22 de mar de 2015

Foto de médico que chora a morte de um paciente torna-se viral

Foto tirada por um colega de um médico da Califórnia mostra um médico agachado, aparentemente chorando sobre a morte de um jovem paciente de 19 anos, relata Daily Mail. "Embora a morte de pacientes seja comum em nosso trabalho, perdemos normalmente pessoas idosas e/ou doentes. O paciente que morreu tinha 19 anos, e para o médico sua morte foi um verdadeiro golpe", disse o colega.

A publicação da fotografia no Reddit fez com que a imagem se tornasse um viral e atraiu muitos simpatizantes ao médico, incluindo muitos médicos que compartilharam suas histórias pessoais de dor em mais de 4.000 comentários.


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Os golpes de Estado do Século XXI

Houve um tempo em que se defendia no Brasil a ideia de que já não havia espaço para golpes de Estado na América Latina. Supostamente, as ditaduras nos haviam ensinado o que não queríamos, e nos Anos 90, alguns comentaristas políticos diziam isso, com uma segurança contagiante, tanto que me contagiaram na época.

Lembrei desses comentaristas — mas não vou citar nomes, até porque acho que realmente acreditavam nisso — quando, já trabalhando como jornalista, vivi na Argentina e no Chile, e pude constatar que a punição aos crimes dessas ditaduras deixou marcas na sociedade e nas instituições. Porém, no Brasil, onde pouquíssimo criminosos da ditadura foram julgados, e nenhum deles condenado, eu só me lembro deles quando vejo essa nova tendência brasileira de ir às ruas pedir intervenção militar.

Decidi então conferir se de fato ela tem fundamento. E não tem! Resumi a pesquisa somente ao jovem Século XXI que vivemos, e me deparei com os seis mais recentes golpes de Estado latinoamericanos — um a cada dois anos e meio. Antes de analisar algumas características deles, recordemos, por ordem cronológica, quais foram e como ocorreram:

Venezuela, 2002

Carmona Estanga, em uma de suas poucas horas de governo,
após o golpe de Estado de 2002, na Venezuela
O interessante do cenário que se viveu na Venezuela há treze anos atrás é que talvez ele não seja muito diferente do Brasil atual. A começar pelo fato da disputa política envolver a PDVSA (estatal petroleira venezuelana, a Petrobrás deles).

Durante os primeiros três meses daquele ano, a oposição, junto com os meios de comunicação hegemônicos, começaram uma campanha de desprestígio contra a empresa, questionando seus resultados e sua gestão. Alguns dos principais gerentes da PDVSA apoiavam as críticas e convocaram uma greve geral a partir do dia 9 de abril. A resposta do presidente Hugo Chávez foi a demissão dos gerentes que convocaram a greve, a nomeação de um novo diretor para a empresa e o anúncio de manifestações em defesa da soberania venezuelana sobre o petróleo, em locais diferentes dos protestos pela greve.

No terceiro dia da greve, os manifestantes opositores mudaram o trajeto da marcha, o que causou temor por um possível confronto. Antes que isso pudesse acontecer, foram percebidos disparos contra as duas manifestações, que produziram 19 mortes, a maioria com tiros na cabeça. A oposição acusou o presidente Chávez pelas mortes e o exército invadiu o Palácio Miraflores na noite de 11 de abril, saindo de lá com o presidente preso. Horas depois, Pedro Carmona Estanga, líder dos empresários, jurava como presidente imposto pelos grupos que apoiaram o golpe, e dissolvia o Parlamento, a Corte Suprema, o Ministério Público e o Conselho Nacional Eleitoral.

Porém, seu mandato durou algumas horas. Uma multidão de centenas de milhares de chavistas se reuniu nos bairros carentes de Caracas e foi até o palácio presidencial, exigir a restituição do presidente. O clamor popular levou alguns grupos militares a desobedecerem o alto mando, o que permitiu o regresso de Chávez ao poder.

Análises de criminalística e dos vídeos relacionados ao dia do confronto das marchas provaram que os disparos haviam partido de franco-atiradores da polícia localizados estrategicamente nos edifícios contíguos, e que faziam parte do golpe. Alguns chefes policiais foram condenados, mas anistiados, em 2007, por decreto do próprio Hugo Chávez.

O documentário Chávez; Inside the Coup (Chávez: Bastidores do Golpe), das cineastas irlandesas Kim Bartley e Donnacha O´Brian, que na América Latina foi chamado La Revolución no Será Transmitida (A Revolução Não Será Televisionada), é o melhor trabalho jornalístico, contendo riqueza de detalhes sobre o contexto do golpe de Estado na Venezuela, em 2002.

Haiti, 2004

Aristide escoltado entre a multidão, enquanto ainda era
o presidente do Haiti
Após a morte de um de seus líderes, em setembro de 2003, a guerrilha Frente para a Liberação e Reconstrução Nacional inicia uma série de ataques em regiões do interior do país.

No dia 5 de fevereiro de 2004, conseguiram tomar a cidade de Gonaïves, terceira cidade mais populosa do Haiti, no litoral norte do país, e duas semanas depois dominaram Cap-Haïtien, segunda cidade mais importante. No dia 29 de fevereiro, os rebeldes invadiram a capital Port-Au-Prince. Horas depois, o então presidente Jean-Bertrand Aristide era derrubado, mas não necessariamente pelas milícias. Uma vez no exílio, na África do Sul, Aristide assegurou que nunca havia renunciado, acusando os Estados Unidos de terem-no sequestrado e levado à força para fora do país. Os opositores ao presidente deposto contestaram a versão, e responsabilizaram Aristide pela crise econômica e a miséria que assolava o país, e o acusaram de não conter a corrupção nas instituições públicas.

Logo, o país sofreu intervenção de forças da ONU. cujo objetivo declarado era o restabelecimento da ordem democrática, em missão que contou com o apoio de diversos países latinoamericanos, incluindo o Brasil. Após a queda de Aristide, o presidente Boniface Alexandre governou o país interinamente, até 2006, quando foi eleito René Preval.

Bolívia, 2008

Indígenas sepultam as vítimas do massacre de Pando, em 2008
No segundo semestre daquele ano, uma série de confrontos entre grupos apoiadores e opositores ao presidente Evo Morales começam a acontecer em departamentos no leste do país, os que compõem a chamada Meia Lua, principalmente nos quatro (Pando, Beni, Santa Cruz e Tarija), onde a população indígena não é maioria — o que revelou o preconceito étnico como uma das origens do enfrentamento.

Durante cerca de vinte dias, os grupos opositores, liderados por prefeitos da região da Meia Lua, organizaram bloqueios de estradas, greves, ocupação de prédios estatais e até mesmo a sabotagem de um dos principais gasodutos do país. Alguns dirigentes opositores pediam a derrubada de Morales. Outros, principalmente os de Santa Cruz, tentaram organizar um referendo para independência do departamento ou de toda a região da Meia Lua.

No dia 11 de setembro, um grupo de dezesseis camponeses indígenas que apoiavam o presidente foram assassinados, no departamento de Pando, o que foi seguido por outros ataques racistas contra populações indígenas nas regiões insurgentes. A oposição afirmou que presidente perdia o controle do país, e tentou derrubá-lo.

Michelle Bachelet, então presidenta do Chile e presidenta pró-tempore da Unasul, convocou um encontro extraordinário dos presidentes. A entidade classificou os ataques como uma tentativa de desestabilização da democracia boliviana, e anunciou uma série de medidas em conjunto para apoiar o governo boliviano. Diante da total falta de apoio dos demais países do continente, a oposição boliviana decidiu baixar a guarda, desarmar os bloqueios, e até mesmo a ideia de referendo separatista foi abandonada.

