12 de mar de 2015

O discurso de Stédile, em Porto Alegre


— Se a burguesia tentar dar um golpe, nós temos que assumir um compromisso de ocupar as praças, acampar, fazer vigílias e daqui do Rio Grande, como foi na campanha da Legalidade (em 1961), exigir respeito à democracia, manter o povo unido e marchar a Brasília para exigir que esses idiotas da Globo e do capital internacional, que querem botar a mão no pré-sal, respeitem a democracia e o povo possa avançar. Esperamos também que a nossa companheira Dilma tenha a coragem do velho Brizola. Dilma, não se acovarde. Não caia na esparrela do ajuste neoliberal – discursou.

— Engraxem as botas e as chuteiras, que o jogo só está começando. Quem não tiver barraca compre uma. Compre um tênis. Estamos aqui no vestiário, só nos preparando.

— Hoje não temos mais parlamentares do PT, do PC do B, do PDT, do PMDB. Hoje nós temos a bancada ruralista, a bancada da Gerdau, a bancada da Vale, a bancada da Bala, a bancada dos filhos da puta, menos a bancada da classe trabalhadora — criticou.

— Quem planta pepino não colhe melancia, só colhe pepino.

— Estão estimulando que o dia 15 vai ser não sei o quê. Não temos problema que a burguesia vá para as ruas no dia 15. Não é esse o problema, pode vir. Mas venham para discutir ideias, não para fazer ameaças. Porque nós vamos botar o povo na rua amanhã (hoje, quinta) e depois do domingo também. Isso significa que essa jornada só está começando. Depois do dia 15, dona Globo e dona burguesia, nós voltaremos às ruas para garantir os nossos direitos.

— Dona Dilma, entregue a Conab aos camponeses porque nós sabemos produzir alimentos para o povo sem roubalheira — afirmou.
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Rothschild compra a maior parte da dívida soberana da Ucrânia

De acordo com um relatório da Bloomberg, o fundo de investimento norte-americano Franklin Templton comprou a maior parte da dívida soberana da Ucrânia.

Ontem, o Fundo Monetário Internacional aprovou um novo programa de resgate para a Ucrânia, totalizando 17.500 milhões e quatro anos para sustentar a economia de guerra na Ucrânia.

O resgate foi possível porque a ministra ucraniana das Finanças, Natalia Jaresko, é na realidade uma cidadã estadunidense a quem concederam a nacionalidade ucraniana, quando no ano passado se preparava o golpe de Estado em Kiev.

O Grupo Rothschild propôs a criação de um grupo de credores d país. Por seu lado, a filial francesa manifestou a sua vontade para mediar as negociações entre o Ministério das Finanças de Kiev e os credores para reestruturar a dívida do país, que é uma das principais condições para a concessão da segunda parcela da ajuda financeira aprovada pelo imperialismo para continuar a apoiar a guerra.

Os credores estão à espera de propostas de Kiev, que deveriam ser conhecidas em meados deste mês de março, conforme declarou o CEO da Rothschil & Cia da Rússia e dos países da Comunidade de Estados Independentes, Giovanni Salvetti. Segundo ele, muitos negociadores se preparam para condições difíceis.

Salvetti indicou que os pontos de vista sobre esta questão variam entre os credores. Alguns preferem aguardar as propostas do governo ucraniano, enquanto outros querem estabelecer algumas regras rígidas e rápidas.

"No momento, a fundação e os credores participam de uma troca de pontos vista e discutem a partilha das responsabilidades e o programa de ação", disse Salvetti.

Em 2013, a dívida pública da Ucrânia foi de € 73 milhões. Isso representa 40,94% do PIB do país. Dez anos atrás era de apenas € 13 milhões, um aumento de 29,36% do PIB.

No ano passado, a dívida per capita foi de € 1.211 por habitante; em 2003 a dívida por pessoa foi de apenas 274 €.

O governo golpista de Kiev tem como objetivo até 2020 para cumprir os requisitos de se candidatar a membro da União Europeia.
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'Para Sempre Alice'

Quando eu era menino, não se falava em alzheimer. As pessoas idosas "perdiam a cabeça" por causa, dizia-se, da arteriosclerose. Será que era alzheimer?

Estudos recentes mostram que a esclerose no polígono de artérias que suprem o cérebro é um fator facilitador para o mal de Alzheimer. A fronteira entre o mal e as "outras demências" é incerta.

Segundo o site "www.alzheimer.org", 5 milhões de norte-americanos com 65 anos ou mais vivem com a doença.

Proporcionalmente, o Brasil deveria ter 3 milhões de pessoas sofrendo de alzheimer. Mas os números, aqui, são incertos: segundo o Instituto Alzheimer Brasil (www.institutoalzheimerbrasil.org.br), na ausência de dados seguros, "podemos estimar que 1,2 milhão de pessoas sofram com a doença, cerca de 100 mil novos casos por ano".

Bom, o alzheimer afeta os idosos, e, no Brasil, a vida é mais curta do que nos EUA. Além disso, é provável que, fora dos centros urbanos e nas classes menos favorecidas, o mal seja subdiagnosticado.

Afinal, não existe um marcador do alzheimer; portanto, não há um simples teste que permita diagnosticá-lo claramente (a não ser depois da morte do paciente, na hora da autópsia), e o diagnóstico clínico passa por uma bateria de testes de memória administrados e interpretados, em tese, por um neuropsicólogo.

Seja como for, calcula Drauzio Varella: "Para quem chegou aos 65 anos, o risco futuro de surgir Alzheimer é de 12% a 19% no sexo feminino; e de 6% a 10% nos homens" (http://migre.me/oXWcX).

Mais um fato: numa minoria de casos (menos de 5%), o Alzheimer se manifesta antes dos 65 anos (às vezes aos 50, aos 40 ou mesmo aos 30). Nesses casos, a doença é genética (e existe um teste para identificar o gene responsável por ela).

Embora medicamentos e condutas possam atrasar sua progressão, o mal de Alzheimer não tem cura. E, envelhecendo, todos espreitam sua aparição com inquietude.

É possível temer o alzheimer mais do que a morte. Imagine uma tortura em que, a cada dia, são recortados alguns pedaços do seu corpo; ao longo desse suplício, continuaríamos sendo nós mesmos, até que perderíamos a consciência e a vida.

Pois bem, a progressão do Alzheimer, recortando memórias, não oferece essa garantia, mas confronta sua vítima com a pergunta incessante: "Quando deixarei de ser eu?".

O paciente de alzheimer é obrigado a filosofar sobre os limites da pessoa humana.

Se não consigo me lembrar de minha vida, se não reconheço mais os rostos ao redor de mim; se, no meio de uma ação, esqueço-me das intenções que a motivaram, o que me permite dizer que eu ainda sou eu?

As brincadeiras sobre os pequenos esquecimentos cotidianos dos idosos mal escondem nosso medo de perder nossa história e a familiaridade de nossos afetos.

Com alguns amigos, aliás, praticamos uma espécie de exorcismo: quando um de nós esquece uma data, as chaves, o celular etc., o outro questiona: qual é mesmo o nome daquele médico alemão?

Quando alguém se pergunta: "quem é esta pessoa que acaba de acordar do meu lado e me faz carinho?", a situação só é engraçada para esconder o horror desse estranhamento.

Circulam piadas sobre as "vantagens" da demência. Se não me lembro do passado e não tenho futuro, o que vai importar, por uma vez, será o meu presente, não é?

Ou ainda: o esquecimento de nossos atos é o sonho de qualquer neurótico — que culpa tenho eu, se não sou o mesmo do ontem? Não seria maravilhoso viver cada experiência como se fosse a primeira vez?

É um bom jeito para não pensar na angústia de quem, parado na padaria da esquina, não reconhece o caminho de casa. Ou de quem se pergunta porque quis tanto telefonar e está agora com o controle remoto da TV na mão.

Lisa Genova é doutora em neurociência pela universidade Harvard, mas sua paixão é a ficção.

No passado, escreveu "Nunca Mais, Rachel" (Nova Fronteira, R$39,90, 287 págs.), que conta a história de uma mulher depois de um acidente cerebral.

E, em 2007, publicou "Still Alice", ou "Para Sempre Alice" (também Nova Fronteira), que conta a história de uma mulher diagnosticada com alzheimer precoce. O livro é hoje um filme, de Richard Glatzer, com Julianne Moore no papel de Alice (que lhe deu o Oscar de melhor atriz em 2015).

O livro e o filme são ambos imperdíveis, porque o "tour de force" de Genova consiste em contar a história na terceira pessoa, mas realmente na perspectiva de Alice.

Graças a ela, enxergamos, por uma vez, uma experiência e um sofrimento com os quais em geral, preferimos brincar.

Contardo Calligaris
No fAlha
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MPF pede prisão preventiva do juiz do caso Eike Batista


Depois de ser afastado do cargo, o juiz federal que era responsável pelos processos contra o empresário Eike Batista virou alvo de um pedido de prisão preventiva apresentado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro.

Segundo pessoas ligadas ao processo, o pedido de prisão foi feito na última quarta-feira (11/3) porque o juiz Flávio Roberto de Souza se recusou a informar seu novo endereço residencial à Polícia Federal. Ele teve recentemente o passaporte apreendido. De acordo com o portal de notícias G1, o pedido do MPF foi negado pelo TRF-2. A corte não confirmou a informação.

