18 de abr de 2015

Picareta implicante: o mercenário do blog tucano terá de se explicar aos otários que acreditaram nele

Fernando Gouveia, aka Gravataí Merengue
Fernando Gouveia, o homem que recebe 70 mil reais por mês do governo Alckmin para detonar o PT e fazer propaganda tucana num site, é um caso de parasitagem antiga na internet.

Gouveia está tentando se explicar para os otários que acreditaram — ou fingiram acreditar — nas papagaiadas que publicou no blog Implicante. Um deles aparece no Facebook com uma saudação. “Parabéns pela parasitagem e cara de pau”. Outro pede um frila.

Gouveia, que se esconde há anos sob o pseudônimo idiota Gravataí Merengue, que deve achar genial, está há muito tempo exercendo sua especialidade: enxovalhar reputações na net. O alvo depende da grana.

Sua explicação longa e confusa para seu desmascaramento, em resumo, é a seguinte: “Eu não sou contratado, ponto.” Mais para a frente: “Precisam atacar uma contratação”. Como assim? No meio do caminho, aquele papo furado sobre tentar calar “opiniões nas redes sociais, especialmente contra o PT”.

E a mentira de que não se identifica como CEO no Implicante. Sim, se identifica como — veja que divertido —  “CEO, CFO, Capitão de Fragata, Diretor Jurídico, Diretor de RH, Diretor Musical e filho do dono do Implicante. No Twitter, @gravz.”

Fernando se esconde por trás do tal Gravataí. Sempre esteve colado nas sombras do poder público. Entre abril de 2001 e julho de 2003, foi assessor jurídico da prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Marta Suplicy.

De 2005 a 2008, foi chefe de gabinete da corajosa, coerente e independente Soninha Francine. Em 2006, chegou a montar um blog chamado Gerente Chuchu, atualmente desativado, em que criticava Alckmin.

Depois de um bate boca de Gravataí Gouveia, Soninha descreveu o assessor: “Argumentador compulsivo, polemista incansável, sarcástico, muito inteligente, muito bem informado, com um estilo ácido que resvala na violência. Acidez (ou violência) que as pessoas normalmente apreciam muito, quando é voltada para o ‘inimigo’”.

Uma graça, o rapaz.

No papel de Gravz, o publicitário virou uma referência reaça no Twitter, sempre atento a denunciar aquele pacote que você já conhece. “Quando blogueiro oficial do governo diz que os querem ‘calar’ por contar a verba pública, fica claro o MOTIVO pelo qual ‘falam’”, escreveu no Twitter. Também ironizou os supostos “caraminguás” do personagem Dilma Bolada.

Um picareta pseudoneoliberal mamando no que chamou de Gerente Chuchu para poder produzir lixo consumido por mentecaptos. O negócio agora vai ser Gravataí Manguaça explicar para seus cúmplices nos sites o que fazia com tanto dinheiro —  no mínimo, terá de dizer por que não dividiu o butim com eles para que pudessem apoiar com mais rigor e sinceridade a livre iniciativa, o estado mínimo e o PSDB.

Kiko Nogueira
No DCM
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Estadão inventa renda mensal de 300 mil de mulher de Vaccari

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/04/18/estadao-inventa-renda-mensal-de-300-mil-de-mulher-de-vaccari/

O Estado de S. Paulo de hoje publica uma matéria assinada pelo jornalista Fausto Macedo, que costuma ser mais sério do que isso, informando seus leitores de que no depoimento de Giselda Vaccari, esposa do ex-tesoureiro do PT, ela teria dito que sua renda mensal é de R$ 300 mil ao mês, recursos que se originariam de uma aposentadoria e do que recebe como psicóloga. É mentira.

Screenshot from 2015-04-18 14:08:21O blogueiro teve acesso ao depoimento de Giselda e apresenta o print abaixo. Ela fala em renda mensal de 3 mil reais. O que nas contas primárias deste blogueiro é só 100 vezes menos do que o informado pelo Estadão.

O depoimento também informa que o casal teria três imóveis. Sendo um o que mora, outro na praia e um escritório. Nada que um casal classe média paulistano que tenha trabalhado a vida inteira no Banespa não possa ter auferido de maneira licita.

O imóvel da praia, aliás, é de cooperativa e não da OAS, como tentam afirmar os jornalistas que deturpam até depoimentos assinados e públicos.

Vaccari tinha um imóvel da Bancoop, em Praia Grande, que foi comprado por uns aproximados 50 mil reais à época da construção. Deve ter vendido esse e incluído uma diferença para comprar o que a Bancoop tentou construir no Guarujá. Essa obra, porém, foi interrompida e assumida em acordo comercial pela OAS.

O prédio é o mesmo em que Lula tem sua “famosa cobertura”. Na narrativa da mídia tradicional o imóvel comprado numa cooperativa se tornou um caso de polícia porque a construtora que o assumiu é a OAS.

O massacre midiático e público a que Vaccari está sendo submetido nos últimos dias sem que haja nada objetivo contra ele é que deveria ser investigado. De repente, o Estadão multiplica por 100 a renda da esposa de Vaccari e milhares de pessoas começam a divulgar isso nas redes sociais? Ou seja, mesmo que o Estadão corrija no post o erro, já era. Giselda vai ser conhecida no Brasil inteiro como a mulher dos 300 mil reais por mês.

Isso é tão grave quanto o caso da Escola Base, mas como implica um petista, será tratado como algo menor. Já que na lógica do senso comum, independente dos fatos, o que vale é que mais um corrupto está sendo preso. E se a corrupção que lhe está sendo atribuída é uma invenção, pouco importa.

esposavaccari
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Eduardo Cunha formava rede de captadores de dinheiro com PC Farias, diz jornal


Em ação por danos morais contra o Blog, o deputado federal e atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), contesta um artigo de Luis Nassif que cita seu envolvimento com o chamado esquema PC Farias. Diz a defesa de Cunha que o texto, de maio de 2013 (leia aqui), "imputou-lhe falsamente fato ofensivo à sua reputação, uma vez que é público e notório que o 'esquema PC Farias' dedicava-se à corrupção e à sonegação fiscal, sendo o próprio PC lembrado como um malfeitor e inimigo público." Ele quer indenização por constar ao lado do homem que levou Collor ao impeachment.

O envolvimento a nível nacional de Eduardo Cunha nos escândalos que orbitaram em torno de PC Farias, no início da década de 1990, é registrado em reportagens do jornal O Globo. Em uma delas, de 14 de junho de 1992, o periódico publicou com exclusividade o nomes de "10 captadores de dinheiro" que formavam a rede montada por PC para alimentar a campanha presidencial de Collor em 1989.

"Segundo relatos, a rede de PC era formada pelos ex-secretários de Assuntos Estratégico Pedro Paulo Leoni Ramos (Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso), Paulo Octávio Pereira e Luís Estevão de Oliveira (Brasília), o ex-ministro de Educação Carlos Chiarelli (Rio Grande do Sul), o ex-deputado José Carlos Martinez (Paraná), o ex-governador João Castelo (Norte do País), o ex-presidente da TVE Leleco Barbosa, o publicitário Juca Colagrossi e o atual presidente da Telerj, Eduardo Cunha, do Rio", afirmou o jornal [imagem acima].

O esquema consistia em escalar um operador em cada região do país, com exceção de São Paulo, região coordenada única e exclusivamente pelo irmão de Collor, Leopoldo. No Rio de Janeiro, Cunha era um dos captadores da rede de PC. Segundo O Globo, à época, informantes relataram que uma parte dos recursos angariados pela rede de PC não foi usada na campanha de Collor.

"Os três informantes do Globo concordam com a avaliação feita por Pedro Collor de Mello, irmão do presidente [que entregou à Veja um dossiê contra PC Farias, quando este ameaçou entrar no mercado editorial de Alagoas e concorrer com a família Collor], de que teriam sido gastos apenas 60% ou 70% do dinheiro captado na campanha. Por essas contas, o saldo ao final do segundo turno teria sido de mais de US$ 30 milhões", apurou o jornal. Os captadores da rede de PC aceitavam doações de empresários "preferencialmente em dólares ou em Certificados de Depósitos Bancário (CDB)".