Honduras, 2009

Protesto contra deposição de Zelaya, que foi sequestrado em pijamas 
pelo exército hondurenho, que o abandonou num aeroporto da Costa Rica
No dia 28 de junho, estava programado um referendo para decidir sobre a viabilidade ou não de uma assembleia legislativa para a reforma política do país. Durante a madrugada, um grupo de militares, comandado pelo general Ramón Vásquez Velásquez, invadiu a tiros a casa presidencial e sequestrou o presidente Manuel Zelaya, levando-o de pijamas a um aeroporto, onde foi despachado de avião até a Costa Rica.

Através de uma manobra legislativa, o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, conseguiu colocar a si mesmo na presidência, e governou durante seis meses, até a realização de eleições, em novembro, onde foi eleito o opositor Porfirio Lobo.

Manuel Zelaya tentou regressar a Honduras em ao menos três ocasiões, e obteve sucesso na terceira vez, onde conseguiu asilo na Embaixada do Brasil durante cinco meses, até ser definitivamente condenado ao exílio.

Após o golpe, diferentes organizações denunciaram aos organismos internacionais uma escalada de atentados contra comunidades de bairros pobres, cidades da zona rura, movimentos sociais e pequenos meios de comunicação alternativos. Atualmente, o país é apontado pela ONU como o de maior índice de homicídios no mundo.

Equador, 2010

Rafael Correa enfrentando gases lacrimogêneos atirados pela polícia
equatoriana. Logo viriam tiros, mas o presidente conseguiu sobreviver
Setembro é mesmo um mês preferido para golpes de Estado, principalmente na América do Sul. Neste caso, o confronto aconteceu no dia 30, durante uma greve de policiais. O próprio presidente Rafael Correa foi até um quartel principal da polícia negociar com os grevistas, mas não obteve resultados.

Os líderes do movimento, insatisfeitos com a negativa presidencial, realizaram rapidamente um ataque a comitiva presidencial, com granadas de gás lacrimogênio. Membros da guarda presidencial conseguiram salvar Correa, resguardando-o no Hospital Militar, que ficava próximo ao quartel. O edifício foi cercado pelos policiais grevistas, que chegaram a abrir fogo.

Manifestantes em favor de Correa foram ao local do conflito, protestar contra os ataques, e também receberam disparos. Após a intervenção do Exército, a situação foi controlada, embora tenha terminado com as mortes de dois membros da Guarda Presidencial, dois policiais grevistas e um estudante que estava entre os manifestantes em favor do governo, além de 274 feridos.

Paraguai, 2012


Em maio, a desocupação de uma chácara, na localidade de Curuguaty, no sudeste do país, levou a um confronto entre policiais e camponeses sem-terra, que terminou com um saldo de dezessete mortes (onze camponeses e seis policiais). As críticas ao manejo da situação por parte do governo levou a um pedido de julgamento político do presidente Fernando Lugo, que finalmente aconteceu no dia 22 de junho, e terminou com 39 votos a favor (apenas 4 contra) de declará-lo culpado por uma suposta crise institucional, cuja pena era a sua destituição do cargo.

Lugo tentou se defender com o argumento de que não havia nenhum tipo de manifestação popular contra o governo pelas mortes em Curuguaty e que toda a pressão emanava dos partidos opositores e da imprensa paraguaia, que defendia os interesses dos latifundiários e do agronegócio, mas não conseguiu comover os legisladores. Foi substituído no poder pelo seu vice, Federico Franco, cujo partido PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico) já sinalizava uma ruptura com o governo, desde a criação da esquerdista Frente Guasú, em 2010.

No ano seguinte, novas eleições presidenciais levariam ao poder o empresário Horacio Cartes, um dos articuladores da derrubada de Lugo — que foi eleito senador, no mesmo pleito.

Daqui por diante

Fazendo um balanço dos seis golpes que descrevemos acima, pode-se observar que quatro deles conseguiram a destituição do presidente, embora um deles tenha sido revertido no dia seguinte. Os outros obtiveram resultados políticos permanentes.

Outra característica importante dos quatro golpes concluídos, sobretudo em comparação com os do século anterior, é que geraram substitutos civis, ainda havendo evidente participação militar em pelo menos dois deles.

Cinco desses golpes ocorreram contra países da chamada Alba (Aliança Bolivariana Para os Povos da América), embora a Venezuela tenha sofrido seu golpe antes da entidade existir — o Haiti, que é somente membro observador, também sofreu seu golpe antes, e Honduras deixou de ser membro depois da queda do seu presidente.

Durante os 13 anos de governos do PT, Lula e Dilma venceram o câncer e defenderam um projeto baseado na distribuição de renda. Agora, enfrentam uma oposição que já não titubeia ao falar em impeachment.

Além dos golpes de Estado, os presidentes latinoamericanos também estão tendo que enfrentar neste século uma macabra coincidência (ou talvez não seja mera coincidência, segundo algumas teorias) com respeito a sua saúde — e, outra coincidência, todos os casos envolvendo governantes de com alianças de esquerda ou centro-esquerda. Hugo Chávez terminou falecendo em 2013, vítima de um câncer, o mesmo mal que afetou Lula da Silva (2011), Dilma Rousseff (2009), Cristina Kirchner (2011) e Fernando Lugo (2010). A exceção dos brasileiros, os outros três enfrentaram a doença em pleno exercício de seus mandatos. Também houve a morte de Néstor Kirchner, em 2010, após um inesperado ataque cardiorrespiratório, quando o ex-presidente argentino exercia o cargo de secretário-geral da Unasul. Em 2013, Cristina Kirchner passaria por um novo susto, sendo levada a uma cirurgia de emergência, para retirada de um coágulo no cérebro.

Atualmente, três países vivem situações simultâneas de instabilidade institucional. Na Argentina, a oposição e o grupo de mídia Clarín tentam levar adiante a tese de que a presidenta Cristina Kirchner está envolvida no suposto assassinato do promotor Alberto Nisman, enquanto o país vive um ano eleitoral em que a mandatária não poderá concorrer à reeleição, e com um governismo que ainda não decidiu o candidato à sucessão. O venezuelano Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez, enfrenta uma forte crise, com intensa confrontação política nas ruas, desde janeiro de 2014, e no ano que vem poderia ter que enfrentar um referendo sobre a continuidade de seu mandato. Enquanto isso, Dilma Rousseff inicia o seu mandato com forte pressão da oposição nas ruas, e a oposição declarada até de líderes de partidos da base aliada, num cenário onde já não há cautela para o uso da palavra impeachment.

Mas reitero, este tópico foi para contestar a lembrança que tenho da ideia de que não há mais espaço para golpes de Estado na América Latina, que deve ter nascido e morrido naqueles Anos 90, em que se acreditava que a História havia acabado com a queda do Muro de Berlim. Contudo, não estou apostando em que pode acontecer um sétimo golpe, ou em quão breve isso poderia ocorrer, ainda que haja os que não acreditam em bruxas mas sabem que elas existem — e alguns ainda arriscam dizer de que país elas vêm.

Victor Farinelli
No Blog do Miro
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De como dar um basta definitivo no jornalismo-lixo da Tevê Globo


Não me proponho contribuir para a quebra da Globo. Seria um desperdício de tecnologia em audiovisual acumulada durante décadas, a qual se tornou um patrimônio nacional de valor incalculável. Quando o senador Crivella agendou uma conversa com João Roberto Marinho na última campanha eleitoral, sugeri a ele que deveria dizer que, se eleito, se comprometeria a lutar pela consolidação do Rio como capital audiovisual da América Latina e um dos principais centros de produção de arte audiovisual do mundo. O líder seria a Globo, naturalmente, não a Record, cuja base audiovisual é São Paulo.

Acontece que os programas de boa qualidade formal da Globo, como as novelas, casos especiais, Globo Repórter, Fátima Bernardes, The Voice (não sei por que não “A Voz”) e SuperStar funcionam como uma espécie de rede física de esgoto pelo qual flui o material de má qualidade, a saber, o Jornal Nacional e, principalmente, o Jornal da Globo. Vai também junto desse lixo esse monumento à imbecilidade globalizada, o BBB Brasil, que disputa com Faustão o campeonato da idiotice, salvo apenas, no caso de Faustão, pela Dança dos Famosos, para os que tem estômago para tolerar as piadas de mau gosto do apresentador.

