18 de fev de 2015

O “orgulho hétero” de Eduardo Cunha


O lobista Eduardo Cunha parece excitadíssimo no seu posto de novo presidente da Câmara Federal. A cada dia ele aparece com uma novidade. Em pleno feriado de Carnaval, ele anunciou que dará a presidência da estratégica Comissão de Finanças a um deputado tucano. Até a Folha estranhou a medida. “Depois de entregar o comando da reforma política ao DEM, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) decidiu oferecer a segunda comissão mais importante da Casa, a de Finanças e Tributação, ao PSDB. Com o aceno, ele contempla os dois partidos que lideram a oposição à presidente Dilma Rousseff e enfraquece ainda mais o PT, que ficou sem cadeira na Mesa Diretora da Casa e com menos influência nas comissões”. Com mais esta iniciativa intempestiva, o “peemedebista rebelde” vai confirmando os seus piores propósitos na direção do legislativo federal.

Além de preparar o terreno para um possível bote golpista, inclusive com a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, Eduardo Cunha acelera a guinada conservadora na Câmara Federal. Na semana passada, ele desengavetou vários projetos de caráter fundamentalista, principalmente contra as demandas dos movimentos feminista e gay. Como um dos principais líderes da bancada evangélica, ele já afirmou que não colocará em votação projetos favoráveis ao direito ao aborto e à união homoafetiva — “só ser for por cima do meu cadáver”, esbravejou em entrevista ao 'Estadão'. Como contraponto a estas propostas, ela autorizou a criação de uma comissão especial para discutir o projeto intitulado de “Estatuto da Família”, que define a família apenas como união entre homem e mulher e proíbe a adoção de crianças por casais gays.

Ele também desarquivou o risível projeto de sua autoria que cria o Dia do Orgulho Heterossexual, que passaria a ser comemorado no terceiro domingo de dezembro. A cômica proposta do “Dia do Orgulho Hétero” foi apresentada em 2011. Na ocasião, Eduardo Cunha alegou que ela visava “resguardar os direitos e garantias aos heterossexuais de se manifestarem e terem a prerrogativa de se orgulharem do mesmo e não serem discriminados”. Em outro trecho, o deputado se expunha totalmente ao ridículo. “No momento em que se discute preconceito contra homossexuais, acabam criando outro tipo de discriminação contra os heterossexuais e, além disso, o estímulo da ‘ideologia gay’ supera todo e qualquer combate ao preconceito”.

Motivo de galhofa em inúmeros eventos públicos, o projeto foi sumariamente arquivado. Agora, como presidente eleito da Câmara Federal, o orgulhoso hétero desengaveta a proposta — podendo transformar o parlamento brasileiro em motivo de galhofa internacional. Alguns dos seus fieis aliados — inclusive na mídia oposicionista — já se mostram assustados com a gula do ultraconservador. Como bem observou a blogueiro Luis Nassif, muita gente ainda vai se arrepender de ter apoiado o ambicioso lobista:

“Eduardo Cunha nunca teve moderação. Sempre foi um político alucinado para alcançar objetivos pouco dignificantes; e, de posse deles, se lambuzar em grandes lambanças. Seus primeiros dias na Câmara mostram isso. Desengavetamento da PEC da Bengala, do Orçamento Impositivo, a forçada de barra no projeto de reforma política de Cândido Vacarezza, o veto aos direitos das minorias, o desengavetamento do projeto de lei para o Dia do Orgulho Hétero. E, agora, a entrega de postos administrativos da casa para aliados. Elas são a comprovação de que, mesmo tendo quebrado a cara em vários cargos pelos quais passou, não conseguiu até hoje conter a gula. Vai se perder pela gula”.

Altamiro Borges



Vou sair de drag queen no Dia do Orgulho Hetero

O projeto que cria o Dia do Orgulho Heterossexual, de autoria do presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deve voltar a tramitar. A ser comemorado no terceiro domingo de dezembro, tem como justificativa “resguardar direitos e garantias aos heterossexuais de se manifestarem e terem a prerrogativa de se orgulharem do mesmo e não serem discriminados por isso''.

Vivemos em uma democracia republicana, então que se crie a festividade. Um amigo jornalista, homossexual e militante LGBTT disse que, na opinião dele, não há nada mais que se aproxime daquele velho estereótipo gay que um Dia do Orgulho Hétero, mas vá lá.

Não temos o Dia do Pombo da Paz (20 de setembro), Dia da Levitação (16 de dezembro) e Dia Paulista do Ovo (23 de dezembro)? Então, por que não?

Contudo, vale lembrar que vivemos em uma sociedade que considera anormal qualquer coisa que não seja uma relação cissexual homem/mulher. Criar elementos simbólicos com o objetivo de fortalecer aspirações reacionárias é sempre preocupante.

Daria para escrever uma tese diante tratar do perigo representado por uma maioria (com direitos assegurados) que começa a se manifestar de forma organizada diante da luta de uma minoria por sua dignidade.

Uma maioria que, cada vez mais, não tem vergonha de reivindicar a manutenção de privilégios, garantindo, dessa forma, o espaço que já é seu (conquistado por violência, a ferro e fogo). Mesmo que a obtenção de direitos pela minoria não signifique redução de direitos dessa maioria mas, apenas, necessidade de tolerância por parte desta.

Lembrando, é claro, que “maioria'' e “minoria'' não são uma questão numérica, mas sim de quanto um grupo consegue efetivar sua cidadania.

Mas quando li, como parte das justificativas do projeto, que “a preocupação com grupos considerados minoritários tem escondido o fato de que a condição heterossexual também pode ser objeto de discriminação, a ponto de que se venha tornando comum a noção de heterofobia”, desisti.

