Federal o condenou, em primeira instância, por improbidade administrativa decorrente da fraude no Hospital Sagrado Coração de Jesus. A sentença obriga o prefeito a ressarcir os R$ 5 milhões desviados do SUS e pagar multa equivalente a duas vezes a quantia desviada, acrescida de juros e correção monetária. Aloise também foi condenado à perda de qualquer função pública que esteja exercendo quando a sentença transitar em julgado. Ele recorreu e a ação tramita em segunda instância.

Em 12 de março de 2015, o prefeito conseguiu a aprovação da Câmara Municipal, onde tem maioria, de projeto de lei para criação do hospital público. Para surpresa da população, no dia 16, uma segunda-feira, o antigo Hospital Sagrado Coração de Jesus, fechado desde a Operação Torniquete da Polícia Federal, abria suas portas e ostentava na fachada o letreiro onde se lia “Hospital Municipal”.

Rêmolo Aloise assinara um contrato de comodato consigo próprio. Não é figura de expressão: no documento consta sua assinatura duas vezes, como comodante e como comodatário. O contrato tem duração até dezembro de 2016, quando termina seu mandato de prefeito. E impõe ao município multa mensal de R$ 40 mil se as instalações não forem devolvidas em bom estado.

O prefeito deu ainda outra cartada para criar um fato consumado: transferiu a Secretaria Municipal de Saúde, com todos os seus equipamentos e servidores, para o mesmo prédio do hospital. O edifício onde funcionava a secretaria, um anexo da prefeitura, foi imediatamente destinado ao projeto Universidade Aberta do Brasil.

Em 10 de abril, o juiz da 2ª Vara Cível de São Sebastião do Paraíso, Marcos Antônio Hipólito Rodrigues, acatou pedido do Ministério Público e determinou o fechamento do hospital. Ficou comprovado que o contrato de comodato fora realizado sem prévia licitação ou procedimento similar.

Sobre a multa estipulada no contrato, comenta o juiz: "Ora, caso o chefe do Executivo, por alguma circunstância específica não devolva o imóvel no prazo assinalado no contrato, será ele próprio favorecido por multa que assumiu como responsabilidade do município? A confusão de interesses é evidente e chega às raias do absurdo.”

A decisão judicial também suspendeu a transferência de qualquer serviço ou bem público para o prédio do hospital e proibiu o uso de bens públicos já transferidos.

Como a Secretaria Municipal de Saúde foi instalada no local, a decisão praticamente paralisou o atendimento à população, impedindo, entre outras coisas, o agendamento de viagens para tratamento médico em outras cidades.

Em seus recursos ao Judiciário, a prefeitura usou como argumentos a paralisação do atendimento e a suposta impossibilidade de retornar ao prédio onde funcionava a secretaria antes da mudança. Aloise queria continuar usando seu próprio edifício. Mas o juiz não engoliu essa. Negou o pedido, autorizando apenas a retirada de equipamentos do hospital para retomada do atendimento à população em outro espaço.

Sem alternativa, no dia 20 de abril, a prefeitura transferiu os equipamentos da Secretaria da Saúde para a Arena Olímpica do município, um espaço projetado para práticas esportivas.

Em suas notas de esclarecimento, a prefeitura alega que o contrato de comodato é legal e benéfico à população, resultando em economia para o município. E que ainda não se tem decisão sobre o local onde será instalada a Secretaria da Saúde em definitivo.
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Antônio Abujamra — 1932 - 2015

* 15 de setembro de 1932 Ourinhos-SP    + 28 de abril de 2015 São Paulo - SP



Veja também:
Abujamra entrevista o audacioso e experiente jornalista Caco Barcellos
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Carta aberta para Aécio Neves

CARTA ABERTA AO SR. AÉCIO SILVÉRIO NEVES,
SENADOR DA REPÚBLICA

Exmo. Sr. Aécio Neves

Hoje comemoramos o Dia da Inconfidência Mineira, por extensão, o dia de Tiradentes e, estendendo mais, o dia da traição, a de Joaquim Silvério dos Reis.

Dia de também lembrarmos o falecimento do seu avô, Dr. Tancredo Neves, completando trinta anos hoje.

Nascido de família rica, latifundiária, bem situada na política brasileira, graças ao seu avô e ao seu próprio pai, o Sr. deveria ter tido a preocupação de se preparar para herdar o patrimônio físico e político da família mas, ao invés, a custa de gorda mesada da família, veio para o Rio de Janeiro, surfar e aprontar arruaças, como os boletins policiais da época atestam, envolvido com drogas, badernas, brigas.

Na capital política e cultural do país, em nenhum momento o seu nome apareceu ligado a qualquer movimento consequente, seja na música, na literatura ou na política, em período de resistência à tirania, onde parcela dos jovens da sua faixa etária resistiram.

Como se vê, a sua juventude foi inútil, a de um inútil, com a trajetória da inutilidade interrompida por uma fatalidade, a morte do seu avô, primeiro degrau do seu oportunismo político.

Seu avô, típico conservador mineiro, tinha um atributo precioso, do qual Vossa Excelência é a negação: era patriota, nacionalista, brasileiro.

Seu avô foi Ministro da Justiça de Getúlio Vargas e com ele construiu a Petrobras, que Vossa Excelência quer destruir. Junto com Getúlio construiu a Companhia Vale do Rio Doce, que o seu partido, com o seu apoio, vendeu a preço vil.

Quando as forças do capital, as mesmas de hoje, conservadoras, internacionalistas, de viés fascista, se levantaram contra o nacionalismo de Getúlio, seu avô foi um dos mais fiéis defensores do velhinho, ao lado dele permanecendo até a morte.

