29 de mar de 2015

A corrupção nos tempos da ditadura

Para filha de embaixador morto em 1979, pai foi assassinado após anunciar que denunciaria corrupção em Itaipu

Usina Hidrelétrica de Itaipu, construída por Brasil e Paraguai entre 1975 e 1982
Após golpe militar, orçamento de projeto inicial do consórcio brasileiro e paraguaio com a multinacional alemã Siemens saltou de 1,3 bilhão para 13 bilhões de dólares; 'meu pai ia fazer essa denúncia', conta filha de José Jobim

Em novembro de 2014, o Instituto João Goulart encaminhou denúncia ao MPF-RJ sobre a morte do embaixador José Jobim em 1979. O documento alega que agentes da ditadura assassinaram o político, que declarara publicamente estar escrevendo um livro de memórias no qual denunciaria o esquema de corrupção na construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Jobim iniciou sua carreira como jornalista mas logo enveredou para a diplomacia. Foi embaixador do Brasil no Paraguai, Equador, Colômbia, Argélia, Vaticano, Malta e no Marrocos.

O diplomata foi enviado em fevereiro de 1958 para a embaixada do Brasil em Assunção, no Paraguai, sendo responsável pelas negociações para a construção da hidrelétrica binacional. Em 1964, viajou novamente ao país vizinho para articular a compra de turbinas russas para a construção do megaempreendimento. A parceria com a União Soviética, que estava sendo negociada há tempos, foi cancelada por conta do golpe militar e o consórcio brasileiro e paraguaio comprou os equipamentos da multinacional alemã Siemens. O orçamento do projeto inicial “Sete Quedas” saltou de 1,3 bilhão para 13 bilhões de dólares.

Lygia Jobim
Para a advogada Lygia Jobim, filha do embaixador, a declaração de Jobim na posse do presidente Figueiredo, no dia 15 de março de 1979 em Brasília, tem relação direta com sua morte: “Lá, não sei o porquê, ele teve a infelicidade de mencionar que estava escrevendo as suas memórias e que ia fazer essa denúncia. Meu pai sabia demais. Ele voltou pro Rio de Janeiro e, menos de uma semana depois, foi encontrado morto”, conta.

O volume 3 do relatório da Comissão Nacional da Verdade, “Perfis de mortos e desaparecidos políticos”, apresenta o caso de José Jobim. No texto há a indicação do superfaturamento da obra, que foi descrito pelo Coronel Alberto Carlos Costa Fortunato no livro A Direita Explosiva no Brasil, publicado em 1996. “Conhecem a história sobre o aumento de 23% no custo de Itaipu? Pois o negócio foi o seguinte: lá pelas tantas, o governo paraguaio pretendeu (mais adequado seria dizer que condicionou) um aumento de 23%. Os representantes brasileiros articularam um conchavo e combinaram o seguinte: vocês topam aumentar em 46% (metade para cada um)? Então, como o governo do Paraguai sabia que somente o Brasil pagaria a conta, fechou negócio. Quer dizer, pagamos 46% a mais pelo custo da obra. Tudo o que faltava dali para a frente foi reestudado e aumentado. Quem sabia essas coisas não podia fazer nada ou estava com o rabo preso”.

José Jobim foi sequestrado no bairro do Cosme Velho em março de 1979 e encontrado morto dois dias depois, na Barra da Tijuca. As circunstâncias da morte do embaixador são incongruentes — desde a distância entre os bairros até a disposição da cena na qual Jobim foi encontrado. Na época, o delegado Rui Dourado (o mesmo que ajudou o ex-embaixador Manoel Pio Corrêa a montar o Ciex – Centro de Informações do Exterior, órgão de espionagem da ditadura) alegou suicídio.

“Os policiais da 9ª delegacia do Catete [responsável pela investigação do caso] comentavam entre si que o meu pai poderia ter se suicidado. E não tinha nem corpo, como eles estavam falando em hipótese de suicídio?”, questiona Lydia. “Ele saiu de casa depois do almoço dizendo à empregada o que queria jantar — coisa que um suicida não vai fazer”, aponta. As investigações foram infrutíferas.

Para Lygia, dada a proximidade de Jobim com Itaipu, o embaixador sabia sim de esquemas de sobrepreços nas obras. Segundo ela, havia em sua casa uma mala que continha a documentação comprobatória do esquema — pouco tempo depois da morte de seu pai “a mala sumiu, desapareceu”. “A caixa preta de Itaipu deve ser uma coisa monstruosa”, diz. “Em Itaipu foi gasto 20 vezes mais concreto do que no Eurotúnel. Ali realmente a corrupção deve ter corrido solta. Essa caixa preta tem que ser aberta. Isso tem que aparecer”.



Do Pública
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Eduardo Cunha diz que PMDB finge que é governo


Presidente da Câmara crítica Kassab e o novo partido PL, além de atacar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em entrevista ao jornal O Globo publicada hoje (29) fez ironias e críticas ao governo e à relação da presidenta Dilma Rousseff com o Congresso.



Na avaliação dele, Dilma “não conhece o Congresso”, se cerca de pessoas fracas, passa a sensação de “paralisia” e de quem não tem o que propor ao país e ainda contribuiu  para o agravamento da crise ao incentivar a criação de um partido para rivalizar com o PMDB, o PL, que Kassab acaba de registrar.

E para fazer graça, acrescentou: “Na prática, a gente finge que está lá (no governo). E eles fingem também (que o PMDB está no governo).”

Eduardo Cunha negou que ele e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), estejam governando, de fato, o país com o enfraquecimento político de Dilma. “Quem tem a caneta? É ela. Quem edita medidas provisórias? É ela. Quem libera o Orçamento? É ela. Quem nomeia e indica a cargo? É ela. Então, é ela quem governa”, afirmou.

Para o presidente da Câmara, a petista comete uma série de equívocos, que vão da “inércia de comunicação” à falta de habilidade para formar equipe. “Dilma saiu da máquina. É a primeira presidente da República que não foi parlamentar. Ela não conhece o Congresso”, disse.

Cunha também criticou diretamente os ministros Pepe Vargas (Relações Institucionais) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), considerados por ele sem estatura para a coordenação política. E ainda disse que Ricardo Berzoini (Comunicações) é o “patrocinador” da “radicalização dos atos políticos”.

O presidente da Câmara ainda chamou de “operação Tabajara” a tentativa de recriação do PL pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), para formar uma bancada que se contrapusesse, dentro da base aliada, ao PMDB. De acordo com Eduardo Cunha, a estratégia foi fomentada pelo Planalto e tinha alvo certo: “Foi contra a gente mesmo, contra o PMDB”.

Sobre as investigações da Operação Lava Jato, o peemedebista classificou o esquema apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como “o maior escândalo de corrupção do mundo”, negou interferir no andamento da CPI da Petrobras e reiterou que houve interferência do governo na inclusão de seu nome na lista dos políticos investigados. E voltou a direcionar seus ataques ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com quem diz estar em “guerra aberta”.

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Pesquisa científica revela que homofobia é resultado de desejo reprimido pelo mesmo sexo


Um artigo publicado na revista Super Interessante, revela que a homofobia vem de um desejo reprimido por pessoas do mesmo sexo.

Segue o artigo na integra:

Aquela não foi uma manhã comum no laboratório do departamento de psicologia da Universidade da Georgia, no sul dos Estados Unidos, em 1996. Desde cedo, começaram a chegar por lá os “sujeitos de pesquisa”: 64 homens, com 20 anos na média, que se declaravam heterossexuais, divididos em dois grupos. O primeiro era o dos “homofóbicos”: pessoas que tinham respondido com uma grande maioria de “sim” a perguntas como “sente-se desconfortável trabalhando ao lado de homossexuais?”, “ficaria nervoso num grupo de homossexuais?”, e “se um membro do gênero masculino se insinuasse para você, ficaria furioso?”. O segundo grupo era o dos não-homofóbicos, que haviam cravado uma grande maioria de “não”.

Os cientistas levavam os rapazes para uma sala com luz baixa, pediam que se sentassem numa cadeira reclinável e entregavam um pletismógrafo a cada um. Pletismógrafo é uma palavra que vem do grego plethynen (crescimento) e graphein (registrar, medir): “medidor de crescimento”. Trata-se de uma argola de borracha recheada de mercúrio líquido. A argola deve ser colocada ao redor do objeto que se quer medir. Se o objeto crescer, ela estica, a camada de mercúrio fica mais fina e a engenhoca registra o aumento de tamanho. O objeto a ser medido era o bilau.

