17 de abr de 2015

Ameaça de assassinato de jornalista no Paraná


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Federación de Periodistas de América Latina y el Caribe (FEPALC) e a Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) vêm a público denunciar ameaças à vida de jornalistas da Rede Paranaense de Comunicação (RPC) que estão publicando matérias sobre a rede de corrupção e pedofilia que infelizmente assola a Receita Estadual do Paraná.


Um deles, o produtor James Alberti foi ameaçado por meio de um telefonema na quinta-feira (9) em que se revelava um esquema para matá-lo por meio de um suposto assalto a uma churrascaria em Londrina. Diante da ameaça, a empresa providenciou a retirada do jornalista da cidade onde realizava a investigação que envolve pessoas muito próximas ao governador Beto Richa, (PSDB) como seu primo, Luiz Abi Antoun, e o ex-inspetor geral de fiscalização da Receita Estadual, Marcio de Albuquerque Lima.

O Sindijor-PR entrou em contato com Alberti, que confirmou estar em lugar seguro fora do Paraná, mas não quis comentar o assunto.

Em nota, o GRPCom, dono da RPC, se pronunciou dizendo que “tomou uma série de medidas para garantir a segurança e a integridade física dos seus jornalistas. E fez um remanejamento interno para preservar o trabalho dos seus profissionais e a manutenção da cobertura jornalística.”

Os sindicatos e a federação estão convocando uma reunião com todos os jornalistas e representantes de organizações da sociedade civil para o próximo dia 22 (quarta-feira), a partir das 19 horas, na sede do SindijorPR, em Curitiba, com o objetivo de preparar uma série de manifestações públicas contra a perseguição a jornalistas paranaenses. As entidades solicitam o apoio de outras organizações da sociedade civil e cobram a investigação das ameaças e punição dos envolvidos.

Recentemente outro caso também ganhou repercussão. Jornalistas do jornal Gazeta do Povo foram pressionados a revelar as fontes de uma reportagem que investigou irregularidades de policiais civis e militares. Leia aqui.

No Blog do Tarso
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Resolução da Executiva Nacional do PT

RESOLUÇÃO POLÍTICA

O País assiste há semanas uma escalada das forças conservadoras. Esse movimento, de profundo caráter reacionário, se estende das instituições à disputa das ruas, da batalha de ideias e informações à manipulação de investigações policiais, da agenda econômica aos direitos civis. Seu propósito é indisfarçavel: derrotar a administração da presidenta Dilma Rousseff, revogar conquistas históricas do povo brasileiro e destruir o Partido dos Trabalhadores.

Esta ofensiva engloba os interesses políticos e de classe dos setores que perderam o comando do Estado em sucessivas batalhas eleitorais desde 2002, mas agora rearticulados para interromper o processo de mudanças iniciado pelo ex presidente Lula. Para tanto, tentam impor seu programa ao governo e ao país, banir a esquerda como alternativa de poder e criminalizar os movimentos sociais.

A oposição de direita, liderada pelo PSDB, busca fundir sua tática à ação dos grupos reacionários de caráter extraparlamentar, responsáveis pela convocação das camadas mais abonadas à mobilização contra o mandato constitucional da presidenta Dilma Rousseff. Cada dia fica mais clara a intenção golpista dessa política, encarnada por politicos aventureiros e bacharéis de plantão, que ensaiam processo de impeachment sem qualquer base jurídica ou legal.

A maioria conservadora no parlamento empenha-se na aprovação de contra-reformas que retiram direitos dos trabalhadores, preservam mazelas do atual sistema político e impõem retrocesso a avanços com relação a direitos civis, políticos e sociais. Além do caráter regressivo dessas medidas, revela-se a intenção de emparedar o governo e deixá-lo de mãos atadas em momento de gravidade da situação nacional.

Importantes empresas de comunicação, que efetivamente exercem o monopólio da produção e veiculação de informações, ocupam a linha de frente da empreitada restauradora. Abertamente, comandam a onda reacionária, estimulam o terrorismo econômico, convocam a ocupação das ruas contra o governo e procuram criar clima de condenação moral contra o PT a partir de notícias distorcidas sobre investigações de corrupção na Petrobrás. Corrupção nunca dantes combatida como nos governos do PT, que deve ser enfrentada implacavelmente nos marcos do Estado de Direito, mas não de forma seletiva, facciosa e espetaculosa. Por isso é que também exigimos a mais ampla e transparente investigação dos episódios envolvendo o HSBC e a chamada Operação Zelotes, de combate à corrupção e à sonegação fiscal.

Não faz parte da nossa história, da nossa tradição democrática, de nossa ética pública e de nossa prática na democracia brasileira a convivência e a conivência com a corrupção. Se algum dirigente ou filiado praticou corrupção não foi em nome dos petistas. E, se comprovadamente algum filiado incorreu em corrupção será expulso.

O PT liderou entre 2003 e 2014 as maiores e mais importantes iniciativas no combate à corrupção na história brasileira mais recentemente a Presidenta Dilma sintetizou e propôs ao parlamento cinco novas propostas que buscam cercar a impunidade dos corruptos no Brasil. Daí porque o PT luta pelo fim do financiamento empresarial das eleições, que renova na base os circuitos da corrupção no Brasil.

Ao mesmo tempo que lutamos pelo fim do financiamento empresarial decidimos que os Diretórios Nacional, estaduais e municipais não mais receberão doações de empresas privadas, devendo essa decisão ser detalhada, regulamentada e referendada pelos delegados(as) ao 5º. Congresso Nacional do PT.

O Partido revitalizará a contribuição voluntária, individual dos filiados, filiadas, simpatizantes e amigos. Tais definições são coerentes com nosso Estatuto, segundo o qual “arrecadação básica e permanente do Partido é oriunda de seus próprios filiados”. Ao mesmo tempo, condizem também coerentemente com a nossa defesa de uma reforma política democrática que ponha fim à interferência do poder econômico nas decisões políticas.

A prisão do companheiro João Vaccari, nas condições em que ocorreu, demonstra que o clima de ódio e revanche envolve também fatias da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário. Vamos assistindo, aos poucos, a transformação de indispensável processo de apuração e punição, relativo a desvios na principal estatal brasileira, em espetáculo de atropelos legais, politicamente manipulado a serviço das forças antipetistas. Mais que tudo, conforma-se um embrião de estado de exceção, violador dos mais elementares direitos fundamentais, cuja existência indigna, enoja e ofende a consciência democrática do País. E, por isso mesmo, antes que prospere, exige resposta corajosa da nossa militância.

O Partido dos Trabalhadores, diante deste cenário, concentrará o melhor de suas energias para construir, ao lado de outras correntes progressistas, junto com movimentos do campo e da cidade, uma frente político-social para a defesa da democracia, das pautas dos trabalhadores e das reformas estruturais.

Um novo pacto do campo democrático-popular é indispensável para disputar as ruas e as instituições contra o bloco conservador.

O Partido dos Trabalhadores reafirma que o programa para a unidade popular deve ter como eixos básicos a reforma política, com proibição do financiamento empresarial de campanhas; com a firme defesa dos direitos humanos com a criminalização da homofobia e a rejeição da PEC 215, que versa sobre a transferência da FUNAI para o Legislativo da responsabilidade pela demarcação das terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação; bem como da PEC 371, que pretende reduzir a maioridade penal; a defesa da Petrobrás e do regime de partilha e de conteúdo nacional; a reforma tributária de caráter progressivo, com adoção de impostos crescentes sobre renda, patrimônio e

ganhos financeiros; a democratização dos meios de comunicação, com o restrição dos monopólios de mídia; a expansão da reforma agrária; uma reforma urbana, com investimentos em mobilidade, moradia e saneamento; a adoção de um amplo programa de ampliação e melhoria dos serviços públicos.

Diante da tramitação da contra-reforma política (PEC 352), o PT reafirma sua posição congressual – em defesa de uma Assembléia Constituinte Exclusiva e Soberana, do financiamento público exclusivo, do voto em lista com paridade de gênero e da participação popular – e de sua objeção à constitucionalização do financiamento empresarial.

O Partido dos Trabalhadores apoia o empenho da presidenta Dilma Rousseff para enfrentar os problemas fiscais do Estado brasileiro, mas considera vital que a política econômica esteja voltada para impedir que os efeitos desse ajuste recaiam sobre as costas dos trabalhadores e tenham caráter recessivo. O Diretório Nacional, nesse sentido, considera fundamental o mais amplo diálogo do governo com a sociedade (sobretudo com os movimentos sociais e centrais sindicais).

O DN também orienta nossas bancadas no Congresso Nacional, que já vêm trabalhando nessa direção, a ajudar no aprimoramento das medidas propostas pelo Ministério da Fazenda, a partir do princípio de que o custo de retificação das contas públicas deve ser assumido pelos mais ricos. A este respeito orientamos todas nossas bancadas nos estados e municípios a serem porta-vozes desta política.

O Partido dos Trabalhadores considera que a principal batalha da conjuntura é a que está sendo travada contra o Projeto de Lei nº 4330, que expande a terceirização do trabalho para todas atividades econômicas, e se constituiu em um dos principais núcleos da política neoliberal. Sua aprovação definitiva representaria o mais rude golpe contra a classe trabalhadora desde a consolidação dos direitos trabalhistas em 1943. O Diretório Nacional recomenda, assim, que os parlamentares petistas continuem seu trabalho de resistência contra essa medida, buscando unidade com representantes de outros partidos, para impedir a aprovação deste projeto de lei.

