27 de mar de 2015

Rodrigues e os álibis para fugir da notícia


O jornalismo e a política são terrenos favoráveis ao exercício da hipocrisia. Mas Fernando Rodrigues extrapolou na audiência na CPI do HSBC.

Indagado sobre o motivo de ter sentado em cima da notícia — segurou por seis meses as informações da lista —, fez um ar falsamente indignado, impostou a voz, e acusou a COAF e a Receita de lentidão na apuração do material que ele zelosamente selecionou para sua análise — os 300 e poucos nomes entre os 8 mil, separados de acordo com critérios nebulosos.

Ou seja, selecionou nomes, sabe-se lá por quais critérios, remeteu ao COAF e à Receita — cujos processos de investigação são necessariamente mais lentos do que o jornalístico — e sentou no material por seis meses.

Que nomes ele enviou para a Receita e para o COAF? Quais os critérios que adotou?

Nas últimas semanas, os nomes divulgados revelaram os critérios: não se pejou em divulgar nomes de artistas conhecidos como se fossem suspeitos.  E fez jus à fama de "listeiro" — o jornalista que recebe uma lista e publica sem saber bem o que fazer com ela.

Para chegar a esses nomes, Rodrigues se baseou nas contas registradas em nomes de seus titulares — com algumas exceções, as menos suspeitas — e selecionou as celebridades.

Ora, nenhum trambiqueiro profissional registra as contas em seu próprio nome. Os golpistas profissionais constituem holdings, empresas offshore em paraísos fiscais. Elas é que têm a titularidade das contas.

Fosse um repórter de fôlego teria ido atrás das contas de holding, das empresas offshore.

Aqui mesmo mostramos o roteiro: pegar o endereço registrado ou no HSBC ou no país de constituição da off-shore e conferir quem mora nele. Foi assim que um leitor ajudou a descobrir a conta de um membro da família Tuma.

Rodrigues teve meses e meses para fazer esse trabalho. Não moveu uma palha. Se não tinha sequer a identidade dos titulares das firmas offshore, se sequer pesquisou os donos dos endereços mencionados, que raios de seleção foi feita?

Como fugir das notícias

O álibi de fugir da notícia, transferindo para terceiros a responsabilidade por suas apurações é típica de Rodrigues.

Sem mencionar seu nome, no meu livro "O jornalismo dos anos 90", já havia descrito o trabalho de Rodrigues, de tentar boicotar a apuração na CPI dos Precatórios, especialmente quando se aproximava de Paulo Maluf e do então senador Gilberto Miranda.

À medida em que eu ia desvendando a trama e o papel de Maluf, Fernando Rodrigues passou a desqualificar cada passo das minhas investigações.

Liguei para ele para saber qual era a sua. Me atendeu algo embaraçado e me ofereceu a parceria em uma matéria sobre a atuação dos doleiros em Brasilia.

E aí se revelou o modus operandi para esconder informações que poderiam atingir parceiros.

Ele havia recebido um email com indicações precisas sobre as operações em Brasília, com endereços e horários de atendimento. Disse-lhe não entender a proposta de parceria, se já tinha todas as informações à mão. Sua alegação era a de que tinha pouco conhecimento de algo complexo, como o mercado de doleiros.

Disse-lhe que havia sido correspondente da Folha em Nova York e cobrira o mercado de títulos da dívida pública. Como alegar agora que o mercado de doleiros era muito intrincado para ele ainda mais tendo em mão um email dando todos os detalhes? Além disso as informações eram sobre doleiros em Brasilia, onde ele morava.

Recusei a parceria e continuei na minha linha de investigação.

Tempos depois, a matéria saiu na revista Veja. E Fernando Rodrigues me ligou com um ar falsamente indignado, indagando se eu havia vazado as informações para a revista.

Mandei-o à merda.

Luís Nassif
No GGN
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As grandes empresas de mídia querem toda a publicidade federal só para elas

Eles querem o monopólio da propaganda oficial
Quando você se elege, tem uma série de dores de cabeça.

É cobrado por tudo.

Mas você tem também alguns benefícios. Indicar pessoas para cargos estratégicos, por exemplo.

É um benefício que deriva de uma única coisa: os votos. A isso se dá o nome de democracia.

Os conservadores parecem ter outro entendimento. Quer dizer, quando eles não estão no poder.

Merval Pereira, o gerente geral do colunismo de direita, não queria que Dilma indicasse para a Secom alguém do PT.

Isso porque, segundo Merval, é um local em que o titular pode “financiar blogs governistas”.

Para melhor compreensão, é preciso trocar duas coisas na frase de Merval. “Financiar” significa “anunciar”. E “blogs governistas” são aqueles que garantem alguma pluralidade no debate político e econômico nacional.

Leitores progressistas ficariam simplesmente ao relento se não tivessem outro destino, na mídia, que não fosse o oligopólio comandado pelas famílias Marinho, Civita e Frias.

Aqui, é necessário trazer luz onde existem sombras.

Os blog, ou sites, aos quais Merval presumivelmente se refere têm uma audiência considerável — e crescente, ao contrário de telejornais, revistas e jornais.

Por motivos profissionais, acompanho em medidores especializados como o Comscore a marcha da audiência dos principais sites progressistas.

O crescimento é expressivo, por duas razões. Uma é a busca de conteúdo que fuja do reacionarismo de Merval e tantos outros. A outra é a Era Digital.

Não sei se o DCM se enquadra nos sites que Merval gostaria de ver mortos, mas vou dar nossos números de audiência.

Em dois anos, saímos de 200 000 cliques diários para 18 milhões. Tornamo-nos 90 vezes maiores do que éramos. Os visitantes únicos já se aproximam de 3 milhões.

Crescimentos consistentes, posso garantir, também se registram em sites como o GGN, o Conversa Afiada e o 247.

O governo não faz favor nenhum quando anuncia neles. (Apenas para registro: até aqui, o DCM virtualmente não teve publicidade das estatais federais. Somos financiados, em empreendimentos mais custosos, pelo público, em operações de crowdfunding.)

Tudo isso posto, vamos analisar a Globo de Merval e sua relação com a publicidade oficial.

Mesmo com a brutal queda de audiência, a Globo vem recebendo, em média, 500 milhões de reais por ano em publicidade oficial.

Isso agora.

Poucos sabem, mas no passado, durante muitos anos, quando os anunciantes já conseguiam grandes descontos sobre as tabelas de publicidade dos veículos, apenas o governo continuava a pagar o preço integral.

Ainda nos anos 1990, era isso o que vigorava. Na prática, era um assalto ao dinheiro público.

Lembro disso muito bem porque ocupava um cargo executivo na Editora Abril. Anúncio do governo era uma festa.

No caso da Globo, se voltarmos um pouco mais, nos dias da ditadura, o que vemos é um crime organizado.

Roberto Marinho ganhou uma televisão para defender a ditadura. Não levou apenas a concessão. Junto, veio publicidade copiosa. Se não bastasse, os bancos públicos sempre estiveram abertos para financiar a juros maternos a empresa.

Isso durou todo o tempo da ditadura. Não surpreende que a Globo tenha feito o possível para que os generais permanecessem no poder.

E então, com todo esse passivo, ainda assim Merval se sente autorizado a dar lições de moral sobre as verbas estatais.

