15 de mar de 2015

O Negócio da Revolução


As tais manifestações de hoje serão muito grandes.

São o resultado do ódio que está acumulado por 12 anos contra as políticas sociais que estão sendo implantadas no país alimentado pela mídia corporativa.

Contra o ódio pouco podemos fazer.

Se a reforma da mídia não foi feita até agora, garanto que não faltou vontade política para Lula e Dilma.

Sei que é difícil mas precisamos manter nossa sanidade mental, emocional, psicológica e física neste momento.

A resistência é uma das opções. Em vez de assistir à rede lodo, assistam este vídeo e tirem suas conclusões.




A grande lição que fica deste documentário — O Negócio da Revolução — é a prova cabal de que nem tudo é "espontâneo", por exemplo, na Primavera Árabe. Ficamos sabendo que há um roteiro "hollywoodiano" por trás de muito do que aconteceu até no leste europeu. O historiador Renan Vega Cantor define essas "Revoluções" como "o resultado de um roteiro estabelecido nas usinas intelectuais do imperialismo, que se conhece pelo eufemismo das 'revoluções coloridas', uma típica estratégia made in USA."

Entre as "revoluções coloridas" bem sucedidas estão a Revolução do Bulldozer de 2000, na Sérvia a Revolução Rosa, na Geórgia, em 2003; a Revolução Laranja, na Ucrânia, em 2004; e a Revolução das Tulipas, no Quirguistão, em 2005.

As características básicas destas "Revoluções", segundo Renan Cantor, são:

1) Apresentam-se depois da Guerra Fria no espaço pós-soviético;

2) Pintam-se a si mesmos como democráticos, liberais e inimigos da ditadura e do totalitarismo;

3) Geram-se em lugares onde não se pode implantar de maneira clara e direta o projeto neoliberal;

4) As forças armadas não intervêem de maneira clara;

5) São impulsionadas por jovens inconformados e aparentemente despolitizados;

6) A imprensa "livre" imediatamente amplifica suas demandas e denunciam o governo escolhido para ser derrubado;

7) Segue-se uma campanha midiática, planificada e constante que apresente os "revolucionários" como expressão de novos tipos de movimentos sociais e inéditas formas de protesto;

8) Antes de começarem operam a mão invisível dos Estados Unidos através de ONGs de fachada que recebem vultosas somas da USAID e da CIA;

9) Os símbolos utilizados são similares, sobressaindo uma mão empunhada, e costumam ser da cor que se dá à "revolução", sendo portados por jovens, em geral de classe média, que se comunicam pelo telefone celular, usam o twitter e se expressam através das redes sociais.

10) Esses jovens começam a atuar antes de uma eleição presidencial e de antemão se sabe que sua finalidade é declará-la ilegal e fraudulenta, caso não triunfe seu candidato preferido.

11) A "imprensa livre" do mundo faz eco de tais denúncias e, desde semanas antes das eleições, põe em dúvida a legalidade dos resultados.

12) No dia da eleição, cria-se um ambiente de pânico e medo entre os eleitores, sabotam-se sistemas eletrônicos e se difundem todo tipo de mentiras e calúnias contra os inimigos da "democracia" e da "liberdade", tal e como as entendem os opositores da "sociedade civil", obviamente incondicionais às ordens dos Estados Unidos.

13) Na noite das eleições, nas quais os "revolucionários coloridos" saem perdedores, denuncia-se a fraude, convocam-se estudantes e jovens ao centro da cidade capital e se inicia o protesto para que mudem o resultado eleitoral ou que se volte à campanha.

14) Tais manifestações foram preparadas com antecedência e organizadas pelas embaixadas dos Estados Unidos, a USAID e as ONGs "democráticas".

15) Quando se efetuam os protestos, a imprensa mundial automaticamente reproduz a notícia da suposta fraude, algo que quase nunca se confirma, e a mencionada "comunidade internacional" (um pseudônimo de Estados Unidos e lacaios) afirma que não reconhecerá ditas eleições, pressionando para que se mude o veredicto ou se realizem novamente.

16) E, quando isso acontece, saem vitoriosos os "revolucionários", como ocorreu na Ucrânia em 2004.

17) As "revoluções coloridas" na realidade são uma orquestrada manobra de desestabilização política que tem um roteiro pré-estabelecido, não por coincidência contando com um texto de cabeceira redigido pelo estadunidense Gene Sharp, do Instituto Albert Einstein, e que se intitula "Da ditadura à democracia", que se constitui em um "Manuel do Golpe de Estado Perfeito".

Estas são as características de uma revolução colorida elencadas por Renan Vega Cantor em um texto que pode ser encontrado no site da Carta Maior cujo título é: "A Revolução grená fracassou na Venezuela, por enquanto."

Que este documentário sirva pelo menos de alerta para os nossos entusiasmados "manifestantes".

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Foi mais uma palhaçada que um protesto

Também idiomas estrangeiros foram agredidos
No futuro, quando a posteridade quiser aferir a estupidez política destes dias, bastará olhar para as fotos do protesto deste domingo.

Os pósteros não terão nem o trabalho de ler textos.

Nas fotos, pessoas faziam o seguinte:
  1. Pediam intervenção em variadas línguas, frequentemente com erros monumentais. Num cartaz, um homem com um apito nas bocas pedia um golpe militar em alemão.
  2. Mostravam o tipo de ideologia que as move. Foi possível encontrar até uma suástica na Paulista.
  3. Deixavam claro seu conceito de democracia. Viralizou nas redes sociais uma imagem em que Dilma aparece enforcada. Um pouco menos agressivo, um cidadão foi às ruas com uma camiseta na qual se lia: “O Dilma!! Vai tomar no CÚ”. O acento no “u” era apenas um sinal de quanto o português foi agredido nas manifestações de hoje por analfabetos não apenas políticos, mas gramaticais.
  4. Invocavam figuras como Jesus. Num cartaz, Jesus Cristo dividia espaço com o diabo. Estava dito: “O PT segue o comunismo. O PT adora o diabo. O PT rouba, mente e quer fechar todas as igrejas porque não acredita em Deus.”
  5. Ofereciam-se para pagar a Dilma uma passagem para a Indonésia, presumivelmente para que ela seja fuzilada.
Poderíamos  ir adiante, muito adiante, na lista das aberrações.

O que passa na cabeça das pessoas que foram às ruas hoje? Aparentemente, nada. Ou pensamentos tenebrosos, a julgar pelos cartazes que elas portaram pelo país.

Mas quantas são exatamente essas pessoas? Ou melhor: quantas foram à avenida Paulista, epicentro dos protestos?

Há um problema aí. A PM de São Paulo, que costuma fazer a estimativa, tem-se comportado como um partido político. Seus números são ideológicos, e não concretos.

No meio da tarde, a PM falou em 1 milhão de manifestantes. É um número imponente, redondo, vibrante — mas, ao que tudo indica, falso.

O Datafolha, insuspeito de simpatia pelo PT, trouxe no começo da noite um cálculo cinco vezes menor. Repito: cinco.

Isso quer dizer o seguinte: a partir de agora, a PM de São Paulo, já tão desacreditada pela violência, passa a ser desprezada até como contadora de pessoas em manifestações.

Apenas para registro: é menos que a Parada Gay de 2012, que levou 270 000 pessoas para a Paulista.

Dado o reacionarismo dos que foram à Paulista, não chegou a ser surpresa o fato de muita gente tirar selfies com os policiais militares.
Camaradas
Camaradas
Muito depois de o Datafolha corrigir a PM, a Globonews continuava a alardear o milhão nas análises de seus comentaristas.

A cobertura da Globonews nos protestos lembrava Galvão narrando Senna. Torcida, euforia, paixão — e nada de jornalismo.

“A manifestação não está na rua, mas na tevê”, disse no Facebook Gilberto Maringoni, candidato do PSOL ao governo paulista em 2014.

“A Globonews tá em surto”, disse, no Twitter, o jornalista e ativista Bruno Torturra.

Momento de humor na Paulista
Momento de humor na Paulista
Anos de informação desonesta da mídia construíram a multidão que hoje foi às ruas.

O que muda a partir de agora?

Pouca coisa.

O impacto dos protestos, pelos números do Datafolha, tem apenas um quinto da potência que se imaginou que tivesse.

Dilma tem quase todo o segundo mandato para fazer as coisas que verdadeiramente poderão mudar o Brasil.

Uma reforma política, em primeiro lugar. Não uma de mentirinha, como a intentada por Eduardo Cunha.

Mas uma que traga mudanças como a proibição do financiamento privado das campanhas, que é a forma como a plutocracia toma conta da democracia e, mais que isso, é a origem suprema da corrupção.

Dilma não poderá fugir também da luta pela regulação da mídia.

Quanto a mídia deixou de informar a sociedade para simplesmente manipulá-la, ficou claro na patética cobertura da Globonews aos protestos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Direita mostra suas garras. E agora?

A direita brasileira, expressão dos interesses dos ricaços, mostrou a sua força nas manifestações deste domingo (15). Os sites dos jornalões e as emissoras de rádio e tevê difundem que mais de um milhão de pessoas participaram dos atos realizados em várias capitais e centros urbanos. Nas fotos e vídeos, imagens assustadoras de suásticas nazistas e pedidos da volta dos militares ao poder e do 'Fora Dilma' — reeleita há menos de cinco meses num pleito democrático. Com as suas diferenças históricas, elas lembraram as fatídicas 'Marchas com Deus pela Família' que prepararam o clima para o golpe militar de 1964. Diante deste cenário, o que fazer? Como dar resposta a essa barulhenta ofensiva da direita?

A tendência natural neste momento é discutir os motivos do afluxo de pessoas neste domingo. Muitos tentam relativizar a força do protesto afirmando que os manifestantes pertencem às classes abastadas — à chamada elite branca — e às egoístas camadas médias da sociedade. Mesmo que fosse verdade, isto não reduz o impacto das marchas. Há também quem acrescente que as manifestações foram induzidas pela mídia hegemônica, que inclusive usou a manhã do domingo para "esquentar" as baterias para os protestos no período da tarde. Isto também não alivia em nada a análise sobre o quadro atual.