O TRF-2 divulgou, na noite de quarta, que os processos contra Eike Batista voltarão para a 3ª Vara Criminal Federal. A medida se deve à resposta da corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, à consulta feita pela 2ª Turma Especializada da corte sobre a forma como as processos contra o ex-bilionário deveriam ser redistribuídos.

Na manifestação enviada ao TRF-2, a ministra disse que o procedimento deveria “ser nos moldes do Código de Processo Penal e legislação correlata”. Em outras palavras, ficou valendo a decisão do colegiado de manter os autos no juízo de origem.

Porsche

Souza foi flagrado dirigindo o Porsche Cayennne de Eike, quando chegava à sede da Justiça Federal, no Centro do Rio, no último dia 24 de fevereiro. O próprio juiz havia determinado a apreensão do veículo.

Na sequência do episódio, surgiram outras denúncias: a de que o juiz decidira guardar, na garagem do prédio onde mora, outros dois veículos de luxo do empresário e de que concedera a um vizinho a guarda do piano do ex-bilionário. Em entrevistas, o juiz disse que a utilização de bens apreendidos pela Justiça “seria uma prática normal, adotada por vários juízes”.

Em razão dos acontecimentos, o TRF-2 abriu duas sindicâncias contra Souza: uma para apurar a decisão de manter sob sua guarda os bens de Eike Batista e outra para investigar as declarações que dera de que o uso de bens apreendidos seria uma prática normal.

Outros dois processos disciplinares foram abertos no Conselho Nacional de Justiça — um a pedido da defesa do empresário e o outro da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio.

O TRF-2 promoveu uma correição na 3ª Vara Criminal Federal para apurar a conduta do juiz em outros processos. Concluído na semana passada, o procedimento constatou ainda o sumiço de R$ 30 mil de Eike que foram apreendidos pela PF no processo e cerca de R$ 600 mil em outro processo penal julgado por Souza e que tinha como réu um traficante espanhol.

Souza foi afastado dos processos contra Eike, inicialmente, por decisão administrativa, tomada pela corregedora nacional de Justiça no dia 26 de fevereiro. No dia 5 de março, a transferência dos processos contra Eike Batista para outro juiz foi confirmada na esfera judicial pela 2ª Turma Especializada. No dia 9 de março, o TRF-2 o afastou de suas funções de magistrado. Ele segue licenciado do cargo por motivos médicos.
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Urubóloga põe Lo Prete no bolso

Lo Prete foi com muita sede à Economia.


Amiga navegante baiana assistiu ao Mau Dia Brasil.

Ninguém é perfeito!

E acompanhou cena hilariante.

A fala da Lo Prete e da Urubóloga:



Renata Lo Prete, aquela “repórter” da Fel-lha que se notabilizou por dar um furo que o Bob Jefferson queria dar a qualquer um, realizou o sonho de todos os “repórteres” dos dois sexos da Fel-lha: ir para GloboNews.

Lo Prete, que tem uma voz maravilhosa, encantadora, engoliu o "Ataulfo Merval".

O que não é difícil.

Engoliu a Eliane Tucanhêde, o que também não é difícil.

Engoliu a Cristina Globo.

O que não é difícil.

Engoliu o Alexandre Maluf Garcia.

Passou com um trator, aquele que o Cerra usa.

E foi para o Mau Dia crente que ia engolir a Urubóloga.

E se meteu a analisar a tabela do Imposto de Renda, depois do acordo entre Levy e Renan.

Como boa 'colonista' global e 'fel-lhal', ela só faltou dizer que a Dilma, já virtualmente deposta, colheu no Congresso uma retumbante derrota.

O que esperar de uma colonista global-fel-lhal, de vozinha de mel?

Imediatamente em seguida veio a Urubóloga.

Que devia estar uma fera porque viu a iniciante querer se meter em sua exclusiva seara.

Como diz o Romário: acabou de chegar e já quer ir na janela.

E disse, com todas as letras, sobre o Imposto de Renda, a feroz Urubóloga: na verdade, na verdade, com um sorrisinho maroto no canto da boca, na verdade o Governo não perdeu nada!

(Viu, Lo Prete? Cada macaco no seu galho, chô, chuá…)

A paulistinha de voz enternecedora achou que ia engolir a Mestre do Neolibelismo Pátrio, no seu território, nas barbas do Chico Pinheiro.

E tomou uma chinelada, no ar, na frente de todos.

O Chico Pinheiro só não morreu de rir porque se trata de uma pessoa de bons modos.

Quá, quá, quá!

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O cinismo e a ignorância de um blogueiro da “Veja”

Medo do povo explica as ofensas de Augusto Nunes a Hugo Chávez, ao MST e a Stédile (que já recebe ameaças de morte da extrema-direita)

Além da arrogância, o que mais Aécio e Augusto  teriam em comum?
Blogueiro da Veja tentou atacar Hugo Chávez e Stédile
Uma simples menção a Hugo Chávez ou ao MST, em separado, já é suficiente para fazer os porta-vozes da mídia conservadora espumarem de ódio. Quando aparecem juntos, a raiva se junta ao medo diante do que representa a força social simbolicamente expressa por esses dois nomes, o de um homem e o de uma organização de trabalhadores.

Nesta semana, ambos se tornaram o alvo de uma peça especialmente repulsiva do pseudo-jornalismo que se pratica numa revista outrora respeitada, hoje um decadente panfleto de extrema-direita, sem prestígio nem credibilidade, editado às margens sujas do rio Pinheiros em São Paulo.

Hugo Chávez, o estadista que teve sua memória achincalhada em artigo publicado por Augusto Nunes em seu blog no espaço virtual da Veja, governou a Venezuela — democraticamente — durante quatorze anos, de 1999 a 2013. Seus compatriotas o escolheram para o cargo de presidente quatro vezes seguidas, sempre por ampla maioria de votos, em eleições livres e limpas, certificadas por centenas de observadores internacionais, entre eles o ex-presidente estadunidense Jimmy Carter.

Durante o período em que Chávez governou a Venezuela, os índices de pobreza se reduziram à metade, o analfabetismo foi erradicado, milhões de moradores dos bairros pobres e das zonas rurais tiveram acesso, pela primeira vez, a um atendimento médico digno, aos cuidados de um dentista. O petróleo, explorado durante um século em proveito exclusivo do capital estrangeiro e da elite nativa, passou finalmente a beneficiar seu verdadeiro dono, o povo. Alimentos e outros produtos essenciais são fornecidos à população pela metade do preço de mercado, subsidiados com a renda petroleira. Hoje a Venezuela é o país do mundo com maior proporção de jovens na universidade, e o primeiro a cumprir as Metas do Milênio estabelecidas pela ONU como referência de bem-estar social.

Já o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, o MST, é a maior organização camponesa do mundo. Fundado há 35 anos, expressa a continuidade da luta secular no campo brasileiro pela “terra aos que nela trabalham”. Centenas de seus militantes foram assassinados por pistoleiros a soldo do latifúndio, ou agronegócio, como é chamado pela imprensa. Graças à luta heróica dos sem-terra, mais de 1 milhão de famílias brasileiras vivem atualmente em assentamentos da reforma agrária.

Mas o alcance do MST vai muito além da batalha pela terra. Em seu esforço de educação popular, o movimento construiu 1.500 escolas nos locais onde seus militantes acamparam ou se instalaram, educou 160 mil crianças e adolescentes e formou mais de 4 mil professores. Hoje conta com médicos, educadores, advogados e agrônomos nascidos em acampamentos ou assentamentos, e que tiveram acesso ao ensino superior por meio de convênios com instituições da rede pública. A agenda do MST também incorpora outras bandeiras justas, com destaque para a defesa de uma alimentação saudável, sem transgênicos nem agrotóxicos, para todos os brasileiros.

Informações básicas como essas, expostas nos parágrafos acima, deveriam ser suficientes para que qualquer pessoa decente adotasse, ao escrever sobre Hugo Chávez ou sobre o MST, uma atitude de respeito, independentemente de suas preferências ideológicas. Mas não.

O preconceito, a mentira, o cinismo e a mais cascuda ignorância são os traços que definem o tal post na revista da Marginal. Nunes expressou, aí, o quanto um pequeno e despretensioso vídeo, de apenas 16 minutos, produzido por comunicadores de movimentos sociais em homenagem a Chávez por ocasião do segundo aniversário do seu falecimento, foi capaz de desagradá-lo. Ao ofender tudo e todos os que viu diante de si, o autor ignorou, ou fingiu ignorar, que Rafael Correa é o presidente mais popular em toda a história do Equador, que João Pedro Stédile foi recebido recentemente pelo papa Francisco no Vaticano, com todas as honras, como representante — de quem mesmo? — do MST (clique aqui para saber mais sobre as ameaças de morte da extrema-direita a Stédile)

O escriba, pago pelos donos da revista da marginal, deveria se olhar no espelho antes de vomitar infâmias contra homens e mulheres de coragem, que não hesitaram em colocar seu talento e sua vida a serviço de um ideal coletivo de emancipação social. Enquanto Chávez, Maduro, Lula, Correa, Lugo e Stédile arriscavam a pele na luta contra tiranos e oligarcas, ele, o articulista que enche a boca para falar no “estado democrático de direito”, bajulava o ditador chileno Augusto Pinochet nas páginas de O Estado de S. Paulo, promovia demissões em massa no Zero Hora e provocava o riso dos colegas ao publicar na revista Época um inesquecível necrológio de Jorge Amado quando o escritor ainda estava vivo. Isso, para dar apenas uma noção de quem é esse jornalista de longa carreira, e dado a momentos de euforia inexplicável.

