12 de abr de 2015

Fotógrafo parecido com Lula é agredido durante manifestação em BH

Fotógrafo do Estado de Minas Beto Novaes.
Foto: Alex de jesus
O fotógrafo do jornal “Estado de Minas” Beto Novaes foi agredido enquanto fazia a cobertura do protesto deste domingo (12) na Praça da Liberdade.

Por conta de sua semelhança física com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Beto comumente é abordado por pessoas que pedem para tirar foto com ele. Durante a manifestação deste domingo, uma senhora de Brasília pediu para tirar uma foto e, nesse momento, um grupo de cerca de quatro rapazes o cercou.

“Eles começaram a me empurrar, me deram um chute na coxa e pediram para eu sair.”, relata Beto. Mesmo com o crachá do jornal no pescoço, os agressores continuaram a insultá-lo até que o fotógrafo teve que deixar o local.

"Me disseram que eu não estava trabalhando, mas que tinha ido à manifestação fantasiado de Lula", conta Beto que, em 30 anos de fotojornalismo afirma nunca ter vivido um episódio como o de hoje.

Lucas Pavanelli
No O Tempo
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O fracasso dos protestos encerra, enfim, o terceiro turno


O flop sensacional dos protestos de hoje tem um significado essencial: acabou, enfim, o terceiro turno, depois de mais cem dias de governo Dilma.

Foi um final melancólico para os esperançosos de um golpe contra os 54 milhões de votos — um grupo diversificado que vai dos coronéis da mídia até aquela massa ignara formada por analfabetos políticos.

Os protestos se esvaziaram de pessoas, e a excentricidade boçal e desinformada foi se acentuando.

Um cartaz que viralizou dizia, por exemplo, que sonegação não é corrupção. Outro afirmava que Dilma tinha três opções: renunciar, ser derrubada ou se matar.

Malucos mais uma vez pediam um golpe militar em inglês. E o direitista punk do Movimento Brasil Livre, do alto do fiasco do espetáculo que tentou comandar, disse que é preciso meter uma bala na cabeça do PT.

Em meio a essas cenas beligerantes, a Globonews, como assinalou um tuiteiro, insistia em destacar o “caráter pacífico e familiar” dos protestos.

Numa das melhores tiradas do dia, o tuiteiro escreveu: “A Globonews insiste em dizer que famílias inteiras estão nos protestos. Ora, fodam-se as famílias inteiras.”

Pausa para rir.

Neste estertor de terceiro turno, não podiam faltar também os números inflados. A PM, depois do célebre milhão furado da vez anterior, recuou para um pouco mais de 200 mil pessoas na Paulista.

O Datafolha foi mais modesto: 92 mil no pico, às 16 horas.

Mesmo assim, as imagens de grandes vazios na avenida Paulista deixavam dúvidas quanto à precisão do prognóstico do Datafolha.

Um amigo me escreveu: “Como disse Wellington, quem acredita nestes 100 mil acredita em tudo.”

Derreteu-se o exército de manipulados que decidiram vestir a camisa da seleção e ir para as ruas. Não deixarão saudade, em sua imensa tolice.

Eles demoraram uma eternidade a entender que perderam as eleições, mas agora acordaram para a realidade.

Resta Dilma também acordar para o fato de que ela venceu. Não deve haver registro, na República, de um vitorioso em eleições presidenciais com ares tão derrotados.

Isso deu margem a que neoudenistas como FHC, Serra e Aécio agissem como napoleões de hospício, e adotassem um ar triunfal em nada compatível com os resultados das urnas.

Dilma deveria pegar um calendário que inclua todos os dias que restam até o final de seu segundo mandato. E a cada dia, a cada folha arrancada, verificar se fez todas as tarefas que estão por fazer.

Ela tem três anos e nove meses para fazer coisas como o desmame das grandes empresas de mídia, historicamente acostumadas a viver do dinheiro público sob múltiplas formas.

Nada é tão imperioso como isso, porque os coronéis da mídia se batem ferozmente contra todos os avanços, como se viu agora no caso da terceirização.

Da Globo à Folha e à Abril, as empresas jornalísticas precisam de um choque do capitalismo que pregam para os outros.

Fora todas as mamatas públicas, ainda hoje elas vivem protegidas da concorrência estrangeira, o que é simplesmente uma obscenidade.

Se o PT aspira a ter futuro depois deste governo, vai ter que enfrentar coisas que preferiu fingir que não via.

A hora é essa — com o final do terceiro turno.

Paulo Nogueira
No DCM
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Modelos de organização do setor de petróleo


Um modelo de organização do setor de petróleo, para ser adotado por um país, deve conter o máximo de impactos sociais positivos e o mínimo de negativos. Alternativas de modelo não devem ser analisadas olhando-se só um aspecto, como é o caso frequente do uso do aumento da atividade econômica, resultante dos modelos, para que a decisão seja tomada. Pois, a melhor opção pode ser lucrativa para as empresas e não acarretar grande benefício social.

Os critérios de avaliação dos modelos, para apoiar o processo de escolha, são sugeridos a seguir. O modelo deve: (1) priorizar a posse pelo Estado brasileiro do máximo de petróleo produzido, visando à realização de ações estratégicas; (2) maximizar a arrecadação de tributos para permitir ao Estado suportar programas sociais; (3) minimizar o preço de venda dos derivados de maior consumo pela classe pobre; (4) gerar o máximo de compras e empregos no país, com ênfase na fase de implantação dos empreendimentos; (5) contratar ao máximo no Brasil os serviços de desenvolvimento tecnológico e de engenharia; (6) minimizar a possibilidade de acidentes em unidades operacionais e de transporte e os impactos ao meio ambiente.

O primeiro modelo do setor do petróleo a ser considerado é o do monopólio estatal, que maximiza os benefícios sociais em um país em desenvolvimento, desde que haja controle social sobre a estatal executora do monopólio, para evitar o seu uso político e corporativo. A afirmação que “o monopólio é prejudicial à sociedade, porque a empresa monopolista fixa livremente o preço de venda dos seus produtos” só é verdade para um monopólio privado. Um monopólio estatal controlado pela sociedade não a extorque.

O monopólio estatal pode ser usado como instrumento eficaz para a consecução de políticas públicas, o que é impossível através de empresas privadas. Por exemplo, a Petrobras foi explorar petróleo na bacia de Campos, nos anos 1970, quando o barril custava só US$12, para reduzir a dependência do Brasil ao petróleo importado, que chegava a 85%. Desenvolveu fornecedores nacionais para evitar compras no exterior. Priorizou desenvolver tecnologia no país, o que já lhe rendeu três premiações da Offshore Technology Conference e muita economia de divisas. Se o monopólio não tivesse sido criado, o Brasil seria, desde 1953, o paraíso das empresas estrangeiras. Aí, o Pré-Sal ainda não teria sido descoberto, pois o petróleo não está escasso a ponto de elas irem buscá-lo a 7.000 metros de profundidade, tendo que transpor uma camada de sal de 2.000 metros. Só uma petrolífera do Estado, que tem como lógica o benefício da sociedade, realiza este feito.

Por interferência do capital internacional, através de políticos entreguistas, o monopólio foi extinto em 1995. Havendo a imposição de empresas privadas participarem da exploração e produção de petróleo, existem no mundo três modelos de contratação delas: a concessão, o contrato de partilha da produção e o de prestação de serviço. Como não existe, no Brasil, petrolífera privada nacional que consiga competir com a Petrobras e as estrangeiras em águas profundas, a contratação aqui é destas duas, consorciadas ou não.

Nas concessões, a empresa petrolífera fica com a posse total do petróleo descoberto e paga tributos. Se não descobrir petróleo, os investimentos realizados não são ressarcidos pelo Estado. Nos contratos de partilha da produção, a empresa petrolífera, descobrindo petróleo, terá posse só da sua parcela da produção, constante do acordo de partilha. O restante do petróleo ficará com o Estado. A empresa poderá ainda pagar tributos sobre a sua parcela. Se não descobrir petróleo, os investimentos realizados pelo contratado não são ressarcidos pelo Estado. Nos contratos de prestação de serviços, a empresa petrolífera não terá posse do petróleo descoberto e será remunerada pelos serviços prestados de prospecção, perfuração, produção e outros. Se não for descoberto petróleo, será remunerada da mesma forma pelo Estado.

A concessão tende a beneficiar mais as petrolíferas em detrimento do Estado, enquanto, no contrato de partilha, o maior beneficiário tende a ser o Estado. Supondo que este irá repassar o acréscimo de benefícios para a sociedade, então o contrato de partilha é melhor para ela. Muitos porta-vozes de grupos estrangeiros dizem, buscando confundir a população, que os contratos de concessão são mais comuns entre os países desenvolvidos e os contratos de partilha da produção são adotados com mais frequência por países em desenvolvimento. Este fato realmente ocorre, mas a intenção ao divulgá-lo é dizer que a concessão é melhor que o contrato de partilha.

