14 de mar de 2015

O caso do deputado do PSDB que disse publicamente que nunca será preso por não ser petista

Ele
Jorge Pozzobom é um deputado estadual do PSDB do Rio Grande do Sul. Foi o mais votado de Santa Maria nas últimas eleições. É advogado criminalista formado pela UFSM. Líder da bancada tucana na Assembleia Legislativa, ele tem batido duramente no governo Dilma.

“A cada dia fica mais claro aos brasileiros que a corrupção da Petrobras se institucionalizou no governo Lula e foi ampliada ao longo do primeiro mandato de Dilma, com o objetivo de financiar a manutenção de um projeto de poder hegemônico no país”, diz. Essa é a toada que faz sucesso entre sua turma.

Mas Jorge Pozzobom é também o símbolo escarrado de uma doença nacional: a sensação de que se pode falar qualquer coisa, desde que contra os alvos de sempre.

Em sua conta no Twitter, o doutor Pozzobom deixou escapar o que é comentado nos corredores de seu partido, mas nunca foi dito publicamente.

Durante um bate boca relativamente civilizado com militantes petistas, afirmou esperar que “alguém que não seja ameaçado de morte ou morto como o Celso Daniel possa trazer por delação a mega lista do PT”. Foi advertido de que calúnia ainda é crime no Brasil.

Sua resposta: “Me processa. Eu entro no Poder judiciário e por não ser petista não corro o risco de ser preso”.

Repetindo: “Eu entro no Poder judiciário e por não ser petista não corro o risco de ser preso”.

Não é que Pozzobom saiba de algo que você não sabe sobre a Justiça. Não é apenas pelo fato de ele ser advogado que ele diz esse tipo de barbaridade.

É que ele pode. É senso comum. Apenas não havia sido vocalizado dessa maneira.

Num país em que se toleram manifestações de ódio explícitas e acusações sem provas, em que um juiz sugere que a presidente iria sancionar a Lei do Feminicídio por que estava advogando em causa própria, em que se prega a volta da ditadura numa boa — o que isso tem de mais?

Pozzobom, um sujeito inteligente, tem ciência de que, sendo do PSDB, não corre risco algum. Essa é a contribuição de homens como ele para a democracia. Está longe de ser exceção num partido que adotou uma retórica golpista histérica. Apenas foi o primeiro a sair do armário.

Não há hipótese de que isso desemboque em algo de bom para a sociedade, mas a quem apelar?


Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Papa: É uma pena que os professores são mal pagos

El sumo pontífice se reunió este sábado con la Unión Católica Italiana de Profesores, Dirigentes, Educadores y formadores medios.
Foto: ACI
Francisco criticou que para ter um bom salário, os educadores devem fazer dois turnos; pois um só não é possível atender suas necessidades.

O Papa Francisco, disse neste sábado que é uma injustiça o fato de que os educadores sejam de fato são mal pagos, apesar de "desempenharem um trabalho belíssimo e de grande responsabilidade".

"Ensinar é um trabalho belíssimo, pena que os professores são mal pagos", disse ele.

As palavras do sumo pontífice foram ditas durante o encontro com os membros da União Católica Italiana de Professores, Dirigentes, Educadores e Formadores médios, na Sala Paulo VI.

Durante seu discurso, o Papa disse que é uma pena que os professores tenham salários baixos, porque não só dedicam tempo criando escola, como também "devem preparar-se, pensar em cada um dos alunos e em como ajudá-los a seguir em frente".

A este respeito, acrescentou que, a fim de ter um bom salário, os educadores devem fazer dois turnos, "como é que eles conseguem fazer dois turnos?" Ele perguntou.

Tarafe educativa por fazer

Francisco explicou que "em uma sociedade que custa a encontrar referências, é necessário que os jovens busquem na escola um exemplo positivo" e sublinhou que é necessário contar com professores capazes de dar sentido à escola, ao estudo e a cultura sem reduzir tudo a simples transmissão de conhecimento técnico, mas para construir uma relação educativa com cada aluno."

A autoridade máxima da Igreja Católica se referiu aos presentes como "colegas", para enfatizar que ele também foi um professor e que guarda boas lembranças dos dias vividos em sala de aula com os estudantes.

Neste sentido, ele pediu aos professores para atualizarem suas próprias competências didáticas, também à luz das novas tecnologias, porque "ser professor não é apenas um trabalho: é uma relação em que cada mestre deve sentir-se totalmente envolvido como pessoa, para dar significado para a tarefa educativa para os próprios alunos".

"Encorajo-vos a renovar a sua paixão para o homem em seu processo de formação e ser testemunha de vida e de esperança", disse ele.

No teleSUR
Leia Mais ►

Extrema-direita avança com ódio aos direitos humanos, diz filósofo

Na avaliação do filósofo Renato Janine Ribeiro, da USP, a extrema-direita no Brasil adotou uma agenda voltada para a área de costumes, com “ódio cabal aos direitos humanos”. Em palestra em São Paulo, ele disse que o risco no atual cenário político é a contaminação da direita liberal pela extrema-direita

13janine
Em palestra proferida em São Paulo, o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor da cadeira de Ética e Filosofia Política da USP, afirmou que os grupos políticos de extrema-direita no Brasil estão voltando suas atenções sobretudo para a área de costumes — o que envolve as questões de gênero e os direitos de minorias, como os homossexuais. “O que distingue a extrema-direita hoje no Brasil é quase que mais uma agenda de costumes do que uma agenda política”, afirmou. “A extrema-direita está se distinguindo do restante por um ódio cabal aos direitos humanos.”

Antes de falar sobre a forma como a extrema-direita age, o professor observou que no Brasil ainda existem preconceitos fortes em relação a expressões como direita e esquerda e que isso torna o diálogo político mais difícil. Ao definir os dois grupos do ponto de vista da ideologia, disse que a direita defende uma sociedade mais competitiva, com pouca interferência do Estado; e que a esquerda quer programas sociais mais intensos, com maior presença do Estado.

Para a esquerda a questão básica seria a redução das desigualdades. Para a direita, a liberdade, sobretudo a liberdade de empreender. O ideal, do ponto de vista político, seria conseguir um “diálogo bem falante” entre direita e esquerda.

