27 de fev de 2015

Serra tira a fantasia: o negócio é fatiar e vender a Petrobras


O vendedor da Vale — título que lhe foi concedido pelo próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso — lista o que se tem de fazer com a maior empresa brasileira.

Vai falando meias-verdades, como a de dizer que a Petrobras está “produzindo fio têxtil”, vai circulando a presa, como um velho leão.

O “fio textil” é poliéster, derivado integral de petróleo, que é produzido em Suape, como parte da cadeia de valor gerada pela refinaria, junto com a resina PET, com a que se produz garrafas.

São plásticos, enfim, um dos frutos de maior valor da cadeia de refino de petróleo.

Depois, diz que a Petrobras “não tem que fabricar adubo”.

Parece que está falando de esterco, mas é, simplesmente, de um dos insumos mais importantes da imensa produção agropecuária brasileira: amônia, que é produzida a partir do gás extraído junto com o petróleo.

É o “N” da famosa fórmula NPK dos fertilizantes, que o Brasil, incrivelmente, importa às toneladas.

Depois, fala em vender as usinas termelétricas de eletricidade, que já foram das multis e que a Petrobras teve de assumir porque elas só queriam o negócio com os subsídios que lhes deu FHC na época do apagão de 2001, subsídios que, além disso, eram suportados por nossa petroleira.

A seguir, fala em vender a distribuição, os postos Petrobras.

Aqueles onde o dim-dim entra, sonante, chova ou faça sol.

E aí, finalmente, diz que a empresa deve se conservar na extração de petróleo, mas que este deve ser “aberto ao mercado”.

Como já é, deve-se ler isso como a entrega da parcela exclusiva, de 30%, das imensas jazidas do pré-sal.

Claro que, nos negócios da cadeia do refino de petróleo, a Petrobras pode comprar, vender, dividir, agir como age um empresa que busca concentrar recursos em suas prioridades.

Isso inclui, senador Serra, o tal “fio têxtil”.

É tão bom negócio que seus amigos da Chevron o produzem em larga escala através da Chevron-Phillips, em oito países.

Assim como a Chevron produz adubo e está cheia de passivos ambientais pela forma terrível que o faz, antes como Texaco e agora  usando  o “codinome” de Ortho.

E, claro, a Chevron não vai abrir mão de seus mais de 8 mil postos de abastecimento só nos Estados Unidos…

Quer dizer, as receitas de Serra para a Petrobras são exatamente o contrário do que fazem seus amigos da Chevron…

Senador, mas o que é bom para os Estados Unidos não é bom para o Brasil?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Dilma inaugura no Rio Grande do Sul o maior parque eólico da América Latina


Parque atende ao consumo de cerca de 1,5 milhão de pessoas. Presidenta também entrega sistema de transmissão na cidade gaúcha

A presidenta Dilma Rousseff inaugura, nesta sexta-feira (27), o Parque Eólico Geribatu, que integra o maior complexo eólico da América Latina. O parque em Santa Vitória do Palmar atende ao consumo energético de aproximadamente 1,5 milhão de habitantes. Os empreendimentos entregues — parque eólico e sistemas de transmissão associados — estão previstos no PAC2 e somam R$ 2,1 bilhões em investimentos.

Além de Geribatu, outros dois parques — Chuí e Hermenegildo — estão em implantação nos municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí. Juntos, os parques formarão o Complexo Eólico Campos Neutrais, gerando aproximadamente 4,8 mil empregos diretos e indiretos.

O Parque Eólico Geribatu, que agrega 258 MW ao Sistema Interligado Nacional (SIN), reúne 129 aerogeradores (2 MW de potência cada), distribuídos em dez usinas, que ocupam uma área de 47,5 quilômetros quadrados.

Geribatu é o maior dos três parques que compõem o Complexo Eólico Campos Neutrais. Os outros são Chuí (144 MW) e Hermenegildo (181 MW), nos quais estão sendo investidos R$ 1,7 bilhão. São quase 170 turbinas eólicas já instaladas em Geribatu e Chuí: 129 e 39, respectivamente. O complexo tem capacidade para atender ao consumo de cerca de 3,3 milhões de habitantes.