Com o pletismógrafo instalado, todos assistiam a três filmes pornôs, cada um com quatro minutos de duração. O primeiro filme mostrava uma cena de sexo entre um homem e uma mulher, o segundo entre duas mulheres, e o terceiro entre dois homens. O resultado foi claro. Todo mundo registrou crescimento da circunferência de seus amiguinhos quando via o fuzuê entre homem e mulher ou entre mulher e mulher. Mas, quando o chamego era entre homem e homem, os homofóbicos registraram um aumento peniano quatro vezes maior que os não-homofóbicos. Mais da metade dos homofóbicos fica animadinha quando vê dois homens transando, contra menos de um quarto dos não-homofóbicos.

Aí os cientistas perguntavam a cada um se eles tinham tido ereção. Os homofóbicos que o pletismógrafo flagrou olhavam para os pesquisadores e respondiam, convictos: “não”.

Para resumir: homofóbicos, que são pessoas que sentem grande desconforto quando pensam em homossexualidade, frequentemente são homossexuais reprimindo suas próprias tendências biológicas. A pesquisa não foi contestada em 17 anos e suas conclusões foram reforçadas por outro teste mais preciso, realizado na Inglaterra no ano passado, com imagens cerebrais de homofóbicos.

Claro que nem todos os homofóbicos são gays: pode ser cultural ou simplesmente uma dificuldade de lidar com o diferente. Mas pessoas que nascem gays em ambientes repressivos muitas vezes aprendem a suprimir a homossexualidade e sentem raiva dela. Essa autorraiva acaba projetada para fora, contra aquilo que parece com o que se odeia em si próprio. É como escreveu o psicanalista ítalo-brasileiro Contardo Calligaris em sua coluna na Folha de S.Paulo: “quando reações são excessivas e difíceis de serem justificadas, é porque emanam de um conflito interno”.

O documentário OutRage, de 2009, mostrou como esse distúrbio psicológico afeta a política dos Estados Unidos. O filme conta a história do jornalista investigativo homossexual Michael Rogers, que resolveu se transformar de caça em caçador e foi investigar a vida de políticos ultraconservadores que votavam sempre contra direitos homossexuais. Vários deputados e senadores americanos foram flagrados, alguns com as calças na mão. Um deles, um senador respeitável com mulher e filhos, foi pego transando com um desconhecido no banheiro de um aeroporto longe de casa. É que muitas vezes o desejo reprimido acaba escapando nas ocasiões mais constrangedoras.

No começo do filme, sente-se raiva desses políticos hipócritas. Aí começam a aparecer na tela personagens cada vez mais humanos. Um dos últimos entrevistados foi um senhor inteligente chamado Jim Kolbe, deputado republicano do Arizona, que passara sua longa e produtiva carreira de político firmemente trancado no armário, sempre votando contra qualquer lei que desse direitos a homossexuais. Na década de 1990, Kolbe soube que suas escapadas homossexuais estavam prestes a serem reveladas na imprensa. Antes da publicação, ele foi a público e contou a verdade aos eleitores. “Foi provavelmente a sensação mais gloriosa que já senti na vida”, disse, feliz.

Ao contrário do que temia, a confissão não destruiu sua carreira: Kolbe reelegeu-se várias vezes até se aposentar da política em 2003, aos 61 anos, por vontade própria. Após deixar o armário, ele mudou seu jeito de votar, que passou a ser sempre a favor de que homossexuais tivessem direitos.

Talvez esses políticos de penteados milimetricamente arrumados que fazem discursos de ódio no Congresso Nacional do Brasil contra direitos gays mereçam mais compaixão que ódio. Talvez eles sejam vítimas infelizes de repressão psicológica, que perpetuam políticas de desigualdade para transferir a outros o desconforto que sentem com si próprios.

O fato é que, no Brasil, homossexuais têm menos direitos que heterossexuais – segundo uma reportagem de capa da Superinteressante de 2004, eram 37 direitos a menos, que afetam vários aspectos da vida, da herança aos financiamentos bancários ao imposto de renda. Que uns cidadãos tenham menos direitos que outros é uma injustiça, independente da tendência política ou religião. É premissa da democracia que todos tenham os mesmos direitos. Quem nega isso com muita convicção talvez precise entender por quê.

No Jovens de Esquerda
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A Venezuela e os defensores da democracia


A Venezuela não é um país socialista, embora Chávez tivesse sonhado com um caminho até esse modo de organizar a vida. Não teve tempo. Mas, por outro lado, não se pode negar que a Venezuela é um país que tem um sistema democrático bastante original e avançado. Para começo de conversa, esse país da ponta norte da América do Sul conseguiu desenvolver um sistema de governo bem diferente dos demais países de corte liberal. Lá, não existem apenas os tradicionais três poderes: executivo, legislativo e judiciário. São cinco os poderes que definem a vida do país, acrescentando-se o judiciário e o popular, sendo que o último é o mais importante. Ou seja, o elemento central de governo é a democracia popular. Na Venezuela manda o povo. Até o presidente pode ser retirado do poder por um referendo popular. Leis definidas pelo legislativo também podem ser revogadas se assim a população entender. É a democracia aprofundada. Nada pode ser menos parecido a um ditadura, como querem fazer crer alguns mandatários dos países centrais alinhados à política dos Estados Unidos. Numa ditadura, o povo não tem vez. E não é assim na Venezuela.

No mês de janeiro, a oposição ao governo de Nicolás Maduro — que faz o quer no país, sem que ninguém a constranja — chamou alguns ex-presidentes para discutir o tema democracia. Andrés Pastrana, da Colômbia, Sebastián Pinera, do Chile e Felipe Calderón, do México, todos eles governos títeres, quando no poder. Aliados dos EUA, escravos sem opinião. E, além disso, nenhum deles podendo servir de modelo para a democracia, nem mesmo a liberal-burguesa. Logo, o tal encontro para discorrer sobre democracia nada mais era do que uma farsa. O motivo central era desgastar o governo de Maduro, que passava por um período de crise, com um criminoso boicote de produtos, que esvaziou os mercados e obrigou as pessoas a viverem momentos de profunda tensão. Ações como essa, da oposição venezuelana, são bem conhecidas, e visam criar focos de violência para desestabilizar governos, abrindo passo para golpes ou intervenções econômicas.

Os três ex-presidentes foram visitar o que ele chamaram de "preso político", mas que a população chama de criminoso, por incitar jovens a atos de violência visando derrubar o governo. Pois eles não conseguiram entrar na penitenciária e alardearam pelo mundo inteiro que foram "impedidos" de ver o preso. Outra bobagem midiática. Não entraram porque não marcaram nem avisaram da visita. Mas, isso não evitou que disparassem suas diatribes contra Maduro, chamando-o de ditador, autoritário e ameaça ao mundo livre.

O presidente dos Estados Unidos, possivelmente o mandante de todo o imbróglio, decidiu dar uma de herói mundial — defensor da democracia —  e baixou um decreto considerando o pequeno país do norte da América do Sul, uma ameaça para os EUA. Outra bobagem homérica. Que ameaça pode representar um país como a Venezuela a um império militar e nuclear como os Estados Unidos? Nenhuma.

Mas, os meios de comunicação que dominam o mundo decidiram dar visibilidade a essa estupidez e a Venezuela voltou às manchetes como um lugar obscuro, onde a ditadura vige. Repito: a Venezuela não é uma ditadura, é um país democrático que serve de modelo de estudo a estudiosos de todo mundo pela sua original organização de cinco poderes. Uma democracia mais profunda que a tradicional. É uma novidade boa, mas disso nenhuma televisão fala.

Agora, não bastando toda a campanha desenvolvida pelo presidente Obama contra a Venezuela, outras lideranças políticas começam a engrossar o coro de apoio ao presidente estadunidense, visando dar cores de verdade a mais uma das mentiras inventadas pelo serviço secreto (nem mais tão secreto) dos Estados Unidos.

O tema é a prisão de Leopoldo López, o que incitou os jovens à violência, e a de Antonio Ledezma, outro político que conspirou pela queda do governo no episódios da guerra econômica, em janeiro. Os dois estão sendo pintados como os paladinos da democracia e recebem apoio de figuras como FHC, do Brasil e Felipe Gonzáles, da Espanha. Fernando Henrique, que foi o responsável pela entrega das estatais mais rentáveis do Brasil à empresas estrangeiras, diz que "já basta de abusos" na Venezuela. Mas ora vejam só. Seria de rir, se não fosse trágico.