No dia seguinte, 15 de junho de 1992, o jornal dedicou uma página inteira para repercutir a notícia com governadores que passaram a exigir de Collor uma explicação sobre seu envolvimento com PC, acusado de tráfico de influência, enriquecimento ilícito, desvio de recursos de campanha, entre outros crimes.

A manchete principal era "Governadores exigem ação no caso PC" [anexo]. Na mesma página, Cunha, então presidente da Telerj (companhia de telefonia do Estado), ganhou espaço para se defender. Além de negar todas as informações sobre ter participado da rede de captadores de PC Farias, Cunha disse ameaçou processar o repórter que assinou a matéria sem consultá-lo antes.


No início dos anos 1990, os problemas envolvendo PC Farias não eram os únicos com os quais Cunha tinha de lidar. Ele também sofreu desgaste com uma série de reportagens da Folha de S. Paulo sobre sua atuação na Telerj. No período, ele foi acusado de lançar editais para a contratação de empresa que seria responsável pela elaboração e comercialização das listas telefônicas do Rio. À época, o jornalista Janio de Freitas escreveu que Cunha, com as licitações enviesadas, estava a favorecer empresas como a Listel, do Grupo Abril. Outra favorecida em decisões de Cunha seria a NEC, do Grupo Globo.

Janio também é autor de um artigo chamado "Os representantes" [anexo]. No texto, ele aborda os homens indicados por PC Farias para cargos importantes em diversos governos. O caso destacado como o mais "espantoso" é o de Eduardo Cunha, que com dificuldade foi removido da Telerj. Janio cravou que Cunha foi "escolhido a dedo" por PC para o cargo.

A volta com Jorge La Salvia


Quem defendia PC Farias no escândalo que pipocou no início do governo Collor e rendeu o impeachment do ex-presidente era advogado argentino Jorge La Salvia, que também comandava a Secretaria Geral do PRN na campanha de Collor, em 1989. 

La Salvia e Cunha retornaram com força às páginas de Folha de S. Paulo quando o hoje presidente da Câmara estava na chefia da Cehab (Companhia de Habitação do Rio de Janeiro), por indicação do deputado evangélico Francisco Silva (PRN). O jornal fez uma série de denúncias sobre a relação suspeita de Cunha e La Salvia, e isso custou a cabeça do hoje peemedebista, em 13 de abril de 2000 — sua mulher, então jornalista da Globo, viveu o constrangimento de noticiar a demissão da Cehab.

Em fevereiro de 2000, a Folha publicou a reportagem "Governo do Rio abriga ex-colloridos" [anexo], na qual sustenta que "Dois personagens do período Collor voltam a se encontrar, desta vez na Companhia Estadual de Habitação (Cehab) do governo Garotinho: Eduardo Cunha, tesoureiro no Rio de Janeiro da campanha presidencial de 89 e ex-presidente da Telerj (91 a 93), e Jorge La Salvia, ex-procurador de Paulo César Farias e que o teria ajudado quando fugiu do Brasil para a Tailândia. Eduardo Cunha assumiu a presidência da Cehab em setembro. Desde então, Jorge La Salvia frequenta o prédio da companhia, no centro do Rio."

Continua o jornal: "Ele [Cunha] dirigiu a Telerj de fevereiro de 91 a abril de 93, quando foi substituído, já no governo Itamar, por José de Castro. Era considerado, então, do esquema PC, mas sempre negou que tivesse participado do esquema. Cunha chegou a ser réu em um dos maiores processos do caso PC, acusado, assim como Jorge La Salvia e outras 39 pessoas, de envolvimento com Jorge Luiz Conceição, que operava contas fantasmas do chamado esquema PC.”

Relação Cunha-La Salvia é investigada

 
Em março do mesmo ano, na matéria "Governo do Rio abre sindicância" [anexo], publicou a Folha: “O governador do Rio, Anthony Garotinho, abriu ontem sindicância para esclarecer a presença de Jorge La Salvia na Cehab. La Salvia é acusado de ter participado do chamado esquema PC durante o governo Collor e responde a vários processos por sonegação fiscal. A Folha informou domingo que Jorge La Salvia frequentava a Cehab. O presidente da empresa, Eduardo Cunha, explicou, então, que La Salvia representava os interesses de uma empresa de administração de crédito imobiliário, a Caci, em uma licitação. Disse ainda que nunca tinha se encontrado com La Salvia na Cehab e que nunca o recebera em seu gabinete. Essa informação foi desmentida por um diretor da própria Caci, Sérgio Mauro Gomes, que informou que foi apresentado a La Salvia no gabinete de Eduardo Cunha.”

Em abril de 2000, no texto "Collorido ressurge em duas novas crises" [anexo]: "O argentino Jorge La Salvia é o ponto comum de três grandes crises recentes na política brasileira. Ele foi o procurador de Paulo César Farias, o PC, durante todo o governo Collor. É o estopim das investigações na Cehab/RJ, pela amizade com outro collorido, Eduardo Cunha. E aparece agora nas investigações que apuram a autoria dos grampos no BNDES. A Folha apurou que foram detectadas várias ligações telefônicas entre Temílson Antônio Barreto de Resende, o Telmo, indiciado como um dos autores do grampo, e Jorge La Salvia."

Francisco Silva foi, na época, o deputado evangélico responsável por abrir as portas do governo Garotinho para Eduardo Cunha. "Eles [Cunha e Francisco Silva] têm um outro fator em comum: o advogado Carlos Kenigsberg. Foi Kenigsberg quem representou, em janeiro, [Francisco] Silva no leilão em que o deputado arrematou [por menos de 20% do valor de mercado] a casa onde Cunha mora, na Gávea (zona sul).” O escândalo da casa também foi entendido como ocultação de patrimônio.

Na ação por danos morais, a defesa de Cunha reclama que o Blog "deixou de informar que o inquérito [instaurado contra Cunha e La Salvia] desobordou em ação penal trancada pelo Tribunal Regional Federal em sede de habeas corpus, por aticipicidade do fato denunciado."


Cíntia Alves
No GGN
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Rafael Correa: América Latina não permitirá uma intervenção dos EUA na Venezuela

Correa hizo una revisión de la VII Cumbre de las Américas realizada el pasado fin de semana en Panamá.
Foto: teleSUR
"A absurda ordem executiva dos Estados Unidos contra a Venezuela é apenas uma estratégia para alcançar a intromissão", disse o presidente do Equador.

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que a América Latina "não vai permitir uma intervenção dos Estados Unidos (EUA), na Venezuela", sob um ambiente de agressão constante denunciado pelo governo liderado por Nicolas Maduro.

Em seu habitual programa semanal Enlace Ciudadano, o chefe do Estado equatoriano reiterou a rejeição ao documento emitido em 9 março passado pelos EUA, no qual a Casa Branca qualifica a Venezuela como uma "ameaça incomum e extraordinária".

A este respeito, o presidente qualificou como absurda a ordem executiva contra a Venezuela. "Quem pode engolir essa história? Nem toda a América Latina junta representaria um perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos".

Correa disse que uma tal ordem "é apenas uma estratégia para alcançar uma intervenção na Venezuela (...), mas isso a América Latina do século XXI jamais permitirá".

Relações dos EUA e Cuba

Por outro lado, recordando a Sétima Cúpula das Américas, realizada no último fim de semana no Panamá, Correa congratulou-se com a aproximação entre o presidente de Cuba, Raúl Castro, e o presidente dos EUA, Barack Obama.

"Estamos contentes com a aproximação (...) Mas ainda há um longo caminho a se resolver, precisa devolver Guantánamo, e, especialmente, que parem as interferências em nossa região", acrescentou.

Correa também saudou a resistência de Cuba, que "depois de tantas décadas, o povo de Cuba continua a ser o mais livre e soberano do que nunca"; e assegurou que Cuba resistiu por anos o que "qualquer um dos nossos países não aguentaria nem três meses."

