10 de abr de 2015

Roedores no Congresso


A semana termina em tom de pacificação. Na sexta-feira (10/4), os principais diários brasileiros acomodam melhor o noticiário sobre a crise política, registrando as primeiras ações do presidente do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, no seu novo papel de mediador entre as várias correntes que formam a base aliada do governo no Congresso Nacional. Por outro lado, o noticiário se aprofunda na proposta de novas regras para contratações de funcionários terceirizados e há um desvio sutil no escândalo da Petrobras.

Pode-se perceber certo descompasso entre o que descrevem os textos internos, e em especial algumas notas curtas, e o que alardeiam as manchetes. A impressão que se dá ao leitor mais crítico, que busca as entrelinhas e tem o cuidado de vasculhar detalhes no pé das reportagens e entrevistas, é de que há um jornal das primeiras páginas, feito para impressionar quem passa rapidamente diante das bancas e quiosques, e outro jornal nas páginas internas — feito para preservar o que resta de credibilidade da imprensa.

Alguns articulistas se apressam em opinar que a nomeação de Michel Temer como negociador entre o Congresso e o Planalto reduz o papel da presidente da República, mas outros analistas entendem que essa iniciativa começa a tirar a chefe do Executivo da armadilha criada pelos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Renan Calheiros e Eduardo Cunha.

Calheiros, veterano de outras crises, dá sinais de que irá colaborar com Temer para reduzir as tensões. Resta observar o que fará o presidente da Câmara.

Eduardo Cunha já comentou que apoiará as ações de Temer, mas espera o resultado das manifestações de domingo (12/4) para decidir se continuará com sua tática de enfrentamento. Por enquanto, ele tem tido um respaldo quase envergonhado da imprensa, mas os jornalistas que cobrem a capital federal não compram seu discurso sobre a independência do Legislativo, de olho em suas relações com grupos religiosos conservadores.

Nova versão

Para conhecer o perfil de Cunha, é interessante identificar o rol de seus principais interesses. No registro.br, o catálogo do sistema brasileiro de administração da internet, se pode constatar que ele controla alguns domínios dedicados à exploração comercial da religião: fenacompra.net.br, compradecrente.com.br, crentecompra.com.br, fenodesconto.net.br, são alguns dos seus projetos (acessar copiando o link: registro.br/cgi-bin/whois/?qr=504.479.717-00&). Como se pode observar, o presidente da Câmara parece comprometido com uma agenda que contraria a norma constitucional do Estado laico.

Sobre o escândalo da Petrobras, outro tema de destaque na agenda pública, os três jornais mais influentes dizem, nas manchetes, que o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto, negou diante da Comissão Parlamentar de Inquérito ter recebido propina originária da estatal e calculam em até R$ 6 bilhões o total que teria sido desviado da empresa. Mas na Folha de S. Paulo há uma reportagem, também destacada na primeira página, informando que um dos principais delatores do escândalo, o ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa, mudou seu depoimento na quinta-feira (9/4), e agora diz que não houve superfaturamento nas obras que estão sendo investigadas.

Nas notas curtas e nas entrelinhas, o leitor atento vai observar que a defesa do tesoureiro do PT manda um sinal para os demais partidos, lembrando que muitos que se alinham entre os acusadores também tiveram campanhas eleitorais financiadas pelas grandes empreiteiras acusadas de participar de negociatas na Petrobras.

Por outro lado, fica evidente que a petição enviada pelo delator à Justiça, mudando seu depoimento, tem o dedo das empreiteiras: se for aceita a nova versão, de que não houve sobrepreço, os executivos e empresários que são apontados como corruptores têm grandes chances de escapar da prisão.

Então, ficamos assim: empreiteiras que têm negócios bilionários com a Petrobras fizeram doações a partidos políticos em geral, inclusive aos que perderam a eleição presidencial. O delator mais prestigiado pela imprensa diz que elas não tiraram essas doações de obras e serviços superfaturados — segundo essa nova versão, o dinheiro saiu dos lucros das empresas, que sacrificaram seus ganhos para financiar o jogo democrático.

Talvez a melhor síntese desse contexto seja a charge publicada na página 2 da Folha, retratando o episódio em que um funcionário da Câmara soltou cinco roedores na sala onde acontecia a reunião da CPI da Petrobras: no desenho, um roedor, perdido entre as pernas dos parlamentares, se apalpa e diz: “Minha carteira!”


Luciano Martins Costa
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A entrevista de Tarso Genro



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Parentes cobram na Assembleia gaúcha punição a deputado fundador do MBL

O deputado é um dos fundadores do MBL, o Movimento Brasil Livre
Bom pessoal, acredito que todos saibam que o [deputado estadual do PP] MARCEL VAN HATTEN atropelou e meu pai veio a falecer…

Pois então, já se passaram 9 anos… e ontem 08/04/15, fomos à Assembleia Legislativa do RS, pois o deputado não respondeu a processo criminal, o processo ficou 5 anos na delegacia de Ivoti sem serem chamadas testemunhas, perícia e etc.

E, claro, após 5 anos prescreveu.

Não foi divulgada à juíza a morte de meu pai, foi dada como lesão leve.

Abaixo os documentos com os quais formalizamos denúncia à Comissão de Direitos Humanos, passamos estes documentos a todos os deputados das comissões, Manuela D’Ávila, Miriam Marroni, Jorge Pozzobom, missionário Volnei, bombeiro Bianchini, Ronaldo Santini, Pedro Ruas e Jeferson Fernandes.

Por favor repassem, queremos resposta de o porque ele não respondeu, por ser importante, uma pessoa pública?

Queremos resposta, queremos justiça.

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Danny Wiest
No Viomundo
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Impeachment, golpe de Estado e ditadura de 'mercado'

O impeachment é o golpe de Estado do 'mercado', das classes privilegiadas que temem o progresso e os resultados da democracia.

O impeachment é a tentativa de anular, por via legislativa, pelo voto de 513 deputados e 81 senadores, os resultados das eleições de novembro de 2014 que refletiram a vontade da maioria do povo brasileiro ao reeleger a Presidenta Dilma Rousseff, por 53 milhões de votos.

Desde 2003, as televisões, em especial a TV Globo; os maiores jornais, como o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e o Globo; e as principais revistas, quais sejam a Veja, Isto É e Época, se empenham em uma campanha sistemática para desmoralizar o Partido dos Trabalhadores e os partidos progressistas e para tentar “provar” a ineficiência, o descalabro e a corrupção dos Governos do PT, inclusive de seus programas sociais, que retiraram 40 milhões de brasileiros da miséria e da pobreza.

Agora, com a ajuda de membros do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, os meios de comunicação, tendo seu candidato perdido as eleições, tentam criar um clima político e de opinião que venha a derrubar ou imobilizar a Presidenta e, assim, anular a vontade da maioria do povo brasileiro.

Fazem isto divulgando dia a dia as declarações de delatores, criminosos confessos, e de procuradores, policiais e juízes que as “vazam”, seletivamente, para os meios de comunicação, cometendo notória ilegalidade, e publicando notícias sobre o extraordinário descalabro e corrupção em que viveria o país.

Diante da instabilidade política gerada por esta campanha, a Presidenta Dilma, com o objetivo de conter as manobras golpistas (recontagem de votos, acusações de fraude, ameaças diversas, etc.) e de apaziguar o “mercado”, anunciou um programa de austeridade, de equilíbrio orçamentário, de contração de gastos do Estado, de redução de investimentos, na esperança de conquistar a “confiança dos investidores”, seu principal objetivo, e de “acalmar” seus opositores políticos.

É preciso notar que o “mercado” não é uma entidade da sociedade civil, mas sim, na realidade, um ínfimo grupo de multimilionários, investidores, especuladores e rentistas, e seus “funcionários”, quais sejam os chamados economistas-chefe de bancos e fundos, os jornalistas e articulistas de economia, e seus associados no exterior.

Há economistas e jornalistas que são notável exceção a esta afirmação, mas são eles pequena minoria.

Quando foi apresentado o programa de ajuste, declarou-se, com ênfase, que ele não iria afetar as conquistas dos trabalhadores (a legislação sobre horário de trabalho, férias, aposentadoria, seguro desemprego etc.), nem os programas sociais, mas que iria ele equilibrar o orçamento através do contingenciamento, da contenção de despesas e do aumento de impostos, com o objetivo de fazer um superávit primário que permitisse pagar os juros da dívida pública e conquistar a “confiança do mercado, a confiança dos investidores”.

