15 de abr de 2015

O imperdível discurso do deputado Sibá Machado


Da tribuna da Câmara, em 07 de abril, o deputado Sibá Machado do PT responde ao deputado tucano Carlos Sampaio

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Golpistas partem para a cartada decisiva

Golpistas das ruas se unem aos golpistas da política
A direita partidária, composta por PSDB, DEM, PPS e SD e outros legendas de menor expressão, parece que decidiu partir para uma cartada final na ofensiva golpista iniciada logo após as eleições presidenciais de outubro passado. Derrotada pela quarta vez consecutiva nas urnas, ela já pediu recontagem de votos — e foi desmoralizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) —, questionou as contas da campanha vitoriosa — e também foi derrotada pela Justiça — e tentou impedir a posse de Dilma Rousseff. Na sequência, ela ajudou a convocar e participou das marchas organizadas por agrupamentos fascistóides. Diante do fracasso destas investidas, agora o consórcio PSDB-DEM-PPS-SD anuncia que pedirá formalmente o impeachment da presidenta reeleita pela maioria dos brasileiros e há até quem proponha a cassação do registro do PT.

O cambaleante Aécio Neves, duplamente derrotado em outubro — na disputa presidencial e na manutenção do governo mineiro —, é o mais excitado na orquestração golpista. Segundo relato do site da revista Época, pertencente à famiglia Marinho, ele agora está empolgado com a possibilidade de derrubar Dilma Rousseff. “O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse hoje à tarde que ‘impeachment não é palavra proibida’. A frase foi dita após o tucano ter se reunido com a bancada do PSDB na Câmara dos Deputados. Ele se empolgou depois que todos os participantes do encontro — eram 45 — terem se mostrado favoráveis a pedido de abertura de processo que leve à cassação da presidente Dilma Rousseff. No começo de março, Aécio disse que impeachment ‘não estava na agenda do PSDB’”, descreve o jornalista Leonel Rocha.

Esta postura agressiva surpreendeu até um colunista da Folha tucana. Em artigo publicado nesta quarta-feira (15), Bernardo Mello Franco destacou a “guinada no discurso de Aécio Neves”. “Depois de um mês em cima do muro, os tucanos tentarão se aproximar dos movimentos que foram às ruas para pedir o afastamento da presidente. O senador evitava falar ou deixar que falassem no assunto. Há um mês, assegurava que isso ‘não estava na agenda do PSDB’. Ontem mudou de tom, ao dizer que a sigla ‘está discutindo todas as alternativas’. ‘O que eu posso dizer é que nós estaremos sintonizados com a sociedade, com esse clamor das ruas’, afirmou. Segundo aliados, Aécio decidiu ir ao ataque por entender que estava frustrando suas bases. Ele foi duramente cobrado nas redes sociais e no partido por não ter ido às novas manifestações no último domingo”.

O PSDB inclusive já solicitou ao jurista Miguel Reale, ministro da Justiça no detestado governo de FHC, um estudo sobre o pedido de impeachment contra Dilma. “Os tucanos resolveram agir embalados pela pesquisa Datafolha que mostrou que 63% apoiam a abertura de processo contra Dilma. Reale ainda analisa o caso para ver se há viabilidade jurídica... Depois da queda significativa de público nos atos do domingo, parte do tucanato avaliou que, se o partido não for ao ataque, perderá o timing, repetindo a trégua que deu a Lula após o mensalão, em 2005”, relata a coluna Painel, da mesma Folha tucana. No mesmo rumo, o Solidariedade, sigla criada pelo oportunista Paulinho da Força, intensificou a coleta de assinaturas pelo impeachment; o “ético” Agripino Maia, presidente do falido DEM, afirma que “agora a oposição está unida” para depor Dilma; e o ridículo PPS do medíocre Roberto Freire já fala na cassação do registro do PT.

Essa aventura golpista, caso se concretize, tenderá a radicalizar ainda mais o cenário político no Brasil. Os grupelhos fascistóides que convocaram os recentes protestos contra a presidenta reeleita já anunciam que pretendem mudar de tática. “A fórmula de atos não teve o efeito esperado”, avalia Renan Santos, líder do sinistro Movimento Brasil Livre. Tanto o MBL como o “Vem pra Rua” afirmam que concentrarão suas energias no Congresso Nacional, forçando o parlamento conservador a aceitar a abertura do processo de impeachment. "O que faremos daqui para frente é monitorar o Poder Legislativo sobre o que vão fazer diante das demandas apresentadas nas ruas", rosna Rogério Chequer — também batizado de “Chequer Sem Fundo” —, porta-voz do “Vem Pra Rua”. Os fascistas mais exaltados já falam em “incendiar” o Congresso Nacional. A coisa vai esquentar!

Nesta cavalgada insana e destrutiva, nem os partidos da direita estão salvos. Pesquisa realizada durante o protesto na Avenida Paulista, no domingo passado, evidenciou que o ódio fascista, contra os partidos e a democracia, está em alta. Os manifestantes não rejeitam apenas o PT e a presidenta Dilma. Apenas 26% dos entrevistados disseram confiar em Aécio Neves — 76% não deram qualquer crédito ao cambaleante mineiro. Já 75,4% deram pouco ou nenhum crédito para o ex-governador paulista José Serra. “Entre um público que se autodefine como de direita ou de centro-direita, os políticos de oposição deveriam estar melhor colocados. A despolitização é impressionante”, observa Esther Solano, coordenadora da pesquisa. Não é para menos que tanta gente não se contenta apenas com o impeachment de Dilma e reivindica a volta da ditadura militar.

O ovo da serpente foi chocado pela mídia e pela oposição golpista.

Altamiro Borges
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Menino envia carta a juiz que liberou sua mãe para viver últimos dias em casa

juiz João Marcos Buch
A decisão de um juiz de execuções penais de libertar uma presa em estado terminal para que pudesse passar os últimos dias de vida em casa, ao lado da família, motivou o filho dela, um menino de 11 anos, a escrever uma mensagem ao magistrado, enviada pela internet. O caso aconteceu em Joinville, no Norte de Santa Catarina.

Em dezembro do ano passado, a sogra da mulher presa chegou de mãos dadas com o neto ao gabinete do juiz João Marcos Buch para fazer um pedido: que a mãe do menino, presa havia 6 anos por furto e então hospitalizada, tivesse o direito de morrer em casa, "com dignidade".

O juiz decidiu ir até o hospital onde a presa estava internada com uma lesão cerebral provocada pela toxoplasmose, adquirida em decorrência da aids.

Menino envia carta a juiz que liberou  presa para morrer em casa em SC (Foto: Reprodução)
Menino envia carta a juiz que liberou presa para
morrer em casa em SC
Paralisada e algemada

“Embora estivesse com metade do corpo paralisado, ela estava algemada pelo tornozelo. Compreendo que é um protocolo de segurança, mas não era razoável”, contou o juiz. Ele decidiu, então, autorizar a prisão domiciliar, o que foi feito assim que a presa recebeu alta.

No dia 25 de março, a mulher morreu num hospital de Florianópolis, após passar os últimos dias de vida na casa de uma irmã, ao lado dos filhos de 11 e 9 anos, que ela não via fazia mais de um ano.

Sobre o tempo que passaram juntos, a avó do menino que escreveu a carta conta que a criança teve dedicação total à mãe. "Foram à praia, fizeram passeios. Ele dormia num colchão ao lado do sofá só pra cuidar dela, caso ela precisasse de alguma coisa. Deixou até de brincar para cuidar da mãe", conta. A criança retornou a Joinville, e hoje vive com o irmão sob os cuidados da avó paterna.

Com 20 anos de magistratura, Buch se surpreendeu quando leu a mensagem enviada pelo filho da presa, semanas depois. Na carta, o menino agradece pela decisão de dar “dignidade” à morte da mãe, revela também ser soropositivo e se mostra esperançoso com o futuro.

Leia a íntegra da carta:

Olá, senhor juiz. Minha avó disse que eu podia deixar um recado aqui, que o senhor ia ver. Tenho 11 anos e sou filho da ... Sei que o senhor vai lembrar, sou neto da... e só queria agradecer ao senhor. Cresci vendo meus pais fazendo coisa errada e sendo presos. Por muitas vezes entrei na prisão para visitar meu pai ou minha mãe. Por muitas vezes vi eles ganharem a liberdade e novamente serem presos. Mas hoje esse é um passado que não faz mais parte do meu presente. Quis Deus que meu pai saísse da prisão em dezembro, de condicional e fosse trabalhar. Minha mãe, quis Deus que ela ficasse bem doente e o senhor foi lá soltar. Eu tava segurando a mão da minha vó quando ela foi na sua sala pedir para aquelas moças que alguém fizesse alguma coisa pra minha mãe morrer com dignidade e o senhor fez. Também sou soropositivo, essa escolha não fui eu quem fez, mas tenho direito às próximas. E desde já quero ser um homem honesto. Obrigado, senhor juiz João Marcos.

Menino em silêncio

O juiz diz se lembrar de que, na ocasião da visita ao seu gabinete, o menino permaneceu em silêncio, “não chamou muita atenção”. “Mas o caso me sensibilizou. Não é razoável morrer no ambiente carcerário quando se tem uma família do lado de fora”, explicou o juiz.

"Ela morreu com a liberdade que ansiou, teve tempo de se arrepender", afirma a avó do menino. "E meu neto sentiu que tinha que agradecer, por isso escreveu a carta."

Buch diz que já havia tomado decisões anteriores do mesmo tipo, mas sem a mesma repercussão. Ele afirma que costuma receber pessoas em seu gabinete e mantém uma página não pessoal em uma rede social, onde mantém contato com egressos do sistema prisional e familiares. “Não posso aconselhar, mas é uma maneira de humanizar a Justiça", afirma o juiz.

Na resposta à criança, Buch escreveu, de maneira simples e bem longe do complexo vocabulário jurídico: “Vc é um menino muito inteligente.”
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Vaccari preso e Perrela solto

Vaccari
Tento me situar nas redes sociais em torno do caso de Vaccari, o tesoureiro do PT preso hoje com o habitual alarido pela Polícia Federal em mais um capítulo da Lava Jato.

Digito Vaccari, no Twitter, e dou no jornalista da Globo Jorge Bastos Moreno.

Num espaço de 140 caracteres, que é de um tuíte, Moreno julgou e condenou em rito sumário Vaccari.

E ainda se dispôs a dar uma advertência tonitruante aos petistas. “Quem, no PT, defender o agora réu e presidiário Vaccari merece o desrespeito, a indignação e a infâmia de toda a sociedade!”, escreveu Moreno.

Um detalhe que me chama a atenção é o ponto de exclamação, um recurso típico de redatores com escasso domínio da prosa.

A primeira tentação é dizer: “Calma, Moreno. Você anda lendo muito o Globo. Vai dar tudo certo.”