Um sentimento de vergonha alheia, daqueles que provoca na gente vontade de se esconder embaixo do tapete da sala, tomou conta de mim.

Nessas horas, só posso citar a sabedoria presente na mitologia cristã, uma das melhores passagens de toda a bíblia, em minha humilde opinião.

Evangelho de Lucas, capítulo 23: Pai, perdoai. Eles não sabem o que fazem.

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As críticas de Barbosa ao ministro da Justiça serviram, sobretudo, para ele se vender

Na Viradouro, porque ninguém é de ferro
Todo o quiproquó de Joaquim Barbosa em torno das visitas que o ministro José Eduardo Cardoso recebeu de advogados de empreiteiros da Lava Jato serviu para várias coisas, mas, principalmente, para: 1) ele se manter à tona no noticiário depois que Sérgio Moro tomou seu lugar como paladino da esperança; 2) valorizar seu passe como palestrante.

No vácuo jornalístico do Carnaval, o ex-presidente do STF viu uma oportunidade de usar o chamado marketing pessoal. Acompanhe a cronologia.

No dia 14 de fevereiro, mandou: “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a Presidente Dilma demita imediatamente o Ministro da Justiça.”

Em seguida: “Reflita: vc defende alguém num processo judicial. Ao invés de usar argumentos/métodos jurídicos perante o juiz, vc vai recorrer à Política?”

Gerou o barulho esperado. A OAB acabou divulgando uma nota dizendo o que Barbosa já sabia: “O advogado possui o direito de ser recebido por autoridades de quaisquer dos poderes para tratar de assuntos relativos a defesa do interesse de seus clientes. Essa prerrogativa do advogado é essencial para o exercício do amplo direito de defesa”.

Como costuma fazer ao ser criticado, vitimizou-se. Três dias mais tarde, voltou à carga no Twitter: “Os que recorrem à política para resolver problemas na esfera judicial não buscam a Justiça. Buscam corrompê-la. É tão simples assim”. Depois: “S/ as reações aos meus posts recentes sobre confusão entre Política e Justiça: meus críticos fingem não saber que hj sou um cidadão livre.”

Ainda criticou o que definiu, em seu pedantismo, como “plumes-à-gage” — penas de aluguel. Nesse meio tempo, topou um convite para ver o desfile da Viradouro na Sapucaí. A Viradouro teve como patrono o infame Capitão Guimarães, bicheiro de Niteroi, ex-oficial do Doi-Codi, mas tudo bem.

Até que veio o golpe de misericórdia: “Iniciei ciclo de palestras dedicadas ao mundo empresarial sobre aplicação e impacto da lei anticorrupção nas empresas, sobretudo as globais.”

Era isso, então?? Faltou colocar o fone de contato e o email, mas o Google resolve. De acordo com a Parlante, agência que trabalha com palestrantes de áreas variadas, Barbosa não sai da cama para subir num palco por menos de 100 mil reais. Esse é o preço de saída.

Joaquim Barbosa sabe vender seu peixe.

Kiko Nogueira
No DCM
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Depois da vitória da Beija-Flor, Globo levanta polêmica sobre patrocínio do ditador

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A surra de Haddad em Villa e Sheherazade

Preparo e despreparo
Só ouviria a Jovem Pan sob a mira de um revólver. Não seria a presença de Haddad na rádio que me levaria a sintonizá-la.

Não dou a minha audiência às mídias que entendo fazerem mal ao Brasil. Aproveito melhor meu tempo.

Acho quase patético que críticos da Globo, por exemplo, não saiam da emissora. Você frequentemente encontra nas redes sociais alguém que ataca o JN, e depois o jornal da noite, e depois a Globonews — e entre tudo isso a CBN.

Você contribui com o inimigo.

Mas razões jornalísticas me fizeram ouvir a gravação da entrevista com Haddad. A repercussão foi grande.

De resto, minha amiga Priscila Sérvulo me mandou o link do programa, com uma recomendação para que visse e comentasse.

Pensei comigo: vou experimentar.

Acabei vendo a entrevista toda.

Duas coisas opostas me chamaram a atenção: o preparo calmo e sereno de Haddad e o despreparo bufão dos entrevistadores Villa e Sheherazade.

De uma forma geral, foi uma coisa parecida com o Roda Viva em que Piketty passeou diante de uma bancada hostil e inepta comandada pelo economista André Lara Resende.

As más intenções da Jovem Pan apareceram antes mesmo da entrevista.

Sherezade disse que demorara duas horas para ir de casa para o trabalho. Culpa de Haddad, naturalmente.

Logo aí Haddad também mostrou suas armas. Ele quis saber de onde ela vinha, e se era assim sempre.

Pressionada, ela admitiu que em geral leva uma hora. E disse a Haddad que mora no Barueri. Fora da cidade, portanto. Se morasse em São Paulo, lembrou Haddad, ela perderia menos tempo no trânsito.

Villa foi logo abatido também.

Ele falou na taxa de reprovação de Haddad no meio do mandato como se fosse um fato novo na história dos prefeitos de São Paulo.

Haddad disse a ele que, como historiador, ele deveria consultar o passado. Marta e Kassab passaram por situações semelhantes, e logo depois de aumentar a tarifa dos ônibus, como ele próprio.

Haddad mostrou a relação entre aumento de tarifa e popularidade do prefeito.

Pego de surpresa, tudo que Villa conseguiu dizer é que iria pesquisar o assunto.

Isso quer dizer o seguinte: ele não fez a lição de casa.

