7 de mar de 2015

Pilantragem a título de jornalismo

Lista de Janot mostra que vazamentos foram seletivos; manchetes sugerem arquivamento que não houve

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A Folha, em duas datas-chave, prestando serviço ao tucanato
No dia 5 de março, a Folha usou um subterfúgio para colocar no mesmo patamar a presidenta Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves quanto à lista de Janot. Disse que Janot havia rejeitado inquéritos sobre ambos. Se assim foi, o diário conservador poderia ter acrescentado que o procurador-geral também rejeitou inquéritos sobre o Bob Esponja e o Ronald Mc’Donald.

Fato: Aécio Neves foi citado pelo doleiro Alberto Yousseff, em sua delação premiada, como beneficiário de um esquema envolvendo Furnas. Yousseff afirmou, com todas as letras, ter ido a Bauru pessoalmente receber dez pagamentos relacionados ao esquema. Mencionou a irmã de Aécio como suposta intermediária, Como argumentamos aqui, já existe um inquérito em andamento na Justiça sobre o esquema mencionado por Yousseff. Há, portanto, fatos a investigar neste caso. Com base nisso, os procuradores da Lava Jato pediram um inquérito que envolveria Aécio. Rodrigo Janot não os atendeu. Por enquanto, ele frisou, por enquanto.

Fato 2: Não houve a mesma coisa com Dilma. Não é possível arquivar algo que nem foi pedido. A manchete da Folha foi no mínimo enganosa. Uma tentativa de equiparar situações distintas. “Ela não foi investigada primeiro porque não há fatos, não há indícios, não há nada a arquivar“(grifo nosso), afirmou hoje o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo a respeito de Dilma.

Cardozo desmentiu a teoria, espalhada pelos jornalões, de que Dilma não teria sido investigada por conta do artigo 86 da Constituição. Ele diz:
§ 4º – O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.
[Clique aqui para ver a entrevista completa, indicação do Franco Atirador]

Fato 3: A Folha insistiu na mesma estratégia neste sábado. O nome de Dilma foi parar no manchetão. É verdade que Antonio Pallocci será investigado na condição de tesoureiro de campanha da presidente. Pallocci é mencionado pelo delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. Costa disse que teria recebido um pedido do doleiro Alberto Yousseff para liberar R$ 2 milhões para a campanha do PT. Ouvido, Yousseff negou a afirmação do outro delator “categoricamente”, na descrição feita esta tarde pelo ministro da Justiça.

Parênteses: Chamou atenção, na coletiva do ministro, o fato dele frisar que Pallocci “não tinha cargo no governo” em 2010. Seria uma vacina preventiva em relação a futuras revelações?

Voltando à Folha: por que mencionar Dilma e esconder o senador tucano Antonio Anastasia, cria e aliado de Aécio Neves? Em minha modesta opinião, pelo ineditismo, Anastasia também merecia figurar na manchete. “Tsunami do petrolão varre até tucano de alta plumagem”, escreveria o saudoso Notícias Populares. Não é inédito um senador da oposição tirar proveito de um esquema que, em tese, teria sido montado para beneficiar governistas?

Fato 4: A divulgação da lista de Janot demonstra que, como a blogosfera denunciou seguidamente nos últimos meses, os vazamentos foram seletivos. Procurei no Google alguma manchete a partir do vazamento da menção de delatores a Aécio Neves ou Antonio Anastasia. Não houve qualquer retorno. Zero. Nada remotamente parecido com isso aqui — que foi baseado numa estimativa para a qual o delator Pedro Barusco não apresentou, ainda, provas:

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Fato 5: A capa da Veja que precedeu o segundo turno das eleições foi um macro factóide, a partir de um fiapo de informação. O doleiro Yousseff disse em depoimento que vários ministros, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma sabiam dos desvios na Petrobras, mas nada acrescentou de factual.

Sobre isso, o procurador-geral Rodrigo Janot escreveu ao ministro Teori Zavascki, do STF: “A análise concreta desta referência, com outras em que disse também acreditar que determinadas pessoas sabiam dos fatos, não pode gerar automaticamente providência de investigação direta quanto a eles se não há nenhuma indicação sequer de um dado que permita esta conclusão”. O grifo é nosso. Ou seja, especulação, fofoca, boato. Opinião não sustentada em fatos.

A partir da qual, com um desenho que sugeria acesso aos subterrâneos da Lava Jato, a Veja preparou material de campanha:

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A ironia perversa é que, quando esta capa da Veja foi utilizada na campanha eleitoral, o doleiro já tinha mencionado Aécio, a irmã de Aécio, a empresa Bauruense e o esquema de Furnas. Que só agora, passada a eleição, vieram à tona.

É ou não é pilantragem a título de jornalismo?

Luís Carlos Azenha
No Viomundo
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A coletiva do ministro José Eduardo Cardozo

Cardozo: Imprensa deturpou decisão do STF sobre Dilma


Nada há a arquivar, disse Zavascki. Ministro da Justiça voltou a defender autonomia dos órgãos de investigação



O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, criticou, neste sábado (7), a interpretação da imprensa em geral sobre a argumentação do ministro do STF e relator da Operação Lava Jato na Suprema Coste, Teori Zavascki, que disse que não existem indícios que pudessem envolver a presidenta Dilma Rousseff na ação.

“Nada há a arquivar em relação à presidente da República”, informou Zavascki.

“Não há indícios mínimos capazes de autorizar a abertura de qualquer procedimento. Portanto, me parece clara a conclusão do ministro Zavascki. A presidenta Dilma não teve pedida nem decidida qualquer autorização para investigação porque não há fatos, não há indícios que pudessem envolvê-la em absolutamente nada”, afirmou Cardozo.

Além disso, o ministro voltou a negar qualquer interferência ou influência do governo na elaboração da lista de políticos que serão submetidos a inquérito por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para Cardozo, a hipótese de o governo ter conseguido influenciar ou dirigir o teor das denúncias feitas em acordo de delação premiada é “inverossímil” e “incorreta”.

“É incorreto imaginar-se que o governo tenha influenciado, tenha colocado palavras na boca de pessoas que prestaram depoimentos na presença de membros do Ministério Público, da força-tarefa que está lá no estado do Paraná colhendo depoimentos”, destacou Cardozo.

A PGR é o órgão que, sob gestão do procurador-geral Rodrigo Janot, elaborou a lista de 54 pessoas (49 sob investigação, sendo 47 políticos) suspeitas de participarem do esquema de corrupção na Petrobras.

O ministro da Justiça voltou a defender a autonomia do Ministério Público para conduzir os trabalhos de investigação.

“Se no passado havia interferência para se buscar pessoas, hoje não mais ocorre. Concorde o Executivo ou não com as decisões, elas são de inteira responsabilidade do Ministério Público”, afirmou.
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Brito detona álibi de Eduardo Cunha

Cunha nega ter pressionado Mitsui com requerimento. Não, usou uma “laranja”. Está aqui


Hoje, para rebater o procurador Rodrigo Janot de suas acusações sobre a extorsão que teria sido praticada contra o empresário Júlio Camargo e o grupo japonês Mitsui, Eduardo Cunha diz que não fez, como alega a Procuradoria, nenhuma representação contra o grupo.
”O procurador fala em representações na Câmara dos Deputados que teria sido feita por mim, mas jamais cita a representação, que, absolutamente, não existe. Bastava uma simples pesquisa no portal da Câmara para ver todas as propostas que apresentei, e isso posso provar. Só que ele, o procurador, não tem como provar.”
Vou dar uma “mãozinha” ao Dr, Janot.