Mas meu ponto não é este.

No arroubo de Moreno vejo uma característica que nos últimos anos, por uma ação conjunta da Justiça e da imprensa, lamentavelmente parece ter-se incorporado aos brasileiros.

Passou a ser normal você, como Moreno, condenar sem julgamento e sem provas. Essa anomalia, se já existia antes, se manifestou com intensidade no Mensalão — e, agora, é parte do jogo no chamado Petrolão.

O ímpeto condenatório é seletivo, isso precisa ser notado. Vale, especificamente, contra o PT.

Aécio pode fazer o que quiser — construir um aeroporto em terras da família para uso privado, colocar a irmã numa posição em seu governo que permitia a ela alimentar as rádios da família de dinheiro público, ser citado por um delator como dono das propinas oriundas de uma diretoria numa estatal e por aí afora.

Não vai lhe acontecer nada. A amizade que ele cultivou com os coronéis da mídia lhe garante, como certos protetores solares anunciam, blindagem 24 horas por dia.

E então você tem a seguinte situação: para a Justiça brasileira, alguns são mais iguais que os outros.

Numa manifestação de franqueza brutal, um deputado do PSDB acusado de delinquências disse, pouco tempo atrás, que como não era do PT não seria preso.

Até a Folha, dos coronéis Frias, admitiu num editorial que a Justiça é benevolente diante do PSDB.

Mas sigo em minha pesquisa sobre a prisão de Vaccari.

Dou num artigo do Estadão e paro nele, pela contundência do título. “Lava Jato aponta enriquecimento ilícito de Vaccari e familiares”.

Vou ler.

Como as denúncias na Lava Jato sempre giravam em torno de muitos milhões, e às vezes até bilhões, tenho uma expectativa de encontrar cifras expressivas.

O Estadão dá números relativos a uma filha de Vaccari, Nayara, médica.

Entre 2008 e 2013 — seis anos portanto — o patrimônio de Nayara cresceu de 240 mil para “mais de 1 milhão”.

Quem lida com texto sabe que “mais de um milhão” é muito, mas muito pouco mesmo além do milhão.

Falamos em coisa de 660 mil reais de crescimento patrimonial em seis anos. Cerca de 100 mil reais por ano, e não ponho aqui sequer o que Nayara ganharia se simplesmente colocasse os 240 mil reais de então numa aplicação que rendesse bons juros.

Não tenho, evidentemente, detalhes do patrimônio da filha de Vaccari. Mas as quantias que envolvem suas posses são absolutamente miseráveis para o padrão Lava Jato. São migalhas diante de um banquete romano.

Essencialmente, as cifras não fazem sentido.

Quem se dispõe a desviar dinheiro para contas pessoais dificilmente vai por no bolso trocados caso lide com uma enxurrada de milhões.

Desisto de entender o caso, depois de mais algumas horas de pesquisa.

Suspeito que Moro, como Barbosa antes, tenha gostado de ser objeto dos holofotes e das manchetes, e que se empenhe — conscientemente ou não — por dar um caráter de espetáculo para suas ações.

Antes de partir para o assunto, leio um tuíte que faz refletir mais que todas as matérias que encontrei no caminho: “Perrela livre e Vaccari preso.”

Paulo Nogueira
No DCM
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Em Belo Horizonte, 77% dos manifestantes dizem que Bolsa Família estimula preguiça

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O Grupo de Pesquisa Opinião Pública, Marketing Político e Comportamento Eleitoral e o Centro de Convergência em Novas Mídias (CCNM) da  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizaram no último domingo, em Belo Horizonte, uma pesquisa  sobre “Perfil ideológico e Atitudes Políticas dos Manifestantes em 12 de Abril” .

Das 8 às 17h, 348 pessoas, que participaram dos atos do dia 12, responderam um  questionário de 90 perguntas. Na maioria delas, ao indivíduo foi colocado se ele concordava totalmente com determinada afirmação, concordava em parte, discordava totalmente, discordava em parte.

Entre os ouvidos na pesquisa, 69% também participaram da manifestação de 15 de março; 56% têm curso superior ou pós-graduação.  A margem de erro é de 4,8 pontos percentuais para cima e para baixo.

Alguns valores (tabela completa ao final) desses manifestantes:

* As cotas raciais são um erro, e o governo deveria acabar com isso: 70,1% concordam.

* A maioria penal deve ser reduzida: 81,5% concordam.

* As minorias, como negros, mulheres e homossexuais, têm direitos demais no Brasil:  36,1% concordam.

* Pessoas ajudadas por programas sociais, como o Bolsa Família, ficam preguiçosas: 77,8% concordam.

* Os nordestinos têm menos consciência política na hora de votar do que as pessoas de outras regiões: 57%concordam.

* Os pobres são mais desinformados na decisão de suas decisões políticas: 78% concordam.

“Como o meu grupo monitora a internet, eu já esperava esse perfil”, diz a professora  Regina Helena Alves da Silva,  do Departamento de História e coordenadora  do CCNM da UFMG. “O que ficou claro é que, tirando as baixarias que aparecem na internet, a gente pode cotejar o que se vê nas redes sociais com o que encontramos nas ruas no dia 12. Um perfil ultraconservador, muito mais à direita.”

Até agora se acreditava que as pessoas assumiriam posições ultraconservadoras na internet, mas não falariam pessoalmente. A pesquisa da UFMG derruba essa ideia.

“Que as pessoas  são a favor da redução da maioridade penal não é novidade”, expõe a professora Regina Helena. “O inusitado é elas não terem tido o menor pudor de mostrar a cara [os depoimentos foram gravados] e dizer que são contra as cotas raciais, que as minorias têm direitos demais no Brasil, que os pobres são mais desinformados e os nordestinos têm menos consciência política.”

“Isso assustador e preocupante”, observa a professora. “Mostra que já existe no Brasil uma conformação política que não é liberal. É uma direita mais radical, o nosso Tea Party.”

“Ao rejeitarem as políticas de direitos para as minorias políticas, eles demonstram que gostariam de voltar ao século XIX e acabar com a Lei Áurea, que pôs fim à escravidão em 1888“,  frisa a professora. “É a velha ideologia da Casa Grande X  Senzala.”

Outro dado flagrante é o interesse por política dos manifestantes que foram ás ruas de Belo Horizonte em 12 de abril:

* 69% tiveram a maior parte das informações sobre a manifestação na internet; 15% de familiares e amigos.

* 86% se dizem muito interessados ou interessados em política, assumindo posições bastante claras.

* 46% não tem preferência ou simpatia por nenhum partido.

* 39% tem simpatia ou preferem o PSDB.

* 4% DEM.

* 81% votaram em Aécio Neves no 2º turno das eleições.

Na verdade, são indivíduos anti-Dilma e anti-PT, como mostram os resultados da pesquisa da UFMG.

* 95% acham o governo Dilma ruim ou péssimo.

* 83%  Atribuem nota 0 ao PT.

*  78% acham que o Brasil está pior do que há 10 anos atrás.

* 39% Acham que a vida pessoal piorou nos últimos 10 anos.

* 89% classificam a situação econômica do Brasil como ruim ou péssima.

“Que eles acham que o governo Dilma é uma porcaria, dão nota zero ao PT, a maioria votou em Aécio, a gente já sabe”, traduz a professora.

— Mas por que eles dizem que o Brasil piorou e a situação econômica está péssima, se no governo FHC era pior? — alguns devem estar perguntando.

Acontece que esses dados não podem ser lidos isoladamente. Têm que ser casados com ideologia dos entrevistados.  Daí a avaliação do perfil dos entrevistados ser tão importante para a pesquisa.

— Mas não são pessoas que estão desinformadas… O governo e o PT não deveriam explicar o que fizeram de bom? 

“A pesquisa mostra que não são desinformados. Eles sabem bem das mudanças sociais ocorridas nos governos do PT. Eles são o contra o governo Dilma e o PT também porque sabem o que eles fizeram de positivo para uma parte importante da população que saiu da linha da pobreza. Daí justamente o ódio pelo que o PT fez, e não só pela questão da corrupção, como também ficou claro nos resultados da pesquisa”, esclarece Regina Helena.

“Aliás, muitos especialistas dizem que no Brasil não existe polarização mais ideológica, não tem esquerda, nem direita. Que é um país sem claros posicionamentos políticos a esquerda e a direita. Essa pesquisa indica que no Brasil tem, sim, vários grupos de esquerda e direita. No caso dos que foram às ruas no dia 12 de abril, com claros posicionamentos contra justiça social e direitos”, arremata a professora.

Conceição Lemes
No Viomundo
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Os 8 de Garopaba: como foi o protesto numa praia top de Santa Catarina

Foto para provar que eram oito, e não cinco
Três empresários sócios da ACIG (Associação Comercial de Garopaba), Hilton Darde, Cley Reckziegel e Huribi Alexandrino, lideraram o movimento Fora Dilma nesta praia top de Santa Catarina, no ato de 12 de abril.

Eles trabalharam uma semana na organização do evento para levar oito pessoas, dois deles inclusos, à praia no domingo ao meio-dia.

O número de participantes parecia inflado.

Não batia com os cinco manifestantes contados pelo cabo Gurupi e pela soldada Francine, do postinho da PM local: eles repassaram sua contagem nada estratosférica ao QG, seguindo ordens de reportar tudo sobre o protesto.

O setor de comunicação da Polícia Militar espalhou a notícia pela internet.

Para corrigir os números para mais, Hilton, líder entre os líderes, exibe a foto que ilustra esta reportagem com os oito: “Aqui na esquerda sou eu. Do meu lado é o Moacir, meu faz-tudo. As duas mulheres estavam de passagem na praia. O grupinho de três atrás da bandeira é composto por minha filha e o namorado, com uma mulher desconhecida. O último é o Cley”.

Dá oito mesmo. O cenário é praia, mar ao fundo, temporada baixa.

Cadê o Huribi? “Ah, ele é muito ocupado, nem sempre aparece, acho que tinha ido surfar”, explica o amigo.

Quem pagou a faixa do “Acorda Brasil”? “Os dizeres vieram da nossa associação nacional, mas acho que foi a Natália (secretária da ACIG) que mandou fazer, deve ter sido baratinha”.

Garopaba
Qual o perfil destes cinco insatisfeitos de Garopaba?

Fomos lá no day after para conversar com eles, botando gente de carne e osso no lugar de estatísticas. A filha e o genro não estavam. Moacir saiu para arrumar umas estantes.

Deu pra achar só os três líderes. Eles tinham muito para contar.

Hilton é gaúcho, 44 anos, há 10 em Garopaba. Trabalhou dois anos no Sebrae, foi secretário municipal em governo do PTB e do PMDB em Tramandai, no RS. Se gabou de não votar.