O diálogo não é possível, porém, com grupos extremistas. Enquanto a direita e a esquerda são democráticas, defensoras da liberdade e dos direitos humanos, a extrema-direita e a extrema-esquerda são contrárias a esses princípios, observou o palestrante.

Ao se referir ao quadro partidário e ao Congresso, disse que não existem evidências de ação de grupos de extrema-esquerda no atual momento político. A extrema-direita, no entanto, estaria presente em vários partidos, destacando-se com ataques à liberdade de costumes.

“Atacam o homossexual, a igualdade de gênero, os direitos das mulheres, e por aí. Tudo isso tem um alcance muito grande no Brasil”, assinalou.

Ao atacarem condutas diferentes, os grupos políticos de extrema-direita estariam ganhando o apoio e se articulando com correntes políticas evangélicas, sobretudo neopentecostais. “Isso está criando uma situação potencialmente perigosa”, afirmou. “Na Câmara, um deputado está propondo uma PEC na qual se diz que todo poder não emana do povo, mas de Deus. Não vai passar, mas é um sinal da loucura que está por aí.”

Ainda sobre os riscos potenciais da ação da extrema-direita, Janine observou: “O perigoso no Brasil, de certa forma, é a extrema-direita ir se aproximando da direita e contaminando, a ponto de seu apoio se tornar essencial.”

O cenário é delicado, segundo o filósofo. “A extrema-direita quer aumentar o seu cacife, mas a direita não vê as coisas dessa maneira. Para ela interessa uma extrema-direita radical, que não conhece limites, mas que não se torne hegemônica. Esse é um ponto delicado. A extrema-direita se tornará hegemônica se começar a conquistar gente da oposição, se a oposição começar a achar que o discurso brutal é correto.”

Sobre essa questão ele também disse: “Estamos tendo no Brasil uma tolerância, que é grande, com condutas antidemocráticas que deveriam ser tipificadas como criminosas… Pregar a volta dos militares deveria ser crime, deveria levar a pessoa para a cadeia. Vários países da Europa criminalizaram a pregação nazista. Nós — que tivemos uma ditadura militar — deveríamos criminalizar a pregação da ditadura.”

Na palestra que se estendeu por quase duas horas, com perguntas dos convidados, Ribeiro fez críticas à ação do PSDB e do PT e falou de políticas sociais do governo, impeachment, corrupção e insatisfações da classe média, entre outros assuntos. O encontro aconteceu na terça-feira, 10, e foi organizado pelo Quintal Amendola — uma organização que se apresenta como “espaço para discussão, debate e aprendizado”.

Roldão Arruda
No Estadão
Leia Mais ►

Deputado tucano usa tuíte fraudado de arcebisbo para promover protesto de domingo




O deputado Marcus Pestana, presidente do PSDB de Minas, divulgou no seu Twitter uma mensagem falsa de dom Odilo Scherer, arcebispo de SP.

No tuíte fraudado, dom Odilo conclama as pessoas a sair às ruas para protestar amanhã.

Avisado por várias pessoas do erro, Pestana não removeu a mensagem fraudada, reproduzida também por Lobão.

Arcebispo de SP avisa que é fraudulento tuíte que promove ato do dia 15



Leia Mais ►

Stédile e a manipulação da mídia


Sensacional este vídeo em que os Ninjas flagram uma conversa de um repórter do SBT e João Pedro Stédile, no ato nacional ‪#‎dia13diadeluta‬ em sua versão carioca.

O repórter diz com toda clareza, a gente faz a cobertura... mostra o que aconteceu, nem sempre o que os editores pensam é o que nós pensamos.

Stédile diz que sabe disso e deixa no vácuo outra jornalista e vai para a galera Emoticon smile

O dia 13 de março sem dúvida alguma em todos cantos deste país foi algo muito significativo neste cenário tenebroso da mídia que sonega impostos em contas secretas no HSBC.

Tão criminoso como sonegar impostos e esconder o dinheiro em contas secretas juntamente com traficantes, é mentir, manipular fatos, criar realidades paralelas, sonegar informações do Brasil para os brasileiros com seu monopólio asqueroso. Infelizmente, este Congresso covarde, uma boa parte dele eleita com apoio desta mídia cafajeste nada fará para regulamentação de princípios constitucionais da comunicação.

Também Lula e Dilma Rousseff que tanto tempo subestimaram os danos do veneno que o ÚNICO MONOPÓLIO NÃO REGULAMENTADO NO PAÍS é capaz de inocular na mente de tantos analfabetos políticos em todas as classes sociais tem parcela de responsabilidade nisso.

Que tenhamos coragem nós, o povo brasileiro, que não aguenta mais tanta manipulação e ataques aos nossos recursos e aos bens públicos como a Petrobras, façamos nós a luta pra ter de fato uma mídia democrática.

E do lado de lá, os repórteres decentes que ainda existem trabalhando neste monopólio de famiglias sonegadoras, resistam, enfrentem seus editores capachos, reajam!

Conceição de Oliveira
Leia Mais ►

O silêncio dos “inocentes” ou de como pessoas de bem reagiriam à “lista da mídia” no HSBC suíço?



Espero há algumas horas, rodando sites e facebooks, para ver se há reação dos empresários e jornalistas apontados na lista de depositantes do HSBC na Suíça.

Nada, nenhuma manifestação além daquele “não sei, nunca vi” que consta da matéria de O Globo, que procurou todos os citados.

Não lhes faltam espaços para se manifestarem: ou são donos de empresas de comunicação ou dispõem de acesso a elas, além de seus proprios sites, facebooks e contas no Twitter.

Bom, damo-lhes a presunção da inocência a que todos têm direito…

Mas a questão seguinte é inescapável: não parece óbvio que estariam, neste instante, anunciando a interpelação judicial de O Globo e do UOL, onde se veiculou a denúncia para que entregassem os documentos que usaram para apontá-los, se os tem.

Providência básica para, a seguir, propor uma ação de danos morais contra o jornal.