O Diretório Nacional também considera fundamental a ampliação da mobilização sindical e popular contra a terceirização, nas ruas e nas redes, até que a pressão seja suficiente para estabelecer nova relação de forças nas duas casas legislativas.

A militância petista, em suas entidades ou através dos diretórios partidários, nos locais de estudo e trabalho, deve participar ativamente da organização e realização de todas as jornadas de luta convocadas pela CUT e demais organizações sindicais. Sobretudo, o engajamento e participação no 1o. de Maio unificado em todo o País, em defesa dos direitos da classe trabalhadora e da democracia. É um momento de cada diretório e núcleo do PT se organizarem para realizar discussões sobre a conjuntura e preparar cada militante para o debate e ação política.

É também o momento da militância participar das conferencias nacionais convocadas pelo nosso governo.

O Diretório Nacional conclama a presidenta Dilma Rousseff a assumir o papel de liderança na campanha contra a terceirização, como já tem agido na disputa contra a redução da maioridade penal, ao mesmo tempo que recomenda o veto presidencial caso o projeto de lei 4330 venha a ser acolhido pelo parlamento.

O Partido dos Trabalhadores reafirma apoio firme e decidido ao governo da companheira Dilma Rousseff, ressaltando que continuará, dentro do gabinete de coalizão, a representar os interesses das camadas populares e suas aspirações por mudanças. O Diretório Nacional convoca todos os companheiros à enérgica mobilização contra os agrupamentos empenhados em virar a mesa do jogo democrático e regredir ao modelo neoliberal.

O Diretório Nacional, ciente da necessidade de uma profunda avaliação sobre a orientação política praticada desde o governo Lula e da urgência de uma ampla reflexão sobre os desafios para a continuidade das reformas, conclama todos os militantes e amigos do PT ao máximo empenho nos debates do 5º Congresso Nacional e a transformá-lo em um grande momento de reafirmação da identidade e do vigor do principal partido da esquerda brasileira.

São Paulo, 17 de abril de 2015

Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores
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MinC vai à Justiça contra Facebook por censura

Governo brasileiro adotará medidas legais contra decisão da rede social de bloquear fotografia histórica de um casal de Índios

Foto censurada pela rede social 
virou motivo de polêmica
Foto: Brasiliana Fotográfica / Divulgação
O Ministério da Cultura (Minc) abrirá uma ação civil pública junto à Advocacia-Geral da União (AGU) contra o Facebook após ter uma foto, que integrava publicação sobre o lançamento do Portal Brasiliana Fotográfica, censurada. A imagem, de 1909, mostra um casal de índios Botocudos desnudos da cintura para cima e pode ser vista pelo portal que tem mais de duas mil imagens históricas dos séculos XIX e XX.

Para o ministro da Cultura, Juca Ferreira, isto é um desrespeito à soberania, a Constituição brasileira, ao Estado brasileiro e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que protege a diversidade das manifestações culturais.

“Eles dizerem que não respeitam e não se submetem as legislações dos países para nós é muito grave. É uma agressão a nossa soberania, a nossa legislação e um desrespeito a nossa diversidade cultural e aos povos indígenas do Brasil. Se os índios não podem aparecer como são, isso quer dizer que eles têm que se travestir de não indígena para poder ter visibilidade, o que é uma crueldade muito grande”, disse.

A foto foi postada às 14h40 do dia 15 de abril. Quando o primeiro funcionário da comunicação chegou ao ministério no dia seguinte, percebeu que a imagem havia sido censurada. Segundo o secretário executivo do Minc, Guiherme Varella, eles entraram em contato com a sede do Facebook em São Paulo e, no fim do dia, foram avisados de que a empresa manteria o bloqueio.

“Não houve qualquer intenção de resolver a questão de forma amigável”, afirmou.

Segundo o ministro, o Facebook justificou o bloqueio por meio de seu diretor de Relações Institucionais, Bruno Magrini, dizendo que a empresa não se submete a legislação local e que segue suas leis internas. Para o ministro, eles ultrapassaram todos os limites quando tentaram impor uma regra interna da empresa se sobressaindo ao Estado Brasileiro. Para Juca Ferreira, eles tinham obrigação de reagir a essa atitude unilateral e discriminatória.

Juca Ferreira afirmou que o fato de o país de origem do Facebook, os Estados Unidos, entender que o corpo é “intrinsecamente pecaminoso” não dá o direito a eles de censurar uma imagem com valor histórico. “O Brasil tem outra ótica e fomos desrespeitado, por isso a vamos abrir uma ação.

O ministro acredita que deve haver um debate mais amplo e que o Facebook deve, principalmente, respeitar o marco civil da internet.

O marco civil da internet regulamentou as relações entre estados, sociedade e iniciativa privada. Ele diz que a iniciativa privada tem liberdade de fazer seus contratos, desde que não desrespeitem a constituição do País e o próprio marco civil.

Danielle Cambraia
No Agência PT de Notícias
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O que acontece com quem ouve e lê Azevedo e Sheherazade? Uma pesquisa mostra

Midiotas
Uma publicação se mede por seus leitores.

Esta é uma das mais antigas e mais verazes leis do jornalismo.

Isso posto, uma pesquisa sobre os manifestantes que foram à Paulista no domingo passado traça um retrato sinistro da imprensa brasileira.

Eles simplesmente não têm noção de nada. Acreditam, por exemplo, que o PT buscou 50 mil haitianos para reforçar a votação de Dilma em 2014.

Têm Lulinha como sócio do Friboi. E estão convencidos de que cotas estimulam mais racismo nas universidades.

Onde eles se informam?

Você pode imaginar. Nas grandes empresas de mídia. Quando buscam notícias online, os sites da Veja, Folha etc são os preferidos.

Os colunistas que mais admiram são dois nomes óbvios: Raquel Sheherazade e Reinaldo Azevedo.

O baixíssimo nível cultural dos manifestantes é a melhor prova da ruindade avassaladora do jornalismo produzido pelas grandes empresas de mídia.

A rigor, você não precisava de pesquisa nenhuma para ver o grau de obtusidade desinformada dos discípulos de Sheherazade e Azevedo.

Bastava olhar os cartazes que empunhavam. Erros grosseiros de português se juntavam a agressões impiedosas contra frases num inglês precário obviamente extraído do Google Translator. Alguém, com ares de genialidade ululante, escreveu: “Sonegação não é corrupção”.

Pistas expressivas também podiam ser colhidas em vídeos feitos por jornalistas que saíram a campo.

Num deles, de autoria de Lino Bocchini da Carta Capital, mulheres e homens são instados delicadamente a dar sua opinião sobre a terceirização.

O que se ouve é um bestialógico que só termina quando o vídeo chega ao fim. Eis os alunos da mídia tradicional, impressa ou digital.

É um contraste com declarações de FHC à época da campanha. Ele se gabava do “alto nível” dos eleitores do PSDB, e os opunha aos nordestinos adeptos do PT.

A isso se dá o nome de autoengano.

No jornalismo, os editores cometem com frequência o autoengano quando pensam nos seus leitores.

Uma vez, em meus dias de Abril, lembro o faniquito que tomou conta das editores das revistas femininas quando numa pesquisa elas foram apresentadas, em vídeo, às suas leitoras de carne e osso.

Elas esperavam Giselles Bunchens e Angelinas Jolies, e quase mataram o responsável pela pesquisa — o atual presidente da Abril, aliás, Alex Caldini — quando ele apresentou a realidade como ela era.

Uma das mais nobres funções do jornalismo é lançar luzes onde existem sombras.

No Brasil, a mídia escolhe áreas de sombra e joga nelas ainda mais sombras.

O resultado disso são leitores intoxicados de má informação.

Alguém já disse, no exterior, que maus editores causam ainda mais danos para um veículo do que a internet.

No Brasil, especificamente, nas últimas semanas vai ganhando força a palavra midiotas, para designar os leitores, ou vítimas, da grande mídia.

Se e quando despertarem de seu torpor mental, os midiotas terão todo o direito de processar Globo, Folha e Veja pelo estado de emburrecimento em que foram lançados.

Paulo Nogueria
No DCM
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Ênio Barroso agradece campanha de solidariedade: 'Falta pouco'


Em vídeo, Ênio Barroso agradeceu a campanha de solidariedade 'Vá pra Cuba, companheiro!', que faz vaquinha para enviá-lo à ilha. No último balanço, feito nesta sexta-feira (17), foram contabilizados R$ 38.111,98. Acometido de grave distrofia muscular, o blogueiro e histórico militante precisa de aproximadamente R$ 50 mil para realizar tratamento no Centro Internacional de Restauração Neurológica (Ciren), em Havana. Apesar de incurável, o tratamento pode impedir o avanço das doença e combater seus sintomas, garantindo qualidade de vida ao cadeirante.

Na gravação, Ênio falou sobre a ansiedade pela incursão em terras cubanas. "Stress é coisa de rico, o que eu tenho é agonia", brinca. "Estou ansioso por essa possibilidade. Tenho convicção de que vai melhorar alguma coisa em minha vida. Agradecerei todos os dias, até o fim da minha vida, a vocês. Falta pouco, me ajudem".



A campanha de solidariedade a Ênio foi lançada em janeiro deste ano, com a missão de financiar, de forma coletiva, a jornada do blogueiro. O Barão de Itararé, idealizador da empreitada, divulga semanalmente o balanço da arrecadação, ancorado no princípio da transparência e do colaborativismo.