E Felipe González já foi até expulso de Miraflores por Chávez quando tentou negociar a venda da CanTV a uma empresa telefônica espanhola que ele representava em 2006. A CanTV foi estatizada por Chávez, que ousou definir a comunicação como espaço estratégico na Venezuela.

Pois essa gente do tipo de FHC, González, Piñera e outros que posam de vestais da democracia jamais tiveram coragem, quando nos seus governos, de aprofundar o processo democrático como fez Chávez. Jamais teriam topado uma reforma constitucional que desse ao povo poder maior. Tudo o que fazer é servir aos interesses das empresas transnacionais e dos governos centrais, dos quais são meros marionetes. Quem pensam ser esses senhores para abrirem a boca sobre a vida da Venezuela? Querem, por acaso, repetir a arrogância de outro refinado títere, o rei Juan Carlos, que ousou dizer à Chávez que se calasse. Ele, um monarca conduzido ao trono por um ditador?

Que se calem esses senhores sobre a Venezuela. Mal ou bem as gentes estão conduzindo seus destinos. Ao longo da quinta república estão realizando eleições, referendos, assembleias democráticas, e refinando sua democracia. Esse é o verdadeiro perigo que Obama não diz ao seu povo e ao mundo. O perigo da democracia mais profunda, popular. Essa é a ameaça que causa insônia ao monarca do "mundo livre". Porque o "mundo livre" é uma pequena comunidade de ricos empresários, que controla os governantes a base de muito dinheiro, usando as populações a seu bel prazer, produzindo guerras, miséria, violência e medo.

A democracia direta, a democracia que se aprofunda e se aprimora é objeto de terror para esse "mundo livre", porque ela desloca o poder dos pequenos grupos legislativos e executivos, que são fáceis de corromper. Ela coloca o poder na mãos das gentes, muito mais numerosas para serem corrompidas. Esse é o medo, essa é a ameaça.

O doloroso nisso tudo é pensar que a maioria das gentes, a que realmente tem o poder de mudar as coisas, segue dominada pelo brilho ilusório da televisão ou pelas mentiras das redes sociais. Não querem ver a verdade, ou não podem, por várias razões. Essa maioria, que um dia haverá de ver... E, aí sim, provocar a grande transformação.

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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A queda do Império TV Globo: audiência da principal novela despenca

http://otvfoco.com.br/audiencia/real-time-sp-babilonia-com-apenas-19-pontos/

Ao que tudo indica, os três irmãos Marinhos, donos da TV Globo, entraram na mesma rota de Eike Batista na revista Forbes. De maior bilionário do Brasil, Eike perdeu praticamente tudo e saiu da lista de bilionários.

O carro chefe da TV Globo é a novela das 21:18 (antiga "novela das 8").

A atual "Babilônia" tem registrado audiência diária abaixo 25 pontos (isso no Ibope, imagine na hora em que o instituto rival Gfk começar a medir). É pelo menos 10 pontos abaixo do que a Globo tinha no horário (a novela anterior "Império" tinha entre 35 a 38 pontos).

Para piorar, a audiência não para de cair. Na sexta-feira, 27, às 21h:22 registrava só 18,9 pontos:

Globo: 18,9 pontos
Record: 13, 3 pontos
SBT: 11,8 pontos

Nunca antes a TV Record e o SBT estiveram tão perto da audiência da Globo neste horário.

E a queda da "novela das 8" faz a audiência de todo o horário nobre rolar ladeira abaixo, em um efeito cascata.

O Jornal Nacional, que vem antes, tem boa parte da audiência entre os telespectadores que estão sintonizados apenas esperando pela novela. Se não estão mais interessados em assistir a "novela das 8", também não assistem mais a chatice do Bonner falando que sua vida só vai piorar. O mesmo efeito ocorre com os programas que vem depois da novela.

Com menor audiência, o preço dos anúncios despencam. Se 10 em cada 35 consumidores não vêem mais o anúncio, nenhuma empresa vai continuar pagando a mesma coisa para anunciar.

Com isso a Globo entra no ciclo da decadência:

Passo 1) Menor audiência;

Passo 2) Preço dos anúncios despencam;

Passo 3) Faturamento cai;

Passo 4) Corta custos de produção para não fechar no vermelho;

Passo 5) Produção mais barata nivela com emissoras concorrentes;

Passo 6) Enquanto Globo perde audiência, concorrentes ganham;

Passo 7) Ao perder audiência os passos 1 ao 6 se repetem;

Passo 8) TVs rivais aumentam o faturamento;

Passo 9) Com mais faturamento, rivais melhoram programação;

Passo 9) Rivais com melhor programação conquistam mais audiência;

Passo 10) Ciclo de 1 ao 9 se repete até os Marinho ficarem ao lado de Eike.

De 2013 para 2014, a revista Forbes já registrou perda de US$ 3 bilhões na fortuna dos três irmãos Marinhos. Imagina de 2014 para 2015. A derrocada de Eike começou assim.

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Crise de caráter é ameaça ao futuro do país

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/03/29/crise-de-carater-e-ameaca-ao-futuro-do-pais/

"Sete em cada dez jovens tendem a aceitar suborno em forma de presente — Maioria dos profissionais de até 24 anos hesita em denunciar corrupção, indica pesquisa".

A manchete do R7 neste domingo, em matéria assinada pela colega Joyce Carla, baseada em pesquisa da ICTS Protiviti, empresa de consultoria e serviços, é a meu ver a mais grave ameaça para o futuro do país, já assolado por tantos casos de corrupção e de sonegação de impostos, os grandes ralos do dinheiro público.

Acima de todas as outras, estamos vivendo uma profunda crise de caráter, de valores e de princípios. É inevitável associar esta preocupante pesquisa sobre o perfil ético dos jovens profissionais das corporações brasileiras com as denúncias divulgadas esta semana sobre a quadrilha que agia no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Carf, em que algumas das maiores empresas brasileiras criaram uma espécie de parceria público-privada para lesar o Tesouro Nacional em bilhões de reais, deixando no chinelo o que foi apurado até agora pela Operação Lava-Jato.

Os recursos das empresas contra autuações da Receita Federal eram julgados por servidores da Fazenda junto com representantes do sindicalismo patronal. "Nenhum outro país digno de menção tem um sistema semelhante", constata Elio Gaspari em seu artigo dominical na Folha.

Os números são assustadores, segundo os dados revelados pelo jornalista. "No Carf tramitam 105 mil processos com R$ 520 bilhões em autuações contestadas. A PF já achou 70 processos com desfechos suspeitos. Nove extinguiram cobranças que iam a R$ 6 bilhões. Se procurarem direito acharão cinco cobranças que valiam R$ 10 bilhões e viraram pó".

Entre as grandes empresas investigadas citadas em reportagem do Estadão, estão os bancos Bradesco (R$ 2,7 bilhões), Santander (R$ 3,3 bilhões), Safra (R$ 767 milhões), BankBoston (R$ 106 milhões) e Pactual, e mais Ford, Mitsubishi, BR Foods, Camargo Correa, Light e Petrobras. Segundo o jornal, o grupo RBS, afiliado da Rede Globo, está sendo investigado pelo pagamento de R$ 15 milhões para que sumisse do mapa um débito de R$ 150 milhões. São tantos milhões e bilhões desaparecidos nesta selva da terra de ninguém que a gente corre o risco de se perder.

A Operação Zelotes, deflagrada na quinta-feira, investiga os crimes de advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Um estudo feito por procuradores da Fazenda Nacional, que já comentei aqui, estima que, em 2015, a sonegação de impostos deve bater na casa dos R$ 500 bilhões. Se todos pagassem o que devem, em lugar de contratar bons advogados e pagar propinas, o governo federal certamente nem precisaria brigar tanto pelo seu pacote fiscal, que se destina mais a cortar gastos do que em aumentar a arrecadação.

Com estes exemplos vindos do andar de cima, não espanta a conclusão a que chegou Maurício Reggio, sócio-diretor do ICTS. "As pessoas estão acostumadas a pensar a corrupção como algo de fora, dos políticos, das autoridades. Não percebem as próprias atitudes. Com isso, têm um padrão para fora e não para si próprios". Dos 8.712 profissionais de 121 empresas pesquisadas, 82% admitiram aceitar atos antiéticos e 68% hesitam em denunciar casos de corrupção dos quais tomam conhecimento. Talvez muitos deles possam ser encontrados nas ruas e nas redes sociais nas manifestações contra a corrupção.

