5 de abr de 2015

Da Justiça, o que principalmente se espera é bom senso


Quando suas decisões afetam não apenas o réu e sua vítima, mas centenas, milhares de cidadãos, o promotor deve acusar e o juiz, julgar, com a mente e o coração voltados para o que ocorrerá, in consequentia.

Nos últimos anos, a nação tem tido, na área de obras públicas, bilhões de reais em prejuízo. E isso não apenas devido a falhas de gestão — que, com a exceção dos Tribunais de Contas, não devem ser analisadas pelo Judiciário — ou de casos de corrupção, alguns com mais de 20 anos.

Houve também a paralisação — a caneta — de grandes obras de infraestrutura. Belo Monte, a terceira maior hidrelétrica do mundo, em construção na Amazônia em um momento que o país precisa desesperadamente de energia, teve suas obras judicialmente suspensas por dezenas de vezes, o que também contribuiu para que se somassem meses, anos de atraso ao seu prazo de entrega; e também para a multiplicação de seus custos.

O mesmo ocorreu com Teles Pires e Santo Antônio, com a refinaria Abreu e Lima e com a transposição do São Francisco. Em todos esses empreendimentos foram encontrados problemas de algum tipo, mas justamente por isso, é preciso que o Ministério Público e o Judiciário busquem outro meio de sanar eventuais falhas e punir irregularidades, que não seja, a priori, a imediata paralisação das obras. Afinal, ainda é melhor obras com problemas, que podem ser eventualmente corrigidos, do que nenhum projeto ou iniciativa desse porte, em setores em que o país esteve praticamente abandonado durante tantos anos.

Uma das soluções, para se evitar esse tipo de atitude drástica, poderia ser a de que se nomeasse interventores que pudessem investigar irregularidades e fiscalizar, in loco, em cada obra, o cumprimento das determinações judiciais.

Declarações bombásticas e precipitadas também não ajudam, quando se trata de projetos essenciais para o desenvolvimento do país nos próximos anos.

No contexto da Operação Lava Jato, centenas de milhares de trabalhadores e milhares de empresas já estão perdendo seus empregos e arriscando-se a ir à falência, porque o Ministério Público, no lugar de separar o joio do trigo, com foco na punição dos corruptos e na recuperação do dinheiro — e de estancar a extensão das consequências negativas do assalto à Petrobras para o restante da população — age como se preferisse maximizá-las, anunciando, ainda antes do término das investigações em curso, a intenção de impor multas punitivas bilionárias às companhias envolvidas, da ordem de dez vezes o prejuízo efetivamente comprovado.

Outro aspecto a considerar é a interferência indevida, em esferas da administração pública que não são da competência do MP, como foi o pedido de paralisação, no mês passado, das obras de ciclovias que estão em execução pela prefeitura de São Paulo.

Não cabe ao Ministério Público, em princípio, julgar, tecnicamente, questões viárias. E menos ainda, limitar o debate e a busca de consenso, em âmbito que envolve a qualidade de vida de metrópoles como a capital paulista, uma das maiores do mundo.

A não ser que haja uma mudança constitucional que faça com que venham a ser escolhidos por meio das urnas — e mesmo que viesse a ocorrer isso — é preciso que o Ministério Público e o Judiciário tenham especial cuidado para que alguns de seus membros não passem a acreditar — e a agir — como se tivessem, com base na meritocracia, sido ungidos por Deus para tutelar os outros poderes, e, principalmente, o povo.

Aos juízes e ao Ministério Público não cabe interferir, de moto próprio, nem tentar substituir o Legislativo ou o Executivo, na administração da União, dos Estados e municípios, que devem recorrer ao Supremo Tribunal Federal sempre que isso ocorra, assim como cabe ao STF coibir, com base na Constituição, esses eventuais excessos.

Em uma democracia, todo o poder emana do povo.

É ele que comanda. É ele que, em última instância, executa. É ele que, indiretamente, legisla. É ele que, a cada dois anos, julga, por meio do processo eleitoral, segundo o rito político. A sua sentença é o voto.

O eleitor é o Estado. E o juiz supremo.
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Revistas em queda! ‘Veja’ sobreviverá?

O Instituto Verificador de Comunicação (IVC-Brasil), que não goza de muita credibilidade e é famoso pela falta de transparência, divulgou em março o balanço da circulação de jornais e revistas em 2014. Ele aponta a estagnação nas tiragens dos jornais, com “uma pequena queda de 867 exemplares na comparação com 2013”. Para alegrar os barões da mídia, ele afirma que, em compensação, houve um aumento de 118% nas assinaturas digitais, de 228.944, em 2013, para 500.370 em 2014. Esta “compensação”, porém, não resolve a prolongada crise de modelo de negócios do setor — já que não compensa no valor dos anúncios e nem no preço das assinaturas.

Mas o dado mais impressionante do balanço do IVC-Brasil é que o se refere ao acelerado declínio das revistonas. Elas sofreram redução de 9,6% na circulação total e de 19,8% nas vendas avulsas em bancas, de 2013 para 2014. Isto significa, como apontou o atento blog “Amigos do Presidente Lula”, que “um em cada 10 leitores que sobraram de revistas como a Veja cancelaram suas assinaturas. E dois em cada 10 leitores que compravam em banca desistiram. A queda é devastadora... Se o governador Geraldo Alckmin (PSDB) não pegasse dinheiro da educação para comprar assinaturas em massa destas revistas e jornais, a queda seria maior ainda”.

Fica a dúvida: até quando revistas como a asquerosa Veja ainda resistirão?

Altamiro Borges
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Babilônia fracassou por uma única razão

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Tanta discussão em torno do flop monumental de Babilônia quando a explicação cabe numa palavra: internet.

Tevê é uma mídia em extinção na Era Digital, e não há nada que se possa fazer quanto a isso.

Até a internet, as mídias que surgiam acabavam se acomodando com as demais. Um caso clássico é o rádio, que sobreviveu com o advento da tevê.

Mas a internet mudou a história. No jargão dos negócios, ela é disruptiva. Isso quer dizer o seguinte: ela vai matando todas as demais mídias.

A caminho acelerado para o cemitério estão jornais e revistas. Num ritmo um pouco mais lento, mas firme e seguro, vai a tevê.

As pessoas deixaram de ler jornais e revistas de papel. Tente encontrar uma pessoa com a Folha ou a Veja num restaurante, à espera de alguém, uma cena antes tão comum.

Ou, como Roberto Civita amava, vá num domingo de sol ao Pinheiros e tente ver a quantidade copiosa de Vejas à beira das piscinas que faziam parte da paisagem nos anos 1980 e em boa parte da década seguinte.

Nada.

Em seu lugar, para quem quer ler, tablets e celulares.

O mesmo quadro vale para tevê. Mesmo a tevê paga é doente terminal quando se sabe que, como a Netflix, outras produtoras de conteúdo premium vão buscar os internautas.

É o caso da ESPN. Por que o apaixonado por esporte continuará a pagar 400 reais por uma assinatura de tevê paga se vai poder, por dez vezes menos, ter a programação da ESPN em suas mãos?

Tudo isso para dizer o seguinte. Ainda que Babilônia fosse uma obra prima, ela enfrentaria Ibopes humilhantes, porque o público consome cada vez menos novela, na mesma medida em que a internet avança.

Isso vale para outros tipos de programas de televisão.

Já escrevi algumas vezes. Mesmo que Ali Kamel fosse um gênio, ele seria incapaz de deter a corrosão brutal da audiência do Jornal Nacional.

