20 de abr de 2015

Alckmin Implicante

Se financiou o Implicante durante as eleições 2014, cometeu CRIME ELEITORAL!!!

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'Direitos Negados' traça panorama da democratização da comunicação

“Uma significativa contribuição à causa da democratização da comunicação no Brasil”. É assim que Dênis de Moraes (jornalista, pesquisador e professor do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense), define, em prefácio, o livro Direitos Negados – Um retrato da luta pela democratização da comunicação, lançado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e organizado por Renata Mielli.

São 17 reportagens, distribuídas em 186 páginas, abarcando diversos temas ligados à área de comunicação — Concessões Públicas de Radiodifusão, Rádios e TVs Comunitárias, Banda Larga, Software Livre, Direito de Resposta, Classificação Indicativa, Conselhos de Comunicação, Comunicação Pública, entre outros. Como anexo, a publicação traz o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática. “O livro faz diagnósticos, mas também aponta caminhos, dá pistas de como resolver problemas em várias áreas da comunicação”, opina Altamiro Borges.

Para o presidente do Barão de Itararé, a qualidade do livro é que, além de ser muito atual e somar diversos assuntos, é um material de fácil acesso. “Os debates em torno da mídia, geralmente, são complexos e restritos a especialistas. O formato da reportagem, com entrevistas, aspas e dados, deixa ele bastante acessível”, avalia.

O movimento social brasileiro, na visão dele, avançou muito no debate sobre comunicação. “Além de terem seus próprios instrumentos midiáticos, o movimento sindical, assim como os estudantes, os camponeses que lutam por reforma agrária, as mulheres e os negros sempre tiveram ciência de que a mídia privada os sacaneava, mas estavam pouco envolvidos na luta para democratizar a comunicação”, diz. “Nos últimos anos, essa postura mudou”.

A publicação, segundo Borges, é uma munição poderosa para o ativista, militante e dirigente de movimentos populares: “O livro dá elementos em uma linguagem acessível e com amplitude de temas, para além da regulação da mídia. Ele municia o lutador social para essa batalha estratégica na sociedade brasileira”.

O prefácio, a cargo de Dênis de Moraes, corrobora a proposta do Barão de Itararé. “Trata-se de um vigoroso conjunto de artigos que expõe uma verdade já impossível de ser sufocada: a diversidade informativa e cultural submerge em um cenário distorcido pela concentração monopólica dos meios de difusão e pela prevalência de intentos lucrativos e conveniências políticas sobre as aspirações coletivas”, sublinha o pesquisador.

Um dos pontos altos de Direitos Negados – Um retrato da luta pela democratização da comunicação, segundo Moraes, é o seu compromisso crítico. “Os autores apontam, convincentemente, as danosas consequências sociais e culturais derivadas do anacrônico e elitista sistema comunicacional vigente. A começar pela frequente exclusão de múltiplas vozes nos noticiários e pelos enfoques tendenciosos que afetam a credibilidade dos veículos e atropelam princípios éticos”.

Por outro lado, acrescenta o estudioso, “cumpre realçar o ânimo propositivo presente na coletânea: não apenas reivindica das instâncias eleitas pela soberania popular ações direcionadas à superação de mazelas e desvios, como também lança luzes sobre alternativas emergentes que valorizam a livre manifestação do pensamento e alargam a consciência sobre o horizonte de transformações”.

O livro, nas palavras de Moraes, “projeta o tema [da comunicação] como prioridade na agenda social, política e legislativa, rompendo-se a cadeia de omissões e protelações que, infelizmente, se formou à sombra da inércia do poder público na matéria (…).

Para adquirir uma cópia (ou uma cota, no caso de entidades do movimento social), escreva para contato@baraodeitarare.org.br. O valor unitário é R$ 30. O livro estará disponível a partir do dia 27 de abril.

Felipe Bianchi
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Um Sonho Intenso


Documentário “Um sonho intenso”, de José Mariani, entra em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília no dia 23 de abril

Mais do que atual, o filme discute os rumos possíveis para a economia do país

Depois de bem recebido pelo público e pela imprensa no Festival É Tudo Verdade de 2014, o documentário Um sonho intenso, do cineasta José Mariani foi exibido no ano passado em algumas universidades, seguido de debates com professores e alunos, em congressos acadêmicos e em encontros promovidos por centros de estudos e de cultura.

Agora, no mês de abril de 2015 chega finalmente ao circuito de cinema, começando por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde estreia no dia 23 de abril. Todas as exibições serão no Espaço Itaú de Cinema.

O grande trunfo de Um sonho intenso é sua forma ágil, clara e prazerosa de abordar um tema a princípio denso e complexo: a história social e econômica do Brasil dos anos 30 aos dias de hoje.

Mariani venceu este desafio de forma surpreendente, construindo uma narrativa que alterna análises, depoimentos e trechos de filmes e reportagens históricas, em um ritmo vivo e por vezes emocionante.

Uma elite de pensadores se reveza na tela e se incumbe de tecer o fio condutor do documentário, esquadrinhando o processo de construção do Brasil moderno. Entre eles os economistas Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa, João Manuel Cardoso de Melo, Luiz Gonzaga Belluzzo, Ricardo Bielschowsky, Lena Lavinas, os sociólogos Francisco de Oliveira e Adalberto Cardoso, o historiador José Murilo de Carvalho.

E nos surpreendem com novas visões sobre Getúlio Vargas — que deixa de ser analisado somente pelo viés já gasto de ditador, para ser ressaltado também como o construtor do Estado moderno brasileiro; Juscelino Kubitchek igualmente é visto para além de seu lado visionário, como um político que prossegue a construção do projeto de modernidade do país.

O período ditatorial pós-64 é revelado em toda sua ambiguidade e os anos que o sucederam em tentativas vãs de estabilizar o país. Finalmente uma análise do período de governo Lula deixa nítido não só seus pontos positivos, mas também suas falhas e perigos.

Neste sentido o documentário “Um sonho intenso” termina com um alerta do economista da Unicamp, João Manuel Cardoso de Melo:

“Queremos virar uma caricatura dos Estados Unidos? Um individualismo de massas? Ou queremos construir uma sociedade fundada em valores humanistas?".

“Um sonho intenso” é um filme mais do que atual neste momento politico e econômico conturbado do Brasil, em que novas ideias e visões serão sempre bem vindas.


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O golpe de mão do juiz Sérgio Moro contra o PT

O juiz Sérgio Moro é apenas um numa conspiração de classe destinada a criar uma onda de pânico e um clima de histeria contra o PT.

Não é banal o movimento que fazem a Justiça e o Ministério Público paranaense para inviabilizar um partido político nacional, o PT, ou qualquer outro que venham a botar no mesmo pacote — de preferência pequenos e ligados ao governo — para fingir que essa decisão não é uma perseguição ao partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que venceu as eleições dos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra, e da presidenta Dilma Rousseff, que ganhou dois pleitos dos tucanos José Serra e Aécio Neves, o último deles o ano passado. Isso faz parte de uma estratégia de intimidação tão assustadora que transfere para o aparelho judicial de um Estado que sequer tem relevância na política nacional as decisões sobre o futuro da política nacional e sobre a legitimidade do voto do eleitor brasileiro; e que dá a uma decisão judicial de primeira instância o direito de proscrever partidos políticos.

Nem nas ditaduras brasileiras isso aconteceu. Os partidos foram proscritos por atos federais. O PCB, por exemplo, foi colocado na ilegalidade em 1927, durante o estado de sítio decretado pelo presidente Epitácio Pessoa. Em 1966, todos os partidos brasileiros foram extintos por um ato institucional da ditadura militar iniciada em março de 1964. Somente em 1946 a Justiça tomou a decisão de tirar uma legenda do quadro partidário, o mesmo PCB, sob o argumento de que ela não professava a democracia. Ainda assim, a decisão partiu de uma instância máxima de Justiça, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O absurdo jurídico de colocar um partido na ilegalidade pode ocorrer se o Ministério Público do Paraná pedir o indiciamento do PT, a pretexto de participação na Operação Lava Jato, e o juiz Sérgio Moro condenar o partido. Segundo matéria publicada pela Folha de S. Paulo, procuradores preparam a originalíssima peça, que respaldaria uma decisão judicial destinada a proscrever o PT. O instrumento da inviabilização do partido seria a aplicação de uma multa próxima dos R$ 200 milhões que um dos delatores da Operação diz que o partido recebeu de propina — e que, sem provas, nas mãos de qualquer procurador ou juiz minimamente neutros, seria apenas uma palavra, a do delator, contra a outra, a do delatado que nega o crime.

Um golpe de mão aplicado pela Justiça no quadro partidário brasileiro é, de fato, a inovação que a pouco neutra justiça paranaense pode legar para o país inteiro. Moro adora inovações, e segue os passos do inovador Joaquim Barbosa que, à frente do chamado Caso Mensalão, no Supremo Tribunal Federal, deixou de ser juiz e agiu como promotor, rasgou a Constituição, negou provas que inocentariam alguns réus e pediu a condenação de outros tantos sem provas, com o beneplácito do plenário da mais alta corte judiciária do país, com o aplauso da imprensa e as loas da oposição.

