20 de fev de 2015

Brizola convoca a resistência ao golpe. Discurso no rádio em 28 de agosto de 1961.


Em resposta ao veto dos ministros militares à posse de João Goulart na Presidência da República, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, convoca os gaúchos e os brasileiros a defenderem a Constituição. Entricheira-se no Palácio Piratini, mobiliza a Brigada Militar e, através da “Cadeia da Legalidade”, formada por dezenas de emissoras de rádio, convoca o país a resistir ao golpe. A firme atitude Brizola divide as Forças Armadas, com a adesão do poderoso III Exército, sediado no Sul e comandado pelo general Machado Lopes, à tese do respeito à Constituição. O discurso abaixo foi transmitido no dia 28 de agosto de 1961.



O Discursso

“Peço a vossa atenção para as comunicações que vou fazer. Muita atenção. Atenção, povo de Porto Alegre! Atenção Rio Grande do Sul! Atenção Brasil! Atenção meus patrícios, democratas e independentes, atenção para estas minhas palavras!

Em primeiro lugar, nenhuma escola deve funcionar em Porto Alegre. Fechem todas as escolas. Se alguma estiver aberta, fechem e mandem as crianças para junto de seus pais. Tudo em ordem. Tudo em calma. Tudo com serenidade e frieza. Mas mandem as crianças para casa.

Quanto ao trabalho, é uma iniciativa que cada um deve tomar, de acordo com o que julgar conveniente. Quanto às repartições públicas estaduais, nada há de anormal. Os serviços públicos terão o seu início normal, e os funcionários devem comparecer como habitualmente, muito embora o Estado tolerará qualquer falta que, porventura, se verificar no dia de hoje.

Hoje, nesta minha alocução, tenho os fatos mais graves a revelar. O Palácio Piratini, meus patrícios, está aqui transformado em uma cidadela, que há de ser heróica, uma cidadela da liberdade, dos direitos humanos, uma cidadela da civilização, da ordem jurídica, uma cidadela contra a violência, contra o absolutismo, contra os atos dos senhores, dos prepotentes. No Palácio Piratini, além da minha família e de alguns servidores civis e militares do meu gabinete, há um número bastante apreciável, mas apenas daqueles que nós julgamos indispensáveis ao funcionamento dos serviços da sede do Governo. Mas todos os que aqui se encontram estão de livre e espontânea vontade, como também grande número de amigos que aqui passou a noite conosco e retirou-se, hoje, por nossa imposição.

Aqui se encontram os contingentes que julgamos necessários, da gloriosa Brigada Militar - o Regimento Bento Gonçalves e outras forças. Reunimos aqui o armamento de que dispúnhamos. Não é muito, mas também não é pouco para aqui ficarmos preocupados frente aos acontecimentos. Queria que os meus patrícios do Rio Grande e toda a população de Porto Alegre, todos os meus conterrâneos do Brasil, todos os soldados da minha terra querida pudessem ver com seus olhos o espetáculo que se oferece.

Aqui nos encontramos e falamos por esta estação de rádio, que foi requisitada para o serviço de comunicação, a fim de manter a população informada e, com isso, auxiliar a paz e a manutenção da ordem. Falamos aqui do serviço de imprensa. Estamos rodeados por jornalistas, que teimam, também, em não se retirar, pedindo armas e elementos necessários para que cada um tenha oportunidade de ser também um voluntário, em defesa da legalidade.

Esta é a situação! Fatos os mais sérios quero levar ao conhecimento dos meus patrícios de todo o País, da América Latina e de todo o mundo. Primeiro: ao me sentar aqui, vindo diretamente da residência, onde me encontrava com minha família, acabava de receber a comunicação de que o ilustre General Machado Lopes, soldado do qual tenho a melhor impressão, me solicitou audiência para um entendimento. Já transmiti, aqui mesmo, antes de iniciar minha palestra, que logo a seguir receberei S. Ex.a com muito prazer, porque a discussão e o exame dos problemas é o meio que os homens civilizados utilizam para solucionar os problemas e as crises. Mas pode ser que essa palestra não signifique uma simples visita de amigo. Que essa palestra não seja uma aliança entre o poder militar e o poder civil, para a defesa da ordem constitucional, do direito e da paz como se impõe neste momento, como defesa do povo, dos que trabalham e dos que produzem, dos estudantes e dos professores, dos juízes e dos agricultores, da família. Todos, até as nossas crianças desejam que o poder militar e o poder civil se identifiquem nesta hora para vivermos na legalidade. Pode significar, também, uma comunicação ao Governo do Estado da sua deposição. Quero vos dizer que será possível que eu não tenha oportunidade de falar-vos mais, que eu nem deste serviço possa me dirigir mais, comunicando esclarecimentos à população. Porque é natural que, se ocorrer a eventualidade do ultimato, ocorrerão, também, conseqüências muito sérias. Porque nós não nos submeteremos a nenhum golpe, a nenhuma resolução arbitrária. Não pretendemos nos submeter. Que nos esmaguem! Que nos destruam! Que nos chacinem, neste Palácio! Chacinado estará o Brasil com a imposição de uma ditadura contra a vontade de seu povo. Esta rádio será silenciada tanto aqui como nos transmissores. O certo porém é que não será silenciada sem balas. Tanto aqui como nos transmissores estamos guardados por fortes contingentes da Brigada Militar.

Assim, meus amigos, meus conterrâneos e patrícios ficarão sabendo por que esta rádio silenciou. Foi porque ela foi atingida pela destruição e porque isso ocorreu contra a nossa vontade. E quero vos dizer por que penso que chegamos a viver horas decisivas.

Muita atenção, meus conterrâneos, para esta comunicação. Ontem à noite o Sr. Ministro da Guerra, Marechal Odílio Denys, soldado no fim de sua carreira, com mais de 70 anos de idade, e que está adotando decisões das mais graves, as mais desatinadas, declarou através do "Repórter Esso" que não concorda com a posse do Sr. João Goulart, que não concorda que o Presidente constitucional do Brasil exerça suas funções legais! Porque, diz ele numa argumentação pueril e inaceitável, isso significa uma opção entre comunismo ou não. Isso é pueril, meus conterrâneos! Isso é pueril, meus patrícios! Não nos encontramos nesse dilema. Que vão essas ou aquelas doutrinas para onde quiserem. Não nos encontramos entre uma submissão à União Soviética ou aos Estados Unidos. Tenho uma posição inequívoca sobre isto. Mas tenho aquilo que falta a muitos anticomunistas exaltados deste País, que é a coragem de dizer que os Estados Unidos da América, protegendo seus monopólios e trustes, vão espoliando e explorando esta Nação sofrida e miserabilizada. Penso com independência. Não penso ao lado dos russos ou dos americanos. Penso pelo Brasil e pela República. Queremos um Brasil forte e independente. Não um Brasil escravo dos militaristas e dos trustes e monopólios norte-americanos. Nada temos com os russos. Mas nada temos também com os americanos, que espoliam e mantêm nossa Pátria na pobreza, no analfabetismo e na miséria.

Esses que muito elogiam a estratégia norte-americana querem submeter nosso povo a esse processo de esmagamento. Mas isso foi dito pelo Ministro da Guerra. Isso quer dizer que S. Ex.a tomará todas as medidas contra o Rio Grande. Estou informado de que todos os aeroportos do Brasil, onde pousam aviões internacionais de grande porte, estão guarnecidos e com ordem de prender o Sr. João Goulart no momento da descida. Há pouco falei, pelo telefone, com o Sr. João Goulart, em Paris, e disse a ele que todas as nossas palestras de ontem foram censuradas. Tenho provas. Censuradas nos seus efeitos, mas a rigor. A companhia norte-americana dos telefones deve ter gravado e transmitido os termos de nossas conversas para essas forças de segurança. Hoje eu disse ao Sr. João Goulart: "Decides de acordo com o que julgares conveniente. Ou deves voar, como eu aconselho, para Brasília, ou para um ponto qualquer da América Latina. A decisão é tua! Deves vir diretamente a Brasília, correr o risco e pagar para ver. Vem. Toma um dos teus filhos nos braços. Desce sem revólver na cintura, como um homem civilizado. Vem como para um País culto e politizado como é o Brasil e não como se viesse para uma republiqueta, onde dominam os caudilhos, as oligarquias que se consideram todo-poderosas. Voa para o Uruguai, então, essa cidadela da liberdade, aqui pertinho de nós, e aqui traça os teus planos, como julgares conveniente".

Vejam, meus conterrâneos, se não é loucura a decisão do Ministro da Guerra. Vejam, soldados do Brasil, soldados do III Exército! Comandante, General Machado Lopes! Oficiais, sargentos e praças do III Exército, guardiães da ordem da nossa Pátria. Vejam se não é loucura. Esse homem está doente! Esse homem está sofrendo de arteriosclerose ou outra coisa. A atitude do Marechal Odílio Denys é uma atitude contra o sentimento da Nação. Contra os estudantes e intelectuais, contra o povo, contra os trabalhadores, contra os professores, juízes, contra a Igreja. Ainda há pouco, conversando com S. Exa Rev.ma., Arcebispo D. Vicente Scherer, recebi a comunicação de que todos os cardeais do Brasil haviam decidido lançar proclamação pela paz, pela ordem legal, pela posse a quem constitucionalmente cabe governar o Brasil, pelo voto legítimo de seu povo. Essa proclamação está em curso pelo País. As Igrejas protestantes, todas as seitas religiosas clamam por paz, pela ordem legal. Não é a ordem do cemitério ou a ordem dos bandidos. Queremos ordem civilizada, ordem jurídica, a ordem do respeito humano. É isso.