É esta desenfreada hipocrisia nacional que está minando os alicerces da nossa jovem democracia e colocando em risco o nosso futuro como Nação civilizada.

Vida que segue.
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Renato Janine Ribeiro fala de Olavo de Carvalho e do crescimento da nova extrema direita no país


Palestra no Quintal Amendola, com Renato Janine Ribeiro: a extrema direita está crescendo no Brasil?


No DCM
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A agonia de mídias como tevê, jornal e revista nas sociedades mais avançadas

O lendário luminoso de Picadilly Circus, Londres
Os fâmulos das grandes empresas jornalísticas — Merval e Reinaldo Azevedo à frente — continuam em sua patética campanha para levar todo o dinheiro da publicidade do governo para seus patrões.

Eles fazem à luz do dia o que os donos da mídia fazem na privacidade dos gabinetes de Brasília.

É uma luta insana pela manutenção de mamatas e privilégios de anos, décadas. E pelo atraso também. O que os fâmulos querem é que o dinheiro público seja torrado em mídias em acelerado processo de declínio.

Vejamos o caso pelo lado técnico.

O Guardian deu, neste final de semana, um levantamento esclarecedor sobre a publicidade no Reino Unido.

Metade de todo o investimento publicitário dos anunciantes britânicos, em 2015, será na internet.

Uma em cada duas libras de um total de 16 bilhões vai terminar na mídia digital, portanto.

Todas as demais mídias — tevê aberta e fechada, jornais, revistas, rádio — terão que dividir a outra metade.

Outros países seguem na mesma direção. Na Noruega, a fatia da internet no bolo publicitário já é de 45%. Vamos para mercados emergentes, como o Brasil. Na China, a internet  já responde por 43,6% de toda a publicidade em 2015.

Observe a tabela abaixo.

Digital ad spend percentage share of total advertising spend, by country, 2015.
1. UK 50%
2. Norway 45%
3. China 43.6%
4. Australia 43.3%
5. Denmark 43.1%
6. Netherlands 35.4%
7. Canada 34.3%
8. US 31.3%
9. Sweden 30.5%
10. South Korea 28.4%

E o Brasil nesta história?

Estamos consideravelmente atrasados. Não somos uma sociedade assim tão desenvolvida, é verdade.

Mas o principal fator de retardamento é a ação predadora das grandes empresas jornalísticas.

Elas sempre tiveram enorme influência junto aos anunciantes. A Globo, com sua propina legalizada, o infame BV, é um caso à parte.

Funciona assim. A Globo adianta para as agências a verba que elas planejam gastar no ano.

Muitas agências dependem desse adiantamento. E então elas se vêem compelidas a colocar dinheiro na Globo.

Isso ajuda a entender por que, com audiências em queda constante nos últimos anos, a receita publicitária da Globo, paradoxalmente, cresce a cada ano.

Até quando os anunciantes vão aceitar a parte ruim que lhes cabe num enredo em que apenas a Globo e as agências se dão bem?

Não eternamente, com certeza. Sobretudo quando a internet é uma mídia que cresce explosivamente entre os consumidores.

O pedaço da internet na publicidade nacional é ainda pequeno, embora crescente. Deve ser algo entre 12% e 15% em 2015, um terço do que acontece na esperta China.

Nas estatais, este índice é ainda pior. Algumas das maiores delas não colocam sequer 5% de seus investimentos publicitários nos meios digitais.

É, evidentemente, um problema que tem que ser resolvido. O mundo se digitalizou, e a Secom, até aqui, não.

Gerencialmente, não faz sentido.

Basta olhar para as melhores práticas no mundo. Ou mesmo observar o comportamento do público no Brasil. A internet é disruptora — vai liquidando todas as mídia, incluída aí aquela que pareceu inexpugnável: a tevê.

Até Silvio Santos disse que vê Netflix, e não tevê convencional.

As estatais — e não só elas, de resto — têm que se encontrar, em sua publicidade, com o presente e com o futuro.

Os fâmulos das grandes e decadentes empresas de mídia querem a Secom fixada num passado da qual elas foram absurdamente beneficiárias. Combatem o mau combate. Defendem a fortuna de seus patrões e seus próprios empregos.

Seus argumentos são indecentes — e por isso esses gerentes gerais do atraso não haverão de vencer.

Paulo Nogueira
No DCM
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Ombudsman aponta erro grave da Folha em denúncia contra Dirceu


A manchete principal da Folha deste domingo é uma nova acusação ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu: a que os pagamentos a sua consultoria feitos por empreiteiras seriam parte da "propina" destinada ao PT; a Camargo, no entanto, confirmou que as consultorias foram realizadas, o que já havia sido feito antes por outras empresas, como Ambev, Consilux, Engevix e até pelo grupo ABC, do publicitário Nizan Guanaes

A manchete do último domingo da Folha de S. Paulo, em que delatores da Lava Jato supostamente acusam o ex-ministro José Dirceu de receber "propina" da Petrobras na forma de consultorias, está errada.

A distorção, antes apontada por 247 (saiba mais aqui), foi agora confirmada pela própria ombudsman da Folha, a jornalista Vera Guimarães Martins.

No texto "Diferente do informado", ela coloca os pingos nos is.

"É obrigação do bom jornalista produzir títulos atraentes, capazes de fisgar o interesse do leitor. Já é um problema quando, no afã de cumprir bem a tarefa, o titulador (que nem sempre é o repórter que escreveu o texto) exagera no 'esquenta' e, além da atenção, atrai também a ira de quem se sente enganado por um enunciado que vende gato por lebre. A manchete do último dia 22 — 'Dirceu recebia parte de propina paga ao PT, afirmam delatores' — foi mais do que um desses casos clássicos de exagero. Foi erro sem sombra de dúvida, gerado desde o título interno da reportagem", diz ela.

"A manchete tem alguns problemas, mas os principais cabem num resumo: quem informou não é delator e quem é delator não informou o que está na título. E, claro, se a fonte é uma só, usa-se o singular", afirma. "A afirmação de que os pagamentos à consultoria de Dirceu eram descontados das propinas da Petrobras foi feita pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, que ainda não fechou acordo de delação premiada — o que faz toda a diferença."

Vera Guimarães também questiona o erro no que diz respeito à Camargo, bem como o espaço dedicado pela Folha para a correção. Leia abaixo:

"A reportagem também relata que um representante da Camargo Corrêa, nome não divulgado, afirmou, nas mesmas circunstâncias, que a empreiteira contratou os serviços de Dirceu porque tinha medo de que a recusa prejudicasse os negócios que mantinha com a Petrobras. Ele, sim, é delator, mas sua história é outra. A Secretaria de Redação diz que houve um erro de enunciado, de responsabilidade da Redação, mas avalia que o conteúdo da reportagem valia mesmo manchete. Como já escrevi antes, erros prejudicam o jornal, mas, por improváveis e absurdos que possam parecer, acontecem. O que acho mais lamentável é que a correção tenha sido feita em uma nota de dez linhas na seção Erramos."

No 247
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Comunicado aos colaboradores do Grupo RBS


Nada como um dia depois do outro.

Principalmente para um moralista de plantão.

Como é representar uma empresa suspeita de corrupção, que supostamente paga propina para se livrar de débitos tributários? Qual é a sensação de saber que parte do salário que vocês recebem no final do mês é pago, supostamente, graças à corrupção — essa mesma que, insistentemente, tem assolado nossa política —? Como é saber que a expansão empresarial do Grupo RBS supostamente é patrocinada pela corrupção, pela sonegação de tributos que fazem falta para a educação, para a saúde, para as estradas? Como será, a partir de agora, produzir uma matéria, ou escrever um artigo, sobre o “caos na saúde”, se supostamente vocês contribuíram para ele?

A empresa que vocês representam ainda não foi condenada? Bem, mas o que isso importa? Quando vocês, jornalistas do Grupo RBS, se preocuparam com a verdade e com apurações quando escândalos desse tipo envolveram políticos, não é mesmo?

Como é ser vidraça?