A maioria dos países desenvolvidos não tem reservas, como é o caso da Alemanha, Japão, França, Itália e Coréia do Sul. As exceções são Canadá, Estados Unidos, Noruega e Reino Unido, que têm reservas e adotam o modelo da concessão, porque a maioria das petrolíferas de porte, muitos fornecedores e centros de desenvolvimento tecnológico do setor petrolífero têm sede nestes países. Os Estados Unidos proíbem a exportação do seu petróleo, não permitindo que empresas, visando uma maior lucratividade no curto prazo, contribuam para um desabastecimento futuro. Isto não ocorre no Brasil, pois, quando só existiam reservas garantidas para 17 anos, empresas estrangeiras exportavam suas produções do Brasil.

A Noruega e o Reino Unido adotam as concessões, mas tomam medidas de repercussão social. A Noruega destina as áreas com grande expectativa da existência de petróleo para a estatal Statoil, restando áreas menos nobres para as petrolíferas estrangeiras e, mesmo assim, com a imposição eventual de participação da Statoil. No Brasil, só recentemente, o artigo 12 da lei do contrato de partilha foi usado, permitindo a entrega direta de áreas para a Petrobras, para tristeza do capital internacional, que queria vê-las leiloadas.

No Reino Unido, quando a exploração do Mar do Norte começava, foi criado o órgão governamental Offshore Supplies Office, que determinava aos concessionários onde, neste Reino, alguns equipamentos deveriam ser comprados. Uma atitude análoga no Brasil seria considerada cerceamento da liberdade empresarial. A política brasileira de conteúdo local é baseada na indução para a compra no país e não veta a compra no exterior. Ainda assim, é combatida pela mídia, que representa o capital internacional, visando maximizar seus lucros e pouco se importando com o país que quer aproveitar a existência das reservas para alavancar seu desenvolvimento.

Olhando as escolhas pela concessão ou o contrato de partilha, já feitas pelos países em desenvolvimento, a regra que pode ser deduzida é que aqueles com maior grau de soberania escolhem os contratos de partilha e os com baixo grau se subordinam às concessões. A argumentação de que em áreas de maior risco, as empresas estrangeiras só se motivam a participar se tiverem concessões, é compreensível. Mas isto não significa que elas não venham a fechar contratos de partilha. Com dados de 2004, África do Sul, Argentina e Peru tinham só concessões. Angola, Bolívia e Egito tinham só contratos de partilha. Argélia, Colômbia, Nigéria e Rússia tinham concessões e contratos de partilha. Países podem ter concessões da época de administrações neoliberais e contratos de partilha de períodos com administrações soberanas, que deve ser o caso da Rússia.

Os contratos de serviço podem ser prestados para o Estado diretamente ou para estatais do setor. Neste caso, tem-se grande controle do Estado sobre o setor. As petrolíferas estrangeiras não gostam de ser assim contratadas porque isso restringe seus ganhos e não há o recebimento de parcela alguma do óleo produzido. O Irã só usa este tipo de contrato. O México o usava, mas, como o monopólio estatal foi derrubado recentemente, a concessão está sendo usada. A Venezuela tem contratos de partilha e de serviços. Países do Oriente Médio, ainda nos anos 70, nacionalizaram seus setores petrolíferos. A Líbia e o Iraque invadidos têm seus setores de petróleo tutelados, o que representa a opção de desorganização do setor.

O abastecimento do Brasil, graças ao Pré-Sal, está garantido por muitos anos. A produção atual da Petrobras satisfaz a demanda nacional. Contudo, pode-se aumentar a produção do Pré-Sal, acima do acréscimo de demanda, para permitir ao Brasil exportar e acumular divisas. Mas, para a exportação ocorrer com o máximo usufruto da nossa sociedade, a empresa exportadora precisa ser a Petrobras. Os entreguistas argumentam que ela não tem capacidade financeira para explorar sozinha a região, o que é verdade para os níveis de produção que eles não explicitam. Ao nível de produção de máxima satisfação da sociedade, a Petrobras tem capacidade.

Sendo politicamente difícil revogar a lei dos contratos de partilha, o capital internacional busca derrubar pontos positivos desta lei, como a obrigatoriedade de a Petrobras ser a operadora única do Pré-Sal, dela ter 30% em todos os consórcios desta área e as exigências de conteúdo nacional. A operadora em qualquer consórcio é a responsável pelas compras do consórcio e, sendo a Petrobras, sabe-se que as compras no Brasil serão maximizadas. E não existe operadora de consórcio que detenha menos de 30% de participação.

A lei das concessões tem embutida a pressa de interesse das empresas estrangeiras. A ANP não busca baixar a frequência dos leilões, cuja necessidade não é explicada para a sociedade. Enfim, existe muito entulho neoliberal no setor. Um ponto é crucial: não podem mais existir leilões de áreas na região do Pré-Sal, que a Petrobras descobriu e conhece bem. Estas áreas devem ser entregues a ela diretamente, seguindo o artigo 12 da lei da partilha, adequando a necessidade de investimentos ao fluxo de caixa da empresa.

Paulo Metri – mestre em Engenharia Industrial e conselheiro do Clube de Engenharia
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Há algo de podre na venda das camisetas anti-Dilma


O jornal Estadão, que não esconde a sua simpatia pelas marchas golpistas contra o governo Dilma, publicou neste domingo (12) uma curiosa reportagem — assinada pelos jornalistas Ricardo Galhardo, Vamar Hupsel, Ricardo Chapola e Fábio Leite. Ela questiona as fontes de arrecadação dos grupos que organizaram os recentes protestos – que pedem desde o impeachment da presidenta até o retorno dos militares. “Embora cobrem transparência e lisura do governo federal, Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados On Line não fornecem nota fiscal de venda das camisetas que levam suas marcas e serão usadas por muitos manifestantes nos protestos de hoje. A comercialização das peças, bem como as doações recebidas, são as justificativas usadas por eles para financiar suas atividades”.

Ainda segundo a minúscula matéria, “Revoltados On Line e Movimento Brasil Livre vendem seus produtos pela internet e as entregam pelo correio sem o documento fiscal. Ambos argumentam que não são uma empresa formal. O Vem Pra Rua montou um ponto de venda na papelaria Paperchase, no Itaim Bibi, bairro nobre da zona sul de São Paulo. A reportagem comprou uma camiseta e pediu a nota, mas não recebeu. Somente depois de questionar o porta-­voz do movimento, Rogério Chequer, o documento foi fornecido ­ em nome da papelaria... Na segunda-­feira, o Estado enviou questões aos três movimentos sobre fontes de recursos, organização jurídica, nomes de integrantes, ligações externas e processos decisórios. O Vem Pra Rua respondeu parcialmente. Marcello Reis, do Revoltados On Line, alegou falta de tempo. Renan Santos, do MBL, não respondeu.

A breve reportagem do Estadão indica que não dará para esconder por muito tempo as nebulosas transações — e os suspeitos vínculos — destes grupos fascistóides. Através dos blogs e redes sociais, inúmeras denúncias já circularam pela internet. Aos poucos e em doses discretas, a mídia golpista vai sendo forçada a abordar as fontes de financiamento destas sinistras organizações. Na semana passada, a própria CBN — a rádio que toca mentira da Rede Globo — deu mais algumas pistas num comentário do radialista Leopoldo Rosa. Vale conferir alguns trechos da reportagem intitulada “Grupos que organizam protestos contra a presidente Dilma Rousseff atingem profissionalização”. (N. do E. ouça abaixo)

“O maior trio elétrico do Brasil. Equipamentos alugados a diárias de R$ 20 mil. Filiais em 130 cidades. Pelo menos quatro grandes entidades organizadoras. Essa descrição caberia muito bem a qualquer show ou grande evento, mas a estrutura e organização é para o protesto contra a presidente Dilma Rousseff, no dia 12 de abril. Os grupos que convocam os atos estão cada vez mais organizados. Alguns viraram pessoa jurídica, outros estão ganhando administradores em diversos estados, além de páginas na internet e pessoas que ajudam a convocar e divulgar os atos. O fundador do Revoltados Online, Marcello Reis, diz que o grupo, que defende o impeachment da presidente quer se transformar em associação para ampliar a arrecadação por meio de mensalidades”.

“Deve ser deste grupo o maior carro de som na Avenida Paulista, a diária do equipamento custa R$ 20 mil. No Rio de Janeiro, o grupo deve levar cinco carros que já vão começar a rodar nesta semana, anunciando a manifestação. Em outros estados, o número de carros ainda não foi definido. Depende de quanto os grupos vão arrecadar até lá. Além das doações que já recebe, o Revoltados Online também comercializa camisetas. Uma peça chega a custar R$ 175. O Movimento Brasil Livre, um dos maiores organizadores do protesto também investe na venda de itens pela internet. No entanto, Renan Santos, líder do movimento rejeita o que chamou de gourmetização das manifestações”.

A reportagem até tenta aliviar a barra dos grupelhos oportunistas, mas não consegue esconder totalmente a sujeira fascistóide. Pelo jeito, há algo de muito podre nos porões destas marchas!

Altamiro Borges


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Trolaram Cristiana Lôbo ao vivo na Globonews

É duro controlar o povo em transmissões ao vivo…

No DCM
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A estranha demora da PM ao divulgar o número de manifestantes na Paulista no 12 de abril

Estadão aprendeu a contar com a PM
8 milhões protestam na Paulista, segundo a PM
Até as 17h30 de domingo, 12 de de abril, a PM de São Paulo não havia fornecido uma estimativa de público no protesto contra Dilma.