Pegue o público do JN quando Kamel começou e compare com o de hoje. Se quiser se divertir, faça o mesmo com Bonner.

Em circunstâncias normais, eles já teriam sido demitidos há um bom tempo. Foram poupados porque, acertamente, a Globo sabe que o problema do Ibope vai muito além deles.

Eles só perderão o emprego quando as receitas da Globo não permitirem mais o luxo de pagar altos salários.

Isso vai ocorrer em algum futuro difícil de precisar. No universo das revistas, já é uma realidade. A Abril vem demitindo jornalistas brilhantes na esperança de prolongar sua vida.

(O maior talento editorial que vi na geração depois da minha, Claudia Vassallo, diretora de redação da Exame e depois superintendente da área de negócios, acabou sendo tragada num corte. Quem a demitiu, Fabio Barbosa, logo depois também foi despedido.)

Quanto vai demorar para a mesma borrasca que engolfou a Abril apanhar a Globo?

Vai depender, em grande parte, dos anunciantes.

O real milagre da Globo, nos últimos anos, foi conseguir aumentar os preços de sua publicidade numa situação em que deveria acontecer o oposto: perda de público.

É uma coisa insustentável a longo prazo. A Abril, por algum tempo, conseguiu o mesmo: aumentou a receita publicitária com circulações cada vez menores.

Em 2011, a Abril teve seu melhor resultado, por conta disso. Dois anos depois, estava sabidamente condenada à morte.

Uma hora os anunciantes entenderão que é tempo de deixar para trás uma mídia — a Globo — caríssima e com retorno cada vez menor.

O anunciante que quiser se perpetuar vai ter que fazê-lo na internet, e não em mídias obsoletas, vistas cada vez por menos gente e de repercussão em processo de desaparecimento.

Outras Babilônias virão, como outras carroças vieram quando surgiram os carros até, bem, até desaparecerem.

A Globo vai montar grupos de pesquisa, os roteiristas vão se desesperar na busca de histórias incríveis e a audiência continuará a cair.

É o fim de um tempo, e o começo de outro, e não há nada que se possa fazer quando as chamadas placas tectônicas se movimentam.

Paulo Nogueira
No DCM
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Benjamin Steinbruch tem muito o que explicar

Benjamin expõe a Privataria do FHC à Suíça!​


O nome de Benjamin Steinbruch aparece de forma exuberante — US$ 543 milhões de dólares!!! — na reportagem de Chico Otavio, no Globo — “HSBC: fortunas nas mãos de offshores”.

“Os Steinbruch tinham 15 empresas relacionadas às suas contas… cinco tinham o endereço principal em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas”, diz Chico Otavio.

O sócio dos Steinbruch no Grupo Vicunha, Jacks Rabinovitch tem a bagatela de US$ 230 milhões — !!! — no HSBC, sendo que quatro contas de Rabinovitch são em comum com os Steinbruch.

Que maravilha!

Pegaram a Privataria com a boca na botija!

Sim, porque o Benjamin Steinbruch, além de criar cavalos de raça e ser imperdível 'colonista' da 'Fel-lha', participou de alguns dos mais sombrios episódios da Privataria.

No Governo Itamar, ele comprou a Companhia Siderúrgica Nacional, na bacia das almas.

No Governo Fernando Henrique — o Guardião da Moral, no Estadão e no Globo — ele disputa com Daniel Dantas o papel de protagonista.

Steinbruch comprou a Vale, aquela que o 'Cerra' mandou o FHC vender a preço de banana.

(Depois, Steinbruch vendeu o que tinha na Vale para preservar a CSN.)

Segundo a revista Veja, no tempo em que se podia dizer que lia o detrito sólido de maré baixa, Steinbruch se utilizou de mecanismos heterodoxos para convencer o Ricardo Sérgio de Oliveira a entregar fundos de pensão na bandeja e facilitar a privataria.

(O Ricardo Sérgio de Oliveira foi chefe das finanças (sic) de campanhas do 'Cerra' e do FHC, e personagem central da Privataria Tucana do Amaury)

Nada de novo.

Os tucanos no poder fizeram coisas de enrubescer os cleptocratas russos.

Porque, no Brasil, como se sabe, tucano gordo e vivo não vai em cana.

(Coitado do Anastasia, bode expiatório…)

Porém, tem mais, muito mais.

No “governo” do FHC, Benjamin Steinbruch “privatizou” 4.200 km de ferrovias da Rede Ferroviária e criou a Transnordestina Logística.

Privatizou de uma forma muito “criativa”, bem tucana.

Ficou com os 4.200 km em troca de uma acordo na Receita Federal, sem entregar ao Erário um tusta!

O Fernando Henrique merecia um capitulo da nova novela do Fernando Meirelles para a Globo, sobre idosos criativos.

Poderia ser interpretado pelo tucano Lima Duarte.

(Mas, quem sabe da vida dele é o Janio de Freitas)

Aí, o que aconteceu?

O Benjamin sentou em cima do projeto da Transnordestina, que sai do Piauí, vai a Pecem, no Ceará, e a Suape em Pernambuco.

A obra só anda depois que o Governo faz um “aditivo”.

Aditivo pra lá, aditivo pra cá, e a obra não segue no ritmo.

Por que a Dilma não “estatiza” a Transordestina?

Porque ela tem medo de perder os ratings…

E da Urubóloga — só pode ser.

Então, o Benjamin tem muito a esclarecer.

Levar ele, sentadinho, para a CPI do HSBC — que a Globo não cobre.

E perguntar: Dr Benjamin, além de criar cavalos e escrever para a 'Fel-lha', o senhor lava dinheiro?

De onde saiu o meio bilhão de dólares — !!! — que o senhor protege no HSBC?

Dos lucros da CSN?

Da venda de cavalos de raça?

Ou do jeton da 'Fel-lha'?

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A luta por espaço para o rádio e a TV

A regulação do espectro para acabar com privilégios é tarefa imprescindível e urgente para o jogo democrático

Disputas por territórios são contínuas na história da humanidade, dos tempos pré-históricos aos dias de hoje. A maioria sangrentas, muitas tornaram-se eternas, documentadas por historiadores ou romanceadas por grandes escritores. São territórios visíveis, quase sempre delimitados por fronteiras precisas, muito claras, pelas quais só se passa munido de autorização de quem as controla. Criam-se Estados nacionais e organizações multilaterais para dar um mínimo de estabilidade a esse tipo de posse, o que não exclui a permanência constante de disputas em várias regiões do planeta.

Mas se no caso da terra a luta por sua ocupação é visível a olho nu, existe uma outra disputa territorial, igualmente feroz, que passa despercebida. Trata-se da conquista de porções do espectro eletromagnético, um espaço invisível ao olhar humano, tão ou mais valioso quanto inúmeros pedaços de terra.

Seu valor advém da possibilidade de permitir que nele trafeguem ondas radioelétricas capazes de transportar sons e imagens ao redor do mundo através do rádio, da TV, da telefonia. Carregam mensagens comerciais, políticas e religiosas cujos valores são determinados, em última análise, pelo mercado.

