4 de abr de 2015

Sílvio Santos e o comentarista do SBT que criminalizou depressivos são a mesma pessoa


Silvio Santos é o bufão que ocupa os domingos na televisão desde 1930, fazendo a alegria de suas colegas de trabalho ou algo que o valha. Com sua peruca, o jeito de tiozão milionário do pavê, uma certa incontinência verbal, é fácil esquecer que ele contratou, enquanto você ria, um time de comentaristas que Mussolini não teria montado.

É de uma ingenuidade abissal achar que ele não sabe de nada, que não gosta de jornalismo, que suas preocupações não passam por aí. Silvio tem uma agenda política clara e deixou isso explícito, por exemplo, quando se candidatou pelo PFL. Mas o indicativo mais forte é outro: se não fizesse diferença, se fosse apenas acaso, teria havido pelo menos um com ideias mais arejadas ali.

Rachel Sheherazade, por exemplo, foi trazida por SS da TV Tambaú, afiliada do SBT na Paraíba, depois de uma diatribe maluca sobre o Carnaval. Parou de dar opiniões após o governo ameaçar tirar dinheiro de publicidade com a reação àquela sua antológica defesa de justiceiros.

No Paraná trabalhou por muito tempo um certo Paulo Martins, que falava em golpe bolivariano e denunciava a “ditadura de Dilma Roussef” de sua bancada, babando. Danilo Gentili é uma evolução no grau de cafajestagem e paranoia miolo mole.

Portanto, ninguém tem o direito de se surpreender com Luiz Carlos Prates, o jornalista de Santa Catarina autor de um dos textos mais criminosos sobre a depressão jamais lidos ou ouvidos. Ao falar do acidente da Germanwings, Prates vomitou absurdos como o de que deprimidos são “covardes existenciais” e que deviam ser “execrados” e “desprezados”.

Prates, que se diz psicólogo de formação, foi criticado em nota pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), mas é evidente que isso não dará em nada. Com o Youtube, gente como ele deixa de se limitar a sua aldeia e invade o Brasil. Ele tem longa folha corrida de serviços prestados à burrice e ao preconceito. Quando na RBS, culpou “os miseráveis” pelo aumento de acidentes de carros. (N. do E. assista abaixo)

A ditadura foi responsável por um período em que o país “nunca cresceu tanto”, disse. “Estradas rasgaram o Brasil, universidades foram multiplicadas. Ciência e tecnologia começaram para valer no país sob a tutela dos militares.” Liberdade ele tinha como jovem. “Não era molestado por quem quer que seja. Eu tinha segurança de cidadão brasileiro. Hoje, saia a noite. Não tem mais segurança”.

Ele acha que precisamos de aulas de moral e cívica e tem receitas para as famílias. Uma criança “gazeteira” de 8 anos está perdida. Ela não vai mais “se emendar”. “Ela já passou de formação do caráter, que vai até aos seis anos, se tanto. Daqui em diante, será sempre um cara perigoso, para não dizer pior”, afirma.

Etc. etc.

A mais recente peroração desumana é mais uma palhaçada de um empregado fiel de Sílvio Santos, especializado em dizer o que o patrão quer. Apesar da semelhança com Moe, dos Três Patetas, é possível ouvir, baixinho, um “ra-raeee” depois de cada demonstração de ódio.

Kiko Nogueira
No DCM




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Gerdau pode ter pago maior das propinas para se livrar de condenação de R$ 4 bilhões

Jorge Gerdau Johannpeter é um dos idealizadores do Programa Gaúcho de Qualidade e Proutividada (PGQP) e
do Movimento Brasil Competitivo que defendem a aplicação dos métodos de gestão privados no serviço público.
 (Foto: Agência Brasil)
Nos últimos dias, começaram a ser divulgados pela imprensa conversas e email’s interceptados com autorização judicial no âmbito das investigações envolvendo fraudes e pagamentos de propina para evitar multas tributárias milionárias. Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau Johannpeter, teria sido apontado pela Polícia Federal como o responsável pela maior propina descoberta na Operação Zelotes. O caso da Gerdau, segundo o “Estadão”, envolveria uma comissão de R$ 50 milhões para se livrar de uma condenação fiscal de R$ 4 bilhões. Em nota oficial, a empresa disse que contrata “escritórios externos” para assessorá-la em questões tributárias e que pagamentos estão condicionados ao êxito dos processos. Esses pagamentos, ainda segundo a empresa, não teriam sido realizados porque as ações ainda estão em curso.

Jorge Gerdau Johannpeter é um dos idealizadores do Programa Gaúcho de Qualidade e Proutividada (PGQP) que, conforme o próprio programa define, “atua há 20 anos na promoção da competitividade do Rio Grande do Sul para melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, nos setores público, privado e terceiro setor”. O PGQP participou da criação do Movimento Brasil Competitivo (MBC), também ligado ao empresário Jorge Gerdau, que pretende “levar os conceitos da Qualidade para todos os cantos do nosso país”. O programa teve participação direta no início do governo de José Ivo Sartori (PMDB) no Rio Grande do Sul. No dia 21 de janeiro, técnicos do PGQP apresentaram, no Palácio Piratini, as linhas iniciais do plano de gestão do governo do Estado. Nesta reunião, os técnicos do programa discutiram com os integrantes do governo os principais eixos e diretrizes estratégicas que vão nortear a atuação do Executivo na atual gestão.

“Só coitadinhos pagam impostos”

Na quinta-feira (2), o “Estadão” divulgou uma conversa interceptada pela Polícia Federal, onde um integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão que avalia recursos de contribuintes em débito com a Receita, diz que o órgão se tornou um “balcão de negócios” e, nos julgamentos de recursos, quem não faz “negociata” leva a pior. Na conversa, o conselheiro Paulo Roberto Cortez, um dos investigados na Operação Zelotes, afirma ainda que só os “coitadinhos” acabam pagando impostos. “O Carf tem de acabar, não pode. Quem paga imposto é só os coitadinhos. Quem não pode fazer acordo, acerto – não é acordo, é negociata -se fode”, diz ainda Cortez na conversa divulgada pelo jornal.

Ainda segundo “O Estado de São Paulo”, a conversa foi interceptada pela Polícia Federal no dia 25 de agosto de 2014. Na gravação, Cortez conversa com seu sócio no escritório de assessoria contábil Cortez & Mallmann, que atua no Carf, Nelson Mallmann. Os dois falam sobre casos de suborno envolvendo conselheiros do Carf e empresas investigadas na Operação Zelotes. Há ao menos 74 pessoas físicas e jurídicas sob suspeita, entre eles gigantes do setor privado, como revelou o jornal “O Estado de S. Paulo” no último sábado. Paulo Roberto Cortez também afirma na conversa: “Eles estão mantendo absurdos contra os pequenininhos e esses grandões estão passando tudo livre, isento de imposto. É só pagar taxa”. E defende que o Carf seja fechado e que os recursos sejam discutidos no Judiciário. “Não pode isso aí. Virou balcão de negócios. Dá vergonha, cara”.

