5 de mar de 2015

Ética e Corrupção



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Não é piada: “O Globo” foi escolhido pelo ICIJ para investigar sonegação na Suiça

Na foto, a senhora Walker recebe um prêmio do Overseas Club
Uma das desvantagens de não ler mais a “Folha” é deixar de acompanhar as colunas do José Simão. A outra é perder a chance de ler certos articulistas da página 3 do jornal. Às vezes, são mais engraçados do que o Simão.

Fui informado por uma amiga que a tal Marina Walker Guevara (diretora do ICIJ – consórcio que “investiga” sonegadores com contas na Suiça) escreveu um texto para a ‘Folha’. O artigo é uma tentativa de explicar o inexplicável: por que o ICIJ entregou para um único jornalista – do UOL – todos os documentos sobre as contas de brasileiros na Suiça?  

Nas últimas semanas, blogueiros, jornalistas e cidadãos brasileiros se indignaram com a clara tentativa de proteger empresários (e, quem sabe, até donos de empresas de comunicação) que escondem seu dinheirinho na Suiça. O UOL, com a guarida do ICIJ, está promovendo vazamentos seletivos (leia aqui, e assine, a Carta Aberta dos blogueiros contra vazamentos seletivos).

A senhora Walker procura se explicar, na ‘Folha”. Ela diz que o ICIJ tem grande experiência em investigar sonegadores, e cita textualmente:

“Desde 2012, o ICIJ tem investigado os paraísos fiscais – que fazem parte do tema muito mais amplo da desigualdade econômica. Primeiro, revelamos os verdadeiros donos por trás de mais de 100 mil empresas secretas em ilhas do Caribe. Depois, revelamos como algumas das maiores empresas do mundo usam o paraíso fiscal de Luxemburgo, no centro da Europa, para pagar impostos que não chegam a 1%.” (grifo meu)

Mas, vocês devem estar perguntando: o que isso, afinal, tem de engraçado?

A informação que me fez gargalhar está escondida em meio ao texto (que pode ser lido aqui). A senhora Walker explica que o ICIJ escolheu – agora – mais um grupo de mídia para ajudar o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, a investigar o Swissleaks.

Advinhem qual é esse grupo de mídia?

“O Globo”!!!!!

Bingo.

O ICIJ se jacta de ter investigado 100 mil contas secretas em ilhas do Caribe. E agora terá a parceria da família Marinho para investigar sonegadores?

É isso mesmo?

Como se sabe, a família Marinho e a Globo jamais foram acusadas de sonegar impostos. Não. O caso jamais foi revelado pelo blog ‘O cafezinho” – como não se pode ler nesse link.

O processo contra a Globo não sumiu da Receita Federal no Rio. Não. Isso jamais aconteceu.

A situação é essa, José Simão: a Globo vai investigar sonegação de brasileiros no exterior!!!

É como se o Alckmin fosse convidado para dar uma palestra sobre gestão de recursos hídricos na ONU.

Ou como se Merval Pereira fosse escolhido para denunciar jornalistas brasileiros que servem de informantes ao governo dos Estados Unidos.

Só pra lembrar:  o artigo da senhora Walker Guevara (não sei qual parentesco dela com Che ou com George Bush) surge depois de Amaury Ribeiro Jr (jornalista respeitado, autor de ‘A Privataria Tucana”) ter-se desfiliado do ICIJ – por ter sido tratado de forma desrespeitosa pela senhora Walker numa troca de emails em que ele pedia acesso aos documentos suiços (leia aqui a paulada que Amaury deu na cabeça da senhora Walker).

A senhora Walker não quer o Amaury. Mas quer a Globo.

A senhora Walker não gosta de blogueiro. Gosta da Globo e do UOL.

Quem financia o ICIJ da senhora Walker?

Hum… Isso ainda não sei.

Mas sei que na foto acima ela aparece recebendo premio do “Overseas Club”, nos Estados Unidos.

Faz todo sentido.

Overseas… Uma empresa com esse nome jamais foi aberta por poderosos empresários da Comunicação brasileiros. Não.

A senhora Walker precisa botar o Fernando Rodrigues e o Globo para investigar o suposto caso de sonegação revelado pelo Cafezinho – e, assim, provar que ele jamais existiu.

O resto é piada de José Simão.

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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Rompimento

Dá para entender o que leva jovens a fugir de uma rotina familiar ou das suas próprias frustrações e perseguir um sonho, uma aventura ou um ideal — sempre longe de casa. O protótipo desse impulso reincidente, e um chavão literário, é o circo, que passa pela cidade pequena e arrasta atrás de si corações juvenis fascinados por uma trapezista ou pelo romance da vida na estrada, deixando mães desesperadas. A fuga pode ser apenas de uma vida careta para uma vida alternativa sem necessariamente sair de casa, desde que a família aceite que você passe a usar um penteado porco-espinho e uma fechadura no umbigo, ou pode ser um rompimento radical com tudo, a começar pela família.