Ele criou e vende um software de gestão para empresas de contabilidade. Tem 60 clientes, fatura 12 mil mensais e está crescendo: “Não posso me queixar dos negócios”. Seu carro é um Air Cross 12/13, comprado zero.

Ele vive com as filhas de 19 e 21, estudantes de direito e arquitetura. Todos os dias um bus da prefeitura as recolhe na porta de casa, leva e traz da escola. Uma tem bolsa de estudos e a outra está no Prouni.

Hilton (que é separado da mãe das meninas) e as filhas são muito unidos. “Vamos juntos à praia e às baladas, falamos de tudo. Nossa vida aqui é ótima, não tem o stress das grandes cidades. Minha filha menor foi quem primeiro pediu para morar comigo, hoje nenhuma quer sair de Garopaba”.

Ele descreve a cidade como “muito rica, os únicos pobres aqui são os índios” — alguns guaranis de um toldo vizinho perambulam pelas ruas.

Hilton diz que é rica porque “a cidade tem um grande número de gaúchos aposentados. Aqui não existe pobre, pelo menos eu não vejo. Os manés sempre têm um terreninho, muitas vezes grilado, onde erguem sobradinhos que alugam no verão para garantir alguma coisa”.

Ele dá um exemplo da falta de pobres em Garopaba: “Outro dia eu quis dar umas roupas boas para ao lixeiro, ele disse que não queria. Nem os índios quiseram, parece que eles não gostam de roupas usadas. Viu? Ninguém passa necessidades”.

Huribi é mané, 32. Contador, ex-secretário municipal de Garopaba em gestão peemedebista. Ele se diz um revoltado com a corrupção e “um idealista”. Disse que sua luta “é pelos demais, porque eu estou muito bem”.

O negócio dele tem uma das maiores clientelas da cidade. Fatura “alguma coisa entre 60 e 80 mil mensais”. Ele trabalha em casa, dividindo a rotina com surf e caminhadas com a esposa.

Cley, 40, nascido no Oeste Catarinense, é comerciante de tapetes, persianas e lustres. Entrou no protesto porque notou “desde janeiro” que “as coisas iriam desandar”. É Aécio desde criancinha: “Voto no PSDB porque quero mudar”.

Ele dá os números de sua desavença com Dilma: “Ela criou um ambiente ruim para os investidores. Ninguém faz mais nada pensando que amanhã as coisas vão piorar. Em março de 2014 eu faturei 50 mil, no mês passado apenas 20. Dá pra viver assim? Eu ia trocar meu carro (um Ágile 2012), tenho o dinheiro, mas fico inseguro, prefiro guardar”.

Como os três se organizaram para o protesto: Hilton ligou para Huribi perguntando se a ACIG não faria alguma coisa (eles já tinham reunido 30 pessoas em 15 de março). Huribi disse “organiza aí”, conta Hilton, que ligou para Cley, botando em ação o recrutamento dos outros cinco.

Hilton é o mentor do grupo.

É dele a teoria dos “arquétipos sombras de Lula e Dilma”.

Preparado para ler? Aqui vai: “Lula e Dilma receberam heranças genéticas negativas” — isto é, um arquétipo sombra.

“Lula porque nasceu pobre no agreste pernambucano. Foi muita dureza, muita negatividade. Uma vez tendo chegado ao poder, agarra-se a ele porque sabe o que lhe aconteceria quando o largasse” (Hilton não sugere o que aconteceria ao ex-presidente).

“Dilma tem a herança genética de seu pai, um filósofo criado sob a ditadura soviética na Escandinávia, ou na Bélgica” (Hilton não soube precisar onde).

Então, ainda segundo Hilton, “Dilma queria a liberdade que foi negada a seu pai. Ela cresce e a ditadura também lhe nega isto. Aí ela ficou forçando, forçando, forçando…”

Hilton afirma que “ela passou pelos anos 70 impregnada pela teoria hippie, onde trocou liberdade por libertinagem – sabe aquela coisa de querer destruir com as famílias”?

Neste ponto hippie do relato o repórter pergunta se estávamos mesmo falando do arquétipo sombra de Dilma.

Hilton garante que sim com um argumento fora da casinha: “Quando a mãe diz ‘filho, coma tudo senão você não vai ganhar sobremesa’, isto é chantagem”.

Tudo foi dito por Hilton de manhã, perto das 11 desta segunda-feira 13.

Mais tarde, lá pelas 15h, depois de escrever este texto, o repórter ligou para Hilton. O texto foi lido, pra ter certeza que ele estava falando sério.

Hilton disse que ele não tinha medo dos arquétipos. Trocou a resposta por uma história: contou da babá brasileira processada nos Estados Unidos pelos pais da criança que ela cuidava, por ter cantado boi da cara preta como música de ninar.

Tudo entendido?

Hilton Darde já está convocando para o próximo Fora Dilma, via facebook.

Renan Antunes
No DCM
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Uruguai se despede de Eduardo Galeano


Los restos del escritor Eduardo Galeano fallecido ayer a los 74 años son velados en el Parlamento, en Montevideo, donde comenzaron a congregarse cientos de admiradores de su obra, políticos y figuras de la cultura que lo recordaron con afecto. La ministra de Cultura Teresa Parodi fue a rendirle su último adiós al escritor al Palacio Legislativo, "a pedido de la presidenta Cristina Fernández, para acompañar este momento trascendente de la historia cultural de América y el mundo".

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Cuba, Irã e os midiotas

A notícia mais importante da quarta-feira (15/4), em toda a imprensa mundial, é a oficialização da iniciativa do presidente americano, Barack Obama, de retirar Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo. Trata-se de uma decisão corajosa e ao mesmo tempo pragmática, que, como registrou a revista Época na reportagem de capa que circula nesta semana, faz de Obama um personagem destacado da História contemporânea. Assim, o segundo mandato do atual presidente dos Estados Unidos vai se caracterizando como um período de distensão, o que inclui a perspectiva de uma reconciliação com o Irã.

A imprensa internacional de maior relevo acompanha essas iniciativas com a cautela de quem conhece o poder das forças conservadoras no Congresso americano. Ao mesmo tempo, boletins econômicos dirigidos a investidores começam a incluir um novo cenário geopolítico no qual a redução de algumas tensões regionais pode estimular a retomada do crescimento da economia neste lado do planeta, que se convenciona como ocidental. O capital vislumbra a chance de mais lucros com o fim do ciclo de confrontos que caracterizou a era Bush.

Por aqui, nas extensas terras consolidadas em 1750 pela diplomacia de D. João V de Portugal, a política segue no rumo contrário: com o patrocínio e o apoio da imprensa hegemônica, as forças partidárias que perderam a eleição presidencial de 2014 seguem tentando transformar manifestações de seus militantes em jurisprudência para romper as regras constitucionais. O coro dos golpistas repercute no Congresso Nacional, onde parlamentares oposicionistas ameaçam propor um processo de impeachment da presidente da República.

Como já se afirmou aqui (ver “A operação Datafolha”), não há como prever as consequências de tal aventura, principalmente se as propostas de ajuste econômico forem aprovadas sem tocar nos direitos trabalhistas. A cena que hoje é desfavorável à chefe do Executivo pode virar completamente, colocando nas ruas a militância que por enquanto apenas observa. O choque entre petistas e ativistas do partido Solidariedade, ocorrido no centro de São Paulo na terça-feira (14/4), é um sinal de advertência.

Teorias conspiratórias

Os jornais martelam quase diariamente a tese da interrupção do mandato presidencial, com base em argumentos produzidos pela própria imprensa. O mais recente nasce de uma entrevista concedida à Folha de S. Paulo por um ex-representante de uma empresa holandesa que admitiu ter pagado propina em seis países, inclusive o Brasil, para fazer negócios com petróleo. O informante diz que a Controladoria Geral da União atrasou o processo de denúncia para não prejudicar a campanha eleitoral de Dilma Rousseff.

A imprensa omite o fato de que o denunciante tentou chantagear a empresa onde trabalhava, cobrando US$ 3 milhões para não denunciar a política de subornos, e agora tenta obter esse dinheiro processando seus antigos empregadores.

Essa espiral se move conforme a seguinte lógica: um jornal entrevista alguém, que faz uma denúncia, que é tornada oficial pela declaração de um político interessado na questão, vira tema de editorial e artigos, e volta ao noticiário como verdade absoluta. Não se questiona a origem, ou seja, o fato de que o autor da denúncia lucra – eventualmente, um bom dinheiro –, com sua história.

A sucessão de factoides só vai terminar com o julgamento do processo no Supremo Tribunal Federal, o que pode levar três ou quatro anos. Enquanto isso, a imprensa trata de manter a presidente da República em posição defensiva, à custa da governabilidade. O objetivo mais ambicioso é interromper seu mandato por meio de uma manobra no Congresso, mas, se isso não funcionar, vale o efeito colateral de minar sua reputação e ampliar a rejeição de seu partido nas camadas médias da população.

O processo se fundamenta na desinformação: reportagem do jornal Valor Econômico publicada na segunda-feira (13/4), colhida nos protestos contra o governo (ver aqui, para assinantes e leitores cadastrados), revela como muitos manifestantes são movido por teorias de conspiração estapafúrdias.

Essas alucinações vicejam nas redes sociais, no rastro de postagens dos colunistas pitbulls que atuam regularmente na mídia tradicional e que espalham o vírus delirante da insanidade entre seus seguidores. Uma delas diz que um avião Hércules da Força Aérea Brasileira, fretado pelo Partido dos Trabalhadores, importou 300 venezuelanos com a missão de defender o governo contra o impeachment. Outra dessas teorias afirma que também estão sendo trazidos para o Brasil ativistas de Cuba e até do Haiti, que formariam um exército de militantes prontos para entrar em ação.

Também há aqueles que juram ter conhecimento de que os médicos cubanos trazidos pelo Ministério da Saúde são, na verdade, agentes secretos que aguardam uma ordem do governo para implantar no Brasil o comunismo bolivariano.

Os midiotas acreditam piamente nessas histórias, são manipulados pela imprensa e apresentados como a “base popular” pelos golpistas.

Luciano Martins Costa
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Não é terceirização ! É demissão, diz Vagner

Trabalhador fecha a rua contra terceirização. Veta, Dilma, veta!

Vagner: podemos chegar até a uma greve geral no Brasil contra o projeto 4330
Foto: Marize Muniz

Ouça a entrevista ou leia, na íntegra:



PHA – Vagner, onde você está nesse momento?

Vagner Freitas – Eu estou me deslocando de São Bernardo do Campo, na Anchieta, onde nós fizemos uma belíssima paralisação com os trabalhadores da Ford e da Mercedes. As montadoras paradas em protesto contra o projeto 4330. E estou indo agora para o centro de São Paulo, onde vou me juntar as manifestações.

O 4330 é o projeto de lei da terceirização, não é isso?