Como ajudar

O tratamento oferecido em Cuba é feito em duas etapas, que ao todo somam 35 dias. Durante todo o tratamento é necessário que ele tenha um acompanhante. O custo total para a viagem do blogueiro e mais uma pessoa ficará em torno de U$ 18.000,00. O montante inclui passagem aérea de ida e de volta, hospedagem para as duas pessoas e as duas fases do tratamento.

Convidamos todos os blogueiros, ativistas digitais e simpatizantes de Ênio a escreverem depoimentos em prol da campanha e compartilharem a causa em suas redes. As doações podem ser feitas em qualquer quantia através deste link ou da conta abaixo:

Depósito direto em conta poupança:

Ênio Barroso Filho

104 - Caixa Econômica Federal

CPF 000.831.558-21

Agência 0244 - Casa Verde

Conta Poupança: Operação 013 - Nº 19636-2
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O ponto de não-retorno

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A semana dos chamados dias úteis antes do feriado prolongado se encerra em clima de conspiração: a mídia tradicional prepara suas edições de domingo, nas quais há farta encomenda de artigos sobre a intenção de partidos oposicionistas de propor o impeachment da presidente da República.

Na sexta-feira (17/4), percebe-se que os autores da proposta deixam em segundo plano o elemento “apoio popular” — que se torna questionável com a revelação de que as manifestações contra o governo são feitas quase exclusivamente por eleitores do senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado na eleição presidencial de 2014 (ver “Breviário do perfeito midiota”).

A nova tática consiste em buscar argumentos “jurídicos” com base na teoria do “domínio do fato”, que implicaria a presidente Dilma Rousseff em qualquer ato ilícito praticado por auxiliares de segundo ou terceiro escalões. Mas esse caminho leva a um labirinto no qual poderão se perder o próprio senador Neves e governadores eleitos pelo PSDB — caso, em algum ponto do calendário, a Polícia Federal e o Ministério Público decidam arbitrar suas ações na especificidade dos crimes que investigam, e não na sigla partidária a que conduzem os indícios e as provas.

As declarações selecionadas pela imprensa para criar um substrato jurídico não dissimulam o caráter golpista desse movimento, nem escondem o plano de, não sendo aconselhável partir para a ruptura institucional, seguir ateando fogo à governabilidade.

Como alternativa para manter o assunto vivo na mídia, articulou-se uma ação que pretende impugnar a chapa vencedora na eleição presidencial, com o objetivo de destituir ao mesmo tempo a presidente e seu vice, Michel Temer.

A iniciativa foi abortada pela ministra do Tribunal Superior Eleitoral Maria Thereza de Assis Moura, que negou legitimidade ao pedido, mas um recurso do PSDB recolocou o assunto em pauta, desta vez entregue nas mãos do ministro Gilmar Mendes. O magistrado, que retém em seus arquivos, há mais de um ano, o processo sobre financiamento de campanhas eleitorais, se torna, assim, o dono da agenda dessa nova manobra.

A semana que começa com o Dia de Tiradentes será uma oportunidade para discursos e declarações capazes de dar um lustro ao que é mero golpismo.

A máscara derrete

O artigo 81 da Constituição diz que, na hipótese de ser impugnada a chapa, e não apenas interrompido o mandato da presidente, seria marcada nova eleição num prazo de 90 dias. Interessante observar que ativistas em favor de uma intervenção militar no processo político contam com a possibilidade de militantes do Partido dos Trabalhadores e outras organizações sociais saírem às ruas para defender o mandato conquistado nas urnas — e celebram sem disfarces o risco de um conflito.

Dito assim, o cancelamento da eleição de 2014 parece um plano alucinado, e em circunstâncias normais seria improvável a adesão de alguns destacados protagonistas da cena política a uma aventura dessa natureza.

Observe-se que, no centro da cena, o senador Aécio Neves lidera o projeto na companhia de representantes das frações mais conservadoras da aliança oposicionista, alguns dos quais precisam produzir alguma instabilidade para adiar ou suspender ações judiciais que pesam sobre eles. Outros líderes do PSDB, como o senador José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, guardam uma posição mais discreta.

Movimentos como esse sempre têm um ponto de não-retorno, a partir do qual o comprometimento dos participantes se consolida de tal maneira que não será mais possível recuar. Aécio Neves passou desse ponto: se o projeto de impeachment for enterrado rapidamente, ele passará para a segunda ou a terceira fila dos candidatos tucanos à eleição de 2018. Quanto mais se envolve nesse plano, menores serão suas opções no futuro próximo, porque na política, como no futebol, as paixões devem ser contidas dentro das regras do jogo — e a torcida não perdoa quem tenta ganhar no “tapetão”.

Se a presidente superar a crise de relacionamento com o Congresso e as medidas econômicas começarem a surtir efeito até o final deste ano, o PSDB — e não apenas Aécio Neves — terá que enfrentar, nas próximas campanhas eleitorais, a acusação de haver atentado contra o processo democrático.

A mídia tradicional, patrocinadora dos golpistas, vai registrando mais um episódio deletério em sua história. Jornalistas recentemente demitidos, às dezenas, do Estado de S. Paulo e da Folha de S. Paulo relatam, discretamente, os bastidores dessa articulação nas redações.

A máscara da imprensa começa a derreter.

Luciano Martins Costa
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Os Simpsons explicam a terceirização




No DCM
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Os defensores do impeachment na Operação 'Puxando a Capivara'

Líderes de oposição receberam agitadores de protestos anti-governo para condenar a corrupção. Mas a ficha dos que esbravejam contra a ilegalidade e a falta de ética na política é intrigante


Lideranças de partidos de oposição ao governo receberam, na quarta-feira (15), alguns dos agitadores dos protestos dos dias 15 de março e 12 de abril - entre eles, Rogério Chequer, do Vem Pra Rua. Durante o encontro, figurões como Agripino Maia (DEM), Ronaldo Caiado (DEM), Mendonça Filho (DEM), Paulinho da Força (SD), Aécio Neves (PSDB) e Roberto Freire (PPS) tiveram a oportunidade de esbravejar contra os casos de corrupção que desgastam o PT e a gestão Dilma Rousseff.

Chama atenção, entretanto, a ficha dos defensores da ética e do combate indiscriminado à corrupção. Associação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, prisão por fraudes e desvios em grandes obras, contas em paraísos fiscais em nome de familiares, recebimento de propina, recursos de campanha questionados na Justiça e até falsificação de documentos para criação de partido fazem parte do histórico de acusações e dos relacionamentos intrigantes que envolvem as estrelas políticas do encontro em tela.

O GGN fez uma breve seleção:

1 - Aécio Neves (PSDB)

O neto de Tancredo Neves que construiu um aeroporto de R$ 14 milhões no terreno do tio-avô já foi questionado na Justiça sobre o paradeiro de mais de R$ 4 bilhões que deveriam ter sido injetados na saúde de Minas Gerais. O caso Copasa contra o ex-governador foi engavetado. Destino semelhante tiveram as menções a Aécio na Lava Jato. O tucano foi citado por Alberto Youssef como beneficiário de propina paga com recursos de Furnas. Para o procurador-geral da República, isso não sustenta um inquérito. Rodrigo Janot também cuida de outro escândalo que leva a Aécio, sob a palavra-chave Liechtenstein (um principado ao lado da Suíça). Investigando caso de lavagem de dinheiro, procuradores do Rio de Janeiro chegaram a uma holding que estava em nome da mãe, irmã, ex-mulher e filha do tucano. Esse inquérito está parado desde 2010 na gaveta do Procurador Geral da República.

2- Agripino Maia (DEM)

Presidente do DEM, Agripino Maia foi dono das expressões mais sugestivas de defesa da luta contra a corrupção. "Chegou a hora de colocar o impeachment [de Dilma Rousseff]", disse no encontro com os manifestantes anti-governo. O senador tem em seu currículo a acusação de receber R$ 1 milhão em propina, em um esquema que envolvia a inspeção de veículos no Rio Grande do Norte, entre 2008 e 2011. Coordenador da campanha presidencial de Aécio, o democrata, em 2014, teve seu caso arquivado no MPF pelo ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel. Mas foi reaberto há sete meses por Janot, e agora está sendo investigado no Supremo Tribunal Federal (STF).

3- Ronaldo Caiado (DEM)

O senador Ronaldo Caiado (DEM) é associado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira por supostamente ter recebido verba ilícita nas campanhas de 2002, 2006 e 2010. Cachoeira foi denunciado por tráfico de influência e negociava propinas para arrecadar fundos para disputas eleitorais. O bicheiro foi preso em 2012 por operação da Polícia Federal que desbaratou esquema de adulteração de máquinas caça-níquel. Caiado foi citado nesse contexto, recentemente, por Demóstenes Torres. Ele teria participado de negociação entre Cachoeira e um delegado aposentado que queria ampliar esquemas de jogo ilegal. Até familiar do democrata já foi alvo de denúncia. O pecuarista Antônio Ramos Caiado, tio de Caiado, está na lista suja do trabalho escravo.

4- Roberto Freire (PPS)

Uma das principais acusações que pesam contra o presidente nacional popular-socialista é de envolvimento com o Mensalão do DEM. A diretora comercial da empresa Uni Repro Serviços Tecnológicos, Nerci Soares Bussamra, relatou que o partido praticava chantagem e pedia propina para manter um contrato de R$ 19 milhões com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, comandada pelo deputado Augusto Carvalho. Freire teria sido beneficiado no esquema.