O caso da RBS

No dia 31 de março, uma reportagem da Folha de S. Paulo disse que os casos sobre os quais os órgãos investigadores consideram ter indícios mais consistentes envolvem RBS, Gerdau, Cimento Penha, Boston Negócios, J.G. Rodrigues, café Irmãos Júlio, Mundial-Eberle, Ford, Mistubishi, Santander e Safra. As empresas envolvidas na investigação negam qualquer irregularidade. A Folha cita o Ministério Público para afirmar que “até o momento os casos em que há indícios mais fortes de eventuais irregularidades envolvem a RBS e o grupo Gerdau”. O esquema de sonegação, segundo as investigações da Operação Zelotes, seria um dos maiores já investigados no país. Os 74 processos investigados na operação envolvem valores que chegam a R$ 19 bilhões. Segundo a Polícia Federal, já foram comprovados prejuízos de cerca de R$ 6 bilhões.

Os investigadores suspeitam que a RBS teria efetuado o pagamento de R$ 15 milhões de reais para fazer desaparecer um débito de mais de R$ 150 milhões de reais. No total, as investigações se concentrariam em débitos da RBS que chegariam a R$ 672 milhões. O Grupo Gerdau também é investigado pela suposta tentativa de anular débitos que chegariam a R$ 1,2 bilhão. Segundo reportagem do “Estadão”, outra empresa gaúcha, a Marcopolo, estaria sendo investigada pela suspeita de pagamento de propina no valor de R$ 1 milhão para se livrar de uma multa de R$ 200 milhões. E-mails interceptados pela Operação Zelotes revelariam o suposto acerto. Em nota oficial divulgada na quinta-feira (2), a Marcopolo diz que somente tem conhecimento dessa investigação pela mídia.

Receita Federal começou a investigar em 2013

A Receita Federal conduz desde 2013 uma investigação própria, por meio de sua Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação, sobre os fatos que resultaram na Operação Zelotes. A informação foi dada pela própria Receita em nota oficial divulgada quinta-feira (2). Quando tomou conhecimento que a Polícia Federal também estava realizando investigações sobre o mesmo tema, a Receita passou a atuar de forma conjunta, em regime de força-tarefa, com participação também da Corregedoria do Ministério da Fazenda e do Ministério Público Federal para apuração dos fatos, informa a nota distribuída à imprensa, assinada em conjunto pela Receita e pela PF.

A participação da Receita, da Corregedoria do Ministério da Fazenda e da Polícia Federal, diz ainda a nota, “foram decisivas para o sucesso da investigação, considerando-se a complexidade e especificidade do tema, produzindo diversas informações e documentos que foram integrados ao correspondente procedimento criminal, que tramita em segredo de justiça”. Segundo a Receita e a PF, “não há qualquer indício nos autos que apontem o envolvimento de servidores responsáveis pela investigação nas irregularidades apuradas pela Operação Zelotes”.

Marco Weissheimer
No Sul21
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Com licença, este é nosso campo

A Folha de S. Paulo publicou, na quinta-feira (2/4), texto não assinado no qual noticia: “Jornalistas articulam novo modelo de conselho” (ver aqui). Ali se afirma, inicialmente, que “mais de uma década após a rejeição à criação de um Conselho Federal de Jornalismo, pelo então presidente Lula, a proposta voltou a ser articulada, agora por profissionais reunidos no grupo Jornalistas Pró-Conselho”... e por aí vai.

Trata-se da primeira manifestação da imprensa hegemônica contra essa iniciativa, e começa com uma mentira. Na verdade, os jornalistas pró-Conselho, que fizeram o lançamento oficial do movimento no dia 28 de março, não pretendem a retomada daquela proposta, que efetivamente foi rejeitada pelas lideranças do Congresso em 2004, não pelo ex-presidente Lula da Silva. Originalmente, a Federação Nacional dos Jornalistas defendia a criação de um Conselho Federal de Jornalismo; o intenso lobby das empresas de comunicação derrubou a ideia, mesmo depois que a Fenaj propôs alterar a configuração da entidade, para Conselho Federal de Jornalistas.

O que se realiza no presente caso é um debate sobre a possibilidade de vir a ser criado um conselho profissional de jornalistas, o que exclui a participação das empresas de comunicação, como entidades corporativas. O grupo que organiza essas discussões ainda recolhe opiniões sobre a natureza da instituição que se pretende criar, e seus integrantes sabem que tanto pode ser uma autarquia como uma rede referente (no sentido que os estudantes de Jornalismo aprendem na faculdade, ou seja, nosso objeto é o Jornalismo, e o conceito, ou referência, é o seu exercício profissional).

Isso quer dizer que estamos, como jornalistas, criando um foro específico para tratar de questões profissionais e nossa referência é o Jornalismo, ou seja, o grupo procura identificar o que define essa profissão hoje em dia. Não por acaso, a primeira pergunta que se propôs a responder era: “O que é o Jornalismo hoje?”

A regulamentação da profissão deixou de existir com a decisão do Supremo Tribunal Federal, em junho de 2009, ao considerar inconstitucional a exigência do diploma para seu exercício, mas isso não impede que se coloque em pauta esse questionamento.

Liberdade para uns

A reação das corporações de imprensa, como prenunciado pela Folha de S. Paulo, será, certamente, contrária a tal iniciativa, porque as empresas de comunicação não querem um debate sobre Jornalismo. Conforme foi divulgado, os três temas que conduziram o encontro do dia 28/3 foram: diagnóstico sobre o atual momento da profissão; formação e regulamentação da profissão; e Conselho Profissional de Jornalistas – autarquia ou associação civil?

Por que os jornais teriam interesse em impedir a evolução desse debate, ainda que restrito ao universo dos jornalistas profissionais, aos estudantes e professores das faculdades de Jornalismo?

Entre outras razões, porque o aprofundamento das questões específicas da profissão vai desmoralizar alguns dos principais argumentos utilizados pelas corporações de imprensa quando exercitam seu poder junto às instituições da República. Por exemplo, pode-se afirmar que a falta de uma regulamentação da mídia – e não uma autorregulamentação ou o cumprimento da norma constitucional sobre a propriedade dos meios – é uma ameaça à liberdade de expressão.

Basta observar que os principais veículos de imprensa usam a omissão das leis para patrocinar um jornalismo unilateral, irresponsável, manipulador, para se evidenciar que a livre expressão é privilégio de autores com o perfil ideológico aprovado pelas redações, livres até para usar a linguagem chula.