O capitão Emerson Massera alegou que os movimentos estavam “muito distantes” uns dos outros e a avenida Paulista ficou “espaçada”. “Vamos lançar o número de participantes em breve, mas tivemos dificuldades”, afirmou. Meia hora mais tarde, apareceu o dado: 275 mil.

A dificuldade em atestar o flop contrasta com a rapidez com que foi divulgado o fantástico milhão no evento do mês anterior. Houve até contagem em tempo real. O Datafolha deu 210 mil.

A palhaçada do atraso e sua desculpa esfarrapada sepultam qualquer dúvida de que a PM tenha algum tipo de mecanismo confiável para medir aglomerações. É chute e manipulação.

Existe uma alegação de que a ferramenta utilizada se chama Copom On-line, alimentada por fotos aéreas tiradas de helicóptero e que se vale de “recursos de mapas e georreferenciamento”. Para o resultado do dia 15, a PM teria calculado cinco pessoas por metro quadrado, sem jamais detalhar como chegou a essa quantidade.

A Polícia Militar paulista conseguiu superar os institutos de pesquisa em fantasia estatística. E não é por acaso. A PM tem lado e deixou isso claro algumas vezes.

Há um ano, a assessoria de comunicação soltou uma nota oficial em resposta a uma entrevista ao Uol do coronel reformado Adilson Paes de Souza. Souza declarou que os policiais tratam parte da população brasileira como um potencial inimigo, como ocorria na ditadura.

O texto da assessoria de imprensa cita Reinaldo Azevedo e bate numa das teses mais repisadas por Olavo de Carvalho, a do “marxismo cultural”: “Muito provavelmente a resposta esteja em outro século e em outro continente, nascida da cabeça de alguém que pregou a difusão de um modelo hegemônico, que se deve construir espalhando intelectuais em partidos, universidades, meios de comunicação. Em seguida, minando estruturas básicas e sólidas de formação moral, como família, escola e religião”, lê-se.

“Assim é o discurso desses chamados ‘intelectuais orgânicos’, como costumam se denominar, em consonância com as ideias revolucionárias do italiano Antonio Gramsci, que ecoaram pelo mundo a partir da década de 1930.”

Quando se junta esse samba do crioulo direitista à falta de transparência, você não pode esperar que os números não sejam mentirosos.

Kiko Nogueira
No DCM
Com Esquerda Caviar
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GolpeNews

Globonews lê cartazes contra Dilma e pelo impeachment, mas não a faixa que defende ao mesmo tempo a Globo e o golpe militar


Do ponto-de-vista numérico, as manifestações do 12 de abril foram um tremendo fracasso.

Segundo o Uol, do diário conservador Folha de S. Paulo, eram 52 mil pessoas em todo o Brasil às 14 horas.

No entanto, na Globonews, das Organizações Globo, os protestos foram um tremendo sucesso.

“Tranquilidade”, “família”, “verde-amarelo” e outras descrições anódinas marcaram a descrição feitas pelos repórteres da emissora, que se misturaram aos manifestantes.

Nunca antes na História deste País a Globo tinha feito o que vem fazendo: ir a uma manifestação, ler de forma seletiva os cartazes e permitir que o som natural vaze na transmissão, com gente gritando “Fora Dilma”, “Fora PT” e outras palavras de ordem.

Vocês já viram a Globo fazer isso num protesto do MST ou contra o tucano Geraldo Alckmin? Jamais.

É óbvio que a notícia do dia, de que as manifestações fracassaram do ponto-de-vista numérico, não dominou a cobertura. Por que fracassaram? Cansaço? Indiferença? Dissensão interna? A Globonews simplesmente se esqueceu da verdadeira tarefa do jornalismo, que é esclarecer.

A certa altura, uma repórter em São Paulo fez referência ao fato de que os diferentes carros de som na Paulista utilizavam diferentes palavras de ordem. Mas, ficou nisso. Não entrou em detalhes. Por motivos óbvios: alguns destes carros de som pedem intervenção militar, o que não se enquadra no que a Globo acha aceitável mostrar aos que estão em casa.

A Globo não leu, por exemplo, a faixa que aparece acima, fotografada pelo Leandro Prazeres, do Uol, em Brasília.

Notem o detalhe: além de pregar o golpe, a faixa assume a defesa da Globo (no canto inferior direito) com a frase “a mídia sob ataque”.

Globo e golpe militar, tudo a ver!

Ainda que involuntariamente, no entanto, a Globonews acabou mostrando a intolerância que foi a marca do 15 de março e esteve de volta hoje, nas ruas: em Copacabana, um homem de camisa vermelha foi perseguido por manifestantes e teve de sair escoltado pela Polícia Militar.

É isso mesmo: um homem de camisa vermelha, aparentemente com uma grife no peito, sem qualquer relação com o PT ou com algum partido comunista.

Um simples homem de camisa vermelha, cujo cerco resume o que a Globonews não mostrou: “intolerância” e “golpismo” andaram juntos com “tranquilidade” e “família”.

PS do Viomundo: A Globonews faz mais que cobrir o evento, faz a convocação de quem está em casa ao enfatizar a todo o momento que “tem mais gente chegando”, “famílias inteiras”, etc.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo

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#AceitaDilmaVez

Panelaço é global derrota


Datafalha falha!

A cobertura da GloboNews foi melancólica!

A convocação revelou-se tão inútil quanto chamar o Eduardo Cunha para visitar a Receita Federal…

Tanto que a emissora já fala que o número de manifestantes é menor em todo o Brasil, se comparado com o último dia 15.

Na Avenida Atlântica, no Rio, na GloboNews, negro só vendedor de sorvete.

Nem com o Datafalha os paulistas se mobilizaram em número significativo.

Tem mais gente para visitar o MASP num domingo normal do que manifestantes, hoje, em frente ao museu da Lina Bo Bardi.

Foi menos gente à rua que no panelaço anterior e muito, muito menos que na Parada Gay.

Os editoriais da 'Cristina Globo' eram de comovente irrelevância.

Blá, blá, blá sem informação sobre o que está na na imagem.

Melhor os editoriais do 'Ataulfo', mesmo aqueles em que muda o voto do Teori.

É o Golpe com mais substância.

De cortar o coração as imagens de Salvador, cidade em que os negros são 99% da população.

Nenhum negro na GloboNews…

Em Belo Horizonte, todo o panelaço cabia num quarteirão da Savassi.

Se o Datafalha tivesse importância, o 'Cerra' era imperador do Brasil!

Em tempo: não há notícia de adesão do 'Farol de Alexandria', o 'Padim Pade Cerra' e o 'Machão do Leblon', que costuma acompanhar panelaço da janela. O 'Farol', como se sabe, é um ser imaginário do livro de zoologia fantástica do Borges, que só tem vida no PiG…

Em tempo2: GloboNews iniciou no panelaço o processo de beatificação do Juiz Moro de Guantánamo.

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Sonegação: movimentos anti-Dilma vendem camisetas sem nota fiscal

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Até Uol faz piada com a PM e a manifestação












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Coxinha de Miami diz que fica 'bem informada' com a Globo — assista

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Com medo de vergonha com a baixa adesão nos protestos de hoje Globo manda diminuir flashes ao vivo


A Central Globo de Jornalismo recebeu a ordem de diminuir a divulgação dos protestos de hoje. Segundo funcionários da casa, a atitude se deve a baixa participação dos manifestantes que prometia ser maior que a do dia 15 de março.

Para analistas políticos, boa parte da população que foi no dia 15 de março, se decepcionaram com a votação de seus representantes com o PL 4330, que diminuem os direitos dos trabalhadores com a terceirização.

Essa parte da população, mesmo não avaliando positivamente a Presidenta Dilma, vê nela e no Partido dos Trabalhadores a possibilidade de defender os direitos dos trabalhadores, frente ao congresso conservador e de direita.

No Jovens de Esquerda
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#AceitaDilmaVez

Internautas mobilizam redes sociais em apoio à Dilma

Mobilização já ocupa uma das primeiras posições dentre os assuntos mais populares das redes

Tag em apoio à Dilma está entre os assuntos mais comentados das redes sociais
Militantes do PT aliados a apoiadores do governo Dilma realizam neste domingo (12) tuitaços e facebookaços em reação às manifestações marcadas para hoje.

Esforços já levaram a hashtag #AceitaDilmaVez à primeira posição no trending topics do Twitter, que enumera os dez temas mais populares na rede.

Participe!
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Os Mitos do Excepcionalismo dos Estados Unidos da América


Um dos elementos da ideologia cultural nos Estados Unidos reza que este país é, de alguma forma, excepcional comparado a outros; uma excepcionalidade positiva em vários aspectos, que distingue os Estados Unidos de todos os outros países.

Excepcional na saúde, na educação e no sistema de aposentadoria?

De forma um tanto perversa, há algo de verdade nisso. Os Estados Unidos são excepcionais no sentido em que é a única economia avançada no mundo que não consegue fornecer atenção médica universal para seus cidadãos.

Este país tem um sistema de saúde imensamente parasitário, concebido para fazer dinheiro, dominado por companhias de seguro multibilionárias que sugam US$ 1 trilhão por ano dos bolsos dos consumidores estadunidenses só para burocracia, e por cadeias de hospitais-empresa que sugam mais US$ 900 bilhões por ano.