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Bomba! Bomba! Serra teve uma ideia


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É chegada a hora de Mujica partir


No próximo domingo, Tabaré Vázquez retorna à presidência do Uruguai após cinco anos de conquistas históricas do atual governo, que entra para a história da esquerda sul-americana. “Seguirei militando porque se não fizer, irei contra meu temperamento”, afirmou Pepe Mujica

No próximo domingo (1º), na Praça Independência, de frente para a Torre Executiva, sede do governo do Uruguai, o presidente José “Pepe” Mujica se despede de milhões de uruguaios e entra para a história da esquerda sul-americana.

É possível imaginar que, daqui a alguns anos, Mujica estampe camisetas mundo afora. As conquistas alcançadas pelo Uruguai fazem com que o ex-tupamaro tome assento no panteão da política no continente, ao lado de nomes como os dos argentinos Che Guevara e do casal Juan Domingo Perón e Evita Perón, dos brasileiros Carlos Marighella e Luiz Inácio Lula da Silva, do cubano Fidel Castro, do chileno Salvador Allende e do boliviano Evo Morales.

Em uma rápida conversa no bar, em Montevidéu, uma garçonete me avisa: “Falam muito do Papa, mas Mujica é maior que [Jorge Mario] Bergoglio”, afirma a jovem que se diz marxista, acirrando a tradicional querela que cruza o rio da Prata. Um taxista profetiza: “Nunca mais teremos um presidente como Mujica, que se importa tanto com as pessoas”.

Pelas ruas da Ciudad Vieja, bairro que concentra o poder executivo uruguaio, bandeiras da Frente Ampla (FA), um conglomerado de partidos de esquerda, tremulam em janelas e carros. Turistas entusiasmados compram flâmulas do coletivo.

A imagem de Mujica e da seleção de futebol do Uruguai são apontados como responsáveis pelo aumento de turistas no país. Em 2014, o turismo respondeu por 6% do Produto Interno Bruto (PIB) uruguaio. O país foi considerado um dos dez destinos éticos do ano passado.

A dona do café que fica ao lado da Torre Executiva comemora o sucesso do presidente, que ajudou a alavancar o setor no país. “Todos os dias chegam muitos turistas, principalmente brasileiros e europeus. Desde que ele ficou famoso, estamos muito bem por aqui”, comemorou.

Tabaré, sem a mesma popularidade

O próximo presidente uruguaio é um velho conhecido. Tabaré Vázquez governou o país de 2005 até 2010. Porém, apesar de ambos integrarem a Frente Ampla, Mujica e o próximo mandatário não gozam do mesmo carinho popular.

Quando se pergunta a um uruguaio sobre Tabaré, é comum que a resposta seja: “um arrogante” ou “só se preocupa com dinheiro”. O próximo presidente, médico de formação e maçom, nunca foi favorável à regulamentação da maconha no Uruguai e chegou a vetar a descriminalização do aborto, pautas que foram aprovadas no governo de Pepe Mujica e responsáveis por boa parte do interesse midiático no país.

Há uma preocupação com a posse de Tabaré: a chuva. A semana de intenso calor, deu lugar a um dia nebuloso nesta sexta-feira (27). Toda a estrutura montada é descoberta, portanto uma chuva obrigaria o evento a ser transferido para o auditório Del Sodre, com capacidade para 2 mil pessoas. O dilema será como acomodar presidentes, ministros, embaixadores e a imprensa neste espaço.

Ainda nesta sexta-feira, deve haver uma festa popular para celebrar Mujica, mas, avesso ao culto a personalidades, o presidente pode não aparecer. Na última quinta-feira (26), ele esteve na principal central sindical do país para discursar ao lado do mandatário boliviano Evo Morales.

Em tom de despedida, Mujica explicou porque seguirá na política [foi eleito para o Senado, cargo que começa a exercer na próxima terça-feira (3)] mesmo depois de exitosa passagem pela presidência. “Estejam tranquilos que eu estou vivo e vou seguir militando. Não serei um velho aposentado. Seguirei militando porque se não fizer, irei contra meu temperamento.”

“Alerta, alerta, alerta, que caminha o anti-imperialismo pela América Latina”, gritavam os trabalhadores a cada intervenção de Evo e Mujica. O presidente uruguaio encerrou o encontro mandando um recado aos conterrâneos. “Na política, temos que eleger gente de coração grande e bolsos pequenos.”