Segundo algumas versões, Patrícia Poeta foi afastada do JN por supostamente não ter se preparado convenientemente para a entrevista com Marina Silva.

Um editor rigoroso afastaria Villa, mas imagino que isso não vá acontecer por uma razão: espera-se dele, apenas, que fale mal continuamente do PT, e não que se prepare para entrevistas. E ele entrega — em sua maneira caricatural, confusa e frequentemente imbecil — o que esperam dele.

Numa de suas grandes frases, Euclides da Cunha, ao tratar de Floriano Peixoto, disse que ele chegara à presidência não porque se elevara, mas porque se operara uma depressão em torno dele.

Haddad se destacou, em parte, pela depressão a seu redor na entrevista na Jovem Pan.

Imagine alguém que, em pleno 2015, consegue atacar ciclovias numa metrópole como São Paulo.

É Villa.

Suas observações, se fossem feitas em cidades como Londres ou Paris, o levariam ao ridículo e ao ostracismo imediatamente.

Mas no Brasil isso lhe dá microfones como o da Jovem Pan.

Haddad contou suas conversas com prefeitos de fora do Brasil a respeito das ciclovias.

Disse que é consenso que elas vem antes dos ciclistas. Sem as ciclovias, as pessoas não vão se arriscar em ruas perigosas.

Nem Sheherazade e nem Villa tinham a menor ideia sobre o assunto. Sobre nada, aliás — de semáforos quebrados ao preço do metro quadrado de uma ciclovia.

Ali estava, diante de Haddad, a ignorância enciclopédica personificada em dois entrevistadores sem a menor condição jornalística de sabatinar alguém.

Villa, a certa altura, jogou o Petrolão para cima de Haddad. Chegou a citar Gilmar Mendes, como se a opinião do meritíssimo valesse alguma coisa.

Haddad desarmou-o imediatamente. Afirmou que, como todo mundo, quer a punição de quem quer que tenha desviado dinheiro público na Petrobras.

E devolveu a Villa: “Você não quer que os corruptos do Tremsalão sejam presos? Você não quer que o conselheiro do TCU de São Paulo indicado pelo Covas sofra consequências pela conta na Suíça com dinheiro da corrupção?”

Villas balbuciou apenas, a voz mortiça: “Sim.”

Maluf também foi posto na conversa. Haddad disse que faz aliança não com pessoas, mas com partidos, e à luz do dia. Lembrou que Serra foi buscar o apoio do mesmo Maluf na calada da noite. “E você não disse nada”, completou.

Fora do campo objetivo, Haddad também enquadrou Villa com bom humor.

Ao responder a uma colocação, ele foi interrompido abruptamente. E então disse: “Puxa, Villa, vocês me atacam todos os dias. Deixa  hoje pelo menos eu me defender.”

Haddad fez o que se espera de um político que sabe o que quer.

Villa e Sheherazade fizeram aquilo que é inevitável em entrevistadores que não sabem entrevistar.

Deu no que deu: nocaute.

Paulo Nogueira
No DCM




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Bolsonaro não sabe se recebeu dinheiro de Youssef

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) tem defendido que seu partido expulse todos os envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal. Proporcionalmente, o partido é o que mais apareceu nas investigações, até o momento.

“O Alberto Youssef já disse que no meu partido só sobrariam dois. Eu não sei quem são os dois, mas, se eu recebi algum dinheiro, o partido não levou meu voto para o Executivo”, diz Bolsonaro.

Dos 45 parlamentares da sigla, seis foram citados nas investigações: os deputados federais José Otávio Germano (RS), Luiz Fernando Faria (MG), Nelson Meurer (PR) e Simão Sessim (RJ) e os senadores Benedito de Lira (AL) e Ciro Nogueira (PI).

No Congresso Nacional, a expectativa é de que até o fim do mês o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente a lista oficial dos parlamentares citados nos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef e peça a abertura de inquérito ao Supremo Tribunal Federal.

No iG
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Espelho


Na Argentina, fizeram um promotor desajustado criar uma fantasia contra a presidente Cristina Kirchner e, depois, o mataram com um tiro na cabeça.

Ato contínuo, o grupo de mídia Clarín, o pior inimigo da democracia argentina, montado para sustentar as ditaduras fascistas locais, iniciou uma campanha pelo impeachment de Cristina.

A morte do promotor, uma queima de arquivo tão patética quanto previsível, virou o mote da mídia golpista de lá.

Mude um pouquinho este enredo e qualquer um vai perceber o mesmo modus operandi aqui no Brasil, como também no Equador, na Bolívia e na Venezuela.

As elites mais perversas e caricatas do mundo continuam a ser as da nossa sofrida América Latina.

Lacaias, cruéis e desumanas.

E sem criatividade nenhuma.

No Esquerda Caviar
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Ministro das Finanças da Suíça tenta responder sobre o comportamento do PIG no caso HSBC


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HSBC vai detonar a Lava Jato


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Como a Globo pegou leve com o ditador amigo da Beija Flor e do Carnaval que ela transmite

Raissa de Oliveira, da Beija Flor, saúda o Teodorinho; Boni (de amarelo) de olho; ao fundo, placa do Swisssamba da Tijuca
Não somos fãs da denúncia generalizada contra “ditadores sanguinários da África”, como se eles só existissem lá. Em geral tais denúncias, feitas a granel, escondem intenções racistas de brancos que ainda se acreditam encarregados de espalhar sua “missão civilizadora”, exatamente como no século 18.