Não fossem elas, Merval não estaria onde está — e nem a fortuna dos Marinhos seria uma das maiores do Brasil.

Paulo Nogueira
No DCM
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Redução no número de filhos por família é maior entre os 20% mais pobres do país

Quixadá - A dona de casa Ana Cleide Ancelmo da Silva, 35, viúva, mora com sua mãe e sete filhos na comunidade Engano, no distrito de Riacho Verde 
Fernando Frazão/Agência Brasil
Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10,7%. Entre os 20% mais pobres, a queda registrada no mesmo período foi 15,7%. A maior redução foi identificada entre os 20% mais pobres que vivem na Região Nordeste: 26,4%.

Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e têm como base as edições de 2003 a 2013 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra que, em 2003, a média de filhos por família no Brasil era 1,78. Em 2013, o número passou para 1,59. Entre os 20% mais pobres, as médias registradas foram 2,55 e 2,15, respectivamente. Entre os 20% mais pobres do Nordeste, os números passaram de 2,73 para 2,01.

Para a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios.

“Mesmo a redução no número de filhos por família sendo um fenômeno bastante consolidado no Brasil, as pessoas continuam falando que o número de filhos dos pobres é muito grande. De onde vem essa informação? Não vem de lugar nenhum porque não é informação, é puro preconceito”, disse.

Entre as teses utilizadas pela pasta para explicar a queda estão os pré-requisitos do programa. “O Bolsa Família tem garantido que essas mulheres frequentem as unidades básicas de Saúde. Elas têm que ir ao médico fazer o pré-natal e as crianças têm que ir ao médico até os 6 anos pelo menos uma vez por semestre. A frequência de atendimento leva à melhoria do acesso à informação sobre controle de natalidade e métodos contraceptivos”.

A demógrafa da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE Suzana Cavenaghi acredita que o melhor indicador para se trabalhar a questão da fecundidade no país deve ser o número de filhos por mulher e não por família, já que, nesse último caso, são identificados apenas os filhos que ainda vivem no mesmo domicílio que os pais e não os que já saíram de casa ou os que vivem em outros lares.

Segundo ela, estudos com base no Censo de 2000 a 2010 e que levam em consideração o número de filhos por mulher confirmam o cenário de queda entre a população mais pobre. A hipótese mais provável, segundo ela, é que o acesso a métodos contraceptivos tenha aumentado nos últimos anos, além da alta do salário mínimo e das melhorias nas condições de vida.

“Sabemos de casos de mulheres que, com o dinheiro que recebem do Bolsa Família, compram o anticoncepcional na farmácia, porque no posto elas só recebem uma única cartela”, disse. “É importante que esse tema seja estudado porque, apesar de a fecundidade ter diminuído entre os mais pobres, há o problema de acesso e distribuição de métodos contraceptivos nos municípios. É um problema de política pública que ainda precisa ser resolvido no Brasil”, concluiu.

infografia filhos por mulher

Paula Laboissière
No Agência Brasil
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A entrevista do teórico procurador da Lava Jato


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Israel pressiona para censurar música do Festival Eurovisão

O grupo que representa a Hungria no Festival Eurovisão da Canção pretende competir com a canção "Guerras para nada", mas não poderá fazer, porque Israel impôs o seu veto. A canção evoca crianças vítimas da brutal agressão israelense em Gaza no ano passado.

Com esta música, o grupo liderado pela cantora Csemer Boglarka "Boogie", pretendia representar a Hungria na edição deste ano, que será realizada em maio próximo.

A letra denuncia as inúmeras mortes causadas pelo cruel ataque do Exército israelense sobre uma população indefesa, dos quais dois terços eram civis, incluindo 500 crianças.

A notícia sobre a da pressão israelense foi divulgada pelo sítio Ynet, que também é de Israel. O governo de Tel Aviv manifestou sua oposição ao embaixador húngaro Ilan Mor e pediu ao governo húngaro para censurar a música, já que se tratava de uma mensagem de "inadequada".

O próprio embaixador húngaro perdiu para para reunir-se com a banda para explicar-lhes as razões da censura, o que demostra que o longo braço de Israel não deixa que títeres coloquem a cabeça para fora em nenhum lugar do mundo e o servilismo dos governos a um Estado tão criminoso quanto ilegítimo.

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Nota à imprensa







O ex-ministro José Dirceu passa bem. Ele realizou hoje uma segunda ressonância magnética depois de ter um pico de hipertensão na segunda-feira. Na terça, após o primeiro exame, a equipe médica havia diagnosticado uma “mínima ectasia do espaço liquórico bifrontal” — um possível hematoma. A ressonância de hoje tem o objetivo de medir a evolução do quadro clínico.
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Psol suspende deputado que ‘trocou’ povo por Deus na Constituição

Partido proibiu Daciolo de “participar de quaisquer aparições públicas em nome do Psol”. Decisão sobre rumo do deputado de perfil conservador será do diretório nacional

Fundamento: “Bíblia é, e sempre será, minha única regra de fé
e prática”, diz Daciolo
Resolução da Executiva Nacional do Psol formalizada nesta quinta-feira (26) determinou a “suspensão imediata” do deputado Daciolo (RJ), depois de analisar seu “comportamento político”. Como este site mostrou mais cedo, Daciolo contrariou a orientação de seu partido e apresentou, na quarta-feira (25), uma proposta de emenda que substitui a palavra “povo” por “Deus” no enunciado do primeiro artigo da Constituição. Caso a sugestão seja aprovada, a Carta Magna será aberta com a seguinte redação: “Todo o poder emana de Deus, que o exerce de forma direta e também por meio do povo e de seus representantes eleitos, nos termos desta Constituição”.

A decisão desagradou à cúpula do Psol desde seu surgimento. De perfil liberal, o partido proibiu Daciolo de “participar de quaisquer aparições públicas em nome do Psol, conforme disposto no artigo 19, alínea ‘a’ dos seus Estatutos”. A resolução também decidiu encaminhar ao Diretório Nacional do Psol a recomendação de análise sobre a possível ocorrência de infidelidade partidária. O procedimento dará à Comissão de Ética Nacional da legenda a tarefa de analisar os fatos e garantir o direito de defesa de Daciolo, “procedimento necessário para instruir a decisão da instância de direção”.

Por meio de comunicado à imprensa, a executiva faz a ressalva de que, em 16 e 17 de maio, haverá reunião do Diretório Nacional do Psol para deliberar sobre a questão, entre outras pautas.

“Apesar dos esforços da bancada e da direção do partido, o referido parlamentar insistiu em apresentar proposição que contraria um dos mais caros princípios partidários e da esquerda. O PSOL agrega em suas fileiras incontáveis filiados, dirigentes e parlamentares que professam alguma fé religiosa. Todos estes são sempre bem vindos e não tem no partido qualquer restrição em relação às suas opções religiosas. Contudo, exige-se no partido a atuação política respeitando-se a separação entre religião e Estado”, diz trecho da resolução, que ainda menciona outra conduta de Daciolo na contramão dos dogmas da legenda.

“[...] o deputado anunciou e decidiu defender os policiais acusados pela morte do cidadão Amarildo, caso emblemático da luta por direitos humanos no Brasil. O deputado Daciolo teria e tem todo o direito e dever de defender um julgamento justo e célere aos policiais acusados neste e noutros casos [...]. Mas é inadmissível ao Psol a defesa, por parte de um de seus membros, de que estes são inocentes e que os culpados seriam outros”, acrescenta a resolução.