Igor Carvalho
No Fórum
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Parlamento italiano aprova reconhecer a Palestina como um Estado

Fabrizio Cicchitto, Paolo Gentiloni e Roberto Giachetti, perante a Câmara dos Representantes
Foto: Agencia ANSA
Em 2014, vários países europeus realizaram votações semelhantes em seus órgãos legislativos, como a Irlanda, Reino Unido, França e Espanha. A Suécia já reconheceu oficialmente, apesar das pressões do governo sionista de Israel.

O parlamento da Itália aprovou nesta sexta-feira o documento que solicita ao governo do país reconhecer o Estado Palestino, conforme informa o jornal italiano La Stampa.

A iniciativa foi apresentada pelo Partido Democrata, que governa o país, o Partido Socialista e Alianza por Itália. O documento foi aprovado por 300 votos a favor e 40 contra. com 59 abstenções.

Os parlamentares também votaram uma resolução instando a retomada das negociações entre a Palestina e Israel e da cessação da violência como condição de reconhecimento: 237 votos favoráveis; 84 votos contrários e 64 abstenções.
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Aloysio Nunes atende petroleiras estrangeiras e propõe acabar controle estatal do pré-sal


O marco regulatório da exploração do petróleo do pré-sal, definido em 2010, pode sofrer mudanças. Um projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o PLS 417/2014, pretende eliminar da legislação brasileira o modelo de partilha de produção, que rege toda a atividade extrativista no pré-sal.

O regime de partilha determina que as empresas interessadas em explorar o petróleo do pré-sal constituam consórcio com a Petrobras, no qual a empresa pública deve ter participação mínima de 30%. Além disso, o comitê operacional do consórcio deve ter metade dos membros, inclusive o presidente, indicados pelo governo.

Ainda segundo as regras do regime de partilha, a produção oriunda da exploração deve ser dividida entre a empresa exploradora e a Petrobras — dessa forma, a União lucra diretamente em barris de petróleo, não em dinheiro. O petróleo obtido dessa forma é gerido pela Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural — Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), que o revende ou armazena.

Aloysio acredita que esse sistema revelou-se ineficiente — especialmente depois do estouro da crise política na Petrobras. “A Petrobras é hoje uma empresa endividada, apresenta sérios problemas de gestão e está com enorme dificuldade de geração de caixa. Não dispõe de recursos suficientes para explorar a imensa reserva petrolífera constituída pelo pré-sal”, afirma na justificativa do projeto.

O senador também argumenta que a forma de lucratividade da empresa pública no regime de partilha (em barris, não em dinheiro) dá margem à má administração dos recursos. “Nada impede que esse óleo seja vendido a preços camaradas para empresas escolhidas ou para países amigos”, alerta.

Essas características, na visão do senador, levaram ao desinteresse de empresas privadas em participarem do primeiro (e até agora único) leilão de exploração sob o novo regime, o do Campo de Libra, realizado em outubro de 2013. Na ocasião, apenas um consórcio participou e o vencedor oferecia o mínimo estipulado nas regras.

Como alternativa, o autor propõe que a exploração do pré-sal retome o regime de concessão, que ainda vale para todos os demais campos de petróleo do país. Nesse modelo, a União cede os direitos exclusivos de exploração de petróleo em uma determinada área a uma empresa, em troca de compensação financeira.

A concessão apresenta duas vantagens, na avaliação de Aloysio. “Trouxe maior competição, estimulando a Petrobras a se tornar mais eficiente. É também mais transparente, pois as receitas governamentais são arrecadadas em dinheiro. O governo não precisa vender o óleo que recebe, e a população não fica refém das vontades de um grupo de burocratas”.

Pelas diretrizes do PLS, todas as explorações já pactuadas sob o regime de partilha poderiam continuar. Apenas a partir da aprovação do projeto é que o regime de concessão voltaria a reger todas as explorações.

O projeto está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde ainda não tem relator. Também precisará passar pelas Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Serviços de Infraestrutura (CI).

No Escrevinhador
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O governo começou mal...

...Mas pode se recuperar, avalia João Pedro Stedile, líder do MST

Para o líder do MST João Pedro Stedile, o PT precisa honrar o
programa que elegeu o partido
Mauricio Lima/AFP
CartaCapital: O senhor se perfila entre aqueles representantes dos movimentos sociais que se sentem traídos pelo governo Dilma Rousseff?

João Pedro Stedile: Não. Sou parte daqueles que fizeram a campanha pela reeleição, a fim de garantir mudanças para melhorar as condiçoes de vida do povo. Espero, e ainda há tempo, de a presidenta e seu governo entenderem o recado das urnas.