E agora, sob a luz dessa acusação, como será falar, em seus programas de rádio, em suas colunas de jornal impresso, sobre propinas pagas por empresários para políticos e diretores da Petrobras? Como será descer do “pedestal ético” do Grupo RBS, do qual se olhou para todos, indistintamente, durante um bom tempo? Do alto do qual políticos, juízes, promotores, funcionários públicos, agentes políticos, profissionais liberais e cidadãos comuns foram julgados impiedosamente?

Com que moral um representante do Grupo RBS falará sobre isso?

Aliás, com que moral um representante do Grupo falará, a partir dessa denúncia, sobre qualquer coisa que envolva o conceito de corrupção?

Vocês citarão os nomes dos executivos da RBS que supostamente pagaram propinas para funcionários públicos corruptos? E os nomes dos lobistas que supostamente intermediaram essa negociação, vocês dirão? Estão ansiosos por essa lista como estiveram pela famosa “lista de Janot”?

E os editoriais do Grupo RBS, pródigos em acusações, em apontar para a falência moral da política? Como é estar na mesma vala de suspeição, no mesmo nível moral dos políticos e empresários por vocês publicamete execrados?

Por um bom tempo vocês enganaram muitas pessoas. Há aqueles, porém, que jamais engoliram a incompetência, o falseamento da verdade, a ignorância, a má-fé e o exercício diário de crenças irrefletidas praticados por vocês, sabujos do Grupo RBS. Hoje é um dia de alma lavada. Hoje o que resta da dignidade do jornalismo está em festa, pois a face que não presta do jornalismo brasileiro começou a ser desmascarada. Hoje as pessoas que vocês enganaram por um bom tempo também sabem que vocês escrevem a soldo de gente supostamente tão desqualificada moralmente quanto o que há de mais rasteiro na política brasileira. É nessa lama que vocês, colaboradores, parecem indiretamente chafurdar diariamente, sem qualquer espécie de distinção ética, pois pelo menos parte do salário de vocês parece ser pago com o mesmo tipo de dinheiro sujo que movimentou o famoso “Mensalão” e outros tantos escândalos semelhantes. Dinheiro sonegado é dinheiro sujo, além de fazer falta para quem mais precisa do Estado.

Como será saber que seu empregador, caso as denúncias sejam verdadeiras e a culpa do Grupo RBS reste provada, é corresponsável pela pobreza, pela miséria, pela histórica falta de Estado para os mais necessitados? Com que moral vocês irão criticar programas públicos de assistência social, uma vez que há tal assistência também porque há corruptos?

Não há nenhuma diferença moral entre a corrupção supostamente praticada pelos seus patrões e a patrocinada por “mensaleiros” e operadores do esquema da Petrobras, o dito “petrolão”.

Aliás, como será batizada a propina supostamente paga pelos executivos do Grupo RBS a fim de livrar a empresa de débitos tributários?

Caso vocês ainda não tenham se dado conta, estamos falando de, supostamente, 19 bilhões de reais. De advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro. E, supostamente, nesse mesmo barco estão “queridinhos” do Grupo RBS, como o Grupo Gerdau — e não poucas vezes um conhecido integrante do referido Grupo nos deu lições baratas sobre ética nas páginas de opinião de veículos do Grupo RBS. E tudo isso, frise-se, dito pela Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e a Corregedoria do Ministério da Fazenda.

Que razões temos, portanto, para acreditar que tais denúncias são mais “fracas” do que aquelas que culminaram na condenação dos ditos “mensaleiros”?

E agora, como vocês irão dormir sabendo que todo o discurso moral — discurso assumido por cada um de vocês, diga-se de passagem — do Grupo que vocês representam pode nunca ter valido um tostão furado?

Vocês pedirão demissão? Pedirão desculpas públicas por representarem possíveis corruptos — e venderem seus discursos — por tanto tempo? Não é essa a atitude que vocês, colaboradores e porta-vozes da moralidade do Grupo RBS, costumam exigir de políticos?

Tenham o mínimo de dignidade. A mesma que vocês não pensam duas vezes em exigir quando se trata de desqualificar a política.

Marcelo da Silva Duarte é jornalista.
No RS Urgente
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Quando a propina é de grandes sonegadores de imposto, aí não há corrupção?

A maior parte das denúncias de corrupção levadas ao conhecimento do povo, nesses dias, tem sido feita por aquela parte da mídia, porta-voz tradicional das “virtudes morais e patrióticas” de grandes grupos econômicos. Empresárias/os ricas/os, dotadas/os de um empreendedorismo típico do capital indispensável ao progresso do país, seriam vítimas inocentes de um Estado corrupto, ineficiente, perdulário, adversário disfarçado do livre mercado.

Essa campanha “civilista” ganhou um impulso extraordinário nos últimos tempos por força do caso Petrobras. Qualquer indício de mal feito chega a sociedade como prova indiscutível de imoralidade, a merecer de todas/os as/os brasileiras/os a execração pública da/o denunciada/o e do “mar de lama” onde está se afogando o governo do país.

Esse veneno começa a ser ingerido agora por quem mais tem se dedicado a tornar manifesto seu passado de moral ilibada, o seu zelo pelo respeito devido à ética, seja a pública, seja a privada, a pureza de suas intenções em punir as pessoas responsáveis por tais crimes.

O Correio do povo deste sábado, 18 de março, indicando como fonte o Estadão, noticia estar a Polícia Federal apurando desvios de R$ 19 bilhões na Receita de bancos e empresas:

“Os bancos Bradesco, Santander, Safra, Pactual e Bank Boston, as montadoras Ford e Mitsubishi, além da gigante da alimentação BR Foods são investigados por suspeita de negociar ou pagar propina para apagar débitos com a Receita Federal no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Na relação das empresas listadas na operação Zelotes também constam Petrobras, Camargo Corrêa e a Light, distribuidora de energia do Rio.”

“O grupo de comunicação RBS é suspeito de pagar R$ 15 milhões para obter redução de débito fiscal de cerca de R$ 150 milhões. No total, as investigações se concentram sobre débitos da RBS que somam R$ 672 milhões, segundo investigadores. O grupo Gerdau também é investigado pela suposta tentativa de anular débitos que chegam a R$ 1,2 bilhão. O banco Safra, que tem dívidas em discussão de R$ 767 milhões, teria sido flagrado negociando o cancelamento dos débitos.” “Estão sob suspeita, ainda, processos envolvendo débitos do Bradesco e da Bradesco Seguros no valor de R$ 2,7 bilhões; do Santander (R$ 3,3 bilhões) e do Bank Boston (R$ 106 milhões). A Petrobras também está entre as empresas investigadas. Processos envolvendo dívidas tributárias de R$ 53 milhões são alvo do pente-fino, que envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e as corregedorias da Receita Federal e do Ministério da Fazenda.”

Na edição de março do Le Monde Diplomatique, igualmente, Silvio Caccia Bava exibe dados relativos aos expedientes utilizados por poderosas empresas e pessoas ricas, valer-se da prática da corrupção para sonegar o pagamento de impostos. Embora sem poupar a responsabilidade do Poder Público em bem fiscalizar e impedir tais ilícitos, afirma:

“Existem também, mecanismos utilizados pelas grandes empresas multinacionais que atuam no Brasil, que se valem de expedientes de sub e sobrefaturamento para promover a evasão fiscal. Isto é, deixar de pagar impostos e transferir ilegalmente riqueza para fora do país. A Tax Jusfice Network identifica, com base em dados do Banco Mundial, que a evasão fiscal no Brasil, em 2011, foi de 13,4% do PIB, algo como US$ 280 bilhões. Os impostos mais sonegados são o INSS, o ICMS e o Imposto de Renda. Mas não para por aí. As dívidas reconhecidas pela Receita Federal de impostos das multinacionais que operam no Brasil, em 2012, somam R$680 bilhões.” (…) “Em meio ao escândalo do HSBC, o segundo maior banco do mundo, identificaram-se 8.667 brasileiros que sonegaram ou o lavaram dinheiro fora do país por meio dessa instituição. São bilhões de dólares por ano. Eles são parte da elite econômica do nosso país, acostumada a tudo poder. O que vai acontecer com eles?”

Diante de uma realidade como essa, pelo que se está apurando até agora, os valores de desvio de dinheiro da Petrobras são até significativamente inferiores, mas a conveniência de serem expostos como únicos e reprováveis se vale do exemplo de inocência do quero-quero, para até isso deturpar. Gritando estridentemente bem longe do ninho justamente para esconder o lugar onde esse se encontra, a avezinha despista agressores, defende e salva a vida dos seus filhotes. A corrupção moral desses poderosos grupos econômicos, bem ao contrário, grita para esconder seus ninhos de reprodução, cirando injustiça social e morte, pelo volume do dinheiro público que eles roubam, dessa forma retirando do que é devido ao povo, em serviços públicos de qualidade, os recursos necessários para garantir sua dignidade, cidadania, bem-estar e bem viver.

