13 de mar de 2015

Fernando Rodrigues e a arte de fugir da notícia

Nos tempos em que era a mais bela mulher do planeta, Ava Gardner veio ao Rio e se hospedou no Copacabana Palace. De noite, desceu no bar do hotel, bebeu todas e se engraçou com o pianista. Contam as lendas que chegaram a ir ao seu apartamento. Mas, ante tão esplendorosa criatura, o pianista falhou, para desdém dos pósteros.

Fernando Rodrigues teve o seu momento com Ava Gardner, o acesso exclusivo a um material que muitos repórteres (de fato) cortariam um dedo para obter, uma enorme lista de pessoas com contas no exterior, em um banco especializado em esconder a identidade dos correntistas.

Na lista, os mais inocentes eram ex-maridos querendo esconder patrimônio da esposa. Mas deviam ser minoria. Afinal, era um banco especializado em esconder a identidade de grandes operadores, a maior lavanderia já revelada nesses tempos de Internet.

Com os milhares de nomes, certamente se poderá montar o raio x dos escândalos políticos, financeiros, do crime organizado de toda uma era no Brasil. E com o Google inteiro permitindo bater nomes e complementar informações.

No Google, há listas de traficantes, de políticos envolvidos em denúncias, de administradores públicos e privados suspeitos, de operadores políticos de todos os partidos. Não se trata de trabalho complexo bater os nomes da lista com os dos suspeitos. Exige competência e esforço.

O que segurou Rodrigues, então?

A primeira é sua histórica dificuldade em avançar em temas complexos. Não deveria, posto que por anos cobriu o mercado de dívida brasileira em Nova York. Mas falta-lhe a garra para avançar no entendimento de temas complexos e discernimento para filtrar o que recebe.

Foi assim no enorme estardalhaço que fez com contas de bancos brasileiros em off-shores. Não soube separar operações fiscais de empresas globalizadas — montadas em geral para amparar captação de recursos —, com lavagem de dinheiro. Praticou um escândalo da tapioca em cima de dois mega-anunciantes — Itaú e Bradesco — e dançou.

Agora, com essa lista do HSBC na frente, com a Ava Gardner sonhada por todos os repórteres de sangue, mas sem a retaguarda de um jornal, amarelou.

Precisaria de discernimento para analisar os nomes, sabendo que mais cedo ou mais tarde seus critérios seriam julgados pelos colegas e pelo público.

Mas qual o risco que teria se colocasse nomes que, depois, se descobrisse amigos da casa? Qual a margem de manobra para denunciar aliados? E se uma denúncia fosse interpretada como favorável ao governo? E se fizesse um carnaval em cima de uma não-denúncia?

No começo, tomou uma decisão que atropelou todos os conceitos jornalísticos conhecidos: em vez de dar o “furo”, encaminhou a lista para autoridades públicas. A essência do sigilo de fonte e da liberdade de imprensa é justamente o direito do jornalista ir atrás de documentos oficiais, e publicá-los, ao largo dos sistemas institucionais. Rodrigues recebeu os documentos e entregou para as autoridades atestarem sabe-se lá o quê.

Aceitou suas limitações jornalísticas e passou a fugir do furo como o diabo da cruz.

Com O Globo entrando no jogo, haverá reportagem. Mas sempre com os filtros impostos pelo jornal-mãe.

Luís Nassif
No GGN
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Enquanto milhares vão às ruas em defesa da Petrobras, contra o golpe e pela reforma política, Globo é homenageada




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Marcha na avenida Paulista, sob chuva

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Concentração diante do prédio da TV Gazeta, na Paulista

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Goiânia, via Carlos Siqueira

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Jandira Feghali e João Pedro Stedile, na Cinelândia, no Rio

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Fortaleza, foto do jornal O Globo

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São Paulo, via Igor Fellipe

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Mossoró, Rio Grande do Norte, via Marcelo Leite

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Recife, via Antonio Jorge Bravo

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Porto Alegre, de roxo

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Rio: Cartazes em defesa da Petrobras e contra as seis famílias que dominam a mídia, via Mídia Ninja
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Mídia concentra foco na Lava Jato, mas ignora empreiteiras na Castelo de Areia e no trensalão


Em 27 de fevereiro, dois executivos da cúpula da Construtora Camargo Corrêa fecharam acordo de delação premiada com o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras.

São Dalton Avancini e Eduardo Hermelino Leite, respectivamente, presidente e vice-presidente da empreiteira. O criminalista Celso Vilardi, advogado de ambos,  não participou das negociações e já informou que vai renunciar à defesa desses clientes.

A Camargo Corrêa também não participou do acordo. Em nota, diz que “tomou conhecimento pela imprensa que seus executivos Dalton Avancini e Eduardo Leite firmaram acordos individuais de colaboração com o Ministério Público Federal”.

A pergunta que não quer calar: a delação premiada de Avancini e Leite vai se restringir à corrupção na Petrobras ou abrangerá também contratos da Camargo Corrêa com outras empresas e órgãos públicos municipais, estaduais e federais em todo o País?

Na época da ditadura, já era voz corrente que as empreiteiras “engraxavam” agentes de órgãos públicos para obter vantagens.

O empresário tucano Ricardo Semler, em artigo publicado em novembro de 2014, salientou que sob Dilma, “nunca se roubou tão pouco”. E revelou ainda:

Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.

 A delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, só veio confirmar o que se supunha. Em audiência à Justiça Federal do Paraná, ele disse que:

1) As principais empreiteiras do País distribuíam entre si os contratos, mediante pagamento de propina e desvio de dinheiro público, repassado a partidos políticos.

2) O esquema revelado na Operação Lava Jato operava em todo o País.

3) Ele  não era exclusividade da Petrobras; existia em outras empresas e órgãos públicos municipais, estaduais e federais.

Em português claro: as empreiteiras denunciadas na Lava Jato estão muito mais juntas e misturadas do que mostram a mídia, a Polícia Federal (PF) e o próprio Ministério Público Federal (MPF). Inclusive a Camargo Corrêa, conectada às operações Lava Jato e Castelo de Areia e ao trensalão tucano.

