4 de mar de 2015

A tentativa da imprensa de vitimizar Renan e Eduardo Cunha


Enquanto veículos culpam a presidente pela inclusão de Renan e Cunha na lista de envolvidos, professora de História da USP ensina análise política

Sustentado em boatos e ilações, o que se pode acompanhar da cobertura da grande imprensa sobre a lista de Janot, enviada ao Supremo Tribunal Federal na noite desta terça-feira (03), é a tentativa da imprensa de endossar que os nomes dos peemedebistas, possivelmente incluídos nas investigações, são culpa do governo. 

Ainda que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tenha demonstrado nítida mudança de comportamento, com a informação de que seu nome estaria incluído, há um esforço superior da imprensa para fragilizar a tese de que políticos de outros partidos, além do PT, podem estar envolvidos no esquema de corrupção - até então com holofotes midiáticos apenas sobre a sigla da presidente Dilma Rousseff.

A situação é verificada na coluna de Merval Pereira, desta quarta (04), apontando que não somente o nome do presidente do Senado na lista de um representante do Judiciário é culpa de Dilma, como de toda sua gestão, envolvendo, para isso, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A especulação ultrapassa os boatos, e o colunista utiliza como ponte de ligação da atuação do Executivo no Judiciário a Polícia Federal:

"Renan, e também Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, estão convencidos de que houve o dedo do governo, com a atuação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, através da Polícia Federal, para incriminá-los com o objetivo de fragilizar o Congresso e dividir as atenções neste momento de crise que o país atravessa", publicou Merval Pereira.

O fato é acompanhado por outros veículos, que transformam o indicativo em afirmação: "o peemedebista [Renan Calheiros] tinha, então, boa relação com o governo Lula, diferentemente de agora, quando acumula insatisfações que vão da participação nas indicações ao fato de, segundo informações, figurar na lista de indiciados por suposta participação nos desvios apontados pela Operação Lava Jato", divulgou o Painel da Folha de S. Paulo.

O atual cenário complicado de negociações da presidente da República com o Congresso também virou mote para mais especulações midiáticas. Diante da revelação de Renan Calheiros e Eduardo Cunha na lista de Janot, a apresentadora da Globo News, Monica Waldvogel, questionou em seu programa Entre Aspas, desta terça, se a confirmação dos dois representantes do Congresso nas investigações configuraria uma desestabilização maior para Dilma. A convidada respondeu que não. (assista abaixo).



Professora de História Contemporânea da USP, Maria Aparecida de Aquino desmistificou as especulações e forneceu uma aula de análise política: "se alguém imagina, ou vier a imaginar, que possa estar havendo uma trama para tentar ilibar determinadas pessoas, retirar determinadas pessoas [da lista de Janot], eu acho que na realidade isso não está acontecendo. Interessa, inclusive, a ela [à presidente], em termos políticos", disse.

"Você observa que há um certo isolamento, uma certa dificuldade, que é de personalidade, que é de momento político, dificuldades econômicas, dificuldades em diversos setores, se isto está aconcendo de fato, interessa a ela politicamente ganhar um capital político investigando alguma coisa, que inclusive a população tem clareza que precisa ser investigado. Então, acho que quem tem a ganhar será ela nesta condução", explicou a professora.

A resposta surpreendeu a jornalista da Globo, que retomou: "mas é uma investigação, inclusive, que também está fora do alcance dela, está no Ministério Público e na Justiça". "Não, mas vocês mesmo aqui estão dizendo que estão tendo conversas esquisitas, de não sei quem com não sei o que. Se estão dizendo ou pensando que há conversas esquisitas, eu estou dizendo: na realidade, não haverá essa tentativa", concluiu Maria Aparecida de Aquino, colocando fim à tentativa da imprensa de, quando não tornar vítimas Renan Calheiros e Eduardo Cunha nessa investigação, os utilizar de força negativa contra o partido da presidente.

Patricia Faermann
No GGN
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Noblat, Lula e a sina dos homens comuns


Recentemente, o colunista e blogueiro Ricardo Noblat escreveu um artigo sobre Lula. Trata-se de um dos mais significativos artigos dos últimos anos. Não para entender o fenômeno Lula, mas como material de estudo sobre como o senso comum da mídia o via.

Deixe-se de lado a bobagem de apresentar Lula como ameaça à democracia por convocar o exército de Stédile. É tão inverossímil quanto os 200 mil soldados das FARCs que invadiriam o Brasil em 2002, em caso de vitória de Lula.

Fixemos nas outras características de Lula, apud Noblat: rude, grosseiro, desleal, por não ter defendido José Dirceu e Luiz Gushiken. Também despeitado já que, segundo Noblat, ele queria ser candidato em 2014 e Dilma não permitiu (não é verdade, mas não importa). Ou a ficção de que luta para enfraquecer Dilma — mesmo Noblat sabendo que o fracasso de Dilma seria o fim do lulismo. No ano passado cometeu o feito de chamar Lula de “moleque de rua”.

O que é fascinante em Noblat é o uso da fita de medir homens comuns aplicada em homens de Estado. Pois por aí ele reedita um fenômeno que marca a politica desde os tempos de César: a dificuldade do homem comum em interpretar o Estadista e os recursos para trazer o personagem ao nível da mediocridade (entendido aí do pensamento médio) do leitor.

Mais um vez  recorro a Ortega y Gasset e seus portentosos ensaios sobre Mirabeau. Foi o homem que, na Constituinte, salvou a revolução francesa, apontando os rumos e definindo o novo desenho institucional.

Algum tempo depois morreu e seus restos mortais inauguraram o Panteon, que a França reservou para celebrar seus grandes homens. Aí descobriram o diabo da vida pregressa de Mirabeau. Aprontou todas na juventude, deflorou virgens, fugiu com mulheres casadas, deu tombos.

Imediatamente, os homens (comuns) de bem moveram uma campanha para retirar seus ossos do Panteon. E permitiram quase século e meio depois que Ortega traçasse perfis primorosos do Estadista, do homem comum (que ele denominava de pusilânime) e do intelectual.

O perfil do Estadista

O Estadista é um exagerado em tudo, um megalômano, dizia Ortega. Pois não é que Napoleão tinha a mania de grandeza de se imaginar Napoleão?. Só um megalomaníaco compulsivo tem a pretensão de mudar o Estado.

Não é tarefa para homens comuns, para intelectuais ou para santos.

O Estadista se propõe a desafios tão grandiosos que assusta os homens comuns - e é para eles que Noblat escreve e é como eles que Noblat pensa, derivando daí sua competência jornalística.

A dimensão que alcançam, influindo no destino de países, mudando a vida de milhões de pessoas, de certo modo reescrevendo a história da humanidade, é tão ampla que intimida o homem comum. A única lealdade do Estadista é para com a mudança do Estado. Para alcançar seu objetivo, mete-se no barro, monta acordos com Deus e o diabo, deixa a educação e o pudor de lado, sempre que atrapalharem a busca do objetivo maior..

O homem comum enxerga um vulto enorme à sua frente e, para poder enfrentá-lo, tem que trazer o monstro para a sua dimensão e julgá-lo de acordo com a sua métrica de homem comum: é educado ou grosseiro, tem ou não tem estudo, cospe no chão, conta piadas grosseiras, é desleal com amigos etc?

O tamanho de Lula

Como imaginar que um retirante, que sobreviveu à mortalidade infantil, à miséria, à fome, à falta de instrução tenha conseguido o feito de tirar 40 milhões de pessoas do nível da miséria, mudar a história do seu país, provocar comoção em cidadãos de todas as partes do mundo, dar aulas de política para centrais sindicais norte-americanas, para o Partido Socialista francês e espanhol, ser tratado como “o cara” por Barack Obama, tornar-se referência global da luta contra a miséria e um dos personagens símbolos mundiais do século 21?

Não é bolinho. Então toca trazê-lo para nossa dimensão, de mortais comuns. Como diz o José Nêumane, nosso colega que até hoje não mereceu uma menção sequer de Obama, Lula nem sabe falar direito, erra nos verbos. Como é que o Nêumane, o Noblat, eu mesmo, tão mais instruídos, não conseguimos mais destaque na vida e no mundo que aquele nordestino analfabeto?

Faz bem Noblat em tratar Lula como “moleque de rua”.

Não é fácil captar e tentar entender fenômenos desse tipo, ainda mais para nós, jornalistas, pobres mortais que, quanto muito, atingimos algumas dezenas de milhares de leitores.