Vejam se não é desatino. Vejam se não é loucura o que vão fazer. Podem nos esmagar, num dado momento. Jogarão o País no caos. Ninguém os respeitará. Ninguém terá confiança nessa autoridade que será imposta, delegada de uma ditadura. Ninguém impedirá que este País, por todos os seus meios, se levante lutando pelo poder. Nas cidades do interior surgirão as guerrilhas para defesa da honra e da dignidade, contra o que um louco e desatinado está querendo impor à família brasileira. Mas confio, ainda, que um homem como o General Machado Lopes, que é soldado, um homem que vive de seus deveres, como centenas, milhares de oficiais do Exército, como esta sargentada humilde, sabe que isso é uma loucura e um desatino e que cumpre salvar nossa Pátria. Tenho motivos para vos falar desta forma, vivendo a emoção deste momento, que talvez seja, para mim, a última oportunidade de me dirigir aos meus conterrâneos. Não aceitarei qualquer imposição.

Desde ontem organizamos um serviço de captação de notícias por todo o território nacional. É uma rede de radioamadores, num serviço organizado. Passamos a captar, aqui, as mensagens trocadas, mesmo em código e por teletipos, entre o III Exército e o Ministério da Guerra. As mais graves revelações quero vos transmitir. Ontem, por exemplo — vou ler rapidamente, porque talvez isso provoque a destruição desta rádio —, o Ministro da Guerra considerava que a preservação da ordem "só interessa ao Governador Brizola". Então, o Exército é agente da desordem, soldados do Brasil?! É outra prova da loucura! Diz o texto: "É necessário a firmeza do III Exército para que não cresça a força do inimigo potencial".

Eu sou inimigo, meus conterrâneos?! Estou sendo considerado inimigo, meus patrícios, quando só o que queremos é ordem e paz. Assim como esta, uma série de outras rádios foi captada até no Estado do Paraná, e aqui as recebemos por telefone, de toda a parte. Mais de cem pessoas telefonaram e confirmaram. Vejam o que diz o General Orlando Geisel, de ordem do Marechal Odílio Denys, ao III Exército: "Deve o Comandante do III Exército impedir a ação que vem desenvolvendo o Governador Brizola"; "deve promover o deslocamento de tropas e outras medidas que tratam de restituir o respeito ao Exército"; "o III Exército deve agir com a máxima urgência e presteza"; "faça convergir contra Porto Alegre toda a tropa do Rio Grande do Sul que julgar conveniente"; "a Aeronáutica deve realizar o bombardeio, se for necessário"; "está a caminho do Rio Grande uma força-tarefa da Marinha de Guerra", e "mande dizer qual o reforço de que precisa". Diz mais o General Geisel: "Insisto que a gravidade da situação nacional decorre, ainda, da situação do Rio Grande do Sul, por não terem, ainda, sido cumpridas as ordens enviadas para coibir ação do Governador Brizola".

Era isto, meus conterrâneos. Estamos aqui prestes a sofrer a destruição. Devem convergir sobre nós forças militares para nos destruir, segundo determinação do Ministro da Guerra. Mas tenho confiança no cumprimento do dever dos soldados, oficiais e sargentos, especialmente do General Machado Lopes, que, esperamos, não decepcionará a opinião gaúcha. Assuma, aqui, o papel histórico que lhe cabe. Imponha ordem neste País. Que não se intimide ante os atos de banditismo e vandalismo, ante esse crime contra a população civil, contra as autoridades. É uma loucura.

Povo de Porto Alegre, meus amigos do Rio Grande do Sul! Não desejo sacrificar ninguém, mas venham para a frente deste Palácio, numa demonstração de protesto contra essa loucura e esse desatino. Venham, e se eles quiserem cometer essa chacina, retirem-se, mas eu não me retirarei e aqui ficarei até o fim. Poderei ser esmagado. Poderei ser destruído. Poderei ser morto. Eu, a minha esposa e muitos amigos civis e militares do Rio Grande do Sul. Não importa. Ficará o nosso protesto, lavando a honra desta Nação. Aqui resistiremos até o fim. A morte é melhor do que vida sem honra, sem dignidade e sem glória. Aqui ficaremos até o fim. Podem atirar. Que decolem os jatos! Que atirem os armamentos que tiverem comprado à custa da fome e do sacrifício do povo! Joguem essas armas contra este povo. Já fomos dominados pelos trustes e monopólios norte-americanos. Estaremos aqui para morrer, se necessário. Um dia, nossos filhos e irmãos farão a independência do nosso povo!

Um abraço, meu povo querido! Se não puder falar mais, será porque não me foi possível! Todos sabem o que estou fazendo! Adeus, meu Rio Grande querido! Pode ser este, realmente, o nosso adeus! Mas aqui estaremos para cumprir o nosso dever.”



Hino da Legalidade


Leia Mais ►

Manifesto em defesa da legalidade


É hora de encarar os fatos: há uma conspiração em marcha para desestabilizar o governo, ainda que à custa da desorganização da economia. Não dá mais para tapar o sol com a peneira. É uma conjunção muito grande de fatores:
  1. A cobertura enviesada da mídia em cima de vazamentos seletivos da Operação Lava Jato. Conseguiram transformar até a Swissleaks em operação Lava Jato.
  2. O comportamento do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, tratando o crime de vazamento de informações como se fosse uma ocorrência normal.
  3. As declarações sincronizadas da mídia, Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, procurando manietar o já inerte Ministro da Justiça.
  4. A visita de procuradores ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a pretexto de colaborar com as investigações contra a Petrobras.
  5. Finalmente, a decisão do Ministério Público Federal, de agora há pouco, de dar o golpe final contra as empreiteiras da Lava Jato, inviabilizando-as definitivamente.
Não tem lógica alegar estrito cumprimento da lei para liquidar com as empresas. Nem o mais empedernido burocrata ficaria insensível aos efeitos dessa quebra sobre a economia brasileira, sobre empregos e sobre o crescimento.

Qualquer agente público minimamente responsável trataria de apurar responsabilidades e punir duramente as pessoas físicas responsáveis, evitando afetar as empresas, ainda mais sabendo dos desdobramentos sobre a economia como um todo.

Só intenções políticas obscuras para justificar essa marcha da insensatez.

PS - Alo, presidente Dilma Rousseff. Esqueça essa preocupação sobre se as pessoas vão ou não duvidar da sua honestidade. Ninguém duvida dela. Eles não estão atrás da sua reputação: estão atrás do seu cargo. Acorde!

Abaixo, manifesto de personalidades contra o jogo político em andamento.

Manifesto: O QUE ESTÁ EM JOGO AGORA

A chamada Operação Lava Jato, a partir da apuração de malfeitos na Petrobras, desencadeou um processo político que coloca em risco conquistas da nossa soberania e a própria democracia.

Com efeito, há uma campanha para esvaziar a Petrobras, a única das grandes empresas de petróleo a ter reservas e produção continuamente aumentadas. Além disso, vem a proposta de entregar o pré-sal às empresas estrangeiras, restabelecendo o regime de concessão, alterado pelo atual regime de partilha, que dá à Petrobras o monopólio do conhecimento da exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas. Essa situação tem lhe valido a conquista dos principais prêmios em congressos internacionais.

Está à vista de todos a voracidade com que interesses geopolíticos dominantes buscam o controle do petróleo no mundo, inclusive através de intervenções militares. Entre nós, esses interesses parecem encontrar eco em uma certa mídia a eles subserviente e em parlamentares com eles alinhados. Debilitada a Petrobras, âncora do nosso desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, serão dizimadas empresas aqui instaladas, responsáveis por mais de 500.000 empregos qualificados, remetendo-nos uma vez mais a uma condição subalterna e colonial.

Por outro lado, esses mesmos setores estimulam o desgaste do Governo legitimamente eleito, com vista a abreviar o seu mandato. Para tanto, não hesitam em atropelar o Estado de Direito democrático, ao usarem, com estardalhaço, informações parciais e preliminares do Judiciário, da Polícia Federal, do Ministério Público e da própria mídia, na busca de uma comoção nacional que lhes permita alcançar seus objetivos, antinacionais e antidemocráticos.

O Brasil viveu, em 1964, uma experiência da mesma natureza. Custou-nos um longo período de trevas e de arbítrio. Trata-se agora de evitar sua repetição. Conclamamos as forças vivas da Nação a cerrarem fileiras, em uma ampla aliança nacional, acima de interesses partidários ou ideológicos, em torno da democracia e da Petrobras, o nosso principal símbolo de soberania.