A fuga por um ideal teve seu momento mais lembrado durante a Guerra Civil Espanhola, quando muitos jovens do mundo inteiro foram lutar ao lado das forças legalistas contra os fascistas do Franco. A causa era indiscutivelmente justa e abraçar uma luta alheia, na Espanha, foi um exemplo de engajamento (segundo alguns, o último em estado puro da História) que proporcionava aos jovens voluntários, ao mesmo tempo, um gosto de altruísmo politico e um gosto de aventura. Exagerando só um pouco, hoje quem busca o mesmo sentimento dos que arriscaram a vida resistindo ao Franco vai correr dos touros em Pamplona. A causa é nenhuma, mas o risco de vida, ou pelo menos de uma corneada, é real.

Pensei nisso lendo que hoje muitos jovens, também de varias partes do mundo, tentam chegar à zona de conflito para se alistar no Estado Islâmico. Como os que foram lutar na Espanha, vão em busca da aventura, vão por convencimento, vão por admiração, vão talvez apenas porque não exista outra forma de rompimento radical com tudo tão radical quanto este disponível. Mas imagino que nenhum deles deixou de ver, na TV, a cena do prisioneiro do EI sendo incendiado dentro de uma jaula. E é impossível imaginar que algum deles tenha dito, ou pensado: “Isso é pra mim”, e ficado ainda mais decidido a aderir aos autores da cena terrível.

Eu sei, a situação naquela região é complicada demais para ser reduzida a uma questão de nós contra os monstros. O que preocupa mesmo, vendo um homem sendo queimado vivo dentro de uma jaula pelo EI, é que isto não afete seus jovens simpatizantes. Talvez, depois de tantas barbaridades vistas, o conceito de monstruoso tenha mudado. Talvez se horrorizar tenha se tornado uma reação careta.

Luís Fernando Veríssimo
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Tabaré Vázquez suspende a venda de maconha no Uruguai


O atual presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, decidiu adiar temporariamente, sem data definida, a venda de maconha nas farmácias, a resolução foi anunciada no mesmo dia em que ONU emitiu um alerta sobre a legalização do comércio de maconha, com críticas a dianteira adotada pelo Uruguai.

O novo secretário da Junta Nacional de Drogas (JND), Milton Romani, disse que o novo governo liderado por Vázquez, "não tratará de determinar prazos".

"O presidente me transmitiu que vamos cumprir a lei da melhor maniera possível. Quando eu assumi, Tabaré foi enfático que a lei seja cumprida, mas quer que se a cumpra bem", disse Romani.

"Não queremos fazer as coisas apressadamente. Não se pode confundir com o fato de que nós sejamos mais cuidadosos, com que não haja continuidade no projeto. Continuidade e cumprimento da lei vai haver", assinalou.

Em 20 de junho de 2012, o ministro da Defesa Nacional, Eleuterio Fernández Huidobro, anunciou que o governo de José Mujica enviaria ao parlamento um projeto para regular o mercado da maconha.

A lei foi aprovada em 10 de dezembro de 2013 e o uso recreativo da maconha foi regulamentado em 2 de maio de 2014. Foi quando o ex-secretário da JND, Julio Calzada, afirmou que a maconha estaria disponível em farmácias, seis meses depois.

Contudo, há alguns meses, Mujica se envolveu na campanha eleitoral de Vásquez e o projeto ficou paralizado. "A lei não impõem prazos. Eu não quero me apegar a prazos que podem levar a erros. Nós não trabalhamos com prazos, e sim com salvaguardas para que tudo saia corretamente", disse o atual presidente.

Para Vásquez, parece estranho que se venda maconha em farmácias, mas assinalou que "se a lei autoriza, assim será", ainda que, se em algum momento se observar que não funciona, não exitará em fazer as correções que sejam necessárias".
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Merval reconhece: impeachment está cada vez mais distante


O colunista do jornal O Globo afirmou que a inclusão dos presidentes da Câmara e do Senado na lista dos investigados pela Operação Lava Jato enfraqueceu o Congresso e qualquer possibilidade de impeachment da presidenta Dilma Rousseff

O colunista do jornal O Globo, Merval Pereira, afirmou em seu blog, nesta quinta-feira (5), que a divulgação do que seria parte da lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acabou blindando a presidenta Dilma Rousseff. Para ele, a fragilidade do Congresso Nacional — que teve os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, incluídos na investigação da Operação Lava Jato — faz com que o impeachment de Dilma esteja cada vez mais distante.

“Se já era precipitada a defesa do impeachment a esta altura, sem que dados concretos respaldem a suspeita, agora com processo no STF, seria politicamente inviável que uma Câmara presidida por Eduardo Cunha recebesse um pedido de impedimento da presidente ou que o Senado presidido por Renan Calheiros desse prosseguimento ao processo”, escreveu.

Por outro lado, o colunista ressaltou que, a partir de agora, haverá um “ranço antigovernista” ainda mais forte e que algumas posturas tomadas nos últimos dias já demonstram isso, como o caso da devolução da medida provisória sobre a desoneração da folha de pagamentos, que foi interpretada como uma retaliação de Calheiros por ter o seu nome na lista de investigados.

Não é preciso ter a genialidade de um Merval para chegar à conclusão de que o impeachment de Dilma é morto. Ele já era algo absolutamente sem nexo e potencial se analisado apenas dentro do contexto dos dias mais terríveis desse início de governo Dilma. Mas colocado em perspectiva, se tornava algo pior, uma insanidade.