Mande chamar a prefeita Solange Almeida, de Rio Bonito, cabo eleitoral incondicional de Eduardo Cunha.

Antes de ser prefeita, Solange era deputada federal, suplente em exercício.

Foi nessa condição que ela apresentou, em 2011, requerimento ao Tribunal de Contas da União sobre “vários contratos envolvendo a construção, operação e financiamento de plataformas e sondas da Petrobrás, celebrados com o Grupo Mitsui, contém especulações de denúncias de improbidade, superfaturamento, juros elevados, ausência de licitação e beneficiamento a esse grupo que tem como cotista o senhor Júlio Camargo, conhecido como intermediário.”

Assim, isso mesmo, na base da generalidade.

Típico “ó, cara, posso te f….”

A dona Solange, ao que eu saiba, não tem qualquer intimidade com o setor naval.

Rio Bonito, aliás, um lugar bacana, é grande produtor de laranjas de meu Estado.

Tenho a impressão que, em matéria de navios, D. Solnage não sabe a diferença entre bombordo e boreste, mas sabe perfeitamente a quem deve o seu caminho:
— Eu tive o meu mandato caçado (sic) e por três anos eu fiquei pendurada por uma liminar. O meu mandato foi muito prejudicado por conta dessa situação, mas eu sempre pude contar com Eduardo Cunha. Ele sempre esteve ao meu lado até que eu fui inocentada…
Pronto, Dr. Janot, tá aí o caminho das pedras para detonar o “álibi” de Eduardo Cunha.

Com a foto, para deixar a promoção bem bonita e instruída, e até desfoquei o rosto do menor que aparece nela, para evitar macular o único inocente da imagem.

O senhor sabe, o Google é mais barato que meio procurador, né?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Renan e Cunha vão escolher quem vai julgá-los

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/03/07/renan-e-cunha-vao-escolher-quem-vai-julga-los/


Calma, pessoal, muita calma nesta hora. Quem estava querendo ver sangue na Operação Lava-Jato, e ficou frustrado com a lista anunciada pelo ministro Teori Zavascki, que já tinha vazado por todo lado, ainda vai ter que esperar um bocado de tempo até que acabem as investigações solicitadas pelo procurador-geral Rodrigo Janot, sejam feitas as denúncias e saiam as primeiras sentenças no STF, se é que um dia isso acontecerá (o mensalão tucano até hoje não foi a julgamento).

Pelos cálculos do experiente ministro Marco Aurélio Mello, que conhece todos os escaninhos do STF, levará pelo menos três anos para que o processo seja concluído, ou seja, isto deve coincidir com a campanha presidencial de 2018.

Por mais revoltados que estejam com o governo federal e o procurador-geral Rodrigo Janot, os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e Eduardo Cunha, da Câmara, não têm motivos para se preocupar tanto com seus destinos nos inquéritos abertos na noite de sexta-feira contra 34 parlamentares suspeitos de envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras.

Com o controle absoluto do Congresso Nacional nas suas mãos, os peemedebistas Renan e Cunha podem se dar ao luxo de escolher quem vai julgá-los politicamente nos conselhos de ética (na Justiça, é outra história, que ainda vai demorar bastante).

Na Câmara, o bloco suprapartidário formado por Eduardo Cunha ocupará praticamente a metade das cadeiras (9 no total de 21 titulares) do Conselho de Ética, que toma posse na próxima quarta-feira. Se não ficar satisfeito com alguma decisão, o investigado Cunha ainda poderá recorrer à poderosa Comissão de Constituição e Justiça, que é presidida pelo fiel aliado Arthur Lira (PP-AL), um dos 22 parlamentares do partido de Maluf incluídos no pacote de Janot/Teori.

Também Renan Calheiros tem tudo para dar um tranquilo passeio pela Comissão de Ética do Senado, onde conta com folgada maioria, ainda mais agora que virou herói também da oposição, depois de afrontar a presidente Dilma Rousseff, ao devolver a medida provisória da desoneração das folhas de pagamento.

Cunha e Renan estão possessos com o governo Dilma, acreditando piamente de que foi o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, quem convenceu Janot a colocar seus nomes na lista. Para se vingar do procurador-geral, os dois pretendem apresentar propostas na Câmara e no Senado com o objetivo de impedir a recondução de Janot ao cargo, lembrando que o mandato dele termina em setembro. É o Senado, afinal, quem aprova ou não o nome indicado pela presidente da República a partir de uma lista tríplice apresentada pelo Ministério Público Federal.

A guerra entre o Planalto e a cúpula do Congresso está só começando. Eduardo Cunha até já mudou de ideia sobre um pedido de impeachment contra a presidente Dilma. Depois de dar várias declarações em defesa do cargo da presidente, garantindo que é contrário à proposta defendida por setores da oposição, agora o presidente da Câmara já admitiu a aliados próximos que poderá acolher o pedido, a depender do tamanho das manifestações pelo "Impeachment Já" marcadas para o próximo dia 15.

Além disso, Cunha corre para aprovar em segundo turno a chamada "PEC da Bengala", que aumenta para 75 anos a idade-limite para a aposentadoria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, com o objetivo de impedir Dilma de indicar cinco novos nomes no segundo mandato.

Com a atual composição, Renan e Cunha nunca tiveram maiores problemas no STF. E Renan já mandou avisar à presidente Dilma que não aceitará qualquer nome apoiado por José Eduardo Cardozo para a vaga do ex-ministro Joaquim Barbosa, que se aposentou há seis meses. Para fazer sua defesa no STF, Renan não vai nem gastar dinheiro do seu bolso: já indicou para esta tarefa o advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, que é pago com os impostos que nós pagamos.

Por mais barulho que a aliança midiática do Instituto Millenium tenha feito desde que começaram os vazamentos das delações premiadas, pelo menos até o momento em que escrevo o mundo ainda não acabou com a divulgação dos nomes dos políticos investigados na Operação Lava-Jato.

Por falar nisso, tem alguém investigando quem é o responsável por estes vazamentos seletivos de partes dos processos que corriam sob segredo de Justiça?

E vamos que vamos.
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A lista de Janot é um avanço para o Brasil

Desarmou os oportunistas
Uma lista de nomes é boa quando agrada todo mundo ou desagrada todo mundo.

A lista de Janot se enquadra na segunda categoria, e merece aplausos a despeito das compreensíveis imperfeições.

Sua maior virtude é tirar o caráter cínico, hipócrita, canalha do “combate” à corrupção que a direita predadora sempre utiliza para sabotar governos populares, de Getúlio a Jango, de Lula a Dilma.

A direita sonhava com um Mensalão 2, com todos os holofotes e todas as acusações centradas no PT para a mídia fazer o trabalho sujo de sempre.