“Lapso”

O texto, que já está disponível na página da Câmara, aguarda despacho da presidência da Casa para começar a tramitar. Na justificativa da PEC, o deputado defende de maneira veemente a mudança no texto constitucional. “Como cristão não tenho receio em declarar que a Bíblia é, e sempre será, a minha única regra de fé e prática”, afirma. Após citar passagem bíblica, ele diz que “ao final e ao cabo, é Deus quem governa e detém todo o poder. É Deus quem está no controle de todas as coisas”.

Cabo Daciolo afirma que houve um “lapso” por parte dos constituintes na redação do parágrafo único do artigo 1º da Constituição, que consagra ao povo brasileiro todo poder. “A legitimidade do povo para votar e exercer a cidadania conquistada através do instrumento da democracia não exclui a autoridade de Deus sobre as nossas vontades e desígnios. Como proponho nesta Proposta de Emenda à Constituição, todo o poder emana de Deus e nada pode alterar essa verdade. Se Deus pode nos proteger de algum mal, logo subtende-se que o poder está em suas mãos”, destacou.

No Congresso em Foco
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Renato Janine Ribeiro deve assumir Ministério da Educação


O professor Renato Janine Ribeiro, da Universidade de São Paulo, deverá ser o novo ministro da Educação. Ele é titular da cadeira de Ética e Filosofia Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Janine Ribeiro poderá ser anunciado ainda nesta sexta. Ele foi visto no Palácio do Planalto e esteve no prédio do Ministério da Educação, na Esplanada dos Ministérios.

No Blog do Camarotti
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Globo dará show contra Agripino Maia?

No domingo retrasado (15), o ilibado e imaculado senador Agripino Maia, presidente nacional do DEM e coordenador-geral da derrotada campanha de Aécio Neves, participou todo serelepe da marcha “contra a corrupção e pelo impeachment de Dilma”. Fez pose para fotos com alguns aloprados e deu entrevistas à imprensa “imparcial”. Nesta quarta-feira (25), porém, a sua fantasia foi jogada no lixo. A ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu finalmente atender ao pedido do Ministério Público e abriu inquérito para investigar o demo bravateiro, citado em delação premiada pelo empresário George Olímpio, que o acusou de receber mais de R$ 1 milhão em propina num milionário esquema de corrupção no Rio Grande do Norte.

O escândalo da inspeção veicular no Estado foi investigado pelo Ministério Público, que denunciou 34 pessoas — inclusive George Olímpio. Diante das provas irrefutáveis, ele decidiu colaborar com a Justiça para se beneficiar da “delação premiada”. Em vídeo gravado em 2014, o empresário detalhou o esquema de corrupção e afirmou que repassou diretamente dinheiro para a campanha do senador do DEM. O demo — que adora usar os vazamentos destas questionáveis delações para atacar o governo Dilma – agora afirma que é vítima de uma armação. Ele jura que é inocente e puro! Mas, desta vez, sua situação se complicou um bocado. Conforme relata a Folha tucana, a tendência é que Agripino Maia seja julgado. A conferir! Não dá para acreditar na isenção da Justiça brasileira.

Caso ele realmente seja investigado, será preciso conferir também a postura da mídia “isenta e imparcial”. Durante o julgamento do chamado “mensalão do PT”, jornalões, revistonas e emissoras de rádio e televisão fizeram o maior escarcéu. A TV Globo transformou o episódio num verdadeiro show, com direito a transmissões ao vivo e a comentários hidrófobos dos seus “calunistas”. O objetivo foi carimbar na testa dos petistas o rótulo de corruptos, reforçando o ódio à legenda no imaginário popular. Os protestos de 15 de março, com suas posições fascistas contra o PT, pelo impeachment de Dilma e pelo golpe militar, têm relação direta com esta histeria midiática. Será que a TV Globo repetirá a dose agora contra o senador do DEM e coordenador da campanha de Aécio Neves?

Altamiro Borges
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"A burguesia foi às ruas, o povão ainda não", diz Lembo


Lembo: "Não existe mais PT da sacristia, do sindicalismo. Virou PT da penitenciária. Então tem que ter humildade"

Afastado da vida pública desde que deixou a Secretaria de Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo, em 2012, o ex-governador Claudio Lembo continua um provocador. Recebeu a reportagem do Valor com um sorriso e a pergunta "Como vai você e aquele seu jornal burguês?". Aos 80 anos, o advogado dá expediente em seu escritório ao lado do Parque Trianon, leciona duas vezes por semana na Universidade Presbiteriana Mackenzie e mantém o hábito de distribuir ironias à esquerda e à direita.

Ao analisar o momento, Lembo atira em quase todas as direções. Poucos são poupados. Entre eles o presidente de seu partido, o PSD, ministro das Cidades, Gilberto Kassab, e os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, ambos do PMDB.

Para ele, os "equívocos" do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff podem ser tributados ao "instituto maldito da reeleição", que considera nefasta para o país. Não por outra razão, prevê que a reeleição para o Executivo, o voto proporcional e o financiamento de campanha pelas pessoas jurídicas são os alvos de uma reforma política. Do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, diz que se comunica mal, de forma arrogante, "como banqueiro". A Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência, faltaria a visão de que o mundo mudou e que o purismo que deu origem ao PT não existe mais.

Disparou seu bodoque também na direção dos tucanos, alguns dos quais classificou como "raivosos", com destaque para o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira, candidato a vice na chapa derrotada de Aécio Neves: um senador não pode dizer quer ver a presidente sangrar, estoca Lembo "É feio". Sobrou até para a Casa das Garças, centro de estudos em economia dirigido pelo economista e ex-presidente do BNDES Edmar Bacha, "confundida" com "Casa dos Cisnes".

Célebre por "convidar" a burguesia a abrir a bolsa, quando ainda era governador de São Paulo, em 2006, no momento em que o Estado foi sacudido por uma série de ataques comandados pelo PCC, nesta entrevista Lembo volta a atacar a "elite branca" por sua visão "imediatista" e calcada em "interesses pessoais, não coletivos".

A seguir, os principais trechos:

Há oito anos o senhor disse que a burguesia tinha de abrir a bolsa para amenizar a grande diferença social que havia no Brasil. Algo mudou de lá para cá?

Claudio Lembo: Eu fui profético. Às vezes, Deus fala pela boca dos loucos. Naquela época, aproveitei e falei. Disse que a minoria branca estava extremamente agressiva, por causa do PCC. Agora vejo a minoria branca toda na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Mas a parcela que está na carceragem da PF...

É a pior.

... é uma minoria dentro da minoria.

Felizmente, a burguesia brasileira é maior. É bom que seja. A que está lá é a mais ativa, a que mais viciou a máquina do Estado.

Esse não é um fenômeno recente. Ele se agravou?