20 de fevereiro de 2015

Alberto Passos Guimarães Filho
Aldo Arantes
Ana Maria Costa
Ana Tereza Pereira
Cândido Mendes
Carlos Medeiros
Carlos Moura
Claudius Ceccon
Celso Amorim
Celso Pinto de Melo
D. Demetrio Valentini
Emir Sader
Ennio Candotti
Fabio Konder Comparato
Franklin Martins
Jether Ramalho
José Noronha
Ivone Gebara
João Pedro Stédile
José Jofilly
José Luiz Fiori
José Paulo Sepúlveda Pertence
Ladislau Dowbor
Leonardo Boff
Ligia Bahia
Lucia Ribeiro
Luiz Alberto Gomez de Souza
Luiz Pinguelli Rosa
Magali do Nascimento Cunha
Marcelo Timotheo da Costa
Marco Antonio Raupp
Maria Clara Bingemer
Maria da Conceição Tavares
Maria Helena Arrochelas
Maria José Sousa dos Santos
Marilena Chauí
Marilene Correa
Otavio Alves Velho
Paulo José
Reinaldo Guimarães
Ricardo Bielschowsky
Roberto Amaral
Samuel Pinheiro Guimarães
Sergio Mascarenhas
Sergio Rezende
Silvio Tendler
Sonia Fleury
Waldir Pires

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Na Globo, carnaval feliz é na marra...


Leia Mais ►

Carnaval em Brasília não tem hora pra acabar

Se você fosse austera/ Ôôô/ Rousseff/ O problema é que já era/ Ôôô Rousseff", puxou Eduardo Cunha
EIXO MONUMENTAL - A tradicional farra na Capital Federal, que tomou conta do Legislativo, do Judiciário e do Executivo, promete se estender por mais tempo que o previsto. "Ninguém é de ninguém", gritou Eduardo Cunha no microfone, erguendo uma cueca samba-canção.

Em seguida, o presidente da câmara distribuiu confete, serpentina e cargos comissionados, em iguais proporções, para parlamentares fantasiados de todos os partidos. "ÊÊÊÊ / Cunha quer apito / Se não der, cai o PT", reagiu a Câmara, em uníssono. Animado, Michel Temer prometeu se empenhar na organização da festa do cabide (de empregos) 2015.

A resposta da sociedade de bem não tardou. Revoltados com atos de vandalismo, com a presença de mascarados, comerciantes da Vila Madalena saíram às ruas para exigir o impeachment do Rei Momo. "São Paulo não sabe fazer carnaval. Precisamos aceitar essa dura realidade", resumiu Verinha Albuquerque Figueiroa, erguendo uma tacinha de Moët & Chandon.

Leia Mais ►

Após a retirada das forças fascistas ucranianos em Debaltsevo


Leia Mais ►

Nosso alerta ao ICIJ: Mídia sonegou informação a leitores


Cara srta. Guevara [vice-diretora do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos],

Depois de ler sua troca de mensagens com o jornalista Amaury Ribeiro Jr., estou confuso.

O ICIJ escolheu apenas um investigador no Brasil, o muito respeitado jornalista Fernando Rodrigues, e apenas uma empresa de mídia, o UOL-Grupo Folha [para apurar e divulgar as contas do HSBC no caso Swissleaks].

Como estamos falando de mais de 8 mil clientes brasileiros do HSBC, qual será o critério para separar os “relevantes” dos “irrelevantes”?

Eles do UOL sabem antecipadamente quais nomes são de “laranjas” — como chamamos em português as pessoas que deixam usar seus nomes para esconder dinheiro sujo?

Quais são os critérios para priorizar este nome e não aquele outro? Fama?

Não faria mais sentido se o ICIJ tivesse escolhido parceiros múltiplos para a apuração no Brasil, de maneira a evitar os riscos sobre os quais Amaury Ribeiro Jr. alertou?

Por favor, siga a lógica: uma vez que o ICIJ nunca publicará a lista completa de clientes brasileiros do HSBC, como estaremos certos de que nomes não mencionados não escondem segredos sobre os quais a sociedade brasileira tem o direito de saber?

Tenha em mente que há muitos motivos para ceticismo em relação às corporações de mídia brasileiras.

Como o Repórteres Sem Fronteiras relatou, o Brasil é a “Terra dos 30 Berlusconis”. As famílias que controlam a mídia brasileira agem como um partido de oposição. Elas tem uma agenda política e a seguem em suas publicações, mesmo que isso implique em esconder informação.

Um exemplo?

Amaury Ribeiro Jr. escreveu um bestseller sobre as privatizações no Brasil chamado A Privataria Tucana.

Mas o livro foi considerado “não notícia” pela maior parte da mídia brasileira durante semanas. Depois que o livro se tornou um best seller, a mídia passou a dar atenção a ele, mas apenas para atacar o conteúdo.

Outro exemplo?

Foram blogueiros que noticiaram que as Organizações Globo, nosso grande conglomerado de mídia, haviam sido multadas em R$ 600 milhões por sonegar impostos na compra dos direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006.

De acordo com documentos oficiais, a operação foi feita com a criação de uma empresa fantasma nas ilhas Virgens Britânicas, notórias pela lavagem de dinheiro sujo.

Notícia, não? Não, de acordo com a maior parte da mídia brasileira. Outra vez, foram semanas até que a notícia saísse aqui ou ali.

Nos dois casos, o comportamento vergonhoso foi adotado pelos seus parceiros do UOL-Folha.

Nós, no Brasil, já não ficamos tão surpresos com tal comportamento.

As grandes empresas de mídia promoveram e se beneficiaram da ditadura militar que torturou, matou e “desapareceu” com brasileiros.

O Grupo Folha, aliás, teve alguns de seus veículos de distribuição usados por gente ligada à ditadura e emprestou um dos títulos, o da Folha da Tarde, para ser porta-voz da repressão.

Francamente, ficamos surpresos com a decisão do ICIJ de escolher um único parceiro para lidar com informação tão relevante para a sociedade brasileira, considerando o que acabamos de relatar.

Saudações,

Luiz Carlos Azenha

* * *

Dear Ms. Guevara,

After reading your exchange with Mr. Ribeiro Jr., I’m confused.

ICIJ has chosen as it’s sole investigator in Brazil a very respected journalist, Fernando Rodrigues, and a sole media company, UOL-Grupo Folha.

Since we are talking about more than 8.000 HSBC client’s, how in the world will they find out which ones are “relevant”or “irrelevant”?

Do they know in advance, for example, which names might have been used as “laranjas” — in portuguese is how we call people that let their names be used to hide dirty money?

What are the criteria to prioritize this name here and not that one over there? Fame?

Wouldn’t make more sense to have multiple partners doing the work in Brazil, in order to avoid the risks that Amaury Ribeiro Jr. alerted you about?

Please, follow the logic: since ICIJ will never publish the full list of brazilian clients of HSBC, how will anyone be sure that the unpublished names don’t hide an important secret that Brazilian society has the right to know?

Bear in mind that there are plenty of motives to be sceptical about the brazilian media corporations.

As Reporters Without Borders has reported, Brazil is the land of the 30 Berlusconis. The families that control the Brazilian media act as an opposition party. They have a political agenda and follow that agenda on their publications even if it means hiding information.

Case in point?

Amaury Ribeiro Jr. wrote a best seller about the privatizations in Brazil, called A Privataria Tucana.

But it was considered NON NEWS by the brazilian media for weeks. AFTER it became hugely sucessful, it finally got coverage in the form of heavy criticism against it’s content.

One more example?

Bloggers broke the news that Globo Network, our huge media conglomerate, had been fined in over U$ 150 million for not paying taxes when it bought the rights for World Cup 2002-2006.

According to official documents, the operation was done with the set up of a fake company in the notorious money laundering British Virgin Islands.

Newsworthy? No, according to most of the Brazilian media. Again, it took weeks until it was mentioned here and there.

In both cases, the shameful behavior included your partners from UOL-Grupo Folha.

We, in Brazil, are not surprised by such behavior.

The big media companies are the same that promoted AND benefited from the military dictatorship that tortured, killed and “disappeared” Brazilians.

Grupo Folha, by the way, had some of its distribution vehicles used by people associated with the dictatorship. It gave one of it’s titles, Folha da Tarde, to be used by torturers to disseminate lies about political repression.

Frankly, it’s a surprise that ICIJ has chosen to embrace a sole Brazilian partner considering such History.

Best Regards,

Luiz Carlos Azenha

No Viomundo
Leia Mais ►

A Petrobras e Polo Naval de Rio Grande: resposta ao Estado de S. Paulo

Leia a resposta que enviamos ao jornal O Estado de S. Paulo sobre obras no Polo Naval de Rio Grande:

RESPOSTA:

Com relação ao contrato de construção de módulos e integração das P75 e P77 sob responsabilidade de execução pela empresa QGI Brasil, a Petrobras esclarece que está em dia com suas obrigações contratuais perante a Contratada e que os pagamentos de seus compromissos reconhecidos estão sendo realizados de acordo com a legislação vigente e com o estabelecido em contrato. Os pagamentos efetuados pela Petrobras a QGI Brasil são efetivados mensalmente, após a execução e medição dos serviços contratados.