Afinal, os barões da mídia há muito apostam na desestabilização dos governos Lula/Dilma. Foi assim no midiático julgamento do "mensalão petista"; na tentativa de pegar carona nas jornadas de junho de 2013; e na Copa do Mundo, quando até a paixão pelo futebol sofreu abalos. É assim, diariamente, nas colunas dos "urubólogos", que espalham o pessimismo sobre a economia. Na campanha presidencial de outubro passado, o partidarismo da mídia ficou ainda mais patente — a capa criminosa da 'Veja' foi a expressão caricata desta agressividade. Mas não adianta reclamar do posicionamento dos barões da mídia. Eles nunca esconderam seus intentos golpistas. Pena que o governo dormiu com o inimigo — e inclusive ajudou a financiá-lo, alimentando cobras! 

Ainda na análise das causas dos protestos deste domingo muitos concentram suas críticas na própria presidenta Dilma. Afinal, ela iniciou seu segundo mandato tentando acalmar o "deus-mercado", com a indicação de ministros ligados ao capital financeiro e a edição de medidas de ajuste fiscal contrárias aos trabalhadores. Com isto, ela afastou os setores que garantiram a sua reeleição — e, de quebra, não acalmou o insaciável "deus-mercado". A presidenta também é criticada por ter abandonado a batalha da comunicação, ausentando-se num período de intensa conspiração golpistas. Estas e outras críticas têm certa procedência, mas também não servem para decifrar o atual contexto político. 

Três personagens políticos decisivos

Mais do que realizar análises e balanços, que exigem maior distanciamento histórico e detalhes sobre os bastidores (internos e externos) da conspiração golpista, o momento exige traçar uma estratégica para enfrentar a ofensiva da direita nativa — antes que seja tarde. Esta é a tarefa mais urgente e requer analisar os personagens em cena. Diante deste cenário, três atores surgem com decisivos para barrar o retrocesso: a esquerda política e social; o ex-presidente Lula; e, principalmente, o governo de Dilma. O futuro da democracia no Brasil está mãos destes personagens!

No caso das esquerdas políticas-sociais, compostas por partidos e movimentos populares, a confusão ainda é grande. Numa plenária nacional realizada no sábado passado (7), isto ficou evidente. Ela foi representativa, mas muito polarizada. Alguns setores fazem um defesa cega, acrítica, do governo e pregam cerrar fileiras em sua defesa — inclusive de suas medidas impopulares. Outros subestimam a força da direita e insistem no discurso — muitas vezes partidista — da oposição frontal ao governo. Os dois extremos estão errados. Talvez o impacto das manifestações deste domingo ajudem a calibrar melhor suas opções. O mais urgente agora é defender a democracia, contra os intentos golpistas da direita, e exigir que o governo Dilma assuma suas bandeiras mudancistas da campanha presidencial.

Já no caso do ex-presidente Lula, ele segue como a maior liderança popular do país — conforme atesta recente pesquisa Datafolha. A direita teme que ele assuma a reação ao golpismo. Não é para menos que ele virou o alvo das mentiras e intrigas dos fascistóides de plantão. Num evento organizado pela CTB da Bahia nesta sexta-feira (13), uma proposta ousada ganhou simpatias. Da mesma forma como Lula liderou a 'Caravana da Cidadania', percorrendo estados e mobilizando milhares de pessoas, não seria o caso de organizar agora uma 'Caravana pela Democracia', alertando a sociedade para os riscos do retrocesso político no Brasil. A partir do Nordeste, base principal de apoio as mudanças em curso no país nos últimos 12 anos, ela poderia contagiar a militância progressistas em todo o país.

Por último, com relação ao governo Dilma, o papel da presidenta é decisivo. Qualquer subestimação das forças golpistas ou visão tecnocrática podem ser fatais para o seu futuro. O momento exige deixar a "bolha" do Palácio do Planalto, percorrendo o país; maior disposição para enfrentar a "batalha da comunicação", enfrentando as polêmicas e desmascarando os golpistas; e, principalmente, a urgente apresentação de uma agenda positiva, que corresponda as anseios de mudanças expressos na disputa presidencial do ano passado. Num país de tradição presidencialista, o papel de Dilma Rousseff é o mais decisivo de todos. Não há tempo a perder. O momento exige pressa e ousadia!  

Altamiro Borges
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São Paulo e a Globo querem outro 32: o Brasil vai reagir?

Vamos por partes: escrevi no começo da tarde sobre a operação da Globo — que usou o seu poder de agitação para chamar a manifestação durante toda a manhã de domingo. A estratégia foi um “esquenta”, inflando os atos da manhã, mas concentrando tudo no ato na Paulista à tarde. Havia um discurso ensaiado dos repórteres, em que se escondia do público todo viés militaresco dos manifestantes. Na Globo, tudo se resumia a uma “manifestação das famílias, pela Democracia, contra Dilma e a corrupção” (clique aqui para ver mais).

A Globo foi a central de operações do dia 15. E o teatro de operações foi a Paulista. 

Reparem: Ronaldo gordo é do Rio, mas foi pra Paulista vestindo camiseta do Aécio; Ronaldo Caiado é goiano, mas foi pra Paulista. Artistas globais, tucanos, demos e a Globo: tudo convergiu pra Paulista.

Ali Kamel e seus subalternos fizeram um show. Os números iam crescendo: 280 mil na Paulista, meia hora depois eram 500 mil pessoas. E, numa mesma entrada ao vivo, eu vi a apresentadora no estúdio da Globo falar em 500 mil, e na sequencia o repórter falar: “não, a PM atualizou para 1 milhão de pessoas”. Em 15 minutos! Fenômeno…

Claro que não havia 1 milhão na Paulista. Não cabe! A avenida tem 2.700 metros de extensão x 50 metros de largura = 135.000 metros quadrados. Supondo 4 pessoas por metro quadrado, chegamos a 600.000. Pra isso, a avenida teria que estar ocupada de ponta a ponta (e não estava), sem espaços vazios (e o fato é que havia concentração forte em torno do MASP, mas ela se diluía um pouco nas quadras em volta).

Avaliando as imagens de domingo e sexta, havia sim muito mais gente no ato de hoje. 5 ou 6 vezes mais. No dia 13, a marcha ocupou três quadras,  em apenas uma das pistas. Dessa vez, a concentração ocupou 9 quadras, mas nas duas pistas. E o povo se espalhou um pouco pelas ruas paralelas.

Se havia 40 mil pessoas na marcha do dia 13, hoje havia entre 250 mil e 300 mil. 1 milhão é o número da tabelinha Kamel/PM do Alckmin.

Sim, de toda forma, é muita gente. Mas não deve apavorar ninguém.

Na Argentina e na Venezuela, a direita põe milhares nas ruas, há mais de 5 anos. E não ganha. A diferença é que lá o governo enfrenta. Faz a batalha de comunicação.

De resto, lembremos: São Paulo é o nó do Brasil. E os paulistas com raiva fazem besteira. Fizeram em 32 — quando a elite cafeeira insuflou a classe média a lutar contra o governo central. A paulistada foi dar tiro na trincheira em 32! Hoje, falta pouco pra isso. Há um ódio que escorre pela sarjeta — insuflado por blogueiros valentões e pela Globo.

Na eleição, os paulistas deram dois terços dos votos para Aécio. Em bairros ricos, que circundam a Paulista, a proporção passou dos 80% dos votos contra o PT!

Sim, havia uma imensa maioria de classe média na Paulista neste domingo. Mas é verdade que em São Paulo o ódio transpassa a elite e chega ao povo. Havia, sim, parcelas (minoritárias) de povão, da tal classe C.

De novo, nenhuma novidade. Em São Paulo, em 2014, bairros populares votaram em Aécio numa proporção de 60 x 40. Isso, de alguma forma se refletiu na rua do dia 15. Mas seria tolo não reconhecer que a direita ganhou força, e está no ataque.

Em outras partes do Brasil, não foi assim: no Rio e em BH, mas principalmente no Nordeste, nesse dia 15 a elite branca é que foi gritar seu ódio contra Dilma, contra o PT. Tudo disfarçado de “combate à corrupção”. Em Salvador, não havia negros na rua. Parecia Blumenau. No Rio, era a zona sul protestando com ajuda da Globo.

Sim, há motivos para estar insatisfeito com o governo. Isso é uma coisa. Mas a explosão de ódio que vimos na eleição, e vemos agora de novo (sobretudo em São Paulo), é bem mais que isso.

O Nordeste e o povo trabalhador precisam se preparar porque os paulistas estão querendo armar outro 1932.

Esqueçam São Paulo nos próximos 3 ou 4 anos. Isso aqui está perdido. A direita extremada vai avançar. E a direita extremada que não se cria em outras partes vai correr pra cá. Quanto mais mostrar sua cara (queimando diretórios do PT, ou ‘enforcando’ bonecos de Lula e Dilma — como fizeram hoje em Jundiaí), mais o Brasil vai perceber qual o caráter da luta que será travada nesse país.

O resumo da luta é esse: elite paulista  + Globo x povo trabalhador do Brasil.

Se essa batalha ficar clara, os trabalhadores vão ganhar. De novo.

Na soma de todo o Brasil, e com apoio maciço e descarado da Globo, essa gente não botou 1 milhão nas ruas. A Dilma, com o país em crise, e com todos os erros políticos, ganhou com 54 milhões de votos.

O Brasil não é a Paulista da direita extremada, não é a Globo.

Mas só é possível enfrentara direita se Dilma mudar a politica. E se Lula sair da toca. Mãos á obra! Vamos enfrentar essa gente — que vagou feito zumbi pelas tristes ruas da minha cidade.

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador



Imagens constrangedoras das manifestações de domingo

Lula e Dilma enforcados
Lula e Dilma enforcados
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Sede do PT em Jundiaí é incendiada por manifestantes

No Pragmatismo Político | Olho Solitário
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Pronunciamento de Cardozo e Rossetto sobre as manifestações



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A Marcha dos Insensatos e a sua primeira vítima - (final)

http://www.maurosantayana.com/2015/03/iv-marcha-dos-insensatos-e-primeira.html


A atividade política, no Brasil, sempre funcionou na base do “jeitinho” e da “negociação”.