Óbvio que os grandes empreiteiros, desde o tempo do Império, são sempre os mesmos. É uma endemia complexa e complicada. Não é brasileira, é internacional, mas a brasileira é pior. Nós tivemos um período da vida pública brasileira em que havia um planejamento de obras. Bem ou mal, havia. O regime militar pode ter cometido erros na área dos direitos políticos, dos direitos humanos. Mas indiscutivelmente havia racionalidade de pensar em projetos. Isso foi desmontado com a redemocratização. O governo do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso, desmontou o que era planificação. Hoje o Estado brasileiro não tem nada de planejamento. É o empreiteiro que leva o projeto que interessa a ele e nem sempre ao Estado nacional. Até admito que a privatização deveria ter sido feita em alguns espaços, não em todos, mas acho que houve excessos.

A crise da Petrobras é uma decorrência natural disso?

O caso da Petrobras é profundamente grave. A Petrobras é o produto de lutas de gerações. Sou de uma geração que lutou pelo "O petróleo é nosso", até ingenuamente, e vejo com amargor o que está acontecendo. Mas também aí há uma interrogação: onde estava a CVM? Onde estava a auditoria? A direção ou o conselho de administração tinha de perceber que havia investimentos excessivos em determinadas áreas. O Ministério Público, a Polícia Federal e a Justiça Federal estão se portando com muita dignidade. Um exemplo mundial de tanto rigor e racionalidade na exposição dos fatos.

Esse episódio tem uma participação importante das empreiteiras, que o senhor acabou de citar como "planejadoras" do Brasil. A origem da crise está aí?

Primeiro a gente precisa analisar a mudança da 8666 [Lei de Licitações], no governo Fernando Henrique, permitindo à Petrobras que não fizesse licitação, apenas chamada. Acho que aí está o primeiro erro. Deu dinâmica à Petrobras, mas deu também uma liberdade muito grande. Outro ponto foram os exageros do governo Lula, que acreditou que o Brasil era uma grande potência. O Brasil não é uma grande potência. A área de petróleo é muito complexa. Com o pré-sal, enlouquecemos. Se no Mar do Norte não estão explorando petróleo com grande ativismo, por que teria de ser no Atlântico Sul? Ou ingenuidade ou malícia. Excesso de ingenuidade é má-fé.

A corrupção também foi exacerbada nesse período?

Foi. Evidentemente, foi. E não só na Petrobras, mas também em outras áreas.

Quais?

Se levantarem as tampas, vai ser muito complicado. A burguesia não quer que tampas sejam levantadas. Basta a Petrobras.

A "elite branca" à qual o senhor se referiu está nas ruas, nas manifestações contra o governo Dilma?

Muito. Um percentual elevado. Quem viu a avenida Paulista no domingo [15 de março] viu a classe média. E é bom que ela se movimente. A classe média é muito parada, muito sem vibração política. Mas ela está sendo injusta, porque ganhou muito no período Lula-Dilma. Eles não mexeram no bolso da classe média. Ela tem objetividade, uma nítida visão de interesse pessoal, nunca coletivo. E está apavorada. Quer ganho, mas não quer risco. Por isso, pede para as Forças Armadas voltarem. A burguesia está na rua. O povão, ainda não. Há alguma coisa em áreas específicas, mas é pouca gente. O movimento sem-teto (MTST) eu acho muito ativo...

Ele tem representatividade?

Representatividade não sei. Acho que não. Mas tem uma massa de pressão grande. Se as periferias das grandes cidades, particularmente São Paulo, se levantarem, vai ser um problema muito sério. Há muita miséria em torno de São Paulo. É extremamente angustiante. Creio que vamos ter um momento difícil para o Brasil daqui para os próximos meses. Algo que vai criar interrogações muito grandes é a ação do ministro Levy. Ele tem sido um pouco autoritário ao se manifestar. Impõe o que ele quer. Parece o regime militar.

O que senhor quer dizer? Que não há possibilidade de diálogo?

Mais do que isso. O Levy está falando um pouco como banqueiro. A verdade é a verdade dele. E como na democracia não há uma verdade única, é complicado. O Movimento dos Sem-Teto tinha um único boneco [nas manifestações do MTST do dia 18]. Era do Levy. Não era da Dilma, não era do Congresso. O Levy vai virar símbolo. Acho ruim para ele.

A ação do ministro afeta a governabilidade?

Afeta o Levy. O governo, não. Não interessa a ninguém a queda da Dilma. Criaria um trauma. E mais: ela está aprovando tudo no Congresso. Ela apanha, mas aprova. O Congresso tem verbalizado, mas está se mantendo equilibrado. O parlamento pode ter seus defeitos. Tem muitos. Mas ele tem um sentido de brasilidade e necessidade de equilíbrio.

O senhor pensa realmente assim? Olhando para o Congresso o que se vê é a oposição beligerante e uma base aliada não tão aliada...

Ela não se mostra aliada assim, mas também não assume o antagonismo total. Acho que a Dilma, a quem admiro muito pessoalmente, tem pela frente dois homens extremamente qualificados: Renan [Calheiros] e [Eduardo] Cunha. O Cunha lembra um pouco o Carlos Lacerda. É o carioca inteligente, pertencente àquela elite médica carioca, que é boa, intelectualmente bem preparada. O Cunha é sádico, duro, inteligente e tem carisma. E o Renan é outro homem inteligente. De outro tipo, mas inteligente. Então, se a Dilma me procurasse um dia eu diria: "Vá ler Maquiavel. Quando você não pode vencer o inimigo, aproxime-se dele". Foi ingenuidade ter lançado candidato próprio para a Câmara e o Senado.

Como o PMDB pode ser inimigo sendo o principal aliado?

Ele não é inimigo. O PMDB é um partido que caracteriza bem as qualidades e os defeitos dos brasileiros. Sabe dialogar, sabe se impor nos momentos certos, sabe ocupar a máquina do Estado. Eles são os únicos que permaneceram desde a redemocratização. Eles têm uma linguagem popular, coisas que os tucanos não têm. Tucano não sabe transmitir e é odiento. Alguns senadores tucanos do Senado nutrem ódio que não é próprio da democracia. Um senador não pode dizer "quero vê-la sangrar". É feio.

Estimular ainda que veladamente a discussão sobre o impeachment da presidente é um desejo real ou jogo de cena?

É a postura real de alguns setores do PSDB. Particularmente aqueles que foram diretamente vencidos na campanha eleitoral. Estão muito cheios de ódio.

Então a tese do terceiro turno tem validade?

É nítida. Muito nítida. Mas não é todo o PSDB. Também tem gente equilibrada. O governador de São Paulo não tem entrado nessa conversa.

Mas ele é um candidato quase natural à sucessão presidencial... Interessaria a ele participar dessa discussão?

Mas é o estilo dele. O Geraldo é um pouco o Getúlio [Vargas]. Ele é equilibrado, sensato...

Onde o senhor acha que o rancor vai desaguar?

É uma pergunta complexa. Eu teria que ser vidente. Se a Dilma conseguir se equilibrar, ela leva os quatro anos de um governo difícil, de grandes sacrifícios, e chega ao fim. Não vejo condições psicológicas para o impeachment. Acho muito, muito difícil. Mas as manifestações de rua, apoiadas eventualmente pelo PSDB, erraram quando pediram o apoio das Forças Armadas. Os militares não querem. Eles sabem que foram vítimas da burguesia, que fez o golpe de 1964 e usou o instrumental das Forças Armadas. Eles entraram, exageraram, mas sempre apoiados pela burguesia. Não vão mais fazer isso nunca mais.

O senhor acompanhou as manifestações [de 13 e 15 de março]?

Sim.