O lamentável é que os outros canais, como Record, Bandeirantes e SBT, não se aproveitam das falhas estruturais da Globo para lhe ocuparem o espaço jornalístico. Na Band o jornalismo é tão pobre que as notícias dos principais Estados são veiculadas por rádio, sem acompanhamento de imagem. A Record tem a sorte de ter em seus quadros um dos maiores jornalistas do Brasil, Paulo Henrique Amorim, mas também nela falta infraestrutura para o noticiário em geral. Com isso, a Globo nada de braçadas, fixando o padrão de mediocridade que move a maior parte do jornalismo de televisão.

Como colunista do Globo, privei durante quase um ano da intimidade de Roberto Marinho, o que me possibilitou conhecer bem algumas de suas facetas. Era um homem simples, sem ideologia, voltado quase exclusivamente para o jornal, não a tevê. É que, de jornal, ele acreditava entender bem — entrou na tipografia e acabou dono —, enquanto a televisão não lhe era familiar, e deixava entregue a José Bonifácio, o Boni, e Walter Clark. Boni e Clark puderam dar uma direção profissional à televisão, sem interferência do dono, enquanto o jornal era estritamente vigiado por ele.

Talvez viesse daí a mediocridade do Globo quando comparado com o Jornal do Brasil, por exemplo. Entretanto, mesmo que não fosse um luminar do jornalismo, Roberto Marinho tinha o espírito da notícia. Lamentou várias vezes não ter podido dar o furo do Plano Cruzado porque Sarney lhe pedira reserva. (O curioso nesse episódio é que Sarney não se deu conta de que estava passando informação privilegiada para o maior grupo de comunicação do país num momento crucial da vida econômica brasileira. Na verdade, Sarney temia tanto o grupo Globo que não pensou duas vezes antes de lhe entregar uma ficha valiosa que não foi usada.)

O espírito jornalístico de Roberto Marinho não foi transmitido à prole. No caso da televisão, foi totalmente desvirtuado. Como jornal perdeu espaço no mundo da comunicação, a penetração da tevê tornou-se uma arma mortal de difusão ideológica. No Jornal Nacional ela vinha sendo usada com alguma moderação porque os editores, William Bonner à frente, calculavam que os telespectadores são sobretudo de classe média baixa. A partir da última eleição, contudo, com o sistema Globo assumindo papel de militante pró-Aécio, a manipulação ideológica também do noticiário televisivo no horário nobre tornou-se aberta.

Como já escrevi anteriormente, o sistema de três feudos e várias satrapias jornalísticas do Globo não tem hoje nenhum controle político. É o campo da liberdade sem limites dos âncoras e apresentadores, no qual atua a lei da selva. Um ensaio iluminado de Norberto Bobbio ensina que os luminares do alvorecer da Idade Moderna não esclareceram bem o que entendiam por liberdade. Alguns, como Locke e Montesquieu, viam a liberdade como o não limite; outros, como Rousseau e Hobbes, como prerrogativa de estabelecer os próprios limites. Os primeiros inspiraram o liberalismo econômico. Os segundos, a democracia.

A tevê Globo é hoje o império da liberdade sem limites, do liberalismo econômico que gerou nas quatro últimas décadas o neoliberalismo. Antes, por contraditório que possa parecer, Roberto Marinho lhe dava um caráter democrático. Um dia, na minha época no Globo, entrei na sala dele e lhe expus o que sabia dos rumores de corrupção do Governo Collor. “O que acha que eu devo fazer?”, perguntou ele a mim, que tinha pouco mais de metade de sua idade. “Ponha na televisão”, sugeri. Ele ficou em silêncio alguns segundos para comentar, encerrando a conversa: “É muita responsabilidade...”

É essa responsabilidade que a Globo perdeu sob a influência nefasta do grupo Veja. Destruidora do Governo Collor, sem provas — a entrevista que publicou com o irmão de Collor foi um monumento à irresponsabilidade jornalística —, Veja começou a articular suas “revelações” de escândalos, oriundas de espionagem paga, com o noticiário do Jornal Nacional e o Jornal da Globo. Duplamente irresponsáveis, esses dois sistemas de empulhação jornalística estão destruindo o Brasil com intrigas, e contribuindo para a degradação de todas as instituições brasileiras, Executivo, Legislativo e Judiciário. Chegou o momento do basta.

Para destruir Veja, o que se justifica como profilaxia da imprensa brasileira, é muito fácil: basta parar de comprá-la e cancelar as assinaturas. Caso sinta necessidade de revista, compre a Carta Capital como alternativa, com uma linha mais imparcial.

No caso da tevê também é fácil. Como queremos preservar as novelas e punir o jornalismo-lixo, vamos fazer o seguinte: no horário do Jornal Nacional e do Jornal da Globo — depois da novela, num caso, e do BBB, do outro —, vamos desligar a televisão ou mudar de canal. Todos os anunciantes da Globo saberão pelas pesquisas que, naquele horário, os aparelhos ou estarão desligados ou ligados em outro canal. (Sugiro que alguém mais competente que eu em matéria de internet arranje um jeito de tornar essa convocação nacional através das redes sociais, começando numa data marcada com antecedência e combinando novas datas até que se torne conhecida alguma providência do sistema Globo em reestruturar profissionalmente seus jornais!)

J. Carlos de Assis, Jornalista, economista e professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de vinte livros sobre Economia Política, sendo o último “A Razão de Deus”, pela Civilização Brasileira.
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A carta de uma embaixadora argentina ao diretor da Veja

Sem qualquer base na realidade, a Veja insinuou que Nilda Garre teria se relacionado com Hugo Chávez e conspirado um programa nuclear argentino.


A revista que o senhor dirige, no número da data de 14 de março de 2015, sob o título “Chavistas confirmam conspiração denunciada por Nisman”, em seus parágrafos finais, me coloca falsamente como a interlocutora argentina dos Ministros da Defesa das repúblicas do Irã e da Venezuela em conversas sobre um suposto programa nuclear argentino pelo qual o presidente iraniano teria tido interesse.

O artigo acrescenta uma versão sem base na realidade, falsa e maliciosa de supostos informantes chavistas — não citados — sobre uma relação pessoal íntima que eu teria tido com o Presidente Hugo Chávez.

Conclui atribuindo a mim, também sem um só elemento que permita chegar as fontes, a posse de segredos sobre temas nucleares. Destaco que tal afirmação aparece entre aspas, sugerindo que a versão lhes foi dita por algum porta-voz.

Por meio desta, e em exercício do direito de resposta previsto na Constituição da República Federativa do Brasil, requeiro que se publique na revista Veja, em suas versões impressa e digital, no mesmo espaço dedicado a minha pessoa, que desminto categoricamente todo o conteúdo a que me aludem de modo agravante e inexato.

Preparo-me, da mesma forma, para acionar judicialmente em caso de negativas injustificadas ou silêncio. Assim como informo que, em caso de não dar publicidade à presente, tomarei as medidas para que seu texto circule de acordo com minhas possibilidades.

Quero manifestar que tenho expectativas de que a revista cumprirá com os deveres éticos de levar a seus leitores esta resposta a seus conteúdos. Principalmente, e sobretudo, quando não chegou junto à envolvida o teor dos ditos publicados. É sabido que isso é de praxe, tanto como o fato de as opiniões serem livres e os fatos, sagrados. Ambas as premissas faltaram, com despreocupação pela verdade, na nota pela qual se pede resposta.