Achamos irônico que se denuncie a doação de uma quantia incerta de dinheiro — R$ 10 milhões? — do ditador Teodoro Obiang, no poder há 35 anos na Guiné Equatorial, a uma escola de samba cuja origem é diretamente associada à contravenção.

“A gente pegou um enredo para falar de um país africano, um país que até então muita gente não conhecia. Nossa questão aqui é carnaval. O regime não nos compete. Cuba era odiado pelo mundo democrático e hoje está sendo abraçado”, filosofou Farid Abraão, o presidente da Beija Flor.

Acreditamos que, se a Beija Flor merece ser criticada por aceitar patrocínio da Guiné Equatorial, também merece a Unidos da Tijuca, que levou dinheiro da Suiça, notório esconderijo de dinheiro sujo. Vai ver que o Teodorinho, o filho do ditador da Guiné que assistiu ao desfile no Rio, tem lá sua conta no HSBC…

O Viomundo tem como um de seus livros de cabeceira Poisoned Wells, the Dirty Politics of African Oil [Poços envenenados, a Política Suja do Petróleo Africano]. Nele, Nicholas Shaxson demonstra que as riquezas naturais da África não apenas serviram a ditadores locais, mas também a governantes corruptos europeus, além de lubrificarem o sistema financeiro internacional na casa dos bilhões de dólares, não naquele remoto refúgio fiscal do Caribe, mas em Nova York e Londres.

Portanto, afastem de nós este cálice do moralismo fácil.

No entanto, como combatentes da hipocrisia, seria impossível deixar passar a exibida pelas Organizações Globo neste Carnaval.

Basta um acesso aos arquivos digitais para constatar quantas vezes jornalistas e comentaristas a serviço das organizações, a título de atacar a política externa do governo Lula, denunciaram a relação — de Estado, diga-se de passagem — do ex-presidente com ditadores do desagrado de Washington.

Na revista Época, Ruth de Aquino descreveu “Os amigos tiranos do Brasil de Lula”: os irmãos Castro, Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez. A néscia aparentemente desconhece o fato de que Hugo Chávez talvez tenha sido o governante latino-americano mais testado pelas urnas em seu período de governo — quase uma dúzia de eleições, referendos e plebiscitos.

Mente sobre censura à imprensa na Venezuela, o que qualquer pessoa que se digne a frequentar uma banca de jornais naquele país vai constatar. Mas, sempre valeu qualquer mentira, distorção ou omissão para criticar o governo Lula.

Em Palpite Infeliz, Merval Pereira, o ideólogo dos irmãos Marinho, investiu contra o ex-presidente pelo mesmo motivo: “Presos por opinião política no Irã ou em Cuba não contam com a solidariedade do governo brasileiro, que se arroga o título de grande defensor dos direitos humanos, mas não liga muito quando países amigos os transgridem”, escreveu Merval, sem corar diante do fato de que seus patrões nunca denunciaram Guantánamo ou a barbárie na Arábia Saudita.

Pois nesta madrugada as Organizações Globo tiveram mais de uma hora e vinte minutos para denunciar um ditador que ocupa o poder há 35 anos na Guiné Equatorial. Teodorinho, filho e futuro herdeiro do poder, estava lá, num camarote da Marquês de Sapucaí.

Bastava apontar uma câmera na direção dele e ler de uma longa lista de denúncias de violações de direitos humanos contra a família.

Certamente tocaria o público da Globo o fato de que a Guiné Equatorial tem uma altíssima taxa de mortalidade infantil, apesar de ter também uma das maiores rendas per capita do mundo (U$ 50 mil), por conta da exportação de petróleo.

Enquanto isso, Teodorinho, saudado por Raissa de Oliveira na Marquês de Sapucaí, torra dinheiro comprando mansões, colecionando automóveis, iates e jatinhos. Não seria um prato cheio para a coluna de celebridades uma visita ao camarote do filhote de ditador?

No entanto, a Globo só entrou no assunto quando o desfile da Beija Flor terminava. Um dos narradores lembrou que a Guiné Equatorial era um país novo, ao que Fátima Bernardes acrescentou timidamente “ainda em busca de suas liberdades”, informando sem dar nomes que o presidente estava no poder há 35 anos. A palavra “ditador” não foi mencionada. Ponto final.

Faltou a coragem exibida por Ruth de Aquino,  segundo a qual “três regimes autoritários e ditatoriais, que vetam a liberdade de expressão e punem com a prisão quem ouse contestá-los, contam com um aliado de peso no mundo: o Brasil do presidente Lula”.

Cadê o jornalismo das Organizações Globo para colocar em prática o que prega quando se trata de denunciar um ditador que financia o Carnaval que ela transmite?

Aqui cabem muito bem, ironicamente, as palavras do próprio Merval Pereira, com os devidos ajustes:

Presos por opinião política na Guiné Equatorial não contam com a solidariedade da Globo, que se arroga o título de grande defensora dos direitos humanos, mas não liga muito quando países amigos os transgridem!

No Viomundo
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Golpes na Argentina, Venezuela e Brasil?

Há algo muito estranho ocorrendo em três países decisivos na geopolítica da América do Sul. A Venezuela, rica em petróleo, enfrenta uma onda permanente de desestabilização — com sabotagem no abastecimento de produtos básicos, choques violentos nas ruas e ameaças de golpes militares contra o presidente Nicolás Maduro. Na Argentina, segunda economia da região, está em curso um processo de judicialização da política que pode desembocar na cassação da presidenta Cristina Kirchner. Já no Brasil, a principal força no tabuleiro político do subcontinente, a direita mais suja do que pau de galinheiro se traveste de vestal da ética, bravateia a tese do impeachment e incentiva as marchas dos grupelhos fascistas. O que explica esta sinistra coincidência? Os EUA, que sempre trataram a região como o seu quintal, têm algo a ver com esta onda nitidamente golpista?