Todas as licenças poéticas do aparelho judicial paranaense, inclusive esta, vêm sendo amparadas pelos partidos de oposição, acalentada pela mídia conservadora, tolerada pelas instâncias superiores da Justiça e pelos órgãos de controle do Judiciário e do Ministério Público, a exemplo do que aconteceu no Mensalão. A estratégia é a mesma: cria-se um clima político para legitimar desmandos judiciários, e os desmandos do Ministério Público ou da Polícia Federal são sistematicamente legitimados porque vêm respaldados em decisões judiciais. É uma roda-viva onde quem perde é sempre o futuro. Porque, no futuro, sabe-se lá quem vai ser atingido por já legitimados desmandos judiciais que hoje vitimam o PT. A articulação política entre PF, Ministério Público e a Justiça já é um dado, e pode atingir no futuro outros inimigos políticos que forem escolhidos por eles.

O pensador Antonio Gramsci, ligado ao Partido Comunista Italiano, descreveu nos Cadernos do Cárcere as observações sobre o que ocorria naquela Itália convulsionada por uma cega adesão à liderança de Benito Mussolini. Lá pelas tantas, ele tenta entender como se formam as explosões de pânico, a contaminação coletiva por uma ideologia por meio do medo e da formação de sensos comuns – ideias-força sem necessariamente nenhuma racionalidade, mas de fácil aceitação, capazes de comover, envolver ou amedrontar. Os meios de comunicação são fundamentais na criação dessas mudanças culturais muito rápidas.

A teoria gramsciana merece também ser lembrada nesses turvos dias pelo papel que atribui a instituições do Estado, inclusive à Justiça. O Judiciário, segundo ele, é um aparelho ideológico de vocação conservadora, resistente a mudanças — inclusive as definidas pelo jogo democrático.

Como esse artigo não é acadêmico, só tomo a liberdade de citar o pensador rapidamente, na tentativa de entender o momento em que vivo eu, assustada, como outros tantos; e todos nós — alguns com medo, uns irados, outros tantos odientos, numa composição digna de uma arena romana. Nessa trama, é difícil diferenciar os cristãos dos leões.

Desde o Mensalão, Gramsci vai e volta em qualquer tertúlia política pela simples razão de que vivemos no meio de uma onda de comoção, pacientemente criada nos últimos anos, destinada a relativizar uma realidade em que as forças envolvidas em campanhas difamatórias, ações espetaculares, uso da máquina judicial, não conseguiram alterar uma realidade eleitoral, e ocupam os demais aparelhos ideológicos de Estado para consolidar uma hegemonia que se imponha sobre o voto. Tudo o mais — a formação de sensos comuns estapafúrdios, mas simples e claros; o papel da Justiça; o uso dos meios de comunicação na formação de um clima tão denso, tão áspero, tão inóspito, que pode ser apenas cortado com faca afiada — já é passado. Já foi, já produziu efeitos. O clima está criado.

Resta aos democratas tentarem separar o que é espuma, o que é avanço indevido sobre direitos democráticos, do que é efetivamente justo. Essa é uma tarefa que fica muito difícil, porque o clima e o senso comum agem intencionalmente contra. O Brasil tem caminhado por sofismas, e Moro usa deles à perfeição. O clima de histeria criado contra o PT desestimula as pessoas comuns de defenderem governos por elas eleitos, com base no sofisma fincado num senso comum cevado pacientemente nos últimos anos, de que o partido é corrupto, e quem o defende está defendendo a corrupção; de que a Petrobras é de uso do petismo, e o petismo é corrupto, e por isso a Petrobras tem que ser inviabilizada economicamente; de que os corruptos delatores se tornam heróis se delatam o PT, mesmo não tendo credibilidade pessoal nem provas; que a Justiça, para eliminar um partido político, pode usar de que instrumento for, mesmo ao arrepio da lei, para prender e intimidar.

É tão irracional a “sofismação” da realidade e a consolidação de sensos comuns que é difícil entender por que, de repente, as pessoas tenham escolhido se destituir do direito à inteligência. Cair na armadilha dos sensos comuns criados pelo ódio impede a visão do óbvio. O tesoureiro do PT, João Vaccari, foi preso pelo juiz Moro porque arrecadou dinheiro legal para o PT, vindo de empresas implicadas na Operação Lava Jato. As empreiteiras que encheram os cofres do partido de dinheiro doaram igualmente para partidos de oposição, na mesma proporção. O raciocínio do juiz — segundo o qual dinheiro vindo de empresas fornecedoras da Petrobras, mesmo legal, transforma-se em crime porque foram conspurcados pela ação dessas empresas nas operações com a estatal — não vale para os outros. Não existe a mínima neutralidade nessa decisão.

A insanidade dos argumentos destinados a inibir a defesa do PT é outra coisa própria desse clima, a prova de que o país surfa na crista da onda de comoção. Por dois anos, desde a condenação de petistas no processo do Mensalão, criou-se um clima coletivo de ridicularização ou de raiva daqueles que ponderaram contra a ilegalidade de várias das decisões e condenações feitas pelo Supremo. O julgamento do Mensalão é uma mácula que a Suprema Corte brasileira demorará a se livrar. E a defesa que pessoas fizeram dos juízes que julgaram para atender o público e a mídia é uma mácula que a democracia brasileira terá de lidar daqui para a frente.

O juiz Moro, aquele do Paraná, ganhou um lugar na história do grupo político a que serve. Para a história do futuro, não terá deixado nenhuma contribuição jurídica, pelo simples fato de que rasgou a Constituição. A mídia tradicional, que ajudou a construir o clima duro que pesa sobre as nossas cabeças, deixará para o futuro a história de reconstrução do udenismo — um futuro em que poucos de seus veículos terão sobrevivido à hecatombe dos tempos modernos. A oposição partidária, pouquíssimo orgânica, será história, dificilmente futuro. E provavelmente isso também ocorrerá com as forças políticas levadas por essa onda de insanidade.

Isso, sim, será uma crise política com efeitos semelhantes ao de um tsunami.

Maria Inês Nassif
Do Carta Maior
No Esquerda Caviar
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O modus operandi do Implicante é Serra puro

Assim Serra trata Aécio
Estava demorando para o nome de Serra surgir no escândalo do Implicante, um site canalha que vive, ou vivia, de espalhar infâmias e calúnias na internet contra Dilma, Lula e o PT.

O modus operandi do Implicante é Serra puro. Serra é aquele sujeito capaz de, pelas costas, mandar uma pena de aluguel escrever num jornal amigo um artigo que vinculava Aécio a cocaína.

“Pó pará, governador” foi o título do artigo obscenamente sujo. Governador era Aécio, que então, em 2010, disputava com Serra a candidatura tucana à presidência.

Assim funciona Serra. Quem militou nas redações, como eu, conhece muito bem sua combinação explosiva de excesso de ambição e falta de caráter.

Uma discípula de Serra tem as digitais no Implicante. Cristina Ikonomidis foi secretária adjunta de Comunicação Institucional no governo Serra e, como tal, integrante do seu círculo íntimo.

Cristina aprendeu com o chefe
Cristina aprendeu com o chefe
Cristina coordenava, pessoalmente, as visitas que Serra fazia a escolas públicas de São Paulo.

Quando Washington quis saber mais sobre Serra, uma vez que ele tinha chances reais de chegar ao Planalto, Cristina foi uma fonte de informações, como mostrou um telegrama diplomático vazado pelo Wikileaks.

Para mostrar que Serra era um cara legal, a despeito da merecida fama contrária, ela chegou a mostrar ao cônsul geral dos Estados Unidos em São Paulo fotos dele nas escolas, brincando com as crianças.

E era Cristina também que tratava de responder a todas as críticas a Serra que apareciam na imprensa.

Você pesquisa no Google e a encontra, com ares de Madre Tereza, acusando os adversários de Serra de “baixarias”.

Dois meses atrás, um documento vazado para o DCM informa que ela se associou a Fernando Gouveia na Appendix, a empresa responsável pelo Implicante — e que vinha recebendo um mensalão de 70 mil reais do governo Alckmin, por meio de uma agência de publicidade.

Nunca se pagou tanto por uma coisa tão ruim e tão inexpressiva quanto o Implicante.

O Similar Web, um medidor de audiência de sites, dá a audiência mensal do Implicante em 250 mil cliques mensais.

Apenas a título de comparação, o DCM chegou, no final de 2014, a 18 milhões de visualizações.

Isto significa cerca de 70 vezes mais acessos.

Conteúdo faz toda a diferença: não adianta você tem um mensalão generoso oriundo de dinheiro público se você produz um site tenebroso como o Implicante.

Ao se associar a Fernando Gouveia na Appendix para mamar também nas mamatas que o PSDB proporciona a amigos, Cristina comprovou ter sido uma excelente aluna de Serra.

Atribui-se a Serra a expressão “blogs sujos”, dirigida, essencialmente, aos blogueiros que enxergam nele, adequadamente, um político desprezível.

