23 de fev de 2015

A escolinha do professor Moro — assista aos vídeos


É melhor rasgar logo a Lei Orgânica da Magistratura e a Constituição Federal.

Porque a partir do exemplo de Sérgio Moro, que elevou ao cubo o “animus escoiciandi” de Joaquim Barbosa, não existe mais.

O que estrá escrito no artigo 36 da lei, que ao Juiz é proibido ”manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem” não vale mais.

Ontem, no jornal popular das Organizações Globo, o Extra, o juiz Flávio Roberto de Souza, que preside o julgamento de Eike Batista, diz, nada mais nada menos que vai “esmiuçar a alma” do réu.

Isso mesmo, esmiuçar a alma, porque Sua Excelência assume o papel de Deus, porque não vai julgar penas fatos, mas a alma.

Apela até para a sua fé budista dizendo que, por isso, tem “muita facilidade de saber quando a pessoa está mentindo ou falando a verdade”.

 – Vou esmiuçar a alma dele. Pedaço por pedaço.

Como é que é, Doutor?

Quer dizer que se o senhor for espírita, vai ouvir os espíritos?

Virou, perdoem a expressão, zona.

E não adianta tirarem, avisa ele, o processo de Eike de suas mãos depois deste show de “penetração de almas”.

O Dr. Flávio já avisa que, se tirarem este, tem outros contra ele sob sua autoridade…

- Ainda que o tribunal me tire desse processo, ele não me tira do caso.

E ainda debocha dizendo que, se isso acontecer, “eu falaria pra você a música daquela cantora: Tô nem aí… Tô nem aí para o que vão decidir”

Que beleza!

Eu não tenho a menor simpatia pelo Eike Batista e acho que ele deve ter ótimos advogados, que vão fazer picadinho deste juiz.

Mas é inacreditável o que está se passando em certos setores do Judiciário.

Ficou fácil arranjar um brilhareco na mídia com essas exibições ridículas.

Não acontece nada, mesmo, não é?

A escolinha do Professor Sérgio Moro “captou a vossa mensagem, querido Mestre”.

E o salário, óóóóóóóóóóó…

Fernando Brito
No Tijolaço






Leia Mais ►

Tucano que associa Lula às empreiteiras recebeu doações das empresas envolvidas na Lava Jato


O presidente do PSDB paulista e secretário de Transportes e Logística do estado de São Paulo, Duarte Nogueira, contou com doações da construtora Queiroz Galvão para sua campanha a deputado federal em 2014. Confira a página de prestação de contas do tucano

Desde antes das eleições 2014, opositores do PT articulam nas redes sociais um processo de desconstrução do ex-presidente Lula, em especial associando-o à Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de desvio de recursos na Petrobras.

O presidente do PSDB paulista e secretário de Transportes e Logística do estado de São Paulo, Duarte Nogueira, que faz forte oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) em seus perfis nas redes sociais também tentou atacar o ex-presidente, mas o feitiço virou contra o feiticeiro.

Nogueira utilizou seus perfis oficiais no Twitter e Facebook para acusar Lula de ter se reunido com membros das empresas investigadas na Lava Jato: “Lula tem recebido emissários das empresas envolvidas no ‪#‎Petrolão desde o fim de 2014. Sabe por que eles recorrem a Lula? Para falar sobre as consequências financeiras da ‪#‎OperaçãoLavaJato e o teor das delações premiadas”.

face duarte

A ironia do destino é que a página de prestação de contas de Duarte Nogueira no TSE mostra que a direção estadual do PSDB repassou a ele a quantia de R$ 200 mil doados pela Construtora Queiroz Galvão, para sua campanha para deputado federal em 2014.

Duarte Nogueira foi reeleito deputado federal com 254 mil votos. No início do ano, o tucano foi convidado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para ocupar a Secretaria Estadual de Logística e Transportes.

queiroz (1)

Foto: Reprodução site oficial Duarte Nogueira
Guilherme Franco
No Fórum
Leia Mais ►

O golpe do Facebook tucano


Leia Mais ►

Greve de caminhoneiros no Paraná é contra o governo... do tucano!


Estelionato eleitoral: Beto Richa sabia que Paraná estava falido, mas escondeu dados durante a campanha

Grupo criado em 2013 diagnosticou crise do PR

Richa teria sido informado de que o cenário já indicava perspectiva de falta de recursos para o pagamento de pessoal na época

BRASÍLIA

25/01/2015 13h02

André Gonçalves, correspondente, na Gazeta do Povo

Um grupo de trabalho da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa) fez um levantamento das contas da gestão Beto Richa (PSDB) cerca de um ano antes da eleição de 2014. Segundo fonte, o relatório final produzido pela equipe diagnosticou a crise financeira do estado e foi apresentado ao governador, seguido de um plano de pagamento das dívidas com fornecedores. Durante a campanha pela reeleição, Richa defendeu que o caixa estava “em ordem”, o que garantiria um resultado melhor no segundo mandato.

A reportagem solicitou o material à assessoria de imprensa da Sefa, que negou sob a justificativa de que “não há obrigatoriedade de tornar o documento público” e que “as informações são de uso exclusivamente gerencial”. Formalizada na quinta-feira passada, a recusa ocorreu às vésperas do início da tramitação de uma nova versão do pacote de austeridade do governo.

Na contramão da decisão de não divulgar o documento, o atual secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, disse em entrevista à Gazeta do Povo, em 13 de fevereiro, que as dificuldades de aprovar as medidas decorreram de “uma deficiência de comunicação”. “Talvez tenha havido uma dificuldade de transmitirmos a situação real que passa o estado”, disse Costa, que assumiu o cargo em janeiro.

O grupo foi criado pela portaria 22 da Sefa, de 15 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial número 9.075. O ato assinado pelo então diretor-geral da secretaria, Clovis A. Rogge, nomeia quatro servidores para o grupo. O objetivo era analisar o fluxo financeiro e previsões de receitas e despesas.

Para cumpri-lo, foram estabelecidas quatro tarefas. A penúltima era analisar a execução dos programas/ações sob a responsabilidade das secretarias, fornecendo informações “a fim de que as devidas correções de ritos e atos sejam adotadas”. A última, “fornecer relatórios e planilhas com as devidas recomendações, bem como informações precisas acerca da execução dos trabalhos, das situações e fatos encontrados e seus resultados”.

O resultado teria sido o mapeamento detalhado de todos os gastos do estado – com informações analíticas de quando, onde e quanto foi aplicado durante os quase três primeiros anos da gestão Richa. Segundo uma fonte que acompanhou os trabalhos, foram listados todos os contratos com fornecedores, por tipo de contratação (serviço, obra pública, fornecimento de bens, etc.). Junto com o relatório final, Richa teria sido informado de que a situação já indicava a perspectiva de falta de recursos para o pagamento de pessoal.

Em dezembro daquele ano, o governo enfrentou dificuldades para pagar o 13.º salário do funcionalismo. Em janeiro de 2014, a então secretária de Fazenda, Jozélia Nogueira, tornou público que a dívida com fornecedores era de R$ 1,1 bilhão. O número contrastava com o dado posterior de que, na comparação com as 27 unidades da federação, o Paraná foi a que teve o maior aumento de receita corrente líquida, entre dezembro de 2010 e abril de 2014.

* * *

Apropriar-se do que não lhe pertence virou hábito no governo Richa

Do Oi, Curitiba!