Como a presidenta poderia recuperar a confiança do eleitorado que optou por manter o PT no poder por mais quatro anos?

Infelizmente, o governo Dilma começou mal, pois deu sinais de aceitar as pressões da direita e a agenda neoliberal. Errou ao compor um ministério com representações conservadoras e ao anunciar cortes de direitos dos trabalhadores. Ao aceitar o projeto de lei que abre para o capital estrangeiro a área de saúde. Errou ao demorar em tomar uma atitude mais incisiva e demitir a diretoria da Petrobras, instalar uma comissão da sociedade para uma auditoria e salvar a empresa da sanha de quem quer privatizar o acesso ao pré-sal. Tudo isso leva à perda da base social que a havia apoiado no segundo turno. Espero que o governo se recupere. Da nossa parte, nos mobilizaremos para reverter essas medidas equivocadas.

O Brasil parece prostrado, mergulhado em um impasse de difícil solução. Como chegamos a este ponto, depois de viver um período de esperança em relação ao futuro?

O Brasil vive uma crise econômica por falta de investimentos pesados na indústria e na infraestrutura social das cidades. Uma crise social, por falta de iniciativas mais claras para enfrentar o problema da moradia, da reforma agrária, da universalização do acesso à universidade. E uma crise politica, pois a democracia brasileira foi sequestrada pelas empresas. As dez maiores financiaram 70% do Parlamento. Os deputados representam seus financiadores, não programas ou partidos.

Qual a saída?

A única saída é política, ou seja, uma reforma que devolva ao povo a confiança na democracia. O ministro Gilmar Mendes, do STF, precisa criar vergonha e devolver o processo que proíbe o financiamento privado de campanha, e o Congresso precisa aprovar os dois projetos em tramitação por lá. Um, proposto pela coalização democrática de entidades brasileiras, pede mudanças no sistema e outro sugere um Plebiscito para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte. Este recebeu o apoio de 8 milhões de brasileiros.

O senhor vê no horizonte um clima a favor de um processo de impeachment contra Dilma Rousseff?

O anúncio do impeachment é uma tática da direita para pressionar e acuar o governo. Para que ele tenha medo de fazer as mudanças que o povo votou e quer no segundo mandato. A tática é sangrar o governo, desgastá-lo para colher os frutos em 2018. O processo de impeachment não tem base legal. Não há responsabilidades da presidenta em nenhum crime. É uma tática burra, inclusive, pois daria motivos para a sociedade se mobilizar em defesa da democracia e da legalidade. E daria aos movimentos o direito de pedir o impeachment de todos os governadores acusados de fraudes, de todos os prefeitos. Ninguém sabe no que daria.

Há disposição dos movimentos sociais de saírem às ruas em defesa do governo ou do projeto por ele representado?

Os movimentos populares estão dispostos a se mobilizar e lutar contra os ajustes neoliberais do governo, as tentativas de retrocesso, a privatização da Petrobras, da Caixa, do sistema de saúde. Ao governo cabe ter juízo e honrar o programa que o elegeu. A sociedade, acredito, não aceitará nenhuma aventura golpista, via Congresso ou Poder Judiciário.

Existe uma liderança capaz de apaziguar a situação e conduzir o Brasil por um caminho que o tire desse impasse?

A gravidade do tema não se restringe a lideranças, que sempre são fruto de processos de mobilização de massa, e não o contrário. O Brasil precisa de um amplo debate a respeito de um projeto capaz de mobilizar os cidadãos, os movimentos, a favor das reformas estruturais necessárias, a começar pela política, mas sem deixar de lado a dos meios de comunicação e a tributária, que pune os assalariados e premia as grandes fortunas e o capital financeiro.

No CartaCapital
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A “nota” da Petrobras e a “nota” da Moody’s



A agência de classificação de “risco” Moody’s acaba de rebaixar a nota de crédito da Petrobras de Baa2 para Ba2, fazendo com que ela passe de “grau de investimento” para “grau especulativo”.

Com sede nos Estados Unidos, o país mais endividado do mundo, de quem o Brasil é, atualmente, o quarto maior credor individual externo, a Moody’s é daquelas estruturas criadas para vender ao público a ilusão de que a Europa e os EUA ainda são o centro do mundo, e o capitalismo um modelo perfeito para o desenvolvimento econômico e social da espécie, que distribui, do centro para a “periferia”, formada por estados ineptos e atrasados, recomendações e “notas” essenciais para a solução de seus problemas e a caminhada humana rumo ao futuro.