Afinal, não se espalham ações contra os blogueiros, com muito menos causa de pedir — até “sacripanta” rendeu condenação do Miguel do Rosário pelo Ali Kamel?

Afinal, ao meu modestíssimo juízo, ser apontado nos maiores veículos de comunicação como detentor de conta na Suíça causa um abalo moral muito mais grave que um “sacripanta” num blog.

Mas certamente há a prova da presença nos arquivos do Banco e, aí, duas possibilidades: ou é declarada ou é clandestina.

Se é declarada, cada um tem o direito de, querendo, exibir sua declaração de bens ao Imposto de Renda e, neste caso, era só pegar o papelório — ou agora o arquivo de computador — e mostrar que a declarou, bem declaradinha, como eu e você declaramos o apartamento modesto ou a conta bancária com nossos caraminguás.

Até agora, alguém fez isso? Anunciou isso? Algum deles disse que vai fazer isso segunda-feira, embora todos tenham sido avisados, pela equipe de jornalistas que publicou a informação, pois deram respostas?

Não.

Portanto, acaba-se ficando livre para imaginarmos que, na maioria ou em todos os casos, não foram declaradas.

Portanto, clandestinas.

Os inocentes não costumam ficar tão quietos quando são ofendidos.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Gregório Duvivier chama Eduardo Cunha de "câncer" e diz que protestos são "histeria coletiva"


Humorista falou ao programa Timeline, na Rádio Gaúcha, nesta quinta

Com milhões de visualizações em cada vídeo, o Porta dos Fundos é um dos portais de maior sucesso na internet, com esquetes sobre o dia a dia e muitas críticas a corrupção e aos governantes. E o “Porta” tem um lado na política? Há divisão partidária entre os integrantes?

Quem responde é Gregório Duvivier, que falou ao Timeline, da Rádio Gaúcha, na manhã desta quinta-feira:

— Tem coxinha e tem petralha. Tem gente que odeia política, não fala disso. Tem de tudo, é muito vasto politicamente, como empresa. E sempre tem uma grande discussão.

Colunista do jornal Folha de São Paulo, Gregório é crítico às atuais manifestações que pedem a retirada da presidente Dilma Rousseff do poder. Para ele, ir às ruas para protestar contra a corrupção não tem qualquer valor prático.

— O que há hoje é uma histeria coletiva. Famosa indignação coletiva. Ficam anos sem se manifestar, sem participar de nada. Não participam da vida do Legislativo, não sabem o que é reforma política e de repente ficam indignados, como se a corrupção tivesse sido inventada ontem. É uma luta idiota essa pelo fim da corrupção — afirma.

Veja onde ocorrerão protestos dentro e fora do Brasil nos próximos dias

Contrário à retirada da presidente, o ator relembra que, em caso de impeachment, quem governará será o vice Michel Temer (PMDB), com membros do Congresso que são investigados pela Polícia Federal por desvios na Petrobras. Ele afirma que a troca seria um golpe militar e que os protestos deveriam ser direcionados também contra o presidente da Câmara dos Deputados, citado na Operação Lava Jato.

— O Eduardo Cunha é um câncer. Ele está em todos os campos, inclusive na Lava Jato. Em vez de pensar na reforma, em uma maneira efetiva de acabarem com a corrupção em longo prazo, as pessoas pensam em algo superficial. O que se quer é um golpe. Querem a volta dos militares. Qual a proposta de quem quer tirar a Dilma? Pra botar quem? Por quê? Qual é a alegação, a legalidade disso? — questiona o humorista.

Apesar da defesa de manutenção do mandato, Gregório afirma que discorda de decisões tomadas pelo governo, que enfrenta problemas na economia e no controle do câmbio:

— Meu voto nela foi no segundo turno. Dado o que tinha, preferi ela, mas sei que tem mil problemas nesse governo. Mas temos que bater no governo pela esquerda e não pela direita. A questão ambiental e indígena é uma tragédia. Devemos questionar por que ele está tão a direita. E quanto a corrupção, não é problema especifico do Governo Dilma.

Duvivier acredita ser legítimo o panelaço, realizado em 12 capitais do país após o pronunciamento de Dilma em rede nacional, no último domingo. Ele não acredita em manifestação comprada, mas não vê foco por parte dos grupos.

— Não acho que ela tenha sido comprada. É uma indignação espontânea. Eu entendo essa revolta, mas o problema é que tem que direcionar. Ficar batendo panela para mudar o que? Vamos ter pautas, como o fim do financiamento privado de campanha — sugere.



Leia Mais ►

Como a Folha vai reagir à divulgação do nome de Luís Frias no Swissleaks?

Amplamente detestado entre os barões da mídia
O nome mais interessante entre os empresários de mídia listados no Swissleaks é, de longe, Luís Frias, presidente da Folha e do UOL.

Seria em qualquer circunstância, dada a arrogância grosseira com que a Folha regularmente dá lições de moral.

Mas o que torna especialmente picante a presença de Frias na lista é que a notícia foi dada pelo Globo.

Os Marinhos são sócios dos Frias no UOL, e não costumam ser severos com amigos, como se viu pela forma como trataram Aécio na campanha.

Qual a explicação?

Três coisas podem ter se juntado aí. A primeira: o desejo da Globo de não ser a única empresa de mídia a carregar a pecha de sonegadora. Dividir com a Folha pode aliviar a vergonha.

A segunda: dar aquela lista foi uma forma de os Marinhos mostrarem que, ao contrário do que tantos suspeitavam, eles não estão no Swissleaks. Melhor os Frias embaraçados que eles, os Marinhos.

A terceira: Luís Frias é amplamente odiado entre os barões da mídia. Na Abril, lembro bem, quando a sociedade dos Civitas com a Folha no UOL foi desfeita, o comentário no alto escalão foi o seguinte: “Nos livramos do pior sócio do mundo.”

Na Globo, sócios dos Frias no Valor, os ânimos não devem ser muito diferentes. Numa reunião de diretoria da qual participei, o presidente Roberto Irineu Marinho se referiu aos Frias como os “anões da Barão”, em referência à estatura da família.

