24 de mar de 2015

O documentário que diz que mídia brasileira é patrocinada pelo governo dos EUA para atacar Petrobrás


Documentário viral nos EUA, 'Koch Brothers Exposed' lançado em 2012 mostra como os bilionários David e Charles Koch compraram o congresso norte-americano e hoje patrocinam a grande mídia brasileira para atacar a Petrobrás

David Koch se divertia dizendo que fazia parte “da maior companhia da qual você nunca ouviu falar”. Um dos poderosos irmãos Koch, donos da segunda maior empresa privada dos Estados Unidos com um ingresso anual de 115 bilhões de dólares, eles só se tornaram conhecidos por suas maldosas operações no cenário político do país.

Se esses poderosos personagens são desconhecidos nos Estados Unidos, o que se dirá no Brasil? No entanto eles estão diretamente envolvidos nas convocações para o protesto do dia 15 de março pela deposição da presidenta Dilma.

Segundo a Folha de São Paulo o “Movimento Brasil Livre”, uma organização virtual, é o principal grupo convocador do protesto. A página do movimento dá os nomes de seus colunistas e coordenadores nos Estados. Segundo o The Economist, o grupo foi “fundado no último ano para promover as respostas do livre mercado para os problemas do país”.

Entre os “colunistas” do MBL estão Luan Sperandio Teixeira, que é acadêmico do curso de Direito Universidade Federal do Espírito Santo e colaborador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL) do Espírito Santo [leia a ressalva feita por Luan, em mensagem a “Outras Palavras”]; Fábio Ostermann, que é coordenador do mesmo movimento no Rio Grande do Sul, fiscal do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e diretor executivo do Instituto Ordem Livre, co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL), tendo sido o primeiro presidente de seu Conselho Consultivo, e atualmente, Diretor de Relações Institucionais do Instituto Liberal (IL). Outros participantes são Rafael Bolsoni do Partido Novo e do EPL; Juliano Torres que se define como empreendedor intelectual, do Partido Novo, do Partido Libertários, e do EPL.

Segundo o perfil de Torres no Linkedin, sua formação acadêmica foi no Atlas Leadership Academy. Outro integrante com essa formação é Fábio Osterman, que participou também do Koch Summer Fellow no Institute for Humane Studies.

A Oscip Estudantes pela Liberdade é a filial brasileira do Students for Liberty, uma organização financiada pelos irmãos Koch para convencer o mundo estudantil da justeza de suas gananciosas propostas. O presidente do Conselho Executivo é Rafael Rota Dal Molin, que além de ser da Universidade de Santa Maria, é oficial de material bélico (2º tenente QMB) na guarnição local.

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Outras das frentes dos irmãos Koch são a Atlas Economic Research Foundation, que patrocina a Leadership Academy, e o Institute for Humane Studies, às quais os integrantes do MBL estão ligados.

Entre as atividades danosas dos irmão encontra-se o roubo de 5 milhões de barris de petróleo em uma reserva indígena (que acarretou uma multa de 25 milhões de dólares do governo americano) e outra multa de 1,5 milhões de dólares pela interferência em eleições na Califórnia. O Greenpeace considera os irmãos opositores destacados da luta contra as mudanças climáticas. Os Koch foram multados em 30 milhões de dólares em 300 vazamentos de óleo.

As Koch Industries têm suas principais atividades ligadas à exploração de óleo e gás, oleodutos, refinação e produção de produtos químicos derivados e fertilizantes. Com esse leque de atividades não é difícil imaginar o seu interesse no Brasil — a Petrobras é claro. Seus apaniguados não escondem esse fato.

O MBL, que surgiu em apoio à campanha de Aécio Neves, não esconde o que pretende com a manifestação: “O principal objetivo do movimento, no momento, é derrubar o PT, a maior nêmesis da liberdade e da democracia que assombra o nosso país” disseram Kim Kataguiri e Renan Santos em um gongórico e pretensioso artigo na Folha de S.Paulo. Eles não querem ser confundidos com PSDB, que identificam com o outro movimento: “os caras do Vem Pra Rua são mais velhos, mais ricos e têm o PSDB por trás” diz Renan Santos. “Eles vão pro protesto sem pedir impeachment. É como fumar maconha sem tragar”. Kataguiri não se incomoda que seja o PMDB a ascender ao poder: “O PMDB é corrupto, mas o PT é totalitário”. Mas Pedro Mercante Souto, outro dos porta-vozes do MBL, foi candidato a deputado federal no Rio de Janeiro pelo PSDB (com apenas 0,10% dos votos não se elegeu).

Apesar do distanciamento do PSDB a manifestação do dia 15 parece ser apenas uma nova tentativa de 3º turno, mas como vimos ela esconde uma grande negociata. “Business as usual”.

Assista abaixo Koch Brothers Exposed, documentário lançado em 2012 que se tornou viral nos EUA ao mostrar como os bilionários David e Charles Koch, representando o 1%, desvirtuaram a democracia americana, comprando a Câmara e o Senado.



Antonio Carlos
No Portal Metrópole
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Depois de protestar contra corrupção, Agripino Maia será investigado por propina no STF

Senador cara de pau
O Supremo Tribunal Federal decidiu abrir um inquérito contra o presidente do DEMo, senador José Agripino (RN), após pedido encaminhado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O parlamentar foi citado na delação premiada de um empresário do Rio Grande do Norte na qual é acusado de ter cobrado propina de R$ 1 milhão para permitir um esquema de corrupção no serviço de inspeção veicular do Estado. O caso chegou ao Supremo neste mês e a decisão de abertura de inquérito foi tomada pela ministra relatora do caso, Cármen Lúcia, na sexta-feira passada, 20. O processo tramita na Corte em segredo de Justiça.

Em delação ao Ministério Público do Rio Grande do Norte, o empresário potiguar George Olímpio afirmou que, além de Agripino, participavam do esquema a ex-governadora do Rio Grande do Norte e atual vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), seu filho Lauro Maia, o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PMDB), e o ex-vice-governador Iberê Ferreira (PSB), morto em setembro do ano passado. Todos negam envolvimento no caso.

O acerto com Agripino teria acontecido, segundo o empresário, na cobertura do senador, em Natal. “A informação que temos é que você deu R$ 5 milhões para a campanha do Iberê”, teria dito o senador, segundo o delator. Olímpio respondeu que doou R$ 1 milhão para a campanha do ex-vice e prometeu entregar R$ 200 mil imediatamente ao senador e outros R$ 100 mil na semana seguinte. “Aí ficam faltando R$ 700 mil”, teria dito Agripino. O empresário interpretou o comentário do senador como uma “chantagem”. “O R$ 1,15 milhão foi dado em troca de manter a inspeção”, disse Olímpio.