Em processos políticos não se deve olhar o jogo apenas olhando as peças que estão sobre o tabuleiro. É preciso sempre buscar enxergar as que podem voltar ao jogo se a situação se complicar de fato.

Na política, como Maquiavel já registrou, os aliados atuais são os inimigos de amanhã. E vice-versa.

Quem conhece um pouco a história recente do Brasil sabe que, mesmo ferido, o PT ainda é o partido mais forte do Brasil e o que tem mais condições de botar gente na rua.

Quem conhece um pouco de história sabe que lideranças como Lula se produzem a cada 100 anos e que não são derrotáveis nem em furacões quanto mais em ventanias infladas por ventiladores midiáticos.

Quem conhece um pouco de história sabe que o empresariado não rasga dinheiro à toa e nem corre risco em aventuras. Que pode até jogar contra o governo, mas não quer o país pegando fogo.

Ou seja, a tese do impeachment deveria ser a última das possibilidades de uma narrativa que precisaria esperar ao menos a lista de Janot. Mas a oposição tresloucada e capitaneada pela mídia tradicional quis forçar a barra para agradar interesses dos que querem afundar a Petrobras e ficar com o Pré-Sal.

Quem quer o impeachment de Dilma são aqueles para os quais o jornalista Merval Pereira fez análise de conjuntura, segundo os vazamentos do wikileaks. São aqueles para os quais Merval Pereira garantiu que Aécio seria candidato a vice na chapa de José Serra, em 2010.

O impeachment vai voltar pra casa mesmo antes das manifestações de 15 de março. Porque são poucos os que têm algo a perder que entrariam nesta aventura. E o porta-voz do recuo já deixou isso claro hoje. Impeachment, go home.

No Fórum
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Bolsa Família: 70% dos beneficiários que moram em favelas trabalham

Ministra Tereza Campello participou do 2º Fórum Nova Favela Brasileira e criticou os preconceitos contra os pobres e moradores de favelas

Ministra Tereza Campello participou do 2º Fórum Nova Favela Brasileira e criticou os preconceitos contra os pobres e moradores de favelas.
Foto:Rogério Gomes
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, afirmou nesta terça-feira (3) que o comportamento dos mais pobres ainda é desconhecido pelos brasileiros e acaba reforçando os mitos de que são perdedores ou preguiçosos. Pesquisa apresentada durante o 2º Fórum Nova Favela Brasileira, em São Paulo, aponta que 7 em cada 10 beneficiários do Bolsa Família que moram em favelas trabalham.

Os dados confirmam estudos do governo federal, que apontam que mais de 70% das famílias que recebem a complementação de renda estão no mercado de trabalho. “Essa ideia de que o favelado gosta do tráfico, que é o jeito fácil de ganhar dinheiro, é a mesma ideia que faz as pessoas pensarem que o nordestino é preguiçoso”, contou.

A pesquisa foi apresentada pelo presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles. “Eles trabalham e ganham pouco. E necessitam do Bolsa Família para sonhar mais longe”, afirmou ele. O estudo ainda mostrou que um em cada quatro moradores das favelas recebem a complementação de renda. “Estamos vendo o Bolsa Família hoje como um grande aliado para a redução extrema da pobreza”, disse Meirelles.

Nos últimos 10 anos, com mais trabalho e renda, os moradores das favelas ascenderam economicamente. “O que mudou na vida dos moradores foi aquela carteirinha azul, não foi só o Bolsa Família", completou, ao citar a carteira de trabalho e os empregos criados nos últimos anos.

A ministra Tereza Campello defendeu o trabalho do governo na geração de empregos que garantiram ganhos sociais nos últimos anos. “Parece que a geração de mais de 20 milhões de empregos formais nos últimos 12 anos ocorreu naturalmente, mas não ocorreu”, ressaltou. “A questão da empregabilidade é um esforço do governo brasileiro.”

Menos filhos

O aumento do número de filhos é outro mito que foi rebatido pela ministra Tereza Campello. “Os dados mostram que o número de filhos caiu violentamente em todo Brasil, 10% em média. Entre os pobres caiu 16% e os pobres nordestinos caiu 26%, muito mais que a média nacional. No entanto as pessoas continuam repetindo a mesma coisa”, finalizou.

No MDS
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fAlha mentiu. Dilma não foi investigada

Janot não poderia livrar quem não estava sob suspeita​



A manchete da fAlha desta quinta-feira foi uma fraude: “Janot rejeita inquéritos sobre Dilma (sic) e Aécio”.

Fraude segundo uma subsidiária da fAlha, o jornal Valor, o PiG cheiroso:

O nome de Dilma Rousseff não está lista dos 54 investigados da lista do Dr Janot, aquele que omitiu um parecer para livrar o Aécio da cadeia.

E, portanto, o Dr Janot — que se não indiciar tucano terá dado um Golpe de Estado — não poderia dispensá-la de uma investigação.

Como, gentilmente, fez com o Aécio, atolado como está em Furnas.