O que faz a Petrobras ?

Produz conhecimento, combustíveis, plásticos, produtos químicos, e, indiretamente, gigantescos navios de carga, plataformas de petróleo, robôs e equipamentos submarinos, gasodutos e refinarias.

De que vive a Moody’s?

Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada, assim como suas congêneres ocidentais, que produzem, a exemplo dela, monumentais burradas, quando seus “criteriosos” conselhos seriam mais necessários.

Conversa fiada que primou pela ausência, por exemplo, quando, às vésperas da Crise do Subprime, que quase quebrou o mundo em 2008, devido à fragilidade, imprevisão e irresponsabilidade especulativa do mercado financeiro dos EUA, a Moody’s, e outras agências de classificação de “risco” ocidentais, longe de alertar para o que estava acontecendo, atribuíram “grau de investimento”, um dos mais altos que existem, ao Lehman Brothers, pouco antes que esse banco pedisse concordata.

Conversa fiada que também primou pela incompetência e imprevisibilidade, quando, às vésperas da falência da Islândia — no bojo da profunda crise europeia, que, como se vê pela Grécia, parece não ter fim — alguns bancos islandeses chegaram a receber da Moody’s o Triple A, o mais alto patamar de avaliação, também poucos dias antes de quebrar.

Afinal, as agências de classificação europeias e norte-americanas, agem, antes de tudo, com solidariedade de “classe”. Quando se trata de empresas e nações “ocidentais”, e teoricamente desenvolvidas — apesar de apresentarem indicadores macro-econômicos piores do que muitos países do antigo Terceiro Mundo — as agências “erram” em suas previsões e só vêem a catástrofe quando as circunstâncias, se impõem, inapelavelmente, seguindo depois o seu caminho na maior cara dura, como se nada tivesse acontecido.

Quando se trata, no entanto, de países e empresas de nações emergentes, com indicadores econômicos como um crescimento de 400% do PIB, em dólares, em cerca de 12 anos, reservas monetárias de centenas de bilhões de dólares, e uma dívida pública líquida de menos de 35%, como o Brasil, o relho desce sem dó, principalmente quando se trata de um esforço coordenado, com outros tipos de abutres, como o Wall Street Journal, e o Financial Times, para desqualificar a nação que estiver ocupando o lugar da “bola da vez”.

Não é por outra razão que vários países e instituições multilaterais, como o BRICS, já discutem a criação de suas próprias agências de classificação de risco.

Não apenas porque estão cansados de ser constantemente caluniados, sabotados e chantageados por “analistas” de aluguel — como, aliás, também ocorre dentro de certos países, como o Brasil — mas também porque não se pode, absolutamente, confiar em suas informações.

Se houvesse uma agência de classificação de risco para as agências de “classificação” de risco ocidentais, razoavelmente isenta — caso isso fosse possível no ambiente de podridão especulativa e manipuladora dos “mercados” — a nota da Moody’s, e de outras agências semelhantes deveria se situar, se isso fosse permitido pelas Leis da Termodinâmica, abaixo do zero absoluto.

Em um mundo normal, nenhum investidor acreditaria mais na Moody’s, ou investiria um cent em suas ações, para deixar de apostar e aplicar seu dinheiro em uma empresa da economia real, que, com quase três milhões de barris por dia, é a maior produtora de petróleo do mundo, entre as petrolíferas de capital aberto, produz bilhões de metros cúbicos de gás e de etanol por ano, é a mais premiada empresa do planeta — receberá no mês que vem mais um “oscar” do Petróleo da OTC — Offshore Technologies Conferences — em tecnologia de exploração em águas profundas, emprega quase 90.000 pessoas em 17 países, e lucrou mais de 10 bilhões de dólares em 2013, por causa da opinião de um bando de espertalhões influenciados e teleguiados por interesses que vão dos governos dos países em que estão sediados aos de “investidores” e especuladores que têm muito a ganhar sempre que a velha manada de analfabetos políticos acredita em suas “previsões”.