O discurso da direita? Corrupção!

Morto Getúlio, fez-se necessário continuar com o seu legado, não abrindo espaço para a direita, e seu avô foi um dos principais articuladores da candidatura Juscelino Kubitscheck de Oliveira, que se notabilizou por uma política voltada para o país, com a direita tentando golpeá-lo de todas as maneiras, com o seu avô presidindo o Banco do Brasil, viabilizando financiamentos para a construção de Brasília.

O discurso da direita? Corrupção!

Jânio renunciou e a direita não quis dar posse ao seu vice, João Goulart, porque Jango significava o retorno do nacionalismo ao poder, do comprometimento com o país e o seu povo.

Pra limitar os poderes de Jango, a direita propôs o parlamentarismo e a esquerda recusou, quase precipitando o golpe militar, antecipando-o em três anos, e surgiu a figura de seu avô, novamente, convencendo Jango a aceitar, para derrubar depois.

Aprovado o parlamentarismo, apareceu a necessidade de um nome de conciliação, que fosse moderado, conservador, mas identificado com as causas populares, nacionalistas, e acima de tudo fiel a Jango, capaz de lutar para implementar as Reformas de Base, e surgiu o nome do seu avô.

Veio a campanha para acabar com o parlamentarismo e lá estava o seu avô ao lado do melhor para o Brasil, o melhor para o povo brasileiro, combatendo o parlamentarismo, para contrariedade da direita.

E caiu o parlamentarismo e ressurgiu o discurso golpista da direita, com o seu avô rebatendo, resistindo ao golpe, bravamente, até que ele veio.

O discurso da direita, a justificativa? Corrupção!

Foram vinte e um anos de entrega do patrimônio nacional, de torturas, exílios, censuras e mortes, com a oposição do seu avô.

Veio a campanha das Diretas Já e entre os mais inflamados e respeitados oradores, o seu avô, exigindo a devolução do poder ao povo.

A lei das diretas não passou e novamente foi necessário se encontrar um nome confiável, conservador o bastante para acalmar os militares, mas nacionalista o bastante para mudar os rumos da conjuntura, adversa, cruel, desumana, para vencer Paulo Maluf, o corrupto e ditatorial candidato do sistema, dos militares, e novamente o nome do seu avô apareceu.

Foi eleito, para regozijo dos democratas, dos patriotas, dos nacionalistas, mas não foi empossado. A morte, cruel e devastadora, é de direita.

E aí surgiu Vossa Excelência, neto mais velho do ancião moribundo, tornando-se o porta voz da família.

A até então obscura nulidade, à custa do sofrimento de um ídolo nacional, ganhou os refletores da mídia e viu reconhecido o seu sobrenome, trampolins para o início da carreira política pessoal.

Isto, excelência os alicerces da sua carreira política estão assentados sobre um cadáver, o do seu avô, e não mais.

Morto o seu avô, iniciou-se um novo ciclo da direita no poder, que durou dezoito anos, até a eleição de um operário, negação de toda a história nacional, devolvendo o país ao seu rumo de direito, assentado no nacionalismo, no patriotismo, na defesa do povo.

Contrariando o exemplo de família e o determinismo genético, desde o primeiro momento Vossa Excelência se posicionou frontalmente contra esse governo, assumindo exatamente a mesma posição dos adversários do seu avô, dos inimigos do seu avô, dos algozes do seu avô.

Hoje ensaia-se novo golpe da direita, exatamente como o que levou Getúlio ao suicídio, exatamente como o que instituiu o militarismo, os bem sucedidos, exatamente como tentaram com Juscelino e, absurdamente o principal porta voz dos interessados nesse golpe é Vossa Excelência, o mais agressivo.

O seu discurso? Corrupção!

Seu avô teve um inimigo pessoal, agressivo porta voz das forças conservadoras, Carlos Lacerda, eixo do golpismo que se iniciou na era Vargas e culminou no golpe de 64, para morrer com a eleição do seu avô.

Agora ressurgiu, reencarnado no seu partido, uma UDN travestida de PSDB, combatendo tudo o que cheira a nacionalismo, patriotismo, política popular, com Vossa Excelência à frente.

É certo que o senhor espera que eu o compare a Carlos Lacerda, mas não posso fazê-lo porque, mesmo nos adversários e inimigos, o meu intelecto me obriga ao reconhecimento das virtudes.

Falta-lhe, Sr. Aécio Neves, a oratória de Lacerda, a eloquência de Lacerda, a redação perfeita e enxuta de Lacerda, a cultura universal, fruto de muita leitura, de Lacerda, a coerência, ainda que equivocada, de Lacerda, o intelecto de Lacerda.

Carlos Lacerda fez o próprio nome, enquanto o Sr. herdou, vivendo politicamente dele.

Isto, Senador, não fosse o seu sobrenome, do qual vive na sombra, e Aécio não existiria, porque ainda hoje a mesma nulidade intelectual da juventude.

Por isso não o comparo a Lacerda.

Eu poderia compará-lo a Joaquim Silvério dos Reis, o verdadeiro verdugo de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, mas também não o faço.

Não faço porque entre Tiradentes e Silvério não havia laços de consanguinidade, exigência de respeito à memória, como há entre Vossa Excelência e o seu avô, Dr. Tancredo Neves, e aqui o sr. se avulta, se agiganta, para ser um traidor maior que Lacerda, muito maior que Joaquim Silvério dos Reis.

Resta-nos o consolo que a história é impiedosa: seu avô veio de baixo e morreu lá em cima, enquanto Vossa Excelência, que começou onde ele terminou, terminará a nulidade que nunca deixou de ser.

Francisco Costa
Rio, 21/04/2015.


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