Diante disso, o Viomundo gostaria de saber:

* O juiz  Sérgio Moro e os procuradores federais perguntarão a Dalton Avancini sobre a sua prisão decretada em 2010 pelo Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP) em função de corrupção na Sanasa?

A Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A.) é empresa de economia mista controlada pela Prefeitura de Campinas, no interior do Estado de São Paulo. Na época, Avancini fugiu e foi considerado foragido.

A Camargo Corrêa foi uma das empresas acusadas de integrar o cartel que fraudava licitações na área de saneamento. O próprio MPE-SP menciona contratos bilionários do grupo com a Sabesp.

* O juiz  Sérgio Moro e os procuradores federais indagarão também a Avancini sobre o Consórcio Via Amarela, responsável pela construção da Linha 4- Amarela do Metrô de São Paulo?

Avancini representa a Camargo Corrêa no consórcio do qual participa a Alstom, multinacional francesa envolvida no esquema que fraudou e superfaturou licitações do  Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em conluio com agentes públicos de sucessivos tucanos no Estado de São Paulo. O chamado trensalão, ou propinoduto tucano, como ficou conhecido o esquema.

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Tal qual a Alstom a Camargo Corrêa também integra o cartel fraudador.

Um dos contratos denunciados por superfaturamento é justamente o da Linha 4- Amarela do Metrô. Em valores atualizados, a obra foi orçada em R$ 3,3 bilhões. Na Operação Castelo de Areia, há a informação de pagamento de propina da ordem de R$ 16 milhões.

* O juiz  Sérgio Moro e os procuradores federais questionarão Eduardo Leite sobre o consórcio formado para construir o Sistema Produtor São Lourenço, obra da Sabesp?

O consórcio chama-se SPSL Águas — Sistema de Tratamento e Disposição S/A. Eduardo Leite representa nele a Camargo Corrêa.

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O Sistema Produtor São Lourenço consiste em construir uma represa no rio Piraí, no município de Ibiúna, para enviar 4,7 mil litros de água por segundo para cidades da Grande São Paulo por uma tubulação de 83 quilômetros de extensão. Em valores atualizados, uma obra de R$ 6,6 bilhões.

Apenas dois consórcios participaram da licitação. O formado pelas empresas Carioca Christiani- Nielsen e Saneamento Ambiental Águas do Brasil foi desclassificado pela Sabesp.  Saiu vencedor o SPSL Águas, composto pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.


“Mesmo após a apresentação de recurso [pelo grupo desclassificado], a Sabesp manteve sua decisão e sagrou vencedor o consórcio SPSL, com uma proposta cuja contraprestação por parte da estatal supera em 14 milhões de reais o preço referencial estipulado no item 6 do edital. Ou seja: foi feita uma licitação que serviu para aumentar, em vez de baixar por meio da concorrência, o preço a ser desembolsado pela estatal”.

* O juiz  Sérgio Moro e os procuradores federais interrogarão os dois delatores sobre as descobertas da PF na Operação Castelo de Areia?

A Castelo de Areia foi desencadeada pela Polícia Federal  (PF)e focou na Camargo Corrêa. Ela investigou um esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e repasses ilícitos para políticos envolvendo executivos da empreiteira, entre 2009 e 2011.

Em 2011, foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a alegação de que partiu de denúncia anônima. A  Procuradoria-Geral da  República (PGR) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF).


Daí, outra pergunta que não quer calar: será que, agora, com a delação premiada, os dois executivos da Camargo Corrêa finalmente esclarecerão as provas obtidas pela PF na Castelo de Areia?

DOCUMENTOS DA CASTELO DE AREIA CITAM CONSELHEIROS DO TCE, JORNALISTA DE VEJA E MATARAZZO

A Castelo de Areia, repetimos, concentrou-se na Camargo Corrêa. Um dos relatórios da PF sobre essa operação (na íntegra, ao final desta reportagem) tem 284 página e  refere-se a informações contidas em  pen-drives e documentos físicos apreendidos.

Um deles é o manuscrito abaixo, de 31/01/2008, que indica a base de cálculo de valores referentes à sigla PMN, que é como, na Camargo Corrêa, se convencionou chamar a Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo.

De acordo com as anotações do documento, a Camargo Corrêa teria recebido até dezembro de 2007 R$ 21.314.104,00 referentes aos lotes 4 e 5 da Linha Amarela. Desse montante, foi calculado 1% –  R$ 213.140,00 –, que se seria o “por fora” para a pessoa indicada pela sigla “F.B.” ainda não identificada.

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Fonte: Relatório da PF, página 47
O documento abaixo concerne à  obra identificada como PSM, que significa Anel Viário – Metrô de São Paulo.

Ele tem duas partes. Na superior, manuscrito em azul, está o valor de R$ 125 mil, que seria a “contrapartida” pela autorização de “acerto de aditivo” da obra. Estaria relacionado à sigla “E.B.”, que a PF identificou como sendo Eduardo Bittencourt Carvalho.

O relatório da PF diz:

Considerando-se algumas citações em outros documentos relacionados mais a frente, há indícios de que tais citações dizem respeito a EDUARDO BITTENCOURT CARVALHO, ex-presidente e atual conselheiro do TCE-SP, uma vez que este seria um dos responsáveis pela liberação de pagamento de aditivos das obras no âmbito estadual.

Na parte inferior do documento, surge a menção ao termo CLEIMS – METRO L4. Na verdade, segundo o relatório da PF, o correto seria CLAIMS — o termo utilizado para designar os aditivos aos contratos de prestação de serviços executados pelas empreiteiras.

Ainda com relação a esta anotação há a indicação de compromisso de valores da ordem de R$ 5 milhões referentes a três parcelas devidas nos meses de janeiro a março de 2008.

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Fonte: Relatório da PF, página 48
O documento seguinte relaciona valores datados de 01.04.2008.

Na parte superior do manuscrito, o valor de R$ 55.900,00 refere-se à propina paga por acordo judicial com a Prefeitura de Jundiaí. Está registrado como Custos Diversos (Polt), que poderia indicar a expressão Políticos. Diz a respeito a 10% do valor total  — R$ 559.000 — recebido pela Camargo Corrêa naquela data. Não há indicação de possível beneficiário.