E aí só nos resta encontrar medidas à altura do alcance da nossa visão. Ao contrário da bailarina do Grande Circo Místico, Lula deve arrotar na mesa, coçar o saco, contar piada suja e até mostrar a língua. Noblat condena Lula por ser brusco nas reuniões com companheiros. Tenho a impressão que a sensibilidade de Noblat se arrepiaria toda se assistisse a fineza de Lula em uma assembleia de metalúrgicos.

Mais que isso. Desde os tempos antigos, o Paulo de Tarso Venceslau já falava da falta de escrúpulos de Lula para utilizar as prefeituras do PT para fortalecer o partido. No governo negociou com a Telemar, a Friboi, as empreiteiras, com o Sarney e o Renan, com o diabo.

Se tiver que jogar companheiros ao mar, em nome da missão maior, Lula jogará. Aliás, tenho a impressão que o próprio José Dirceu entendeu perfeitamente a omissão de Lula na defesa dos companheiros  – e ele, Dirceu, faria o mesmo se estivesse na sua condição.

Tem mais. Quando lhe interessa politicamente, Lula é capaz de se desdobrar em mesuras para jornalistas, empresários ou políticos. Quando não interessa, não tem nem agenda. Tem razão o Noblat: é um grosseirão!

No entanto, quem mudou o Brasil e se tornou a referência para o mundo? Fernando Henrique e sua falsa compostura (quem já encontrou FHC em ambientes sociais sabe bem qual o seu comportamento quando via moça bonita pela frente)? Suplicy? A Madre Tereza de Calcutá?

Dos defeitos e da visão

Dizia Ortega y Gasset que um Estadista deve ser analisado e julgado por suas qualidades e defeitos enquanto Estadista. Aliás, quase a mesma coisa que o marechal Cordeiro de Farias disse a Thales Ramalho, quando este, para lhe puxar o saco, desandou a falar mal de Luiz Carlos Prestes: “Apenas um personagem da história pode falar de outro”.

FHC e José Serra — que são mais estudados que Noblat — encantavam-se por terem constatado, neles próprios, algumas características dos grandes estadistas: no caso de Serra, a falta de escrúpulos, que ele justificava recorrendo sempre a esse ensaio de Ortega y Gasset; no caso de FHC, à capacidade de iludir políticos, que ele encontrara também em Roosevelt.

Faltou um detalhe essencial para se equipararem aos grandes estadistas: a visão de Estado. Imitaram apenas a falta de escrúpulos e de sinceridade. Mas sabem usar bem os talheres na refeição. E é isso que conta para os homens comuns.

Noblat já tem experiência e idade suficientes para não acreditar em contos de fada e nos cavaleiros sem mácula e sem medo. Ainda mais frequentando um castelo de homens tão puros e piedosos, quanto os das Organizações Globo, que tem um senso de realpolitik muito maior que o de Lula, mas em proveito próprio.

Luís Nassif
No GGN
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A melhor notícia da Lava Jato até aqui é que Janot não virou um heroi da direita

Bom começo
A lista de Janot, pelo que se sabe dela até agora, tem desde já uma virtude: provocar queixas à direita e à esquerda.

Parece ser um sinal de que Janot escapou da “partidarização” em seu trabalho, ao contrário do juiz Sérgio Moro.

A direita reclama de Janot porque ele não fez um trabalho para matar o PT. A grande nostalgia conservadora é o Mensalão, um circo cujo objetivo era massacrar o PT em praça pública.

Porta-vozes da direita saíram chutando Janot. Reinaldo Azevedo, na Veja, disse que tudo começava “muito mal”. Merval Pereira, no Globo, comprou a tese de Renan e Eduardo Cunha de que eles estariam na lista para beneficiar o governo.

Merval parecia esquecer que os dois, Renan e Cunha, foram citados pelos delatores como alvos de propinas. Para Merval, lista boa é lista com petista, e vamos ficando por aí.

Janot não é um heroi da direita, e isso é animador.

A esquerda, ou parte dela, ficou frustrada quando surgiu a notícia — não confirmada — de que Aécio escapara.

Segundo se disse, Janot entendeu não haver contra ele indícios suficientes para levar adiante uma investigação.

Tudo ponderado, há motivos de otimismo.

No Mensalão, houve uma caçada ao petismo disfarçada, grosseiramente, de “combate à corrupção”.

Estava tudo dominado: a mídia e, por meio dela, os juízes do Supremo, que sob a liderança desastrosa de Joaquim Barbosa produziram barbaridades como a Teoria do Domínio do Fato, pela qual foi possível condenar sem provas.

Agora, as bases parecem estar firmes para que se combata verdadeiramente a corrupção — sem que os conservadores comandem as ações e escolham, criteriosa e cinicamente, as vítimas das sentenças.

Entre o Mensalão e o Lava Jato, o Brasil avançou — para desalento da direita e suas múltiplas vozes alojadas nas grandes empresas de jornalismo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Brasil bate novo recorde na produção de gás natural, diz ANP

A produção de gás natural de janeiro foi de 96,6 milhões de metros cúbicos. A marca é a maior já registrada, superando o recorde anterior, de dezembro de 2014, quando foram produzidos 95,1 milhões, informou nessa terça-feira (3) a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Produção total de petróleo e gás natural somou cerca de 3,077 milhões de barris de óleo por dia, sendo 2,469 milhões de petróleo e 96,6 milhões de metros cúbicos de gás.
Foto: Divulgação/Agência Petrobras
A produção total de petróleo e gás natural no Brasil no mês alcançou aproximadamente 3,077 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) por dia, sendo que 2,469 milhões foram de barris diários de petróleo.

Houve aumento de 20,3% na produção de petróleo se comparada com janeiro de 2014 e redução de 1,1% na comparação com o mês anterior. A produção de gás natural aumentou 20,2% frente ao mesmo mês em 2014 e 1,5% se comparada ao mês anterior.

O aproveitamento do gás natural no mês foi de 95,8%. A queima de gás natural em janeiro foi de 4 milhões de metros cúbicos por dia, uma redução de aproximadamente 16,6% em relação ao mês anterior e de 15,6% em relação a janeiro de 2014.

A produção do pré-sal, oriunda de 43 poços, foi de 670,1 mil barris por dia (bbl/d) de petróleo e 24,5 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural, totalizando 824,2 mil barris de óleo equivalente por dia, um aumento de 1% em relação ao mês anterior.

Operação dos campos

Cerca de 92,2% da produção de petróleo e gás natural foi proveniente de campos operados pela Petrobras. Aproximadamente 93,4% da produção de petróleo e 75,6% da produção de gás natural do Brasil foram extraídos de campos marítimos.

O campo de Roncador, na bacia de Campos, foi o de maior produção de petróleo, com uma média de 346,6 mil barris por dia, e o campo de Lula, na bacia de Santos, foi o maior produtor de gás natural, com uma produção média de 12,1 milhões de metros cúbicos por dia.

A plataforma P-52, localizada no campo de Roncador, produziu, através de 17 poços a ela interligados, cerca de 171,1 mil barris de óleo equivalente por dia e foi a plataforma com maior produção. Os campos cujos contratos são de acumulações marginais produziram um total de 74 barris diários de petróleo e 15,4 mil metros cúbicos de gás natural. Dentre esses campos, Morro do Barro, operado pela Panergy, foi o maior produtor de petróleo e gás natural, com 88,5 barris de óleo equivalente por dia.

Poços produtores

A produção de petróleo e gás natural no Brasil foi oriunda de 9.121 poços, sendo 835 marítimos e 8.286 terrestres. O campo com o maior número de poços produtores foi Canto do Amaro, na bacia Potiguar, com 1.107 poços. Marlim, na bacia de Campos, foi o campo marítimo com maior número de poços produtores, 61 no total.
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Janot arquiva investigação contra Aécio Neves na Lava Jato

Procurador Geral contraria colegas e pede arquivamento de denúncias contra Aécio Neves na Lava Jato. Procuradores teriam recomendado a investigação do senador tucano no STF. Como o despacho está sob sigilo, não será possível saber qual era o nível de envolvimento de Aécio no esquema

Aécio Neves poderá respirar aliviado em relação aos desdobramentos da Operação Lava Jato. Jornal Folha de S.Paulo afirma que Rodrigo Janot pediu arquivamento das denúncias contra o senador tucano
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento do pedido de investigação contra o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB e candidato à Presidência da República no ano passado, no âmbito da Operação Lava Jato. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o jornal, os procuradores responsáveis pelo caso teriam solicitado que a Procuradoria-Geral da República pedisse ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra Aécio, mas Janot contrariou os colegas. Como o despacho ainda está sob sigilo, não é possível saber quais eram as considerações dos procuradores, a argumentação de Janot ou mesmo a menção feita sobre Aécio Neves.