Conquistar a “confiança dos investidores” significa fazer com que tomem a decisão de realizar investimentos (para obter lucros) e assim ampliar a capacidade instalada, gerar empregos, condição para a retomada do desenvolvimento.

A “confiança dos investidores”, todavia, tem a ver com a expansão da demanda, pois só com essa expansão (sustentada) podem surgir oportunidades de investimentos lucrativos.

A construção de “confiança” e a realização de investimentos são improváveis em uma conjuntura em que se elevam os juros dos títulos públicos e das aplicações financeiras para torná-los os mais altos do mundo, o que atrai os capitais para o setor financeiro, especulativo ou rentista, e os afasta do setor produtivo e, portanto, dos investimentos.

Outros fatores que afetam negativamente a “confiança” dos investidores são a competição predatória e destrutiva das importações; taxas cambiais inadequadas; a redução dos investimentos públicos em infraestrutura; o aumento das taxas de juros dos financiamentos de longo prazo do BNDES; a redução da demanda e o aumento do desemprego (que alguns esperam poderia criar as condições políticas para um clima favorável ao impeachment) devido à redução da atividade econômica.

Há um mantra, repetido sem cessar, sobre competitividade e produtividade, entoado por muitas autoridades públicas, acadêmicos, jornalistas “especializados”, economistas-chefe de consultoras, de empresas, de bancos, que são, na realidade, empregados do “mercado”.

Segundo esses “especialistas”, a solução dos problemas internos, isto é a retomada do crescimento, e o afastamento para longe da crise externa latente e cada vez mais ameaçadora, dependeriam não somente da “confiança dos investidores” nas também do aumento da produtividade (isto é, da produção por trabalhador) e do aumento da competitividade das empresas brasileiras diante das chinesas, americanas e europeias, e da redução do “Custo Brasil”.

No caso da produtividade, alguns afirmam que seu aumento resultaria de um grande investimento sustentado em educação, como teriam, segundo argumentam, feito os países desenvolvidos, tais como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Coréia e que teria sido, segundo eles, uma razão importante, e talvez a principal, para explicar o seu desenvolvimento.

Os paladinos da educação defendem a educação primária geral, a atenção especial à primeira infância, a inclusão de todas as crianças e jovens (e os adultos?) no sistema. Não se fala muito na preparação de professores nem no horário integral nem nos efeitos, negativos, da televisão e da internet sobre o sistema de ensino em seu cerne, que é o tempo dedicado aos estudos pelos jovens. Pode-se perguntar quando estes brasileiros, hoje infantes e jovens, entrariam no mercado de trabalho para tornar a mão de obra mais produtiva e o Brasil mais competitivo: daqui a 10 anos? Daqui a 15? E até lá?

Outros argumentam que os “custos do trabalho” (parte do “Custo Brasil”) seriam muito elevados (em comparação com os “custos” em que países? Na China? Nos Estados Unidos? Na Alemanha?) e que, portanto, seria necessário reduzir esses “custos”, impedindo aumentos “artificiais” do salário mínimo (já que não haveria escassez de mão de obra), reduzindo os benefícios da legislação trabalhista, estimulando a rotatividade da mão de obra, etc.

Quanto ao “Custo Brasil”, argumentam com os altos custos de transporte e de energia, com a carga tributária elevada, com a multiplicidade de impostos, com a burocracia “infernal”.

Reclamam, também, da intervenção “excessiva” do Estado (empresas estatais e regulamentação) e pedem, ainda que até agora apenas insinuem, a privatização dessas empresas e a “desburocratização”, isto é, menos lei e mais liberdade para o capital.

Segundo os defensores do programa de austeridade, em decorrência do aumento da produtividade interna, a competitividade internacional seria alcançada, com todas as suas vantagens, tais como um superávit comercial estável, a diversificação dos mercados e o aumento das exportações de manufaturados.

Assim, a crise atual seria superada. Todavia, a verdade é outra.

A crise atual, em parte verdadeira e em parte fabricada, decorre da revolta conservadora devido ao fato de a Presidenta Dilma ter cometido dois “pecados mortais” à luz dos interesses do “mercado”, isto é, daqueles indivíduos beneficiários da concentração de riqueza, de renda e de poder político no Brasil, que são os grandes multimilionários, os latifundiários rurais e urbanos, os rentistas, os banqueiros, e seus representantes na mídia, no Congresso, no Judiciário.

O primeiro “pecado” foi a política de redução, ainda que temporária, das taxas de juros; o segundo “pecado” foi o apoio, ainda que tímido, à democratização dos meios de comunicação.

O sistema financeiro e bancário é o principal instrumento de concentração de riqueza no Brasil. Ao reduzir as taxas de juros dos bancos públicos e ao forçar a redução dos juros dos bancos privados (que foi logo compensada pelo aumento das “taxas” de administração) a Presidenta diminuiu a transferência de riqueza da sociedade e do Estado para os bancos privados, seus acionistas e os detentores de títulos públicos. A Presidenta atingiu o cerne do mecanismo de concentração do sistema econômico e provocou a ira dos setores conservadores que hoje pedem a privatização dos bancos públicos.

O sistema de comunicações no Brasil é o instrumento das classes dominantes para construir o imaginário do povo, para manipular as informações e para justificar o sistema econômico e social vigente e desmoralizar aqueles que lutam por mais igualdade, mais liberdade, mais fraternidade e pelos direitos das minorias, em um contexto de desenvolvimento.

A concentração do poder midiático “condena” os que ele acusa ao difundir e repetir incansavelmente “informações” antes de julgamentos e transformou o mensalão em julgamento prévio contra o qual não soube resistir o STF ao aceitar a conduta imprópria de seu Presidente da época e a campanha de imprensa.

O mesmo ocorre com a operação Lava Jato. Não há nenhuma iniciativa do Poder Judiciário para impedir a formação de uma opinião pública contra os acusados, gerada pelas denúncias, sem provas, feitas por criminosos confessos que denunciam a torto e a direito quando, no caso dos procedimentos de delação premiada, as investigações deveriam ser feitas sob o maior sigilo, já que se trata de denúncias feitas por criminosos em busca de vantagens pessoais. A mídia transformou o pedido da Procuradoria Geral da República de investigar determinados indivíduos em prova de sua culpa. Aqueles indivíduos, políticos ou não, que vierem a ser investigados e julgados culpados devem ser punidos com rigor, mas a imprensa não pode substituir o Poder Judiciário nem constrânge-lo, por motivos puramente políticos.

Ao ameaçar aqueles dois fundamentos da ordem conservadora, o sistema financeiro e a mídia, a Presidenta Dilma se tornou “culpada” e a oposição insiste, ainda veladamente, em que deve ser punida pela destituição do cargo por um processo de impeachment.

Seria importante que o Governo compreendesse que o que está de fato ocorrendo é uma manobra política cujos objetivos são pela ordem:

— fazer o Governo adotar o programa econômico e social do “mercado”, isto é, da minoria multimilionária e de seus “associados” externos;

— ocupar os cargos da administração pública (Ministérios, Secretarias executivas, agências reguladoras) com representantes do “mercado”;

— enfraquecer política e economicamente o Governo;

— enfraquecer o PT e os partidos progressistas com vistas a 2018;

— aprovar leis de interesse do “mercado”;

— e, se nada disso ocorrer, fazer o Governo “sangrar” e aí, então, se necessário e possível, exigir o impeachment da Presidenta.

Contra esta enorme e múltipla ofensiva econômica, midiática e política do “mercado”, de seus “funcionários” e representantes somente há uma estratégia possível: a ação política intensa junto aos movimentos populares, junto às organizações da sociedade civil, junto ao Congresso, junto à Administração Pública e aos Governadores, enfim, a mobilização da sociedade pelo seu esclarecimento para a defesa da democracia em toda sua integridade.

É indispensável que, na distribuição de suas verbas de publicidade, o Governo leve em consideração a existência de televisões comunitárias, universitárias, educativas, de rádios comunitárias, de blogs e sites, e dos pequenos e médios jornais e emissoras regionais e deixe de concentrar a distribuição de verbas e anúncios apenas na grande mídia, o que fortalece os oligolipólios que atuam de forma ostensivamente partidária e contra a maioria do povo, estimulando antagonismos violentos e radicalizando a sociedade.