Dessa forma, para que essas mensagens se realizem enquanto mercadoria é necessária a utilização de um bem público, escasso e finito. O espectro, por mais que a tecnologia avance com a multiplicação do seu uso graças a digitalização, tem um limite. Ocupá-lo, portanto, é um grande privilégio. Cabe ao Estado, em nome da sociedade, regulá-lo para tornar o seu uso democrático. Infelizmente no Brasil, contando com a histórica tibiez dos governos, vale a lei dos mais fortes, os grandes grupos de mídia, donos de praticamente todo o espaço. Há, no entanto, exceções que confirmam a regra. Uma delas é a obtenção de uma pequena fatia do espectro por uma organização independente do mercado: a TVT, TV dos Trabalhadores.

Sua trajetória forjou-se nas greves do ABC do final dos anos 1970, quando os trabalhadores perceberam as distorções contidas nos noticiários das redes comerciais. Começou como uma produtora de vídeo, tornando-se depositária da importante memória daquela época. Faltava, no entanto, o canal para levar diretamente ao público uma visão mais honesta dos acontecimentos. Para isso era necessária a tal fatia do espectro, conseguida após 23 anos de luta, período no qual foram negados cinco pedidos de concessão, quatro no governo José Sarney e uma no de Fernando Henrique Cardoso. O tempo decorrido entre o pedido inicial e a outorga evidencia o nível acirrado da disputa.

O próprio Lula, responsável pelo pedido inicial, quando deputado federal, e autor da concessão enquanto presidente da República, contou durante a festa de inauguração do canal digital da TVT, em março, das dificuldades enfrentadas para colocar em prática sua decisão. Entre a assinatura da outorga feita por ele e sua efetivação passaram-se cinco anos, numa demonstração de que a luta pelo espaço trava-se dentro da própria burocracia governamental.

A regulação do espectro para acabar com privilégios é tarefa imprescindível e urgente para o jogo democrático. Para isso, basta dividi-lo em três partes atendendo aos sistemas de rádio e teledifusão estabelecidos pela Constituição: uma para o sistema público (canais públicos e comunitários), outra para o sistema privado (emissoras comerciais) e a terceira para o sistema estatal (canais dos poderes do Estado).
Caberia ainda ao Estado, como ocorre em vários países, criar o “operador de rede”, pelo qual trafegariam os sinais de todas as emissoras. A elas caberia apenas a produção de conteúdos, ficando o “operador” com a incumbência da transmissão. Isso desobrigaria emissoras não comerciais de arcar com um custo que, muitas vezes, inviabiliza a sua própria existência.

A vitória obtida pela TVT, ainda que o território ocupado seja pequeno, é uma importante cabeça de ponte para que a luta em busca da democratização do espectro siga em frente, acabando com o uso privado e privilegiado desse importante bem público.

Lalo Leal
No RBA
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Denúncia contra Gilmar Mendes é protocolada no Senado


Documento, enviado pela organização Brigadas Populares, tem como justificativa a demora do ministro em devolver a Adin que proíbe o financiamento empresarial de campanhas eleitorais

No último dia 1º, a organização Brigadas Populares protocolou no Senado denúncia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A justificativa é a demora do magistrado em devolver ao plenário da Corte a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4.650, proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para acabar com o financiamento empresarial de campanhas eleitorais.

Há um ano, em 2 de abril de 2014, Mendes pediu vistas do processo. Pelo regimento do interno do STF, só poderia tê-lo em mãos por trinta dias, período que se estende até agora. Movimentos sociais o acusam de atrasar o julgamento para que o Congresso tenha tempo de aprovar a PEC 353/13, que reafirma a possibilidade de empresas doarem a candidatos e partidos (leia mais aqui).

“A Lei 1.079/50 estabelece que é crime de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal ‘ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo’. Gilmar Mendes incorre nesse crime, ao descumprir seu dever de magistrado previsto na Lei Orgânica da Magistratura: ‘não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar’ (Art. 35, II)”, diz nota divulgada pelo grupo.

A peça encaminhada ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pede ainda que Gilmar Mendes seja proibido temporariamente de exercer suas funções e que, eventualmente, seja até condenado a perder o cargo.

“Queremos mais do que a proibição imediata do financiamento de campanhas e partidos por empresas. Exigimos também um Judiciário célere, responsável e democrático, sob controle popular e comprometido com os direitos humanos”, adiciona a organização.

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Homóbicos, tipo Cunha, estão perdendo nos EUA — assista





União estável poliafetiva pode por lei? Cartório do Rio diz que sim

Fernanda torce para poder realizar a primeira união estável poliafetiva da cidade
Localizado no coração do centro do Rio de Janeiro, entre as ruas da Quitanda e do Ouvidor, o 15º Tabelionato de Notas acostumou-se ao pioneirismo. Antes do casamento gay ser reconhecido pelos tribunais, em 2011, a tabeliã Fernanda de Freitas Leitão, 47, já oficiava, desde meados de 2000, uniões estáveis entre casais do mesmo sexo. Agora torce para poder realizar também a primeira união estável poliafetiva da cidade.

O serviço, conta Fernanda, já é oferecido há alguns anos, ao lado das uniões entre casais hétero e homoafetivos. Até agora, no entanto, nenhuma união do tipo foi realizada.

A principal experiência de oficialização de relações poliafetivas no Brasil foi registrada em 2012, na cidade de Tupã, interior de São Paulo, quando um cartório fez uma escritura pública de união estável entre duas mulheres e um homem que viviam na mesma casa havia três anos. 

"A gente não inventa essas relações, elas existem", explica Fernanda, que não vê impedimento legal para realizar as uniões. "Considero que, se a lei não veda, eu posso fazer. A eficácia é o juiz que vai decidir."

O desembargador e professor de direito civil da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Guilherme Calmon, no entanto, considera a questão controversa. "Existem posições na doutrina contrárias e algumas poucas favoráveis", explica.

O entendimento de que é possível oficializar uniões desse tipo, diz Calmon, se baseia mais na ideia de que a família estaria baseada no afeto do que na lei. "Isso é bastante polêmico, uma vez que, em se tratando da atuação dos cartórios, existe a previsão de seguir o que está na lei", afirma. "Acho que isso demandaria uma mudança radical em toda a legislação, na questão previdenciária, no INSS... Acaba o princípio da monogamia." 

Fernanda, no entanto, lembra que o conceito de família está mudando. Para ela as uniões poliafetivas devem passar pelo mesmo processo das uniões hétero e homoafetivas, antes não reconhecidas e agora corriqueiras.

"Antes da Constituição de 1988, o direito protegia a instituição casamento, desconhecendo os demais tipos de uniões, mesmo a união estável homem/mulher. Com a nova Constituição, o princípio norteador do direito de família passou a ser o afeto", defende Fernanda. "As pessoas vivem suas vidas independente do que o direito fala."

Paula Bianchi
No Uol
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A amnésia coletiva permanente da classe média brasileira


Colunista de passagem pelo país descobre paixão nacional: reclamar

Desembarco em Guarulhos muito ansioso para saber qual é a grande novidade do momento, pois tem sempre uma moda, uma desgraça, um escândalo ou uma mania nacional atiçando a fogueira do imaginário coletivo.

Às vezes, é um escândalo de corrupção com um nome estapafúrdio, tipo os Anões do Orçamento ou o atual Petrolão/Lava Jato. Mas também pode ser só uma mania gastronômica, como os idiossincráticos alfajores argentinos que apareceram nos anos 90 (as lojas de brigadeiros com vários sabores já acabaram?) ou mesmo uma dança, como a sambadinha do ex-presidente Itamar Franco com a Lilian Ramos sem calcinha.

A coqueluche de um momento pode ser um índice econômico, tipo gatilho salarial ou ORTN, ou até um parricídio, como o de Suzane von Richthofen.