Na noite de terça-feira 3 a PGR protocolou no STF a lista com pedidos de abertura de inquérito da Lava Jato, a fim de investigar pessoas suspeitas de envolvimento no caso de corrupção da Petrobras. Constam, no total, 54 nomes de investigados, 28 pedidos de abertura de inquérito e sete pedidos de arquivamento.

De acordo com a Folha, além de Aécio, o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) está na lista dos políticos que aparecem com pedidos de arquivamento.

Na lista dos 54 investigados estariam, segundo o jornal, a senadora e ex-ministra-chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR); seu marido e ex-ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (PT); o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Os nomes dos envolvidos não foram divulgados, pois os processos são mantidos sob sigilo. Rodrigo Janot pediu o fim do sigilo nesses processos. Cabe ao ministro Teori Zavascki, responsável pelos processos da Operação Lava Jato no Supremo, determinar o fim do sigilo sobre os nomes dos investigados e também autorizar a abertura de inquéritos.
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STF decide pela extinção da pena de José Genoino


Decisão foi tomada com base no decreto de indulto de Natal editado pela presidenta Dilma Rousseff no final do ano passado; a partir de agora, o petista não tem mais pendências com a Justiça

Nesta quarta-feira (4), o Supremo Tribunal Federal (STF) extinguiu a pena do ex-deputado federal José Genuíno (PT-SP), condenado a quatro anos e oito meses de prisão na Ação Penal 470. A decisão foi tomada com base no decreto de indulto de Natal editado pela presidenta Dilma Rousseff no final do ano passado. A partir de agora, o petista não tem mais pendências com a Justiça.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia encaminhado à Corte, na última quarta-feira (25), parecer favorável à exclusão da punição de Genoíno. O ministro Luís Roberto Barroso tinha a possibilidade de decidir monocraticamente, mas consultou o plenário.

O indulto natalino, editado todos os anos pela presidência da República, beneficia réus primários, condenados a penas baixas, que já tenham cumprido pelo menos um quarto da pena. De acordo com Barroso, o ex-deputado se enquadrava nas regras. O voto favorável do magistrado foi acompanhado pelos demais presentes em plenário.

Preso em 2013, Genoíno cumpriu pena em regime fechado até que, no início de 2014, obteve autorização para tratar problemas cardíacos em regime domiciliar. Em maio do mesmo ano, precisou voltar à prisão, tendo progredido para regime aberto em agosto.
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De pernas para o ar, Brasília assusta o Brasil

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/03/04/de-pernas-para-o-ar-brasilia-assusta-o-brasil/


Em qualquer situação, ao fazer nossas escolhas, começamos sempre com 50% de chances de acertar e 50% de errar. É da natureza humana. Depende das opções que adotamos. Foge a esta regra o que acontece com o governo Dilma-2: desde a sua posse para o segundo mandato, isolada e autossuficiente, a presidente tem conseguido errar 100%.

Na montagem do ministério, no lançamento do pacote fiscal, na sua relação com os partidos da base aliada e com o Congresso Nacional, Dilma não acerta uma, não dá uma bola dentro. Conseguiu, em apenas dois meses, montar uma sólida unanimidade — contra ela e seu governo.

O tsunami político-jurídico que virou a capital do País de pernas para o ar nesta terça-feira, com a entrega da aguardada lista do Janot ao STF, deixou escancaradas as fragilidades das nossas instituições, a ausência de lideranças confiáveis e as relações cada vez mais esgarçadas entre os três poderes. A cada dia mais, Brasília assusta o Brasil. Ninguém confia em mais ninguém e não há chances de melhorar.

Estamos todos navegando em mar revolto numa noite escura, sem termos a menor ideia de para onde estão nos levando. Quem disser que sabe o que vai acontecer nas próximas 48 horas ou no mês que vem está chutando, mentindo ou apenas torcendo.

Na verdade, ninguém tem condições de saber, nem a presidente Dilma, nem o taxista que me trouxe para casa já tarde da noite e que, depois de ouvir o noticiário no rádio, me perguntou: E agora, doutor, o que vai acontecer? "Sabe o que eu acho? No fim, não vai acontecer nada, eles sempre acabam se entendendo...", respondeu ele para si mesmo, entregue ao desencanto após uma longa jornada ao volante.

Eu só sei que, aconteça o que acontecer, mesmo que por absurdo seja nada, não seremos mais os mesmos, não dá mais para ir empurrando com a barriga, fazer de conta que política é assim mesmo, não tem mais jeito.

Tem, sim. É só dar logo nomes aos bois, acabar com os vazamentos seletivos, apontar e provar a culpa de cada um, esquecer a eterna farsa da conciliação pelo alto, desmontar o picadeiro da demagogia e lancetar este tumor que nos corrói o corpo e a alma.

De quê, afinal, Renan Calheiros e Eduardo Cunha são acusados? E baseados em que eles logo culparam a presidente Dilma por seus nomes terem aparecido na lista, mesmo que o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal, até este momento, nove da manhã de quarta-feira, ainda não tenham confirmado nada oficialmente?

Ninguém aguenta mais tanta hipocrisia e falta de caráter, em nome da governabilidade que não temos, da estabilidade econômica que derrete e da falsa cordialidade transformada em crescente intolerância.

Vamos encarar a realidade: 30 anos após a redemocratização do País, o nosso sistema político-partidário-eleitoral está falido. Assim não há democracia que sobreviva com um mínimo de dignidade.

Só para dar um exemplo: até hoje não temos o Orçamento da União para 2015, que deveria ter sido aprovado até o dia 22 de dezembro do ano passado. E o que faz o governo que, teoricamente, tem maioria nas duas Casas do Congresso? Ao mesmo tempo em que anuncia um rigoroso ajuste fiscal para equilibrar as contas, estuda a liberação de uma cota individual de R$ 10 milhões para as emendas parlamentares dos deputados novatos, que representam 45% da Câmara.

Sabem quanto vai nos custar isso? Mais algo em torno de  R$2,5 bilhões. Perdemos completamente a noção de valores — tanto financeiros como éticos. Após um ano de investigações da operação Lava-Jato, que resultaram na bomba atômica da lista do Janot, apurou-se que o esquema envolvendo políticos, doleiros, empreiteiras e funcionários da Petrobras desviou no total ao menos R$ 2,1 bilhões da estatal. Ou seja, menos do que o governo federal pretende dar aos deputados novatos, sem falar que os reeleitos já tinham garantido uma verba de R$ 16 milhões para cada um.

Criou-se um abismo entre o país real e o país oficial, entre governantes e governados. As antigas lideranças já não têm mais nada de novo a dizer e não surgiram no lugar delas novas referências em nenhum setor da vida nacional.

Os partidos políticos, todos eles, que não param de se multiplicar, nada mais representam; o movimento social se amancebou com o poder, o poder já nada pode. A política se judicializou e o Judiciário se partidarizou. E a imprensa do pensamento único, que já foi o quarto poder, só pensa em assumir o papel de primeiro e único, e ocupar o espaço dos outros três.

Enquanto o Brasil oficial discutia o destino e as vinganças de Renan Calheiros e Eduardo Cunha contra o governo Dilma, e tentava descobrir quem são os outros 52 da lista do Janot, o Brasil real chorava a morte de José Rico, o cantor José Alves dos Santos, da célebre dupla sertaneja Milionário e Zé Rico.

Como dizem os versos da bela canção Estrada Vida imortalizada pela dupla, que ouvi milhares de garimpeiros cantando numa festa de sábado em Serra Pelada, no sul do Pará, no começo dos anos 1980, e nunca mais esqueci:

Nesta longa estrada da vida

Vou correndo e não posso parar

Na esperança de ser campeão

Alcançando o primeiro lugar
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O Brasil e as marchas de março

Ouvi de um amigo agora pela manhã, falando sobre a marcha do dia 15, chamada pela direita brasileira: "Eu já não sei mais o que é esquerda, o que é direita". Eis aí um grande nó para a compreensão da realidade. Acreditar que não há mais diferenças na forma de pensar e agir sobre o mundo é cair numa armadilha de alienação. Sempre foram muito claros os conceitos de direita e esquerda. Ser de direita é apostar na conservação dos privilégios de poucos, é a postura da maioria dos mais ricos, por exemplo. Eles querem seguir controlando as riquezas do país, para delas tirarem proveito, querem dominar o espaço político, querem manter os mais pobres sob controle. Já ser de esquerda é lutar contra isso, garantindo participação para todos, direitos respeitados, o fim da opressão.