Mesmo quando interrompido o processo democrático, com a instalação de ditaduras — o que ocorreu algumas vezes em nossa história — a política sempre foi feita por meio da troca de favores entre membros dos Três Poderes, e, principalmente, de membros do Executivo e do Legislativo, já que, sem aprovação — mesmo que aparente — do Congresso, ninguém consegue administrar este país nem mudar a lei a seu favor, como foi feito com a aprovação da reeleição para prefeitos, governadores e Presidentes da República, obtida pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Toda estrutura coletiva, seja ela uma jaula de zoológico, ou o Parlamento da Grã Bretanha, funciona na base da negociação.

Fora disso, só existe o recurso à violência, ou à bala, que coloca qualquer machão, por mais alto, feio e forte seja, na mesma posição de vulnerabilidade de qualquer outro ser humano.

O “toma-lá-dá-cá” nos acompanha há milhares de anos e qualquer um pode perceber isto, se parar para observar um grupo de primatas.

Ai daquele, entre os macacos, que se recusa a catar carrapatos nas costas alheias, a dividir o alimento, ou a participar das tarefas de caça, coleta ou vigilância.

Em seu longo e sábio aprendizado com a natureza, já entenderam eles, uma lição que, parece, há muito, esquecemos: a de que a sobrevivência do grupo depende da colaboração e do comportamento de cada um.

O problema ocorre quando nesse jogo, a cooperação e a solidariedade, são substituídas pelo egoísmo e o interesse de um indivíduo ou de um determinado grupo, e a negociação, dentro das regras usuais, é trocada por pura pilantragem ou o mero uso da força.

O corrupto é aquele que quer receber mais cafuné do que faz nos outros, o que rouba e esconde comida, quem, ao ver alguma coisa no solo da floresta ou da savana, olha para um lado e para o outro, e ao ter certeza de que não está sendo observado, engole, quase engasgando, o que foi encontrado.

O fascista é aquele que faz a mesma coisa, mas que se apropia do que pertence aos outros, pela imposição extremada do medo e da violência mais injusta.

Se não há futuro para os egoístas nos grupos de primatas, também não o há para os fascistas. Uns e outros terminam sendo derrotados e expulsos, de bandos de chimpanzés, babuínos e gorilas, quando contra eles se une a maioria.

Já que a negociação é inerente à natureza humana, e que ela é sempre melhor do que a força, o que é preciso fazer para diminuir a corrupção, que não acabará nem com golpe nem por decreto?

Mudar o que for possível, para que, no processo de negociação, haja maior transparência, menos espaço para corruptos e corruptores, e um pouco mais de interesse pelo bem comum do que pelo de grupos e corporações, como ocorre hoje no Congresso.

O caminho para isso não é o impeachment, nem golpe, mas uma Reforma Política, que mude as coisas de fato e o faça permanentemente, e não apenas até as próximas eleições, quando, certamente, partidos e candidatos procurarão empresas para financiar suas campanhas, e espertalhões da índole de um Paulo Roberto Costa, de um Pedro Barusco, de um Alberto Youssef, meterão a mão em fortunas, não para fazer “política” mas em benefício próprio, e as mandarão para bancos como o HSBC e paraísos fiscais.

O que é preciso saber, é se essa Reforma Política será efetivamente feita, já que é fundamental e inadiável, ou se a Nação continuará suspensa, com toda a sua atenção atrelada a um processo criminal, que é o julgamento dos bandidos identificados até agora, no Caso Petrobras, que, em sua maioria, sairão dessa impunes, para gastar o dinheiro, que, quase certamente, colocaram fora do alcance da lei, da compra de bens e de contas bancárias.

Pessoas falam e agem, e sairão no domingo às ruas também por causa disso, como se o Brasil tivesse sido descoberto ontem e o caso de corrupção da Petrobras, não fosse mais um de uma longa série.

Se a intenção é passar o país a limpo e punir de forma exemplar toda essa bandalheira, era preciso obedecer à fila e à ordem de chegada, e ao menos reabrir, mesmo que fosse simultaneamente, casos como o do Banestado — que envolveu cerca de 60 bilhões — do Mensalão Mineiro, do Trensalão de São Paulo, para que estes, que nunca mereceram a mesma atenção da nossa justiça nem da sociedade, fossem investigados e punidos, ao mesmo tempo que o da Petrobras, em nome da verdade e da isonomia, na grande faxina moral que se pretende estar fazendo agora.

Ora, em um país livre e democrático — no qual, estranhamente, o governo está sendo acusado de promover uma ditadura — qualquer um tem o direito de ir às ruas para protestar contra o que quiser, mesmo que o esteja fazendo por falta de informação, por estar sendo descaradamente enganado e manipulado, ou por pensar e agir mais com o ódio e com o fígado do que com a razão e a cabeça.

Esse tipo de circunstância facilita, infelizmente, a possibilidade de ocorrência dos mais variados — e perigosos — incidentes, e o seu aproveitamento por quem gostaria, dentro e fora do país, de ver o circo pegar fogo.

No frustrado golpe contra o Presidente Chavez, eleito no ano 2000, dois anos depois, franco-atiradores de grupos contrários a ele, infiltrados nas manifestações, atiraram contra opositores e puseram a culpa em seus seguidores — tentando jogar o país contra o governo.

E a mesma coisa ocorreu no ano passado, na queda do governo Yanukovitch, na Ucrânia, quando franco-atiradores neonazistas dispararam suas armas contra a multidão Praça Maidan, em Kiev, e depois colocaram a culpa em tropas do governo, como afirmou o ministro das relações exteriores da Estônia, Urmas Paet, à Chefe de Assuntos Estrangeiros da União Europeia, Chaterine Ashton.

Para os que estão indo às ruas por achar que vivem sob uma ditadura comunista, é sempre bom lembrar que em nome do anticomunismo, se instalaram — de Hitler a Pinochet — alguns dos mais terríveis e brutais regimes da História. E que nos discursos e livros do líder nazista podem ser encontradas, sobre o comunismo as mesmas teses, e as mesmas acusações falsas e esfarrapadas que se encontram hoje, disseminadas, na internet brasileira.

A questão não é defender o comunismo — que, aliás, como "bicho-papão" só sobrevive hoje, em estado "puro", na Coréia do Norte — mas evitando que, em nome da crescente e absurda paranoia anticomunista, se destrua, em nosso país, a democracia.

Esperemos que os protestos de domingo transcorram pacificamente, se isso for possível — considerando-se a forma como estão sendo convocados e os apelos ao uso da violência que já estão sendo feitos por algumas organizações — e que, mesmo que venham a ser utilizados por inimigos internos e externos para antagonizar e dividir os brasileiros, não tragam como consequência a morte de ninguém, além da verdade — que já se transformou, há muito tempo, antes mesmo que tenham começado, na primeira e mais emblemática vítima dessas manifestações.

Há muitos anos, deixamos de nos filiar a organizações políticas, até por termos consciência de que não há melhor partido que o da Pátria, o da Democracia e o da Liberdade.

O rápido fortalecimento da extrema direita no Brasil — apesar dos alertas que tem sido feitos, nos últimos três ou quatro anos, por muitos observadores — só beneficia a um grupo: à própria extrema direita, cada vez mais descontrolada, radical e divorciada da realidade.

Na longa travessia, pelo tempo e espaço, que nos coube fazer até agora, entre tudo o que aprendemos nas mais variadas circunstâncias políticas e históricas, aqui e fora do país, está uma lição que reverbera, de Weimar a Auschwitz, profunda como um corte:

Com a extrema-direita não se brinca, não se alivia, não se tergiversa, não se compactua.

Quem não perceber isso — esteja na situação ou na oposição — ou está sendo ingênuo, ou irresponsável, ou mal intencionado.


Leia também: A Marcha dos Insensatos e a sua primeira vítima - (parte 1)A Marcha dos Insensatos e a sua primeira vítima - (parte 2)A Marcha dos Insensatos e a sua primeira vítima - (parte 3)
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#GloboGolpista morreu



Diretor da Globo usa Bob Marley para convocar publicamente pessoas para protesto

O diretor da Globo Erick Bretas, que cuida das Novas Mídias, encontrou uma forma elíptica de conclamar publicamente as pessoas a protestar contra Dilma.

Bretas — que já avisara antes que iria para a rua dia 15 — postou em seu Facebook uma foto com uma frase clássica de Bob Marley: “Get up, stand up.”

Numa tradução livre, levante e vá à luta.

Não se sabe se Bob Marley apoiaria a causa de Bretas, mas é fato que entre os princípios editoriais da Globo está a “isenção”.

Bretas, que ocupou diversas posições de comando no telejornalismo da Globo, ajuda a entender o conceito de “isenção” da empresa para a qual trabalha.


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E se?

“Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução”, escreveu o Drummond. “Se” é sempre o começo de uma especulação inútil: o que poderia ter acontecido e não aconteceu. Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, minha vida não seria muito diferente. Já se, em vez de Verissimo, eu me chamasse Rockefeller, seria.

O que vem depois de um “se” é um mundo imaginário, em que cabem todas as fantasias. E se o governo João Goulart não tivesse sido derrubado e fizesse as reformas que pretendia fazer? E se o golpe de 64 tivesse fracassado? Mesmo como mera especulação, esta alternativa deve horrorizar quem nunca duvidou que o golpe impediu que o Brasil se transformasse numa república anarco-sindicalista, para usar os termos da época, e uma grande Cuba. Para outros, um fracasso do golpe teria nos poupado de 20 anos de ditadura e as reformas pregadas pelo governo e combatidas pela direita teriam beneficiado o país sem ameaçar a democracia. Fantasias à vontade.

Mesmo as especulações mais quiméricas precisam dar atenção a um mínimo de realismo. Até fantasia tem limite. Sessenta e quatro aconteceu num contexto de Guerra Fria, quando a doutrina de segurança continental, de contenção do comunismo ou de qualquer coisa parecida dominava a relação dos Estados Unidos com as Américas. E se o golpe de 64 tivesse fracassado, uma intervenção americana — ou no mínimo um porta-aviãozinho americano posto à vista para assustar os nativos — seria inevitável. Ou não seria? Outra vez, especulações, especulações.