Apropriar-se do que não lhe pertence parece ser hábito recorrente nas entranhas do governo Richa. No ano passado, por exemplo, com a maior desfaçatez do universo, R$ 153 milhões foram retirados indevidamente de contas judiciais. Agora é a vez do dinheiro da Previdência. Beto quer por que quer colocar a mão nos R$ 8 bilhões do fundo previdenciário do Estado.

Em janeiro de 2014, o Paraná ficou sabendo de um fato gravíssimo. Já em dificuldades financeiras, o governo de Beto Richa sacou dinheiro irregularmente de contas judiciais para abastecer o caixa estadual. A denúncia partiu da OAB do Paraná. Essas contas abrigam valores depositados em juízo, que ficam parados até que haja decisão final da Justiça. Na época, advogados relataram à OAB que clientes que venceram ações naquele mês tentaram sacar o dinheiro, mas se depararam com saldo zero.

Uma lei federal permite que os Estados saquem até 70% dos depósitos judiciais de natureza tributária, que envolvem litígios sobre o pagamento de impostos estaduais, para quitar precatórios (dívidas do Executivo com ordem judicial de pagamento). Parte deste dinheiro fica como fundo de reserva, para que as partes tenham como retirar os valores quando findarem seus processos. É proibido, porém, mexer nas contas não-tributárias, de causas privadas – alvo das denúncias da OAB.

Foram 2.049 contas movimentadas, e R$ 153 milhões transferidos em favor do governo. “Não houve má-fé nem intenção de meter a mão num dinheiro que não é do governo”, declarou Richa na época. “Houve autorização do Tribunal de Justiça. Se houve equívoco, há um fundo de reserva que repara imediatamente essa situação”, completou. O fato é que houve a apropriação de um dinheiro que não pertencia ao Estado.

O caso da Previdência é mais grave. Não apenas pelo montante, R$ 8 bilhões. Nem pela confirmação do que até as pedras do Centro Cívico sabem, que o Paraná vai mal das pernas e não tem dinheiro nem para pagar o açúcar do suco de laranja do governador. É porque esse dinheiro vem sendo economizado ao longo de mais de dez anos e é a garantia de que os aposentados do funcionalismo público vão receber todo mês.

Com a crise econômica em que o governador Beto Richa enfiou o Paraná cada vez mais escancarada, o genial e importado secretário da Fazenda Mauro Ricardo Costa saiu-se com essa medida: meter a mão no dinheiro dos aposentados. Mais uma vez o governo Richa quer se apropriar do que não lhe pertence.

Esse absurdo foi um dos motivos da revolta do funcionalismo público já que era um dos pilares do pacote de maldades do governador. O projeto foi retirado da pauta mas o chefe da Casa Civil Eduardo Sciarra disse que, na segunda-feira, ele retorna para a Assembleia. Nas negociações desta quinta-feira com a direção da APP-Sindicato, Sciarra disse que nenhum projeto que trate da previdência será enviado à Alep sem antes realizar todas as reuniões necessárias com o Fórum das Entidades Sindicais (FES).

Trocando em miúdos, o governo não parece ter desistido de avançar nos R$ 8 bilhões, apenas vai, antes de abocanhar, debater com os sindicatos. É ver para crer, ou seja, ficar atento ao pacotaço que será enviado aos deputados na semana que vem. Em se tratando do governo Richa, é sempre bom desconfiar.

* * *

Do site do Partido da Causa Operária

A derrota no Paraná é um alerta para a direita golpista

O verdadeiro plano de governo do PSDB para o País (e não os discursos e promessas falsas da campanha eleitoral) foi apresentado nas últimas semanas no Paraná.

Trata-se de um confisco contra o povo. Era esse o conteúdo do “pacotaço” do governador Beto Richa que, entre outras coisas, retiraria direitos trabalhistas, atacaria as aposentadorias do funcionalismo público e preparava o terreno para uma futura retirada dos investimentos públicos em saúde e educação e para a privatização.

É isso que a direita esperava colocar em prática se ganhasse as eleições.

Esse programa, ditado pelas necessidades e contradições de um setor da burguesia brasileira que está mais estreitamente vinculado ao imperialismo mundial, é totalmente oposto ao interesse e ao bem-estar da esmagadora maioria da população, que é pobre, trabalhadora e oprimida e que não tem nada a ganhar se o governo economizar milhões às suas custas para pagar os banqueiros e coisa que o valha.

A reação dos trabalhadores paranaenses, que ocuparam a Assembleia Legislativa e cerraram fileiras contra o ataque do governo tucano, foi apenas uma amostra do que pode acontecer em escala nacional, se se realizarem os desejos da direita, que quer tomar o poder das mãos do PT por meio de um golpe branco, o impeachment.

A luta contra o “pacotaço” deve ser vista pela direita que está inclinada a derrubar o governo como um grande e luminoso sinal de alerta. Uma vez que não há outra saída, os trabalhadores vão, inevitavelmente, enfrentar a tentativa desesperada da burguesia de esfolá-los com tudo o que tem: a força de sua mobilização, seu número, a luta nas ruas, as greves, ocupações… É esse o futuro reservado para a direita pró-imperialista que quer tomar o poder.

PS do Viomundo: Os textos acima fazem parte de uma avalanche de sugestões que recebemos no Facebook, desde que pedimos a nossos leitores paranaenses que nos abastecessem de informações que não saem na mídia nacional.
Leia Mais ►

Operação Sinal Fechado: Janot desarquivou investigação contra Agripino

Ximbica teria emprestado cheques a George Olímpio
A jornalista Thaísa Galvão, em seu blog, publica decisão em que o antigo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, arquivava uma investigação contra o senador José Agripino Maia (DEM) relacionada à Operação Sinal Fechado.

Diante dos depoimentos prestados por Gilmar da Montana e Alcides Barbosa, Agripino respondeu com declarações tomadas em cartório por Gilmar e George Olímpio em que se negava que o último houvera lhe repassado R$ 1 milhão de propina em 2010.

Tudo isso, no entanto, mudou de figura quando outros dois personagens decidiram fazer acordos de delação com o MP. O primeiro, o próprio George Olímpio. O outro foi Marcus Vinicius Furtado.

É o depoimento de George, em que afirma o pagamento de R$ 1 milhão e 150 mil a Agripino, que foi ao ar no Fantástico deste domingo.

Além do depoimento, George, acusado de liderar o esquema no DETRAN, entregou gravações e outras provas ao Ministério Público. Alcides Barbosa, o primeiro delator do esquema, já dissera que George costumava gravar conversas e reuniões para se proteger futuramente.

Depois do depoimento de George, o atual Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, desarquivou, há cerca de cinco meses, a investigação contra o senador.

A decisão de Gurgel está abaixo:

IMG_5990
IMG_5992
IMG_5993
IMG_5994



José Agripino pediu R$ 5 milhões e levou um, diz George Olímpio

Informações importantes na reportagem do Fantástico sobre a Operação Sinal Fechado.

Em primeiro lugar, a rede Globo revelou trechos dos depoimentos de George Olímpio que outros órgãos de imprensa não receberam.

Neles, George fala que o esquema do registro de veículos, antecessor da inspeção veicular, foi negociado na casa da governadora Wilma de Faria — e que os agentes do governo levavam 15% do faturamento, o que dava em torno de R$ 75 mil ao mês.

Também surge no vídeo o ex-diretor do DETRAN, Érico Ferreira, recebendo dinheiro vivo das mãos de George. Érico e o pai, desembargador Expedito Ferreira, respondem como réus na Sinal Fechado,

Mas a grande novidade no material da Globo, no entanto adiantada desde ontem no Jornal Nacional, é a implicação do senador José Agripino. O depoimento de George confirma o que já dissera Alcides Barbosa: de que a negociação com Agripino se deu na parte superior de seu apartamento em Natal.