Pode parecer meio simplista explicar as coisas assim, mas de fato a coisa é mesmo simples. A sociedade está dividida em classes sociais. Uma, controla a produção e a outra vende seus serviços. Uma domina, outra é explorada. E é justamente sobre a exploração de uma classe que a outra garante seus lucros e sua vida boa. No meio desse processo as pessoas vivem uma sistemática batalha. Os que são explorados querem uma vida melhor, e os que exploram procuram não permitir que isso ocorra. Quando muito abrem mão de coisas pequenas, quando a luta se acirra, apenas para tentar acomodar as coisas. Mas, no fundo, segue apostando na manutenção dos privilégios.

A confusão sobre o que é ser esquerda e direita, em parte, foi provocada pelo próprio Partido dos Trabalhadores, hoje no poder político. Forjando toda a sua construção em pautas da esquerda, o partido chegou ao governo e passou a ceder passo aos velhos grupos da tradicional direita. Tudo isso dentro da chamada tentativa de governabilidade. Dilma, por exemplo, agora , nesse segundo mandato chegou ao cúmulo de entregar setores estratégicos como as finanças, a agricultura e a educação para figuras carimbadas da direita nacional. Difícil então não ficar confuso.

O fato é que esses malabarismo de governabilidade só alimentam o monstro. A elite brasileira é insaciável. Não lhe basta ter os setores estratégicos na mão. Ela quer tudo. Então, engordados pelo próprio governo, os velhos grupos de poder vão se fortalecendo, chegando ao ponto de pedirem o impedimento e a renúncia da presidente. As razões para isso - aparentemente - são as irregularidades na Petrobras. Argumentos bastante pueris e insustentáveis. Mas, apesar da fragilidade da consigna, esses grupos tem conseguido aglutinar pessoas que, mesmo no grupo dos explorados, por algum motivo "compram" a proposta da direita. Temos visto gente gritando pela volta do regime militar, argumentando que será só para tirar a Dilma, "depois eles entregam o país". Para quem? Ah, bom, isso não importa. Há uma completa falta de compreensão histórica. Os tenebrosos anos de regime militar, que tantos horrores causaram nos mais variados países latino-americanos parecem ter sido apagados da memória. Existe uma juventude que tampouco tem noção do que está dizendo quando chama a intervenção militar. É uma ingenuidade muito bem aproveitada pelos marqueteiros do golpe.

Agora, os movimentos sociais, cuja maioria estava adormecida e domesticada,começam, lentamente, a perceber que há uma grande batalha em curso. E procuram uma reação. Por isso estão chamando uma marcha para o dia 13, dois dias antes da marcha da direita. E, assim, o Brasil vai realizar um exercício de manobras nas ruas, expressando claramente os interesses em jogo.

Na marcha do dia 13 estão os sindicatos de luta, os movimentos populares, as entidades de direitos humanos e civis. Estará a esquerda crítica e estarão também os que apoiam Dilma. Porque a pauta da marcha do dia 13 é uma pauta dos trabalhadores. As gentes marcharão em defesa da Petrobras, por reforma agrária, por demarcação de terras indígenas, pela democratização da mídia, pelo combate à corrupção. Será uma mobilização da esquerda, com propostas que visam a melhoria da vida de todos os brasileiros, especialmente dos empobrecidos e dos que têm apenas a sua força de trabalho para vender.

Já a marcha do dia 15 é a marcha do golpe, da direita organizada e dos que, mesmo explorados, são seduzidos por um canto de sereia que promete mudanças. Mas, a mudança prometida é da manutenção dos privilégios e dos mesmos velhos grupos de poder. Sem matizes. Participar disso é apoiar o atraso.

Mas, para muitos, a marcha do dia 15 é unicamente o libelo contra a Dilma. Ora, eu também estou contra as políticas implementadas pelo governo Dilma. Mas isso não significa que, por conta disso, vou me aliar ao que há de mais nefasto nesse país. Como bem diz o professor Nildo Ouriques, o projeto petista esgotou. O que igualmente não significa que no seu lugar tenha que ser colocado o outro velho projeto — da direita — que também esgotou. Ou será que as pessoas não se lembram do que FHC causou ao país nos seus dois mandatos? Se hoje, o governo petista se assemelha àquele, qual é a saída? Constituir o novo! Rearticular as forças, combinar projetos de transformação, avançar, ir para frente.

Assim que não é necessário viver em confusão. Os clássicos elementos que diferenciam a direita e esquerda seguem vigentes. Pode-se dar outro nome para isso que alguns insistem em negar, mas o fato é que tudo é muito simples. Ou estamos caminhando junto com os trabalhadores, os explorados, os empobrecidos, ou estamos de mãos dadas com os poderosos, os exploradores, os que sangram a maioria em nome de seus interesses pessoais. Simples assim.

Por isso que nessas horas de acirramento da luta de classes não há espaço para vacilação. Temos de estar com os trabalhadores, ainda que alguns deles sigam tendo ilusões com o governo petista.

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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Senadora Fátima Bezerra detona o PIG

No Senado, Fátima Bezerra rebate O Globo, diz que Veja “tem obsessão em destruir o PT” e que a mídia promove o ódio



A senadora Fátima Bezerra (PT) fez, nesta terça-feira (3/03), no plenário do Senado, um discurso reflexivo sobre o papel da mídia e do Congresso nacional na democracia brasileira.

Segundo a Fátima, o Brasil está passando pelo ápice de um processo de desvirtuamento da política promovido pela mídia hegemônica deste país desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula.

“A mídia oposicionista e os políticos que a representam, uma vez que são por ela orientados, estão mais interessados em seguir pura e simplesmente a lógica e o interesse do mercado do que em defender o interesse nacional, que é o interesse do povo brasileiro. A mídia se porta como o maior e verdadeiro partido de oposição do Brasil. Ela quer ser protagonista do país, quer pautar a política e decidir os rumos da nação. Mais do que isso: quer ser orientadora da política e o que há de pior nisso é o fato de que alguns políticos simplesmente conduzem o que ela quer”, disse.

Fátima também fez uma defesa do papel da imprensa nacional.

“A imprensa livre é fundamental à democracia, a quem tem o dever de prestar o maior dos serviços que é bem informar, sem manipular a verdade. Da imprensa não esperamos que seja neutra, imparcial; basta que não imponha sua versão partidarizada com verdades pretensamente absolutas e pensamento único”, declarou.

Corrupção

Para Fátima, o que vemos hoje não é a defesa da ética na política e o sincero desejo de combate à corrupção, mas um discurso em que utiliza-se da moral para destruir o adversário, tratado como inimigo a ser eliminado da cena política.

“O que sido feito é um discurso falso, porque não passa de uma indignação seletiva, onde escândalos com o mensalão mineiro que se arrasta na justiça desde 1998 e até mais recentemente a “operação sinal Fechado”, denúncias que envolvem figuras políticas do  Rio Grande do Norte, são simplesmente tratados como fatos menores e até mesmo aceitáveis aos olhos desses falsos moralistas”, pronunciou.

“Não compactuamos com a corrupção. Devemos sim combatê-la, pois a corrupção na política não se reduz ao desvio do dinheiro público. A corrupção, como apropriação privada do dinheiro público, corrompe a própria ideia de política. Resgatar a dignidade da política passa necessariamente pelo combate à corrupção. Mas não podemos ser ingênuos em achar que todo o problema da política se resolve com o combate à corrupção econômica”, completou.

Fátima defendeu ainda o papel da democracia brasileira. “Nós, representantes do povo, não temos o direito de nos omitir neste momento. Nosso papel, como representantes, não é simplesmente o de defender os mandatos que exercemos, de defender nossos partidos, de defender um governo de uma presidenta eleita através de um processo eleitoral transparente e legítimo. Nem se trata de defender apenas a Petrobras, mas de defender, acima de tudo a democracia. Defender a democracia é defender a soberania popular. E defender a soberania popular é defender a própria política contra seu desvirtuamento”, finalizou.

Leia abaixo trechos do discurso da senadora (de escolha do Viomundo):

…O que estamos vendo atualmente é o ápice de um processo de desvirtuamento da política promovido pela mídia hegemônica deste país desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula. Uma mídia que se porta como o maior e verdadeiro partido de oposição do Brasil. Uma mídia que quer ser protagonista do país, que quer pautar a política e decidir os rumos da nação. Mais do que isso: quer ser orientadora da política e o que há de pior nisso é o fato de que alguns políticos simplesmente conduzem o que ela quer.