As manifestações populares contra o Governo e contra a Presidenta Dilma têm reunido cidadãos que, em sua maioria, votaram contra a reeleição da Presidenta em 2014.

Hoje, insuflados pela mídia e por organizações de identificação e origem nebulosa, através das redes sociais, inconformados com a derrota e a pretexto da denúncia de corrupção, iniciam o processo político de “Fora Dilma”, que é, de fato, uma campanha pró-impeachment.

O impeachment é o golpe de Estado do “mercado”. Aqueles que defendem hoje o impeachment e criam o clima de instabilidade e de radicalização são os mesmos golpistas históricos de 1954 e de 1964: as classes privilegiadas que temem o progresso e os resultados da democracia e não os aceitam, apesar de ter o Brasil uma concentração de renda que se encontra entre as dez piores do mundo, enquanto seu PIB é um dos dez maiores do mundo, e de ser urgente deter o processo de concentração de renda (que a crise acentua) para que seja possível construir uma sociedade mais justa, mais democrática, mais próspera, mais estável.

Para que este objetivo possa ser alcançado, é preciso que a sociedade brasileira não se submeta à ditadura do “mercado”, cujos integrantes tem sido os grandes beneficiários da crise, que se iniciou em 2008 e não apresenta sinais sólidos de fim.

Samuel Pinheiro Guimarães
No Carta Maior
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Dilma defende acordo Mercosul-União Europeia e maior abertura comercial nas Américas

“Nós estamos prontos para esse acordo”, disse a presidenta Dilma Rousseff sobre parceria entre Mercosul e
União Europeia.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (10), durante o Foro Empresarial das Américas, que o Brasil está pronto para fazer um acordo, dentro do Mercosul, com a União Europeia. E defendeu uma maior integração econômica regional, “com maior abertura comercial e, também, uma abertura grande aos investimentos inter-regionais”. O Foro é parte da programação da 7ª Cúpula das Américas, que está sendo realizada na cidade do Panamá.

O Brasil, dentro do Mercosul, tem hoje um claro compromisso para fazer um acordo dentro do Mercosul com a União Europeia. Nós estamos prontos para esse acordo”, disse. Ela lembrou também a importância das relações com os Estados Unidos. “Recentemente, assinamos um memorando de entendimento entre o Ministério do Desenvolvimento brasileiro e o Departamento de Comércio americano, que eu considero muito importante, porque vai facilitar o comércio e fazer com que o nosso Portal Único de Exportações dialogue com a Single Window, do sistema de comércio dos Estados Unidos”.

A presidenta cumprimentou também o presidente do México Peña Nieto, pela renovação do acordo automotivo com o Brasil. “Considero que todas essas iniciativas, elas contribuem para que nós tenhamos um horizonte de crescimento maior”.



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No projeto da terceirização mídia segue a tática de criar o fato consumado


Aprovado o texto principal da terceirização do jeito e nos termos que queriam a FIESP, as confederações nacionais da Agricultura (CNA) e da Indústria (CNI) e outras entidades conservadoras que defendiam a medida, nossa grande mídia esqueceu o assunto. Tem um espaço muito menor, mínimo mesmo, na imprensa hoje. É a forma deles, jornalões e interessados, tornar a votação no Congresso (anteontem) como ato consumado.

Quando não é de fato. Falta a votação, que em princípio pode ocorrer semana que vem, de destaques e emendas que podem manter o texto principal, melhorá-lo ou piorá-lo, sabe-se lá… Mas, ao mesmo tempo que esconde,  a mídia em dois editoriais em jornalões hoje elogia a aprovação — sempre na linha do fato consumado.

Em seu editorial principal, O Globo comemora a aprovação. A Folha vai na mesma linha e em seu primeiro editorial, considera que a terceirização “representa um avanço para o mercado de trabalho brasileiro”. Nessa tática da mídia de esconder o fato para torná-lo consumado, apenas o Valor ainda dá manchete para o tema hoje: “Lei da terceirização não evita litígios na Justiça”.

Essa reportagem do Valor, ouvindo especialistas, prevê que a aprovação da lei não colocará um fim no grande número de ações trabalhistas contra a prática da terceirização. “Permanece a possibilidade de interpretação da CLT pela Justiça trabalhista e também por conta do próprio texto da lei 4.330/04, parcialmente aprovada”, diz o jornal econômico paulista.

Salvo essa reportagem do Valor, que apenas levanta um problema, o restante da mídia não dá espaço nenhum para a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG)  e demais confederações e federações de trabalhadores, para a CUT, outras centrais sindicais, MST, MTST e organizações populares contrárias ao projeto exporem suas posições, apontarem as razões pelas quais são contra a medida. A CONTAG, por exemplo, tem advertido que o trabalho escravo está associado à terceirização.

Mas, não adianta. Espaço para as posições dos trabalhadores na mídia, nenhum. Nem agora, nem antes.

No Blog do Zé
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Aula de ódio


Eu fui aluno da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), entre 1982 e 1984, nos últimos anos da ditadura militar.

A Epcar fica em Barbacena (MG). A escola era, como ainda é, um internato para rapazes e um centro de excelência de ensino médio (na época, segundo grau), por onde se entrava por meio de um vestibular dificílimo, disputado por jovens de todo o Brasil.

Explica-se a procura: ensino gratuito, soldo mensal, alimentação (ruim), livros (ótimos) e, para 99% dos meninos que por lá se aventuram, quase todos oriundos de classes sociais baixas, uma chance real de ascensão social.

A Epcar é apelidada de “nascente do poder aéreo”, uma dessas expressões pomposas bem ao gosto dos militares brasileiros, porque é a porta de entrada para a Academia da Força Aérea (AFA), situada em Pirassununga (SP) — esta, por sua vez, chamada de “ninho das águias”, onde se formam os oficiais da Força Aérea Brasileira.

Quando passei por lá, nos estertores da ditadura, havia uma esquizofrenia doutrinária em curso, porque Leonel Brizola havia sido eleito governador do Rio, em 1982.

Os oficiais, suboficiais e sargentos que cuidavam de nossa instrução militar, perdidos nos acontecimentos, vociferavam anticomunismo nas nossas orelhas — particularmente nas minhas, que eram (ainda são) enormes.

Em 1983, no segundo ano da escola, fomos apresentados ao tenente Fagundes, talvez a figura anticomunista mais caricata que conheci na vida — e olha que, como jornalista, conheci muita gente apaixonada pela “revolução” de 1964. Mas igual a “Fagundão”, como o chamávamos, nunca houve.

Baixinho, loiro, branco como uma cera e com as bochechas sempre rosadas pelo frio glacial de Barbacena, Fagundão virava um gigante quando o assunto era comunismo. Uma vez, em uma reunião no alojamento, quando ele nos falava de como os comunistas eram cruéis e desumanos, caí na besteira de usar a palavra “revolta” para expressar minha decepção com algumas medidas que haviam sido tomadas em relação à rotina da escola.

Vermelho como uma pimenta, Fagundão, com o sotaque curitibano que gostava de ostentar, disparou: “Olhaê, Fortes (meu nome de guerra), o militar não fala ‘revolta’”. E me deixou preso o fim de semana, na escola.

Até deixar a Epcar, em fins de 1984, foi o histrionismo anticomunista de Fagundão que dominou a formação da minha turma, dali para pior, como se veria a seguir.

Contei tudo isso só para dizer uma coisa: mesmo naquele clima, com aulas de anticomunismo e guerra revolucionária, nunca ouvi de um único oficial, naquela época, qualquer apologia à tortura. Nunca.

Não que muitos não fossem coniventes e até apoiadores do método. Mas havia a consciência entre eles de que não era certo falar de choque elétrico, empalação, estupro, espancamento e assassinato para meninos entre 15 e 18 anos.

Agora, vejo, estarrecido (mas não surpreso), esse vídeo divulgado pela CartaCapital no qual alunos da Epcar, enquanto se exercitam, entoam cânticos de apologia à tortura.

Digo que não estou surpreso porque, nas últimas duas décadas, acompanhei razoavelmente de perto o processo de recrudescimento da doutrina fascista no discurso e na formação dos militares da FAB, sobretudo depois de reencontrar velhos camaradas de farda nas redes sociais.