5- Paulinho da Força (SD)

O presidente do Solidariedade, segundo autoridades policiais, participou de esquema de desvio de recursos do BNDES. Um inquérito foi aberto no STF para investigar o caso. Em 2014, a Polícia Federal também indiciou a sogra e outras duas pessoas ligadas ao deputado federal sob suspeita de falsificarem assinaturas para a criação do Solidariedade. Gilmar Mendes conduzirá, ainda, a apuração em torno da suposta comercialização de cartas sindicais (uma espécie de autorizações do Ministério do Trabalho para a criação de sindicatos) por Paulinho, dirigente da Força Sindical. Consta nos registros que cada carta era vendida por R$ 150 mil.

6- Mendonça Filho (DEM)

Em fevereiro de 2014, Mendonça se envolveu em uma polêmica por querer indicar deputado acusado de duplo homicídio pelo Supremo Tribunal Federal para presidir a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Julio Campos (DEM), ex-governador do Mato Grosso, afirmou que Mendonça teria dito que a indicação era uma "homenagem". O deputado federal de Pernambuco já foi preso pela Justiça eleitoral sob acusação de fazer carreata no dia de votação, mas o STF decidiu que não houve crime eleitoral. Um documento da Operação Castelo de Areia citava contribuição suspeita de R$ 100 mil da Camargo Correa a Mendonça, para sua tentativa de ser prefeito do Recife. Ele admitiu que recebeu R$ 300 mil da empresa, mas alega que foram doações dentro das conformidades.

7- Carlos Sampaio (PSDB)

O deputado mais votado da região de Campinas (SP) recebeu R$ 250 mil de uma empreiteira envolvida no esquema de corrupção da Petrobras investigado na Operação Lava Jato. Sua última campanha arrecadou, oficialmente, R$ 3 milhões. Não há comprovação sobre a lisura da doação. Sampaio, coordenador jurídico do PSDB e autor do pedido para que Aécio fosse empossado no lugar de Dilma Rousseff, teve reprovada a sua prestação de contas referente às eleições para a Assembleia de São Paulo, em 1998, e às eleições municipais de Campinas, em 2008.

8- Luiz Penna (PV)

O presidente do PV também aparece um tanto escondido na fotografia. Irregularidades já remetidas à prestações de contas do partido incluem seu nome. Em 2006, por exemplo, boa parte dos R$ 37,8 mil gastos em passagens aéres e R$ 76,8 mil com diárias de campanhas eleitorais foram atribuídos a José Luis Penna. Na época, servidores do TSE apontaram ausência de documentos que comprovassem os gastos e uso de notas frias, indicando empresas fantasmas que teriam prestado os serviços. O corpo técnico do Tribunal sugeriu a rejeição das contas do partido de 2004, 2005 e 2006. O deputado federal respondeu a dois processos judiciais, um pelo TRE-SP, rejeitando a sua prestação de contas à eleição de 2006, e outra pelo TSE reprovando as contas do PV de 2004. 

9- Flexa Ribeiro (PSDB)

O hoje senador já foi preso pela Polícia Federal em 2004, na Operação Pororoca, por fraude em licitações de grandes obras realizadas no Amapá. Foi acusado de corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, tráfico de influência, peculato, prevaricação, usurpação de função pública e inserção de dados falsos em sistema de informações.

10- Antonio Imbassahy (PSDB)

O deputado federal tucano era prefeito de Salvador em 1999, quando contratos suspeitos foram assinados com as empresas Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Siemens, que formavam o consórcio responsável pelo metrô da capital baiana. O Ministério Público Federal investiga o superfaturamento nas obras, que gira em torno de R$ 166 milhões. Até agora, dois gestores indicados por Imbassahy à época e duas empresas foram indiciadas. O tucano é o vice-presidente da CPI da Petrobras, que investiga desvios de verbas da estatal, onde diretores da Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa também aparecem como réus. Imbassahy foi acusado pelo PT de se aproveitar do posto na CPI para pedir documentos à Petrobras e vazar para a imprensa.

11- Beto Albuquerque (PSB)

Ex-colaborador do governo Tarso Genro (PT) no Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque (PSB) foi envolvido na intriga que rendeu a queda do então diretor-geral do Departamento de Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) José Francisco Thormann. Thormann se antecipou a uma demissão após a imprensa local ter revelado que ele viajou à Suiça às custas de uma empresa privada subcontratada para fazer obras no Estado. Em nota de defesa, Thormann afastou suspeitas sobre o fato, e revelou que Beto Albuquerque, quando secretário de Infraestrutura do Estado, também fez viagens ao exterior bancadas por empresas que detinham contratos com o poder público. Quando a notícia surgiu, Beto já não era secretário — tinha deixado a gestão petista para reforçar a bancada do PSB na Câmara Federal.


Cíntia Alves | Luiz de Queiroz | Patricia Faermann
Arte: Angelica Pinheiro
No GGN
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Jô Soares volta a defender a presidente Dilma — assista


Em debate sobre o cenário político, o apresentador da Rede Globo Jô Soares rebateu declarações da jornalista Ana Maria Tahan e saiu em novamente em defesa da presidente Dilma Rousseff.

"Agora eu tenho muito medo dessa vitimização da presidente da República. Eu acho isso meio inconcebível", disse Jô. "Em qual sentido?", perguntou Ana Maria. "No sentido de que estão fazendo dela uma vítima de uma Eleição que foi absolutamente legítima", respondeu o apresentador. "Me desculpa, Jô, mas ela está pagando pelos erros dela mesma", retrucou a jornalista. "Mas isso vale o 'Fora Dilma'?", questionou o apresentador. "Jô, tem gente que pensa de toda forma. [O direito de] se manifestar está garantido pela Constituição", respondeu em seguida.

Posteriormente, ela disse que "foi uma eleição também onde as pessoas perceberam que foram enganadas um mês depois no discurso. A presidente fez alhos e bugalhos. A conta de luz mais do que dobrou". E ele rebateu novamente: "Ah, eu não acho. Todo mundo sabia o que ia acontecer. Uma jornalista tão bem informada...".



No 247
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Réquiem para a mídia mineira

Como as pessoas, os veículos de mídia nascem, crescem e morrem. Alguns chegam ao apogeu admirados e respeitados. Outros são menos reverenciados e podem até, em determinado momento, atingir um patamar tal de execração que equivale à morte. Razão pela qual esta morte tem início bem antes de seu fechamento formal. Como as pessoas, cada mídia tem sua data de criação e, raramente, morrem todas ao mesmo tempo. Em Minas Gerais, no entanto, este raro fenômeno de morte coletiva está sendo observado.

Na contramão do que determinam a técnica e a ética jornalísticas, a maioria esmagadora da mídia mineira com sede em Belo Horizonte (aí incluídos jornais, rádios e TVs) distorceu, minimizou, manipulou e alguns simplesmente até ignoraram o resultado da auditoria realizada pelo governo Fernando Pimentel (PT) envolvendo os 12 anos de gestão do PSDB no estado. Divulgada no dia 06/04, durante entrevista coletiva convocada pelo governador, a auditoria recebeu o nome de Diagnóstico da Situação Atual de Minas Gerais e está dividida em 10 áreas, que cobrem aspectos-chave da realidade do estado. O diagnóstico pode ser acessado através do site www.diagnostico.mg.gov.br.

Com a divulgação, Fernando Pimentel cumpriu com a palavra empenhada no discurso de posse: em 90 dias, apresentar para a população o relatório detalhado da situação em que recebeu o estado. A tarefa coube a Mário Vinícius Spinelli, que realizou trabalho semelhante em São Paulo, na condição de controlador-geral da Prefeitura, nos primeiros tempos da gestão de Fernando Haddad. Spinelli, à frente de uma equipe, vasculhou contas, licitações e contratos e o que encontrou deveria estar tirando o sono de muitos tucanos e de seus aliados, pois jogou por terra tudo o que foi alardeado sobre as maravilhas do “choque de gestão”.

Notícia escondida

O diagnóstico apontou um déficit orçamentário de R$ 7,2 bilhões, com 497 obras paralisadas, mais de 600 metros cúbicos de remédios vencidos, déficit de 30 mil vagas nos presídios e acúmulo de dívidas de R$ 94 bilhões. Só a Cidade Administrativa, menina dos olhos da gestão de Aécio Neves, consome R$ 120 milhões por ano. A obra, que custou R$ 1,7 bilhão, não gerou economia com alugueis e só com jardins e manutenção do mobiliário são gastos R$ 10 milhões por mês.

Por dever de ofício, a mídia deveria ter publicado os principais aspectos deste diagnóstico, ouvindo o governador e membros de sua equipe, para detalhar os problemas apresentados e também, por compromisso com o contraditório, divulgar as justificativas, críticas e pontos de vista dos integrantes das gestões anteriores, em especial dos ex-governadores Aécio Neves e Antônio Anastasia. Nada disso foi feito.

O jornal Estado de Minas publicou, na edição de 07/04, dia seguinte à apresentação do diagnóstico, uma discreta chamada de capa (em apenas uma coluna, no alto direito da página, sem foto) sob o título de “Pimentel: ‘Situação é crítica’. Tucanos rebatem”. Internamente, o jornal dedicou duas páginas da editoria de Política ao tema. Na primeira, sob o versal “Balanço”, a publicação assinala que o chamado choque de gestão foi contestado durante a apresentação pelo governador Pimentel, do diagnóstico sobre a situação das contas do estado. Em seguida, a matéria tenta relativizar os problemas, assinalando que “o levantamento foi divulgado em meio a uma crise que aflige todos os estados diante do quadro de recessão com o fracasso da política econômica do governo federal”.