Neste mundo absurdo que vivemos, que não é o da China, por exemplo, que — do alto da segunda economia do mundo e de mais de 4 trilhões de dólares em ouro e reservas monetárias — está se lixando olimpicamente para as agências de “classificação” ocidentais, o rebaixamento da “nota” da Petrobras pela Moody’s, absolutamente aleatória do ponto de vista das condições de produção e mercado da empresa, adquire, infelizmente, a dimensão de um oráculo, e ocupa as primeiras páginas dos jornais.

E o pior é que, entre nós, de forma ridícula e patética, ainda tem gente que, por júbilo ou ignorância, festeja e comemora mais esse conto do vigário — destinado a enfraquecer a maior empresa do país — que não passa de um absurdo e premeditado esbulho.
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Serra não desiste do sonho tucano: Quer privatizar a Petrobras


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O fim da política

O olhar sobre o cotidiano da imprensa no Brasil, por meio da qual o cidadão pode acompanhar o desempenho de suas representações institucionais, tende a esconder uma realidade espantosa: a extinção da política. Esse fenômeno alcança outros campos que compõem tradicionalmente o chamado espaço público, como a cultura, a economia, a religião e outras formas pelas quais os indivíduos se interligam em comunidades no mundo contemporâneo.

O ambiente midiático nacional se oferece como um imenso laboratório para teses sobre a relação entre a sociedade e seus símbolos. Os perfis ideológicos são substituídos pelas pesquisas de opinião sobre cada tema da agenda pública.

Uma das hipóteses que podem ser facilmente constatadas é a de que a realidade foi substituída por simulacros, no sentido que o filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007) deu ao termo: praticamente tudo que compõe o noticiário e as opiniões veiculadas pela mídia tradicional são cópias de elementos que não existem mais na realidade.

A política, por exemplo, desapareceu completamente de seu habitat natural — os corredores do Congresso Nacional, as sedes de entidades republicanas e suas projeções no território comunicacional continuam lá, mas lá já não se faz política. Em seu lugar se desenvolve um jogo com características de um comércio que simula a realidade das negociações de poder. O Estado, cujo controle representava o objeto final desse jogo, passou a ser um meio pelo qual os protagonistas buscam um novo objetivo: o de ganhar o poder de permanecer no poder.

Nesse universo-simulacro, também a cultura, a religião, a economia, assim como a sexualidade, a individualidade e as autonomias, são substituídas por símbolos e signos que formam uma realidade paralela, distanciando cada vez mais o ser humano da vida real. Tudo se transformou num programa de “realidade virtual”, e o que a mídia nos apresenta é esse conjunto que se tenta passar por real.

O tema abrange toda a complexidade da vida cotidiana, por isso temos que restringir nossa observação, por enquanto, ao campo da política. Já analisamos simulacros da economia e poderemos observar também simulacros da cultura, da religião e de outros aspectos da vida comum.

A dança das siglas

Os partidos jogam para a imprensa, que faz o agenciamento da opinião pública. Eventualmente, uma ou outra dessas agremiações, criadas sem o respaldo de um programa capaz de sensibilizar grandes contingentes de eleitores, perde o volume de apoios necessário para se manter no jogo. O que fazem seus controladores? Criam nova sigla, adaptando-se ao que lhes parece ser um nome com mais potencial para arregimentar agentes capazes de conquistar correligionários.

No fundo, o sistema funciona como um grande esquema de pirâmide, que periodicamente precisa quebrar aqui e ali, deixando muitos protagonistas sem teto. Os mais espertos se movem rapidamente para a casa mais próxima, de preferência uma que possua em sua sigla a letra que combina com seus posicionamentos anteriores.

A legislação favorece escancaradamente a criação de partidos por quem já está no jogo, e dificulta o surgimento de agremiações com origem mais autêntica na própria sociedade. O caso da Rede Sustentabilidade, projeto da ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, é típico: formulado no seio do movimento ambientalista, que evoluiu para um conceito mais amplo de sistema que inclui a busca da sustentabilidade econômica e social, além da ambiental, o sonho de Marina Silva foi contaminado pelo pragmatismo dos partidos que participam do simulacro de política. O que se viu foi uma candidata idealista emaranhada em contradições e apanhada em posicionamentos conservadores que decepcionaram muitos de seus apoiadores.

E o que a imprensa tem com isso?