A Petrobras informa que não reduziu e nem pretende reduzir o ritmo de suas obras no Polo Naval de Rio Grande.

PERGUNTAS:

Questões: qual é a posição da Petrobras sobre essa situação?

A empresa vai repassar recursos ao consórcio?

Quando acontecerá o repasse?

Qual é esse valor?

O polo naval de Rio Grande está sob risco de desaceleração em 2015?

Em Rio Grande e região há insegurança e tremor de uma séria crise devido a situação de paralisia das obras contratadas pela Petrobras. Isso vai mudar, há alguma agenda de retomada de obras e pagamentos?

Obs: A reportagem "Consórcio quer desistir de obra da estatal" foi publicada nesta quinta-feira (19/2).

No Fatos e Dados
Leia Mais ►

Entrevista coletiva da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após entrega das Cartas Credenciais dos Embaixadores




A presidente Dilma Rousseff se recusou a receber nesta sexta-feira (20) a carta credencial do novo embaixador da Indonésia no Brasil, Toto Riyanto.

Com essa ação, ele não poderá representar a Indonésia em audiências ou solenidades oficiais no Brasil. Toto Riyanto esteve no Palácio do Planalto para repassar ao governo brasileiro a carta credencial, assim como os novos embaixadores da Venezuela, de El Salvador, do Panamá, do Senegal e da Grécia. A cerimônia foi encerrada sem a participação do indonésio.

Jornalista: O indonésio não veio hoje por quê? É alguma retaliação? O que houve?

Presidenta: Não, não, não. Nós achamos importante que haja uma evolução na situação para que a gente tenha clareza em que condições estão as relações da Indonésia com o Brasil. O que nós fizemos foi atrasar um pouco o recebimento de credenciais. Nada mais do que isso.

Jornalista: Presidenta, a senhora conversou longamente com o ministro, com o embaixador da Grécia. O que a senhora, vocês trataram da situação daquele país?

Presidenta: Olha, o embaixador da Grécia, como nós recebemos, eu imagino que foi no início de 2011, nós recebemos o atual primeiro-ministro, então, ele não era o senhor Tsipras. E o embaixador da Grécia, que tinha chegado ontem ao Brasil, foi recebido hoje e estava dizendo para mim que para ele era uma vitória diplomática. E que apresentava ao país os seus votos de amizade pela relação que nós estabelecemos com o senhor Tsipras. E o Brasil, necessariamente, torce para que tenha uma boa situação, uma boa solução a situação grega no quadro da União Europeia. É importante, eu acho que, para todos nós, porque vai ser também um indício de recuperação europeia a Grécia ter condições de crescer, de ter mais empregos. Então, por todas essas razões nós tivemos essa conversa maior. Mas também tivemos com o representante do Senegal e as demais representantes, que foi interessante, mulheres da América Latina.

Jornalista: Mas a Venezuela, presidente, a gente tem uma situação… um problema, ontem foi preso um prefeito. Ele é um opositor ao regime. Há algum constrangimento em relação a isso?

Presidenta: Não, querida. Eu não posso receber um embaixador baseado nas questões internas do país. Eu recebo os embaixadores baseado nas relações que eles estabelecem com o Brasil. Então, o foco nosso é, fundamentalmente, essas relações. E é isso que explica o fato da gente ter postergado o recebimento das credenciais da Indonésia. Não é nenhuma questão interna da Indonésia.

Jornalista: A senhora sempre disse que tem uma preocupação, a Operação Lava Jato, as investigações não prejudiquem as empresas privadas, a Petrobras. Recentemente a gente tem visto notícias das empresas procurando integrantes do governo para conversar. Como é que a senhora vê essa situação da relação do governo com as empresas para que elas não venham a quebrar, falir...

Presidenta: Olha, uma coisa tem a ver com a investigação. As empresas vão ser… as empresas, os donos das empresas ou os acionistas das empresas vão ser investigados. Porque a empresa não é um ente que esteja desvinculado dos seus acionistas. Agora, o que o governo fará é tudo dentro da legalidade. Nós iremos tratar as empresas tentando, principalmente, considerar que é necessário criar emprego e gerar renda no Brasil. Isso não significa, de maneira alguma, ser conivente ou apoiar ou impedir qualquer investigação ou qualquer punição a quem quer que seja, doa a quem doer. Agora, eu não vou, por exemplo, tratar a Petrobras como a Petrobras tendo praticado malfeitos. Quem praticou malfeitos foram funcionários da Petrobras que vão ter de pagar por isso. Quem cometeu malfeitos, quem participou de atos de corrupção vai ter de responder por eles. Essa é a regra no Brasil. Porque você veja, a gente olhando os dados que vocês mesmos divulgam nos jornais: se em 96, 97 tivessem investigado e tivessem, naquele momento, punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras que ficou durante mais de dez anos, mais de vinte, quase vinte anos, praticando atos de corrupção. A impunidade - isso eu disse durante toda minha campanha - a impunidade, ela leva água para o moinho da corrupção. Então, hoje eu acho que um passo foi dado no Brasil, e é esse passo que nós temos que olhar e valorizar. Nós, atualmente, todos os órgãos não tem Engavetador da República, não tem controle sobre a Polícia Federal, nós não nomeamos pessoas políticas para os cargos da Polícia Federal e isso significa que junto com o Ministério Público e junto com a Justiça, todos os órgão do Judiciário, está havendo no Brasil um processo de investigação como nunca foi feito antes. Não que antes não existia. É que antes não tinha sido investigado e descoberto, porque quando você investiga e descobre, a raiz das questões surge. E quando surge a raiz das questões você impede que aquilo se repita e que seja continuado.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Ah, isso eu não sei. Você me desculpa, mas eu, de fato, não está na minha alçada saber o que é melhor se é acordo disso ou acordo daquilo, não é…

Jornalista: O Imposto de Renda, a senhora vai insistir nos 4,5% ou pode chegar a algum outro índice como 6,5% que o Congresso quer?

Presidenta: Nós temos... posso te falar uma coisa? É o seguinte: eu tenho um compromisso, eu vou cumprir meu compromisso: é 4,5%.

Jornalista: E se o Congresso quiser diferente? Vai vetar?

Presidenta: Eu sinto muito, eu sinto muito porque nós não estamos vetando porque queremos, nós estamos vetando porque não cabe no orçamento público, é algo assim. Nunca deixamos de esconder que era 4,5%. Eu já mandei por duas vezes vou chegar a terceira vez. Mandei três vezes, mandei uma em novembro, mandei, se eu não me engano… não, caiu em novembro, tinha mandado antes de novembro, depois mandei novamente e vetei, porque não é que eu não queira fazer, eu vetei porque não tem recurso para fazer. Então, é essa a questão, o meu compromisso é 4,5. Se por algum motivo não quiserem os 4,5 nós vamos ter que abrir um processo de discussão novamente. O governo tem condições perfeitamente, de agora, olhar os 4,5, é isso que nós faremos.

Jornalista: Vai ter flexibilização  da legislação trabalhista?

Presidenta: Não vai ter, não. O que é flexibilização da legislação trabalhista? É acabar com o 13º, com férias… só um pouquinho, com férias, com aviso prévio… O que acontece? O ano passado. No ano passado, não sei se vocês sabem, mas nós tiramos quase 1,3 milhão de pessoas do Bolsa Família. Por quê? Porque de um lado tinha havido por parte dessas pessoas, e portanto, das famílias que elas representam, uma melhoria da renda que desenquadrava essas pessoas daquele programa. Outras pessoas entraram, essas saíram. Qualquer programa social que não seja criteriosamente gerido e você olhe, sistematicamente, como é que ele está funcionando, é mal sucedido. Todas as medidas que nós tomamos, elas têm um objetivo. Eu não estou falando aqui das fiscais, estou falando daquelas que dizem respeito a seguro-desemprego, abono doença, abono salarial, a pensão por morte, eu estou falando... Nós estamos aperfeiçoando a legislação porque a legislação tem que ser aperfeiçoada da mesma forma como nós fizemos com o Bolsa Família. O Bolsa Família é um programa, hoje, reconhecidamente de sucesso, porque ele passa por uma auditoria. Você tem de auditar.

Jornalista: Cabe negociar então, presidente?

Presidenta: Eu acho que sempre há negociação, ninguém acha que em um país democrático como o Brasil que tem um Congresso livre, que tem movimentos sociais sendo ouvidos e com os quais você dialoga, não seja algo fechado, que não há negociação. Sempre há negociação, mas também há posições claras. Eu acho que os lados têm de defender posições claras. Os diferentes agentes e participantes têm de mostrar, com clareza, quais são as posições que têm e o que objetivam. Só ser contra por ser contra, não. Só ser a favor por ser a favor, também, não. Então com argumento e com fundamentos, você chega sempre a uma boa solução, dona Tânia.

Leia Mais ►

A barrigada da CBN e da Rede Globo



Vocês me perdoem o tom “José Simão” deste post.

Mas não dá para ser outro.