O treinamento de militares brasileiros por militares americanos na famigerada Escola das Américas, onde se ensinava, inclusive, técnicas de tortura, começou antes do golpe. Antecedeu 64, e não seria demais especular que preconizou 64. Neste contexto, a probabilidade de uma resistência ao golpe e uma vitória dos legalistas contra os golpistas simplesmente não existiu. Falava-se muito, na época, de um tal esquema militar do Jango, que estaria pronto a enfrentar e derrotar os militares rebelados. O esquema militar do Jango virou uma piada. A vitória do golpe já estava assegurada antes de um tanque dos sublevados se mexer. Estava no currículo da Escola das Américas antes de acontecer.

O golpismo contemporâneo está distante do golpismo de 64 não só no tempo. Seu contexto é completamente diferente. Ou será que, 51 anos depois, é a mesma guerra com outras caras? Matéria para muitas especulações.

Luís Fernando Veríssimo
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Surge a imagem símbolo da manifestação pacífica comandada pela #GloboGolpista

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/03/15/surge-imagem-simbolo-da-manifestacao-pacifica-comandada-pela-globo/

A Globo iniciou logo cedo a mobilização para bombar as manifestações de hoje. Desde às 8h da manhã as imagens alternavam planos fechados com imagens aéreas. E a palavra multidão era a mais repetida, juntando-se ao registro de que as manifestações eram pacíficas.

A imagem que o leitor Luiz Carlos Cruz Fabiano postou no seu Facebook de uma ação em Jundiaí, no entanto, dá a ideia clara do que uma parte dos que protestaram hoje querem: sangue.

Dilma e Lula enforcados e pendurados e num viaduto são de um simbolismo indiscutível. Há uma boa parte da população que não suporta a democracia e que quer eliminar aqueles que têm posições diferentes das suas.

Ali, enforcados, não estão apenas os dois presidentes, mas de alguma forma de todos aqueles que neles votaram.

As faixas pedindo a volta da ditadura já são duras de ver, mas dizem muito menos do que essa imagem. Ela é límpida e clara. A volta da barbárie é o que buscam muitos dos que odeiam qualquer coisa que lhes pareça de esquerda ou que seja vermelho.

Pode-se falar em manifestação pacífica, mas é impossível esconder o ódio que escapa nas imagens e das palavras de ordem que vazam quando o repórter entra ao vivo na cobertura desses atos.
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Ódio de classe em tempos de simplificação

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7015

O simples se esconde por trás do complexo. A corrupção, que deve ser implacavelmente combatida e que atinge a maioria dos grandes partidos brasileiros, é um pretexto para a Direita Miami extravasar o seu ódio de classe contra o petismo e sua opção, em algum momento, pelos pobres, com o ProUni, Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família. Isso, de certa forma, já passou. O paradoxo é este: a Direita Miami e a mídia lacerdinha querem derrubar Dilma no exato momento em que ela está fazendo uma política de direita, tentando cortar benefícios trabalhistas, com ajuda de um ministro tucano na pasta da Fazenda.

O ódio de classe é mais forte. A direita quer pegar um atalho para se livrar desses anos de petismo, de políticas assistencialistas, de classe C andando de avião, de não brancos ocupando bancos universitários e de mecanismos de contestação da falsa meritocracia da elite baseada numa competição entre ricos bem preparados e pobres sem preparação. O atalho atende pelo nome de impeachment. Este, quando não devidamente motivado, é só o apelido do golpe. A direita poderia estar contente contando os milhões que ganhou na era petista. O petismo fez um pacto com as elites: propôs governar no lugar dela, dando-lhe muito dinheiro e cargos importantes, em troca de migalhas para os pobres. A direita cansou disso.

Não gosta de pobres em aeroportos. Quer governar ela mesma.

A direita cansou de terceirizar o poder para a esquerda ou o arremedo de esquerda representado pelo PT. O pacto previa, pelo jeito, desviar dinheiro público fraternalmente uns se inspirando nos outros. O PT teria copiado e aprimorado o mensalão mineiro e feito o mesmo na Petrobras. A direita Miami é um escorpião. No meio do rio, resolveu picar o sapo (com ou sem barba) para livrar-se dele. Tem pressa. Não consegue esperar a próxima eleição. Teme justamente mais uma derrota com um possível retorno do batráquio. Poderia ver Dilma no papel de rainha da Inglaterra. Quer vê-la como Maria Antonieta. O PSDB dá o tapa e esconde a mão. Quer o impeachment sem pedi-lo escancaradamente. O PMDB morre de ansiedade. Se o PSDB conseguir derrubar o corrupto PT, o poder cairá no colo dos impolutos Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

O futuro se mostra radioso.

Neste domingo, em Miami, nos Jardins paulistanos, no Leblon, na Barra da Tijuca e no Moinhos de Vento, entre outros espaços nobres, panelas Teflon virarão instrumento político. A direita milionária contará com a adesão de parte da plebe, a que teme perder direitos trabalhistas, política dos sonhos da direita sendo implementada no governo petista pelo ministro tucano Joaquim Levy. O ódio de classe é mau conselheiro: a Direita Miami quer derrubar Dilma, com ajuda de parte da população que se beneficiou das políticas sociais do petismo, justamente quando a presidente já entregou os anéis e parece disposta a oferecer os dedos ao demo-tucanato para continuar reinando. A mídia lacerdinha está à beira do orgasmo. Surgem pesquisas sem origem dando Dilma como liquidada. O golpe avança. O Brasil toma, cada vez mais, um ar de Venezuela. Pelo lado direito.
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Não é atitude de um senador, é atitude de um pitbull', diz Juca Kfouri sobre Aloysio Nunes

Jornalista critica fala de tucano, que disse querer 'ver a presidente Dilma sangrar'. Ele também reafirma a necessidade de combater o discurso de ódio e diz: 'Corrupção não começou em 2002'

'Não estou preocupado com quem foi para Miami (...).
Estou preocupado com o trabalhador'
Jaílton Garcia/Arquivo RBA
Em entrevista à Radio Brasil Atual nesta quinta-feira (12), o jornalista Juca Kfouri criticou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que afirmou que "quer ver a presidente Dilma sangrar", e cobrou limites: "Alguém dizer, como o senador da República, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que quer ver a presidenta sangrar? Epa, para tudo! Um político que esteve exilado, porque foi da luta armada, da ALN, a exemplo do que foi a presidenta Dilma, e agora quer vê-la sangrar? Não é atitude de um senador, é atitude de um pitbull, e não dá para fazer política com um pitbull".

Na entrevista, o jornalista repercutiu o artigo, publicado em seu blog, intitulado Panelaço da barriga cheia e do ódio, em que critica a maneira como a classe média protestou, das varandas 'gourmets', contra a presidenta Dilma Rousseff, durante pronunciamento oficial, no último domingo, Dia Internacional da Mulher.

"Chamar uma presidenta da República, legitimamente eleita em outubro passado, de vaca não cabe em dia nenhum do ano, nunca, muito menos no Dia Internacional da Mulher", indigna-se Juca, e explica: "Houve quem não entendesse o sentido daquilo que escrevi, foi basicamente um texto contra o ódio. Não contra a oposição, não contra a manifestação de descontentamento, mas contra o ódio classista, o ódio dos ricos em relação aos pobres."

Sobre os casos de corrupção, fonte de descontentamento dos que protestaram, Juca Kfouri comenta: "Não que o fato de que se roubasse antes justifica que se roube agora, mas vamos parar de hipocrisia. Agora, está havendo punição. Estamos vendo empresários na cadeia. Estamos vendo políticos que pagaram pena, ou estão pagando. Isso tudo tem que ser medido. Está é uma novidade, não era assim que acontecia, no Brasil. A corrupção no Brasil não começou em 2002."

Preocupado com a conjuntura econômica, Juca afirma que quando há crise, quem mais sofre é quem tem menos. "Rigorosamente, não estou preocupado com quem foi para Miami pensando em gastar R$ 18 mil e gastou R$ 25 mil. Estou preocupado com o trabalhador que, eventualmente, perca o seu emprego, que tenha dificuldade de pagar suas contas no final do mês."

Contudo, para o jornalista, não há nada que justifique o tratamento dispensado à presidenta: "Uma classe favorecida profundamente mal-educada, até para se manifestar politicamente. Aquela gente que é capaz de ir ao estádio, na abertura da Copa do Mundo, e, na frente de chefes de estado do mundo inteiro, mandar a presidenta do país anfitrião da Copa, legitimamente eleita, tomar naquele lugar, ou como se fez domingo, chamando a presidenta de vaca, dentre outras palavras menos publicáveis."

Juca Kfouri reafirma a necessidade de combater o discurso de ódio e usa o futebol como exemplo: "É o mesmo discurso que faço em relação às torcidas de futebol. Sou corintiano e olho para o são-paulino como meu rival, como adversário, que quero ganhar no campo, mas não como inimigo, porque inimigo você quer matar. Se eu tratar o São Paulo como inimigo, não vou tê-lo mais para ter o prazer de ganhar dele".

Sobre as manifestações do dia (13), o jornalista acredita que não é o momento oportuno, frente ao quadro de polarização com os protestos antigoverno convocados para o domingo, mas apoia a defesa do processo democrático. "Já vivi o suficiente para saber como essas coisas começam, esse tipo de movimentação golpista, e como é que elas terminam, e quanto tempo se leva para conseguir recuperar a democracia."

Ouça a entrevista completa da Rádio Brasil Atual:



No RBA
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Até Agnaldo Timóteo chama Aécio de moleque


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Pravda diz que EUA está por trás dos protestos pelo impeachment


O Jornal Russo "Pravda" em seu editorial, destaca as manifestações que irão acontecer neste domingo (15), segundo o jornal Washington age apara derrubar a presidente Dilma e manipula os protestos impeachment; o jornal também conta como os norte-americanos patrocinaram e apoiaram Aécio Neves nas eleições de 2014

Em seu editorial, o jornal russo "Pravda.ru" destacou as manifestações que irão ocorrer neste domingo no Brasil pedindo o impeacheament da presidente Dilma Rousseff. Segundo o jornal, os Estados Unidos agem para derrubar a presidente Dilma e manipula os protestos pró-impeachment. O jornal também cita a oposição do país como "hipócrita" e reproduz uma fala do senador por São Paulo Aloysio Nunes.