Os três países têm vários traços em comum. Em todos eles, a direita partidária sofreu duras derrotas eleitorais nos últimos anos. Forças contrárias ao neoliberalismo, com suas nuances e ritmos diferenciados, chegaram ao governo — e não ao poder. Fragilizada, a elite colonizada foi substituída no seu ódio ao campo popular pela mídia monopolista e manipuladora. Na Venezuela, Argentina e Brasil, os jornalões, as revistonas e as emissoras de rádio e tevê fazem oposição diariamente — jogam no pessimismo da sociedade, difundem a visão fascista da negação da política, tentam impor sua agenda neoliberal derrotada nas urnas e apostam na desestabilização dos governos progressistas. Nos três países, os barões da mídia hoje lideram as forças golpistas e estão cada dia mais agressivos. Nada mais contém a sua sanha conservadora e entreguista, pró-império.

Além da mídia monopolista, outros aparatos de disputa de hegemonia também servem aos interesses das oligarquias nativas e alienígenas. Na Argentina e no Brasil, boa parte do corrompido poder Judiciário está nas mãos das elites. O suspeito caso da morte do promotor Alberto Nisman, responsável pelo inquérito sobre o atentado terrorista a um centro judaico em Buenos Aires, tem servido para atiçar a campanha pela deposição da presidenta Cristina Kirchner. Já o escândalo da Petrobras, com vazamentos seletivos e técnicas de tortura do Ministério Público e da Polícia Federal — outros dois aparatos de hegemonia —, alimenta o sonho da oposição demotucana de sangrar e, se possível, de derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Na Venezuela, focos golpistas voltaram a aparecer nas Forças Armadas e se unem aos empresários sabotadores da economia.

Diante desta onda reacionária, os governantes dos três países são chamados a enfrentar a “guerra da comunicação” e derrotar os aparatos de hegemonia da elite colonizada. Na semana passada, o chefe de gabinete da Casa Rosada, Jorge Capitanich, acusou explicitamente a mídia e a Justiça de tramarem um golpe. “É uma estratégia de golpismo judicial ativo. No mundo, a disputa é entre democracia e grupos obscuros vinculados a poderes econômicos”. Ele inclusive citou o Brasil, no qual “Dilma Rousseff sofre ataques com pedidos de julgamento político”. Já o secretário-geral da Presidência da República, Aníbal Fernández, falou em “manobra de desestabilização democrática” e conclamou os setores populares a irem às ruas para defender a continuidade do mandato de Cristina Kirchner.

Também na semana passada, o presidente Nicolás Maduro acusou novamente o governo dos EUA de orquestrar um golpe na Venezuela. Na última quinta-feira (12), ele anunciou a prisão de 14 civis e militares, entre eles de um general da reserva. Segundo as investigações, o grupo pretendia causar tumultos e mortes num ato agendado pela direita local. Em rede de televisão, o líder bolivariano afirmou que “os EUA pagaram [os sabotadores] em dólares e lhes deram vistos com data de 3 de fevereiro. A Embaixada dos EUA lhes disse que, em caso de fracasso, poderiam entrar no território americano”. A grave denúncia foi, como sempre, ridicularizada pela mídia venezuelana e mundial — a mesma que apoiou efusivamente o golpe fracassado de abril de 2002. Já a Casa Branca considerou as acusações “ridículas”. Afinal, o império nunca apoiou golpes e ditaduras!

Já no Brasil, a “guerra da comunicação” anunciada por Dilma Rousseff na primeira reunião ministerial, no início de janeiro, ainda não saiu do papel. Nenhum ministro teve a coragem de denunciar “a estratégia de golpismo judicial ativo” — que deverá ficar ainda mais agressiva no pós-Carnaval com a nova fase da midiática Operação Lava-Jato. A presidenta Dilma Rousseff também ainda não ocupou a rede nacional de rádio e televisão para criticar os setores que pretendem destruir a Petrobras e entregar o Pré-Sal — um antigo desejo dos EUA. Num contexto bastante explosivo na região, aonde as coincidências golpistas são estranhas e os interesses imperiais são violentos, é preciso reagir rapidamente! O fantasma do retrocesso assombra a América do Sul.

Altamiro Borges
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Informante do caso HSBC diz que ainda há 'um milhão' de dados por vir

Em entrevista à BBC, ex-funcionário Hervé Falciani diz que uma grande empresa de petróleo pode ser a próxima a sentir efeitos de vazamento em massa de informações
O ex-funcionário do HSBC em Genebra, Herve Falciani, é o homem por trás do maior vazamento de dados na história dos bancos. As informações obtidas por ele em 2007 mostravam que a filial suíça do segundo maior banco do mundo “ajudou” clientes ricos a driblar o pagamento de milhões de dólares em impostos.

Oito anos depois, ele disse, em entrevista à BBC, que se sente “vingado” e “aliviado”, já que os dados revelados por ele finalmente vieram à tona e o escândalo vem sendo investigado em várias partes do mundo.

Segundo Falciani, estamos longe do fim da história, já que ainda há muitas informações sobre o esquema do HSBC.

Aliás, para ser bem preciso, há um milhão de bits em dados, afirma o ex-funcionário.

Ele diz que o trabalho de análise desses dados deve começar em breve e que uma grande empresa de petróleo pode ser a próxima a sentir os efeitos de um vazamento em massa de informações.