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Globo denuncia novo escândalo aéreo de Aécio


Segundo nota do jornalista Leandro Loyola, da revista Época, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) utilizou gratuitamente aeronaves do governo de Minas Gerais entre 2011 e 2012, com a finalidade de escapar de engarrafamentos; "Ao menos ele não voou até o aeroporto em Cláudio — aquele que foi desapropriado em seu governo nas terras do tio dele", pontua a nota, escrita com uma ironia que pode ter significados maiores; um deles pode ser o desembarque da Globo do golpismo liderado por Aécio no presente e também de seu projeto presidencial em 2018, ano em que a disputa pela vaga do PSDB se dará entre Geraldo Alckmin, José Serra e Marconi Perillo

O site da revista Época, das Organizações Globo, publica, neste sábado, uma irônica nota sobre o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Assinada pelo jornalista Leandro Loyola, ela informa que Aécio voou de graça, em aeronaves do governo de Minas, entre 2011 e 2012, para escapar de engarrafamentos.

Leia abaixo a nota que faz menção ao Aeroporto de Cláudio, construído pelo governo mineiro, numa área próxima a uma das fazendas do senador:

Senador Aécio usou helicóptero do governo de Minas para escapar de engarrafamento

O senador tucano Aécio Neves voou em helicópteros do governo de Minas Gerais por cinco vezes para se deslocar em Belo Horizonte e pegou carona num avião — também do governo — para viajar da capital mineira até Brasília. Os passeios começaram logo após Aécio deixar o governo de Minas e se estenderam até 2012. Aécio diz que está tudo dentro da normalidade. Ao menos ele não voou até o aeroporto em Cláudio — aquele que foi desapropriado em seu governo nas terras do tio dele.

O tom irônico da nota pode ter significados maiores. O mais imediato, o desembarque da Globo do projeto golpista de Aécio, que, na última semana, sugeriu três motivos diferentes para eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff (leia mais sobre isso em artigo sobre a coluna de André Singer deste sábado).

Voando de graça, em aeronaves públicas, "para escapar de engarrafamento", Aécio perde completamente a autoridade moral para falar em impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O recado da Globo também pode ter significados a médio prazo. Um processo de impeachment não interessa nada a três postulantes do PSDB à presidência da República: os governadores Geraldo Alckmin, de São Paulo, e Marconi Perillo, de Goiás, além do senador José Serra (PSDB-SP).

Ao que tudo indica, Aécio foi abatido em pleno voo na trama do impeachment e também em seu projeto presidencial de 2018.

No 247
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Golpe branco


Às vésperas das manifestações de 15 de março, o presidente do PSDB, Aécio Neves, tomou posição democrática. Deixou claro que o impeachment não estava na agenda do partido. Um mês depois, sem qualquer justificativa razoável, muda de posição e adere à tese golpista. O objetivo parece nítido: bloquear o governo, impedir que tenha um respiro e provocar a sua queda.

Conforme jurista de referência para o PSDB, Miguel Reale Jr., não há base jurídica para o impedimento. Eis o que escreveu em "O Estado de S. Paulo" (7/3/15): "A pena do impeachment visa a exonerar o presidente por atos praticados no decorrer do mandato. Findo o exercício da Presidência, não se pode retirar do cargo aquele cujo governo findou". Nada do que ocorreu no primeiro mandato serve para interromper o atual.

O próprio Aécio atestou a conhecida probidade de Dilma. "Acho que a presidente da República é uma mulher honesta, uma mulher de bem. Não faço nenhuma crítica a sua conduta pessoal. Acho apenas que ela está despreparada para governar um país da complexidade do Brasil." (Valor Online, 2/5/14).

Como o impeachment é aplicável apenas em caso de envolvimento direto do mandatário em crime de responsabilidade durante a gestão em curso, precisaria ter surgido um fato novo e recente para dar legitimidade à reviravolta de Aécio.

Na terça-feira (14/4), Aécio disse que haveria motivo "extremamente forte" para pedido de impeachment caso fosse comprovado que a CGU esperou o fim da eleição de 2014 para processar a empresa SBM, sediada na Holanda. No dia seguinte, o pretexto já era outro: a prisão do tesoureiro João Vaccari. "Estamos vendo o agravamento da crise política e cada vez ela chegando mais próxima do governo e da própria presidente da República", disse ao "Jornal Nacional".

Na quinta-feira (16/4), de acordo com os repórteres Dimmi Amora e Valdo Cruz, surgia um terceiro assunto para o PSDB advogar o impeachment, segundo Aécio. Se comprovada a participação da presidente em supostas manobras fiscais impugnadas pelo TCU e relativas ao exercício de 2014 o partido entraria com o pedido de abertura do processo de impeachment, que caberá a Eduardo Cunha aceitar ou não.

Aécio começa a fazer o papel de Lacerda em relação a Getúlio em 1954: era preciso, a qualquer custo, apeá-lo do poder. Mesmo que fosse por um golpe. Todos o sabiam. Seria melhor que lembrasse o avô. Tancredo era conservador, mas ficou com Vargas até o último momento. Recusou-se a votar no general Castelo Branco porque não apoiava golpes. Será um enorme desserviço à democracia brasileira se o PSDB embarcar em aventuras golpistas, mesmo que brancas, como fez a UDN.

André Singer
No fAlha
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A incrível sociedade do líder do PMDB na Câmara com um defunto

Como um morto se tornou o sócio generoso de Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara, e seu pai, Jorge Picciani, presidente da Assembleia fluminense

O PAI, O FILHO E O FANTASMA
O deputado estadual Jorge Picciani (PMDB-RJ) e o filho Leonardo Picciani (PMDB-RJ) (foto abaixo), deputado
federal. Eles lucraram ao negociar com um morto
(Foto: Bianca Pimenta/Ag. O Globo)
(Foto: Marcelo Theobald/Extra/Ag. O Globo)
No final da manhã de 28 de setembro de 2012, os donos da Tamoio Mineração se reuniram na sede da empresa em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Avaliada em R$ 70 milhões, a pedreira fornece brita para empreiteiras que fazem obras públicas de infraestrutura. Segundo a ata da reunião, o acionista Joaquim Vivas Caravellas compareceu à Assembleia Extraordinária. Vendeu as 100 ações que tinha aos outros dois sócios e assinou um documento selando o negócio. Caravellas, porém, estava morto havia um ano e cinco meses. Morrera em 21 de abril de 2011, aos 87 anos. O negócio feito pelo defunto beneficiou um poderoso clã político do PMDB, em ascensão no cenário nacional.

O patriarca é o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani. Um de seus filhos, Leonardo Picciani, é o líder do partido na Câmara dos Deputados. Outros dois filhos são sócios numa empresa da família, a Agrobilara: Rafael, deputado estadual e secretário municipal de Transportes do Rio, e Felipe, que fica à frente dos negócios da família. Os acionistas que compraram as ações do defunto foram a Agrobilara, empresa dos Piccianis, e Carlos Cesar da Costa Pereira, o Carlinhos, empresário do ramo de tubos de concreto.

A assinatura de Felipe Picciani aparece no documento de aquisição das ações abaixo da firma do falecido. Carlinhos, o outro comprador, disse ser amigo de infância de Felipe e que, por isso, o convidou para o negócio. Também estava presente o economista Jorge Luiz Ribeiro, amigo de Jorge Picciani. A Agrobilara e o empresário Carlinhos revenderam a Ribeiro, imediatamente, 8% das ações da pedreira. Ribeiro nega ter “sociedade específica com Picciani”. “Sou sócio junto, faço parte da mesma empresa”, diz.