Segundo George, o senador lhe disse que soubera que o grupo criminoso havia doado R$ 5 milhões à campanha de Iberê Ferreira e que, portanto, era necessário o mesmo valor para o acordo. No entanto, George argumentou que isso não era verdade: o valor repassado a Iberê Ferreira foi de R$ 1 milhão. Então, fecharam o acordo neste milhão.

Destaque-se que a reportagem não mostrou George falando sobre a casa de José Agripino em Brasília, mas o repórter Mauricio Ferraz perguntou a Agripino se George já estivera em sua casa em Brasília. Se George confirmou o depoimento de Alcides, a visita à casa do senador em Brasília se deu em fevereiro de 2011, quando o governo Rosalba Ciarlini anunciou o cancelamento do contrato do Inspar e, segundo Alcides, José Agripino decidiu desfazer o acordo com George, devolvendo-lhe ao menos metades dos cheques que haviam sido emprestados por José Bezerra Júnior, o Ximbica.

A maior surpresa foi justamente a entrevista de Mauricio Ferraz com Agripino. Antes de ser perguntado sobre o dinheiro, o senador confirmou praticamente toda a história contada pelos delatores: conhecia George, que já tinha estado em sua casa tanto em Natal quanto em Brasília.

Uma quase confissão.

Vamos aguardar o desenrolar do caso, especialmente na Procuradoria Geral da República. Rodrigo Janot teria desengavetado a investigação interrompida por Roberto Gurgel. A delação de George, inclusive, foi acompanhada por um Procurador que representava a PGR.


No CartaPotiguar
Leia Mais ►

O caso Agripino não foi o primeiro em que o Fantástico sonegou o nome de Aécio — e não será o último

Eles
O empresário potiguar George Olímpio deu uma longa entrevista ao Fantástico relatando ter pagado propina para aprovar uma lei que o beneficiava no Detran do Rio Grande do Norte.

Contou que deu dinheiro ao ex-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), ao filho da ex-governadora Wilma Faria (PSB), Lauro Maia, e ao senador José Agripino Maia (DEM-RN), presidente nacional do DEM.

Olímpio declarou ter desembolsado 1 milhão de reais a Agripino a pedido dele. Agripino teria feito uma chantagem, dizendo saber que o interlocutor contribuiu com 5 milhões para a campanha de Iberê de Souza (já morto).

De Miami, Agripino se defendeu: “Eu nunca pedi nenhum dinheiro, nenhum valor a George Olímpio. E conforme ele próprio declarou em cartório, não me deu R$ 1 milhão coisíssima nenhuma.”

Agripino é mais um paladino da moral que engana trouxas com um discurso atacando a corrupção. É também ex-coordenador da campanha de Aécio Neves à presidência, informação que o Fantástico sonegou aos telespectadores na matéria de 7 minutos e 40 segundos. Isso não é um detalhe de sua biografia, evidentemente.

O histórico de Aécio no Fantástico é de blindagem. Em 2012, o programa foi a Cláudio — que ficaria famosa mais tarde por causa de seu aeroporto — para falar de um esquema de venda de habeas corpus para libertar traficantes de drogas.

A polícia apreendera 60 quilos de pasta base de cocaína, parte encontrada numa camionete. O motorista foi preso com um traficante. Foram libertados por decisão de um desembargador chamado Hélcio Valentim de Andrade Filho. (assista abaixo)

Em frente à cachaçaria Mingote, (NE: flagrada com trabalho escravo) o repórter falou que a sentença para libertar os homens foi negociada ali, com a presença do juiz e de Tancredo Tolentino, o Quedo.

O nome de Aécio, naquela ocasião, também não foi mencionado — nem para dizer que ele é primo de Quedo, nem para lembrar que a cachaçaria lhe pertencia e nem para esclarecer que foi ele quem nomeou Hélcio Valentim.

“Aécio tem o espírito de homem público, íntegro e, além disso, um homem que trará muita sorte para o país”, disse Agripino sobre seu candidato no ano passado. É o show da vida.

Kiko Nogueira
No DCM



Leia Mais ►

Não há razões para governo omitir-se e não investigar o escândalo HSBC


Continuamos a não encontrar razões legais ou políticas para a omissão — que beira a cumplicidade — das autoridades brasileiras com relação as contas de brasileiros no HSBC da Suíça, conforme denúncia do Consorcio Internacional de Jornalistas Investigativos ( ICIJ na sigla em ingles) no escândalo que ficou conhecido como o SwissLeaks – ou Suicilão, como também já vem sendo chamado.

Que nossa mídia mude de critério e para não noticiar o escândalo — ou só fazê-lo discretamente com uma notinha aqui ou ali — se justifique com o respeito ao sigilo fiscal e ao interesse público para se omitir faz parte da história de nosso jornalismo empresarial nas ultimas décadas.

Já quando se trata de adversários dela nossa mídia se escuda no sigilo da fonte para escrachar tudo, mas não respeita nem o sigilo ou segredo de justiça e muito menos o sigilo fiscal, bancário, telefônico ou telemático. Só os respeita, de fato, quando se trata de escândalos envolvendo ela mesmo ou o tucanato e a oposição em geral. Se o mal feito foi praticado pelos amigos dela do PSDB ou da oposição, quando muito ela registra a informação para não confessar o crime de ocultação do cadáver.

Tem que apurar, fazer cumprir a lei com rigor, e dar a máxima divulgação

Mas o governo brasileiro omitir-se nesse escândalo HSBC — SwissLeaks? Quando falamos de governo brasileiro leia-se o Conselho de Atividades de Controle Financeiro (COAF), o Banco Central (BC), a Receita Federal (RF), a Policia Federal (PF), a Controladoria Geral da União (CGU), o Ministério Público (MPF) e os Ministérios da Fazenda e da Justiça.

Pois bem, uma vez provada a evasão fiscal realizada através de depósitos em contas secretas nessa agência HSBC-Suíça, todos estes órgãos têm mais do que obrigação, tem a imposição legal de investigar, apurar e fazer cumprir a lei, com a mais ampla publicidade e com o rigor que a legislação estabeleça.

O ministro da Justiça só na 5ª feira passada, depois de o escândalo rolar há semanas, anunciou que o governo fará investigações caso se prove necessário. O MPF anunciou na 6ª feira que vai investigar mas não precisou quando começa… E a Receita Federal adiantou que repassará as informações a quem for fazer a apuração porque alguns dos 6,6 mil clientes brasileiros que constam da lista de depositantes na agência HSBC suíça já foram apanhados antes na malha da RF por outras falhas.

Deputados do PT tomam iniciativas para levar a apuração

Diante da demora e omissão mesmo, adquire maior importância duas iniciativas de deputados do PT, Paulo Pimenta (RS) e Valmir Prascidelli (SP). Pimenta solicitou ao Ministro da Justiça e ao Procurador-Geral da República (PGR) a investigação do Suicilão, para escancarar a hipocrisia e o moralismo de ocasião da grande mídia, como diz o deputado petista gaúcho em entrevista ao site PT na Câmara.

Prascidelli  enviou requerimento ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) solicitando a formação de uma comissão externa do Legislativo para investigar o escândalo de evasão fiscal envolvendo o HSBC e correntistas brasileiros, a semelhança do que fazem já diversos países da Europa além dos parlamentos português e europeu.

Vejam no boletim PT na Câmara, detalhes da iniciativa do deputado Paulo Pimenta), e Valmir Prascidelli.

