17 de mar de 2015

Nota à imprensa da empresa de José Dirceu


A JD – Assessoria e Consultoria atuou de 2006 a 2014 prestando assessoria a empresas brasileiras e estrangeiras com foco, sobretudo, em prospecção de negócios no exterior. Foram atendidos cerca de 60 clientes de quase 20 setores diferentes da economia, como Indústrias de bens de consumo, Telecom, Comércio Exterior, Logística, Tecnologia da Informação, Comunicações e Construção Civil.

Do total faturado pela consultoria, 85% foi gasto com o pagamento de despesas fixas e operacionais e recolhimento de impostos. A empresa registrou, em média, lucro mensal de R$ 65 mil. O setor industrial foi o mais atendido pela JD, representando 31,79% do total.

O ex-ministro José Dirceu e a JD Assessoria e Consultoria sempre estiveram à disposição da Justiça e prestaram todos os esclarecimentos solicitados pela 13ª Vara Federal do Paraná no curso da Operação Lava Jato. Conforme já informado à Justiça, a relação comercial da JD com as construtoras investigadas não tem qualquer vínculo com os contratos das empreiteiras com a Petrobras.

Independentemente de não ter nada a temer em relação à transparência da atuação da JD Assessoria e Consultoria, a empresa e seus sócios não podem aceitar a decisão da Justiça de quebra de seus sigilos fiscal e bancário sem respaldo legal. O levantamento do sigilo sobre os autos só torna a decisão de quebra ainda mais grave.

A defesa da consultoria entrou nesta terça-feira (17 de março) com mandado de segurança com pedido de liminar demonstrando que a decisão da juíza Gabriela Hardt de autorizar a quebra dos sigilos fiscal e bancário da consultoria e seus sócios é ilegal por violar direitos à inviolabilidade da intimidade e dos sigilos de dados bancários e fiscais, conforme garante o artigo 5º da Constituição.

A defesa explica que a decisão judicial é ilegal porque os fundamentos legais para ruptura da garantia constitucional (artigo 5º) não estão demonstrados claramente pela juíza ou ainda porque os argumentos apontados em sua decisão não são admitidos pelos tribunais. A íntegra do mandado de segurança segue anexo.

Em 28 de janeiro, após tomar conhecimento da motivação e decisão da Justiça de quebrar seus sigilos bancário e fiscal, a JD apresentou petição manifestando seu inconformismo em relação à medida extrema endossada pela Justiça: “A decretação da quebra dos sigilos como primeira medida adotada pela juíza, juntamente como a forma pela qual os sócios tiveram conhecimento da decisão – por meio de contato da reportagem do Jornal Nacional – proferida em processo sigiloso, gerou inegável inconformismo aos sócios da JD – Assessoria e Consultoria Ltda.”

Leia Mais ►

O anti-político tem a ver com ditadura


Silêncio forçado de Aloysio Nunes Ferreira e Paulinho da Força têm muito a ensinar sobre o autoritarismo dos protestos de domingo

Um número considerável de cidadãos tem comemorado o tratamento agressivo recebido pelos políticos que comparecem aos protestos de domingo.

É um sinal preocupante e condenável. O silêncio dos políticos e a perseguição das liberdades é uma herança do fascismo e das piores tradições autoritárias.

Vamos aos fatos. No domingo, em São Paulo, o senador Aloysio Nunes Ferreira, um dos líderes mais importantes do PSDB, foi hostilizado quando se encontrava nas proximidades de um caminhão de som do Vem prá Rua, movimento que tem ligações com os tucanos: “sem partido, sem partido,” gritavam.

Nenhum político foi tratado de forma tão humilhante como o deputado Paulinho (SD-SP), presidente da Força Sindical. Paulinho tinha motivos para imaginar que iria sentir-se em casa no domingo.

Afinal, foi ele quem levantou o braço de Aécio no 1º de maio do ano passado, quando o futuro candidato do PSDB disse que estaria de volta no ano seguinte como “Presidente da República.” Naquele mesmo dia, Paulinho chegou a dizer que o lugar de Dilma “era na Papuda.”

No domingo passado, Paulinho não só foi impedido por vaias de abrir a boca quando chegou perto do microfone num caminhão de som que ele próprio levou a manifestação. Também ouviu gritos de “oportunista” e o célebre coro “Um, dois, três, quatro, cinco mil, queremos que o Paulinho vá para a …..” descreve a repórter Aline Ribeiro, da Época, que acompanhou a cena de perto. O esforço de Paulinho para ajudar nos protestos incluiu, ainda, garantir a presença de duas celebridades no caminhão de som, a cantora Vanessa Camargo e Ronaldo, fenômeno do oportunismo. Nada mais injusto, portanto, que chamar Paulinho da Força de oportunista, como se gritava em volta do caminhão de som.

Em vários pontos do país, outros políticos, inclusive os tucanos Carlos Sampaio e Marcos Pestana, sem falar no senador Ronaldo Caiado, do DEM, preferiram participar dos protestos como cidadãos anônimos.

Os protestos são uma força contra o governo Dilma e a oposição, após uma quarta derrota nas urnas, acredita que podem servir de atalho para chegar a um poder de qualquer maneira — como se compreende por faixas que pedem impeachment e/ou golpe militar. O alvo dos protestos é este, como disse aqui ontem. O resto — mesmo a corrupção — é perfumaria do ponto de vista da prioridade das manifestações.

Do ponto de vista histórico, o tratamento agressivo contra os políticos — inclusive aliados — é uma herança do fascismo, aprende-se pela leitura de Hannah Arendt.

Em “Origens do totalitarismo”, ela explica o nascimento das ditaduras do século XX a partir do colapso das organizações de classe — como os sindicatos de trabalhadores — e dos partidos políticos, que sustentavam o cotidiano de uma vida democrática.

“A queda das paredes protetores das classes transformou as maiorias adormecidas, que existiam por trás de todos os partidos, numa grande massa desorganizada e desestruturada de indivíduos furiosos que nada tinham em comum exceto a vaga noção de que as esperanças partidárias eram vãs.”

A desilusão com o sistema partidário — conceito é a matriz da “deslegitimação” do sistema político de que fala o juiz Sérgio Moro em seu texto sobre a Operação Mãos Limpas — é parte necessária desse processo.

Como explica Arendt, até “os mais respeitados, eloquentes e representativos membros da comunidade” passam a ser apontados como “uns néscios”, enquanto as autoridades constituídas se tornam “não apenas perniciosas mas também obtusas e desonestas.”

Quem acha que essa opinião faz sentido com sua própria visão sobre os políticos do Brasil de hoje, precisa repensar seus conceitos. Hannah Arendt está falando sobre a base ideológica do cidadão comum que, na Alemanha, deu a base social para o nazismo e, na Itália, forneceu o cimento para o nazismo.