Depois de comprar ações de um homem morto, Picciani culpa o contador

Os Piccianis confirmam a operação, mas culpam o contador da família Caravellas por uma confusão. “O contador dos vendedores foi quem preparou os documentos da transferência. Se alguém cometeu um equívoco, por ele (contador) deve ser sanado”, afirma Jorge Picciani, em nota. O contador não respondeu aos pedidos de contato. Reinaldo, filho de Caravellas, não soube explicar como a assinatura do pai aparece em documentos firmados após sua morte. O outro sócio na pedreira, Carlinhos, tampouco tem uma resposta.

Uma das grandes forças políticas do Rio de Janeiro, Jorge Picciani preside o PMDB fluminense desde 2011. Atua de forma discreta, mas vigorosa, nos bastidores. Nenhuma costura política ou eleitoral envolvendo o PMDB no Rio vinga sem a anuência do deputado, eleito presidente da Assembleia Legislativa pela quinta vez. O governador Luiz Fernando Pezão evita confrontá-lo. Picciani costuma ajudar prefeitos, vereadores e deputados em campanha, em troca de retribuição eleitoral. À frente do PMDB fluminense, geriu doações de R$ 55 milhões na corrida estadual de 2014, decidindo quais candidatos receberiam os recursos, e foi o líder do movimento “Aezão” — no qual prefeitos e deputados do Rio apoiavam a candidatura de Aécio Neves a presidente sem abandonar Pezão, que concorria ao governo do Rio em aliança com o PT.

Na vida privada, a família Picciani se dedica à pecuária desde 1984, quando comprou a primeira fazenda. Hoje são quatro propriedades em Rio das Flores, no Rio, e outras em Uberaba, Minas Gerais, e São Félix do Araguaia, Mato Grosso. É um dos maiores criadores de gado nelore do Brasil. Adversários políticos o chamam de “rei do gado”. Se a atuação dos Piccianis na pecuária era conhecida, os negócios em mineração são novidade. Depois de entrar na sociedade na pedreira Tamoio, em setembro de 2011, os irmãos Leonardo e Rafael multiplicaram o patrimônio por cinco.

Até a sua morte, Caravellas era dono de pelo menos três quartos da Tamoio. Ele começou a assombrar a Junta Comercial em 29 de junho de 2011, dois meses depois de morrer. Naquele dia, por volta das 13h30, alguém usando seu nome e assinando por ele apareceu na Junta para registrar os balanços financeiros de 2008 a 2010. A pedreira precisava colocar os papéis em dia, porque havia compradores interessados. Em setembro, a empresa dos Piccianis comprou 49,99% das ações da pedreira. O clã político tornava-se sócio do morto.

A assinatura no documento de venda, atribuída ao morto, não guarda nenhuma semelhança com outra firmada por Caravellas em um documento de 2000. Na original, o nome é ilegível e a escrita é contínua. Na assinatura post mortem, podem-se ler seus três nomes: Joaquim Vivas Caravellas. A assinatura suspeita é também a única no documento sem reconhecimento de firma. Para advogados especialistas em Direito Civil, um documento assinado em nome de uma pessoa morta é “inexistente”. O documento não tem efeito. Assim, a venda da pedreira à empresa dos Piccianis e a Carlinhos é um enredo de ficção — o que não o torna menos lucrativo.

Hudson Correa | Raphael Gomide
No Época
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O que o site Implicante conta sobre Alckmin

Jogo sujo
O problema do site Implicante não é exatamente o governo Alckmin dar um mensalão de 70 mil reais para seu editor.

Quer dizer: isto é um problema, dada a absoluta falsa de transparência com que o dinheiro vai dar na conta do editor, e considerados também os repetidos ataques do PSDB contra blogueiros supostamente favorecidos pelo PT.

Isso é cinismo, demagogia e desonestidade.

O maior problema, retomando o início do texto, é a canalhice descarada do conteúdo do site.

Não há, nele, nenhum compromisso com a verdade dos fatos, ou com o jornalismo. O que o editor Gravataí Merengue faz não é um caso jornalístico.

É um caso de polícia.

Veja, por exemplo, como ele trata a alegada encrenca entre Dilma e uma empregada, Jane, em torno de cabides. A informação — sem fonte nenhuma — saiu no blog de Ricardo Noblat.

Merengue transforma a especulação em fato confirmado e acima de dúvidas.

Esse tipo de conduta simplesmente não existe no jornalismo.

Todo o conteúdo do site é feito dessa maneira.

Os textos que desinformam e emburrecem acabam alimentando vítimas nas redes sociais — falo aqui dos analfabetos políticos, que acreditam em qualquer coisa.

Parte da assombrosa ignorância captada numa pesquisa da USP com manifestantes de 12 de abril deriva do poder corrosivo sobre as mentes de sites como o Implicante.

Nesta semana, não foi este o único assunto relativo ao jeito Alckmin de lidar com a propaganda.

Um jornalista que tinha sido contratado pela Jovem Pan para fazer boletins noticiosos publicou um texto em que contou que se demitiu quando foi proibido de falar sobre a Sabesp — anunciante da rádio.

Na Jovem Pan, é proibido falar da Sabesp.

Isto é Alckmin. Isto é Jovem Pan. Isto é Implicante.

E depois somos obrigados a ouvir sermões de Catões fajutos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Ética em Maquiavel


A crise de representação política em nosso país merece reflexão. Os manifestantes que participaram dos protestos anti-Dilma domingo na Avenida Paulista demonstram baixa confiança nos políticos (clique aqui). De maneira geral, 73% não confiam nos partidos, 70% não confiam nos políticos e 57% confiam pouco na imprensa. Nesse contexto, busquei reler um artigo que escrevi sobre Maquiavel (clique aqui). Creio que o florentino ainda tem algo a nos dizer.

Em 2013, o clássico “O príncipe” de Maquiavel completou 500 anos. Publiquei então um artigo buscando mostrar que a ética na política não é exatamente a mesma dos indivíduos. Segui, de certa forma, a formulação de Max Weber para as éticas da convicção (consciência individual) e da responsabilidade (consequências coletivas). Vejamos sucintamente algumas poucas questões pertinentes ao tempo presente.

Escrito no contexto específico de uma Itália fragmentada em principados, o pensador florentino deixou marcas profundas na filosofia política. Dificilmente se pode dizer que exista apenas um Maquiavel. Seus ensinamentos influenciam muitas pessoas no presente e muito provavelmente deverão continuar influenciando no futuro. Se Maquiavel continua tão capaz de nos perturbar, é porque talvez ele possa ter alguma razão.

Para o cientista político João Pereira Coutinho (“Folha de S.Paulo”, 26/11/2013), “no palco, tudo é luz e fantasia. Atrás do palco, existem muitas vezes situações de trevas em que, em nome do bem comum, o príncipe tem de cometer males inevitáveis”. Talvez a verdade seja mesmo invariavelmente insuportável para os seres humanos e, nesse sentido, o pecado de Maquiavel foi ter nos acordado para a ilusão de uma imagem virtuosa própria que gostamos de cultivar.

Maquiavel ressaltou os papeis da virtude (republicana) e da fortuna (circunstâncias) para o sucesso dos governantes. A atuação em benefício exclusivamente próprio não consta no rol de virtudes maquiavélicas. Um ponto que creio ser sempre merecedor de atenção diz respeito ao capítulo XXIII do seu clássico, de como se devem evitar aduladores. As escolhas de assessores próximos e colaboradores operacionais são fundamentais para o êxito do príncipe no governo, principalmente em tempos de crises e turbulências.

O maquiavelismo existia bem antes de Maquiavel, que o descreveu de maneira muito pedagógica e assustadora. Quem simploriamente acredita que o autor de “O príncipe” não se preocupava com o povo, recomendo uma leitura mais atenta do texto. Na dedicatória para Lorenzo de Medici, ele afirma: “para conhecer a natureza dos povos é mister ser príncipe, e para conhecer a dos príncipes é mister ser povo”. Afinal, a solidariedade costuma ser maior quando o povo participa do governo. Em uma nação não corrompida, na qual as instituições mantenham o bom exemplo e as virtudes, os cidadãos são estimulados a priorizarem os interesses coletivos.          

