17 de fev de 2015

O efeito Kátia Abreu nos movimentos sociais

Os trabalhadores rurais não apreciam tanto essa senhora
“Eu juro que, quando eu soube, pensei que vocês iriam incendiar o Palácio do Planalto”, brinquei.

“Será que ainda dá tempo?”, brincou outro, com mais espírito.

O rápido diálogo se deu há poucos dias, quando fui falar na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), em Brasília.

Fui, como de costume, generosamente convidado pela direção da Contag para dar uma aula sobre mídia e as eleições, desta vez no 5º Curso Nacional de Formação de Educadoras e Educadores em Ação Sindical e Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário.

Trata-se de um curso anual que reúne, em Brasília, algumas das principais lideranças nacionais da luta no campo. Há representantes das federações de camponeses de todos os estados, gente simples nos modos, mas com uma compreensão sofisticada da política nacional pelo viés dos movimentos populares.

Para mim, não há outro fórum mais prazeroso e eficiente de se discutir o País.

Mas eles não são muito ouvidos.

O diálogo que inicia este texto tratava da nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura.

Lá, na Contag, uma a uma das lideranças, cada uma a seu modo, descreveu a descrença profunda que se abateu sobre a luta quando a senadora Kátia, a representante mais simbólica do latifúndio brasileiro, foi nomeada ministra.

Os líderes camponeses brasileiros, ou quase a totalidade deles, apoiaram e sempre vão apoiar Dilma. E não se trata apenas de generosidade — embora, no caso deles, seja bom valorizar essa variável —, mas de visão histórica.

Os governos do PT causaram, reconhecidamente, uma quebra de expectativa dentro dos movimentos pela reforma agrária no Brasil. Em termos estatísticos, segundo levantamento do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foram desapropriadas fazendas para apenas 4,7 mil famílias, em 2014. Menos do que fez o general João Figueiredo, último presidente-general da ditadura.

João Pedro Stedile, principal liderança do MST, diz, com razão, que a reforma agrária está “bloqueada”. E, por conta desse bloqueio, aumenta a concentração da propriedade da terra e o avanço do capital sobre a agricultura aumenta.

Não priorizar, no entanto, não significou abandono. O governo da presidenta Dilma assentou 75 mil famílias e incorporou cerca de 2,3 milhões de hectares ao programa de reforma agrária, segundo dados do Incra.

Além disso, não há vivalma entre as lideranças camponesas incapaz de reconhecer o óbvio: sem Dilma e o PT, o campo vai cair definitivamente nas mãos da turma de Kátia Abreu, novamente, sob o manto protetor do agronegócio, esse eufemismo bacana bolado pelos ruralistas para não pronunciar a palavra maldita “latifúndio”.

Mas, o que fazer quando Kátia Abreu já está no governo?

Esse nó não foi desatado na minha aula.

Mas talvez precise ser afrouxado se a mídia conseguir reunir de novo sua manada de rebeldes do horário nobre, insatisfeitos com-tudo-que-aí-está, nas ruas.

Leandro Fortes
No DCM
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A imprensa debate a reserva de mercado do petróleo, mas não a dela própria

A Folha é beneficiária da reserva
Dou uma zanzada pelo Twitter de manhã e alguém posta o link de um artigo do  Estadão que critica a reserva de mercado nos projetos de pesquisa e exploração em petróleo. “A reserva criou amigos do rei”, segundo o Estadão.

Retifico: não foi alguém que postou. Foi Tuca Pinheiro, assessor de Roberto Freire e marido de uma repórter do Estadão que produz grandes quantidades de reportagens contra o governo.

Tuca, todos os dias, despeja no Twitter links antipetistas. Quase todo material novo da Veja é retuitado por ele.

Pensei o seguinte, ao ler aquele tuíte específico. Não. Fiz mais que pensar. Escrevi.

“E a reserva de mercado na mídia, criou o quê?”

Pouca gente sabe que as empresas de jornalismo ainda hoje, tantos anos depois que a globalização abriu mercados mundo afora, são protegidas por uma reserva de mercado.

É uma contradição espetacular para empresários que gostam de pregar as virtudes do capitalismo.

Eles gostam da competição que o capitalismo traz. Mas não para eles.

A reserva de mercado que ainda vigora no Brasil é um dos maiores símbolos de como a mídia conseguiu manter velhos privilégios graças a seu poder de intimidação, influência e retaliação.

É virtualmente impossível encontrar, nos jornais e revistas brasileiros, algum texto sobre o assunto, pelo caráter vexatório dele.

Procure na Folha, por exemplo, algum editorial que defenda a reserva para ela.

O Globo uma vez deu um artigo que defendia o que é indefensável.

Dois pontos eram sublinhados para justificar a reserva. Um: ela elimina o risco de propaganda maoísta.

Imagino que a referência fosse à possibilidade de algum grupo chinês desejar se estabelecer no Brasil não para fazer dinheiro, como o australiano Murdoch ao se expandir para a Inglaterra e para os Estados Unidos — mas para promover, insidiosamente, o comunismo ateu.