A fAlha não engana ninguém dentro da própria casa…

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A liberdade de José Genoíno


Condenado sem provas, extinção da pena de ex-deputado possui um aspecto absurdo: ele recuperou aquilo que nunca poderia ter perdido — a condição de homem livre

Dois anos e quatro meses depois do julgamento da AP 470, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, extinguir a pena de José Genoíno, condenado a quatro anos e oito meses de prisão pelo crime de corrupção ativa.

A decisão é correta mas possui o seguinte componente absurdo: devolve-se a Genoino aquilo que ele nunca poderia ter perdido — a condição de homem livre. (Livre, sim, mas não inteiramente. Ele teve seus direitos políticos cassados e pode ser obrigado a travar uma batalha jurídica suplementar para poder votar e ser votado antes de 2023).

Para se acreditar que Genoíno pudesse ser condenado por corrupção, seria preciso imaginar que o então presidente do Partido dos Trabalhadores, cujo maior patrimônio é um sobrado no Butantã, em São Paulo, comprado a prestações na Caixa Econômica, tivesse passado os primeiros anos do primeiro mandato de Lula no trabalho de subornar deputados e senadores para que votassem do governo no Congresso.

É uma hipótese tão absurda que os mesmos ministros que o condenaram não deixaram de recordar, com palavras sentimentais, na mesma sessão, suas virtudes como cidadão e lider político, numa biografia que inclui os protestos contra a ditadura nos anos 1960, a guerrilha no Araguaia, em 1970, e todas as campanhas democráticas nos anos posteriores.

Genoíno foi julgado e condenado por ter assinados empréstimos para o PT junto ao Banco Rural. Nunca se provou que os empréstimos serviram para pagar propinas ou qualquer ilegalidade. Os empréstimos foram renegociados e pagos pelo partido.

Se não bastasse uma pena errada, elevada artificialmente, como demonstrou um estudo do ministro revisor, Ricardo Lewandovski, Genoíno ainda enfrentou um tratamento persecutório depois da prisão.

Como se a gravidade de sua doença cardíaca — que incluía uma prótese de PVC na região do torax para subsituir a artéria aorta — fossem puro fingimento, ele encarou uma guerra de laudos médicos que, atendendo a vontade do ministro Joaquim Barbosa, procuravam manter Genoíno na prisão de qualquer maneira. Não era uma questão médica, na verdade.

O que se pretendia era destruir a imagem pública de José Genoíno, parlamentar respeitado por aliados e adversários pelo comportamento correto e pela credibilidade.

O mesmo Ministério Público que acusou Genoíno costumava confiar em sua palavra e em suas análises, a tal ponto que ele era frequentemente chamado a organizar cursos e eventos para a instituição.

O Brasil de 2012, em que Genoíno recebeu a pena de quatro anos e 8 meses de prisão, era um país que tinha problemas imensos e graves — mas não eram tão grandes nem tão graves como aqueles que marcam o país de 2015, na Operação Lava Jato. O julgamento da AP 470 teve um inquérito secreto, de número 2474, com provas que poderiam ser úteis aos réus e até permitir que provassem sua inocência, mas que nunca puderam ser examinadas no momento adequado.

A Lava Jato busca, expressamente, apoio dos meios de comunicação para obter a deslegitimação da classe política, ação que só pode levar ao enfraquecimento da democracia.

A partir de prolongadas prisões provisórias, procura-se forçar delações premiadas, numa sucessão de denúncias que já ameaçam a economia e várias conquistas acumuladas ao longo dos anos.

Incapazes de aceitar uma quarta derrota eleitoral consecutiva, os mesmos adversários que estimularam as denúncias da AP 470 na esperança de quebrar o governo Lula, apostam abertamente no agravamento da crise.

José Genoíno recupera a liberdade num país onde há muito tempo ela não enfrentava tantos perigos.

Paulo Moreira Leite
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Por que não vazou antes o que Youssef disse de Aécio?

Demagogo
O caráter seletivamente canalha dos vazamentos da Lava Jato ficou claro ontem com a revelação de que Aécio tinha sido citado pelo doleiro Youssef.

Não só Aécio, a rigor, mas a família Neves. Também uma irmã — não nomeada, mas que só pode ser Andrea, braço direito dele — foi citada.

Youssef vinculou os irmãos Neves a propinas da célebre Lista de Furnas — uma hidrelétrica estatal que alegadamente abasteceu copiosamente figurões do PSDB nos tempos em que o partido estava no poder.

A existência da lista tem sido objeto de controvérsia. É inegável que as palavras de Youssef, se não bastaram para Janot recomendar que Aécio fosse investigado, reforçam a hipótese de que a lista é genuína.

Como ponderou um jornalista, você pode avaliar a gravidade do caso com a seguinte pergunta: o que teria ocorrido se o vazamento surgisse na campanha eleitoral?

Bem, é uma pergunta sobretudo retórica. Todo vazamento que implicava o PT, e por consequência Dilma e Lula, era recebido com fanfarra nas redações das grandes empresas jornalísticas.

É difícil acreditar que alguma delas desse acolhida a qualquer coisa que pudesse atrapalhar Aécio.

Da mesma forma, o intuito dos responsáveis pelos vazamentos — presumivelmente os policiais federais sob o comando do juiz Sérgio Moro — era ver Aécio na presidência.