Em seus breves reinados, esses símbolos do zeitgeist nacional monopolizam as conversas, as manchetes dos jornais e as redes sociais, impregnando o ar da nação. Mas sofremos de uma espécie de amnésia coletiva.

Logo, eles são substituídos por outros. Talvez nossas instituições estejam assim tão fracas simplesmente porque, amanhã de manhã, hoje já será um distante paleolítico.

1º de Março

Sem viver no Brasil não consigo concluir se é verdade que a situação nunca esteve tão ruim. Foi o que me disseram vários motoristas de táxi, amigos e familiares ­-é o que fazem pensar todas as edições do "Jornal Nacional" a que assisti. Parece que, antes, quando fomos governados por generais ou por José Sarney, éramos uma espécie de Suécia.

Por onde vou se reclama demais, do Brasil e de tudo. Faço adesão à moda, mas para reclamar das reclamações. O clichê mais ouvido é que na Europa se paga imposto, mas o governo dá retorno. Isso só em parte é verdade. No Reino Unido, por exemplo, os impostos são muito mais altos e "insonegáveis". Que venham passar inverno após inverno em Londres quase sem ver a luz do sol por seis meses. Que venham pagar o equivalente a R$ 50 por hora para uma faxineira. Que venham ver como vive a classe trabalhadora britânica -grande parte dela alcoólatra, obesa e solitária.

Converso com os poucos pobres que conheço em São Paulo: dois porteiros do prédio onde me hospedo, que têm filhos na faculdade, e duas empregadas cujas famílias -elas também se orgulham em frisar- têm carro. A impressão é de que aquelas pessoas de baixa renda vivem num outro país, que tem muitos problemas, mas que na última década melhorou muito. Adio a minha volta para Londres para o dia 16, pois quero ver a tal da manifestação.

15 de Março

Assisto ao protesto da janela do apartamento de uma amiga na avenida Atlântica, no Rio. Olhando para faixas que pedem impeachment e golpe militar, rezo para que tenhamos sorte. Se assim for, ao contrário do que aconteceu em 1964, esse protesto que dá a tônica do momento será o próximo candidato ao eterno oblívio, junto com as paletas mexicanas e os "paus de selfie".

Henrique Goldman
No Esquerda Caviar
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TCU denuncia desvios no metrô de Salvador durante gestão tucana


Segundo investigações, empreiteiras enquadradas na Operação Lava Jato teriam supertafurado obras na capital baiana na época em que o atual deputado federal Antônio Imbassahy (PSDB) era prefeito

Empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato são acusadas pelo Ministério Público Federal de terem superfaturado as obras do metrô de Salvador em 1999, quando o atual deputado federal Antônio Imbassahy (PSDB-BA) era prefeito da capital baiana. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Segundo a matéria da Folha, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou acréscimo de ao menos R$ 166 milhões, em valores da época, nos preços dos serviços. Pelo crime, responsabilizou gestores indicados por Imbassahy e também as empresas envolvidas, cujas atividades serão destrinchadas pelo parlamentar na CPI da Petrobras, da qual faz parte.

As obras do metrô foram feitas por um consórcio formado por Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Siemens — as duas primeiras integram o esquema de corrupção que atuou na Petrobras. As investigações indicaram que o grupo formado pelas três empresas pagou uma corporação italiana que havia feito a melhor proposta na licitação para que desistisse do negócio. O repasse, de acordo com a Procuradoria, foi feito por meio de um contrato de cerca de R$ 10 milhões para fornecimento de equipamentos.

Além disso, documentos apreendidos revelam que foi formado um consórcio oculto com outras empreiteiras que também teriam participado da construção do metrô: Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Constran e Alstom. Destas, as três primeiras participaram do “clube” de empreiteiras que cometeu atos ilícitos na estatal. A Constran não aparece diretamete, mas pertence ao grupo UTC — um de seus executivos, Ricardo Pessoa, é acusado de chefiar o esquema. Já a Alstom é uma das responsáveis pelo cartel de trens e metrôs de São Paulo.

A Engevix, outra citada no escândalo da Petrobras, foi contratada como supervisora das obras em Salvador e também é alvo do TCU.

Inaugurado no ano passado após 14 anos de espera, o metrô da capital baiana tem 7,5 km de extensão e demandou mais de R$ 1 bilhão para ser finalizado.

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O Coxinistão, segundo a enciclopédia livre


Outros gentílicos também são utilizados: Fascisti, Coxinistano, Tucani, Tucanês e Bolsonariano.

O Coxinistão, oficialmente República do Coxinistão (em coxinistês: Coxinistan Republikasi), é um país esquizofrênico localizado no Higienópolis, na fronteira mental entre os Estados Unidos e o País das Maravilhas.

A sua capital é Cardosogrado.

Considerada uma nação transmisogenal, é membro do Conselho da Casa Grande desde os tempos coloniais.

1.       Historia e Antiguidade:

A região nunca foi unificada, sendo composta por várias tribos reacionárias e se desenvolveram com o tráfico negreiro e a preagem indígena entre os séculos XVI e XIX. Pertence ao protetorado dos Estados Unidos da América a partir do século XX e não há unidade nacional dado à incapacidade reprodutora cuja base está em machos brancos e bombados com suas suásticas.

As evidências mais antigas do estabelecimento machônico no território do Coxinistão datam do fim da Idade da Pedra e estão relacionadas à cultura Hitlerini, da caverna do Reich. As culturas do Paleolítico Superior e do fim da Idade do Bronze são testemunhadas pelas cavernas de Goebbels, Mussolini, Pinochet, Geisel e pelas necrópoles de Roberto Marinho e Civita.

No século XVI, os Frias se assentaram na região. Depois deles, os Civitas e os Marinhos vieram a dominar a região ao sul do Tietê, tecendo um vasto império entre os séculos XVII e XIX, que foi integrado ao Império Coxini por volta do século XX, o qual contribuiu na propagação do passadismo. Mais tarde, a região se tornou parte do império de Cardoso, o Grande e de seu sucessor, o Império Aécenico.

Durante esse período o conservadorismo se espalhou pela região do Mar de Jabor e da Constantinolândia, que, de tão áridos, desertificaram. Os habitantes da Malafaica, originários da Xenofobião, controlaram a área por volta do século XVIII e estabeleceram um reino independente sob a influência cultural de Herodes, o perseguidor de Cristo na infância.

No século XVII, a metade oeste do Coxinistão, incluindo as regiões de Ulstra, Luchini, Telhada, Lobão e Bonner, foi conquistada pelos Bolsonaris sob o comando do Reino de Bolsonari, governado pelas dinastias Jair e Flavio. Depois da união Bolsonari pelos Coxini, poderoso Império do gentílico, as províncias de Marina e de Roger, que tinham populações etnicamente misturadas, passaram ao Coxinistão, depois de muitas babujices e necadas, também depois de soltar os cabelos e copular com o diabo.

2.       Geografia:

Inclui uma área principal, junto aos ruiniformes da Veja e o enclave da Rede Globo, a sudoeste. O território principal limita a norte com o Mar de Jabor e a Constantinolândia, secos;  a leste com o Mar de Mainardi, também seco; do outro lado do qual se encontram as costas do Felicianistão, a sul com a República Malafaica e a oeste com a Republica de Soros e o enclave de Garrastazu.

O clima, entre temperado e quente zangadiço quando fala o Lulês, língua estranha baseada num ódio figadal a uma figura de linguajem, chamada povo ou brasileiro, ou as duas, povo brasileiro. A temperatura é inóspita para que cresçam as esperanças nas janelas.

