3 de mar de 2015

A Lava Jato e os interesses da Halliburton

Afinal, o que pretendem os procuradores da Lava Jato e o juiz Moro? Quebrar a economia do país, em nome do combate à corrupção? Que absurdo é esse?

Uma comitiva de procuradores da República (o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no MPF, Deltan Dallagnol, e os procuradores Athayde Costa e Paulo Roberto Galvão) levou ao Tribunal de Contas da União (TCU) um pedido para impedir a Controladoria-Geral da União (CGU) de fechar acordos de leniência com empreiteiras envolvidas na Lava Jato.

O que está acontecendo com o país?

Setores do MPF e do Judiciário, em nome do combate à corrupção, não se importam com o risco de falência de empresas fundamentais para o desenvolvimento do país? Com a paralisação de gigantescas obras de infraestrutura e a demissão de dezenas de milhares de trabalhadores? Ora, os prejuízos ao país em razão disso são imensamente maiores do que o montante denunciado até agora na Lava Jato (e ainda sem provas conclusivas).

A indústria naval, reconstruída a partir do governo Lula, que emprega milhares de trabalhadores, está sendo paralisada.

Que as grandes empresas construtoras do país têm envolvimento com corrupção, sabemos há décadas. Coibir isso é fundamental. Mas quebrar as empresas é um ato contra o país, sua economia e seus trabalhadores.

Quem vai ocupar o lugar dessas empresas? As companhias norte-americanas de construção? As mesmas que lucraram bilhões com a “reconstrução” do Iraque, destruído na guerra movida pelo governo e pela indústria bélica dos Estados Unidos?

Empresas como a Halliburton? Por acaso a Halliburton, envolvida na “reconstrução” do Iraque, é exemplo de honestidade? Só se for para a “grande” mídia brasileira, que apoiou as privatizações feitas no governo FHC, e para os peessedebistas que afirmam que empresas estrangeiras poderiam “substituir as empreiteiras que falirem” (como recentemente afirmou, sem qualquer pudor, o deputado Marcus Pestana, do PSDB-MG, um dos principais aliados de Aécio).

Matéria da revista Exame (da Editora Abril, a mesma que publica Veja), de junho de 2013, afirma que a Halliburton pretendia chegar “à liderança no mercado de apoio à indústria de petróleo e gás no Brasil, na virada de 2014 para 2015″!

Ou seja, hoje! A mesma matéria informa que a empresa, em seu balanço mundial no 1º. trimestre de 2013 havia tido prejuízo de 18 milhões de dólares!

Essa matéria que saiu na Exame, no mesmo mês das grandes manifestações de 2013, é altamente reveladora de tudo o que estava em jogo nas eleições de 2014 e que continua em jogo hoje. Cito apenas um trecho da matéria:

“De vez em quando, gosto de pensar numa mudança no centro de gravidade para o Brasil, quando pensamos no investimento em pesquisa e desenvolvimento em águas profundas”, disse o vice-presidente executivo e chefe de operações da Halliburton, Jeffrey Miller.

“Elementos-chave para isso estão aqui: unidades de pesquisa, cientistas brilhantes e um mercado de exploração em águas profundas.”

Vale a pena ler, também, esse artigo de Paulo Metri, que saiu em Viomundo, no dia 22 de outubro de 2014, ou seja, apenas quatro dias antes do 2º. turno das eleições presidenciais.

Alguém ainda duvida do que está efetivamente em jogo? A quem estão servindo, conscientemente ou não, certos setores do MPF e do Judiciário brasileiro?

Empresários e executivos são mantidos há meses na prisão, sem nenhuma condenação, “preventivamente”, como forma de pressão para que se transformem em “delatores” e sejam “premiados” com a diminuição de penas e multas.

Esse não é um método utilizado em regimes democráticos, mas em ditaduras.

Kátia Gerab Baggio, professora 
de História das Américas na UFMG
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As lições de House of Cards para o governo brasileiro

Ontem comecei a ver a terceira temporada de House of Cards, e gostaria de partilhar algumas ideias que tive enquanto assistia as aventuras de Frank Underwood, o personagem de Kevin Spacey — que agora se tornou presidente dos Estados Unidos.

Em primeiro lugar, chama a atenção o papel de seu secretário de imprensa. Ele faz o papel de porta-voz na relação com a mídia, conversa com os jornalistas, escreve os discursos de Underwood, e participa do estrito núcleo político duro do presidente, basicamente formado pelo próprio Underwood, sua esposa, o chefe de gabinete, além do secretário de imprensa.

Como acredito que a série retrata, com alguma fidelidade, o mundo real dos políticos americanos e sua relação com a mídia, acho útil estabelecer comparações com o Brasil.

A nossa imprensa imita, confessadamente, sua congênere norte-americana, o que é normal, visto que os EUA tem uma democracia bem mais antiga e sólida que a nossa.

Entretanto, é preciso estabelecer diferenças. A imprensa norte-americana é uma das mais ecléticas e plurais do mundo democrático. Já foi mais, porém, na comparação com o Brasil, continua sendo plural. Sem contar os blogs de lá, que se tornaram um elemento essencial nas lutas políticas.

Há grandes jornais, mas que não possuem propriedade cruzada, ou seja, são puramente jornais, e não conglomerados de mídia e, portanto, não põem seus interesses econômicos e políticos acima de seu profissionalismo. A imprensa americana gosta de escândalos, mas não é obcecada, como a nossa, em derrubar governos.

A principal diferença, contudo, é o equilíbrio entre órgãos de imprensa vinculados aos dois principais espectros políticos do país: democratas e republicanos.

Há jornais, âncoras, blogs republicanos; e há jornais, âncoras e blogs democratas.

Entre as tvs fechadas mais populares, os republicanos tem a Fox, mais à direita. Os democratas tem a MSNBC, mais à esquerda. A audiência de ambas é parecida.

No Brasil, o governo tenta se relacionar com a mídia imitando o governo americano, mas a mídia brasileira é um bloco homogêneo de oposição.

O principal jornal, o Globo, é um império midiático do tipo que não existe nos EUA, em função da lei vigente por lá, que proíbe a propriedade cruzada.

Nesta terceira temporada, Frank Underwood enfrenta um sério problema de aprovação, o que põe em risco a sua reeleição em 2016. Ele perde o apoio de seus companheiros democratas (ele é do partido democrata) e se isola politicamente.

Então ele tem a ideia de fingir que não quer mais se reeleger, tentando ganhar espaço dentro de seu partido, e apoio para o America Works, um ambicioso programa que visa gerar 10 milhões de empregos ao custo de US$ 500 bilhões.

Os comunicadores do governo brasileiro deveriam aprender com a série. Os discursos de Underwood jamais são protocolares. Ele não perde tempo agradecendo fulano ou sicrano. O discurso inicia diretamente com alguma tirada criativa, uma técnica óbvia para prender a atenção do ouvinte. Bem diferente de Dilma, que inicia qualquer discurso agradecendo por meia hora todas as lideranças presentes, e fazendo adormecer todos os ouvintes.

No discurso que faz para anunciar que não está interessado em se reeleger e para defender o America Works, que ele pretende ser uma espécie de New Deal, Underwood cita Franklin Delano Roosevelt.

Roosevelt foi o 32º presidente dos EUA e cumpriu quatro mandatos. Fosse latino seria classificado como ultra-chavista. Seus mandatos se deram antes da aprovação da 22ª emenda, que estabeleceu o limite máximo de dois mandatos para presidentes da república.

É sempre assim. Os EUA podem tudo, até mesmo ter presidentes que cumpriam quatro mandatos sucessivos. Aqui na América Latina, seria “atentado à democracia”.

Claro que Roosevelt não fez como FHC, que aprovou reeleição para si mesmo. Ele apenas segui a Constituição, sem mudá-la.

Antes de continuar, deixemos de lado qualquer esquerdismo vulgar. Independente dos erros da política externa americana, os EUA são uma grande democracia, com uma belíssima historia de luta pelas liberdades individuais, direitos civis, e valores democráticos. Uma historia cheia de altos e baixos, avanços e recuos, mas impulsionada de baixo para cima, pela coragem de ativistas, manifestantes, juristas, artistas, intelectuais.

A citação de Roosevelt deveria ensinar Dilma Rousseff:

“O país precisa de ousada, persistente, experimentação. Faz parte do bom senso adotar um método e tentá-lo: se ele falhar, admiti-lo francamente e tentar outro. Mas, acima de tudo, é preciso tentar alguma coisa. Os milhões que estão em estado de necessidade não irão esperar silenciosamente para sempre, quando as coisas de que precisam para satisfazê-los estão ao alcance da mão.