Foi, em suma, um jogo sujo, no qual a mídia e os vazadores se uniram para interferir nas eleições.

Vistas as coisas em retrospectiva, é incrível que, beneficiado tanto e de forma tão espúria, Aécio tenha conseguido perder.

Dilma ganhou contra tudo e contra todos — e em plena crise econômica. Em situações normais, a economia define eleições presidenciais.

Tais circunstâncias — vazamentos criteriosamente escolhidos, ajuda maciça da mídia, economia se arrastando — expõem a fraqueza miserável da candidatura de Aécio.

Mostram também a perda de influência e de credibilidade da imprensa.

Aécio, segundo se fala, escapou da lista de Janot — algo que, se confirmado, minará o prestígio do procurador-geral na esquerda e, ao mesmo tempo, alimentará a crença de blindagem inexpugnável dos tucanos.

Mas sua imagem de bom moço está em frangalhos.

Aécio pode ter escapado de Janot, mas nada haverá de tirá-lo de outra lista — a dos políticos cínicos, mentirosos, manipuladores.

Falo dos demagogos, na lista dos quais Aécio Neves ocupa, com todos os méritos e sobretudo deméritos, a primeira colocação.

Paulo Nogueira
No DCM
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Grupo Mirror realizou escutas ilegais em escala industrial


Um segundo escândalo envolvendo grampos telefônicos faz o caso do tabloide News of the World parecer brincadeira de criança. Descobriu-se que os títulos Daily Mirror, Sunday Mirror e Sunday People — todos de propriedade do grupo Mirror Group Newspapers, maior editora de jornais do Reino Unido — realizaram, durante dez anos, escutas telefônicas ilegais numa escala que foi caracterizada como “industrial”.

As provas vieram à tona durante um julgamento por invasão de privacidade, aberto por oito reclamantes — dentre os quais a atriz Sadie Frost, o ex-jogador de futebol Paul Gascoigne e Alan Yentob, diretor criativo da BBC, além de atores de novelas britânicas, produtores de TV e até mesmo uma comissária de bordo.

Monitoramento dia e noite

Em depoimento ao tribunal, o ex-jornalista do Sunday Mirror Dan Evans — que interceptou os telefonemas de cerca de cem celebridades todos os dias entre 2003 e 2004 — contou que foi apresentado às escutas ilegais por dois jornalistas sêniores do grupo editorial (cujas identidades não foram reveladas por motivos legais) e que os celulares usados nas atividades ilícitas eram jogados no rio Tâmisa a cada dois meses.

David Sherborne, advogado das oito vítimas que abriram a ação, disse que a obtenção ilícita de informações pessoais e o uso de investigadores particulares para vasculhar a vida de celebridades eram generalizados e algo habitual entre um grande número de jornalistas dos três principais títulos do grupo Mirror.

De acordo com Sherborne, entre junho de 2002 e meados de 2006, os jornalistas do grupo realizaram cerca de 10 mil chamadas para a plataforma de correio de voz da empresa de telefonia Orange, um serviço de caixa postal que permite acesso por telefones remotos através da inserção de dados pessoais.

Sadie Frost, por exemplo, chegou a ser monitorada diariamente — muito do interesse por sua vida, na época, deveu-se a seu casamento com o ator Jude Law e a sua amizade com a supermodelo Kate Moss. Uma das matérias a seu respeito revelou que a atriz frequentava o Alcoólicos Anônimos.

O Mirror admitiu que 49 reportagens do Sunday Mirror, 40 do Daily Mirror e 23 do Sunday People (publicadas entre junho de 2000 e outubro de 2006) foram fruto de interceptações telefônicas ilegais. O grupo também admitiu que 99 artigos relacionados aos oito autores do processo não teriam sido publicados casos seus telefones não tivessem sido grampeados.

Pedido de desculpas

Matthew Nicklin, o advogado do grupo Mirror, frisou que a empresa já se desculpou com os autores do processo antes que o caso fosse a julgamento. Ele minimizou os danos, no entanto, alegando que a descoberta das invasões não poderia ser classificada como algo “danoso em longo prazo, nem equiparado a traumas causados por assédio ou discriminação”.

O grupo só admitiu os atos ilícitos em setembro de 2014; a partir daí criou um fundo de compensação no valor de 12 milhões de libras a fim de indenizar as vítimas de invasão. Em fevereiro de 2015, o Mirror também publicou um pedido de desculpas em seus três principais veículos.

O julgamento ainda não chegou ao fim.

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Josh Halliday [“Phone hacking at Mirror titles was on industrial scale, court told”, The Guardian, 3/3/15] e da BBC News UK [“Phone hacking 'rife' at Mirror Group Newspapers”, 3/3/15]
No OI
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A rotina imposta pelo Estado Islâmico no Iraque — assista


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Descoberto o destino das águas de São Paulo

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Dia 15 vai Pra Rua. Paga o Mico!

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Letícia Sabatella denuncia ‘vídeo-fraude’ que promove manifestação de 15 de março


Letícia Sabatella, no facebook, denunciou um vídeo adulterado. Feito para criticar a usina de Belo Monte, o vídeo foi transformado numa peça de propaganda do protesto de 15 de março.