A construção das ditaduras em sociedades divididas em classes sociais — um traço típico dos regimes capitalistas — envolve, em primeiro lugar, reprimir e desorganizar os partidos que, pela simples existência, demonstram a presença de interesses divergentes e contraditórios em cada sociedade e afirmam o direito dos cidadãos optar por um lado e outro, por um interesse e outro.

Na Alemanha da década de 1930, esses partidos eram a Social Democracia e o Partido Comunista. Na Itália, era o PS, que mais tarde se transformou-se no PCI.

Eles eram os baluartes da democracia, não porque tivessem grandes amores pelas democracia — PC alemão era stalinista até a medula — mas porque eram a garantia da divergência, a proteção ao confronto de ideias e interesses. O ataque a esses partidos abriu as portas para o ataque aos demais, ao fim da divisão de poderes, ao colapso da liberdade.

Em suas campanhas eleitorais, Hitler se recusava a apresentar um programa de governo, dizendo que o mais importante é a “vontade humana,” recorda o professor Jean Touchard, em sua “Histoire des Idees Politiques. Mussolini consolidou-se no poder dizendo que os “fascistas têm a coragem de rejeitar todas as teorias políticas tradicionais: somos aristocratas e democratas, revolucionários e reacionários, proletários e anti proletários, pacifistas e anti pacifistas.”

Numa definição essencial para eliminar a diferença, o conflito, a alternância, a democracia, enfim, Mussolini sintetizou: “É suficiente possuir um ponto fixo: a nação.” O horror de Hitler a políticos e às eleições o levou a copiar uma frase bíblica: “É mais fácil um camelo passar por uma agulha do que descobrir um grande homem através de uma eleição.”

Precisa dizer mais alguma coisa?

Leia Mais ►

“EUA promovem desestabilização de democracias na América Latina”, denuncia Moniz Bandeira


O cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira afirma que os Estados Unidos permanecem na tentativa de desestabilizar governos de esquerda na América Latina e que isso se refletiu nas manifestações do último domingo, que, segundo ele, estão longe de serem espontâneas; confira a entrevista

20150315_110732
Não se trata de uma questão ideológica, mas de governos que
não se submetem às diretrizes de Washington” 
(Foto: Maíra Streit)
Para o cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, as manifestações que pedem impeachment da presidenta Dilma Rousseff estão longe de serem espontâneas. Ele defende que órgãos norte-americanos como CIA, NSA (Agência Nacional de Segurança) e ONG´s a eles vinculadas estão agindo na tentativa de desestabilizar governos progressistas da América Latina.

O especialista acredita que os protestos do último domingo foram fortemente influenciados por setores contrariados com a atuação de um governo popular no país. “Os atores, com o suporte externo, fomentam e encorajam a aguda luta de classe no Brasil, intensificada desde que um líder sindical, Lula, foi eleito presidente da República. Os jornais aqui na Alemanha salientaram que a maior parte dos que participaram nas manifestações de domingo, dia 15, era gente da classe média alta para cima, dos endinheirados’’, disse Moniz Bandeira, que reside na Alemanha e é autor de vários livros sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos.

Em entrevista por e-mail ao portal PT na Câmara, ele citou iniciativas do PT que contrariam Washington, como a criação do Banco do Brics , uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, e o regime de partilha para o pré-sal, que conferiu papel estratégico à Petrobras, deslocando as petroleiras estrangeiras. Ele lembrou também que a presidenta Dilma foi espionada pela NSA e não se alinhou com os EUA em outras questões de política internacional, entre as quais a dos países da América Latina.

Leia abaixo a entrevista completa:

O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), comentou nas redes sociais que a CIA tem atuado nas tentativas de desestabilização de governos democráticos na América Latina. Como o senhor avalia isso, diante de vários episódios históricos que mostram os EUA por trás da desestabilização de governos de esquerda e progressistas?

Moniz Bandeira — Washington há muito tempo cria ONGs com o objetivo de promover demonstrações empreendidas, com recursos canalizados através da USAID, National Endowment for Democracy (NED) e CIA; Open Society Foundation (OSF), do bilionário George Soros, Freedom House, International Republican Institute (IRI), sob a direção do senador John McCain etc. Elas trabalham diretamente com o setor privado, municípios e cidadãos, como estudantes, recrutados para fazerem cursos nos EUA. Assim o fizeram nos países da Eurásia, onde de 1989 ao ano 2000 foram criadas mais de 500.000, a maioria das quais na Ucrânia. Outras foram organizadas no Oriente Médio para fazer a Primavera Árabe.

20150315_112505
Protesto contra o governo no dia 15 de março
(Foto: Maíra Streit)
A estratégia é aproveitar as contradições domésticas do país, os problemas internos, a fim de agravá-los, gerar turbulência e caos até derrubar o governo sem recorrer a golpes militares. Na Ucrânia, dentro do projeto TechCamp, instrutores, a serviço da Embaixada dos EUA, então chefiada pelo embaixador Geoffrey R. Pyatt, preparavam, desde pelo menos 2012, especialistas, profissionais em guerra de informação e descrédito das instituições do Estado, a usar o potencial revolucionário da mídia moderna — subvencionando a imprensa escrita e falada, TVs e sites na Internet — para a manipulação da opinião pública, e organização de protestos, com o objetivo de subverter a ordem estabelecida no país e derrubar o presidente Viktor Yanukovych.

Essa estratégia baseia-se nas doutrinas do professor Gene Sharp e de Political defiance, i. e., o desafio político, termo usado pelo coronel Robert Helvey, especialista da Joint Military Attache School (JMAS), operada pela Defence Intelligence Agency (DIA), para descrever como derrubar um governo e conquistar o controle das instituições, mediante o planejamento das operações e mobilização popular no ataque às fontes de poder nos países hostis aos interesses e valores do Ocidente (Estados Unidos).

Essa estratégia pautou em larga medida a política de regime change, a subversão em outros países, sem golpe militar, incrementada pelo presidente George W. Bush, desde as chamadas “revoluções coloridas” na Europa e Eurásia, assim como na África do Norte e no Oriente Médio. Explico, em detalhes e com provas, como essa estratégia se desenvolve em meu livro A Segunda Guerra Fria, e, no momento estou pesquisando e escrevendo outra obra – A desordem mundial – onde aprofundo o estudo sobre o que ocorreu e ocorre em vários países, sobretudo na Ucrânia.

Além da CIA, como os EUA atuam contra os governos de esquerda da América Latina?

Moniz Bandeira —  Não se trata de uma questão ideológica, mas de governos que não se submetem às diretrizes de Washington. Uma potência mundial, como os EUA, é mais perigosa quando começa a perder a hegemonia do que quando expandia seu Império. E o monopólio que adquiriu após a II Guerra Mundial de produzir a moeda internacional de reserva — o dólar — está sendo desafiado pela China, Rússia e também o Brasil, que está associado a esses países na criação do banco internacional de desenvolvimento, como alternativa para o FMI, Banco Mundial etc.