Pois aí temos uma situação singular.

O perseguidor dos “blogs sujos” é, pelas mãos de sua afilhada Cristina, padrinho do mais sujo dos blogs.

Paulo Nogueira
No DCM
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PL 4330 subiu no telhado

Rejeitado pelos sindicatos e derrotado na prova dos números, projeto de terceirização pode se transformar no vexame político do ano

Uma reportagem de Camilla Veras Mota, publicada hoje pelo jornal Valor Econômico, pode representar a pá de cal no projeto de lei 4330.

Já era possível entender, a partir de uma análise política elementar, que o PL 4330 representava a principal ameaça já feita ao conjunto de direitos que os trabalhadores formalizada por Getúlio Vargas na Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943.

Essa compreensão estimulou a reação da CUT e de outras centrais em protestos enérgicos na ultima semana. “Essa aberração não vai passar", assegurava o presidente da entidade, Vagner Freitas, megafone à mão. As mobilizações, que aos poucos atraíram entidades que inicialmente eram favoráveis ao projeto de lei, já mudaram uma discussão iniciada em ambiente de rolo-compressor em Brasília e permitem perguntar se o Congresso terá disposição de confrontar-se diretamente com o movimento popular depois que ele levantou a cabeça. O saldo principal do números apurados pelo Valor — publicação dirigida a empresários e executivos — é enfraquecer a possível margem de seriedade dos argumentos favoráveis a mudança.

Depois de ouvir especialistas do mercado de trabalho, o jornal confirma aquilo que os sindicatos já diziam: se for aprovado, criando um regime trabalhista onde não se distingue atividade-fim de atividade-meio, como acontece hoje, o PL 4330 irá devastar as garantias trabalhistas e estimular a terceirização em massa e a precarização do mundo do trabalho.

Oferecendo custos menores para as empresas pela eliminação de garantias e vantagens definidas em lei, o projeto pode “dobrar o número de trabalhadores terceirizados”, diz o jornal.

Estamos falando de assalariados que ganham, em média, 25% a menos do que aqueles contratados diretamente, trabalham três horas a mais por semana e são vítimas preferencias na rotatividade do emprego — permanecem menos da metade que os demais em seus empregos.

Até agora, o principal argumento favorável a mudança é que ela iria beneficiar os 12 milhões de terceirizados — e teria um efeito neutro sobre os 38 milhões que pertencem ao quadro próprio das empresas onde trabalham. Conforme um dos especialistas ouvidos pelo jornal, pode ocorrer o contrário. Os terceirizados poderiam passar para 24 milhões, enquanto os outros empregos seriam reduzidos para 26 milhões. Outro dado preocupante. Os candidatos preferenciais a piorar de vida seriam justamente aqueles sem maior especialização, que já ganham pouco — mas, como são contratados por uma grande empresa, podem beneficiar-se de benefícios e garantias assegurados ao conjunto dos funcionários. Em síntese: conforme o estudo, o PL 4330 pouco fará para melhorar a vida de quem precisa, e muito fará para prejudicar quem se encontra numa situação mais confortável.

A melhor demonstração de que alguma coisa não ia bem no PL 4330 veio de onde menos se esperava. Na semana passada, a mesma bancada do PSDB que empenhou-se com firmeza na aprovação do projeto de lei propôs — e o plenário aprovou — um destaque proibindo a terceirização da atividade fim nas empresas estatais. “Eles alteraram o projeto de lei em sua essencia”, observa um assessor do Planalto que acompanhou as negociações, muito mais prolongadas do que se imagina. “Se era para acabar com as distinções para o conjunto dos trabalhadores, não pode fazer sentido manter um sistema especial nas estatais", acrescenta.

Durante as negociações, as partes sempre tiveram clareza de que não havia acordo sobre o ponto principal — justamente o que fazer a distinção entre atividade-meio e atividade-fim. Ao precipitar uma votação que não estava madura, o presidente da Câmara Eduardo Cunha pode ter produzido o vexame político de 2015.

Embora o assunto esteja na pauta de quarta-feira da Câmara, nada garante que a agenda será cumprida, já que as bases para um entendimento foram rompidas. “Está na hora de retomar as negociações em profundidade, desde o início, se o objetivo foi fazer um debate que vale à pena” avalia João Guilherme Vargas Neto, consultor de vários sindicatos e estudioso de relações trabalhistas há mais de 40 anos.

Paulo Moreira Leite
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O escândalo de Tony Blair por assessorar o governo colombiano

Diario britânico revela como Tony Blair faz seus milhões
O contrato com base na consultoria de mineração, foi assinado em 2013 e estipula alta confidencialidade de documentos entre as partes, também foi solicitada uma investigação na Colômbia sobre o papel dos Emirados Árabes Unidos naquele país.

Um contrato obtido pelo The Daily Telegraph revela que a empresa de consultoria Tony Blair Associates, do ex-primeiro-ministro Tony Blair, assessora o governo colombiano sobre a forma de redistribuir os pagamentos de royalties de projetos de mineração no país, e que não é pago pela Colômbia, mas pelos Emirados Árabes Unidos.

O jornal informou que o governo da Colômbia contratou Blair para aconselhá-lo sobre a gestão de um lucro de € 2.770.000.000, quase três bilhões de dólares, obtidos por meio de contratos de mineração.

"Esta atividade questiona o papel de Blair como enviado de paz para o Oriente Médio, e lança dúvidas se ele se utilizou dessa posição para fazer amizade com os governantes ricos em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU), país que agora está financiando seu trabalho de consultoria privada para a Colômbia, entre outros países", diz o The Sunday Telegraph.

Vale ressaltar que, desde que deixou o cargo de primeiro-ministro, Blair ganhou entre 75 e 150 milhões dólares, principalmente por meio de consultoria empresarial. Entre elas está a de consultoria a Mubadala, um fundo de investimento soberano dos Emirados Árabes Unidos que comprou uma mina de ouro na Colômbia há dois meses.

Por sua parte, o ministro da Presidência da Colômbia, Nestor Humberto Martinez, explicou que foi um acordo assinado diretamente pela Agência de Cooperação com a Emirates para ajudar a fortalecer o sistema de royalties na Colômbia.

"A presidência não tem acordos com a empresa de Tony Blair, o que aconteceu foi que a Agência de Cooperação Interna estava buscando recursos para desenvolver projetos e, assim, conseguiu assinar um acordo de cooperação com os Emirados para ajudar a consolidar o sistema de royalties ", explicou.

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‘Acuse-os do que você faz': quantos outros implicantes não são bancados pelo PSDB?

Clássico
Durante a campanha eleitoral, Aécio Neves, o meninão das Gerais, denunciou em diversas ocasiões o que chamou de “submundo da internet”. Era dali, explicou num Roda Viva, que vinham as histórias de que ele cheirava cocaína, batia em mulher etc.

Obviamente que ninguém sério acreditou no que Aécio declarava, mas, enfim, era um jeito de ele se defender.

O desmascaramento do site Implicante trouxe à tona mais um sinal de que operar nesse submundo é uma especialidade do PSDB e não é nova.

O que o próprio Aécio e sua irmã Andrea fizeram em Minas durante sua gestão e a do abnegado sucessor, Anastasia? E as rádios da família? E o jornal O Estado de Minas, com sua cobertura vergonhosamente favorável aos interesses da família Neves?

Aécio já havia sido vítima do jogo sujo do inimigo José Serra, que foi a fonte do articulista do Estadão Mauro Chaves para o famoso texto “Pó Pará, Governador”, um dos golpes mais baixos da política nacional recente. Os gravataís merengues sempre estiveram por aí.

Por isso não chega a ser surpreendente que a Appendix, empresa de Fernando Gouveia, dono do Implicante, tenha como sócia Cristina Ikonomidis, secretária adjunta de Comunicação Institucional do governo José Serra, responsável pelas visitas a escolas que tentavam dar um tapa em sua imagem.

A regra desse pessoal é aquela atribuída a Lênin: “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz.”

O que é um gravataí merengue diante do aparelhamento selvagem da TV Cultura em SP? Quanto Marco Antonio Villa e Luiz Felipe Pondé recebem de salário para espalhar a desinformação e a burrice com suas distopias comunistas? Estava embutido no salário de Vila, pago com dinheiro público, comentar a posse de Alckmin como se fosse a coroação de Napoleão?

A resposta do governo paulista para o imbroglio do Implicante foi uma carta na Folha de um sub do sub da secretaria de Cultura afirmando, basicamente, que ninguém financia nada. Ok. Você precisa ser muito ingênuo ou mal intencionado para acreditar nisso.

Quantos blogs vagabundos não fazem esse trabalho para governos e prefeituras tucanas, recebendo, digamos, “indiretamente”? Quem sustenta a Folha Política, por exemplo, uma picaretagem jornalística pior ainda que o Implicante, dirigida por anônimos com mais de 1 milhão de curtidas?

Por mais que não dê em nada, é bom que esses sicários saiam da sombra para que, pelo menos, gente como Aécio, Serra e Alckmin possa cumprimentar seus amigos de submundo.