Com o caráter pluripartidário dos nomeados, Janot frustrou os planos da direita, e isso merece ser celebrado.

A esquerda gostaria — com justas razões — de ver Aécio na lista, da qual ele escapou por pouco. Mas a presença de Anastasia, cria de Aécio, vai forçar os tucanos a ser mais comedidos em suas detestáveis prédicas pseudomoralistas.

Até aqui, os líderes do PSDB encampavam imediatamente qualquer acusação contra petistas, por mais absurda.

Agora, até para preservar Anastasia, terão que ser mais cautelosos. Talvez reaprendam que as pessoas são inocentes enquanto a culpa não for provada, e sejam menos ávidos em endossar coisas como a Teoria do Domínio dos Fatos.

Essa teoria poderia complicar as coisas para Aécio, dada sua ligação com Anastasia.

Tirado o foco do PT e do PSDB, a sociedade lucra com o choque de realidade que se abateu sobre Eduardo Cunha.

Apoiado pela mídia, Cunha vinha agindo como um obstáculo não apenas ao governo — mas a qualquer tipo de pauta progressista.

Seu inevitável enfraquecimento pode desbloquear o caminho para uma reforma política decente que inclua a origem maior da corrupção — o financiamento privado das campanhas, um expediente pelo qual a plutocracia toma de assalto a democracia.

O horror do financiamento privado se observou nestes dias quando Cunha impediu uma CPI dos Planos de Saúde. Como informou o deputado Ivan Valente, Cunha foi bancado em sua campanha pela Bradesco Saúde.

A lista de Janot também tira o ímpeto de golpistas que sonhem com um impeachment pelo Congresso.

Deputados e senadores que poderiam cair em tentação diante do canto de sereia da mídia agora terão que se concentrar em sua defesa.

O que eles por acaso fizerem agora perderá qualquer valor por se caracterizar como uma desprezível vingança.

Eduardo Cunha, segundo o jornalista Lauro Jardim, estaria falando em impeachment.

Se for verdade, será apenas uma demonstração de seu desespero diante da possibilidade de sua até há pouco florescente carreira política terminar abruptamente em lágrimas.

Não é o Mensalão 2, graças a Janot — e não a Sérgio Moro, como sabemos todos.

É bom para o Brasil, que deve essa a Rodrigo Janot.

Paulo Nogueira
No DCM
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A íntegra dos pedidos de investigação de Janot


Confira o teor de cada pedido de inquérito, arquivamento e remessa para outras instâncias do procurador-geral da República, Rodrigo Janot:

Inquérito 3883 (Fernando Collor de Mello)

Inquérito 3963 (Antonio Augusto Anastasia)

Petição 5252 (Edison Lobão e Roseana Sarney)

Petição 5253 (Delcídio do Amaral)

Petição 5254 (Renan Calheiros)

Petição 5255 (Edison Lobão)

Petição 5256 (Humberto Costa)

Petição 5257 (Gleisi Hoffman)

Petição 5258 (Lindbergh Farias)

Petição 5259 (Romero Jucá)

Petições 5260, 5276, 5277, 5279, 5281, 5289 e 5293 (Aguinaldo Velloso Borges Ribeiro, Aline Lemos Corrêa de Oliveira Andrade, Anibal Gomes, Arthur César Pereira de Lira, Benedito de Lira, Carlos Magno Ramos, Ciro Nogueira Lima Filho, Dilveu João Sperafico, Edison Lobão, Eduardo Henrique Silva, Fernando Baiano, Gladison de Lima Cameli, Jerônimo Pizzolati Jr, João Felipe de Souza Leão, Luiz Argolo, João Sandes Jr, João Vaccari Neto, José Alfonso Ebert Hamm, José Linhares Ponte, José Olímpio Moraes, José Otávio Germano, Renan Calheiros, Lázaro Botelho Martins, Luis Carlos Heinze, Luiz Fernando Ramos Faria, Mario Silvio Mendes Negromonte, Nelsos Meurer, Pedro da Silva Correa de Oliveira Andrade Neto, Pedro Henry Neto, Renato Delmar Molling, Roberto Egígio Balestra, Roberto Pereira de Britto, Roberto Sérgio Ribeiro Coutinho, Romero Jucá, Simão Sessim, Valdir Raupp, Vilson Luiz Covatti, Waldir Maranhão Cardoso)

Petições 5261 e 5288 (Eduardo da Fonte)

Petição 5262 (Valdir Raupp)

Petição 5263 (Antônio Palocci)

Petição 5264 (Candido Vaccarezza e Vander Loubet)

Petição 5265 (José Otavio Germano e Luiz Fernando Ramos Faria)

Petições 5266 e 5294 (Nelson Meurer)

Petição 5267 (João Alberto Pizzolatti Jr)

Petições 5268 e 5285 (Benedito de Lira e Arthur Lira)

Petição 5269 (Simão Sessim)

Petição 5271 (Alexandre José dos Santos)

Petição 5272 (Henrique Eduardo Alves)

Petição 5273 (Cândido Vaccarezza)

Petição 5274 (Renan Calheiros e Aníbal Gomes)

Petição 5278 (Eduardo Cunha)

Petição 5280 (João Alberto Pizzolatti Jr)

Petição 5282 (José Mentor)

Petição 5283 (Aécio Neves)

Petição 5284 (Arthur de Lira e Benedito de Lira)

Petição 5286 (João Alberto Pizzolatti Jr. e Pedro da Silva Corrêa de Oliveira Andrade Neto)

Petição 5287 (Ciro Nogueira e Agnaldo Ribeiro)

Petição 5290 (João Alberto Pizzolatti Jr)

Petição 5291 (João Alberto Pizzolatti Jr e Roberto Sérgio Ribeiro Coutinho Teixeira)

Protocolo 34996 (Cândido Vaccarezza)

Confira, abaixo, a linha do tempo sobre a atuação do MPF junto ao Supremo Tribunal Federal:

No GGN
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Aécio Neves: o arquivamento pode não ser o ponto final

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, arquivou o inquérito contra o senador tucano, citado por Alberto Youssef. Mas observa que “não se está fazendo nenhum juízo insuperável”

O nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ficou de fora da lista
de inquéritos da Lava Jato
Geraldo Magela
O principal líder oposicionista, Aécio Neves (PSDB-MG), foi citado nas delações premiadas (leia a petição aqui), mas a Procuradoria-Geral da República decidiu pedir o arquivamento do inquérito contra o tucano por falta de consistência. Na sexta-feira 6, o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava a Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), abriu o sigilo de todas petições feitas pela Procuradoria Geral da República, confirmando a informação que começou a circular dias antes. Na quarta-feira 4, Aécio já se manifestara sobre o episódio. Afirmou receber a notícia do arquivamento como uma “homenagem”. Após o deboche, voltou à carga: “Foram infrutíferas as tentativas de setores do governo de envolver a oposição na investigação.”