Leiam, também, na revista Carta Capital desta semana a reportagem sobre HSBC e seus correntistas brasileiros na Suíça, além do artigo do professor Luiz Gonzaga Belluzzo (abaixo). 

No Blog do Zé



Os 8.667 de Pindorama

O Brasil detém um honroso quarto lugar no campeonato mundial de potenciais sonegadores clientes do HSBC 

Longe de combater a corrupção, a imprensa brasileira é parte dela
Bancos como o HSBC criaram um sistema para seu próprio enriquecimento à custa da sociedade, ao promover a evasão fiscal e a lavagem de dinheiro, disse Hervé Falciani, o funcionário que vazou as informações.

No Painel do Leitor de 17 de fevereiro, a Folha de S.Paulo exibiu a opinião de Celso Balotti. O leitor do prestigioso matutino disparou: “Talvez o colunista Ricardo Melo  ainda não tenha percebido que a pouca repercussão do escândalo financeiro mundial (as contas secretas no HSBC da Suíça) na imprensa brasileira se deva ao fato de que, longe de combater a corrupção, a imprensa brasileira é parte dela... Quem se surpreenderia se muitos dos sujeitos que aparecem todos os dias gritando ‘pega ladrão’ estivesse na lista do HSBC”. O colunista da Folha Ricardo Melo teve o desassombro de apontar a omissão da mídia diante do escândalo global do HSBC.

O International Consortium of Investigative  Journalists (Icij) teve acesso a uma lista de 106 mil clientes de 203 países. Esses cidadãos do mundo descansaram suas patacas de 100 bilhões de dólares nas contas secretas do private bank do HSBC suíço. Entre o total de depósitos, há indícios de uma quantia parruda de grana mal havida ou em esperta manobra para fraudar o Fisco dos países de origem. Certamente, algumas contas são legais.

O Brasil contribuiu com 8.667 depositantes, um honroso quarto lugar no campeonato mundial de potenciais sonegadores. Se o valor total das contas (7 bilhões de dólares) for o critério de classificação, caímos para nono lugar.

O leitor Balotti, imagino, empregou a palavra corrupção em seu sentido amplo, ao atribuir essa prática à imprensa do País do Carnaval. Interpreto as palavras do missivista como uma denúncia de omissão. Omissão regada à cumplicidade com as camadas sociais useiras e vezeiras em sambar ao som das picaretagens financeiras e ao ritmo do descumprimento de suas obrigações com o Fisco. É a mesma turma que proclama O Fim do Brasil. Enquanto fazem das suas, gritam “pega ladrão” diante das patifarias — vou repetir, patifarias — dos vizinhos-adversários.

Não creio, sinceramente, que os senhores da mídia nativa tenham sucumbido às mesmas tentações que levaram o grupo do jornal argentino Clarín, a enfiar a mão na cumbuca, engrossando o ervanário do HSBC. Prefiro entender o silêncio midiático como uma manifestação das muitas obsessões oligárquicas que assolam os senhores de Pindorama: nas sinapses dos patrícios da Pátria, sobrevive a hierarquia “natural” que organiza a sociedade brasileira desde os tempos da escravidão. Nem mesmo os corruptos e a corrupção conseguem escapar da fúria classificatória e classista.

Em meio às folias e algazarras de Momo, entreguei-me à leitura dos documentos do Icij, sem, no entanto, descurar das interessantes opiniões que circulam na página Tendências e Debates da Folha. No mesmo dia e na mesma página, o economista Marcos Cintra sentou a pua na turma do andar de baixo:

“O corporativismo, a cultura do direito conquistado, a demagogia, o populismo e a ditadura do politicamente correto transformaram o Brasil na república dos coitadinhos, onde os que são considerados vulneráveis julgam ser detentores de privilégios a ponto de desafiarem as autoridades constituídas para conquistarem suas metas.”

O senhor Cintra exibe uma visão do mundo elaborada a quatro mãos por Átila, o rei dos hunos, e Al Capone. As engenharias fiscais e cambiais dos amigos da finança antissocial e predatória surripiaram, só no private bank suíço, 7 bilhões de dólares do Tesouro. É justo imaginar que há mais bufunfa circulando em outros paraísos. Sendo assim, diante da resistência dos “vulneráveis”, o ajuste fiscal deveria completar o trabalho, lançando a multidão dos “coitadinhos” penhasco abaixo.

Lembro aqui o fiasco do Fisco nos trabalhos que buscavam investigar os protagonistas da avalanche de grana enviada para paraísos fiscais e contas suíças no caso Banestado. A investigação iniciada pelo procurador federal Celso Três naufragou no “Acordão” costurado na CPI do Banestado e vazou para os subterrâneos, filtrada entre as decisões e acórdãos do “novo” Judiciário brasileiro. Os nomes dos transgressores estavam gravados no então famoso “disco rígido”, cujo acesso foi bloqueado pelo Supremo Tribunal Federal.

Devo relembrar a frase do finado e saudoso Stanislaw Ponte Preta: “Restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos”. Por aqui, a moralidade proclamada por quem se pretende Bom e Bonito perde de goleada para os princípios que regem suas práticas, aquelas dos Feios, Sujos e Malvados. À falta de Stanislaw, o Brasil estaria melhor com Ettore Scola.

Luiz Gonzaga Belluzzo
No CartaCapital
Leia Mais ►

Imperdível: O convite do professor Weber para que Joaquim Barbosa compareça ao ato em defesa da Petrobras


Prezado colega Joaquim Barbosa,

Você cobrou a exoneração do Ministro da Justiça por ter recebido advogados das construtoras, alegando no seu Twitter: “Reflita: vc. defende alguém num processo judicial. Ao invés de usar argumentos/métodos jurídicos perante o juiz, vc. vai recorrer à Política?”

Permita-me ponderar, caro colega da UERJ, a Política com P maiúsculo, conforme você bem escreveu, é a mais nobre das atividades humanas, pois é a partir dela que se constrói uma sociedade rumo ao eldorado ou rumo ao abismo.

É conveniente deixar claro que todos nós queremos a punição de corruptos, o fim da corrupção e a repatriação dos bilhões evadidos. No entanto, esse problema da Petrobras & construtoras está indo muito além disso. Já extrapolou as decisões (aplaudidas) de um único juiz e passou a ser uma questão de Estado.

Explico: (1) Países ricos são aqueles que têm autonomia tecnológica, isto é, dominam o conhecimento que transforma a natureza em riqueza, desde os projetos de engenharia até o produto final. (2) Dentre as grandes empresas sediadas no Brasil, praticamente apenas a Petrobras & construtoras têm autonomia tecnológica. As outras grandes empresas, por serem mundiais, produzem bens aqui mas não desenvolvem a tecnologia no Brasil. (3) Quem domina a tecnologia tem o poder das decisões econômicas e a primazia dos melhores lucros.

A Petrobras é responsável por cerca de 10% dos investimentos realizados no País, cujo efeito multiplicador no crescimento da economia é exponencial. São razões de estado, portanto, que deveriam levar o governo a interceder politicamente no show de horrores que está provocando paralisação de setores produtivos da economia, desemprego e redução do PIB.

O que a Petrobras e construtoras têm de perene são as suas máquinas, equipamentos, outros bens materiais, o petróleo, trabalhadores e tecnologia, sinônimo de conhecimento, que nada têm a ver com os desvios de dinheiro provocados por meia dúzia de dirigentes ironicamente colocados em liberdade “premiada”.