Rodrigo Medeiros é professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)
No GGN
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O protesto maciço das ovelhas contra o PT

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Barbara detona blogueiro tucano, que vai parar no TT Por70


Denúncia de que o jornalista Fernando Gouveia, que se apresenta como Gravataí Merengue, recebe uma mesada de R$ 70 mil/mês do governo Alckmin para fazer propaganda antipetista em sites como Implicante bomba nas redes sociais e está entre os assuntos mais comentados do Twitter; "Não são só esses agitadores de redes sociais que fazem o serviço sujo. Há gente pra lá de graduada metida no jogo. É só seguir a trilha do dinheiro para chegar até eles", diz a jornalista Barbara Gancia, que diz ter sido vítima de ataques do blogueiro; "Professor paulista ganha, em média, 2 mil por mês para educar. Blogueiro fofoqueiro ganha 70 mil por mês para deseducar politicamente", postou o perfil La Pasionaria; hashtag "Por 70" dispara no Twitter; José Simão também ironizou o governo Alckmin

Uma denúncia publicada hoje pela Folha de S. Paulo, sobre um blogueiro que recebe mesada de R$ 70 mil/mês do governo paulista para promover ofensas na internet (saiba mais aqui), está bombando entre os assuntos mais comentados do dia, nas redes sociais.

O blogueiro em questão se chama Fernando Gouveia, apresenta-se como Gravatái Merengue e mantém o site Implicante, que dissemina ataques ao PT e à presidente Dilma Rousseff. Uma das postagens, por exemplo, afirmava que a presidente "jogou cabides em empregada no Planalto" — trata-se de uma notícia falsa, negada pela ex-servidora. Em seu Twitter, Gouveia postou um texto em que se defende das acusações, mas não nega a mesada.

Gouveia vem sendo duramente atacado por profissionais de imprensa, que já foram vítimas de seus ataques. Quem se manifestou, neste sábado, foi a jornalista Barbara Gancia, que defendeu, inclusive, uma investigação da Polícia Federal sobre o caso.

"Professor paulista ganha, em média, 2 mil por mês para educar. Blogueiro fofoqueiro ganha 70 mil por mês para deseducar politicamente", postou o perfil La Pasionaria, um dos mais ativos no Twitter.

Leia, abaixo, o texto de Gancia:
Este senhorzinho é só um de dezenas. Que bom que eles estão começando a sair à luz do dia.

Engraçado verificar que seu site não contém uma só notícia que não seja para demolir o governo.

Nada contra demolir quem quer que seja, mas que tal ver uma notícia ou outra atacando a oposição de vez em quando?

Ou então, que constasse em algum lugar a informação de que se trata de propaganda paga pelo governo do sr. fulano de tal.

Afinal, estamos falando de um site que tem domínio "ponto org". A agência de publicidade Propeg é org ou ponto com?

Esse tal blogueiro antipetista @gravz que foi desmascarado aí é um dos tantos que já promoveram trollagem contra mim. É sobre ele e seu grupo que eu vira e mexe reclamo e falo no twitter, aqui, na rádio... Muita gente acha que é delírio, teoria de conspiração, que esse tipo de militância organizadíssima reptiliana e terrorita só existe do lado dos petistas. Pois eu lido com fake e com senhores como esse regularmente. It's part of the job description como dizem lá em Memphis e Connecticut.

Como também sou forçada a tolerar os anti-capitalistas obtusos, um mais óbvio e crasso do que o outro.

Outras denúncias virão.

Ainda bem que hoje temos uma Polícia Federal e uma Receita capazes de dar conta desse tipo de rastreamento com o pé nas costas, as mãos amarradas, de olhos vendados e... debaixo d ' água!
No 247
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Ao buscar o impeachment, Aécio tem tudo para ser vítima da histeria coletiva que ajudou a criar

Ele
O ódio, já apontou alguém, não é um bom conselheiro. Aécio Neves tem tudo para ser uma vítima da histeria coletiva que ajudou a fomentar.

Tentando pegar uma carona nos protestos, o senador está articulando com outros cinco partidos a pavimentação para um pedido de impeachment.

Depois de o PSDB encomendar pareceres a juristas, Aécio afirmou que, caso se comprove a participação de Dilma nas chamadas “pedaladas fiscais”, vai agir “como determina a Constituição”. Leia-se tentar o impedimento.

Líderes dos movimentos antigovernistas se reuniram com ele e com dirigentes do DEM, PPS, PSB, PV e SD. Cobraram uma posição clara sobre o afastamento de Dilma e de Toffoli, entre outras reivindicações listada numa Carta do Povo Brasileiro (sacou a pegadinha?).

Rogério Chequer — chamado popularmente de “Chequer Sem Fundo” —, do Vem Pra Rua, falou que o resultado das manifestações dependia agora do Congresso. “Por que a oposição não pode se organizar? Chegamos ao nosso limite, levamos 3 milhões de pessoas as ruas”, disse.

“Quero deixar claro que viemos aqui para dizer um sonoro sim para a pauta das ruas e queremos o apoio das redes sociais, dos movimentos, isso é o impulso que essa Casa precisa para fazer valer esse sentimento”, devolveu Aécio. “Vocês tem o instrumento que nos faltava, que é o apoio popular”.

Até ontem, Aécio era um golpista recalcitrante. No dia 15, deu o ar da graça na janela do apartamento no Leblon com uma camisa da seleção brasileira. No 12, não atendia nem o telefone. Isso depois de gravar um vídeo conclamando a população a ir para a avenida. Foi xingado, posteriormente, de cagão para baixo.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro era tratado como heroi. O deputado fascista foi tietado e apareceu em mais selfies na Paulista do que os PMs. Seu competidor era Ronaldo Caiado, o médico que veste uma camiseta amarela com quatro dedos em homenagem a Lula e está a cada dia mais celerado, especialmente depois da cacetada que tomou de Demóstenes Torres.

Embora esses grupos tenham dado um voto útil para Aécio contra Dilma, a agenda é obscurantista e antidemocrática, embora supostamente liberal. Têm como ponto em comum a inspiração em Olavo de Carvalho e seu anticomunismo doidivanas. O velho Olavo que considera o PSDB “um partido da Internacional Socialista” e que disse que Aécio foi uma “ejaculação precoce” em 2014. A tal carta cita uma das obsessões lelés olavísticas, o Foro de São Paulo.

Em Curitiba, o vereador tucano Professor Galdino saiu escorraçado da marcha do dia 12, depois de tomar cascudos. Um retrato do pessoal que essas milícias estão mobilizando está na pesquisa conduzida pelos professores Pablo Ortellado, da USP, e Esther Solano, da Unifesp, em São Paulo no 12 de abril. Apenas 23% confiam muito em Aécio e 11% no PSDB.

“Baixa confiança nos partidos; baixa confiança na imprensa: pilares da democracia liberal colocados em xeque”, resumiram Ortellado e Ester num artigo.

É com essa massa cheirosa que Aécio Neves está flertando em sua louca cavalgada. Parabéns aos envolvidos.

Kiko Nogueira
No DCM
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Globo, Sérgio Moro e você: tudo a ver!


Três grandes operações de investigação sobre corrupção/sonegação estão em curso no Brasil: Lava Jato, Zelotes e HSBC.

Pessoas e empresas graúdas estão envolvidas: Gerdau, RBS, Santander, grandes empreiteiras, presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, mais de 30 políticos do Partido Progressista (PP), o ex-governador de Minas Gerais, Antônio Anastásia, milhares com contas no HSBC suíço, inclusive a ex-esposa de Roberto Marinho, outros tantos políticos de outros partidos…

Uma lista infindável de pessoas, sendo que contra algumas delas pesam mais do que sérios indícios.

Quem vai “preventivamente” para a cadeia?

Empresários de empreiteiras que, em tese, poderiam acabar com a Petrobras e, por tabela, com o governo.

Quem mais?

O tesoureiro do PT.

De quem a mídia não para de falar?

Só do PT, claro. E do tesoureiro do PT, claro.