(Farpas assim não são exatamente incomuns. Uma vez, o caçula dos Marinhos, José Roberto, me perguntou se era verdade que Roberto Civita se referia a ele e aos irmãos como os Três Patetas. Respondi que nunca ouvira RC fazer isso.)

Bem, pessoalmente acho que o motivo do artigo que embaraça os Frias é uma mistura das três hipóteses que mencionei.

Outro ponto torna ainda mais excitante o artigo do Globo. Como a Folha vai reagir?

No caso da sonegação da Globo na compra dos direitos da Copa de 2002, a atitude da Folha foi abjeta.

Ela deu uma nota, e depois o assunto sumiu do jornal para sempre.

Os Frias agora devem estar arrependidos de poupar os Marinhos, ou por deliberação própria ou depois de um telefonema dos sócios.

É previsível que, além de tentar limpar sua imagem no escândalo, os Frias se dediquem nos próximos tempos a retaliar a Globo.

Assuntos não faltam, sabemos todos.

Se a lista do Globo representar o fim da proteção que as grandes empresas de mídia são umas às outras, a sociedade sairá lucrando.

Não só os Frias lutarão por sua reputação, a rigor. Também o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, está numa situação constrangedora.

Por vários dias ele teve o monopólio da lista no Brasil, e o que se viu foi um engavetamento descarado de nomes.

A relação das contas foi depois passada também ao Globo, e deu no que deu.

Rodrigues está desmoralizado, é certo. Mas não é fácil a vida de um jornalista que recebe uma lista de predadores e, ao examiná-la, descobre o nome de seus patrões.

Isso tem que ser reconhecido.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

#globogolpista teve medo da manifestação

General Oliva perdeu a chance de aparecer no jn!


O espectador que assistisse às suaves apresentadoras da GloboNews e ao jornal nacional da #globogolpista poderia dizer que eles piscaram.

Medraram.

Contiveram o ímpeto golpista.

Foram mais medíocres que golpistas.

A #globogolpista piscou e teve medo da galera.

Da massa não cheirosa, diria a Tucanhêde…

A #globogolpista se deu conta de que esse hashtag se tornou viral e reflete o sentimento de que a Globo precisa ser tratada como o Brizola tratou a Rádio Guaíba em 1961.

Domingo de manhã até a noite, a #globogolpista vai se esbaldar com os atores globais que se vestem de “revolucionários” do Combate à corrupção.

Sintomático que o jn levasse o Catão dos Pinhais, o Álvaro Dias, para “comentar” os atos de hoje, sexta 13/3.

Logo ele, que pega carona no jatinho do doleiro selecionado.

Domingo, a manifestação pró impítim (por enquanto não, diria o FHC) merecerá da #globogolpista retumbante cobertura.

O Aloysio 300 mil é dissidente: ele quer ver a Dilma sangrar.

O FHC e o Cerra também.

Porém, são mais espertos e não dizem…

Vai ser assim.

Eles vão passar quatro anos batendo na panela Le Creuset e fazendo manifestação.

E vão perder a eleição de 2018.

Manifestação não é voto.

Voto é a bola na rede.

Em tempo: o Ministro da Casa Civil, General Aloysio Oliva perdeu uma rara oportunidade de aparecer no jornal nacional.

No jornal nacional! O sonho de consumo de todo petista de São Paulo: o jn!

Ao analisar os atos de hoje, em lugar de defender a reforma politica como instrumento do combate à corrupção, como fez o Gilmar Mauro, do MST, o General Oliva reuniu o mais completo conjunto de obviedades que é possível embrulhar em 15 segundos.

Um fenômeno!








Repórter da Globo estava preparado para uma guerra; ouviu apenas vaias – endereçadas ao jornalismo de Ali Kamel



Em tempo: o repórter José Roberto Burnier, que aparece de capacete nas imagens, é jornalista sério. E corajoso: não escondeu o microfone, e aguentou firme as hostilidades (verbais) — que não eram endereçadas a ele, mas ao jornalismo da empresa comandada por Ali Kamel.

Globo vai de capacete pra avenida Paulista, que é tomada por uma multidão em defesa da Democracia

A chuva tinha acabado de dar uma trégua quando Maria Lúcia Gonçalves chegou à avenida Paulista, e ajudou a abrir uma enorme faixa: “Fora PIG”. Maria Lúcia integrava uma delegação de sindicalistas que vinha de Sorocaba (SP) numa das caravanas organizadas pela CUT, para o dia em defesa da Petrobras e da Democracia.

Com um meio-sorriso nos lábios, a sindicalista veterana parecia orgulhosa de fazer – em público – uma crítica que normalmente só é feita nas redes sociais: “a imprensa hoje é um partido, que tem um lado e precisa ser derrotada. Globo, Folha, Estadão e as agências de notícias que abastecem os jornais regionais, eles são um partido. E são contra o Brasil”.

Àquela altura, por volta de 14 horas, a impressão era de que a mobilização sindical seria pequena. Pouco mais de mil pessoas se aglomeravam à frente da sede da Petrobrás em São Paulo: o enorme prédio envidraçado desde cedo aparecia enfeitado com bandeiras e balões da CUT, da CTB, dos sindicatos, e com as faixas de quem estava ali para dizer não à campanha de destruição da Petrobrás, apoiada pela mídia.
Bom humor para lidar com a Globo: concessão pública defende interesses estrangeiros
Bom humor para lidar com a Globo: concessão pública
defende interesses estrangeiros
“Não quero corruptos, mas não quero os gringos mandando na Petrobras”, dizia um pequeno cartaz escrito à mão. Outros eram mais bem produzidos. Havia adesivos contra Alckmin e a crise da água, e havia sim muita gente carregando cartazes em defesa de Dilma: “O mandato é de 4 anos, respeite meu voto”.

Dilma fica!
Dilma fica!
O PCdoB tinha uma mensagem mais explícita: “Em defesa da Democracia, Dilma fica” — acompanhada do mapa brasileiro e a da foto da Dilma de óculos, guerrilheira — imagem que a esquerda costuma empunhar nos atos de rua desde a campanha de 2010.