Precisamos de entusiasmo, imaginação e habilidade para encarar os fatos, mesmo os desagradáveis, com bravura. Precisamos corrigir, com medidas drásticas se necessário, as faltas do nosso sistema econômico que nos fazem sofrer. Precisamos da coragem da juventude. A sua missão não é simplesmente abrir caminho no mundo, mas mudar o mundo que está diante de nós. Que cada um de nós tenha a coragem, a fé e a visão para dar o seu melhor que existe em nós para realizar esta mudança!”

O ensinamento, a meu ver, está em vários pontos.

1) Na forma do discurso. Um texto saboroso, sem clichês, equilibrando poesia e política, que valoriza sempre mais o interlocutor do que o emissor. Os discursos de Dilma, e do PT, em geral, se tornaram cansativos pela autopropaganda. Me parece claro que o povo brasileiro quer se ver como uma força autônoma, que contribui para o desenvolvimento de si e do país por conta de suas próprias qualidades, e não por benesses do governo. Esse é um orgulho natural, que deve ser incentivado pelo governo, até porque o país só crescerá se houver esforço, trabalho e criatividade de todo o povo brasileiro. A repetição do mantra dos 20 ou 40 milhões que o governo tirou da miséria ou levou para a classe média perdeu força política, tornou-se de repente um discurso melancólico e reacionário. O governo tem de renovar seu discurso. Ele pode até citar essa informação, mas com um outro enfoque, mais criativo, com outras palavras. O enfoque deve ser empoderar a população.

2) No conteúdo. Conforme já vimos, a mídia brasileira é um bloco de oposição monolítico, construído e consolidado na ditadura. Isso faz sofrer milhões de brasileiros e prejudica o ambiente de liberdade de expressão. O governo precisa de ideias arrojadas, persistentes, para mudar isso. Tem de mudar a sua relação com a imprensa, fomentando a criação de novos empreendimentos jornalísticos, sobretudo na área digital. É preciso demonstrar coragem e criatividade neste sentido. Será tão difícil o governo enxergar que o sistema oligopolista da nossa mídia agride a nossa democracia e provoca instabilidade política e econômica? De que adianta fazer ajuste fiscal, economizando alguns bilhõezinhos a custa do trabalhador, se a instabilidade política provocada pela mídia vai comer muito mais?

Dilma não poderia lançar uma espécie de PAC da Pluralidade da Informação, com financiamentos e subsídios à criação de milhares de mídias alternativas, para que os brasileiros possam, por fim, se libertar de uma estrutura midiática viciada, autoritária, golpista, formada numa era sem liberdade, sem democracia?

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Sobrinho de Lula recebeu propina de 2 bilhões de vidas no Candy Crush, diz Veja


Depois de presentear o ex-presidente Lula com um sobrinho que não existe e dar à criança uma festa de aniversário paga de forma suspeita que jamais aconteceu, a revista Veja Brasília teve que se desculpar. Mas isso não quer dizer que sua apuração sobrenatural vá acabar por aí.

Segundo a coluna Radar, a revista volta à carga na próxima edição, escancarando a intimidade de outro enfant terrible da família Silva. Desta vez, um sobrinho de Lula teria recebido propina de 2 bilhões de vidas no Candy Crush durante as negociações de compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Ainda segundo a revista, a assinatura do parecer técnico que permitiu a compra de Pasadena era da criança de seis anos. De acordo com um cálculo feito pela coluna, este número de vidas seria capaz de equilibrar a balança comercial do Brasil, elevar o PIB a 7% e, de quebra, entreter a população que depende do Bolsa Família, evitando assim que façam mais filhos.

M Zorzanelli
No Sensacionalista
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Deputado chavista e esposa são assassinados em Caracas

Presidente Nicolás Maduro expressou “imensa dor” pela morte do líder; autoridades pediram que venezuelanos “mantenham a calma”

Robert era conhecido pelos eloquentes discursos que fazia na AN
O deputado da AN (Assembleia Nacional) da Venezuela Robert Serra, do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), foi encontrado morto junto com a esposa, María Herrera, na noite desta quarta-feira (01/10) na residência em que viviam no município Libertador, região de Caracas.

Em coletiva de imprensa na manhã de hoje, o ministro de Relações Interiores, Justiça e Paz, Miguel Rodríguez Torres, afirmou que não se trata de um crime comum, mas "um homicídio intencional, planejado e executado com grande precisão".

De acordo com as investigações preliminares, o crime durou entre 20 e 25 minutos e foi executado com uma faca. O velório está sendo realizado na AN.

Torres pediu aos setores políticos de oposição que não utilizem a morte como "show midiático" e disse estar seguro de que "os setores conscientes saberão respeitar este momento doloroso e isolarão qualquer manifestação desrespeitosa".

A oposição, que havia convocado uma marcha para este sábado (04/10), desmarcou o ato, como afirmou o secretário-executivo da MUD (Mesa de Unidade Democrática), Jesús Torrealba. Ele explicou que se trata de um "momento doloroso para o país e dentro da política de promover um país unido, a MUD decidiu adiar a mobilização".

Devido à popularidade que desfrutava, Serra, que com 27 anos, foi o deputado mais novo da Assembleia Nacional da história do país, Torres pediu mais cedo que a militância do PSUV e da juventude chavista mantivesse a calma. “Nós garantimos que investigaremos a fundo esta situação e seguramente nas próximas horas chegaremos aos responsáveis por esta monstruosidade”, afirmou.

O presidente Nicolás Maduro, que era próximo ao deputado, expressou “imensa dor” pela morte do líder. “Robert, seguiremos com teu exemplo, leais e firmes pelo caminho da revolução que defendeu sempre com paixão”.

Também na rede de microblogs, o presidente da AN, Diosdado Cabello, chamou o jovem de “filho da pátria” e garantiu que “vamos encontrar os culpados, teremos justiça”.

No Ópera Mundi
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Mesmo com cenário delicado, luta pela democratização da comunicação avança

Foto: Instagram/Miguel do Rosário
O momento é delicado. Mas em uma perspectiva histórica, o cenário pela democratização da comunicação no Brasil nunca foi melhor. Essa é a avaliação feita pelo professor Laurindo Leal Filho, o Lalo, e por Rosane Bertotti, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Em debate na Reunião dos Núcleos Estaduais do Barão de Itararé, realizada no sábado (28), em São Paulo, eles reforçaram a necessidade de pressionar o governo pela regulação da mídia, mas reconheceram que a composição conservadora do Congresso será um empecilho. Apesar disso, ambos celebraram o fato de o tema estar em evidência na sociedade. Há 10 ou 15 anos, lembraram, o assunto era restrito a rodas de intelectuais ou sindicalistas.

“É uma luta árdua e que não termina em 2015, nem em 2016”, argumenta Bertotti. Apesar das sinalizações de Ricardo Berzoini [ministro das Comunicações], que já sentou para dialogar com o FNDC, ela opina que, enquanto a Câmara for chefiada por Eduardo Cunha, será difícil vencer essa disputa. “Precisamos fazer o processo de debate durante esse biênio”, defende, ressaltando a importância do Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC), agendado para os dias 10, 11 e 12 de abril, em Belo Horizonte. A atividade reunirá diversos setores e atores interessados na democratização da comunicação.

Foto: Gustavo Marsaioli
Para Lalo, só será possível transformar o quadro de concentração e monopólio se quebrarmos a “aura” de que a grande mídia é intocável. “Uma das razões de não haver regulação é essa subserviência dos dirigentes políticos, e até mesmo sindicais, em relação aos meios de comunicação”, avalia. “Criou-se esse consenso de que a mídia é o 'quarto poder', o que ela não é. Ela é, sim, um poder político e econômico até maior que os poderes republicanos”, reflete. “A maioria ainda se ajoelha perante o poder da mídia. No imaginário dos dirigentes, confrontar a mídia é ser derrubado”.

Um dos maiores especialistas em comunicação no Brasil, Lalo recorda que para a indústria, por exemplo, há órgãos reguladores — o CADE, no caso. “Duas empresas não podem ter duas marcas de pasta de dente e monopolizar o mercado, mas a mesma lógica não é aplicada na mídia, onde a propriedade cruzada impera.”. Não temos nem a regulação econômica, uma das promessas eleitorais de Dilma Rousseff, e muito menos a regulação de conteúdo. “Apesar de os barões da mídia acusarem censura, temos que ressaltar que o conteúdo pode provocar danos ou influenciar decisões nos corações e mentes das pessoas”.