Segundo os promotores, Olímpio teria montado um esquema que envolveria as principais autoridades do Estado para aprovar uma lei que criava o sistema de inspeção veicular no Rio Grande do Norte. A aprovação da lei, de acordo com a investigação, teria ocorrido sem obedecer aos trâmites legais. O esquema de corrupção no Estado é investigado pela Operação Sinal Fechado, deflagrada em 2011, e o empresário George Olímpio é réu no processo.
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De quem é a culpa pelos 20% do Jornal Nacional?

Números desastrosos
Se Mino Carta citou Jesus numa conversa sobre os protestos, me sinto autorizado a fazer isso também.

Minha citação é: “Não julgue para não ser julgado.”

Penso, especificamente, nas grandes empresas de jornalismo.

A Globo, por exemplo. Acaba de sair a notícia de que o Jornal Nacional bateu na histórica marca de 20 pontos de Ibope — uma migalha para quem já teve duas, três vezes isso.

Abaixo dos 20, o dilúvio.

Nos mesmos dias, soube-se que Babilônia, a nova novela, caiu vertiginosamente no espaço de uma semana.

E o BBB, como desgraças andam juntas, teve na semana passada a pior sexta de sua existência no Brasil.

A Globo bate sucessivos recordes negativos.

E então vamos a meu ponto: de quem é a culpa?

Se você julgar a Globo como seus comentaristas julgam o governo, a culpa é exclusivamente da própria Globo.

O diretor de telejornalismo Ali Kamel e o apresentador William Bonner teriam que ser impiedosamente despedidos pelos números catastróficos da audiência em sua gestão.

Na área de entretenimento, demissões sumárias teriam também que ocorrer. Novelas que se esfolam para bater em 30 pontos são uma vergonha para quem chegou a ter 100% dos televisores em últimos capítulos, como Selva de Pedra.

Feitas as demissões, os irmãos Marinhos teriam que se auto-substituir, como fez um jogador africano na Holanda depois de uma vaia interminável de sua própria torcida.

Atribuir a outras coisas?

Veja como a Globo lida com isso quando Dilma coloca o Brasil dentro de um contexto de crise global.

Pergunte a Kamel, ou a Bonner, ou a Míriam Leitão, ou a Merval, ou a quem for, qual a causa da derrocada das audiências da Globo — não apenas na tevê, mas em mídias como jornal, revista e rádio.

Ninguém, com certeza, dirá que a responsabilidade é da própria Globo. Ninguém admitirá falta de qualidade nos telejornais, ou nas novelas, ou na falta de capacidade de inovar na administração e nos produtos.

A culpa está lá fora.

Da mesma forma, pergunte aos Civitas como a Abril, em tão pouco tempo, se tornou uma empresa morta em vida.

Gestão ruinosa? Conteúdos desvinculados do espírito do tempo? Más escolhas, como Fábio Barbosa?

Mais uma vez, o problema está lá fora.

Muito bem. Por que circunstâncias externas valem para as empresas, e só para elas?

Todos sabem as restrições editoriais que faço à Globo e à Abril, e trabalhei nelas tempo suficiente para saber que não são administradas com excelência. (É o lado B de empresas que gozam de reserva de mercado e outras mamatas. Como filhos mimados, têm dificuldade em se virar fora de ambientes protegidos.)

Mas, com tudo isso, é inegável que o mundo externo responde e muito pela crise que Globo e Abril enfrentam.

A internet transformou seus produtos em velharias.

Mesmo que a Globo fizesse o melhor jornalismo do mundo, uma coisa do padrão da BBC, e ainda que a Abril fosse administrada por Rupert Murdoch, as coisas continuariam complicadas, dado o poder disruptivo da internet.

A situação do Brasil é bem menos grave do que a da Abril e a da Globo. Como a agência de avaliação de risco S&P avaliou ontem, o Brasil continua a ser um bom porto para os investidores.

A economia, previu a S&P, deve ter um soluço em 2015, uma queda de 1% no PIB, para voltar a crescer 2% em 2016.

Se Dilma for hábil em poupar os mais desfavorecidos, não haverá grandes problemas sociais — ou mesmo pequenos.

De novo: as empresas de mídia enfrentam desafios imensamente maiores que os do Brasil. A rigor, o cemitério as aguarda, a alguns quarteirões de distância.

Tudo isso considerado, seria uma injustiça atribuir o drama delas apenas a elas mesmas.

É o que elas fazem ao examinar as dificuldades econômicas do momento. Tudo culpa do governo, segundo elas.

Isso mostra cinismo, falta de visão e — a palavra é dura, mas não há outra mais precisa — um tipo de canalhice que faz você não lamentar o estado terminal em que elas se encontram.

Paulo Nogueira
No DCM
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Juiz que liberou da cadeia primo do governador Beto Richa “abre fogo” contra Juca Kfouri, Dilma Rousseff e PT


O juiz substituto em 2.º grau Márcio José Tokars, da 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), que concedeu ontem à noite um Habeas Corpus liberando o lobista Luiz Abi Antoun, primo do governador Beto Richa (PSDB), da prisão após uma semana, foi às ruas no último dia 15 de março contra o PT e o governo “corrupto” de Dilma Rousseff.

Página do juiz corajoso
Quem relata isso é o próprio Tokars em seu perfil no Facebook, datado de 12 de março — véspera da manifestação que reuniu 80 mil pessoas em Curitiba. No texto, o juiz defende o panelaço da classe média e espinafra o jornalista Juca Kfouri que viu ódio da classe média contra a petista no artigo “O panelaço da barriga cheia e do ódio”.

O diabo é que Luiz Abi, o primo de Richa, esteve preso por fraude em licitações no governo do Paraná. Praticou corrupção. O parente do tucano foi solto mesmo com o magistrado reconhecendo a gravidade do delito. Tokars defendeu “medidas alternativas à prisão preventiva” do “chefe da quadrilha”, nas palavras do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Deputados perguntavam na manhã de hoje, nos corredores da Assembleia Legislativa, se o juiz Márcio José Tokars vai à próxima manifestação pelo impeachment de Dilma acompanhado de Luiz Abi Antoun, pois, como se sabe, os protestos contra o PT e a presidenta são engendrados dentro do Palácio Iguaçu. Mas os palacianos disfarçam bem sob o manto do “apartidarismo”.

A seguir, leia a íntegra da carta aberta do juiz Márcio José Tokars ao jornalista Juca Kfouri:

Resposta ao texto atribuído a Juca Kfouri (“O panelaço da barriga cheia e do ódio”)

Sou fã do Juca Kfouri. E continuarei sendo. Mas, como analista político, ele se revelou um grande conhecedor do futebol brasileiro. É capaz de recitar de memória a escalação do Corinthians nas oitavas de final do campeonato paulista de 1982, mas não de descrever a profundidade e gravidade do momento pelo qual nosso país está passando.