Kiko Nogueira
No DCM
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Países da América Latina desenvolvem rede de inclusão digital


Avanços obtidos em semana de reuniões em Montevidéu (Uruguai) vão permitir viabilização de sistema mais rápido e mais barato de comunicação na região

A exemplo do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) brasileiro, criado para ampliar e baratear a cobertura do serviço, nações latino-americanas estão negociando a implantação de uma rede multinacional de fibras ópticas com o mesmo objetivo de promover inclusão digital em todo o continente.

Durante quatro dias, a partir da última terça-feira (14), discussões multilaterais buscaram aprofundar, no âmbito da União de Nações Sul-americanas (Unasul), definições e parâmetros para o projeto “Rede para Conectividade Sul-americana”, como foi batizado. A intenção é que essa rede ultrapasse 10 mil quilômetros de extensão.

Uma etapa inicial, e experimental, dessa rede já está em funcionamento desde junho de 2013. Ela conecta Santana do Livramento, município do Rio Grande Sul, à cidade uruguaia de Riviera, por meio de uma conexão promovida em parceria pela brasileira Telebrás e a Antel, empresa de telecomunicações do país vizinho.

Comitivas dos países da região se reuniram em Montevidéu (Uruguai) até esse sábado (18) com o objetivo de estabelecer um cronograma de procedimentos para viabilizar a rede que vai permitir a inclusão digital coletiva dos povos sul-americanos.

As negociações se dão no âmbito da Coordenação do Conselho Sul-americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), órgão da Unasul. A ideia central do grupo é interligar os países por meio de um anel de fibras ópticas.

A estrutura contínua vai permitir que o tráfego de sinais digitais em alta velocidade circule sem intermediários entre todos os países do continente. Além de assegurar mais eficiência e segurança na conectividade, o menor custo operacional da rede vai baratear a oferta do serviço.

Em nota, o Ministério das Comunicações informa que, hoje, “o caminho percorrido pelos dados numa simples conexão à internet é extenso e caro” e que os estudos técnicos em andamento vão permitir a “implementação de um sistema mais rápido e mais barato de comunicação na América do Sul”, graças à circulação direta do tráfego entre as redes locais.

Medidas práticas, como a criação de um Grupo de Trabalho para encaminhamento do acordo entre os países e a aprovação do Termo de Referência para a contratação da pessoa jurídica que vai conduzir os estudos, foram firmadas durante essa semana.

Outra medida importante foi a definição da metodologia para desenvolvimento de hubs de integração óptica na região. Os hubs são equipamentos que permitem a conexão de computadores em rede.

Além de dois representantes do Minicom, analistas técnicos Igor de Freitas e Francisco Minervini, a delegação brasileira é formada pelo ministro do Itamaraty, João Parkinson, o assessor técnico do Ministério do Planejamento, Rodolfo Osório, o diretor do Ministério dos Transportes, Francisco Luiz Batista da Costa e um representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Márcio de Morais
No Agência PT de Notícias
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Imprensa abafa operação Voldemort, esquema de corrupção no ninho tucano

Primo de Beto Richa e outras seis pessoas são acusadas pelo MP de esquema criminoso para obter contrato emergencial de R$ 1,5 milhão com o governo paranaense

Richa deu a entender que foi em busca de conselhos de FHC
para enfrentar sucessivas crises de seu governo
No inicio deste mês, o Ministério Público do Paraná abriu ação penal contra o empresário Luiz Abi Antoun, primo do governador Beto Richa e ex-assessor parlamentar do tucano. Para a Justiça, Abi é considerado um dos nomes mais influentes no governo Richa, ainda que não ocupe nenhum cargo público. Abi e outras seis pessoas são acusadas pelo MP de montar um esquema criminoso para obter um contrato emergencial de R$ 1,5 milhão com o governo do estado. Eles agora respondem por organização criminosa, falsidade ideológica e fraude em licitação.

As suspeitas sobre a ação de Abi nos bastidores do governo tucano ganharam força depois que parte do depoimento de um ex-funcionário do governo foi revelada. Marcelo Caramori, que tinha um cargo comissionado no Executivo até o início do ano, afirmou em delação premiada que Abi é "o grande caixa financeiro do governador Beto Richa, incumbindo-lhe bancar campanhas políticas e arrecadar dinheiro proveniente dos vários órgãos do estado". O delator está preso desde janeiro em Londrina por exploração sexual de menores.

A atuação do primo de Richa nos bastidores ajudou a batizar a Operação Voldemort, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná, que investiga esquema criminoso montado para obter um contrato de R$ 1,5 milhão entre a empresa Providence Auto Center e o Departamento de Transporte Oficial do Estado. O nome faz alusão a Lord Voldemort, o temido personagem da série literária e cinematográfica Harry Potter, que nos livros de J. K. Rowling é conhecido como "aquele que não deve ser nomeado".

Richa, em vez de pedir à Polícia Federal uma ampla investigação da corrupção instalada dentro de seu governo, tentou amenizar o caso publicando em seu facebook um breve relato de uma visita feita ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dando a entender que foi em busca de conselhos para enfrentar as sucessivas crises que assolam seu governo.

Richa terminou seu primeiro mandato em crise econômica. Desde 2013 tem dificuldades de caixa para pagar fornecedores em dia e não consegue cumprir compromissos assumidos com o funcionalismo. Iniciou seu segundo mandato pior ainda, com greves de profissionais do ensino e da saúde, e com aumento de 50% nos impostos estaduais sobre vários produtos.

FHC não é uma pessoa das mais apropriadas para dar conselhos econômicos. Em seus oito anos de gestão na Presidência da República quebrou o Brasil três vezes, mesmo fazendo o maior aumento da carga tributária da história. Vendeu patrimônio público para abater a dívida, mas a dívida explodiu. Privatizou tendo como um dos argumentos atrair investimentos e eles vieram pífios, resultando em racionamento de energia, má qualidade nos serviços públicos concedidos e tarifas altas de pedágios e telefonia. Também fracassou na geração de empregos; a renda do trabalhador e a proteção social foi arrochada. Enfim, se for seguir aqueles conselhos, pobres paranaenses.

Outro tema que leva o governo paranaense à crise política é a corrupção envolvendo familiares e rondando seu gabinete. Outra relação de proximidade é a sociedade de Fernanda Richa, mulher do governador, e Eloiza Fernandes Pinheiro Abi Antoun, mulher de Abi, entre 1999 e 2002. As duas foram sócias da União Metropolitana de Ensino Paranaense Ltda.

Apesar de o Judiciário nem sempre individualizar condutas criminosas quando acusa petistas, o princípio deve valer para todos e Beto Richa não pode responder criminalmente pela conduta de terceiros sem provas. Porém, o Paraná precisa que as investigações sejam feitas e precisa que o governo seja depurado, doa a quem doer, como acontece no governo federal.

E neste ponto, FHC também não é um bom conselheiro. Em seu governo reinava a impunidade do engavetamento. A corrupção cresceu assustadoramente ao não ser combatida como deveria, favorecendo a sobrevivência eleitoral de políticos corruptos. E ainda contava com a complacência da imprensa tradicional simpática ao tucanato.

Deixou uma herança maldita que, a duras penas, vem sendo combatida diuturnamente. Se Richa fosse agir republicanamente, faria tudo ao contrário do que o ex-presidente aconselhasse. O problema é que os dois tucanos se parecem muito no jeito de agir e de governar. Para desespero dos cidadãos paranaenses.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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A poeira sob o tapete



Os jornais do final de semana registram uma mudança na estratégia do governo contra o movimento de partidos oposicionistas, apoiados pela mídia tradicional, que ensaiam um processo de impeachment da presidente da República. No sábado (18/4), ganhou espaço nas primeiras páginas o discurso unificado do Planalto contra a nova incursão do PSDB, que trocou a tentativa de incluir a presidente no centro do caso Petrobras pela tese de que o artifício usado  no ano passado para fechar as contas do Tesouro seria uma causa para seu afastamento.

Os petistas respondem que, se a prática de recorrer a bancos públicos para cobrir responsabilidades do Tesouro é ilegal, o Tribunal de Contas da União deve investigar todos os governos que recorreram a ela, para se estabelecer uma jurisprudência sólida. Esse raciocínio colocaria sob investigação as contas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, e poderia levantar de sob os tapetes uma poeira capaz de tapar a luz do sol por muitos dias.

A atitude do ex-presidente, que no domingo (19/4) considerou precipitado o movimento pelo impeachment, parece respaldada por nobres princípios republicanos, mas também pode ser inspirada pelo velho e bom instinto de conservação. Não é uma ironia o fato de que sua declaração tenha sido feita durante o maior festival de vaidades do calendário de homens de negócio e  políticos brasileiros: o encontro anual de celebridades na Ilha de Comandatuba.