Os ataques destemperados contra governos, entidades e personagens que têm em comum o compromisso com o povo refletem, na realidade, um sentimento de pânico entre os magnatas da mídia brasileira — os patrões de Nunes. Só o pânico diante da organização política dos desprivilegiados e do avanço dos governos progressistas pode explicar, por exemplo, o que levou o herdeiro do clã dos Mesquita a sair do conforto do seu gabinete no Estadão para se fazer fotografar, num comício da campanha de Aécio Neves, segurando um cartaz onde se lia: “Foda-se a Venezuela”.

No caso de Nunes, um “democrata” que seleciona os entrevistadores do programa “Roda Viva” na TV Cultura (sim, ele trabalha, também, numa emissora mantida com dinheiro público) pelo critério da adesão às suas próprias idéias reacionárias, não é difícil detectar de onde provem o medo que se esconde por trás das piadinhas de mau gosto e das injúrias furibundas. Ele mesmo, numa sucessão de atos falhos freudianos, expõe à luz do dia os demônios que o apavoram.

O motivo de tanto temor, explicitado no seu texto, é a democracia participativa da Venezuela, o legado histórico de Chávez, as evidentes semelhanças entre o Brasil e a pátria de Bolívar, “a luta continental contra o inimigo comum”. Os “cucarachas”, como o escriba se refere a nós, latino-americanos que assumimos nossa identidade cultural, assustam a burguesia, isso é um fato.

Para finalizar, faço questão de ressaltar aqui, por uma questão de justiça, um único elemento positivo nesse post tão fétido quanto as margens do rio onde se situa a empresa que o publicou. Graças ao blog de Nunes, tomei conhecimento da existência desse interessante vídeo intitulado “Chávez vive no coração do Brasil” — uma justa e singela homenagem de lutadores do povo brasileiro ao maior líder da América Latina neste início de século 21.

Você pode conferir abaixo:



Se o vídeo incomodou tanto, é porque alcançou seu objetivo.

Igor Fuser, doutor em Ciência Política pela USP, é professor no curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC. Foi coordenador do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Como jornalista, trabalhou no jornal Folha de S. Paulo e nas revistas Veja, Exame e Época, entre outras publicações. Participa atualmente do conselho editorial do “Le Monde Diplomatique Brasil” e do “Brasil de Fato”.
No Escrevinhador
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Nota à imprensa: Lula desmente nota da Agência Estado


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudia e lamenta a reiterada prática de lhe atribuir afirmações a partir de supostas fontes anônimas, dando guarida e publicidade a todo o tipo de especulação. As frases atribuídas erroneamente a Lula em matéria distribuída pela Agência Estado, e publicada no portal R7 com o título: "Lula critica Mercadante, mas governo nega troca na Casa Civil", nunca foram ditas pelo ex-presidente.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula
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O golpismo vai pra rua


Pataxó
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Em 2018, não agora

O Brasil vive um momento cheio de contradições. No curto prazo há um grave problema econômico causado por um enorme e crescente déficit em conta-corrente, que está aumentando o endividamento do país e o ameaça com uma crise de balanço de pagamentos, e uma crise de confiança interna que resulta do superávit primário que se tornou negativo e da inflação que aumentou.

No longo prazo, o quadro econômico é mais grave. Um país cujo crescimento per capita foi de 4,1% ao ano entre 1950 e 1980, passou a crescer menos do que 1% desde 1980. Está quase estagnado.

Igualmente preocupante é a crise política que está paralisando o governo. Essa crise começou em 2013, quando aos erros do governo na área econômica e ao baixo crescimento somou-se o mensalão. A partir desse momento, os ricos, inclusive a alta classe média, que não estavam satisfeitos com a clara preferência pelos pobres revelada pelo governo em um tempo de baixo crescimento, passaram a olhar o PT e a presidente não mais como adversários, mas como inimigos, e nos vimos diante de uma coisa surpreendente: o ódio substituindo o desacordo e a crítica.

Entretanto, não obstante o desgaste que estava sofrendo por boas e más razões, a presidente foi reeleita. Ganhou por uma pequena diferença, contando principalmente com o apoio dos pobres. Contou, portanto, com o apoio daqueles que têm um voto — e não com o apoio da sociedade civil, ou seja, da soma daqueles cujo poder é ponderado pelo dinheiro, pelo conhecimento e pela capacidade de comunicação e organização que cada um tem.

Ora, o poder real em uma sociedade moderna está na sociedade civil, não no povo, o que configura uma crise política grave. Mas uma crise que pode e deve ser administrada. A sociedade civil, em particular os ricos e a oposição política, precisa assumir sua responsabilidade para com a nação, aceitar a derrota nas eleições e voltar a ajudar o país a ser governado, em vez de falar em impeachment ou em tentar inviabilizar o governo. O próximo embate eleitoral é em 2018, não é agora.

Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro dos governos José Sarney e Fernando Henrique
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Globo vai fazer cobertura desde cedo pra levar mais gente aos atos de domingo

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/03/12/globo-vai-fazer-cobertura-desde-cedo-pra-levar-mais-gente-aos-atos-de-domingo/

A direção de jornalismo da Globo já convocou jornalistas para fazer cobertura ao vivo dos atos desde o domingo cedo. E já teria informado que vai usar o Globo Notícia para criar um clima mais quente da cobertura.

O Globo Notícia, para quem não sabe exatamente do que se trata, é aquele expediente que a emissora que apoiou o golpe de 64 utiliza em momentos raros. No meio da programação surge aquela musiquinha em clima de emergência e algum âncora de plantão narra a notícia grave.

Foi assim, por exemplo, na morte de Tancredo, que aconteceu num domingo, em meio a um Fantástico.



A Globo não faz isso em eventos.

Mas já fez algo bastante semelhante em 20 de junho de 2013, quando exibiu flashes dos protestos desde às 15h45.

Naquele dia, a Globo deixou de transmitir a Copa das Confederações, porque a a Fifa não permitia interrupções nas transmissões dos jogos.

Surpreendendo a muitas pessoas (não a este blogueiro), a Globo ainda decidiu priorizar a transmissão dos protestos e não transmitiu as novelas Flor do Caribe e Sangue Bom.

Os âncoras e repórteres ficavam defendendo os protestos e anunciando a chegada de milhares de pessoas à Paulista. A Globo News chegou a colocar três protestos simultaneamente na tela.

Às 19h30, o Homer, digo o Bonner, substituiu Patrícia Poeta na narração do ato e anunciou o início do Jornal Nacional uma hora mais tarde (no horário de costume) sem escalada de manchetes.

A Globo e seus repórteres focaram a cobertura do ato destacando a rejeição a PEC 37. Como se todos que estivessem na Paulista naquele dia tivessem ido com aquele objetivo.

Ao convocar seus repórteres para fazer essa cobertura no domingo a Globo vai buscar levar mais gente aos atos. É claramente essa a estratégia. E, claro, vai chamar o ato buscando destacar o movimento pró-impeachment de Dilma.

Se o governo não fizer nada contra isso, estará aceitando que a Globo lidere uma tentativa de golpe midiático.

Em abril de 2001, Gustavo Cisneros fez exatamente isso na Venezuela. E além da cobertura-convocatória ao vivo das manifestações, surgiram cadáveres atingidos por franco-atiradores.

Esse blogueiro tem ojeriza a alarmismo, mas os responsáveis pelo jornalismo da Globo sabem exatamente onde a entrada de uma concessão pública com a força de audiência da emissora pode fazer as coisas chegarem.

E se faltava algum ingrediente para as manifestações de domingo ligarem o alerta máximo. Essa provocação da Globo é a gota d´água.
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Os meninos do golpe no dia 15: quem banca essa turma?

“Estudantes pela Liberdade” (EPL) são financiados por corporação petroleira norte-americana que ataca direitos
indígenas, depreda ambiente e tem interesse óbvio em atingir a Petrobras
David Koch se divertia dizendo que fazia parte “da maior companhia da qual você nunca ouviu falar”. Um dos poderosos irmãos Koch, donos da segunda maior empresa privada dos Estados Unidos com um ingresso anual de 115 bilhões de dólares, eles só se tornaram conhecidos por suas maldosas operações no cenário político do país.

Se esses poderosos personagens são desconhecidos nos Estados Unidos, o que se dirá no Brasil? No entanto eles estão diretamente envolvidos nas convocações para o protesto do dia 15 de março pela deposição da presidenta Dilma.

Segundo a Folha de São Paulo o “Movimento Brasil Livre”, uma organização virtual, é o principal grupo convocador do protesto. A página do movimento dá os nomes de seus colunistas e coordenadores nos Estados. Segundo o The Economist, o grupo foi “fundado no último ano para promover as respostas do livre mercado para os problemas do país”.

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Entre os “colunistas” do MBL estão Luan Sperandio Teixeira, que é acadêmico do curso de Direito Universidade Federal do Espírito Santo e colaborador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL) do Espírito Santo; Fabio Ostermann, que é coordenador do mesmo movimento no Rio Grande do Sul, fiscal do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e diretor executivo do Instituto Ordem Livre, co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL), tendo sido o primeiro presidente de seu Conselho Consultivo, e atualmente, Diretor de Relações Institucionais do Instituto Liberal (IL). Outros participantes são Rafael Bolsoni do Partido Novo e do EPL; Juliano Torres que se define como empreendedor intelectual, do Partido Novo, do Partido Libertários, e do EPL.