É o projeto de lei que permite a demissão de todos os trabalhadores brasileiros. Eles chamam de terceirização, mas o que eles querem, na realidade, é acabar com todos os direitos trabalhistas. É a reedição de quando eles tentaram mexer no artigo 618, da CLT, que o Fernando Henrique tentou em 2001 e a CUT não permitiu. É a reedição da Emenda 3, a Emenda Globo, em que eles queriam transformar todos os trabalhadores em PJ e a CUT não permitiu, com mobilização.

Agora eles mudaram de estratégia, e chamam de terceirização. Mas, na realidade, o que eles querem mesmo é demitir os trabalhadores, rasgar a CLT, acabar com férias e 13º salário, e contratar trabalhadores sem direitos e sem assistência sindical.

Como você acha que será a reação dos trabalhadores daqui para a frente? O que você sentiu entre os metalúrgicos das empresas automobilísticas?

O processo hoje é mais para esclarecer os trabalhadores do que significa a aprovação do projeto de lei 4330. Hoje, aproveitando o Conversa Afiada, para dizer claro aos trabalhadores que o projeto de lei 4330 significa a possibilidade enorme da demissão dele, da perda dos direitos, rasgar a CLT e acabar com a carteira assinada.

O trabalhador, de posse dessa informação, nós podemos chegar até a uma greve geral no Brasil contra o projeto 4330.

Ou seja, esclarecer que, na verdade, se trata de demissão…

Demissão, Paulo Henrique. O que significa o 4330 é o seguinte: por que a Mercedes-Benz vai manter um metalúrgico que ganha, em média, R$ 4 mil por mês e custa para a empresa R$ 8 ou 9 mil, empregado, se ele pode demitir esse trabalhador, contratar uma retífica de fim de rua, para que a retífica faça o mesmo serviço que o metalúrgico da Mercedes faz? E a retífica pode trazer o trabalhador para pagar metade do salário que a Mercedes paga diretamente aos metalúrgicos, e com a metade dos benefícios.

Nenhum patrão vai ficar tendo custo com empregados se não tiver obrigação. Quando você permite que terceirize na atividades-fim da empresa dá nisso. A empresa vai demitir os trabalhadores para contratar outros, pagando mais barato.

Antes, o Conversa Afiada já havia publicado:

Trabalhador fecha a rua contra terceirização!

Veta, Dilma, veta!

Movimentos sindicais se uniram nesta quarta-feira (15) para protestar contra o PL 4330, que regulamenta as terceirizações.

Vagner Freitas, presidente da CUT, esteve no ABC paulista nesta manhã e mobilizou os metalúrgicos das montadoras automobilísticas. Os trabalhadores caminharam pela pista local da rodovia Anchieta, no sentido litoral, em São Bernardo do Campo.

“Nem na Ditaduta militar eles tiveram a ousadia de votar um PL como esse, que rasga a CLT e acaba com os direitos, como férias, 13º salário, descanso remunerado, e todas as conquistas que vocês obtiveram”, discursou Vagner Freitas.

Rafael Marques, presidente dos Metalúrgicos do ABC, também participou do evento.

“Esse ano vai ser de resistência dos trabalhadores”, afirmou.

No CAf
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As terceirizações e o nome dos bois

https://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7099

Dar nome é tudo.

Se a direita propusesse um projeto de flexibilização  e de extinção da CLT, seria uma guerra civil.

Propõe, então, a terceirização.

O nome do boi altera o berro.

Por trás do boi, contudo, tem um gato.

Na prática, vende-se gato por lebre.

O trabalhador vai pagar o pato sem saber que bicho saiu.

Terceirização quer dizer flexibilização da CLT.  É um golpe mortal na legislação trabalhista.

Mas a boiada não sabe disso.

Os patrões gostam.

Por quê?

O custo do trabalho fica mais barato.

Por quê?

Eis o aparente mistério.

João trabalha para a empresa X (não é do Eike Batista) e ganha mil reais por mês. Com a terceirização, trabalhará para a empresa Y (não é da Petrobras), que prestará serviços à X, exercendo a mesma função. Por que ganhará menos?

Por que terá menos garantias trabalhistas?

Colocada nesses termos, a situação parece inalterada e inofensiva. Em lugar de ser empregado da X, João será funcionário da Y, de acordo com as regras da CLT, com todas as garantias e proteções. Apenas terá outro patrão.

X e Y serão fiscalizadas como toda empresa.

Onde está o problema?

Na chamada pejotização. João não será empregado da Y. Será dono da Y. Na condição de Pessoa Jurídica, prestará serviços à X.  Como patrão de si mesmo, não terá Fundo de Garantia nem férias pagas. Nem outros “privilégios”.

Como a empresa X não terá encargos trabalhistas com João, que dobram os custos, até poderá lhe pagar um pouquinho mais como terceirizado. Ele ganhará mais no imediato e menos no conjunto. A garantia jurídica de que falam os defensores do projeto significa que a justiça do trabalho não poderá mais dar guarida aos reclamantes que se arrependerem do trato feito e forem buscar compensação pela via judicial.

O projeto pretendia acabar com os concursos públicos. As empresas públicas ficariam autorizadas a contratar funcionários terceirizados para prestar serviços nas atividades fim. Uma universidade pública poderia contratar professores de uma empresa terceirizada. Uma emenda do PSDB, vejam só!, acabou com essa festa.

Se alguém duvida, chamemos os especialistas. Há quem só goze diante de um especialista.

Farley Roberto R. de C. Ferreira é juiz do trabalho e diretor da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 2ª Região. Segundo ele, a “terceirização cai como uma luva para legalizar a precarização que há tempos praticam”.

Vai ser uma cobertura para a pejotização.

Laura Machado de Oliveira é professora de Direito do trabalho, Processo do Trabalho e Estágio Supervisionado V da Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre. Advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho. Para ela, a “pejotização é uma forma de terceirização mediante a qual a mesma pessoa, antes empregada, continua a realizar os mesmos serviços com a diferença de que a forma do contrato de trabalho transmuda-se geralmente sob a denominação jurídica de profissional liberal, micro-empresa ou cooperativa”. Portanto, é uma “prática que vem se tornando típica dentro do direito trabalhista (…) isto é, o uso da pessoa jurídica para encobrir uma verdadeira relação de emprego, fazendo transparecer formalmente uma situação jurídica de natureza civil.

O advogado Walter Capanema alerta os gansos:

“A mudança na lei da Terceirização, aprovada pelo PL 4330/04, na Câmara dos Deputados, na noite desta quarta-feira, 08/04, terá impacto no dia a dia das empresas de TIC. Walter Capanema, advogado especializado em Direito Digital e que já atuou na área Trabalhista por 10 anos, não esconde a sua decepção com as mudanças. De forma direta, ele diz que ‘a pejotização nada mais é do que uma fraude trabalhista e fiscal’. Em entrevista ao portal Convergência Digital, Capanema diz que ‘a empresa contrata outra para prestar serviços específicos. Essa contratação, no papel, é entre as empresas, mas, na prática, o contratado mesmo é o ‘dono’ da empresa.

Só não vê quem leva vantagem.

A plebe vai marchar, especialmente quem tiver um único emprego.
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Pesquisa na Avenida Paulista no dia 12 de abril

Pesquisa com os participantes da manifestação do dia 12 de abril de 2015 sobre confiança no sistema político e fontes de informação

Foram realizadas 571 entrevistas com manifestantes maiores de 16 anos. As entrevistas foram conduzidas entre as 13:30 e as 17:30 do dia 12 de abril e distribuídas por toda a extensão da Avenida Paulista.

Margens de erro de até 2.1 %

Tabelas de dados

Sexo

Sexo
Não respondeu 0.40
Feminino 46.90
Masculino 52.70

Idade

Idade
16-25 15.40
26-35 20.20
36-45 19.10
46-55 21.10
56-65 15.40
66-75 6.80
76-85 1.90

Renda

Renda
Não respondeu 3.30
até R$ 1.576 4.70
de R$ 1.576 a R$ 2.364 4.70
de R$ 2.364 a R$ 3.940 14.40
de R$ 3.940 a R$ 7.880 24.80
de R$ 7.880 a R$ 15.760 28.50
acima de R$ 15.760 19.50

Escolaridade

Escolaridade
Não respondeu 0.00
fundamental incompleto 0.90
fundamental completo 1.90
médio incompleto 3.70
médio completo 13.50
superior incompleto 11.60
superior completo 68.50

Cor

Cor
Não respondeu 0.00
branca 77.40
parda 13.30
preta 4.90
amarela 3.00
indígena 0.40
outra 1.10

Confiança na imprensa

Confiança em partidos

Partidos PT PSDB PMDB Rede PSOL
Não respondeu 0.50 0.20 0.20 0.20 0.70 0.20
confia muito 1.10 0.20 11.00 1.40 2.60 1.90
confia pouco 25.20 3.70 41.20 16.30 14.00 16.10
não confia 73.20 96.00 47.60 81.80 61.10 77.10
não conhece 0.00 0.00 0.00 0.40 21.50 4.70

Confiança em ONGs e Movimentos Sociais

ONGs Movimentos sociais Vem pra rua Brasil Livre MPL MST Revoltados Online MTST
Não respondeu 0.70 0.20 0.20 0.20 0.20 0.20 0.20 0.20
confia muito 20.00 30.50 70.80 52.70 25.20 3.90 19.30 4.20
confia pouco 46.20 48.00 20.80 21.90 28.20 9.10 26.30 11.40
não confia 29.80 20.30 6.00 9.30 37.80 84.40 30.60 79.20
não conhece 3.30 1.10 2.30 15.90 8.60 2.50 23.60 5.10

Confiança em políticos

Fontes de informação sobre política

Twitter Whatsapp Facebook Sites de jornais, tvs, etc Blogs
Não respondeu 13.00 13.80 13.80 12.40 12.80
muito 6.70 26.60 47.30 56.20 7.50
pouco 12.40 26.10 24.00 23.60 14.20
nada 68.00 33.50 14.90 7.70 65.40

Confiança em comentaristas políticos

Concordância com as frases


Coordenação da pesquisa: Pablo Ortellado (USP), Esther Solano (Unifesp)
Entrevistadores: Alencar Mattje, Beatriz Candiotto, Bruno Lourenço, Caique Duarte, Carol Tomás, Carolina Martins, Felipe Cesar, Giovana Beltrame, Guilherme Gomes, Guilherme Tacini, Hércules Laino, Julia Castilho, Julia Jubileu, Késia Pereira, Klaus Hermann, Leonardo Simioni, Lucas Marques, Maria Cláudia Barbesco, Marina Moreira, Marina Rongo, Mateus Ferreira, Matheus Fava, Paula Cappelletti, Paulo Lugoboni, Pedro Grote, Pedro Henrique Costa, Petrus Valeriani, Raquel Tiemi, Rayane Lima, Vitos Torsani
Diigitadores: Andressa Almeida, Beatriz Candiotto, Caique Duarte, Felipe Cesar, Heidy Motta, Helena Curan, Késia Pereira, Larissa Gattei, Maria Cláudia Barbesco
Tratamento estatístico: André Chalom
Apoio: Fundação Ford e Lucia Nader
Agradecimento: Matilha Cultural
USP
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Jornalista confirma que foi falar com Jane, ex-empregada de Dilma, mas nega tentativa de suborno

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/04/15/jornalista-confirma-que-foi-falar-com-jane-ex-empregada-de-dilma-mas-nega-tentativa-de-suborno/


Ao final da entrevista que a presidenta Dilma concedeu a blogueiros na manhã de ontem, a jornalista Cynara Menezes perguntou o que ela tinha achado de um post do blogueiro de O Globo, Ricardo Noblat, que descrevia uma briga entre Lula e a presidenta.