Muito à vontade entre os emplumados egos em território baiano, Fernando Henrique também exibiu seu espírito republicano ao rejeitar a outra frente do movimento conspiratório de alguns de seus correligionários: o propósito de “extinguir” o Partido dos Trabalhadores. Apesar de testemunhas terem diagnosticado, na voz e na postura do ex-presidente, o efeito devastador da idade, ele demonstrou ainda ter energia para a polêmica: afinal, se o grupo liderado pelo senador Aécio Neves seguir empurrando a agenda alucinada do terceiro turno eleitoral, é a biografia de FHC que poderá sofrer danos colaterais. E a biografia, como se sabe, é o último bastião no ocaso dos homens públicos.

Os pólipos da imprensa

Mas o noticiário tem muito mais: naufrágio de migrantes no Mediterrâneo, cena que se repete periodicamente, a denunciar o cinismo desumano dos velhos colonizadores; as semifinais regionais de campeonatos de futebol; denúncias requentadas e mais uma chacina em São Paulo — esse modelo de resolução de conflitos que iguala a capital paulista a territórios conflagrados do Oriente Médio e do norte da África, sob o olhar complacente, quando não ativo, das autoridades policiais.

A denúncia que surgiu na Folha de S. Paulo no sábado, dando conta de que o governo paulista paga R$ 70 mil reais a um blogueiro para fazer campanha contra o governo federal, ganhou repercussão no Estado de S. Paulo no dia seguinte, mas o assunto morreu imediatamente. Aparentemente, os jornais consideram o caso encerrado com a alegação de que o blogueiro é terceirizado por uma agência de propaganda. E não se fala mais nisso.

No campo das revistas semanais, que, como demonstram os números da última década, sofrem o maior impacto das tecnologias digitais, chama atenção o novo estilo de Época. Não nos referimos ao seu perfil esquálido, resultado da rigorosa dieta de anúncios que afeta o setor, mas à linguagem mais leve e a um aparente esforço para buscar um público mais jovem e arejado, contrapondo-se à escolha de Veja, que prioriza leitores envelhecidos de todas a idades.

Restam poucas alternativas aos executivos chamados para dar algum alento aos meios tradicionais de imprensa. Na capa de Época, dois títulos dão ideia da janela que tenta abrir o novo diretor de redação, um jornalista experiente que é também musicista e escritor de talento reconhecido. Um deles diz: “Gasparzinho — a incrível história da sociedade entre um líder do PMDB e um defunto”. O outro anuncia: “Scooby-Doo — o PSDB finalmente começa a latir. Mas será que ele morde?”

A revista Época parece ganhar um pouco de oxigênio, apesar de ainda manter em suas páginas um ou outro foco de um jornalismo raivoso, essa espécie de pólipo que na última década tem proliferado nos intestinos da imprensa brasileira. Sua vantagem sobre a concorrência é pertencer ao maior grupo empresarial de comunicação do País. Seu risco é a possibilidade de que bons textos já não sejam suficientes para reverter a decadência da imprensa brasileira.

Luciano Martins Costa
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Eles devolveram o sentido de ir às ruas no 1º de Maio

A PL das terceirizações pretende acabar de vez com a agenda do desenvolvimento para jogar o país na lógica global do neoliberalismo espoliativo.

A sofreguidão conservadora cometeu um erro do qual talvez não consiga mais se redimir. Ou pelo menos não tão cedo, nem tão facilmente.

Vitoriosa ou derrotada, carregará na testa para sempre a marca de ferro com as iniciais do seu dono: ‘Fiesp’.

Em ordem unida, a bancada dos patrões — inclua-se o tucanato e respectivas subespécies do mesmo ninho ideológico — abraçou uma bandeira que empresta incandescente transparência às reais intenções por trás da cruzada moralista catalisada pela Lava Jato.

A terceirização total da força de trabalho no país — doa a quem doer, como parece ser a determinação do adido patronal no Legislativo, Eduardo Cunha — carrega abrangência e letalidade suficientes para expor a matriz dos interesses que hoje fustigam o governo, sangram o PT, asfixiam a Petrobrás e não hesitam em quebrar o Brasil.

Com tal radicalidade, a PL 4330 ressuscitou algo que parecia ter se perdido na imparcial conduta do juiz Moro no combate à corrupção: a luta de classes.

Borrada igualmente fica a narrativa que equipara a encruzilhada do desenvolvimento brasileiro a uma monocausal paralisia sanável com água, sabão, arrocho e fim do governo do PT.

Nenhuma faxina restauradora terá o efeito desejado, porém, ressalva o jogral conservador, se a viga mestra do edifício econômico não for recolocada no devido lugar: ‘é preciso derrubar o custo Brasil’, cortando a mãe de todos os despropósitos, o custo do trabalho.

Esse é o pulo do gato do país de Getúlio Vargas para o de Aécio, Skaf & Cunha e assemelhados.

A isso se propõe a PL 4330, ao autorizar o desmonte da CLT em todos os setores, para todas as funções laborais, em plena retração do emprego e da economia brasileira.

O ímpeto conservador quebrou o cristal do combate entre puros e sujos ao fazer aflorar a pertinência da luta dos trabalhadores e de suas organizações contra a pantagruélica bocarra dos detentores da riqueza.

Foi esse discernimento perigoso que escapou da garrafa para as ruas de todo o país na semana passada, em manifestações de dezenas de milhares de pessoas em 23 estados contra a terceirização.

A evidência prática do que é capaz uma frente ampla motivada e mobilizada — neste caso em pouquíssimos dias e com o boicote sabido do dispositivo conservador — gerou efeitos igualmente pedagógicos.

Informe-se para os devidos fins: a rua funciona.

Lula sabe disso. Mas o cerco dos punhos de renda ao seu redor insiste em sombrear seu discernimento.

Desta vez não deu.

Em questão de horas, a bancada dos patrões recuou.

Depois de votar maciçamente pela implosão dos direitos trabalhistas, o Congresso adiou o escrutínio das emendas finais à PL 4330 para a próxima quarta-feira, 22/04.

Não sem defecções.

Metade da bancada do PSDB hesita agora em expor seu rosto e seu nome na votação final.

A rua funciona.

Essa lição tem um valor inestimável nos dias que correm.

Em primeiro lugar, para tirar o campo progressista do atoleiro das elucubrações existenciais e focar no que importa.

O que importa, insista-se contra o enfado dos punhos de renda, é construir nas ruas a frente ampla progressista que pode representar os intereses majoritários da sociedade no enfrentamento da ofensiva das elites.

O conservadorismo brasileiro, guardadas as devidas proporções, resolveu reeditar aqui o 1984 inglês.

Como se sabe, o 1984 inglês passou à convenção dos valores mercadistas como o ano em que o neoliberalismo veio à luz, graças à derrota sangrenta imposta por Margareth Tatcher a uma greve de mineiros de carvão que durou um ano.

O sindicato era um símbolo da luta operária europeia tendo sido o principal responsável pela conquista de uma avançada legislação de direitos trabalhistas ainda no século XIX.

A primeira ministra conservadora tinha opinião formada sobre isso.

“Maggie’ encarava o poder mineiro como a antessala do comunismo.

Via na sua tenacidade um inibidor da liberdade dos mercados, que onerava os custos de produção, alimentava a inflação, corroía a competitividade da economia inglesa nos mercados mundiais.

Soa familiar?

Exatamente.

Para esmagar os mineiros, a primeira-ministra, cuja morte em abril de 2013 inspirou um animado carnaval fora de época nas ruas da Inglaterra, não poupou truculência e contou com a solidariedade de classe.

Reagan forneceu carvão a baixo custo à amiga ‘Maggie’ para que seu governo pudesse atravessar o inverno rigoroso da velha Albion, sem ceder aos trabalhadores.

Vitoriosa, Tatcher aproveitou o refluxo do movimento operário para completar o serviço.

Uma legislação restritiva imobilizou os sindicatos.

A mudança na correlação de forças pavimentou a desregulação e a privatização da economia inglesa, consolidando-se então as bases do que ficaria conhecido como a hegemonia neoliberal no planeta.

O triunfo, porém, não teria sido tão retumbante — pelo menos não a ponto de oferecer uma nova síntese capitalista — sem a rendição do Partido Trabalhista, de Neal Kinnock.

Objetivamente, os trabalhistas — a social democracia inglesa — deixaram os mineiros sem retaguarda política ao aderir aos albores do neoliberalismo.

Anos mais tarde, ao fazer um balanço do seu ciclo, Tatcher mostrou-se reconhecida. Ao ser indagada sobre qual teria sido a sua principal obra, respondeu com um sorriso mordaz: ‘Tony Blair’.

O desafio da frente ampla progressista é não permitir que 2015 seja o 1984 brasileiro.

Não é pouco o que está em jogo.

A PL 4330 não é um embate pontual.

Trata-se de uma chave-mestra.

Com ela pretende-se arrombar a agenda do desenvolvimento para, de uma forma definitiva, enquadrá-lo na lógica global do neoliberalismo espoliativo.

A exemplo do que se passou sob Tatcher, a desregulação do mercado de trabalho brasileiro não apenas favorece essa mutação.

Ela torna essa travessia funcional; estruturalmente compulsória.