Segundo o perfil de Torres no Linkedin, sua formação acadêmica foi no Atlas Leadership Academy. Outro integrante com essa formação é Fábio Osterman, que participou também do Koch Summer Fellow no Institute for Humane Studies.

A Oscip Estudantes pela Liberdade é a filial brasileira do Students for Liberty, uma organização financiada pelos irmãos Koch para convencer o mundo estudantil da justeza de suas gananciosas propostas. O presidente do Conselho Executivo é Rafael Rota Dal Molin, que além de ser da Universidade de Santa Maria, é oficial de material bélico (2º tenente QMB) na guarnição local.

Outras das frentes dos irmãos Koch são a Atlas Economic Research Foundation, que patrocina a Leadership Academy, e o Institute for Humane Studies, às quais os integrantes do MBL estão ligados.

rollingstone_kochbros_article-335x292Entre as atividades danosas dos irmão encontra-se o roubo de 5 milhões de barris de petróleo em uma reserva indígena (que acarretou uma multa de 25 milhões de dólares do governo americano) e outra multa de 1,5 milhões de dólares pela interferência em eleições na Califórnia. O Greenpeace considera os irmãos opositores destacados da luta contra as mudanças climáticas. Os Koch foram multados em 30 milhões de dólares em 300 vazamentos de óleo.

As Koch Industries têm suas principais atividades ligadas à exploração de óleo e gás, oleodutos, refinação e produção de produtos químicos derivados e fertilizantes. Com esse leque de atividades não é difícil imaginar o seu interesse no Brasil — a Petrobras é claro. Seus apaniguados não escondem esse fato.

O MBL, que surgiu em apoio à campanha de Aécio Neves, não esconde o que pretende com a manifestação: “O principal objetivo do movimento, no momento, é derrubar o PT, a maior nêmesis da liberdade e da democracia que assombra o nosso país” disseram Kim Kataguiri e Renan Santos em um gongórico e pretensioso artigo na Folha de S.Paulo. Eles não querem ser confundidos com PSDB, que identificam com o outro movimento: “os caras do Vem Pra Rua são mais velhos, mais ricos e têm o PSDB por trás” diz Renan Santos. “Eles vão pro protesto sem pedir impeachment. É como fumar maconha sem tragar”. Kataguiri não se incomoda que seja o PMDB a ascender ao poder: “O PMDB é corrupto, mas o PT é totalitário”. Mas Pedro Mercante Souto, outro dos porta-vozes do MBL, foi candidato a deputado federal no Rio de Janeiro pelo PSDB (com apenas 0,10% dos votos não se elegeu).

Apesar do distanciamento do PSDB a manifestação do dia 15 parece ser apenas uma nova tentativa de 3º turno, mas como vimos ela esconde uma grande negociata. “Business as usual”.

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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Filha de diretor do Metrô-SP envolvida no caso HSBC prega no Facebook contra corrupção

O caso que denunciou o esquema de evasões do HSBC, na Suíça, inclui entre os brasileiros envolvidos a família de Paulo Celso Mano Moreira da Silva. Ex-diretor do Metrô de São Paulo, ele é acusado de improbidade administrativa pelo Ministério Público do Estado por suspeita de corrupção com a Alstom.

Em 1997, Moreira da Silva abriu uma conta no país e acrescentou duas filhas como beneficiárias da conta: Fernanda Mano de Almeida, 41 anos, e Mariana Mano Moreira da Silva, 38 anos. No período em que o Swissleaks é investigado, ele apresentava um saldo de US$ 3,032 milhões.

A ironia do caso é que Fernanda é uma agitadora das redes sociais, militante tucana. Em fevereiro do ano passado, ela postou uma imagem em seu perfil no qual aparece a seguinte inscrição: “Campanha contra a corrupção no Brasil – Eu tenho vergonha dos políticos brasileiros”. Ela também compartilhou imagens de apoio à candidatura de Aécio Neves à Presidência.

No DCM
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Swissleaks, um iceberg na Suíça

Globo inicia nesta quinta-feira (12/3) uma série de reportagens sobre o caso conhecido como “swissleaks”, ou seja, o vazamento de informações sobre contas mantidas por 106 mil clientes e 20 mil empresas na filial suíça do banco britânico HSBC.

O trabalho do diário carioca vai focalizar parte dos 8.687 brasileiros que aparecem na lista como donos de pelo menos US$ 7 bilhões. Esse montante se refere apenas a um pacote de documentos revelado pelo engenheiro de software Hervé Falciani, que coletou os dados de 2006 e 2007.

Não é crime possuir uma conta no exterior, mas o caráter sigiloso desses contratos chama a atenção da Polícia Federal, conforme explica o jornal. Esse cuidado em não criminalizar a priori os proprietários do dinheiro se destaca na primeira reportagem, e nenhum dos que foram localizados pelos jornalistas admitiu ser titular das contas.

No entanto, o jornal relacionou 23 deles a casos de corrupção, fraude e outros crimes investigados ou julgados nos últimos anos, o que significa que o que veio à tona pode ser apenas a ponta de um imenso iceberg.

Globo vincula esses nomes, entre outros, ao caso das licitações superfaturadas no sistema de trens e metrô de São Paulo, à “máfia da Previdência”, à falência fraudulenta do Banco Econômico, a dois esquemas ligados a compras de medicamentos no Ministério da Saúde, e a pelo menos um dos envolvidos na operação Lava-Jato.

Não há como deixar de relacionar essas fortunas suspeitas também a casos ainda não citados pelo jornal, como o escândalo do Banestado, considerado por policiais e procuradores como a matriz dos esquemas de evasão de divisas no Brasil.

O cuidado do jornal se justifica pelo fato de que nem todos os correntistas são criminosos, mas levanta uma questão de método: por que essa mesma cautela, própria do bom jornalismo, não se aplica com equanimidade a outros escândalos, nos quais a imprensa transforma automaticamente em réus todos os citados?

No caso das contas suspeitas na Suíça, a primeira amostra da investigação jornalística pode impulsionar a ação policial, como observa o Globo, e daí pode nascer uma parceria capaz de fazer revelações importantes.

A questão das fontes

Qual a diferença entre o “swissleaks” e os demais escândalos que pululam diariamente na imprensa brasileira?

Basicamente, a diferença está na fonte das informações: o escândalo que nasce no banco britânico por iniciativa de um ex-funcionário está sendo destrinchado por um consórcio de centenas de jornalistas de várias nacionalidades, o que dificulta a manipulação seletiva dos dados. Uma “versão nacional” que viesse a destoar das publicações em outros países colocaria sob risco a reputação do jornal.

Nos casos de corrupção e fraudes investigados no Brasil, pode-se construir qualquer narrativa, ao sabor da vontade dos editores, porque as fontes são em geral vazamentos clandestinos de inquéritos que se desenvolvem sob sigilo oficial, mas que servem a propósitos políticos.

E é isso exatamente que tem acontecido nos últimos anos, principalmente após as primeiras revelações do esquema de financiamento de campanha que resultou na Ação Penal 470.

Observe-se que, ao contrário dos períodos anteriores, os órgãos públicos de investigação e o sistema judiciário brasileiros têm atuado na última década com plena desenvoltura e sem interferências dos demais poderes. A Polícia Federal tem autonomia para conduzir seus inquéritos, a Procuradoria Geral da República simplesmente dá curso às denúncias que lhe compete conduzir e ninguém ouve falar, desde 2002, de manobras para ocultar, obstruir ou engavetar processos.

Pelo contrário, é em certo gabinete do Supremo Tribunal Federal que se localiza o “triângulo das Bermudas” de alguns casos recolhidos para vistas e que em seguida desaparecem do noticiário.

Nesta quinta-feira, alguns comentaristas começam timidamente a alertar para o risco de confrontos nas manifestações marcadas para o próximo domingo, onde estarão misturadas expressões legítimas de insatisfação com o governo federal, oportunistas de todo tipo e aventureiros que defendem a volta da ditadura militar. O clima beligerante foi criado pela imprensa brasileira, ao convencer os midiotas de que a corrupção foi uma invenção do século XXI.

A série de reportagens iniciada pelo Globo é o modelo que foi esquecido.

Luciano Martins Costa
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O Globo investiga sonegação e divulga lista pífia


SwissLeaks: lista de brasileiros com contas secretas tem vários acusados de fraudes

Envolvidos em escândalos de corrupção milionários no Brasil estão entre as milhares de pessoas que guardaram dinheiro em contas secretas na Suíça. No acervo de 8.687 brasileiros que foram correntistas do HSBC em Genebra, surgem ao menos 23 personagens de dez casos de suspeita de desvio de dinheiro público ou fraudes em instituições financeiras, incluindo o caso Alstom, a operação Lava-Jato e fatos mais antigos, como a máfia que desviou US$ 310 milhões entre 1989 e 1991 da Previdência Social.

A revelação dos nomes, que faz parte de uma detalhada apuração conduzida nas últimas semanas pelo Globo em parceria com o Uol, é o ponto de partida de uma série de reportagens sobre as contas secretas do HSBC, que ficaram conhecidas no mundo como SwissLeaks (vazamentos na Suíça). Os personagens foram descobertos em consulta a um conjunto de dados vazados em 2008 de uma agência do “private bank” da sede da instituição financeira em Genebra. O acervo contém informações, que datam de 2006 e 2007, sobre 106 mil clientes de 203 países. Juntos, eles movimentaram valor superior a US$ 100 bilhões.