A sonegação de imposto é crime, previsto em várias leis, uma delas ainda de 1965 (lei 4729) e pode fazer cair sobre esses grupos econômicos uma espécie de “ficha suja” suficiente para servir de impedimento — note-se a ironia dessa palavra para quantos desses grupos, direta ou indiretamente, estão defendendo o impeachment da Presidenta Dilma — para muitos dos seus negócios.

Essa, entre muitas outras evidentemente, uma das razões de não se imitar, nem como represália, a conduta imoral de algumas dessas empresas, grupos de mídia e pessoas, antecipando como verdadeiros os fatos ora investigados pela Polícia Federal contra elas. A existência de razões, porém, para a sua pregação moral já se encontrar sob suspeita de hipócrita e cínica, não há como negar. Se andou usando e abusando da tão proclamada liberdade de iniciativa, fazendo o que fez, e da não menos defendida liberdade de expressão, para mentir, não vai dar mais para recolher as pedras que andou lançando sobre a moral alheia e a conduta política do governo.

Se a própria moral delas estiver sem a mesma ou pior condição dos pecados por ela atribuídos às outras, com a mesma ou maior publicidade impõe-se agora ser provada.

Jacques Távora Alfonsin
No RS Urgente
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Moro quer um Código Penal só pra ele

O Brasil já sabe o que acontece quando a Globo​ elogia candidatos a tirano


Saiu no Estadão espantoso, amedrontador artigo do Juiz Moro:


(…)

Como se chegou a esse ponto de deterioração, no qual a descoberta e a repressão de crimes de corrupção provocaram tantos efeitos colaterais negativos?

Uma das respostas é que o sistema de Justiça Criminal, aqui incluídos a polícia, o Ministério Público e o Judiciário, não tem sido suficientemente eficiente contra crimes dessa natureza. Como resultado, os problemas tendem a crescer, tornando a sua resolução, pelo acúmulo, cada vez mais custosa.

(…)

é necessário um choque para que os bons exemplos de eficiência não fiquem dependentes de voluntariedade e das circunstâncias.

(…)

o problema principal é óbvio e reside no processo. Não adianta ter boas leis penais se a sua aplicação é deficiente, morosa e errática.

(…)

A melhor solução é a de atribuir à sentença condenatória, para crimes graves em concreto, como grandes desvios de dinheiro público, uma eficácia imediata, independentemente do cabimento de recursos.

(…) para crimes graves em concreto, seja imposta a prisão como regra a partir do primeiro julgamento, ainda que cabíveis recursos.

(…)

Pelo projeto, o recurso contra a condenação por crimes graves em concreto não impedirá, como regra, a prisão. Permite ainda o projeto que o juiz leve em consideração, para a imposição ou não da prisão, fatos relevantes para a sociedade e para a vítima, como ter sido ou não recuperado integralmente o produto do crime ou terem sido ou não reparados os danos dele decorrente.

(…)

O Brasil vive momento peculiar. A crise decorrente do escândalo criminal assusta. Traz insegurança e ansiedade.

Sergio Fernando Moro e Antônio Cesar Bochenek, juízes federais, são, respectivamente, o responsável (sic) pela Operação Lava Jato e o presidente da Ajufe
Quer dizer que o “responsável” pela Lava Jato quer um AI-5 só para ele.

Quer dizer que, quando ele considerar que está diante de “crimes graves em concreto”, ele e só ele manda quem quiser para a cadeia (além de mortos, é claro).

Munido do Prêmio Diferença do Globo, o dr Moro agora quer prender e arrebentar, quando lhe der na telha.

O Brasil já sabe o que acontece quando a Globo concede prêmios e honrarias a candidatos a tirano

Já viu esse filme antes.

Foi um horror!

Horror!

Sobre o horror, ver o que disse o ministro Marco Aurélio, que jamais viu coisa igual!

Imagine, Ministro, dar um AI-5 a esse justiceiro!

Imagine, Ministro um Juiz da Vara do Rio considerar “crime grave em concreto” a evasão fiscal da Globo.

Imagine, Ministro!

Os filhos do Roberto Marinho — eles não tem nome próprio — num cárcere em (e de) concreto!

Onde já se viu tanta ignomínia!

O que traz “insegurança e ansiedade” é ver como o Dr Moro aplica a Lei!

A forma imparcial, republicana, como empunha as Tábuas da Lei!

Em tempo: quando ele fala em “choque”, é daqueles do Coronel Ustra?

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Ex-delegado da Polícia Civil de SP aparece com US$ 194 milhões no HSBC


Detetive e concessionários de serviços públicos no Rio também tinham conta na Suíça

Cento e noventa e quatro milhões e novecentos mil dólares. Este é o saldo que, segundo o HSBC da Suíça, constava na conta relacionada ao delegado aposentado da Polícia Civil de São Paulo e empresário do ramo de segurança Miguel Gonçalves Pacheco e Oliveira entre os anos de 2006 e 2007.

Mesmo com esse valor guardado nos cofres de Genebra — o que faz dele um dos dez brasileiros com mais dinheiro no banco suíço —, Oliveira não abriu mão de brigar na Justiça por uma aposentadoria mais robusta. Nos últimos anos, entrou com pelo menos oito ações para pedir revisão de seus vencimentos. Ganhou em parte delas e recorre naquelas em que perdeu. De acordo com o site de transparência do governo de São Paulo, ele recebe R$ 10 mil líquidos pelos serviços prestados à Polícia Civil.

Levantamento feito pelo Uol em parceria com o jornal “O Globo'' encontrou Oliveira e outros quatro servidores públicos ou de concessionárias de serviços públicos na lista de 8.667 correntistas do HSBC da Suiça. São eles um inspetor da Polícia Civil do Rio de Janeiro, um engenheiro da Secretaria Municipal de Obras carioca, um conselheiro da concessionária do Aeroporto de Cabo Frio e um ex-diretor da antiga concessionária do metrô do Rio, a Opportrans.

Todos os citados que foram localizados negaram ter contas no banco suíço, assim como qualquer irregularidade financeira. Oliveira não respondeu aos pedidos de entrevista.

Ao longo de sua carreira, Miguel Oliveira foi delegado-assistente do Departamento de Polícia Judiciária (Decap), órgão responsável pelas 93 delegacias da capital paulista. Como parte de seu trabalho, chegou a ser enviado a Miami e a Nova York para conhecer algumas experiências de combate ao crime organizado.

Apartamento e carro de luxo

Em 1998, ele virou notícia pela primeira vez — numa meticulosa reportagem de Mario Cesar Carvalho — por conta dos bens e imóveis que possuía e pelo fato de, apesar de estar na ativa, ser dono de duas empresas privadas de segurança: a Vanguarda Segurança e Vigilância e a Nacional. A reportagem descreveu uma rotina de luxo, que começava num caro apartamento no bairro dos Jardins e que incluía um automóvel Volvo preto.

Além de delegado e empresário da segurança, Oliveira também teve incorporadoras. De 1994 a 2003, foi dono de pelo menos três: a MGPO, que fazia “locação, arrendamento, loteamento e incorporação de imóveis”, a Ibiuna Marina Golf Club, que construiu condomínios de luxo em Ibiúna (SP) e a Esplanada Pinheiros Empreendimentos Imobiliários. Em 2011, migrou para o setor de limpeza, fundando a Interativa Service.

Oliveira também tem também muitos imóveis em seu nome. Em São Paulo são pelo menos 5, segundo pesquisa feita em cartórios da cidade e na Junta Comercial. Um de seus apartamentos fica no prédio da senadora Marta Suplicy no Jardins e é justamente o endereço que aparece nos documentos do HSBC. O imóvel tem 633 metros quadrados e cinco vagas na garagem. Há 12 anos, custou-lhe R$ 1,1 milhão.

Mas esse não é o imóvel mais vistoso do delegado. Em 2010, ele informou à Junta Comercial de São Paulo um endereço na vila suíça de Montagnola, que fica perto da fronteira da Itália. Entre 2010 e 2012, Oliveira morou por lá.