Essa é apenas uma das questões que desafiam o exercício da profissão no Brasil; é preciso enfrentar muitas outras, algumas das quais de abrangência global, como o desenvolvimento das tecnologias digitais de informação e comunicação, o crescimento das redes sociais, a robotização do jornalismo utilitário (informes meteorológicos, situação do trânsito, programação dos cinemas etc.), a depreciação do jornalismo de ciências, o encolhimento do mercado de trabalho dos jornalistas etc.

Esses são desafios típicos dos jornalistas profissionais, daqueles que ensinam e dos que procuram o conhecimento específico numa faculdade de Jornalismo – não de historiadores ou sociólogos que obstinadamente conquistaram um espaço na imprensa.

Há diferenças profundas entre um ensaísta que escreve eventualmente num jornal ou revista – ainda que se declare jornalista – e um profissional que vive cotidianamente as questões complexas do Jornalismo.

Com licença, este é o nosso campo.

Luciano Martins Costa
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Na prisão Chelsea Manning abre conta no Twitter

Bradley Manning
Chelsea Manning (ex Bradley Manning), condenada a 35 anos de prisão por vazar informações confidenciais ao WikiLeaks, abriu nesta sexta-feira a sua própria conta na rede social Twitter, de onde tuiteará da prisão ditando suas mensagens por telefone.

Manning, que não tem acesso à internet desde a prisão de Fort Leavenworth (Kansas, EUA), onde cumpre condenação, dita as mensagens por telefone para os seus amigos, e eles as escrevem em seu nome na rede social.

"Este é o meu novo Twitter" foi a primeira mensagem que a soldado publicou nesta sexta-feira ao meio-dia, seguida de outras três nas quais explicou como pretende usar a conta.

"Tweet da prisão requer muito esforço e usa um telefone para ditar", disse em outra mensagem.

A conta @xychelsea tem por enquanto apenas quatro mensagens e da qual não segue ninguém, já alcançou mais de 31.000 seguidores nas primeiras 24 horas após a abertura.

Na foto, seu rosto aparece em preto e branco, com cabelos longos, e nas informações da conta aparece Fort Leavenworth como localização.



Em 12 de fevereiro, Manning recebeu aprovação do Exército dos EUA para realizar um tratamento para mudança de sexo, depois de condenado o soldado Bradley mudou o seu nome para Chelsea.

Chelsea Manning sempre defendeu que revelou informações confidenciais sobre abusos militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão pelo interesse público e para abrir um debate sobre os conflitos nesses países.

En la foto, aparece su rostro en blanco y negro con pelo largo

No CubaDebate
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Jungmann posa de exemplo da moralidade, mas recebe por cargo que não exerce

Mesmo tendo assumido mandato de deputado federal, em Brasília, parlamentar se mantém vereador em Recife

Telhado de vidro. Jungmann (dir), Carlos Sampaio (centro) e
Mendonça Filho pedem à PGR para investigar Dilma
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Na última terça-feira (31), o deputado Raul Jungmann, do PPS de Pernambuco — correligionário e conterrâneo de Roberto Freire —, juntou-se a colegas deputados do DEM e PSDB para bater na porta do  procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para pedir que ele reconsidere sua decisão e peça abertura de inquérito para investigar se a presidenta Dilma Rousseff estaria de alguma forma envolvida no esquema de propinas na Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Jungmann, aliás, é o autor do pedido. Mas se a preocupação do recém empossado deputado for moralização e zelo com a coisa pública, ele deveria começar dando o exemplo.

Raul Jungmann mantém dois mandatos eletivos, um de deputado federal e outro de vereador em Recife. Há um mês e meio, ele assumiu na Câmara Federal a vaga deixada por Sebastião Oliveira (PR), também de Pernambuco e atual secretário estadual dos Transportes. Porém, em vez de renunciar ao cargo na Câmara Municipal de Recife, ele apenas se licenciou do mandato de vereador.

Em fevereiro, inclusive, Jungmann recebeu o salário integral pela vereança, mesmo tendo deixado a Câmara no dia 14 daquele mês. As informações estão no Diário Oficial e no Portal da Transparência da Câmara Municipal.

Jungmann assumiu o mandato de deputado federal oficialmente  em 12 de fevereiro, passando a receber salário da Câmara. Mas entre 12 e 28 de fevereiro, ele foi um "vereador fantasma" na folha de pagamento municipal de Recife, acumulando dois salários por cargos que não podem ser exercidos ao mesmo tempo.

A atitude é incompatível com o discurso de "paladino da ética" que o deputado tenta imprimir em seu mandato. A Constituição Federal diz, em seu artigo 54, que os deputados e senadores não poderão, desde a posse, ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.

Jungmann licenciou-se do mandato de vereador conforme Resolução 2.595/2015 da Câmara de Recife, publicada no Diário Oficial do dia 14 de fevereiro, “sem ônus para o erário municipal, por tempo indeterminado, a fim de que possa assumir a função de suplente em exercício de deputado federal, enquanto perdurar o afastamento dos titulares”. Porém, o Portal da Transparência da Câmara Municipal que Jungmann foi pago usando-se o salário integral de R$ 15.031,76 como base de cálculo, igual ao dos demais vereadores que trabalharam o mês inteiro.

A assessoria de Jungmann disse ao Jornal do Commércio, de Recife, que devolverá aos cofres públicos R$ 5.366,14. “Uma guia de recolhimento foi enviada ao deputado com a informação que ele deixou a Câmara do Recife no dia 20 de fevereiro e recebeu um valor maior. O documento foi assinado pelo diretor da divisão de pessoal”, diz a nota.

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Continua errado. Como o deputado começou a receber em Brasília a partir de 12 de fevereiro, como comprova o portal da transparência da Câmara dos Deputados, só pode ser remunerado pela Câmara do Recife até o dia 11, pois é proibido acumular os dois cargos. Se receber até o dia 20 de fevereiro, como informou a assessoria, continua na situação de vereador "fantasma" na folha de pagamento por nove dias.

Mas até a licença de Jungmann do cargo de vereador é polêmica. Alguns juristas consideram que, se o parlamentar optou por exercer o mandato federal, deveria renunciar ao de vereador em vez de apenas licenciar-se. Há quem defenda que, ainda que não receba salários, ele continuará acumulando dois cargos. Seria interessante saber porque Jungmann prefere continuar vereador, mas ser deputado e não seguir a Constituição à risca.

Segundo a assessoria do polivalente parlamentar, a Câmara Municipal lhe deu um parecer jurídico favorável à licença, que foi aceito pela Câmara dos Deputados, alegando ser ele suplente e não titular do mandato federal. Disse ainda que "essa mesma decisão já foi tomada em situações semelhantes, em outros lugares, como São Paulo". É mais do mesmo e mais uma vez. Pode ser até legal, mas importaria debater se é ou não imoral, especialmente vindo de quem chega se dizendo mais um arauto do combate à corrupção.