Por último: desejo informar que o presente é formulado em um todo de acordo com os padrões do exercício à liberdade de expressão recomendados pela Relatoria Especial da CIDH durante o ano de 2009, estando a cargo a Dra. Catalina Botero, recentemente premiada pela SIP: “Se é apresentado efetivamente um abuso da liberdade de expressão que cause um prejuízo aos direitos alheios, deve-se acudir às medidas menos restritivas da liberdade de expressão para reparar tal prejuízo: em primeiro lugar, ao direito de retificação ou resposta, consagrado no artigo 14 da Convenção Americana; se isso não bastar, e se demonstra a existência de um dano grave causado com a intenção de prejudicar ou com evidente despreço pela verdade, poder-se-ia acudir a mecanismos de responsabilidade civil que cumpram com as condições estritas derivadas do artigo 13.2 da Convenção Americana” (Marco Jurídico Interamericano sobre o Direito à Liberdade de Expressão OEA/Serv.L./V/II, CIDH/RELE,INF.2/09,30 de dezembro de 2009).
______________________

Nilda Garre é embaixadora, representante permanente da República Argentina diante da Organização dos Estados Americanos.

Tradução de Daniella Cambaúva.
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CGU desmente “Veja”


“Nota de Esclarecimento

Em relação à matéria publicada neste sábado (21) no site da revista Veja, sob o título “CGU prepara rolo compressor para firmar acordos de leniência”, a Controladoria-Geral da União esclarece que:

1.    Não é verdade dizer que a CGU convoca empresas envolvidas na Operação Lava Jato para discutir possíveis acordos de leniência. O que a CGU tem a obrigação legal de fazer, e fez, é instaurar os processos de responsabilização em relação a 24 empresas mencionadas na operação, incluindo várias das maiores empreiteiras brasileiras, providências que se iniciaram em dezembro do ano passado e foram expandidas neste ano. No curso de tais processos, a CGU poderá vir a receber propostas de acordo de leniência. Somente cada uma dessas empresas é que pode procurar o órgão de forma espontânea (e não por convocação) para fazer essa proposta. Em sendo procurada, a CGU tem o dever de, caso a caso, analisar o pedido e verificar se ele é ou não vantajoso para a administração. A CGU não está obrigada a acolher a manifestação e, mesmo se a acolher, não é certa a celebração de um acordo de leniência, pois além dos requisitos legais, é preciso entender que permanece a aplicação de sanções e obrigações de se fazer e não fazer o que a CGU pode impor. O reflexo do acordo apenas interfere na dosimetria da sanção que será aplicada. Ninguém sai impune.

2.    O governo não busca “destravar a leniência o quanto antes para evitar a quebradeira das empresas”, conforme afirma a matéria, e nem está trabalhando por uma operação de salvamento em bloco das grandes empresas. A avaliação da possibilidade de acordos virem a ser firmados deve e será feita de forma individual, até mesmo porque a colaboração que cada empresa pode dar tem a sua particularidade.

3.    Em qualquer caso, a CGU apenas aceitará firmar acordo de leniência caso a empresa interessada colabore efetivamente com as investigações e promova a reparação integral do dano causado à administração.

4.    Os acordos de leniência que, conforme previsto na Lei Anticorrupção, estão sob a competência legal da CGU não ferem, em nada, a atuação do MP ou do TCU. A CGU nem intenciona nem poderia almejar interferir nas atividades desses órgãos, cujo competência é definida pela Constituição. Um  ponto importante para entender a lei anticorrupção é o princípio da independência das instâncias. Os diversos órgãos envolvidos nas investigações (como CGU, TCU, Polícia Federal, Ministério Público, entre outros) coletam informações e compartilham entre si, e cada um deles, em sua esfera de competência e dentro do que está previsto em lei, deve agir e tomar as providências. Os trabalhos são independentes, porém harmônicos.

5.    A Lei Anticorrupção não foi redigida “às pressas no furor das manifestações de junho de 2013”. A lei foi uma iniciativa do Poder Executivo federal, que enviou o projeto ao Legislativo ainda em 2010. Depois da discussão no Congresso, a lei foi aprovada em 2013, entrando em vigor em janeiro de 2014. Portanto, a gênese da lei não guarda nenhuma conexão com os fatos descritos na matéria.

6.    Por fim, a CGU reafirma o seu compromisso com a transparência, com o combate à corrupção e com a correta aplicação da Lei Anticorrupção.

Controladoria-Geral da União”
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Alô, Sílvio! Seu SBT está mandando “pobretão” ficar em casa e só ir à pracinha e ao circo


Sílvio Santos, que foi camelô e ganhou dinheiro vendendo carnês e crediários que permitissem aos pobres sonhar e comprar — pagando caro, é lógico — muita coisa, deveria prestar atenção aos conselhos que estão sendo dados pelo tal Luiz Carlos Prates em sua emissora em Santa Catarina.

Prates é aquele que ficou conhecido, em 2010, criticar o fato de que “agora qualquer pobretão pode ter carro”.

Com sua fúria contumaz, agora investe de novo contra seus alvos preferidos.

— Quem faz cálculo (para viajar) é pobretão, e lugar de pobretão é dentro de casa! É passeando na pracinha e no circo! E entendendo que é pobretão. Se faz cálculo para viajar, é pobretão. (vídeo abaixo)

Que beleza!

Imagino que o senhor Prates tenha o mesmo conceito sobre quem faz cálculo para comprar uma TV nova, um carro nem tanto ou até para entrar num financiamento de casa!

Pobretões!

Só tem direito a isso quem não tem de fazer contas, porque o dinheiro sobra e que, como ele, está revoltado com o “estado de coisas” no Brasil.

Afinal, diz ele, “estamos numa quase guerra”…

A menos que SS não queira dizer Sílvio Santos, mas outra coisa terrível, o dono do SBT deveria se lembrar das suas “colegas de auditório”, aquelas pobretonas…

Aquelas, a quem o senhor perguntava “quem quer dinheiro?” e jogava cédulas para que se engalfinhassem.

A TV tornou-se um espetáculo tão dantesco quanto era antes, só que agora com muito mais ódio!

Há um tempo atrás disseram que ela se pautaria pelo “respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”, mas era um papelucho sem nenhum valor, uma tal de Constituição Brasileira.



Fernando Brito
No Tijolaço
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Um (novo) dia na vida do Perfeito Idiota Brasileiro


Algum tempo atrás escrevi sobre o PIB. O Perfeito Idiota Brasileiro.

Ele ia para o trabalho ouvindo a CBN e antes de dormir via o Jornal da Globo. Nos intervalos, lia Merval, Reinaldo Azevedo e Villa. Tinha por ídolo Joaquim Barbosa.

E agora, nestes trepidantes dias de 2015, o que faz o nosso PIB?

Bem, as leituras se ampliaram, dada a oferta de colunistas dedicados a pessoas como ele.

Agora, pela manhã, a caminho do serviço, ele alterna a CBN com a Jovem Pan. Gosta de ouvir Sheherazade. Que sua mulher jamais saiba, mas às vezes tem sonhos eróticos com Sheherazade.

Aquela voz, aqueles cabelos

Na Jovem Pan o PIB também aprecia os comentários de Marco Antônio Villa.

Um cabeça.

Numa entrevista com Haddad, Villa massacrou-o. Provou que o futuro pertence aos carros, e não às bicicletas.

Londres, Paris, Nova York, Copenhague, Amsterdã, todas elas estão na contramão da história. Investem em ciclovias.

“Villa poderia dar consultoria a elas”, pensou PIB depois de ouvir Villa enquadrar Haddad.

Também aumentou o número de gênios que ajudam PIB a formar sua opinião. Ele agora sempre passa os olhos pelo blog de Constantino, da Veja.

A expressão “esquerda caviar” é uma inspiração divina, pensa PIB. Para ele, um sinal dos problemas atuais da humanidade é que o mundo dá atenção a economistas como Piketty e ignora sábios como Constantino.

PIB leu que Constantino, a bordo de uma bolsa-esposa, foi para Miami. “É a chance de os americanos descobrirem seu talento”, deduz PIB.