Ademais, a presidenta Dilma Rousseff denunciou na ONU a espionagem da NSA, não comprou os aviões-caça dos EUA, mas da Suécia, não entregou o pré-sal às petrolíferas americanas e não se alinhou com os Estados Unidos em outras questões de política internacional, entre as quais a dos países da América Latina.

O governo da Venezuela tem denunciado a participação de Washington em tentativas de golpe. O mesmo poderia estar acontecendo em relação ao Brasil?

Moniz Bandeira — Evidentemente há atores, profissionais muito bem pagos, que atuam tanto na Venezuela, Argentina e Brasil, integrantes ou não de ONGs, a serviço da USAID, Now Endowment for Democracy (NED) e outras entidades americanas. Não sem razão o presidente Vladimir Putin determinou que todas as ONGs fossem registradas e indicassem a origem de seus recursos e como são gastos. O Brasil devia fazer algo semelhante. As demonstrações de 2013 e as últimas, contra a eleição da presidente Dilma Rousseff, não foram evidentemente espontâneas. Os atores, com o suporte externo, fomentam e encorajam a aguda luta de classe no Brasil, intensificada desde que um líder sindical, Lula, foi eleito presidente da República. Os jornais aqui na Alemanha salientaram que a maior parte dos que participaram das manifestações de domingo, dia 15, era gente da classe média alta para cima, dos endinheirados.

Que interesses de Washington seriam contrariados, pelo governo do PT, para justificar a participação da CIA e de grupos empresariais de direita, como os irmãos Koch (ramo petroleiro) , no financiamento de mobilizações contra Dilma? O pré-sal, por exemplo?

pt lies
Manifestante em Brasília
 (Foto: Maíra Streit)
Moniz Bandeira — Os interesses são vários, como expliquei acima. É muito estranho como começou a Operação Lava-Jato, a partir de uma denúncia “premiada”, com ampla participação da imprensa, sem que documentos comprobatórios aparecessem. O grande presidente Getúlio Vargas já havia denunciado, na sua carta-testamento, que “a campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. (…) Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente”.

Como o senhor interpreta o surgimento de grupos de direita no Brasil, com agenda totalmente alinhada aos interesses dos EUA?

Moniz Bandeira — Grupos de direita estão no Brasil como em outros países. E despertaram com a crise econômica deflagrada em 2007-2008 e que até hoje permanece, em vários países, como o Brasil, onde irrompeu com mais atraso que na Europa. E a direita sempre foi fomentada pelos interesses de Wall Street e do complexo industrial nos EUA, que é ceifado pela corrupção, e onde a porta giratória — executivos de empresas/secretários do governo — nunca deixa de funcionar, em todas as administrações.

Há, entre os organizadores dos protestos, gente francamente favorável à privatização da Petrobras e das riquezas nacionais, com um evidente complexo de vira-latas diante dos interesses estrangeiros. Como analisar esse movimento à luz da história brasileira? De novo o nacionalismo versus entreguismo?

Moniz Bandeira — Está claro que, por trás da Operação Lava-Jato, o objetivo é desmoralizar a Petrobras e as empresas estatais, de modo a criar as condições para privatizá-las. Porém, estou certo de que as Forças Armadas não permitirão, não intervirão no processo político nem há fundamentos para golpe de Estado, mediante impeachment da presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não há qualquer prova de corrupção, fraude eleitoral etc., elemento sempre usado na liturgia subversiva das entidades e líderes políticos que a USAID, NED e outras entidades dos EUA patrocinam.

No Fórum
Leia Mais ►

Vídeos incríveis da Manifestação dos Coxinhas


Leia Mais ►

Auditores da Receita estão na lista de contas secretas do HSBC


Fiscal envolvida no escândalo do propinoduto do Rio era correntista do HSBC em Genebra

Na relação dos brasileiros que em 2006 e 2007 mantinham contas numeradas no HSBC da Suíça aparecem pelo menos cinco auditores fiscais, quatro da Receita Federal e uma da Receita Estadual do Rio de Janeiro.

Lilian Nigri, ex-superintendente de Fiscalização da Secretaria de Fazenda fluminense, está na lista. Há 12 anos, ela foi um dos personagens do escândalo do propinoduto, como ficou conhecido na época o esquema montado por um grupo de fiscais do Rio para extorquir grandes contribuintes.

Na segunda-feira, ao tomar conhecimento da presença de colegas nas contas numeradas do HSBC, o coordenador-geral de Pesquisa e Investigação da Receita, Gerson Schaan, que cuida do caso SwissLeaks desde fevereiro, não mostrou surpresa.

— A gente não pode esconder problemas porque eles existiram e existem, mas, daí a dizer que instituição e os fiscais são corruptos, são coisas totalmente diferentes — destacou. — Para mim, a revelação desses casos não enfraquece nem a instituição nem o cargo. Temos uma corregedoria ativa, firme e independente. E ela não precisa esperar ordem alguma para atuar.

Ter uma conta bancária na Suíça ou em qualquer outro país não é ilegal, desde que seja declarada à Receita Federal. São os auditores do órgão que têm a responsabilidade de fiscalizar o cumprimento desta obrigação.

Lilian Nigri

Lilian Nigri
Marcelo Carnaval / O Globo
Lilian Nigri, de 52 anos, trabalhou na Superintendência de Fiscalização do Rio de 2000 a 2002. Atuava na Inspetoria de Grande Porte, onde foi descoberto esquema de desvio ilegal de dinheiro que, em 2003, deflagrou a CPI do Propinoduto, na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio). Ela tinha sido indicada para o cargo por Carlos Eduardo Pereira Ramos, então chefe da inspetoria. Ramos foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão, por concussão (corrupção cometida por funcionário público), lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal.

Na lista do HSBC, Lilian aparece como dona de uma conta conjunta com sua mãe, Eliza Velmovitsky, que morreu em 2009 e era fiscal aposentada da Prefeitura de Niterói. Eliza também foi citada nas investigações sobre o propinoduto. A conta de ambas foi aberta em 30 de dezembro de 1998 e fechada em 20 de janeiro de 2003. Além disso, Lilian aparece ligada a uma conta conjunta aberta com seu marido, Felix Saad Haim Nigri. Ela existiu de 26 de março de 2001 a 16 de abril de 2003, quando foi fechada.

Aposentadoria Cassada

A data de fechamento das duas contas coincide com a eclosão do escândalo. Em 13 de março de 2003, Lilian depôs à CPI e negou ter participado do esquema de cobrança de propinas e desvio de dinheiro. No depoimento, justificou seu padrão de vida dizendo ser uma pessoa de família rica e casada com um homem rico.

Na época, Lilian foi investigada pela polícia suíça e pela Alerj, que, em maio de 2003, pediu seu indiciamento. Segundo o relatório final da comissão, ela entrava em contato com as empresas e pedia que elas enviassem o dinheiro dos fiscais à Suíça. Em janeiro de 2004, a Justiça Federal determinou a quebra do sigilo fiscal e bancário dela e de outras nove pessoas acusadas de envolvimento no esquema de envio ilegal de dinheiro para o exterior.