Lembrança

Só pra recordar, em 2011 o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na época no DEM, arrumou uma ocupação para Jungmann na administração paulistana.

Apesar de residir em Recife e estar frequentemente em Brasília, Jungmann não viu problemas em ser nomeado para o Conselho de Administração da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) , que monitora e organiza o trânsito em São Paulo, com salário mensal de módicos R$ 12 mil.

Helena Sthephanowitz
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A resposta certa para a fAlha de são paulo





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Empreiteiro abre o jogo sobre corrupção (em 1996…)

Aroeira
Um dos problemas da mídia brasileira é que ela inventa uma narrativa que não corresponde à realidade.

Apenas serve a um propósito político.

Segundo esta narrativa, a corrupção começou agora, com o PT.

É uma coisa esquizofrênica, porque no momento em que a Polícia Federal e o Ministério Público iniciam grandes investigações, que não poupam ninguém, nem membros do governo, nem gente da cúpula dos partidos governistas, ou seja, quando há efetivamente, combate à corrupção, pinta-se um quadro de descontrole administrativo que, na verdade, pertence ao passado.

A corrupção em grande escala sempre acontece nos bastidores do poder. Por isso, investigações que não atingem o próprio governo e os próprios partidos no poder não são objetivas.

Era o que acontecia antes. Não havia investigação. A Polícia Federal era uma ferramenta de partido, e suas atividades não poderiam jamais afetar a imagem do governo.  Ao final do governo FHC, chegou-se ao cúmulo do diretor da Polícia Federal ser um militante filiado ao PSDB.

Hoje, não. Hoje a Polícia Federal tem independência. Tanta independência que alguns setores são, inclusive, acusados de estarem à serviço da oposição.

Isso também não pode acontecer. A PF não pode servir nem ao governo, nem à oposição.

De qualquer forma, ninguém hoje nega que a PF tem muito mais autonomia do que jamais teve no passado. Investiga mais, possui mais estrutura (mais gente e mais recursos), e tem mais autonomia.

Dito isso, publico abaixo uma entrevista concedida à Istoé, em fevereiro de 1996, por Murilo Mendes, então presidente de uma das maiores empreiteiras nacionais, a Mendes Jr.

É uma entrevista com valor político e literário. Político, porque Mendes Jr. abre o jogo, às vezes diretamente, às vezes com insinuações, sobre a corrupção generalizada que existia na relação entre as empreiteiras e os governos.

A própria Istoé, no editorial daquela edição, deixa bem claro que a corrupção era a regra:

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Eu falei em “valor literário” da entrevista porque Murilo Mendes usa uma linguagem solta, cheia de palavrões, que expressa uma época que hoje parece tão distante do padrão politicamente correto que rege nossa imprensa.

Trechos com insinuações interessantes:

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“Serjão” era o apelido de Sergio Motta, o homem forte do governo FHC na relação com o congresso, acusado de ter sido o operador do esquema de propinas para a aprovação da emenda da reeleição. Esse é o homem com quem Murilo Mendes admite ter “conversa de empreiteiro”.

Além de operador político, Motta também era ministro da Comunicação, o homem que lidava diretamente com os grandes grupos de mídia, enchendo-os com dinheiro da publicidade institucional. Não existia esse negócio de “mídia técnica”. A grana era para Globo, Abril, Folha, Estadão, Istoé, e ponto final.

Trechos com confissões do presidente da Mendes Jr, sobre existência da cultura de propina:

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propinas

Entretanto, é de se notar a simpatia da Istoé pelo entrevistado, e pelas empreiteiras de maneira geral, mesmo sabendo que elas pagavam propina a funcionários do governo.

A entrevista é feita com explícito objetivo de expor o ponto-de-vista do presidente da Mendes Jr, cujos negócios sofriam com uma dívida de R$ 3 bilhões que o governo não queria pagar.

Ainda não havíamos chegado ao vale-tudo de hoje, em que, na ânsia de derrubar um governo eleito, a mídia não mais se preocupa com o destino das empresas e dos milhões de empregos agregados às suas atividades.

A íntegra da entrevista, e o editorial da Istoé podem ser vistos abaixo:


Miguel do Rosário
No Tijolaço
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Juízes do Trabalho ampliam mobilização contra PL da Terceirização

Associação de magistrados retoma campanha em que atores ativistas pelos direitos humanos alertam para ataque no Congresso contra direitos dos trabalhadores

Dira Paes, em filme contra projeto que ameaça
ampliar a exploração dos trabalhadores pelos setores patronais
A propósito da tramitação do projeto de lei que regulamenta a terceirização, o PL 4330, que pode ser votado na Câmara dos Deputados na próxima terça-feira (7) a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) voltou a divulgar uma campanha contrária à matéria, que pode levar ao retrocesso em direitos trabalhistas e ampliar a precarização das condições de trabalho.

Em vídeo, compilado de dois outros de uma campanha anterior, de 2013, depoimentos de atores e atrizes ligados ao Movimento Humanos Direitos (MHUD) alertam sobre os riscos do "liberou geral" proposto pelo projeto, cujo relator é o deputado Arthur Maia (SD-BA).

Camila Pitanga, Vagner Moura, Osmar Prado, Dira Paes, Bete Mendes, Priscila Camargo e Gilberto Miranda, todos de expressão nacional, gravaram depoimentos contundentes sobre o que consideram perigos "para as gerações futuras".

"A terceirização traz benefícios apenas para empresários, que poderão cortar custos pagando salários mais baixos", diz um dos depoimentos. O filme refeito circula entre portais de entidades da sociedade civil e dos movimentos sociais, além de blogues da chamada ala progressista.

Assista a íntegra:


No RBA
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A mídia e a greve mundial no McDonald’s

Está agendada para 15 de abril uma “greve mundial” contra a rede estadunidense de fast-food McDonald’s. A previsão é de que o movimento tenha a adesão de 200 cidades de 35 países. O motivo é a brutal exploração exercida pela multinacional, que paga míseros salários e adota inúmeras práticas lesivas aos direitos trabalhistas. Os trabalhadores brasileiros participarão da jornada.

Em meados de março, o sindicato da categoria (Sinthoresp) protocolou uma ação no Tribunal de Justiça do Trabalho de São Paulo exigindo o fim do acúmulo de funções e o pagamento do adicional por insalubridade. Houve protesto dos funcionários na Avenida Paulista e a população foi informada sobre a adesão à “greve mundial”. A mídia privada, porém, não deu maior destaque ao movimento. A multinacional é uma das maiores anunciantes do país, o que explica a cumplicidade da imprensa privada e venal!