Rapidamente, prevê PIB, o livro de Constantino sobre a esquerda caviar será traduzido em inglês. Piketty será reduzido a nada, na comparação.

Caviar Left. Com a publicação do livro, Constantino chamará a atenção da presidência americana. Poderá ser um conselheiro econômico da Casa Branca.

Por que não um Nobel?

Nas noites de segunda, Roda Viva é obrigatório. Augusto Nunes, o Brad Pitty de Taquaritinga, é maravilhoso.

Faz perguntas sensacionais. Perguntou a Lobão, por exemplo, o que ele achava da Dilma. Como alguém pode fazer uma pergunta tão profunda e tão surpreendente?

PIB ri também com os artigos de Augusto Nunes da Veja. Finalmente alguém para falar das bebedeiras de Lula, pensou PIB.

Claro que, para falar naquele tom, Augusto Nunes tem que ser um homem que jamais passou do primeiro copo de cerveja.

Em Taquaritinga os pais devem ser muito rigorosos ao ensinar a seus filhos os males da bebida…

PIB ouviu falar também de um novo site, o Antagonista. O editor é tão modesto que, quando trabalhava na Veja, transformou uma edição especial sobre seu romance numa simples reportagem de meia dúzia de páginas.

Poderia ter colocado seu livro na primeira posição dos mais vendidos, mas preferiu pô-lo, singelamente, apenas entre os dez mais.

Tenho que lerO nome é brilhante. Antagonistas por causa de antas. O outro editor escreveu um livro sobre antas, e então uma coisa puxou a outra. Não ficou nenhuma ponta solta.

Todas as noites, uma passagem por Gentilli é obrigatória.

Nasceu para fazer rir.

PIB gostava, particularmente, da maneira como Gentilli lidou com um negro que reclamou de piadas racistas. Ofereceu bananas.

Como ele pode ter tanta inspiração?

O respeito de PIB pela Justiça brasileira cresceu ainda mais depois que um juiz considerou que não havia racismo nas bananas oferecidas por Gentilli.

Temos que acabar com a ditadura do politicamente correto.

Nas últimas semanas, a vida de PIB tem sido particularmente agitada. No dia 15 de março, vestiu a camisa da seleção e foi para a Paulista.

Um pouco de vaidade não faz mal a ninguém, e então PIB pintou o rosto de verde e amarelo.

Boas chances de chamar a atenção da imprensa. Só que não havia imprensa. Alguém falou que os jornalistas estavam com medo de apanhar, mas PIB não acreditou.

Viu vários filmes em que jornalistas cobriam guerra como se cobrissem concursos de receitas de pudim.

Herois.

Quis ser original na placa que carregaria. E então escreveu: “Fora Foro de São Paulo.” Não tinha a menor ideia sobre o que era o Foro de São Paulo, mas Constantino falava disso o tempo todo, e então sua frase era oportuna.

PIB cantou o hino na Paulista. Quer dizer, fez que cantou. Ninguém é perfeito, e PIB fazia tempo que esquecera a letra.

Voltou para casa cheio de amor pelo Brasil e pelos colunistas que o faziam ser quem era, um PIB.

Estava cansado à noite, mas ainda tinha pela frente as panelas. Jamais imaginara que bater panelas pudesse ser tão excitante.

Hmmm… o que é isso?

Isso era uma ereção cívica.

PIB, depois de muito tempo, solicitou a mulher à noite para algo além de um prato de comida.

Na cama, consumado o sexo, PIB se sentiu o rei do mundo. E gritou isso, não em português, que seria muito clichê, mas em inglês, como em Titanic.

Sua mulher não entendeu nada, mas fazia tempo que ela desistira de compreender o marido.

Nem banho ele foi tomar.

Dormiu direto, aquele sono límpido, majestoso, inviolável típico do Perfeito Idiota Brasileiro.

Paulo Nogueira
No DCM
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"Não Matarás" — Os EUA e o mito do American Sniper — o que restará do Império Americano quando chegar seu fim?

http://www.maurosantayana.com/2015/03/nao-mataras-os-eua-e-o-mito-do-american.html

American Sniper, o filme.

Primeiro à esquerda, em Stalingrado, Vassili Zaitsev.

Se o Egito Antigo deixou as pirâmides e Atenas e Roma seus templos e anfiteatros, o império norte-americano sobreviverá, talvez, mais pela memória dos sóis instantâneos de Hiroshima e Nagasaki, e pelo brilho evanescente de seus mitos, criados à sombra das salas de cinema, do que pela arquitetura de aço e concreto de seus arranha-céus.

Louis Wiznitzer, brasileiro, correspondente de jornais francófonos nos Estados Unidos, nos anos 1960 e 1970, gostava de citar uma frase que ficou famosa, atribuída ao membro dos Panteras Negras H. Rap Brown: “Este país nasceu da violência. A violência é tão norte-americana como a torta de maçã”, para explicar que os negros deveriam libertar-se da opressão por “todos os meios”, violentos ou não.

Autor de biografia famosa, com o nome de Morra, Negro, Morra!, H. Rap Brown foi condenado pela morte, no ano 2000, de um policial negro, Ricky Kinchen, e cumpre pena de prisão perpétua.

A violência encontra-se historicamente enraizada, no entanto, não apenas dentro do seu território, mas também na relação da república dos Estados Unidos da América com outros países, e talvez seja essa a razão do fascínio que ela exerce em sua sociedade, na política e na cultura.

A violência também caracteriza o cinema típico norte-americano, das “séries” de TV aos westerns e filmes de gângster e de guerra, que retratam a relação da sua população com cada época, e a visão que ela tem de si mesma, e do restante do mundo.

Esse é o caso do filme American Sniper, campeão de bilheteria deste início de 2015, nos Estados Unidos, baseado em best-seller de Chris Kyle, um ex-membro de “forças especiais” na Guerra do Iraque.

Branco, cristão e republicano, incensado pelos radicais do Tea Party, Chris Kyle não foi, ironicamente, morto por um terrorista contrário às intervenções norte-americanas no Afeganistão ou no Oriente Médio. Mas por um soldado compatriota, “branco” e “convencional”, o ex-marine Eddie Ray Routh, condenado também à prisão perpétua pela morte de Kyle e de outro ex-soldado, Chad Littlefield.

Se a história de H. Rap Brown e de Ricky Kinchen reflete as contradições da luta pelos direitos civis e a questão racial, a de Chris Kyle, Chad Littelfield e Eddie Ray Routh é emblemática da espetacularização e “patriotização” das relações exteriores norte-americanas.

Em seu livro American Sniper, Chris Kyle afirma ter matado, no Iraque, 160 pessoas, entre elas uma mulher que carregava em um braço uma criança e, no outro, uma granada. Quem é o herói? O invasor que ataca o território alheio, ou a mulher que é atingida ao proteger sua pátria, colocando em risco a vida do próprio filho? Em tempos em que as crianças aprendem a matar em jogos de computador, nunca é demais lembrar que, por mais eficaz que seja militarmente, o sniper é basicamente um covarde, combate de longe, em condição de desigual vantagem contra o inimigo.

Por essa razão, para nossa geração, o maior franco-atirador da história continuará sendo não o herói de American Sniper, o “O Diabo de Rahmadi”, mas Vassili Zaitsev, o soviético que matou 242 soldados e oficiais alemães na Batalha de Stalingrado. Camuflado em uniforme branco, que naquele inverno de 1942 se confundia com a neve, e armado com um rifle Mosin-Nagant com mira telescópica, Zaitsev matou soldados aos quais se opunha ideologicamente, que haviam, com armas potentes e modernas, invadido o seu país, e que ao sair do território da União Soviética, escorraçados e perseguidos pelo Exército Vermelho, deixaram rastro de tortura, estupros e 20 milhões de mortos, a imensa maioria civis.