Estrelas do showbiz e traficantes

O esquema revelado por Falciani permitiu que, entre 2005 e 2007, centenas de bilhões de euros transitassem, em Genebra, por contas secretas de 106 mil clientes, entre eles, empresários, políticos, estrelas do showbizz e esportistas, mas também traficantes de drogas e armas e suspeitos de ligações com atividades terroristas.

Os documentos vazados por ele também incluem dados sobre 5,5 mil contas secretas de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas, com um saldo total de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 19,5 bilhões).

A BBC teve acesso a um e-mail, obtido pelo jornal francês Le Monde, que foi enviado por Falciani em 2008 ao órgão britânico que equivale à Receita Federal no Brasil (Her Majesty's Revenue and Customs ou HMRC), no qual ele dava detalhes do esquema.

“Mas como não obtive resposta, eu também liguei para denunciar o caso para um telefone de denúncia de evasão fiscal. Também sem sucesso.”

Ainda não está claro por que o HMRC não respondeu aos contatos do ex-funcionário do HSBC e por que levou tanto tempo para que a informações se tornasse pública.

O HSBC afirma que o banco passou por reformas e que agora há menos clientes e um controle mais rígido.

Mas para Falciani, o banco tem de ser punido de qualquer jeito.

“A punição tem que ocorrer, não importa o quão grande eles são”, diz ele, acrescentando que talvez haja centenas de outros bancos envolvidos em esquemas para ajudar os ricos e fugir do pagamento de impostos.

Segundo ele, é crucial que agências europeias, americanas e asiáticas trabalhem em conjunto para combater a corrupção em bancos.

Proteção aos informantes

As pessoas que se dispõem a denunciar esses esquemas também deveriam, segundo Falciani, receber maior proteção para que possam revelar o que sabem.

Mas seus críticos — e há muitos — dizem que é preciso ter cuidado com o informante e o acusam de ter tentado vender as informações.

Ele nega a acusação.

“Isso é mentira. É exatamente isso que eles tentam fazer, minar sua reputação, assim como a máfia faz”, disse. “Mas já está sendo provado que eu estava certo. Eu nunca pedi dinheiro em troca das informações e agora estou podendo provar isso.”

Falciani diz que enfrentou diversos problemas nos últimos sete anos, por ter vazado as informações.

Ele afirma que não tem uma casa e que viaja com o apoio de uma rede de pessoas que também estão envolvidas na luta contra o sigilo bancário.

“Foi imenso o impacto negativo que esse caso teve na minha vida, seja na pessoal ou na profissional, e também na minha reputação.”

Para ele, denunciantes tem de estar dispostos a enfrentar uma longa luta.

“Isso prova o quanto é difícil e complicado fazer denúncias como essa. Certamente, tudo isso levou muito anos mais do que eu esperava que levaria. É uma grande jornada.”

Kamal Ahmed
No BBC News
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Caso HSBC: quanto há de independência na ‘mídia independente’?

Um anunciante influente
Quanto há de independência real na imprensa que os suspeitos de sempre gostam de chamar, peitos estufados, de “independente”?

O episódio da estrepitosa demissão de um colunista do jornal britânico Daily Telegraph joga luzes sobre este assunto.

Peter Oborne disse que saía porque a cobertura do jornal do caso HSBC é uma “fraude contra os leitores”.

O que o jornal não quer arriscar, segundo ele, é a publicidade milionária que o banco lhe garante.

Na Era Digital, anúncios são cada vez mais escassos para a mídia impressa — e o preço a pagar por isso é o que se está vendo no Telegraph.

A independência da mídia “independente” termina na necessidade de agradar seus anunciantes.

Nos dias de ouro da mídia impressa, o quadro era outro, e era possível alguma altivez — pelo menos em sociedades com mídia mais avançada que a brasileira.

Pertence à antologia do jornalismo o embate travado, algumas décadas atrás, entre a General Motors, então a maior montadora do mundo, e a revista de negócios Fortune.

Desgostosa com uma reportagem da Fortune, a GM decidiu suspender por seis meses a publicidade na revista, da qual era o maior anunciante.

Ao saber disso, a Fortune imediatamente publicou sua resposta. Propaganda da GM não mais seria aceita na revista.

Foi um momento de glória, talvez o último, na divisão entre Igreja (conteúdo) e Estado (publicidade) que foi a essência durante muitos anos da imprensa americana.

No caso do Telegraph, pelo relato de Oborne, a Igreja foi estuprada pelo Estado.

Não será fácil administrar os danos à imagem num país como a Inglaterra, em que a opinião pública tem o poder de fechar um jornal transgressor, como foi o caso do tabloide News of the World.

No Brasil, jornalistas que estiveram ou estão em postos de comando nas grandes empresas jornalísticas conhecem muito a dura realidade da “independência” da imprensa.

Tente encontrar alguma reportagem crítica na Folha — ou no Globo, ou na Veja, ou no Estadão — sobre um grande anunciante.

Há, aqui, um complicador adicional.

Como as empresas frequentemente estiveram à beira de quebrar, por decisões de investimento catastróficas tomadas por famílias pouco capacitadas, os credores também sempre falaram alto.

Vivi uma situação dessas.

Em 1997, quando eu dirigia a Exame, fizemos uma reportagem de capa sobre o banco Safra.

Eu já tinha lido e aprovado o texto quando Roberto Civita pediu para vê-la, o que jamais acontecera.

Imprimimos o artigo e mandamos para ele. Jamais recebemos de volta. Tivemos que improvisar uma capa na última hora.

Um dos irmãos Safras ligou para Roberto Civita para conhecer detalhes da capa. E ela acabou reprovada fora da redação.