Como as informações vazadas são incompletas, não se sabe precisamente o montante do dinheiro que circulou pelas contas dos 23 brasileiros. O levantamento, com base nos valores disponíveis, encontrou saldos que variaram de US$ 1,3 mil a US$ 6,9 milhões. Ter uma conta numerada na Suíça não pressupõe, a princípio, nenhum crime, desde que haja declaração à Receita Federal e ao Banco Central. Mas a natureza das contas garante a seus donos anonimato, o que chamou a atenção de autoridades brasileiras que investigam o caso.

Na lista de antigos correntistas aparece o nome do empresário Henry Hoyer de Carvalho, ex-dirigente da Associação Comercial e Industrial da Barra da Tijuca, citado em fevereiro em depoimentos tomados pela Operação Lava-Jato como operador do esquema de pagamento de propinas por contratos da Petrobras para parlamentares do PP. De acordo com os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, Hoyer, ex-sócio do empresário e ex-senador Ney Suassuna, passou a atuar como repassador do dinheiro ao partido após a morte de José Janene, em 2010.

Outro escândalo recente com personagens no acervo do HSBC é o caso Alstom, suposta formação de cartel para licitações no Metrô de São Paulo e do Distrito Federal e na Companhia Paulistana de Trens e Metrô (CPTM). Dois ex-engenheiros, que foram dirigentes do Metrô, Paulo Celso Mano Moreira da Silva e Ademir Venâncio de Araújo, abriram contas na Suíça na época em que a estatal assinou um controverso contrato com a multinacional francesa Alstom.

Três personagens-chave de um esquema que ficou marcado como a maior fraude já cometida contra a Previdência Social no Brasil também aparecem na lista: o juiz Nestor José do Nascimento, o advogado Ilson Escossia da Veiga e o procurador do INSS Tainá de Souza Coelho (os dois últimos já falecidos). O escândalo foi revelado em 1992 e, segundo cálculos da época, houve um rombo de pelo menos US$ 310 milhões aos cofres públicos. O grupo transformou pequenas indenizações trabalhistas em quantias vultosas, que eram divididas pelos fraudadores.

Casos de supostas fraudes no mercado financeiro também têm personagens com contas no HSBC. É o caso do banqueiro Ezequiel Nasser, do Excel, que adquiriu em 1996 o Banco Econômico, vendido numa crise de liquidez em 1998. Em seguida, passou a ser alvo da Justiça, ao lado de outros membros da família Nasser. Até hoje, Ezequiel e Jacques devem à Comissão de Valores Mobiliários multas que, somadas, passam de R$ 45 milhões. Recentemente, Ezequiel foi condenado pelo TRF da 1º Região a cinco anos, dois meses e 12 dias de reclusão por supostas fraudes na gestão do banco, mas ainda cabe recurso. O ex-gerente do Excel nas Bahamas, denunciado pelo Ministério Público Federal mas absolvido, Alain Bigio, também aparece na lista do HSBC.

Cinco outros correntistas brasileiros figuram em esquema de fraude em licitações do Ministério da Saúde investigado, entre 2005 e 2011, pelo Ministério Público e PF, nas operações Roupa Suja e Sexta-Feira 13: os empresários Vittorio Tedeschi e Ettore Reginaldo Tedeschi, e os doleiros Henoch Zalcberg, Dario Messer e Rosane Messer. Os escândalos na saúde incluem ainda Joaquim Pizzolante, ex-presidente da Fundação Pró-Into, acusado pelo MP de integrar a quadrilha que fraudou licitações entre 1997 e 2001 no Into (Instituto de Traumatologia e Ortopedia).

Fazem parte da lista dos correntistas envolvidos em casos de fraude e desvio de recursos três ex-diretores do fundo de pensão complementar do Serpro (Ministério da Fazenda), José Pingarillho Neto, Jorge da Costa Ponde e Ricardo José Marques de Sá Freire, condenados administrativamente por gestão temerária. Eles abriram contas no mesmo dia, em 8 de dezembro de 2005, apresentando como titulares empresas sediadas nas Ilhas Virgens, paraíso fiscal.

A Justiça Eleitoral aparece com o escândalo protagonizado, em 1998, pelo casal Marco Tulio Galvão Bueno e Alexandrina Formagio, assessores do então presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, que valeu-se de sua influência para fraudar licitações. O Caso Portocred, banco de crédito no RS, com José Alexandre Guilardi de Freitas; e a Operação Vampiro, com Laerte de Arruda Corrêa Júnior, completam a lista.

Caso Alstom

Dois engenheiros que trabalharam para o Metrô de São Paulo abriram contas no banco HSBC 
Marcos Alves / Agência O Globo
Dois engenheiros que trabalharam para o Metrô de São Paulo abriram contas no banco HSBC da Suíça justamente no período em que se suspeita de que a estatal paulista fez negócios ilegais com a empresa francesa Alstom, um de seus fornecedores.

Paulo Celso Mano Moreira da Silva, hoje com 70 anos, foi diretor de operações do Metrô de São Paulo, e Ademir Venâncio de Araújo, de 62 anos, diretor administrativo do Metrô e diretor de obras da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Hoje são acusados de improbidade administrativa pelo Ministério Público do Estado São Paulo.

Os dois aparecem na lista de brasileiros que têm contas no HSBC de Genebra. Silva surge como “engenheiro do metrô de São Paulo” e proprietário da conta numerada 22544FM, aberta em 12 de outubro de 1994. Em 2007, ele tinha US$ 3 milhões. Sua mulher, Vera Lúcia Perez Mano Moreira da Silva, que já morreu, constava como co-titular.

Araújo consta, por sua vez, como “diretor técnico do metrô de São Paulo” e dono de três contas numeradas: uma aberta em nome da Jemka Investments Limited, outra em nome da Mondavi Holding Trading Ltd. e uma terceira com o número 29233SC. Segundo as planilhas do HSBC, somando as três, Araújo dispunha de US$ 6,9 milhões em 2007. Seus co-titulares eram a mulher, Sumaia Maria Macedo de Araújo, e suas filhas Fernanda Mano Moreira da Silva, 41 anos (hoje Fernanda Mano de Almeida, nome de casada), e Mariana Mano Moreira da Silva, de 38 anos.

Em 10 de abril de 1997 Silva e Araújo assinaram contrato para que a Alstom fornecesse, sem licitação, um sistema de sinalização e controle da linha Norte-Sul (Vermelha) do Metrô de São Paulo. Eles recorreram a um termo aditivo sobre um contrato firmado oito anos antes entre o Metrô e Alstom.

Processos em andamento

Silva entrou na mira do MP em agosto de 2014, no âmbito de investigações de contratos firmados entre o Metrô e a Alstom. A multinacional francesa reconheceu ter pago propina a funcionários públicos brasileiros para fechar negócios na áreas de energia e responde pela mesma prática no setor de transporte sobre trilhos.

Araújo era conhecido dos promotores paulistas há mais tempo. Em novembro de 2013, ele teve seus bens bloqueados pela Justiça Federal, sob suspeita de atuar para favorecer a Alstom em licitações. Em dezembro de 2014, foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito do cartel dos trens.

O Ministério Público pede na Justiça que Silva, Araújo e outros dois ex-diretores do Metrô devolvam R$ 4.079.451 aos cofres públicos. A ação também atinge quatro executivos que trabalhavam na Alstom.

O outro lado

O Uol entrou em contato com Silva na 3a feira (10.mar.2015). Ele não quis se manifestar sobre a conta no HSBC e solicitou que a reportagem contatasse Guilherme Braz, seu advogado. Braz, por sua vez, disse que seu cliente não foi citado em nenhum inquérito ou ação relativos ao cartel de trens e metrô em SP e ressaltou que a ação proposta pelo Ministério Público ainda não foi julgada. Sobre a conta no HSBC, afirmou que Moreira da Silva só se manifestará em juízo."

O Uol também entrou em contato na manhã de 4a feira (11.mar.2015) com o escritório Luiz Fernando Pacheco, que defende Araújo, e não obteve resposta até o momento.

Lava-Jato

O empresário Henry Hoyer está na lista de contas secretas na Suíça 
Márcio Alves / Agência O Globo
Além de 11 integrantes da família Queiroz Galvão (donos de empreiteiras citadas na Lava Jato) com contas secretas no HSBC, surgiu agora na investigação do escândalo da Petrobras mais um nome que aparece no SwissLeaks.

Trata-se de um empresário do Rio de Janeiro, Henry Hoyer de Carvalho, que acaba de completar 65 anos. Ele teria substituído o doleiro Alberto Youssef como repassador de valores de propinas a políticos ligados ao Partido Progressista — a legenda que mais teve integrantes citados pelo Ministério Público até agora no escândalo da Petrobras. A informação sobre o papel desempenhado por Hoyer consta de depoimentos prestados no âmbito da Lava Jato.

Nos documentos do “private bank” do HSBC em Genebra, Henry Hoyer aparece como titular da conta secreta 7835HH. O saldo está zerado em 2006 e 2007, período ao qual os dados bancários se referem.

Há uma curiosidade sobre Henry Hoyer. Sua conta existiu apenas por um breve período no HSBC de Genebra: a abertura foi em 20 de julho de 1989; o encerramento, em 29 de agosto de 1990. Por que razão o HSBC teria mantido os registros de Hoyer ativos até 2007?