As diatribes que lança são tão desconexas da realidade que não podem ser respondidas de forma linear. Somente de forma fragmentada, e talvez mesmo desajeitada, podem ser analisadas. Segue minha tentativa:

1. A legitimidade do panelaço foi atacada pelo fato de advir de uma “elite branca” temerosa de perder seus privilégios. Esta defesa em forma de ataque está errada principalmente por duas razões:

a) a indignação à corrupção deslavada (que, somada à empáfia e à evidente incapacidade técnica de nossa presidente para dirigir a economia) não está limitada à classe média. Ainda ontem, Dilma foi ruidosamente vaiada em um evento em São Paulo. E foi vaiada por um grupo de 200 operários bastante distantes do conceito de elite branca; e

b) as pessoas com quem convivo e que manifestam, como eu, uma indignação plena por estarmos sendo representados e conduzidos por alguém como Dilma Roussef, de fato pertenceriam, na visão de Juca, a uma elite (se ainda fosse sociologicamente aceitável a estratificação). Mas a condição de elite atribuível a este grupo não decorre do fato de equiparmos nossas cozinhas com panelas de teflon, ou ainda de podermos viajar mais. Decorre de termos estudado mais, trabalhado mais e de estarmos mais comprometidos com nossos princípios éticos do que as pessoas que nos governam. Neste cenário, temos que confessar: somos a elite intelectual, laboral e ética do país. E essa elite é gigantesca.

2. O ingrediente racial adicionado à fórmula de ataque proposta por Juca Kfouri beira ao ridículo. É, em si, racista. Provavelmente não mereceria um comentário mais atento. Qualquer pessoa minimamente civilizada sabe que quantidade de melanina em nossas células epiteliais não faz qualquer diferença. Mas, se a pigmentação for mesmo relevante neste momento, talvez valha a lembrança de que nós, integrantes da classe média preocupada, somos descendentes diretos e próximos de verdadeiros red necks. Só fica a duvida: a pigmentação solar de quem veio para os trópicos há um século para, literalmente, lavorar, vale como argumento de legitimação?

3. Não estamos defendendo privilégios, mas conquistas. Tenho orgulho de poder oferecer aos filhos mais possibilidades de vida, sob o ponto de vista material, do que aquelas que tive (sem prejuízo do orgulho de poder preservar um ambiente doméstico de amor por aos filhos, que não poderia ser maior do que eu tive à disposição em minha infância). Tenho orgulho de ter uma casa confortável. Tenho orgulho de poder receber meus amigos e oferecer-lhes bons vinhos. Tenho orgulho de tudo isso. Mas também tenho a consciência de que nada disso é privilégio. É conquista. Conquista cujas principais características também devem ser destacadas:

a) não foi produzida ou maximizada pelas pelo governo do PT. O crescimento econômico que facilitou as coisas até 2010 não é obra de Lula/Dilma, mas de um cenário internacional tremendamente favorável (que gerou taxas de crescimento incríveis e contínuas em países como a Irlanda, a Ucrânia, a Colômbia e o México), e que foi bastante impulsionado pela exportação de commodities à China. Atribuível ao PT é a iminente recessão (que não é fruto do cenário internacional, mas da inanição interna – veja-se que os EUA, que levaram o maior tombo entre os países atingidos em 2008, estão crescendo 4,4% em uma economia que continuou sendo gigante); e

b) estão acessíveis a todos que disponham da vontade de trabalhar. Para estudar, basta um cérebro (equipamento de série em nossa espécie, mesmo que algumas pessoas levem a crer que não). Como muitos que hoje dispõem de suas varandas gourmet, estudei em escolas públicas (do pré-primário ao doutorado), cresci em casa de madeira com cheiro de cera Canário e vi buracos surgirem na sola de meus Ki-Chutes e Congas. As conquistas vieram de muito esforço, e não da capacidade ou da bondade do PT.

4. Temo, realmente, pela perda de minhas conquistas. Não confio em uma estrutura de poder que, sim, é corrupta (alguém pode explicar a fortuna de Lula?), que, sim, é ignorante (reclassificaram o substantivo “presidente” por absoluta falta de leitura e hoje são representados por uma ex?-assaltante de bancos cuja vida empreendedora se resume à falência de uma loja de bugigangas chinesas), e que, sim, já demonstrou não ter limites ou escrúpulos na preservação de seus privilégios (sim, privilégios, por não advirem de seu mérito, mas de seu poder).

5. Não há problema em os aeroportos estarem, na visão de Juca, cheios de gente humilde (aliás, vivo em aeroportos lotados por outras razões). Não há problema em as classes mais simples estarem na Universidade (ainda que a política de quotas parta de um preconceito essencial – sei disso: sempre estudei em escola pública e todos os meus colegas tinham capacidade de estudar). Não há problema para a elite branca se menos pessoas não estão morrendo de fome (palmas para o Bolsa Família, mesmo não sendo uma invenção petista ou brasileira). Ninguém se compraz com a miséria alheia. Ninguém aceita a preservação da miséria material (que é a menos complicada de sanar). Mas as misérias intelectual e ética, que parecem estar na essência de nossos políticos, revoltam porque não são fruto do ambiente; são pessoais e opcionais.

6. O PSDB é culpado por existir? Por que a defesa petista se limita a atacar o PSDB? Eu até levaria a sério, se estivéssemos investigando objetivamente a corrupção tucana. Mas estamos sendo apresentados a um colossal esquema de corrupção criado e alimentado (muito bem alimentado) nas entranhas do governo petista. Se o PT deseja se defender, que fale de si. Caso contrário, vamos culpar Pedro Álvares Cabral de uma vez e acabar com o problema (retirar seus despojos de onde estiverem e enfiá-los no sal seria uma ideia).

7. Não tenho ódio. Tenho medo. Medo de um ex-presidente que, transloucado, diz que fará “o diabo” para manter o PT no poder.

8. O panelaço não é antidemocrático. O Juca que me desculpe, mas minha agenda está apertada hoje (tenho que trabalhar). Assim, não vai dar pra citar um monte de gente. Mas tem um que é fácil por estar na memória: Friedrich Muller. Ele deixou claro que a democracia, quando vai além da legitimação artificial do poder pelo voto, é algo que não se encontra nas eleições, mas nos períodos que as separam. A eleição é menos exercício de poder do que renúncia (nunca vi grande vantagem em escolher qual dos inaptos vai me governar). A verdadeira democracia existe quando a população manifesta sua opinião de forma legítima, exatamente como está ocorrendo agora. A verdadeira democracia existe quando a população acredita em sua capacidade de construir a própria história. E a verdadeira democracia se consolida historicamente quando somos capazes de abandonar nossa zona de conforto para lutar por aquilo que é correto.

Enfim, estarei na rua no domingo. E não vou defender nenhum privilégio. Vou defender um país mais decente.