E, antes mesmo de apresentar aspectos do diagnóstico, a matéria assinala que “o contra-ataque do PSDB veio rápido: poucas horas depois da divulgação do balanço pela equipe de Pimentel, o partido rebateu os números tópico por tópico, seguindo o modelo apresentado pelo atual governador”. A página seguinte, cuja manchete é “Tucano acusa governo de montar teatro”, dedica-se integralmente à entrevista com um deputado estadual, escolhido como porta-voz do PSDB, e à íntegra da nota do partido sobre o assunto. Curiosamente, não há nenhuma manifestação dos ex-governadores Aécio Neves e Antônio Anastasia. O jornal não os procurou? Eles se recusaram a falar? Nada disso é informado ao leitor.

A edição de 07/04 do jornal Hoje Em Dia não foi encontrada nas principais bancas e pontos de venda em Belo Horizonte. Ao contrário do que se possa imaginar, ela não esgotou. Simplesmente não chegou a estes locais. Na versão eletrônica, a publicação dedicou uma única matéria ao assunto: “Oposição volta a rebater diagnóstico do governo de Minas”.

Avaliação de quem?

O jornal O Tempo foi o único a tratar o diagnóstico em manchete de primeira página na edição do dia 07/03: “Relatório de 100 dias repete críticas, mas evita denúncias”.  Já o versal tem o nítido objetivo de minimizar o quadro: “em apresentação de nove minutos, Pimentel apontou falhas na gestão tucana e diz que a situação é ‘crítica’”. Internamente, a publicação dedica quatro páginas ao assunto, valendo-se de matérias, fotos e infográficos. Em nenhuma delas aparecem os ex-governadores Aécio Neves e Antônio Anastasia. O político mais graduado ouvido para defender os tucanos é o ex-governador tampão Alberto Pinto Coelho (PP), que concluiu o mandato de Anastasia.

O Tempo chega ao cúmulo de publicar um minibox, sob o título “Aécio-Resposta”, em que é dito o seguinte: “Os senadores e ex-governadores Aécio Neves e Antônio Anastasia não comentaram os dados. Internamente, a avaliação foi que não era preciso convocá-los, pela falta de acusações fortes.” O jornal não explica se este “internamente” refere-se aos tucanos ou ao próprio jornal. Também não explica o que consideram “acusações fortes”. Seja como for, fica visível a tentativa de não associar o nome e a imagem dos ex-governadores aos graves problemas apontados pelo diagnóstico nas gestões deles.

Apesar de Belo Horizonte contar com seis canais de TVs abertas (cinco afiliados de redes nacionais) e um local, TV Minas, emissora educativa de propriedade do governo do estado, a cobertura que realizaram sobre os resultados deste diagnóstico foi mínima. A maioria fez apenas registro sumário do fato. Quanto à TV Minas, sua programação e seus telejornais locais (hoje reduzido a um único) estão de tal forma sucateados, que não teve condições para uma cobertura minimamente adequada. Some-se a isso que o principal telejornal por ela exibido continua sendo o Jornal da Cultura, produzido pela TV Cultura de São Paulo. Um telejornal que, há muito, vem sendo denunciado como uma espécie de house organ dos tucanos paulistas.

Nas emissoras de rádio, a cobertura do diagnóstico não foi diferente. Apesar de a capital mineira contar com mais de três dezenas de emissoras (entre AMs e FMs), a grande maioria é constituída por “caixas de música” e “templos eletrônicos”. Vale dizer: rádios que apenas tocam música ou são ligadas a igrejas, sobretudo evangélicas. A rádio Itatiaia, a principal do Estado, confirmou a fama de “velha amiga dos tucanos”, enquanto as edições locais da CBN (Organizações Globo) e BandNews (Grupo Bandeirantes) trataram do assunto com superficialidade tamanha que beirou à irresponsabilidade.

Omissão de gastos

Nos dias seguintes, o assunto não mereceu qualquer repercussão. O diagnóstico simplesmente sumiu da mídia mineira. Nenhum jornal, emissora de rádio ou TV se preocupou em saber o que pensa dele empresários, especialistas, líderes sindicais, artistas, trabalhadores, estudantes, enfim a população de Minas Gerais. Fato impensável em qualquer lugar em que a mídia seja minimamente séria. Afinal, os problemas apontados dizem respeito não só ao passado recente como o futuro para uma população de quase 20 milhões de habitantes.

Escrito em linguagem simples, acessível e bem detalhado, este diagnóstico merece ser lido. Nele estão abrangidas áreas como Educação, Saúde, Desenvolvimento Social, Gestão, Obras, Agricultura e Cultura. Sente-se falta, no entanto, de um item crucial em todas as sociedades contemporâneas, o relativo à mídia. Em outras palavras, o diagnóstico omite os gastos do Executivo estadual nos últimos 12 anos com propaganda (incluindo também o de empresas estatais como Cemig, Copasa e Codemig) e o que foi feito em relação às emissoras governamentais.

Com estas omissões, o diagnóstico perdeu uma excelente oportunidade para deixar registrado, por exemplo, quanto o governo de Minas gastou com propaganda durante as gestões de Aécio Neves e Antônio Anastasia. Gastos que qualquer mineiro sabe que foram vultuosos, dada à avassaladora quantidade de propaganda que caracterizou estas administrações. Extraoficialmente, comenta-se que estes gastos superaram a cifra de R$ 2 bilhões.

Excelente oportunidade foi perdida, também, ao não se registrar a situação em que se encontram a TV Minas Cultural e Educativa e a Rádio Inconfidência, ambas de propriedade do governo do Estado. TV Minas e Rádio Inconfidência foram vítimas do desmonte permanente e sistemático por parte dos tucanos. Aliás, a única coisa que os tucanos fizeram por elas (ou por eles próprios?) foi a construção de uma nova sede, inacabada, que irá abrigá-las. A exemplo da Cidade Administrativa, o prédio é faraônico, com manutenção muitíssimo cara e terá impacto negativo sobre o minguado orçamento destas emissoras. Construção que está longe de resolver os maiores problemas que enfrentam: salários dignos para seus funcionários e programação em quantidade e qualidade compatível com o interesse público.

A ausência de um tópico sobre estes aspectos é grave e aponta, no mínimo, para uma visão conservadora do governo Pimentel sobre comunicação e mídia. Nos dias atuais, a sociedade exige transparência em relação aos gastos oficiais com publicidade, da mesma forma que nenhuma administração pode ignorar que a mídia governamental deve e precisa ser implementada e voltada para o interesse público.

O quadro lamentável em que se encontra a mídia em Minas Gerais explica o fato de ter chegado ao fundo do poço no quesito credibilidade. As tiragens dos jornais locais são pífias e não ultrapassam a casa dos 30 mil exemplares durante a semana, e 50 mil aos domingos. Mesmo assim, a maior parte fica encalhada, de pouco adiantando promoções variadas. A exceção é o jornal Super, o tabloide sensacionalista editado pela mesma empresa de O Tempo.

O Super é um caso à parte, pois se valendo da fórmula “crime, futebol e sexo”, tem sua tiragem na casa dos 230 mil exemplares diários, à frente de qualquer publicação impressa nacional, aí incluídos os tradicionais O Globo e Folha de S.Paulo. O tabloide não dá, diretamente, destaque a temas políticos, mas sua linha editorial, extremamente conservadora, tem contribuído para disseminar preconceitos e ódios.

Este quadro faz com que nas rodas de repórteres e jornalistas em Belo Horizonte, o quê mais se ouve sejam reclamações sobre demissões injustificadas de colegas, perseguições, censura a notícias por parte dos editores e dirigentes, além do fato de muitos destes profissionais sentirem-se hostilizados pela população. Repórteres do jornal Estado de Minas, por exemplo, ao cobrirem quaisquer manifestações, têm que esconder o crachá que os identifica. O mesmo acontecendo, com frequência, em se tratando das equipes locais da TV Globo. Problemas que têm reflexos diretos no conteúdo da mídia mineira que, se há muito deixava a desejar, agora se tornou dispensável.

Atestado de óbito

Fundado em 1929 e o mais antigo em circulação em Belo Horizonte, o Estado de Minas, que integra os Diários e Emissoras Associados, enfrenta a maior crise de sua história, com sérios riscos de não sobreviver. Além dos constantes cortes de pessoal e de ter colocado à venda sua sede, está em vias de desfazer-se de mais uma emissora. Desta vez a escolhida é rádio Guarani, a caminho de tornar-se mais uma igreja eletrônica.

Nos tempos áureos, os Associados, de Assis Chateaubriand, chegaram a ter o domínio absoluto da mídia mineira, com três jornais, duas emissoras de televisão e meia dúzia de rádios. Até meados de 1964, o Estado de Minas era apenas um entre os 13 jornais que circulavam em Belo Horizonte (12 diários e um semanário). Ter participado ativamente do golpe civil-militar que derrubou o presidente João Goulart garantiu-lhe vantagens e privilégios junto aos novos ocupantes do poder e estes foram usados para destruir concorrentes e perseguir profissionais que não rezavam por sua cartilha.

Em 1987, veio o confronto com o governador Newton Cardoso (PMDB) que redundou na decisão, por parte do governador, de lançar o jornal Hoje Em Dia. Em meados da década de 1990 foi a vez do empresário Vittorio Medioli, então deputado federal pelo PSDB, também em confronto com os Associados, lançar o jornal O Tempo. De lá para cá, o Hoje Em Dia mudou de mãos duas vezes: vendido por Cardoso, foi parar entre as propriedades de Edir Macedo e agora tem à frente um grupo empresarial local. Ao que tudo indica, este grupo apostava na vitória dos candidatos tucanos em Minas e no plano federal. Como a aposta não se concretizou, os comentários são de que o jornal pode ter sua edição impressa encerrada, passando a circular apenas no suporte digital.