O segundo argumento é que, vedando o acesso a estrangeiros, estaria preservado o patrimônio cultural brasileiro representado pelas telenovelas.

Este artigo foi escrito pelo advogado Luís Roberto Barroso, hoje no STF, quando trabalhava para a Abert, associação de lobby da Globo.

Na prática, a reserva facilitou extraordinariamente a vida das empresas jornalísticas nacionais.

Somada a outros privilégios como a bilionária verba publicitária oficial e o acesso generoso a financiamentos de bancos públicos como o BNDES, a reserva explica em boa parte o país pobre e os empresários da mídia riquíssimos.

Governos como o de Sarney e o de FHC foram coniventes com a pilhagem do dinheiro público pelos barões da imprensa.

Mais recentemente, nem Lula e nem Dilma tiveram coragem de enfrentar os privilégios.

Como sempre acontece quando vantagens são concedidas a certos grupos poderosos, e depois mantidas perenemente, é a sociedade que perde.

Graças à internet este debate é agora, ao menos, possível.

Antes, nem isso — pelo bloqueio imposto por jornais e revistas.

Não é muito, mas já é um avanço.

Paulo Nogueira
No DCM
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OAB detona Joaquim Barbosa no caso Cardozo


Nota da OAB Nacional

O advogado possui o direito de ser recebido por autoridades de quaisquer dos poderes para tratar de assuntos relativos a defesa do interesse de seus clientes. Essa prerrogativa do advogado é essencial para o exercício do amplo direito de defesa. Não é admissível criminalizar o exercício da profissão.

A autoridade que recebe advogado, antes de cometer ato ilícito, em verdade cumpre com a sua obrigação de respeitar uma das prerrogativas do advogado. A OAB sempre lutou e permanecerá lutando para que o advogado seja recebido em audiência por autoridades e servidores públicos.
Diretoria da OAB Nacional

Marcus Vinicius Furtado Coêlho - Presidente

Claudio Lamachia - Vice-presidente

Cláudio Pereira de Souza Neto - Secretário-geral

Cláudio Stábile - Secretário-geral Adjunto

Antonio Oneildo Ferreira - Diretor Tesoureiro
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Samba Blindado no Paraná




Samba Blindado (Marcha da ALEP)
de Octavio Camargo e Gustavo Proença
Ô Dorotéia, põe o vestido
vamos comemorar
já ta tudo garantido
sou deputado
na Assembléia Legislativa do Paraná

A comissão de frente é um batalhão fardado
Nossa Alegoria é um carro blindado

Ô Dorotéia, põe o vestido
capricha na fantasia
vamos sambar até o dia clarear
eu já comprei toda alegria
O "Pacote de Maldades" é composto por:
Octavio Camargo, Gustavo Proença, Chiris Gomes, Luiz Felipe Leprevost, Katia Horn e Juliana Biancato.

Curitiba, carnaval de 2015.
Realização: Proeza MixArte.
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Só um imoral é capaz disso


Existe um mau-caráter chamado Felipe Moura Brasil, que ajuda a aumentar a imundície da Veja, que me faz perder o comportamento civilizado e recomendar que, se acaso passar perto de mim, guarde distância.

Publicou, naquele pântano moral, uma nota dizendo que a mulher de Alexandre Padilha teve “atendimento vip” numa clínica do SUS onde fez o parto de sua filha.

O “atendimento vip” foi, na verdade, a emergência de um parto prematuro, com ocorrência de pré-eclâmpsia da mãe.

Se este desclassificado não sabe, muitas mulheres e crianças morrem por isso.

Entre eles, aquele que seria meu primeiro neto, há um ano.

E não foi no SUS, mas num conceituado hospital de São Paulo, pago com recursos dele.

Felizmente, no caso da mulher de Padilha, houve diagnóstico prévio e o pior pôde ser evitado.

Há um limite para o mau-caratismo, senhor Felipe.

Os seus colegas de atrofia moral de uma página de médicos (!?) criada para combater o “Mais Médicos” mostraram, ao divulgar comunicações entre os médicos ou pessoal médico da unidade, que tipo de formação têm.

E se Padilha tivesse ou tiver chamado amigos ou conhecidos médicos — afinal, ele é médico e deve tê-los — teria feito o que qualquer um faria.

Quando Brizola teve um infarto, dentro do Hospital São Lucas, eu pessoalmente liguei — sem o menor constrangimento — para o Dr. Adib Jatene, que se prontificou a tomar um avião para o Rio mas me informou que — após conversar com os médicos do hospital, a quem levei o telefone celular dentro do centro cirúrgico — que não havia o que pudesse ser feito.

Muitos dos leitores talvez já tenham acompanhado ou vivido a angústia do nascimento de um prematuro e de complicações para a mãe.

É um sofrimento alucinante, muito maior do que aquele que se tem nas nossas próprias crises de saúde, porque já vivemos a vida, afinal.

Fazer o que este energúmeno faz não tem justificativa.