O caminho óbvio, para Lalo, é a lei de meios. “Essa lei é para o audiovisual, que usa concessões públicas e não pode ser monopolizado por meios comerciais”, diz. “Além disso, precisamos fortalecer a comunicação pública e comunitária. Não temos, como na Argentina, na Venezuela e em outros países do continente, nenhum 'alto-falante' que faça contraponto à mídia hegemônica”.

De acordo com Rosane Bertotti, o período de mudanças concretas na vida do povo brasileiro nos últimos 12 anos contrasta com uma grande dificuldade em fazer o debate político e a disputa de ideias. “Nós, enquanto movimento social, conseguimos, pelo trabalho de base, quebrar um pouco esse processo hegemônico da mídia. Mas, mesmo assim, ela tem conseguido cumprir sua agenda conservadora”, pontua.

O Ministério das Comunicações com o ex-ministro Paulo Bernardo, avalia, deixou de ser um Ministério de debate sobre políticas para a comunicação, tornando-se apenas um instrumento das empresas privadas do setor. “O MiniCom precisa se colocar nesse debate político sobre a democratização da comunicação”, sublinha Bertotti.

Apesar de Ricardo Berzoini ter assumido a pasta com a missão de levar a cabo a regulação econômica da mídia, a coordenadora do FNDC conta que ele mesmo assinou a Lei da Mídia Democrática, de Iniciativa Popular. “Apesar disso, ele já nos avisou que não pode trabalhar com algo pronto, porque já nasceria 'morto'. A ideia dele é levar o debate para a sociedade e desmitificar o assunto”.

Conforme ela explica, a Lei da Mídia Democrática é o grande instrumento de mobilização e o ENDC, que terá uma marcha pela democratização da comunicação, deverá inflamar o debate na sociedade. “A conjuntura é difícil, mas sem dúvidas é uma bela luta. Quem luta pela democratização da mídia se apaixona, luta com sangue na veia”

Secretária-Geral do Barão de Itararé, Renata Mielli argumenta que, desde as vitórias eleitorais do campo progressista na América Latina, a mídia conservadora assumiu o papel partidário que a direita, desarticulada, não lograva cumprir. “A direita, entretanto, saiu do armário, mostrando sua faceta mais nefasta e intolerante”, observa, ponderando que o cenário atual da política é complexo e cheio de contradições. “No campo da comunicação, porém, parece haver mais convicções”, avalia. “Ou enfrentamos essa pauta estratégica que é a comunicação ou a tirania do dinheiro degolará qualquer projeto popular para o país”.

Para ela, caso o governo esteja realmente interessado em entrar nessa batalha, há muitas coisas que podem ser feitas mesmo sem lei de meios. “Há diversos pontos previstos na Constituição e no Código Brasileiro de Telecomunicações que podem ser colocados em prática”, diz. “Temos que pressionar o governo para que tome medidas. É possível obter conquistas e, consequentemente, dar amplitude às nossas bandeiras. Precisamos dessa sinalização”.

14 estados na luta pela democratização da comunicação

Evidência do fortalecimento da luta pela democratização da mídia são os 14 estados representados na reunião do Barão de Itararé, entidade dedicada à pauta e que, segundo o presidente Altamiro Borges, tem como principal característica construir a unidade na diversidade. “Podemos e devemos ter divergência em tudo, mas temos convicções unitárias quando se trata da comunicação”, frisa o jornalista e blogueiro.

São oito núcleos já consolidados, que representam o Barão de Itararé e organizam a luta pela democratização da mídia em suas regiões: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Paraná, Pará, São Paulo e Goiás. Além desses, Ceará, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia, Amazonas, Maranhão e Rio Grande do Norte já articulam a formação de seus grupos. A ideia é que, no próximo período, mais regiões abracem a tarefa de capilarizar e dinamizar a luta por uma mídia mais democrática no país.

“Cada núcleo tem seu viés, sua área mais particular de atuação”, explica Altamiro Borges. “Não é espaço de disputa por poder, pois não há poder a ser disputado. É como uma rede, bastante horizontal, com a função de agregar pessoas e formar a militância para a extensa agenda de lutas no setor da comunicação”.

Felipe Bianchi
No Barão de Itararé
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Senado começa a votar reforma política


A desincompatibilização de cargos no Executivo para disputa da reeleição, o fim das coligações proporcionais e as mudanças nas regras para criação de partidos serão os primeiros temas da reforma política a serem votados no Plenário do Senado. Segundo o secretário-geral da Mesa, Luiz Fernando Bandeira, eles foram apontados pelos líderes como prioritários para a reforma e já devem entrar na pauta da sessão deliberativa desta terça-feira (3).

O presidente Renan Calheiros convocou uma reunião de líderes com o objetivo de definir a pauta da sessão. Sobre três propostas, no entanto, já há consenso.

A primeira delas é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2011, do ex-senador José Sarney, que restringe as coligações partidárias. A matéria foi discutida na legislatura passada e aguarda votação em primeiro turno. Pelo texto, as coligações valerão somente para eleições majoritárias (presidente, governador, senador e prefeito), sendo vedada a associação de partidos para as disputas de deputados federais e estaduais e vereadores.

— Acabar com as coligações valoriza os partidos e, acima de tudo, contribui para a verdade das eleições, porque há deputados que se elegem com 600 votos enquanto outros [não se elegem] com mais de um milhão. Isso não representa a verdade eleitoral — disse o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) ao defender a proposta durante sessão temática sobre a reforma política realizada na semana passada, no Plenário do Senado.

Outra PEC confirmada na pauta é a 73/2011, que exige desincompatibilização do presidente, do governador e do prefeito que queiram se reeleger. De iniciativa do ex-senador Wilson Santiago, ela mantém a possibilidade de reeleição, mas obriga o governante a se licenciar do cargo no período eleitoral para concorrer novamente.

Outra proposta incluída nas primeiras votações da reforma é a PEC 58/2013, do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que exige para criação de um partido político o apoio de eleitores em número correspondente a, pelo menos, 1% do eleitorado nacional (hoje equivale a cerca de 1,3 milhão).

Pelas regras atuais, são exigidas assinaturas equivalentes a 0,5% dos votos válidos na última eleição para a Câmara dos Deputados (Lei 9.096/1995), o que corresponde a cerca de 500 mil assinaturas.

A mudança também foi defendida em Plenário nos últimos dias pelo senador Walter Pinheiro (PT-BA), que cobrou novas regras para criação de partidos.

— Na medida em que nosso modelo permite a criação de partido exclusivamente para um processo de trocas e barganhas no período eleitoral, não há nenhuma contribuição para o processo político. Portanto, o primeiro passo para uma boa reforma política é estabelecermos regra — afirmou.

No Agência Senado
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CPI deve requerer íntegra de correntistas secretos

Líder do PT no Senado diz gerar “especulação” a forma como os nomes envolvidos no escândalo do HSBC estão sendo vazados

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do SwissLeaks-HSBC, com instalação prevista para essa semana no Senado, deverá solicitar formalmente a divulgação da lista completa brasileiros detentores de contas secretas no banco HSBC na Suíça. Para o senador Humberto Costa (PT-PE), líder do PT no Senado, a informação é fundamental para esclarecer as suspeitas de crimes envolvendo o caso.

“Precisamos apurar se essas contas foram realmente usadas para acobertar crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, corrupção e sonegação fiscal. Para isso, a necessidade de acessar esses dados”, sustenta o senador.

A convocação do jornalista Fernando Rodrigues, responsável por blog no portal UOL, e único no Brasil autorizado a ter acesso a lista com mais de oito mil nomes, será avaliada pelo relator da CPI, ainda não nomeado.

“Creio que (Fernando Rodrigues) deve ser abordado para fornecer a lista”, defende Humberto Costa.

Foi por meio do jornalista que a “Revista Época”, da Editora Globo, teve acesso a nomes de 15 clientes, conhecidos em reportagem publicada horas depois da aprovação da abertura da CPI pelo Congresso. Os nomes configuram a pequena lista de 342 investigados pela Receita Federal no caso, também repassada por Rodrigues.

Para o senador Humberto Costa, causa estranheza a forma como os nomes estão sendo aparecendo. “Causa especulação. Ou é para preservar uns, ou prejudicar outros”, observa.

Entretanto, o senador afirma que a CPI, caso julgue necessário, poderá solicitar a íntegra dos documentos ao governo suíço ou Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), detentor dos 60 mil arquivos vazados pelo ex-funcionário do banco inglês HSBC, Herve Falciani. Os dados revelam a existência de mais de 100 mil contas secretas, usadas para movimentar mais de US$ 100 bilhões, entre 1988 e 2007.