Tomemos um exemplo concreto. Na semana passada o editorial do jornal O Globo desqualificou o manifesto em defesa da Petrobras, assinado por figuras da maior importância nas áreas da intelectualidade, artística, política, sindical, jurídica, enfim, um manifesto legítimo em defesa da maior empresa deste país e sobretudo da democracia.

Desqualificou igualmente o ato que iria acontecer no mesmo dia na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro. O escopo do editorial, na verdade, não passava de uma defesa da mudança do regime de partilha do Pré-sal para o regime de concessão para empresas estrangeiras.

Então, senhores senadores e senhoras senadoras, temos de um lado, brasileiros e brasileiras defendendo nosso maior patrimônio, que é a Petrobras, e de outro, um jornal do maior grupo de mídia do Brasil defendendo a entrega de nosso passaporte para o futuro, para empresas estrangeiras.

Não nos enganemos. O referido editorial do jornal da família Marinho deixa muito claro, para os mais atentos, que o interesse maior está longe de ser o efetivo combate à corrupção, de punir os corruptos e os corruptores, mas sim destruir a imagem da Petrobras, desmonta-la a fim de mudar o regime de partilha que vai garantir educação de qualidade, salários mais dignos aos professores e perspectiva de futuro às crianças e aos jovens deste país. A mídia oposicionista e os políticos que a representam, uma vez que são por ela orientados, estão mais interessados em seguir pura e simplesmente a lógica e o interesse do mercado do que em defender o interesse nacional, que é o interesse do povo brasileiro. Pior do que isso: defender interesses estrangeiros em detrimento do povo brasileiro.

[...]

O que vemos hoje não é a defesa da ética na política e o sincero desejo de combate à corrupção, mas um discurso em que utiliza-se da moral para destruir o adversário, tratado como inimigo a ser eliminado da cena política. Um discurso falso, porque não passa de uma indignação seletiva, onde escândalos com o mensalão mineiro que se arrasta na justiça desde 1998 e até mais recentemente a “operação sinal Fechado”, denúncias que envolvem figuras políticas do meu Estado, são simplesmente tratados como fatos menores e até mesmo aceitáveis aos olhos desses falsos moralistas. Assim agem alguns colunistas e órgãos da mídia oposicionista e seus aliados políticos.

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Quem não se lembra da capa de certa revista que tem obsessão em destruir o PT, na qual figurava o ex-senador Demóstenes Torres como um dos “mosqueteiros da ética”?

Certos colunistas não têm sequer a honestidade intelectual de admitir que a corrupção, por se dar nos subterrâneos da política, só aparece quando investigada.

Ao contrário de governos em que se engavetava os processos de corrupção, fazendo com que o povo acreditasse que desvios do dinheiro público não existiam, e se existiam não eram significativos, nunca a corrupção esteve tão em evidência como a partir dos governos Lula e Dilma, exatamente porque nunca se investigou tanto neste país. Porém, o que a mídia oposicionista trata do tema da corrupção como se esta tivesse sido inaugurada no país a partir dos governos do PT.

A imprensa livre é fundamental à democracia, a quem tem o dever de prestar o maior dos serviços que é bem informar, sem manipular a verdade. Da imprensa não esperamos que seja neutra, imparcial; basta que não imponha sua versão partidarizada com verdades pretensamente absolutas e pensamento único. É neste sentido que falei no início do meu discurso que o que estamos vendo atualmente é o ápice de um processo de desvirtuamento da política.

Desvirtuar a política é desmerecê-la, trata-la como atividade sob eterna suspeita. Isso não significa que a política não deva estar sob o julgamento e escrutínio dos cidadãos e que a classe política não tenha que prestar conta dos seus atos. Isso é respeitar a cidadania, que nos investiu do poder de representa-la. Quando somos eleitos pelo voto para representar o poder do povo não recebemos um cheque em branco, mas a autorização para agir em seu nome.

O que quero dizer quando afirmo que a chamada grande mídia no Brasil de hoje trata da política como atividade sob suspeita é no sentido de que essa mídia, ao invés de denunciar o que ocorre de errado, ou mesmo de ilícito, desempenhando seu papel de informar e formar uma opinião pública qualificada, simplesmente deforma mentes e corações, promovendo o ódio e uma profunda divisão numa sociedade que já é hierarquizada e carece de laços sociais, necessários para o apoio a políticas de estado e de governo voltadas para a redução da desigualdade e promoção de oportunidades para todos os brasileiros, principalmente os mais pobres.

O que desejam os que hoje fazem o discurso contra a corrupção praticada por funcionários da Petrobras? Usar esse fato evidente e que está sendo devidamente investigado, como pretexto para defender a mudança do sistema de partilha para o sistema de concessões, bem como desgastar a imagem da presidenta Dilma a ponto de tentar criar condições sociais para um pedido de impeachment. Ora, senhores, sabemos que o impeachment é um julgamento político, não jurídico. Todavia, há que ter base jurídica para tanto. E esta, como sabemos, não existe.



Leia abaixo a íntegra do discurso da senadora:

“Excelentíssimos senadores, excelentíssimas senadoras, excelentíssimo senhor presidente,

Hoje quero iniciar minha fala com a frase de uma das maiores figuras da política deste país, o grande Ulisses Guimarães: “Na política o povo é tudo ou é nada. Ou é personagem como cidadão ou é vítima como vassalo.”

Qual a mensagem de Ulisses Guimarães, traduzida nessa frase? A de que o protagonista da política na democracia é o povo, ou seja, de que o fundamento da democracia é o princípio da soberania popular.

Então, quero iniciar meu discurso trazendo uma necessária reflexão sobre o papel do Congresso nacional na democracia brasileira, convicta de que na democracia qualquer solução para os problemas deve passar necessariamente pela política. Afinal, sabemos que história pode nos dar vários exemplos de como todas as vezes que a política foi contornada o resultado foi a tragédia.

Mas o que estamos vendo atualmente é o ápice de um processo de desvirtuamento da política promovido pela mídia hegemônica deste país desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula. Uma mídia que se porta como o maior e verdadeiro partido de oposição do Brasil. Uma mídia que quer ser protagonista do país, que quer pautar a política e decidir os rumos da nação. Mais do que isso: quer ser orientadora da política e o que há de pior nisso é o fato de que alguns políticos simplesmente conduzem o que ela quer.

Tomemos um exemplo concreto. Na semana passada o editorial do jornal O Globo desqualificou o manifesto em defesa da Petrobras, assinado por figuras da maior importância nas áreas da intelectualidade, artística, política, sindical, jurídica, enfim, um manifesto legítimo em defesa da maior empresa deste país e sobretudo da democracia. Desqualificou igualmente o ato que iria acontecer no mesmo dia na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro. O escopo do editorial, na verdade, não passava de uma defesa da mudança do regime de partilha do Pré-sal para o regime de concessão para empresas estrangeiras.

Então, senhores senadores e senhoras senadoras, temos de um lado, brasileiros e brasileiras defendendo nosso maior patrimônio, que é a Petrobras, e de outro, um jornal do maior grupo de mídia do Brasil defendendo a entrega de nosso passaporte para o futuro, para empresas estrangeiras.

Não nos enganemos. O referido editorial do jornal da família Marinho deixa muito claro, para os mais atentos, que o interesse maior está longe de ser o efetivo combate à corrupção, de punir os corruptos e os corruptores, mas sim destruir a imagem da Petrobras, desmonta-la a fim de mudar o regime de partilha que vai garantir educação de qualidade, salários mais dignos aos professores e perspectiva de futuro às crianças e aos jovens deste país. A mídia oposicionista e os políticos que a representam, uma vez que são por ela orientados, estão mais interessados em seguir pura e simplesmente a lógica e o interesse do mercado do que em defender o interesse nacional, que é o interesse do povo brasileiro. Pior do que isso: defender interesses estrangeiros em detrimento do povo brasileiro. Como disse o jornalista Luiz Nassif em seu blog, “A geopolítica do petróleo não é uma mera teoria da conspiração: é um dado da realidade, por trás dos grandes movimentos políticos do século, especialmente em países que definiram modelos autônomos de exploração do petróleo. E as mídias nacionais sempre tiveram papel relevante, não propriamente por convicções liberais e internacionalistas”.

Senhoras senadoras e senhores senadores, é fato que as elites deste país jamais aceitaram na condução do Brasil um ex-metalúrgico, como não aceitam uma mulher na presidência do país. As elites deste país nunca aceitaram e nunca aceitarão um governo trabalhista. Daí que o discurso moralista exaustivamente utilizado para tirar do poder Getúlio Vargas e João Goulart segue nos mesmos moldes.