Recentemente, deixei um grupo de WhatsApp de ex-alunos da turma de 1982 onde o nível aterrador de ódio anticomunista (travestido, agora, em antipetismo) só se comparava aos índices gerais de analfabetismo político. E estou falando de gente muito bem formada, coronéis da ativa e da reserva, muitos em cargos de relevância dentro e fora das Forças Armadas.

Minha impressão é que, finda a ditadura, os militares brasileiros, execrados genérica e injustamente como assassinos e torturadores, voltaram-se para um mundo particular, um gueto de quartéis, vilas e escolas de formação.

Esquecidos, ficaram remoendo mágoas sem interferência real de nenhum dos governos do período pós-1985, reverenciando seus heróis de 1964 e se comportando, até hoje, como se ainda fossem soldados da Guerra Fria.

Para não incomodá-los, nem serem incomodados por eles, os sucessivos governos, de lá para cá, foram totalmente omissos em relação à formação doutrinária dos militares. Não por outra razão, é possível encontrar tenentes de 23 anos com a mesma cabeça conservadora, reacionária e golpista desses velhos generais de pijama que ficam ruminando mágoas e demência no Clube Militar do Rio de Janeiro.

Quando ministro da Defesa, Nelson Jobim foi obrigado a abortar, mais de uma vez, comemorações pelo golpe de 31 de março de 1964 promovidos por generais, dentro dos quartéis. Também uma vez foi surpreendido ao saber que jovens oficiais do Exército, na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), haviam escolhido como patrono da turma o general Emílio Garrastazu Médici, o mais sanguinário dos ditadores de 1964.

Jobim como, aliás, até hoje, nenhum ministro da Defesa, desde que a pasta foi criada, em 1999, nunca atacou a origem do problema: as escolas de formação militar, inclusive os colégios militares, onde meninos e meninas ainda aprendem que o golpe foi uma “revolução”, e que a tortura e o assassinato de opositores foram excessos naturais a uma guerra onde estavam em jogo Deus, a família e a propriedade.

O fato é que, como nada foi feito, uma geração de militares envenena a outra com essa doutrina obsoleta — e patética — de anticomunismo roubada a velhas apostilas da Escola Superior de Guerra (esta, por si só, um anacronismo absurdo).

É preciso estancar esse processo cruel de envenenamento ideológico a partir de uma intervenção direta nos currículos escolares dessas escolas, acompanhado de uma revisão geral sobre a instrução militar. É uma missão importante e fundamental, hoje, nas mãos do ministro Jaques Wagner.

Isso porque não é possível que, na segunda década do século XXI, o Brasil ainda tenha que conviver o ranço fascista deixado de herança por uma ditadura de torturadores e assassinos.

Muito menos em escolas federais sustentadas pelo contribuinte.



Leandro Fortes
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"Folha" inicia demissões que podem atingir 50 jornalistas; suplementos serão encerrados


Desde a última quinta-feira (9/4), a Folha de S.Paulo iniciou o corte de profissionais na redação. Na semana passada, o jornal Agora São Paulo, pertencente ao mesmo grupo, já havia demitido sete funcionários. A empresa alega diminuição da verba publicitária como motivo para a redução do quadro de trabalhadores.

O Portal Imprensa apurou que Diógenes Campanha, da Agência Folha; Rodrigo Machado e Bia Bittencourt, da TV Folha; e Paulo Peixoto, correspondente em Belo Horizonte (MG); Luisa Alcântara, editora de "Turismo", e  Giovanna Balogh, de "Cotidiano", estão na lista de demitidos.

A previsão é que cerca de 50 profissionais sejam cortados. Até o momento, sabe-se que o jornal pretende demitir seis profissionais do banco de dados, dois jornalistas de "Cotidiano", quatro repórteres do caderno de "Esporte", dois do Folhapress e um de "Mercado".

Mudanças estruturais

Além da diminuição do quadro de funcionários, a Folha também fará mudanças estruturais no jornal. A partir de agora, todos os suplementos serão descontinuados e incorporados a outros cadernos, com exceção de "Turismo". Por exemplo, o suplemento de "Ciência" terá espaço em "Cotidiano".

Com esta alteração, os suplementos continuam como páginas em seus respectivos dias, mas feitos por uma editora unificada, que agregará todos os repórteres que sobreviverão ao corte. Eles serão comandados pela jornalista Laura Mattos, que era editora da "Folhinha".

Procurada, a secretaria de redação do jornal ainda não comentou os cortes e as mudanças estruturais do diário.
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'Família Sarney pagava de um lado e recebia de outro'


Quando o Maranhão completa 100 dias sem os Sarney, governador Flávio Dino dá uma entrevista exclusiva ao 247 e fala sobre esquemas no estado

Aos 47 anos de idade, o governador Flavio Dino, do Maranhão, foi um dos heróis estaduais do pleito de 2014. Não só conseguiu derrotar a família Sarney em domínios de estilo coronelismo feudal num dos mais pobres estados brasileiros, mas também foi o primeiro candidato filiado abertamente a um Partido Comunista a assumir um governo de Estado. Dias antes da passagem dos primeiros 100 dias sem José Sarney, figura que dominou a política do Maranhão de forma absoluta a partir de 1965, quando se tornou governador de Estado — três anos antes do próprio Flavio Dino nascer —, ele recebeu o 247 para a entrevista que você pode ler abaixo.

Líder estudantil na faculdade de Direito em São Luiz, juiz federal por 14 anos, dedicado à politica há apenas oito, Flávio Dino fala sobre José Sarney e a herança deixada pelo governo de sua filha, Roseana, que incluía uma reserva de R$ 24 milhões em caixa contra uma dívida de R$ 1 bilhão. Ele denuncia que as empresas de comunicação da família Sarney recebiam 78% de toda a publicidade legal do Estado: “eles pagavam de um lado e recebiam de outro.” Flavio Dino também fala do rumo de seu governo, definindo-se como um heteretodoxo, que está redirecionando gastos “para qualificar o serviço público” e responder a demanda popular por um Estado com serviços de qualidade. Aliado leal do governo Dilma Rousseff, acha que o ajuste economico precisa ser aprimorado com medidas dirigida aos ganhos dos mais ricos, como o imposto sobre grandes fortunas. “Sem essas medidas, o ajuste ficou desbalanceado, gerando um mal estar entre quem votou em Dilma no segundo turno,” diz. Examinando a situação atual, o governador se diz preocupado em fazer o possível para impedir uma “recessão, que pode levar a uma depreciação da base de sustentação do governo.” Sua entrevista:

— Como o Maranhão atravessou os primeiros 100 dias sem a família Sarney?

— Eu acho que a população está percebendo que não vamos fazer milagres — nem prometemos isso — mas que estamos caminhando para cumprir o programa de governo. Costumo dizer que há uma dualidade no Maranhão: um governo de poucos para poucos e um governo de todos para todos. Essa é a mudança que precisamos fazer, avançando uma política de universalisação de direitos. O legado nefasto do sarneysismo foi uma política de proteção para amigos, para famílias de amigos e para eles próprios.

— O senhor venceu as eleições com uma frente que incluiu todos adversários da família Sarney. É possível governar com tanta gente?

— Temos um governo formado por dez partidos. Meu vice é do PSDB, que tem duas secretarias. O PT, que não assumiu minha campanha abertamente, mas também não fez campanha para o Sarney, também tem duas secretarias. O convívio entre todos é bom, são aliados e até amigos. É claro que existe a questão federal, na qual nem todos estão de acordo mas o desmonte do padrão oligárquico acaba tendo prioridade.

— Como esse padrão oligárquico se traduz na vida de cada dia?

— Vou dar um exemplo a partir dos gastos de publicidade do governo de Estado. Se você pegar os gastos de publicidade legal, que são aqueles pequenos anúncios publicados nos jornais, com editais, concursos, e outros atos oficiais, descobre que 78% eram dirigidos para empresas da família Sarney.

— Setenta e oito por cento?

— Sim. Estou falando de um caso. Eles pagavam de um lado e recebiam do outro. As obras públicas eram dirigidas para empresas protegidas. Concurso público era uma raridade. Tudo era terceirizado, dirigido para empresas próximas. Há também um exemplo na área de saúde. Eles gastaram R$ 800 milhões com uma Ocipe e uma OS contratadas sem concurso. Nós resolvemos fazer licitações, divulgada em jornais do país inteiro. Apareceram 40 interessados. Agora, ficaram sete na disputa. Eles esperneiam, dizem que nosso edital tem defeitos. Mas não fizeram nem isso.