A bancada do PT no Senado irá discutir a participação do partido na CPI, em reunião marcada para esta terça-feira (3).

Flávia Umpierre
No Agência PT de Notícias
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Eduardo Cunha anuncia assinatura vitalícia do Netflix para as esposas dos deputados

Claire Underwood pediu que o marido aprove o pagamento de passagens aéreas para cônjuges
BRAZIL - Fim do mistério. No dia de estreia da terceira temporada de House Of Cards, o Netflix revelou que a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara não passou de uma ação de marketing para divulgar a série. "A campanha viralizou mais do que imaginávamos. Conseguimos mídia espontânea em jornais e revistas, além de aumentarmos nosso market share em 15%", revelou o presidente da empresa, Reed Hastings.

Como parte da ação de marketing, Cunha anunciou que as esposas dos parlamentares terão direito a uma assinatura vitalícia do Netflix. "Além de House of Cards, nossas mulheres poderão se esbaldar com a minissérie sobre a Bíblia. Só não recomendo a ninguém assistir àquele Modern Family, um seriado que esculhamba os conceitos tradicionais da família cristã", explicou.

Animado com a distribuição de assinaturas vitalícias para quem fizer propaganda do Netflix, o redator deste Herald pede que a empresa entre em contato pelo email site@revistapiaui.com.br.

Eduardo Cunha aprova cota produtos Jequiti para esposas de parlamentares
Cunha aprovou a criação de uma comissão que vai organizar um biribinha toda terça à noite
SUCUPIRA - Fiel às promessas que o elegeram presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha apresentou um pacotão de bondades para as esposas dos parlamentares. "Além de passagens aéreas, vale-compras na Riachuelo e auxílio-botox, negociei uma cota de produtos Jequiti", comemorou, abrindo uma caixa com uma dúzia de Colônias Desodorantes Femininas Chiquititas Diversão, 25ml.

Cunha anunciou que está nas tratativas finais da criação de um programa de fidelidade. "Quem fechar comigo vai acumulando pontos que podem ser trocados por diretorias de estatais, cargos comissionados, gasolina Petrobras, pacotes da CVC, iPhones e mercadorias do Baú da Felicidade", revelou, entusiasmado.

Incansável em sua luta em prol do povo brasileiro, Eduardo Cunha ainda colocou em pauta a votação do Dia do Orgulho Calvo.

Eduardo Cunha pleiteia Oscar de melhor ator

"Brasília is alive, with the sound of corruption", cantou o deputado
REPÚBLICA DE ELDORADO - Indignado com o resultado do Oscar 2015, Eduardo Cunha se aliou ao PSDB para pedir a recontagem de votos da Academia. "Venho desempenhando um trabalho impecável de atuação, reconhecido por todos os meus pares, e acabo ignorado por esses esnobes yankees! O nosso povo merece res-pei-tooo! Exijo um Oscar pelo conjunto da obra", reclamou, enfurecido, com o dedo em riste.

Na sequência, Cunha mudou o tom e lançou um olhar de beagle faminto para negociar com Hollywood para que o PMDB tenha maioria na Academia a partir de 2016. "Vou levar para os Estados Unidos os pedidos de alguns amigos parlamentares. Aécio Neves, por exemplo, quer o Oscar de melhor barba original", explicou. Em seguida, emendou uma sequência de músicas da Mary Poppins.

Enfurecida, Dilma Rousseff saiu de seu bunker para reprimir o presidente da Câmara. "Meu querido, eu emagreço 68 quilos e não mereço uma estatueta?", questionou. Cunha fez uso imediato de seu olhar de paisagem nº 22.

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Cortaram as asas do super Cunha em pleno voo

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/03/03/cortaram-as-asas-do-super-cunha-em-pleno-voo/


Com seus olhos sempre arregalados, a ave agourenta que sobrevoava soberana pelos céus de Brasília, no melhor estilo do corvo Carlos Lacerda, teve que fazer um pouso de emergência. As asas de Eduardo Cunha, o suprapartidário e plenipotenciário presidente da Câmara, foram cortadas em pleno voo.

O super Cunha se empolgou demais com os poderes subitamente adquiridos em apenas um mês, e exagerou na dose, ao afrontar a opinião pública, com algo que soou como deboche num momento em que o país e os brasileiros enfrentam graves dificuldades econômicas.

Ao fornecer passagens aéreas de graça por conta da Câmara, ou melhor, com o nosso dinheiro, para os cônjuges dos parlamentares, entre outras benemerências, que custarão mais R$ 150 milhões por ano aos cofres públicos, o novo herói da oposição midiático-financeira e dos setores mais retrógrados da sociedade brasileira percebeu que já tinha ido longe demais.

"Não acho que foi precipitado nem que deveria tomar mais cuidado. Acho muito bom quando se faz uma atitude e pode ter tranquilidade de vir rever. Não somos imunes a críticas e possíveis erros", justificou, candidamente, ao anunciar, na segunda-feira, que os voos da alegria das românticas excelências estão temporariamente cancelados.

Que gracinha!, como diria minha velha amiga Hebe Camargo. Faz uma atitude? Vir rever? Garboso, Cunha recuou, mas não deu o braço a torcer, e ainda disse que a medida foi mal interpretada como regalia. "Foi uma repercussão muito negativa. Não houve entendimento correto". Quer dizer, somos todos burros.

Às vésperas da eleição na Câmara, Cunha encontrou tempo para ir a uma reunião de mulheres de parlamentares a quem garantiu a volta da "bolsa esposa", que tinha sido suspensa em 2009. Durante sua campanha, ele prometeu mundos e fundos (os nossos fundos, claro) aos seus 512 colegas, como se fosse candidato a presidente do sindicato dos deputados.

Entre outros projetos, o mais grandioso é a construção de um shopping center próximo ao prédio do Anexo 4 da Câmara. Como se quatro anexos à obra original de Niemeyer não fossem suficientes para abrigar os deputados, seus assessores e todas as mordomias, Cunha agora pretende erguer o Anexo 5, com três prédios, um plenário e o shopping numa parceria público-privada.

As PPPs foram criadas para permitir a participação da iniciativa privada em obras públicas, mas será que é este o caso? A construção está estimada no módico valor de R$ 1 bilhão que, para os padrões do presidente da Câmara, não deve representar muita coisa. "Ninguém vai fazer shopping com dinheiro público", garantiu. Mesmo que isto aconteça de fato, o que se pergunta é: para quê deputados precisam de um personal shopping em plena praça dos Três Poderes? Não têm mais o que fazer?

Nas horas vagas, o super Cunha se dedica a aprovar projetos de sua autoria que criam o "Dia do Orgulho Heterossexual" e a punição, com reclusão de um a três anos de prisão, a quem cometer atos considerados discriminatórios contra heterossexuais num país em que 200 homossexuais são assassinados a cada ano.  Ao mesmo tempo, luta pela aprovação do Estatuto da Família que, entre outros retrocessos, veta a adoção homoafetiva.

E vamos que vamos.

Em tempo: O Ministério Público Federal deu um prazo de 20 dias para a Câmara dos Deputados revogar a decisão que autoriza o fornecimento de passagens aéreas para cônjuges de parlamentares. O não cumprimento desta recomendação do MPF pode provocar uma ação judicial por improbidade administrativa contra os responsáveis pela criação de mais esta mordomia, a começar pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
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Prefeito que incitou caminhoneiros agora culpa “pessoal do PT”


prefeito


O Ministério Público estadual recomendou ao prefeito de Cruz das Almas, Raimundo Cavalcante Silva, a exoneração imediata da secretária municipal de Saúde Cecília Maria Barbosa Santos Silva do cargo. O desligamento deve ser comunicado ao MP no prazo máximo de 20 dias.

Segundo o promotor de Justiça Adriano Marques, autor da recomendação, a permanência de Cecília Silva à frente do órgão configura prática de nepotismo, uma vez que ela é esposa do prefeito. Marques informa que Cecília foi nomeada para o cargo por meio de um decreto de 15 de outubro deste ano, sem que ela tenha qualquer especialização na área de saúde ou qualificação em gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) ou na área médica, que justificasse a excepcionalidade para sua indicação à titularidade da pasta.

Do Bahia Notícias:

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PS do Viomundo: O prefeito é médico!