A presidenta que já estava começando a se levantar para sair perguntou aos seus assessores do que se tratava e enquanto Cynara começava a explicar, em tom indignado, disse: “É aquela história da Jane, né? Eles não desistem. Na eleição, tentaram comprar isso. Não vou dizer quem foi, mas foi um jornalista que tentou comprar a dona Jane durante a eleição.”

Dilma começou, então, a contar a história dela com Jane, que teria sido sua empregada. Entre outras coisas, a presidenta disse tê-la ensinado a fazer contas de multiplicar. Antes de continuar a nota, leiam este trecho publicado no blog do Noblat.

Um dia, Dilma não gostou da arrumação dos seus vestidos. E numa explosão de cólera, jogou cabides em Jane. Que, sem se intimidar, jogou cabides nela.

O episódio conhecido dentro do governo como “a guerra dos cabides” custou o emprego de Jane.

Mas ela deu sorte. Em meio à campanha eleitoral do ano passado, Jane foi procurada pela equipe de marketing de um dos candidatos a presidente com a promessa de que seria bem paga caso gravasse um depoimento a respeito da guerra dos cabides.

Dilma soube. Zelosos auxiliares dela garantiram a Jane os benefícios do programa “Minha Casa, Minha Vida”, uma soma em dinheiro e um novo emprego. Jane aceitou.

Quando um dos blogueiros disse a Dilma que na nota de Noblat teria sido dito que Jane havia ganho um imóvel do Minha Casa, Minha Vida a presidenta voltou a se indignar. Segundo ela, Jane seria beneficiária do programa, mas paga cada centavo da prestação com o salário que recebe.

Novas perguntas sobre o nome do jornalista que buscara subornar Jane foram feitas a Dilma, que, quando já estava para sair da sala, disse que não falaria nem sob tortura.

Matheus Leitão Netto
Depois da entrevista o blogueiro contatou várias pessoas tentando descobrir quem seria o jornalista citado por Dilma. Duas fontes diferentes e que acompanharam a história no ano passado disseram se tratar de Matheus Leitão Netto, filho da colunista de economia das Organizações Globo, Miriam Leitão, e do jornalista Marcelo Netto, ex-assessor do ministro Antônio Palocci no primeiro mandato de Lula.

Duas outras fontes confirmaram a história da tentativa de suborno. Uma disse ao blog que tinham lhe dito que era um repórter da Folha. E outra afirmou que sabia do fato, mas que a ex-empregada nunca havia apresentado provas. Quando confrontada com o nome, a fonte desconversou.

Todas as conversas foram em off e ninguém autorizou a divulgação dos seus nomes.

Ainda ontem à noite, depois de voltar de Brasília, o blog contatou Matheus Leitão pelo inbox do Facebook:

Blog: Matheus, tudo bem? Eu sou editor da Revista Fórum e acho que a Maíra até te procurou. Eu queria conversar contigo porque apurei uma história que te envolve e seria legal se pudesse te entrevistar antes de publicar. Você poderia me ligar se possível ainda hoje. Abs, rr,

Matheus: Não estou entendendo essas mensagens. Do que se trata?

Blog: Podemos falar por fone ou você prefere por aqui?

Matheus: Eu falo sim. Só que estou numa reunião e estou tentando entender do que se trata. Vc pode adiantar?

Blog: Posso sim, Matheus.

Na entrevista de hoje a Dilma comentou aquela história dos cabides publicada no Noblat ontem.

E depois disse que isso era uma história requentada, porque no ano passado um jornalista teria tentado subornar a Jane, empregada dela, pra confirmar isso…

A Dilma não abriu o nome do jornalista, mas disse que não era nem o Noblat e nem o Cláudio Humberto

Mas eu fiquei atrás dessa história o resto do dia e duas pessoas me deram o teu nome…

Por isso queria falar contigo antes de publicar qualquer coisa

Uns 30 minutos depois dessa conversa, Matheus ligou. O jornalista confirmou que de fato procurou Jane no ano passado, quando ainda era repórter da Folha de S. Paulo, e que ao ser confrontada com o relato a ex-empregada de Dilma teria, num primeiro momento, desconversado, mas depois negado a história.

Matheus também disse que a história do suborno era uma leviandade e que só foi atrás de Jane porque todo mundo gostaria de apurar aquela notícia, mas tanto ao telefone como em nova mensagem por Facebook insistiu em dizer que “faço jornalismo sério e diante da negativa da entrevistada abandonei a matéria”.

Essa história de Jane faz parte do folclore político de Brasília. A história do jornalista que teria tentado subornar a ex-empregada de Dilma não. Veio à tona ontem na entrevista com os blogueiros a partir de declaração da presidenta da República. Matheus Leitão nega o suborno, mas confirma a tentativa de apuração na época da campanha. O blogue publica essa nota com todas essas ressalvas porque o assunto certamente ainda ainda vai render muito.
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Após dizer que "depressivos são covardes", jornalista do SBT é demitido

Jornalista do SBT disse que pessoas depressivas são "covardes"; ABP repudiou

O jornalista e psicólogo Luiz Carlos Prates, comentarista e apresentador do SBT Santa Catarina, não faz mais parte do quadro de funcionários da emissora.

A informação foi confirmada pelo SBT Santa Catarina em comunicado enviado para a imprensa, e assinado pelo diretor de jornalismo da casa.

Segundo informações, Prates foi demitido por ter dito, no final do mês de março passado, que "depressivos eram pessoas covardes e dignas de pena" no jornal "SBT Meio-Dia", apresentado diariamente.

Com isso, Prates é demitido praticamente pelo mesmo motivo que foi pela RBSTV, afiliada da Globo no estado, em 2011: dar opiniões consideradas desrespeitosas e polêmicas.

Entenda o caso

No último dia 30 de março, Luiz Carlos Prates falou no SBT sobre o co-piloto Andreas Lubitz, que derrubou um avião de propósito na França e matou 150 pessoas. O rapaz sofria de depressão e escondeu isso da empresa área.

Usando este caso, que é de fato uma exceção, o jornalista falou sobre depressão e acabou sendo desrespeitoso. Disse que pessoas depressivas são "covardes existenciais" e que deviam ser "execrados" e "desprezados". A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) emitiu nota na última quinta (2), repudiando veementemente as declarações de Prates no SBT. O Presidente da Associação, Antônio Geraldo da Silva, disse que Prates provocou um dano inestimável ao tratar o depressivo de maneira tão tosca e incentivar o desprezo à ele.

Assista:


No NT
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Sessão Solene em homenagem aos 50 anos da Globo foi na medida

A Câmara dos deputados realizou uma sessão solene nesta terça-feira (14) em homenagem à TV Globo, que no próximo dia 26 completará 50 anos de fundação. A sessão fez justiça à emissora fundada por Roberto Marinho: aconteceu sem povo, foi autoritária e medíocre. 

As galerias estavam vazias e o plenário a meia bomba. Sessões solenes, em geral, são abertas ao público, desta vez a entrada só foi permitida para convidados. A Globo fez questão de manter o povo à distância. Na plateia, funcionários da empresa, incluindo antigos atores como Glória Menezes, Milton Cunha e Juca Oliveira. Comandando a homenagem não poderia haver pessoa mais representativa do que significa o sistema Globo do que o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Conhecido por sua forma republicana de fazer política, Eduardo Cunha em todos os terrenos (ética, compromisso com a democracia, etc.) tem realmente a cara da “vênus platinada”. Os discursos dos deputados foram uma sucessão de bajulações. Conhecidos parlamentares da bancada da Globo, como Miro Teixeira (PROS-RJ), não faltaram. Marcaram presença também representantes do PSDB, DEM, PPS, PSC, PSD, todos com os olhos brilhando de admiração em relação a Eduardo Cunha e buscando, com suas presenças e seus discursos, usufruir um pouco que seja da blindagem de que hoje desfruta o “capo di tutti i capi”. Mas o campeão entre todos os puxa-sacos foi sem dúvida o deputado federal pelo Piauí, Heráclito Fortes. Heráclito, no afã de ser mais capacho do que os capachos que o antecederam disse que a Globo apoiou o movimento “pelas diretas já” e agradeceu a Roberto Marinho pela volta da democracia. Tudo isso registrado para a posteridade pela TV Câmara. Entre tantas ignomínias que uma declaração como esta carrega, talvez uma das maiores seja em relação à memória de Miguel Arraes, pois Heráclito as fez representando o PSB.

De repente, um vento soprou


Mas de repente, vozes dignas romperam a mesmice, interrompendo o discurso laudatório. Três pessoas abriram uma faixa e gritaram palavras de ordem como: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. Foi o único momento em que, por segundos, soprou no plenário da câmara uma brisa de vento puro e digno, varrendo do ar, mesmo que por poucos instantes, o pesado fedor da hipocrisia e da mentira, que saia da boca e exalava dos gestos de cada orador que curvou sua coluna servil diante da poderosa Globo. Fortes, que se calou por um momento, assim que os manifestantes foram retirados do plenário pela polícia legislativa, recobrou a coragem, como aliás é comum em gente deste tipo, e falando em uma linguagem que a Globo adora, disse que “em Cuba isso não seria possível”. O “isso” a que se referiu o sabujo é que permanece um mistério. Isso o quê? A prisão dos manifestantes? O fato de uma empresa que sonega quase R$ 1 bilhão ser homenageada em plenário? Não se sabe. Logo após a liberdade de expressão ter sido cerceada, um dos irmãos Marinho, João Roberto Marinho, simbolicamente fez uso da palavra. Torcemos para que a TV Câmara passe repetidas vezes esta intervenção, que mostra com clareza os limites da nossa elite.