Eu estava achando surrealista esta história do criminoso patrocínio do ditador da Guiné Equatorial à Beija-Flor.

Nunca vi isso, até porque nunca fizeram críticas ao bicheiro – e acusado de mandante de homicídios – Anísio Abraão patrocinar a escola.

Nem foram perguntar quem foi que pagou pela homenagem, ano passado, ao Boni e à TV Globo.

Mas fiquei escandalizado com a “suposta” presença do presidente daquele país, secretamente aqui, martelada toda a manhã pela CBN.

Mesmo com o desmentido do governo guineense, insistiram que uma foto no Wall Street Journal “provava” a estada secreta de  Teodoro Obiang o “sanguinário” aqui.

Desceu-lhe o sarrafo ao longo de quase nove minutos, como você pode ouvir no áudio, no fim do post.


Aí começa o festival da besteira.

Ora, a foto que tinham era de um senhor negro, estrangeiro, de paletó e gravata no Sambódromo só poderia ser o ditador.

Os nossos valentes setoristas da CBN na Passarela devem achar que crioulo, como japonês, são todos iguais, né?

Se os nossos “jornalistas investigativos”, que descobriram um “escândalo internacional” tivessem ido à página do Wall Street Journal, teria lido lá, logo abaixo da matéria sobre o carnaval:

A photograph in the World news section incorrectly identified one of the guests at this year’s Carnival in Rio de Janeiro as Equatorial Guinea’s leader, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. (Feb. 17, 2015).

Incorretamente identificado, se é que precisa tradução.

Permitam-me a expressão: caceta, que mico!

E mico acompanhado de lições sobre como é a democracia, porque lá, na ditadura guineense, o governo e o partido mentiam, não apenas negando que aquele fosse Teodoro, como afirmando que o dito cujo estava numa reunião de chefes de Estado Centro-Africanos, em Camarões, discutindo medidas contra o avanço do grupo Boko-Haram!

Psi, ô, galera,  lá no site da Deutsche Welle, a agência alemã (estatal) de notícias vocês vão dar de cara com uma foto do tal Teodoro, sentadinho ao lado presidente de Camarões, no mesmo dia 17, fazendo aquilo mesmo que a nota de seu governo diz que estava fazendo. E com o texto do repórter Mark Caldwell dizendo quem eram os chefes de Estado que estavam lá (Obiang é um deles) e quais países mandaram delegados.

E se duvidarem que é ele, apesar da plaquinha com seu nome (ampliem a foto e vejam), procurem no Google e verão que o cidadão é ele mesmo que não se parece em nada com o da foto do Sambódromo, a não ser pelo fato de ser negro. O que, aliás, quase todo mundo é lá na Guiné.

Vou ligar o rádio amanhã para ver se vai haver um mea-culpa daqueles de bater no peito fazendo barulho…

Vai nada, vai ter um monte de “mas”, de “porém”, de acusações a empreiteiras brasileiras que ganham dinheiro por lá com obras e discursos sobre a falta de democracia.

Escândalo internacional, mesmo, é a imprensa brasileira, histérica, irresponsável e incompetente, exceto numa coisa: esculhambar o Brasil.


Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

O fim da mística bancária suíça


Os bancos suiços guardadores de fortuna nasceram ao tempo da Revolução Francesa, ganharam grande impulso a partir do nazismo na Alemanha, quando alemães judeus e não judeus temerosos do regime arriscavam a vida transferindo fundos para a vizinha Suiça. Antes deles os franceses eram os maiores clientes, seguidos dos italianos, mas a Lei Bancária de 1934 deu a retaguarda legal para as contas secretas, chamadas de "numeradas" porque era possivel assinar apenas um número sem identficar um nome que só era conhecido do sócio principal do banco. O método protegia os depositantes alemães porque houve tentativas da espionagem alemã descobrir dinheiro de judeus na Suiça e extorquir do depositante sob ameaça contra a família.

Esses eram os ""banques privés"", de Genebra, Zurich e Basiléia, hoje ainda operam em prédios baixos e antigos, com diminutas placas na porta: Banque Banhote, Lombard Odier Darier Hench, Hottinger & Cie., Landholt & Cie., Pictet & Cie., Reichmuth & Cie., Bordier & Cie., E.Gutzwiller & Cie., Mirabaud & Cie, Rahn & Bodmer, Gonet & Cie., Morgue & Cie., o maior de todos é Julius Baar & Cie.

Mas há grandes bancos comerciais que não apenas administram fortunas mas operam em todos os ramos, os dois grandes são o Union des Banques Suisses, UBS e o Credit Suisse, com ativos de US$1,3 trilhão e US$1,1 trilhão respectivamente, ambos são grandes no Brasil, o UBS é o maior em operações de bolsa no País e o Credit tem uma grande gestora e corretora. O UBS é presidido no Brasil pela bela Sylvia Coutinho, que era uma top executiva do HSBC até tres anos atrás, encarregada de gestão de fortunas em toda a America Latina, depois de longa carreira no Citibank.

Há tambem 24 bancos cantonais que operam a maioria deles também em private banking, depois desse grupo de controle suiço, há os bancos de controle estrangeiro na Suíça, que já foram 145 em 2009, hoje são 129, com uma queda de 25% nos depósitos desse grupo, hoje em torno de 900 bilhões de dolares.

A lei bancária suiça de 1934 é coisa do passado, em 2009 foi modificada para considerar evasão fiscal crime na Suíça,  algo que a Lei de 1934 não considerava. A mudança foi por pressão dos EUA, que encontrou 8.000 contribuintes americanos com contas na Suiça com dinheiro não declarado.

A atração geral da Suíça como guardiã de fortunas veio da estabilidade política, neutralidade em guerras, confiabilidade na correção de seus banqueiros, então porque a  Suíça teve que ceder à pressão americana?

Porque o grosso do dinheiro estrangeiro depositado na Suíça ou sob administração de bancos suíços pelo seu volume (US$3 trilhões) só pode ser aplicado principalmente  nos EUA, não há lugar do mundo que possa absorver esses recursos com facilidade.

Se os bancos suíços perderem sua licença de operar nos EUA não teriam como gerir esses recursos.

O fim do sigilo bancário acaba com as vantagens do sistema bancário suíço, hoje o mais policialesco do mundo, se alguém chegar com uma mala de 300 mil dólares para depositar em um banco suíço, a gerência chama a polícia imediatamente, qualquer transação suspeita é denunciada, o sistema vai derreter, como prova esse caso do HSBC.

Dinheiro sem origem ou com origem não comprovada não vai ter mais onde ser depositado porque cada praça está caindo sob as mesmas regras, embora aplicadas de forma não tão rígida, como é o caso de Mônaco, Beirut, Singapura, Uruguai, Panamá, mas é uma questão de tempo, hoje o Tesouro americano monitora on line todos os paraísos fiscais do mundo.

O controle se dá pelo sistema mundial de transferência de fundos, conhecido como SWIFT, por onde passam todas as transferências internacionais. Se alguém transfere um milhão de dólares de Santiago para Viena, o Tesouro americano sabe da transação instantaneamente, uma off shore registrada nas Ilhas Virgens Britânica é conhecida pelos rastreadores americanos em poucas horas.

A Suíça perderá ao longo do tempo um dos principais ramos de sua economia, que responde por 160.000 empregos no país. Evidentemente que continuarão em menor escala, assim como emissão de titulos, financiamentos, etc.

O caso HSBC é típico dessa deterioração, a divulgação dessa lista não terá grandes efeitos práticos mas deve incomodar quem foi nela citado, deve gerar danos à imagem do banco perante seus clientes e juntamente com outros episódios parecidos deve mudar para sempre o mundo bancário suíço.

Quando tive meu primeiro emprego no Citibank de São Paulo, em 1959, no Departamento de Crédito, meu chefe Mr. Benjamin Cotton me deu de presente um volume do "The Bankers Almanac Yearbook 1956-1957" publicado pela editora Thomas Skinner, com 1573 paginas, tenho até hoje. O mesmo almanaque atual não daria 200 paginas, tal a concentração do sistema bancário em cada país e globalmente. O sistema bancário mundial será irreconhecível daqui a 10 anos e o suíço certamente encolherá pela perda de razões de existir nessa dimensão que alcançou.

Motta Araujo
No GGN
Leia Mais ►

HSBC: jornalistas do Le Monde sob pressão dos proprietários e o empréstimo do Telegraph


O milionário Pierre Bergé, um dos proprietários do Le Monde desde 2010, criticou o trabalho dos jornalistas do seu jornal sobre a publicação dos nomes das pessoas envolvidas no caso HSBC de evasão fiscal. Trata-se, segundo ele, de "populismo". Esses nomes estariam sendo "lançados aos leões". "São métodos que eu reprovo", disse o milionário. 

Imediatamente, a "Associação dos Redatores do Monde" reagiu ao que considerou "uma intromissão no conteúdo editorial" do jornal. "Nós condenamos veementemente, como em outras ocasiões, essa intromissão no conteúdo editorial. O papel dos acionistas é de definir a estratégia da empresa e não de tentar interferir o sentido da informação".