Charles Carmo
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Moradores de favelas movimentam R$ 68,6 bilhões por ano, mostra estudo

Pesquisa Data Favela mostra situação econômica de moradores.
Na foto, a comunidade da Rocinha, localizada na zona sul do Rio
Tomaz Silva/Agência Brasil
Os moradores de favelas movimentam R$ 68,6 bilhões por ano, segundo pesquisa do Data Favela, feita com o apoio do Data Popular e da Central Única das Favelas (Cufa). A pesquisa mostra ainda que o aumento da renda média, proporcionado principalmente pelo crescimento real do salário mínimo e do emprego formal, tem permitido que os 12,3 milhões de pessoas que vivem nessas comunidades participem do mercado de consumo.

Os dados preliminares do estudo, divulgados hoje (2), indicam que, em 2015, 75% das casas têm máquina de lavar roupas. No levantamento de 2013, o índice era 69%. Em relação à posse de TV de plasma, LED ou LCD, os aparelhos estão presentes em 67% das residências, contra 46% em 2013. O estudo revela ainda que subiu de 20% (em 2013) para 24% o percentual de moradores que têm carro.

Também cresceu, no entanto, o número de moradores de favelas endividados. Em 2013, 27% deles tinham dívidas, em 2015 são 35%. A faixa etária entre 35 e 49 anos tem o maior percentual de endividados, 45%. A inadimplência ficou no mesmo nível: 22% têm contas atrasadas há mais de 30 dias, 53% dizem que está difícil manter as contas em dia e 80% têm medo da inflação.

A pesquisa foi feita, em fevereiro deste ano, com base em 2 mil entrevistas de moradores de 63 favelas, em dez regiões metropolitanas – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. A pesquisa completa será divulgada amanhã (3) no 2º Fórum Nova Favela Brasileira, no Complexo Ohtake Cultural, zona oeste da capital paulista.

Daniel Mello
No Agência Brasil



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Que fazer com o professor que chama Lula de larápio e Dilma de bucéfala?

Sem limites
Boa parte do ódio que domina a classe média conservadora brasileira se multiplica nas redes sociais, notadamente o Facebook.

É o ódio gerando mais ódio, como gravetos lançados a uma fogueira.

O que mais chama a atenção não é a virulência das agressões — mas a completa impunidade que os predadores digitais encontram para caluniar suas vítimas.

Um caso exemplar é o do médico André Márcio Murad, professor da UFMG.

Ele fez de sua página no Facebook uma fábrica incessante de ataques virulentos a Lula, Dilma e ao PT.

Lula é larápio, Dilma é bucéfala e jumenta, o PT é uma organização criminosa.

Num determinado momento, ele avisou no Facebook que era a favor de um golpe militar urgente.

Suas postagens furiosas foram postadas e reproduzidas livremente até o DCM noticiá-las ontem, depois que um leitor nos informou sobre elas.

Murad removeu sua página imediatamente. Sua valentia terminou abruptamente.

Murad é um entre tantos que estimulam o ódio entre os brasileiros.

A grande questão aí é: por que ninguém coíbe esse tipo de comportamento criminoso?

Os advogados do PT não fazem nada? E os do governo?

O mínimo que se deve fazer, nestes casos, é dizer ao agressor: você vai ter que responder na Justiça por me chamar de ladrão.

Se Murad estivesse postando coisas racistas, ele já estaria encrencado na Justiça há muito tempo. O que ele faz — como tantos outros assemelhados — não é um crime menor. É, apenas, diferente.

Não se pode tolerar.

Imagino o que ocorreria com ele se fosse britânico e postasse acusações contra o premiê David Cameron. Quantas horas ele teria entre a primeira postagem e uma dor de cabeça jurídica que rapidamente o levaria à cadeia?

Poucas, poucas.

No Brasil, reina a impunidade.

Curiosamente, os conservadores se defendem muito bem. Ali Kamel, por exemplo, processou Miguel do Rosário, do Cafezinho, por ter sido chamado de “sacripanta”, um elogio entusiasmado diante do que Murad fala de Lula e de Dilma.

É preciso civilizar as redes sociais, em nome do interesse público. Abutres não podem se servir delas para promover um estado de espírito bélico na sociedade.

Nas palavras de um estadista britânico que se bateu contra barões da mídia, a liberdade sem responsabilidade é atributo, ao longo dos tempos, das marafonas.

Você pode ter liberdade para escrever o que quiser — desde que assuma a responsabilidade pelo que disse.

Que Murad faria se alguém começasse a usar contra ele os adjetivos que ele emprega contra Lula?

Iria chamar um advogado e processar o ofensor, naturalmente.

É isso que todo mundo deve fazer.

Repito: em nome do interesse público. Reprimir a selvageria irresponsável e irracional de pessoas como Murad é um passo essencial para mitigar o ódio que mancha e divide o país.

Paulo Nogueira
No DCM
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Veja assume que faz jornalixo


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O fim da religião

Tornaram-se muito populares, nos anos recentes, vídeos que mostram sessões de exorcismo e supostas curas de males produzidos pelo demônio. Também tem causado muita repercussão manifestações polêmicas do papa Francisco, que se expressa publicamente sobre temas em voga na mídia, como as relações homoafetivas, educação infantil e uso de drogas. Da mesma forma, ganham espaço na imprensa manobras de parlamentares brasileiros tentando impor uma agenda religiosa sobre questões de Estado. No entanto, não estamos falando de religião.

Temos tratado, no Observatório da Imprensa, do efeito crescente da mídia sobre a sociedade, especialmente na expansão exponencial da cultura de massa, impulsionada pelas tecnologias digitais de comunicação, e de como esse efeito se dá pela construção de simulacros.

O propósito é refletir sobre as consequências de se vivenciar a cópia em vez da vida real, e de observar como grandes contingentes de cidadãos podem ser levados a tomar atitudes contrárias a seus próprios interesses por causa dessa distorção.

Uma busca na internet em torno do nome do papa vai mostrar uma coleção de frases de grande apelo midiático, algumas beirando ideias progressistas, outras repetindo o espírito conservador da Igreja Católica. De vez em quando, ele experimenta uma polêmica, como quando tratou de planejamento familiar, mas em geral suas afirmações tomam o caminho fácil do lugar comum. E o lugar comum é um terreno pantanoso nesta contemporaneidade movida a mudanças.

Por outro lado, no território da mídia nacional, chama atenção a proliferação de eventos televisivos que têm como atração principal a figura do demônio. Explica-se: nos últimos cinco anos, duas das principais organizações chamadas neopentecostais vêm disputando a hegemonia no setor que os estudiosos chamam de “evangelho da prosperidade”, no qual o fiel busca não apenas a salvação de sua alma, mas principalmente um negócio com a divindade que lhe garanta o bem-estar material imediato.

O que esses episódios têm em comum é que nem os líderes das seitas chamadas de neopentecostais, nem o papa, estão praticando religião quando usam a mídia. Estão apenas construindo a imagem que vai posicioná-los nesse contexto mercadológico.

O negócio do diabo

O terreno do sagrado tem outras dimensões e, para a prática dos crentes, precisa apenas de fé e doutrina. As manifestações periféricas, como a cena de um papa chutando uma bola ou de um pastor, profeta, apóstolo (ou como queira ser chamado o líder da congregação), sacudindo o diabo para fora do corpo de alguém, são ações típicas de relações públicas.

No caso de Satanás, o filósofo Vilém Flusser já tratou de desmoralizá-lo publicamente, em sua biografia (não autorizada) intitulada A história do diabo. O personagem que frequenta templos da Igreja Universal do Reino de Deus, da Igreja Mundial do Poder de Deus e outras denominações semelhantes, é um simulacro do ser mítico que habita ainda hoje os temores mais recônditos do ser humano. Trata-se de um personagem de circo.

Aquilo que a mídia muitas vezes chama de religião nada mais é do que a encenação de um compromisso de negócio cuja principal característica é a monetização da salvação da alma que, para ser concretizada, necessita de um processo de securitização, no qual o risco permanente e cotidiano é a ameaça do demônio.

O pagamento do dízimo é o sinal que o crente dá para a aquisição do produto-salvação, que vem com o benefício da prosperidade. Mas esse patrimônio precisa ser protegido pelo seguro contra todas as tentações que possam afastar o fiel desse comércio.

A mulher que se celebrizou no Youtube (ver aqui) por declarar que seu intestino passou a funcionar por causa do “travesseirinho santo” do líder da Igreja Mundial, estava testemunhando o cumprimento desse contrato: o anjo caído havia dado um nó em suas tripas, e bastou comparecer ao culto, adquirir a pequena almofada azul e amarrá-la na cintura para desobstruir seu fluxo intestinal. Têm o mesmo sentido as sessões em que homossexuais são “curados”, numa repetição constante de um espetáculo no qual o demônio é a atração principal.