Ernani Bertino Maciel

Outro fiscal que aparece na lista é o auditor aposentado Ernani Bertino Maciel, que foi alvo da operação Persona, da Polícia Federal, em 2007. As investigações apontavam para um esquema de sonegação fiscal que teria beneficiado a multinacional Cisco Systems. Maciel chegou a ficar preso por 40 dias, mas recorre em liberdade das acusações na área criminal. Ele também responde a duas ações cíveis por improbidade administrativa. Numa delas, foi condenado em 2013 ao pagamento de multa de mais de R$ 500 mil por suposto enriquecimento ilícito nos anos de 2001, 2003 e 2005.

Nos arquivos vazados do HSBC, não há muitos detalhes sobre a conta de Maciel, como data de abertura ou valores. Há, no entanto, duas pessoas de mesmo sobrenome relacionadas a ele — Gloria e Marta —, além de uma empresa com sede em Liechtenstein, a Amazon Tours Foundation.

João Alfredo Teixeira Lopes

Outro auditor que aparece na lista do HSBC é João Alfredo Teixeira Lopes, que teve a aposentadoria cassada em março de 2012 pela prática de ato de improbidade apurada em processo administrativo disciplinar. A Receita comprovou que o ex-servidor teve um acréscimo patrimonial significativo, incompatível com sua fonte de renda, sem conseguir se justificar. A evolução patrimonial ocorreu entre 2001 e 2005. De acordo com a Receita, os valores sem justificativa representavam uma vez e meia ou o dobro do que o servidor aposentado recebia por ano na condição de auditor fiscal.

Segundo registros do banco suíço, João Alfredo tinha, em 2006/2007, duas contas, ambas abertas em novembro de 1998. Uma delas continuava ativa, com um saldo de US$ 938 mil. A outra havia sido fechada em abril de 2005.

Joel Miyazaki
Joel Miyazaki, delegado da Receita Federal em Brasília
Kleber Lima / CB/D.A Press
O ex-delegado da Receita em Brasília Joel Miyazaki é mais um nome na lista. Ele consta como administrador e morador de São Paulo. De acordo com as planilhas do HSBC, a conta foi aberta em 23 de junho de 1989 e encerrada em 5 de junho de 1991.

Até 2013, Miyazaki aparecia no noticiário de Brasília realizando operações para combater a sonegação. Numa delas, em março de 2010, Miyazaki anunciou que a Receita cruzaria declarações de IR com o pagamento de IPTU e IPVA para mapear fraudes. Meses mais tarde, em 2011, ele liderou a Operação Risco Calculado, para combater mais um esquema de fraudes nas declarações de Imposto de Renda. Na época, disse que a fraude envolveria cerca de 1,2 mil pessoas e que o prejuízo aos cofres públicos rondava R$ 30 milhões. Em entrevistas, explicou: “São pessoas físicas com bom poder aquisitivo e conhecimento contábil. A maioria são servidores públicos federais e do Distrito Federal”.

José Marcos Francisco Abrahão

O quinto auditor identificado entre os correntistas sigilosos do HSBC é José Marcos Francisco Abrahão. Nas planilhas, ele surge como empresário e compartilha uma conta numerada com a analista de sistemas Conceição Aparecida Paciulli Abrahão, hoje sua ex-mulher. A conta havia sido aberta em 23 de junho de 1998, no mesmo dia da de Miyazaki. Em 2006/2007, ele tinha R$ 307 mil depositados em seu nome.

Segundo o Diário Oficial da União, Abrahão foi auditor fiscal da Receita e quadro permanente do Ministério da Fazenda em São Paulo. Em janeiro de 2010, aposentou-se por invalidez como servidor de “classe S, padrão IV”. Isso significa que ele tinha um salário de aproximadamente R$ 20mil por mês. Conceição Aparecida, hoje ex-mulher, aparece no noticiário recente investigada por fraudes em licitação.

Fiscais citados negam ter contas

Nenhum representante dos auditores citados na lista do HSBC encontrados admitiu a existência das contas no banco suíço.

O advogado Vitor Tédde, que defende Ernani Bertino Maciel em duas ações cíveis na Justiça Federal de São Paulo, afirmou que seu cliente nunca fez qualquer referência a recursos aplicados no país europeu. Em relação às acusações de improbidade administrativa a que Maciel responde, o advogado afirmou que num dos processos, na 12ª Vara Federal, conseguiu ganho parcial de causa. O auditor, porém, continua com sua aposentadoria e seus direitos políticos suspensos. Por outra ação, na 1ª Vara, foi aplicada multa de cerca de R$ 500 mil, ainda em fase de recurso, pelo suposto enriquecimento ilícito. O processo criminal, decorrente da Operação Persona da PF, também continua em andamento.

A reportagem ligou para a casa de Lilian Negri e Félix Saad Haim Nigri, no Rio, e deixou recado. Também entrou em contato com a empresa onde Félix trabalha. Não houve resposta até a conclusão desta edição. Eliza Velmovitsky, mãe de Lilian, morreu em 2009.

Os advogados de João Alfredo Lopes Teixeira informaram que o cliente desconhece a existência de contas na Suíça. Ontem, O Globo tentou localizar Joel Miyazaki, ligando para a delegacia da Receita Federal em Brasília. Lá informaram que ele deixou o órgão há mais de dois anos e que não dispunham de seu número. Foram deixados recador por meio de uma rede social e com parentes, mas não houve retorno. Rodolfo Kokol, advogado de Aparecida Conceição, ex-mulher de José Marcos Abrahão, ressaltou que sua cliente nunca participou de qualquer ato ilícito:

— Não temos os dados oficiais. Todas as informações que temos até agora vieram da imprensa. Sabemos que não há nenhum procedimento aberto contra ela. Mas é fato que minha cliente não participa nem participou de operações ilegais ou clandestinas, com grupos políticos ou com licitações ou empresas que participam de licitações — afirmou ela.

José Marcos não foi localizado para comentar as acusações contra ele e a citação na lista de correntistas do HSBC suíço.

Para tentar localizar e dar espaço de defesa aos fiscais citados, O Globo procurou o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco) e Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip).

O Sindifisco informou que não comentaria o caso por considerar que ele não diz respeito ao sindicato, mas à Receita Federal. Também se recusou a localizar os fiscais citados. A Anfip, por sua vez, disse que o cadastro de associados é sigiloso e que não pode confirmar se os citados são ou não membros da entidade. A diretora também não comentou o assunto.

Chico Otávio / Cristina Tardaguila / Ruben Berta
No O Globo
Leia Mais ►

Na lista do caso HSBC, Mona Dorf vaza da Klu Klux Pan — ouça

A jornalista Mona Dorf, uma das apresentadoras do programa "Os Pingos nos Is", na rádio Jovem Pan, anunciou na edição da última segunda-feira (16/3) que se afastará da atração após aparecer na lista de jornalistas brasileiros que teriam contas no HSBC na Suíça, no escândalo que ficou conhecido como SwissLeaks.