Louvo a serenidade do avô da menina, Anivaldo Padilha, que lhe respondeu com uma civilidade que eu não teria, através de declarações que reproduzo abaixo:

Estamos indignados, é falta de ética querer usar um parto para atacar o SUS. É mentira dizer que residentes foram tirados da sala ou que minha neta foi para um hospital privado e tudo o mais que alega esta página do Facebook de médicos sem ética alguma”

“É lamentável que páginas como esta sejam amplificadas nas matérias de jornal. Isso não é liberdade de expressão, não tiveram responsabilidade ética ao publicar isso e os médicos desta postagem não tem ética médica. Não posso acreditar! Estamos falando de um hospital-maternidade  de referência, é muita irresponsabilidade dessas pessoas”

Eu não tenho plano de saúde também, não tenho nada contra os que têm, mas é uma escolha consciente de nossa família que tanto lutou e luta pela Saúde Pública. Eu uso SUS, Padilha usa o SUS. Se não usasse seria atacado, quando usa é atacado. É impossível dialogar com este grupo sem ética que já falsificaram até diploma para atacar meu filho.”

Por acaso, sem que ele soubesse quem eu era, tive oportunidade de acompanhar o trato gentilíssimo de Alexandre Padilha com as pessoas, pois morei no mesmo apart-hotel que ele, quando ministro.

Não precisa que eu tome suas dores, escrevo pelas minhas, mesmo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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José Dirceu: Resposta ao jornal O Estado de S. Paulo

A reportagem “Delator repetiu esquema de Dirceu para abrir offshores” (17/02) procura, sem qualquer razoabilidade jornalística, associar o ex-ministro José Dirceu ao esquema assumido pelo engenheiro Pedro Barusco para recebimento de recursos ilícitos no exterior.

O argumento central da reportagem, de que ambos teriam recorrido ao escritório Morgan y Morgan, no Panamá, para abertura de suas empresas, não tem qualquer consistência. Em primeiro lugar, a Morgan y Morgan, como já fora amplamente divulgado pela imprensa brasileira em 2013, é responsável pela abertura de milhares de offshores em território panamenho, muitas delas representando empresas brasileiras, segundo as legislações civil, comercial, societária e bancária do país.

A prevalecer o raciocínio que motivou a reportagem, o Estadão está diante da obrigação jornalística de desvendar todos os clientes brasileiros ligados a Morgan y Morgan, partindo da premissa de que todos são igualmente suspeitos pelo simples fato de recorrerem ao mesmo escritório usado por Barusco.

Caso contrário, o jornal tornará explícito que sua posição política (comumente expressa em seus editoriais) também permeia e orienta sua reportagem — espaço que, como manda a boa prática jornalística, deveria ser regido pelo princípio da isenção.

A segunda razão pela falta de consistência da reportagem é o fato de que a JD Assessoria nunca atuou ou estruturou qualquer operação no Panamá. Em 24 de dezembro de 2013, após reportagens do próprio O Estado de S. Paulo que procurava associar o ex-ministro José Dirceu aos proprietários do hotel Saint Peter, em Brasília, a JD Assessoria encaminhou carta ao jornal negando qualquer tipo de relação com os donos do hotel.

A carta também esclarecia que o pedido de abertura de filial no Panamá sequer chegou a ser registrado naquele país, sendo revogado, por decisão da própria empresa, que seguiu todos os trâmites previstos pela legislação brasileira. Portanto, a JD Assessoria nunca atuou naquele mercado nem tampouco existiu formalmente no Panamá.

As tentativas de envolver o ex-ministro José Dirceu, além de desprovidas de provas, só reforçam a intenção de estabelecer a qualquer custo o vínculo da Operação Lava Jato com o PT, dando continuidade a uma campanha difamatória que já dura dez anos.
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Carnaval em SC

Navegay lota as ruas de Navegantes


Um dos maiores bloco de sujos do Sul do país, o Navegay começou pontualmente às 14h com 11 trios elétricos puxando milhares de pessoas pela rua central da cidade. Até o fim da noite de ontem, a Polícia Militar ainda não havia divulgado os dados de público, mas a expectativa da prefeitura é de que 120 mil pessoas passassem pela festa. Com moradores e foliões de outras cidades da região. o Navegay se tornou a festa do "quero bis".

A maioria dos entrevistados pela reportagem já frequentou a cidade em outros anos e conta que adora passar o Carnaval por aqui. O evento também não idade: crianças, jovens, adultos e idosos caíram na folia.

– Há cinco anos viemos com a mesma fantasia, eu de noiva e meu amigo de Valéria (personagem do Zorra Total). A gente se sente feliz e as famílias adoram, sempre pedem para bater fotos conosco – conta Marcos Pedro, de Itajaí.

Os amigos Luis Henrique Vieira Dalcastagne, Henrique de Campos Aguiar, Rafael César dos Santos e William Schmitt não pouparam esforços para "arrasar" no Navegay. Moradores de Itajaí eles demoraram cerca de três horas para montar a fantasia de drag queen.

– Todo ano a gente vem com uma fantasia diferente e sempre tem esse assédio pra fazer fotos. Nós gostamos de participar pela diversão, brincadeiras e também pelo respeito que as pessoas têm – conta Luis Henrique.​

Em Florianópolis, ônibus coletivo é incendiado na Vargem Pequena

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A Dilma dura até 2018. E a Globo?