Qual é o problema? Nenhum, a não ser o fato de que não se trata de religião. Trata-se de um negócio que ocupa canais públicos de rádio e televisão, enquanto as emissoras educativas vivem às moscas e emissoras comunitárias são caçadas como piratas.

Luciano Martins Costa
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Laerte vê o PMDB

Laerte
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Ricardo Semler: “A corrupção não é um problema público, é um problema privado enorme”


Em entrevista, empresário tucano reafirma sua percepção de que “nunca se roubou tão pouco” no Brasil e estende a responsabilidade do problema para o setor privado. “Eu quero ver alguém vender pra uma grande montadora no Brasil sem dar propina para um diretor de compras”, questionou

“A corrupção é muito mais endêmica do que parece, não é um problema ‘só’ brasileiro. E não é um problema público, é um problema privado enorme”.

A declaração é de Ricardo Semler, empresário filiado ao PSDB, em entrevista concedida ao programa Diálogos com Mário Sérgio Conti, exibida na noite desta quinta-feira (26) na Globo News. (assista abaixo). Em novembro de 2014, Semler já havia ido na contramão da cobertura noticiosa da mídia tradicional quando, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, afirmou que “nunca se roubou tão pouco no Brasil”, fazendo alusão a uma “santa hipocrisia” da elite em relação às denúncias na Petrobras. Agora, voltou à carga analisando a questão da corrupção no país e no mundo.

Na entrevista, Semler falou a respeito da percepção que as pessoas em geral têm, de que a corrupção no Brasil alcança índices escandalosos, fazendo um paralelo com a visão sobre a violência. “Nunca se matou tão pouco. Se voltar pra Guerra Civil espanhola, [com] Franco são 21 milhões de pessoas; Segunda Guerra Mundial, Primeira Guerra Mundial, Guerra dos 30 Anos, Guerra dos Cem Anos… Nunca morreu tão pouca gente. No entanto, esse ‘atacado’ das grandes guerras está no ‘varejo’”, explica. “E a internet, a facilidade de comunicação, faz com que tudo fique óbvio e conhecido por todo o mundo”, pontua, fazendo a comparação: “Com a corrupção é a mesma coisa, ela era no ‘atacado’. Quando eu listasse pra você o xá do Irã, Idi Amin Dada, estou falando de 10, 15, 20 bilhões de dólares pra cada pessoa. Não estou defendendo, mas o que quero dizer é que agora estamos em um momento em que aparece muito [a corrupção] e que veio pro varejo, o que é um grande problema.”

O empresário tenta dimensionar o problema da corrupção, afirmando não só que não se trata de um problema tipicamente brasileiro, como também não é novo. “Há 20 anos roubava-se um percentual sobre todos os barris de petróleo que vinham para o Brasil. Se fizesse uma investigação hoje, queria saber com as empreiteiras como foi a construção de Itaipu, Transamazônica, Brasília… Os números hoje são pequenos, mas não são defensáveis”, afirma, criticando a postura do PT no governo em seguida. “O PT enfiou os pés pelas mãos ao achar que precisava jogar o jogo do Brasil do jeito que se joga porque senão não tinha chance. É uma pena, porque o PT era a última esperança de vir alguém e dizer ‘não vou jogar desse jeito’. Mas não quer dizer que o roubo está aumentando, ele está no varejo, está na internet e então aparece ‘pra burro’.”

Embora o foco da mídia de uma forma geral seja a ação de agentes públicos, Semler afirma que a corrupção é algo comum também no âmbito privado. “Quem olhar a iniciativa privada, porque se diz ‘isso é uma coisa pública, esses políticos, Brasília…’. Eu quero ver alguém vender pra uma grande montadora no Brasil sem dar propina para um diretor de compras, que é de uma empresa multinacional alemã, americana…. Não vende pra muitas delas. Propina pro comprador, negócio privado. Pra grandes redes de supermercado, vai lá e pede pra botar seu produto na gôndola mais perto. Vender prótese para hospital particular, os grandes nomes do Brasil, não vende sem corrupção”, diz.

A circunscrição do problema também estaria equivocada já que, segundo o empresário, trata-se de um fenômeno global que atinge países como China, Rússia e Estados Unidos, ainda que de formas distintas. “No tempo Bush, Dick Cheney, Halliburton, 800 bilhões de dólares em armamentos comprados dos amigos… Agora, eles [EUA] estão no atacado, então você vai pra Miami, dirige, e o guarda de trânsito não te pede nada. Porque [a corrupção] é lá em cima, na hora que o cara vende armamento pra um país inteiro pra destruir o Afeganistão.”

De acordo com Semler, a corrupção estaria relacionada com a desigualdade e a submissão das pessoas em relação ao poder do dinheiro. “Quando se pensa um pouco, de onde vem a corrupção? Do desejo de ter o dinheiro que é necessário para a pirâmide social. Hoje, se eu conseguisse convidar as 85 pessoas certas para um coquetel lá em casa, os 85 mais ricos do mundo, eu teria gente que tem mais patrimônio que 2,2 bilhões de pessoas no planeta. Há uma coisa profundamente errada nisso”, pondera. “Achamos que moramos em um mundo cada vez democrático, mas a verdade é que a gente vive em uma monarquia e somos todos súditos do ‘King Cash’, o ‘Rei Grana’. Agora, dinheiro é tudo, e se dinheiro é tudo, a corrupção tende a aumentar de forma capilar, no varejo. Por isso que digo que o valor que se rouba tenho certeza que é menor, mas tem muito mais gente interessada no seu quinhão desta corrupção.”

Para Semler, este cenário só teria chance de ser alterado caso haja uma mudança na educação, que ainda é baseada em um modelo fordista segundo sua avaliação. “A resposta, pra mim, está no jardim de infância, infelizmente demora um pouco. O fato é que nós estamos em um sistema educacional — que estamos tentando melhorar, mas ele é ruim em qualquer lugar do mundo — baseado numa linha de montagem do Henry Ford em 1908 que diz ‘preciso passar um milhão de pessoas pela escola e fornecer para a indústria’”, argumenta. “Mas aquele emprego já acabou. Nós só tínhamos a cabeça pra manter a informação, hoje toda a informação está disponível em trinta segundos no Google, o que estamos fazendo treinando a cabeça das pessoas? Está na hora de, no jardim de infância, a gente parar pra pensar no que está certo, no que está errado, quais são as questões fundamentais de vida em sociedade, cidadania etc. É isso que vai resolver o problema da corrupção logo, logo, em trinta, quarenta, cinquenta anos. Não vai ser em dois meses.”

No Fórum



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Tucano Richa desmorona no Paraná; PSDB tem motivos pra temer as ruas

Um tucano em apuros: será que Richa está satisfeito com a baderna
promovida pelo risonho Aécio?
Escrevi há alguns dias que a direita (ou seja, FHC e sua turma) piscou, e decidiu não encampar as manifestações do dia 15. Um dos motivos: Dilma está desgastada, mas um movimento brusco contra ela pode levar no redemoinho também os tucanos (clique aqui para entender por que o PSDB teme Lula e morre de medo das ruas).

Claro que o PSDB age com a malandragem de quem não gosta de brigar nas ruas (e prefere terceirizar o golpe). Se a ideia de derrubar Dilma colar, e for “inevitável”, aí os tucanos encampam a tese. Mas não vão correr na frente.

Pois bem,  uma pesquisa no Paraná (clique aqui) mostra que há motivos mesmo para que o PSDB se assuste: o governador Richa, eleito no primeiro turno, viu sua popularidade despencar em menos de 3 meses. Enfrenta uma rebelião popular nas ruas: 3 de cada 4 paranaenses rejeitam o governo tucano. Mais que isso: no Paraná, Requião não tem medo de fazer oposição, e enfrenta Richa com as armas que possui (TV improvisada na internet, disposição para o debate permanente, ideológico, contrapondo-se à lógica privatista do PSDB paranaense).

Sim, o povo na rua não empareda só Dilma. Joga nas cordas Richa e o PSDB. E em São Paulo Alckmin pode ir junto para a lama do Cantareira… Alckmin olha para os números do Paraná e deve pensar: “Richa, não quero ser você amanhã (mas estou quase lá).”

Pior: no meio do caminho, antes da marcha golpista do dia 15, haverá a lista de Janot. A lista dos investigados deixará a nu a hipocrisia do PSDB. Entre os investigados por corrupção haverá, sim, tucanos e gente da oposição ao governo Dilma. Ficará difícil atribuir ao PT — e só ao PT — os males de toda corrupção.