O texto:

Isto é mentira deslavada! De novo fazem mau uso de nossa imagem! Do mural do querido Thiago, o desmentido do vídeo-fraude dos golpistas!

“Mais uma vez estão usando as imagens do Gota D’ Água indevidamente, pra uma causa totalmente diversa da pretendida. É piada pronta combaterem corrupção com apropriação indevida de imagens…rs”

Thiago Henrick


No DCM
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A oposição brasileira faz oposição ao Brasil

Aécio Neves (PSDB-MG) cumprimenta Renan Calheiros no Senado após devolução da Medida Provisória
A oposição da oposição

A oposição brasileira não faz oposição ao governo. Faz oposição ao Brasil. A dedução é simples: quando nomeado ministro da fazenda, a oposição se arvorou em plantar notícias na mídia escrita e falada informando que ele, Joaquim Levy, era um economista que fazia parte do grupo de economistas que elaboraram o programa de governo de Aécio Neves (PSDB-MG), candidato a presidente em 2014.

Dessa forma, criou uma insídia de que o governo eleito estava traindo seu discurso de campanha. Se foi verdade o que disseram Aécio e seus companheiros de campanha, o que fazia Aécio cumprimentando Renan Calheiros por ter devolvido uma medida provisória, à qual dias antes o PT criava problemas políticos para votar. Essa medida provisória era claramente elaborada pelo ministro da Fazenda e sua equipe com o apoio da presidenta Dilma.

O cumprimento de Aécio não pode ser considerado uma postura política de oposição ao governo. O que propôs o ministro Joaquim Levy é do entendimento econômico desse senhor (que segundo os tucanos é “homem deles”). A postura de Aécio Neves foi claramente de oposição ao Brasil.

É estranho também o discurso do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que perdeu uma grande oportunidade quando da operação Banestado — banco comprado em 2000 pelo Itaú em leilão, por R$ 1,6 bilhão — e não exigiu nem do governo nem dos partidos que eles reivindicassem da Polícia Federal, do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e do Ministério da Justiça um posicionamento duro contra aqueles que faziam remessas ilegais de dinheiro para o exterior no final dos anos 90.

Opinião JB

Do Jornal do Brasil
No Esquerda Caviar
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Ao livrar Aécio de inquérito, Janot desconheceu denúncia de promotora sobre esquema de caixa 2 em Furnas


Jefferson confirmou que recebeu o valor atribuído a ele na Lista de Furnas; Nilton Monteiro confirmou que a Bauruense, citada pelo doleiro Yousseff, fazia parte do esquema; Airton Daré, sócio da Bauruense, teve mais de um milhão de reais em dinheiro vivo apreendidos em casa

Este é um assunto que acompanho de perto, entre outros motivos por interesse pessoal. Sou de Bauru e conheci tanto Airton Daré, dono da empresa Bauruense, quanto o filho dele, que foi piloto da Fórmula Indy num período em que eu era também repórter de automobilismo, vivendo nos Estados Unidos.

Comecemos, pois, pelo começo.

O Estadão de hoje, ao noticiar a decisão do procurador geral de Justiça, Rodrigo Janot, de não pedir abertura de inquérito contra Aécio Neves, revelou detalhes do depoimento em que o doleiro Alberto Youssef menciona o tucano.

De acordo com o jornal, o termo de delação número 20, do final do ano passado, teve como tema principal “Furnas e o recebimento de propina pelo Partido Progressista e pelo PSDB”.

Além de Aécio, também são citados o ex-deputado José Janene, morto em 2009, e o empresário Airton Daré, sócio da Bauruense, empresa fornecedora de Furnas.

Segue o Estadão:

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O doleiro pode estar certo ou não sobre a existência de um inquérito relativo à empresa de Bauru no Supremo Tribunal Federal.

O fato é que existe, sim, um inquérito envolvendo a Bauruense, que resultou em denúncia feita pela promotora Andréa Bayão Pereira, em 25 de janeiro de 2012 (íntegra no pé do post).

O juiz Roberto Dantes Schuman de Paula não acatou a denúncia por considerar que não era da competência da Justiça Federal e remeteu o caso à Justiça Estadual do Rio de Janeiro.

O inquérito corre hoje em segredo de Justiça.

A pergunta que não cala: será que Rodrigo Janot se deu ao trabalho de consultar os autos nos quais foi baseada a denúncia da promotora?

O caso remete à famosa Lista de Furnas, que os tucanos passaram anos tentando desacreditar como uma grosseira falsificação de adversários políticos.

A perícia da Polícia Federal, feita no original, atestou que as assinaturas do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo na lista eram verdadeiras (o que não significa endosso ao conteúdo).

A lista teria tido origem na tentativa de Dimas Toledo de manter o cargo onde operava o esquema de corrupção. Tendo assumido o cargo durante o governo FHC, ele queria ser mantido pelo governo Lula.

De posse do documento, o lobista Nilton Monteiro faria pressão sobre políticos pela manutenção de Dimas. O fato é que ele continuou em Furnas e só deixou a diretoria depois que estourou o escândalo do mensalão.