Ataulfo, você tem um Plano B?



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Os pecados de Dilma

A presidenta cometeu e comete alguns, mas nunca foi desonesta. Tentar provar o contrário é tempo perdido

Professor Ives, por favor, dê uma lida na Constituição
Adhemar de Barros levou para casa as urnas marajoaras do museu. Ernesto Geisel, os vasos chineses presenteados por autoridades estrangeiras em visita oficial. Exemplos daquele patrimonialismo que o ministro Levy parece desconhecer. Mas há formas piores.

O presidente da Petrobras aos tempos da ditadura do acima citado Geisel, Shigeaki Ueki, foi o primeiro grão-mestre da corrupção na empresa criada por Getúlio Vargas. Certo Barusco de quem muito se fala é destacado executivo da Petrobras desde meados dos anos 90, aquele período abençoado pela mídia deliciada, em que reinou Fernando Henrique, quando ainda não havia comprado os votos para conseguir no Congresso o seu segundo mandato, debaixo dos aplausos midiáticos.

A corrupção é endêmica no Brasil porque muitos políticos enxergam o poder alcançado pelo voto como de sua propriedade privada, assim como se dá com servidores do Estado, nomeados, os Barusco, os Duque, os Costa, os Cerveró e companhia. Mas, a bem da sacrossanta verdade, o espírito nacional tende, frequente e naturalmente, à tramoia, ao passa-moleque, à falcatrua, ao comércio do gato por lebre.

É também do conhecimento do mundo mineral que este é o país da impunidade. A quantidade de imponentes corruptos que vivem, ou viveram à larga antes de passar à outra vida, é infinda, além de certa e sabida, assim como acontece que rico não vá para a cadeia. Há mais de duas décadas, paira por trás dos lances mais duvidosos, quando não francamente criminosos, a marcarem a vida do poder à brasileira, a figura, fugidia e ao mesmo tempo de nitidez implacável, do banqueiro Daniel Dantas. Desde a privatização das comunicações, a maior bandalheira da história pátria, até os chamados mensalões e a Operação Satiagraha.

Não falta lenha para a fogueira da corrupção brasileira, cada vez mais abundante e de todas as procedências. Há quem escape, porém, na visão e no uso do poder, ao andamento comum. Em primeiro lugar, neste momento, Dilma Rousseff. O resultado da recente pesquisa Datafolha, pela qual 47% dos brasileiros acreditam que a presidenta está envolvida em corrupção, representa um equívoco clamoroso, adubado pelas ferozes interpretações do jornalismo nativo.

O que não há como pôr em dúvida é a honestidade de Dilma. Pode-se alegar sua ingenuidade diante do engano de que foi vítima, urdido por quem lhe era tão próximo. Pode-se alegar falta de experiência para lida complexa, ou da desejável vigilância. A presidenta, além de cultivar as melhores intenções, não daquelas que pavimentam o caminho do inferno, é moralmente inatacável. Ao contrário de Fernando Henrique, por exemplo.

As falhas de Dilma são de outra natureza e dizem respeito à prática da política. Ela não é mestra na matéria, embora saiba bastante de economia. Infensa à negociação, comunica-se com transparente dificuldade. Daí as relações difíceis com o Congresso e com o empresariado. Grave, deste ponto de vista, o afastamento de Lula, imbatível no trato político, mestre no assunto. Por mais compreensível que seja o propósito de se afirmar por conta própria, a presidenta errou ao se distanciar de quem seria seu melhor conselheiro.

Raros os momentos de aproximação, e sempre por mérito do ex-presidente, preocupado com as dificuldades da sucessora. Se ele estivesse nas imediações, é certo de que a presidenta não se rodearia de colaboradores nota 10 em incompetência, de efeitos deletérios tanto mais em tempos de crise gravíssima. Outros seriam os comportamentos dos parlamentares, enquanto os empresários teriam mantido um resquício de esperança.

As causas da crise têm origens diversas e Dilma não é, certamente, a responsável número 1. Muito antes do que ela e seus erros, surgem as consequências do neoliberalismo globalizado, a debacle do PT, a corrupção desenfreada dentro da maior empresa brasileira no quadro de um mal crônico, emblema da predação como característica inata. E a empáfia tucana, e a costumeira, irreversível prepotência da casa-grande, amparada pela desonestidade orgânica da mídia nativa. Mas Dilma, sinto muito, tem suas culpas em cartório. Nada a compartilhar, está claro, com a culpa alegada por Ives Gandra Martins na sua peça de delírio onírico confeccionada a mando tucano para demonstrar a viabilidade do impeachment. A todos aconselha-se a simples leitura da Constituição.

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Primeira fábrica de semicondutores do hemisfério Sul será inaugurada em 2015 no Brasil


O Brasil vai sediar a primeira fábrica de semicondutores do hemisfério Sul, a Unitec, que deve entrar em operação a partir do segundo semestre deste ano. A previsão é de que o empreendimento tenha um custo total de R$ 1 bilhão, do qual R$ 207 milhões concedidos pela Finep, por meio do BNDES.