O Jornal lembra sobre as disputadas eleições de 2014 entre Dilma e Aécio, em trecho, o jornal explica como os EUA patrocinaram e apoiaram Aécio nas eleições.

Segundo o Jornal, o motivo pelos quais Washington quer ver Dilma fora do comando do Brasil é o desenvolvimento do BRICS e o pré-sal, tão cobiçado pelos norte-americanos.

A matéria também traz uma revelação, em 2013, o vice-presidente dos EUA veio ao Brasil pedir a Dilma acesso aos campos de petroléo brasileiros, mas Joe Biden voltou de mãos vazias, e a partir dai pouco tempo depois estourou a onda de protestos contra Dilma.

Confira a reportagem publicada no dia 03 de março, por Lyuba Lulko no Pravda Russo.

CIA, FBI, NSA e todos os homens do rei trabalham para derrubar a presidente brasileira Dilma Rousseff

No Brasil, a oposição vai realizar marchas de protesto contra a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Ações de protesto são esperadas para ocorrer em mais de 25 cidades em todo o país neste 15 de março. Em São Paulo, uma manifestação de 200.000 é esperada sob o slogan "Fora Dilma". É possível mobilizar a população contra o partido que tem sido capaz de melhorar significativamente a vida no país durante 12 anos no poder?

É bem possível que a CIA esteja envolvida no plano para encenar tumultos em todo o Brasil. Ao longo dos últimos anos, o BRICS se tornaram a principal ameaça geopolítica para os Estados Unidos. Um dos principais problemas de hoje para a imprensa ocidental é recuperar o equilíbrio no sistema monetário e financeiro global. Esta é uma ameaça potente que o BRICS representa para os EUA e ao dólar americano.

Os EUA vêm tentando destruir e esmagar a Rússia através da crise na Ucrânia, as sanções e a queda dos preços do petróleo. Eles levaram esforço para quebrar a estabilidade na China através da "revolução de guarda-chuvas" em Hong Kong. Na Índia, o partido do Homem Comum está tentando abrir caminho para o poder. No Brasil, os americanos tentam implementar o cenário da mola da América Latina, de forma semelhante ao que fazem em outros países soberanos da região — Argentina e Venezuela.

Em 15 de março, cerca de 20 organizações vão tomar as ruas das cidades brasileiras, sob os auspícios da oposição para um protesto nacional contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e a presidenta Dilma Rousseff. Eles são os movimentos das redes sociais. Muitos vão estar carregando slogans sobre o impeachment da presidente. Estrelas da mídia, como o cantor Lobão, um Makarevich russo, são esperados para participar também. O senador de oposição de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), disse que ele preferiria ver a presidente Dilma "sangrar".

O plano da CIA contra a presidente Dilma

As razões para as quais Washington quer se livrar de Dilma Rousseff, são fáceis de entender. Ela assinou o acordo sobre a criação do Novo Banco de Desenvolvimento com o capital social inicial no valor de 100 bilhões de reservas, bem como adicional de US $ 100 bilhões. Rousseff também apoia a criação de uma nova moeda de reserva mundial.

Em outubro de 2014, Dilma Rousseff iniciou a construção de um sistema de telecomunicações de fibra óptica de 5.600 quilômetros de extensão através do Atlântico para a Europa. Se for bem sucedido, o projeto, realizado com a participação da empresa estatal Telebras, vai minar o monopólio americano no campo da comunicação, incluindo a Internet. O novo sistema de comunicação irá garantir a proteção contra a espionagem da NSA. O presidente da Telebras disse aos meios de comunicação locais que o projeto seria desenvolvido e implementado sem a participação de qualquer empresa americana.

Dilma Rousseff também impede o retorno de grandes empresas de mineração de petróleo dos EUA para o mercado de petróleo e gás do Brasil. O país é rico, com enormes depósitos de petróleo, as reservas não confirmadas excedem 100 bilhões de barris. No entanto, foi durante a presidência de Lula, quando o Brasil optou pela empresa estatal chinesa Sinopec.

Em maio de 2013, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden fez uma visita ao Brasil, a fim de convencer a Dilma Rousseff a conceder acesso a campos de petróleo brasileiros. Biden voltou aos EUA de mãos vazias. Imediatamente depois, uma onda de protestos varreu o Brasil como pessoas protestando contra o aumento dos preços para o transporte público em dez por cento. A popularidade de Dilma Rousseff caiu de 70 para 30 por cento. Tudo aconteceu um ano antes da eleição presidencial.

Durante este período, os americanos foram consistentemente destruindo o  regime de Dilma através de outros protestos. Eles incluíram protestos em grande escala contra os custos excessivos para a Copa do Mundo e financiamento insuficiente de programas de assistência social e de saúde. Houve confrontos com a polícia e violência. De repente, os brasileiros se esqueceram de que o Partido dos Trabalhadores tinha tirado cerca de 30 por cento da população da pobreza com a ajuda de programas de apoio público. A fome e o analfabetismo tornaram-se história. Tiveram memória curta? Não, a CIA sabe muito bem como fazer lavagem cerebral nas pessoas através da mídia subordinada.

Imediatamente após a saída de Biden do Brasil, foi noticiado que Dilma Rousseff foi implicado no escândalo relacionado com a companhia petrolífera estatal Petrobras. Rousseff foi acusado de receber uma comissão sobre os contratos com a empresa de petróleo. O dinheiro teria sido usado para comprar votos no parlamento.

A mais recente tentativa de remover Rousseff do poder foi feita nas eleições de outubro de 2014, quando o candidato do PSDB, Aécio Neves poderia tomar posse como Presidente. Se Neves houvesse sido eleito presidente, o novo ministro da Fazenda do Brasil teria sido Arminio Fraga Neto. Neto tem dupla cidadania (a segunda - EUA); ele é um grande amigo e ex-sócio de George Soros e seu fundo de hedge Quantum. O Ministro dos Negócios Estrangeiros teria sido Rubens Antonio Barbosa, ex-embaixador em Washington, que atualmente atua como diretor do Albright Stonebridge Group (ASG), em São Paulo.

EUA quer Dilma fora do comando do país há todo custo

De acordo com o Wikileaks, José Serra, um dos líderes do PSDB, prometeu a sua proteção a Chevron em caso de vitória eleitoral. No entanto, apesar da manipulação do voto em São Paulo, Dilma Rousseff ganhou um segundo mandato.

Gene Sharp, autor de "da ditadura para a democracia", descreve 198 ações não-violentas para derrubar governos legítimos. Se generalizadas, elas podem ser explicadas da seguinte maneira.

Passo 1: Processamento de opinião pública com base em desvantagens reais, promovendo descontentamento através da mídia, enfatizando tais perturbações como déficit, crime, sistema monetário instável, incapacidade de líderes do estado e suas denúncias de corrupção.

Passo 2: demonizar autoridades através da manipulação de preconceito dizendo, por exemplo, que todos os brasileiros (russos, chineses) são todos corruptos, segurando as ações públicas em defesa da liberdade de imprensa, direitos humanos e as liberdades civis, condenando o totalitarismo, revisando a história em favor das forças que devem ser levadas ao poder.

Passo 3: Trabalhando na rua: canalizar os conflitos, promover a mobilização de oposição, o desenvolvimento de plataformas de combate, que englobam todas as demandas políticas e sociais, a compilação de todos os tipos de protestos, habilmente jogar nos erros do Estado, organizando manifestações, a fim de bloquear e captura instituições do Estado para a radicalização de confrontos.

Passo 4: A combinação de diferentes formas de luta: a organização de piquetes e captura simbólica das instituições do Estado, guerra psicológica nos meios de comunicação e promoção de confrontos com a polícia, para criar uma impressão de incontrolabilidade, desmoralizando as agências governamentais e policiais legítimos.

Passo 5: Encenação de um golpe institucional, com base em protestos de rua, pedindo a renúncia do presidente.

Em que fase está a revolução colorida que acontece no Brasil hoje? Cabe ao nosso querido leitor decidir. A situação se agrava na frente de nossos olhos e parece que as autoridades brasileiras fecham os olhos sobre as atividades de inteligência dos EUA debaixo de seus narizes. No Brasil, a CIA, DEA e os oficiais do FBI trabalhar legalmente, sob o pretexto da luta contra o tráfico de drogas. ONGs e fundações que patrocinam revoluções coloridas trabalhar no país também.

O jornalista venezuelano José Vicente Rangel informou que cerca de 500 funcionários dos serviços de inteligência dos EUA chegaram a embaixadas dos EUA na Venezuela, Bolívia, Argentina, Brasil, Equador e Cuba para trabalhar como uma rede para desestabilizar regimes democráticos nesses países. O que vai acontecer depois? Já podemos ver um exemplo de que na Ucrânia.

No Pravda
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Frias manipulou dinheiro no exterior com informações privilegiadas de Collor e FHC

Muito previsíveis as informações que barões da mídia estão na lista dos sonegadores do Swissleaks. A dúvida é se um dia viriam a público.

Com a exclusividade dos dados repassados pela ICIJ, o jornalista Fernando Rodrigues se portou com arrogância, tentou culpar o governo e proteger poderosos, mas agora acossado por vazamentos que conclui serem inevitáveis, resolve liberar a parte que atinge justamente veículos de mídia que estavam responsáveis pela “investigação” no Brasil.

Nesse post vamos nos atentar para a conta da família Frias, que e dona do conglomerado Folha/UOL, onde o jornalista trabalhou por anos e agora tem seu blog hospedado.

Apesar de não revelar o montante que os Frias enviaram para o Suiçalão, duas informações foram publicadas, muito provavelmente por descuido do jornalista, que revelam a relação espúria que Otávio Frias mantinha com os governos Collor e FHC.

Informação privilegiada nº 1

Fernando Rodrigues diz que a conta foi aberta em 1990, ano que foi realizado o confisco dos recursos de todos os brasileiros que estavam depositados em bancos brasileiros.

O jornalista não revelou o mês, o plano Collor, com o confisco aconteceu em março desse ano, parece que não atingiu o dono do império jornalístico, que espertamente enviou seu rico dinheiro para longe do apetite confiscatório que só atingiu pessoas comuns.

Tratando de salvar apenas sua pele, embora soubesse da informação a sonegou dos distintos leitores.