Só um completo idiota não vê a manipulação que está sendo feita pela Globo com a ajuda do premiado juiz Sérgio Moro.

Você? Você é o idiota dessa história.

Você vai para as ruas protestar contra o governo…

Tudo a ver…

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
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Até a fAlha cobra #DevolveGilmar


Editorial

Vista não é veto

O regimento interno do Supremo Tribunal Federal é bastante claro: "Se algum dos ministros pedir vista dos autos, deverá apresentá-los, para prosseguimento da votação, até a segunda sessão ordinária subsequente". Em geral, uma ou duas semanas, no máximo.

Gilmar Mendes naturalmente conhece a regra, mas dá de ombros para ela — assim como costumam fazer os membros do STF. Há mais de um ano seu pedido de vista interrompeu o julgamento sobre financiamento empresarial de campanhas eleitorais, e suas declarações recentes sugerem que o ministro não pretende liberar o processo para exame dos colegas.

Fica suspenso, assim, um debate na prática já decidido pela maioria. Faltando apenas quatro votos, o placar está 6 a 1 a favor de proibir doações de pessoas jurídicas — interdição da qual Mendes discorda e que, para ele, só poderia ser imposta por lei aprovada no Congresso.

Como apontaram Diego Werneck Arguelhes e Ivar A. Hartmann em artigo publicado na seção Tendências/Debates (15/4), a atitude de Mendes desvirtua um instrumento que deveria ser utilizado apenas quando o magistrado precisasse estudar um assunto de forma mais detida.

Em vez disso, a ferramenta transformou-se num "poder unilateral de veto não previsto" pela legislação, nas palavras dos dois professores da FGV Direito Rio.

De acordo com eles, a prática é disseminada. Nos pedidos de vista, quase 80% dos autos são devolvidos fora do prazo; o entreato, nesses casos, dura em média 443 dias.

E mais: após analisarem dados do projeto Supremo em Números, Arguelhes e Hartmann sustentam que esse intervalo não guarda relação com carga de trabalho ou índices de eficiência dos gabinetes.

Quanto a isso, o ministro Gilmar Mendes deu declaração esclarecedora. Pressionado por setores que defendem o fim das doações de empresas, disse não estar preocupado com a opinião pública e afirmou ser necessário que um juiz "tenha coragem de pedir vista". Ou seja, de bloquear a decisão sobre o tema.

Pode-se, obviamente, divergir da maioria dos ministros. Diga-se, aliás, que esta Folha já argumentou que seria melhor haver um limite absoluto para as contribuições eleitorais de pessoas jurídicas; a proibição dificilmente será efetiva e pouco fará pela transparência do financiamento de campanhas.

A posição individual de Mendes, porém, não pode prevalecer sobre a do colegiado — e não deixa de ser curioso que o ministro valorize as atribuições do Congresso, mas viole as regras do próprio STF.

Só há uma maneira de impedir a repetição desse hábito indevido: é preciso mudar o regimento do Supremo, criando mecanismos que garantam não só a devolução dos autos no prazo mas também a pronta retomada do julgamento.

Resta saber que ministro terá coragem de levantar essa bandeira.



Sem cerimônia

O Ministro Gilmar Mendes, em palestra no Instituto Legislativo Brasileiro nesta semana, disse que o Supremo não é o fórum adequado para discutir o modelo de financiamento das campanhas eleitorais: "Isso não é competência do Supremo, é do Congresso".

Até aqui tudo bem. É uma opinião sensata. Ao decidir sobre diversos pontos da reforma política nos últimos anos, o Supremo mais atrapalhou do que ajudou.

Em particular, sua decisão de impedir a criação de uma cláusula de desempenho, voltada a restringir o acesso das legendas pouco representativas aos recursos do Fundo Partidário e ao horário gratuito em rádio e televisão, contribuiu, em muito, para a manutenção de um sistema partidário com alto grau de fragmentação e promiscuidade.

A deferência ao Legislativo teria sido mais prudente, pois aqui não se trata de proteção de direitos em sentido estrito, mas da reconfiguração de um sistema eleitoral que há muito tem dado demonstração de mau funcionamento.

No caso do modelo de financiamento de campanha submetido ao Supremo, no entanto, já havia um processo em julgamento. O ministro Gilmar Mendes pediu vistas quando o placar já se encontrava em 6 a 1 a favor do modelo de financiamento exclusivamente público das campanhas. Ao ministro caberia aduzir seu voto. Se necessitasse de mais informação ou mais tempo de reflexão, tinha a faculdade de pedir vistas. O que fez.

O problema é que passado um ano ainda não devolveu o processo ao Supremo e apresentou seu voto.

Questionado sobre a demora, explicou que o pedido de vista seria um ato de coragem, comparando à concessão de um habeas corpus contrário ao clamor público.

O que fica implícito na fala do ministro é que o pedido de vistas não está sendo empregado para atender os objetivos legais para os quais foi concebido, senão para empacar o processo. Logo, não é um ato de coragem.

Como demonstraram meus colegas Ivar Hartmann e Diego Werneck, em preciso artigo nesta Folha na última quarta (15), a prática de pedir vistas para manipular a agenda do Supremo tem se tornado algo mais comum do que se imagina. Permitindo, assim, que apenas um ministro tenha capacidade de sentar em cima de um processo, estabelecendo um veto de fato sobre o seu desfecho.

Se somarmos a isso um outro problema antigo no Supremo, que deriva do fato de que cerca de 90% de suas decisões são tomadas monocraticamente, somos obrigados a concluir que a natureza de tribunal, onde as decisões deveriam ser tomadas de forma colegiada, vem se desfazendo.

Há hoje um esforço interno por parte de alguns ministros do Supremo de reordenar a pauta do Tribunal, de forma a torná-la menos discricionária e monocrática. Paralelamente a esse esforço, o próprio Supremo precisa chegar à conclusão de que é necessário transferir a outras esferas do Judiciário múltiplas atribuições que lhe foram indevidamente conferidas pela Constituição de 1988. Isso tem levado nossa Suprema Corte a exercer um papel supremocrático e a seus magistrados a eventualmente se sentirem super-juízes.

A autoridade dos tribunais, que não deriva do voto, exige certa cerimônia, composta de colegialidade, rigor, imparcialidade e transparência.

Oscar Vilhena Vieira
No fAlha
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O ataque da Mulher Selva, do “The Brazilian Post”, ao ministro Jaques Wagner

O estranho jornalismo de Marta Serrat
Diante do ministro da Defesa, Jaques Wagner, e dos três comandantes das Forças Armadas, a mulher, Marta Serrat, se apresenta como “repórter” de um tal “The Brazilian Post” e faz um discurso bisonho sobre o MST para, no final, recorrer à Lei de Segurança Nacional — um entulho autoritário criado, em 1969, pela ditadura militar, ainda em vigor, mas em uma versão mais branda, de 1983, assinada pelo general João Baptista Figueiredo.



Aí, você procura “The Brazilian Post” no Google é descobre que se trata, na verdade, de um certo “O Jornal do Estado”, do Espírito Santo, um panfleto eletrônico de extrema direita cujo “diretor-editor”, Antônio Carlos Lacerda, se autodefine assim:
“THE BRAZILIAN POST tem como diretor-editor o seu próprio fundador, Jornalista ANTONIO CARLOS LACERDA, 66 anos, natural e residente no Estado do Espírito Santo, Sudeste do Brasil. ANTONIO CARLOS LACERDA é Jornalista desde 1968, com registro profissional na Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais (Fenaj), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e International Federation of Journalists (IFJ). Além de diretor-editor do THE BRAZILIAN POST, o jornalista ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do Jornal PRAVDA, de Moscou, Rússia, do qual é Topy Story, e premiado em 2010, 2011 e 2012 como o jornalista mais lido do mundo.”
Fiquei, claro, curioso em saber mais sobre o “jornalista mais lido do mundo” por três anos consecutivos. O problema é que, até onde consegui pesquisar, não há nenhum ranking (ou seja lá o que isso signifique) chamado “Topy Story”. Nem página, de Facebook, nem site, nem notícia alguma. Nada.