Digo, por experiência própria vivenciada no poder executivo estadual, que a corrupção pode ser totalmente debelada sem prejudicar as (únicas) grandes empresas nacionais que desenvolvem tecnologia de forma autônoma.

Infelizmente, ao contrário do que se esperava, a forma seletiva de divulgação de passos inconclusos e não julgados do processo ‘lava-jato” está acarretando mais malefícios do que benefícios, até porque as tais delações (absurdamente) premiadas saíram dos bafos de bandidos confessos.

Mas isso agora é o de menos. O pior é ver os negocistas e golpistas de plantão se aproveitando de todo esse caldeirão de manchetes cientificamente encomendadas para enlamear, não os corruptos, mas a empresa Petrobras e as construtoras visando à enfraquecê-las para desnacionalizá-las.

Reflita, caro Joaquim, (i) com tantas instituições há décadas sugando bilhões de dólares da nossa economia sem qualquer reação do judiciário, ministérios públicos e imprensa; (ii) com um processo criminoso de privatizações que aniquilou empresas e inteligências brasileiras sem que houvesse um só pio desses órgãos; (iii) e o que vemos agora é a exploração malévola para destruir o que de melhor nos resta na engenharia brasileira.

Se o problema fosse realmente punir corruptos, eles não estariam em liberdade premiada. O alvo é realmente quebrar as últimas grandes empresas nacionais de engenharia; e logo a engenharia, um dos ramos do conhecimento que mais cria postos de trabalho em todas as áreas.

Isso é muito triste para um país que já tem mais de 70% do seu PIB controlado por não residentes. Será que você e o voluntarioso juiz Moro conseguem enxergar que existe algo que vai muito além dos “argumentos/métodos jurídicos” a que você se refere?

Nenhum “argumento/método jurídico” pode estar acima dos interesses da sociedade, nem pode ser usado para, por consequência, desgraçar a vida de milhares de famílias inocentes que dependem do funcionamento pleno das empresas nacionais que geram conhecimento e riquezas.

Lecionei durante 36 anos na Faculdade de Engenharia da universidade a qual você pertence, a UERJ. Sabemos o quanto é árduo a formação de engenheiros desenvolvedores de tecnologia. E o que temos visto em todo esse episódio do “petrolão” é a lubrificação dos dutos que podem, mesmo que não houvesse intenção, levar o nosso petróleo gratuitamente para alhures e destruir o que nos resta de tecnologia própria nas empresas de energia e construção civil-mecânica.

Acredite, caro Joaquim, os abutres já estão a grasnar: “entreguem tudo às empresas estrangeiras”; e, se elas tomarem conta do pedaço que nos resta, adeus à soberania e à tecnologia nacional. E isso, acredito, nem você nem o juiz Moro querem. Certo?

Seria muito bom que juristas de escol colocassem os seus saberes para impedir a alienação de riquezas e patrimônios nacionais. Que achas da ideia? Se você puder convide o juiz Moro e apareçam em dois atos em defesa da Petrobras e Soberania Nacional: dia 24/02, terça-feira, às18h, na Associação Brasileira de Imprensa, e no dia seguinte, 25/02, quarta-feira, às 17h, no Clube de Engenharia.

O que está em jogo são os destinos soberanos do Brasil. Quebrem-se os políticos e dirigentes corruptos, mas não a grande estatal e a engenharia nacional.

Cordialmente.

Weber Figueiredo da Silva, D.Sc.
Professor na Engenharia do CEFET-RJ

No Viomundo
Leia Mais ►

Tucano passa, tucano voa, e as manchetes do seu tempo pungueiam numa boa...

Fernando Henrique sentiu o golpe. Foi só Dilma lembrar que a roubalheira deveria ter sido investigada desde a década de 90 que ele subiu nas tamancas e levou o seu sorbonês ao nível mais baixo do momento. Insinuou que a Presidente é punguista!!! Não entendo mesmo esse Fernando Henrique — além de querer se passar por rei da cocada preta, faz de conta que não lembra dos seus desatinos de governo, tenta insinuar que hoje vivemos muito pior do que nos tempos dele. Para refrescar a memória, recuperamos algumas manchetes publicadas pelo Globo há exatamente 16 anos, quando Fernando Henrique — como Dilma — iniciava o seu segundo mandato. Hoje é 23 de fevereiro? Então vejamos o Globo do dia 23 de fevereiro de 1999: “ACM diz que intromissão do FMI fere a soberania”, “Inflação sobe para 2,64% após a desvalorização do real”, “Quem foge de problemas é traidor, diz FH”.


Outras manchetes históricas: “FMI pedirá ao Governo novas medidas de ajuste fiscal” (dia 1º/ fev), “Juros vão a 39% e dólar cai pela primeira vez em 20 dias” (2/fev), “Mudança no comando do BC faz o dólar despencar” (3/fev), “Governo propõe congelar prestação em dólar até abril” (4/fev), “Revisão de acordo com o FMI prevê ajuste ainda mais duro” (5/fev), “Manifesto de governadores irrita FH e interrompe o diálogo” (6/fev), “Ajuste fiscal vai conter o aumento do mínimo” (7/fev), “Fundação Getúlio Vargas prevê inflação de 8% no primeiro trimestre” (10/fev). Tem essa bem atual: “Carnaval da crise lota Sapucaí de estrangeiros” (15/fev). E olha essas: “Crescimento da economia no Brasil é o pior desde 1992” (20/fev), “Queixas contra o sistema financeiro batem recorde” (21/fev). Temos também: “BC intervém de novo mas não consegue acalmar o mercado” (25/fev) e “ACM: Senado não permitirá que FMI decida onde cortar” (28/fev).

Como dá para perceber, as manchetes econômicas do tempo de Fernando Henrique não deixam nada a desejar. São arrasadoras. Com o agravante de que as notícias na área social nem existiam... Mas você agora vai perguntar: “E a corrupção? E a Petrobras?” Pois é, fiz a busca com essas palavras e surgiram 93 páginas para o ano de 1999. Mas não encontrei grande destaque no mês de fevereiro. As manchetes devem ter sido pungueadas...

No Blog do Gadelha
Leia Mais ►

FHC se enrola na corrupção


Leia Mais ►

A TV que te vê


A Samsung, indústria coreana de tecnologia digital, admitiu publicamente, há duas semanas, que seus aparelhos de televisão são capazes de gravar conversas dos espectadores e transmitir esse conteúdo para um banco de dados controlado pela empresa. Basta que o cidadão habilite o comando de voz do televisor inteligente — chamado no mercado de smart TV — para fazer o controle remoto de suas funções, que o sistema habilita o aparelho a gravar tudo que é captado pelo microfone, transmitindo os dados para a central da Samsung.

Também a Apple já anunciou a colocação, no mercado, de um monitor de tela plana que agrega todas as funcionalidades da televisão inteligente e com um processador poderoso o suficiente para cumprir os atributos de um computador com grandes recursos. Como nos tablets e nos melhores laptops, o novo equipamento tem uma câmera de alta definição capaz de registrar imagens e sons no ambiente. Da mesma forma, a escolha do usuário poderá colocá-lo em comunicação direta e ao vivo com uma central de serviços onde suas expressões visuais e sonoras serão armazenadas.

O propósito desses avanços é transformar o ponto de entretenimento típico das famílias contemporâneas em um sistema de distribuição de tarefas e informações para outros aparelhos da casa, inclusive os telefones móveis registrados na rede. Quem estiver encarregado da cozinha poderá ativar o fogão para prover a família com o fast food da ocasião ou encomendar e pagar uma pizza, sem se levantar do sofá. Câmeras com reconhecimento de feições e programas que validam as vozes completam o pacote, e o nível de privacidade vai depender do cuidado ou da habilidade de cada um ao usar esses recursos.