Na rua?

Pela televisão.

Elas guardam alguma semelhança com as de junho de 2013?

É outro momento. Aquilo foi articulado pela meninada do passe-livre. Essa me parece mais de gente amargurada, com um pouco de ódio.

O senhor vê o país socialmente mais dividido que há oito anos, quando propôs que a elite abrisse a bolsa?

Muito mais. Naquela época, o PCC, burramente, atacou o Estado. E não foi nada. Queimou um ou dois ônibus, mas apavorou a burguesia. As mensagens por celular estavam no começo. Isso motivou uma comunicação desesperada. Havia essa questão da segurança pessoal. Hoje está todo mundo na rua. Todo dia tem tiroteio e ninguém mais liga. Acostumaram.

Hoje o crime...

Avançou muito mais... Todas as modalidades de crimes. E o PCC está forte...

Por que o crime recrudesceu?

Sua pergunta exigiria tratamento sociológico profundo. O PCC tornou-se mais ativo e mais organizado. Ele retirou aquela ingenuidade de 2006 e ocupou todos os espaços, principalmente em relação à droga. Organizou-se muito bem, e a coisa é muito mais grave do que se pensa.

A política de segurança piorou?

É complexo. Havia um excesso das polícias militares, eventualmente. A política de direitos humanos levou a uma posição de recolhimento da tropa. Isso fez com que a criminalidade crescesse. Por sinal, a PM de São Paulo está muito violenta.

Nos protestos de 2013 os manifestantes reclamaram muito da PM paulista.

Agora as criancinhas estão beijando policiais. Não entendo o Brasil. É um país ciclotímico.

Como o senhor avalia o governo da presidente Dilma?

No primeiro mandato, ela quis, não sei se visando o instituto maldito da reeleição, ser cada vez mais sensível à sociedade, ao povão. E com isso fez benesses. Benesse custa caro. A condução da economia foi muito complexa, difícil. Acho até que meio equivocada. Foi socialmente bom e economicamente mal.

As pesquisas mostram que a baixa renda ainda não se manifestou muito intensamente.

Ainda não chegou lá. Daqui a pouco chega. O que a burguesia não percebeu, porque é muito imediatista, é que se a vitória não fosse da Dilma ia ser muito pior o movimento de rua. Ia ser uma coisa muito pior, agressiva.

Como o senhor vê a tese do estelionato eleitoral? Dilma está fazendo o que seu adversário pregou?

O adversário não pregou o que está sendo feito. Ele falava numa economia alegre, leve, do Rio de Janeiro... da Casa dos Cisnes...

Casa das Garças.

Isso. Aquela gente de sempre, que agrada profundamente o sistema financeiro. Acho que se o Aécio ganhasse o quadro social seria muito mais grave, porque o atingido seria outro público.

Como retomar a paz social no país?

Com a canseira. Isso aqui vai cansar. O país vai ter que purgar, vai ter que fazer análise. Vão ter que se integrar os grupos sociais todos. Brasília tem que se entender. O Executivo tem que se entender com o parlamento.

A relação do Congresso com a Presidência ainda pode levar o mandato de Dilma a bom termo?

Acredito, sim. Mas acho difícil. Depende muito dela e dos ministros. Não pode um ministro depois de uma passeata do tamanho da de São Paulo dizer "ah, foram os vencidos". Não é verdade. Já não há eleitores. Agora somos todos cidadãos analisando. Faltou humildade ao ministro Rossetto. Enquanto o José Eduardo Cardozo foi muito bem, o Rossetto foi muito mal. O PT dos anos 1980 acabou. Não existe mais PT da sacristia, do sindicalismo. Virou PT da penitenciária. Então tem que ter humildade. Não dá para falar mais com a sociedade com aquela têmpera de comandante Che Guevara.

Essa crise de entendimento vai mudar o quadro partidário? O sr. acredita em reforma política?

Eu só vejo duas reformas possíveis. Posso errar, mas acho que o fim da reeleição é inevitável. A reeleição foi o maior desserviço à história política e administrativa do Brasil. Foi o maior estelionato eleitoral. Desde 1890, quando foi elaborada a Constituição republicana, nós nunca tivemos reeleição. Aí veio a grande figura do doutor Fernando Henrique Cardoso. Não sei o que ele fez no Congresso com o Sergio Motta e conseguiu a reeleição. Só deu imoralismo, safadeza, corrupção. Ela vai cair. Felizmente vai cair. Outro é voto proporcional. Não pode haver coligação no voto proporcional, porque desintegra os partidos e não permite dar identidade aos partidos. Um terceiro caso é o financiamento de empresa, que também cai, mas vai criar caixa 2, um problema muito sério.

Muda o quadro partidário?

O quadro diminuirá com a eleição, o fim da coligação. Uma espécie de seleção natural.

O senhor considera a reeleição ruim, mas ela existe em outros países. Por que aqui ela é pior?

Vamos com calma. Nos Estados Unidos é gravíssima a reeleição. Depois do Roosevelt, que se distraiu em ser ditador mediante a reeleição, que fez coisas horríveis, com mudança na Suprema Corte etc., só tem uma reeleição.

Aqui também.

É outra formação cultural. E ainda assim dá galho. Veja como o Obama está sofrendo no segundo mandato. É uma só e o ex-presidente não pode mais ser candidato. Acho genial isso. Tem que haver novos figurantes. Na América Latina, onde tem reeleição o que dá? Chávez com as loucuras dele. Deu Evo Morales...

O fim das doações de empresas para campanhas deve gerar um quadro de atividade oculta pior do que o que existe hoje?

Sim. E isso me assusta. O grande problema é que a eleição brasileira ficou muito cara. Os números são assustadores. O marqueteiro destruiu a política no Brasil. É perigoso citar o passado, mas a Lei Falcão, dos milicos, era melhor do que isso que está aí, porque isso é imoral. Isso sim é desigual. O marqueteiro da Dilma custou R$ 90 milhões. Não é possível.

Qual é a alternativa? Financiamento público?

Não. Pessoa física. E diminuir o jogo da televisão. Agora o marqueteiro cria um mundo de sonho, uma coisa absurda.
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Doutor em Sociologia dá aula de Política na Rede Globo


Era para ser só mais uma entrevista sobre as manifestações, mas o Doutor em Sociologia deu uma verdadeira aula sobre política ao vivo e sem cortes na Rede Globo.

O Prof. Dr. Vitor Amorim de Angelo surpreendeu os apresentadores do Bom Dia ES ao discordar da jornalista Miriam Leitão e afirmar que "A democracia é um regime de confiança, não de adesão. Portanto, não é uma opção aderir ou não ao resultado".

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Edinho Silva vai para a SECOM. Merval não apoia!

Edinho tem legitimidade para dar consistência à Comunicação da Dilma.

Edinho tem legitimidade no PT e pode falar por ela
A Presidenta nomeou Edinho Silva Ministro da SECOM.

Edinho foi Tesoureiro da campanha dela à Presidência e Presidente do PT de São Paulo.

Edinho tem liderança no Partido e familiaridade com as questões relativas à Comunicação.

De saída, ele tem uma vantagem preciosa: o "Ataulfo Merval" não apoiará a indicação.

Nessa quinta-feira, 26/03, na CBN, quando atacou os blogs financiados pelo Governo — deve ser o dele, no Globo… — Ataulfo disse que o Ministro da SECOM não podia ser do PT.