Na sequência, há citação de R$ 192.000 referentes ao “acerto” do contrato para execução de obras da Linha 4-Amarela (PMN) do Metrô de São Paulo.

Dos R$ 192.000, R$ 126.000 seriam para o (a) CMr. Para OG4 iriam R$ 66.000.

O relatório da PF diz:

Estas siglas ainda não estão identificadas. Contudo, ao lado dos valores surge o nome de Robson Marinho, possivelmente referindo-se ao auditor do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

Robson Marinho é conselheiro do TCE-SP e foi denunciado em vários casos de corrupção, entre eles o da Alstom.

Atualmente, por decisão da Justiça de São Paulo, o conselheiro está afastado do cargo.  Chefe da Casa Civil do governo Mário Covas (PSDB), entre 1995 e 1997, Marinho é acusado pelo Ministério Público de receber propina da multinacional francesa Alstom para favorecê-la em um contrato com a Eletropaulo quando esta empresa ainda pertencia ao governo do estado.

O relatório da PF acrescenta:

Em outra pesquisa chegamos à informação de que o Metrô criou um Grupo de Trabalho para avaliar as propostas do Consórcio Via amarela, o chamado GT, que foi criado em 10/01/2005, pelo então presidente do metrô, Luiz Carlos Frayze David. Esse grupo foi criado em 10 de janeiro de 2005 e tendo como Coordenador Marco Antonio Buoncompagno – GC 4 –, o que poderia indicar ser ele o beneficiário indicado pela sigla OG4.

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Fonte: Relatório da PF, página 29
O documento abaixo mostra quatro valores. Nos três primeiros, não há indicação de beneficiário.

Segundo o relatório da PF, o primeiro — R$ 146.443 — diz respeito à sigla ACOO (Aeroporto de Congonhas). Representa aproximadamente 5,5% do que a Camargo Corrêa recebeu pela obra de setembro a novembro de 2005.

O segundo — R$ 63.839 — relaciona-se à sigla AV (Aeroporto de Vitória). Representa aproximadamente 5,5% do que a Camargo Corrêa recebeu por essa obra em outubro de 2005.

O terceiro — R$ 234.912 — refere-se à obra CBM (DER – Bauru – Marília). Representa aproximadamente 5,5% dos recebimentos da Camargo Corrêa pela obra nos meses de novembro e dezembro de 2005..

O único valor — R$ 50.000 — com indicação de beneficiário é o quarto. Aparece relacionado à sigla genérica NNN, não sendo atrelado a uma obra específica.

O relatório da PF expõe:

Há menção de que este valor estaria direcionado à Revista “A”, mais precisamente ao jornalista REINALDO AZEVEDO, atualmente articulista da Revista VEJA.

Depois, acrescenta:

Outros nomes que surgem no manuscrito são de ANDREA MATARAZZO, que provavelmente seria o então secretário de coordenação das subprefeituras da Prefeitura de São Paulo, além do prenome “CARLOS”, o qual ainda não foi possível identificar.

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Fonte: Relatório da PF, página 129
Diante desses indícios, os documentos obtidos na Castelo de Areia não mereceriam ser melhor investigados? O que mostramos é apenas a mínima parte de um dos relatórios da PF sobre a operação.

CAMARGO CORRÊA: A CONEXÃO LAVA JATO-CASTELO DE AREIA- PROPINODUTO TUCANO

Na verdade, as digitais da Camargo Corrêa estão nos três escândalos mencionados no intertítulo acima.

Por exemplo, ela e a Andrade  Gutierrez (outra empreiteira denunciada na Lava Jato e no trensalão) têm um contrato de R$ 1,2 bilhão para execução de um dos lotes da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo, onde houve ação do cartel e superfaturamento de mais de R$ 300 milhões.

Não é o único. Os contratos do governo paulista com a Camargo Corrêa somam quase R$ 11 bilhões. Entre as obras, figuram o desassoreamento da calha do rio Tietê e  o Rodoanel Sul, onde o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou superfaturamento.

Estima-se que, de 1996 a 2010, a Camargo Corrêa teria pago cerca de R$ 200 milhões em propina para agentes públicos de sucessivos governos tucanos em São Paulo. O cálculo baseia-se no valor dos contratos da empreiteira  com o governo paulista e o percentual de propina  – 3% a 6% — pago a agentes públicos. Já em todo o país o esquema teria movimentado mais de R$ 500 milhões.

  – Além da Camargo Corrêa, outras empreiteiras denunciadas na Lava Jato  também estão no trensalão tucano? – alguns leitores devem estar já perguntando.

A resposta é sim. Iesa, OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão e Galvão Engenharia, por exemplo, estão tanto no trensalão quanto na Lava Jato.

Aliás, a divulgação da Lista da Lava Jato comprovou o que já havíamos denunciado: os vazamentos seletivos na mídia, que funciona como partido político de oposição ao governo federal.

Do contrário, como explicar o nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ter sido escondido durante toda a campanha eleitoral e só aparecido quando se soube oficialmente na semana passada que ele não seria investigado pelo STF, apesar de mencionado pelo doleiro Alberto Youssef na Lista de Furnas?

Curiosamente, em 6 de março, O Globo publicou que Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa, iria detalhar na sua delação premiada como funcionava o esquema de propina na Usina de Belo Monte. E que isso teria sido fundamental para os procuradores federais aceitarem fazer acordo com o executivo.

Belo Monte é do setor elétrico, não tem nada a ver com a Petrobras.

Curiosamente, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao justificar a não abertura de inquérito de Aécio Neves no STF disse que a Lista de Furnas não se referia à Petrobras.

Por que a não conexão de Furnas com a Petrobras serviu para Janot tirar Aécio da lista oficial da Lava Jato e agora o MPF vai investir sobre o Belo Monte?

Youssef é um velho “conhecido” da Justiça, pois atuou fortemente no caso Banestado.

As referências do doleiro a Aécio Neves na Bauruense e na Lista de Furnas (aqui e aqui) indicam que esses esquemas se comunicavam no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Só para lembrar: empresas do grupo Alstom (denunciada no trensalão) em consórcio com a Bauruense (envolvida na Lista de Furnas e ouras improbidades) prestaram serviços ao governo paulista.