— Na prática, o que o seu governo tem feito contra essa herança?

— Uma medida importante envolve a transparência. No Maranhão, isso é até mais importante do que em outros lugares. No governo passado, o Portal da Transparência tinha um filtro que só liberava 40% dos dados. Criamos uma Secretaria da Transparência, fizemos uma Lei Estadual aprovada pela Assembléia e hoje o cidadão pode acessar tudo.

— Tudo?

— Tudo. Também cortamos gastos suntuosos. Eu, por exemplo, não viajo de avião particular, mas em vôos comerciais.

— Essa medida é importante, sem dúvida, mas costuma ter um valor mais simbólico do que efetivo.

— As despesas com aluguel de aviões e helicópteros chegavam a R$ 15 milhões por ano. Não é pouca coisa. Também cortamos terceirizações, que comprometiam grande parte das despesas do Estado. A administração da penitenciária de Pedrinhas (alvo de diversos escândalos recentes) custava R$ 10 milhões por ano. Cortamos. O Detran também era terceirizado, custando mais de dez milhões de reais por ano.

— Ao tomar posse com tantas perspectivas de mudança, não havia o risco de paralisar o Estado?

— Nosso primeiro cuidado foi evitar um apagão. Recebemos um estado com uma dívida de R$1 bilhão e apenas R$ 24 milhões em caixa. Tivemos que reescalonar tudo. Estávamos preocupados com o risco de sabotagem e boicote, o que sofri, apesar de tudo. Precisamos até aprovar uma lei definindo um padrão de transição republicana. Contratamos auditores, para elevar os controles do Estado. Além disso, temos tomado algumas medidas emergenciais. Nosso foco principal foi Educação: contratamos 1 000 professores e fizemos promoções na carreira, que estavam represadas há muito tempo. Demos um aumento de 15% nos salários e decidimos começar um programa de campanha, a Escola Digna. São escolas municipais, de taipa, palha e barro, que serão reformadas com ajuda do governo estadual. Mas também fizemos um investimento em segurança, para contratar mais 1 000 policais, através de um concurso que está na fase final. Estamos começando a investir nos 35 municípios de IDH mais baixo do Estado, no ensino profissionalizante. No fim do ano, pagaremos o Bolsa Família-Escola, que será uma espécie do 13º do Bolsa Família.

— Como se poderia definir os rumos do governo?

— Estamos redirecionando gastos. Nossa grande obra será a qualificação do serviço público.

— Como o senhor está fazendo isso?

— Em grande parte, estamos tirando recursos de um custeio que não fazia sentido, como aqueles casos que mencionei, para investir na melhoria do serviço público. Também é custeio, mas na direção acertada. Essa é a resposta para um problema que, de uma forma ou de outra, aparece no país inteiro, mas que talvez seja mais agudo no Maranhão. Estamos falando daquilo que o (prefeito de São Paulo Fernando) Haddad chamou do universo que fica da porta da rua para fora. Dentro de casa, a vida dos brasileiros melhorou muito. Mas do lado de fora, quase nada funciona. Você não universaliza direitos apenas construindo prédios, comprando equipamentos. Precisa de gente que saiba fazer seu serviço, que não sacrifique a população, como sempre acontece.

— Esse visão não é o muito comum nos manuais de administração pública…

— Estamos fazendo, explícitamente, uma política heterodoxa.

— Por que?

— A visão convencional diz que você não pode tirar recursos do investimento para o custeio. E nós estamos fazendo isso. Queremos criar condições para atender a demanda da população. Se queremos bons professores, temos de ter bons salários. Além de redirecionar gastos, vamos atingir um pouco os investimentos, para garantir essa melhora no serviço público.

— Qual é a equação?

— Nosso orçamento tem uma previsão de aproximadamente R$ 300 milhões em recursos próprios para investimentos. Creio que vamos fazer a metade disso para poder direcionar mais dinheiro para outras prioridades. Tem uma lógica política aí, pois vamos atender a maioria da população. Por outro lado, também podemos obter recursos, inclusive empréstimos externos, que podem compensar esse redirecionamento.

— No plano federal, como o senhor avalia as denúncias da Operação Lava Jato?

— Nesse ponto, vivemos um paradoxo. O ministério público e de certa maneira o Supremo Tribunal Federal só conquistaram uma situação de independencia no governo Lula e no governo Dilma. Foram os dois que fizeram indicaçõese tiveram uma preocupação correta, que permitiu a realização de todas as grandes investigações. Antes disso, nada era investigado, tudo era engavetado e arquivado. Era o tempo do (Geraldo) Brindeiro. Mas isso não é percebido pela população, o que deixa o governo em situação de refém e mesmo de vítima de processo que ele mesmo criou. Eu acho que houve aí uma falha de comunicação. A independência institucional do Brasil não chegou de disco-voador nem é obra de um grupo de iluminados. É uma construção histórica, na qual os méritos cabem aos partidos de esquerda, que desde a Constituinte se mobilizaram nessa direção, embora isso não seja reconhecido.

— E o ajuste econômico do governo federal?

— Grande parte da deterioração da situação política vem do distanciamentro da base social que se mobilizou no segundo turno. Se era para fazer um ajuste fiscal, seria preciso acrescentar outros ingredientes, como imposto sobre grandes fortunas, a taxação progressiva das heranças, sem falar no setor financeiro, que continua com ganhos estratosféricos. Essas medidas não só fariam um ajuste melhor e mais consistente, do ponto de vista econômico, mas também dariam uma resposta política para a base do governo. A falta dessas medidas acabou corroendo o apoio político. O ajuste ficou desbalanceado, gerando uma situação mal resolvida junto as pessoas que votaram na Dilma.

— Como o senhor analisa o conjunto da economia?

— Estou preocupado com a dose do ajuste. Ao levantar os juros, o governo está aplicando um receituário classico para debelar a inflação. Uma recessão é terrível na Europa. Mas é muito mais do que terrível no Brasil. Na Europa, nos Estados Unidos, existem instituições que permitem a sociedade suportar uma recessão, ao menos por algum tempo — e nós estamos vendo na Grécia, na Espanha, até esse prazo está se esgotando. Mas no Brasil, país com carências muito grandes, será sempre muito pior. Então é preciso ter cuidado.

— Qual é o debate?

— Existe um debate histórico, que todos conhecem, sobre política economica. Uns perguntam o que é pior: conviver com inflação alta ou com desemprego alto? Sou da opinião de que, no Brasil, uma pequena inflação é mais suportável do que o desemprego alto. Mas tenho receio de que se crie uma visão hegemonica de que a inflação é o mal maior e que nós podemos conviver com uma recessão como se estivéssemos na Europa. Isso pode levar a uma depreciação muito grande da sustentação do governo. Nós vivemos uma situação de crise internacional, que já se reflete no Brasil e no meu Estado também. Uma das maiores empresas instaladas no Maranhão, a Alcoa, está desativando sua terceira e última linha de produção do alumínio. Não está fazendo isso em função de algum problema brasileiro. É um sinal do impacto da crise global, que não permite sustentar esse investimento em nosso país. O problema é que se no Brasil não tiver uma atividade interna para compensar essas perdas que vem de fora, poderemos avançar rapidamente para uma situação muito grave.

— O que está acontecendo no plano interno?

— Nos últimos meses, mudaram os fluxos de pagamento do Minha Casa, Minha Vida, e isso está levando empresários a suspender investimentos, ao menos em meu Estado. Quem contratava 500 trabalhadores agora contrata 100. Conversando com a presidente, ela me disse que é uma situação conjuntural, que estará normalizada até junho. Mas não é apenas isso. Vários governos estaduais — inclusive do Maranhão — tem tentado operações de crédito em organismos internacionais, como o Banco Mundial, que poderiam trazer investimentos ao país e garantir um certo nível de atividade. Mas elas estão parados em Brasília. O Maranhão está dentro do limite de endividamento, já tem um projeto aprovado, mas ele não é liberado sem aval federal. Estamos falando de investimentos grandes, importantes, mas que podem levar um ou dois anos para gerar os primeiros frutos — quando forem aprovados. Estamos numa situação que tem saída? Claro que tem. Mas precisamos compreender que o custo da governabilidade será cada vez mais alto quando a popularidade estiver baixa — e vice-versa. Por isso eu acredito que são três coisas que precisam ser feitas. As medidas do ajuste precisam ser complementadas para não passar a noção de que só um lado está pagando a conta. E explicar a atuação contra a corrupção. E é preciso ser cauteloso com o risco de uma recessão.