Neste sistema, que tem o pessoal médico mais bem pago do mundo, companhias farmacêuticas cobram US$ 94 000 dólares por medicamentos para tratar alguém com hepatite C (ou seja, US$ 1.125 dólar por comprimido) e cobra de pacientes de US$ 4.000 aUS$64 000 por mês por drogas contra o câncer. Os Estados Unidos gastam mais de US$ 3 trilhões por ano com seu sistema de saúde, e essa despesa continua aumentando.

Isso significa 18% de um PIB anual de 17,4 trilhões de dólares; de cada 5 dólares gastos seja em que for, quase 1 dólar terá sido gasto com o sistema de saúde. É a maior despesa em sistema de saúde do mundo industrial. E o resultado desse gasto maciço é que este país ocupa o 39º lugar em mortalidade infantil, o 42º lugar em mortalidade adulta e o 36º lugar em esperança de vida. Sim, os Estados Unidos são um país excepcional no que tange ao sistema de saúde.

E também é um país excepcional quanto à educação. Super endividados, seus universitários vêm se tornando servos da ordem social da saúde, controlada por banqueiros e administradores super-remunerados; essa dúvida supera os US$ 1,1 trilhões só no ensino superior, a maior dívida educacional per capta do mundo.

Quatro anos de faculdade custam entre US$ 30.000 e US$ 60.000, ou seja, estamos falando apenas da graduação. E já não há mais significativos programas de capacitação profissional para aqueles que não podem pagar uma faculdade.

Enquanto isso, 70% dos professores universitários são trabalhadores precários, recebem salários miseráveis e não têm benefícios sociais. Isso também é “excepcional”, suponho.

Os trabalhadores estadunidenses são os que têm as maiores jornadas de trabalho do mundo industrial, as férias mais curtas (em média 7 dias por ano) e paira sobre eles a ameaça da miséria quando se aposentem ou não mais possam trabalhar.

As pensões da seguridade social alcançam uma média de apenas US$ 1.100/mês; as poupanças–aposentadoria privadas (chamadas planos 401k) alcançam em média menos de US$ 50.000/ano no caso dos trabalhadores na faixa dos 60 anos ou em vésperas de se aposentar; a maioria dos trabalhadores estadunidenses vive na base do cheque especial e não têm poupanças. Não é de espantar que o segmento da força de trabalho estadunidense que mais cresce é formado de idosos entre 65 e 74 anos, já que muitos aposentados voltam a trabalhar para que possam chegar ao fim do mês.

Entre os países de economias avançadas, os Estados Unidos têm a mais extrema e crescente desigualdade de renda. Os executivos das corporações estadunidenses recebem em média 400 vezes mais que a média dos trabalhadores da empresa (em 1980, recebiam “apenas” 35 vezes mais). É a maior disparidade de renda do mundo industrial.

O riquíssimo 1% dos lares (praticamente todos especuladores) ganhou não menos de 95% de todo o crescimento da renda líquida nos Estados Unidos desde 2010. Contraponha-se isso aos 65% durante os anos George W. Bush, 2001-2007, e aos 45% durante o período Clinton nos anos 90. É bem verdade que isso não é uma exceção à regra, já que o pagamento da força de trabalho vem declinando consistentemente tanto na Europa quanto no Japão.

Os trabalhadores estadunidenses têm apenas 6 meses de seguro-desemprego com menos de um terço de seus salários. Já os trabalhadores alemães têm dois anos de seguro-desemprego e recebem treinamento profissional para sua reinserção laboral. Sim, mas os Estados Unidos têm mais porta-aviões que os alemães!

Sim, os Estados Unidos são um país excepcional. Seus trabalhadores são os mais enfermos, endividados, sobrecarregados, inseguros e os mais temerosos pelo futuro em todo o mundo industrial desenvolvido.

Os Estados Unidos também são um país excepcional na medida em que tem mais gastos militares que todas as economias desenvolvidas somadas. O verdadeiro “orçamento de guerra” dos Estados Unidos alcança US$ 1 trilhão anuais, mais que os anunciados US$ 650 bilhões para o Pentágono, embutidos de diversas formas em seu orçamento econômico anual. Os Estados Unidos têm mais de 1000 bases militares em todo o mundo e supera amplamente qualquer outro país do mundo em envolvimentos bélicos; e ainda espia seus próprios cidadãos e cidadãos de outros países, muito mais que todas as arapongas do mundo somados. São os Estados Unidos “excepcionais”? Pode apostar que são mesmo.

O mito do excepcionalismo econômico estadunidense

Outra alegação frequente para o “excepcionalismo estadunidense” é sua economia.

O Japão está provavelmente em sua quarta recessão desde 2009. A Eurozona oscila entre recessões de dois em dois anos. Mas a economia estadunidense está plenamente recuperada. É o que nos dizem. E ela está crescendo maravilhosamente, enquanto o resto do mundo fica pra trás. Ou pelo menos é assim que reza a cartilha ideológica.

Os “execepcionalistas” gostam de referir-se às taxas de crescimento do PIB do último verão de 2014, à criação de 200 mil empregos por mês e ao crescimento ininterrupto do mercado de ações e obrigações como provas evidentes do tal excepcionalismo. Mas quando olhamos de perto os tão propalados 5% de crescimento do PIB do terceiro semestre de 2014 e os dados mais recentes do começo de 2015, vemos que não há nada de excepcional na economia estadunidense.

No longo prazo, ela cresce apenas a metade do que crescia nas décadas passadas.

Nos últimos seis anos, taxas trimestrais de 4-5% são seguidas, meses depois, de desmoronamentos do PIB e até de resultados negativos. Com efeito, isso aconteceu quatro vezes desde 2009, caracterizando uma recuperação econômica ioiô: primeiro semestre de2011, quarto semestre de 2012, primeiro semestre de 2014 e tudo indica ser o caso para o primeiro semestre de 2015.

O ioiô econômico estadunidense, sua trajetória de gangorra, nada tem de especial ou excepcional. O mesmo tem acontecido na Europa e no Japão, onde os níveis mais baixos são semelhantes ou inferiores àqueles verificados na economia estadunidense nos últimos cinco anos. Se o crescimento econômico estadunidense atinge picos de cerca de 4% ocasionalmente, desmoronando em seguida para 0% ou menos, a média de crescimento dos últimos 5 anos tem sido de 1.7%. Isso é a metade da média normal de crescimento após períodos de recessão. Japão e Europa alcançam ocasionalmente picos de 2%, mas depois atingem taxas negativas, entrando numa genuína recessão.

A única diferença entre os ioiôs das recuperações dessas três economias está nos níveis de elevação e queda. Em outras palavras, não há nada de excepcional ou economicamente diferente entre elas.

A comparação dos 5% de crescimento econômico temporário do período Julho-Setembro de 2014 com o provável 1% (ou menos) de janeiro-março de 2015 – essa taxa só será divulgada em maio- mostra que um fator isolado interveio no verão de 2014 para que atingíssemos aquela taxa de 4-5%. Mas esse fator isolado foi anulado nos primeiros três meses de 2015. Subtraia semelhantes fatores isolados dos últimos nove meses e teremos provavelmente menos de 1% no recente trimestre. Há uma breve explicação para isso.

Gás de xisto/Súbito aumento da produção de petróleo

No começo de 2014, a produção de gás de xisto e o súbito crescimento da produção de petróleo andavam a todo vapor. Isso impulsionou a chamada Produção Industrial e boa parte do crescimento da criação de empregos. Mas quando o preço do petróleo caiu excessivamente em junho último (graças à tentativa da Arábia Saudita e seus aliados dos Emirados Árabes em levar produtores estadunidenses de gás de xisto e petróleo à falência), a explosão da produção de gás de xisto teve uma abruta interrupção. A produção industrial foi rapidamente reduzida depois do verão e continuou a decair até atingir taxas negativas em dezembro. Os empregos começaram a desaparecer. Há uma projeção de perda de cerca de 150 mil empregos no Texas, o maior produtor de gás de xisto, já no começo de 2015.

Produção fabril & exportação

No começo de 2015, a produção fabril e as exportações estadunidenses cresceram continuamente na medida em que o dólar permanecia baixo, avantajando o comércio externo dos Estados Unidos. Mas o colapso mundial dos preços do petróleo e os rumores de aumento da taxa de juros pelo Banco Central estadunidense levaram a um aumento de 20% do dólar, incrementado ainda mais pela flexibilização quantitativa do Japão e da Eurozona. O resultado disso foi o começo de um colapso da contribuição estadunidense de sua produção fabril e de suas exportações para o crescimento econômico do último período de 2014. Esse movimento continuou em 2015. As encomendas de produtos manufaturados vem caindo mensalmente desde dezembro de 2014.

A previdência de Obama e os gastos com a saúde

Outro fator isolado que estimulou o crescimento do PIB estadunidense em meados de 2014 foi a adesão de 9 milhões de consumidores ao novo programa de cobertura do seguro de saúde privatizado do governo, concebido para aqueles que não tinham seguro-saúde. Isso gerou uma nova despesa de consumo cujo potencial de crescimento se esgotou em 2015, sem que houvesse novos estímulos adicionais.