Será que se pode ser parcial na apuração dos malfeitos? Afinal, delações parciais acabam protegendo e mantendo esquemas em outros lugares que há muito já deveriam ter sido estancados.

Por que não se investigar todo o cartel de empreiteiras, que age no Brasil inteiro de modo a viciar licitações de órgãos públicos federais, estaduais e municipais?

Tampouco esquemas fraudulentos são exclusividade de empreiteiras. As contas bancárias de personagens do trensalão tucano no Credit Suisse e provavelmente no HSBC suíço (Leia  PS do Viomundo)  poderão mostrar que esses esquemas usavam os mesmos dutos para pagar propinas. Por isso, tem de se investigar todos os contratos dos governos estaduais com o clube de empreiteiras, assim como atacar todos os esquemas.

É o único jeito de se superar práticas cristalizadas. Também de impedir que escândalos envolvendo tucanos e demos continuem a ser colocados embaixo do tapete, graças à blindagem da mídia bandida e à colaboração de alguns membros do Judiciário.



PS do Viomundo:  Já havia sido divulgado que 11 integrantes da família Queiroz Galvão (donos de empreiteiras citadas na Lava Jato) tinham contas no HSBC da Suíça.

Hoje, 12 de março, O Globo revela que dois engenheiros envolvidos no trensalão tucano também abriram contas no HSBC da Suíça. Paulo Celso Mano Moreira da Silva, hoje com 70 anos, foi diretor de operações do Metrô, e Ademir Venâncio de Araújo, de 62 anos, diretor administrativo do Metrô e diretor de obras da CPTM. Atualmente são acusados de improbidade administrativa pelo MPE-SP.

Em 10 de abril de 1997 Silva e Araújo assinaram contrato para que a Alstom fornecesse, sem licitação, um sistema de sinalização e controle da linha Norte-Sul (Vermelha) do Metrô de São Paulo. Eles recorreram a um termo aditivo sobre um contrato firmado oito anos antes entre o Metrô e Alstom.

Silva aparece como proprietário da conta numerada 22544FM, aberta em 12 de outubro de 1994. Em 2007, ele tinha US$ 3 milhões. Sua mulher, Vera Lúcia Perez Mano Moreira da Silva, que já morreu, constava como co-titular.

Araújo consta, por sua vez, como “diretor técnico do metrô de São Paulo” e dono de três contas numeradas: uma aberta em nome da Jemka Investments Limited, outra em nome da Mondavi Holding Trading Ltd. e uma terceira com o número 29233SC. Segundo as planilhas do HSBC, somando as três, Araújo dispunha de US$ 6,9 milhões em 2007.

Conceição Lemes
No Viomundo
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Vídeo imperdível: impítim é meuzovo


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A cobertura desonesta da alta do dólar por Míriam Leitão e congêneres

Mostra a árvore, mas não a floresta
Uma das funções mais nobres da mídia é jogar luzes onde existem sombras.

Falei disso algumas vezes, e sempre penso nisso quando reflito sobre o DCM.

A imprensa brasileira faz o oposto: joga mais sombras onde já existem sombras.

Um exemplo notável disso é a cobertura que se dá à alta do dólar.

Uma coisa é o dólar estar subindo apenas no Brasil, enquanto no universo reina estabilidade paradisíaca.

Outra coisa é o dólar estar subindo em todo o mundo.

No primeiro caso, o problema está no governo. No segundo, o país é parte de um drama complexo – e o governo está longe de ser o único responsável.

E como a imprensa brasileira noticia o dólar? Bem, você pode imaginar.

A luz veio, afinal, da BBC Brasil. Hoje, a BBC fez uma reportagem na qual mostrou o panorama real.

A BBC entrevistou uma consultoria, a Rosenberg. A Rosenberg acompanha um cesto de 21 moedas internacionais. Delas, 20 se desvalorizaram diante do dólar.

Não uma, não duas, não três: 20.

Se você não dá essa informação, o leitor flutua numa nuvem de ignorância pessimista.

O dólar forte se explica, em boa parte, nos sinais de recuperação da economia americana.

Há, também, sinais de que o FED, o banco central dos Estados Unidos, vai aumentar a taxa de juros. Com isso, investidores são tentados a deslocar seu dinheiro para os Estados Unidos, em busca de juros atraentes para suas aplicações.

O dólar se beneficia com isso.

Não se trata de negar problema, e sim de situá-lo.

A BBC mostra uma coisa que nenhum colunista econômico da imprensa noticiou: perante o euro, o real manteve a paridade.

Há um ano, o euro estava cotado a 3,28 reais. Agora, está em 3,31.

Neste princípio de ano, o real caiu 13,4% diante do dólar, enquanto o recuo do euro foi de 11,6%.

Menos de dois pontos porcentuais de diferença, portanto.

Por que este tipo de coisa não aparece na mídia brasileira?

Porque não interessa informar que a crise é mundial. Isso tiraria o peso das críticas sobre Dilma.

Mesmo ao preço de desinformar os que nela ainda acreditam, a mídia opta por mostrar a árvore e não a floresta.

A BBC, com uma simples matéria, contou mais sobre a alta do dólar do que toda a imprensa reunida.

Chega a ser engraçado, ou patético, ver agora colunistas correndo atrás de explicações para não se desmoralizarem depois que a BBC os desmascarou.

Hoje, em seu blog no Globo, Míriam Leitão, por exemplo, trata do câmbio, e enfim coloca o mundo em suas análises.

De maneira torta, aliás: segundo ela, a União Europeia quis depreciar sua moeda. E o Brasil não. Seria mais ou menos assim, na visão peculiar de Míriam Leitão: o euro se atirou ao chão, e o real caiu.

Quem acredita nisso, como disse Wellington, acredita em tudo.

Enquanto isso, o G1 continua a dar manchetes com o câmbio minuto a minuto, num ato de descerebrada inutilidade para o leitor.

Quando você sabe quem comanda as Novas Mídias na Globo, entende o esforço em desqualificar o governo.

É Erick Bretas, um jornalista-militante de direita que recentemente se notabilizou por conclamar seus amigos de Facebook a participarem do protesto do dia 15.

Na primeira página do G1, com um clique à esquerda, você pode ler a carta de princípios da Globo.