Segundo a Finep, a construção da Unitec, que vai fabricar o “chip do futuro”, transforma de maneira revolucionária o padrão industrial brasileiro. Os componentes produzidos por essa planta trarão uma característica de inovação muito forte para a indústria brasileira, com fortes investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

A planta está sendo erguida em uma área de 20.000m² de construção total e 5.000 m² de sala limpa, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Os primeiros produtos a serem vendidos no mercado devem ser cartões inteligentes para bancos, operadoras de telefonia e empresas de transporte público.

O diferencial competitivo, de acordo com Finep, deve ser o atendimento a nichos de mercado, produzindo circuitos integrados customizados e obtendo, consequentemente, margens maiores do que na produção em massa de semicondutores. Uma das parceiras do projeto é a IBM, líder mundial no segmento de semicondutores.

O empreendimento permitirá que o País ingresse no seleto grupo de países com alta tecnologia em semicondutores, com forte demanda nacional e internacional, suprindo a praticamente inexistente oferta de componentes locais . O projeto foi realizado graças à parceria entre o BNDES, a Corporación América, Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), IBM (NYSE:IBM), Matec Investimentos e a Tecnologia Infinita WS-Intecs.

Empregos

A previsão é de que a Unitec gere 300 empregos diretos, na produção de 360 wafers por dia — lâminas de silício das quais são feitos os chips.

A mão de obra especializada no design de semicondutores no Brasil já existe, e muito se deve aos centros de design criados dentro do programa federal CI Brasil. Com apoio da Finep, a iniciativa ajudou a criar 21 centros de design em todo o País, com mais de 500 designers em atividade especializados em projetar chips.

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Os cenários políticos possíveis


Há dois cenários possíveis pela frente e um quase improvável.

Cenário 1: impeachment

Hipótese aventada de forma algo irresponsável nas redes sociais e por alguns tiranossauros da oposição.

Significaria a paralisação virtual do governo — e do país — em um momento em que lavram incêndios consideráveis na Petrobras — com o comprometimento da cadeia do petróleo e gás — e uma instabilidade forte no mercado financeiro, nas contas fiscais e correntes.

De cara, ocorreria o agravamento dos problemas econômicos, aos quais se somarão embates políticos de monta, deterioração do mercado de trabalho.

No momento seguinte, dúvidas de monta sobre o que seria o novo governo. Tem-se, em uma ponta, um PSDB radicalizado, que racharia o país em dois; e um PMDB moderador, mas uma colcha de retalhos, hoje sob a liderança do político mais negocista da República — Eduardo Cunha. E um partido — o PT — que só se mobiliza na desgraça.

Cenário 2: Dilma sem mudanças

Dilma consegue ultrapassar a fase crítica atual, mas continuará submergida pelo centralismo, falta de iniciativa, indefinição em relação às políticas públicas e impasses com o Congresso.

Serão quatro anos com a economia se arrastando, a oposição brandindo a política de escândalos, os conflitos recorrentes com o Legislativo. Por enquanto, é o cenário mais provável.

Cenário 3: Dilma com mudanças

Por alguma razão divina, abre-se a cabeça da presidente e ela resolve descentralizar as decisões, definir rumos para seu governo, estimular um projeto social de fôlego, que seja a contrapartida dos ajustes fiscais atuais. Por ora, é o cenário mais improvável.

* * *

A definição desses cenários dependerá, em grande parte, dos próximos passos da Lava Jato e da cabeça da presidente

O único fator previsível, por enquanto, é o da cabeça da presidente: não há o menor sinal de que ela abdique de seu estilo atual, de centralismo com baixo discernimento.

Por outro lado, pela alta dose de imprevisibilidade, o impeachment dificilmente será levado adiante. O tema será basicamente utilizado para manter Dilma e o PT sangrando e na defensiva.

* * *

Além disso, a revelação da lista dos implicados na Lava Jato com foro privilegiado certamente reservará boas surpresas também do lado da oposição — conforme insinuado pelo próprio Procurador Geral da República Rodrigo Janot — equilibrando um pouco mais esse jogo político medíocre em que o trunfo de cada lado é apenas a taxa de rejeição do opositor.

A mais de um interlocutor, Janot revelou que os vazamentos da Lava Jato têm sido absolutamente seletivos; e que as informações inéditas, quando reveladas, equivalerão a algumas bombas de hidrogênio.

* * *

A Rede TV! furou o bloqueio da cobertura da mídia e divulgou uma entrevista com a contadora do doleiro Alberto Yousseff, revelando ligações próximas de um dos operadores com o presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Até agora Cunha vem sendo a gazua, blindada pelos grupos de mídia, para abrir uma brecha no mandato de Dilma. Pelo seu histórico e falta de limites, será impossível que a blindagem se mantenha por muito tempo.

* * *

Apenas com a divulgação da lista dos denunciados se avaliará melhor o impacto sobre o jogo político.

Mesmo assim, mesmo que a onda pró-impeachment se esvazie nas próximas semanas, a presidente terá que rever seu estilo de governar. O país não aguentará quatro anos medíocres pela frente.