O que vemos hoje não é a defesa da ética na política e o sincero desejo de combate à corrupção, mas um discurso em que utiliza-se da moral para destruir o adversário, tratado como inimigo a ser eliminado da cena política. Um discurso falso, porque não passa de uma indignação seletiva, onde escândalos com o mensalão mineiro que se arrasta na justiça desde 1998 e até mais recentemente a “operação sinal Fechado”, denúncias que envolvem figuras políticas do meu Estado, são simplesmente tratados como fatos menores e até mesmo aceitáveis aos olhos desses falsos moralistas. Assim agem alguns colunistas e órgãos da mídia oposicionista e seus aliados políticos. Quem não se lembra da capa de certa revista que tem obsessão em destruir o PT, na qual figurava o ex-senador Demóstenes Torres como um dos “mosqueteiros da ética”?

Certos colunistas não têm sequer a honestidade intelectual de admitir que a corrupção, por se dar nos subterrâneos da política, só aparece quando investigada.

Ao contrário de governos em que se engavetava os processos de corrupção, fazendo com que o povo acreditasse que desvios do dinheiro público não existiam, e se existiam não eram significativos, nunca a corrupção esteve tão em evidência como a partir dos governos Lula e Dilma, exatamente porque nunca se investigou tanto neste país. Porém, o que a mídia oposicionista trata do tema da corrupção como se esta tivesse sido inaugurada no país a partir dos governos do PT.

A imprensa livre é fundamental à democracia, a quem tem o dever de prestar o maior dos serviços que é bem informar, sem manipular a verdade. Da imprensa não esperamos que seja neutra, imparcial; basta que não imponha sua versão partidarizada com verdades pretensamente absolutas e pensamento único. É neste sentido que falei no início do meu discurso que o que estamos vendo atualmente é o ápice de um processo de desvirtuamento da política.

Desvirtuar a política é desmerecê-la, trata-la como atividade sob eterna suspeita. Isso não significa que a política não deva estar sob o julgamento e escrutínio dos cidadãos e que a classe política não tenha que prestar conta dos seus atos. Isso é respeitar a cidadania, que nos investiu do poder de representa-la. Quando somos eleitos pelo voto para representar o poder do povo não recebemos um cheque em branco, mas a autorização para agir em seu nome.

O que quero dizer quando afirmo que a chamada grande mídia no Brasil de hoje trata da política como atividade sob suspeita é no sentido de que essa mídia, ao invés de denunciar o que ocorre de errado, ou mesmo de ilícito, desempenhando seu papel de informar e formar uma opinião pública qualificada, simplesmente deforma mentes e corações, promovendo o ódio e uma profunda divisão numa sociedade que já é hierarquizada e carece de laços sociais, necessários para o apoio a políticas de estado e de governo voltadas para a redução da desigualdade e promoção de oportunidades para todos os brasileiros, principalmente os mais pobres. 

O que desejam os que hoje fazem o discurso contra a corrupção praticada por funcionários da Petrobras? Usar esse fato evidente e que está sendo devidamente investigado, como pretexto para defender a mudança do sistema de partilha para o sistema de concessões, bem como desgastar a imagem da presidenta Dilma a ponto de tentar criar condições sociais para um pedido de impeachment. Ora, senhores, sabemos que o impeachment é um julgamento político, não jurídico. Todavia, há que ter base jurídica para tanto. E esta, como sabemos, não existe. 

Cito aqui o trecho de uma entrevista com o renomado jurista Lenio Streck, ex-procurador de Justiça e professor titular de Direito Constitucional da Unisinos:  Não é proibido falar de impeachment, está na Constituição. Se tem fundamentos, é outra história. Há uma questão aí que é chave: impeachment é um processo político. Entretanto, não quer dizer que ele não precisa do jurídico. Essa é a grande confusão que as pessoas estão fazendo. Por isso que a Constituição é sábia: embora sejam necessários dois terços da Câmara para o impeachment, é preciso um argumento jurídico forte. Esse argumento jurídico não pode ser inventado. Sem argumento jurídico não tem impeachment. É necessário que haja provas de que houve crime de responsabilidade ou improbidade, e para isso tem que provar o dolo (intenção de cometer o crime). Não basta dizer simplesmente que o presidente foi omisso. Tem de haver provas. Senão, sempre que a oposição somasse dois terços, poderia derrubar um governante. Esse foi o caso do Paraguai, onde o impeachment foi indevido. Foi um golpe.”

O citado jurista contesta o parecer do tributarista Ives Gandra Martins, que afirmava haver base legal para um pedido de impeachment da presidenta Dilma. Segundo Streck, “Não basta simplesmente dizer que a lei 1.079, que fala do crime de responsabilidade, está presente. Tem que dizer: em que momento, em que circunstância. Neste momento não existe nada concreto. Não há nenhum elemento objetivo para o impeachment.” Além disso, como foi amplamente divulgado pela mídia, juristas afirmaram que o referido parecer pecou, sobretudo,  pela afirmação de uma suposta base legal para impeachment  fundada na culpa. Ora, como diz Leni Streck, “Há um ponto chave: a lei de improbidade administrativa exige dolo, isto é, intenção manifesta de fazer tal coisa. Não admite culpa".

Não obstante a opinião de tantos outros juristas contra o parecer de Ives Gandra, a “defesa do impeachment da presidenta Dilma” é o mote de manifestações que partidos de oposição, auxiliados por essa mesma mídia, estão organizando para o dia 15 de março. Sem base jurídica e, consequentemente política, manifestações estão sendo organizadas em todo o país a fim de criar um clima de aparência de condições sociais para o impedimento da presidenta. Onde fica a responsabilidade dos que apoiam um impeachment sem base legal e jurídica? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, segundo a imprensa, que o PSDB apoia a manifestação do dia 15 de março, mas não defende o “Fora Dilma”. Ora, senhores senadores e senhoras senadoras, o ex-presidente defende as manifestações em defesa do impeachment sem defender o “Fora Dilma”? Como se isso fosse possível. Não querem passar por golpistas, então apoiam  uma manifestação que defende o impedimento da presidenta. É o mesmo que querer entrar na chuva sem se molhar. A quem querem enganar?

Senhoras e senhores senadores, nada mais sombrio do que pretender solapar o poder de uma presidenta legitimamente eleita. Tempos sombrios em que a política deixa de ser avaliada por critérios políticos para ser julgada por critérios pretensamente morais.

Ora, a política deve ser orientada pela moralidade pública, mas isso não significa que a política seja reduzida à moral. Isso nada tem a ver com a ética na política nem com a ética da política, que é a ética da responsabilidade com a coisa pública.  A moral é do âmbito do bem e do mal. Por isso o discurso da moral é paralisante, intimidador, discriminatório e muitas vezes carregado de violência simbólica. A política reduzida à moral resvala para o moralismo, porque este é seletivo, porque tem a pretensão de definir quem são os “bons e os maus”, para posteriormente criminalizar quem são os escolhidos para serem os “maus”.

O que quero dizer aqui, neste momento, é que não compactuamos com a corrupção. Devemos sim combatê-la, pois a corrupção na política não se reduz ao desvio do dinheiro público. A corrupção, como apropriação privada do dinheiro público, corrompe a própria ideia de política. Resgatar a dignidade da política passa necessariamente pelo combate à corrupção. Mas não podemos ser ingênuos em achar que todo o problema da política se resolve com o combate à corrupção econômica. 

Por fim, Senhor Presidente, Senhoras Senadoras e Senhores Senadores, a nós parlamentares está reservado o papel de implementarmos uma das mais importantes ferramentas de combate à corrupção no país e defesa da democracia representativa: a reforma política. Não a reforma proposta na PEC 352 que objetiva apenas constitucionalizar o financiamento empresarial de campanhas e partidos, principal fonte da corrupção, entre outros retrocessos.  Defendemos uma Reforma Política profunda, capaz de enfrentar privilégios e distorções da democracia, inclusive com a convocação de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Nós, representantes do povo, não temos o direito de nos omitir neste momento. Nosso papel, como representantes, não é simplesmente o de defender os mandatos que exercemos, de defender nossos partidos, de defender um governo de uma presidenta eleita através de um processo eleitoral transparente e legítimo. Nem se trata de defender apenas a Petrobras, mas de defender, acima de tudo a democracia.

Defender a democracia é defender a soberania popular. E defender a soberania popular é defender a própria política contra seu desvirtuamento.  Aqui volto a citar a frase de Ulisses Guimarães, “Na política o povo é tudo ou é nada. Ou é personagem como cidadão ou é vítima como vassalo".