O fim do aumento da venda de automóveis

Outro aumento de despesa de consumo que atingiu seu ápice no último verão foi a venda de automóveis. Mas isso também chegou a seu termo, na medida em que o mercado automobilístico ficou saturado ao cabo de 4 anos. Desde dezembro, um mês normalmente muito bom para a venda de veículos, a retração do mercado tem sido contínua. Aquele breve crescimento já era.

Gastos gerais de consumo

Os indicadores de consumo doméstico passaram ao vermelho em dezembro último. O Índice Nacional de Despesas do Consumidor declinou no período dezembro-janeiro, estabilizou-se em fevereiro e não parece ter sofrido alterações em março.

Segundo a maioria dos economistas, este índice soe crescer quando os consumidores são beneficiados pela redução de preços dos combustíveis. Em vez disso, os consumidores puseram na poupança o dinheiro não gasto com combustíveis ou o utilizaram para reduzir suas dívidas (previ que isso aconteceria ainda no ano passado). As vendas no varejo, que constituem a maior parte das despesas de consumo, cresceram a taxas de 4.5% no último verão. Mas voltaram a ser negativas desde dezembro passado: 1%, -0.9%, -0.6% até fevereiro. Espera-se que em março essa taxa continue negativa. Assim sendo, os indicadores de consumo geral e no varejo passaram ao vermelho.

Gastos das empresas

No terceiro trimestre de cada um dos últimos 5 anos, as empresas vinham aumentando suas despesas e incrementando seus estoques na perspectiva de um aumento de consumo por efeito das férias e das festas de fim de ano. Mas as expectativas dessas despesas foram bastante reduzidas e as empresas reduziram seus estoques no primeiro trimestre do ano seguinte. Isso voltou a acontecer em 2015. Outro gasto empresarial, a compra de equipamentos, quase não tem crescido, atingindo apenas os 0,6% no quarto trimestre de 2014, e deverá permanecer o mesmo ou diminuir no primeiro trimestre de 2015.

Gastos do governo com a defesa

É fato conhecido e documentado que a cada ano em que há eleições nacionais nos Estados Unidos, o governo federal adia despesas no começo do ano para liberá-las no verão que antecede as eleições. Isso aconteceu em 2012, antes das eleições presidenciais, e em 2014, antes das eleições legislativas parciais. O governo também faz despesas adicionais no trimestre julho-setembro, pois os políticos tentam criar a impressão de que a economia está indo melhor do que ela realmente está no longo prazo. Isso também aconteceu no verão passado. Mas essas despesas serão contraídas no mesmo período de 2015.

Criação de empregos nos Estados Unidos

A criação de empregos sempre fica em segundo plano na economia real. Após uma criação média de 200 mil empregos no ano passado (em sua maioria empregos mal remunerados, temporários e precários), apenas 126 mil empregos foram criados em março.

Essa redução também se verificou em janeiro e fevereiro. Os dados referentes ao emprego confirmam assim a tendência geral à queda no primeiro trimestre de 2015. Os defensores dos políticos certamente usarão o “mau tempo” como desculpa para os péssimos números de março. Mas o que está realmente acontecendo é que os empregos continuam a cair por razões bem reais. O “canário na mina” neste caso é o mau desempenho na produção de mercadorias; após meses de rápida redução do mercado de trabalho, este chegou a números negativos em março. Isso reflete o colapso da produção fabril, mineira e da produção de mercadorias que começou em fins do ano passado e que ainda continua.

A ideologia do excepcionalismo

Em suma, não há nada de excepcional na economia estadunidense quando a olhamos sem viés ideológico. Ela continua em sua trajetória de gangorra dos últimos cinco anos. A economia se debilita significativamente a cada quatro ou primeiro trimestre para se restaurar parcialmente no verão seguinte. O que temos ao longo do ano é uma média de crescimento econômico em torno de 1,8%, ou seja, a metade do normal histórico. E não há nada de excepcional nisso. O Japão e a Europa têm o mesmo fraco desempenho, abaixo do normal.

O PIB estadunidense cresce a uma média de 1.8%, contra 0,5 na Europa e 0% no Japão. Isso confere alguma excepcionalidade à economia estadunidense? Não exatamente. Ainda há 20 milhões de desempregados nos Estados Unidos; grosso modo o mesmo que na Eurozona. Isso não é excepcional. Os preços estão estagnados nos Estados Unidos e caminham para a deflação, que também se faz presente na Europa e no Japão. O investimento real está em declínio nos Estados Unidos, bem como na Europa e no Japão. Mais uma vez, não há nada de excepcional. E a renda média dos trabalhadores está sendo reduzida nessas três economias.

Uma das estratégias ideológicas favoritas das elites e das classes dominantes consiste em convencer as classes trabalhadoras de que elas são excepcionais, ou seja, que a situação delas pode não ser maravilhosa e pode até estar declinando, mas pelo menos não é tão ruim quanto as outras.

A coisa poderia ser pior. Veja como estão os pobres trabalhadores de tais ou tais países. A coisa aqui pode não estar tão boa, mas não está tão ruim assim. Não é mesmo?

O apelo ao excepcionalismo é apenas um estratagema a mais para que as classes trabalhadoras aceitem a deterioração de suas condições; é apenas uma ferramenta ideológica para imobilizar o povo, para que este aceite sua realidade como um destino. Querem que os trabalhadores acreditem que sua cada vez mais deteriorada qualidade de vida não é tão ruim assim. Mas ela é o que é.

Jack Rasmus
No Redecastorphoto
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A visita do marajá

O nosso quintal é bem frequentado por pássaros. Alguns vistosos e certamente famosos, que ornitoleigos como eu não saberiam identificar pela plumagem e o porte. Muitos sabiás — os únicos que eu conheço o nome — em constante atividade, catando material e comida para os seus ninhos. Pelo seu número e movimento, desconfiamos de que existe um condomínio de sabiás por aqui, e que o nosso quintal é o centro comercial mais próximo. Mas a maioria é do gênero "passarinho comum", pequeno e sem graça, da cor, assim, de passarinho. É o povão.

Certa tarde, houve um pequeno alvoroço doméstico. Aparecera um pássaro estranho, nunca visto antes, pousado na pereira. Entre o médio e o grande, com uma longa cauda bifurcada, cinzenta com círculos brancos, e um ar de nobreza enfarada. Ficamos admirando-o, falando baixinho para não espantá-lo, e ninguém da casa sabia o que era. Tive que ir ganhar a vida e não pude assistir à sua partida, mas me contaram que ele decolou com a mesma empáfia com que examinara o quintal e suas circunstâncias durante sua breve estada conosco, claramente insatisfeito. O cenário não estava à sua altura.

A velha pereira ainda dá pêra, mas com um grande esforço, e só para não sucumbir à amargura comum aos aposentados sem ocupação. Os outros pássaros mantiveram um distância reverencial do visitante. Conheciam o seu lugar. Era óbvio que ele pousara no lugar errado.

Fiquei pensando em como o maravilhoso pode nos pegar desprevenidos. Era como se um marajá e seu séquito tivessem batido na nossa porta e só o que tínhamos para lhes oferecer era, sei lá, Coca Zero. Perdemos uma oportunidade, não sei bem de quê. Podíamos ao menos tê-lo fotografado, nem que fosse para uma hipotética futura biografia da pereira, em cuja longa vida o único acontecimento notável até então tinha sido a orquídea misteriosa que lhe nasceu espontaneamente numa forquilha. Agora é tarde. Duvido que o visitante volte. Nós o decepcionamos. Não estávamos preparados para ele.

Dispensável (Da série "Poesia numa Hora Dessas?!")

Andávamos na areia de mãos

dadas

fazendo o possível para ignorar

o pôr de sol de sete tons,

o arco-íris, a lua cheia e o mar,

tudo como num mau pastiche...

Nosso amor dispensava

o kitsch.

Luís Fernando Veríssimo
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Craca

Um crítico chamado John McCourt, escrevendo sobre James Joyce, fez um achado inédito. Joyce viveu durante algum tempo em Trieste, onde dava aulas na Berlitz e onde escreveu o “Retrato do artista quando jovem” e começou a escrever “Ulysses”. McCourt descobriu que muito da linguagem ancestral enigmática que Joyce usaria depois em “Finnegans Wake” vem do triestino, o dialeto local que a família falava em casa. A revelação do crítico se soma a tudo o que já foi publicado sobre Joyce, certamente o autor mais explicado de todos os tempos. Interpretações de “Ulysses” e de “Finnegans Wake” por gente como Stuart Gilbert e Anthony Burgess se tornaram clássicas, sem falar em livros sobre o autor, como a famosa biografia definitiva de Richard Ellmann. McCourt dá mais importância do que Ellmann e os outros estudiosos à influência no trabalho de Joyce de Trieste, que descreve como uma espécie de Dublin levantina, com o mesmo vento do mar e o mesmo grande número de bares, mas uma população mais cosmopolita.