No Antigo Testamento, Jeová pede a Moisés que grave, nas Tábuas da Lei, em quinto lugar, um mandamento que deveria ter sido o primeiro. Afinal, se Deus fez o Homem à sua imagem e semelhança, a melhor maneira de amá-lo sobre todas as coisas é amar e respeitar o Deus que reside nos outros seres humanos. “Não matarás”, poderiam dizer alguns, talvez, a não ser que o faças quando em defesa da tua pátria.

Chris Kyle, que afirma ter “cumprido seu dever”, matou 160 seres humanos não para defender seus filhos, seu sangue, ou a sua terra, mas sob uma desculpa hipócrita, de que havia armas de destruição em massa no Iraque, jamais encontradas até hoje.

Ferido no final da guerra por um morteiro, o capitão Vassili Zaitsev, um pastor das montanhas que, depois do conflito, trabalhou em uma fábrica como operário, nunca foi atingido por outro soldado russo.

Morreu em 1991, em sua cama.
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Página no Facebook marca protesto contra Eduardo Cunha para 12 de abril


“Se o Cid saiu por falar a verdade, então como pode alguém envolvido no escândalo da Lava Jato presidir a Câmara de Deputados do Brasil?”

Este é o mote de uma página no Facebook criada logo depois que o ex-ministro da Educação, Cid Gomes, pediu demissão do cargo.

Antes de sair, Cid fez um discurso no Congresso durante o qual afirmou que preferia ser visto como “mal educado” do que como “achacador”.

Foi uma referência a Eduardo Cunha, o presidente da Câmara que está na lista dos investigados pela Operação Lava Jato.

Segundo o doleiro Alberto Yousseff, o deputado articulou com colegas a pressão contra a empresa Mitsui quando esta deixou de pagar a propina combinada nos negócios que fazia com a Petrobras.

A pressão partiu da deputada Solange Almeida, aliada de Cunha,  que nem integrava a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara quando apresentou requerimentos dirigidos ao Tribunal de Contas da União e ao então ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, nos quais levantou suspeitas sobre os negócios feitos pela Mitsui com a Petrobras.

Teria sido, segundo o doleiro, mera tentativa de achaque para que o pagamento de propina fosse restabelecido.

Cunha nega as acusações.

A página do Facebook tinha 8.243 curtidas na noite de sábado. Nas postagens, marca a data de 12 de abril para o protesto no qual serão reivindicadas as demissões de Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidente do Senado também investigado na Lava Jato.

A mesma data vem sendo anunciada para um novo protesto daqueles que buscam o impeachment da presidente Dilma Rousseff.



Eduardo Cunha entra na mira das ruas

Mais de um milhão de pessoas já confirmaram presença em uma manifestação que pede a saída do presidente da Câmara dos Deputados; mobilizações na rede contra o parlamentar evangélico se intensificaram principalmente depois que o ministro da Educação, Cid Gomes, deixou o cargo por criticar Cunha e outros deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), entrou na mira das ruas. Em um momento de forte insatisfação da população para com as instituições políticas, o parlamentar evangélico vem se tornando, nos últimos dias, o principal alvo de críticas de internautas. Um evento no Facebook que pede sua saída do Congresso já conta com mais de um milhão de pessoas confirmadas. O ato está marcado para acontecer no dia 30 de abril, no vão livre do Masp, em São Paulo.

Entre outros eventos, páginas e hashtags de ojeriza ao deputado, como a #ForaCunha, a insatisfação contra o parlamentar ganhou força principalmente depois de, na última quarta-feira (18), o ministro da Educação Cid Gomes ter deixado o cargo em detrimento de uma discussão com Cunha na Câmara. O episódio acabou escancarando o abuso de poder que exerce sobre o governo federal.

Cid Gomes havia sido chamado pelos parlamentares para prestar esclarecimentos sobre uma declaração em que afirmava que Câmara dos Deputados, em sua maioria, era composta por “achacadores”, incluindo Cunha. Como, na ocasião, o ex-ministro sustentou sua afirmação, Eduardo Cunha chantageou o governo e determinou que caso Cid Gomes não deixasse o cargo, o PMDB deixaria a base de Dilma.

O episódio ganhou grande repercussão nas redes, fazendo com que começassem a surgir uma série de manifestações em apoio a Cid Gomes e comparações de Eduardo Cunha com Francis Underwood, personagem da série House of Cards que, através do seu jogo político, torna-se um dos homens mais poderosos do país – como Cunha, que hoje é o terceiro nome na linha sucessória da nação.

Na página do evento contra Cunha no Facebook, são listadas alguns motivos pelos quais a população deveria ir às ruas contra o deputado que preside a Câmara:

“Religião e política não se misturam!

- É contra a legalização do aborto

- É contra o casamento igualitário

- É contra a adoção por LGBTT

- É contra a democratização da mídia

- É a favor da TV Câmara nas mãos da TV Record

- É contra a legalização da maconha”

No Viomundo | Fórum
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Restos

A Geografia e a História se cruzam com alguma ironia no Barrio de los Literatos de Madri. A rua onde morreu Lope de Vega hoje se chama Cervantes, que, por sua vez, morreu na rua que hoje se chama Lope de Vega. E Góngora morou na esquina da Quevedo com a Lope de Vega. Além desta incompreensão do mapa, artistas e literatos de Madri tiveram outra coisa em comum: seus restos desapareceram. Velázquez foi enterrado na paroquia de San Juan, uma das mais antigas da cidade, mas, quando San Juan foi derrubada, o corpo do pintor e sua lápide não foram encontrados. Lope de Vega baixou à sepultura na Igreja de San Sebastián mas foi transladado para dar lugar ao corpo da irmã do pároco da igreja — e nunca mais se ouviu falar nos seus ossos. Os restos de Calderón de la Barca andaram por várias igrejas e cemitérios até acabarem na Igreja de los Dolores, mas o registro de onde estavam, precisamente, se perdeu durante a Guerra Civil. Ninguém sabe se eles ainda estão lá, e onde. Não há dúvida que os restos mortais de Goya estão na Ermita de San Antonio de la Florida, que ele mesmo decorou. Há dúvida somente sobre a presença ou não, entre os seus ossos, do seu crânio. Segundo uma versão, Goya teria pedido que sua cabeça fosse enterrada junto a um pé da Duquesa de Alba, não se sabe com que intenção.

Miguel de Cervantes não escapou da confusão funérea. Foi enterrado em 1616 no Convento de las Trinitarias, na atual Lope de Vega, mas não se sabia o local exato. Até agora. Há dias arqueólogos declararam ter achado sua ossada. Ainda não estão cem por cento certos de que os restos sejam mesmo de Cervantes — que bom seria se fossem, fantasticamente, de Don Quixote! — mas não falta muito para o local se transformar numa atração turística. Fora da Espanha, os grandes escritores têm melhor sorte com sua posteridade. Mesmo o túmulo de Leon Tolstoi, que, a seu pedido, não é identificado e pode estar em qualquer ponto da sua fazenda, recebe visitas. A Westminster Abbey de Londres tem seu Canto dos Poetas, onde está uma coleção de ossos ilustres que começou com os de Chaucer, em 1400, por aí. Os restos de Shakespeare estão na Igreja Trinity, em Stratford-upon-Avon, com a famosa lápide onde Shakespeare — talvez temendo um destino espanhol para seu cadáver — ameaça com uma praga a quem mexer nos seus ossos.

E no cemitério Père Lachaise de Paris está o túmulo de Oscar Wilde, cercado por uma redoma de vidro. O vidro está sempre coberto de marcas de beijos. Mesmo depois de morto, Wilde continua diferente...

Luís Fernando Veríssimo
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A vida é muito curta para ler Veja


A vida é muito curta para ler Veja e o fruto de meu trabalho é precioso demais pra gastá-lo com essa revista. Mas, na livraria onde estive há pouco, vi a capa de sua nova edição e a fotografei.