Sobre o Antonio Carlos Lacerda, achei essa referência estranha na não menos sinistra “Ordem dos Teólogos e Pastores do Brasil”.

Além disso, descobri pelo Facebook do nobre jornalista, que ele tem, na verdade, 69 anos. Ou seja, nem o expediente do “The Brazilian Post” é confiável.

No site do Pravda em língua portuguesa, Antonio Carlos Lacerda assina textos de Washington, Nova York, São Paulo, Belo Horizonte, Londres, Brasília e de onde mais se possa imaginar. Talvez por isso ele também se intitule um “repórter sem fronteira”.

Lacerda seria, de fato, praticamente um globetrotter, não fossem as matérias do lidíssimo periodista um show de Ctrl C + Ctrl V produzidas em série, imagino, em Vitória, Guarapari ou São Roque do Canaã.

Maria Serrat, a voluntariosa repórter do “The Brazilian Post”, é uma figura não menos bizarra.

Ela foi às ruas do Rio de Janeiro, em 15 de março, tietar e entrevistar o deputado Jair Bolsonaro, do PP, guru da extrema direita nacional.

No vídeo que postou no Facebook, a moça está histérica diante do mito, e se apresenta como “Mulher Selva” — imagino, para atiçar os baixos instintos do furioso parlamentar.



A um sorridente Bolsonaro, ela pergunta se não seria uma boa ideia prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e João Pedro Stédile, líder do MST, “por incitação à guerra civil”.

Bolsonaro não só concorda, claro, com a tese, como explica que, curiosamente, as armas para a tal guerra, já apreendidas no Rio, teriam vindo da Rússia.

Ué, mas o chefe de Maria Serrat, o super lido Antonio Carlos Lacerda, não é, justamente, correspondente do Pravda no Brasil? Ele nunca soube disso?

Alô, pessoal do Topy Story, é hora de rever esse ranking!

Jaques Wagner, com uma paciência de Jó, ainda se dispôs a responder à diatribe da Mulher Selva.

Mas Marta Serrat não se deu por satisfeita. Nas páginas do “The Brazilian Post”, escreveu que o ministro fugiu de sua corajosa pergunta.

Virou, portanto, a Mulher Pomba Enxadrista, aquela que caga no tabuleiro, derruba as peças e sai voando cantando vitória.

Leandro Fortes
No DCM
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Blogueiro antipetista recebe pagamentos do governo Alckmin


Um blogueiro que distribui propaganda antipetista a milhares de seguidores na internet recebe há dois anos pagamentos mensais por serviços de comunicação prestados ao governo Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo.

Na rede, o advogado Fernando Gouveia se apresenta com o pseudônimo Gravataí Merengue e como "CEO", ou executivo principal, do site Implicante, que publica e ajuda a difundir notícias, artigos, vídeos e memes contra o PT e a presidente Dilma Rousseff.

O Implicante tem quase meio milhão de seguidores no Facebook, quatro vezes mais que o Movimento Brasil Livre, um dos grupos na linha de frente dos protestos de rua realizados contra Dilma neste ano. O material produzido pelo site costuma ser replicado nas redes sociais e por outros blogs políticos.

Gouveia é dono da Appendix Consultoria. A empresa foi criada em janeiro de 2013 e começou em junho do mesmo ano a receber pagamentos oriundos da Subsecretaria de Comunicação do governo Alckmin, órgão vinculado à Casa Civil do Estado. 

A Appendix foi subcontratada pela agência de publicidade Propeg, uma das três que cuidam da propaganda do governo estadual. De acordo com documentos oficiais, a empresa do blogueiro recebeu R$ 70 mil por mês de outubro de 2014 a março deste ano.

O governo se recusou a informar o valor total dos pagamentos à empresa de Gouveia, alegando que a responsabilidade pela contratação da firma não é sua, mas da Propeg.

A Subsecretaria de Comunicação permitiu apenas a consulta da documentação no Palácio dos Bandeirantes. Disponibilizou então 88 caixas, cada uma com centenas de papéis sobre propaganda oficial, sem indicar a localização das informações específicas da Appendix.

Segundo os documentos, a Propeg pagou a Appendix por serviços de "revisão, desenvolvimento e atualização das estruturas digitais" da Secretaria de Estado da Cultura.

Em nota, a agência afirmou que subcontrata a Appendix para atender demandas do governo do Estado. Mas não respondeu quem indicou a empresa nem o motivo pelo qual recorre ao blogueiro em vez de fazer ela mesma o serviço.

Militância

O envolvimento de Fernando Gouveia com a política é antigo. Ele trabalhou durante três anos no setor de comunicação da Prefeitura de São Paulo, na gestão da petista Marta Suplicy (2001-2004).

Depois, ele trabalhou no gabinete da ex-vereadora Soninha Francine, que foi do PT e migrou para o PPS, partido alinhado com os tucanos.

A militância política de Gouveia na internet também é antiga. Em 2006, quando tinha um blog chamado Imprensa Marrom, ele foi condenado pela Justiça a pagar dez salários mínimos de indenização a uma empresa por ter publicado comentários ofensivos a ela. O blogueiro recorreu.

Gouveia também se apresenta na internet como colaborador de uma página chamada Reaçonaria, que difunde conteúdo similar ao do Implicante e tem cerca de 16 mil seguidores no Facebook. Os dois sites estão abrigados num servidor no exterior que impede a identificação do responsável pelos registros.

Outro lado

O advogado Fernando Gouveia afirmou que suas opiniões pessoais, expressas na internet, não têm relação com as atividades da sua empresa, a Appendix Consultoria.

"Não sou filiado a nenhum partido. Tenho longo histórico de trabalho em comunicação do setor público, em governos de vários matizes ideológicos", disse Gouveia.

O blogueiro afirmou que a Appendix presta serviços a "diversos clientes" e citou três, entre eles a Brasil Comunicação, de Belo Horizonte.

À Folha a agência mineira negou ter relação com a Appendix. As outras duas empresas citadas por Gouveia não responderam.

O blogueiro ressaltou que sua empresa não é contratada diretamente pelo governo estadual, mas sim pela Propeg. "A Appendix não apenas atualiza Facebook, Twitter e o portal da Secretaria de Cultura, mas também produz conteúdo para redes sociais e faz criação e design de partes do portal", disse Gouveia.

A Subsecretaria de Comunicação do governo paulista afirmou que a decisão de contratar a Appendix "é da agência de publicidade [Propeg] e de sua inteira responsabilidade", e se recusou a informar os valores pagos a Gouveia.

"Consolidar as informações mantidas em arquivos contábeis ao longo de mais de 20 meses é atividade que a lei não nos obriga a fazer para atendimento às demandas de informações", afirmou a Subsecretaria de Comunicação em nota.

Ricardo Mendonça | Lucas Ferraz
No fAlha
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Universidade de São Paulo diz não às cotas raciais

Enquanto todas as universidades federais e 30 das 38 estaduais aderem à reserva de vagas, a Universidade de São Paulo fala em “meritocracia”

Único aluno negro em uma sala de 100, Renan Silva
expôs a situação das cotas raciais na FEA
Foi necessário um vídeo gravado às escondidas em uma sala da Universidade de São Paulo (USP) para que a discussão sobre cotas raciais na maior universidade do Brasil ganhasse as redes sociais em março. Na filmagem, um bate-boca colocava de lados opostos um grupo de ativistas negros — que interrompeu uma aula para discutir o tema — e alunos brancos mais interessados em aprender microeconomia em uma sala da FEA (Faculdade de Economia e Administração) com 100 estudantes e apenas um negro. A filmagem viralizou e, 2,5 milhões de acessos depois, sobrou a pergunta: por que a universidade resiste às cotas raciais?