Às 15 horas, a concentração cresceu: já havia mais de 5 mil pessoas em frente à Petrobrás. Antes de subir para o caminhão de som, o presidente da CUT Vagner Freitas foi cercado pelos repórteres da velha imprensa — aquela mesmo contra a qual Maria Lucia protestava. O velho coro tomou conta da avenida: “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

Veja a hostilidade contra a Globo na Paulista:



Tentei me aproximar do bolo de jornalistas, e notei que o repórter José Roberto Burnier carregava o microfone da Globo — com o símbolo da emissora (nas manifestações de Junho de 2013, os jornalistas da Globo usavam microfones sem o símbolo, para evitar hostilidades; mas dessa vez Burnier preferiu ser explícito).

As vaias e as hostilidades verbais cresceram. O locutor pediu calma aos manifestantes: “pessoal, a Globo merece vaias e críticas, mas a equipe aqui está só fazendo o trabalho deles”.

A equipe da Globo preparada para uma guerra que não houve: capacetes e o segurança (de jaqueta azul)
A equipe da Globo preparada para uma guerra que não houve:
capacetes e o segurança (de jaqueta azul)
De fato, faziam apenas o trabalho — mas com acessórios curiosos: cinegrafistas e assistentes de câmera da Globo usavam capacete incomum, como se estivessem em zona de guerra. Atrás deles, dois homens altos faziam a segurança…

Mas a Globo não estava em zona de guerra. As hostilidades verbais sofridas pela equipe não impediriam as entrevistas, e nem de longe lembram a guerra incessante que o Jornalismo da Globo — sob comando de Ali Kamel — move contra sindicatos, movimentos sociais e contra as políticas trabalhistas.

Os manifestantes da Paulista trataram a Globo muito melhor do que a Globo trata os manifestantes em seus noticiários.

E os manifestantes, logo depois, já haviam esquecido Burnier e sua equipe, passando a ouvir os discursos inflamados que vinham do caminhão plantado à frente da empresa. Como em 1954 — pouco antes do suicídio de Vargas, a Petrobrás é o foco de uma disputa que opõem os liberais/udenistas derrotados nas urnas e os trabalhistas vitoriosos nas urnas mas sem espaço na mídia.

“La lucha de los brasilenos es la lucha de toda America Latina”, dizia o sindicalista argentino, colocando a disputa das ruas numa perspectiva continental.

A batalha é a mesma na Argentina, na Venezuela… A diferença é que no Brasil as lideranças da esquerda (Dilma e Lula) não estão nas ruas. A marcha da Paulista não teve lideranças partidárias. Foi construída por milhares de marias lúcias e suas faixas.

Força ou fraqueza?

Nas redes sociais, muita força. O coletivo #Jornalistaslivres organizou uma cobertura colaborativa dos fatos — à qual este escrevinhador se agregou: mídias ninjas, fotógrafos, repórteres, e uma espécie de redação improvisada no bairro do Bexiga.

Do MASP, um colega do grupo de #Jornalistaslivres avisou a este blogueiro (pelo whats app) que a assembleia dos professores já reunia naquele momento cerca de 5 mil pessoas. E os professores paulistas aprovaram greve a partir de segunda-feira.

Por volta de 16 horas, os manifestantes da Petrobrás começaram a se deslocar em direção ao MASP — cerca de 5 quadras adiante. Nesse momento, a chuva voltou, e alguns buscaram o abrigo das marquises na Paulista. Mas a maioria seguiu marchando pela pista Paraíso-Consolação.

Uma gigantesca massa vermelha se formou. Este escrevinhador calculou em cerca de 20 mil ou 25 mil o total de manifestantes que saíram em marcha naquele momento. Mas quando a chuva diminuiu, por volta de 17h30, mais gente se juntou à manifestação. Por isso, alguns calcularam número ainda maior.

Os carros de som já desciam pela Consolação, enquanto um grupo — menos concentrado — de manifestantes ainda se deslocava pela Paulista, dez ou doze quadras para trás.

Nos bares, era possível ver na TV os poucos “flashes” que a velha imprensa dedicava ao ato: na Globo, surgiu ao vivo um repórter (este sem o cubo de identificação, ao contrário de Burnier). Poucas imagens, nenhuma cena a dar a dimensão da grande massa que se deslocava.

A imagem que a Globo não mostrou: a multidão toma a avenida, em defesa da Democracia
A imagem que a Globo não mostrou:
a multidão toma a avenida, em defesa da
Democracia
No fim do dia, uma guerra de números: a direção da CUT falava em 100 mil manifestantes. A PM de Alckmin cravava o número ridículo de 12 mil.

O blogueiro do UOL Mario Magalhães achou que a polícia estava abusando, e provocou a assessoria da PM pelo twitter: “@PMESP, conheço metodologia de cálculo de multidões. Escrevi sobre isso quando ombudsman da Folha. Eu vi as imagens. Muito mais que 12 mil.”

A PM de Alckmin seria desmentida pelo DataFolha, que estimou em 41 mil o número de manifestantes em São Paulo. Mais tarde, o mesmo @mariomagalhães traria luz sobre a forma de atuação da PM paulista: “PMESP curtindo tuíte de quem convoca para manifestação do domingo. É postura institucional do governo de São Paulo?”

A postura do jornalista mostra que nem tudo no PIG é PIG (como, aliás, indicam também os corajosos textos de Juca Kfouri, publicados esta semana, criticando os paneleiros e defendendo as regras de civilidade democrática).

Neste sentido, foi ótimo que a manifestação da Paulista tenha hostilizado a Globo, mas não os profissionais da emissora – que, felizmente, não precisaram testar a capacidade protetora de seus capacetes.

Será que um blogueiro de esquerda, ou um mídia ninja, será tratado com a mesma razoabilidade na manifestação de domingo? Quem aposta?

Por último uma notícia importante: pela primeira vez desde janeiro, a direita golpista perdeu o comando da rede e do twitter nesta sexta. Das 10 hashtags mais usadas no twitter (entre 5h e 17h no dia 13/março), as quatro primeiras vieram da esquerda:

1 #Globogolpista (48.028 menções)

2 #Dia13diadeluta (17.819)

3 #Domingoeunãovouporque (14.819)

4 #Dilmalinda (7.753)

Só em quinto lugar apareceu uma hashtag da direita (#canseidesertrouxaagoraeuvou – 4.290).