No Blog do Esmael
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Reuters põe entrevista com FHC no ar e esquece de tirar frase que denuncia favorecimento

A imagem fala tudo.

Em vermelho, a deferência a FHC publicada inadvertidamente

No Essencial
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Recomeçam as contratações em massa no Pólo Naval de Rio Grande. Chega do pessimismo da Globo e da Mídia

Lula que retomou a Industria Naval Brasileira, em uma visita ao Estaleiro Rio Grande
Os acordos de leniência com as empresas envolvidas na operação Lava Jato já permitem a retomada dos contratos da industria naval. Aquilo que alguns queriam, de aproveitar a ação de alguns corruptos para tentar derrubar a Petrobras e a credibilidade do Brasil, não vai mais ocorrer. Em Rio Grande, somente em um Estaleiro já forma feitas mais de 1.000 contratações somente este e mais outras 1.450 serão contratados em Abril. Já no Estaleiro de São José do Norte, mais milhares de trabalhadores serão contratados. E como agora já temos muitos trabalhadores formados pelo PRONATEC e com experiência nas funções, cada vez mais trabalhadores locais serão contratados. Chega de baixo Astral e medo de desemprego no Brasil. O Brasil volta a crescer.



E olha que estou abrindo uma exceção ao publicar este vídeo da Globo. É que procurei nos espaços de informação do Governo e outros meios e não achei nada. Parece que a turma não esta se dando conta que a economia já começa a dar sinais positivos. Que se façam os acordos necessários, pois o Brasil não pode perder milhares de postos de trabalho na indústria naval, criados pelo Presidente Lula e Dilma, só por que meia dúzia de empresários corruptores meteram a mão em grana.

E não são só estes empregos. Estes trabalhadores, com bons salários, compram coisas. E outros empregos são gerados ou fortalecidos para que possam produzir as coisas e serviços que estes trabalhadores consomem. A roda da economia esta voltando a girar. Aliás, nem parou. Vamo que vamo Brasil.

No Luiz Müller Blog
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O que Moro não quer nem saber da Camargo

O pessoal da Globo já chegou? Já está lá fora?




Em tempo: amigo navegante, por favor prestar atenção ao figurino do ansioso blogueiro…

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Uma chance para o consenso

Os jornais destacam, na terça-feira (24/3), a decisão da agência de avaliação de riscos Standard&Poors de manter a nota de grau de investimento do Brasil, com perspectiva estável. A decisão equivale a considerar que o país é bom pagador e que as dificuldades econômicas serão superadas a tempo de evitar que o desgaste das contas públicas afete a capacidade da economia nacional de atrair investimentos estrangeiros.

Há muitos aspectos a serem observados nessa notícia, sendo um dos mais interessantes o fato de que os grupos políticos que antes da eleição pediam mudanças em alguns aspectos do modelo econômico agora se calam. (Ver, sobre esse assunto, artigo de Alberto Dines, aqui).

A imprensa, de modo geral, deu suporte a essas reclamações, durante a campanha eleitoral, oferecendo espaços generosos para os defensores de um ajuste fiscal radical. Portanto, era de se esperar que os jornais citassem aquelas reivindicações para ajudar o leitor a formar uma opinião sobre a situação presente.

Acontece que o caso não é assim tão simples.

A avaliação da agência de risco considera que as medidas propostas pelo governo serão aprovadas pelo Congresso, mesmo sob a turbulência das denúncias na Operação Lava Jato, que ameaçam atingir os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

O raciocínio dos técnicos que elaboram essas avaliações leva em conta que os grandes sistemas funcionam, no longo prazo, no sentido de seus interesses — e o sistema político é balizado pela economia. Assim, se o sistema do Congresso entender que a permanência de Cunha e Renan pode significar a secura das tetas da vaca-Estado, sacrificam-se os sacerdotes para salvar o templo.

O relatório assinado pela analista Lisa M. Schineller, de Nova York, afirma que “a correção política desafiadora atualmente em curso vai continuar obtendo o suporte da presidente Dilma Rousseff e, em última instância, o do Congresso, assim restaurando gradualmente a credibilidade política perdida e abrindo caminho para perspectivas de crescimento mais fortes no próximo ano e adiante”.

Água na fervura

Já se disse neste espaço que, para entender a realidade, é preciso ir à fonte original. Por isso é interessante acessar o site da Standard&Poors (ver aqui).

Os jornais não reproduzem os principais trechos da análise, o que ajudaria o leitor a perceber que há um grande exagero no noticiário sobre a crise econômica. O relatório também esclarece que boa parte dos problemas econômicos tem origem ou é influenciada pelo noticiário sobre corrupção na Petrobras – e oferece uma visão completamente oposta à abordagem escandalosa e pouco informativa feita pela imprensa brasileira.

Para a Standard&Poors, “a investigação na Petrobras, seus fornecedores e políticos envolvidos, salienta a força da estrutura institucional do Brasil, que inclui uma fiscalização independente”.

Por que a imprensa fica apenas no enunciado da decisão da agência — que, apesar de ter errado feio antes da crise financeira dos Estados Unidos, em 2008, é altamente considerada pelos investidores? Porque a análise favorece o governo brasileiro, mostra otimismo quanto às perspectivas de superar as dificuldades no curto prazo e projeta a retomada do crescimento já para 2016, desmentindo o que vem sendo alardeado pela maioria dos articulistas com espaço na mídia tradicional. Não se pode esconder que muitos desses analistas já vinham falando em “década perdida”.

Registre-se, por exemplo, o que diz o relatório sobre o caso da Petrobras: “O fato (de) que o sistema está investigando as ações de indivíduos poderosos, tanto no setor privado quanto público, é um testemunho da força institucional dessa jovem democracia”. Em seguida, o texto se refere à necessidade de que o “estável sistema político” demonstre que pode obter um consenso para a reforma do setor público ou para simplificar a maneira como se faz negócios no Brasil.

O cenário é, portanto, menos pessimista do que a imprensa faz acreditar, e coloca as forças econômicas na posição de ter que pressionar o Congresso por uma resposta rápida às propostas do Executivo. Por outro lado, é preciso também ouvir as outras forças em jogo — as massas de assalariados que não aceitam cortes nos direitos trabalhistas.

A manutenção do grau de investimento do país joga um balde de água fria na crise alimentada pela mídia e recoloca em termos mais racionais o debate sobre como reconciliar o Brasil consigo mesmo.

Luciano Martins Costa
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Imprensa brasileira é "sem vergonha e partidária", diz Fernando Morais no Salão do Livro de Paris

Fernando Morais, no Salão do Livro de Paris, entrevistado
por Adriana Brandão.
RFI
O jornalista e escritor Fernando de Morais é um dos 43 brasileiros que integram a delegação nacional no Salão do Livro de Paris. O autor promove a nova tradução de “Olga” para o francês. Morais participou na feira parisiense de várias sessões de autógrafos e palestras falando sobre biografias e sobre o Brasil de hoje. Ao comentar neste domingo (22) a revelação de que o ex-ministro José Dirceu estaria envolvido na Operação Lava Jato, disse estar arrepiado. Mas ponderou que a informação “tanto pode ser verdade, quanto uma invenção. A imprensa brasileira é muito partidária.”