Há várias hipóteses para isso ter acontecido. Por exemplo, o empresário teria aberto outra conta colocando como titular uma empresa ou outro representante legal –o que parece ser a praxe para milhares de outros correntistas que aparecem no acervo do SwissLeaks. Essa era a forma de tornar mais difícil a identificação de quem era, de fato, dono do dinheiro. Só mais investigações poderão esclarecer o que se passou.

As menções a Henry Hoyer no caso de desvios da Petrobras aparecem em depoimentos coletados em fevereiro pela Procuradoria Geral da República. O empresário do Rio é citado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef.

No termo de sua delação premiada, Paulo Roberto Costa descreve Hoyer como o “operador financeiro do PP que sucedeu [a] Alberto Yousseff”. Costa compromete-se a apresentar provas que possam sustentar essa afirmação, “especialmente a sua relação [de Hoyer] com contratos da Petrobras e empreiteiras, e a relação destas com o PP”.

Num outro trecho do seu depoimento, Costa relata ter ido a “uma reunião na casa de Henry Hoyer, da qual também

participaram Ciro Nogueira, Agnaldo Ribeiro, Arthur de Lira e Eduardo da Fonte”. Todos esses são políticos do PP e foram incluídos na lista de investigados pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo Costa, a reunião na casa de Hoyer com os políticos serviu para definir um “novo caminho para o repasse de comissões acerca dos contratos da Petrobras ao PP”. Hoyer teria dito a Costa que já havia mantido outros encontros com os congressistas “a fim de tratar da questão dos valores”.

O objetivo da entrada de Hoyer no esquema foi tentar pacificar a relação entre os integrantes do PP participantes do desvio de dinheiro da Petrobras. Teria ocorrido uma desagregação entre os políticos desse partido num período posterior à morte de José Janene, em 2010, o deputado que até então organizava a distribuição de valores.

Hoyer é citado também como um ex-assessor do ex-senador Ney Suassuna, do PMDB da Paraíba. Teria operado por pouco tempo na função de repassador de dinheiro, apenas durante o ano de 2012, segundo os depoimentos da Lava Jato.

O outro lado

A reportagem tentou o celular e o telefone residencial de Hoyer, mas não conseguiu localizá-lo.

Máfia da Previdência

O juiz Nestor José do Nascimento liderou a Máfia da Previdência 
Roberto Stuckert Filho / Agência O Globo
Em 1992, o Brasil assistiu atônito à descoberta da maior fraude já cometida contra a Previdência Social do país. Um grupo composto por 131 pessoas - entre elas três juízes, 62 advogados, 19 peritos, sete procuradores do INSS, um auditor, um contador judicial e 38 serventuários da Justiça — havia descoberto uma brecha no sistema previdenciário e passado a fraudar ações por acidente de trabalho de forma sistemática.

Liderados pelos advogados Jorgina de Freitas, Ilson Escóssia da Veiga, pelo juiz Nestor José do Nascimento e o então procurador-geral do INSS, Tainá de Souza Coelho, o grupo transformou pequenas indenizações, que deveriam ser repassadas a trabalhadores de origem humilde, em quantias vultosas, que eram divididas pelos fraudadores. Segundo cálculos da época, o rombo deixado no INSS foi de pelo menos US$ 310 milhões, quantia “suficiente para construir duas Linhas Vermelhas ou urbanizar boa parte da favela da Rocinha”, destacaram os jornais daquele período.

Nascimento, Veiga e Coelho estão na lista de brasileiros que mantiveram contas numeradas na Suíça nos últimos anos. Segundo registros do HSBC, Nascimento constava no banco como sendo um advogado brasileiro, morador de Copacabana e dono da conta numerada 17605NV. Ela esteve ativa de 31 de janeiro de 1991 a 14 de março de 1991 — justamente no auge do escândalo.

Nascimento atuava na 3 Vara Cível de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e seu papel na quadrilha era deferir sentenças que estabeleciam pagamento milionários, no prazo de 24 horas, a trabalhadores supostamente acidentados. Em julho de 1992, ele foi condenado por unanimidade pelos 24 desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio e pegou 15 anos e seis meses de prisão, além de ter perdido o cargo. Meses mais tarde, Nascimento teve um segundo problema com a Justiça: foi condenado por tráfico de entorpecentes e recebeu uma sentença de mais seis anos.

Nos registros dele no HSBC da Suíça, não há informações sobre valores movimentados naquele banco. Mas é fato que Nascimento mandou parte do dinheiro desviado da Previdência para o exterior. Certa disso, a Justiça brasileira chegou emitiu cartas rogatórias a diversos países e conseguiu recuperar R$ 4,7 milhões que estavam em seu nome no exterior. Esse total havia sido depositado no Union Bancaire Privée, outra instituição financeira sediada na Suíça.

O advogado Ilson Escossia da Veiga também teve conta numerada no HSBC. Tido como braço-direito de Jorgina, o rosto mais visível do escândalo, ele, sozinho, foi responsável pela obtenção da maior indenização (fraudada) da história da Previdência brasileira. Em nome do operador de empilhadeira Alaíde Ximenes e com a ajuda da quadrilha, Veiga recebeu US$ 128 milhões numa única ação.

Segundo registros da época, com o dinheiro obtido de forma ilegal, Veiga comprou apartamentos, terrenos, vagas de garagem e 522 quilos de ouro. Jornais que cobriram o escândalo noticiaram a existência de possíveis contas no exterior, mas isso só fica comprovado agora, com os dados do HSBC.

De acordo com o banco, Veiga era um advogado brasileiro, com endereço na Avenida Delfim Moreira, endereço nobre do Leblon, e dono da conta numerada 17603EV, que ficou aberta entre 28 de dezembro de 1990 e foi fechada no mesmo dia do encerramento da conta de Nascimento, em 14 de março de 1991.

A Justiça brasileira condenou Veiga a 14 anos de prisão. Em junho de 2006, ele ficou doente e morreu no Hospital Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O ex-procurador-geral do INSS Tainá de Souza Coelho foi outro com conta no HSBC suíço. Em vez de contestar judicialmente os valores exorbitantes pedidos pelos advogados e autorizados por Nascimento e outros juízes da quadrilha, Coelho mantinha-se calado. Por esse motivo, teve prisão preventiva decretada em 1994 e ficou preso por dois dos 17 anos a que foi condenado. Em abril de 1996, depois de tomar quatro tranquilizantes enquanto estava embriagado, morreu de insuficiência respiratória.

Nos registros do HSBC, no entanto, uma surpresa: a conta numerada 12207ZTS foi aberta em seu nome em 19 de julho de 2000 e mantida ativa até, pelo menos, 15 de julho de 2004, bem depois de seu falecimento. Não há informações, no entanto, sobre os montantes movimentados nem o endereço de correspondência ou o número telefone de contato do responsável pela abertura conta.

O outro lado

Veiga e Coelho já faleceram.

O Globo procurou ligou para todos os telefones listados como sendo de "Nestor José do Nascimento", mas não conseguiu localizá-lo. Além disso, tentou, por dois dias, contato com os advogados que o defenderam no caso. Remo Lainetti já faleceu, e Alexandre Alberto Leal de Serpa Pinto deixou o caso e disse ter perdido o contato com o antigo cliente.

Caso Econômico

O banqueiro Ezequiel Nasser, do Excel 
Sergio Berezowsky
Com um discurso agressivo de expansão, o banqueiro Ezequiel Nasser, do Excel, adquiriu em 1996, pelo preço simbólico de R$ 1, o Banco Econômico. Na época, a instituição estava sob intervenção do Banco Central.

Dois anos depois, no entanto, o negócio fez água. Em outubro de 1998, diante da iminente crise de liquidez do Econômico e da pressão do BC, Ezequiel vendeu o banco por R$ 1 ao espanhol Bilbao Viscaya. Em seguida, passou a ser alvo da Justiça, ao lado de outros membros da família Nasser.

Ezequiel aparece na lista de correntistas brasileiros do HSBC na Suíça. Sua conta, a de número 1114ZZ, era conjunta com Jacques Nasser, ex-vice-presidente do Excell Econômico, e Rahmo Nasser Shayo, que também estava ligado ao banco. Entre 2006 e 2007, quando já tinham quase 20 anos como clientes do HSBC, os três dispunham de US$ 1.328 em Genebra.

Até hoje, Ezequiel e Jacques Nasser devem à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) multas que, somadas, passam de R$ 45 milhões. Entre as acusações da comissão, estão a realização de investimentos em prejuízo do Excel Econômico e “exercício abusivo do poder de controle”.

As penalidades da CVM foram mantidas pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional em 2013. A comissão prepara agora a cobrança judicial dos valores.

Em setembro de 1999, Ezequiel Nasser foi denunciado pelo Ministério Público Federal da Bahia à 17a Vara Criminal da Justiça Federal sob a acusação de gestão fraudulenta e de manipulação de balancetes para manter de forma fictícia o antigo Excel Econômico entre as principais instituições financeiras do país. O objetivo, segundo alegou o MP à época, era atrair clientes e investidores. A denúncia se baseou num relatório do BC, que colaborou com o MP na ação. O processo falava em prejuízos de US$ 124 milhões por irregularidades como a concessão de empréstimos sem garantia.