A direção do jornal também reagiu com veemência às declarações de Bergé. "Nós, membros da direção do 'Le Monde', deploramos os ataques feitos por Pierre Bergé contra os jornalista do 'Monde'." A nota da redação é assim concluída: "As declarações públicas de um dos nossos acionistas não saberia pôr em causa a independência editorial da redação, que continuaremos a fazer de modo escrupuloso e respeitado".

Marlon
No GGN



Donos de diário receberam R$ 1,1 bi antes de tirar o pé de cobertura sobre HSBC


Empréstimo de 250 milhões de libras aos donos do Telegraph levanta novas questões sobre cobertura

Irmãos Barclay garantiram empréstimo para uma companhia que perdia dinheiro antes de repórteres do Telegraph serem desencorajados na produção de artigos críticos ao HSBC

Os donos do Daily Telegraph asseguraram um empréstimo equivalente a R$ 1,1 bi — do HSBC para uma empresa do grupo que enfrentava dificuldades — pouco antes de repórteres do jornal terem sido alegadamente “desencorajados” a publicar artigos críticos ao banco, o Guardian descobriu.

O timing do empréstimo para a Yodel, uma empresa de entrega de pacotes de propriedade dos irmãos Barclay, levanta novas questões sobre a influência de considerações comerciais na cobertura editorial do Telegraph sobre o HSBC.

O empréstimo foi completado no dia 14 de dezembro de 2012, demonstram documentos da empresa. O ex-chefe de comentário político do jornal, Peter Oborne, alegou esta semana que houve uma grande mudança editorial no tratamento dado ao banco a partir do início de 2013.

Os documentos demonstram que Sir David e Sir Frederick Barclay tiveram de dar uma garantia financeira pessoal como segurança adicional aos credores.

As decisões editoriais do jornal sobre o HSBC foram questionadas esta semana por Oborne, que acusou o jornal de “fraudar seus leitores” em uma carta de renúncia.

Ele alega especificamente que a cobertura do Telegraph sobre o banco mudou abruptamente dois anos atrás. “A partir do início de 2013 as reportagens críticas ao HSBC foram desencorajadas”, afirmou.

A Yodel foi refinanciada na metade de dezembro de 2012 com o maior banco da Europa, o HSBC. Como garantia, o banco assumiu parte da renda de quase todo o negócio — significando que poderia assumir controle da companhia se ela não cumprisse os compromissos assumidos.

O novo empréstimo do HSBC foi usado para pagar empréstimos anteriores com o Lloyds. Os negócios da Yodel tiveram perda de £112m no ano terminado em 30 de junho de 2013. Informações da Yodel mostram uma dívida de £242m no empréstimo do HSBC no final de junho de 2013 e não há informações oficiais de que a dívida tenha sido quitada.

Procurada pelo Guardian, a família Barclay não quis comentar o empréstimo, mas uma fonte próxima a ela descartou a tese de que a cobertura do Telegraph poderia ter sido influenciada pelo empréstimo do HSBC. A fonte também indicou que as empresas da família emprestam de muitos outros bancos.

Os Barclay acreditam que muitas inverdades foram escritas sobre eles em dias recentes, mas não explicaram exatamente quais.

Oborne se afastou do Telegraph esta semana de forma pública, em protesto contra a cobertura do escândalo do HSBC. O veterano jornalista pediu uma investigação independente da linha editorial do jornal por falta de reportagens sobre o caso do HSBC.

O Guardian, a BBC, o Le Monde e outras 50 empresas de mídia revelaram como o braço suiço do banco HSBC ajudou clientes ricos a sonegar impostos e esconder milhões de dólares em bens, driblando autoridades locais.

As revelações sobre as atividades bancárias de alguns dos clientes mais ricos do HSBC dominaram as manchetes da mídia britânica em semanas recentes, mas apareceram apenas brevemente no Telegraph, Oborne argumenta.

Os diretores da Yodel, que incluem os filhos de Sir David Barclay, Aiden e Howard, admitem que o negócio da entrega de pacotes passa “por mudanças rápidas”. Embora isso represente oportunidade de crescimento, há muitas empresas no ramo, levando a um “alto grau de competição”.

Dados oficiais demonstram que a empresa conseguiu ser qualificada como “ativa” para efeitos de contabilidade graças à disposição de sua empresa parente, baseada em Jersey — outra companhia do império dos Barclay chamada LW Corporation — de dar apoio financeiro. Companhias baseadas em Jersey não são obrigadas por lei a publicar balanço.

No início desta semana Oborne alegou que o HSBC suspendeu suas campanhas publicitárias no Telegraph depois que o jornal publicou uma investigação em novembro de 2012 baseada em vazamentos de contas pessoais do HSBC em Jersey.

Ele também alega que repórteres receberam ordens para destruir e-mails, relatórios e documentos relacionados à investigação. “Foi o momento chave”, Oborne escreveu.

Ele atribuiu a mudança a uma tentativa de reconquistar a conta de publicidade. Disse que tinha sido informado por uma fonte extremamente bem informada, de dentro do jornal, de que a publicidade do HSBC era de grande valor. “Reconquistar os anúncios do HSBC se tornou uma prioridade”, Oborne afirmou.

Em uma nota respondendo às acusações de Oborne, um porta-voz do Telegraph disse que não poderia comentar sobre relações comerciais do jornal, mas continuou: “Temos o objetivo de dar a nossos parceiros comerciais um amplo leque de soluções de publicidade, mas a distinção entre publicidade e nossa premiada operação editorial sempre foi fundamental para nosso negócio. Refutamos totalmente qualquer alegação em contrário. É uma pena que Peter Oborne, que por quase cinco anos contribuiu com o Telegraph, tenha decidido lançar ataque tão surpreendente e sem fundamento, cheio de imprecisões e insinuações, contra seu próprio jornal”.

Simon Bowers, no diário britânico Guardian
No Viomundo
Leia Mais ►

Ditador da Guiné Equatorial fica estarrecido ao descobrir quem financia o carnaval carioca

Flagrante da velha guarda da Beija-Flor sambando na cara da sociedade
SAPUCAÍ EQUATORIAL - O sanguinário ditador da Guiné Equatorial, Bum Bum Paticumbum Prugurundum, teve um colapso nervoso ao descobrir que o carnaval carioca é financiado por bicheiros, milicianos e contraventores de toda sorte. "No momento, o presidente Prugurundum está sedado. Ele ficará em observação até o Desfile das Campeãs. Quando acordar, terá de conviver com a dura realidade de ter sido igualado a essa gente. Não sabemos ainda como vai reagir. Tudo tem limites!", disse o porta-voz de uma empreiteira brasileira, em nome de Paticumbum, batendo no bumbo três vezes.

A diretoria da Beija-Flor anunciou que homenageará José Dirceu em 2016. "Todo ano tem que trazer uma surpresa maior do que o anterior. O povo gosta de roubança robusta, quem gosta de mixaria é intelectual", disse o porta-voz de outra empreiteira brasileira, em nome do patrono Anísio Abraão David.

No final da tarde, centenas de cariocas do bem foram às ruas pedir uma intervenção militar na Beija-Flor.

No The i-Piauí Herald
Leia Mais ►

A arte coletiva de destruir a riqueza nacional


Some-se a um governo medíocre uma oposição desvairada, uma mídia insensata, que não consegue olhar o país além dos seus próprios interesses, e se terá desenhado o mapa da insensatez, com a destruição de ativos brasileiros preciosos.

Em geral diz-se que a esquerda é antiempresarial e a direita é liberal. No Brasil, a pesada herança da colonização consolidou um enorme sentimento anti-trabalho, anti-atividade produtiva também na direita, da qual os grupos de mídia são os principais arautos. Das novelas da Globo às seções econômicas dos jornais, o rentismo é atividade nobre; a atividade produtiva, uma excrescência tocada por chorões.

Só isso para explicar a inércia com que o país contempla a destruição de ativos relevantes das empreiteiras envolvidas com a operação Lava Jato.

* * *

Esse sentimento obtuso de “punir” empresas — e não seus controladores — não é de agora.

Uma empresa não é apenas seus ativos. É a inteligência que juntou, a rede de fornecedores, o quadro de funcionários, a marca, a tecnologia desenvolvida. Fechada, a empresa resume-se a um tanto de máquinas e prédios. É uma perda coletiva, não apenas para seu entorno, mas para o país.

Por isso mesmo, em qualquer país com um mínimo de racionalidade coletiva, qualquer punição a ilícitos miraria executivos e controladores, não as empresas.

* * *

Tome-se o caso da Lava Jato.

Uma empreiteira não prevarica. Quem prevarica são seus executivos e controladores. Que se processem os controladores, exigindo que vendam seus ativos — incluindo as ações da companhia — para pagar as multas e ressarcimentos. Altere-se o controle, mas não destruam os ativos acumulados.

* * *

As empreiteiras em questão são peças-chave para a próxima etapa do investimento em infraestrutura. Elas possuem a tecnologia, o know-how das Parcerias Público-Privadas, os quadros técnicos.

No entanto, estão sendo destruídas.