Quem envolveu o senador tucano na história foi, no entanto, o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Lava a Jato, que o acusou de receber dinheiro proveniente de propina de Furnas, estatal mineira do setor elétrico, por meio “de sua irmã”, sem maiores detalhes. A citação pode ser encontrada no Termo de Colaboração número 20, assinado pelo delator no fim do ano passado, e que tem como tema principal: “Furnas e o recebimento de propina pelo Partido Progressista e pelo PSDB”.

O depoimento de Youssef apresentava, na verdade, muitas imprecisões. Não havia clareza sobre a qual das duas irmãs de Aécio o doleiro se referia na delação, embora Andrea Neves seja, entre elas, a de maior atuação política. Além do senador tucano, foram citados o ex-deputado do PP José Janene, falecido em 2009, e um executivo da empresa Bauruense.

O doleiro relatou que a empreiteira Camargo Correa teria feito uma obra relacionada a uma barragem, “todavia não houve o pagamento integral da comissão”. Apesar de desconhecer o valor total da propina, Youssef alega ter acompanhado Janene na cobrança de “uma pendência de cerca de quatro milhões de reais”. “Essa visita teria ocorrido no ano de 2002 sendo o contato mantido na pessoa de João Hauler, o qual teria dito que não havia nada a ser pago, alegando que alguém do PSDB teria recebido esse valor”, registra o termo da delação. Youssef disse desconhecer quem havia retirado parte da comissão, mas mencionou que quem teria grande influência sobre a diretoria de Furnas era o então deputado federal Aécio Neves, “o qual receberia recursos por meio de sua irmã”.

Ouvido novamente sobre os fatos citados anteriormente, Youssef afirmou, no Termo de Declarações Complementares número 21, que o PSDB, por meio de Aécio Neves, “dividiria” uma diretoria em Furnas com o PP de José Janene. Segundo o doleiro, Aécio também teria recebido valores mensais, por intermédio de sua irmã, de uma das empresas contratadas por Furnas, a empresa Bauruense, entre 1994 e 2001.

Youssef alega ter ouvido do próprio Janene, “pessoalmente e por mais de uma vez, que dividia uma diretoria de Furnas com o então deputado Aécio Neves, do PSDB”. Ele garantiu que a Baruense repassava mensalmente 100 mil dólares apenas para o PP. Questionado, o doleiro declarou ainda, “por ouvir dizer”, que “uma irmã de Aécio Neves era a operadora do PSDB”. A informação também foi creditada a Janene.

Janot pediu o arquivamento, mas não descarta a suspeita

Ao justificar o pedido de arquivamento, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, observou que as afirmativas de Youssef “são muito vagas e, sobretudo, assentadas em circunstâncias de ter ouvido os supostos fatos por intermédio de terceiros (um deles, inclusive, já falecido)”. Observou ainda que a referência de que existia uma suposta “divisão” na diretoria de Furnas entre o PP e o PSDB “não conta com nenhuma indicação, na presente investigação, de outro elemento que a corrobore”.

Nem por isso, Janot descarta a suposta participação de Aécio no esquema. “Nunca é demais se frisar que não se está fazendo nenhum juízo insuperável acerca da procedência ou não de eventual participação do parlamentar referido no suposto fato relacionado a Furnas”, observa. “O que se impõe assentar é que, diante do que há de concreto nos autos até o presente, não há sustentação mínima para requerimento de formal investigação”. Confira a íntegra do pedido de arquivamento de Janot.

Ingerência do governo na investigação

Diante da acusação de interferência do Planalto nos rumos da Operação Lava Jato, coube ao ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, rebater as insinuações. “Não há absolutamente nenhuma possibilidade de o governo incluir ou tirar alguém da lista. Até porque isso significaria fazer uma especulação de que o Ministério Público seria influenciado, não teria autonomia e independência”. Sem mencionar as declarações de Aécio, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também reagiu na quinta-feira 5: “Quero manifestar meu claro e indignado repúdio de que tenhamos agido no que é competência exclusiva da Procuradoria-Geral da República. Se no passado algum governo fez isso, este governo não faz”.

Rodrigo Martins
No CartaCapital
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Aécio e Lindberg: dois pesos diferentes de Rodrigo Janot


O Procurador Geral da República Rodrigo Janot ficou de entregar a lista dos políticos ao STF (Supremo Tribunal Federal) às 8 da manhã de quinta-feira. A lista só chegou no final da noite, entregue por um subprocurador.

O Ministro Teori Zavaski tinha certeza que, dentre os nomes, estava o do senador Aécio Neves. Espantou-se quando constatou que ficara de fora. A rádio corredor do STF sustenta que a decisão de deixar Aécio de fora foi tomada na noite anterior.

Teori deixou escapar uma opinião: “Não sei se era para Aécio estar ou não na lista. Mas entrou na lista gente com muito menos coisa que ele”.

Na nota oficial, Teori explicou que não caberia ao STF definir quem poderia ou não ser indiciado — esse papel é do PGR — mas apenas analisar os procedimentos.

Vamos a uma pequena comparação entre os elementos que havia contra Aécio e contra o senador Lindberg Faria.

Os indícios contra Aécio

O doleiro Alberto Yousseff narrou conversas que mantinha com o deputado José Janene, do PP. Segundo Yousseff, Janene teria lhe dito que em Furnas, no período de 1994 a 2001, havia influência direta do PP e do PSDB, cada qual responsável por uma diretoria.

No caso do PP, os recursos eram encaminhados pela empresa Bauruense, de propriedade de Airton Daré, que prestava serviços de locação de veículos, limpeza e segurança para Furnas. Yousseff descreve uma série de episódios que testemunhou, envolvendo discussões sobre propinas entre Janene e a Camargo Corrêa.

E diz ter ouvido, de Janene, mais de uma vez, que o então deputado federal Aécio Neves teria influência em uma das diretorias, através de sua irmã. Não  soube informar o nome da irmã, nem como se daria o comissionamento de Aécio, nem o nome do diretor envolvido no esquema. Mas informava que a Bauruense teria todos esses dados. Yousseff informa ter “ouvido” falar que Aécio receberia valores mensais, por intermédio de sua irmã, através da Bauruense.

Em outro trecho do depoimento, Yousseff dizia ter presenciado discussão entre Janene e Antonio Daré, da Bauruense, em que este informava não poder repassar mais para o PP porque ainda tinha a parte do PSDB.

Em outo depoimento, Janot justifica o arquivamento da denúncia contra Aécio assim:

“Outro detalhe relevante: a referência de que existia uma suposta “divisão” na diretoria de Furnas entre o PP e o PSDB — o que poderia ensejar a suposição de uma ilegítima repartição de valores entre as duas agremiações — não conta com nenhuma indicação, na presente investigação, de outro elemento que a corrobore”.

Havia uma indicação clara de Yousseff, de que o esquema para os dois partidos — PP e PSDB — passava pela Bauruense. E há um inquérito em andamento sobre a lista de Furnas.

O normal seria abrir o inquérito, ouvir a Bauruense, incorporar o que foi levantado no inquérito sobre a lista de Furnas e, de acordo com o que fosse obtido, arquivar ou fazer a denúncia.

No entanto, segundo Janot, “tal como realizado em detrimento a outros indicados nas delações que estão sob análise, não há como, neste momento, em face do que se tem concretamente nos autos, dar andamento a investigação formal em detrimento do parlamentar”.