Luís Nassif
No GGN
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Sobre o pacote de maldades e o desrespeito aos professores paranaenses


No dia seguinte às eleições do ano passado, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), deu entrevista para a RPC, afiliada da Rede Globo no estado. Richa disse que com experiência de quatro anos e com as contas em dia, nosso Paraná viveria dias de prosperidade.



Richa mentiu. Nesses dias milhares de professores do estado entraram em greve geral por conta da desastrosa gestão do governador. Com sérios problemas financeiros decorridos da irresponsabilidade fiscal, o tucano Richa enviou à Assembleia Legislativa (AL) um projeto que iria prejudicar os trabalhadores da educação.

O chamado “pacotaço” iria mudar estruturas organizacionais e financeiras. Richa queria o fim do plano de cargos e salários, o fim do adicional quinquênio e, pior, usar o dinheiro da Paraná-Previdência, que é uma previdência estatal do nosso estado, para pagar dívidas de agora.

Na prática isso prejudicaria o pagamento de futuras aposentadorias dos nossos educadores. Seriam R$ 8 bilhões roubados do povo paranaense. Economistas disseram que em três anos o sistema entraria em colapso e o dinheiro simplesmente voaria, assim como um tucano.

Pior: Richa enviou o projeto de forma obscura, para tentar ludibriar a população. Porém, o governador subestimou a inteligência dos paranaenses. Educadores acamparam, no Centro Cívico, em Curitiba, após os deputados estaduais aprovarem uma votação do projeto em comissão geral, ou seja, sem as discussões entre os parlamentares e tampouco sem diálogo com a categoria.

Richa também cortou dez mil funcionários da educação, além de rescindir o contrato de outros 29 mil trabalhadores temporários. A educação no Paraná, estado que já foi destaque no Brasil, vive a pior crise da sua história. As aulas que iriam começar na segunda-feira, dia 10, não ocorreram por conta da greve.

Mais de 950 mil alunos estão aguardando que o governador Richa tome providências e resolva a crise na educação que ele criou. São 2,1 mil escolas paradas e milhares de protestos em todo estado. Universidades e hospitais universitários também aderiram. A mobilização do povo fez com que a votação fosse adiada.

Richa, por sua vez, publicou comunicados na imprensa do Paraná dizendo que “está tudo bem”, e que a “culpa” de tudo isso é do governo federal. Richa pensa que engana o povo, assim como fez durante os quatro anos em que foi governador. Mas o povo não é bobo, governador.

Os professores ocuparam a AL e de lá representavam todos nós paranaenses. Tem mais: Richa ordenou que a PM agisse contra os manifestantes, nossos educadores. Gás, balas de borracha e truculência contra aqueles que têm a dádiva e a responsabilidade de educar nossos jovens e crianças.

Deputados foram à AL dentro de um veículo da tropa de choque. Este é o estilo tucano de negociação. Assim como em 30 de agosto de 1988, quando o senador Álvaro Dias (PSDB), então governador do Paraná, soltou a cavalaria da PM contra os professores.

Agora, em fevereiro de 2015, mesmo com violência do governo do estado, a mobilização dos professores fez com que a votação fosse adiada. Mas a luta ainda não terminou.

A força do povo fez a diferença e, da minha parte, como deputado federal reeleito com mais de 155 mil votos, como defensor da educação, expresso meu repúdio às atitudes do governador e meu apoio irrestrito aos professores. Deixo aqui minha indignação com a mentira e o desrespeito de Richa aos educadores.

Zeca Dirceu, deputado federal (PT-PR)
No CAf
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O vigor do outro Brasil surgido dos anos 2000

A parte do país que não está nas principais regiões metropolitanas aumentou a participação na riqueza nacional de 46,4% em 1970 para 60%, em 2010. Mas esse Brasil menos desigual parece não agradar alguns

Em Campina Grande, agreste paraibano, consumo de bens cresceu
23% em 2012; no país média foi de 9,3% no período
O modelo de desenvolvimento urbano e industrial constituído a partir da Revolução de 1930 no Brasil caracterizou-se pelo movimento maior de centralização do emprego, renda e riqueza em poucos lugares do território nacional. Apesar de contar com mais de 5,5 mil municípios, apenas alguns emergiram identificados como locomotivas da expansão econômica nacional.

Isso porque no início da década de 1970, os militares oficializaram com o conceito de região metropolitana um conjunto de municípios centralizados em torno de nove capitais principais do país, a saber: Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O restante dos municípios excluído da definição de região metropolitana seria expressão do atraso e da desigualdade, que sem força própria se tornaria dependente de transferências do governo central.

O resultado disso foi a trajetória do fluxo imigratório que deslocou uma massa de trabalhadores do meio rural fundamentalmente para as regiões metropolitanas do país. Entre 1940 e 1980, por exemplo, a população localizada nas regiões metropolitanas passou de 16,8% do conjunto dos brasileiros para 29,2%, um crescimento acumulado de 73,8% em somente 40 anos.

Ao mesmo tempo, a participação na produção nacional por parte das regiões metropolitanas subiu de cerca de um terço para quase 54% entre as décadas de 1940 e 1970. Um Brasil polarizado entre a modernidade de algumas cidades que se situavam em torno de poucas capitais a sustentar o núcleo dinâmico do desenvolvimento nacional e a parte restante representando o atraso passou a sofrer uma importante inflexão a partir de 1980.