Em comum, Estado de Minas, Hoje Em Dia e O Tempo possuem o fato de, ao longo dos últimos 12 anos, terem apoiado incondicionalmente os governos tucanos em Minas Gerais, acostumando-se a generosas verbas de publicidade oficial. Em troca, minimizaram, ignoraram ou mentiram sobre qualquer assunto que pudesse ser negativo ou incômodo aos tucanos.

Desses grupos empresariais, o único que demonstra boa saúde financeira é o de O Tempo, que controla três jornais na capital e outro tanto na região metropolitana de Belo Horizonte. Mas seu proprietário, o ex-deputado Vittorio Medioli, enfrenta problemas, condenado a cinco anos e seis meses de prisão por crime contra o sistema financeiro nacional. Medioli foi um dos alvos da operação Farol da Colina, da Polícia Federal, que desbaratou um esquema por meio do qual foram enviados ilegalmente para o exterior mais de US$ 3 milhões através da Beacon Hill Service Corporation. Como a pena de Medioli ainda pode aumentar, em função de recurso do Ministério Público Federal, os funcionários de sua empresa estão preocupados e inseguros quanto ao futuro.

Até o início de 2014, as lacunas, distorções e manipulações da mídia mineira em se tratando da cobertura política vinham sendo supridas por um número cada vez maior de pessoas que se informavam através do site NovoJornal, que chegou a atingir a casa de um milhão de acessos/dia. Por ser o único veículo em Minas que denunciava a falácia do choque de gestão e as irregularidades nas administrações tucanas, recebeu por três vezes, a “visita” da polícia, até que seu proprietário, Marco Aurélio Carone foi preso e o site retirado do ar.

Marco Aurélio Carone passou os nove primeiros meses de 2014 em uma prisão de segurança máxima, sem acusação formal e maior parte do tempo incomunicável.  Passadas as eleições, foi solto por “ausência de provas” contra ele. O site NovoJornal continua fora do ar, mantendo-se o quadro de censura à mídia em plena democracia. Até o momento, nenhuma das autoridades mineiras (passadas ou atuais) se pronunciou sobre o assunto.

Por tudo isso, para obter informações minimamente confiáveis sobre o que acontece no Estado, a população tem de recorrer aos jornais, sites e blogs de outros estados.  O que equivale a um atestado de óbito para a mídia mineira.

Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG. Este artigo foi publicado no blog Estação Liberdade
No OI
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Jornal Militar: Como sobreviver à Polícia


Tutorial polêmico criado pela PMERJ para ensinar como sobreviver à Polícia. E ainda: major da PM convoca protesto e se surpreende.

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Terceirização no Holerite dos Outros é Refresco (Havana Connection #5)


Saiu o quinto episódio do Havana Connection, o programa que analisa o que está bombando no Brasil e no mundo sob um ponto de vista de esquerda – seja lá o que significa ser de esquerda hoje em dia.

Com mediação deste que vos escreve, o Havana Connection conta com a participacão do professor e coordenador do MTST, Guilherme Boulos, do jornalista e deputado federal Jean Wyllys e da jornalista e escritora Laura Capriglione.



Leonardo Sakamoto
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Boechat detona Aécio: choro de perdedor - assista


O jornalista Ricardo Boechat, comentarista da Band, bateu duro no senador Aécio Neves (PSDB-MG) por seu flerte com o impeachment; "ninguém é mais descategorizado do que o derrotado para propor a derrubada daquela que o derrotou", afirma; segundo ele, Aécio caracteriza-se como mau perdedor

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CBN troca e apaga a notícia


Na ânsia de associar Haddad à corrupção, CBN troca secretários


A CBN associou, erroneamente, a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) a um caso de corrupção conhecido como Máfia do ISS. Nesta quinta-feira (16), a emissora de rádio publicou uma nota sobre o envolvimento do empresário Marco Aurélio Garcia no esquema de fraude fiscal descoberto por Haddad após a criação da Controladoria-Geral do Município. Marco Aurélio é irmão do secretário estadual Rodrigo Garcia, indicado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para conduzir a Habitação. A CBN, no entanto, escreveu que Rodrigo Garcia é secretário de Haddad.

No GGN



Respeito ao ouvinte e internauta

Como a CBN não usa o "Erramos", nem pede desculpa, a notícia é simplesmente apagada, observe onde foi parar a notícia das 17:32

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Universidades Federais não precisam mais realizar concurso público para contratação de professores


Não passou nas TVs e rádios, pouco realçado nos jornais e internet. Mas nessa quinta-feira (16) o Supremo Tribunal Federal decidiu o futuro do Direito Administrativo e da Administração Pública brasileira.

O STF decidiu que a Administração Pública pode repassar a gestão de escolas públicas, universidades estatais, hospitais, unidades de saúde, museus, entre outras autarquias, fundações e empresas estatais que prestam serviços públicos sociais para entidades privadas sem fins lucrativos como associações e fundações privadas qualificadas como organizações sociais.

Foi na Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.923, proposta pelo PT e pelo PDT contra a Lei 9.637/98, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O STF decidiu pela constitucionalidade de quase toda a lei.

Nesse sentido votaram os Ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski, nos termos da Advocacia-Geral da União.

Marco Aurélio Mello e Rosa Weber votaram contra a privatização dos serviços públicos sociais, conforme o Ministério Público Federal.

O Relator Carlos Ayres Britto, quando era Ministro, havia votado contra a privatização, permitindo apenas as OS para fins de fomento por meio de convênios.

Luís Roberto Barroso, por ter substituído Ayres Britto, e Dias Toffoli, por ter agido no processo como AGU, não votaram. Assim como Luiz Edson Fachin, que já foi escolhido por Dilma Rousseff (PT) mas ainda não foi sabatinado pelo Senado e nem empossado.

Com isso, por exemplo, uma Universidade Federal não precisa mais realizar concurso público para a contratação de professores.

Os Hospitais de Clínicas ligados às universidade federais não precisam mais repassar a gestão para a empresa pública EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares.

Basta privatizar e repassar a gestão de suas unidades para ONGs, por meio de contratos de gestão, sem a realização de licitação. E as entidades não farão licitação, não realizarão concurso público para suas contratações.

O STF decidiu no sentido de julgar parcialmente procedente o pedido, apenas para conferir interpretação conforme à Constituição à Lei nº 9.637/98 e ao art. 24, XXIV da Lei nº 8666/93 (incluído pela Lei nº 9.648/98), para que tanto o procedimento de qualificação; a celebração do contrato de gestão; a dispensa de licitação para contratações das OSs que celebraram contratos de gestão; a outorga de permissão de uso de bem público para as OSs; os contratos a serem celebrados pela OS com terceiros, com recursos públicos; e a seleção de pessoal pelas OS seja conduzidos de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do art. 37 da CF: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência; e afastar qualquer interpretação que restrinja o controle, pelo Ministério Público e pelo TCU, da aplicação de verbas públicas.

Ou seja, além de poder privatizar toda a gestão de entidades estatais que prestam serviços públicos sociais, isso pode ser feito sem licitação, bastando um procedimento simplificado que garanta os princípios.

Infelizmente o STF errou, de novo.

O que cabe fazer é que os indignados com esse absurdo entre com ações contra cada ato que realizar essas privatizações, ainda com a tentativa que as OSs sejam utilizadas no caso concreto apenas para fins de fomento do Estado, para que o Poder Público fomente a iniciativa privada sem fins lucrativos, mas sem repasse de gestão de estruturas já existentes.

No Blog do Tarso
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Empresa da CIA monitora o chat do Facebook


Os bate-papos do Facebook são monitorados pela empresa Recorded Future, financiada pela CIA, conforme afirma a Web Bosnadev, depois de realizar uma minuciosa investigação.

Os responsáveis pela Bosnadev começaram a testar um aplicativo e encontraram uma área inédita em que observaram algumas atividades incomuns. O link para o aplicativo foi enviado através do chat do Facebook, onde encontraram uma lista de protocolos (IPv6), muito longa para uma simples verificação no Facebook.

Ao suspeitar disso, eles rastrearam o registro da recém-criada URL enviada via chat do Facebook. No final, eles encontraram a Recorder Future, uma empresa que recebeu financiamento do Google Ventures e da CIA.

Esta descoberta coloca em evidência a rede social de Mark Zuckerberg ao revelar a violação da privacidade de seus usuários, uma das questões mais controversas que vem novamente à luz graças a notícias como esta.

Portanto, nada de pensar que nossas mensagens privadas estão a salvo de terceiros.

O outro lado

Tanto o Facebook quanto a Recorded Future desmentem a informação.

"Confirmamos que o Facebook não utiliza a Recorded Future — um agregador de códigos abertos de dados públicos — para analisar conteúdos privados. Isso significa que não temos nenhuma ligação com a Recorded Future", disse um funcionário da equipe de segurança do Facebook.

Neste sentido, ele assegurou que é muito "difícil" dizer com precisão que isso tenha acontecido. No entanto, há intenção de ser feita atualização quando se depararem com qualquer informação que possa responder a este problema.

A equipe da Recorded Future buscou informações em seus registros para entender o que aconteceu. Segundo explicam, seus sistemas seguiram uma URL depois que havia sido publicada em um sítio público. Nosso sistema verifica constantemente URLs postadas na web.

"Revisamos nossos registros e confirmamos que foi isso o que aconteceu neste caso específico. Não está relacionado com as mensagens do chat do Facebook que contêm este link. Nosso sistema não tem acesso a essas informações ", acrescentou.