A mobilização contra os abusos do McDonald’s tem crescido no mundo inteiro. Ela teve início nos EUA em 2012, quando os funcionários desta e de outras redes de fast-food se reuniram em Nova York para exigir aumento salarial e melhores condições de trabalho. Desde então, outras cidades de várias partes do mundo aderiram aos protestos. O movimento conquistou o apoio de vários sindicatos, de estudantes e até de pastores de igrejas de Nova York, Chicago e Detroit.

Arrogante e truculenta, a direção da multinacional tenta minimizar o impacto das mobilizações. “Esses eventos não são 'greves', mas manifestações organizadas para atrair a atenção da mídia”, afirma Heidi Barker, porta-voz do McDonald's nos EUA. A realidade, porém, é bem diferente, conforme aponta Kwanza Brooks, funcionária da empresa na Carolina do Norte. “Quando nós começamos, poucas pessoas queriam participar. Elas estavam assustadas, com medo de perder o emprego. Mas o movimento está realmente crescendo, e pessoas que não sabiam que nós existíamos, agora sabem”.

Os efeitos da mobilização já se fazem sentir em vários terrenos. Em fevereiro, a multinacional confessou uma queda de 4% nas vendas em suas lojas nos EUA e de 1,7% em sua operação global, segundo reportagem do jornal “The New York Times”. Nas últimas semanas, o comando da “campanha global pelos direitos dos funcionários do McDonald’s” também comemorou outras vitórias parciais. Pela primeira vez na história ocorreu uma audiência do Comitê Nacional de Relações de Trabalho dos EUA em que a empresa foi acusada formalmente por práticas lesivas aos direitos dos trabalhadores e pela repressão à ação sindical. Antes, o órgão responsabiliza apenas os franqueadores da rede.

Já na terça-feira (31), a Comissão Europeia Antitruste solicitou, em Luxemburgo, informações sobre o acordo fiscal feito com o McDonald's em decorrência das denúncias de sindicatos de trabalhadores de evasão da ordem de 1 bilhão de euros entre 2009 e 2013. E no Japão, os investidores de fundos de pensão detentores de ações do McDonald's pediram a troca dos integrantes do conselho da empresa motivados pelas quedas nos resultados da companhia desde uma crise envolvendo o uso de matéria-prima estragada. Todos estes fatos, porém, não geram reportagens e denúncias na mídia “imparcial”. A grana da publicidade justifica a postura mafiosa!

Altamiro Borges
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Otacílio Cartaxo entra na mira de investigadores da Operação Zelotes

Ele
O ex-secretário da Receita Federal Otacílio Cartaxo, atual presidente do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), se tornou um dos principais alvos da Operação Zelotes, aberta para apurar fraudes no julgamento, pelo conselho, de recursos de autuações do fisco.

Cartaxo comandou a Receita de 2009 a 2011. Quando deixou o órgão, como auditor aposentado, foi nomeado para presidir o Carf, órgão em que são julgadas em última instância administrativa autuações feitas pelo fisco. Ele só assumiu porque o governo alterou o regimento interno, pelo qual auditores aposentados não podiam presidir o órgão.

As suspeitas contra o ex-secretário do fisco remontam a 2006, quando ele caiu na malha fina da Corregedoria da Receita, por duas razões: em vários anos seguidos, declarou manter altas somas em dinheiro vivo guardadas em casa e ter recebido e doado quantias expressivas, superiores a seu salário.

Na ocasião, Cartaxo exercia cargo de conselheiro no Conselho de Contribuintes, nome anterior do Carf. A auditoria contra Cartaxo acabou sendo arquivada.

Agora o caso pode ser revisto. Diante dos novos elementos coletados na Operação Zelotes, os investigadores suspeitam que ele atuasse em esquemas no conselho de recursos fiscais desde aquela época.

Quando deflagrou a operação, no dia 26 de março, a PF cumpriu mandado de busca na residência do advogado Leonardo Manzan, genro de Cartaxo. Foram apreendidos R$ 800 mil guardados em um cofre. Manzan também foi conselheiro do Carf e está na lista de investigados.

Procurado desde terça (1º) em sua casa e em seu celular, Cartaxo não respondeu aos pedidos de entrevista. Em Brasília, informaram que ele viajara para o Nordeste.


Leonardo Souza
No fAlha
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II Encontro Estadual de Blogueiros e Ativistas Digitais de São Paulo


TEMA: A COMUNICAÇÃO COMO DIREITO HUMANO

24/04 – ABERTURA

18h:30 – Credenciamento

19h – Mesa de abertura
  • Altamiro Borges – Presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
  • Aparecido Araujo – Comissão Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais
  • Izabel Heitor – Comissão organizadora do 2BlogProgSP
  • Emiliano José – Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações
  • Simão Pedro – Secretário Municipal de Serviços da Prefeitura de SP
20h – Coffe Break e atividade cultural com Marcelo Monteia.

25/04 – DEBATES E DESCONFERÊNCIAS

9h – Democratização da Comunicação Social, seus impactos e sua importância para a democracia
  • Guilherme Boulos – coordenador nacional do MTST
  • Laura Capriglione – Jornalistas Livres
  • Laurindo Leal Lalo Filho – Sociólogo, jornalista e professor de jornalismo
  • Mediadora: Conceição Oliveira – Blog Maria Frô
10h30 – Mesa: Marco Civil da Internet: regulamentação e desafios
  • Renata Mielli – Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
  • Veridiana Alimonti – Intervozes
  • Ronaldo Matos – Blog Desenrola e Não Me Enrola
  • Mediador: Eduardo Guimarães – Blog da Cidadania
13h – ALMOÇO

14h – Desconferências – Tema: Direitos Humanos no Brasil
(serão realizadas simultaneamente)

1ª: A periferia e o jornalismo comunitário
  • Aline e Thiago – Periferia em Movimento
  • Thais – Desenrola e Não Me Enrola
  • Paulo Ferraz Simões – Rádio Comunitária Itaquera
  • Mediador: Renato Rovai – Revista Forum 
2ª: Mídia e minorias: questões de gênero e racismo
  • Márcia Cabral – ativista do Movimento Negro e LGBT
  • Rachel Moreno – Psicóloga e pesquisadora
  • Dennis de Oliveira - Quilombação
  • Mediadora: Preta Rara – Nação Hip Hop
3ª: Mídia e a violência de Estado
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O acordo EUA / Irã

Amorim analisa o acordo EUA/Irã

Um acordo baseado na confiança, não é Hillary? – PHA

Amorim, os iranianos e os turcos: era possivel!
O ansioso blogueiro manteve nessa manhã de sábado (4/4) conversa por telefone com o grande chanceler Celso Amorim, co-autor da “Declaração de Teerã”, com o Presidente Lula e a Turquia.