Boa parte dessas novidades, e outras ainda mais curiosas, já vem sendo anunciada há mais de uma década. O jornalista brasileiro Ethevaldo Siqueira, juntou algumas delas num livro publicado em 2004, com contribuições de especialistas, cujo título é 2015 – Como Viveremos.

É interessante observar o quanto a tecnologia evoluiu nesse período. Aquele futuro de dez anos atrás chegou rapidamente, e o ser humano mal teve tempo de aprender a usar as teclas virtuais de seus smartphones.

A TV que te vê vai mudar o sentido da palavra telespectador.

Onde vai estar o jornal?

Essas novidades colocam em pauta algumas questões interessantes: uma delas é o controle sobre a vida social assumido por empresas de tecnologia, que liberam a aplicação prática do conhecimento acumulado conforme seus interesses de mercado, que não dependem necessariamente do interesse dos cidadãos. Essa mudança estabelece um novo processo na apropriação da tecnologia, pelo qual os conglomerados chamados de mídia tornam-se dependentes dos engenheiros que projetam tais parafernálias.

Há uma diferença básica no novo cenário: antes, um veículo impresso podia ser apenas isso — um meio de comunicação visual numa plataforma de papel. Hoje, a maioria dos veículos da mídia tradicional precisa migrar para sistemas de publicação multiplataforma, ou no mínimo produzir uma versão digital para a internet e para os aparelhos móveis de comunicação.

O progressivo avanço do televisor inteligente sobre os aparelhos passivos que recebem e exibem uma programação fixa em tempo presente obriga a novas estratégias e a modelos de negócio inovadores. A mídia tradicional, estruturada sobre o conceito de mediação no qual o público é sujeito passivo, quase objeto do processo comunicacional, teria fôlego para esse desafio?

Ainda mais importante: essas empresas teriam interesse em adotar uma linha de tecnologias que reduz seu papel como filtro de notícias e opiniões? Qual seria o perfil mais adequado de um jornalista nesse contexto em que não apenas o usuário dos meios mas principalmente o fabricante dos equipamentos assumem o controle dessas interações?

Quem usa um aparelho celular com sistemas de localização que agregam continuamente informações sobre o trânsito, alertas sobre acidentes ou a presença de barreiras policiais no caminho pode imaginar como seria simples um aplicativo como o Waze, por exemplo, funcionar sobre uma base de tipo noticioso, com textos, som e imagem.

Jornalistas sempre serão necessários para colher e selecionar esse material, mas quem assegura que eles precisarão trabalhar numa grande redação, sob uma marca da mídia tradicional?

Até ontem, você assistia a TV. Hoje, é a TV que te vê e te ouve.

Onde vai estar seu jornal amanhã?

Luciano Martins Costa
Leia Mais ►

Vem aí a “Construbrás”!

Quem não financiaria o maior programa de infra-estrutura do mundo, depois da China?​


O ansioso blogueiro submeteu a sugestão do PROER das empreiteiras a dois eminentes advogados amigos.

Que tal o PROER das empreiteiras ?

— Paulo, meu amigo, basta nacionalizar as empreiteiras pelo que devem ao país. Abração

— Mas, como assim: nacionalizar como ?

— O Estado assume o controle. Simples assim e a bem do interesse público.

— Mas, e os corruptos ?

— O direito privado burguês autoriza a imputação de responsabilidade ao controlador corrupto das empreiteiras e a apreender judicialmente as ações de controle em demandas por improbidade…

— Concordo !

— Temos que nacionalizar as empreiteiras. É o único jeito de preservar o interesse nacional e o pleno emprego.

— Mas, temos dinheiro pra isso ?

— Não precisamos. Temos crédito!
O ansioso blogueiro se permitiu duas reflexões.

De fato, não faltaria dinheiro.

Quem não emprestaria a quem investir no maior programa de infra-estrutura do mundo, depois da China ?

Quantos bancos chineses ?

Outra reflexão.

O que serve melhor o interesse nacional: o BNDES financiar a Friboi para comprar uma fábrica de frango nos Estados Unidos, ou empreiteiras que realizam as obras da Petrobras – o Comperj, por exemplo ?

Como se vê, o Dr Moro, os procuradores bravateiros, os delegados aecistas e a Globo não vão paralisar o Brasil.

Leia Mais ►

Como punir acionistas, sem comprometer as empresas


Na sexta-feira passada (dia 20), o Ministério Público Federal abriu cinco ações de improbidade administrativa contra empreiteiras envolvidas na Lava Jato que, se seguida ao pé da letra, liquidará com as empresas.

O MPF não apenas cobra o pagamento de R$ 4,47 bilhões por desvio de recursos da Petrobras, como pede que sejam punidas com a proibição de contratação junto ao poder público e a suspensão de acesso a benefícios fiscais e creditícios.

A punição se estende para "as empresas ligadas ao mesmo grupo econômico que atuem ou venham a atuar no mesmo ramo de atividade das empreiteiras".

* * *

Levou anos para que o direito comercial brasileiro aceitasse o conceito da recuperação judicial. Antes, a uma empresa em dificuldades só restava a concordata (onde recebia um prazo maior para quitar as dívidas) ou a falência. Nesse caso, a empresa era fechada e seus ativos (imóveis, maquinário, estoques) vendidos para ressarcir os credores.

Perdia-se o maior valor da empresa, o intangível representado pela marca, pelo conhecimento acumulado, pelas relações comerciais, estrutura de pessoal, fornecedores.

Com a recuperação judicial há um conselho de credores com poderes totais para analisar as condições da empresa e montar um plano de recuperação factível — muitas vezes até com redução das dívidas visando viabilizá-la.

Preservam-se valores, empregos.

* * *

O MPF deixou de lado todas essas preocupações na hora de pedir as punições à empresa.

Em vez de “punir” as empresas, poderia, por exemplo, investir contra seus controladores, obrigando-os a ressarcir os prejuízos com seus bens pessoais, incluindo as ações da empresa.

* * *

Outra alternativa para preservar as empresas e manter a moralidade pública seria recorrer à Lei das Licitações, a 8666, que permite ao administrador “tomar a empresa” que por alguma razão não consiga dar conta do contrato em vigor.

O dispositivo foi lembrado pelo advogado Aroldo Joaquim Camillo Filho, por ocasião do escândalo da Construtora Delta.

“Usemos o tempo e o dinheiro que será gasto na pirotecnia em solução imediata”, diz ele. “Tome-se a empresa e ao invés de declarações festivas na imprensa, nomeiem-se membros do Ministério Público para o conselho fiscal, busquem-se no Mercado executivos para a administração e dê-se a controladoria ao judiciário ou ao TCU”.

Com isso, os contratos seguiriam os mesmos padrões de hoje, corrigidos apenas seus excessos, preservado empregos diretos e indiretos, cadeia de fornecedores, cumpridos os cronogramas. No final, indenize-se o erário.

* * *

Mas o advogado é cético em relação a essa saída, embora a considere a mais racional. “Não acredito muito na coragem do administrador público para isso, e caso algo nesse sentido não seja feito, a história se repetirá, por farsa e tragédia, prende-se apreende-se, imobiliza-se, julga-se, condena-se e, no final, chupa-se o dedo”.