No sábado (14/3), "O Globo" e o blog de Fernando Rodrigues no UOL divulgaram uma lista de 22 empresários de comunicação e sete jornalistas do Brasil que tinham contas no HSBC na Suíça na época do vazamento das informações por um ex-funcionário. Empresários do Grupo Folha, Rede Bandeirantes e Rede Massa, entre outros aparecem na planilha.

Ela
Mona diz que foi pega de surpresa com a notícia. "Foi tudo muito desagradável, fui surpreendida. Não entendo por que o repórter não me ligou. Ele sabe que eu trabalho aqui na Jovem Pan, não me apresentou documento nenhum. Não acredito numa planilha que está na internet e tomei as providências legais, estou indo atrás. Nunca pisei no HSBC e estou indo atrás de saber porque estou nesta lista, porque essa lista foi "soltada" (sic) neste momento, neste sábado".

A apresentadora revela que está tomando as medidas legais para comprovar sua inocência, mas acredita que seu afastamento de "Os Pingos nos Is" seja necessária para não prejudicar a imagem da Jovem Pan e de seus colegas de atração — Reinaldo Azevedo e Patrick Santos.

"Acho que isto afeta a credibilidade do programa e não me sinto à vontade continuando aqui no programa que coloca os pingos nos is. A gente fala muito de leis, você [Reinaldo Azevedo] é um cara muito exigente, que está sempre em cima... A gente nunca emitiu uma informação sem checar 300 mil vezes, nunca fomos levianos aqui neste programa e acho que isso nos atinge.(...) Acho que o correto é eu me afastar para averiguar o que está acontecendo".

Ela ainda reiterou. "Não tem porque a Jovem Pan ser atacada (...). Quem me conhece sabe a carreira que eu tive, os lugares onde eu trabalhei, minha vida é publica, não tenho nada a temer. Está tudo certo lá no meu Imposto de Renda", concluiu.



No Portal Imprensa
Leia Mais ►

Declaração do TSE sobre marchas e panelaços


Esse blog acaba de consultar o TSE sobre as possíveis reviravoltas políticas provocadas pelas legítimas marchas de domingo.

O tribunal informa:

“Depois de ouvidos os insultos, xingamentos e a douta argumentação dos marchadores e paneleiros paulistas, esse egrégio tribunal decide:

1 — manter os resultados da eleição de outubro/2014;

2 — solicitar ao poder Executivo a substituição das panelas de tefal da classe média paulista por panelas de barro, a fim de minorar o ruído provocado nas freguesias mais nobres da capital bandeirante.

O TSE informa, ainda que, infelizmente para os paulistas:

— a gritaria e os uivos descontrolados não podem ser computados como votos;

— a contagem de manifestantes adotada pela PM paulista – e replicada pelos repórteres da Globo – também não possui qualquer valor legal;

— o pedido para que os votos dos brancos paulistas contem em dobro no próximo pleito não pode ser acolhido, à luz do moderno direito eleitoral – aplicado desde a bolivariana abolição da Escravidão.

O tribunal também adverte que novas eleições ocorrem em 2018. E que todas as pesquisas registradas indicam Lula como favorito, apesar de o líder cubano-sindicalista contar com apenas 9 dedos (o que certamente cria constrangimentos para a elite bandeirante e seus aliados de Brasília, Goiás, Barra da Tijuca, bem como dos estados germanofilos do Sul brasileiro).

O TSE não vai abrir nenhum programa de migração para Miami, por entender que Jardins, Itaim, Tatuapé, Morumbi e Moema já podem ser considerados condados do estado da Florida.

Sem mais para o momento.

Tribunal Superior Eleitoral.

Brasília, 16 de março de 2015
(ano 13 do martírio tucano-paulista)

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
Leia Mais ►

Datafalha: 82% dos manifestantes em SP votaram em Aécio

Quá, quá, quá!


O Conversa Afiada reproduz artigo do Diário do Centro do Mundo, com informações da fAlha:

Datafolha: 82% dos manifestantes em SP votaram em Aécio

Protestar contra a corrupção foi a principal motivação das pessoas que resolveram ir à manifestação de domingo (15) em São Paulo, mostra pesquisa Datafolha feita durante o ato. Este motivo foi citado por quase metade dos entrevistados do instituto.

O pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, usado por alguns dos grupos organizadores do ato, vem em segundo lugar. Foi mencionado por 27%. Protestar contra o PT (20%) e contra os políticos (14%) foram as outras razões mais citadas.

No universo dos 210 mil manifestantes que lotaram a av. Paulista no domingo na contagem do Datafolha, 82% declararam ter votado no tucano Aécio Neves no segundo turno da eleição presidencial de 2014, 37% manifestaram simpatia pelo PSDB e 74% participavam de protesto na rua pela primeira vez na vida.

Como o Datafolha havia feito uma pesquisa semelhante na sexta (13) junto aos manifestantes do ato liderado pela CUT, UNE e MST, entre outras entidades, é possível comparar os perfis dos dois públicos.
O zé Cardozo vai dar outra coletiva para assegurar o direito de os aecistas exigirem um Terceiro Turno?

Com direito a impítim?

É bem capaz de o fariseu do FHC encontrar uma justificativa para isso: terceiro turno com impítim.

Porque agora está claro que não foi o povo brasileiro que foi para a rua, mas a minoria que leva o FHC a sério…

Paulo Henrique Amorim
Leia Mais ►

Lula defende reforma política e democratização da mídia para país avançar mais


Há 30 anos, em 15 de março de 1985, a posse do presidente José Sarney colocava fim oficialmente à ditadura militar. A BBC Brasil convidou lideranças em diferentes setores para opinar sobre quais são os principais avanços colhidos em três décadas de democracia e em que áreas se avançou pouco.

Um dos que aceitaram o convite foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim como outros entrevistados, ele destacou o aumento da liberdade de expressão e a redução da desigualdade social como importantes conquistas desse período.

Para que o país avance mais, Lula defendeu a democratização dos meios de comunicação e a realização de uma reforma política que estabeleça o financiamento público das campanhas eleitorais em substituição ao financiamento por empresas. Confira:

Principais avanços: Eu acho que o maior avanço do país nesses 30 anos foi a conquista, consolidação e aprofundamento da democracia. As pessoas poderem se expressar, se organizar e escolher seus representantes. Só na democracia um trabalhador ou uma mulher podem chegar à Presidência da República. Só com democracia, com organização e pressão do povo foi possível reduzir a pobreza, diminuir a desigualdade e tirar o Brasil do Mapa da Fome da ONU.