(Clique aqui para ler “Celso Amorim e a diplomacia altiva” )

Ali, em maio de 2010, o Irã se comprometeu a submeter seu programa nuclear a restrições e controles muito semelhantes aos que o Presidente Obama, em carta e pessoalmente, tinha dito ao Presidente Lula que eram indispensáveis.

O ansioso blogueiro reproduz agora — de forma não literal — as observações telefônicas de Celso Amorim sobre o acordo que os Estados e o Irã, celebraram, nessa sexta-feira:

— é preciso, primeiro, ver exatamente os números envolvidos, sobretudo a quantidade de urânio que o Irã poderá reter;

— ao comparar esse acordo com a “Resolução de Teerã” é importante observar que são de natureza diferente: o acordo de ontem é uma barganha entre as sanções – que a Resolução evitaria – e os compromissos assumidos pelo Irã;

— basicamente houve perda de tempo – cinco anos;

— cinco anos de privações do povo iraniano;

— cinco anos de imobilismo diplomático: será que o problema do ISIS não poderia ter sido enfrentado, mais cedo, com a ajuda do Irã ?

— fazer uma bomba, ao lado de Israel, seria uma tentativa de suicídio do Irã;

— o Irã, no máximo, pode ter o poder “deterrent”, o poder de deter, de impedir;

— a Síria não se resolve sem o Irã;

— no Irã, o acordo parece muito popular;

— nos Estados Unidos, embora o Congresso tenha que votar o cancelamento de algumas sancões, estou otimista;

— Obama foi corajoso;

— se ele recuou da Resolução de Teerã, talvez tenha sido por causa da reeleição;

— agora, não, ele deve estar preocupado com o seu legado, sua biografia;

— e nesse ponto, ela tem dois pontos relevantes: Cuba e o Irã;

— nisso, a politica externa americana fica parecida com a brasileira;

— com exceção do que fez agora com a Venezuela, porque se tem uma coisa que a Venezuela não é… é uma ameaça aos Estados Unidos;

— é possível que Obama tenha feito um acordo com o Irã sobre as etapas do cancelamento das sanções, exatamente por causa da negociação com o Congresso;

— mas, estou otimista.

— a Resolução de Teerã demonstrou que era possível chegar a um acordo.

— eu estava no aeroporto de Nova York, ante-ontem, e vi naqueles letrinhas embaixo da imagem, na CNN, uma frase interessante: que essa acordo foi baseado na “confiança”;

— e a Hillary me dizia que não se podia confiar no Irã…




EUA deveriam ter levado a sério acordo entre Brasil, Turquia e Irã

Se os Estados Unidos tivessem levado a sério o acordo Brasil/Turquia/Irã de 2010 em torno do programa nuclear iraniano, o mundo teria perdido menos tempo e enfrentado menos dificuldades ao enfrentar o tema.

É a conclusão que emerge após o acordo preliminar da quinta-feira (2) entre as seis grandes potências e o Irã.

Comecemos por um detalhe técnico relevante: na carta que mandou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao primeiro-ministro turco Recep Erdogan, Barack Obama dizia ser "fundamental" que o Irã enviasse ao exterior 1.200 quilos de urânio pobremente enriquecido para ser enriquecido a um ponto compatível com seu uso pacífico e incompatível com a bomba.

Esse ponto constava explicitamente do acordo Brasil/Turquia/Irã. Agora, o tamanho do estoque iraniano de urânio pobremente enriquecido é de 10 mil quilos (será reduzido a 300 quilos nos termos do acordo de Lausanne).

Vê-se, pois, que o Irã avançou bastante em seu programa nuclear nesse lapso de cinco anos. Se o acordo de 2010 tivesse sido usado como base de uma negociação entre as potências e o Irã, em tese seria mais fácil um entendimento, pois os iranianos não estariam tão avançados.

Do ponto de vista político, o acordo de 2010 também era importante. Obama havia dito a Lula e a seu chanceler Celso Amorim que os EUA precisavam de um país amigo que pudesse dialogar com o "inimigo", o Irã. O Brasil dispôs-se a esse papel, com relativo sucesso.

Aproveitar a boa disposição iraniana em negociar com países aliados dos EUA, como Turquia e Brasil, serviria para, eventualmente, alcançar o mesmo que agora promete o presidente Hasan Rowhani: cooperar com a comunidade internacional.

Ressalve-se, claro, que o presidente da época era o radical Ahmadinejad, ao passo que Rowhani é claramente um moderado. Por fim, Lula transmitiu a Ahmadinejad sua reclamação contra declarações do então presidente iraniano sobre o Holocausto (negando-o) e contra Israel.

De certa maneira — e sem o peso que teria uma declaração das potências mundiais —, atendeu um ponto que, agora, Binyamin Netanyahu, o premiê israelense, está pedindo: que o acordo final com o Irã inclua o reconhecimento iraniano do direito de Israel à existência (obviamente a uma existência segura).

Fica claro, pois, que o Brasil não foi naquele momento o "anão diplomático" como o qualificou recentemente um porta-voz israelense. Pena que tenha sido tratado como tal pelos EUA.

Clóvis Rossi
No fAlha
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50 tons de roxo

– Entre, entre. Me dê o seu casaco.

– Obrigada.

– Se quiser tirar mais alguma coisa...

– Não, estou bem assim.

– Talvez mais tarde.

– Talvez. Lindo o seu apartamento...

– Eu sei. Além de ser rico e bonito, eu tenho muito bom gosto.

– Esse moço pendurado na parede...

– É um sobrinho do Picasso. Comprei em Paris. De hora em hora, ele desce daí para descansar, fazer xixi ou se alimentar. Depois volta para a parede.

– Que luxo.

– Você ainda não viu nada. Vamos passar para a outra sala. A que eu chamo de meu laboratório lúbrico. É onde faço minhas experiências.

– Meu Deus, quantos objetos sexuais!

– Tenho um fornecedor que me manda todas as novidades. Algumas eu ainda nem descobri para que servem. Esse tubo de borracha com a ponta serrilhada, por exemplo. Por enquanto, eu uso para coçar o pé.

– Posso me sentar nesta cadeira?

– Pode. Só cuidado porque...

– Ui!

– Eu ia lhe avisar. Ela é uma Cadeira de Afrodite. Quando menos se espera, sobe um pênis rotativo.

– Eu senti. Você diz que é aqui que faz experiências?

– Sim. Por exemplo: estou no meio de uma pesquisa sobre os efeitos do chicote na pele feminina. Cada pele fica um tom de roxo diferente. Não existem dois hematomas iguais.

– Que coleção de instrumentos!