Cabe a nós a escolha entre sermos representantes do povo como cidadão ou desempenharmos o papel de vassalos dos interesses que querem que o povo seja mais uma vez a vítima da história”.
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A grife preconceituosa de Luciano Huck

Loja online do apresentador global colocou à venda modelos com estampas como “Vem ni mim que eu tô facin” (disponível para crianças) e “Salvem as baleias que eu salvo as sereias”

A marca “Use Huck”, de propriedade do apresentador global Luciano Huck, está envolvida em mais uma polêmica nas redes. Após ser criticada por ter lançado camiseta com a estampa “Somos todos macacos”, aproveitado-se do episódio de racismo sofrido pelo jogador Daniel Alves no ano passado, agora podem ser encontrados no site da grife modelos tão controversos quanto. Em um deles, voltado ao público infantil, é possível ler os dizeres “Vem ni mim que eu tô facin”.

(Divulgação)
Para a psicóloga Aline Couto, a estampa é inadequada e reforça a sexualização precoce de crianças. “Se fosse uma estampa de uma camiseta para uma adulta [modelo também vendido pela loja online] já seria preocupante, pois objetifica com o puro e simples objetivo de vender. Pior ainda sendo pra uma criança. Já somos suficientemente julgadas pelo que vestimos enquanto adultas e dói ver uma marca fazendo dinheiro em cima dessa objetificação para uma criança”.

Couto chama atenção para o risco de encararmos mensagens como essa de forma puramente humorística. “É certo que mais dia ou menos dia uma menina que veste isso porque os pais acham ‘engraçado’, ‘espirituoso’, vai aprender, e não de um jeito engraçado, que usam nossas roupas para justificar abusos. Começar com isso na infância é cruel. Tem muita gente discutindo os impactos da sexualização precoce na infância, mas coisas como essa camiseta aí passam por ‘brincadeirinha’”, argumenta.

Outra estampa que levantou questionamentos exibe as palavras “Salvem as baleias, eu salvo as sereias”, o que pode insinuar uma mensagem gordofóbica de deboche contra mulheres gordas. Para Polly Barbi, editora do portal Lugar de Mulher, a intenção é facilmente identificável. “Muita gente pode vir com aquele papo de ‘que isso, imagina, estavam só falando das sereias’. Mas quem é gorda sabe muito bem do que se trata”, considera.

(Divulgação)
(Divulgação)
Em outro modelo, há a frase “Quando um não quer, o outro insiste”. Ativistas feministas advertem que isso pode reforçar a cultura do estupro, por reproduzir a ideia de que a negação não é suficiente para interromper uma investida sexual. Situação parecida ocorreu com propaganda veiculada pela Skol na véspera do Carnaval, quando a cervejaria espalhou cartazes com os dizeres “Esqueci o ‘não’ em casa”. A peça, de tão criticada, foi retirada de circulação e trocada por outra.

(Divulgação)
(Divulgação)
A reportagem da Fórum tentou contato telefônico com a Use Huck, mas até o fechamento desta nota não foi atendida.

Por Anna Beatriz Anjos e Jarid Arraes
No Fórum



Desculpa da “Use Huck” não convence

 
Diante da imediata gritaria nas redes sociais, a empresa de Luciano Huck, famoso astro da TV Globo e frustrado apoiador do cambaleante Aécio Neves, divulgou nesta terça-feira (3) um patético pedido de “desculpas”. Segundo nota da “Use Huck”, a camiseta dirigida ao público infantil com a pedófila estampa “Vem Ni Mim Que Tô Facin” foi um equívoco. “Pedimos profundas desculpas e sentimos muito por todos que foram ofendidos pela imagem. Este comunicado não tem o objetivo de justificar o injustificável; mas apenas de explicar o motivo do erro, para que fique claro que não houve qualquer intenção maldosa”. Intenção maldosa do “bom-moço” tucano da revista “Veja”? Imagina!

Apesar do pedido formal de desculpas — talvez temendo processos na Justiça —, a nota tenta “justificar o injustificável”. Afirma que “é comum em e-commerce que as artes das estampas sejam aplicadas posteriormente sobre fotos dos modelos com camiseta branca... Por erro nosso, as artes de Carnaval (inclusive e infelizmente, esta arte) foram aplicadas sobre a coleção infantil e disponibilizadas no site sem a devida revisão. Assim que percebemos esse lamentável erro, imediatamente retiramos a imagem do ar e decidimos escrever essa carta para explicar tecnicamente o problema”. Ou seja: foi apenas um erro técnico, sem qualquer objetivo de auferir altos lucros com a imagem de crianças!

A explicação da empresa do astro global, porém, não convenceu sequer os seguidores da sua página no Facebook. A reação dos internautas foi ainda mais contundente. Vale conferir alguns delas:

* * *

Carolina Dini: Que tal promover uma campanha para combater a violência/abuso infantil a título de retratação?

Alexandre Queiroga: Só eu não acreditei nesse lero lero?

Micael Amarante: Huck é o anjo do apocalipse!

Bel Salles: A mãe daquelas crianças deveria processar vocês, pois a cara delas estará estampada pra sempre na internet com uma camisa com apologia a pedofilia. ABSURDO!

Luiz Miranda: Erro grosseiro que merece repúdio ampliado !

Larissa Novaes: Que o teor da mensagem é terrível é um bom sinal que vocês reconheçam. Mas fazer a propaganda com a imagem de crianças é algo gravíssimo! A mensagem subliminar é de trazer resultados terríveis num país em que a violência contra crianças tem índices altíssimos. Lamentável!

Ricciery Esteves Cesar: Espero que a justiça acabe com essa empresa.

Patricia Lima Torres: Injustificável mesmo! Povo sem noção!

Camila Pereira: Ah é? E as camisetas vendidas? Foi erro tb?

Cleide Veras: É só não deixar que as $$ possam valer bem mais do que o respeito ao próximo que estará tudo bem! Outras situações desagradáveis envolvendo esta marca não acontecerão novamente.

Petronio Josué D. Silva: Que tal os filhos do Luciano usarem estas "Placas de sinalização" e saírem pelas ruas dizendo a que vieram...o próprio pai incentiva! Seus "sem cérebros"! Espero que esta marca "LIXO" não venha para SP. E ainda querem R$ 59,90! por cada mulambo destes. piada, KKKKKKK

Felipe Mendes: O bom e velho "migué". E a emenda saiu pior que o soneto.

Vivian Maria Melo: Não entendi a relação entre a modelo infantil e a estampa ser posta depois. Ninguém viu que era uma criança na foto? Essa desculpa não colou.

Felipe Guga Beltrão: A culpa é do computador que fez isso sozinho ou só tem revisador pedófilo, é isso? VERGONHA SEM FIM. Querem acabar com as sementes do nosso país, as crianças, tenho nojo de todos os envolvidos.

João Godoy Rocha: Conversinha pra boi dormir.

Rosemeire Calvo: Você deve ser um retardado ou pensa que somos idiotas! Cara coloca essa camiseta com esses dizeres em suas filhas!

Isadora Oliveira: E aquela "salva as baleias que eu salvo as sereias"? Foi alguém que agiu de má-fé, inventou a frase e a arte e colocou lá sem ninguém perceber ou é pura babaquice mesmo?

Marcio Koiki: Imperdoável... Lixo!

Nara Rúbia: Tenho uma frase melhor pro apresentador em questão: "USE O CÉREBRO, NÃO DÓI".

Thais Montechiari: A imagem ser gerada automaticamente após o ensaio fotográfico, ok? Mas não existe supervisão para os produtos que são colocados a venda?

Fabiana Gottardi Peixoto: E as camisetas que já foram vendidas? E as outras camisetas com mensagens tão ruins quanto essa e que vocês acham tão legais?

Smashley Simpson: Desculpa é pra pisão no pé! Se o Huck é escroto dessa forma, e todos sabemos que é, ele deveria se blindar com uma assessoria de imprensa que tivesse algum preparo.

Altamiro Borges
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HSBC: Grécia vazou tudo


O jornalista Fernando Rodrigues, empregado do Grupo UOL/Folha, talvez não tenha conhecimento.

Vamos ajudá-lo.

Após pesquisa o blog Megacidadania descobriu que o jornalista Kostas Vaxevanis, editor da revista grega HOT DOC, divulgou por lá a lista completa com 2.059 nomes de gregos que se utilizaram do esquema criminoso disponibilizado pelo HSBC (clique aqui).

Clique aqui e conheça a história do jornalista Kostas Vaxevanis, editor da revista grega HOT DOC.