O item mais solene, ali, é a “isenção”.

Bretas é prova disso.

E a cobertura do dólar é prova de que a imprensa brasileira é uma das piores e mais desonestas do mundo.

Paulo Nogueira
No DCM



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Berzoini, que tal tirar a Globo do ar?

Quem é o Bozó mais ilustre?


Bozó é aquele notável personagem do Chico Anysio que se fazia de funcionário da Globo, muito poderoso, e se dava ares de ser “amigo dos homens”.

Na comunidade dos profissionais, “Bozó” passou a ser qualquer funcionário de uma rede de televisão que se ache bem informado — e, portanto, poderoso.

Todos os Bozós do Brasil sabem que a #globogolpista se prepara para empreender mega-cobertura da marcha do Golpe, domingo.

Mais do que na escolha do Papa, quando a #globogolpista acreditou na eleição do cerrista D Odilo Scherer, de São Paulo.

Ou, como na Copa do Mundo, quando a #globogolpista emprega mais gente do que todas as outras redes de tevê, nacionais e estrangeiras, juntas.

A mega-cobertura da #globogolpista fez o Governador Alckmin remarcar o jogo do Palmeiras para as 11h00 da manhã.

Como se sabe, o místico da Moóca, aquele que não diz do que vive, manda no Palmeiras.

Estão todos os #globogolpistas irmanados no Golpe televisivo.

Em 2002, na Venezuela, os donos das redes privadas de televisão deram um Golpe por 48 horas, até que os militares trouxessem Chávez de volta ao Palácio de Miraflores.

O Golpe foi minuciosamente descrito no documentário de dois jornalistas irlandeses que, por acaso, pretendiam entrevistar Chávez quando os #globogolpistas Golpearam.

Depois disso, Chávez construiu uma rede de televisão estatal poderosa, competitiva, que ainda hoje permite que Maduro enfrente os #globogolpistas.


Na Argentina, a #globogolpista de lá, o Clarín tentou o mesmo com o lock-out de produtores rurais.

Quebrou a cara.

Cristina K montou uma teve estatal poderosa, competitiva e, por cima, enfiou uma Ley de Medios pela goela abaixo da #globogolpista.

Assim como o Bozó, o Serviço de Inteligência (?) da Presidenta Dilma, a Polícia Federal do ministro zé (quá, quá, quá!) e o Ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini devem estar informados do que a #globogolpista vai fazer domingo.

Vai fazer como nas manifestações de junho de 2013.

Aí, as doces apresentadoras da GloboNews — agora com o reforço daquela que levou uma chinelada, no ar, da Urubóloga — as doces apresentadoras davam instruções aos vândalos: “em frente é a Ponte Rio Niterói !”, “se seguir à esquerda dá no Maracanã”!

A aguerrida equipe do Gilberto Freire com “i” se prepara para dar um Golpe multi-estadual, de nacionais dimensões: do Oiapoque ao Chuí, ao vivo !

Um Golpe sem que a Presidenta Dilma possa responder, porque não tem a tevê estatal de que dispõem o Maduro e a Cristina K.

Porque o PT entra para a História como o Partido que morre de medo da Globo.

E todo petista — especialmente os de São Paulo, se usar bigodes — sonha em aparecer na GloboNews para discutir Economia com a Urubóloga!


O Ministro Berzoini, porém, tem um recurso tão simples quanto extremo.

Tirar o sinal da Globo do ar.

Por que?

Porque a #globogolpista vai usar uma concessão pública, a exploração do espectro eletromagnético — que pertence ao povo brasileiro — para derrubar as instituições da República.

Porque sem o impítim ela não chega a 2018.

É só ver o que disse a Nielsen.

Tirar o sinal do ar.

Simples.

E iniciar a cassação da concessão, em nome da ordem pública.

E deixa o Gilmar reclamar.

Deixa o Imaculado Cunha protestar.

O Ataulfo bufar com o embaixador americano.

O Governo Dilma não pode ser bernardizado!

Porque o Governo Dilma não é dela.

É de 52% dos eleitores brasileiros!

Que cansaram de ser governados pelo William Bonner, o Bozó mais ilustre.




Como cassar a concessão da Globo. Dentro da lei

Ah, se fosse o Brizola…

Hashtag #GloboGolpista foi o assunto mais comentado do Twitter no Brasil por mais de 24 horas
Generosa contribuição do amigo navegante Adilson:

Lei número 4.117, de 27 de agôsto de 1962 que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações.

Art. 53 (redação dada pelo Decreto-Lei n. 236/1266) – Constitui abuso, no exercício de liberdade da radiodifusão, o emprêgo dêsse meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção previstos na legislação em vigor no país, inclusive:

a) incitar a desobediência às leis ou decisões judiciárias;

b) (…)

c) (…)

d) fazer propaganda de guerra ou de processos de subversão da ordem política e social;

e) (…)

f) (…)

g (…)

h) (…)

i) (…)

j) veicular notícias falsas, com perigo para ordem pública, econômica e social;
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Qual o limite do líder dos Revoltados On Line, o fascista que torce pelo confronto nas ruas?

Ele
Marcello Reis, o líder dos Revoltados On Line, encontrou um meio de vida pedindo dinheiro a inocentes ou otários. Ele nunca prestará contas, mas, ei, o que é isso diante da missão de tirar essa escória do poder?

Ninguém acha estranho um brutamontes fascista morar no mesmo prédio de um ministro, a quem ele chama de “Cardozão”. Marcello xinga o Cardozão da varanda, grita palavras de ordem, e tudo bem.

Na internet, Dilma é “rata”e “vaca”, Lula é “chefe das ratazanas” e “sapo barbudo”. Não é novidade que o sujeito é desequilibrado, mas é de se perguntar: qual o limite, numa democracia, para um arruaceiro?

O limite, para ele, é algum desastre. É o que ele espera e é o que, ao que tudo indica, deve ocorrer. Ele prefere que seja com algum membro igualmente desmiolado de sua milícia porque aí prova-se que estamos, sim, numa ditadura.

Marcello marcou um ato no mesmo dia dos protestos organizados pela CUT.