– Sim, há de tudo. Bolotas japonesas. Garrote francês. Arreios.

– Estas algemas... Eu gostaria de experimentar.

– Fique à vontade. Mas é melhor tirar a roupa primeiro.

– Certo. Posso lhe fazer uma pergunta?

– Claro.

– De todas aquelas mulheres na fila para ver o filme, por que você me escolheu?

– Na verdade, faço a proposta para várias. Digo “venha comigo e terá experiências muito mais excitantes do que as do livro, e do que as do filme, então, nem se fala. E será ao vivo!”. A primeira que aceitar, vem. Desta vez foi você.

– Será que eu vou me arrepender?

– Até agora nenhuma se queixou. Vamos começar com quê? Faça a sua escolha.

– Hmmm... Eu ouvi você falar em arreios?

Luís Fernando Veríssimo
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A triste realidade do usuário de internet


Mais da metade (56%) dos consumidores que utilizaram o medidor da Proteste para monitorar a taxa recebida da operadora de internet apontou velocidade abaixo da contratada na banda larga fixa. E 65,2% deles se mostraram insatisfeitos com a velocidade entregue.

O medidor lançado em parceria com o site Minha Conexão, no início de março, para estimular o internauta a fazer medições ao longo do mês, foi acessado por 128 mil usuários. Nos casos em que forem constatados descumprimentos ao contrato, a Proteste vai ajudar o consumidor a buscar os seus direitos.

Pelas regras de qualidade da internet fixa estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as empresas são obrigadas a oferecer uma velocidade mínima para a banda larga. A velocidade instantânea entregue deve ser, no mínimo, 40% do contratado em 95% dos acessos. E a velocidade média mensal deve ser no mínimo 80% da velocidade contratada.

Desde o lançamento do medidor, 128 mil usuários se cadastraram e 5 mil responderam a pesquisa realizada pela Proteste. Dos que afirmaram que a taxa média de velocidade recebida era inferior à contratada, 19% apontaram diferença de 10% a menos. E 14% dos entrevistados detectaram nas medições taxa de velocidade 50% menor do que a contratada.

O pior caso foi o da operadora Sky, em que 19,2% dos entrevistados apontaram que a velocidade média gerada no relatório do medidor era 60% menor do que a contratada.

Clientes da Embratel e Sercomtel apontaram que a taxa de velocidade medida era 40% menor do que a contratada, com 33,3% e 50,0% de respostas, respectivamente. E 24,1% dos consumidores com planos de banda larga da Algar Telecom, afirmaram receber taxa de velocidade 30%  inferior ao estipulado em contrato.

Na comparação da satisfação de acordo com a operadora contratada, os clientes das empresas Algar Telecom, Claro, Oi, Sercomtel, Sky e Vivo se mostraram mais insatisfeitos em relação à velocidade de banda larga recebida. Em relação à velocidade contratada, 44,2% afirmaram terem optado por planos que oferecem menos de 10MB por segundo. E 27,4% dos entrevistados têm planos de 10Mbps.

Com exceção das operadoras GVT, onde a maioria dos respondentes que afirmaram utilizar essa operadora, 51,6%, contratou um plano de 15MB, da operadora Live TIM, em que 26,3% dos planos contratados por nossos entrevistados devem fornecer 35MB e Net Virtua / Net Combo, onde o plano de 10MB foi escolhido por 57,3% de nossa amostra.

A maioria dos entrevistados utiliza os serviços da Oi, 25,4%, seguido dos clientes da operadora Net Virtua / Net Combo, 23,7%. A região Sudeste teve participação de 56,7% na pesquisa, seguida pelas regiões Sul, com 18,7% e Nordeste, com 13,4%. O estado de São Paulo teve  31,4% de participação, superando todas as regiões pesquisadas.

No GGN
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Querem boicotar o Memorial Goulart

Quem quer derrubar os tapumes?


Na última terça-feira (31), o Instituto Presidente João Goulart solicitou à Polícia Federal, por meio de notícia crime, a investigação de um movimento organizado para derrubar os tapumes que protegem a area destinada a instalar o futuro Memorial João Goulart, obra do arquiteto Oscar Niemeyer.

Traço inicial de Niemeyer para concepção do projeto
O protesto, que é encabeçado pelo ex-secretário de Cultura do Distrito Federal, Silvestre Gorgulho, deve ocorrer no dia 12 de abril, mesmo data em que é convocada manifestação contra a Presidenta Dilma Rousseff.

“Mais uma vez querem cassar o Jango e, ainda , aproveitar-se de uma manifestação contra a Presidenta Dilma para incitar a violência , convocando os manifestantes a derrubada dos tapumes e depois um abraço ao Memorial JK, manchando a imagem de um outro Presidente democrata, como se JK aprovasse uma ação desta natureza,arbitraria e ilegal”, revela Verônica Fialho, diretora do Instituto João Goulart.

O terreno, que fica Eixo Monumental da capital federal, na Praça do Cruzeiro, próximo ao memorial Juscelino Kubistchek, tem 10,8 mil metros quadrados e foi destinado ao Instituto em abril de 2013, na gestão Agnelo Queiroz (PT).

O local, anteriormente, havia sido destinado à construção do memorial dos Pracinhas da FEB (Força Expedicionária Brasileira), que combateram na Segunda Guerra Mundial.

“Tomamos medidas judiciais”, continua Verônica.

Explicação de Niemeyer nos autos do processo do terreno a respeito da seta
O governo atual, a principio, decidiu manter a construção do projeto, mesmo diante dos protestos.

O Memorial

Para o Memorial, foram arrecadados cerca de R$ 48 mil. O orçamento prevê R$ 17 milhões investidos. O Instituto Presidente João Goulart conseguiu autorização para captar R$ 15,8 milhões via Lei Rouanet.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), “não há evidências de irregularidade no projeto”.

Oficio iphan

“O que ocorre é que originalmente o terreno era para a construção do Arquivo Público do DF e depois em 1988 passou para ser construido o Memorial dos Heróis da Pátria e só 18 anos depois, em 2006, para o Memorial do Jango. Escavaram nosso processo do terreno e nada encontraram “, esclarece a diretora.

Leia o documento enviado à PF:


No CAf
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Padre do PSDB é funcionário fantasma há mais de 20 anos com salário de R$ 11 mil


Conhecido por levar milhares de fiéis as suas celebrações, o padre Luiz Augusto Ferreira, responsável pela Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus, em Aparecida de Goiânia, está no quadro de servidores ativos da Assembleia Legislativa.

Ele recebe pelo cargo de analista legislativo R$ 11,8 mil de salário bruto. De acordo com servidores da Assembleia, padre Luiz Augusto não cumpre expediente na Casa há pelo menos 20 anos.