Ao desativar o potencial ordenador que a pujança do mercado de massa brasileiro exerce nas balizas do desenvolvimento, abrem-se as portas para uma mexicanização da economia.

Mão de obra barata e pobreza sem fim; abertura comercial desenfreada e desmonte de políticas soberanas de desenvolvimento.

Nem Brics, nem pré-sal, nem integração latino-americana.

Maquiladoras, Alca, desigualdade, gangues, anomia.

Revogada a estaca estruturante deixada por Vargas — que redundou no sindicalismo metalúrgico do ABC e num Presidente operário até hoje não digeridos pelas ‘classes produtivas’ (sic) tudo o mais escorre com a água do banho.

Políticas sociais, previdência universal, valorização do salário mínimo, SUS etc

Não há tempo para ingenuidade.

A velocidade espantosa com que as coisas se dão exige respostas de uma prontidão engajada e corajosa.

Há apenas dois anos, o país discutia o ‘apagão’ de mão de obra e a frontera do pleno emprego.

Em 29/04/2013, uma reportagem de ‘O Globo’ tinha como título: ‘’Dificuldade para contratar, a maior queixa das empresas’. O texto exprimia a insatisfação empresarial com uma taxa de desemprego que escavava o seu ponto mais baixo em uma década.

‘O apagão, antes concentrado em cargos mais qualificados, começa também a chegar a outros setores, como construção civil e comércio’, lamentava a reportagem.

Derrubar as pilastras do pleno emprego e de seus desaforos intrínsecos — salários reais em alta, benefícios maiores, sindicatos fortes e empregados altivos — é a obra demolidora a que se atira diuturnamente o mutirão do arrocho desde então.

É essa a filiação da A PL 4330.

Trata-se de uma marretada de classe; uma margareth tatcher na forma de lei.

Para demolir ao mesmo tempo dois inconvenientes: o custo do trabalho e o poder político do trabalhador.

A ambição não é nova.

Em 2001, uma legislação equivalente foi aprovada na Câmara Federal, presidida então pelo tucano Aécio Neves.

Antes que a medida chega-se ao Senado, porém, Lula chegou ao poder.

Arquivou-se por 14 anos o assalto à carteira do trabalho.

A vulnerabilidade atual do PT, associada à transição de ciclo econômico que estreitou a margem de manobra do governo, reabriu a ‘cunha’ para ombrear o país ao mundo e colocar de joelhos o trabalho assalariado.

Lênin classificava esse tipo de ofensiva como ‘formas científicas de extrair o suor ’.

Assim como a reengenharia dos anos 80, o downsizing da década seguinte, o assalto ao suor do povo brasileiro agora é vendido à opinião púbica como um poderoso impulso ao crescimento e à criação de vagas.

Se a experiência precedente servir de parâmetro não há razões para tanto otimismo.

Como diz o editorial de Carta Maior no Especial sobre os Brics:

‘A devastação do mundo do trabalho pelo desemprego e a supressão de direitos é a tônica do nosso tempo. É como se uma gigantesca engrenagem cuidasse de tomar de volta tudo aquilo que transgrediu os limites da democracia política formal em direção a uma verdadeira democracia econômica e social.

Instala-se em seu lugar um paradigma de eficiência feito de desigualdade ascendente.

A política contribuiu de maneira inestimável para o modo como essa lógica se impôs.

Erros e derrotas acumulados pela esquerda mundial desde os anos 70, sobretudo a colonização de seu arcabouço programático pelos valores e interditos neoliberais — de que tanto se orgulha Tatcher — alargaram os vertedouros de uma dominância financeira cuja presença tornou-se ubíqua em todas as esferas da vida humana.

A queda do Muro de Berlim, em 1989, consagraria aquilo que os mais apressados se atreveram a denominar de ‘fim da historia’. Não era. Mas os sinais vitais nunca se mostraram tão frágeis para inaugurar um novo ciclo.

Não por acaso, ao sobrevir o colapso neoliberal em 2008 configurou-se ineditamente uma ruptura capitalista desprovida de força social capaz de transformá-la em mudança de época.

O que se paga agora em perdas e danos sociais é a fatura desse vazio’.

Para clarear as coisas: não foi a crise atual que gerou o arrocho e a pobreza em desfile no planeta.

Foi a precarização do trabalho irradiada desde meados dos anos 80, bem como a implosão das fronteiras nacionais do desenvolvimento — sobretudo com o advento das cadeias globais na indústria — que conduziram ao desfecho explosivo da crise de 2008.

Para quem cogita que a PL 4330 possa conter uma semente de mostarda de modernidade e de capacidade de regeneração do crescimento e do emprego brasileiro, vale lembrar:

Reagan em 1981, antes até de Tatcher, impôs um derrota simbólica esmagadora à greve dos controladores de vôo norte-americanos. A partir daí, desencadeou um devastador sucateamento laboral nos EUA.

Fatos:

— desde 2000, a classe média americana munida de diploma universitário não tem aumento real de poder de compra;

— mais de 46 milhões de norte-americanos vivem agora na pobreza, constituindo-se na taxa mais elevada dos últimos 17 anos: 15,1% ;

— em termos absolutos, o contingente atual de pobres dos EUA é o maior desde que Census Bureau começou a elaborar as estatísticas há 52 anos.;

— os EUA gastam atualmente US$ 80 bi por ano com ajuda alimentar - o dobro do valor registrado há cinco anos;

— desde os anos 80, a dependência de ajuda para alimentação cresce mais entre os trabalhadores com alguma formação universitária — sinal de que sob a égide dos mercados desregulados, a ex-classe média afluente não consegue sobreviver sem ajuda estatal;

— cerca de 28% por cento das famílias que recebem vale-refeição são chefiadas por uma pessoa com alguma formação universitária;

— hoje o food stamps atende 1 em cada sete norte-americanos;

— de 2000 a 2011, salários baixos e desigualdade foram responsáveis por 13% da expansão do programa — contra 3,5% entre 1980 e 2000;

— pesquisas relativas ao período de 1979 e 2005 (ciclo neoliberal anterior à crise) revelam que 90% dos lares norte-americanos viram sua renda cair nesse período; apenas 1% das famílias ascendeu à faixa superior a meio milhão de dólares;

— 21% dos menores norte-americanos vivem em condições de pobreza atualmente.

O quadro acima não é genuíno.

Um quarto de todos os lares da Inglaterra e País de Gales, cerca de 20 milhões de pessoas, vive em estado de pobreza atualmente, num sólido legado de sucessivos governos neoliberais, desde Tatcher, passando por Blair até chegar a Cameron;

— relatório recente da OCDE — não propriamente uma trincheira progressista — indica que a renda média de 10% das pessoas mais ricas nos países desenvolvidos é nove vezes superior à renda media dos 10% mais pobres.

Foi sobre essa base social esfacelada pela precarização e a transferências de empregos e empresas às 'oficinas asiáticas', que se instalou o colapso neoliberal.

Ao incentivar o consumo dos sem renda com uma oferta desmedida de crédito, a especulação financeira desencadeou a espiral que levaria às subprimes.

O resto é sabido.

Ao contrário do que afirma o trio Cunha, Skaf & Aécio, portanto, o desmonte do mundo do trabalho não apenas se revela uma resposta inadequada à superação da crise e à criação de vagas , como se destaca entre os fatores que desencadearam o seu colapso nas nações ricas.

Estamos falando de economias cuja participação do trabalho na renda nacional — embora declinante — ainda é bem superior à brasileira, que recuou de mais de 56% nos anos 50, para um patamar inferior a 40% ao final do governo FHC.

Embora tenha retomado a curva ascendente no ciclo do PT, persiste ainda muito distante do pico registrado há mais de meio século.

É sob esse pano de fundo que a PL 4330 evidencia seu impulso regressivo, capaz de arrastar diferentes elos e dinâmicas da luta pelo desenvolvimento no século XXI.

Esse risco gigantesco, paradoxalmente, encerra também o poder de desencadear o seu antídoto.

Qual?

A energia coletiva hoje desperdiçada em descrença individual, prostração solitária, perplexidade imobilizante, sectarismo ideológico e uma incontável constelação de pequenas reuniões em casas de amigos, em foruns sindicais, em debates universitarios e conversas avulsas de brasileiras e brasileiros inconformados com o assalto conservador em marcha no país.

As manifestações do último dia 15 podem ter sido a primeira trinca nesse dique de perplexidade em direção a uma frente ampla da revolta com o desassombro, da esperança com o engajamento coletivo.

A petulância conservadora chegou a tal ponto no Brasil que o presidente da Câmara marcou a nova votação do PL 4330 para a semana anterior ao 1º de Maio.

Chegou a tal ponto que devolveu o sentido de ir às ruas neste dia 1º de Maio de 2015.

A ver.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Campeonato Nacional do Aqzrhj

Os times estão definidos, com todos seus atletas em forma. Mas, nas primeiras partidas do torneio, alguns times saem da competição apoiando outros, que permanecem no páreo. Com isso, o campeonato se resume a uma disputa de três agremiações. Logo depois, um dos times é eliminado e, então, se passa para o jogo decisivo do campeonato. Os dois finalistas prometem fazer um jogo muito apertado. A agremiação azul e amarela, com todo apoio da mídia, começa com muita esperança na vitória. Mas, à medida que o tempo passa, um artilheiro baixinho, franzino, nordestino, com a fala do povo e forte jogo de cintura desconcerta o adversário.