Paulo Moreira Leite
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A Vênus platinada e seu ovo de serpente


Privilegiadíssima pelo oligopólio midiático que lidera — e encorajada pelo acovardamento do partido que governa o país — a Rede Globo choca seus ovos de serpente

Em 2010, quando Maria Judi­th Brito, então presidente da Asso­ciação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S. Pau­lo, anunciou que a imprensa deveria assumir, de fato, “a posição oposi­cionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”, es­cancarou o ovo de serpente que es­tava sendo chocado.

O filme “O ovo da serpente”, do sueco Ingmar Bergman, produzido em 1977, retratou a Alemanha dos anos pós I Guerra Mundial, e cap­tou com magistral sutileza uma so­ciedade à beira do caos econômico e político, onde já era possível vis­lumbrar o réptil que estava sendo gerado: o nazismo.

Muitas das faixas carregadas na avenida paulista, na manifestação do dia 15 de março, se devem à es­sa partidarização da mídia brasi­leira. Sem as amarras da legislação que regem os partidos políticos, a mídia se sentiu livre para criminali­zar a política, de modo geral, e, es­pecificamente, destilar seu ódio de classe contra o partido que venceu as últimas quatro eleições presiden­ciais, o PT.

Até poucos anos atrás, era impen­sável imaginar que os setores retró­grados, minoritários e que sempre existiram, se atreveriam ir às ru­as carregando faixas com a suásti­ca nazista ou pedindo a volta da di­tadura militar. Sentiram-se encora­jados e incentivados por um único motivo: também fazem oposição ao atual governo federal.

Não se esconde mais a baba de ódio e de preconceito desses grupos fascistas. Os alvos preferidos são os esquerdistas, comunistas, os negros, os nordestinos, os petralhas, gayzis­tas, feministas, bolivarianos, chavis­tas etc. São alvos por causa da sua militância política e pela sua posição social, gênero e/ou raça.

Ver o senador tucano Aluísio Nu­nes, de honroso passado de lutas contra a ditadura militar, dizer com mórbido prazer que quer sangrar a presidenta da República é algo es­tarrecedor. Talvez, ele, com sua face crispada de ódio, sintetize o melhor retrato da transformação que vem ocorrendo em nossa sociedade.

Privilegiadíssima pelo oligopólio midiático que lidera — e encoraja­da pelo acovardamento do partido que governa o país — a Rede Globo choca seus ovos de serpente.

Have­rá a história de elucidar quem se­gurava a faca no pescoço do STF, durante o julgamento da Ação Pe­nal 470 — o mensalão petista —, de­núncia feita por um dos ministros do próprio Supremo. A espetacu­larização midiática daquele julga­mento assegurou o resultado dese­jado e anunciado insistentemente pela mídia, às custas de que a ver­dade é uma quimera.

É vergonhosa, e cada vez mais es­cancarada, a forma como mídia par­tidariza o seu jornalismo. Escânda­los nos governos aliados aos seus in­teresses, principalmente dos tucanos, não são noticias. A conta-gotas se no­ticia a corrupção existente no trans­porte público de trens em São Pau­lo, governado há duas décadas pe­lo PSDB.

Sobre o governo de Aécio Neves, em Minas Gerais, só há espaços para elogios e para enaltecer seu “choque de administração”. Veremos como será noticiado/ocultado a radiografia das finanças do Estado, feita nesses primeiros 100 dias de governo petis­ta em Minas.

Deverá receber tanto destaque quanto recebeu o helicóptero apreen­dido com 450 quilos de pasta de co­caína, pertencente (o helicóptero!!) ao senador amigo e aliado político do senador Aécio Neves.

O mensalão tucano, devolvido à primeira instância do poder Judiciá­rio — direito negado aos petistas — es­pera apenas, tudo indica, prescre­ver e deixar impunes tucanos gordos e vivos.

As vezes que aparece o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em denúncias que possam ligá-lo aos casos de corrupção, há sempre a sutil observação de edito­res atentos: podemos tirar, se achar melhor.

Há que se reconhecer, no entan­to, que esse zelo que a mídia tem pe­la imagem de alguns partidos não se restringe aos tucanos. O sena­dor Agripino Maia (DEM/RN), des­fila alegremente nas passeatas como paladino da ética na politica e na lu­ta contra a corrupção, mesmo acusa­do pelo Procurador Geral da Repu­blica, Rodrigo Janot, de cobrar pro­pinas para permitir um esquema de corrupção no serviço de inspeção vei­cular, no seu Estado.

E Demóstenes Torres, ex-senador e procurador de Justiça acusou o se­nador Ronaldo Caiado (DEM/GO) de roubar, mentir e trair, ter campanhas eleitorais financiadas pelo contraven­tor Carlos Cachoeira e de passar fé­rias na Bahia às custas da empresa OAS. Virou mais uma não-notícia, na mídia partidarizada.

Não bastasse a corrupção parti­dária em suas fileiras, a mídia ago­ra precisa não noticiar as milionárias contas bancárias mantidas no HS­BC, na Suíça e a bilionária sonegação e impostos, desbaratada pela Policia Federal, na Operação Zelotes.

No primeiro caso aparece até mes­mo a viúva de Roberto Marinho, Lyly de Carvalho. Integrantes da família Saad, donos da Rede Bandeirantes, também estão lá, juntamente com os da Rádio Jovem Pan. Não é ilegal ter uma conta bancária no exterior, des­de que declarada à Receita Federal.

Na operação Zelotes, está lá a RBS, umas das principais afiliadas da Re­de Globo.

Começam a ser tantos os fatos não noticiados que será necessário au­mentar o tempo das novelas.

No Brasil de Fato
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Pagador de promessa


Reconheço a virtude dos homens de palavra, aqueles que cumprem suas promessas, mesmo sendo antissociais. Neste caso, são homens danosos à sociedade, mas confiáveis, que melhor seria se não as cumprissem. O senador José Serra, durante a campanha presidencial de 2010, que era o mesmo período em que se discutia a lei do contrato de partilha no Congresso, declarou à senhora Patrícia Padral, executiva da Chevron no Brasil: “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta”. A fonte desta declaração não é nenhuma agência de notícias estrangeira, tipo Associated Press, CNN, BBC, Reuters, France Presse e as demais dominadas pelo capital. Nem tampouco nossa mídia tradicional, também dominada. Trata-se do incontestável WikiLeaks.

Apesar de não ter conseguido se eleger presidente, mas animado com o movimento contra o governo movido pelos conservadores, aliados ao capital internacional e com o apoio da mídia antissocial, apresentou o projeto de lei do Senado número 131, através do qual cumpre em parte sua promessa. Não cumpriu na íntegra o prometido, porque seu colega de partido Aloysio Nunes Ferreira passou à sua frente, apresentando um projeto de lei que revoga a lei dos contratos de partilha, que tem pouca chance de ser aprovado por ser muito radical. Serra trouxe uma proposta de lei de “aprimoramento” da partilha, que consiste de a Petrobras não ser “obrigada” a ter a parcela mínima de 30% de participação em qualquer consórcio do Pré-Sal e não ser a operadora única desta área, como manda a lei da partilha.

Segundo a “Justificação” constante do projeto de lei apresentado por ele, estas modificações são necessárias porque: “Primeiramente, a exploração do pré-sal tem urgência, pois a oferta interna de petróleo em futuro próximo dependerá dessa exploração, sobretudo a partir de 2020”. A produção de petróleo e gás natural da Petrobras em 2020, segundo o planejamento desta empresa, será de 4,2 milhões de barris por dia, produção esta duas vezes superior que a de 2014. Então, trata-se de uma inverdade dizer que a oferta interna de petróleo a partir de 2020 dependerá de novas explorações. Os 4,2 milhões são totalmente oriundos de campos já descobertos e, neste valor, está prevista também parcela excedente à demanda, a ser exportada.