A crise da dívida externa entre os anos de 1981 e 1983, bem como pelas medidas adotadas pelo último governo da ditadura (1964-1985), terminaram por romper o curso do projeto nacional desenvolvimentista estabelecido nos últimos 50 anos. As políticas neoliberais adotadas na década de 1990 colocaram uma pá de cal nas possibilidades de soerguimento do desenvolvimento nacional.

O resultado foi a regressão nas regiões metropolitanas concomitantemente com o resto do Brasil. De oitava economia do mundo em 1980, o País decresceu para o posto de 13ª no ano 2000, coincidindo com a expansão do desemprego que saltou de 1,8 milhão para 11,5 milhões no mesmo período de tempo.

Nos anos 2000, a retomada do desenvolvimento econômico com justiça social ofereceu novo horizonte para a questão da desigualdade no território. Passou-se a assistir ao crescimento econômico descentralizado, por opção de políticas públicas de investimento e políticas de renda onde o Brasil encontrava-se esquecido por séculos.

O resultado, em pouco tempo, não tardou a se apresentar. De um lado, a estabilização dos habitantes nas regiões metropolitanas, que as manteve abaixo de 30% a participação relativa no total da população do país.

De outro lado, a alteração na composição da riqueza nacional segundo a localização territorial. No ano de 2010, por exemplo, o conjunto das regiões metropolitanas respondeu por 40% do produto nacional, enquanto em 1970 chegou a representar quase 54%.

A queda no peso relativo das regiões metropolitanas no produto nacional ocorreu principalmente em função do verificado nas duas principais. A região metropolitana do Rio de Janeiro perdeu 50% de sua participação relativa entre os anos de 1970 e 2010, ao passo que a de São Paulo decaiu 29,3% no mesmo período.

No sentido inverso, as regiões metropolitanas de Salvador (17,6%), Fortaleza (62,5%), Curitiba (78,6%) e Belo Horizonte (14,3%) aumentaram suas posições relativas na riqueza nacional. Belém manteve intacta sua participação relativa no produto nacional nos últimos 40 anos.

Se considerar a parte restante do país, excluída do conceito de região metropolitana, percebe-se o crescimento na participação da riqueza nacional de 46,4%, em 1970, para 60%, em 2010. Ou seja, aumento acumulado de 29,3% em 40 anos.

Em função disso, nota-se que as fontes do dinamismo nacional localizam-se cada vez mais na interior do Brasil, o que reduz o grau de polarização entre regiões metropolitanas e o resto do território nacional. A riqueza aumenta mais puxada pela força do outro Brasil, assim como a própria expansão de empregos e renda.

Um país menos desigual surge das transformações introduzidas fundamentalmente na década de 2000. Mas isso, contudo, parece não agradar alguns, que buscam, mesmo de forma não democrática, interromper a todo custo o governo que produziu o vigor do outro Brasil.

Marcio Pochmann, professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas
No RBA
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CNJ apura se desembargador de SP ajudou deputado tucano em ação penal

O desembargador Armando de Toledo (esq.) ao lado de Barros Munhoz em evento de 2011
O Conselho Nacional de Justiça apura se o desembargador Armando Sérgio Prado de Toledo, do Tribunal de Justiça de São Paulo, retardou por mais de três anos o andamento de uma ação penal contra o deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa Barros Munhoz (PSDB) para beneficiá-lo.

O desembargador relatou um processo no qual Munhoz é acusado de formação de quadrilha, fraude em licitação e omissão de informações à Promotoria em um suposto direcionamento de contrato quando foi prefeito de Itapira (SP), entre 1997 e 2004.

Todos os crimes prescreveram no período em que o processo esteve com Toledo. "Ao longo de mais de três anos e quatro meses, não houve a prática de nenhum ato processual", segundo constatou a Corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O crime de formação de quadrilha especificamente prescreveu um mês antes de Toledo registrar seu voto, que foi contra o recebimento da denúncia por não atender às "exigências legais".

Outros 17 desembargadores integrantes do órgão especial que analisou o caso discordaram de Toledo ao acatar a denúncia em agosto de 2012. Eles concordaram com o voto do revisor do processo, Luís Soares de Mello, que viu indícios de desvio de verbas por parte de Munhoz, atual líder do governo Geraldo Alckmin na Assembleia.

Durante duas sessões, Toledo não respondeu as interpelações dos desembargadores Grava Brasil e Urbano Ruiz, que desejavam saber que providências ele havia tomado como relator para justificar o atraso do processo.

Aequivamento no TJ

Em junho de 2013, o então corregedor nacional de Justiça, Francisco Falcão, determinou que a presidência do TJ-SP apurasse os fatos. O presidente à época, desembargador Ivan Sartori, instaurou o procedimento interno e arquivou o caso. Falcão registrou que o arquivamento "impediu o necessário aprofundamento das investigações".