Certas obras literárias são como velhos navios: críticas, análises, exegeses etc. grudam no seu casco como craca; o navio e a craca passam a ser uma coisa só. Com o tempo, a craca quase dispensa o navio. Ler Joyce com uma explicação do lado é tão indispensável quanto ler Shakespeare com um glossário de inglês elizabetano, a não ser que você prefira não entender a metade mas ser levado e enlevado, sem interrupções, pela linguagem. Quando publicava as suas peças, George Bernard Shaw escrevia introduções maiores do que as peças e, em alguns casos, como o do prefácio para “Santa Joana”, melhores. Uma vez tive a ideia de escrever um livro sobre outro livro sobre outro livro, este inexistente, e escrevê-lo todo na forma de longas notas de pé de página. Mas, claro, coisa parecida já foi feita: “Fogo pálido”, do Nabokov, é apenas um pequeno poema, acompanhado de uma longa interpretação. Longa — e errada. Tudo já foi feito.

Nada a ver, mas me lembrei que o sobrenome da mulher de Joyce, Nora, era Barnacle, “craca” em inglês. Joyce contava que seu pai o alertara de que o nome era uma premonição: Nora Barnacle nunca largaria dele. E, fora algumas separações temporárias, nunca largou mesmo. Joyce estava destinado a ser um objeto de devoções, e é até hoje.

Luís Fernando Veríssimo
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Presidenta Dilma lamenta morte do jurista Paulo Brossard


A presidenta Dilma Rousseff lamentou, neste domingo (12), a morte do jurista gaúcho Paulo Brossard. Em nota divulgada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República, Dilma reconheceu o trabalho desenvolvido por Brossard no combate à ditadura militar no Brasil.


Confira a nota na integra:


“É com tristeza que recebo a notícia da morte do jurista Paulo Brossard, homem de fortes convicções democráticas, que se tornou uma referência política na luta contra a ditadura. O país perde um grande brasileiro. Quero prestar minhas homenagens e apresentar meus sentimentos à dona Lúcia Brossard, aos filhos, amigos e familiares do doutor Paulo Brossard”.
Dilma Rousseff
Presidenta da República
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A falsa modernidade da terceirização

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7083

Os defensores da terceirização — leia-se pejotização do trabalho — tem um único argumento: a modernidade.

Sempre que ser moderno é usado como argumento para alguma alteração legal é certo que haverá retrocesso.

Modernizar é o fetiche dos antigos.

Houve uma época em que ser moderno era privatizar.

Moderno era o Estado mínimo.

Moderno era aceitar condições de trabalho precárias.

Moderno é andar na corda bamba sem rede.

Moderno é correr todos os riscos enquanto o capital foge para portos seguros.

A terceirização vai transformar cada empregado em Pessoa Jurídica.

O Brasil será um imenso celeiro de PJs de fachada.

Empresas de papel.

O objetivo é um só: acabar (flexibilizar) com a CLT.

Quem pode ganhar? Os empresários.

Quando se fala em ganho de competitividade com flexibilização das garantias trabalhistas, significa ferrar a plebe.

O pessoal está vendendo a ideia de que a pessoa será empregada de uma empresa que prestará serviços a outras.

Mas, repito, cada um será empregado de uma ficção, sua empresinha, a serviço de um empresa de verdade.

Todos serão prestadores de serviço.

Para alguns, será um ganho.

Para a maioria, haverá perdas.

A modernidade é o instrumento de tortura do capitalismo pós-moderno para adestrar os trabalhadores insubmissos.
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A cobra mordeu o rabo

Todo opressor um dia comete um erro, que fica marcado pela história. A sede ao pote da injustiça, que tem caracterizado o presidente da Câmara dos Deputados, e, junto com a tropa de achacadores, todos na folha de pagamento dos empresários, latifundiários, vendilhões da fé, camelôs de terreno até no Céu.

Condomínios de luxo no inferno, pra onde vão após o Julgamento. Todos os tipos da escória.

Ganharam rios de dinheiro na última década. Nem agradecem.

Serão julgados pelos crimes brutais contra a população brasileira. Mais cedo ou mais tarde. Não têm limites. E, na troca justa pela compra dos mandatos de vários, pagam agora aos empresários. Oferecendo em uma bandeja de ouro a institucionalização da escravidão, na forma da lei, PL 4330.

Não vão utilizar na escravidão moderna as correntes e o pelourinho. Agora chipar os trabalhadores, colocar uma tonozeleira no juízo de cada um. Uma “Cunha de Ferro” na sua testa. A maratona em direção ao abismo do desemprego, precarização do trabalho, insegurança, vai começar.

Reforcem as canelas com sebo de carneiro. Serão décadas de pinote, se não resistirmos. Vão roubar até o pente e o espelho de bolso do trabalhador. Vai ser corda de enforcamento com garantia. Feita de sisal na Paraíba, pra todo poste e galho de árvores no Brasil.

Bem vindos à barbárie. Vão derrubar todas as conquistas históricas dos trabalhadores. Um tsunami de preconceito, intolerância, exclusão.

Como pode um partido como o PT, nascido do grito dos excluídos, na sua origem uma das propostas mais revolucionárias na América Latina, referência na luta pela derrubada da ditadura militar, não perceber? Que as elites brasileiras, as mais retrógradas e exploradoras, dentre várias dos países do mundo, não cobrariam a conta?

Dos míseros reais aplicados em políticas públicas, nesses 12 anos de governo, se comparamos com os bilhões sonegados, desviados pelos “Aliados amigos da onça”.

A direção nacional do PT, ao que parece, sem condições de participar de um Torneio de Bilas ( petecas ). Omissa no julgamento da AP 470 no Supremo, deixou que militantes históricos do partido fossem queimados pelo Tribunal da Inquisição. Trucidados sem provas. Em não fazendo nada, morderam a isca.

Uma avenida de ódio do tamanho do país foi sendo derramada pelas elites. Tomaram gosto. Não conseguem visualizar, nem em sonho, o tamanho do buraco. O abismo que Cunha e Renan, gerentes da Elite, na empreitada de jogar o País. Um silêncio que afeta os nossos tímpanos.

Uma luz no fim do túnel. A presidenta Dilma precisa de coragem no enfrentamento do cangaço. Os coiteiros da época digital estão refugiados no Congresso. Na representação dos interesses mais abjetos, escusos, da Elite Branca e Perfumada. De ódio. Contra as camadas dominadas.

Dilma já enfrentou a Ditadura Militar, não teve medo. A cobra mordeu o rabo. Agora vetar todos os projetos contra a população, e explicar diretamente ao povo brasileiro, em cadeia nacional, quem são os inimigos do país. Antes que eles nos botem, nos confinem nos guetos. A militância já provou que é de luta.

Renato Uchôa e Ana Paula Romão
No Ligia Deslandes
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Sem adesão nas redes, protestos ganham incentivos da mídia

Grandes grupos de comunicação disponibilizam meios para buscar ampliar o alcance dos protestos marcados para hoje


Na página do G1, a imagem fala por si. Portal culpa a chuva pela baixa adesão ao protesto em Manaus (AM)
Os protestos marcados para este domingo ganharam pouca adesão nas redes sociais, espaço que serviu como principal meio de mobilização para os protesto de 15 de março. Apesar disso, a mídia tradicional tenta dar fôlego às manifestações ao incentivar a participação da população e fornecer meios para dar visibilidade às marchas convocadas para este domingo (12).

O Portal G1, das organizações Globo, divulga desde cedo as reuniões em algumas das principais capitais. Às 9h47, o site informou, por exemplo, que haviam cerca de 1,2 mil concentradas na Esplanada dos Ministérios em Brasília. “A PM estima que o número de pessoas na Esplanada aumentou para 1200. A polícia informou que o público está aumentando”, comemorou.

Dez minutos depois, às 9h57, a informação foi atualizada. “A PM do DF atualizou o número de manifestantes em Brasília e informou que já chega a cerca de 2000 pessoas”.

Na Globo News, do mesmo grupo de comunicação, repórteres espalhados por diversas cidades tentam atribuir volume aos protestos, apesar das imagens transmitidas demonstrarem a pouca adesão ao movimento.

No Uol, um WhatsApp foi criado para que manifestantes enviem recados e fotografias de suas participações nas manifestações.

“Hoje, a expectativa é que milhares de pessoas voltem a se manifestar pelo Brasil. E você, o que pensa sobre o futuro do país? Se pudesse mandar uma mensagem para todos os brasileiros, o que você diria?”, diz o convite à rede.

Na página da revista Veja, a publicação convida os internautas a acompanhar a cobertura em “400 cidades”.

“Acompanhe a nova rodada de manifestações contra o governo e a corrupção em mais de 400 cidades espalhadas por todas as regiões do país”, diz o texto panfletário.
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ENDC reúne 700 ativistas em BH


Com 682 inscritos e todos os estados do país presentes, a cerimônia de abertura do 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC) contou com muita representatividade na manhã deste sábado (11/4), no teatro do Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte. O ato contou com a presença de cerca de 30 representantes da política e de movimentos sociais que, em uníssono, ressaltaram a importância da luta pela democratização da comunicação no país.

Rosane Bertotti, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) — principal entidade realizadora do #2ENDC —, celebrou o fato de o evento reunir praticamente 700 participantes para discutir mídia e democracia. “Precisamos levar esse debate a cada rincão desse país. Para sair do papel, a luta pela democratização da comunicação tem que ocupar mentes, corações e, também, as ruas”, afirmou.