Da Europa Press
No CubaDebate
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50 anos da Globo: Vamos descomemorar!


Manifesto

A TV Globo festejará os seus 50 anos de existência no dia 26 de abril. Serão promovidos megaeventos e lançados vários produtos comemorativos. No mesmo período, porém, muita gente está disposta a promover a “descomemoração” do aniversário do império global, um ato de repúdio ao papel nocivo desse grupo de mídia na história do país. Uma palavra-de-ordem que se destaca em todo o Brasil em manifestações recentes é: “O povo não é bobo. Fora Rede Globo”. E motivos não faltam para esta revolta.

A emissora é filha bastarda do golpe militar de 1964. O então diretor do jornal “O Globo” Roberto Marinho foi um dos principais incentivadores da deposição do presidente João Goulart, dando sustentação ideológica à ação das Forças Armadas. Um ano depois, foi fundada a sua emissora de televisão, que ganhou as graças dos ditadores. O império foi construído com incentivos públicos, isenções fiscais e outras mutretas. Os concorrentes no setor foram alijados, apesar do falso discurso global sobre o livre mercado.

Nascida da costela da ditadura, a TV Globo tem um DNA golpista. Apoiou abertamente as prisões, torturas e assassinatos de inúmeros lutadores patriotas e democratas que combateram o regime autoritário. Fez de tudo para salvar o regime dos ditadores, inclusive omitindo a jornada das Diretas Já na década de 80. Com a democratização do país, ela atuou para eleger seus candidatos — os falsos “caçadores de marajás” e os convertidos “príncipes neoliberais”. Na fase recente, a TV Globo militou contra toda e qualquer avanço mais progressista, atuando na desestabilização dos governos que não rezam integralmente a sua cartilha. Nas marchas de março desse ano, ela ajudou a mobilizar o anseio golpista e garantiu a ele todos seus holofotes.

A revolta contra a Globo que ganha corpo está ligada também à postura sempre autoritária diante dos movimentos sociais brasileiros. As lutas dos trabalhadores ou não são notícia na telinha ou são duramente criminalizadas. A emissora nunca escondeu o seu ódio ao sindicalismo, às lutas da juventude, aos movimentos dos sem-terra e dos sem-teto. Através da sua programação, não é nada raro ver a naturalização e o reforço ao ódio e ao preconceito. Esse clima de controle e censura oprime jornalistas, radialistas e demais trabalhadores da empresa, que são subjugados por uma linha editorial que impede, na prática, o exercício do bom jornalismo, servidor do interesse público, em vez da submissão à ânsia de poder de grupos privados.

Além da sua linha editorial golpista e autoritária, a Rede Globo — que adora criminalizar a política e posar de paladina da ética — está envolvida em inúmeros casos suspeitos. Até hoje, ela não mostrou o Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) do pagamento dos seus impostos, o que só reforça a suspeita da bilionária sonegação da empresa na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. A falta de transparência do império em inúmeros negócios é total. Ela prega o chamado “Estado mínimo”, mas vive mamando nos cofres públicos, seja através dos recursos milionários da publicidade oficial ou de outros expedientes mais sinistros.

Essas e outras razões explicam o forte desejo de manifestar o repúdio à TV Globo em seu aniversário de 50 anos. Assim, vamos realizar em torno do dia 26 de abril uma série de manifestações, em todo o país, para denunciar a emissora como golpista ontem e hoje; exigir a comprovação do pagamento de seus impostos; e reforçar a luta por uma mídia democrática no Brasil.

Sem enfrentar o poder e colocar limites à maior emissora do Brasil — e uma das cinco maiores do mundo — não será possível garantir a regulamentação dos artigos da Constituição que proíbem o monopólio para levar a cabo a democratização do país. Por isso, vamos às ruas contra a Globo e convidamos todos os brasileiros comprometidos com a democracia, a liberdade de expressão, a cultura nacional, o jornalismo livre e a soberania popular a participar das manifestações em todo o país.

Assinam este manifesto (em ordem alfabética):

ANPG - Associação Nacional de Pós-Graduandos

Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular

Campanha por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político

Centro de Estudos Barão de Itararé

Consulta Popular

Contracs – Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços
CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

CUT- Central Única dos Trabalhadores

Enegrecer- Coletivo Nacional de Juventude Negra

FNDC- Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

Fora do Eixo

FUP- Federação Única dos Petroleiros

Intersindical Central da Classe Trabalhadora

Intervozes

Juventude do PT

Levante Popular da Juventude

MAB- Movimento dos Atingidos por Barragens

Marcha Mundial das Mulheres

Movimento JUNTOS!

MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

MTST- Movimento dos Trabalhadores Sem Teto

Nação Hip Hop Brasil

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Sindicato dos Professores (Sinpro) de Campinas

UBM- União Brasileira de Mulheres

UJS- União da Juventude Socialista

UNE- União Nacional dos Estudantes

Uneafro-Brasil

Jornal Brasil de Fato
Site Vermelho

Blog da Cidadania

Blog Maria Frô

Blog O Cafezinho

Blog Viomundo

Blog ContextoLivre

* Para aderir ao manifesto, envie o nome da sua entidade para contato@baraodeitarare.org.br
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Choque

Uma vez o saxofonista Gerry Mulligan foi tocar em Porto Alegre e o adido cultural do consulado americano nos convidou para jantar com ele e a mulher depois da apresentação. Eu sabia tudo sobre Mulligan e sua carreira, desde o sucesso dos primeiros discos do quarteto sem piano que formou com o trompetista Chet Baker nos anos 50. E sabia da sua vida extramusical, seus problemas com drogas e mulheres. Mas agora ele era um respeitável senhor de barbas brancas. E a longa sucessão de mulheres na sua vida — que incluíra a atriz Judy Holliday — tinha acabado numa bela italiana chamada Franca, que conhecera durante a gravação do seu disco com o Astor Piazzola, na Itália, e aposto que ficou com ele até o fim. Era evidente que a Franca tinha tudo dominado.

Fomos jantar com Mulligan, a mulher e o trio que o acompanhara no show no melhor restaurante de Porto Alegre, na época, cujo dono e maître era uma figura controvertida chamada “Seu” Fridolino. Nascido no Brasil, ele tinha um sotaque alemão carregado. Muitos confundiam com rudeza o que era apenas humor germânico, já que nem sempre se pode distinguir as duas coisas. Estávamos acostumados com seu jeito, e com o fato de que, em noites de muito movimento sua mulher, dona Frida, e sua equipe na cozinha não conseguiam dar conta. Mas a Franca não queria saber do folclore do lugar, queria alimentar o seu homem. E deu-se o choque de culturas.

“Seu” Fridolino já expulsara gente do restaurante por menos do que o que ouviu da italiana naquela noite. Por um momento a mesa ficou suspensa, à beira de um incidente internacional. O adido americano e eu, representando nações neutras, ficamos calados. Mulligan nem tomara conhecimento do confronto que se armava e, durante a discussão, manteve a sua pose de patriarca viking. Aquela era a área de ação da sua mulher.

“Seu” Fridolino deve ter se convencido de que estava enfrentando uma leoa e que havia a real possibilidade de grandes estragos materiais no seu restaurante. Recuou. Ninguém foi expulso. Dali a pouco veio a comida. Ótima, como sempre. Acho que a Franca até elogiou. Alemanha e Itália, as forças do Eixo, estavam recompostas.

Durante o jantar, me lembrei do que meu pai me contara uma vez. Num voo internacional, ele sentara ao lado do técnico Gentil Cardoso, que viajava com um time carioca, e passara o tempo todo tentando falar sobre futebol com ele — que insistia em só falar sobre literatura. Na minha conversa com Gerry Mulligan tentei em vão saber notícias de alguns dos meus ídolos, como Zoot Sims, que tinham tocado com ele. Mulligan só queria falar sobre o García Marquez.

Luís Fernando Veríssimo
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Sérgio Porto # 198


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Aécio Neves e a erosão do capital político das oposições no Brasil


Aécio Neves vive um momento zumbi-de-palanque. Dia e noite se desdobra a ocupar espaço na mídia para dizer coisas disparatadas, quase sempre sem nexo, sem aprofundar o pensamento em ideia alguma e sempre de olho em sua nova (e única) base de apoio popular: os intolerantes que se vestem de bandeira nacional e vão às ruas gritar pelo impeachment de Dilma Rousseff, os saudosos da ditadura militar exigindo à volta dos tempos de chumbo, os artistas anarquistas com prazo de validade vencido como Lobão e Roger, as velhinhas filhas de militares que querem a todo custo manter suas ricas pensões pagas pela União, os oportunistas deslumbrados com gente nas ruas a vociferar pela saída do PT do Palácio do Planalto.

Aécio Neves tem sido muito mal assessorado: como não tem história própria e sempre tira proveito da expertise política do avô Tancredo Neves, parece não estar nem aí para o mau uso que vem se fazendo de sua imagem: está sempre a um passo de andar abraçado a gente como Jair Bolsonaro, Paulinho da Força, José Agripino Maia, Roberto Freire, Pastor Everaldo, Levy Fidelix, Lobão, Rodrigo Chequer, Carlos Sampaio e o garoto asiático do alto de seus dezenove anos de experiência política. Faria bem melhor se buscasse a companhia de seus companheiros mais comedidos. Trocasse Paulinho da Força por José Serra, trocasse Carlos Sampaio por Geraldo Alckmin, trocasse Jair Bolsonaro por Marconi Perillo, trocasse Ronaldo Caiado por Álvaro Dias.