Nas terras altas só há escuridão por conta de um fenômeno permanente chamado financisti. Nas cadeias montanhosas do norte e do ocidente só há desertificação e o agreste da alma, não há primavera porque ela está proibida por decreto. Não podiam os Bolsonari lidar com a beleza de uma rosa e as manhãs humanas.

Não há rios ou nascentes.

A vegetação é um árido entrançamento de ódios biliares, mas há também a ocorrência de répteis e carcarás, além de outros predadores morais e chauvinistas.

Não há matas ou florestas, não há nada, além da rala juquira que só o fogo pode produzir. As montanhas do sul estão cobertas de tristezas e de medo.

O país não têm jazidas de petróleo, cobre, manganês, ouro ou urânio.

O Coxinistão apresenta problemas de contaminação do solo devido ao uso de pesticidas. 

Desfolhantes altamente tóxicos foram usados extensivamente nos cultivos das mentalidades.

A contaminação midiática é outro problema grave; aproximadamente a metade da população é servida de esgoto e a outra metade acredita que o homem jamais foi à lua porque isso é coisa de comunista.

3.       Cultura, Demografia e Símbolos Nacionais:

A cultura do Coxinistão surge como o resultado de muitas influências, todas de direita e de suas mais variados matizes, como o totalitarismo, o militarismo, o racismo e a homofobia.

Suas raízes ideológicas estão determinadas pela unidade racial branca que ensejam sua língua, hábitos e território.

Julgam-se — e são mesmos — herdeiros espirituais das Marchas por Deus e a Família, importante celebração da cosmologia e da estética Opus Dei.

Acreditam no lucro, em banqueiros, na prosperidade de rapina e em Miami.

São bem-vestidos e elegantes, se locomovem por estranhos meios, como helicópteros — onde carregam seus badulaques — e outros bólidos turbinados tipo Ferraris e Lamborghinis.

Na literatura se destaca mundialmente com Ali Kamel, o mago platinado e por Olavo de Carvalho, uma espécie de Nostradamus da contemporaneidade. Na música se destaca o maestro Lobão, um wagneriano compositor de óperas bizarricas.

Nos esportes avultam as figuras ludopédicas de Ricardo Teixeira e Ronaldo Gorducho.

Durante muitos anos o Coxinistão desenvolveu um rancor aos povos das redondezas, como é o caso dos brasileiros, venezuelanos, cubanos e bolivianos.

Apesar de minúsculos populacionalmente são fortemente armados e beligerantes e vivem de provocações aos vizinhos continentais, mais fortes, ricos economicamente e culturalmente.

Da população total do país cerca de 90% são de homens brancos e 10% são todas as outras raças, mas sempre é preciso se ter em conta que a alma também é branca, higiênica e livre de qualquer mistura cultural, mesmo que isso lhes cause urticária em dias de carnaval.

A proporção existente entre os sexos naquele país é majoritariamente masculina, quase não há mulheres — só boazudas plastificadas tipo panicat — o que enseja grave problema civilizacional, porque não há reprodução e o orgasmo está ligado à violência, à brutalidade e a pornografia, do tipo zoofílico.

A maior causa de mortalidade é por afogamento no próprio vômito.

Embora o Tucani seja o idioma mais falado no país existem outros idiomas falados como língua materna. O Fascisti é uma língua falada na região Bolsonari, o idioma é escrito com uma versão misturada ao Malafaico, alfabeto latino, próximo ao português. As línguas midiânicas também formam, através dos grupos dos Frias, Civitas e Marinhos um importante legado para o florescimento de uma cultura cosmopolita e universal.

O satanismo xiita é a religião oficial e dominante no país em número de seguidores com 95%.

O Coxinistão é um estado secular; a constituição consagra a liberdade do dinheiro.

A moeda é o dólar americano.

A bandeira nacional é azul com o numero quarenta e cinco, alusivo aos mártires da Batalha de Dilmagrado, e no centro revela-se a existência de uma Vênus Platinada.

O brasão de armas consiste na mistura de símbolos tradicionais e modernos. O ponto focal do emblema é o símbolo do pelourinho, que é uma antiga consigna da terra em que tudo se esfola, principalmente gays, afro-religiosos, comunistas, petistas e piauienses.

"Coxinistan Republikasi mi amore" é o hino nacional do Coxinistão, cujo título original é Marcha do Coxinistão. Com letra do poeta Reinaldo Azevedo e a música é de Ricardo Noblat, adaptada quando o gigante acordou.

Paulo Fonteles Filho
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Venezuela não é uma ameaça para os EUA


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Funcionária da Record dá carteirada no trânsito e vai presa por racismo

Margareth Petersen Diebold tenta intimidar agentes de trânsito dizendo trabalhar no Balanço Geral
Uma funcionária da Record no Rio Grande do Sul foi presa em flagrante na madrugada de domingo (29/3) após tentar dar uma carteirada em dois agentes de trânsito e xingá-los de "macacos". Margareth Petersen Diebold, 54 anos, bateu o carro em uma avenida no centro de Porto Alegre e, supostamente bêbada, tentou intimidar os guardas dizendo trabalhar no programa Balanço Geral. Passou o dia no presídio.

Em vídeo (veja abaixo), Margareth aparece tentando se livrar do flagrante. "Sabe onde eu trabalho? No Balanço Geral". O agente de trânsito ignora a intimidação: "O que que tem que você trabalha no Balanço Geral? A senhora está bêbada e dirigindo". Em seguida, ela provoca o guarda, dá uma baforada no rosto dele e se recusa a realizar o teste do bafômetro. Um perito, no entanto, atestou que ela "apresentava alteração da capacidade psicomotora (embriaguez)".

No vídeo, a motorista não aparece ofendendo os agentes, mas eles registraram um boletim de ocorrência por injúria racial dizendo que ela os chamou de "pretos", "ralés" e "macacos".

Os profissionais, que trabalham na EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), pediram reforço da Brigada Militar (a PM gaúcha) para prendê-la. Os policiais levaram a motorista ao presídio Madre Pelletier, em Porto Alegre, e ela passou 20 horas consecutivas detida. Margareth foi solta na noite de domingo após pagar fiança.

O Notícias da TV entrou em contato com a redação do Balanço Geral da Record RS. Uma produtora, que não se identificou, confirmou que Margareth Petersen é funcionária da emissora e que trabalha no programa, porém ela não compareceu na segunda (30). No Facebook da profissional, excluído na manhã de ontem, ela dizia estar na Record havia sete anos. Margareth não foi localizada ontem.

Procurada, a EPTC esclareceu que está acompanhando o caso

Assista ao momento em que a funcionária da Record tenta intimidar os agentes de trânsito:

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Palestina — a violência cotidiana


Entrevista com Emad Burnat, cinegrafista e cineasta, autor do documentário "Cinco câmeras quebradas", que mostra o violento cotidiano a que vive submetido — pelo exército israelense — o povo de Balin, pequeno povoado rural da Palestina ocupada.



Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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Operação Zelotes: investigados movimentaram R$ 1,2 bilhão

A casa do ex-secretário-adjunto da Receita, Eivany Antônio da Silva,
em Brasília: suspeita de funcionar como sede da suposta organização
criminosa, segundo a Polícia Federal
Ailton de Freitas
Apontados pela Polícia Federal (PF) como integrantes de uma organização criminosa, conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), lobistas e advogados investigados na Operação Zelotes movimentaram R$ 1,2 bilhão, em 21.541 operações bancárias. Segundo relatório de investigação da Polícia Federal, a maior parte foi movimentada pela SGR Consultoria, uma das empresas apontadas como de fachada criadas para dissimular a realização de negociações com empresas que sofreram autuações milionárias da Receita Federal.