Neste país de impunidade dos poderosos, paraíso dos usurpadores e exploradores dos humildes, as televisões, rádios, jornais e revistas buscavam descaradamente, durante todo o campeonato, insuflar uma rebelião de forma a melar o jogo e entregar a taça de campeão à agremiação azul e amarela, cujos integrantes fazem parte do grupo que detém estes veículos de mídia, todos do alto da pirâmide. A verdade é que, como a população tem essa obsessão pela democracia e esta tem o perigo de um ator não seguir o script programado para ele, o plano para ganhar o campeonato pode dar todo errado. Eles sempre articularam bem, pois conseguiram ludibriar o povo inúmeras vezes e, com isso, retinham a taça do poder.

Porem, este esquálido e virtuoso jogador conseguiu humilhá-los, inclusive ao levar tradicionais aliados deles para o seu lado. De qualquer forma, sabe-se que esta não é uma perda irreparável, porque estes se lançam sempre para quem tem maior chance de ser campeão. O povo aceitou livremente idolatrar este jogador, o que significa que ele, povão, não responde mais aos mecanismos de ilusão do marketing político aplicados pelos poderosos. Estes partiram, então, para a última e definitiva cartada, pois a pior coisa para eles, logo depois da morte, é o distanciamento do poder.

Muito dinheiro foi pedido para uma liga estrangeira, que tem grande interesse aqui, e foram prontamente atendidos. É claro que vão ter que dar compensações futuras. Especialistas em povo aconselharam a atacar os vermelhos, seus desafetos, nas suas honestidades, pois isto sensibiliza o povo. Como em todo universo, a diversidade campeia, buscou-se desonestos entre eles, cuja incidência é até menor do que em outras agremiações. A espionagem eletrônica da liga estrangeira, que cobre o mundo inteiro, ajudou a identificá-los. Aí, entrou em ação, mais uma vez, a mídia manipuladora a atuar de forma que nem o jogador virtuoso conseguiu se contrapor. Mas o campeonato já tinha acabado e um novo só daqui a quatro anos. Contudo, este tempo sem usurpar o povo é muito para eles.

Tem um juiz que está ajudando muito, sem medir todas as consequências, a causa deles. A idéia óbvia é ligar a corrupção de alguns vermelhos a todos eles e ao campeonato recém-conquistado. Entretanto, os orixás não gostam deles ou eles estão querendo o impossível, pois não conseguiram fazer esta ligação. As sanguessugas do povo estão em desespero, pois querem retomar de qualquer jeito a taça conquistada e já entregue. Apelar para a força bruta irá agredir a população, que possui tristes memórias recentes. A solução é plantar pela mídia na mente dos aqzrhjeiros que o campeonato foi fraudado, sem serem necessárias provas verdadeiras.

Com a firme determinação de um “tudo ou nada”, os discípulos de Goebbels repetem mentiras à exaustão e chegam a torcer para que a economia do Aqzrhj deteriore, enfim que o circo pegue fogo. Insuflam ódio entre classes, buscam induzir que existem verdades superiores fora da Constituição e das leis, que precisam ser atendidas, mesmo que as agridam. Então, o “fora a presidente eleita” deve ser aceito, como uma decisão justa. Jogar com o dono da bola e do estádio dá nisso, você pode ganhar o jogo, mas ele vai querer levar o campeonato. O pior é que ficar consciente, no meio desta dominação, deprime. Desculpem-me.

Paulo Metri
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Nova sócia liga Serra a escândalo do Implicante

Serra abraçado a Cristina
Em fevereiro passado, a Appendix, empresa responsável pelo site Implicante, teve uma mudança na sociedade.

Ingressou como sócia majoritária, ao lado de Fernando Gouveia, Cristina Ikonomidis.

Cristina foi uma das peças-chave de Serra no governo de São Paulo.

Como secretária adjunta de Comunicação Institucional, ela coordenava, pessoalmente, as visitas que o então governador Serra fazia regularmente a escolas públicas de São Paulo.

Ela foi citada num telegrama diplomático vazado pelo Wikileaks, em que o tema era Serra, então um forte candidato à presidência. O telegrama foi passado pelo consulado geral dos Estados Unidos a Washington.

Cristina narrou a seu interlocutor do consulado as visitas de Serra às escolas e, para comprovar quanto ele era amável com as crianças, mostrou diversas fotos.

Como funcionária do círculo íntimo de Serra — o criador da expressão “blog sujo” — era Cristina que fazia o corpo a corpo com a imprensa em matérias desfavoráveis ao governador.

Numa carta enviada à Folha, ela se queixou das “baixarias” dos adversários de Serra.

Aparentemente, o que o Implicante faz — ou fazia — não se enquadra no conceito de “baixaria” para Cristina.

O documento que rearranja a sociedade
O documento que rearranja a sociedade

No DCM
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Pra que mudar a lei, por que cumprir regras, abstrata interpretação das justificativas de Gilmar Mendes


Gilmar Mendes afirmou que mudança na lei não tem impacto para  resolver corrupção no Brasil. Roubar, seria como que natural nessas terras brasilis. Assim aperfeiçoamento das nossas normas jurídicas são procedimentos inócuos. Se dá ao direito de travar pauta do STF e sinaliza que não cumprindo regras da casa ele da bom exemplo conduta.

Reportagem do Estadão de 16/Abr/2015, comenta de citação a respeito dos escândalos do mensalão e da Petrobras, onde o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes em entrevista teria afirmado que quem comete ilícitos tem o “DNA do roubo” e não é a alteração do sistema que inibirá atos irregulares. 

Indicado ministro do STF pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, depois de exercer atividade de advogado-geral da União, admitiu,  “a causa da corrupção pode estar associada à questão do financiamento de campanha”. “Mas, se amanhã se adotar um modelo público ou exclusivamente das pessoas naturais, será que vai banir das terras brasilis o germe da corrupção? Será que alguém acredita nisso?”

Em Dez/2002, no final do seu mandato de presidente, FHC promulgou a Lei 10628/02, acrescentado a competência especial por prerrogativa para sua função, prevaleceu que inquéritos ou a ação judicial é para ser iniciado após a cessação do exercício da função pública. FHC bem sabia da sobrecarga histórica no STF. Assim poderia ter avaliado do potencial de processos relativos ao período de ex-presidente expirando por decurso de prazo. Outros pontos importantes, a contagem de tempo continua mesmo o processo engavetado para vistas. E da boa convivência do STF com golpismo, no Brasil tipicamente de elite-politico-militares. Assim, tal como tradicionalmente, STF define prioridades carregando estreita resolução para interesses políticos. 

E  na entrevista teria sido oportuno perguntar, se DNA de Gilmar inibe irregularidades?  E se por similaridade de tipo de proposito, para Gilmar Constituição e outras normas jurídicas também não servem para fins de inibir, ou banir, ou punir malfeitos. E por consequência, concluir a norma jurídica formal não é parâmetro para aos julgamentos dele. 

Da aberração de mandar prender e mandar soltar, com base em dedução, e da interpretação subjetiva da norma jurídica, ganharam status de Semi-deuses. Resquício antirrepublicano plantado na Constituição moldada por juristas.

Gilmar livrou da cadeia condenado em razão de detalhes de formalidades não cumpridos pelo policial. No lugar, poderia ter mandado prender o policial. Será que Gilmar estava preocupado em inibir pratica de crime quando livrou Daniel Dantas? Sabe-se lá qual o argumento vai buscar para suportar sua decisão. E os prazos e regras do STF são opção dele Ministro as cumprir ou não.

Mensagem de Gilmar para a sociedade, da interferência gratuita e ligeira dele no caso Daniel Dantas foi de incentivo a pratica criminosa, o crime compensou. Mais valeu o detalhe do processo, uma má ação do policial intencionalmente o não produzirá imunidade ao criminoso. Corromper um policial garante distancia das garras da prisão. Gilmar ainda contrariou a recuperação dos valores materiais e frustrou a expectativa de representante da elite, corruptor de magistrados e políticos, continuar na cadeia para cumprir a pena que lhe fora imposta por magistrado. 

Ministro do STF está acima da maioria do povo e não precisa de DNA republicano. Brasil, toda minoria tem privilégios. Gilmar Mendes disse não se impressionar com “bateção de lata” e com “blogs de aluguel”. "Eu sou blindado. Não estou preocupado com a opinião pública (...) É preciso que tenha um juiz que tenha coragem de pedir vista”, disse Mendes.

Desde abril de 2014, trava o andamento no STF da ação contra financiamentos de campanhas por empresas, pediu vista, já se manifestou publicamente seu julgamento  do processo, mas se nega a devolver a ação .Seis ministros já haviam se declarado favoráveis à proibição. Se fosse numa partida de futebol, a ação/procedimento de Gilmar seria inaceitável ou dispensada, No STF, o julgamento só acaba, quando todos proferirem seus votos, não importa sem já tem voto de metade +1.