Em 2006, Nasser foi condenado em decorrência da ação do MP. Segundo a assessoria de imprensa do BC, em 1ª instância, o banqueiro pegou três anos e três meses de cadeia. A pena foi aumentada pelo TRF da 1º Região para cinco anos, dois meses e 12 dias de reclusão. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), um agravo interposto pelos réus não foi aceito. Ainda cabe novo recurso.

Uma curiosidade: na lista do HSBC suíço está o nome de Alain Bigio, ex-gerente da agência do Excel Econômico nas Bahamas. Ele também foi um dos denunciados pelo MP Federal, mas acabou sendo absolvido no caso.

O executivo aparece com a identificação "diretor do Banco Excel", com duas contas: 14873DD e 24241DD. A primeira foi aberta em 17 de maio de 1990 e fechada em 20 de setembro 1991. A segunda surgiu em 17 de março de 1997 e acabou em 20 de fevereiro de 1998, período que coincide com a época em que o Econômico estava sob o controle do Excel.

As duas contas são conjuntas com Sara Bígio. Dov Bigio, filho de Alain, também consta nos registros do HSBC. Sua conta era a de número 24241DD. Em nenhum dos dois casos é possível saber os valores movimentados em 2007.

O outro lado

Desde a terça-feira, O Globo tenta localizar representantes da família Nasser. Nos telefones que constam na internet, ninguém atendeu. A advogada Sônia Ráo, que aparece como uma das defensoras de Edmond Nasser no ação do MP Federal, foi procurada três vezes, mas não retornou.

Dov Bigio, filho do ex-gerente do Excel nas Bahamas, foi localizado e, por e-mail, classificou como “uma piada” o fato de constar como cliente do HSBC suíço.

"Não sei de onde você tirou estas informações, mas isso não faz o menor sentido. Em 1997, eu estava no 3º ano de faculdade, nem fazia estágio ainda e, no máximo, fazia uns trabalhos como freelancer desenvolvendo sites para alguns amigos... Minha renda na época devia ser de uns R$ 300 por mês ou até menos".

O Globo pediu para que ele entrasse em contato com Alain, seu pai, mas Dov afirmou que não via "nenhum motivo para envolvê-lo em algo que parece mais uma piada de mal gosto e sem fundamento".

Roupa Suja/Sexta-feira 13

O empresário Vittorio Tedeschi em seu escritório, em 2002 
Simone Marinho / Agência O Globo
Em 2005, a Polícia Federal deflagrou no Rio de Janeiro e em São Paulo uma operação batizada como Roupa Suja para desbaratar duas quadrilhas especializadas em fraudar licitações como as que o Ministério da Saúde fazia para importar insumos necessários à fabricação do coquetel anti-HIV.

Quatro anos depois, no dia 13 de novembro de 2011, o trabalho investigativo derivou numa segunda operação: a Sexta-feira 13, focada na suposta evasão de divisas e na lavagem de dinheiro do mesmo grupo. Nove pessoas foram presas. Delas, cinco aparecem nas planilhas do HSBC suíço: os empresários Vittorio Tedeschi e Ettore Reginaldo Tedeschi,e os doleiros Henoch Zalcberg Chaim, Dario Messer e Rosane Messer.

Na época da operação e com o intuito de repatriar os valores desviados, os procuradores da República Carlos Aguiar e Luís Eduardo de Castro chegaram a solicitar a diversos bancos no exterior informações sobre os envolvidos. Os dos Estados Unidos colaboraram. Os da Suíça, não.

No registros do HSBC, Vittorio Tedeschi aparece como “importador e exportador de produtos químicos e mármore” e tem residência na Avenida Vieira Souto, em Ipanema. Em seu nome, o HSBC registrou cinto contas: uma em nome da Floridoro Foundation, entidade domiciliada em Nassau, nas Bahamas, uma em nome da Golden Floridoro, e as de número 27509ZDL, 25429ZRT, 11021ZVB. Delas, a única que continuava aberta em 2007 era a terceira (25429ZRT), que tinha Ettore Reginaldo Tedeschi, filho de Vittorio, como co-titular. Naquele ano, segundo o banco, estava armazenado US$ 1,3 milhão.

No HSBC, o doleiro Henoch Zalcberg aparecia, por sua vez, como um advogado brasileiro com endereço na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio. Ele foi correntista numerado por quase 14 anos. A conta identificada como "34550ZAB (EX: 11042ZCH)" esteve ativa de 15 de novembro de 1989 a 29 de agosto de 2003. Não há, no entanto, informações sobre a quantia guardada nela.

O casal de doleiros Dario e Rosane Messer também aparece como correntistas numerados no HSBC. Ele responde por uma conta aberta em nome da empresa Bartoli World Corp, do Panamá, no dia 11 de fevereiro de 2000 e ativa até 9 de junho de 2005, além da conta numerada 29083JP, que foi aberta em 23 de junho de 1998 e que, em 2007, tinha US$ 69,8 mil.

Rosane, por sua vez, aparece como psicóloga com endereço na Rua do Rosário, no Centro do Rio. Em seu nome foi registrada uma conta 14639DM, que ficou aberta entre 31 de outubro de 1990 e 4 de maio de 1992. Não há informações sobre quanto Rosane tinha no HSBC em 2007.

Os outros lados

Na terça-feira, O Globo tentou contato com Luciano Saldanha Coelho, que representa Dario e Rosane Messer na ação referente às operações da PF e do MP. A reportagem enviou perguntas por email, seguindo indicações dadas por telefone em seu escritório.

O advogado Ubiratan Guedes, que representa Salcberg na ação ligada as duas operações, afirmou que seu cliente, atualmente com 92 anos, aguarda ansiosamente uma decisão da Justiça para provar sua inocência: "Ele é a pessoa mais injustiçada que eu conheço, um homem ilibado, com mais de 60 anos de exercício da advocacia. Nos autos do processo, ele já comprovou sua inocência, mas espera a decisão para que possa ter uma sequência de vida adequada". Já sobre a conta numerada na Suíça, Guedes disse não ver qualquer ilegalidade: "Está se criando um mito em torno dessas contas. Ter dinheiro no exterior não é algo proibido. Não há nenhum ilícito, e ele não responde na Justiça por isso".

Beth Tedeschi, que responde pela família, atendeu a telefonema do Globo e negou a existência de qualquer conta na Suíça: “Nós não temos nenhum conta. Não temos nada com isso”.

Caso Serpros

José Luiz Pingarilho Neto, quando ainda era superintendente do Serpros, em 1997 
Givaldo Barbosa / Agência O Globo
Em 2005, a Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social abriu um processo administrativo por suspeitar de que o Serpros, fundo de previdência complementar do Serviço Federal de Processamento de Dados (orgão ligado ao Ministério da Fazenda), havia sido alvo de gestão temerária por parte de cinco diretores que atuaram na entidade entre 1999 e 2001.

A condenação deles por “compra de ações sem estudos técnicos que demonstrassem a viabilidade”, “deixando de observar as normas legais quanto à liquidez, segurança e rentabilidade dos investimentos”, saiu cinco anos depois, em 4 de agosto de 2010.

Três dos condenados — José Luiz Pingarillho Neto, Jorge da Costa Pondé e Ricardo José Marques de Sá Freire — tiveram que multas. Agora, eles aparecem na lista de brasileiros que tinham contas numeradas no HSBC da Suíça em 2007.

Curiosamente, as três contas foram abertas no mesmo dia — em 8 de dezembro de 2005, pouco depois de o processo administrativo ser instaurado contra eles — e têm nomes muito semelhantes. A de Pingarilho Neto está relacionada a uma empresa chamada Green River Global Assets Ltd. A de Ponde, à Yellow River Global Assets Ltd., e a de Sá Freire, à Blue River Global Assets Ltd. Essas três empresas estavam domiciliadas na paraíso fiscal das Ilhas Virgens.

Entre 1996 de 2001, Pingarillho Neto foi diretor-superintendente do Serpros. No HSBC, ele aparece como morador da Barra da Tijuca, no Rio, e, em 2007, mantinha na Suíça US$ 1,1 milhão. A conta era conjunta com outras três pessoas. Todas elas de sobrenome Pingarilho.

Pondé e Sá Freire foram gestores do Serpros no mesmo período do colega. Pondé foi diretor de investimentos, e Sá Freire, diretor de benefícios. Os três deixaram o fundo de previdência complementar no mesmo mês: em março de 2001.

Nos registros do HSBC suíço, Pondé surge como morador do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, e dono de uma conta numerada que, em 2007, tinha US$ 790 mil. Outras três pessoas de sobrenome Pondé também tinham acesso a ela, como co-titulares.

Sá Freire tinha registros semelhantes. A conta em nome dele também foi aberta em 8 de dezembro de 2012 e era conjunta com outras três pessoas de sobrenome Sá Freire. Em 2007, ela guardava outro US$ 1,1 milhão.

Em 2013, a Secretaria de Previdência Complementar entrou com três ações de execução fiscal na Justiça Federal do Rio de Janeiro: uma contra Pingarilho Neto (na 7 Vara), um contra Pondé (na 5 Vara) e mais uma contra Sá Freire (na 9 Vara). Nas três, pedia o pagamento da multa que lhes havia sido imposta em 2010. Num dos ofícios do caso, os juízes determinam que o oficial de justiça verifique “a existência ou não de bens penhoráveis”. As ações seguem abertas.