No Judiciário, há inúmeros casos de bloqueio da totalidade dos recursos nas contas da empresa, confundindo o capital de giro (essencial para fazer a empresa operar) com acumulação financeira.

A visita do MPF aos EUA

Apesar da seriedade de procuradores que engrossaram a força tarefa que foi aos Estados Unidos, ainda não estão claros os motivos da ida. Seria importante que o Procurador Geral da República Rodrigo Janot esclarecesse, para não dar margem a suposições conspiratórias.

O grupo foi se encontrar com o Departamento de Justiça. Qual a razão? Se a Petrobras está sendo processada nos Estados Unidos, e seu controlador é o governo brasileiro, admite-se a presença da AGU (Advocacia Geral da União), não de procuradores.

A informação de que Janot foi ao Banco Mundial assinar uma convenção contra a corrupção não bate. De acordo com advogados conhecedores da política internacional, esse tipo de protocolo não tem relevância para exigir a presença de um Procurador Geral.

Para esses observadores, a única explicação plausível seria a do PGR mostrar-se como a força que combate a corrupção, e apresentar-se — perante o governo Obama, em princípio contra qualquer disrupção da ordem democrática — como um avalista, para o caso de um interregno na democracia brasileira.

Excesso de visão conspiratória? Pode ser. Mas a falta de esclarecimentos leva a essas desconfianças.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Outro caso de espionagem em massa na internet é descoberto

Nesta terça-feira, a empresa russa especializada em segurança informática Kaspersky anunciou a descoberta de uma enorme rede de espionagem que está na origem de ataques de complexidade sem precedentes que conseguiram infectar discos rígidos de computadores de governos, instituições públicas e empresas estratégicas.

A Kapersky batizou esta rede como The Equation Group. A empresa russa assegura que esses hackers, desde 2001 "tenham infectado milhares ou até dezenas de milhares de vítimas, em mais de 30 países ao redor do mundo". De acordo com a empresa de segurança, o Equation Group é uma rede "que supera tudo o que se conhece em termos de complexidade e sofisticação técnica".

A Kaspersky informa ainda que o Equation Group "utiliza um programa muito complicado e caro para infectar suas vítimas e acessar seus dados. Eles também escondem suas atividades com grande profissionalismo." Quanto aos autores desses ataques, a empresa de segurança não quis acusar diretamente os Estados Unidos, embora tenha sugerido, pois observou que o mecanismo de espionagem empregado pelo grupo tem "fortes semelhanças" com o Stuxnet, vírus com que que Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) atacou o programa nuclear iraniano.

Assim, o Fanny — um dos Trojans utilizados pelo Equation Group — contem elementos que indicam que seus desenvolvedores são o mesmo ou muito semelhante ao Stuxnet. Os países mais afetados por esses ataques são Irã, Rússia, Paquistão, Afeganistão, Índia, China, Síria e Mali. Os alvos selecionados com "precisão cirúrgica" são representações diplomáticas e governamentais, empresas de telecomunicações, aeroespaciais, de energia, pesquisa nuclear, gas e petroleiras, militares, de nanotecnologia, ativistas islâmicos, meios de comunicação de massa, de transporte, instituições financeiras e empresas de desenvolvimento de tecnologias de criptografia.

Os agressores usam métodos universais para infectar objetivos: não só através da web, mas também por meios físicos. Eles usaram uma técnica de interceptar ativos físicos e substituí-los por versões infectadas com Trojans. Um exemplo é o de participantes selecionados para uma conferência científica em Houston: ao voltar para casa, alguns dos participantes receberam uma cópia do material da conferência em um CD-ROM, que foi usado para instalar o trojan chamado de DoubleFantasy na máquina de destino. O método exato pelo qual esses CDs foram interceptados é desconhecido.

No Movimento Político de Resistência
Leia Mais ►

“Agradeça a contravenção”: a velha parceria da Globo com os bicheiros do Carnaval

Boni prestigia o título de 2015 com o bicheiro Aniz Abrahão David, dono da Beija Flor
O Jornal Nacional de quinta-feira não surpreendeu quem esperava que os atores principais, William Bonner e Renata Vasconcellos, fossem tocar nos assuntos mais palpitantes da semana: o título da Beija Flor e o escândalo do HSBC.

Nem uma palavra sobre os dois temas. No caso do banco, sabe-se que sonegação é uma questão, para usar um eufemismo, delicada para a Globo.

No do Carnaval carioca, a situação é igualmente embaraçosa, por motivos outros: a Globo é sócia daquilo tudo há décadas.

Nunca antes na história desse país um campeonato momesco foi tão contestado. Foi preciso o patrocínio de um ditador africano para muita gente se perguntar o óbvio: como pode um desfile bancado pelo crime há tanto tempo?

Mais: como fica a Globo, detentora dos direitos de transmissão, diante dessa pilantragem?

A relação da emissora com os bicheiros é de, para usar outro eufemismo, cumplicidade. Há reuniões para decidir estratégias comerciais. A Globo vende cotas da transmissão. As escolas não podem, por exemplo, ter uma marca que conflite com um parceiro da TV.

A Marquês de Sapucaí é transformada numa sucursal do Projac, com todos os atores e atrizes sambando. Centenas de jornalistas são mobilizados para a cobertura de um megaevento promovido pela empresa para a qual trabalham.

Para ficar apenas na Beija Flor: em 2014, o enredo foi em homenagem a Boni. A relação é íntima. O bicheiro Anísio Abrahão David, “patrono” da escola, comprou a cobertura tríplice de Roberto Marinho na Avenida Atlântica, em Copacabana.

É impossível que a Globo não soubesse de antemão o que a Beija Flor, ou qualquer outra agremiação, fosse fazer na avenida. Quando o escândalo de Teodoro Obiang estourou, ficou difícil evitá-lo. E então a cobertura jornalística foi a mais esquizofrênica possível.

Só no final da participação da Beija Flor na Sapucaí Fátima Bernardes mencionou que a Guiné Equatorial era um país “ainda em busca de suas liberdades” e que o presidente estava no poder há 35 anos. Nem pensar em chamá-lo “ditador”.

Na Globo News, a mesma saia justa. Entre matérias idiotas sobre dietas de Momo, os comentaristas falavam do financiamento. O velho Merval achou uma solução: toda a negociação começou quando Lula visitou o país durante seu governo. Segundo Merval, é um esquema parecido com o que o PT faz nas campanhas. Curiosamente, é a maneira como a Globo noticia, eventualmente, o HSBC: sua suposta ligação com a Lava Jato.

“Se não fosse dinheiro da contravenção, hoje não teríamos o maior espetáculo audiovisual do planeta. Agradeça à contravenção”, disse Neguinho da Beija Flor, num sincericídio necessário.

Uma discussão séria sobre a transparência e o dinheiro sujo do Carnaval carioca passa pelo papel da Globo na pilantragem.

Kiko Nogueira
No DCM






Leia Mais ►

Carta aberta ao povo brasileiro: liberdade de expressão em risco


Dirijo-me ao nobre e valoroso povo brasileiro, na qualidade de um cidadão atingido por uma absurda violência política, e que não afeta somente a mim, mas o coletivo e a própria liberdade de expressão de uma nação continental.

Trata-se de um processo movido contra mim por Ali Kamel, empregado da família mais rica do país.

Mais rica e que controla um dos maiores impérios de mídia do mundo.

Não creio que, em nenhum país democrático (com exceção talvez da Itália, que tem o seu Berlusconi), exista um grupo que reúna tanto poder financeiro e midiático como a Globo.

Pois o empregado deste grupo, e não qualquer empregado, mas o seu diretor-geral de jornalismo, pediu-me, e venceu na justiça, uma indenização de mais de R$ 20 mil, a qual, acrescida pelos custos judiciais, me custarão mais de R$ 30 mil.

O processo já terminou. Ele venceu na segunda instância e não conseguimos chegar ao Supremo Tribunal de Justiça. Não há mais como recorrer.

O juiz mandou executar e terei de pagar o montante em alguns dias.

E qual a razão do processo? Simplesmente porque fiz uma crítica política à empresa para a qual ele trabalha.

Não ataquei sua honra. Não o chamei de ladrão ou corrupto. Não pedi sua demissão.

Apenas disse que ele trabalhava para uma concessão pública que, na minha opinião, merece ser criticada.

Para não faltar com a verdade, os únicos adjetivos que dirigi ao autor da ação, e que poderiam ser considerados pessoalmente ofensivos, foram: sacripanta e reacionário. E me referia a ele enquanto diretor de jornalismo da Globo, a concessão pública líder de audiência no país.

O dia em que todos forem condenados porque chamaram, num artigo político, o diretor de jornalismo da maior concessão pública de um país, de “reacionário” e “sacripanta”, será o último dia de liberdade no Brasil.

Creio se tratar de um desses casos emblemáticos que podem influenciar o país durante muitos anos.

Até porque, neste momento, já são vários blogueiros agredidos judicialmente pelo mesmo personagem, ou pelo mesmo campo político.

É um fato notório o mal que a concentração da mídia faz à democracia, um mal denunciado por inúmeras organizações nacionais e internacionais.