A Diretoria-Geral (DG) informou que Luiz Augusto está lotado na Diretoria Parlamentar e que usufrui de licença-prêmio até 4 de maio. Não há informações sobre o histórico do servidor, segundo a DG. O presidente da Assembleia, Hélio de Sousa (DEM), através de sua assessoria, informou que a sua gestão não vai responder pela administração anterior.

Padre Luiz Augusto não esconde sua situação de funcionário público que não cumpre expediente, como seus colegas. Ele argumenta que está de licença desde 1995, quando foi ordenado padre. “A exceção foi 2012, ano em que trabalhei no gabinete do ex-presidente Jardel Sebba (PSDB)”. Jardel, por sua vez, não soube dizer quanto tempo Luiz Augusto ficou à disposição da presidência, nem a função que exerceu no período. “Lembro que ele se apresentou e eu deleguei uma missão. Mas você há de convir que faz muito tempo”, esquivou-se.

O regimento interno não permite que um servidor fique 20 anos licenciado. A legislação da Casa prevê, no máximo, quatro anos de licença, prorrogáveis por mais quatro anos.

Luiz Augusto garante que manteve o vínculo com o Legislativo apenas para que ele e seus cinco dependentes usufruam do Ipasgo (plano de saúde estadual). Segundo ele, o valor da remuneração está integral em uma conta bancária e seu plano é utilizá-lo para a construção de uma chácara para dependentes químicos. Constrangido, o padre assegura ter tentado pelo menos oito vezes pedir demissão, mas que em nenhuma delas foi atendido. “Conversei com pessoas responsáveis pela direção da Casa”, revela, sem citar nomes, “e todos disseram que meu trabalho é especial e que diz respeito ao próprio Estado”.

Nota da Assembleia

A Diretoria Geral da Assembleia divulgou a seguinte nota: “Ao longo de sua carreira no Parlamento, Luiz Augusto Ferreira da Silva recebeu convites de deputados para trabalhar junto aos gabinetes. A legislação interna permite que cada gabinete possa requerer um funcionário do quadro efetivo para trabalhar próximo ao deputado. Assim, ele prestou relevantes serviços sociais ao longo dos anos até ser lotado na Diretoria Parlamentar durante o segundo semestre de 2014.”

Márcia Abreu
No BR29
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Ao invés de reduzir a maioridade, que tal esterilizar mães de bandidos?


(Cuidado: post com doses de ironia. Leia com moderação.)

Por trás de quem mata e quem morre, há outras pessoas que sofrem junto. Quando um crime acontece, lembramos primeiro — e com toda a razão — da dor de quem perdeu o ente querido nas mãos de uma ação violenta, de um ato tresloucado ou inconsequente.

Mas há duas famílias envolvidas, sendo que a do outro lado, por ter “gerado a causa do sofrimento” raramente é lembrada. Pelo contrário, torna-se corresponsável. E por mais que nenhum juiz declare pena para a mãe do meliante, ela vai para o inferno com ele.

Muitos leitores dizem que a culpa também foi delas por terem criado seus homens assim. Bem, talvez. Talvez não. Talvez de nossa ação e nossa inação também. Quem sabe?

Quando alguém é preso, geralmente não segue para a cadeia sozinho pagar pelo crime que cometeu. Vão também mães, irmãs, esposas, filhas, avós que, religiosamente, fazem filas nas portas dos centros de detenção e presídios, ou das Fundações Casa e similares, desde as primeiras horas nos dias de visita.

Já escrevi aqui sobre o estranhamento de passar em frente a um Centro de Detenção Provisória. Uma fila de lanche, bolo de fubá, pilha para o radinho, muda de roupa, pacote de cigarros.

No final, a pena de muitas dessas mulheres termina no dia em que seus filhos, maridos, pais, irmãos deixam a cadeia. Quando deixam. Quando não as deixam. Quando conseguem sair, enfim, sem carregar a cadeia dentro de si. Sendo jovens, levam por toda a vida. E, daqui a pouco, talvez a partir dos 16.

É triste que as mesmas filas que se formam nas portas de um depósito masculino de gente não se formem do lado de fora dos presídios femininos. A quantidade de pais, irmãos, maridos, filhos, avôs que vão visitar mulheres encarceradas são, proporcionalmente, em número vergonhosamente menor do que a quantidade de visitantes mulheres de homens encarcerados.

(Nesse meio tempo, o telefone encurta a distância, mas nem sempre. E o peito começa a apertar quando o número de ligações vai escasseando, a frequência diminuindo. Quando a saudade falada já não convence. O coração fica mirradinho. Incerteza, às vezes, é pior do que a morte, doença ruim que não é causada pelo ar ou água e sim pela distância. Não raro os maridos de mulheres que cumprem pena encontram outras mulheres, filhos fogem de vergonha ou de uma vida ocupada sem tempo para nada. E muitas acabam abandonadas pelos homens de suas vidas.)

O padrão em nossa sociedade é que mulheres sejam educadas para acompanhar e servir, entendendo que precisam ser repostas, quando necessário.

E homens para serem idiotas.

É doloroso viver com uma parte de você em outro lugar. Uma perda que não se completa, sobre a qual não se chora o luto, mas se sente a dor da distância e da saudade.

Enfim, tudo isso para dizer que mães não deveriam ser abandonadas. Não deveriam perder seus filhos assassinados por outros filhos que, por conta disso, também vão abandonar suas mães. E senhoras não deveriam tomar chuva e passar frio para visitar seus filhos.

Seus rebentos são culpados e, por conta disso, devem pagar o débito com a sociedade. Mas, eu que não creio em transferência de culpa, sinto uma áspera tristeza ao ver uma enorme fila de cabelos brancos na frente de uma cadeia em um final de semana.

Quando tratei desse assunto em outro texto por aqui, recebi uma mensagem de um leitor que cravou: “mãe de bandido deveria ser esterilizada''.

Talvez seja essa a saída e não a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Esterilizar úteros que pariram criminosos de forma a interromper o terreno fértil para crimes. Ou, talvez, se nossa ciência permitir, descobrir com cálculos precisos os úteros ruins e impedir que deles brote algo.

Conhecendo nossa sociedade, os úteros ruins não serão úteros ricos, que sempre tiveram acesso a tudo e que repousam em lençóis de algodão egípcio — mesmo que de alguns deles tenha brotado os que põem fogo em indígenas em pontos de ônibus ou espancam pessoas em situação de rua.

Mas úteros negros e pardos, que lavam roupa, fazem faxina e não raro criam os filhos sozinhos. Úteros que andam de ônibus, ganham uma miséria, dividem-se entre o trabalho e a família. E, por isso, não vivem, apenas enfileiram dias e noites, na periferia de alguma grande cidade.

Leonardo Sakamoto
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Sérgio Porto # 185


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