Sua desculpa é que se trata de um “esquenta” para a manifestação de domingo. Balela. Em sua paranoia oportunista, atribui desde já qualquer pancadaria a Lula, já que Lula “disse que chamaria o exército do Stédile”.

No mundo feio, escuro e sujo de Marcello, as ruas foram sequestradas por gente como ele. O fanfarrão quer confronto. “Tomara que haja, porque vamos entrar com todas as ações possíveis contra o sapo barbudo”, afirma.

Em circunstâncias normais, um homem que incita a violência e o ódio nesse volume estaria respondendo na Justiça. No mínimo teria o repúdio de ao menos alguns dos cidadãos “de bem” (esse é o termo que ele usa) que o seguem.

Acaba dando o exemplo de que, no Brasil, qualquer um pode xingar, ameaçar de morte, caluniar, difamar e agredir sem que absolutamente nada aconteça.

Marcello Reis é uma tragédia anunciada com 600 mil cúmplices no Facebook. Parabéns a todos os envolvidos.

Kiko Nogueira
No DCM
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Valor de um mandato e teatro da oposição

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7007

Jamais encontrei alguém — especialista ou protagonista — para explicar de maneira convincente o mistério mais transparente do mundo: por que, na obtenção de um emprego, se gasta mais do que se receberá como remuneração? Para conquistar o cargo de deputado federal é preciso, em tese, investir mais do que se chegará a ganhar legalmente. Qual a lógica disso? A resposta cínica é simples: porque alguém paga a conta. Por exemplo, as empreiteiras. Por que pagam? Porque querem e levam algo em troca. Se for assim, o fundamento da coisa está podre desde sempre. É aceitável que seja essa a base?

Segundo os jornais, com base nas informações oficiais, os gaúchos José Otávio Germano, Jerônimo Goergen e Luís Carlos Heinze gastaram 13,7% da despesa total dos 31 eleitos do Rio Grande do Sul. Investiram, respectivamente, R$ 2,9 milhões, R$ 2,7 milhões e R$ 2,5 milhões. A mídia dos demais eleitos foi R$ 1,2 milhão. Volto a pergunta inicial: por que alguém gasta R$ 3 milhões para obter um emprego que não paga oficialmente o suficiente para se recuperar em 48 meses de trabalho metade do investido? Resposta pretensamente sábia: o poder compensa. Como? Irregularmente? Engevix, Grupo Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez financiaram parte das campanhas dos gaúchos citados e presentes na lista de Rodrigo Janot.

Em princípio, tudo regular. Mas é justamente de princípio que se trata: se uma emprega aceita gastar tanto para eleger um deputado é porque espera algo em troca suficiente para compensar o valor que foi gasto e muito mais. O quê? Quando? Em que proporções? O eleito, nesse caso, está desde o começo a serviço de quem pagou a sua conta? Se está, não é representante da população, mas de quem o financiou. Ou devemos acreditar como bons cordeirinhos da sociedade do espetáculo que as empresas, prestadores de serviço ao Estado, ajudam nas campanhas por idealismo e amor à democracia?

Partes interessadas devem sempre se declarar impedidas de participar de processos que possam beneficiá-las e prejudicar terceiros. Na democracia das empreiteiras, vigente no Brasil, as empresas que praticamente só fazem negócios com o Estado financiam a eleição dos que fixarão as regras do jogo. A população é convidada a acreditar que não há problema nisso. Nos Estados Unidos, normalmente apresentado como modelo para republiquetas bananeiras como a nossa, isso não é permitido. Por que nesse caso o que é bom para os Estados Unidos não é bom para nós? Nos States, um organismo, a FFC, regulamenta a mídia desde 1934. Por que também nesse caso o que é bom para os Estados Unidos não é bom para este nosso Brasil varonil?

Talvez a explicação possa ser mais dinâmica: o que é bom para os deputados pode ser muito bom para as empresas e vice-versa, sendo que o bom para deputados e empresas pode não ser bom para os brasileiros. Um exemplo: precisamos aprovar um Código Florestal que seja bom para o agronegócio e para os deputados que representam o agronegócio. Quem se dispõe a representar esses interesses? “Eu”, “Eu também”, “Aqui, atrás, contem comigo”. Fechado. Quanto vai custar a campanha?

Não se incomodem. Recurso não vai faltar. Ao trabalho.

Se a oposição estivesse, de fato, interessada em combater a corrupção, pediria o afastamento dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senador, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, oficial e formalmente suspeitos de corrupção.

O contrário é o que se vê: Eduardo Cunha foi bajulado por seus colegas ao poder na CPI da Petrobras.

O jogo da oposição é simples: derrubar o PT. O resto não interessa.

Essa partida se joga entre petismo e antipetismo.

O resto é teatro.

A corrupção é só um álibi.

O alvo da oposição agora é o Procurador-Geral da República.

Onde se viu colocar o Congresso Nacional no bolo.

O esperado era só Executivo.

Tem gente que não decora o seu papel e só faz confusão.
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Se ocorrer hoje uma tragédia na Paulista, o responsável se chama Marcello Reis

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/03/13/se-ocorrer-hoje-uma-tragedia-na-paulista-o-responsavel-se-chama-marcello-reis/


O líder de uma das páginas mais imbecis do Facebook se chama Marcello Reis. É um tipo achacador que se aproveita da ignorância e estupidez de parte dos seus seguidores pra vender kit impeachment e adesivos de Fora Dilma. Aprendeu direitinho a lição de tipos como Malafaia e Feliciano. É um horror ter que lidar com essa gente, mas eles são parte da sociedade e têm de ter seus espaços democraticamente garantidos.

Mas há limites e eles precisam ser levados em consideração pelas autoridades antes que o Brasil viva nas ruas uma tragédia sem precedentes na sua história recente.

Este sujeito colocou ontem um vídeo no Facebook dizendo que vai estacionar um caminhão, hoje, às 15h, na frente do prédio da Petrobras, tocando a música do impeachment. E que está esperando seus seguidores lá a partir das 16h.

Os movimentos sociais têm um ato marcado para este mesmo local há quase um mês. E será inevitável o encontro dos grupos.

O provocador diz que terá o apoio da Polícia Militar para fazer sua ação. Se isso for verdade e algo acontecer, o governador Alckmin terá de responder pela insanidade.