Os assuntos abordados na cerimônia foram bastante diversificados, abrangendo a vasta gama de grupos e movimentos presentes no Encontro. De questões de gênero e raça a temas como proteção da infância, comunicação pública e comunitária e, claro, regulação da mídia. Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica no Ministério das Comunicações, Emiliano José declarou apoio ao Encontro, reforçando seu compromisso com a luta. “Estou aqui não apenas como representante do Ministério e do ministro Ricardo Berzoini, mas também como um clássico militante do movimento pela democratização da comunicação", disse. “Quem enfrentou o pau de arara, a repressão e a arbitrariedade da ditadura militar sabe da importância da liberdade de expressão”.

Segundo ele, política e comunicação são indissociáveis e, por isso, o tema da regulação é tão urgente para garantir democracia no setor. “As disputas políticas se fazem, principalmente, pelas vias da comunicação. É o centro da luta política”, sublinhou, saudando, em nome do Ministério das Comunicações, a realização do #2ENDC.

João Brant (Secretário Executivo do Ministério da Cultura) e Ivana Bentes (Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural) também participaram do ato. Na avaliação de Brant, comunicação e cultura são “irmãos siameses”: “A fruição cultural se dá pelos veículos de comunicação e, em contrapartida, os meios influenciam a produção cultural, principalmente do ponto de vista simbólico”.
 
Para ele, o Brasil vive um déficit democrático em relação a países que enfrentaram o tema da regulação da mídia, que incluem França, Inglaterra e Estados Unidos até os ‘demonizados’ vizinhos latino-americanos, como a Argentina e a Venezuela. “Precisamos desmitificar o debate, que não é um debate de países autoritários, mas justamente o contrário”, defendeu. Ele aproveitou para anunciar a abertura de um canal de diálogo permanente entre os Ministérios da Cultura e da Comunicação, para fortalecer a luta por avanços em ambos os setores.

Movimento sindical, presente!

Dirigente da CUT em Minas Gerais, Beatriz Cerqueira falou, em nome do movimento sindical, sobre a dura conjuntura política do país e a importância da luta em defesa dos direitos dos trabalhadores, incluindo a comunicação. “O cenário, principalmente a questão da terceirização, nos coloca a possibilidade de um grave retrocesso e nos dá um recado: precisamos nos fortalecer e estarmos dispostos a lutar”, pontua.

“O momento”, segundo Cerqueira, “é chave para aglutinarmos forças não só para combater o conservadorismo, mas também para pressionar o governo a levar a cabo as pautas aprovadas nas urnas em 2014”. Os debates do ENDC, em suas palavras, “alimentam a alma para a preparação das lutas que estão por vir”.

TV pública transmite o #2ENDC

A transmissão em tempo real do evento via Internet, feita pela Rede Minas, é um gesto simbólico em solidariedade à luta pela democracia na mídia. A declaração é de Israel do Vale, presidente do veículo. “A Rede Minas tem um papel claro de enfrentamento à visão única, praticada em bloco pelos grandes meios de comunicação”, assinala.

“Todo o sistema de radiodifusão é público”, lembrou, destacando que por isso, devemos, sim, exigir contrapartidas sociais no usufruto da concessão. “O governo falar de regulação da mídia parece ser a declaração da terceira guerra mundial. Temos de enfrentar o tema urgentemente, para que o negro, o jovem, a mulher, o indígena também se sintam representados na televisão e na mídia em geral”.

Rita Freire, do Conselho Curador da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), salientou a necessidade de aproximação do Conselho com o movimento de luta pela democratização da comunicação. “Precisamos de políticas públicas para ‘desprivatizar’ o sistema de concessões e impulsionar o avanço das mídias públicas e comunitárias”. Além disso, ela ainda cobrou, da Presidência da República, a nomeação de conselheiro já indicados pelo movimento presente no ENDC.

Siga o #2ENDC

O 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação prossegue ao longo do sábado e do domingo. São dezenas de debates, conferências e atividades autogestionadas, com transmissão ao vivo. Confira a programação completa e acompanhe a cobertura colaborativa do evento pelo Facebook e pelo Twitter do FNDC!

Representantes e entididades presentes na cerimônia de abertura do #2ENDC

Rosane Bertotti – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
Lidyane Ponciano – Comitê Mineiro do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
Adelmo Leão - Deputado PT/MG
Wadson Ribeiro – Deputado PCdoB/MG
Rita Freire – Conselho Curador da EBC
Israel do Vale – Presidente da Rede Minas
Ivana Bentes – Secretária da Cidadania MinC
João Brant – Secretário Executivo do Ministério da Cultura
Emiliano José – Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das
Comunicações
Laura Tresca – Artigo 19
Renato Godoy – Instituto Alana
Célia Rodrigues – Rede Mulher e Mídia
Nilmário Miranda – Secretário de Direitos Humanos em Minas Gerais
Tais Ladeira – Associação Mundial das Rádios Comunitárias (Amarc)
Beatriz Cerqueira – CUT
Ariovaldo Camargo – CNTE
Cristina Castro – Contee
Liliane Machado – Andes
Flavia Lefevre – Proteste
Alexandre Braga – Unegro
Renato Barros – CNTSS
Marcólio Lima – Fenadados
Ronilda Silva – CTB
Sonia Maranho – Via Campesina
Daniela Rueda – Renajoc
Pablo Capilé – Fora do Eixo
Thiago José – Une
Fernando Alves – Ubes
Mariana Venturini – UBM
Ana Julia Goes – Levante
Nascimento Silva – Fitert
José Soter - Abraço
Angelo Antonio – Movimento Nacional das Rádios Comunitárias
Orlando Guilhon – Arpub
Renata Mielli – Barão de Itararé
Bia Barbosa – Intervozes
Rogerio Olivério – Conselho Federal de Psicologia
Valdice Gomes – Fenaj

Felipe Bianchi
No Barão de Itararé
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Ratos e homens na História


O que aconteceu no dia em que Carlos Sampaio, líder do PSDB, imitou o tira-bota óculos de Flávio Cavalcanti, apresentador-símbolo da TV sob a ditadura militar

Na hora mais sombria da ditadura militar, quando os cafajestes mais brutos imaginavam que podiam agir à solta a partir de instintos mais baixos, acreditando que ninguém ficaria vivo para reconstituir sua brutalidade, pois tinham a ilusão arrogante de que o fim do mundo era também o fim da História, costumava-se jogar ratos, cobras e outros animais em celas de prisioneiros.

Ratos costumavam ser introduzidos na vagina das mulheres, no ânus dos homens. Era assim. Na cela em que militantes eram tratados como lixo e julgados como criminosos, a hoje colunista Miriam Leitão foi obrigada a enfrentar cobras.

Os ratos — pouco importa a espécie precisa de roedores — que foram soltos no plenário da CPI no início do depoimento de João Vaccari saíram deste universo vergonhoso da política que é feita para produzir sangue, dor, crueldade. O país não está sob uma ditadura mas não faltam seus nostálgicos, cada vez mais ativos, descarados. Gritam, bufam. Planejam.

Não é de estranhar que, nesta situação, tenham surgido personagens arrogantes de um mundo patético, farsantes em sua própria farsa.

Ocorreram atos baixos por parte do clero mais baixo e mais raivoso, interessado em acumular minutos de fama perante as câmaras de TV num campeonato de selvageria e falta de respeito.

O espetáculo contou, também, com a participação de um dos integrantes da elite da Câmara, que foi assessor da campanha de Aécio Neves e hoje é líder da bancada tucana.

Tirando e colocando seus óculos, em gestos mecânicos, repetitivos, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) reproduziu um gestual clássico da TV brasileira em sua época mais deprimente, o autoritarismo da fase Médici, do Brasil “Ame-o ou Deixe-o”.

Na época, modos arrogantes davam prestígio. Eram prova de educação e intimidade com o Poder.

Os ratos chegavam a ser glorificados — da mesma forma que, na semana passada, os jornais e a TV faziam questão de mostrar demoradamente, em varias situações, a imagem dos roedores da CPI, sem demonstrar a menor indignação diante de uma provocação vergonhosa.

Nos tempos de ditadura, ninguém iria questionar uma ideia registrada por Hannah Arendt. Num estudo sobre o ambiente político que favorece o nascimento de regimes totalitários, ela ensinou que ”o mal, em nosso tempo, exerce uma atração mórbida.”

Escrevendo sobre o mais pavoroso período da história recente da humanidade, simbolizado pelo nazismo, Hannah Arendt registra o fato “muito perturbador”, de o regime totalitário, malgrado seu caráter evidentemente criminoso, contar com apoio das massas.”

Era isso (“o apoio das massas”) que buscava o apresentador Flávio Cavalcanti, criador do “tira-bota” óculos que o líder do PSDB iria copiar três décadas depois, levando, para uma CPI que alega investigar a maior empresa brasileira, uma técnica de manipular audiências própria de programas de calouros.

O “Programa Flávio Cavalcanti” tinha uma mensagem social desprezível. Sua finalidade era humilhar quem não podia se defender. Candidatos — ou supostos candidatos, pois uma lenda diz que muitos eram recrutados apenas para alugar a própria humilhação perante as câmaras — a uma vaga na cena musical brasileira eram agredidos, xingados, destratados, despachados aos gritos como vermes humanos. Eram devidamente punidos pelo atrevimento de não reconhecer seu devido lugar.