A emoção do herdeiro


Foi um discurso curto, vazio e medíocre. Como um quitandeiro fala da qualidade de suas frutas, João Roberto falou sobre a Rede Globo exaltando seu produto mas, ao contrário da maioria dos quitandeiros, mentiu o tempo todo. Por exemplo, elogiou a pluralidade de opiniões que a Globo expressa e o seu compromisso com a democracia. Em determinado momento se emocionou ao falar do pai, mas não foi uma emoção vinda da vergonha de ser filho do verdugo de toda uma geração de jovens, obrigados a viver sob o tacão de uma ditadura que matou muitos que se rebelaram e torturou outros tantos. Controlou-se (a emoção não era tanta assim) e prosseguiu. Quando seu discurso terminou os espectadores estavam perplexos. Mesmo um “big brother” faria um discurso com mais conteúdo. Eduardo Cunha, a cara da Globo e da sessão solene, fez mais uma da série de genuflexões de que esteve cheio o plenário na manhã desta terça-feira e reafirmou ao sorridente irmão Marinho o seu compromisso de barrar a regulação da mídia. O presidente da Câmara encerrou então a sessão, envolto pelos aplausos dos poucos presentes, cujas palmas ecoavam nas galerias vazias como talvez tenham ecoado nos salões do baile da Ilha Fiscal, na derradeira festa de uma monarquia prestes a acabar.

No Vermelho



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Sérgio Porto # 196


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Dilma está muito segura. Preocupante!

Na manhã desta terça-feira (14), na sala de reuniões do quarto andar do Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff concedeu uma entrevista exclusiva para um grupo de blogueiros. Participaram da coletiva Maria Inês Nassif, Cynara Menezes, Paulo Moreira Leite, Renato Rovai e Luis Nassif. A conversa foi franca, elucidativa e bem descontraída. Durou cerca de uma hora e meia e ainda teve mais outros 40 minutos de conversa informal — que incluiu literatura, filmes de preferência e algumas amenidades. No geral, a presidenta se mostrou muito segura, convicta das ações do seu governo e confiante no futuro. Confesso, porém, que sai bastante preocupado da entrevista em Brasília.

Como já é do seu feitio, a presidenta priorizou os temas econômicos. Defendeu, sem pestanejar, as medidas de ajuste fiscal adotadas logo após a eleição de outubro passado. Detalhou cada iniciativa e garantiu que Joaquim Levy, seu ortodoxo ministro da Fazenda, segue as suas ordens. Não demonstrou qualquer disposição para “ajustar os ajustes” — tão criticados pelo movimento sindical e pelos setores que saíram às ruas para garantir a sua reeleição. Ela falou longamente sobre as dificuldades da economia mundial, que impactam o Brasil. Mas nada disse sobre o que virá depois da austeridade fiscal, sobre qual será a estratégia do governo para superar os sinais negativos de redução do ritmo de crescimento do país e de geração de emprego. Reforçou o seu perfil tecnocrático e pouco falou sobre a política e sua relação com as bases sociais que a apoiaram.

Sobre um tema que está assombrando os trabalhadores — o da ampliação da terceirização, que teve seu projeto de lei aprovado na semana passada pela Câmara Federal —, Dilma foi evasiva. Afirmou que as mudanças não devem afetar os direitos trabalhistas e previdenciários, nem retirar a responsabilidade das contratantes sobre as irregularidades das terceirizadas e nem afetar a arrecadação de impostos — tudo o que já está embutido no projeto de lei. Mas evitou dizer qual será a postura do seu governo caso a proposta seja aprovada no Senado Federal. “Não discuto a questão do veto”. Insinuou que isto seria demagogia e não corresponderia à realidade política do país!

Já sobre a questão da regulação econômica da mídia, a presidenta reafirmou a sua defesa da tese. Mas jogou um balde de água fria neste caminho. “No momento não há a menor condição de abrir essa discussão, por conta de toda a situação [política]”. Ela até elogiou a sociedade civil pela coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular sobre o tema. Mas disse desconhecer o conteúdo da proposta, que foi elaborada há dois anos pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Ou seja: jogou novamente o assunto para a sociedade civil, isentando o Estado de qualquer atitude política!

Em apenas um tema a presidenta foi enfática — e até solicitou que fosse tratado. Dilma exibiu sólidos argumentos contra a proposta conservadora de redução da maioridade penal. Garantiu que isto representaria um grave retrocesso civilizatório e não resolveria o problema da insegurança no país. Já com relação aos protestos golpistas de março e abril, organizados por grupelhos fascistóides e com descarado apoio dos barões da mídia, a presidenta novamente evitou a polêmica. Afirmou que são “normais”. Ela ainda minimizou as iniciativas desestabilizadoras da oposição direitista derrotada nas urnas, que tenta insistentemente realizar um terceiro turno das eleições. “São normais”.

A presidenta Dilma Rousseff, com toda a sua experiência e conhecimento, mostrou-se muito segura e confiante. Já eu deixei o Palácio do Planalto bem preocupado! A sensação é de que o governo está sentado encima de um vulcão em erupção e, tecnocraticamente, ainda não se deu conta! Espero estar totalmente errado.

Altamiro Borges
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Entrevista de Dilma a blogueiros

Presidenta em entrevista à Bloomberg
Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff concedeu, na manhã desta terça-feira (14), entrevista de aproximadamente uma hora e meia a seis blogueiros. Estiveram presentes na coletiva Altamiro Borges, do Centro Barão de Itararé; Cynara Menezes, do Socialista Morena; Luis Nassif, do Jornal GGN; Maria Inês Nassif, da Carta Maior; Paulo Moreira Leite, do Brasil 247, e Renato Rovai, do Blog do Rovai e revista Fórum.

Entre os temas tratados, a presidenta afirmou que anuncia ainda hoje o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), escolhido para a vaga de Joaquim Barbosa. Ela fez questão de falar a respeito da diminuição da maioridade penal e destacou que uma ínfima minoria de adolescentes presos se envolveram em delitos de morte, defendendo o agravamento da pena do adulto que utilizar o menor em crimes.

Em relação à regulação econômica da mídia, Dilma afirmou que o momento é ruim para se discutir o tema, por conta da necessidade de se fazer esse debate no Congresso Nacional, e, sobre o acordo com o Facebook, afirmou que “não assinou nada”. O tema vai ser discutido em junho, quando o presidente da companhia Marck Zuckerberg vier visitar o país. Ela garantiu que chamará o movimento social da internet livre pra discutir o projeto.

Além da entrevista, Dilma conversou por mais 40 minutos informalmente com os blogueiros, e se mostrou bastante tranquila em relação à crise política. Neste momento, disse, quando questionada sobre por que não fazia como o presidente dos EUA Barack Obama, que não dá entrevistas para a Fox News: “Mas eu não dou entrevista pra Veja”.

Confira abaixo trechos da entrevista — a primeira parte pode ser lida aqui.

Setor Industrial

Você tem alguns segmentos que impulsionam esse setor industrial. Todas aquelas tentativas de falar: ‘Vamos acabar com o conteúdo local, vamos acabar com o governo de partilha’. Isso perde de vista uma das coisas mais importantes. É que a questão do petróleo não é restrita à Petrobras. A questão do petróleo, que nós conseguimos preservar, nós conseguimos que uma parte expressiva — não é necessário ser toda e ninguém está falando que é toda —, mas que uma parte expressiva da produção de bens, equipamentos, inclusive de serviços seja ofertada aqui no Brasil.

Então, essa indústria é uma indústria que veio para ficar. Vou te dizer outra, a indústria que a gente chama de tradicional, mas que não é tradicional. Ela trabalha até com fins de grande grau de tecnologia. Essa indústria estava sendo morta pela taxa de câmbio. Nós tiramos um problema de taxa de câmbio no Brasil seríssimo. Algumas das coisas boas nesse momento que produzem inflação, mas podem produzir também uma estabilidade maior e uma visão também mais realista do câmbio em relação às nossas necessidades.

O que eu quero dizer é o seguinte: a indústria brasileira tem que existir, ela tem raiz para existir. Não vamos ser anti-industrial, não. A gente não pode esperar um nível de comprometimento político em segmentos assim, mas o governo é obrigado a ver. Vamos supor que você é governo, aí você olha para o câmbio a 1%, aliás 1,6%, você não pode concordar que 30% do seu mercado de automóveis sejam fornecidos por importação. Sendo que não é uma questão que nós estamos querendo impedir o livre comércio, nós estamos querendo impedir que as distorções das políticas monetárias e fiscais internacionais repercutam sobre nós, nos destruindo. Isso você não pode aceitar.

Seguro-desemprego

Dá uma olhada no estudo do Dieese, aí vocês vão ver várias coisas. O que nós achamos é o seguinte: nós não podemos aceitar, e nenhum país faz isso, instituir a cultura do não trabalho. Nós não podemos fazer isso, principalmente em países que precisam ter sua força de trabalho engajada, formada. E por isso nós fizemos o Pronatec.

Nós não estamos acabando com o seguro-desemprego. Nós estamos mantendo o seguro-desemprego. O que estamos fazendo é exigindo maiores requisitos para pagar. É isso que nós estamos fazendo. E, obviamente, ainda vai ser negociado na Câmara. Não sei como é que sai. É que nem o Bolsa Família. O Bolsa Família só deu certo porque nós fazemos auditoria externa, porque nós olhamos o cadastro, porque nós não deixamos [acontecerem irregularidades].

Porque, se você deixar, vira o Seguro Defeso. Porque uma parte, também envolvendo o seguro-desemprego, é o Seguro Defeso [assistência financeira temporária concedida ao pescador profissional que exerça sua atividade de forma artesanal]. Estava se pagando o Seguro Defeso em pleno Semiárido nordestino, aí não dá. O que nós não queremos é pagar Defeso para quem não pode receber.

Fies

Vamos discutir o Fies? O Fies é o mais interessante de todos. Nós controlamos tudo o que era dinheiro do orçamento na Educação. No Enem, nós fazemos. No Sisu, nós fazemos. O Prouni deriva do Enem. O Ciência sem Fronteiras deriva do Enem. Cada um deriva do Enem. O que aconteceu? O Fies tinha um nível muito baixo, nós sempre quisemos aumentar o Fies. Achava que o Fies era uma forma de a gente incluir mais gente no ensino pago universitário.

É o mesmo objetivo do Prouni, só que o Prouni era no imposto e o Fies era o estudante tomando o seu financiamento. Nós não fizemos o cadastro. Quem fazia o cadastro eram as empresas de educação. Falha dois: nós não colocamos, porque não fizemos o cadastro, e achávamos que isso era uma questão… Como é financiamento, você vai pagar, então não vou olhar quanto é que é a sua nota no Enem. Erro nosso. Tinha que olhar a nota do Enem.