Só faltou dizer que deveria ser o PSDB.

O Andrea Matarazzo, por exemplo, de saudosa memoria…

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Óleo de maconha como tratamento alternativo contra câncer


A aplicação medicinal da maconha vem sido discutida há anos. Seu uso como relaxante ou analgésico é, atualmente, altamente aceito.

Mas a cannabis vem sendo usada também para aliviar não só os sintomas das doenças, mas como um tratamento em si. Ela pode de fato curar doenças como câncer?



No BBC Brasil
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Eduardo Cunha é vaiado na Assembleia Legislativa de São Paulo

Presidente da Câmara foi alvo de protesto em audiência no Legislativo.

Em meio ao tumulto, manifestantes foram tirados do plenário por seguranças.


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O Brasil e o terror

http://www.maurosantayana.com/2015/03/o-brasil-e-o-terror.html


Volta-se a discutir, na mídia e no governo, a necessidade de se prevenir “ameaças terroristas” no Brasil e a intenção de se criar uma “lei antiterrorista”, que permita a órgãos de inteligência monitorar internautas, para saber se eles estão em contato com organizações internacionais.

Quando se diz “terrorismo”, é preciso saber quem está falando.

Para um israelense — nem todos, graças a Deus — um palestino do Hamas, que lança um foguete caseiro por cima da fronteira, é terrorista.

Para uma mãe palestina que acabou de perder os três filhos em um bombardeio na faixa de Gaza, terrorista é o piloto israelense que comandava o helicóptero ou o avião que os matou.

Da mesma forma que, no Afeganistão, terrorista pode ser um membro do Taleban, ou um soldado da OTAN, ou dos EUA, dependendo do lado que se estiver.

O problema é quando se tenta impor o “terrorista” alheio a toda uma nação.

O Estado Islâmico é uma organização terrorista, que decapita inocentes?

É. Mas ele não teria surgido, se os EUA e a OTAN não tivessem armado seus primeiros integrantes, para combater regimes que consideravam seus inimigos, como o de Saddam, de Kaddafi, e de Bashar Al Assad.

Cabe, logo, aos EUA e à OTAN, e aos regimes títeres que instalaram no Oriente Médio para apoiar seus interesses, combater o Estado Islâmico, e não ao Brasil.

O pretexto, agora, como antes, na época da Copa do Mundo, é evitar que haja atentados terroristas nas Olimpíadas.

Ora, só haverá atentados desse tipo no Brasil, a partir do momento em que nos deixarmos envolver pelos EUA, e passarmos a agir como um país subalterno aos seus interesses, nos metendo aonde não fomos chamados.

Esse é o caso de países como a Itália, a França, a Espanha, que passaram a sofrer atentados terroristas depois de enviar soldados ou aviões para o Afeganistão e a Líbia para apoiar tropas norte-americanas.

E a forma mais fácil de fazer isso — de criar inimigos onde não os possuímos e de “caçar chifre em cabeça de cavalo” — é justamente adotando uma Lei Antiterrorismo.

Uma coisa é condenar, moralmente, o que está ocorrendo no Oriente Médio, sem deixar de estudar as causas e origens de certos grupos “terroristas”, que se encontram mais em Washington do que para lá de Bagdá.

Outra coisa, é que alguém queira, nos órgãos de segurança do governo, ser mais realista do que o rei, e nos empurrar para tomar partido em uma guerra que não é nossa, entre a Europa e os Estados Unidos e populações situadas em países que o “ocidente” quer continuar dominando política e economicamente.

A política externa — e qualquer medida que venha a modifica-la — é assunto de Estado, não de polícia nem de arapongas. O Brasil já tem, historicamente, um lado: o da defesa de seus interesses, que não são nem os dos EUA, nem os da OTAN, em conformidade com a doutrina de não intervenção em assuntos externos, que está estabelecida na Constituição Federal.
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Existe uma corrupção que vale mais e outra que vale menos?


Os dois únicos  apontados até agora nos jornais como envolvidos no esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os de Paulo Roberto Cortez e Edison Pereira Rodrigues, são auditores-fiscais da Receita Federal.

Não dá, por isso, para imaginar que todos os auditores sejam corruptos, não é?

Se é assim com servidores de carreira, concursados, porque deve ser diferente quando se trata de ocupantes de cargo em comissão, como se faz hoje?

Não era grana pouca: dizem estar confirmados R$ 5 bilhões e o valor levantado pode chegar a R$ 19 bilhões.

Dez vezes mais que a Lava-Jato, segundo os números do MP do Paraná.

E igualmente dinheiro público, mais ainda que o da Petrobras, que é semi-estatal.

Processos de nove empresas as “aliviaram” de R$ 5 bilhões lançados em impostos e multas.

R$ 1,3 milhão foram apreendidos, em espécie.

Não se dá o nomes das empresas nem ninguém preso, ao que se saiba. Apenas apreensão de documentos e computadores. E dinheiro, muito dinheiro. Há um video com um cofre cheio dele, sem indicação de onde ou de quem.



Que diferença com o espalhafato de Sérgio Moro!

O Globo não chama na capa do site. A Folha, uma notinha minúscula.

Apesar do volume de dinheiro, só o Estadão dá destaque.

E chamando para o fato do pai do líder do PP — que anda mais sujo do que pau de galinheiro – , Eduardo da Fonte de Albuquerque Silva, ser um dos integrantes do Conselho externos à Receita.

Se seu pai Francisco, tiver algum envolvimento, vai ser outro “podemos tirar, se achar melhor”, porque ele é Conselheiro pelo menos desde 2001, como registra o Diário Oficial.

Ambos são nojentos, praticado por pessoas que deveriam defender o dinheiro público, mas agora me digam: “o maior escândalo de corrupção da história do Brasil”, qual é?

O que a mídia quer que seja.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A Standard & Poor destruiu o discurso apocalítico da mídia ao trazer ao debate uma coisa: a verdade

Se você acreditou na Empiricus e se encheu de dólar, más notícias
Não há muito tempo, o Brasil parecia em estado terminal, no noticiário das grandes empresas jornalísticas.

Com evidente alegria, os editores e comentaristas empilhavam previsões apocalípticas.

O G1 — cujo chefe, Erick Bretas, conclamou os seguidores no Facebook a bater pernas no protesto de 15 de março — lutava para dar o furo do fim do mundo, ou especificamente do Brasil.

Na manchete, várias vezes, você tinha no G1, em tempo real, a marcha do dólar.

A consultoria de investimentos Empiricus contribuía para a atmosfera fúnebre. Anúncios seus espalhados pela internet traziam um título assustador: “O dólar a 4”.

Dentro desse clima, lances teatrais espoucavam aqui e ali. Num deles, um colunista econômico avisou que estava deixando o Brasil. Miami o chamava.

Era um Bolsa Patroa. Sua mulher ganhara uma bolsa e ele pegou carona. Mas, para todos os efeitos, o bilhete aéreo do colunista sugeria o começo de um êxodo dos melhores cérebros nacionais.

Alguns imaginaram: agora até o Lobão vai embora.

Para os que torcem pelo pior, como a mídia, tudo corria bem — até que uma coisa se impôs.

A verdade.