Avanços limitados: Eu acho que após 30 anos, precisamos de uma reforma política, extremamente necessária para o país e para recompor a vitalidade da política. É necessário esse salto de qualidade na democracia e na transparência, que pode fortalecer a confiança da sociedade nos seus representantes e nas instituições. Para isso, o meu partido, o Partido dos Trabalhadores, propõe, por exemplo, financiamento público de campanha.

E não só isso, outro aspecto no qual não conseguimos avançar foi na democratização dos meios de comunicação de massa. O Código de Telecomunicações é de 1962, muito distante de hoje. São seis famílias que detém quase o total do mercado dos meios de comunicação. Isso ainda precisa avançar muito.

No BBC
Leia Mais ►

Coronel da PM de Goiás chama Dilma de “chefe de quadrilha” e diz que corporação está pronta para a “luta armada”


Leia Mais ►

Impeachment é pouco

Você na rua, de novo. Que interessante. Fazia tempo que não aparecia com toda a sua família. Se me lembro bem, a última vez foi em 1964, naquela "Marcha da família, com Deus, pela liberdade". É engraçado, mas não sabia que você tinha guardado até mesmo os cartazes daquela época: "Vai para Cuba", "Pela intervenção militar", "Pelo fim do comunismo". Acho que você deveria ao menos ter tentado modernizar um pouco e inventar algumas frases novas. Sei lá, algo do tipo: "Pela privatização do ar", "Menos leis trabalhistas para a empresa do meu pai". 

Vi que seus amigos falaram que sua manifestação foi uma grande "festa da democracia", muito ordeira e sem polícia jogando bomba de gás lacrimogêneo. E eu que achava que festas da democracia normalmente não tinham cartazes pedindo golpe militar, ou seja, regimes que torturam, assassinam opositores, censuram e praticam terrorismo de Estado. Houve um tempo em que as pessoas acreditavam que lugar de gente que sai pedindo golpe militar não é na rua recebendo confete da imprensa, mas na cadeia por incitação ao crime. Mas é verdade que os tempos são outros. 

Por sinal, eu queria aproveitar e parabenizar o pessoal que cuida da sua assessoria de imprensa. Realmente, trabalho profissional. Nunca vi uma manifestação tão anunciada com antecedência, um acontecimento tão preparado. Uma verdadeira notícia antes do fato. Depois de todo este trabalho, não tinha como dar errado. 

Agora, se não se importar, tenho uma pequena sugestão. Você diz que sua manifestação é apartidária e contra a corrupção. Daí os pedidos de impeachment contra Dilma. Mas em uma manifestação com tanta gente contra a corrupção, fiquei procurando um cartazete sobre, por exemplo, a corrupção no metrô de São Paulo, com seus processos milionários correndo em tribunais europeus, ou uma mera citação aos partidos de oposição, todos eles envolvidos até a medula nos escândalos atuais, do mensalão à Petrobras, um "Fora, Alckmin", grande timoneiro de nosso "estresse hídrico", um "Fora, Eduardo Cunha" ou "Fora, Renan", pessoas da mais alta reputação. Nada. 

Se você não colocar ao menos um cartaz, vai dar na cara de que seu "apartidarismo" é muito farsesco, que esta história de impeachment é o velho golpe de tirar o sujeito que está na frente para deixar os operadores que estão nos bastidores intactos fazendo os negócios de sempre. Impeachment é pouco, é cortina de fumaça para um país que precisa da refundação radical de sua República. Mas isto eu sei que você nunca quis. Vai que o povo resolve governar por conta própria.

Vladimir Safatle
Leia Mais ►

Cunha janta os impeacheiros do PiG de SP — assista

Vai haver um freio de arrumação e o PMDB e Dilma vão se acertar.

Dória: Castelo de Caras para a bancada do Roda Morta!
 Só em São Paulo!
Só o crédulo do zé Cardozo acredita que os protesteiros e paneleiros de São Paulo queriam acabar com a corrupção.

O programa “Roda Viva”, (assista abaixo), que o Zé Simão em boa hora chamou de “Roda Morta”, é o palco das estrelas de infinita mediocridade dos 'colonistas' do PiG de São Paulo.

Estavam todas lá para entrevistar o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

E o Eduardo Cunha jantou todos eles.

Os colonistas só queriam saber do impítim meuzovo.

Mais nada.

É uma fixação deles: derrubar Dilma!

E o Cunha foi muito claro, meridianamente lógico.

Não vem que não tem.

Não há razão jurídica nem política.

E isso aqui não é o Paraguai, disse ele.

Eles insistiram, insistiram e ele passou metade do programa a mostrar que não há motivo jurídico nem político para o Congresso promover o impeachment.

A Presidenta não cometeu nenhum crime.

(A Presidenta não roubou!, diz o PHA.

A Presidenta não participou da Privataria Tucana, das peripécias do Príncipe da Privataria, e da deslavada malversação de fundos públicos, na “Operação Banqueiro”.

Isso tudo é coisa de tucano.

A Dilma é limpa! — PHA)

Além disso, Cunha tocou em ponto importante.

Que as deidades provinciais não perceberam.

Disse que vai ocorrer um freio de arrumação e o PMDB e o Governo reconstruirão a base política para governar.

O que o PMDB quer é participar do processo de formular políticas sociais e chegar à sociedade como participante das políticas governamentais.

“O PMDB quer ser partícipe!”, foi a tese dele.

Várias vezes repetida.

E, aí, amigo navegante, tem jogo.

E é inevitável que a Presidenta queria fazer isso, disse ele.

As deidades provinciais que o interrogaram não conseguiram fazer com que ele falasse mal da Dilma.

Quá, quá, quá!

Dilma e o PMDB vão se acertar, é o que se conclui da lúcida e afiada entrevista do Eduardo Cunha.

(Você pode não gostar dele, amigo navegante, mas não queira estar do outro lado da rede contra ele.)

Foi um espetáculo desolador, na verdade.

Cunha merecia entrevistadores melhores, que tivessem feito o dever de casa.

A forma implacável, aguda, com que o Eduardo Cunha, também chamado aqui de 'Imaculado Cunha', jantou, com farofa e azeitonas, as deidades provinciais ali reunidas foi de dar pena.

O ansioso blogueiro tem uma admiração especial pelo João Dória e suas gravatas verdes.

Gravatas verdes.

É preciso ter muita auto-estima para usar gravatas verdes…

Impecável.

Direto do Castelo de Caras para a TV Cultura!

Agora, pelo jeito, Dória virou jornalista e entrevistador de assuntos políticos.

Em São Paulo, tudo é possível.

João Dória, na verdade, criou um negócio que simboliza o empreendedorismo de São Paulo.

A empresa dele aproxima políticos de empresários e empresários de políticos.

Ou seja, é um fabricante de vácuo.

No “Roda Morta” ele defendeu o impítim, baseado no parecer golpista Gandra Martins.

Dória insistiu.

Não largava o assunto.

Eduardo Cunha deglutiu-o com carioca supremacia.

Enforcou-o na gravata verde.