Então, os 450 pontos que a gente exige de todo mundo no Prouni, no Ciência sem Fronteiras, em tudo, nós não exigimos no Fies. Aí, uma pessoa — aí tem estatísticas — que tem zero em português podia se beneficiar de algo que é um financiamento, mas é um financiamento subsidiado. Então, acabamos com isso. Agora tem que fazer 450 pontos e, se tiver zero em português, não entra, não. Você tem que combinar a inclusão com um nível mínimo de conhecimento na sua própria língua. E a coisa mais grave era a mensalidade e a matrícula. Por exemplo, o governo deu 6,5% de reajuste. Antes, eles queriam 32%, 40%. A briga, fundamentalmente, não se dava nos 450, a briga se dá na hora em que o governo fala: ‘Não pagamos qualquer reajuste. O limite que se dá é de 6% do reajuste’.

Poder de Joaquim Levy

O ministro da Fazenda, para defender medidas políticas, depende da presidência da República. Ele não defende nada que a presidência da República não concorde. O que o ministro Joaquim Levy está fazendo, ele faz porque eu concordo, porque o governo dá respaldo, ele não tem meios de fazer [sozinho]. É uma avaliação puramente jornalística, ela não é uma realidade nem institucional, nem administrativa, nem econômica e nem política. É a interpretação que foi feita no momento. Em um país com liberdade de expressão, é uma visão.

Crise política?

Eu acho que nós saímos da eleição, e uma eleição muito disputada, com muita gente no terceiro turno. Daí, vocês lembram bem, houve uma tentativa, logo depois da eleição, com o problema de contagem de votos. O Brasil é um país que se orgulha da sua estrutura do TSE e de urnas eletrônicas, que pode se orgulhar disso, de ter o resultado eleitoral no prazo mais curto possível. Então, item número 1. Item número 2: as contas aprovadas por unanimidade no TSE e sofreram, até chegar à aprovação, sofreram um grande stress político, em um projeto que parecia ser de terceiro turno também.

E essa questão continuou. Acho que a gente tem que reconhecer que isso faz parte, não acho que hoje isso leve a alguma crise institucional. Isso faz parte da política do Brasil no estágio em que ela está hoje. Ela está nesse estágio. Ou seja, nós vamos fazer 13 anos de governo e aqueles que não estão no governo reagem dessa forma.

Situação econômica

Segunda questão que eu acho do que se está chamando de crise política: sem sombra de dúvida, há um problema no país: nós tivemos uma situação econômica bastante complicada. Agora, ela não produziu os efeitos que crises econômicas anteriores produziram. Por quê? Porque, de qualquer forma, mudou completamente o que havia anteriormente. E as pessoas raciocinam como se não tivesse mudado. Nós, hoje, temos um mercado de 44 milhões de pessoas que vão sentir as consequências, mas de forma muito menor porque esse pessoal continua demandando e continua comprando.

Outra questão: nós temos um baixo nível de endividamento no país. O país não tem uma crise de dívida, como os países da Europa, os Estados Unidos e outros países desenvolvidos têm. Nós temos uma dívida pública, ela pode até dar uma aumentada e uma diminuída, mas a faixa dela está perfeitamente manejável. Não tem crise externa. O país quebrava, tinha crise externa, nós não temos crise externa.

Nós continuamos sentados nas nossas reservas, protegidos pelas nossas reservas. E temos um conjunto de políticas sociais. As nossas políticas sociais estão mantidas. Nós vamos ter que diminuir alguns ritmos, vamos ter sim, mas o que nós esperamos? Esperamos que haja uma recuperação. Tem gente que diz no segundo semestre, vou falar no final do ano. Não acredito muito que seja no segundo semestre.

Ajustes

O que eu queria dizer era o seguinte: nós não estamos fazendo esse ajuste por causa do ajuste. Nós estamos fazendo para crescer. Nós achamos que, se a gente retomar as condições fiscais nessa conjuntura, nós cresceremos. E nós temos um conjunto de projetos e de ações em andamento que vão se manter. Por exemplo, vamos continuar fazendo portos, aeroportos, vamos continuar fazendo nossos leilões de energia elétrica.

Ferrovias

Os investidores querem que não seja a Valec a dar a garantia, que seja o Tesouro Nacional. Nós fizemos o seguinte: se vocês lembrarem, nós transferimos R$ 15 bilhões, capitalizamos a Valec para que fosse ela a dar a garantia. O que ocorre é que muitos dos investidores não querem essa garantia. Então, a discussão com eles — por que você sabe que tem uma discussão em relação ao modelo ferroviário. E qual é? O Brasil não fez até hoje grandes ferrovias. Eu tenho orgulho de ter feito, no meu governo. Porque peguei isso do Lula, já estava engatilhado no Lula, mas foi resolvido no meu governo. Foi fazermos o maior trecho da Ferrovia Norte-Sul e também ampliarmos a parte de baixo, que é de Anápolis até Estrela do Oeste, em São Paulo, que está com 75% construída.

Nós não temos feito ferrovias como obra pública, não dá pra fazer ferrovia no Brasil como obra pública. Nós não aguentamos fazer todas as ferrovias necessárias. Então, temos que discutir o modelo, sim, e discutir se é necessário dar garantia do Tesouro. Nós fomos contra dar garantia do Tesouro lá atrás, por isso fizemos a Valec. O que o Joaquim [Levy] está falando é que os investidores não querem a Valec como garantidora. Mas vamos avaliar como é que vai ser feito, nós temos uma conta para fazer.

Regulação da mídia

Primeiro, é o seguinte: é óbvio, como qualquer setor econômico, qualquer um, seja o setor que for, a questão da regulação econômica dele é importantíssima. Por que falo econômica? Esse aqui ainda tem problemas específicos, que é o problema da liberdade de comunicação, que nós defendemos. Qualquer setor tem que ser regulado. Telefonia, petróleo…

Eu tenho dito que não há, nesse momento, sendo bem clara, a menor condição de abrir essa discussão agora. Por conta de toda a situação. E acho o seguinte: isso não significa que a gente não possa, através de outros mecanismos, discutir questões. Por exemplo, vocês estão aí para apresentar, não estão? Me disseram que está em curso um processo de iniciativa popular, acho que isso vai ser interessante para discutir. Acredito, aí eu queria até aproveitar e emendar em um tema polêmico. Nós prolongamos, a pedido — a pedido porque eu, particularmente, achava que já tinha suficiente —, até dia 30 de abril a discussão sobre a regulamentação do Marco Civil da Internet. Não vejo por que prorrogarmos mais uma vez.

Acho que a gente tem que ter uma relação bastante objetiva com isso. Nós defendemos a neutralidade na rede. Aliás, fomos o primeiro governo a defender a neutralidade na rede e brigar pela neutralidade da rede. Eu estava falando com os EUA há pouco e eles disseram que agora estão defendendo a neutralidade na rede.

Conversas com o Facebook

A experiência é o seguinte: eles [Facebook] fariam toda a infraestrutura da conexão, com o nível de banda bastante amplo e com o que houvesse de tecnologicamente mais avançado. Desde que eles aceitem uma composição. Não foi dito para nós: “vai ser assim”. A partir daí, eles discutirão com o governo brasileiro como é que faz.

Acho que tem que colocar junto toda a discussão no meio da internet. Não ter medo do que vão fazer. Acho que nós podemos ter com eles uma parceria que defina um horizonte, mas que remonte aos nossos interesses.

Ele [Mark Zuckerberg] vem para cá em junho e aí vamos discutir o modelo.

Participação popular, da comunidade da internet livre?

Podem (participação popular). Isso é muito importante. Eles vem aqui fazer uma proposta. Nós não somos contra discutir proposta nenhuma. Não tenho medo de discussão nem do diálogo. Eles vêm para discutir a proposta e a proposta vai ser aberta, ampla, geral e irrestrita… Agora, é interessante ver o que querem.

Ele falou de duas coisas, mas essa história de Heliópolis foi secundariamente. O que ele queria falar mesmo era do balão.

Eles estão desenvolvendo uma tecnologia do balão. Vocês lembram daquela questão do satélite de baixa altitude? Eles agora bolaram um balão que será para regiões basicamente isoladas. Eles queriam discutir a possibilidade de a gente participar com isso no Nordeste, se a gente quer fazer essa experiência. Essa é a proposta dele, a do balão.

Entre nós e os movimentos sociais, nós sabemos como as coisas podem acontecer. Se essa mão aqui não assinar, se não concordamos, se não fizermos a parceria, não sai. E aí pode conversar, pode propor o que quiser.

Terceirização

A questão da terceirização no Brasil é uma questão que se impõe. Se impõe em várias questões. Se impõe dentro da Petrobras, dentro da Eletrobras, numa grande empresa, numa média empresa… O problema é que ninguém sabe o que é terceirização. Nós já fomos obrigados a dispensar uma porção de funcionários porque tinha que ser concursado. Então, há que definir quem é terceirizado e quem não é.

A questão da terceirização, ela não é uma invenção. Qual é o problema dela? Eu divido em dois.

O primeiro problema que observamos é o problema da contribuição previdenciária, pagamento de tributos e direitos trabalhistas. Porque, se você não tiver uma relação clara de responsabilização da contratada pela contratante, você vai ter uma situação muito difícil, que é a transferência de obrigações da contratada. Vamos supor que a contratada desapareça. De quem é a responsabilidade? Então, entenda a questão, nós queremos uma clara relação entre o contratante e o contratado. Na lei que foi aprovada, eles vão fazer discussão de emenda. Na lei que foi aprovada, essa relação nos parece ser a menos complicada. Porque eles falam que a relação inicial é subsidiária, só depois ela é solidária.

Imagina que o Edinho é o contratante. Você tem de pagar salário etc, etc. Subsidiário quer dizer que o Edinho te fiscaliza. Se você não pagar, aí é solidário.

Aí é que tá. Há que saber bem direitinho o que são as responsabilidades solidárias que a contratante tem com a contratada, para evitar que haja evasão fiscal, que não se pague e que não comprometa direitos trabalhistas.

Ou seja, o projeto trata da terceirização e monta suas garantias. As garantias de que ninguém vai evadir, vai sumir, fechar empresa. Se fechar uma empresa dessa, você vai ter sempre quem vai ser o responsável.

Uma outra questão que está sendo levantada é a questão das garantias, dos contratos de trabalho. Se o contrato de trabalho da contratada está no mesmo sindicato da contratante ou não. A empresa que contrata, vamos supor, uma grande empresa, se ela contratar uma montadora, por exemplo, então o sindicato dela é o dos metalúrgicos. Se ela contratar, se vai ser metalúrgico ou não. É uma questão a ser discutida.

Eu acho que aí tem uma parte da discussão que os sindicatos têm que fazer.

Nós determinamos o seguinte: paguem os direitos trabalhistas, fiscais e previdenciários.

Veto?

Eu só falo diante de fatos concretos.

Indígenas

Cada movimento indígena você tem que receber de uma forma específica porque as diferenças são várias. Por exemplo, no Sul, você tem o problema que é de indígenas e agricultores familiares em confronto. No Sul, você tem isso. Paraná e Rio Grande do Sul. No Mato Grosso, que foi a grande tentativa que fizemos de desapropriar. Desapropriar e passar para os índios as terras é outro problema.