O papel da mídia tradicional é fundamental nesse processo, porque é no ecossistema midiático que se constrói esse simulacro e é a imprensa que conduz o jogo. Esse processo evolui na medida em que corrompe as bases do sistema representativo, até o ponto em que a mídia substitui a sociedade e os partidos passam a ser tributários do sistema da comunicação.

Ao contrário do que nos faz crer, o sistema da imprensa não interpreta a realidade — ele cria um simulacro, que se torna verossímil porque seus signos fazem sentido. Quem sonha em representar a sociedade — ou uma parcela significativa dela — precisa ter coragem de romper essa dependência, comunicar-se diretamente com o público e esquecer a imprensa.

Luciano Martins Costa
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O estranho caso do criador da página “Eu não mereço mulher preta”

Gustavo Guerra
Racista, homofóbico, rapper e fã de travestis. Gustavo Guerra, o nazista criador da página “Eu não mereço mulher preta” e autor de um vídeo em que defende a legalização do estupro, tem um perfil contraditório e perturbado. É o que mostra o canal que o rapaz, morador de Caxias do Sul (RS), mantém no youtube.

Em um vídeo de julho de 2014, ele, então com 20 anos, demonstra a mesma confusão de ideias dos moderadores do Facebook — a página dele foi banida, voltou ao ar dias depois mas após protestos caiu novamente, possivelmente por pouco tempo.

No vídeo, Guerra diz que teve problemas com drogas na adolescência, chegando a ser internado duas vezes. Revela que mora sozinho e vive de biscates não especificados. Mostra uma marca na testa e explica que caíra do berço quando bebê e sofrera muitas pancadas na cabeça quando criança. Ele fala devagar, é pouco articulado e os vídeos chegam a ser enfadonhos.

Mas têm audiência. Um deles, “Metendo a real nos negros” (?!?) tem 60 mil views.

Diz que só fala a verdade e faz questão de mostrar o documento de identidade para provar que não é um fake. “Ser falso é coisa de mulher, de viver de aparência, de viver fazendo média para os outros. Tudo que eu falo é verdade, por exemplo, travesti, eu já comi, já namorei uma, no caso. Muita gente fala que Gustavo Guerra pegou travesti, que o cara é gay, mas peguei travesti para comer, me atraí pela beleza do travesti, que é praticamente a mesma coisa de mulher”.

Entre vídeos contra negros, veganos, policiais, maçons, judeus, esquerdistas e direitistas há o inusitado “Por que travesti é melhor que mulher”, em que ele relaciona as vantagens das travestis em relação às mulheres.

A preferência aparece também no vídeo em que ele improvisa um rap coxo e modorrento. “Vamo lá, vamos estuprar, penetrar, eu com travesti então, é minha preferência, porque é a ciência, entendeu, é a neomulher do momento, mulher do 2000”. Depois de soltar outras frases sem sentido, fazer referências ao consumo de cocaína e mostrar uma faca, ele termina a performance dizendo que “travesti é melhor que mulher”.

Para as mulheres o tratamento é o pior possível. “Se a mulher está de noite vestida como puta, provocando, sabendo dos riscos e é estuprada, bem feito, parabéns para o estuprador. E agora se é uma mulher que está usando burca, tem um namorado do lado, está às dez horas da noite dormindo em casa e não é uma vagabunda baladeira, aí sim sou contra o estuprador. São casos bem diferentes. Estuprar feminista, lésbica, vagabunda, aí eu sou a favor sim”, diz.

Gustavo Guerra não é só caso de polícia. É problema de saúde mental. Aliás, Freud, Jung e os psiquiatras foram atacados em um dos vídeos do caxiense.

A apologia ao estupro levou Gustavo a ser indiciado pelo Ministério Público Federal ainda no ano passado. Também respondeu por discriminação racial e apologia ao crime, segundo informações da Rádio Caxias. Os atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou nacionalidade são passíveis de pena de dois a cinco anos de reclusão. Para a prática de incitação ao crime a pena prevista é de três a seis meses de detenção. Caberá à Justiça determinar se ele é culpado ou inocente.

Realizado sexualmente, talvez ele seja menos perigoso à sociedade. Do jeito que está, é uma bomba relógio.

Marcos Sacramento
No DCM
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Caminhoneiros vivem em regime de cárcere — vídeo


O zé vai prender o Ivar quando Sargento Garcia prender o Zorro.



Esses depoimentos foram recolhidos na área do lock-out controlada pelo Ivar, amigão da GloboNews e do detrito sólido.