Leia Mais ►

Eduardo Cunha, ainda solto, em entrevista a Conti. Ou não, pode ser um sósia


Leia Mais ►

Caso HSBC: Alberto Dines acusa manipulação entre Globo e Folha

Consórcio de jornalistas e não um ‘pool’ de jornais

Quatro circunstâncias foram decisivas para convencer a equipe do programa de TV do Observatório da Imprensa a pautar o Caso SwissLeaks na edição levada ao ar na terça-feira (10/3, remissão abaixo):

1. O enorme interesse suscitado pelo megavazamento na imprensa internacional, sobretudo europeia, e a decisão do Comitê de Redação do prestigioso Le Monde de publicar a lista de todos os correntistas, a despeito do veto simbólico dos acionistas majoritários.

2. A visível hesitação da grande mídia brasileira em entrar com vontade no assunto apesar de sua evidente importância.

3. O ineditismo dos procedimentos adotados pelos detentores da lista (Le Monde) entregando-a ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), entidade formada por 185 repórteres investigativos em 65 países, desde que cada nome fosse previamente investigado pelas seções nacionais a fim de evitar equívocos e injustiças. A decisão contrariava frontalmente a práxis vigente em nossos jornais de reproduzir integralmente — sem qualquer averiguação preliminar — as denúncias secretas que chegavam às redações com dossiês, vídeos, cassetes e fitas. O fenômeno levou este observador, em fins dos anos 1990, a batizá-lo como “jornalismo fiteiro” — em que o repórter é apenas um intermediário passivo.

4. Ao saber que o jornalista Fernando Rodrigues, ex-colunista da Folha de S.Paulo, responsável por um blog no portal UOL e um dos mais empenhados criadores da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) fora escolhido pelo ICIJ para coordenar a operação brasileira, a produção do programa prontamente assegurou a sua participação e, logo em seguida, a da ombudsman da Folha, Vera Guimarães Martins, que já tratara do assunto em coluna recente (em 1/3, ver “Teoria conspiratória nº 8.667”). Garantidas as participações em Brasília (FR) e São Paulo (VGM), faltava ao time um debatedor carioca, vaga logo preenchida quando a produção foi informada que o repórter investigativo do Globo Chico Otávio, profissional premiado e participante habitual do programa, acabara de ser convidado pelo ICIJ para participar da rede de investigadores.

Primado da independência

O programa foi exibido na terça-feira (10/3) e tratou principalmente das questões centrais: o prudente procedimento adotado pelo consórcio detentor da megalista, contrariando a velha rotina do “jornalismo fiteiro” adotada arbitrariamente pelos porteiros de nossas redações ao publicar denúncias sem um mínimo de investigação prévia.

A outra questão atendia às insistentes reclamações de outros profissionais independentes, principalmente blogueiros, que consideravam injusta a exclusividade concedida aos dois conhecidos jornalistas. Queriam a socialização do “furo”.

>> Avalie o conteúdo e a apresentação do programa: abaixo assista à íntegra.

Quatro dias depois (sábado, 14/3), o Globo publicou com grande destaque na capa e página inteira do primeiro caderno a lista dos 22 empresários de mídia, herdeiros e cônjuges que mantêm ou mantiveram contas numeradas no HSBC suíço, além de sete jornalistas. Entre estes, e apresentados como “Família Dines”, os quatro filhos deste observador residentes no exterior há três décadas (menos um), sem contas bancárias no país, sem rendimentos locais. Classificados honrosamente como “jornalistas independentes”, apenas dois são formados em jornalismo, porém afastados da profissão há pelo menos 15 anos. [Clique aqui  e leia a íntegra da contestação deste observador publicada neste OIna noite do mesmo sábado.]

Até o momento o Globo não se retratou, achou perfeitamente válido o seu aberrante código de ética e seus critérios editoriais exibidos com tanta desfaçatez. No entanto, passada uma semana do programa, seu editor-responsável e apresentador assume um grave erro: escapou do debate um dado crucial — o quadro de associados do ICIJ é restrito a JORNALISTAS, não está aberto a JORNAIS, empresas com seus interesses nem sempre os mais nobres.

E o que aconteceu naquele sábado foi uma clara intervenção da direção do jornal O Globo no trabalho do seu veterano repórter Chico Otávio. Ele, sim, jornalista independente, sem aspas. A matéria foi editada e manipulada por ordem do “aquário”. Isto salta à vista quando se compara o estilo narrativo do repórter — incisivo, factual, claro — com a montagem infanto-juvenil no estilo de infográfico publicada no sábado.

Chico Otávio é professor de jornalismo na PUC-Rio, repórter puro-sangue, seus chefes/editores não têm o direito de macular seu currículo utilizando um autêntico jornalismo marrom no estilo da revista Escândalo, denunciada pelo falecido Diário da Noite (Rio) e fechada pela polícia em 1963.

Além da desobediência à cláusula pétrea do Consórcio Internacional de JORNALISTAS Investigativos, configura-se outra transgressão: o sistema de pool empresarial é antijornalístico, inconfundivelmente monopolista e corporativista. Os jornalistas associados ao ICIJ têm o direito de compartilhar informações, as empresas nas quais trabalham (ou das quais são parceiros), não podem fazer jogadas combinadas. Isso é lobismo.

Prova: na sexta-feira (13/3), véspera da patifaria, o Globo revelou em manchete que o crime organizado e a contravenção tinham dinheiro na Suíça (págs. 3 e 4). A matéria é vintage Chico Otávio. A Folha não a reproduziu. Mas reproduziu secamente, à sua maneira, no dia seguinte, as informações sobre contas de empresários, cônjuges, herdeiros de grupos de comunicação e jornalistas (sem citá-los, caderno “Mercado”).

Está evidente que houve uma combinação entre os jornais para explorar o mesmo tema simultaneamente. Embora Fernando Rodrigues tenha nomeado em seu blog os mesmos não-jornalistas, evitou inferências infames a respeito dos sobrenomes.

O Brasil tem o dom de avacalhar tudo. Inclusive um magnifico exemplo de cooperação jornalística internacional. O ICIJ vai ser informado. Jornalismo investigativo deve ser obrigatoriamente independente. Se não é independente não pode ser plenamente investigativo.



Alberto Dines
Leia Mais ►

Jornalismo tendencioso ameaça sobrevivência do sistema Globo

Este é o exato momento político em que se deve dividir o monopólio da Globo para fomentar um novo jornalismo para o Brasil.

A Globo caminha para a quebra. Se isso acontecer será culpa quase exclusiva de seu Departamento de Jornalismo. É que se alguém quiser se aproveitar da situação para comprar a Globo encontrará a seu favor o mais arrogante, mais pretensioso, mais insolente grupo de “formadores de opinião” como nunca se viu antes na história deste país, e com poderes ilimitados. Isso porque os donos são ausentes ou incompetentes, e nada trava a libertinagem televisiva e jornalística que se enfia goela baixo do cidadão daqui e do exterior, todos os dias, num exercício jamais observado de manipulação política pela via da emoção.