Na Amazônia, é outro problema. Porque cada um — que é até onde a gente teve de colocar o exército, não para reprimi-los, mas porque eles respeitavam o exército — é aquela questão que tinha uma aldeia indígena, uma pequena cidade e tinha uma estrada, que os índios cobravam pedágio para passar na estrada. Isso era normal, era da vida. Um dia, o cacique sobe numa motocicleta, ocorre um desastre, ele bate com a cabeça e morre. Infelizmente, teve uma gente que bota no blogue que o pessoal tinha matado. Aí nós pedimos ao exército para entrar, porque o exército conversava com um lado e conversava com o outro. Até que o filho do cacique diz ‘não, ele caiu da moto’, mas mesmo assim já estava dada a questão, nós tivemos que discutir se pagava para entrar, se não pagava para entrar, como é que funcionava, o que é que vai pra um, o que é que vai pra outro. Além disso, tem toda a questão indígena de certas áreas que sequer têm a presença do homem e que você tem que protegê-los. A questão indígena do Brasil não é uma só, é diversa, implica em uma quantidade imensa de agentes e em cada lugar ela tem um problema.

Maioridade penal

Nós temos uma posição em relação à maioridade penal. Nós achamos que a redução da maioridade penal não resolve a situação da violência com os jovens. Temos um total de 20 milhões de adolescentes e temos, pela regra, vários adolescentes em privação de liberdade através de medidas socioeducativas. Com privação de liberdade, tem em torno de 21 mil adolescentes. Os que cometeram crimes contra a vida, que a gente pode considerar crimes hediondos, em torno de 0,015%. O que é que nós achamos? Achamos que de fato tem um problema sério, defendemos uma legislação que aumente a pena da quadrilha que utilizar o menor para cometer qualquer delito. A quadrilha de adultos que utiliza menor, e a gente sabe que faz isso, simplesmente amplia-se a pena do adulto. E achamos que é uma questão tão importante que tem de abrir uma discussão com a sociedade sobre todos aqueles crimes que são contra a vida e hediondos cometidos por adolescente.

O que se faz, como se trata essa questão? Acho que o ECA tem que ser respeitado, agora, a sociedade tem que ser consultada, não acho que é simplesmente uma questão de aprovação no Congresso, acho que o Congresso é muito importante nessa questão, mas têm que ser ouvidos órgãos da sociedade civil, tem de ouvir CNBB, as outras religiões, tem de ouvir a sociedade e, sobretudo, tem de ouvir a juventude. Tem de ouvir, ver se a juventude acha que isso é efetivo. O ponto de vista do governo é que não é efetivo reduzir a maioridade penal, que você tem de trabalhar outras legislações associadas para que isso seja feito de uma forma mais efetiva. Essa, de aumentar a pena dos adultos, e a outra que é olhar o que acontece com quem cometer crime hediondo como o Champinha. Vocês lembram do Champinha? O que que faz no fim dos três anos? Hoje não pode continuar preso. Hoje se deu um jeito. Mas acho que temos que enfrentar essa questão numa discussão, que quanto mais honesta, é melhor para todos. Fica claro que precisamos ouvir todo mundo.

Corrupção e empreiteiras

Nós temos uma estratégia, e essa estratégia está sendo organizada nos acordos de leniência. Esses acordos de leniência, que são encaminhados pela CGU ou vêm do TCU. O que nós achamos? A gente acha que deve ser punido o empresário, não deve ser punida a empresa. Nós devemos ter uma visão de salvar a empresa, porque salvando a empresa você não está salvando o empresário, está salvando os empregos. Agora, temos tentado fazer esse acordo de leniência. Hoje, para entrar em discussão, temos que fazer isso dentro da lei.

Vai por aí a questão da SBM. Um senhor ligado à SBM veio propor se a gente queria comprar, que a gente pagasse (…), que a gente comprasse as informações dele. Indagou os servidores da CGU se havia alguma recompensa financeira pelas informações. Aí, nós mantemos todas as relações, seja com a Procuradoria, Ministério da Justiça, no sentido deles nos informarem quais foram as delações lá pra gente tomar providências aqui. Porque se não for feito pelos canais competentes, você anula a prova. Então, quem é responsável pela anulação da prova tem responsabilidade legal perante a Justiça brasileira. Isso que aconteceu. Agora, a SBM está propondo um acordo de leniência pelo qual ela paga com 1 bilhão e 700, 800 milhões de dólares, dá 5 bilhões de reais, mais ou menos. Vocês veem que acordo de leniência é algo extremamente vantajoso, na medida que você o faça direito.

E você tem que fazer esse acordo de leniência para poder inclusive garantir aos agentes públicos que paguem, que têm relação com essas empresas que estão sendo objeto de investigação para que não fiquem inseguros. Se estão cometendo alguma irregularidade ou não, se vão ser acusados de estar procedendo com atos ilegais. É por isso que se faz acordo de leniência. O importante, eu acredito, é que haja uma posição muito clara nessa questão do acordo de leniência.

Petrobras e Lava Jato

Deixa eu só falar uma coisa aqui que acho importantíssima. A questão da Petrobras e da Lava Jato, que acho que é a questão mais importante nesse processo. O Brasil tem que tornar normal, é normal, primeiro, ter manifestação, teve o movimento nas ruas. Nós não podemos achar isso anormal. Anormal é o uso político que se faz de algumas coisas. Mas a manifestação em si não tem nada de anormal.

A mesma coisa com as investigações. O que aconteceu com a Petrobras não foi a engrenagem da Petrobras que fez, foram alguns indivíduos que fizeram isso, tanto é que você não tem uma denúncia contra nenhum dos presidentes — nem contra o [José Sérgio] Gabrielli, nem contra a Graça [Foster]. Denúncia, nem sequer investigação. A Petrobras tomou um conjunto de medidas, porque nosso problema antes com a Petrobras era que ela estava com uma produção menor de petróleo do que deveria estar, e tomamos todas as medidas para que isso fosse equacionado, e foi. Tanto é que hoje a Petrobras está com 2 milhões e quase cem barris por dia, e no Pré-Sal nós chegamos a 660 mil por dia médios, o que é um volume bastante significativo considerando que começamos a fazer isso há pouco tempo, há praticamente seis anos.

Então, do ponto de vista da gestão da Petrobras, ela está inteirinha. Todas as questões que tinham de ser saneadas por algum motivo nessas investigações foram. Agora, no dia 22 de abril, tanto o balanço do terceiro trimestre, como o fechamento do ano vão ser feitos. Com isso, vira-se a página da Petrobras. A Petrobras vai manter muitos de seus investimentos, alguns ela vai adiar e muito poucos irá cancelar para futura avaliação. Mas voltará a ter esse processo de forma clara e límpida, virando essa página. Neste momento também vai estar completa não só toda atividade de gestão da Petrobras como todo o conselho.

Inflação, o PT e o Congresso

Posso falar uma coisa? Acho que não é nada disso que é o problema da nossa base, é a inflação. Porque a inflação é a questão do poder aquisitivo das pessoas. Nós estamos fazendo todo o esforço para que essa questão da inflação não comprometa o poder de compra das pessoas. Acho que ajustar aqui e ajustar ali, nós fizemos isso até no meio da eleição. (…) Mas eu não acho que vai ter tanto desemprego assim, porque no Brasil uma parte do emprego tem relação muito forte com os serviços. Acho que nós vamos ter um “mergulhozinho” do emprego, mas recuperamos o emprego. Acredito que não é a questão.

Nós talvez tenhamos tido um déficit de comunicação, para explicar para a população o que nós queremos fazer com essas medidas, é aperfeiçoar, é mudar, é impedir que haja fraude. É impossível uma pessoa pagar um mês de contribuição previdenciária e aposentar pelo resto da vida, passar a pensão para uma outra pessoa pelo resto da vida. Aí não tem governo nem sociedade que suporte isso. Quanto ao PT, acho que de fato o PT está sendo objeto de uma grande campanha contrária a ele. O governo não pode ser o PT, porque é composto por uma coalizão de partidos. É óbvio que se houver desgaste do PT, recai sobre mim, isso é tranquilo. Mas não posso, não serei eu a fazer um movimento no sentido de reformular o que o PT vai fazer ou deixar de fazer, tenho que cuidar de governar o país. Não é da minha função resolver os problemas na área do PT, minha função é resolver os problemas dos diferentes partidos dentro do meu governo, garantir que haja uma equilibrada coalizão, porque essa equilibrada coalizão tem relação qualificada com a federação, ou seja, prefeitos e governadores, e uma relação qualificada com o Congresso.

Em relação ao Congresso, já que vocês me perguntaram muito (…). Os dados são interessantes: olha quantas medidas provisórias nós perdemos ao longo de todo esse processo. Nós nunca perdemos algo como foi a perda da CPFM, 40 bilhões. É óbvio que tem uma tensão, que essa tensão ocorre, mas dada a conformação partidária do Congresso, enquanto mantiver a atual correlação de forças [não há outra forma de] nenhum governo [lidar] que não seja por conversas diárias, negociações contínuas, e isso você vai produzindo de uma forma muito tranquila. Acredito muito que colocar o Temer na negociação política vai dar um grande salto, agora, não estou colocando nas costas do Temer uma imagem qualquer. O papel dele é fazer negociação com o Congresso, vamos discutir a terceirização, a 664, a 665. É o que nós fazemos sistematicamente.

Educação

Você acha que a gente faz agenda positiva com o MEC? O problema é que no Brasil você precisa sempre subir o Everest e matar um leão por dia. Você acha que o Pronatec, com 2 milhões, é pouco? Você acha que o ProUni, com 1 milhão e 800, é pouco? Acha que fazer 100 mil no Ciências Sem Fronteiras é pouco? Vamos chegar a ter 6 milhões no Enem — é pouco? Entende? Nesse país não pode matar um leão por dia, pessoal quer uma pirotecnia (…). A sociedade vai ter que ter um simbólico que seja compatível com seus recursos, não tem simbólico incompatível com os recursos da sociedade. Isso chama outra coisa, demagogia tem perna curtinha. Por exemplo, Minha Casa Minha Vida mais 3 milhões, é pouco?

A “história do cabide”

Já no final do encontro, a presidenta Dilma foi instada por Cynara Menezes a comentar história divulgada por Ricardo Noblat, que descreveu uma briga entre Lula e a presidenta. Ela afirmou desconhecer o post do blogueiro, quando foi lembrada a respeito de outra história, veiculada em junho de 2014, que envolveria uma “guerra de cabides” entre ela e uma funcionária (ver aqui), Jane. Sobre isto, Dilma comentou: “Na eleição, tentaram comprar isso. Não vou dizer quem foi, mas foi um jornalista que tentou comprar a dona Jane durante a eleição”, disse, negando que tal jornalista fosse Noblat.

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