A Grécia vazou tudo

Também verificamos que o jornal The Indian EXPRESS divulgou uma lista com 100 nomes (clique aqui), destaque para o magnata das telecomunicações Mukesh Ambani e uma de suas empresas, a FLAG Telecom (clique aqui), que garantiu o suprimento digital global da Copa do Mundo FIFA 2002 atravessando três continentes.

E o jornal espanhol El Pais divulgou 60 nomes (clique aqui), destaque para Emilio Botín Sanz de Sautuola Garcia Rios, presidente do Banco Santander.

No Brasil o jornalista Fernando Rodrigues só divulgou 11 nomes.

Quem desejar conhecer a quantidade por país dos que mantém contas no esquema Suíçalão, é só clicar aqui.

Participe da Campanha

Dar acesso à lista e dados dos 8.667 clientes brasileiros do HSBC/SwissLeaks (clique aqui).
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Globo inventa “tinta” que escorreu na Paulista e entra na onda das ciclovias diabólicas


À esquerda, repórter Natália Ariede bota o dedo “na tinta”. Na conclusão da reportagem, ela disse: “Com a chuva de hoje, o dinheiro público investido na tinta acabou aí, na sarjeta”. Na volta para o âncora Cesar Tralli, do SPTV, ele disse: “Inacreditável, né, gente?!”e “Você viu o desperdício, no mínimo, de tinta, né?”. À direita, foto do site VádeBike mostrando que não se trata de tinta, que mancha, mas de restos de pó de concreto pigmentado, que sempre sobram nesse tipo de obra — e saem com água.

O sistema Globo e as ciclovias como símbolos da luta política

Quem é contra ciclovia? A bicicleta é um veículo barato, não poluente, contribui para a saúde do usuário e necessita de pouco espaço. É quase uma unanimidade, correto? Depende, se o prefeito que optar por investir na construção de ciclovias, dentro de um projeto integrado de mobilidade urbana, der o “azar” de pertencer a um partido do campo popular, pode contar que a luta política vai prevalecer e o sistema Globo vem pra cima, inventando até vazamento de tinta em ciclovia que não foi pintada.

O sistema Globo é a favor das ciclovias? É contra?

A cidade do Rio de Janeiro tem a maior malha cicloviária da América Latina com 380 km, devendo chegar aos 450 km até o final deste ano. Em setembro de 2014 o jornal O Globo noticiava com simpatia, com direito a chamada de capa, a construção da “Ciclovia da Niemeyer”, na zona sul da cidade maravilhosa, e informava que 70 mil moradores seriam beneficiados. Além disso “com essa nova pista e a que está sendo construída ao longo do Elevado do Joá, o ciclista poderá fazer o trajeto do Recreio até o Centro”. Em março de 2014, o especialista em mobilidade Alexandre Delijaicov, da Universidade de São Paulo (USP), ouvido pelo G1, declarava que “mais de um terço das viagens no país é feita a pé, a maior parte por uma população que não tem dinheiro para se locomover. Não construir calçadas mais largas e ciclovias é um absurdo”, diz. Porém, Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, está investindo em ciclovias e planeja construir 400 km até o fim do mandato como uma das soluções para o transporte público da cidade. Como ele é do PT, o sistema Globo em SP bate nas ciclovias dia e noite, coadunada por seus parceiros da mídia hegemônica.

Nem a favor nem contra. O sistema Globo trava a luta política

A campanha sistemática do sistema Globo contra as ciclovias em São Paulo repete a velha técnica de manipular e distorcer informações, provocando reações inusitadas dos setores conservadores paulistanos e da camada média que absorve como esponja as posições da mídia hegemônica. Reinaldo Azevedo, comentarista da CBN e articulista da revista Veja, diz que as ciclovias são o Estado Islâmico em duas rodas: “As loucuras de Fernando Haddad (PT), o ciclofaixista que aterroriza São Paulo, não tem limites. Ele é a versão sobre duas rodas do Estado Islâmico”. Como tudo na mídia monopolizada, esta campanha é articulada com os outros veículos.

Ciclovia vai aumentar o número de assaltos

O jornal O Estado de S. Paulo, em matéria de dezembro de 2014 intitulada: “Moradores de áreas nobres da capital acionam MP contra ciclovias de Haddad” conta sobre a “revolta” em Jardim Paulista, bairro da classe alta paulistana. Uma médica ouvida declara: “Eu quase surtei quando vi a faixa da Prefeitura”, e indaga: “se eu oferecer um jantar e quiser receber meus amigos, onde eles vão parar (o carro)?”. O aposentado Francisco Augusto teme o aumento no número de assaltos por conta da ciclovia: “Quem anda de bicicleta não presta, hoje nós sabemos disso. São pessoas não qualificadas, Então vamos ficar sujeitos a este risco aqui?”.

Faixas do diabo tem signo oculto

Estudos indicam que para distâncias de até 5 km, em áreas com grande densidade populacional, a bicicleta é o veículo mais rápido. Mas em São Paulo, em 2012, morreram 52 ciclistas, um por semana. Mesmo assim, a professora de Semiótica da PUC-SP, Lúcia Santaella, não gosta das ciclovias, conforme publicou em seu facebook: “o sr. prefeito de São Paulo, vocacionado pintor, não de telas, nem de paredes, mas de ruas, agora parece estar querendo fazer troça dos cidadãos desta cidade. Está enchendo as ruas de horrendas faixas vermelhas, provavelmente encomendadas do diabo em pessoa”. E a professora de semiótica descobre o signo oculto das ciclovias: “será que sou tão ingênua em não perceber que isso não passa da mais descarada propaganda vermelha do PT?”. Reinaldo Melo, que analisou a fundo a postagem de Lúcia, esclarece: “Santaella deveria deixar de analisar o fato através de sua semiótica estática e estudar um pouquinho mais para constatar que a cor vermelha foi estabelecida pelas normas nacionais de trânsito, no intuito de chamar a atenção do motorista mesmo, não se compondo como poluição visual. De onde se conclui também que não se caracteriza como propaganda política partidária”.

A ciclovia escorre tinta

Neste sábado, dia 28 de fevereiro, o SPTV 2ª edição, da Globo, fez uma reportagem onde mostra que o asfalto da Avenida Paulista foi manchado com o vermelho da “tinta” usada para pintar a ciclovia. Vejam o vídeo abaixo. A cara do âncora é de quem não aguenta mais tanta incompetência! E a repórter diz que “a nova cor do asfalto surpreendeu os motoristas e sobraram reclamações”. No final o âncora condena o desperdício de tinta e diz que tal fato é “inacreditável”. O site Vádebike, que defende as ciclovias, explica: “A ciclovia da Av. Paulista não está sendo pintada. Nem um pingo de tinta foi aplicado até o momento. O pavimento está sendo feito com concreto pigmentado, ou concreto tingido. Ou seja, ele já vem na cor certa, não há aplicação de tinta. O pigmento vermelho é aplicado ainda na betoneira, que ao ser misturado ao concreto lhe confere a coloração adequada. O mesmo processo foi utilizado nas ciclovias da Av. Faria Lima e da Av. Eliseu de Almeida. Mas como sempre sobra material em forma de pó na superfície ou nas laterais, fora da área da laje, a chuva (que não foi pouca) dispersou esse pó. O que escorreu para a avenida foi, portanto, pó do concreto vermelho. Não foi tinta. A moça que (na reportagem do SPTV) se preocupou em estragar o carro pode ficar tranquila: aquela coisa vermelha que pode ter aderido à lataria sai com água sem deixar rastro. Na verdade, sai até com a mão depois de seco”.



Como diria o âncora

Resumindo: a ciclovia do Haddad representa o Estado Islâmico, será usada por malfeitores, tem parte com o diabo, faz propaganda do PT e escorre tinta. Quem estranha pessoas que deviam, por sua formação, ter alguma lucidez, e dizem absurdos motivados por puro ódio político devem atentar na máquina de moer cérebro que representa uma mídia hegemônica que durante 24 horas desinforma e mente. Como diria o âncora da Globo: inacreditável.

Notas Vermelhas — jornalistas Thiago Cassis e Mariana Serafini

PS do Viomundo: A desinformação da Globo mereceria a seção de Humor, não tivesse sido corroborada pela CET. Consultada pela Globo, a Companhia de Engenharia de Tráfego não soube dar a resposta correta, como fez o Vádebike. Segundo a Globo, a CET disse que depois da limpeza da Paulista com um caminhão de água de reuso, a pintura seria refeita! É com essa assessoria que o prefeito Fernando Haddad quer se reeleger? Esqueçam.
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Sérgio Porto # 154


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