Gilmar consciente que seu voto é estéril, trava a pauta não devolvendo a ação. Urge acabarmos com excesso de poder Judiciário, Ministro sem ter a quem prestar conta, julgar com visão abstrata, o que, quando, e na velocidade que querem.

“Roubaram porque tinham o DNA do roubo e não porque fizeram para a campanha eleitoral. Não é o modelo que vai resolver esse tipo de questão”, disse Mendes 

O modelo proposto pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na ação que Gilmar Mendes engaveta a pauta no Supremo prevê, restrição da doação empresarial e teto comum para doações de pessoas físicas. 

José Renato O. Sampaio
No GGN
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Trollagem do Amor Comunista


Dia 12 de abril, no coração da Avenida Paulista, decidimos realizar uma intervenção artística em pleno território inimigo. Nosso propósito? Saber se a turma verde-amarela ficaria chocada com a cor do coração.

Atrizes - Maira e Tati
Fotografia - Marcia Zoet
Edição - Rodrigo Machado



Jornalistas Livres
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Contra a corrupção!

"Chega. Não quero nunca mais tocar neste assunto de petróleo. Amargurou-me doze anos de vida, levou-me à cadeia — mas isso não foi o pior. O pior foi a incoercível sensação de repugnância que desde então passei a sentir sempre que leio ou ouço a expressão 'Governo Brasileiro'".

Em 1936, Monteiro Lobato escrevia "O Escândalo do Petróleo", em que denunciava a corrupção do Serviço Geológico Nacional — quase 20 anos antes da criação da Petrobras. Foi preso e sua prisão o levou à falência, da qual nunca se recuperou. Morreu aos 66 anos.

Nos anos 90 foi a vez de Paulo Francis denunciar a corrupção da estatal e morrer afundado em dívidas decorrentes do processo.

"Para acabar com a corrupção é preciso varrer o PT do país", disse Aécio Neves (PSDB), que pelo visto acredita piamente na idoneidade do PP, do PR, do DEM, do PMDB. Um dos problemas da oposição é que ela superestima o PT. O PT não inventou nem o Bolsa Família (salve Cristovam Buarque), principal bandeira do partido — imagina se teria inventividade para inaugurar a corrupção.

Bradar contra a corrupção é a forma mais rápida de se eleger no país. Foi essa bandeira que elegeu, entre outros, Fernando Collor de Mello — o "caçador de marajás". Collor não tinha história nem ideologia, tinha só a fama — bancada pelos principais meios de comunicação — de guardião da moralidade.

Desconfio de qualquer pessoa que se diga contra a corrupção. A razão é uma só: ninguém é abertamente a favor da corrupção, logo não faz sentido protestar contra ela. Um protesto sem oposição é um protesto chapa-branca, porque não atinge ninguém diretamente. É como protestar contra o câncer. "Abaixo o carcinoma!"

O câncer não tem bancada no Congresso. Protestar contra ele não vai ofender ninguém. É preciso atacar o amianto, o glutamato monossódico, os agrotóxicos e as tantas substâncias cancerígenas defendidas por muita gente e consumidas por todos nós.

A corrupção no Brasil é permitida e incentivada pela lei — e a lei não deve mudar tão cedo. Quem poderia mudar a legislação é quem mais lucra com ela.

Não é de se espantar que Eduardo Cunha (PMDB) — o homem-amianto —, que arrecadou (declaradamente) milhões de mineradoras, faça tudo para impedir um novo código da mineração e o fim do financiamento privado de campanha. Enquanto os políticos forem eleitos por empresas, vão continuar governando para elas.

Gregorio Duvivier
No fAlha
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Márcio Aith, minha fonte de “O Caso de Veja”

Márcio Aith, instrumento de Mário Sabino em uma guerra interna na Veja contra Eurípedes Alcântara, uma novela em que havia de tudo, até Daniel Dantas


Não é surpresa o aparecimento de blogueiros profissionais bancados a peso de ouro pelo governo Alckmin. São contratados não apenas pelas agências de publicidade, mas por órgãos e fundações públicas. Há uma penca deles no Sebrae-SP e na Fundap.

Foi um modelo implementado inicialmente na era José Serra, por Andrea Matarazzo. Depois, mantido pelo subsecretário de Comunicações Márcio Aith.

Confrontado com a denúncia, Geraldo Alckmin terá que decidir se consolida o estilo de político que joga limpo ou se mantém a herança de Serra.

Não vale a pena perder tempo com os pistoleiros. Mais importante é entender quem comanda.

Aith passou por diversas redações. Deixou duas marcas: o fato de que vinha de uma família digna; e ser excessivamente ambicioso.

Ele foi uma das fontes que me alimentaram de informações na série “O caso de Veja”.

Antes de começar a escrever a série, passei algum tempo juntando informações para saber quem era quem, na implantação do estilo abjeto que tomou conta da revista e, também, do jogo em favor de Daniel Dantas.

No início julguei que fosse Mário Sabino, pelo que ouvira falar de sua agressividade jornalística.

Duas fontes mudaram minha percepção. Uma, um jornalista experiente que havia trabalhado com Sabino, e garantia que ele não tinha dimensão para grandes articulações. Outra, um assessor de Dantas, que me informou que a interlocução era com Eurípedes Alcântara, o diretor de redação. Afinal, era o homem de Roberto Civita.

Fiz algumas prospecções iniciais, com posts cutucando Eurípedes. Ele respondeu com comentários bastante agressivos, passando recibo.

Em um Roda Viva do qual participamos,  Aith me abordou na chegada. Elogiou meu tirocínio em identificar o papel de Eurípedes. E me contou que havia escrito reportagens contando as relações de André Esteves com Antônio Pallocci e, depois de uma visita de Esteves à Abril, Eurípedes matou a continuidade da cobertura.  Aliás, a reportagem era muito mais um aviso a Esteves, ao mencionar um pintor Linchestein, sem entrar em maiores detalhes. Típica reportagem para chamar para conversar — nesse caso, estratégia da Veja, não de Aith.

Senti que queria falar mais e, no final do programa, dei-lhe carona. Na volta me contou sobre as disputas entre Eurípedes e Sabino. A partir dali tornou-se minha fonte para “O caso de Veja”.

Falou do espaço que Eurípedes abria para o publicitário Eduardo Fischer, e também para Balarmino, do Rubayat, em troca da contratação de sua esposa como arquiteta.

Não usei essa informação familiar por considerá-la irrelevante e por respeito à família de Euripedes — respeito que não obtive quando o esgoto da Veja passou a atacar minha família.

No decorrer de inúmeras conversas, Aith contou-me que Gilberto Dimenstein era uma das fontes da Veja, para me atacar, e uma jornalista minha amiga (e mais amiga ainda do Eurípedes) tinha sido incumbida por ele de levantar minha fonte.

Com o tempo e as conversas constatei que o grupo de Sabino era constituído por Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e o próprio Aith. E Sabino respondia a José Serra, convicção que firmei após uma conversa dura com o próprio Serra.

Só faltava, àquela altura do campeonato, me tornar um instrumento para as guerras internas da Veja. No quarto ou quinto capítulo da série, passei a mirar também Sabino.

A partir daí Aith entrou em pânico. Telefonou-me dizendo que a disputa estava indo bem mas meus ataques tinham aproximado novamente Eurípedes e Sabino.

Um dia, Aith me telefona e pede para que eu bata nele. Como assim? Tem que bater, e me deu cinco motivos para um post desancando-o. Entendi que estava na mira de Eurípedes, desconfiando que fosse minha fonte. Atendi seu pedido. Um dos comentários colocados no post era de alguém que tinha sido amigo do seu pai. Dizia que era um homem digno e lamentava o filho. Aith me telefonou pedindo para tirar o comentário.

Conto isso porque, na ação que Sabino me moveu, uma das testemunhas de acusação foi o próprio Aith. E, agora, a confirmação de que é o responsável pelo financiamento dos ataques difamadores na rede me liberam definitivamente do off.

As informações sobre a conspiração interna provavelmente chegaram aos ouvidos de Eurípedes.

Algum tempo depois, Mainardi foi demitido da revista. Pouco tempo depois, o próprio Aith saiu. Mais um pouco, Sabino também caiu e assumiu um posto na CDN, de João Rodarte. Aí entendi a razão de Rodarte, em geral cuidadoso ao extremo, ter me narrado as tratativas para levar Esteves até Eurípedes. Havia uma parceria tão forte entre ele e Sabino que, quando a equipe da CDN praticamente exigiu a saída de Sabino da empresa — e não houve como mantê-lo, devido à sua agressividade no trato com os colegas — este ameaçou entrar com uma ação contra a CDN — mesmo tendo ficado poucos dias trabalhando.

Na Veja, sobrou só Reinaldo, devido à penetração que conquistou junto à ultradireita que se tornou público preferencial de Veja. Mas restrito à versão online.

São esses os detalhes da época.

Luís Nassif
No GGN
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