6 #Jornalistaslivres ficou em sexto lugar, com 2.475 menções.

(fonte: Interagentes)

O ato na Paulista (e em várias outras cidades do Brasil nesse dia 13) e a retomada das redes pela esquerda (que estava zonza desde o início do segundo governo Dilma) podem ser um ponto de inflexão na disputa política.

Claro que o ato de domingo, da direita e dos tucanos, deve ser grande — especialmente em São Paulo. Ninguém deve se enganar.

Mas o PSDB e seus aliados tresloucados da extrema-direita parecem ter errado a mão, reunificando a esquerda — que não precisa endossar as levyandades econômicas para compreender a importância de se barrar, nas ruas, o avanço conservador.

 Jornalistas livres

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
Leia Mais ►

Vídeo histórico: De quem é o aeroporto @AecioNeves


Leia Mais ►

A Marcha dos Insensatos e a sua primeira vítima - (parte 2)

http://www.maurosantayana.com/2015/03/ii-marcha-dos-insensatos-e-sua-primeira.html


Muitos brasileiros também vão sair às ruas, no domingo, por acreditar — assim como fazem com relação à afirmação de que o PT quebrou o país — que o governo Dilma é comunista e que ele quer implantar uma ditadura esquerdista no Brasil.

Quais são os pressupostos e características de um país democrático, ao menos do ponto de vista de quem acredita e defende o capitalismo?

a) a liberdade de expressão — o que não é verdade para a maioria dos países ocidentais, dominados por grandes grupos de mídia pertencentes a meia dúzia de famílias;

b) a liberdade de empreender, ou de livre iniciativa, por meio da qual um indivíduo qualquer pode abrir ou encerrar uma empresa de qualquer tipo, quando quiser;

c) a liberdade de investimento, inclusive para capitais estrangeiros;

d) um sistema financeiro particular independente e forte;

e) apoio do governo à atividade comercial e produtiva;

f) a independência dos poderes;

g) um sistema que permita a participação da população no processo político, na expressão da vontade da maioria, por meio de eleições livres e periódicas, para a escolha, a intervalos regulares e definidos, de representantes para o Executivo e o Legislativo, nos municípios, estados e União.

Todas essas premissas e direitos estão presentes e vigentes no Brasil.

Não é o fato de ter como símbolo uma estrela solitária ou vestir uma roupa vermelha — hábito que deveria ter sido abandonado pelo PT há muito tempo, justamente para não justificar o discurso adversário — que transformam alguém em comunista — e aí estão botafoguenses e colorados que não me deixam mentir, assim como o Papai Noel, que se saísse inadvertidamente às ruas, no domingo, provavelmente seria espancado brutalmente, depois de ter o conteúdo do seu saco revisado e provavelmente “apreendido” à procura de dinheiro de corrupção.

Da mesma forma que usar uma bandeira do Brasil não transforma, automaticamente, ninguém em patriota, como mostra a foto do Rocco Ritchie, o filho da Madonna, no Instagram, e os pavilhões nacionais pendurados na entrada do prédio da Bolsa de Nova Iorque, quando da venda de ações de empresas estratégicas brasileiras, na época da privataria.

Prefiro um brasileiro vestido de vermelho, mesmo que seja flamenguista ou sãopaulino, do que um que vai para a rua, vestido de verde e amarelo, para defender a privatização e a entrega, para os EUA, de empresas como a Petrobras.

O PT é um partido tão comunista, que o lucro dos bancos, que foi de aproximadamente 40 bilhões de dólares no governo Fernando Henrique Cardoso, aumentou para 280 bilhões de dólares nos oito anos do governo Lula.

É claro que isso ocorreu também por causa do crescimento da economia, que foi de mais de 400% nos últimos 12 anos, mas só o fato de não aumentar a taxação sobre os ganhos dos mais ricos e dos bancos — que, aliás, teria pouquíssima chance de passar no Congresso Nacional — já mostra como é exagerado o medo que alguns sentem do “marxismo” do Partido dos Trabalhadores.

O PT é um partido tão comunista, que grandes bancos privados deram mais dinheiro para a campanha de Dilma e do PT do que para os seus adversários nas eleições de 2014.

Será que os maiores bancos do país teriam feito isso, se dessem ouvidos aos radicais que povoam a internet, que juram, de pés juntos, que Dilma era assaltante de banco na década de 1970, ou se desconfiassem que ela é uma perigosa terrorista, que está em vias de dar um golpe comunista no Brasil?

O PT é um partido tão comunista que nenhum governo apoiou, como ele, o capitalismo e a livre iniciativa em nosso país.

Foi o governo do PT que criou o Construcard, que já emprestou mais de 20 bilhões de reais em financiamento, para compra de material de construção, beneficiando milhares de famílias e trabalhadores como pedreiros, pintores, construtores; que criou o Cartão BNDES, que atende, com juros subsidiados, milhares de pequenas e médias empresas e quase um milhão de empreendedores; que aumentou, por mais de quatro, a disponibilidade de financiamento para crédito imobiliário — no governo FHC foram financiados 1,5 milhão de unidades, nos do PT mais de 7 milhões — e o crédito para o agronegócio (no último Plano Safra de Fernando Henrique, em 2002, foram aplicados 21 bilhões de reais, em 2014/2015, 180 bilhões de reais, 700% a mais) e a agricultura familiar (só o governo Dilma financiou mais de 50 bilhões de reais contra 12 bilhões dos oito anos de FHC).

Aumentando a relação crédito-PIB, que era de 23%, em dezembro de 2002, para 55%, em dezembro de 2014, gerando renda e empregos e fazendo o dinheiro circular.

As pessoas reclamam, na internet, porque o governo federal financiou, por meio do BNDES, empresas brasileiras como a Braskem, a Vale e a JBS.