Os indícios contra Lindberg

Contra o senador Lindberg Farias o quadro foi outro.

No seu depoimento, Paulo Roberto Costa conta que foi procurador por Lindberg, acompanhado de um assessor, José Antonio da Silva Parente, pedindo colaboração para a campanha. O pedido teria sido da ordem de R$ 2 milhões. Segundo Costa, ele teria contatado Yousseff para providenciar o repasse.

A única certeza de Costa sobre o depósito era a de que, caso não tivesse sido feito, “haveria reclamação”. Em novo depoimento, Costa disse que Lindbergh agradeceu a providência.

No entanto, o doleiro Yousseff negou taxativamente ter feito a operação. Afirmou não conhecer Lindberg nem seu assessor, que não se recordava de ter feito o pagamento, que Costa pode ter se confundido.

Os procuradores levantaram as doações oficiais a Lindberg e localizaram uma de R$ 1 milhão da Camargo Corrêa, além de 20 transferências do diretório nacional do Partido. Naquele dia, segundo os procuradores, a Andrade Gutierrez havia feito transferência de R$ 1 milhão ao Diretório Nacional do PT. No mesmo dia, o diretório transfere R$ 950 mil a Lindberg.

Os procuradores identificaram o mesmo esquema em várias outras doações de empresas ligadas ao cartel. Mas nenhum indício de que as contribuições seriam provenientes de caixa 2 ou do esquema da Petrobras.

Todos esses fatos aconteceram após Paulo Roberto Costa ter deixado a Petrobras. E, em sua delação, ele garantiu ter pedidos apenas contribuições oficiais às empresas. Mais: os contatos nem chegaram a ser feitos, porque Paulo Roberto foi preso em seguida.

O argumento para abrir o inquérito é o seguinte:

“No caso, além de diversos outros elementos, verifica-se que o Senador LINDBERGH FARIAS tinha conhecimento do caráter ilícito dos valores recebidos, pois não haveria qualquer justificativa lícita razoável para o recebimento de valores por intermédio do então Diretor da PETROBRAS”.

Como não? Até então não havia nenhuma denúncia contra Paulo Roberto Costa. Era especialista em petróleo e fora convidado para ser um futuro Secretário do governo Lindberg, caso fosse eleito. Ele era suficientemente bem relacionado, inclusive para atuar como intermediário da venda de imóveis da própria família Marinho, da Globo. E todos os contatos com as empresas — que financiam todos os governos e todos os candidatos — segundo o próprio depoimento de Costa, seria para contribuições oficiais.

Ou seja, as únicas evidências contra Lindberg eram contribuições oficiais de empreiteiras — que são as maiores financiadoras de candidatos de todos os partidos. Onde, então, o “caráter ilícito” das contribuições?

No primeiro caso, o delator informa a existência de sistema irregular de caixa 2 em Furnas; no segundo caso, o delator diz que iria atrás de contribuições oficiais de campanha.

Isenta-se o primeiro acusado, sob o argumento de que os dados são insuficientes; e abre-se o inquérito sobre o segundo.

Os dois pesos e duas medidas utilizados por Janot não ajudam na imagem de isenção da Lava Jato.

Luís Nassif
No GGN
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FHC organiza a tocaia

Os tucanos estão por trás da manifestação do próximo dia 15, mas cuidam, ardilosos, de não mostrar a cara

Este senhor continua o mesmo
Fernando Henrique Cardoso foi o anfitrião de uma das reuniões mais reveladoras e constrangedoras dos últimos dias. Exatamente a 27 de fevereiro, durante almoço no Instituto FHC, o ex-presidente enrolou-se mais uma vez numa proposta de ação política a respeito da passeata pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Estavam presentes os mais influentes tucanos, como o senador Aécio Neves (MG), presidente da legenda, os senadores Tasso Jereissati (CE), Aloysio Nunes Ferreira (SP) e José Serra (SP), além do senador Cássio Cunha Lima (PB).

“Tem de ficar claro que nós apoiamos, mas não somos promotores”, orientou FHC.

Por outro lado, Aécio Neves, já sem a brandura mineira nos olhos, usou o mesmo disfarce: “Temos de estabelecer esse limite, ter esse cuidado. Não será iniciativa partidária”.

Os tucanos vão para a tocaia. Empoleirados numa árvore seca, sem folhas e sem frutos, torcendo, porém, pelo sucesso das manifestações de 15 de março, batizadas de “Impeachment Já”.

A passeata visa a desestabilização do governo. Para os tucanos, Dilma não pode superar a crise conjuntural nem sobreviver no poder até a eleição presidencial de 2018, que poderá ter Lula na disputa.

O senador Aloysio Nunes Ferreira ofereceu-se para representar o PSDB. Estará nas ruas de olho grande no contingente antipetista da capital paulista, na tentativa de se habilitar eleitoralmente para a disputa da prefeitura no próximo ano. Ele mostra-se disposto a sombrear a própria biografia. Golpeado em 1964, o tucano agora, contrariamente, ensaia os primeiros passos do andante golpista.

Não há uma linha tênue entre o sentimento traiçoeiro do PSDB e a democracia. Surgiu, entretanto, uma dissidência importante. O governador paulista, Geraldo Alckmin, não vê “razões para o impeachment”. Por que ele não terá ido ao almoço de FHC? Faltou convite ou terá recusado para cuidar de coisas mais importantes da administração, como, por exemplo, a crise hídrica?

O ex-presidente FHC é recalcitrante.  Recentemente saiu do escritório dele uma consulta ao advogado Ives Gandra Martins sobre a possibilidade de propor o impeachment de Dilma.

Em 2005, com o episódio do caixa 2, denominado pela mídia de “mensalão do PT”, ele foi o primeiro a reagir com oportunismo. Propôs publicamente a Lula que desistisse do segundo mandato.  Cara de pau! Lembra o senador Aécio Neves, agora apoiando o impeachment após ser derrotado nas urnas por Dilma Rousseff.

Proposta ainda mais indecorosa FHC fez, em 1988, ao então presidente José Sarney, em torno dos debates da Constituinte sobre a duração do mandato presidencial. Quem conta é o advogado Saulo Ramos (1929-2013), consultor-geral da República e ministro da Justiça do governo Sarney, no livro Código da Vida.

O então senador FHC levou ao presidente a proposta, aprovada na Comissão de Sistematização, pela implantação do sistema parlamentarista.

Sarney objetou e Saulo Ramos deu uma aula de direito constitucional ao senador, e ouviu dele o que chama de “a espantosa frase textual”: “Eu não entendo nada de direito constitucional, mas entendo de política”.

Com a bola na marca do pênalti, Sarney fez o gol: “Eu entendo dos dois (...) o que vocês querem é desestabilizar o atual governo, sem pensar no Brasil e nas consequências desse gesto”.

Sarney saiu da tocaia. FHC não mudou.