Há dois patamares no caminho da Globo para o fracasso. O primeiro é o Jornal Nacional, ligeiramente mais discreto na sua cruzada diária pela desinformação. Conduzido por William Bonner, que lembra um propagandista de sabonete, traz sempre uma mistura bem preparada de fatos e emoção direcionada para a busca de telespectadores a qualquer custo, mesmo quando esse custo significa subverter a verdade. A distorção a favor dos ricos é limitada apenas pelo medo de perder audiência no horário nobre, na medida em que grande parte dela é de famílias pobres beneficiárias dos programas sociais do PT.

É no Jornal da Globo, contudo, que os noticiaristas e comentaristas da Globo saem do armário. Aí a manipulação da opinião pública passa a ser um jogo aberto. Começa com a figura burlesca de William Wack anunciando todas as pragas do Egito sobre o Brasil. Ele tem, como o JN, prazer em noticiar tragédias, coisas que comovem. Mas, com muitos graus de emoção sobre o Jornal Nacional, despeja na audiência, formada sobretudo por gente de classe média que não tem compromisso com horário no dia seguinte, o que essa audiência enviesada quer ouvir na sua sanha lacerdista de apelos hipócritas contra a corrupção.

Mas William Wack é um casca grossa: manipula o noticiário de acordo com suas preferências pessoais, acrescentando ao sabor da notícia deformada esgares de palhaço de circo. Cabe a Sardenberg um papel aparentemente mais sutil, como me observou Jânio de Freitas, o maior jornalista político do Brasil em atividade, já que ele é mais venenoso por divulgar os conceitos da economia política favoráveis aos ricos dentro de uma carcaça insidiosa de neutralidade técnica, como todo bom charlatão. Ele agrada aos poderosos e ao mesmo tempo engana os pouco pobres que resistem a assistir a tevê até de madrugada.

O Jornal da Globo tem, portanto, uma interação intelectual e moral afetiva com ricos e poderosos. Sua eficácia, conforme Marx, está no fato de que a ideologia da sociedade é a ideologia da classe dominante. Quando a classe dominante dispõe inteiramente da mídia, sem concorrência — porque, no campo da ideologia, a quase totalidade dos maiores jornais, revistas e tevês está do lado e de mãos dada com uma direita sórdida e indiferente aos destinos da sociedade —, o campo político fica inteiramente aberto, inclusive para golpes brancos.

Poderia continuar enchendo laudas e laudas de adjetivos contra a dupla do Jornal da Globo e contra outra dupla igualmente perniciosa para a democracia, os comentaristas do jornal Globo Míriam Leitão e Merval Pereira. Este não merece muita tinta, porque é apenas ignorante — na acepção semântica da palavra. Míriam, porém, como Sardenberg, é astuta. Passa a ideia de que sabe economia, quando o que realmente sabe é identificar economistas de direita, como ela, e dar-lhes espaço franco em sua coluna diária e sórdida na Globo News.

O noticiário econômico brasileiro, de jornal e de tevê, está dominado por entrevistas e artigos de economistas de banco. Galbraith, com sua fina ironia, dizia que não se sentia à vontade para acreditar em opiniões econômicas de quem tem interesse próprio em jogo. A rede Globo e os jornalões, assim como as revistas semanais (exceto Carta Capital), apoia seu noticiário econômico em economistas de banco com o maior descaramento. Assim, são os economistas de banco que estão fazendo a cabeça de milhões de brasileiros sobre economia.

Trabalhei anos na editoria econômica do Jornal do Brasil, de que fui subeditor, e jamais entrevistei um economista de banco. Trabalhei anos como repórter econômico da Folha de S. Paulo e jamais entrevistei, para publicação, um único economista de banco. Agora são esses economistas que dominam o noticiário econômico com seus próprios interesses. Acaso é esse tipo de liberdade de expressão e de opinião publicada que interessa ao Brasil? Ou é o momento em que se deve pensar em dividir o monopólio do Globo e fomentar um novo jornal no Rio para o Brasil?

P.S. Não é do meu estilo fazer ataques pessoais. Entretanto, o Sistema Globo foi dividido em três capitanias, uma para cada herdeiro, e as capitanias em sesmarias, cada uma sob o comando de um jornalista no caso do Departamento de Jornalismo. Assim, não adianta falar, quando se trata de formação de ideologia, de um sistema global. É preciso identificar pessoalmente os donos das sesmarias jornalísticas, como procurei fazer. Não fosse tão grande o Sistema Globo, amainaria minhas críticas. Como é grande demais, e eu muito pequeno, pode perfeitamente suportar o choque!

J. Carlos de Assis, Jornalista e economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre a Economia Política brasileira, dos quais o último é “A Razão de Deus”.
No Carta Maior
Leia Mais ►

O "ético" Agripino Maia vai ao protesto!

As manifestações deste domingo (15), tão festejadas pela mídia privada e pela oposição demotucana, atraíram alguns seres exóticos. Direitistas com suas suásticas nazistas, saudosos da ditadura militar, ricaços metidos em sonegação e muita gente da chamada classe média — com sua postura egoísta e sua visão tacanha. Elas também serviram de palanque para os falsos moralistas, mais sujos do que pau de galinheiro. Uma presença no protesto de Brasília chamou a atenção dos menos alienados. No meio da multidão, lá estava o "ético" Agripino Maia, senador pelo Rio Grande do Norte, presidente nacional do DEM e coordenador-geral da campanha derrotada do cambaleante Aécio Neves.

Segundo uma notinha da Folha tucana, que preferiu encobrir o ridículo das manifestações, o famoso demo "nunca tinha participado de um protesto". Animado com a marcha, ele até esbravejou; "O povo está de saco cheio. Ou a presidente acorda ou este país vai acordá-la". A reportagem da Folha, porém, evitou questioná-lo sobre as recentes denúncias de desvio de recursos públicos que envolvem o seu "honrado" nome. No mês passado, o chefão dos demos foi acusado pelo Ministério Público de cobrar mais de R$ 1 milhão em propinas para permitir um esquema ilegal de inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Há inclusive um áudio que comprovaria o seu envolvimento no escândalo.

A presença do "honrado" presidente do "ético" DEM no protesto de Brasília gerou imediata reação na internet. "Impressionante a cara de pau!', "Hipócrita", "Esse cara no protesto só mostra que estou do lado certo, #ficaDilma", foram alguns dos comentários nas redes sociais. Um internauta postou sua mensagem diretamente para o demo, que preferiu não responder: "Vergonha alheia pela sua presença nesse protesto 'honrado' senador. Seria cômico se não fosse trágico". De fato, a presença do chefão do DEM nas marchas golpistas só mostra como os participantes estão preocupados com a corrupção no país!

Altamiro Borges
Leia Mais ►

Sérgio Porto # 167


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►