Mais que isso: se o governo Dilma (em hipótese) se desmanchasse, teríamos eleição. Ok, e quem seria o nome favorito? Pouca gente duvida: chama-se Lula.

Então, o quadro é confuso dos dois lados. O PT e Dilma se desgastam. Mas os tucanos começam a ir junto porque é o sistema político que pode se esborrachar. Um quadro perigoso.

Os tresloucados do golpe estão mexendo com coisa séria. A democracia brasileira será colocada à prova nos próximos meses.

Dilma, que está calada, saberá falar na hora certa? É o que se espera.

Já não se trata de “salvar” o PT ou o lulismo. Mas de preservar o jogo democrático e o Estado-Nação – numa época em que, ao poder imperial, interessa criar estados zumbis (sem ação nem comando), como vemos no Oriente Médio (Iraque, Líbia, Síria – um vazio de poder) e no sul da Europa (Espanha, Portugal, Grécia — humilhados pelo mundo das finanças).

No Brasil, por enquanto, já há um zumbi: chama-se Richa — um tucano levado à lona pela “esperrrrteza” dos mervais, reinaldos, aécios e outros celerados que tentam jogar gasolina na fogueira.

Vejam os números do Paraná…

da Gazeta do Povo (PR)

Passados três meses da posse no segundo mandato, a avaliação do governador Beto Richa (PSDB) despencou entre os eleitores. Conforme levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, encomendado pela Gazeta do Povo, 76% dos paranaenses desaprovam o atual governo. O número é quase 50 pontos porcentuais maior do que os que avaliavam negativamente a gestão estadual no final do primeiro mandato do tucano.






Em dezembro do ano passado, Richa já havia amargado sua pior avaliação desde 2011, segundo o Paraná Pesquisas. Na ocasião, 65% dos paranaenses aprovavam sua administração.




Agora, em meio à crise financeira e política do estado, o índice caiu para quase 20% de aprovação. Em novembro de 2011, o tucano havia atingido quase 74% de aceitação entre os eleitores — os índices praticamente se inverteram desde então.

A perspectiva dos eleitores paranaenses em relação à atuação do governo do estado nos últimos meses também é negativa. Em dezembro, 46% dos entrevistados pelo instituto apontavam que Richa estava conduzindo o primeiro mandato melhor do que o esperado. Na pesquisa divulgada agora, apenas 3% fizeram a mesma avaliação, enquanto 71% dos pesquisados disseram que o governo do tucano está caminhando pior do que a expectativa.

Para quase 23% dos paranaenses, Richa está mantendo a perspectiva dos eleitores – há três meses, o índice era de 35%.

Risco de reeleição



Se as eleições fossem hoje, o governador Beto Richa correria sério risco de não se reeleger — ao menos no primeiro turno —, conforme aponta o levantamento encomendado pela Gazeta do Povo. Isso porque 57% dos eleitores que votaram no tucano afirmaram ao Instituto Paraná Pesquisas que mudariam de posição, ou seja, não votariam em Richa novamente.

Apenas 38% dos entrevistados disseram que manteriam o voto. No final do primeiro mandato, quase 91% dos que se autoproclamaram eleitores de Richa disseram que votariam no governador novamente e apenas 6% haviam mudado de posicionamento.

Entre os que não votaram no governador, o índice é ainda mais baixo: apenas 4% dos eleitores pesquisados escolheriam o tucano nas urnas se a eleição fosse hoje. Em dezembro, 24% dos entrevistados disseram que votariam em Richa mesmo não tendo escolhido ele há quatro anos.

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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O silêncio da mídia

O HSBC é um gigante do mercando financeiro mundial, com 254 mil funcionários em 6.200 escritórios e agências em 129 países, somando mais de 52 milhões de clientes no mundo inteiro.

No ranking de 2014 da revista inglesa The Banker, o HSBC, com sede em Londres, aparece como a segunda marca bancária mais valiosa do mundo, no valor de quase 27 bilhões de dólares.

Um poderio que se manifesta também no Brasil, onde o banco assumiu as operações do antigo Bamerindus. Com sede em Curitiba, o HSBC opera em 565 municípios brasileiros com 933 agências, além de quase 500 postos de atendimento bancários e mais de 5 mil caixas automáticos, com uma carteira de 3 milhões de clientes individuais e outros 320 mil como empresas.

Numa instituição tão grande, um passo em falso se transforma em desastre.

O desastre virou um escândalo planetário no início de fevereiro passado, quando o HSBC virou protagonista, na definição do jornal londrino The Sunday Times, da “maior evasão de impostos da História”. A notícia tem como fonte original um especialista em informática do HSBC, o franco-italiano Hervé Falciani, hoje com 43 anos, que o banco havia transferido de Mônaco para sua filial suíça em Genebra. Lá, ele descobriu o método criminoso que ele definiu assim para a revista alemã Der Spiegel: “Bancos como o HSBC criaram um sistema para enriquecer às expensas da sociedade, através da assistência para evasão de impostos e lavagem de dinheiro”.

Procurado pela polícia suíça como “ladrão de dados bancários”, Falciani fugiu para a França em 2008 carregando uma bagagem explosiva: 600 arquivos com mais de 100 GB (gigabytes) de 60 mil documentos de 2006 e 2007 contendo os dados bancários de 106 mil clientes abonados de 203 países, operando uma fortuna de 204 bilhões de dólares através de 20 mil empresas off-shore ancoradas em paraísos fiscais e numa discreta rede de conexões financeiras internacionais.

Especialistas da Direção Nacional de Investigações Tributárias da França começaram a decifrar os dados codificados fornecidos por Falciani, depois compartilhados com autoridades do Reino Unido, Itália, Espanha, Bélgica e Grécia. Em 2012, Falciani depôs ante um subcomitê de investigação do Senado dos Estados Unidos, mais preocupado com a eventual ramificação da lavagem de dinheiro com o terrorismo. A investigação do Congresso só não evoluiu porque, em julho de 2013, o HSBC aceitou pagar uma multa de 1,9 bilhão de dólares para não ser levado a juízo nos Estados Unidos pela acusação de lavar dinheiro para os cartéis latino-americanos das drogas.

Até que os arquivos explosivos de Falciani chegaram às mãos do mais importante jornal da França, o Le Monde.

O Brasil no topo

A dimensão planetária da denúncia sobre o HSBC era tão massiva que levou o jornal Le Monde a abrir mão da exclusividade do material de Falciani e pedir ajuda na investigação ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos — ICIJ, na sigla em inglês —, uma rede global de 185 profissionais de investigação espalhados por 65 países. Concluído o trabalho, o material foi repassado pelo ICIJ a grandes jornalistas de jornais importantes do mundo inteiro.

E o que isso tudo tem a ver com o Brasil? Tem tudo a ver.

A denúncia contra o HSBC mostrou o Brasil no topo da cadeia criminosa. Na lista revelada por Falciani, estão 8.667 brasileiros que respondem por 6.606 contas que movimentaram ou depositaram ali, entre 2006 e 2007, cerca de 7 bilhões de dólares.

Em número de clientes endinheirados do HSBC, o Brasil ocupa um destacado quarto lugar, superado apenas pela Suíça (11.235 nomes), França (9.187) e quase empatado com o Reino Unido (8,844). Em volume de dinheiro depositado, o Brasil conseguiu sua vaga no Top Ten do ranking: é o nono colocado, acima de potências de milionários como Arábia Saudita (11º lugar) e de notórios paraísos fiscais como Ilhas Cayman (15º), Ilhas Virgens Britânicas (17º), Luxemburgo (24º), Liechtenstein (27º) e Jersey (34º).

Em reais, isso representa uma quantia equivalente a 20 bilhões de reais, exatamente o que o governo Dilma Rousseff pretende arrecadar com o pacote de maldades que resume o ajuste fiscal desenhado pelo ortodoxo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O conteúdo dos documentos do HSBC ganhou as manchetes e os espaços da grande imprensa no mundo, sob a grife de “SwissLeaks”.

O Le Monde, durante dois dias seguidos, dedicou vinte páginas para o assunto. O escândalo ganhou a primeira página de jornais importantes como o Financial Times, na Inglaterra, e o The New York Times, nos Estados Unidos. Hervé Falciani, o pivô da denúncia, ganhou a capa da revista L’Express, o mais importante semanário francês, como “O homem que faz tremer o planeta”.