Por outro lado, suponhamos, só para efeito de raciocínio, que há a carência de petróleo em 2020 e, também, as modificações propostas por Serra sejam aprovadas. A frase citada acima dá a entender para o leigo que a sua proposta permitirá a demanda ser atendida. Isto também não é verdade, porque, depois da mudança da lei, seria preciso fazer novos leilões pela lei modificada, assinar novos contratos de partilha com a ANP, os consórcios procurarem petróleo, eles o encontrarem, desenvolverem os campos e iniciarem as produções, o que requer, no mínimo, oito anos. Além disso, não se pode dizer que suas propostas irão apressar as produções, pois basicamente quem descobre petróleo no Brasil é a Petrobras e o descobre com os artigos da lei atual.

Todas as descobertas no Pré-Sal foram feitas pela Petrobras e estão em campos oriundos de blocos concedidos ou são os campos recebidos como cessão onerosa ou é o campo de Libra, contratado com a cláusula de partilha. O petróleo possuído pela Petrobras em todos estes campos, já retidas as parcelas pertencentes às empresas consorciadas, é de cerca de 30 bilhões de barris. Então, falar em escassez de petróleo em futuro próximo chega a ser risível.

Serra refere-se, na “Justificação” do seu projeto, aos roubos que ocorreram na empresa, dizendo que “a sucessão de escândalos associados às alegações de cartel, suborno e lavagem de dinheiro criaram uma situação quase insustentável para uma companhia que tem que implementar um dos maiores programas de investimento do mundo, da ordem de US$ 220,6 bilhões no período de 2014 a 2018”. A seguir, fala que “a Petrobras tem convivido com pressões financeiras que põem em risco o cumprimento de suas ações nos campos do pré-sal”. Com este espírito, ele continua, chegando ao ponto em que queria chegar, ou seja, que a empresa não pode arcar sozinha com os investimentos do Pré-Sal e, portanto, o país precisa do apoio das empresas estrangeiras. E, para atraí-las, há a necessidade de aprovação do seu projeto. De passagem, pode-se dizer que, no mínimo, os escândalos da Petrobras vieram a calhar.

As empresas estrangeiras querem participar do Pré-Sal se o petróleo por elas produzido puder ser exportado. Elas se recusam a abastecer o Brasil. Creio que nosso país pode exportar petróleo pela Petrobras, mas deve existir sempre um horizonte de abastecimento garantido para o país. O que Serra propõe é uma produção acelerada com as empresas estrangeiras, o que pode trazer escassez bem maior no futuro. Ele propõe a “abertura das comportas”.

Mais uma vez, diz-se que a Petrobras está em dificuldade financeira, o que não corresponde à verdade. O planejamento da empresa segue a pressa imposta pela ANP, “senão corre o risco de perder a concessão”. Este fato resulta, em muitos casos, em produções maiores que a necessidade do país e só restará para a empresa exportar o excedente. Infelizmente, em uma época em que o barril está muito barato. Para corrigir este contrassenso, bastaria a ANP receber uma diretriz política do escalão superior a ela para não exigir pressa da Petrobras, que poderia, desta forma, postergar alguns investimentos e diminuir a necessidade de empréstimos, desde que continuasse a satisfazer a demanda interna.

Agora, Serra tem em Barack Obama um aliado de peso. Dilma deve ouvir do presidente, no encontro dos dois, que as empresas petrolíferas estrangeiras, assim como as empresas de engenharia e os produtores de equipamentos do setor de petróleo, todos estrangeiros, estão à disposição para cooperar na exploração do Pré-Sal. Serra é somente um disciplinado soldado desta enorme força.

Finalizando, Serra quer acabar com duas enormes conquistas do contrato de partilha: a Petrobras ser a operadora única do Pré-Sal e ela usufruir, no mínimo, 30% dos ganhos dos campos desta área. Ser a operadora única significará muito mais conteúdo nacional nas compras do consórcio e as corretas aferições dos custos e das quantidades produzidas. Se os custos fossem inflados, mais petróleo seria ressarcido para o consórcio, segundo a lei. Se as quantidades produzidas fossem diminuídas, menos royalties e outros encargos seriam pagos pelo consórcio. Assim, trata-se simplesmente de uma questão de inteligência colocar a Petrobras como operadora única.

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania
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Cunha é hostilizado na Paraíba — assista


Integrantes de movimentos sociais e sindicalistas invadiram na manhã desta sexta-feira (10) a Assembleia Legislativa da Paraíba durante visita do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na confusão, os manifestantes entraram em confronto com os seguranças do Legislativo para ter acesso às três galerias do plenário, onde promoveram um "apitaço". Uma porta de vidro do parlamento estadual foi quebrada em meio ao tumulto.

As dezenas de pessoas que participaram da manifestação gritavam "Fora Cunha" e exibiam cartazes com a mesma mensagem. Parte dos manifestantes usavam camisetas do movimento LGBT, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Contrários ao fato de Eduardo Cunha, que é evangélico, já ter se posicionado contra a criminalização da homofobia, o grupo protestava contra o preconceito em relação aos homossexuais.

Eles também pediam o veto da presidente Dilma Rousseff ao projeto de lei que regulamenta a terceirização no país. O texto-base da proposta que permitirá a terceirização de qualquer serviço e atividade foi aprovado na última quarta (8) pela Câmara, mas os deputados ainda precisam analisar destaques ao projeto (propostas de modificações ao texto original) antes de a votação ser concluída.

Os gritos de protesto foram ouvidos no plenário durante o discurso do deputado federal paraibano Hugo Motta (PMDB), que é presidente da CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados. "Os senhores não representam a maioria do povo brasileiro", rebateu o deputado do PMDB, após ouvir vaias e apitos.

Até então, Cunha não havia discursado. O presidente da Câmara acompanhou a manifestação em silêncio no plenário da Assembleia. Diante do tumulto, a sessão foi interrompida para que os dirigentes do Legislativo negociassem a retirada dos manifestantes das galerias.

Depois que a sessão foi reiniciada, os protestos tiveram continuidade no parlamento. Em seu discurso, o deputado Hugo Motta defendeu que a sessão da Câmara Itinerante fosse mantida, apesar das manifestações. "Eu me sinto, acima de tudo, na parcela da grande maioria dos paraibanos, que querem uma Paraíba e um Brasil mais justos", declarou o parlamentar.

No mezanino do plenário, os manifestantes fizeram barulho com apitos e gritaram palavras de ordem para tentar interromper a sessão. Parte do grupo forçou os vidros das galerias, o que acabou provocando nova confusão com os seguranças que tentaram alertá-los sobre o risco de acidentes.

Os seguranças advertiram que, se o vidro fosse quebrado, pessoas poderiam cair no plenário, que fica abaixo das galerias. No entanto, os manifestantes expulsaram os profissionais responsáveis pela proteção do Legislativo. Logo após os seguranças deixarem o local, os manifestantes pararam de bater no vidro.

O grupo, entretanto, colocou cartazes e pintou o vidro da galeria com frases como "PM para Cunha" e "Não à homofobia". A entrada ao plenário foi interditada em meio à sessão.

Da tribuna, o deputado estadual Gervásio Maia (PMDB) criticou os manifestantes. “Eu quero dizer, e me escute quem quiser, mas não vim aqui para badernar, para quebrar vidros. Isso não é manifestação, é baixaria, e com baixaria não se discute democracia”, enfatizou.

Do lado de fora do prédio do Legislativo, manifestantes da CUT protestavam em um carro de som. Os sindicalistas reivindicavam que Cunha fosse embora da Paraíba porque é "persona non grata".






Cunha reclamou no twitter:


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Homem de palavras

Como diz o ditado, quem fala muito dá bom dia a cavalo. Costa primeiro fez a narrativa política, para desgaste eleitoral dos seus adversário. Nunca é demais lembrar que ele começou ocupando postos na Petrobrás ainda no governo de FHC. Uma era em que tudo era permitido, menos ser honesto. Os desonestos tinham um Engavetador Geral. Para o que viesse depois, teriam um Gilmar Mendes no STF. O PSDB foi precavido. Sabia que um dia a casa cairia, por isso precisaria de alguém de confiança no STF. Jorge Pozzobom sabe o que diz quando diz que o PSDB tem imunidade do Poder Judiciário para roubar. Ele conhecia Yeda Crusius e as facilidades com que ela contou nos casos em que esteve envolvida, como a Operação Rodin.

Agora como ficam aqueles que Costa jogou na lama? Por onde anda o picareta Fernando Francischini que tentou fazer um carnaval que, agora, revela-se uma micareta. Rima rica, com picareta!