Maurício Dias
No CartaCapital
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O mistério André Vargas

Primeiro punido durante Operação Lava Jato, deputado sequer é mencionado na lista de Rodrigo Janot

A lista de Rodrigo Janot confirma o que este blogue anunciou, humildemente, há um ano: não há, nos autos da Lava Jato, nenhuma prova para incriminar o deputado André Vargas, do PT do Paraná. Mesmo assim, em dezembro do ano passado, André Vargas teve o mandato cassado por 365 votos a favor, seis abstenções e um voto contra, do deputado José Airton, petista do Ceará. Ficou sem direitos políticos por oito anos.

O argumento para lhe retirar o mandato foi a acusação de “quebra de decoro parlamentar.” O argumento é que ele viajou de férias com a família no jatinho de Alberto Yousseff e, embora tenha pago pelo combustível da viagem, esse comportamento foi considerado imperdoável. Pode ser.

Será mesmo? Embora, num primeiro momento, André Vargas tenha sido associado ao Labogen e outros negócios de Yousseff, nada disso se confirmou, mais tarde. O próprio Sergio Moro, insuspeito de gestos amigos em relação a investigados do Partido dos Trabalhadores, chegou a registrar, por escrito, que nada havia sido encontrado de criminoso nas relações entre o deputado e o doleiro.

Mesmo assim, a pressão pela cassação foi em frente. Em abril do ano passado, temendo por um desgaste na campanha presidencial, ele foi desfiliado pelo PT. No fim ano, quando faltavam dias o recesso parlamentar, André Vargas teve o mandato cassado, medida que implica na perda de direitos políticos. Já o deputado Luiz Argolo, parlamentar do PP da Bahia, contra quem pesavam provas mais robustas — inclusive pagamento em dinheiro em casa, gravações telefônicas — foi poupado e agora será investigado por PGR.

Desde que foi incluída na legislação brasileiro, depois da Segunda Guerra Mundial, a tese da ”falta de decoro” tem sido colocada sob suspeita por juristas preocupados com as garantias e direitos democráticos. Alimentada por uma imensa subjetividade — aquilo que é falta de decoro para uns pode não ser para outros, pois valores e princípios de uma sociedade podem evoluir conforme o tempo e o lugar — é uma regra que permite decisões arbitrárias, baseada em gosto e convenções.

Em 1949, um deputado do PTB, Barreto Pinto, foi fotografado de cuecas e perdeu o mandato. A imagem foi produto de uma armadilha, pois ele não fora informado de que seria retratado em roupas de baixo. Mesmo assim, num ambiente de jornais e revistas fanatizados para desmoralizar parlamentares ligados ao partido de Getúlio Vargas e aos sindicatos, o retrato transformou-se num escândalo nacional.

Além de fazer um passeio no jatinho de Yousseff, André Vargas foi fotografado em outra condição e pode-se encontrar aí a razão verdadeira da cassação. Nada a ver com a Lava Jato.

Ele ergueu o punho esquerdo, na mesa da Câmara, durante uma visita ao Congresso de Joaquim Barbosa, então presidente do STF. O gesto era uma homenagem óbvia a José Dirceu e José Genoíno, condenados pela AP 470. Semanas antes os dois haviam erguido o punho no momento em que eram levados para a Polícia Federal.

Você pode achar que André Vargas tomou uma atitude correta, errada, impatriótica, galhofeira ou libertária. Também pode achar que o deputado a sorte de não ter sido investigado de forma competente e só por isso nada se encontrou contra ele. As leis que definem que todos os homens são iguais em direitos ensinam que é preciso reunir provas para condenar uma pessoa — não basta julgar seu caráter, sua classe social, nem sua preferência política.

Não importa. A ausência de André Vargas na lista de Janot confirma uma verdade inesquecível: em 2014, um deputado brasileiro foi punido porque, através de um gesto, manifestou uma opinião política.

Do ponto de vista jurídico, era tão inocente quanto Henrique Eduardo Alves, que presidia o Congresso responsável pela cassação — e que teve aguardar pela mesma lista de Janot para poder pleitear uma vaga no ministério de Dilma Rousseff.

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O PT, o PSDB e a arte de cevar os urubus

http://www.maurosantayana.com/2015/03/o-pt-o-psdb-e-arte-de-cevar-os-urubus.html


Se houve um erro recorrente, que pode ser trágico em suas consequências, cometido pela geração que participou da luta pela redemocratização do Brasil, foi permitir que a flor da liberdade e da democracia, germinada naqueles tempos memoráveis, fosse abandonada, à sua própria sorte, no coração do povo, relegada a segundo plano pela batalha, encarniçada e imediatista, das suas diferentes facções, pelo poder.

Perdeu-se a oportunidade — e nisso também devemos nos penitenciar — de aproveitar o impulso democrático, surgido da morte trágica de Tancredo Neves, para se inserir, no currículo escolar de instituições públicas e privadas, obrigatoriamente, o ensino de noções de cidadania e de democracia, assim como o dos Direitos do Homem, estabelecidos na Carta das Nações Unidas, e esse tema poderia ter sido especificamente tratado na Constituição de 1988 e não o foi.

Não se tendo feito isso, naquele momento, a ascensão ao poder de um auto-exilado, o senhor Fernando Henrique Cardoso, poderia ter levado ao enfrentamento dessa mazela histórica, e, mais ainda, pelas mesmas e mais fortes razões — a questão deveria ter sido enfrentada quando da chegada ao poder de um líder sindical oriundo da camada menos favorecida da população, pronto a entender a importância de dar a outras pessoas como ele, o acesso à formação política que lhe permitiu mudar a si mesmo, e tentar, de alguma forma, fazer o mesmo com o seu país.

Em vários anos, nada foi feito, no entanto, nesse sentido.

Mesmo tratando-se de questão fundamental — a de explicar aos brasileiros para além das eventuais campanhas feitas pela Justiça Eleitoral a divisão e a atribuição dos Três Poderes da República, noções do funcionamento do Estado, dos direitos e deveres do cidadão, e de como se processa, por meio do voto, a participação da populaçao — nunca houve, e tratamos do tema muitas vezes, nenhuma iniciativa desse tipo, mesmo que pudesse ter sido adotada, a qualquer momento, por qualquer administração municipal.

Pensou-se, erroneamente, que bastava voltar à eleição, pelo voto direto, do Presidente da República, e redigir e promulgar um novo texto constitucional, para que se consolidasse a Democracia no Brasil.

Na verdade, essas duas circunstâncias deveriam ter sido vistas apenas como o primeiro passo para uma mudança mais efetiva e profunda, que teria de ter começado por uma verdadeira educação cívica e política da população.

Imprimiu-se a Democracia em milhões de exemplares da Constituição da República, mas não nos coraçôes e mentes da população brasileira.

De um povo que vinha, historicamente, de uma série de curtas experiências democráticas, entrecortadas por numerosos golpes, contra-golpes, de todo tipo; educado ao longo das duas décadas anteriores, dentro dos ritos e mitos de uma ditadura que precisava justificar, de forma peremptória, a derrubada de um governo democrático e nacionalista — ungido pelo plebiscito que deu vitória ao presidencialismo — com a desculpa do bovino anticomunismo da Guerra Fria, cego e ideologicamente manipulado a partir de uma potência estrangeira, os Estados Unidos.