Como Safra conseguiu isso?

Porque era um dos maiores credores da Abril.

Acabou ali minha ilusão sobre a força da Igreja diante do Estado na Abril.

Interesses poderosos estão por trás das grandes decisões editoriais nas empresas jornalísticas — ou de anunciantes, ou de credores, ou simplesmente dos próprios donos.

Infelizmente, aqueles interesses quase nunca coincidem com os do leitor.

Paulo Nogueira
No DCM
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O jornalista que pediu demissão por causa da cobertura de seu jornal do caso HSBC


O principal comentarista político do The Daily Telegraph pediu demissão e lançou um duro ataque contra a gestão e os proprietários do jornal sobre a sua cobertura da história dos impostos do HSBC, que ele descreveu como uma “fraude para os leitores”.

Peter Oborne, editor associado do Spectator e um rosto familiar nos documentário do Channel 4, denunciou que matérias foram deliberadamente derrubadas sobre respeito do gigante bancário, incluindo revelações da semana passada que sua subsidiária na Suíça ajudou clientes ricos a sonegar impostos e esconder milhões de dólares em ativos, a fim de manter a sua conta de publicidade.

Oborne disse que a cobertura do HSBC pelo Telegraph, colocando os interesses de um grande banco internacional acima do seu dever de informar, foi uma “forma de fraude para seus leitores”.

“Há grandes questões aqui. Elas vão direto para o coração da nossa democracia, e isso não pode mais ser ignorado”, escreveu em um artigo no site Open Democracy.

Oborne disse que o jornal tinha desencorajado matérias críticas ao HSBC desde o início de 2013, quando o banco suspendeu sua publicidade depois de uma investigação do Telegraph sobre contas mantidas em Jersey. Ele disse que um ex-executivo do Telegraph falou que o HSBC era “o anunciante que você literalmente não pode se dar ao luxo de ofender”.

Oborne afirma que havia dito a Murdoch MacLennan, executivo-chefe da empresa controladora do jornal, o Telegraph Media Group, que estava saindo em dezembro do ano passado. Tinha a intenção de partir em silêncio, mas surgiu o “dever de tornar tudo isso público” após a cobertura do HSBC pelo Telegraph, que “precisava de um microscópio para ser encontrada”.

“A cobertura recente do Telegraph do caso HSBC é uma forma de fraude”, disse ele. “Foram colocados os interesses de um grande banco internacional acima do dever de levar a notícia aos leitores. Só há uma palavra para descrever essa situação: terrível”.

Um porta-voz do Telegraph declarou: “Como qualquer outro negócio, nós nunca comentamos sobre relações comerciais, mas a nossa política é absolutamente clara. Temos como objetivo proporcionar a todos os nossos parceiros comerciais uma gama de soluções de publicidade, mas a distinção entre publicidade e nossa operação editorial premiada sempre foi fundamental para o nosso negócio. Refutamos totalmente qualquer alegação em contrário. É uma questão de enorme pesar que Peter Oborne, por quase cinco anos como funcionário do Telegraph, tenha desferido um ataque tão surpreendente e sem fundamento, cheio de imprecisões e insinuações, contra seu próprio jornal.”

Antes das revelações do HSBC serem publicadas — pelo Guardian e por uma série de outras publicações, incluindo a BBC —, o banco deixou sua publicidade com a empresa-mãe do Guardian, a Guardian News and Media, “em pausa”.

Políticos conservadores e um membro do parlamento de alto coturno foram listados entre os homens ricos que tinham contas legais na Suíça. Ed Miliband rotulou David Cameron como “primeiro-ministro espertalhão” por causa de sua incapacidade de responder a perguntas sobre o caso e a indicação para um cargo ministerial do ex-presidente do HSBC, Stephen Green.

Oborne, que entrou no Telegraph há cinco anos, acusou-o de um “colapso nos padrões” sob seus proprietários, os irmãos Barclay, reclusos proprietários multi-milionários do hotel Ritz, que compraram a publicação em 2004.

Oborne disse que a questão do HSBC era “parte de um problema mais amplo”.

“Há tempos é sabido que no jornalismo de qualidade britânico os departamentos de publicidade e o editorial devem ser mantidos rigorosamente separados. Há uma grande quantidade de evidências de que, no Telegraph, esta distinção entrou em colapso “, disse.

O jornalista Peter Oborne não é brasileiro
O jornalista Peter Oborne não é brasileiro
Ele descreveu como “bizarra” uma reportagem sobre os protestos por democracia em Hong Kong e disse que ela foi seguida de um artigo do embaixador da China, cuja manchete “foi além da paródia”: ”Não vamos permitir que Hong Kong fique entre nós”.

“Três anos atrás, o time de investigações do Telegraph recebeu uma delação sobre contas mantidas pelo HSBC em Jersey. Essencialmente, este inquérito foi semelhante à investigação sobre o braço bancário suíço do HSBC “, disse ele.

“Este foi o momento crucial. Desde o início de 2013, críticas ao HSBC foram desencorajadas. O HSBC suspendeu a sua publicidade”, disse. “Ganhar de volta a conta de publicidade do HSBC tornou-se uma prioridade. Ela acabou por ser reconquistada após aproximadamente 12 meses.”

Oborne disse que interferências em histórias que envolvem o banco estavam acontecendo “em escala industrial”.

Ele falou a MacLennan, em um encontro casual na fila de carpideiras no funeral de Margaret Thatcher, para não tratar os leitores como nada. “Você não sabe que merda está falando”, foi a resposta.