Vejam que a revista — que transformou em herói nacional o senador corrupto Demóstenes Torres (DEM-GO), peça-chave do esquema de corrupção de Carlos Cachoeira, do qual também fazia parte um repórter da Veja — decidiu, nessa edição, transformar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em grande estadista (percebam que não há, na capa da revista, qualquer menção ao fato de o presidente da Câmara estar indiciado na operação Lava Jato, que investigou pesado e antigo esquema de corrupção na Petrobras, e denunciado pelo Ministério Público Federal ao STF).

O que dizer desse "jornalismo?

Jean Wyllys
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Jornalistas Livre — 15 de março, o folhetim mais macabro de nossa história


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A moral dos golpistas do Clube Militar


Os saudosos da ditadura do Clube Militar, também apelidados de “milicos de pijama”, lançaram nesta semana uma campanha pela “moralidade nacional” e contra a corrupção. Eles garantem que o objetivo do movimento não é o de exigir a volta dos generais ao poder, mas apenas o de se opor aos rumos do governo Dilma Rousseff. “O momento é diferente do que era em 1964. Naquele momento, a sociedade e a imprensa pediram a participação dos militares”, explicou o general da reserva Gilberto Pimentel, presidente da instituição. Nas eleições de outubro passado, o Clube Militar se dividiu entre o apoio à “verde” Marina Silva e ao cambaleante Aécio Neves. No segundo turno, ele expressou seu total apoio ao tucano!

Agora, excitados com as manifestações do último domingo (15), que pediram a volta da ditadura e exibiram símbolos nazistas e integralistas, os “milicos de pijama” prometem intensificar os debates na sociedade. Segundo a Folha tucana, em matéria publicada nesta sexta-feira (20), o ato de lançamento da “campanha da moralidade” foi aberto pelo empresário James Akel. “Ele criticou o governo e chamou a presidente Dilma e o ministro da Defesa, Jaques Wagner, de ‘guerrilheiros’. ‘O que a gente tiver que fazer pela moralidade deve ser feito. Impeachment não é golpe’, disse”. Já o jornal O Globo, o mesmo que apoiou o golpe militar de 1964 e construiu seu império durante a ditadura, saudou a iniciativa:

“Descontente com o governo da presidente Dilma Rousseff, o Clube Militar lançou nesta quinta-feira uma campanha pela moralidade pública e vai passar a divulgar semanalmente textos redigidos por colaboradores. Na abertura do evento, o presidente do Clube Militar, general Gilberto Rodrigo Pimentel, disse que os militares nunca se enganaram com relação aos petistas. ‘Nunca nos enganamos. Sabíamos que o petismo, ao ser instalado no país, causaria danos a ele’, afirmou, após ter chamado o golpe de 1964 de revolução democrática... Após o ato, que contou com a presença do ex-candidato Levy Fidelix, o presidente do Clube Militar disse que eles não defendem a intervenção militar ou o impeachment”.

Que moral têm os generais golpistas para falarem em “campanha da moralidade”? Durante os longos e sombrios 20 anos de ditadura, o Brasil afundou na corrupção — que foi encoberta pela censura à imprensa, a castração do Congresso Nacional, a intervenção nos sindicatos e a tortura e assassinato de milhares de democratas. Parte da própria mídia privada, que apoiou o golpe, foi perseguida e muitos jornalistas foram presos e mortos. Agora os “milicos de pijama”, saudosos da ditadura, voltam a se animar, impulsionados pelos malucos que saem às ruas rosnando pelo retorno dos generais ao poder! Que baita retrocesso civilizatório!

Altamiro Borges
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Começar mais uma vez

Férias sem viagem não desligam, logo, não são férias. Mas, a bem da verdade, se não pude viajar no planeta, fui levado a viajar no tempo. Com ótimas e péssimas companhias nos 204 milhões transportados a bordo do Brasil de volta ao século 20.

O século que, para nós, começou antes de chegar. Uma linha de historiadores considera que o século 20 só começou para o mundo em 1914, com o fecho brutal da "belle époque" pela irrupção da Guerra Mundial. No Brasil, o novo século começou em 1889, com o golpe de Estado que expulsou o Império e impôs a República. E que não mais se dissociou dela ainda naquele e no decorrer do século 20, como golpismo latente, como inúmeros golpes tentados e frustrados, e como consumados e numerosos golpes ora brancos, ora em seu clássico verde oliva.

"A democracia brasileira está consolidada" não é mais do que uma ideia generosa com o (mau) caráter da política brasileira, produzido e disseminado pela mentalidade primária e gananciosa, além de alheia ao país, da classe dominante com seus poderes maiores que os dos Poderes institucionais. O golpismo é um recurso natural dessa mentalidade. Por isso está aí.

Se não, por que a exibida indignação dos oposicionistas com Dilma por suas práticas opostas às que propalou na campanha? É só falsidade. Oposição honesta, se não for imbecil, não tem como não estar satisfeita com a adoção de política econômica e medidas antissociais que são autenticamente suas, e de sua conveniência. E satisfeita ainda com a derrota final dos que a repudiaram nas urnas. Um só motivo para tanta indignação exibida: o golpismo.

Alberto Goldman delatou a tática em texto na Folha de 24.2.15. "Como levar adiante uma transição (...) sem ter de aguardar quatro anos" é "um desafio" que "só acontecerá se o agravamento das condições econômicas e política persistirem [o plural é dele] a ponto de mobilizar o povo e os partidos para uma solução que, de qualquer forma, ainda que legal e democrática, não deixa de ser traumática".

Ou seja, berreiro acusatório total contra "as condições econômicas e políticas" até conseguir clima para derrubar a presidente: (...) "Dilma Rousseff e seu partido não têm condições políticas e morais para conduzir o país por mais muito tempo".

Pequenos trechos a meio do noticiário confirmam a continuidade do propósito e da prática. Assim, nos últimos dias: "Não se trata de sangrar, a degradação econômica e política pode levar ao impeachment, não se deve ter receio" (Carlos Sampaio, irado líder do PSDB na Câmara). Ou a referência ao governo como "o que não deve ser salvo", feita por Fernando Henrique. Ou ainda as reuniões da direção peessedebista com delegados e advogados à procura de meios de incriminar Dilma, e por aí em diante.

As negativas de adoção do golpismo feitas pelos oposicionistas vociferantes são apenas falsidade política. Até porque, lá atrás, antes que lhes parecesse inconveniente se mostrarem golpistas, deixaram claro o seu objetivo de forçar o impeachment, cuja falta de fundamentação constitucional não projetou mais do que um golpe baixo.

A falsa indignação com a economia e o uso da Lava Jato contra Dilma não bastam para aproximar o golpismo do êxito. Há muitos motivos políticos para que, no Congresso, uma tentativa forçada de impeachment seja derrotada. No Supremo Tribunal Federal de hoje em dia não há possibilidade de aceitação, ainda que conte com uns três votos, de impeachment que não esteja fundamentado com muita solidez factual e em segura constitucionalidade.

O que entrou e continua no século 21, na vida institucional brasileira, não pode ser esquecido. A proteção das Forças Armadas aos militares acusados de crimes na ditadura impediu a atenção para esta presença. Aos recém-substituídos comandantes general Enzo Peri, brigadeiro Juniti Sato e almirante Júlio Moura é necessário reconhecer que asseguraram, ao longo do governo Lula e no de Dilma, uma conduta exemplar dos militares.

Nem uma só voz de militar da ativa veio agravar qualquer dos vários períodos de conturbação. O homem das casernas tornou-se o exemplo de civilização e civilidade, ao lado da degradação paisana. O antigo troglodismo armado está restrito, inofensivo, aos bolsonaros de pijama no Clube Militar.

Além de torcer para que esse exemplo perdure, é preciso batalhar outra vez contra os ressurgidos obscurantistas.