No CAf
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Conspirar nos Estados Unidos


Toda a imprensa hegemónica e os “intelectuais bem pensantes” [no dizer de Alfonso Sastre] acusam ao governo bolivariano de tirânico e totalitário por ter detido Antonio Ledezma, prefeito metropolitano de Caracas. Teve sorte esse personagem, porque lhe teria sido muito pior se o que fez em Venezuela — participar numa conspiração para derrocar ao governo por meios violentos — o tivesse feito nos Estados Unidos. A seguir, alguns antecedentes de utilidade para contextualizar sua detenção e, de passagem, a de Leopoldo López, outro que conta com iguais ou piores antecedentes de Ledezma.

Com efeito, a legislação dos Estados Unidos considera como um crime federal qualquer ato de um nacional que “organize, ajude ou tente organizar uma sociedade, grupo ou conjunto de pessoas que ensinam, promovem ou estimulam a derrocada ou destruição do governo.” Para que se configure esta figura penal não é necessário que o plano urdido pelos conspiradores seja levado à prática. Basta que o tenha concebido. Em virtude desta legislação, em 1981 Oscar López Rivera — um líder independentista de Porto Rico e veterano da guerra do Vietnã — foi declarado culpado e condenado a 70 anos de prisão por conspiração sediciosa e outros delitos. Depois do primeiro atentado contra as Torres Gêmeas, em 1993, as investigações conduziram à detenção de Omar-Abdel Rahman — um clérigo muçulmano, nascido no Egito e residente em Nova Iorque — e outras nove pessoas, todas acusadas de “conspiração sediciosa” por estarem envolvidas num plano supostamente destinado a travar uma guerra terrorista contra os Estados Unidos e seu governo. Os acusados não chegaram a concretizar seus propósitos, porém foram condenados por terem posto em marcha um complô destinado a tal fim. A evidência: foram surpreendidos manipulando substâncias explosivas numa garagem de Queens. Pese a que o clérigo cego mal poderia ter participado na preparação das bombas que supostamente seriam colocadas nas Torres Gêmeas, foi acusado de oferecer uma justificativa religiosa aos conspiradores. Todos foram condenados em 1969, e a Rahman o juiz Michael Mukasey lhe impôs uma pena de prisão perpétua. Depois dos atentados do 11 de Setembro de 2001 e com a aprovação da Lei Patriota [Pub. L. nº 107-56, 115 Stat. 272] se acentuaram as prerrogativas do Executivo para perseguir aqueles que o presidente considera terem planejado, autorizado, ajudado a realizar ou realizado atos hostis ou ataques contra os Estados Unidos e seu governo.

Ledezma apoiou abertamente o golpe de Estado de Abril de 2002 e depois a paralisação petroleira de 2002-2003. Foi um ativo promotor e protagonista do “Plan Salida” [Plano Saída], de 2014, cujas barbáries e guarimbas [atos violentos de rua] semearam a destruição no país e provocaram a morte de 43 venezuelanos. E nos últimos dias se envolveu de cheio na proposta de “mudança de regime”, advogando pela derrocada e substituição extra constitucional do governo de Nicolás Maduro. Por sua participação no golpe de 2002 e na paralisação petroleira Ledezma estaria cumprindo uma pena de 20 anos nos Estados Unidos, e não poderia ter prosseguido sua carreira política como o fez sob a “tirania chavista”, como com evidente perversidade gostam de dizer ele, Leopoldo López e Corina Machado. Curiosa tirania esta que permite que conspiradores sediciosos atuem livremente, competem por cargos públicos, disponham de acesso ilimitado à imprensa e difamem diariamente as autoridades legitimamente constituídas do país, convocando para tais efeitos a ajuda e o apoio de países terceiros, o que nos Estados Unidos agravaria as penas. A magnanimidade da Revolução Bolivariana permitiu a Ledezma continuar desfrutando de todas as garantias do Estado de Direito e, sob esse amparo, promover traiçoeiramente a violação da ordem constitucional. Isto, [ele] não poderia tê-lo feito nos Estados Unidos. Porém, já sabemos que Washington padece de esquizofrenia aguda: quem seria condenado por sedicioso portas adentro se converte num heroico “combatente da liberdade” quando seus crimes são perpetrados contra um governo que não é de seu agrado e ao qual trata de destruir apelando para qualquer recurso.

Atilio Borón
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