Naquele programa dos anos 1970, estávamos falando de show biz, de um certo teatro, um espetáculo assumido, apesar de horroroso. Era um programa para a noite de domingo. A vida dura começava no dia seguinte.

Naquele tempo — é bom perguntar à turma da terceirização o que ela acha sobre isso — o descanso dominical ainda não fora abolido e os pais, mães, irmãos, avós e agregados tinham um dia para se encontrar e se divertir em casa. Bons tempos, não?

Foi inaceitável, na tarde dos ratos da CPI, que se quizesse manter o clima Flávio Cavalcanti, levando a sério o que era puro teatro, ignorando fatos importantes e verdadeiros. Mas é compreensível — pois os fatos não ajudam. Daí, o passeio dos roedores.

Pela mesma razão, o tira-bota dos óculos ajuda a esconder a substância das coisas, numa semana marcada por notícias complicadas para a Lava Jato, que comprometem os dois delatores principais, Alberto Yousseff e Paulo Roberto da Costa.

O trabalho de Alberto Yousseff é questionado, hoje, por Gilson Dipp, ministro aposentado que é uma das principais autoridades em delação premiada no país, e coordenou os debates no Senado sobre a reforma do Código Penal. Dipp assina um parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal onde questiona o valor legal da colaboração de Alberto Yousseff nas investigações. Num texto contundente, irretocável tecnicamente, ele afirma que a delação de Yousseff “mostra-se imprestável por ausência de requisito objetivo — a credibilidade do colaborador — e requisito formal — omissão de informações importantes no termo do acordo”, tornando “imprestáveis” todos os atos e provas que vieram a partir do que declarou Youssef. Não é tudo.

Paulo Roberto Costa, o delator-mor, corrupto confesso, decidiu retificar seu depoimento. Não fez uma correção de data, nem de endereço. Disse, simplesmente, que os preços das obras contratadas pela Petrobrás não eram superfaturados. Vamos prestar atenção: aquele que até agora era a voz da verdade no escândalo, que conhecia a empresa e seus meandros por dentro, afirma que os preços não eram fabricados para roubar a empresa e pagar propina. Não. Eram preços corretos. Se isso é verdade — e até agora nunca se alegou que sua palavra pudesse se colocada em dúvida, certo? — é preciso reconhecer que a denúncia fica sem chão. Se o célebre “assalto” à Petrobras não incluia tirar dinheiro da Petrobras, perguntas-se “que assalto é este?” Onde foi parar a “corrupção institucionalizada” da empresa, cabe questionar, numa aitude que serve como advertência para quem não quer fazer papel de bobo como os calouros no programa de Flávio Cavalcanti.

Em seu depoimento, iniciado logo depois da aparição dos ratos, João Vaccari lembrou, com auxílio de gráficos, números do TSE que mostram que, entre 2007 e 2013, as contribuições financeiras das grandes empreiteiras investigadas na Lava Jato atingiram o mesmo volume para o PT, o PSDB, o PMDB. Ou seja. Se há alguma preocupação com a seriedade, a legalidade, a honestidade dessas transações, era preciso refletir: por que os recursos para o PT tem, previamente, uma origem criminosa e aqueles destinados ao PSDB e ao PMDB não despertam a menor curiosidade, possuem, também previamente, um atestado de bons antecedentes? Nem precisa responder, certo?

Omissões e falhas na investigação não deveriam surpreender. São fatos naturais no trabalho de apuração de toda denúncia criminosa. Só atrapalham o ambiente de circo.

Entre 2005 e 2013, a AP 470 acusou 40 cidadãos e, no final, após oito anos de inferno, 12 foram absolvidos por falta de provas. Nessa fantástica margem de erro de 30%, havia um ministro, Luiz Gushiken, quatro deputados, sem falar em Duda Mendonça, um dos principais publicitários do país. Entre os condenados por corrupção, encontrava-se José Dirceu, alvo da teoria do Domínio do Fato, e José Genoíno, cujo único bem patrimonial consiste num sobrado comprado à prestações na Caixa.

No artigo “A força da palavra repressiva,” publicado na edição de abril do Le Monde Diplomatique, o advogado Anderson Lobo da Fonseca apresenta dados sobre a população carcerária do país inteiro e mostram — curiosamente — uma margem de erro semelhante. Um certo nível de truculência também. Nada menos que 37% da população carcerária — a quarta do mundo — é formada por pessoas detidas, que não tiveram a oportunidade de um julgamento. Estão em prisão preventiva, com base no mesmo argumento que leva Sérgio Moro, da Lava Jato, a manter mais de duas dezenas de executivos, políticos e empresários encarcerados em Curitiba: ameaça a ordem pública.

O problema é que, quando chegam ao fim do processo, 40% dos presos acabam absolvidos ou recebem penas inferiores ao tempo de detenção. Citando uma pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da USP sobre o tráfico de drogas, uma das principais causas de encarceramento no país, Fonseca lembra que em 74% dos casos a prisão foi apoiada exclusivamente no testemunho de policiais. Mostra, também segundo o NEV, que em 48% dos casos a droga nem sequer se encontrava com o acusado “e que o vínculo foi estabelecido unicamente pelos policiais envolvidos.” Lembrando que caberia ao Judiciário permitir que os acusados questionassem a veracidade das denúncias que enfrentam, o advogado conclui: “em um cenário generalizado de POUCAS PROVAS (as maiúsculas são minhas), muitas vezes o que fica é a palavra do policial contra a do acusado.” A partir de uma pesquisa com apoio da Pastoral Carcerária, descobre-se que o Ministério Público, que deveria “exibir a produção de provas mais robustas antes de levar os casos a Justiça,” agrava o enquadramento de 30% dos casos no momento da denúncia.

Esse desempenho deveria inspirar uma postura de cautela contra a possibilidade de erros e injustiças. A frase (“ninguém é inocente até que se prove o contrário”) não é um adorno sem valor, mas um princípio a ser respeitado e defendido, especialmente em horas difíceis.

Mas essa hipótese é ruim para os ratos.

Impede o espetáculo, a caça fácil de votos com holofotes garantidos para os leões da moralidade, o bota-tira óculos. Essencia dos valores democráticos, é um obstáculo concreto ao fascismo.

Um dos mais enigmáticos episódios do início do século XX consiste na ascenção do movimento fascista na Italia. Em apenas três anos, Benito Mussolini deixou a condição de candidato derrotado a uma cadeira de deputado — teve apenas 5000 votos — para ser encarregado pelo Rei Vitório Emanoel de formar um novo governo. Depois de liderar um movimento de massas que promovia ataques terroristas contra organizações operárias, fechava jornais, atacava sindicatos e forçava renúncias de prefeitos socialistas com ameaças de morte, Mussolini construiu uma ditadura que durou 20 anos.

Durante sua escalada rumo ao poder, o gabinete ministerial, de base parlamentar, formado por partidos liberais e lideranças católicas, chegou a debater uma proposta de criar leis duras e específicas contra crimes dessa natureza, que incluiam o recolhimento de armas, mas a maioria dos ministros rejeitou o projeto. Não gostavam do fascismo, mas não queriam confrontar-se com um movimento que lhe prestava um favor inestimável.

Os homens de negócio davam respaldo a Mussolini por uma razão elementar: “as forças organizativas e as afirmações do fascismo criaram um clima de resistência às teorias bolcheviques,” registrou Ettore Conti, um dos grandes empresários do país.

Para o historiador Emilio Gentile, autor de “El fascismo y la marcha sobre Roma”, a razão desse comportamento omisso diante de uma ameaça evidente a democracia é fácil de entender: “a favor da ascensão do fascismo contribuia a atitude de todos os principais expoentes da classe dirigente, isto é, os ex-chefes de gabinete e o chefe do Exército: todos excluíam o uso da força legítima do Estado para combater e reprimir a força ilegal do fascismo, temendo que a repressão devolvesse vigor aos revolucionários sociocomunistas.”

A questão era essa, portanto. Auto-nomeado “vento purificador” da política italiana, Mussolini fez da destruição do Partido Socialista seu grande objetivo estratégico.

Capaz de eleger a principal bancada do parlamento italiano em 1919, o PS não dirigia a Italia mas governava cidades e regiões inteiras do país, onde o empresariado era obrigado a conviver com conquistas e melhorias impensáveis até pouco antes. Em Turim, formaram-se conselhos de fábrica que impunham a co-gestão das empresas. Mussolini combatia o PS e desprezava as regras democráticas dizendo que a Câmara lhe provocava “asco, muito asco.”

Um de seus aliados afirmou que “é hora de terminar com as patranhas propagadas pelo governo e com as medidas adotadas por essa canalha, massa de porcos, de corruptos, que pensam que nos governam.”

Na CPI, em 2015, foi possível entender as semelhanças entre os dois países em momentos diferentes de sua história.

A cena ocorreu quando, um pouco antes de retirar-se, o deputado Carlos Sampaio disse a João Vaccari: “O senhor tem tudo para ser preso e o PT para ser extinto.”

Era uma frase que nenhum integrante do baixo clero poderia pronunciar.

Paulo Moreira Leite
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