Oborne diz que avisou MacLennan que estava se demitindo por uma questão de consciência. “Não é só o Telegraph que está falhando aqui”, disse ele. “Nos últimos anos temos visto o surgimento de executivos sombrios que determinam que verdades podem e não podem ser divulgadas na grande mídia.”

“Os leitores do Telegraph são pessoas sensatas e bem informadas. Eles compram o jornal porque acham que podem confiar nele. Se as prioridades da publicidade determinam julgamentos editoriais, como podem os leitores continuam a sentir essa confiança?”

Ele disse ao Channel 4 News: “Eu acho que o Telegraph precisa explicar para nós por que sua cobertura do HSBC foi distorcida, e não apenas para nós. As pessoas que realmente precisam entender isso são os leitores do Daily Telegraph. Eles são os que confiam no jornal”.

Do Guardian
No DCM
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Para Boulos, saída de Dilma é pela esquerda


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E se o Estado Islâmico quisesse patrocinar uma escola de samba?


Há um certo movimento entre pessoas que se recusaram a assistir o Carnaval no Rio de Janeiro neste ano. A razão principal para o boicote: o financiamento do enredo da Beija Flor pelo ditador africano Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial (como se o fato dos bicheiros mandarem na festa há décadas fosse um detalhe).

A maneira como a Globo, que tem os direitos de transmissão, cobre o evento é sintomático e surreal. Na TV, a verborragia sem sentido sobre harmonia, evolução etc ganha um toque extra de loucura. Como um jornalista pode narrar o desfile da Beija Flor sem mencionar que o patrocinador é responsável, por exemplo, pelo genocídio de uma etnia e espalhar a fama de ser canibal?

Na Globonews, o massacre carnavalesco do exército de repórteres inclui cascatas como uma matéria repercutindo uma pesquisa segundo a qual “ritmos imprevisíveis (!?) fazem bem à saúde”.

O Carnaval é o momento em que a máfia do jogo do bicho mostra sua opulência e sua invenciblidade para milhões. Por causa do entrelaçamento de interesses com o poder público e a mídia, aquela salada corrupta vira apenas “o maior espetáculo da Terra”.

Bicheiros são “patronos”, apropriação de verbas públicas é “investimento em turismo”. Escolas de samba não prestam contas porque, afinal, estão prestando um serviço à comunidade.

A folia de Momo é o momento em que o pobre pode brilhar, dizem. Na quarta feira de cinzas ele ou ela voltam à favela — enquanto a agremiação está com alguns milhões no caixa, grana distribuída entre os mesmos de sempre.

É fanfarronice e corrupção brilhando na tela, esfuziante. A televisão torna-se uma praça pública em que telespectadores assistem embevecidos um show bancado com dinheiro do crime, dormem e acordam indignadas pedindo impeachment.

No ano que vem, o Estado Islâmico vai pagar pelo enredo da Unidos do Vupabuçú. Deve haver uma ou outra decapitação num carro alegórico, mas, ei, isso é fundamental no quesito “alegorias e adereços”. Sem “apoio cultural e artístico” — de acordo com a nota da Beija Flor sobre a grana de Obiang —, não sai nada. A má notícia é que Claudia Raia foi confirmada como madrinha da bateria.

Kiko Nogueira
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Envolvidos com FHC e oculto no HSBC

Após ler publicação do blog Contexto Livre (clique aqui), verificamos que o blog do Nassif (clique aqui) também tinha divulgado a mesma relação de cerca de 50 brasileiros com contas secretas no HSBC.

Pesquisamos na internet e fizemos uma descoberta bem interessante que passamos a apresentar com seus respectivos links p/ consulta e conferência.

Saul Sabba Bco Máxima

A mulher do banqueiro Saul Sabba já trabalhou, dentre outras empresas, no Banco Cidade, cujo dono é Edmundo Safdié, e este banco é onde estava a conta “Marilia” – que abastecia o propinoduto da Siemens, no cartel dos trens de São Paulo – é a mesma pessoa que vendeu o apartamento adquirido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, logo que deixou a presidência (clique aqui).

A SEGUIR OS LINKS COM AS INFORMAÇÕES QUE CONSTAM DESTA POSTAGEM:










PS - Enviamos e-mail ao Banco Máximo, mas não obtivemos resposta. A seguir a íntegra da mensagem enviada:

URGENTE: Reportagem s/ conta secreta no HSBC segundo denúncia do Swissleaks

Prezados, conforme amplamente divulgado em diversos blogs, o nome do proprietário do Banco Máximo, o sr Saul Dutra Sabba, faz parte de uma lista de brasileiros que mantém conta secreta no HSBC no exterior.

Após pesquisa na própria internet o blog Megacidadania conseguiu reunir diversas informações que farão parte de uma postagem ainda nesta terça-feira, dia 17/02/2015. Diante do exposto perguntamos:

1) A sra Claudia Angélica Martinez, diretora de Captação & Marketing do Banco Máxima, informa publicamente que já trabalhou na empresa Jair Moro Imóveis. O proprietário dessa empresa guarda alguma relação de parentesco com o juiz Sérgio Moro?

2) O sr Saul Dutra Sabba foi recentemente convocado a depor no Congresso Nacional. Pode informar as perguntas que foram feitas e quais as respostas?

3) O Banco Máximo informa publicamente que assessorou o governo no programa de desestatização. Como foi essa assessoria, foi mediante contrato? Qual o prazo de início e fim?

4) A quanto tempo existe a conta secreta no HSBC?

Na certeza de sua pronta resposta diante do evidente interesse público que a presente questão apresenta, antecipadamente agradecemos suas respostas.

Att,

No Blog Megacidadania
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