Janio de Freitas
No fAlha
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Princípios Goebbels contra o PT


O ódio ao petismo ou a Lula e Dilma e sua suposta "ameaça" comunista foi elaborado com os mesmos conceitos da propaganda Nazista de Joseph Goebbels. Se incentiva a incitação a toda violência e discriminação contra os mesmos, cuja propaganda nazista utilizou não só os recursos da imprensa, mas também das novas mídias, como o rádio e a televisão. Agora a estratégia também usa as redes socais pela internet.

Os onze princípios da propaganda nazista de J. GOEBBELS, são transcritos a seguir:

1) Princípio de simplificação e do inimigo único. Adotar uma única idéia; um único símbolo; individualizar o adversário em um único inimigo. (Esse unico inimigo seria o PT).

2) Princípio do método de contágio: Reunir os adversários em uma só categoria ou indivíduo. Os adversários tem de constituir-se em suma individualizada. (A categoria seria o
Petismo)

3) Princípio da transposição. Atribuir ao adversário os próprios erros ou defeitos, respondendo o ataque com o ataque: “Se não podes negar as más notícias, inventa outras que as distraiam”. (Se analisarem os debates perceberam o candidato Aécio fazer coisas muito parecidas)

4) Princípio do exagero e desfiguração: Converter qualquer anedota, por pequena que seja, em ameaça grave. (Um exemplo disso foi a proposta dos Conselhos Populares proposta pela presidenta Dilma).

5) Princípio da vulgarização: “Toda propaganda deve ser popular, adotando seu nível ao menos inteligente dos indivíduos, aos que se dirige. Quanto maior seja a massa a convencer menor há de ser o esforço mental a fazer. A capacidade de entendimento das massas é limitada e sua compreensão rara; além do mais tem grande facilidade para esquecer.” (umnexemplo: o programa Zorra Total comecou a usar a personagem Dilmaquinista logo que Dilma foi eleita em 2010)

6) Principio de orquestração: “A propaganda deve limitar-se a um número pequeno de ideias e repetí-las incansavelmente, apresentando-as de diferentes perspectivas; mas sempre convergindo sobre o mesmo conceito. Sem ranhuras nem dúvidas”. Daquí vem também a famosa frase: “Se uma mentira se repete suficientemente, acaba por converter-se em verdade”.

7) Principio de renovação: Emitir constantemente informações e argumentos novos a um ritmo tal que, quando o adversário responda, o público está já interessado em outra coisa. As respostas do adversário nunca devem poder contrariar o nível crescente de acusações. (Isso foi muito usado na entrevista de William Bonner do JN contra a então candidata Dilma Rousseff).

8) Principio da verossemelhança: Construir argumentos a partir de fontes diversas, através dos chamados balões de ensaios ou de informações fragmentadas.

9) Principio do silêncio: Calar sobre as questões das quais não se tem argumentos e encobrir as noticias que favorecem o adversário; também contraprogramando com a ajuda de meios de comunicação afins.

10) Principio da transfusão: Por regra, a propaganda opera sempre a partir de um substrato preexistente, seja uma mitología nacional ou um complexo de ódios e prejuízos tradicionais. Se trata de difundir argumentos que possam se nutrir em atitudes primitivas. (A falsa ideia que o sul e sudeste sustenta o nordeste ou wue pessoas pagam impostos pra sustentar bolsa familia)

11) Principio da unanimidade: Convencer muita gente que se pensa “como todo o mundo”, criando impressão de unanimidade.

É realmente assustador ver esses principios serem usados atualmenta para fortalecer o antipetismo e o discurso do ódio. Esse decálogo de propaganda nazista é usado contra o governo trabalhista do PT por meio de uma campanha midiática orquestrada antipetista e pulverizada nas redes sociais.

Prof. Cássio Moreira
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Sérgio Porto # 172


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Corrupção na Petrobras e o “bebê” de FHC

O ex-presidente FHC não entende nada mesmo de paternidade — que o diga o filho, resultante de um caso extraconjugal com uma jornalista da TV Globo, que não era seu! Na entrevista concedida ao programa da Globonews que foi ao ar na quinta-feira (19), ele afirmou que “a corrupção na Petrobras é uma mocinha de muito poucos anos, quase um bebê”. A bravata foi uma resposta à presidenta Dilma Rousseff, que havia dito que “a corrupção é uma senhora idosa e não poupa ninguém”. No maior cinismo, o chefão da privataria tucana, da compra de votos para a sua reeleição e de outras inúmeras mutretas tentou fugir da paternidade e se travestir de vestal da ética.

Ainda da “civilizada” entrevista ao jornalista da TV Globo, famoso pelo mico cometido diante do falso Felipe Scolari em plena Copa do Mundo, o grão-tucano elogiou as “marchas democráticas” do último domingo (15) — aquelas que exigiram a volta dos militares ao poder e o imediato impeachment da presidenta recém-eleita e exibiram faixas com suásticas nazistas. Para o detestado FHC, que foi alvo de vários protestos durante o seu triste reinado, “a rua está indignada e vai estar depois irritada. E depois, desesperada”. O falso pai pelo jeito não entende nada de bebês e de democracia! Virou um golpista empedernido, que aposta no quanto pior, melhor.

Para os que ainda acreditam nas bravatas de FHC, reproduzo abaixo uma pequena lista dos seus crimes:

* * *

A lista dos crimes tucanos


Denúncias abafadas: Já no início do seu primeiro mandato, em 19 de janeiro de 1995, FHC fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. Ele extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, criada por Itamar Franco e formada por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, ele criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão se notabilizou exatamente por abafar denúncias.

 

Caso Sivam: Também no início do seu primeiro mandato, surgiram denúncias de tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). O escândalo derrubou o brigadeiro Mauro Gandra e serviu para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Ele foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma, “um exílio dourado”. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia da estadunidense Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.


Pasta Rosa: Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente os processos da pasta rosa. Era uma alusão à pasta com documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais de políticos da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o procurador-geral, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido pela alcunha de “engavetador-geral da República”.


Compra de votos: A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denúncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Eles foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o e impedido a constituição de uma CPI.

http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2011/12/129_1412-alt-Untitled-6.jpg

Vale do Rio Doce: Apesar da mobilização da sociedade em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas estimavam seu preço em ao menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses nacionais. Ela detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, com navios, portos e ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa equivale hoje ao lucro trimestral da CVRD.

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/files/2010/10/brasil13.jpg

Privatização da Telebrás: O jogo de cartas marcadas da privatização do sistema de telecomunicações envolveu diretamente o nome de FHC, citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades tucanas. As fitas mostraram que informações privilegiadas foram repassadas aos “queridinhos” de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à “venda”, o governo investiu na infra-estrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Uma verdadeira rapinagem contra o Brasil e que o governo FHC impediu que fosse investigada.

https://partidodaimprensagolpista.files.wordpress.com/2012/10/ricardo-sergio-300x197.png?w=300

Ex-caixa de FHC: A privatização do sistema Telebrás foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa das campanhas de FHC e do senador José Serra e ex-diretor do Banco do Brasil, foi acusado de cobrar R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Grampos do BNDES também flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão. Além de “vender” o patrimônio público, o BNDES destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais privatizadas. Em uma das diversas operações, ele injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

http://companhiadanoticia.com.br/wp-content/uploads/2013/03/LALAU1.jpg

Juiz Lalau: A escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo levou para o ralo R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso. Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo surgiram no emaranhado das denúncias. O pior é que FHC, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”.

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Farra do Proer: O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para ele, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.


Desvalorização do real: De forma eleitoreira, FHC segurou a paridade entre o real e o dólar apenas para assegurar a sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou uma lista com o nome de 24 bancos que lucraram com a mudança e de outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. Há indícios da existência de um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à turma de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado.

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Sudam e Sudene: De 1994 a 1999, houve uma orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Ao invés de desbaratar a corrupção e pôr os culpados na cadeia, FHC extinguiu o órgão. Já na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC extinguiu a Sudene, em vez de colocar os culpados na cadeia.

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Altamiro Borges
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