Sozinha, a SGR movimentou, entre 2005 e 2013, R$ 115,6 milhões. Isso sem contar as operações menores que R$ 5 mil, que não entraram no cálculo da PF em nenhuma das contas analisadas. “Em suma, quase a totalidade do dinheiro que entrou na conta da SGR Consultoria saiu, sendo que aproximadamente 84% do valor a débito foi retirado de forma que a distribuição não viesse a ser identificada pela instituição financeira”, diz o relatório da investigação.

Suspeitos na mesma família

A família do ex-secretário-adjunto da Receita Federal Eivany Silva, incluído o próprio, com dois filhos — José Ricardo Silva e Eivanice Silva — e outros sócios, têm ou já tiveram participação na empresa. Edison Pereira Rodrigues, que já presidiu o Carf, é um dos sócios. A Polícia Federal constatou que a SGR é uma empresa de "especialidade não sabida". A casa que aparece como sede da SGR, no Lago Sul, região nobre de Brasília, é apontada pelos investigadores da PF como local de reuniões para decidir o esquema. "Onde os irmãos (Silva) se reuniriam para tomadas de decisões relativas ao esquema de corrupção".

A PF detectou outra casa, também no Lago Sul, que seria o endereço residencial de Eivany. A conclusão dos agentes é que ali pode ser a sede da discussão dos esquemas. "Esse endereço se destacou pois o imóvel é aparentemente a verdadeira sede de atuação da suposta organização criminosa".

José Ricardo da Silva aparece nas investigações da Polícia Federal como um dos comandantes do esquema. Ele foi conselheiro do Carf até fevereiro de 2014 e é sócio de nove empresas. "Ficou evidente que um dos principais vértices de conexões é justamente José Ricardo da Silva, tido como o articulador e possível chefe da suposta organização criminosa", afirma o relatório da PF.

Sozinho, José Ricardo fez movimentações financeiras atípicas, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ligado ao Ministério da Fazenda. Entre dezembro de 2004 a fevereiro de 2015, ele fez transações de R$ 19,6 milhões. Uma de suas empresas, a José Ricardo Advogados, é apontada como atuante no esquema. "O escritório J.R. Silva Advogados se mostra deveras importante já que tem como sócios José Ricardo e as conselheiras (do Carf) Adriana Oliveira e a sua irmã (de José Ricardo), Eivanice Canário da Silva".

O relatório diz que José Ricardo, aos 40 anos, teve uma "ascensão meteórica". Os policiais analisaram várias contas dos integrantes da família Silva. Apenas na caderneta de poupança, José Ricardo da Silva recebeu R$ 4,4 milhões. Os dados dos investigadores mostram transações atípicas como seis depósitos feitos em dezembro de 2011 que somam R$ 663,8 mil.

A Polícia Federal investigou não só os endereços das empresas envolvidas mas também os números dos telefones dos citados na investigação. Um dos números aparece duas vezes, como o do telefone da residência de Eivany e também como da SGR, numa loja comercial na Asa Norte, bem distante da casa. "É uma forte incongruência".

Empresa não é de fachada, diz advogado

O advogado Getúlio Humberto Barbosa, que atua na defesa de todos os integrantes da família Silva investigados pela Polícia Federal e de seus sócios, informou que o escritório da SGR Consultoria funciona sim na casa do Lago Sul, ao contrário do que apontou a PF. É que não é uma empresa de fachada. Barbosa afirmou ainda que Edison Pereira Rodrigues, que já presidiu o Carf, não integra mais a sociedade da SGR há alguns anos.

Getúlio Barbosa rebate o relatório da PF e afirmou não achar correto apontar a família Silva como centro do núcleo corruptor do escândalo.

— Acho uma coisa muita pesada colocá-los como núcleo do negócio. Realmente não é. A SGR era um escritório requisitado pela categoria do serviço também — afirmou.

— Meu cliente está muito chateado com essa forma que estão colocando: o núcleo. Não era núcleo

O advogado considerou normal a movimentação financeira da família e também de outros sócios, como de Adriana Oliveira. Ele afirmou que comprovará que os valores recebidos por seus clientes são compatíveis com o trabalho dos advogados.

— Os honorários nessa área tributária

Ele afirmou que comprovará que os valores recebidos por seus clientes são compatíveis com o trabalho dos advogados.

— Os honorários nessa área tributária são honorários grandes. Isso aí nós vamos preparar essa questão toda para justificar essa questão financeira. Else têm justificativa para isso daí. Não é uma coisa aleatória e sem sentido. Eles têm clientes grandes, de pareceres normais, e de um escritório de advocacia grande. Apesar de não ser grande no tamanho, tinha grandes clientes porque são profissionais de experiência reconhecida.

O advogado cita Eivany como um profissional renomado. Além de secretário-adjunto da Receita ele foi também coordenador nacional de tributação. Por problemas de saúde, Eivany nem foi chamado pela Polícia Federal. 

Gabriela Valente, Danilo Fariello e Evandro Éboli
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Brasileiros com mais de US$ 50 mi no HSBC usaram 97 contas e 68 offshores


Empresas em paraísos fiscais controlavam o dinheiro na Suíça

SwissLeaks mostra que era disseminado o uso de “offshores”

Do alto à esquerda, em ordem horária: Benjamin Steinbruch, André Esteves, André Jakurski,
Aloysio Faria, Jacks Rabinovich e Habib Esses

Milionários brasileiros utilizaram 97 contas no banco HSBC da Suíça, segundo registros de 2006 e 2007, e fizeram uso de 68 empresas conhecidas como “offshores” para movimentar os seus recursos.

Essas companhias ficam em paraísos fiscais, como Panamá e Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. São usadas principalmente por quem quer pagar menos impostos. Se o envio e depósito dos valores em offshores e a volta dos recursos ao país de origem forem declarados, não há ilegalidade. Essas empresas, porém, podem servir a propósitos ilícitos, como ajudar a camuflar dinheiro sem origem comprovada.

Levantamento feito pelo Uol e pelo jornal o “Globo” entre os brasileiros ligados a contas no HSBC da Suíça encontrou 38 pessoas divididas em 14 grupos (de integrantes da mesma família ou sócios), que compartilhavam as mesmas operações financeiras, vinculados a contas com saldo acima de US$ 50 milhões.

Somadas, essas contas registravam um depósito máximo de cerca de US$ 2 bilhões em 2006 e 2007, período ao qual os dados se referem. Esse valor representa mais de um quarto dos US$ 7 bilhões vinculados a pessoas relacionadas ao Brasil na filial do HSBC em Genebra. Foram usadas 68 offshores para movimentar esses recursos.

A discrição é uma das principais características desse tipo de empresa. É praticamente impossível localizar qualquer rastro consistente de informação. Nas planilhas do HSBC, as offshores se caracterizam por nomes curiosos como Spring Moonlight, Blue Green Pine, Demopolis e Coast to Coast. Como os arquivos completos do banco vazaram, é possível saber, de maneira inédita na história financeira mundial, quem exatamente era dono de qual empresa.