Se a intenção do Procurador Geral da República Rodrigo Janot não for a de desorganizar a economia, ainda há tempo de corrigir seus abusos, reunir-se com o Executivo e outros órgãos de controle e desenhar uma solução que preserve a capacidade acumulada das empresas, sem privilegiar seus controladores.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

HSBC: O cinismo de Zero Hora e o espanto de gaúchos

Gaúchos na lista de clientes com movimentação suspeita no HSBC negam conta no banco

Valores movimentados pela clientela brasileira entre 2006 e 2007, incluindo pessoas físicas e jurídicas, somariam R$ 20 bilhões

Dos mais de 8,6 mil brasileiros que constam em uma lista de correntistas do HSBC na Suíça, dois deles tem endereços declarados no Rio Grande do Sul. Localizados por Zero Hora, eles dizem estar espantados com seus nomes e endereços no rol de clientes que teriam se beneficiado de manobras fiscais do banco para driblar o pagamento de tributos. Os valores movimentados pela clientela brasileira entre 2006 e 2007, incluindo pessoas físicas e jurídicas, somariam R$ 20 bilhões.

A revelação de documentos, chamada de Swissleaks, ocorreu por meio de uma associação de jornalistas investigativos de 45 países que teve acesso aos dados a partir de um ex-funcionário do HSBC, em Genebra. A listagem completa contém 106 mil clientes em 203 países, com nomes de personalidades políticas, ditadores, nobres, estrelas das artes e dos esportes e contrabandistas internacionais de armas e drogas. O foco central das investigações está a cargo de autoridades suíças. Fragmentos da lista ganharam espaço de destaque na imprensa internacional e nas redes sociais, muitos a considerando verdadeira, antes mesmo de qualquer confirmação oficial.

No Brasil, a Receita Federal teve acesso à parte da lista e, em alguns casos, preliminarmente encontrou indícios de "omissão ou incompatibilidade de informações prestadas ao fisco" e revelou que alguns nomes já tinham sido investigados anteriormente, a partir de "outros elementos constantes em suas bases de dados".

— Não sei como meu nome foi parar nesta lista. Nunca tive conta no Exterior, nem no HSBC - garantiu um empresário de Porto Alegre.

Mostrando-se surpreso, o homem disse que ainda não pensou em quais providências adotará para esclarecer a situação, mas pretender levar o assunto ao conhecimento de seus advogados:

— Quem não deve não teme. Nada tenho a esconder - completou.

Outro gaúcho da lista, que vive no Interior, também é enfático em refutar qualquer vínculo com o HSBC na Suíça.

— Achei muito chato meu nome aparecer em uma lista suja, meus rendimentos constam na declaração do imposto de renda - lamentou.

Um dos filhos dele, que já trabalhou em um banco suíço e vive em Porto Alegre, se sente incomodado com a situação.

— Meu pai nunca teve conta no HSBC. Estão divulgando coisas inverídicas. Desconfio que esta lista seja falsa ou usaram os nomes e dados das pessoas para abrir a conta - afirmou.

ZH não divulga os nomes dos entrevistados porque não há provas de que a listagem seja autêntica — com dados esparsos, sem associar diretamente pessoas e endereços — nem de que todos os nomes relacionados sejam de sonegadores de impostos.

O grupo de jornalistas que a tornou pública não confirma nem desmente a veracidade dos documentos. Evita detalhar informações alegando questões éticas, justamente porque poderia implicar danos morais a quem fez operações legais.

José Luís Costa
No ZH
Leia Mais ►

Esquema movimenta R$ 640 milhões para financiar corrupção no MT

Leia Mais ►

O diretor da Globo que quer cassar 54 milhões de votos

Sem noção
O que acontece quando um jornalista acredita na Veja e é formado pela Globo?

Bem, são grandes as chances de ele se tornar Erick Bretas.

Bretas, que ocupou diversas posições de destaque no telejornalismo da Globo e hoje é seu diretor de Mídias Digitais, fez ontem uma coisa que desafia a capacidade de compreensão.

Defendeu, no Facebook, a cassação de 54 milhões de votos dados há menos de cinco meses para Dilma.

Ele acha que Dilma deve ser objeto de impeachment. E fez questão de avisar que estará na manifestação pela queda do governo eleito em 15 de março.

Uma jornalista da grande mídia, extremamente incomodada com a fanfarronice de Bretas, foi quem me avisou.

Eu jamais ouvira falar dele, e lamento tê-lo conhecido. Mas não me surpreendo.

É uma oportunidade de as pessoas saberem como é feito o jornalismo da Globo, para além dos comentaristas e apresentadores que estão na tela.

Atrás deles, há coisa igual ou pior, como Bretas.

Ele foi diretor executivo de jornalismo da TV Globo, cargo no qual foi substituído pela jornalista Sílvia Faria, celebrizada por ter mandado tirar o nome de FHC do noticiário da Lava Jato.

Você lê Bretas e descobre por que o jornalismo da Globo é o que é.

Ele cita a Veja, publicação sem nenhum compromisso com a verdade há muitos anos, como um muçulmano se refere ao Corão.

Isso o faria um analfabeto político, apenas, não fosse a posição que ocupa na Globo.

Imagine a forma como ele editou as reportagens quando ocupou posições de chefia na emissora. Agora pense no que esperam os consumidores do jornalismo digital da Globo sob seu comando.

E o fato é que Bretas é um na multidão dentro da Globo.

Fica claro, lendo o seu bestialógico, por que a Globo escondeu o helicóptero com meio quilo de pasta de cocaína descoberto no helicóptero de um amigo fraternal de Aécio.

Também ficou evidente por que o aeroporto de Cláudio não mereceu uma cobertura minimamente decente da Globo.

Com editores como Bretas, como esperar que a Globo fosse tratar como deveria o espetacular caso das contas secretas do HSBC?

Isso só vai virar assunto se aparecer, na lista das contas, alguém ligado ao governo. Desde que, naturalmente, nela não figure alguém da família Marinho.

Bretas é uma aberração jornalística, e uma tragédia para o jornalismo brasileiro. Dado o alcance da Globo, e seu poder de manipulação, é uma ameaça à sociedade. Quantos cidadãos ingênuos não são deformados pelo trabalho de jornalistas como ele?

Pessoalmente, gostaria de saber se sua indignação não se estende à sonegação multimilionária de sua empresa.

Também queria saber, imaginando que ele seja um advogado do livre mercado, sua opinião sobre a reserva que ainda hoje beneficia a Globo e demais empresas jornalísticas.

Talvez fosse bom também ouvi-lo sobre o Mensalão eterno da Globo — o dinheiro público em doses colossais que acorre à empresa por meio de publicidade federal.

Sem esse dinheiro, coisa de meio bilhão ao ano de reais apenas do governo federal (sem contar os estaduais), a Globo, tal como conhecemos, verga e quebra. E Bretas, o homem que quer cassar Dilma, perde sua boquinha.

Paulo Nogueira
No DCM



Diretor da Globo defende impeachment de Dilma publicamente


Erick Bretas, diretor de mídias digitais da Globo, anunciou no Facebook que no dia 15 de março estará na manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Roussef, no Posto 5, em Copacabana, às 9:30h.

Sua nota-conclamação:

O carnaval, a conclusão do MBA e alguns afazeres domésticos me fizeram andar meio afastado aqui do Facebook, ao menos das conversas sobre política. Confesso que gostaria de continuar falando sobre amenidades, mas não dá.

Decidi que no dia 15 de março, um domingo, estarei mesmo na manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Roussef, no Posto 5, em Copacabana, às 9:30h.

Não defendo quartelada nem intervenção militar. Não me alinho com a direita hidrófoba e obscurantista de Bolsonaros e Felicianos. Mas também não sou omisso diante do que está acontecendo no país. Os fatos dos últimos dias me fizeram ter certeza de que só a pressão popular pode salvar o Brasil de mais um assalto — agora, às instituições.