Costa migou do PSDB para o PP, que botou o PP gaúcho na roda da Lava Jato. É incrível, por que será que os que sempre mamam nas tetas do Estado tem o pendor, além de vociferarem contra o peso do Estado, também ousam botar a culpa nos outros.

E se a moda pega, delatores presos descantando o verso quando em liberdade?! O que era Petrolão, virou delação e agora, mentirão!

Lava Jato: Costa desdiz tudo o que disse


O ex-diretor Paulo Roberto Costa mudou a versão que apresentou em seu acordo de delação e agora diz que as obras da Petrobras investigadas na Operação Lava Jato não eram superfaturadas. A nova versão está em petição enviada nesta quinta (9) à Justiça. Em depoimento como delator em 2 de setembro do ano passado, Costa dizia que "empresas fixavam em suas propostas uma margem de sobrepreço de cerca de 3% em média, a fim de gerarem um excedente de recursos a serem repassados aos políticos". Agora ele diz que os preços seguiam os parâmetros da estatal e o percentual das obras que era desviado para partidos, entre 1% e 3% do valor do contrato, "eram retirados da margem de lucro das empresas".

A delação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal em 29 de setembro do ano passado. Ele poderá perder benefícios caso a Justiça constate que houve rompimento do acordo. A acusação de que as obras tinham sobrepreço faz parte de uma denúncia apresentada em março pelos procuradores da Lava Jato, mas ainda não há estimativa do valor. A denúncia já foi aceita pelo juiz federal Sergio Moro, e Costa figura como um dos réus. O TCU (Tribunal de Contas da União) também apontou superfaturamento em uma série de obras investigadas pela Lava Jato.

A defesa de Costa cita um exemplo hipotético de que não teria havido superfaturamento nas obras: "Se uma empresa oferecia uma proposta 15% acima do orçamento básico e repassava os 3%, ela ficava com lucro de 12%; no caso de não repasse ficaria com um lucro de 15%". Costa refuta também que cuidasse da lavagem do dinheiro desviado das obras. Costa nega também que ele e o doleiro Alberto Youssef recebessem uma lista que citava as obras e as empresas que seriam vencedoras de cada uma delas.

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Nós contra eles, ficções esportivas universais

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7079

Yuval Noah Harari, em “Sapiens – uma breve história da humanidade”(L&PM), sustenta que o homem se diferencia dos demais animais por sua capacidade de produzir ficções que funcionam como realidades imaginadas. Uma empresa, segundo ele, não existe. Um clube de futebol, por extensão, também não. O que é o clube? Os jogadores? Eles vão embora todo tempo, outros chegam, até mesmo do rival. Os dirigentes? Eles passam. A cor do fardamento? Cada vez mais os clubes se permitem variar de cor. Uma maneira de jogar? Os clubes usam diversos esquemas. Em geral, os dominantes numa época.

Nada os diferencia.

Um clube é uma abstração. Uma ficção. Um totem em torno do qual, como em culturas ditas primitivas, homens comungam e vibram juntos. Os humanos parecem ter necessidade de pertencer a um grupo, sendo que esse pertencimento se torna mais forte na medida em que existe um rival, um polo de oposição. Qualquer motivo pode ser bom para pertencer e se opor: uma ideologia, uma religião, o patriotismo ou o esporte. Os principais polos de pertencimento e oposição atuais são a religião, a política e o futebol. Por meio do futebol, por mais que discursos cautelosos preguem o contrário, pratica-se o “nós contra eles”, que fortalece o “nós” como cimento social e junta o que, por definição, permanece separado do princípio ao fim da vida.

Qual a racionalidade de torcer sempre pelo mesmo clube se a maioria dos torcedores não vive o seu cotidiano, não conhece seus dirigentes e jamais encontra seus jogadores? Por que desejar a vitória de quem está jogando menos? A paixão por um clube é um dos mais impressionantes símbolos de irracionalidade. No Rio Grande do Sul, a rivalidade Gre-Nal é um “case”. Em 2014, uma torcedora do Grêmio chamou um adversário negro de “macaco”. Houve polêmica e punição. Gremistas sentiram-se profundamente injustiçados. Só um caso similar no adversário poderá reequilibrar as coisas. O episódio envolvendo o jogador colorado Fabrício veio a calhar no sentido de proporcionar um possível equilíbrio da hostilidades.

O racismo é condenável sempre. Não pode ter cor clubística. Para certos gremistas e colorados, porém, o racismo parece não ter a menor importância. O essencial é que “eles” sejam como “nós”. Se todos são, ninguém é. A ficção clube de futebol, essa ideia encarnada precariamente numa mitologia, fala mais alto. Seria mais fácil perceber a realidade de um clube com sinais distintivos permanentes do tipo: só usa jogadores da sua cidade; jamais escala três volantes; pertence aos seus torcedores. Há, no entanto, clubes que pertencem a empresários. Como pode ser “meu” aquilo que tem dono e serve para ganhar dinheiro? Harari, que pouco fala de futebol, destaca o óbvio: só funciona porque acreditamos. E acreditamos porque não faz bem.

Mesmo, ou principalmente, quando faz mal.

Aranha denunciou ter sido chamado de macaco. Fabrício negou.

E agora?

Embora eu tenha difundido o contrário, não consigo chegar ao nível da paixão por um clube de futebol. Não vou além da simpatia. Por que tantos acreditam? A minha hipótese é cristalina: porque não encontram outro sentido para suas vidas. O homem necessita de um objeto ou ideia no qual projetar a sua necessidade de identificação e pertencimento.

Na falta do futebol, poderia ser, digamos, uma cadeira.

De um lado, os adeptos das cadeiras estofadas. De um outro, os apaixonados por cadeiras nuas.

O homem sábio não vive sem oposições burras.
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Sérgio Porto # 191


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Lewandowski recebe presidentes de centrais sindicais no STF: “”Aqui vocês são bem-vindos””

Aqui vocês são bem-vindos”, diz Lewandowski a presidentes de centrais sindicais
Aqui vocês serão sempre bem-vindos. Vamos sempre garantir a presença de vocês em nosso plenário, disse na tarde desta quinta-feira o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, aos presidentes da CUT, da UGT, da CTB, da Nova Central e da CSB, durante audiência.

Na última terça, dia 7, por ordem do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sindicalistas e militantes contrários ao projeto de lei 4330, da terceirização total, foram não apenas impedidos de entrar na casa, como duramente agredidos tanto pela PM do Distrito Federal quanto pela Polícia Legislativa.

Vagner Freitas, da CUT, Ricardo Patah, da UGT, Adilson Araújo, da CTB, José Calixto Ramos, da Nova Central, e Antonio Neto, da CSB, reuniram-se em audiência com Lewandowski para tratar do PL 4330.

O ministro garantiu aos sindicalistas que não há nenhuma decisão tomada pelo tribunal em relação ao tema. E sugeriu aos dirigentes sindicais que aguardem a completa tramitação do PL no Legislativo e no Executivo antes de decidirem ingressar com qualquer ação no STF. Estamos empenhados em fazer justiça e em manter a paz social e a independência entre os poderes da República, disse. E completou: Nós vamos fazer justiça.

Lewandowski não emitiu opinião sobre o que pensa do PL 4330 durante a audiência de hoje. Porém, em maio do ano passado, quando ainda não presidia o Supremo, Lewandowski votou contra a terceirização em atividade-fim em julgamento de recurso impetrado pela empresa Celulose Nipo Brasileira, que havia sido condenada pela Justiça do Trabalho.

Entretanto, a empresa teve seu recurso acolhido pela maioria do plenário.

Ontem, os deputados federais Sibá Machado (PT-AC) e Alessandro Molon (PT-RJ) entraram com mandado de segurança contra o Eduardo Cunha e a forma com que foi votado o PL.

Pouco pode se esperar dessa ação, já que sua apreciação caberá ao ministro Gilmar Mendes, o mesmo que há um ano segura uma ação direta de inconstitucionalidade contra o financiamento empresarial de campanhas.

O secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto, responsável pelas relações com os movimentos sociais, divulgou nota ontem condenando a aprovação do PL 4330.

Vagner Freitas lembrou ao presidente do STF que a votação na Câmara foi açodada, sem debate, truculenta e antidemocrática. E concluiu: ”Temos de reverter essa barbaridade”.

No Viomundo
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