Ela apareceu numa análise que nenhum jornalista da grande mídia tem competência ou coragem para contestar.

Quem a produziu foi a agência de análise de risco S&P. Os colunistas brasileiros podem errar quanto quiserem, desde que seja contra o PT. Não acontece nada.

Mas cabeças rolam na S&P caso as previsões sejam erradas, porque há muito dinheiro em jogo. Se os investidores colocarem recursos em países ou empresas que tenham a chancela de uma agência e se derem mal, as consequências imediatamente se manifestam.

E a S&P disse o seguinte sobre 2015, em linhas básicas: a economia do Brasil deve recuar 1%, para crescer 2% em 2016.

O dólar médio deve ficar em 3,1 reais. (O que quer dizer que quem acreditou na Empiricus e se abarrotou de dólares pode já pensar na hipótese de processá-la.)

Para chancelar essa visão, a S&P manteve a classificação do Brasil como um bom lugar para investir.

Para quem acompanha — e acredita — nas colunas econômicas da imprensa, foi uma surpresa formidável.

Como assim? Quero bater panelas.

A Petrobras, que a mídia transformou num cadáver, recebeu um voto de confiança expressivo da agência. Manteve sua boa classificação.

Como assim? Quero gritar que o patrimônio nacional foi dilapidado e ir para as ruas com a roupa da seleção.

Todo o drama que a mídia anunciava foi pulverizado com uma simples análise de quem é do ramo.

O quadro é aquele para o ano. Uma queda de 1% na economia não deve ser comemorada com champanha, naturalmente, mas está longe de ser um desastre.

Se administrada de tal forma que os mais humildes sejam poupados, sai na urina, como dizia minha Tia Zete.

Sem se dar conta, a S&P tirou a voz dos profetas do apocalipse. Caso insista em dar o dólar em tempo real na primeira página, o G1 vai ficar até dezembro girando pateticamente em torno de 3,1 reais.

Os comentaristas se recolheram, prudentemente.

Sobraram no palco os tolos, como o senador Aécio Aeroporto Neves. Aécio disse que Dilma deve desculpas por tirar perspectiva de futuro melhor para os brasileiros.

Ora, sabemos todos como seriam as “medidas impopulares” que Aécio prometeu à plutocracia que adotaria caso se elegesse.

Sabemos também quem mereceria sua atenção como presidente — ela mesma, a plutocracia que tanto lutou para levá-lo ao Planalto.

Tudo isso posto, quem acredita que os brasileiros se dariam melhor com Aécio acredita em tudo, como disse Wellington.

A S&P reduziu ao silêncio o tom dos gerentes gerais da catástrofe alojados na mídia.

Falta Aécio cair na real.

Paulo Nogueira
No DCM
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Sérgio Porto # 177


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O tesoureiro do PSDB e o vereador petista na lista do HSBC

A manchete que você jamais verá no UOL ou Globo: tesoureiro do PSDB tem conta secreta na Suíça

Ligado a Serra, Fortes aparece na lista de contas na Suíça:
“mas podemos tirar se achar melhor”
O que você acha que aconteceria se Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) ou João Vaccari (atual tesoureiro) aparecessem numa lista de brasileiros com contas secretas na Suíca, ao lado de vereador, suplente de senador e outros políticos de menor expressão?

Qual seria a manchete? “Políticos de vários partidos têm contas na Suíça”. Não!!! Mil vezes não.

“Tesoureiro do PT escondia 2 milhões na Suíca“, diria a Folha. “A prova que faltava: até conta na Suíça – saiba os valores e entenda porque o PT virou um ninho de corruptos com contas no exterior”, diria a Veja. Só no pé da matéria, haveria citação dos outros envolvidos.

Pois bem, é escandalosa a forma como Uol trata a presença (não fictícia, mas absolutamente real) do tucano Márcio Fortes na lista do HSBC. Não houve qualquer destaque para  o fato de ele ter sido tesoureiro de campanhas de Serra a presidente (com um papel central em 2002), ou de ter sido o principal doador do PSDB.

Não! A manchete no Uol era insípida: “Políticos de 6 partidos têm elos com contas secretas”confira aqui.

Fortes tinha um saldo de 2,4 milhões em uma das contas — que por sua vez não aparece na declaração que ele apresentou à Justiça Eleitoral quando foi candidato pelo PSDB. Ou seja: parece ser uma conta irregular, além de secreta.

Mas Fortes surge perdido na tal lista, em meio a um vereador petista e a um suplente de senador do PMDB. Não há contexto, não há qualquer destaque. O Uol quase pede desculpas por citar o sujeito na lista.

O perfil publicado no site da família Frias sequer informa que Fortes foi captador de recursos para as campanhas de Serra, ou tesoureiro do PSDB. Nada, nem uma palavra sobre isso.

Um amigo paulista, que foi filiado ao PSDB, se disse espantado: “todo mundo sabe que o Fortes é Serra, são quase uma coisa só quando se trata de campanha; o Uol nem cita que ele foi coordenador, ou arrecadador”.

O vazamento das contas secretas do HSBC (um escândalo mundial) é absolutamente controlado e seletivo no Brasil. Todos sabemos por que: estão na lista donos de jornais, artistas e (até agora) dois tucanos graúdos — Armínio Fraga e Márcio Fortes.

Lily Marinho (viúva de Roberto Marinho) e Luis Frias (dono do UOL) aparecem na relação — clique aqui pra saber mais sobre isso. Mas o fato não ganhou qualquer destaque! Tudo noticiado de forma discreta. Quase secreta (se não fosse o barulho dos blogs e das redes sociais).

Aliás, ‘O Globo’ usou o nome do primeiro marido de Lily, para tentar desvincular a família Marinho da conta secreta na Suíça. Já os Frias alegam que não lembram de terem aberto a conta. E fica tudo em casa.

É a grande hipocrisisa da elite nacional, como se os tucanos e empresários (de mídia, inclusive) dissessem: nós podemos ter conta secreta, nós podemos transgredir e sonegar. É nosso direito inalienável! e abaixo a corrupção do PT!

O Márcio Fortes, tesoureiro de Serra (que por sua vez é amigo dos Frias) não tem com o que se preocupar. A não ser… A não ser que a CPI e a internet cumpram o papel de espalhar a notícia e investigar o fato, traçando as ligações de Fortes com o senador  (e eternamente presidenciável) José Chirico Serra. E mostrando que Fortes é também próximo de FHC.

Veja abaixo como o Uol deu o perfil de Fortes, evitando usar o nome de Serra e  FHC (no entanto, Fernando Gabeira — que foi companheiro de chapa dele numa campanha a governador — foi citado sim).

Curioso critério jornalístico. Para os tucanos, vale sempre a regra de ouro: #podemostirartirarseacharmelhor.

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador

* * *

Do Uol


MÁRCIO FORTES (PSDB)

Sérgio Lima/Folhapress - 12.mar.2002


Na relação de clientes do HSBC na Suíça consta ainda o nome do primeiro vice-presidente do PSDB no Rio, Márcio Fortes. Também integrante da Comissão Executiva Nacional do PSDB e deputado federal por 3 mandatos, Fortes, de 70 anos, atuou como presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Banerj e foi secretário-geral do Ministério da Fazenda.