O outro lado

O Globo contatou por telefone o advogado Rogério Maia de Sá Freire, que é filho de Ricardo José e que defende os três ex-diretores na ação referente ao Serpros. A reportagem enviou a Rogério um email com uma lista de perguntas, mas, até a noite de terça-feira, não havia recebido retorno. Vale destacar que o defensor também está entre os correntistas do HSBC. Ele compartilha com o pai a titularidade de uma das contas. Rogério também foi questionado sobre isso e não retornou dentro do prazo fixado.

Caso TRE-RJ

Marco Tulio Galvão Bueno, entre Miriam Gagliardi e Roberto Vasconcelos 
Reprodução
O casal Marco Túlio Galvão Bueno e Alexandrina Formagio, titulares de duas contas numeradas e conjuntas abertas no HSBC da Suíça em 25 de agosto de 2006, foi acusado pelo Ministério Público Federal do Rio de comandar, em 1998, um esquema de desvio de recursos instalado dentro do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Segundo o MPF, que levou o caso à Justiça em 2003, Bueno e Alexandrina, que ocupavam os cargos de diretor de Comunicação e de chefe de gabinete do presidente do órgão, respectivamente, impulsionavam licitações fraudulentas, o superfaturamento de obras e o pagamento por serviços não realizados e a funcionários fantasmas.

Nos registros do HSBC da Suíça, Bueno aparece como sendo jornalista e fazendeiro, morador da Estrada da Gávea, endereço nobre da Zona Sul do Rio de Janeiro. Alexandrina divide com ele o mesmo endereço e consta nos dados do banco como sendo advogada. Juntos, em 2007, os dois acumulavam US$ 1,8 milhão na Suíça. Na conta numerada 45233GB, o casal chegou a ter US$ 1,1 milhão. Na de número 45234RF, outros US$ 709 mil.

Nove anos antes, Bueno e Alexandrina haviam provocado uma crise entre o então presidente do TRE, o desembargador Martinho Campos, e os outros seis magistrados do órgão, que acusavam o casal de se valer do fato de trabalharem no gabinete da presidência para aplicar golpes.

O sucessor de Martinho Campos, o desembargador Luiz Carlos Guimarães, assumiu o tribunal em 1999 e, logo em seguida, mandou que fosse investigado o destino de cerca de R$ 4,5 milhões que deveriam ter sido empregados na reforma de 126 zonas eleitorais do estado.

Uma auditoria realizada logo a seguir por três engenheiros do tribunal concluiu que apenas R$ 527.372,52 (10,34% da verba de R$ 5.101.000,32 destinada a essas obras) haviam sido gastos. E, pior: em seu relatório, os engenheiros classificaram o trabalho executado pela vencedora da licitação, como decepcionante. Em suas palavras: “poucos itens foram atendidos, devendo praticamente todos serem refeitos”.

Na época, o desembargador Guimarães também determinou a abertura de uma correição (apuração) interna para descobrir por que, dos R$ 94 milhões do orçamento para 1999, cerca de R$ 93 milhões (98% da verba) já haviam sido gastos até o dia 4 de maio. Entre outros pontos, o trabalho constatou que a empresa responsável pela reforma das zonas eleitorais trabalhava apenas com informática e que só tinha se transformado numa firma de engenharia 23 dias antes de vencer a licitação do TRE-RJ.

A pedido da Procuradoria da República do Rio de Janeiro, a Justiça Federal instaurou três ações civis públicas em 2003. De acordo com o site da Justiça, duas delas ainda estão em andamento, sem decisão em primeiro grau. Sobre a terceira, não há dados disponíveis.

O outro lado

A advogada Alexandrina Formagio, que respondeu pelos dois, foi contatada pelo Globo por telefone na tarde de terça-feira. A reportagem encaminhou-se um email com uma lista de perguntas sobre o caso. Até a noite do dia 10, ela ainda não havia retornado.

Caso Into

Instituto Nacional de Traumato Ortopedia (INTO)
Márcia Foletto / Agência O Globo
Em 2006, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro denunciou à Justiça Federal onze integrantes de um grupo que supostamente havia fraudado licitações e prestações de serviço entre 1997 e 2001. Na lista denunciados estava Joaquim Pires e Albuquerque Pizzolante, ex-presidente da Fundação Médica Pró-Into, órgão privado de apoio ao Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia, ligado ao Ministério da Saúde.

Pizzolante e sua mulher, Iza Helena Carvalho Pires e Albuquerque Pizzolante, aparecem com sendo donos de uma conta conjunta numerada no HSBC suíço, a 7831JP. Ela foi aberta em 27/06/1989 e fechada em 12/09/2003. Nos registros bancários, não há referência sobre valores nela depositados.

Para o MPF, a Fundação Pró-Into foi usada para desviar recursos do Into da seguinte forma: permitia que leitos do instituto fossem usados por clientes de planos de saúde privados sem que os valores pagos pela prestação dos serviços médicos fossem devidamente repassados ao Into. A fundação também teria cobrado próteses e outros materiais médicos, usados por pacientes privados, sem reverter ao instituto o montante. A fundação também teria usado produtos do estoque público sem fazer sua reposição ou pagar por eles.

O esquema instalado no instituto, segundo o MPF, pode ter deixado um rombo de cerca de R$ 8,6 milhões. Hoje em dia, os acusados responderam por peculato, corrupção passiva, falsificação, fraude em licitação pública e formação de quadrilha. Pizzolante, no entanto, conseguiu trancar seu processo na segunda instância (TRF-2).

O outro lado

Joaquim Pizzolante disse por telefone ao Globo que não se recorda de ter tido qualquer conta na Suíça, mas que "procuraria em suas anotações": "Seria até bom, aposentado, na fase em que estou vivendo, descobrir uma conta na Suíça".

Seu advogado Leonardo Paradela garantiu que Pizzolante foi absolvido da denúncia criminal no processo envolvendo as fraudes no Into.

Operação Vampiro

Suposto líder de uma quadrilha que agia no Ministério da Saúde, Laerte de Arruda Correa Júnior foi preso pela Polícia Federal em 2004 durante a Operação Vampiro. Após passar 136 dias na carceragem, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

Em 2006 e 2007, Correa Júnior tinha US$ 1,1 milhão depositados em seu nome na agência do HSBC em Genebra. Ele havia aberto a conta banco em novembro de 2003, identificando-se como “consultor farmacêutico”.

Correa Júnior transitava desde os anos 80 entre políticos de diferentes governos. Em 1987, foi acusado por médicos de trazer ao Brasil o AZT, na época um coquetel revolucionário para tratar Aids, sem autorização do Ministério da Saúde. Correa Júnior morreu em outubro de 2011, em sua fazenda em Campinas, de causas naturais.

Segundo depoimentos à PF, Correa Júnior se apresentava para empresários do setor de medicamentos como alguém que teria “fortes ligações” com funcionários do governo federal e intermediava acordos para fraudar licitações na Saúde.

O outro lado

O Uol entrou em contato na 3 feira (10.mar.2015) com Vladimir Rossi Lourenço, que advogou para a viúva de Correa Júnior, Paloma Helene Abecassis de Arruda Correa. Na noite de 4 feira (11.mar.2015), Lourenço sugeriu que a reportagem procurasse o advogado José Eduardo Alckmin, o que foi feito.

Já bem tarde na noite de 4 feira (11.mar.2015), José Eduardo Alckmin respondeu que não era mais advogado de Paloma Correa.

Caso PortoCred

Em outubro do ano passado, José Alexandre Guilardi de Freitas, ex-administrado do PortoCred SA CFI - instituição de crédito criada nos anos 1990 —, foi condenado em primeira instância pela 7 Vara Federal de Porto Alegre (RS) por crimes contra o sistema financeiro cometidos entre 2002 e 2007. Freitas está na lista de brasileiros com contas numeradas na Suíça. Segundo dados do banco, ele abriu uma conta em 18/09/1998 e a fechou em 24/07/2003. Em 2007, ela estava zerada.

Na decisão judicial de 2014, Freitas foi condenado por três crimes: operação de instituição financeira sem autorização devida; evasão de divisas e formação de quadrilha. A pena fixada foi de seis anos e quatro meses de prisão em regime semiaberto, mas, como cabe recurso, o réu responde em liberdade.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o grupo no qual Guilardi foi denunciado atuava em um sistema bancário paralelo, sem autorização do Banco Central, realizando ações de câmbio; manutenção de contas de investimento no território nacional e fora dele; além de remessas irregulares de valores para o exterior. A investigação apontou um rombo de mais de R$ 2 bilhões em operações financeiras.

Guilardi também já havia sido denunciado pelo MPF por supostas fraudes cometidas entre 1999 e 2000 também no Portocred. Segundo a denúncia, ele teria montado dentro da empresa uma instituição financeira paralela, clandestina, que captava de forma irregular recursos de terceiros, para serem lavados.

O outro lado

O advogado Felipe Pozzebon, que representa Guilardi, disse ao Globo por telefone que não tem conhecimento de qualquer conta de seu cliente no HSBC suíço e que não há qualquer referência à conta em nenhum processo do qual o ex-administrador do Portocred é alvo.

Sobre as ações contra Guilardi, que há vários anos já não atua no mercado financeiro, o advogado disse ter como postura não dar detalhes sobre processos em andamento, mas que não há qualquer decisão com trânsito em julgado. "Há o princípio da presunção de boa fé, de inocência até que haja o trânsito em julgado. Já estamos em fase de recursos com grandes chances de reversão em tribunais superiores."
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