As offshores servem para que empresários protejam seu patrimônio pessoal de turbulências financeiras em seus países e dão aos investidores o benefício de pagar impostos mais baixos quando obtêm lucros. Essa vantagem se dilui quando os recursos são devidamente declarados ao Fisco do país de origem, que cobra sobre os ganhos, não importando onde foram obtidos.

Os brasileiros que apareciam com saldos acima de US$ 50 milhões em contas ligadas a offshores localizados pelo Uol e o “Globo” não quiseram comentar a relação com essas empresas, nem dar detalhes sobre sua utilidade.

Eis a lista dos 14 grupos de pessoas vinculados a contas com saldo acima de US$ 50 milhões nos arquivos do SwissLeaks:

Arte

Família Steinbruch

No topo do ranking dos milionários estão integrantes da família Steinbruch. Sete deles (Eliezer, Dorothea, Mendel, Clarice, Ricardo, Benjamim e Elizabeth) chegaram a ter, ao todo, um depósito máximo de US$ 543,8 milhões ao longo de 2006 e 2007, a maior parte em contas compartilhadas.

Do empresário Jacks Rabinovitch, ex-sócio dos Steinbruch no Grupo Vicunha e na CSN, apurou-se um saldo máximo de US$ 228 milhões em contas conjuntas com a família. Parte dessa fortuna era compartilhada com os Steinbruchs.

Ao todo, os Steinbruchs tinham 15 empresas relacionadas às suas contas nas planilhas e arquivos do HSBC. Das 10 que possuíam alguma referência de localização, 5 tinham o endereço principal em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas (a leste de Porto Rico, como mostra a imagem abaixo).

tortola

Em segundo lugar na lista dos maiores saldos aparece o empresário Elie Douer, com US$ 270 milhões em 2006/07. Parte desse valor era compartilhado com dois parentes. A ele, estavam associadas 8 offshores, sendo 3 com nomes de fundação: Fastwind, Constantinopla e Darksky. Atualmente, Douer só possui uma empresa em seu nome na Junta Comercial de São Paulo: a Safo Empreendimentos, registrada no mesmo endereço de sua residência, uma mansão no Morumbi. Ele já foi sócio de uma indústria têxtil, a Doutex.

Outro caso que chama a atenção é o do empresário de São Paulo Alberto Harari. Com depósitos máximos de US$ 113 milhões em 2006/07, ele tinha 24 offshores ligadas a seu nome. Ao todo, teve 64 contas, sendo que 44 continuavam abertas em 2006 e em 2007, segundo registros vazados do HSBC. Harari é ligado à indústria têxtil e de produtos químicos e também teve negócios com o banqueiro Edmundo Safdie.

Entre os que tinham saldo máximo de mais de US$ 50 milhões no HSBC de Genebra, ainda aparece Salomão Waiswol e familiares, ligados a uma indústria têxtil paranaense, e Habib Esses, da Adar Tecidos. O empresário e delegado aposentado de São Paulo Miguel Gonçalves Pacheco e Oliveira aparece ligado a contas com US$ 194 milhões.

Há nessa lista do HSBC nomes do mercado financeiro como André Santos Esteves, Gilberto da Silva Sayão e Eduardo Plass, ex-gestores do Banco Pactual, que dividiram contas. Renato Frischmann Bronfman, também ex-diretor do Pactual, aparece nas planilhas com US$ 140 milhões. André Roberto Jakurski, da gestora de recursos JGP, aparece na lista das maiores fortunas ligado a US$ 106 milhões.

Neste grupo de correntistas, também estavam o médico Antônio Rahme Amaro, dos hospitais Santa Joana e Pró-Matre, ligado a uma conta com US$ 79 milhões em nome da Oriental Pride Assets Ltd., e o advogado Roberto Saul Michaan, relacionado a um depósito de US$ 73 milhões da Wave Development Corporation.

O empresário Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa, que abrange o Banco Alfa, a Rede Transamérica e o Hotel Transamérica, aparece ligado a US$ 120 milhões em nome da The Alfa Trust.

E Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz, do Grupo Edson Queiroz, que controla a TV Verdes Mares, — N. do E. afiliada da Rede Globo — a linha de eletrodomésticos Esmaltec, as águas minerais Minalba e a Brasilgás, entre outras empresas, estavam vinculadas a US$ 83 milhões em uma conta alfanumérica, a 5940 CE, na agência do HSBC em Genebra.

Fernando Rodrigues
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Mulher, homem

O feto começa feminino, depois é que são acrescentados os atributos, digamos assim, masculinos. Por isso, os homens têm mamilos, e não sabem o que fazer com eles. Quer dizer: a história biológica do ser humano é exatamente inversa à do seu principal mito de criação, em que a mulher sai de dentro do homem. O mito é não apenas um desmentido do fato, e do feto, como uma apropriação masculina de um feito feminino.

Ao pôr o primeiro homem para dormir, retirar sua costela e produzir a primeira mulher.Deus fez uma paródia de parto. E com anestesia, um detalhe que não deve escapar às mulheres, enquanto o homem, responsável por tudo, só é condenado a folhear Caras antigas na sala de espera.

Todos os mitos desde os inaugurais, como toda a cultura humana, têm sido masculinos, num contraponto ressentido com a história biológica, verdadeira, feminina, da espécie. Freud, que, sendo homem, era suspeito, inventou que a mulher tem inveja do pênis.

O homem é que não aguenta a ideia de não estar aparelhado, como a mulher, para se integrar aos grandes dramas reincidentes da Natureza, ovulando de acordo com as fases lunares, gestando, parindo e amamentando filhos, e identificando-se com os ciclos de fertilidade da Terra, sentindo as variações de clima e de idade com mais intensidade do que os homens, e ainda encontrando tempo para ir ao cabeleireiro, almoçar com as amigas e dirigir empresas.

Enquanto ele fica de lado, como um penetra, esperando em vão que a vida o chame para as suas graves verdades, e obrigado a inventar uma história de fantasia paralela à história biológica.

A civilização se explica como uma angústia de potência do homem. O que Freud quis dizer era que a mulher invejava o poder falocrata, ou justamente o que o homem inventou para compensar o fato de não ser mulher. Outro mito usurpador.

Em tempo: esta manifestação não é encomendada "e não, não pretendo mudar de sexo. É que sempre fui simpatizante".

Luís Fernando Veríssimo
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Liberdade

Lennie Tristano foi um pianista cego que seguiu uma espécie de afluente da corrente principal do jazz moderno. Era um vanguardista — talvez mais avançado do que os outros — mas nunca incluído entre revolucionários da época como Bud Powell e Thelonious Monk, para ficar só nos pianistas. Liderou um grupo experimental cujos nomes mais conhecidos eram os dos saxofonistas Lee Konitz (que hoje, com quase 90 anos, ainda vive e toca) e Warne Marsh, e em 1949 o grupo gravou duas faixas, chamadas “Intuition” e “Digression”, que são os primeiros e únicos exemplos de execuções livres, completamente livres, na história do jazz. Os músicos tocariam no tom que quisessem e no andamento que bem entendessem, e simultaneamente. As gravações são hoje consideradas precursoras do que mais tarde se chamaria “free jazz”, feito por Ornette Coleman, Archie Shepp e outros, mas nada no “free jazz” foi tão longe quanto a experiência de Tristano. E nunca mais se fez nada igual porque o resultado das duas faixas foi cacofonia pura. Interessante, mas para se ouvir uma vez só.