À ausência de um programa de educação democrática para a população brasileira — e da defesa da Democracia como parte integrante, permanente, necessária, no nível do Congresso e dos partidos, do discurso político nacional, somou-se, nos últimos tempos, a deletéria criminalização e judicialização da política, antes, depois e durante as campanhas eleitorais.

Assim como parece não perceber que a desestruturação da Petrobras, do BNDES, das grandes empresas de infra-estrutura, de outros bancos públicos, criará um efeito cascata que prejudicará toda a nação, legando-lhe uma vitória de Pirro, caso venha a chegar ao poder em 2018, a oposição também não compreende, que ao incentivar ou se omitir, oficialmente, com relação a ataques à Democracia e aos apelos ao golpismo por parte de alguns segmentos da população, está dando um tiro pela culatra, que só favorecerá uma terceira força, com relação à qual comete terrível engano, se acredita que tem a menor possibilidade de vir a controlar.

A mesma parcela do público radicalmente contrária ao Partido dos Trabalhadores, estende agora, paulatinamente, o processo de criminalização da política ao PSDB e a outros partidos contrários ao PT, e já há quem defenda, na internet, e nas redes sociais, a tese de que o país precisa livrar-se das duas legendas, e de que a saída só virá por meio do rápido surgimento de outra alternativa política, ou de uma intervenção militar.

Bem intencionado na área social, na macroeconomia, em alguns momentos, e em áreas como as Relações Exteriores e a Defesa, e atuando quase sempre sob pressão, o PT cometeu inúmeros erros — e não apenas de ordem política — nos últimos anos.

Deixar de investigar, com o mesmo rigor que vigora agora, certos episódios ocorridos nos oito anos anteriores à sua chegada ao poder, foi um deles.

Abrir a porta a páraquedistas que nada tinham a ver com os ideais de sua origem, atraídos pela perspectiva de poder, também foi um equívoco.

Como foi fechar os olhos para o fato de que alguns de seus militantes estavam caindo, paulatinamente, na tentação de se deixar seduzir e contaminar, também, pelas benesses e possibilidades decorrentes das vitórias nas urnas.

O maior de todos, no entanto, foi se omitir de responder, do começo, àqueles ataques mais espatafurdios, sem outra motivação do que a do ódio e do preconceito, que passou a receber desde que chegou à Presidência da República.

Ao adotar, de forma persistente, essa posição, o PT prestou um terrível, quase irreparável, desserviço à Democracia.

Em um país em que blogueiros são condenados a pagar indenizações por chamar alguém de sacripanta, a própria liturgia do cargo exige que um Presidente ou uma Presidente da República usem a força da Lei para coibir e exemplar quem os qualifica, pública e diuturnamente, na internet, de fdp, ladrão, bandido, assassina, terrorista, vaca, anta, prostituta, etc, etc, etc.

E tal liturgia exige que isso se faça desde a posse, não apenas para preservar a autoridade máxima da República, que a ninguém pertence pessoalmente, já que conferida foi pelo voto de milhões de brasileiros, mas, sobretudo, para defender a democracia em um país e uma região do mundo em que quase sempre esteve ameaçada.

Existe, é claro, a liberdade de expressão, e existem a calúnia, o ataque às instituições, ao Estado de Direito, à Constituição, que ameaçam a estabilidade do país e a paz social, e o governo que se furta a defender tais pressupostos, nos quais se fundamentam Estado e Nação, deveria responsabilizar-se direta, senão criminalmente, por essa omissão.

Se Lula, Dilma, e outras lideranças não se defendem, nem mesmo quando acusadas de crimes como esquartejamento, o PT, como partido, faz o mesmo, e incorre no mesmo erro, ao omitir-se de ampla e coordenada defesa da democracia — e não apenas em proveito próprio — dentro e fora do ambiente virtual.

Em plena ascensão do discurso anticomunista e “anti-bolivariano” — o Brasil agora é um pais “comunista”, com 55 bilhões de reais de lucro para os bancos e 65 bilhões de dólares de Investimento Estrangeiro Direto no ano passado, e perigosos marxistas, como Katia Abreu, Guilherme Afif Domingos e Joaquim Levy no governo — sua militância insiste em se vestir de vermelho como o diabo, como adoram lembrar seus adversários,a cada vez que bota o pé na rua.

Isso, enquanto, estranhamente, abandona, ao mesmo tempo, o espaço de comentários dos grandes portais e redes sociais, lidos pela maioria dos internautas, a golpistas que se apropriam das cores da bandeira, agora até mesmo como slogan.

Ao fazer o que estão fazendo, o Governo, o PT e o PSDB, estão fortalecendo uma terceira força, e especializando-se na perigosa arte de cevar os urubus.

De que se alimenta a extrema direita?

Do ódio, da violência, do preconceito, da criminalização da política, da infiltração e do aparelhamento do estado, do divisionismo, da disseminação terrorista da calúnia, do boato e da desinformação.

No futuro, quando for estudado o curto período de 30 anos que nos separa da redemocratização, será possível ver com clareza — e isso cobrarão os patriotas pósteros, se ainda os houver, nesta Nação — como a hesitação, a imprevisibilidade, a aversão ao planejamento, a anemia partidária e a mais absoluta incompetência por parte da comunicação do PT, principalmente na enumeração e disseminação de dados irrefutáveis; e o irresponsável fomento ao anti-nacionalismo e à paulatina criminalização e judicialização da política, por parte, PSDB à frente, da oposição, conseguiram transformar o país libertário, uno e nacionalista, que emergiu da luta pela Democracia e que reunia milhões de pessoas nas ruas para defender esses ideais há 30 anos, em uma nação fascista, retrógrada, politicamente anacrônica, anti-nacional e conservadora, que reúne, agora, nas ruas, pessoas para atacar o Estado de Direito, a quebra das regras que o sustentam, e a interrupção do processo democrático.

Um país cada vez mais influenciado por uma direita “emergente” e boçal — abjeta e submissa ao estrangeiro e preconceituosa e arrogante com a maioria da população brasileira — estúpida, golpista e violenta, que está estendendo sua influência sobre setores da classe média e do lumpen proletariado, e crescendo, como câncer, na estrutura de administração do estado, na área de segurança, nos meios religiosos, na mídia e na comunicação.

Destruiu-se a aliança entre burguesia nacionalista e trabalhadores, que conduziu o país à Campanha das Diretas e à eleição de Tancredo Neves como primeiro presidente civil, depois de 21 anos de interrupção do processo democrático.

Destruiu-se a articulação das organizações e setores mais importantes da sociedade civil, na defesa do país, do desenvolvimento e da democracia.

Destruiu-se, sobretudo, a esperança e o nacionalismo, que, hoje, só a muito custo persistem, no coração abnegado de patriotas que lutam, como quixotes aguerridos e impolutos, em pequenas organizações, e, sobretudo, na internet, para evitar que a Nação naufrague, definitivamente, em meio à desinformação, ao escolho moral e à apatia suicida da atualidade; ao pesado bombardeio das forças que cobiçam, do exterior, nossas riquezas; e que o Brasil abandone e relegue, como quinto maior país do mundo em território e população, qualquer intenção que já tenha tido de ocupar, de forma altiva e soberana, o lugar que lhe cabe no concerto das Nações.