Mas, estranhamente, não fazem a mesma coisa para protestar pelo fato do governo do PT, altamente “comunista”, ter emprestado — equivocadamente a nosso ver — bilhões de reais para multinacionais estrangeiras, como a Fiat e a Telefónica (Vivo), ao mesmo tempo em que centenas de milhões de euros, seguem para a Europa, como andorinhas, todos os anos, em remessa de lucro, para nunca mais voltar.

(segue)

Leia Mais ►

A virada paulista

As mobilizações desta sexta-feira mostraram que o PT deve perder o medo das ruas. Mais que perder o medo. Apostar nelas.

Se existe aprendizado em política, as mobilizações registradas no Brasil nesta sexta-feira, 13, mas sobretudo, a passeata de cerca de 50 mil pessoas que tomou conta da avenida Paulista, em São Paulo debaixo de um temporal diluviano, não deve ser tratada com negligência.

Nem pela direita.

Quanto mais pela esquerda.

A manifestação robusta que irrompeu no coração do conservadorismo brasileiro surpreendeu o mundo político, surpreendeu a mídia conservadora, surpreendeu os sindicalistas, surpreendeu um PT, de lideranças graúdas inexplicavelmente ausentes, e certamente surpreendeu também o golpismo, assim como não era esperada tampouco pelo governo.

Quem esteve lá sabe do júbilo estampado nas faces de homens e mulheres de origem predominantemente popular que ali se reuniram vindos de pontos distantes da Grande São Paulo, igualmente deslumbrados ao se identificarem com a alma e o corpo lavados como protagonistas de um acontecimento ímpar.

Uma virada paulista.

O ato que que se estendeu pelos três quilômetros da avenida, de dimensões absolutamente impensáveis horas antes, desafiou todas as circunstancias adversas que o cercavam.

Tinha tudo para dar errado.

Uma agenda ambígua de apoio e crítica ao governo, a convocação confusa, quase revogada no meio do caminho, o distanciamento desencorajador do governo, o vai não vai das lideranças do PT — que, ao final, não vieram, o fim de tarde de uma sexta-feira, ainda por cima 13, a chuva — imprevista pela meteorologia, que para cúmulo das provações desabou como um temporal copioso na descida da Consolação, ademais do medo de enfrentamentos com a direita, martelado insistentemente pela mídia, etc.

Enfim, só um milagre autorizava apostar no êxito de um ato num quadro político até então tomado por uma vertiginosa e aparentemente incontrolável escalada golpista.

Daí o olhar cúmplice do tipo ‘nós fizemos’’ que os marchadores trocavam em meio à cortina de água que chicoteava de cima e gelava os pés à caminho da praça da República, na altura do cemitério da Consolação, quando a culatra da passeata ainda deslizava sua grandiosidade pela Paulista.

Alguns preferiram não acreditar no que viam.

Caso escandalosamente deliberado do O Globo, por exemplo.

Incapaz de explicar o que deu errado com a sua esférica avaliação de um governo Dilma crepuscular e isolado, o jornal dos Marinhos, sapecou em seu site um irrisório ‘atos pró-governo reúnem 33 mil em 24 estados’.

Assim, numa aritmética sem pejo, sonegou aos heróis da virada paulista uma existência física, mas sobretudo política, inscrita no caudal sem fim que o seu telejornalismo não teve a coragem de mostrar em perspectiva e tampouco nas imagens aéreas feitas e sonegadas aos seus telespectadores.

A blindagem cognitiva fica escancarada quando a própria e insuspeita Datafolha, de conhecidas tradições, reconhece o que era ostensivamente incontornável: havia mais de 40 mil pessoas emendando toda a extensão dos três quilômetros da avenida Paulista até as proximidades da Igreja da Consolação, mais dois quilômetros abaixo.

Alguns, os mais entusiasmados, falavam em 100 mil lavadas pelas das águas de março na descida da Consolação, rumo à praça da República.

Que tenham sido 50 mil. Ou, por baixo, os 41 mil do Datafolha.

A verdade é que depois de aguaceiro humano e político desta improvável sexta-feira 13, o Brasil não é o mesmo.

E o Brasil não é o mesmo porque em São Paulo a rua não é mais da direita.

Não sendo mais da direita no coração do conservadorismo brasileiro, a agenda política nacional mudou.

E de tal forma que não importa o que acontecer domingo na mesma avenida porque ela já não é mais o balneário da reação.

Poucas vezes foi tão importante a presença das forças progressistas e democráticas nas ruas como aconteceu nesta sexta-feira.

Não importa o que ocorrer dia 15 , a virada já aconteceu.

A agenda do golpe foi maciçamente afrontada — no seu núcleo duro e em mais 23 cidades brasileiras.

Mas o que se deu em São Paulo foi adicionalmente significativo por enviar um recado de uma parcela específica da população para o centro da disputa política.

O que se via debaixo do aguaceiro era maciçamente um painel do rosto da periferia brasileira.

Um rosto de maciça composição popular que demonstrou o poder de mobilização da CUT e dos movimentos populares.

O rosto de um personagem que não tocou panelas no levante da varanda gourmet no domingo anterior.

Mas que agora mandava um recado líquido e pluvial a quem possa interessar.

A contrapelo de muitos, São Paulo provou que o capital político do governo Dilma é maior do que diz o agendamento conservador. Maior do que o próprio governo e o PT supõem.

Resta não desperdiçá-lo.

Um bom começo é aprender a lição do poder que tem o desassombro político.

A política não é uma equação estática.

A mudança de uma peça altera o equilíbrio de todo o tabuleiro.

A pretensão tucana de sangrar o governo Dilma até 2018 e assim ferir de morte também uma eventual candidatura de Dilma, só ganha aderência real se o outro lado se enquadrar no figurino da paralisia política.

A prostração pode mudar com uma iniciativa que inaugure uma nova referência política.

Ou não foi a versão extremada disso que aconteceu em 24 de agosto de 1954?

O sacrifício pessoal de Vargas e uma carta testamento memorável escancaram a natureza antipopular do cerco conservador ao seu governo incendiando a revolta nas ruas contra os adversários golpistas.