A biografia “Olga”, de Fernando Morais, acaba de ganhar uma nova tradução francesa pela Editora Chandeigne. O livro completa este ano 30 anos e quando foi lançado em 1985 foi uma revelação.

O primeiro presidente civil chegava ao poder, o país saia de mais de 20 anos de ditadura militar e descobria a história oculta por décadas de Olga Benário Prestes, mulher do líder comunista Luis Carlos Prestes. Alemã, judia e revolucionária, ela foi entregue pelo governo Vargas ao regime nazista grávida, em 1936, e assassinada em uma câmara de gás de um campo de concentração na Alemanha, em 1942.

Polêmica sobre biografias

Em seguida, o jornalista ressuscitou outros personagens da história brasileira, como Assis Chateaubriand ou Casemiro Montenegro Filho. Ultimamente, deixou os mortos de lado para se dedicar aos vivos. Sua última biografia é o “Mago”, sobre o escritor Paulo Coelho. Agora, Morais está escrevendo um livro sobre o ex-presidente Lula. Isso, apesar de ter declarado que nunca mais escreveria livros biográficos, na época da polêmica sobre a nova lei de biografias. Juntamente com outros escritores, Fernando Morais, criticou uma tentativa de censura prévia.

Em 2013, um grupo de artistas brasileiros se mobilizou contra a lei sobre biografias não autorizadas, elaborada para impedir os processos na justiça que impediam as publicações. Depois de muita polêmica, a lei foi finalmente aprovada na Câmara, mas ainda tramita no Senado.

Entrevista

No Salão do Livro de Paris, Fernando Morais concedeu uma longa entrevista à RFI sobre seu trabalho e a atual conjuntura política.

A nova tradução de Olga para o francês é lançada exatamente 30 anos após sua primeira publicação e quando o Brasil comemora três décadas de redemocratização.

É uma coincidência felicíssima. Se não tivesse acabado a ditadura, eu não teria conseguido publicar esse livro. Eu comecei a pesquisar durante a ditadura, mas sabia que ia depender da democracia para tornar o livro público.

Você fez questão de anunciar aqui no salão uma vitória nessa batalha sobre a publicação de biografias.

Compartilhei uma pequena vitória que tivemos na semana passada. Uma juíza do Tribunal de Justiça de São Paulo mandou arquivar um processo que estava sendo movido por uma senhora paulista, contra mim e contra minha editora (Companhia das Letras), por causa do meu livro “Chatô: o rei do Brasil”. Essa senhora, que teve um fugaz romance com o Assis Chateaubriand, em 1965, queria 30% de tudo o que o livro vendeu até hoje e queria que os exemplares remanescentes fossem destruídos. A juíza deu um parecer muito bonito e muito forte, negando o pedido. Essa não é uma vitória do autor, do advogado, ou da editora, é uma vitória da sociedade. O que está em questão não é o meu direito ao trabalho, mas é o direito da sociedade de se informar sobre ela própria.

É verdade que você parou de escrever biografias?

Parei. A menos que eu dependa disso para pagar as contas. É muito cansativo, Escrever não! Escrever é um prazer permanente. Vou tentar fazer outra coisa. Quem sabe vender caju numa bandeijinha na Praça Buenos Aires.

Você já foi deputado nos anos 80, continua sendo um homem engajado, de esquerda. Como você avalia a situação política no Brasil hoje?

Vejo com muita tristeza, com muita preocupação. Sou luterano com essa questão da honestidade do homem público. Acho que todo mundo que sujou a mão com dinheiro público tem que ir para a cadeia e as penas tem que ser pesadas. (...) Eu não sou do PT, nunca fui. Aliás, tenho muitas divergências com o PT, tenho também algumas convergências. Mas estou nauseado com as denúncias.

Chegou a iniciar uma biografia sobre o ex-ministro José Dirceu, condenado no julgamento do Mensalão. Por que interrompeu o projeto?

Parei porque ele não tinha tempo. É um projeto anterior ao Mensalão. Eu não sou amigo do José Dirceu. Mas estou convencido de que neste caso do Mensalão, o crime que o PT cometeu não é de natureza penal, é de natureza eleitoral. Eles fizeram o que todos os partidos no Brasil fazem, que é o chamado caixa dois. (...) Isso é um crime eleitoral e eles estão sendo condenados por um crime previsto pela legislação penal. A partir do momento que o José Dirceu foi envolvido, passou a ser praticamente impossível eu ficar tomando depoimentos dele porque ele precisava cuidar da sua liberdade. (...) Então, nós paramos. Quando ele foi solto, eu já estava envolvido em um outro projeto, que é um livro sobre o ex-presidente Lula.

Você fala em crime eleitoral no caso do Mensalão, mas revelações atuais mostram que o nome do José Dirceu está envolvido na Operação Lava Jato.

Eu estou arrepiado. Eu vi hoje na manchete da Folha de São Paulo a notícia que ele arrecadou quase R$ 30 milhões como consultor. É um negócio inacreditável. É uma montanha de dinheiro. Eu vejo isso com temor, mas é preciso levar em consideração que a imprensa brasileira é muito sem vergonha. Isso tanto pode ser verdade, quanto pode ser uma invenção. E isso quem está falando é um jornalista que trabalhou em todos os veículos do Brasil, pelo menos nos mais importantes. É preciso tomar muito cuidado para ler a imprensa brasileira que é uma imprensa, sobretudo, partidária. Em qualquer lugar do planeta, de Cuba a Washington, imprensa está sempre a serviço dos interesses e da ideologia de quem paga as contas no final do mês. O que eu acho que pode revolucionar esse processo é a internet, porque a internet é um campo de livre atiradores. Eu gostaria de poder voltar à imprensa, sobretudo, para dizer essas coisas que eu estou te dizendo aqui. Muito provavelmente, se isso fosse numa rádio brasileira, não seria dado e, se fosse, seria editado.

No RFI
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Minha cidade... Meiembipe!


Sou uma mulher de amores fortes. Passional. O drama é que tudo para mim é passível de amor. Principalmente as cidades. Como sempre digo aos amigos, sou do lugar onde estou. E quando estou, estou entregue. Foi assim em São Borja, onde vivi minha infância. Deixava-me ficar na Praça da Lagoa, olhando os cágados, e atrasava para a escola. Era puro encantamento. E me sentia arrebatada com a catedral, em estilo moderno, brilhando na noite. Estar ali era caminhar na beleza. Também foi assim em Uruguaiana, Caxias do Sul, Bauru, Marília, Pirapora, Belo Horizonte, Arinos, Passo Fundo. Em cada um desses lugares onde vivi encontrava espaços de amor. Cada pequeno detalhe de uma praça, uma esquina, um traço cultural, ia avolumando ternuras na alma.