A Repórteres Sem Fronteiras acusou o Brasil de ser o país dos 30 Bersluconis, referindo-se às famílias que dominam a mídia de massa no país.

O relator da ONU para Liberdade de Expressão, Frank de La Rue, veio ao Brasil recentemente e afirmou que a concentração da mídia é a maior ameaça à liberdade de expressão. La Rue se referia, naturalmente, à situação da midia no Brasil.

Naturalmente, essas denúncias foram abafadas por nossa mídia corporativa, cuja estrutura segue muito parecida, e até mais concentrada ainda, em relação aos chamados anos de chumbo.

O surgimento de blogs políticos que fazem um contraponto à grande mídia, devem ser entendidos, portanto, como uma reação biologicamente natural, saudável e necessária, do ambiente democrático.

Se a mídia age como um partido político homogêneo, um verdadeiro cartel ideológico, impondo sempre as mesmas pautas, repetindo as mesmas opiniões e até usando os mesmos colunistas, é natural que emergissem blogs no lado oposto do espectro ideológico.

Se a mídia torna-se dia a dia mais conservadora, os blogs se notabilizam por defender pautas progressistas e trabalhistas.

Não é fácil manter um blog, contudo. Raros são os blogs que são atualizados constantemente, e raríssimos aqueles que conseguiram se profissionalizar.

Entretanto, creio que, neste momento da nossa história, os blogs políticos constituem um respiro democrático no ambiente histérico, reacionário, udenista, muitas vezes flertando com o golpismo, da nossa imprensa corporativa.

Não digo que os blogs sejam perfeitos, nem que a nossa imprensa seja 100% um lixo (digamos que ela seja 75% lixo). Mas representamos um contraponto importante. E ajudamos a concretizar um dos princípios que norteiam a nossa Constituição: a pluralidade política.

Claro, os blogs não resolvem o problema da concentração midiática. Apenas ajudam a enriquecer o debate, a criar uma válvula de escape num ambiente que, sem eles, seria talvez desesperador para muita gente.

A sustentação financeira dos blogs é complicada. Apesar dos adversários nos acusarem de recebermos “apoio do governo”, sabemos que isso não é verdade. Recentemente, os dados referentes a todos os órgãos de governos, incluindo estatais, foram abertos e comprovamos que apenas dois ou três blogs ou sites recebiam apoio oficial (não estou incluído), e mesmo assim, irrisórios se comparados ao custo de manutenção dos mesmos, e ridiculamente ínfimos, se comparados ao que receberam os grandes ou mesmo medianos grupos de mídia tradicionais.

Os blogs políticos, em geral, são sustentados pelo próprio bolso dos autores.

Em alguns casos, como o meu, o blog é sustentado por assinaturas e contribuições dos leitores, uma ou outra publicidade, além do adsense do Google, um esquema randômico de propaganda.

Não posso reclamar de nada, todavia.

A blogosfera, aqui entendida como o conjunto de leitores, sempre foi generosa comigo. Tenho centenas de assinantes pagantes e as contribuições sempre foram generosas por parte de um público idealista.

Não espero matérias elogiosas a meu trabalho em reportagens de TV, em jornais ou revistas de grande circulação.

Ao contrário, sempre que me citam, e são obrigados a fazê-lo de vez em quando, fazem-no tentando me prejudicar.

Entretanto, às vezes recebo doações e assinaturas até mesmo de pessoas de baixa renda, e isso realmente me comove e me faz entender a importância de continuar o meu trabalho.

Digo isso para mostrar a fragilidade financeira dos blogs, por representarem uma coisa nova, ainda não assimilada pelos agentes econômicos, sobretudo num país onde o ambiente publicitário permanece sob o controle dos monopólios corporativos consolidados no regime militar.

Frágeis, mas essenciais!

De qualquer forma, contra tudo e contra todos, estamos crescendo.

Os blogs têm cada vez mais visitas. O Cafezinho tem cada vez mais assinantes.

Adentramos até mesmo o terreno mais custoso do jornalismo: a investigação.

Os blogs hoje também realizam investigações importantes, como eu fiz no caso da sonegação da Globo, do apartamento em Miami de Joaquim Barbosa, e agora, sobre a participação de graúdos das finanças e da política na lista do OffShore Leaks e do HSBC suíço.

Pois bem, diante de tal situação, o que posso fazer diante da ofensiva covarde da Globo contra o meu trabalho?

O dinheiro que ganho serve para pagar meu custo de vida, ao qual tive que acrescentar agora os honorários do meu advogado.

Como posso entrar numa batalha judicial com o diretor de jornalismo da Globo, cujos proprietários têm uma fortuna maior que a de Rupert Murdoch, o magnata australiano dono de um império midiático nos EUA, maior que a de Berlusconi, proprietário de vários canais de TV na Itália e um dos principais expoentes da direita europeia?

O valor imposto, R$ 20 mil mais custos judiciais, equivale ao valor que o Judiciário costuma impor à revista Veja, que pertence também a uma das famílias mais ricas do país. E isso quando a Veja perde na justiça, o que é raro.

Não falta aqui um senso de proporção?

Depois de judicializarem a política, agora partirão para a judicialização da censura?

Qual o objetivo da Globo? Reduzir o já diminuto pluralismo político do país?

E ela ainda quer se vender como defensora da liberdade de expressão?

Ainda quer acusar a esquerda de pretender promover a censura por querer estabelecer uma regulamentação que evite esse tipo de aberração, na qual a grande mídia pode destruir reputações, e a pequena mídia não pode falar nada?

É muito cinismo! Dão golpe e falam que a democracia voltou! Censuram e acusam os outros de censura! Roubam e gritam pega ladrão!

Só blogueiros cubanos serão defendidos por nossa mídia?

O caso do blogueiro saudita, condenado a levar algumas centenas de chibatadas, foi denunciado por nossa “imprensa livre” e aqui o diretor de jornalismo da nossa maior empresa de mídia persegue judicialmente os blogs?

É uma contradição atrás da outra!

Entendo, contudo, perfeitamente, que as pessoas se sintam ofendidas e procurem reparação na justiça.

Se houvesse a lei de imprensa, o ofendido ganharia direito de resposta no blog, que eu publicaria com o maior prazer.

Ali Kamel poderia explicar, a meus leitores, que não pode ser culpabilizado pelos crimes que a Globo cometeu contra a democracia, no passado remoto e recente.

Tudo bem.

Não há mais lei de imprensa, porém. Não há qualquer tipo de regulamentação da mídia, que proteja o cidadão contra ofensas e o jornalista contra abusos do poder econômico e arbítrios da justiça.

Voltamos à lei da selva, à lei do mais forte.

Não tenho pretensão de acertar sempre. Entendo que um blogueiro pode passar dos limites às vezes. O limite entre o sarcasmo, o humor, o chiste, e a ofensa, é frequentemente tênue.

Pode-se publicar por vezes uma denúncia equivocada (o que não é o caso aqui, não “denunciei” nada acerca de Ali Kamel).

O blogueiro costuma caminhar sobre a corda bamba.

Ora, mas então que se aplique uma multa proporcional ao padrão financeiro de um blog!

Um blog político independente não tem R$ 20 ou R$ 30 mil para sair distribuindo para o primeiro que se sentir ofendido!

Se não conseguir pagar este valor, minhas contas serão bloqueadas e, evidentemente, meu trabalho ficará comprometido.

E aí é que não conseguirei pagar nada mesmo!

É uma coisa tão absurdamente injusta, tão ridiculamente sem sentido, que dá vontade de rir.

Os caras mais ricos do país, donos do maior império de mídia da América Latina, tentando matar um blogueiro de fome!

Tudo com apoio de uma justiça sem grande apreço, aparentemente, pela liberdade de expressão (ou que entende que esta liberdade seja propriedade da grande mídia); e a complacência de uma sociedade amedrontada e chantageada por uma mídia doentiamente inchada pelo totalitarismo político.

Vivemos uma ditadura sanguinária, onde a liberdade de expressão é monopólio de meia dúzia de poderosos?

O querelante se aproveita do fato do poder judiciário não estar devidamente atualizado sobre a importância dos blogs para o pluralismo político no Brasil, nem habituado à linguagem às vezes agressiva, própria da blogosfera, sobretudo quando se trata de enfrentar a grande mídia, herdeira da ditadura, símbolo do mainstream e de séculos de opressão e desigualdade social.

Eu fui condenado, aliás, porque escrevi um texto em apoio a um outro blogueiro, também condenado injustamente.

Até isso querem criminalizar, a solidariedade.

Até onde vai essa perseguição política, promovida por um gigante corporativo, através de seu diretor de jornalismo, contra simples blogueiros?

Gostaria de acreditar que vivemos um regime democrático, que vencemos a luta contra a ditadura, e que, portanto, os herdeiros dos anos de chumbo não vencerão esta batalha fundamental.

* * *

Aos leitores que quiserem ajudar, podem fazê-lo através deste link. Qualquer dúvida, use o email assinatura@ocafezinho.com (falar com Mônica Teixeira). Meu email é migueldorosario@gmail.com
Leia Mais ►