Não é preciso o gesto extremo, porém, para reverter a escalada de um golpe de Estado.

O importante a reter — que a virada paulista desta sexta-feira reafirmou — é a coragem da iniciativa política.

Em 1961, a mesma cepa que hoje se propõe a sagrar o Brasil tentou impedir a posse de Jango, após a renúncia de Jânio Quadros.

Só uma resistência organizada — é oportuno escandir a palavra or-ga-ni-za-da — impediria a consumação do golpe branco.

Mas ela tardava.

Foi então que Leonel Brizola mexeu uma peça no tabuleiro do xadrez político.

Em 27 de agosto, ele personificou o gesto redefinidor com a criação da ‘Cadeia da Legalidade’.

De início, formada por uma rede de rádios gaúchas, a resistência operava do porão do Palácio Piratini, para onde o líder gaúcho requisitara os transmissores da rádio Guaíba, de Porto Alegre.

As tropas da Brigada Militar protegiam o Palácio em vigília diuturna.

Através das ondas médias e curtas ocupava-se o noticiário 24 horas por dia.

Brizola conclamava o povo a ir às ruas em defesa da legalidade democrática, contra o golpe da junta militar que, em Brasília, recusava autorização para Jango, em viagem oficial ao exterior, retornar ao país.

Aos poucos, outras emissoras de Porto Alegre e do interior do Estado uniram-se à Rede, que chegou a cravar 100% de audiência no estado.

O efeito contagiante da resistência romperia a fronteira gaúcha para formar uma cadeia com 104 emissoras de todo o Brasil e de países vizinhos.

Boletins noticiosos em inglês, espanhol e alemão passaram a ser emitidos.

Foram 10 dias que abalaram o Brasil.

Finalmente, o III Exército rachou e declarou solidariedade ao movimento.

O conjunto forçou o Congresso conservador a buscar uma solução negociada.

Em 7 de setembro de 1961, Goulart receberia a faixa presidencial.

O inusitado ocorrido na avenida Paulista nesta sexta-feira 13 contém a contagiante vitalidade dos gestos que devolvem o poder de iniciativa ao campo progressista.

Forças que se imaginava menos mobilizáveis e mais frágeis ergueram-se pelos próprios cabelos para devolver a bola do jogo ao governo e ao PT.

Cabe-lhes não desperdiçar o precioso espaço reconquistado.

Um bom começo é perder o medo da rua.

Mais que perder o medo.

Apostar na rua.

Nas próximas manifestações — porque serão necessárias — seria interessante que lideranças do partido, inclusive as mais graúdas, voltassem a essa origem.

E marchassem ao lado do povo.

Esse povo ‘pago’, segundo a mídia, que veio das periferias distantes tem algo a ensinar às suas lideranças.

Em defesa da democracia, do pré-sal e do Brasil é preciso sair na chuva para se molhar.

Saul Leblon
No Carta Maior
Leia Mais ►

Swissleaks fisga barões da mídia e jornalistas


Entre os personagens que mantêm ou mantiveram contas numeradas no HSBC da Suíça estão nomes como Otávio Frias, que fundou a Folha de S. Paulo, Johnny Saad, dono do grupo Bandeirantes, Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, do Globo, José Roberto Guzzo, colunista e membro do conselho editorial da Abril, Ratinho, apresentador do SBT, e Mona Dorf, jornalista ligada à Rádio Eldorado; todos alegam que não cometeram irregularidades; presença de barões da mídia na lista também revela seletividade do jornalista Fernando Rodrigues, do Uol, que foi escolhido pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, do qual faz parte, para divulgar o material; afinal, seu empregador, Otavinho Frias, não teve o nome divulgado por ele

O escândalo Swissleaks, das contas numeradas secretas mantidas na Suíça, fisgou alguns dos mais poderosos barões da mídia brasileira, assim como influentes jornalistas da imprensa nacional.

Na lista vazada por Hervé Falciani, ex-funcionário do HSBC, estão nomes poderosos como Otávio Frias, fundador já falecido da Folha de S. Paulo, e João Jorge Saad, o Johnny Saad, dono do grupo Bandeirantes — ambos tinham contas zeradas em 2007, ano dos registros obtidos por Falciani. A conta de Otávio Frias, depois, passou a apontar seu filho Luís Frias, um dos donos do Uol, como beneficiário.

Outro personagem curioso que aparece na lista é José Roberto Guzzo, ex-diretor de Veja e Exame e hoje conselheiro editorial da Abril, além de um dos colunistas mais mal-humorados da imprensa brasileira.

A lista também fisgou Carlos Massa, o Ratinho, do SBT, com US$ 12,4 milhões, e Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, da Globo, com US$ 750,2 mil.

A maior soma na lista é a de Aloysio de Andrade Faria, dono da Rede Transamérica, com US$ 120,5 milhões. Depois dele, aparecem Yolanda Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, Paula Frota Queiroz e Edson Queiroz Filho, do grupo Verdes Mares, afiliado da Globo no Ceará, com US$ 83,9 milhões. Fernando João Pereira dos Santos, da Rádio Tribuna, do Espírito Santo, mantinha US$ 9,9 milhões.

Além deles, aparece ainda Luiz Fernando Levy, que quebrou a Gazeta Mercantil, deixando um rastro de dívidas tributárias e trabalhistas.

Entre os jornalistas assalariados, além de Guzzo, destaque para Mona Dorf, ligada à Rádio Eldorado, com US$ 310 mil. Arnaldo Bloch, colunista do Globo, também foi correntista do HSBC de Genebra, assim como a família Dines, que, à época manteve US$ 1,3 milhão no banco suíço.

Todos os personagens citados alegam manter contas regulares e declaradas — o que deve ser verificado pela Receita Federal. A divulgação da lista de barões da mídia, no entanto, coloca em xeque o trabalho de Fernando Rodrigues, jornalista do Uol que foi escolhido pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos para receber o material. Não foi Rodrigues quem divulgou o nome de seu patrão, Luís Frias, mas sim os repórteres Chico Otávio, Cristina Tartáguila e Ruben Berta, do jornal O Globo.
Leia Mais ►

Sérgio Porto # 164


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►