Segundo os dados da lista, os tucanos arrecadaram um total de R$ 39,9 milhões junto a fornecedores de Furnas no período em que a diretoria de Engenharia era ocupada por Dimas.

É a diretoria de Furnas aparentemente citada pelo doleiro Yousseff na delação.

O dinheiro teria sido usado nas eleições de 2002 (não confundir com o mensalão mineiro, que é anterior).

Aécio Neves era deputado federal e naquele ano foi eleito governador de Minas. Segundo a lista, ele teria recebido R$ 5,5 milhões para sua campanha. Teria autorizado outros R$ 350 mil para o então deputado e hoje senador Zezé Perrella, o do helicóptero apreendido pela Polícia Federal com cocaína.

Outra anotação da lista diz:

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Valor avulso repassado para Andréa Neves, irmã de Aécio Neves, para os comitês e prefeitos do interior do Estado – MG – Valor: R$ 695.000,00.

É outra informação consistente com a delação do doleiro Yousseff, que menciona uma irmã de Aécio como intermediária de pagamentos.

Mas o fato mais significativo é que Yousseff afirma ter recebido dez vezes dinheiro da propina na sede da Bauruense, em Bauru.

Embora a promotora Andréa Bayão Pereira não tenha confirmado o conteúdo completo da lista de Furnas, ela correu atrás das empresas mencionadas nela, inclusive a Bauruense.

Quando noticiou a denúncia da promotora, o repórter Amaury Ribeiro Jr. destacou, em texto reproduzido pelo Viomundo:
Réus confessos


Os próprios executivos da Toshiba do Brasil — uma das empresas que financiavam o esquema — confirmaram a existência de um caixa dois que sustentava mesada de servidores e políticos. O superintendente Administrativo da empresa japonesa, José Csapo Talavera, afirmou, por exemplo, que os contratos de consultoria fictícios das empresas de fachada, até 2004 , eram esquentados por um esquema de “notas frias”.
A promotora conseguiu provas que considerou suficientemente sólidas para apresentar denúncia contra doze pessoas:

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Roberto Jefferson, o delator no caso do mensalão petista, foi denunciado por ter admitido, em depoimento no Rio de Janeiro, que recebeu mesmo a “doação” que aparece ao lado do nome dele na lista de Furnas (reprodução abaixo):

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Notaram quem também aparece na lista? Ele mesmo, Eduardo Cunha!

O deputado estadual mineiro Antonio Julio, do PMDB, também admitiu ter recebido R$ 150 mil reais do esquema e apresentou o comprovante de depósito.

Mas, vamos nos ater à Bauruense, mencionada por Yousseff no mesmo depoimento em que o doleiro citou Aécio Neves e a irmã.

Qual o papel da empresa no esquema, segundo a promotora?

Aqui, é muito importante que vocês leiam detidamente o que vem abaixo:

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É isso mesmo que vocês leram: na casa do empresário Airton Daré, em Bauru, foram apreendidos R$ 1.027.850,00 e U$ 356.050,00 em dinheiro vivo!

Isso, mais uma vez, é consistente com a delação do doleiro Alberto Yousseff, de que ele recebia dinheiro do esquema de Furnas em Bauru.

Airton Daré morreu em junho de 2011, mas não sobrou nenhum executivo ou funcionário da Bauruense para ser ouvido em inquérito? A irmã de Aécio não poderia ser chamada a depor? Nilton Monteiro não poderia ser chamado a depor?

Sim, sim, os tucanos dizem que ele é um falsificador e bandido contumaz. Mas, se a delação premiada foi oferecida a Alberto Yousseff, por que não a Nilton Monteiro?

Em entrevista exclusiva ao Viomundo, ele se disse perseguido político e atribuiu sua prisão em Minas Gerais a Aécio Neves.

Outro que eventualmente poderia contribuir como testemunha num eventual inquérito aberto a pedido de Janot para investigar Aécio Neves seria o deputado estadual Rogério Correia, que explicou detalhadamente ao Viomundo como funcionou o esquema de Furnas.

Como leigos no assunto, não sabemos quais são os critérios utilizados pelo procurador para pedir ou não a abertura de um inquérito.

Pode ser que ele tenha razão, que os dados oferecidos pelo delator Alberto Yousseff em relação a Aécio Neves sejam mesmo pouco sólidos.

No entanto, por tudo o que acabamos de apresentar, nos parece que os indícios oferecidos por Yousseff se encaixam em um quadro geral que mereceria uma investigação mais aprofundada.

O ideal é que fosse em um inquérito, com o uso de todos os poderes à disposição do Estado, não?

Que agora haja, pelo menos, uma investigação jornalística.

Da Folha, do Estadão, do Globo e da Veja.

Pausa para gargalhar…



Luís Carlos Azenha



Vexame: Estadão apaga título "Na Lava Jato, Youssef diz que Aécio recebeu dinheiro desviado de Furnas"

Até as 20hs, aproximadamente, o título da notícia publicada pelo Estadão era "Na Lava Jato, Youssef diz que Aécio recebeu dinheiro desviado de Furnas".