O delegado ainda tem em seu currículo a fundação da ONG SOS Itupararanga, da qual é conselheiro fiscal. Criada em 2000, em Ibiúna, ela tem por objetivo preservar a represa e “ajudar no desenvolvimento sustentável da região”, informa seu site.

Segundo levantamento feito nos documentos do HSBC da Suíça, Oliveira aparece relacionado a duas contas numeradas. A primeira foi aberta no dia 10 de novembro de 2005 e a segunda, em 29 de dezembro daquele ano. Em 2006/2007, as duas estavam ligadas a três empresas offshores, que não apareciam relacionadas a mais ninguém dentro do banco. Trata-se da Hollowed Turf, com endereços na Suíça, em Liechtenstein, Ilhas Virgens Britânicas e Seychelles, da Hallowed Ground Foundation e da Springside Corporation.

Na tabela abaixo, dados sobre as contas de Pacheco e Oliveira e de outros servidores e ex-concessionários de serviços públicos (clique na imagem para ampliar):

Arte

Pelo menos mais um policial aposentado foi encontrado nas planilhas do HSBC: o inspetor da Polícia Civil do Rio Fernando Henrique Boueri Cavalcante. Segundo registros oficiais, ele ingressou na corporação em 1982 e se aposentou há dois anos, como inspetor de quarta classe, o que antigamente era conhecido como detetive. De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis, um agente deste tipo recebe em torno de R$ 5 mil por mês ao fim de sua carreira. A conta relacionada a ele no banco de Genebra foi aberta em 11 de abril de 2000, e o saldo, em 2006/2007, era de US$ US$ 697 mil.

Aeroporto em Cabo Frio

Mauro Chagas Bonelli é outro servidor que surge na lista do HSBC. Desde 1986, ele consta como servidor da Secretaria de Obras da Prefeitura do Rio. Ao longo de sua carreira, participou da construção da Linha Amarela e do Parque de Madureira. Entre 1997 e 2000, foi coordenador geral de obras da cidade. Em 2013, trabalhou na reurbanização do entorno do Maracanã, com vistas à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos. Naquele ano, concluiu mestrado em Engenharia Urbana e Ambiental na PUC-Rio, com uma dissertação intitulada “Sustentabilidade em Obras Públicas: O Caso do Parque Madureira”.

Nos registros do HSBC, Bonelli aparece relacionado a uma conta numerada aberta no dia 14 de dezembro de 1999 e que, em 2006/2007, tinha US$ 105 mil.

Murilo Siqueira Junqueira foi presidente da Flumitrens entre 1995 e 1998. Logo depois, Junqueira passou a trabalhar na operadora Costa do Sol, concessionária que até hoje administra o aeroporto de Cabo Frio. Formada por empresários que passaram por diversas empresas públicas do Estado, a Costa do Sol ganhou a concessão do aeroporto por 22 anos a partir de 2001. Junqueira foi presidente do conselho e presidente executivo do grupo. Hoje atua como conselheiro da Costa do Sol.

Nos documentos do HSBC, ele aparece associado a duas contas numeradas. A primeira foi aberta em 30 de abril de 2003 e ficou ativa até 22 de dezembro de 2003. Em 2006/2007, seu saldo estava zerado. A segunda foi aberta em 14 de março de 2003 e, em 2006/2007, tinha US$ 895 mil.

Hamilton de Souza Freitas Filho foi diretor administrativo e financeiro do Consórcio Opportrans, que era encabeçado pelo Grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. Em dezembro de 1997, o Opportrans adquiriu, na Bolsa de Valores do Rio, o direito de explorar o serviço metroviário da capital fluminense.

O nome de Freitas Filho surge nas planilhas do HSBC relacionado a uma conta numerada que foi aberta em setembro de 1989 e que, em 2006/2007, tinha um saldo de US$ 10,2 milhões.

Fernando Rodrigues
No Uol
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O inimaginável

Se você já se cansou de escândalos e quer fugir deste cotidiano de intolerância e troca de insultos — ou seja, se cansou do Brasil atual —, sugiro uma solução, mas com um aviso: você estará trocando uma angústia, digamos, cívica, por uma angústia existencial — o que não deixa de ser uma saída. Se estiver disposto, siga-me.

Minha sugestão é: vamos pensar no universo e esquecer todo o resto? Já se chamou isto de “pensar nas últimas coisas”, mas o problema é que os cientistas ainda não chegaram a um acordo a respeito das primeiras coisas. Teorias sobre o começo do mundo continuam a ser só isso, teorias. Até algumas que pareciam ser universalmente, sem trocadilho, aceitas continuam em discussão, como a teoria do Big Bang, que teria criado tudo em segundos. Agora, estão dizendo que não houve o grande pum.

Especulações sobre o que existia antes da explosão inaugural — era o nada absoluto ou não era nem o nada? — devem ser substituídas por uma questão ainda mais estonteante, pois se as novas especulações (provocadas, se entendi bem, pela descoberta de pequenos buracos negros indicando a existência de universos paralelos) estiverem certas, significará que o universo, ou a versão do universo que você e eu habitamos, nunca começou. Sempre existiu!

A mente humana não está capacitada a entender uma coisa que existe sem nunca ter começado. O conceito do infinito para os dois lados é demais para quem está acostumado a uma vidinha orgânica, em que tudo nasce, cresce, declina e, que remédio?, acaba. O infinito para a frente ainda é, com algum esforço, concebível. O infinito para trás não cabe na nossa cabeça.

Cientistas, e principalmente, físicos, são um pouco como bombeiros, policiais, desmontadores de bombas e domadores de circo, habituados a enfrentar situações extremas que espantam os outros. Vão aonde ninguém mais vai. No caso dos físicos, até as bordas do conhecimento, sem medo de serem engolidos pelo inimaginável, como um leigo. Mas duvido que em algum ponto das especulações eles não lamentem os limites naturais mesmo de uma mente privilegiada, e concluam que nenhuma teoria, jamais, chegará perto da verdade sobre a origem da matéria.

Eu já estou com saudade do Big Bang.
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Testando hipóteses na #zhelotes

Se a RBS é suspeita de envolvimento na Operação Zelotes (#zhelotes), porque a sonegadora Rede Globo também não pode ser suspeita?



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O preconceito, a xenofobia e a ignorância do vereador Evandro Almeida (PMDB)

Em sessão da Câmara de Vereadores, Evandro Almeida (PMDB) diz que nordestinos são "vadios"e "doentes".



Entre os vários investimentos em sua formação profissional estão os cursos de recursos humanos, realizado no Dale Carnegie Course no ano de 2003, em Florianópolis. Curso de Oratória (Strategic Presentations Workshop), realizado no Dale Carnegie Course no ano de 2003 na cidade de Florianópolis. Curso de CMV (comissão de valores mobiliários), realizado na Unisul, com tema da palestra, guia de orientação e defesa do investido no ano de 2006 na cidade de Tubarão.

Participação da IV Conferência Regional dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizado na Unisul, em 2005, desenvolvido pela Secretaria de Estado e Desenvolvimento Regional, na cidade de Tubarão. Curso escola de governo e formação politica, realizado no Instituto Cidade no ano de 2003 na cidade de Tubarão.

O vereador Evandro Almeida tem um trabalho social muito forte voltado para os idosos, pois é padrinho de quinze grupos de idosos, nos bairros comunitários de Tubarão.


Vereador Evandro Almeida queria dar um golpe


Os vereadores de Tubarão foram autoconvocados para sessão extraordinária nesta quarta-feira (17 de março) para julgar o processo de cassação do prefeito Olavio Falchetti. Após leitura do relatório, votação pela cassação e envio do documento ao Ministério Público, os vereadores decidiram que a denúncia sobre a cassação do prefeito é improcedente. Com 10 votos contrários a cassação, cinco favoráveis e duas ausências o prefeito Olavio Falchetti (PT) foi absolvido.

Sobre o relatório o vereador Evandro Almeida (PMDB), presidente da comissão processante, foi claro ao entender que a lei orgânica dá a prerrogativa de fazer a cassação, em conjunto com a lei federal que dá subsídios para criar uma comissão e ter direitos de cassar o prefeito sem interferência do poder judiciário para verificar se houve ou não infração político-administrativa por parte do prefeito Olavio Falchetti.

Em relação aos atrasos, Evandro recebeu do protocolo da Câmara a informação de que até o dia 5 de janeiro deste ano havia 490 requerimentos em atraso, 294 sem pedido de prorrogação e alguns com mais de 100 dias de atraso.