Conforme os dados do SwissLeaks, o tucano tinha o seu nome relacionado a 3 contas no HSBC em Genebra em 2006 e 2007, sendo que uma delas ainda estava ativa naquela época –com um saldo de US$ 2.413.260,28. Fortes é do ramo de construção civil e é um tradicional doador para campanhas eleitorais.


No ano 2000, por exemplo, Fortes foi a pessoa física que mais doou dinheiro ao PSDB –o equivalente a 21% do total arrecadado pela legenda nessa modalidade de financiamento.


Em 2010, Fortes concorreu ao cargo de vice-governador do Rio na chapa encabeçada por Fernando Gabeira (PV). À Justiça Eleitoral, o tucano comunicou que tinha na época um patrimônio de R$ 4.442.412,71, sendo 13 imóveis, um carro e R$ 117.342,03 na CEF. Assim como Lirio Parisotto, o peessedebista não declarou possuir conta no HSBC.


Na eleição de 2010, Fortes fez uma doação de R$ 500 mil para a campanha ao governo do Rio. Dias antes, Gabeira havia dito que os partidos aliados o apoiavam “muito mal” e que, por esse motivo, poderia “dar uma banana” se fosse necessário.


Em 2006, Fortes concorreu a deputado federal pelo PSDB fluminense. À época, sua conta identificada como “Aframfran Holdings Limited” tinha um saldo de US$ 2,413 milhões no HSBC da Suíça. Esse bem, entretanto, não aparece na declaração de patrimônio que o tucano entregou à Justiça Eleitoral.



O petista na lista do HSBC

Marcelo Arar Reproducao:Facebook

Segundo Fernando Rodrigues, tem um petista na lista do HSBC.

Vejam aqui.

Não sei dizer se a notícia procede.

Mas é bom que as pessoas saibam disto que segue abaixo:
Rio de Janeiro, 04 de agosto de 2014.

Ao Diretório Municipal, Presidente da Executiva Municipal e Secretário de Organização,

Requeremos por meio desta carta a convocação da Comissão de Ética da instância para apurar a conduta do filiado, neste momento; vereador Marcelo Arar.

Conforme divulgado pela imprensa, o referido vereador agrediu um manifestante durante um ato organizado pela FIERJ em defesa do Estado de Israel e da paz (sic). Essa agressão ocorreu pelo fato de o manifestante estar portando um cartaz criticando a ocupação israelense na Faixa de Gaza. Para além do fato de uma agressão por si já ser reprovável, e o vereador reconhece ter pelo menos rasgado o cartaz, embora negue ofensas físicas, a situação é agravada pelo teor geral da manifestação e da postura política em relação à política genocida do Estado de Israel.

A defesa acrítica da política de Israel, tratando a resistência palestina à ocupação ilegal como mero terrorismo e ignorando o massacre de civis, inclusive crianças, está em desacordo completo com a política internacional histórica do Partido dos Trabalhadores e inclusive com a posição oficial do nosso governo federal. Destaque-se que esta posição corajosa foi apoiada e seguida por praticamente todos os países do mundo.

Nesse sentido, é inadmissível a postura e atuação do vereador, que além de tudo é figura pública e detentor de mandato que pertence ao partido e deve se submeter à sua posição ideológica.

Diante disso e considerando o novo Código de Ética e o Estatuto partidário, solicitamos que o filiado Marcelo Arar seja submetido à Comissão de Ética.
Saudações petistas,
Ricardo Quiroga Vinhas
Membro do Diretório Municipal
Renam Brandão
Membro do Diretório Regional
Em resposta à carta dos companheiros Ricardo Quiroga Vinhas e Renam Brandão, a Secretaria do Diretório Municipal do PT do Rio de Janeiro informou no dia 6 de agosto de 2014 que "o requerimento será encaminhado para apreciação na próxima reunião da Executiva Municipal, conforme Código de Ética do Partido dos Trabalhadores, em data à ser marcada".

Não sei dizer o que ocorreu depois.

Mas sei o que (não) poderia ter ocorrido se as instâncias partidárias fossem mais rigorosas.

Frente a novidade, foi apresentado novo recurso pelos mesmos companheiros:
Requerimento de Comissão de Ética para o Vereador Marcelo Arar

Aos companheiros da Executiva e Diretório Municipais da Capital,

Apresentamos perante a instância um requerimento de Comissão de Ética para o filiado Marcelo Arar, vereador da capital, em função das graves informações acerca de sua participação no chamado escândalo das contas no HSBC na Suíça.

Como é de conhecimento de todos, estamos sob um forte ataque da mídia golpista e da direita na tentativa de destruir nosso partido e nos vincular à corrupção que existe há séculos em nosso país. Para tanto, usam e abusam das mentiras e distorções na Operação Lava-Jato, colocando a nós e ao governo na defensiva.

Pois bem, com a descoberta das contas secretas na Suíça no banco HSBC, surgiu a nossa chance de um contra-ataque. Primeiro para demonstrar o discurso hipócrita da direita que cita a corrupção na Petrobras, mas se cala sobre um escândalo de proporções muito maiores. Segundo, porque serão desmascarados próceres da imprensa, da oposição e alta sociedade que falam de corrupção, mas praticam lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Em um momento em que se inicia a CPI do HSBC, por sinal presidida pelo companheiro Paulo Rocha, somos surpreendidos com a notícia de que o vereador Marcelo Arar possui conta não declarada no referido banco, tendo sido divulgado pelo grupo Folha com estardalhaço na lista de políticos envolvidos no escândalo.

Em primeiro lugar, isso abre um flanco em nossa estratégia, mais uma vez tentando nos igualar aos demais partidos e políticos e enfraquecendo nosso discurso. Por outro lado, deve se destacar que isso ocorreu na época em que era filiado ao nosso principal inimigo, o PSDB, e que, segundo noticia a imprensa (fato que pode ser averiguado junto à Receita), jamais declarou a tal conta.

Não se pode então, deixar de aludir à trajetória deste filiado que não tem qualquer vida orgânica no partido e entrou de modo enviesado neste. Como foi dito, ele veio de um partido que é inimigo de classe e ideológico, sem qualquer diferenciação na sua prática política quando lá estava. O principal fator que pesou em sua filiação foi a sua votação anterior, em 2008, para agregar votos à nossa legenda.

Em diversas vezes, o vereador teve condutas que se chocaram com as diretrizes nacionais do PT. Não se tem notícia de sua mobilização na dura campanha que enfrentamos em 2014, seja para presidente seja para governador. Não há presença dele em atividades partidárias. Resumindo é um corpo estranho ao partido.

E isso culmina agora na lamentável informação de que é um dos envolvidos no referido escândalo. É inaceitável que neste momento da agudização da luta de classes e do recrudescimento dos ataques ao PT e ao governo, tenhamos entre nossas fileiras quem apresenta práticas que condenamos.

Portanto, solicitamos a instalação de Comissão de Ética para apurar as irregularidades referentes a contas e divisas do vereador Marcelo Arar no exterior, amplamente divulgada pela imprensa (http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/03/ex-tesoureiro-de-serra-e-fhc-cai-no-swissleaks/) e, com a observância do direito à ampla defesa e ao contraditório, mas também aos deveres estatutários dos filiados, solicitamos a pena de expulsão.

Rio de Janeiro, 26 de março de 2015.

Renam Brandão

Ricardo Quiroga

Valter Pomar
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