Se o mesmo governador e sua Secretaria de Segurança Pública solicitaram a antecipação do horário do jogo do Palmeiras no domingo, como vão autorizar que sejam convocados dois atos com conteúdo distinto para o mesmo local exatamente num momento tão delicado da disputa política do país?

Será que se o MST e a CUT decidissem fazer uma marcha na Paulista no domingo a Secretaria de Segurança Pública iria autorizar?

Há gente na defesa do impeachment em busca de um cadáver. E o líder dos Revoltados On Line, ao que tudo indica, é um deles.

Se algo não for feito para que esse maluco seja controlado e não possa estacionar seu caminhão para provocar os manifestantes que irão hoje à Paulista, o recado estará dado. O que o PSDB e os golpistas procuram criar é uma tragédia.

E estão dando corda para que gente que não tem a menor responsabilidade social e política faça isso.

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O “homo boobus” e a capivara de Eduardo Cunha


Tenho um amigo, maestro em cidades do interior.

Ontem ele colocou no seu Facebook um protesto devido ao fato dele e seus músicos não terem recebido o combinado de alguma prefeitura. Não deu detalhes maiores.

Seu desabafo ficou coalhado de comentários que explicam o nível atual da discussão política.

De Jops – Esta é a tal pátria educadora que prometeram e estão fazendo exatamente o contrário.

De Clineide – ridícula essa situação que aliás condiz com a esfera federal e seus desmandos horrendos.

De Pedro Moacyr – um sistema político que não zela pela sua história, suas tradições e sua raça está fadado ao fracasso.

De Patrícia – Este é o Brasil do PT.

De João Mattoso – Este é o nosso país! Você é mais um a falar sobre incoerências, descasos, injustiças, que passaram a fazer parte da nossa vida.

De Luiza – Valorizam políticos hipócritas, desvalorizam professores e artistas.

* * *

As manifestações do próximo dia 15 contarão com a participação do chamado “homo boobus”, ou homem inferior, como era denominado o leitor médio de jornais nos anos 20 pelo notável cronista H. L. Mencken — autor do clássico “O livro dos insultos”. E dos quais se têm bons exemplos acima.

* * *

Ao longo da sua história, os veículos de comunicação de massa lograram trabalhar com dois recursos complementares em cima do “homo boobus.”

O primeiro poderíamos chamar de O Mito do Vampiro. Trata-se de desenhar os adversários como monstros invencíveis, ameaçadores, sem nenhuma característica humana.

O segundo é o Mito dos Homens Bons. Nesse caso, são construídos personagens campeões da ética e da moralidade, que defenderão a sociedade dos vampiros.

* * *

No fundo, tudo não passa de um jogo. Grupos de mídia são empresas com interesses comerciais, políticos e uma influência sobre o chamado mercado de opinião muitas vezes colocada a serviço de grupos econômicos ou políticos.

É quase infinita a capacidade do “homo boobus” se deixar influenciar. Do diretor Sidney Lumet, o filme “Rede de Intrigas” tornou-se um clássico, especialmente na cena em que um âncora ensandecido (Peter Finch) coloca uma cidade inteira a gritar das janelas dos apartamentos.

* * *

Não é muito diferente o que ocorreu nos últimos dias com panelaços e outras bobagens. É evidente que Dilma Rousseff conseguiu implodir o segundo governo em poucos meses e merece toda sorte de crítica técnica — sem descambar para esse discurso de fim de mundo que não corresponde à realidade.

* * *

Pior é a maneira como está sendo poupado o notório Eduardo Cunha, presidente da Câmara — que, ontem, recebeu apoio vergonhoso de deputados de todos os partidos, em suas verrinas contra o Ministério Público Federal.

Eduardo Cunha é conhecido desde os tempos de PC Farias. Sua vida é uma enorme capivara, com processos por todos os lugares por onde passou. A ex-vereadora Cidinha Campos (do Rio) chegou a denunciar relações dele com o traficante Abadia. Na Câmara, tornou-se o escoadouro de todos os lobbies econômicos.

O pior resultado da polarização política atual foi sua ascensão. E a maior prova de que, para os jornalões, denúncia não é instrumento de aprimoramento: é apenas uma arma em defesa de interesses.

Luís Nassif
No GGN
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A Marcha dos Insensatos e a sua primeira vítima - (parte 1)

http://www.maurosantayana.com/2015/03/a-marcha-dos-insensatos-e-sua-primeira.html


Segundo os chamamentos que estão sendo feitos nesse momento, no WhatsApp e nas redes sociais, pessoas irão sair às ruas, no domingo, porque acusam o governo de ser corrupto e comunista e de estar quebrando o país.

Se estes brasileiros, antes de ficar repetindo sempre os mesmos comentários dos portais e redes sociais, procurassem fontes internacionais em que o mercado financeiro normalmente confia para fazer tomar suas decisões, como o FMI - Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, veriam que a história é bem diferente, e que o PIB e a renda per capita caíram, e a dívida pública líquida praticamente dobrou, foi no governo Fernando Henrique Cardoso.

Segundo o Banco Mundial, (http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.CD) o PIB do Brasil, que era de 534 bilhões de dólares, em 1994, caiu para 504 bilhões de dólares, quando Fernando Henrique Cardoso deixou o governo, oito anos depois.

Para subir, extraordinariamente, destes 504 bilhões de dólares, em 2002, para 2 trilhões, 300 bilhões de dólares, em 2013, último dado oficial levantado pelo Banco Mundial, crescendo mais de 400% em dólares, em apenas 11 anos, depois que o PT chegou ao poder.

E isso, apesar de o senhor Fernando Henrique Cardoso ter vendido mais de 100 bilhões de dólares em empresas brasileiras, muitas delas estratégicas, como a Telebras, a Vale do Rio Doce e parte da Petrobras, com financiamento do BNDES e uso de “moedas podres”, com o pretexto de sanear as finanças e aumentar o crescimento do país.