Depois disso, sabe-se lá se algum telefonema do alto tucanato tocou na diretoria do jornal... mas o fato é que o título foi suavizado para reduzir danos à imagem do tucano:


O título pode ter mudado mas a notícia continua a mesma: Youssef delatou Aécio como suposto recebedor de propina no esquema da lista de Furnas.

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Crise da Mídia: Editora Três fecha revistas, demite jornalistas e encerra departamentos

Nesta terça-feira (3/3), a Editora Três informou aos funcionários o fechamento da revista IstoÉ Gente e a demissão de 20% dos jornalistas de todas as suas redações. A medida afetou principalmente os profissionais que atuavam em regime CLT, permanecendo apenas aqueles contratados em regime Pessoa Jurídica (PJ).

A reformulação na editora também desencadeou o fechamento do departamento de revisão e um dos setores de tratamento de fotografias. No total, 26 jornalistas foram desligados até o momento. Porém, os cortes devem continuar durante a semana, quando mais dois títulos — Platinum e Status — também devem ser fechados.

Há 30 dias, Imprensa noticiou que a Editora Três tinha aberto um plano de demissão voluntária para os celetistas, cuja meta era reduzir 25% da folha. Além disso, a empresa já estudava o fechamento de alguns títulos, como IstoÉ Gente, Status, Platinum entre outras, consideradas deficitárias.

À época, o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP) repudiou a medida e protocolou uma carta na editora pedindo a suspensão do plano de demissão voluntária e também da validade do prazo para adesão a ele — que findou em 10 de fevereiro.

Em nota, a editora explicou os cortes. "A Editora Três comunica que em razão do cenário econômico do país e das condições do mercado editorial nacional, está fazendo ajustes operacionais e reestruturando seu quadro editorial, o que implicou na descontinuidade de um de seus títulos, a IstoÉ Gente, visando a readequação estratégica e crescimento da Editora Três no mercado editorial.
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Cesare Battisti e o homo sacer

"Homo sacer" é uma figura da antiga lei romana que execrava um cidadão, retirando todos seus direitos civis. Aquele que fosse decretado como homo sacer não estaria mais ao abrigo de qualquer proteção legal e poderia ser morto impunemente. Era inclusive vetado a ele os sacrifícios rituais.

O filósofo Giorgio Agamben retomou esta figura para tratar de um regime de anomia, onde o estado de exceção torna-se regra. O conceito foi utilizado para pensar ainda casos como o da prisão norte-americana de Guantánamo, onde os sujeitos estão num limbo jurídico, fora de qualquer lei definida.

Para o homo sacer a lei está em função do poder, em estado de indefinição, podendo pender arbitrariamente para qual lado for.

Se pensarmos bem veremos que este conceito não nos é estranho. O massacre continuado da juventude negra e pobre nas periferias urbanas — executado por policiais, à margem da lei — não deixa de ser uma expressão perversa do homo sacer. Proteção legal e o direito de não ser morto impunemente é só da ponte pra lá.

Mas na última terça-feira, a juíza da 20ª vara federal de Brasília caminhou para inserir este dispositivo à luz do dia no ordenamento jurídico brasileiro.

A magistrada determinou a deportação do militante e escritor italiano Cesare Battisti, desrespeitando decisão soberana do Presidente da República e do próprio Supremo Tribunal Federal.

Cesare foi preso na Itália em 1979 sob as acusações de "participação em atividade subversiva", documento falso e porte de armas. Foi condenado em 1981 a treze anos de prisão, num processo judicial repleto de irregularidades. Posteriormente foi agregado ainda à sua pena o crime de homicídio, com base em duvidosas confissões de ex-militantes.

Preso político, ele conseguiu escapar refugiando-se na França e posteriormente no México, sempre à mercê das flutuações ideológicas de cada país. Vem ao Brasil, onde foi preso em 2007.

No fim de 2010, o presidente Lula nega a extradição de Cesare para a Itália por conta do notório risco de vida que teria neste país. A decisão foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do judiciário brasileiro.

Mesmo assim Cesare permaneceu preso até meados de 2011 e só obteve seu visto de permanência no ano passado, podendo então ter legalizada sua situação no Brasil pelo registro nacional de estrangeiros.

Fim da novela? Seria, não fosse Cesare Battisti tratado como homo sacer, sem direitos constituídos e tendo seu destino arbitrariamente definido por qualquer promotor ou juiz de primeira instância. O abuso é inacreditável.

A tentativa de legitimar a decisão diferenciando a extradição de deportação é de um casuísmo flagrante. Na prática, a decisão busca reverter os desdobramentos de um processo encerrado e julgado pela corte suprema do país.

Onde estão agora os fervorosos defensores do Estado de Direito para denunciar as ilegalidades contra Cesare Battisti?

Aguardamos ansiosamente o ministro Gilmar Mendes se insurgir contra a juíza do caso em defesa da autonomia do STF. Foi o que ele fez contra o juiz Fausto de Sanctis em 2008 para defender a liberdade do banqueiro Daniel Dantas.

Dois pesos, duas medidas?

Essas são as questões que estarão postas ao Supremos Tribunal Federal no julgamento da prorrogação indevida do caso Cesare Battisti.

Guilherme Boulos
No fAlha
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Sérgio Porto # 155


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