O jazz se presta a romantizações equivocadas. Como sua essência é o improviso, é comum festejá-lo como uma exaltação da liberdade sem limites. Mas, como as gravações totalmente livres de Tristano provaram, a liberdade pode ser mal entendida. O maior valor de um improviso é a sua relação com uma estrutura existente — Charlie Parker destruindo uma melodia e a reconstruindo à sua maneira, livremente, mas sem desrespeitar a sua progressão harmônica. A genialidade de um grande músico de jazz, ou de qualquer outro tipo de música improvisável, se define nessa capacidade de fugir criativamente da melodia sem traí-la. O próprio Lee Konitz, que participou da experiência de Tristano, era, e ainda é, um exemplo de até onde se pode ir num improviso sem abandonar a coerência musical.

O exemplo de Tristano serve para outras artes. Picasso aprendeu tudo o que precisava saber sobre estrutura e forma na sua fase acadêmica, o que o libertou para enlouquecer no resto da sua obra, e ultrapassar limites sem perder um senso básico de harmonia. James Joyce levou a criação literária a um limite extremo em “Ulysses”, que, na sua estrutura e nas suas alusões a clássicos e mitos, mesmo com sua linguagem revolucionária, mantém, por assim dizer, os seus pés no chão. Já em “Finnegans Wake”, Joyce, como Tristano, foi longe demais. Não vamos chamá-lo de cacofônico, mas chegou perto. Não consegui ler mais de três páginas de “Finnegans Wake” . Mas talvez o problema seja meu. Também nunca mais ouvi as gravações livres do Tristano para ver se tinha perdido alguma coisa na primeira e única audição. Agora não tenho mais idade para tentar de novo.

Luís Fernando Veríssimo
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De olho no óleo

A pressão para que seja retirada da Petrobras a exclusividade como operadora dos poços no pré-sal começa a aumentar e, em breve, deverá ser muito forte. Interesses estrangeiros e brasileiros convergem nesse sentido, excitados pela simultânea comprovação de êxito na exploração do pré-sal e enfraquecimento da empresa, com perda de força política e de apoio público. Mas o objetivo final da ofensiva é que a Petrobras deixe de ter participação societária (mínima de 30%) nas concessionárias dos poços por ela operados.

Como o repórter Pedro Soares já relatou na Folha, a Petrobras está extraindo muito mais do que os 15 mil barris diários por poço, previstos nos estudos de 2010. A média da produção diária é de 25 mil barris em cada um dos 17 poços nos campos Lula e Sapinhoá, na Bacia de Santos (de São Paulo ao Espírito Santos). Perto de 70% mais.

Não é à toa que, se a Petrobras perde a confiança de brasileiros, ganha a da China, que a meio da semana concedeu-lhe US$ 3,5 bilhões em empréstimo com as estimulantes condições do seu Banco de Desenvolvimento.

O senador José Serra já apresentou um projeto para retirada da exclusividade operativa da Petrobras nos poços. Justifica-o como meio de apressar a recuperação da empresa e de aumentar a produção de petróleo do pré-sal, que, a seu ver, a estatal não tem condições de fazer: "Se a exploração ficar dependente da Petrobras, não avançará".

A justificativa não se entende bem com a realidade comprovada. Mas Serra invoca ainda a queda do preço internacional do petróleo como fator dificultante para os custos e investimentos necessários às operações e ao aumento da produção pela Petrobras. Mesmo como defensor do fim da exclusividade, Jorge Camargo, ex-diretor da estatal e presidente do privado Instituto Brasileiro do Petróleo, disse a Pedro Soares que "a queda do [preço do] petróleo também ajuda a reduzir o custo dos investimentos no setor, pois os preços de serviços e equipamentos seguem a cotação do óleo". E aquele aumento da produtividade em quase 70% resulta na redução do custo, para a empresa, de cada barril extraído.

O tema pré-sal suscita mais do que aparenta. As condições que reservaram para a Petrobras posições privilegiadas não vieram só das fórmulas de técnicos. Militares identificaram no pré-sal fatores estratégicos a serem guarnecidos por limitações na concessão das jazidas e no domínio de sua exploração. A concepção de plena autoridade sobre o pré-sal levou, inclusive, ao caríssimo projeto da base que a Marinha constrói em Itaguaí e à compra/construção do submarino nuclear e outros.

Há 60 anos e alguns mais, "O Petróleo é Nosso" foi mais do que uma campanha, foi uma batalha. Olha aí o século 20 de volta.

Agora, sim

Noticiado por Mônica Bergamo, o desejo do novo ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, de uma série de palestras de Dilma para "explicar melhor" o ajuste é, sem dúvida, a ideia mais original dos últimos anos.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 186


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A diferença entre a morte de Thomaz e a de Eduardo

Os pais de Eduardo
E eis que no Twitter alguém transformou uma questão de alta complexidade numa coisa simples.

Foi uma resposta a um texto da Folha que perguntava qual a dor maior, Eduardo ou Thomaz.

Saiamos da platitude.

Todos sabemos que a dor da perda de um filho é inominável.

Solidariedade irrestrita à família Alckmin, sobretudo aos pais e aos filhos de Thomaz. A fé de Alckmin sem dúvida encontrará seu teste maior.

Solidariedade também irrestrita à família Ferreira, do menino Eduardo.

Mas, tudo isso posto, as circunstâncias fazem as duas mortes e as duas dores bem diferentes.

As palavras usadas no tuíte que tão bem comparou os dois casos são duras, mas é aquela dureza associada a verdades cruas.

“Só vendo um PM atirar na cabeça do filho do governador pra gente poder comparar.”

Está tudo dito aí.

A morte num helicóptero é um golpe do destino a que todos estamos sujeitos. Dias atrás, vimos o que fez um copiloto suicida com um avião com 150 pessoas.

É, numa palavra, azar, um formidável azar. Inevitável, portanto. Pode acontecer alguma coisa parecida comigo ou com você amanhã, ou mesmo hoje.

Agora: morrer aos dez anos por uma bala de fuzil de policiais que enxergam você como um bandido numa favela — não, isso não é inevitável.

Que sociedade é esta que tolera que suas crianças nasçam, vivam e morram sob uma fuzilaria diária em condições subumanas?

As favelas são nosso Iraque, nosso Afeganistão. No Rio, as tropas “pacificadoras” são o equivalente aos soldados americanos naqueles países, um foco de ódio e de morte.

Num mundo menos imperfeito, a morte de Eduardo soaria em todos nós um alarme: não mais. Nunca mais. Chega. Tivemos o suficiente. Nossos meninos, todos eles, principalmente os desvalidos, têm que viver uma vida digna.

Não lhes damos escola, não lhes damos hospital, não lhes damos brinquedos, não lhes damos balas e sorvetes, não lhes damos carinho, não lhes damos futuro. Tudo que oferecemos é a possibilidade de uma bala fatal, e algumas lágrimas que vão sumindo com o correr dos dias.

É miseravelmente pouco.

Eduardo morreu de desigualdade, e isto não é destino, é escolha. Nossos jornais e nossas revistas fingem que o maior problema nacional é a corrupção, porque assim ninguém discute a desigualdade da qual os bilionários barões da mídia tanto se beneficiam.

Num mundo menos imperfeito, repito, acordaríamos com o sangue de Eduardo.

Mas neste nosso universo torto fomos, como sociedade, intoxicados mentalmente pelo noticiário que consumimos, e batemos panela como mentecaptos para defender cegamente aquele pequeno grupo cuja ganância e cupidez criam Eduardos a cada dia.

Paulo Nogueira
No DCM
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