Informação privilegiada nº 2

Outra informação de enorme coincidência relatada por Fernando Rodrigues é o encerramento da conta: 1998.

Como todos sabem o governo FHC manteve até 1998 o Dólar ancorado para se reeleger, pouco tempo depois de se reeleger, no início de 1999, decidiu liberar o câmbio e o Dolar passou de próximo de um Real para quatro Reais numa estilingada.

Coincidência que Frias retirasse seus Dólares da Suiça justamente às vésperas da disparada do Dolar, tornando a conversão super lucrativa ou, mais uma vez passarinhos amigos o avisaram do “bom negócio”?

A Folha precisa se pronunciar rápido e reconhecer que seus donos foram beneficiados com informações privilegiadas e pedir desculpas pela família estar na lista do Suiçalão.

No Ponto&Contraponto
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Alberto Dines explica nome dos filhos na lista e ataca Globo e Rodrigues

dinesO jornalista Alberto Dines, editor do Observatório da Imprensa, publicou um artigo que deixa claro os motivos que levaram seus filhos a estarem na lista do HSBC, uma herança da sua esposa que era da família Bloch. Seu artigo é mais uma demonstração de como o jornalista Fernando Rodrigues tem feito um trabalho de péssima qualidade na divulgação dos nomes do Swissleaks.

Rodrigues trata os quatro filhos de Dines como jornalistas independentes e os inclui na lista da mídia por este motivo. Mas, segundo Dines, nenhum deles atua na área há anos, sendo que apenas dois já viveram da atividade em outra época.

Muita coisa ainda virá à tona a partir da divulgação de outros nomes dessa lista de brasileiros no Swissleaks, mas se há algo que já se perdeu foi o que ainda restava da reputação de Fernando Rodrigues. Sua participação neste episódio e a forma como vem procedendo é mais do que vergonhosa. É triste.

Vazamentos suíços, canalhices brasileiras

Por Alberto Dines em 14/03/2015

Para mostrar-se isento, imparcial, impecável e imaginando que fazia história, a edição de sábado (14/3) de O Globo resolveu escancarar suas culpas e revelar os nomes dos empresários de mídia, herdeiros, cônjuges e jornalistas que mantinham contas secretas na Suíça.

Entre os sete profissionais vivos estão os quatro filhos deste observador agrupados como “Família Dines”. Embora classificados como “jornalistas independentes”, adultos e efetivamente independentes, aparecem identificados pelo nome do pai que apenas se prontificou a prestar esclarecimentos ao repórter já que três deles vivem no exterior há cerca de 30 anos, não têm conta bancária nem declaram rendimentos no Brasil.

O mesmo e perverso sistema que consiste em identificar as proles pelo nome dos pais não foi usado ao mencionar a conta secreta da falecida Lily de Carvalho, viúva do também falecido Roberto Marinho, cujos três filhos comandam o mais poderoso grupo de mídia da América Latina.

Seguindo a infame lógica que levou o jornal a colocar este observador no meio de supostos infratores, também os filhos de Roberto Marinho — o primogênito Roberto Irineu Marinho, o filho do meio João Roberto Marinho e o caçula, José Roberto Marinho (ou um deles em nome dos demais) — deveriam ter sido nomeados e feito declarações para explicar os negócios da madrasta.

O certo seria dar voz a João Roberto Marinho (que fala em nome da empresa e dos acionistas majoritários, além de comandar o segmento da mídia impressa) para dar as explicações que o Globo generosamente preferiu encampar no próprio texto da matéria para não macular a imagem do grande chefe.

João Roberto Marinho é uma figura decente, este observador assim se considera igualmente. João Roberto Marinho foi poupado pelos subordinados; já este observador foi incluído numa relação precária, suspeita, e que, além disso, diz respeito apenas a correntistas e/ou beneficiários.

História suja

Onde está a equidade, a isonomia? Ficou no aquário da redação alimentando a hipocrisia e a onipotência dos que se sentem senhores do mundo e da verdade. Ao jornalista profissional, crítico da mídia, persona non grata para os barões da imprensa e seus apaniguados, o rigor deste insólito código que se serve de um sobrenome para avacalhar todos os que também o usam. Nos cálculos deste observador há no Brasil outros oito membros da honrada família Dines que nada têm a ver com o caso HSBC. Ao falar de Roberto Marinho ou Octavio Frias de Oliveira, suas respectivas proles — por cavalheirismo — foram poupadas.

Este observador vive do seu salário de jornalista há 63 anos. Numa idade em que outros vivem dos direitos autorais, poupança ou investimentos, este profissional vive dos rendimentos de um PJ (pessoa jurídica) sem direito a férias, plano de saúde e outras regalias dos celetistas. Há 17 anos consecutivos é obrigado a passar dois dias por semana no Rio e nos demais trabalhando dez ou doze horas diárias para obter o suficiente para viver com algum conforto.

Se os meus filhos fossem “laranjas” como alguns idiotas das redes sociais tuitaram, as obras de sua casa no Rio — único bem que possuo —, paradas há mais de um ano, já estariam terminadas e o estresse das viagens, eliminado. Meus filhos são adultos, com mais de 50 anos, solteiros, independentes. Nunca perguntei quanto herdaram, quanto guardavam, nem onde. Não tenho conta na Suíça, não tenho poupança, CBDs, ações, investimentos nem no Brasil nem em lugar algum.

Meus filhos têm mais de 50 anos, vivem no exterior há cerca de 30 anos (exceto o caçula, no Rio, beneficiário dos irmãos). Os valores foram herdados da mãe, com quem fui casado em regime de total separação de bens, e de quem me separei em 1975. Eles estão pagando por causa das trapalhadas dos parentes maternos (a família Bloch) e o pai, que deles se orgulha, envolvido numa história suja armada por empresas jornalísticas que, para limpar o seu nome, não se importam em macular a vida, carreira, escrúpulos e sacrifícios de outros.

Pretendo continuar a viver da minha profissão, renda ela o que render, porque para mim jornalismo não é apenas sobrevivência. É opção de vida limpa, digna, honesta.

Em Tempo –  O que significa ‘jornalista independente’?

Na relação das “contas secretas” no HSBC suíço divulgadas no sábado (14/3) pelo Globo e pelo blog de Fernando Rodrigues no UOL há 22 empresários de mídia e sete jornalistas: quatro deles classificados como “jornalistas independentes”  e com o sobrenome Dines. Qual o critério que norteou esta classificação profissional se apenas dois deles têm diploma de jornalismo, mas deixaram o seu exercício há pelo menos 15 anos?

A explicação é simples: se arrolados em outra relação, a lista dos profissionais sairia ainda mais mirrada e a dos empresários ganharia ainda mais relevância.

Para equilibrar e mostrar que empresários e jornalistas são farinha do mesmo saco foi preciso forçar uma qualificação profissional enganosa só porque com o mesmo sobrenome há um conhecido jornalista na ativa.

Renato Rovai



Jornalista Dines, incluído na lista do HSBC, atira contra O Globo: “canalhices”; e a família Frias diz que não sabe de nada

Dines sempre tratou bem a família Marinho (na tela, o velho jornalista entrevista João Roberto); agora, ganhou o troco
Dines sempre tratou bem a família Marinho (na tela, o velho
jornalista entrevista João Roberto); agora, ganhou o troco
Incluído de forma torta na lista de jornalistas com contas na Suíça (divulgada também de forma torta e suspeita em “O Globo”), o veterano Alberto Dines desferiu um duro ataque contra o jornal conservador mantido pela família Marinho.

Ele acusou o jornal carioca de, malandramente, ter indicado os recursos em nome dos filhos dele (Dines) como pertencentes à “família Dines”. Mas na hora de identificar a conta de Lily Marinho, o jornal preferiu chamá-la de “Lily de Carvalho”, poupando os irmãos Marinho de qualquer esclarecimento sobre uma conta suspeita aberta na Suíça.

Vejam as ponderações de Dines:

“Entre os sete profissionais vivos [incluídos na lista] estão os quatro filhos deste observador agrupados como “Família Dines”. Embora classificados como “jornalistas independentes”, adultos e efetivamente independentes, aparecem identificados pelo nome do pai que apenas se prontificou a prestar esclarecimentos ao repórter já que três deles vivem no exterior há cerca de 30 anos, não têm conta bancária nem declaram rendimentos no Brasil.

O mesmo e perverso sistema que consiste em identificar as proles pelo nome dos pais não foi usado ao mencionar a conta secreta da falecida Lily de Carvalho, viúva do também falecido Roberto Marinho, cujos três filhos comandam o mais poderoso grupo de mídia da América Latina.

Seguindo a infame lógica que levou o jornal a colocar este observador no meio de supostos infratores, também os filhos de Roberto Marinho – o primogênito Roberto Irineu Marinho, o filho do meio João Roberto Marinho e o caçula, José Roberto Marinho (ou um deles em nome dos demais) – deveriam ter sido nomeados e feito declarações para explicar os negócios da madrasta.

O certo seria dar voz a João Roberto Marinho (que fala em nome da empresa e dos acionistas majoritários, além de comandar o segmento da mídia impressa) para dar as explicações que o Globo generosamente preferiu encampar no próprio texto da matéria para não macular a imagem do grande chefe.”

= = =

Entendo a indignação de Dines — jornalista de posições dúbias, que apoiou o golpe de 64, mas depois se arrependeu.

O fato é que a família Marinho e os Frias (Folha/UOL) tentam controlar o vazamento dos nomes do escândalo HSBC na Suíça — de forma quase desesperada. Clique aqui para entender por que a casa caiu pra eles.

Os Marinho jogaram a Débora Dines (que, inclusive trabalhou na Globo Rio como repórter), o pai dela e outros jornalistas nessa lista — para criar confusão.

Dines, no texto intitulado “Vazamentos brasileiros, canalhices brasileiras” (leia acima), explica que os recursos contabilizados em nome dos filhos são fruto de herança recebida da mãe deles (oriunda da família Bloch — da falida Manchete), de quem Dines é separado há décadas.

Não informa, no entanto, se são recursos declarados ou não. Aliás, é muito dinheiro: 1,3 milhão de dólares estavam nas contas da Suíça em nome dos filhos de Dines.