Foi assim com Florianópolis aonde cheguei em 1987, apenas para fazer a faculdade. O plano era ficar quatro anos, nada mais. Mas, nada do planejado vingou. Naquele mesmo ano conheci o trabalho do Caprom (Centro de Apoio e Promoção do Migrante), dirigido por Vilson Groh e Ivone Peressa. Eles ajudavam as pessoas que vinham, aos borbotões, do interior do estado, em busca de vida melhor na capital. Foi o tempo das grandes ocupações urbanas, quando se formaram a Chico Mendes, a Vila Aparecida e tantas outras comunidades, hoje consolidadas. As vi nascer, assim, nas madrugadas, com as gentes chegando com suas tralhas e sonhos. E a Florianópolis que se colou nas minhas retinas foi essa, popular, migrante, negra, cabocla, mestiça, lutadora.


Desde aí, cada cantinho dessa cidade foi se enchendo de sentido. Nunca foi uma ilha de magia, sempre esteve revestida de realidade, a dura realidade de quem batalha para ter seu canto, sua comida, seus direitos. Essa é a minha cidade, espaço que aprendi a amar, com seu vento suli, o boi-de-mamão, a pinga do sertão do peri, a Lagoinha, a tainha com limão, os engenhos, as ruas estreitas do Ribeirão, o mar grosso do Campeche, esse falar manezinho. Aqui encontrei o amor, um amor doce, terno, alegre, que é meu equilíbrio. Aqui finquei as madeirinhas do meu barraco, onde vivo com gentes, cachorros, gatos, corujas, passarinhos e aranhas.


Aqui tem o meu Campeche, meu lugar, onde estendo meu coração. Na missa dos pescadores, no rancho do seu Getúlio, na beira da praia, no bar do Zeca, na Rádio Comunitária, nos caminhos de terra. Minha cidade, com seu centro histórico, a igrejinha dos pretos, a rua dos sebos, da kibelândia, do bar do Alvin, do mercado público, do bar amarelinho, da Conselheiro. Minha Florianópolis e suas lutas, sindicais, pelo transporte coletivo, pela cultura, pela vida boa. Esse espaço de gente forte, engraçada, amiga, radical.

Lá se vão 28 anos depois da chegada solitária no Rita Maria, mas cada dia descubro algo novo para amar. É como se a cidade fosse uma cornucópia de belezas, prazeres, deslumbramentos. Basta uma caminhada pela Felipe Schmidt e aparecem as formosuras, que podem ser gentes, bichos ou coisas. Meu olhar admirado não se cansa de ver, até mesmo o que não existe mais: o miramar, o velho cais do lado sul, o Zininho, a praia brava, o bar do Chico.

Ontem, pela mão do vereador Lino Peres, recebi o título de cidadã honorária, uma espécie de certidão de nascimento, um segundo nascimento, nessa bela Desterro, minha Meiembipe. Primeiro pensei em recusar, afinal, a Câmara de Vereadores é lugar onde eu só entro para fazer luta, onde imperam os interesses dos ricos, dos poderosos. Mas, depois, entendi que era um presente, dado por um bom companheiro, que, desde há anos, trava comigo essas mesmas batalhas por uma cidade que seja boa para todos. Um companheiro que também conhece e vive essa cidade outra, que não é a mesma dos que a destroem em nome do lucro e da especulação. Um parceiro de peleias que conforma a minoria da Câmara, aquela minoria incomodativa, que insiste em apontar os dramas da cidade verdadeira, da maioria das gentes. Então, com humildade e gratidão, aceitei. Assim, nesse 23 de março de 2015, quando a cidade celebrou seu aniversário, eu recebi no papel, aquilo que já era real no meu coração: a cidadania florianopolitana. Sou daqui, do lugar onde estou!

Na cerimônia, que reuniu mais de 50 homenageados e as ditas “autoridades” da cidade, não foi possível manifestar o carinho imenso que sinto por essa gente que me acolheu como a uma filha. Mas, em meio ao poder constituído, não poderia deixar passar em branco aquilo que dá sentido à minha existência: a eterna luta por um mundo bom, livre da rapina dos que insistem em lucrar sobre a dor dos outros. “Florianópolis, livre dos especuladores”, foi o que pude gritar, punho erguido, no compromisso. Meu grito de amor por um lugar onde estendo meu viver.

E por aqui sigo, fazendo o que sempre fiz. Amando, lutando, compartilhando e construindo o mundo novo, agora. Minha eterna gratidão aos amigos, que tiraram um tempo de suas vidas, para acompanhar na galeria, com a mesma fibra de sempre, esse momento meu, que é também de cada um e cada uma com quem caminho nessas estradas vicinais. Pessoas que, como eu, também conseguem ver e viver essa cidade real, sem magia, com a dura e bela realidade da luta.

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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Redes sociais: As pessoas estão surtando? (Havana Connection #4)




O Havana Connection é um programa que analisa o que está bombando no Brasil e no mundo sob um ponto de vista de esquerda — seja lá o que significa ser de esquerda hoje em dia.

Ao invés de atender ao pedido "Vá para Cuba!", trouxemos a ilha para cá. Afinal de contas, se até Cuba e Estados Unidos podem voltar a conversar, por que não podemos estabelecer um diálogo saudável por aqui? Com mediação do blogueiro e cientista político, Leonardo Sakamoto, o debate conta com a participacão do professor e coordenador do MTST, Guilherme Boulos, do jornalista e deputado federal Jean Wyllys e da jornalista e escritora Laura Capriglione.

Redes sociais: As pessoas estão surtando

Bloco 1 - O combate à corrupção é pauta da direita? http://mais.uol.com.br/view/15417141

Bloco 2 - Por que as redes sociais estão transpirando ódio? http://mais.uol.com.br/view/15417145

Bloco 3 - Que tal reduzir a maioridade penal para seis anos? http://mais.uol.com.br/view/15417147

Bloco 4 - Beijo em Babilônia incomodou quem não ama http://mais.uol.com.br/view/15417149

Veja também:

Havana Connection #3 - http://mais.uol.com.br/view/15402420


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O que o dinheiro dos artistas no HSBC da Suíça tem a ver com a Lei Rouanet?

Maitê Proença caiu no Swissleaks
A última reportagem sobre as contas secretas do HSBC na Suíça trouxe os nomes de artistas brasileiros. A matéria publicada no UOL e no Globo, que têm acordo com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, fala de gente como Claudia Raia, Jô Soares, Maitê Proença, Marília Pêra, Jorge Amado e família e Francisco Cuoco, entre outros.