A USP e a Universidade de Campinas (Unicamp) decidiram adotar o sistema de bônus, quando alunos de baixa renda recebem uma pontuação extra nas provas do vestibular – até 15% no caso da USP, desde que nunca tenham estudado em escola particular. Somente em 2014 outra universidade paulista, a Unesp (Universidade Estadual Paulista), passou a adotar cotas sociais e raciais: já no primeiro ano, a proporção de matriculados egressos de escolas públicas foi de 40,7%.

O resultado é que 32% dos estudantes da USP aprovados no vestibular de 2014 saíram do ensino público. Com isso, a quantidade de pretos, pardos e indígenas subiu de 14% para 17% do total de alunos. A opção contrasta com a de pelo menos 30 das outras 36 universidades estaduais brasileiras, que, desde 2003, passaram a reservar vagas como parte de uma política de inclusão social.

Naquele ano, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) preservaram vagas para alunos pretos e pardos a partir da edição de uma lei estadual. Com os anos, outras estaduais aderiram às cotas, a maioria com viés social – destinado especialmente aos alunos que estudaram em escola pública. É o caso de 28 delas, segundo pesquisa do Grupo de Estudos multidisciplinares de Ação Afirmativa (Gemaa), da UERJ. Dezoito universidades também adotam cotas para pretos e pardos, 13 para indígenas e outras 13 para deficientes.

Em nível federal, a discussão começou em 1996, quando o Ministério da Justiça promoveu um seminário batizado de “Multiculturalismo e Racismo: o Papel da Ação Afirmativa nos Estados Democráticos Contemporâneos”. Em 2001, o Brasil aderiu ao Plano de Ação de Durban (África do Sul), ocasião em que o então presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu publicamente que o País ainda é racista e que o Estado precisa adotar políticas públicas para alterar essa realidade.

Uma ação concreta, no entanto, só em 2012, quando — motivado pelas universidades estaduais — o governo Dilma Rousseff assinou a Lei 12.711, determinando que as federais distribuíssem 50% de suas vagas entre quatro subcotas: candidatos egressos de escolas públicas; de escolas públicas com baixa renda; candidatos pretos, pardos e indígenas (PPIs) de escolas públicas e PPIs de escolas públicas e baixa renda.

Outra determinação estabelecia que as reservas raciais deveriam ser proporcionais às características étnicas da população do Estado em que fica a universidade. Com 43,9% de população preta e parda, por exemplo, o Sudeste reservava apenas 4% das vagas federais a esse público em 2012. Com a lei, esse índice chegou a 18% já no ano seguinte.

Como as estaduais ficaram de fora da lei, as diferenças regionais se mantiveram nessas instituições. Para fazer essa medição, o Gemaa calculou um índice em que quanto mais próximo do número 1 mais justa é a proporção de PPIs. Com 0,45, as universidades estaduais do Centro-Oeste são as mais justas. A região é seguida de longe por Sul e Nordeste, com 0,19, Sudeste (0,18) e Norte, com 0,04.

Coordenador do Gemaa e professor de Ciência Política da UERJ e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, João Feres Júnior afirma que a quantidade de pretos e pardos nas universidades mais do que triplicou entre 2012 (ano da lei) e 2014, ao saltar de 13 mil para 43 mil estudantes. Mas ele admite a dificuldade em colher essas informações por simples falta de dados. “É preciso trazer transparência a esses números.”

A CartaCapital, o Ministério da Educação (MEC) admitiu que não sabe precisar a quantidade de cotistas nas universidades, nem mesmo nas federais, sob sua tutela. Segundo a pasta, a oferta para cotistas nessas unidades cresceu de 9,8% para 38% entre 2013 e 2014. Apenas para pretos, pardos e indígenas, elas passaram a reservar 20% de suas vagas, em média.

Alvaro Mendes Junior, pesquisador do assunto e doutorando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que a dificuldade em obter dados deve diminuir depois que as primeiras turmas com alunos cotistas nas universidades federais se formarem. Também em razão disso, os resultados dos estudos feitos até aqui são “inconclusivos”.

Por enquanto, suas pesquisas indicam que a evasão escolar de cotista é menor ou maior dependendo da universidade e que o desempenho, em 43 carreiras pesquisadas, é um pouco menor entre os cotistas: nota 8,5% abaixo da média. Mas, nas carreiras com predominância de matérias exatas, essa diferença pode chegar a 73%. Outra pesquisa, agora na UERJ, indicou que as notas de cotistas da turma de 2005/2009 era muito similar às dos não cotistas. Em Medicina e Administração, a nota dos beneficiários foi ligeiramente superior em alguns anos.

Para o pesquisador, a inclusão de cotistas divide a opinião dos gestores das universidades. Enquanto aqueles que pregam “eficiência” tendem a rejeitar as cotas, esse sistema passa a ser “defensável” quando “o gestor entende que o desempenho deva ser sacrificado para a promoção da igualdade”.

O resultado é que as cotas são adotadas principalmente pelas universidades que obtiveram avaliação regular em testes do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). As instituições de conceito 2 oferecem 50% do total de vagas a cotistas. Entre aquelas de conceito 3, esse índice cai para 33%; 28,4% entre as instituições de conceito 4 e 0% nas de conceito máximo (5), o caso da USP.

O professor da UERJ cita universidades estrangeiras como Harvard, Princenton e Berkeley para dizer que a USP erra ao ignorar as cotas. “A USP representa o elitismo contraproducente porque as universidades mais bem avaliadas no mundo são ardorosas defensoras.”

Feres Júnior menciona pelo menos duas razões para aumentar o número de pretos, pardos e indígenas nos cursos de graduação. Ele defende a reparação aos negros, escravizados por séculos e ainda hoje tratados pela condição de pele. Além disso, “as universidades são o principal instrumento de ascensão social”.

Números do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) indicam que 19,6% dos alunos brancos entre 15 e 17 anos frequentavam a escola particular em 2008, enquanto esse índice era de apenas 6,4% para pretos e pardos com a mesma idade.  No ensino superior, a desproporção triplicou em 30 anos. Em 1976, 5% dos brancos com mais de 30 anos tinham diploma, contra 0,7% dos pretos e pardos. Já em 2006, 18% dos brancos haviam se formado contra apenas 5% dos negros.

Defensor das cotas sociais, Mendes Júnior acredita que basta que a política pública priorize outros critérios, como renda, para que aumente a proporção de pretos e pardos no ensino superior. Um de seus estudos adverte que uma reserva de 20% de vagas para escola pública e renda representou, na UERJ, a inclusão proporcional de cinco pretos ou pardos e a exclusão de cinco candidatos brancos.

Já pesquisa da Gemaa na Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD) revelou que a reserva de 25% das vagas para alunos exclusivamente de escolas públicas entre 2009 e 2011 “não teve êxito em incluir em termos proporcionais a diversidade da população”. No período, os estudantes pretos aumentaram em 10%, enquanto a proporção de pardos caiu (de 23% para 20%) e nenhuma matrícula de indígena foi registrada.

Questionada pela reportagem sobre sua preferência pela concessão de bônus, a USP respondeu que seu sistema “foi aprovado pelo Conselho Universitário em 2006 e tem como premissa principal a meritocracia”. As boas notícias chegam da pós-graduação: em março a congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) aprovou uma política de cotas para pretos, pardos, deficientes e indígenas no programa na pós em antropologia social.

A proposta, que ainda precisa da aprovação de um órgão da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, segue os passos da Unicamp, outra universidade paulista sem cotas. No dia 11 do mês passado, a congregação de pós-graduação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas também aprovou cotas étnico-raciais, mas também precisa do aval da reitoria para validar os cursos.

Mesmo que tímido, o anúncio pode ser um alento para alunos como Renan Silva, o único negro em uma sala de cem pessoas na FEA. “Eu sou exceção, fiz escola particular. Sempre me senti pouco representado e acho que a USP precisa se adaptar para fazer jus à quantidade de negros na sociedade”. A população brasileira é composta por 50,7% de pretos e pardos e 47,7% de brancos, informa o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Wanderley Preite Sobrinho
No CartaCapital
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Sérgio Porto # 199


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