“Dia 17 de março recebi as informações desta casa que temos ainda 32 requerimentos oriundos de 2013 sem as devidas informações e mais 16 requerimentos de 2014 que não tivemos respostas. Podemos falar que o processo é baseado em um requerimento de apenas quatros dias de atraso depois do vencimento de 30 dias mas não podemos esquecer daqueles que ainda estão por ser respondidos”, enfatiza Evandro.

Quanto ao voto, Evandro declarou ser favorável a cassação do prefeito que em sua opinião cometeu um ato ilícito. “O prefeito está errado, meu julgamento é técnico, façamos cumprir a lei. Para isso fui eleito, fiscalizar e fazer cumprir as leis e ser a voz do povo. Não adianta vir aqui e fazer algo diferente daquilo que as pessoas acreditaram que faríamos”, pontua.

Votaram contrários a cassação os vereadores Clodoaldo de Medeiros (PT), Eraldo Pereira da Silva (PPS), Gelson Bento (PP), Jairo Cascaes (PSD), João Fernandes (PSDB), Júlio Cesar Rodrigues (PP), Luiz Gonzaga dos Reis (PP), Matusalém dos Santos (PT), Nilton de Campos (PSDB), Paulo Henrique Lúcio (PT). Favoráveis à cassação foram Evandro Almeida (PMDB), Gilson Paes (PSD), Joel Esmeraldino (PMDB), Lucas Esmeraldino (PSDB) e Vanor Rosa (PMDB). Estiveram ausentes os vereadores Edson Firmino (PMDB) e Carlos Zamparetti (PSD). Com as faltas justificadas.

O prefeito Olavio Falchetti tinha direito a duas horas para dar seu parecer e fazer sua defesa, mas não compareceu à sessão e em nenhuma audiência a qual foi convocado ao longo do processo. E nesta sessão extraordinária não enviou um procurador para representá-lo como nas outras ocasiões.

“Foi um descaso com a população eu esperava mais do prefeito, que tanto diz estar do lado do povo”, enfatiza.

Houve votação para saber quem seria a favor do envio do relatório ao Ministério Público. Todos os vereadores presentes foram favoráveis, apenas a bancada do PT se absteve do voto.

Entenda o caso

A Comissão foi aberta no dia 15 de dezembro e teve prazo de 90 dias a partir da notificação ao prefeito para finalizar a investigação. A Comissão tem como presidente Evandro Almeida (PMDB), relator Nilton de Campos (PSDB), e Clodoaldo de Medeiros (PT). No dia 17 de dezembro o prefeito recebeu a notificação e dia 26 do mesmo mês entregou ao Legislativo sua defesa prévia já com as indicações das testemunhas.

Dos 17 vereadores, 12 votaram favoráveis à abertura da Comissão e somente quatro foram contrários. A Comissão foi montada após a Câmara receber denúncia do tubaronense Tarcísio Cândido, sobre a falta de respostas da equipe do governo aos requerimentos feitos pelos vereadores ao longo do ano. O documento que culminou na denúncia consta no requerimento apresentado pelo vereador Lucas Esmeraldino durante a sessão, em que solicita informações sobre a aquisição dos novos semáforos que serão colocados em determinados pontos da cidade.

O pedido de informação foi feito dia 6 de novembro, recebido pelo prefeito dia 11 de novembro e respondido pela prefeitura no dia 17 de dezembro.

Conforme a Lei Orgânica do Município, os requerimentos enviados pelos vereadores ao Executivo devem obrigatoriamente ser respondidos em um prazo de 15 dias podendo ser prorrogado pelo mesmo período se enviado um requerimento de solicitação e as devidas justificativas.

E de acordo com o Decreto-lei 201 de 1967, Artigo 4º, são consideradas infrações político-administrativas dos prefeitos municipais sujeitas ao julgamento pela Câmara dos Vereadores e sancionadas com a cassação do mandato se o prefeito desatender, sem motivo justo, as convocações ou os pedidos de informações do Legislativo, quando feitos a tempo e em forma regular.
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Desajuste

A realidade econômica e social vivida pelo Brasil em 2014 começou a ser mostrada no final da semana pelo IBGE, que tem as estatísticas menos desconfiáveis. São dados, incluído o cabalístico PIB, que não atestam a escandalosa crise econômica na qual o nosso dia a dia mental e físico está atolado há mais de quatro meses.

O Brasil, a partir do próprio governo e com os alto-falantes de sempre, diz-se, e diz ao mundo, que 2014 o deixou em estado de coma. Não é verdade. O Brasil não é, como está apresentado, a Grécia, não é a Espanha, não é Portugal, nem se assemelha a esses ou qualquer outro posto em desgraça pela crise ocidental criada por corrupção e golpes da rede bancária dos Estados Unidos.

Os economistas alimentados pelo "mercado" e a classe que busca fáceis lucros financeiros ou políticos podem dizer, como lhes convém, que o Brasil está em estagnação. Os governistas e seus aliados menos ou mais falsos podem dizer que o Brasil está em situação estável. O que importa nas duas qualificações é ambas significarem que, se o país não evoluiu em muitos sentidos, também não sucumbiu nem, guardadas as proporções, resistiu menos aos efeitos da crise americana do que as potentes Alemanha, França e Itália.

Como se explica a espetaculosa catástrofe de que se fala em todas as horas por todos os meios? Na campanha da eleição presidencial, Aécio Neves e Marina Silva referiam-se a inflação alta e a desempenho pífio da indústria, atribuído ao governo. Não era de crise que falavam. Mal se decidira a eleição, e sem qualquer motivo perceptível, Dilma de repente atira a notícia de que seu ministro da Fazenda será o neoliberal Joaquim Levy, para fazer um tal "ajuste econômico". Que ajuste? Por quê? E por que um adepto da política mais conservadora, que antes mesmo de assumir já justificava o "desempenho fiscal mais sólido" como "melhor para as ações"?

Com tamanho desajuste de ideias, Dilma decretou estar o país em crise. Mesmo que não estivesse, Dilma acabava de criar o veio a ser explorado pelo vício dos conservadores brasileiros, o de reverter sem eleições o resultado eleitoral.

É claro que nada senão o mau passo de Dilma pode explicar a criação do pessimismo e da crença generalizada nas manipulações de aspectos da economia. Não é a realidade de 2014 a responsável pela realidade de 2015.

O tal PIB cresceu 0,1%, que a rigor não é mais que um zero envergonhado, e a produção industrial recaiu 1,4%, o que não é novidade porque pífio não foi o desempenho no ano, é a indústria brasileira. No maior número de quesitos a economia esteve bem, ou não foi mal ou, ao menos, foi melhor do que a vizinhança. Mesmo pequenos indicadores o refletem: quando se lê a notícia de que "setor de biscoitos e massas fatura 11,5% mais em 2014", os dispensáveis biscoitos mostram a que gastos o bom nível de consumo até se permitiu. Nada de crise.

A tão falada alta da inflação não pôde evitar o desprazer de vê-la fechar o ano abaixo do teto fixado de 6,5%. Resultado muito bom considerados o problemático e longo período eleitoral e outras circunstâncias. Só em janeiro e no curto e carnavalesco fevereiro deste ano, a inflação do ajuste de Levy/Dilma chegou a 2,48% no IPCA e 2,66% no INPC.

O desemprego estava reduzido a 4,3% em dezembro e a remuneração do trabalho, com altas no ano que chegaram a 4% (outubro), em dezembro ainda conseguia aumento de 1,7%. O desemprego em fevereiro de 2015 chegou a 5,9%, e cresce em março. A remuneração do trabalho teve resultado negativo de 0,5%.

Desde 1888, com o fim da escravidão, o emprego remunerado é o direito primordial dos que lutam pela vida. E o primeiro atingido quando predomina a política em favor dos que têm a vida a lutar por eles. É o que retorna com o ajuste de Levy e Dilma.

Mas Dilma traz ao menos uma novidade, em comparação com outros praticantes do neoliberalismo e com os submetidos ao FMI: Dilma pressiona contra uma emenda parlamentar que dê aos aposentados a correção que uma medida provisória concede ao salário mínimo. Desse modo, tão original, os aposentados passam a pagar, com a correção que deixam de receber, o salário mínimo dos outros.

O ajuste é um grande desajuste.

Janio de Freitas
No fAlha
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