Os dados dos arquivos se referem a 2006 e 2007.

Ficamos sabendo que Claudia Raia, por exemplo, tinha, junto com seu marido Edson Celulari, 135 mil dólares; Marília Pêra, 834 mil dólares; Maitê, 585 mil; Chico Cuoco, 116 mil.

Mas há um dado, digamos, curioso. De acordo com os repórteres, “com exceção de Jô Soares e de Ricardo Waddington, os artistas e intelectuais listados nas planilhas do HSBC de Genebra receberam dinheiro público para realizar seus trabalhos”.

Eles usaram, em algum momento, a Lei Rouanet.

OK.

O que isso tem a ver?

Nada. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

O próprio texto admite: “Não é possível nem correto fazer uma conexão entre o dinheiro captado e os recursos que eventualmente circularam nas contas bancárias na Suíça”.

Se não é possível nem correta essa ligação, trata-se, portanto, de uma ilação. Ora, se você não pode provar, qual o sentido em publicar?

Provavelmente, para causar confusão ao invés de clareza, demonizar a Rouanet etc. Tudo aponta, no final das contas, para os suspeitos de sempre. Por que não houve um rastreamento de valores desse gênero com outras pessoas citadas no Swissleaks, como Lily Marinho?

Numa nota oficial, Claudia Raia afirmou que foi feita uma “associação leviana e irresponsável”. Declarou que sempre realizou “corretamente a rígida e transparente prestação de contas exigida pela lei” e que “nunca pairou nenhum tipo de dúvida sobre a captação de recursos nas produções”.

Como resultado, o “furo” já rendeu alguns comentários veementes sobre a corrupção no Brasil. O mais exasperado partiu de uma das figuras mais impolutas (cof, cof) da nossa república: Joaquim Barbosa. “Patrimonialismo: somas colossais de dinheiro público repassadas a artistas consagrados com base na Lei Rouanet. Ver Globo online sobre HSBC”, escreveu ele nas redes sociais.

Nelson Rodrigues cravaria: batata. Batatíssima. Ou, nas palavras de um velho mestre: CQD.

Kiko Nogueira
No DCM
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Reação: Lula desmente jornal sobre falsa notícia


Cansado de boatarias e mentiras com seu nome em sites apócrifos e até jornais de grande circulação, Lula resolve acabar com a farsa e desmente matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, que disse que a presidenta Dilma teria lhe comunicado sobre decisão de recuar nos reajustes das Medidas Provisórias 664 e 665, que tratam de benefícios trabalhistas e previdenciários.

A iniciativa do ex-presidente, deve ser seguida pelo PT, já que o mesmo também foi citado pelo jornal, como também tendo sido comunicado pela presidenta Dilma.

A "barrigada" do Estadão, desgasta ainda mais a débil credibilidade da imprensa e demostra como a mídia é independente no Brasil: Independente da verdade, ela noticia.

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Quem defende ditadura militar deveria ser preso por apologia ao crime, diz Safatle


O professor de Filosofia da USP, Vladimir Safatle, diz que aqueles que defendem a volta da ditadura militar deveriam ser presos por apologia ao crime. Sobre a cobertura da mídia em relação à manifestação do último dia 15, Safatle afirma que foi a mais anunciada da história da República, um ato construído pelos meios de comunicação. O professor considerou esse engajamento medonho.

Vladimir Safatle concedeu entrevista ao repórter Jô Miyagui, da TVT. A edição para a Rádio Brasil Atual é de Marilu Cabañas.

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A crise política e a Tríplice Aliança


A crise política atual é uma crise de poder da Presidência da República. É lá que se cria o vácuo político. Vários grupos tentam prevalecer-se desse vácuo para ampliar seu poder e influência no país. E, nesse jogo oportunista, acabam se constituindo em fatores de desestabilização política.

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O principal fator de desestabilização reside na aliança pontual — e precária — de três grupos principais: o Ministério Público Federal, os grupos de mídia e a geleia geral representada pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha, na qual se misturam evangélicos, baixo clero, interesses econômicos obscuros entre suspeitas mais graves.

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No primeiro momento, há quase um triângulo em que a hipotenusa são os grupos de mídia e os catetos o MPF e o grupo de Cunha. Ao mesmo tempo, o MPF investiga Cunha, o que aumenta a confusão e a instabilidade da tríplice aliança.

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A recente visita do procurador Deltan Dallagnol à Folha e o prêmio de O Globo recebido pelo juiz Sérgio Moro são a parte mais visível e menos importante dessa parceria. O MPF e o juiz Moro conseguiram midiatizar o julgamento da Lava Jato e, com isso, se impor sobre o Judiciário e sobre as restrições constitucionais ao seu trabalho.

É sintomática a maneira como levaram o caso José Dirceu para esse campo. O procurador diz que Dirceu recebeu pagamento de empreiteiras da Lava Jato. Dirceu mostra que houve trabalho de consultoria visando abrir mercado em países onde mantém relacionamento político. As empreiteiras confirmam. Ai o procurador diz que, de fato, o trabalho ocorreu, mas o pagamento foi descontado da propina do PT.

A informação não está em nenhum prova ou mesmo em delação premiada. Um dos prisioneiros comentou com um dos procuradores. Simples assim. Quem necessita de Código Penal tendo a chance de fazer justiça com as próprias mãos e as próprias manchetes?

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A mídia dá respaldo a essas arbitrariedades, da mesma maneira que puxou o tapete do MPF quando o alvo foi Daniel Dantas, da Operação Satiagraha, ou a Camargo Corrêa, da Operação Castelo de Areia. Aliás, na consultoria internacional de Dirceu não há nenhuma explicação para o contrato com uma empresa do grupo de Nizan Guanaes.

A pauta está com a mídia e será tirada sempre que ela quiser. Os procuradores e o juiz Moro sabem disso, mas aproveitam o momento para manobras oportunistas.

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Por sua vez, Eduardo Cunha aproveitou o vácuo para avançar firmemente sobre a estrutura de poder. Como atrapalha Dilma, recebe blindagem dos grupos de mídia. E aí o jogo fica curioso.

Numa ponta, o MPF investiga Cunha; na outra, a mídia blinda, escondendo sua biografia da forma mais canhestra possível — já que não existe político mais notório que Cunha.

Acontece que Cunha representa, também, os grupos evangélicos, que cada vez mais se apresentam como força política e midiática — a maior ameaça ao predomínio da Globo vem dos canais evangélicos e a maior ameaça às democracias têm sido de grupos religiosos que resolvem militar na política.

Em algum ponto do futuro, a parceria deixará de interessar ao establishment da mídia. Aí trará à tona a extensa capivara de Cunha e o MPF dará o golpe final.

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Resta saber qual o grau de influência que cada grupo acumulará até a implosão da Santa Aliança.