Toledo disse que exercia várias atividades no TJ e na diretoria da Escola Paulista da Magistratura. A corregedoria do CNJ pediu uma certidão da produtividade dele. Constatou que "não houve atraso no julgamento de qualquer outro processo", além da ação contra Munhoz.

Em setembro de 2013, Falcão mandou intimar Toledo para sessão de julgamento. A reclamação disciplinar entrou em pauta em várias sessões no final do ano passado, mas não foi levado a julgamento pelo presidente do CNJ, ministro Ricardo Lewandowski, que também preside o Supremo Tribunal Federal.

Desde novembro de 2013, o sistema eletrônico do CNJ não registra movimentações do processo. Magistrados sugerem nos bastidores que há uma rede de proteção para blindar Toledo.

O julgamento finalmente foi marcado para 18 de novembro último por decisão da nova corregedora, ministra Nancy Andrighi, que examinara o processo.

No dia da sessão, porém, os advogados de Toledo protocolaram no CNJ uma documentação volumosa. Andrighi retirou o tema da pauta justificando a necessidade de analisar os documentos.

Ação penal

Em janeiro deste ano, a vice-procuradora geral da República, Ela Wiecko de Castilho, entendeu que não havia indícios suficientes para uma investigação criminal por suspeita de prevaricação de Toledo. A decisão não interrompe o processo no CNJ.

Em sua defesa, Toledo disse que estava afastado há muito tempo do julgamento de ações penais, pois atuava desde 2002 na área cível.

Disse que contou com o trabalho de uma servidora, que jamais o alertou sobre "eventual prescrição" dos crimes.

Frederico Vasconcelos
No fAlha
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Ética e Valores


Custo da corrupção na Petrobrás, estimado pelo Ministério Público Federal, a partir da Operação Lava-Jato: R$ 2,1 bilhões.

O que provoca: grande escândalo na mídia, comoção nacional, crise institucional, governo paralisado, articulação golpista, sensação de fim de mundo iminente.

Valor dos depósitos de 8.667 ricaços brasileiros no HSBC da Suíça, fugindo à tributação no país e, portanto, desviando recursos públicos: R$ 20 bilhões.

O que provoca: cobertura jornalística pífia, nomes de envolvidos omitidos, silêncio do governo, silêncio do parlamento, silêncio da justiça, desinteresse dos cidadãos, indiferença geral e irrestrita.

Conclusão inescapável: o zelo ético dos brasileiros pode ser no mínimo dez vezes menor que o necessário à pretendida moralização do país.

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EUA podem considerar uma ação militar contra Venezuela

O analista político e ex-vice-presidente venezuelano José Vicente Rángel, disse nesta segunda-feira (16) que os EUA podem considerar uma operação militar contra o seu país.

"Golpe de estado bem sucedido, sem militares? Impossível! Rebelião popular, bem sucedida sem povo? Impossível! Triunfo eleitoral, sem oposição séria? Impossível! O que fazer? Só falta uma invasão armada", ponderou o jornalista em sua coluna O Espelho, no jornal Últimas Notícias.

Talvez pareça exagerado falar isso, disse ele, porque é algo que se choca com as práticas civilizadas que se exaltam hoje, mas na hora da verdade, os poderosos e seus lacaios as pisoteiam.

De acordo com Rángel, a opção de invasão é envolta na falsa defesa de direitos humanos, a reivindicação da Carta Democrática, o respeito a democracia e liberdade, quando na verdade o que eles querem é destruir a soberania nacional, as mudanças sociais e o retorno das elites ao poder.

Ele lembra que os Estados Unidos têm testado contra Venezuela todos os formatos para acabar com o processo bolivariano, desde o golpe de estado, até a sabotagem petroleira, os 'guarimbas' (violência de direita), a guerra econômica, o terrorismo, as campanhas midiáticas e o bloqueio parcial, "e o resultado foi sempre a derrota."

O ex-vice-presidente citou entre os argumentos de sua análise, a previsão do general norte-americano Vincent Stewart, diretor de inteligência do Departamento de Defesa sobre uma possível onda de protestos violentos coincidir com as eleições parlamentares deste ano no país.

"Como este alto funcionário sabe disso? Quem forneceu os dados? Ele consegui através dos canais de oposição interna que o governo dos EUA mantem para descobrir o que está acontecendo na região?", se perguntou Rángel a respeito da declaração desse general perante uma comissão da Câmara dos Deputados.

A explicação para mim é que a cada dia se torna mais evidente que a Venezuela é considerada pelo governo dos EUA como um assunto que compete mais ao âmbito militar do que ao diplomático, acrescentou.

Washington deveria abster-se de apelar para aventuras. A lamentável experiência neste tipo de ação deveria servir como um alerta, mas a história mostra que os impérios sucumbem à tentação de subjugar os povos. Não suportam que sua vocação de domínio encontre resistência em nações que desprezam, disse.

O ex-vice-presidente exortou os venezuelanos a "cerrar fileiras e estar alerta. Na situação que vive o país, não tem lugar a imprevisibilidade. É preferível prevenir do que flertar irresponsavelmente com o despreparo", concluiu.

No IslaMía
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O rei momo


Laerte
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Sérgio Porto # 139


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