O que interessa é que a madrasta dos irmãos Marinho (Lily — com quem Roberto Marinho dividia uma casa com flamingos e um lago, no Cosme Velho) está na lista. E a família Frias (dona da Folha) também está lá.

Os Frias, aliás, precisam explicar ao Brasil como abriram contas na Suiça em abril de 1990, um mês depois do confisco do Plano Collor — quando os brasileiros tiveram suas contas bloqueadas.

Os Frias guardavam dinheiro em casa e levaram pra Suíça?

Vejam a diferença: o Dines ao menos tenta se explicar, já os Frias dão uma resposta que beira o cinismo:

“O Grupo Folha e a família de Octavio Frias de Oliveira informam não ter registro da referida conta bancária e manifestam sua convicção de que, se ela existiu, era regular e conforme à lei”.

Ah, eles não têm registro. Entendi. Eu também vivo perdendo meus extratos nessa bagunça aqui em casa…

Rodrigo Vianna
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CPI do HSBC: PT tira casquinha dos denunciados e Randolfe promete que pedido de quebra de sigilo será prioridade


O site do PT foi rápido ao preparar uma arte (acima) com os símbolos de todas as empresas de mídia que tiveram nomes de seus executivos e jornalistas ligados ao escândalo do HSBC.

O redator do texto que acompanha a ilustração parece ter tido imenso prazer em apontar a hipocrisia de alguns dos integrantes da lista:
A lista mais recente, divulgada pelo jornalista Fernando Rodrigues e pelo site do jornal “O Globo”, contém o nome do já falecido empresário Otávio Frias, fundador do Grupo Folha, e de seu filho, Luís Frias, um dos donos do Uol, como beneficiário de conta no paraíso fiscal.

O material também revela o nome de Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, da Globo, morta em 2011, com nada menos que US$ 750,2 mil. O material caiu como uma bomba dentro da organização que tentou desviar a atenção do caso relacionando o ex-marido de Lily, Horácio de Carvalho, morto em 1983, aos recursos.

Quatro integrantes da família Saad, da Rede Bandeirantes, também mantinham contas  no HSBC, em Genebra. São eles, João Jorge Saad, a empresária Maria Helena Saad Barros, Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet.

A conta de José Roberto Guzzo, colunista e membro do conselho editorial da Abril, que edita a revista Veja, um dos mais raivosos meios de imprensa contra o governo e o Partido dos Trabalhadores, também foi revelada.

O apresentador do SBT, Carlos Massa, conhecido como Ratinho, manteve a bagatela de US$ 12,4 milhões nos cofres suíços, enquanto desfere discurso contra políticos em seu programa de tevê.

Mona Dorf, jornalista ligada à Rádio Jovem Pan, que mantém programa no qual profere libelos contra a corrupção, mantinha US$ 310 mil na conta no paraíso fiscal.
Falta apenas o PMDB indicar seus integrantes na CPI, criada por requerimento do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

A justificativa oficial fala em investigar o HSBC, não os correntistas:
Requeremos a Vossa Excelência, nos termos do § 3º do art. 58 da Constituição Federal e do art. 145 do Regimento Interno do Senado Federal, a criação de comissão parlamentar de inquérito, composta por onze Senadores titulares e seis suplentes, para investigar, no prazo de cento e oitenta dias, irregularidades praticadas pelo HSBC na abertura de contas irregulares, em que mais de U$ 100 bilhões foram potencialmente ocultados ao Fisco de mais de 100 países, dentre os quais há cerca de 8.000 brasileiros, com uma estimativa preliminar de mais de U$ 7 bilhões que se furtaram a cumprir suas obrigações tributárias, evidenciando a potencial prática de crimes que vão de evasão de divisas a inúmeras fraudes fiscais, e que podem estar associadas a um incontável número de outras redes criminosas.
Isso é relevante, já que tudo indica que os barões da mídia atuarão através de seus lobistas para tentar circunscrever as investigações.

No entanto, falando ao jornalista Fernando Rodrigues, que sentou sobre a lista durante longas semanas, o senador Randolfe prometeu que um de seus primeiros requerimentos depois de instalada a CPI será para a quebra do sigilo fiscal das pessoas que já tiveram seus nomes revelados.

O próprio senador destacou, em sua página no Facebook, o trecho mais relevante da entrevista:
Para a CPI é muito fácil fazer uma lista de todos os nomes e contas bancárias que o UOL e o Globo já publicaram, enviar tudo para a Receita Federal e requerer a quebra do sigilo fiscal. Vamos pedir que nos digam quem dessas pessoas declarou Imposto de Renda e incluiu nas suas declarações de bens as contas no exterior, na Suíça.
Como não se investiga quem já morreu, isso significa que nada mais saberemos sobre as contas de Lily de Carvalho, a viúva de Roberto Marinho, e Octávio Frias de Oliveira, o fundador da Folha.

Mas saberemos de Ratinho, Luiz Frias (beneficiário da conta do pai), Ricardo Saad, João Santos e José Roberto Guzzo.

Será que a CPI vai mesmo encarar?


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A crise política brasileira: uma novela em 6 atos


Ato 1 - como construir um desastre em quatro meses

Terminada a eleição, Dilma Rousseff sai vitoriosa. Foi ela quem imprimiu o ritmo final de campanha, intuiu a hora de atacar e garantiu a vitória no segundo turno. Saiu das eleições extenuada física, psicológica e emocionalmente, mas com a sensação de ter-se graduada com louvor em política: nessa eleição a vitoriosa havia sido ela, não Lula.

Assessores alertavam que o terceiro turno não esperaria a trégua tradicional: começaria no dia seguinte às eleições. Virando a esquina estava a bocarra da Lava Jato, os problemas da Petrobras, o desajuste fiscal, o início do desemprego e derrotados que saíram da campanha babando sangue.

O período deveria ser aproveitado para a freada de arrumação, preparar o segundo governo, juntar ideias, organizar grupos de trabalho em cada área. Os desafios a serem superados eram enormes: montar uma estratégia defensiva de resposta à Lava Jato e de saída para a Petrobras; um plano de governo para a agenda positiva; e um trabalho de recomposição da base de apoio.

Mas Dilma sumiu do mapa. Trancou-se por dois meses, com raríssimas aparições públicas, empenhando-se exclusivamente em montar um ministério para chamar de seu. Fechou-se a qualquer sugestão, inclusive de Lula — que se afastou dela.

Entre 5 de novembro e 15 de fevereiro foram 8 aparições públicas — sem discurso, a não ser os protocolares. Seu eleitorado se sentiu abandonado; sua equipe, perdida.

No final do ano todos os Ministros já tinham preparado suas cartas de demissão, colocando simbolicamente o cargo à disposição da presidente. Em fevereiro, pouca coisa decidida. Ministros, secretários, assessores sem saber se colocavam filhos na escola, providenciavam a volta para seus locais de origem, procuravam emprego. As empresas públicas em suspenso, sem planejamento, os Ministérios paralisados, aguardando as definições.

As únicas decisões de Dilma foram entregar a Fazenda a um economista ortodoxo e montar um conselho político para assessorá-la nas estratégias parlamentares.

Quando a longa gestação chegou ao fim, abriu-se o baú da reforma ministerial aguardando que dele saltasse o Anjo Gabriel, anunciando a anunciação. Em seu lugar, pulularam sacis, lobisomens, boitatás e mulas sem cabeça - especialmente as espécies sem cabeça.

O governo perdeu fragorosamente as eleições na Câmara — único objetivo de um Ministério político —; a base de apoio esfacelou-se. O Ministro Joaquim Levy anunciou um pacote fiscal que, necessário ou não, atropelava todo o discurso de campanha de Dilma. Além de abandonado, agora seu eleitorado sentia-se traído, porque sem explicações, pedidos de desculpas, autocríticas seja lá o que lhe permitisse criar um álibi qualquer para continuar defendendo Dilma.

Sem a blindagem na opinião pública, Dilma viu-se acossada por um exército de tiranossauros, uma fauna exótica onde se misturam Fernando Henrique Cardoso (o Marcello Reis do PSDB), Lobão, Aécio, Marcello Reis (o FHC do "Revoltados, Já") e, por trás, José Serra — com sua notável capacidade de sumir na hora do pau e arrotar valentia nos bastidores (alô, alô! Você que convive com Serra: não é isso mesmo?). Todos devidamente pautados por Marcello Reis, brilhante intelectual emergente desses tempos e cólera, na verdade uma zebra que assumiu a liderança da oposição, dando o tom primário e a palavra de ordem tosca para seus seguidores, além de estimular um comércio crescente de camisetas com ofensas a Dilma.

FHC assimilou o discurso com uma pequena copidescagem para torná-lo mais elegante, o Príncipe curvando-se aos fatos e conformando-se com o sub-comando de um exército saído das profundezas do tempo. Aloyzio Nunes foi a seco, em alguns momentos superando o grande Marcello Reis. E, assim, a oposição foi, a reboque de Marcello e da mídia.

A passeata do dia 15 entra nos telejornais, na agenda de eventos dos jornais impressos, no alarido dos locutores de rádio, firmando-se como grande atração do dia, a ponto de deslocar o horário de um jogo de futebol.

Foi duro o choque de realidade.

Nos dois meses de retiro, a interlocução de Dilma foi só com Aloizio Mercadante, que mais ouviu do que falou, mais obedeceu do que aconselhou e acabou levando a culpa por muitas decisões que não foram dele.

Em prazo recorde, o capital acumulado nas eleições se esvaiu. O handicap de Dilma passou a ser a outra face da moeda: a cara rancorosa do comandante Marcello Reis, do sub-comandante FHC e a desenvoltura agressiva de Eduardo Cunha.

Seguiram-se vários movimentos trôpegos de quem tenta entender o tamanho da jamanta que a atropelou. E toca a juntar os cacos.

Antes de entrar nesse terreno, alguns dados para entender o fator Dilma Rousseff.

Ato 2 - entendendo o fator Dilma

Dilma tem aspectos bastante semelhantes ao do ex-presidente Itamar Franco. Ambos sempre se viram na dimensão de pessoa física, não da institucionalidade do cargo, ou como representantes de projetos, de ideias.