Luís Nassif
No GGN
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De ontem ou de hoje

Ainda em circuito privado, mas já com muita nitidez, empresários influentes têm emitido sinais crescentes de preocupação com a tendência de agravamento da situação econômica e esperáveis decorrências de fermentação nos setores trabalhistas prejudicados.

A convicção de que a modalidade de "ajuste econômico" iniciada é mais lenta do que conviria, além de implicar repetidos episódios de dificuldades políticas com a Câmara, leva as análises a um encaminhamento frequente: "É preciso procurar um entendimento entre os dois lados". O sentimento de urgência é outro ponto em comum.

Sintomática da apreensão que se expande foi uma roda formada na festa de Marta Suplicy, sem políticos e com pessoas cuja representatividade ultrapassa os respectivos setores. Constatada a concordância sobre as perspectivas da situação, já com paralisação de importantes atividades industriais, como a construção naval, obras interrompidas, risco acelerado de quebras e o desemprego crescendo aos milhares a cada dia, o drama desembocou em uma hipótese bem aceita: não seria possível chegar a um encontro de Lula e Fernando Henrique para construírem o entendimento?

Esta narrativa de um dos presentes reproduz só um momento atual. Também retrata cenas repetidas dezenas, talvez centenas, de vezes, nos primórdios da ação que levou empresários a se aproximarem, entre inúmeras cidades, nas pressões progressivas pelo fim da ditadura. Mais do que importante, foi um movimento decisivo para apressar o colapso ditatorial e para encaminhar o modo sem violências da transição. Apesar disso, o movimento e suas principais figuras jamais são lembrados, não o foram nem nas recentes rememorações nos 30 anos da saída do último general-ditador para o que seria a posse de Tancredo e foi a de Sarney.

Pode alguém pensar que a ideia dos convivas não tem sentido porque os tempos são outros. Engana-se. No Brasil, os tempos são os mesmos. O próprio tema da roda de conversa o comprova. Outras são as figuras, as lá presentes e os dois citados, estes, por sinal, contemporâneos daquele passado.

Mas Lula, comparado com sua dimensão política, é quase um ausente. Guarda-se para futuros possíveis? Também está confuso, como o restante do PT? Age em sigilo? E Fernando Henrique, que não faz muito tempo desancou Lula por não se distanciar da política como ex-presidente, tem aparecido todos os dias com declarações políticas. Mas da maneira tergiversante que agora mesmo o levou, por exemplo, a admitir conversar com Dilma como conversa "com qualquer um", e, no dia seguinte, negar a possibilidade para não ajudar "o que não deve ser salvo".

Não seria inteligente, porém, depreciar a inquietação de empresários graúdos. Por ora apenas incipiente, essa, quando atua, é uma das mais poderosas forças nacionais. Das conversas entre governo e PMDB é que não sairá entendimento capaz de ir além das conversas e das declarações. Como logo se verá com o que espera o primeiro projeto-Levy entregue à apreciação parlamentar.

Um dia

Cláudio Marzo fica entre as lembranças especiais.

Proibido qualquer ato no primeiro Dia do Trabalho pós-AI-5, alguns resolvemos não nos submeter à proibição. Atores, escritores, jornalistas, os chamados intelectuais, trocamos contatos para uma manifestação de 1º de Maio no Campo de São Cristóvão, região operária no Rio. Fui o autor do texto a ser lido, e desejamos uma pessoa notória para lê-lo. Pedir a alguém que o fizesse, dados os riscos até de emprego para os atores, não era fácil. Nem foi o caso.

Às três horas, o pessoal começou a chegar. Quando considerávamos a leitura, Cláudio Marzo pediu o papel, leu-o uma, duas vezes, e apenas me disse: "Gostei. Eu leio".

Na hora, subiu ao coreto da praça e, sereno e firme, fez uma leitura magnífica.

Era ainda mais do que um grande ator.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 174


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Jornal Nacional mergulha, bate em 18,6 pontos, perde de novelas e confirma que a Globo chega aos 50 anos em crise


Trabalhei na Globo em duas fases de minha carreira. Na TV Bauru, nos anos 80, quando passei longas temporadas em São Paulo cobrindo as férias de colegas. Não existia medição instantânea de audiência então, mas costumávamos aferir isso andando nas ruas: dava para ouvir o eco do Jornal Nacional sintonizado praticamente em todas as casas. As pessoas acertavam o relógio pelo início do JN.

Voltei à Globo no final dos anos 90. O Globo Repórter, que hoje fica na casa dos 20 pontos, ainda estava na casa dos 35. Certa vez, fui o repórter em um programa que se tornou fenômeno: 44 pontos de pico! Teve até festa…

O Jornal Nacional ficava entre os 30 e os 40 pontos, o que ainda assim é uma enormidade. Ainda era possível ouvir o eco do JN nas ruas, mas apenas em cidades do interior.

Hoje, tomei um susto. Acompanhando a medição minuto a minuto, através de um colega, o Jornal Nacional bateu em 18,6! Perdeu, na soma, para as novelas da Record e do SBT!

Isso não significa que a Globo vai falir. Não ainda. É que a emissora compensa o que eventualmente perde na TV aberta com o que fatura em todas as suas outras atividades, do pay-per-view à TV a cabo. Mas, do ponto-de-vista de hegemonia informativa, é o começo do fim.

Quem está derrotando a Globo? Uma soma de internet no celular + You Tube + Netflix + TV a cabo + ascensão social daqueles que não tem na TV sua única diversão.

O certo é que a emissora chega aos 50 anos enfrentando não só uma crise de audiência, mas também de credibilidade.

O que antes era coisa de acadêmico, agora se tornou voz corrente para milhões e milhões de brasileiros: a Globo faz política e é o partido mais poderoso da oposição.

Isso ficou claro no dia 15 de março, quando a Globo bateu os bumbos da cobertura de manhã, em todo o Brasil, com o objetivo de arrastar gente para a manifestação de São Paulo, à tarde. Muitos foram à Paulista como se tratasse de um “acontecimento” global, para garantir a selfie.

O advento das redes sociais, por outro lado, criou massa crítica de telespectadores capazes de identificar as omissões, distorções ou mentiras da Globo.

A emissora fala, mas também ouve. Cada vez mais.

Enquanto você lê isso, dois atos estão sendo organizados por internautas contra a Globo, aparentemente de forma espontânea, sem a participação de partidos, sindicatos ou movimentos sociais.



Mesmo que isso não aconteça, eles entenderam perfeitamente a mensagem: tudo o que queremos, os que militamos pela democratização dos meios, é o cumprimento da Constituição!

A ironia é que mesmo que o JN der cobertura aos dois eventos mencionados acima, a grande maioria dos que vão participar deles não vai se ver na TV. É gente jovem, que não assiste TV e se liga mesmo é nas redes sociais. Sinal dos tempos.



Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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