No Brasil, estranhamente, o “SwissLeaks” do HSBC mereceu um estridente silêncio da grande imprensa. Apesar do volume de dinheiro envolvendo brasileiros, que rivaliza com as falcatruas descobertas pela Operação Lava Jato, o assunto ficou pendurado em notas modestas, quase envergonhadas, penduradas em lugares discretos da primeira página ou escondidas nas páginas internas.

Nota seca

Apesar do evidente interesse público de um assunto tão polêmico e bilionário, a pauta do “SwissLeaks” vaza na imprensa brasileira pelo esforço quase solitário de blogs e blogueiros desvinculados da grande mídia. Blogs como Megacidadania e O Cafezinho, sites como Brasil247 e Diário do Centro do Mundo ou blogueiros como Miguel do Rosário e Luís Nassif vasculham e revelam dados que não se vê, nem se lê nos grandes veículos de comunicação.

Na terça-feira (17/2), o site Jornal GGN, de Nassif, repassou uma informação de um jornalista de Hong Kong, na China, que conseguiu descobrir os nomes e endereços de 93 contas da lista do HSBC relacionadas a brasileiros. Uma ninharia perto dos quase 9 mil brasileiros que fazem parte desta listagem ainda inédita.

Para milhões de brasileiros, o Jornal Nacional, da Rede Globo, ainda é a única, talvez a mais importante fonte de acesso às notícias do país e do mundo. No sábado (21), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou que o HSBC entrou em sua alça de mira. Esta decisão mereceu do JN daquela noite uma nota seca, de apenas três frases e 59 palavras, lidas em 25 segundos pela apresentadora do telejornal, sem qualquer imagem:



“A Procuradoria Geral da República abriu investigação para apurar se brasileiros mandaram dinheiro ilegalmente para a Suíça, no caso que ficou conhecido como SwissLeaks. De acordo com a Associação Internacional de Jornalistas (sic), o banco HSBC teria ajudado clientes a esconder bilhões de dólares entre 2006 e 2007. Entre os investigados estão acusados da Operação Lava Jato”.

E mais não disse, nem mostrou o Jornal Nacional.

Nesse imenso cone de silêncio sobre questão tão grave, é ainda mais surpreendente que uma lista tão importante seja de conhecimento de um único jornalista brasileiro, Fernando Rodrigues, do portal UOL. Membro no Brasil do ICIJ, que espalhou a lista pelo mundo, Rodrigues é um renomado profissional, vencedor por quatro vezes do mais importante troféu da imprensa nacional, o Prêmio Esso — um sobre a compra de votos para a emenda da reeleição inaugurada por Fernando Henrique Cardoso, outro sobre a criação do banco de dados “Controle Público”, com a declaração de bens de seis mil políticos brasileiros. O UOL é o portal de maior conteúdo da língua portuguesa no mundo, com mais de 1.000 canais de notícias e sete milhões de páginas com quase sete bilhões de acessos a cada mês.

Apesar dessas honrosas credenciais, o jornalista e o portal não revelam a íntegra da lista com os nomes de brasileiros. Apenas 11 nomes do HSBC, todos ligados à corrupção na Petrobras investigada pela Lava Jato, foram apontados. A política editorial que explica esta revelação seletiva foi assim justificada pelo exclusivo detentor da lista brasileira: “A lista completa nunca será publicada? Não, pois seria uma invasão de privacidade indevida no caso de pessoas que podem ter aberto contas no exterior de boa fé, respeitando a lei e pagando impostos. O ICIJ vai publicar algum dia todas as informações? Não”, antecipa Rodrigues, frustrando quem imaginava ver luz sobre este breu financeiro.

A história dos anônimos

O jornalista adianta, sem dar nomes, que há uma minoria de pessoas conhecidas — empresários, banqueiros, artistas, esportistas, intelectuais — e garante que a imensa maioria dos brasileiros da lista do HSBC é “desconhecida do grande público”. Seria gente anônima, portanto.

É bom lembrar que pessoas anônimas também fazem história. No passado recente, dois anônimos, desconhecidos do grande público, vieram à luz para mudar o destino e a biografia de pessoas importantes de nossa República.

O motorista Eriberto foi crucial no desfecho das investigações que levaram ao impeachment do presidente Fernando Collor. O caseiro Francenildo foi decisivo no caso que culminou com a demissão do ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

O jornalista Fernando Rodrigues avisou na quinta-feira (12/2), sem esclarecer, que “uma fração mínima de nomes sobre os quais há alguma suspeita foi mostrada ao governo, de maneira reservada”. No dia seguinte, sexta, Rodrigues foi um pouco mais claro: ele forneceu em novembro passado, sob “reserva”, uma amostra de 342 nomes de nomes de brasileiros do HSBC ao Conselho de Atividades Financeiras (COAF), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda. O COAF respondeu que apenas 15 daqueles nomes indicavam possível atividade criminosa, como corrupção, tráfico de drogas e crimes fiscais.

O país continua sem saber quem são os 15 nomes suspeitos, ou os 342 da amostra, ou os 8.667 nomes da lista brasileira integral.

Este caso do HSBC é importante demais para ficar restrito à decisão pessoal, privativa, seletiva, monocrática de um único jornalista, de um só blog, de apenas um veículo poderoso da internet.

O dinheiro sonegado e subtraído ao Brasil e aos brasileiros não pode ser envolvido pelo segredo, pelo sigilo, pela impunidade que todos combatemos.

Em 2010, os super-ricos brasileiros somavam cerca de US$ 520 bilhões em paraísos fiscais, segundo um estudo feito por James Henry, ex-economista-chefe da Consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network. O estudo cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do FMI, do Banco Mundial e de governos nacionais.

A taxa de sonegação nacional, segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), atingiu R$ 415 bilhões em 2013, cerca de 10% do PIB brasileiro, a soma de todas as riquezas produzidas pelos brasileiros honestos.

Nada disso foi publicado nos nossos grandes veículos da mídia. Saiu num pequeno blog de nome sugestivo — Limpinho & Cheirosinho — e com um slogan veemente: “A gente resiste, insiste e não desiste”.

Quero ser leal a este lema inspirador: não vou desistir e vou insistir na revelação integral dos nomes desses 8 mil brasileiros, justa ou injustamente envolvidos com a denúncia sobre a maior evasão de impostos da História.

Estou requerendo às autoridades do meu País as informações que todos nós, brasileiros, merecemos e ainda não recebemos.

Ao Ministério da Fazenda, a quem está subordinada a Receita Federal, e ao Ministério da Justiça, a quem se reporta a Polícia Federal, estou solicitando informações sobre os nomes e as condutas ilícitas supostamente imputadas aos brasileiros do HSBC.

Queremos saber quais as providências e medidas tomadas no âmbito do Governo Federal para dar ao País a satisfação que exige a opinião pública brasileira.

O dever dos jornais

Mas, quero ir além destes requerimentos. Na condição de Senador da República e de cidadão brasileiro, quero fazer um apelo público aos jornalistas e aos empresários de comunicação, para que se unam a nós em defesa da livre expressão e da absoluta transparência num caso de repercussão internacional que, para os brasileiros, ainda aparece nebuloso, pouco informado e nada claro.

Conclamo aqui os jornalistas e os empresários da mídia, patrões e empregados — reunidos em torno da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e da ANJ (Associação Nacional dos Jornais), da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), que defendem juntos a livre informação e combatem qualquer tipo de censura —, para que juntem seus esforços e emprestem seu prestígio para quebrar este cone de silêncio que paira sobre a lista de brasileiros passiveis de investigação nos arquivos do HSBC.

É um apelo que estendo ao jornalista Fernando Rodrigues, ao portal UOL e ao ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), na pessoa de seu diretor-geral, Gerard Ryle, a quem estarei me dirigindo formalmente, via internet.

É oportuno, aqui, repetir as palavras candentes de um dos mais importantes jornalistas britânico, Peter Oborne, o veterano comentarista-chefe de política do jornal conservador Daily Telegraph, que se demitiu publicamente de seu posto na semana passada, esclarecendo logo na primeira frase: “A cobertura do HSBC no Telegraph é fraudulenta com seus leitores”. As palavras a seguir de Peter Oborne devem servir de inspiração para todos nós, políticos e jornalistas, que acreditamos na livre expressão e na transparência como primados de uma sociedade democrática:

Ensina Oborne:

“Uma imprensa livre é essencial para uma democracia saudável. Há um propósito no jornalismo, é não é só entreter. Não deve ceder ao poder político, grandes corporações e homens ricos. Os jornais têm o que no final das contas é um dever constitucional de dizer a seus leitores a verdade”.

Que assim seja!

Randolfe Rodrigues, historiador e senador pelo PSOL do Amapá
No OI
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