Para quem não acompanhou o noticiário, um resumo:

1 – O ministro da Justiça (e candidato ao STF) José Eduardo Cardozo recebeu advogados da empreiteira Odebrecht em seu gabinete para discutir a Lava-Jato. Isto é o que ele reconhece ter feito.

Segundo vários veículos de imprensa, o que dizem participantes deste e de outro encontro com advogados de empreiteiras é que o ministro da Justiça tem assegurado à defesa dos barões das construtoras que a chegada da Lava-Jato ao Supremo vai representar uma reviravolta no processo.

Num país que não seja uma república bananeira, o encontro do ministro da Justiça com advogados de empreiteiros investigados pela polícia subordinada ao ministro já seria motivo para sua demissão. Essa é a opinião do ex-presidente do Supremo, Joaquim Barbosa. E minha também.

Pior: a Veja desta semana diz que Cardozo teria pedido à defesa de Sergio Pessoa, presidente da UTC e chefe do chamado “Clube do Bilhão” para não assinar um acordo de delação premiada.

2 – O presidente do Instituto Lula admitiu ter recebido representantes das empreiteiras implicadas na Lava-Jato para discutir as “dificuldades” provocadas pela investigação policial.

A simples reunião em uma mesma sentença das expressões “Instituto Lula”, “empreiteiros” e “policial” já soa estranha.

O Instituto Lula não foi criado para preservar o acervo e a memória do ex-presidente? Não era para ser tipo assim, um think tank, uma biblioteca, um centro de debates sobre o país, que nem os institutos dos ex-presidentes americanos? O que faz o presidente de uma instituição com este perfil dialogar com representantes de empreiteiros presos por corrupção?

3 – Depois de passar dois meses sem conceder entrevistas, a presidente da República saiu-se com essa: “Se um funcionário da Petrobras tivesse sido investigado no governo FHC, ele não teria desviado milhões mais tarde”.

Eu nunca toquei na banda dos que se horrorizam com a presidente, que a chamam de terrorista, que espalham boatos infundados sobre sua honestidade. Na verdade, a história pessoal da presidente sempre me inspirou uma certa simpatia. Uma mulher que combateu a ditadura, foi torturada, parecia ter firmeza de propósitos. Essas coisas que falam ao coração de quem já foi de esquerda, sabem?

Mas quando vem a público e diz uma coisa dessas, a presidente está sendo desonesta e não há passado que sustente o que lhe restava de respeito junto a brasileiros minimamente informados. Aliás, o que Dilma conseguiu com isso foi provocar memes hilariantes.

A presidente não acredita no que diz, tenho certeza disso. Se está reproduzindo algo a mando de João Santanna ou de Lula, não importa. Mas ela sabe que tentar jogar a corrupção na Petrobras no colo dos tucanos é diversionismo, é tentar criar uma cortina de fumaça para que o cidadão mais pobre e menos informado se confunda.

E aí reforça minha convicção de que não dá mais para ela.

Já não dava para ela se sair com o “Eu não sabia” que salvou Lula da degola no Mensalão. Dilma era presidente do Conselho de Administração da Petrobras quando aconteceu tudo o que vem a público agora. Deveria ser a brasileira mais interessada nas práticas de governança da empresa pelos anos em que lá esteve.

Ainda que por negligência — se não por má-fé –, paira sobre ela a responsabilidade pelo desvio de centenas de milhões de dólares dos cofres da Petrobras.

E é de responsabilidade que trata o impeachment. A análise objetiva desta questão cabe aos constitucionalistas. Eu não entendo disso e não vou me arriscar no tema. Mas o impeachment é também um processo político. Ele reflete a visão do parlamento sobre as condições de um presidente permanecer no cargo. E o parlamento se deixa influenciar pelo barulho que vem das ruas.

E é na rua que estarei no dia 15 de março.
Leia Mais ►

Moro num país tropical

Enquanto as denúncias sobre a Petrobras, cartel do Metrô em SP e descalabros estaduais eram apenas temas de gabinete, muita gente apostou na velha fórmula de empurrar com a barriga. No Brasil "abençoado por Deus e bonito por natureza", imaginou-se: quem sabe tudo se ajeite como na canção de Jorge Ben Jor.

Difícil. A sensação é a de que se chegou num limite em que tudo parece virado de cabeça para baixo. Partidos ditos representantes do povo, como o PT, tomam a dianteira no ataque a direitos dos trabalhadores. São medidas castigando desde o emprego até a educação.

Pouco importa a justificativa de que se pretende combater fraudes, supostas prebendas ou benefícios exorbitantes. O fato é que a maioria foi pega de surpresa, sem explicações convincentes e, pior, sem qualquer contrapartida por parte dos mais ricos. No mínimo, um erro de comunicação; no máximo, rendição mal-disfarçada.

Hoje a oposição empunha de modo oportunista bandeiras cativas do governo eleito: defesa de direitos trabalhistas, correção justa da tabela do IR e por aí afora. E vice-versa. O melhor retrato é a coalizão no poder. Tido como principal aliado e companheiro de carteirinha, o PMDB lidera a resistência ao governo. Aécio Neves, tucanos, que nada. Mesmo o zelador sabe que o maior adversário é Eduardo Cunha, do mesmo partido do vice-presidente.

Claro que não pode dar certo. Desde a derrota contundente no Parlamento, Dilma tem sido obrigada a comer na mão do presidente da Câmara. Este nada de braçadas. Cunha diz o que pode e o que não pode, emplaca apaniguados em cargos chaves do Congresso e espera sentado a subserviência do Executivo. Nem quer pagamento à vista. Prefere caprichar nos juros, tal qual um agiota experimentado.

O enredo funcionaria à perfeição caso a plateia escolhesse o silêncio. Nada aponta para isso. As greves nas fábricas, o bloqueio da ponte Rio-Niterói e a revolta em cidades como Curitiba e Rio Grande sinalizam que a luta apenas começou.

Os ventos da Lava Jato sopram no mesmo sentido. Os métodos humilhantes impostos pelo juiz Moro a acusados chamam a atenção por atingirem figurões. Mais grave: perto de que passam as dezenas de milhares de presos sem culpa ou condenação, o ambiente em que estão os empresários equivale a uma suíte premium de hotel. O paralelo, antes de mais nada, serve sobretudo para escancarar a indigência da Justiça e do sistema carcerário.

Por trás disso há um drama muito maior. O das famílias que, de uma hora para outra, perdem seu ganha pão pela paralisia do governo diante do efeito cascata das roubalheiras. A começar da Petrobras, as empreiteiras e construtoras afins engolfadas pelo escândalo são, antes de tudo, obras de cidadãos que nada têm a ver com os malfeitos.

Que se afastem os corruptos e corruptores. Que se punam os acionistas majoritários, por ora blindados pela camada de executivos acostumados a vender a honra em troca de carros importados ou casas de luxo em condomínios vigiados. Que se decrete a intervenção judicial, de preferência a partir de magistrados alheios a espalhafatos, enquanto restam em aberto as culpas e punições devidas. Acima de tudo, que se preservem os empregos dos milhares de trabalhadores ameaçados.

Sem medidas corajosas e iniciativa política, o governo só faz cavar sua própria cova. Não há "nega Tereza" que possa acudir, salvo se as ruas impuserem um freio de arrumação.

Ricardo Melo
No fAlha
Leia Mais ►

Sérgio Porto # 145


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►