Precisava disso?

A cada novo flerte do neto com os tempos ditatoriais — tempos em que seu pai, o deputado Aécio Cunha era eleito pelo partido dos militares, a Arena — o grande Tancredo Neves deve se revirar no túmulo. Aécio não tem propensão para honrar minimamente a herança política e libertária do avô. Ao contrário, parece sofrer de 'derrotite aguda', aquele mal que acomete os maus perdedores e os que estão dispostos a tudo fazer para levar na marra o que não conseguiu levar na observância dos ritos democráticos e nos limites sensatos do estado de Direito.

Maturidade política e visão de longo alcance têm seus mais vistosos pares tucanos: José Serra e Geraldo Alckmin.

O ex-ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso cultiva com gosto sua imagem de homem sério, de político confiável, de administrador público calejado e alheio a arroubos juvenis e irresponsáveis. Com isso Serra reconstrói sua imagem para 2018 e nos próximos anos seus adversários na corrida para o Planalto não terão a enxurrada de vídeos, notas políticas, entrevistas e dezenas de passos em falso dados por Aécio Neves desde que foi derrotado por Dilma Rousseff em outubro de 2014. Serra tem muitos erros biográficos a serem explorados, mas os piores na política ele não tem: simpatizante de movimentos claramente fascistas em suas motivações, conspirador de golpe de Estado contra uma presidente recentemente eleita com mais de 54 milhões de votos, fantoche usado em manifestações de motivações espúrias e confusas em sua natureza, instabilidade emocional própria de oportunistas que na política fazem tudo o que dizem condenar. É óbvio que, nos dias atuais, José Serra se cacifa para novos voos presidenciais em 2018 e traz em sua bagagem nada menos que São Paulo inteira que, muito dificilmente, voltaria a apoiar nova aventura presidencial do mineiro Neves, exatamente aquele que perdeu feio – e em dois turnos das eleições – em seu próprio reduto e quintal eleitoral, a brava Minas Gerais.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin mantém sua aura de gestor responsável, de gestos comedidos e de experiência política consumada. Alckmin sabe muito bem que não se ganham eleições majoritárias com arroubos juvenis nem com bravatas pueris. Ao contrário, o famoso picolé-de-chuchu sabe que o eleitorado paulista é arredio a factoides, a guinadas bruscas rumo à direita e que prefere um conservadorismo light, bem ao gosto do povo quatrocentão de São Paulo. Alckmin tem se portado com dignidade e correção de conduta: não alimenta aventuras golpistas, não se deixa intimidar por palavras de ordens de gente como Jair Bolsonaro ou do Paulinho da Força, não endossa esses quando propõem o enforcamento de Lula e de Dilma e não fez até hoje qualquer aceno golpista ao impeachment à moda paraguaia ao qual está sendo tragado com celeridade o destemperado Aécio Neves. Alckmin tem como foco na vida fazer um novo bom governo em São Paulo, cumprir promessas de campanha, cimentar boas relações políticas e instituições com a presidência da República. E se resolver em 2018 se aliar a José Serra, com qualquer um deles na cabeça de chapa certamente estarão personificando a chapa mais confiável da oposição ao poderio petista em pleitos presidenciais.

Não à toa tanto Serra quanto Alckmin devem se divertir um bocado com as trapalhadas de seu companheiro Aécio tanto ao longo da campanha de 2014 quanto nos 100 dias seguintes à posse de sua rival e vencedora eleita para governar o Brasil de 2015 a 2018 — Dilma Vana Rousseff. Chega um momento em que Aécio discursar que é um democrata desde criancinha tem tanto efeito quanto um homem feio dizer que é bonito: não engana a ninguém. Como pode alguém se dizer democrata se está sempre apoiando recontagem de votos do último pleito presidencial, autoriza próceres a levar ao TSE pedido para que impugnasse a diplomação da presidente eleita com ampla maioria de mais de 3,5 milhão de votos e ele mesmo fosse o diplomado?

Para alguém que teve pouco mais de 51 milhões de votos, ainda assim bem insuficientes para ter legitimidade de subir a rampa do Planalto, a verdade é que esse capital político não é dele, não constitui latifúndio eleitoral próprio, pessoal, inquestionável, intransferível. Muito ao contrário. Os votos dos 51 milhões de brasileiros que digitaram o nome de Aécio Neves nas urnas eletrônicas disponibilizadas pelo TSE em 26 de outubro de 2014 são majoritariamente assim distribuídos:

A — Eleitores do PSDB de São Paulo, notadamente de José Serra e Geraldo Alckmin e uma parte bem menor de Fernando Henrique Cardoso. Estes votariam certamente em qualquer nome indicado de forma insofismável por esses três consumados caciques tucanos;

B — Eleitores de Marina Silva, admiradores de sua Rede Sustentabilidade, espalhados por todo o país, mas notadamente nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Terceira colocada quando do segundo turno, a acreana tem abocanhado sempre algo entre 15% e 22% nos pleitos iniciais de 2010 e 2014;

C — Eleitores do PSB que insuflaram ao longo dos anos 2013 e 2014 a candidatura do falecido líder pernambucano Eduardo Campos. Representava a terceira via na política brasileira, bem mais que sua então candidata a vice Marina Silva. O PSB pernambucano tem imenso capital político no estado de Pernambuco e em alguns outros estados do Nordeste, sem falar que ao integrar a chapa vitoriosa de Alckmin ao governo de São Paulo, o PSB conquistou eleger seu vice-governador;

D — Eleitores do Paraná e de Goiás, respectivamente de Beto Richa/Álvaro Dias e de Marconi Perillo, foram os grandes responsáveis pela boa votação do mineiro nesses importantes estados. Novamente, com todo o desgaste de Beto Richa no Paraná, ainda assim, para 2018 certamente milhões de paranaenses e goianos votarão seguindo a guia de Dias e Perillo.

E — Resta assim para Aécio Neves algum contingente de votos dos mineiros, mas não a sua maioria uma vez que esta foi dada logo no primeiro turno ao petista mineiro Fernando Pimentel que se elegeu de primeira, ainda no primeiro turno eleitoral de 2014. Agora, no momento em que se demonstra à larga a farsa que era o decantado e propagandeado “choque de gestão tucano em Minas”, com o estado em situação de penúria financeira, há que se imaginar que Aécio precisará se desdobrar para reconquistar seu tradicional feudo.

Para alguém que ainda se acha “dono” de 51 milhões de votos reunir em todo o Brasil alguns milhares de simpatizantes (segundo o Datafolha, 83% dos que foram as ruas em protestos contra a corrupção e pedindo golpe contra Dilma Rousseff se disseram eleitores de Aécio Neves) não deveria significar mais que isso — uma manifestação contra o Governo. Ponto.

Para efeito de análise, na Argentina manifestações contra Cristina Kirchner ocorrem quinzenalmente, lotam com meio milhão pessoas a tradicional avenida 9 de Julho, fazem muito barulho, mas assim como se congregam, se dispersam e a vida continua — Kirchner continua governando, enfrentando a alvoroçada mídia tradicional portenha, sofrendo duros golpes em sua combalida economia, mas continua de pé e, segundo consultorias de renome internacional, deverá eleger seu sucessor no próximo pleito presidencial.

No Brasil será que seria diferente? Manifestações na avenida Paulista de São Paulo, na Atlântica do Rio de Janeiro, no Farol da Barra de Salvador, na Praça da Liberdade de Belo Horizonte e nas pontes coloniais do Recife antigo — será que todas elas juntas, na média de uma por mês (15/3/2015 e 12/4/2015) e com números decaindo por volta de 60% da massa que a elas acorrem, será mesmo que isso será suficiente para derrubar um governo legitimamente eleito como o de Dilma Rousseff? Daria para fazer pensar se o número de manifestantes atingisse algo como 10% dos que optaram pela chapa oposicionista em 2014 e esses fossem ao meio fio atendendo ao chamamento das oposições e, ainda assim, teriam que começar com uma base de 10% dos que votaram em Aécio Neves, qual seja, 5 milhões de manifestantes e esse número precisaria crescer exponencialmente, semana a semana, alcançando algo como 20%, daí então movimento da espécie poderia ser levado minimamente a sério. No mais, tudo não passa de birra de mau perdedor, de quem acredita que em um mesmo passeio dominical se pode rasgar festivamente a Constituição do país...

Portanto, feitas as digressões devidas, há que se perguntar:

1 — Aécio Neves pensando apenas em si mesmo, não estará praticando crime de “lesa-partidarismo”, dilapidando o patrimônio de votos que não são seus e sim da Oposição como um todo?

2 — Até quando caciques como José Serra e Geraldo Alckmin suportarão calados e inertes que esse patrimônio seja dilapidado a olhos nus diante das decisões imensamente com viés antidemocrático, altamente equivocadas, perigosamente anárquicas e de maneira imperial e autoritária tomadas a toque de caixa pelo presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves, esse inconformado perdedor das eleições de 2014?

Uma coisa é certa: 2018 começou e os tucanos já começam muito mal posicionados no tabuleiro. Na verdade, não são os tucanos que começam mal e sim é Aécio que se auto empurra ladeira abaixo quando da escolha do candidato de seu partido para enfrentar o petista Lula da Silva. Nessa toada ensandecida para derrubar Dilma do Planalto chegará em 2018 mais contaminado que a usina japonesa de Fukushima, ou seja, seus melhores companheiros lhe evitarão até mesmo a companhia.

Precisava ser assim?

Daniel Quoist
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