Dilma só reage quando a pessoa física é atingida. Se o PGR (Procurador Geral da República) sugere a demissão da diretoria da Petrobras, afeta a autoridade pessoal de Dilma e ela reage. Se alguém insinua seu conhecimento das falcatruas, também reage indignada. Se os ataques são contra o governo, as instituições, a democracia ou o PT, ignora em nome do republicanismo.

Vasculhando a história do país, não se encontrará presidente mais honesto, patriota e anti-arreglos. Dilma abomina qualquer forma de desonestidade e mesmo da manipulação pessoal do interesse público. E a pessoa física não consegue aceitar situações que o homem de Estado acataria de forma pragmática em nome do projeto político.

Foi assim que Dilma tomou-se de uma ojeriza expressa por Eduardo Cunha, quando chegaram ao seu conhecimento rumores sobre os jogos de interesse bancados pelo deputado.

Por duas vezes Cunha enfiou em uma medida provisória a possibilidade de construção de aeroportos particulares, medida que interessava diretamente à Camargo Correia e à Andrade Gutierrez. Por duas vezes, Dilma vetou.

Nos bastidores, falava-se em financiamento de até R$ 80 milhões para a bancada de Cunha, caso a medida passasse. Outra participação ativa foi na Lei dos Portos, um lobby explícito em favor de grupos portuários.

Esse maneira de pensar e agir foram decisivas na montagem da estratégia política de não aceitar qualquer acordo prévio com Eduardo Cunha nas eleições para a mesa da Câmara. E explica grande parte dos conflitos com Lula, cujo pragmatismo abriu espaço para o fortalecimento dessa fauna.

E, aí, entra-se em um terreno pantanoso, ainda não suficientemente analisado pelas instituições nacionais, especialmente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e pelo Ministério Público: o avanço político do crime organizado.

Ato 3 - o avanço político do crime organizado

A lista HSBC expõe, de forma ampla, o que foi o ambiente cinza do mercado financeiro internacional depois da liberalização financeira, uma mixórdia onde se misturavam caixa 2, dinheiro do narcotráfico, do terrorismo internacional, da corrupção política, das jogadas financeiras.

É essa zona cinzenta que favorece a proliferação do crime.

Na política também existe uma zona cinzenta, um cenário que favorece a expansão da influência do crime organizado. No caso brasileiro, a zona cinzenta ganhou dimensão quando o STF implodiu o sistema partidário e permitiu a proliferação dos pequenos partidos. E, depois, quando o financiamento privado de campanha decidiu investir na sua própria bancada, em vez de bancar políticos individualmente.

Sempre houve políticos bancados pelo crime mas, em geral, eram subordinados à organização partidária que restringia sua capacidade de atuação no Congresso. Com o pluripartidarismo à brasileira, esse disciplinamento deixou de existir. Abriu-se uma caixa de Pandora de difícil equacionamento, especialmente depois que os partidos majoritários passaram a se engalfinhar em uma luta fratricida.

Os elogios de líderes do PT e do PSDB a Eduardo Cunha, no seu depoimento espontâneo à CPI da Petrobras, é um dos episódios mais vexatórios da história do Congresso e mais significativo desses tempos sem rumo.

O avanço do crime organizado não se deu apenas na atividade parlamentar, mas também em outros territórios extra-institucionais, como a imprensa.

O episódio que inaugurou essa nova fase foi a parceria entre a revista Veja e a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira.

Não era mais a imprensa se aliando a colarinhos brancos sofisticados, a golpistas do mercado financeiro, a banqueiros suspeitos, mas à corrupção chula de bicheiros e contraventores.

Cachoeira elegeu um senador, Demóstenes Torres.

Veja transformou-o em um cruzado contra a corrupção, deu-lhe status de celebridade no mercado de opinião. Com o poder conquistado, Demóstenes fazia os jogos de interesse de Cachoeira e da Abril (na matéria da Veja, foto ao lado, apenas Demóstenes é réu, os demais são apenas coadjuvantes para deixá-lo em boa companhia).

A CPMI de Cachoeira poderia ser o início da grande luta política contra o crime organizado ao desvendar as ligações de Cachoeira com a Veja e com empreiteiras — como a Delta —, que por sua vez mantinham ligações estreitas com o mundo político, a começar do então governador do Rio Sérgio Cabral.

A CPMI mostrou a especialização que se formara no mercado de corrupção. O bicheiro prospectava contratos e licitações no setor público, passíveis de corrupção, uma atuação que poderia começar nas discussões de projetos de leis e emendas orçamentárias e se desdobrar por repartições públicas federais e estaduais; aliava-se a uma empresa parceira, que assumia a fase legal do projeto; garantia a blindagem com a parceria com a mídia e com os padrinhos políticos.

Na série "O caso de Veja" narro como essa parceria provocou o escândalo Marinho que alijou dos Correios o esquema Roberto Jefferson para a entrada de parceiros de Cachoeira — uma outra quadrilha, desbaratada dois anos depois pela Polícia Federal.

O Ministério Público cochilou ao não avançar nas investigações abertas pela CPMI de Cachoeira. Seria o ponto de partida para o início da verdadeira guerra contra a corrupção política mais visceral, aquela que envolve o crime organizado.

A Lava Jato abre uma nova possibilidade para se desbaratar esse modelo, ao identificar seus desdobramentos regionais. E o MPF terá que sair da zona de conforto e enveredar por caminhos nunca dantes navegados: as interseções do crime organizado com o país institucionalizado, incluindo aí a mídia e o Congresso.

É nesse terreno pantanoso que a pessoa física Dilma Rousseff precisa entrar, enfrentando um jogo sujo, tomada por pruridos próprios das pessoas de bem, mas sem o senso prático das pessoas de Estado, juntando os cacos e retomando as redes da governabilidade. E a mãe de todas as batalhas, o por assim dizer caco-mor, é a recomposição da base política.

Ato 4 - o início da reação política

Em 2010, Dilma tinha à mão o maior conhecedor de Congresso, o vice presidente Michel Temer. Dilma esvaziou-o tanto que, tendo por alavanca apenas a atuação sobre comissões temáticas da Câmara, o notório Eduardo Cunha logrou o controle do PMDB.

Na 5a feira foi anunciado o novo conselho político, desta vez enriquecido por profissionais: Michel Temer, Eliseu Padilha, Eduardo Braga, Gilberto Kassab e Aldo Rebello, o mais diplomático de seus Ministros, mantido Aluizio Mercadante, o menos político de seus ministros.

Foi tão rápida a decisão que na 5a, por volta das 19:30, Kassab ainda não sabia do novo conselho. E Padilha foi avisado pelos jornais.

Será um trabalho complexo, que ajudará a definir a nova base de apoio e, com ela, um novo Ministério. O atual morreu de velhice prévia.

Não será tarefa fácil. Cunha impõe um receio aos adversários que vai muito além do mero confronto político, como atesta a maneira cautelosa com que o vice presidente Temer refere-se a ele.

Mas nenhuma estratégia política será bem sucedida sem se construir um cenário econômico razoável. Por isso mesmo, o segundo caco a ser juntado é o econômico.

Ato 5 - recompondo o incêndio econômico

Ainda há muito fato negativo pela frente, os desdobramentos do pacote fiscal, o aumento do desemprego, da inflação. Mas o governo começa a despertar da inércia.

O primeiro ato foi a substituição de Graça Foster na presidência da Petrobras. A teimosia de Dilma atrasou por seis meses o ajuste e quase deixou o gigante de joelhos. A entrada de Ademir Bendine, com um plano claro de reestruturação, deu início à volta à normalidade. Já se tem um plano de ação pela frente, com a negociação com as agências de rating e os credores.

O segundo ato — já na reta final — foi a montagem do grupo de bancos públicos e privados para garantir a manutenção da rede de fornecedores da Petrobras nessa fase mais crítica.

O terceiro ato — em andamento — é o redesenho das concessões em infraestrutura e o encaminhamento do PAC 3. Não se pretende iniciar obras novas, nem novos investimentos, dada a penúria fiscal, mas completar as que estão em andamento.

No campo das concessões, o Planejamento já está trabalhando com o setor privado na definição dos projetos executivos, dentro da modalidade de licitar também o projeto. As conversas estão indo bem, os primeiros resultados deverão aparecer em breve e as primeiras licitações deverão ocorrer até o final do ano.

Em geral, leva 9 meses entre o início dos trabalhos e a licitação na rua. Haverá um interregno até o final do ano e, depois, entrará em voo de cruzeiro.

Enquanto isto, haverá um longo desafio pela frente de restaurar o ânimo social do país.

Ato 6 - a dura reconquista da confiança

É forçar a barra julgar que as reações contra Dilma e o PT sejam meras manifestações das classes A e B. Pode ser uma visão paulistana ou carioca, mas o ódio contra o PT e contra Dilma desceu na escala social.

Gilberto Carvalho já alertara, antes mesmo das eleições, sobre a profundidade da resistência contra ambos.

Será necessário um penoso processo de reconstrução da credibilidade perdida, algo que passa pela retomada do crescimento (que dificilmente ocorrerá antes de dois anos), pela definição de um programa de governo que possa mostrar a retomada do futuro, mesmo que em algum ponto distante, pela revitalização dos programas sociais, pela retomada de políticas industriais eficientes.

O governo tem todas armas à mão. Os últimos anos geraram um enorme estoque de ideias centrais em diversas áreas, no desenvolvimento regional, nas políticas sociais, nos componentes de políticas industriais modernas, nos modelos de parceria universidade-empresas, nos próximos passos das políticas educacionais.

Mas há um problema crítico de comunicação interna no governo.

Dilma não tem a menor ideia sobre os estudos já desenvolvidos, as ideias-chave já gestadas, para poder tecer as amarras de um plano integrado de governo.

Ainda há tempo de fazer o que deveria ter feito no dia seguinte às eleições: um enorme brainstorm juntando todas as áreas do governo, com assessoria de bons gestores e bons analistas políticos, visando renascer das cinzas as ideias centrais sobre o que poderá ser o segundo governo Dilma.

Para não ter o mesmo destino do segundo governo FHC, que se arrastou sem nada produzir até o fim do mandato. E não havia tanto ódio no ar quanto agora.

Luís Nassif
No GGN
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