Com a renda per capita ocorreu a mesma coisa. No lugar de crescer em oito anos, a renda per capita da população brasileira, também segundo o Banco Mundial — (http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.CD?page=2) — caiu de 3.426 dólares, em 1994, no início do governo, para 2.810 dólares, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. E aumentou, também, em mais de 400%, de 2.810 dólares, para 11.208 dólares, também segundo o World Bankm, depois que o PT chegou ao poder.

O salário mínimo, que em 1994, no final do governo Itamar Franco, valia 108 dólares, caiu 23%, para 81 dólares, no final do governo FHC e aumentou em três vezes, para mais de 250 dólares, hoje, também depois que o PT chegou ao poder.

As reservas monetárias internacionais — o dinheiro que o país possui em moeda forte — que eram de 31,746 bilhões de dólares, no final do governo Itamar Franco, cresceram em apenas algumas centenas de milhões de dólares por ano, para 37.832 bilhões de dólares — (http://data.worldbank.org/indicator/FI.RES.TOTL.CD?page=2) nos oito anos do governo FHC.

Nessa época, elas eram de fato, negativas, já que o Brasil, para chegar a esse montante, teve que fazer uma dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI.

Depois, elas se multiplicaram para 358,816 bilhões de dólares em 2013, e para 369,803 bilhões de dólares, em dados de ontem, transformando o Brasil de devedor em credor, (http://data.worldbank.org/indicator/FI.RES.TOTL.CD), depois do pagamento da dívida com o FMI em 2005, e de emprestarmos dinheiro para a instituição, quando do pacote de ajuda à Grecia em 2008.

E, também, no quarto maior credor individual externo dos EUA, segundo consta, para quem quiser conferir, do próprio site oficial do tesouro norte-americano — (http://www.treasury.gov/ticdata/Publish/mfh.txt).

O IED - Investimento Estrangeiro Direto, que foi de 16,590 bilhões de dólares, em 2002, no último ano do Governo Fernando Henrique Cardoso, também subiu mais de quase 400%, para 80,842 bilhões de dólares, em 2013, depois que o PT chegou ao poder, ainda segundo dados do Banco Mundial: (http://data.worldbank.org/indicator/BX.KLT.DINV.CD.WD), passando de aproximadamente 175 bilhões de dólares nos anos FHC (mais ou menos 100 bilhões em venda de empresas nacionais) para 440 bilhões de dólares depois que o PT chegou ao poder.

A dívida pública líquida (o que o país deve, fora o que tem guardado no banco), que, apesar das privatizações, dobrou no Governo Fernando Henrique, para quase 60%, caiu para 35%, agora, 11 anos depois do PT chegar ao poder.

Quanto à questão fiscal, não custa nada lembrar que a média de déficit público, sem desvalorização cambial, dos anos FHC, foi de 5,53%, e com desvalorização cambial, de 6,59%, bem maior que os 3,13% da média dos anos que se seguiram à sua saída do poder; e que o superavit primário entre 1995 e 2002 foi de 1,5%, muito menor que os 2,98% da média de 2003 e 2013 — segundo Ipeadata e o Banco Central — nos governos do PT.

E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil ocupa, hoje, apenas o quinquagésimo lugar do mundo, em dívida pública, em situação muito melhor do que os EUA, o Japão, a Zona do Euro, ou países como a Alemanha, a França, a Grã Bretanha — cujos jornais adoram ficar nos ditando regras e “conselhos” — ou o Canadá (http://www.economicshelp.org/blog/774/economics/list-of-national-debt-by-country/).

Também ao contrário do que muita gente pensa, a carga tributária no Brasil caiu ligeiramente, segundo Banco Mundial, de 2002, no final do governo FHC, para o último dado disponível, de dez anos depois (http://data.worldbank.org/indicator/GC.TAX.TOTL.GD.ZS), e não está entre a primeiras do mundo, assim como a dívida externa, que caiu mais de 10 pontos percentuais nos últimos dez anos, e é a segunda mais baixa, depois da China, entre os países do G20 (https://www.quandl.com/c/economics/external-debt-as-share-of-gdp-by-country).

Não dá, para, em perfeito juízo, acreditar que os advogados, economistas, empresários, jornalistas, empreendedores, funcionários públicos, majoritariamente formados na universidade, que bateram panelas contra Dilma em suas varandas, há poucos dias, acreditem mais nos boatos das redes sociais, do que no FMI e no Banco Mundial, organizações que podem ser taxadas de tudo, menos de terem sido “aparelhadas” pelo governo brasileiro e seus seguidores.

Considerando-se estas informações, que estão, há muito tempo, publicamente disponíveis na internet, o grande mistério da economia brasileira, nos últimos 12 anos, é saber em que dados tantos jornalistas, economistas, e “analistas”, ouvidos a todo momento, por jornais, emissoras de rádio e televisão, se basearam, antes e agora, para tirar, como se extrai um coelho da cartola — ou da "cachola" — o absurdo paradigma, que vêm defendendo há anos, de que o Governo Fernando Henrique foi um tremendo sucesso econômico, e de que deixou “de presente” para a administração seguinte, um país economica e financeiramente bem sucedido.

Nefasto paradigma, este, que abriu caminho, pela repetição, para outra teoria tão frágil quanto mentirosa, na qual acreditam piamente muitos dos cidadãos que vão sair às ruas no próximo domingo: a de que o PT estaria, agora, jogando pela janela, essa — supostamente maravilhosa — “herança” de Fernando Henrique Cardoso, colocando em risco as conquistas de seu governo.

O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo, o que não quer ouvir.

Está certo que não podemos ficar apenas olhando para o passado, que temos de enfrentar os desafios do presente, fruto de uma crise que é internacional, que faz com que estejamos crescendo pouco, embora haja diversos países ditos “desenvolvidos” que estejam muito mais endividados e crescendo menos do que nós.

Assim como também é verdade que esse governo não é perfeito, e que se cometeram vários erros na economia, que poderiam ter sido evitados, principalmente nos últimos anos.

Mas, pelo amor de Deus, não venham nos impingir nenhuma dessas duas fantasias, que estão empurrando muita gente a sair às ruas para se manifestar: nem Fernando Henrique salvou o Brasil, nem o PT está quebrando um país que em 2002, era a décima-quarta maior economia do mundo, e que hoje já ocupa o sétimo lugar.

(segue)
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Sérgio Porto # 163


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