Quando se vêem brasileiros encaminhando pedidos à Casa Branca de intervenção na vida nacional, defendendo a total privatização, desnacionalização e entrega de nossas maiores empresas, em troca, alegadamente, de comprar, como no país do Tio Sam, por um real um litro de gasolina — se for por esta razão, por que não se mudam para a Venezuela, e vão abastecer seus carros em postos PDVSA, empresa 100% estatal, onde ela está custando 15 centavos? — tratando meios de comunicação estrangeiros e pseudo organizações de todo tipo sediadas na Europa e nos Estados Unidos como incontestáveis oráculos aos que se deve reverência e obediência absolutas, os inimigos do Brasil riem, e sua boca se enche de saliva, antecipando a divisão e o esgarçamento da nossa sociedade, e nossa entrega e capitulação aos seus ditames, com a definitiva colonização da nossa Pátria, e, sobretudo, da alma brasileira.

Pouco mais há a fazer — correndo o risco de sermos tachados mais uma vez de loucos, ridículos e senis, extintos, e sem mais lugar neste mundo, do que os répteis que outrora cruzavam as planícies de Pangea — do que pregar, como João Batista, no deserto, mastigando os gafanhotos do ódio e do sarcasmo.

É preciso reunir os democratas e os nacionalistas onde os houver, para evitar e se contrapor, de forma inteligente, coordenada, ao fortalecimento descontrolado, já quase inevitável, das forças antidemocráticas e anti-nacionais.

O governo e a oposição — ao menos a mais equilibrada — precisam parar de cevar as aves de rapina, que, dentro, e fora do país, anseiam e já antevêem nossa destruição, e o controle definitivo de nossa população e de nossas riquezas.

Quando acabarem, pelo natural esgotamento e imposição das circunstâncias, os equívocos, as concessões, os enganos, as omissões, as pequenas felonias, as traições à verdade, ao passado e ao futuro, de que se alimentarão os urubus?
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Pablo Villaça: Reforma Política, Já!

Saiu a lista da Lava-Jato. E imediatamente começaram os gritos de “olha o Lindbergh!”, “Olha o Collor!”, “Olha o Anastasia!” e assim por diante. Como de hábito, personaliza-se a questão — segundo o interesse de seu lado — e ignora-se o quadro geral.

Claro que a tentação é grande. Anastasia foi vice e sucessor de Aécio e seu coordenador de campanha; Palocci, o coordenador de campanha de Dilma. E percebam que mesmo que Youssef tenha mencionado atos de corrupção que abrangem a era FHC, a denúncia se limitou aos últimos anos — ou seja: se voltarmos no tempo (como fiz neste post: https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/593443530760877), veremos que o problema é sistêmico e histórico.

E é aí que reside o problema: só uma reforma política imediata pode oferecer alguma esperança de melhoria para a praga da corrupção.

Não vou ficar “celebrando” o fato de Cunha, Calheiros, Anastasia e Lobão terem sido indicados apenas porque me oponho a eles; seria o mesmo que comemorar porque a cama do meu inimigo está pegando fogo sendo que divido o quarto com ele. Quando presidentes da Câmara e do Senado estão em suspeição ao lado de deputados e senadores de TODOS os principais partidos, é porque o SISTEMA está quebrado.

Acreditar que o PT inventou a corrupção é tanta estupidez quanto achar que o PSDB a inventou. Ela já existia bem antes de ambos. (Pra quem acha que na época dos militares não havia corrupção, é bom lembrar que as empreiteiras tomaram conta do poder nesta época. A corrupção não só era endêmica como varrida pra baixo do tapete sob pena quase de morte. Multinacionais e bancos europeus subornavam ministros abertamente e o superfaturamento era regra (vide Ferrovia do Aço.)

O sistema não funciona, pura e simplesmente. Está nas mãos das corporações, que, por sua vez, elegem indivíduos que já assumem corrompidos. Sabem quanto custa uma campanha para deputado estadual com o MÍNIMO de chance de vitória? Um milhão de reais. Sabem o que isso significa? Que quem consegue se eleger só teve sucesso porque teve dinheiro graúdo financiando.

E quem financiou quer retorno do investimento.

E quem foi eleito já está, quase por definição, habituado à idéia de grandes cifras entrando em caixa. Política acaba virando profissão, não vocação. Não é à toa que famosos decadentes em suas carreiras usam a fama pra se eleger. Têm vocação ou interesse sociais? Não: querem segurança e só.

A política não pode ser bancada por grandes fortunas que simplesmente elegem lobistas travestidos de parlamentares.

Isso é senso comum. Mas ficamos aqui brigando entre “governo x oposição” e nada mudará. E é o que eles querem. Aliás, os golpistas que buscam derrubar o governo usam “corrupção” como desculpa, mas querem mesmo é sua ideologia no comando. É preciso separar as duas coisas. Além disso, como já vimos, o sistema está todo errado. Se o problema for “corrupção”, não há saída. Dizer que PT “institucionalizou” a corrupçao é demonstrar PROFUNDO desconhecimento dos fatos: compra de votos pra reeleição, SIVAM, PROER, trensalão, aeroporto de Claudio, privataria, DNER, Marka/FonteCindam, Sudene, Petrobrás (sim, há muitos desvios na era FHC), mensalão tucano… BILHÕES e BILHÕES roubados. Isto não era corrupção “institucionalizada”? Por favor. Ter uma opinião é uma coisa; tentar ter seus próprios FATOS é outra completamente diferente.

Mas vejam só: embora tenha vindo antes, tampouco foi o PSDB que institucionalizou a corrupção. Como apontei antes, foi na ditadura que as corporações e as multinacionais e as empreiteiras invadiram a casa e ocuparam a sala.

Assim, em vez de ficar disputando valores de corrupção, que tal considerar o que falei sobre reforma política?

Mas não há debate ou melhora possível quando um dos lados soa como disco quebrado – e ao propor a discussão acima no Twitter, por exemplo, várias pessoas responderam apenas com um “FORA DILMA!”, repetindo a mensagem empacotada por Globo, Veja, Foxlha e outros. (E se quiserem ver isto em ação, só passar os olhos nos comentários abaixo deste post, querem apostar?) Porque a mídia QUER ver o conflito entre lados. E NÃO QUER reforma política. Porque ela se beneficia do sistema atual. (E se você tem alguma dúvida sobre a canalhice da mídia, o Noblat deu, como manchete, “Dilma encabeça lista de Janot”.)

Num mundo utópico, iríamos todos pra rua não no dia 13 pra defender o governo e combater o golpismo canalha ou no dia 15 pra atacar Dilma. Iríamos, sim, todos, sei lá, no dia 14 pra exigir reforma política. Num mundo utópico.

Por isso repito… direita e esquerda, tucanos e petistas, situação e oposição: querem melhorar o país?

DEFENDAM REFORMA POLÍTICA JÁ.

Pablo Villaça
No Escrevinhador
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Nos gráficos do manchetômetro, Jornal Nacional esfaqueia a Dilma

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Sérgio Porto # 157


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