13 de fev de 2015

Solidaridade mundial com Venezuela ante intentona golpista... e a Dilma?



Evo Morales se solidariza com Venezuela ante nova ameaça golpista

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A guerrilha da central de boatos via whatsapp

Do nosso leitor Vagner Santos, que recebeu de três grupos distintos via whatsapp:
Galera quem tiver dinheiro na conta poupança da Caixa tira!!! Mês que vem o GOVERNO vai CONGELAR TODAS as contas POUPANÇA da CAIXA.

Acabei de ficar sabendo por uma pessoa que trabalha na área. Só pra avisar. Quem puder repassa o aviso!

OBS: Sou do interior da BAHIA.
PS do Viomundo: Será que o governo Dilma começa a entender que TODA A COMUNICAÇÃO dos dias de hoje que vale alguma coisa se faz pelos blogs, Facebook e whatsapp, justamente porque vem chancelada pelas recomendações de amigos, parentes ou colegas? E eles continuam enterrando milhões e milhões de reais na Globo!
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“Abrir empresa em paraíso fiscal faz parte de um velho modus operandi da Globo”

Roberto Marinho
O deputado estadual Paulo Ramos apresentou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, um projeto de lei com chance zero de aprovação, mas que deveria provocar algum tipo de debate na sociedade. Ele quer que as empresas de comunicação que recebem verbas públicas, na forma de publicidade, sejam obrigadas a divulgar no diário oficial do Estado os nomes e os salários de seus funcionários.

“Saiu no jornal a notícia de que o William Bonner ganha mais de um milhão de reais por mês. Isso não é salário, parece lavagem de dinheiro. Onde já se viu um jornalista ganhar tudo isso? De onde sai recurso para pagar salário nesse patamar? Uma parte a gente sabe, é da verba de publicidade do governo”, diz. Paulo Ramos sustenta o argumento de que salários milionários deixam de ser assunto privado quando quem paga essa quantia é uma empresa que recebe verba pública, e é acusada de sonegar impostos, como é o caso da Globo.

A origem desses privilégios é anterior a 1964, quando houve o golpe militar e a hegemonia da rede de televisão se consolidou. Um de seus livros de cabeceira é “A História Secreta da Globo”, do professor Daniel Herz, já falecido. “Abertura de empresa em paraíso fiscal e sonegação são parte do modus operandi da Globo há muito tempo”, afirma Ramos.

Herz procurou nos arquivos do Congresso Nacional as atas de uma  CPI de 1965, que investigou a sociedade da Globo com o Grupo Time Life, dos Estados Unidos, num tempo em que a lei proibia o investimento estrangeiro nas empresas de comunicação. Encontrou um interessante depoimento do ex-governador do Rio, Carlos Lacerda, que era dono de um jornal e se batia contra esse investimento estrangeiro, que colocava a Globo em condições muito superiores na concorrência com outras emissoras de TV.

Insuspeito no tema, o golpe de 64, que ele apoiou, Lacerda mostrou na CPI um editorial do jornal O Globo, publicado em 7 de janeiro de 1963, que chamava o presidente João Goulart de estadista. Para Lacerda, um editorial estranhíssimo, “quando o presidente João Goulart parecia o anticristo” para Roberto Marinho. Lacerda encontrou na Caixa Econômica Federal a razão do editorial: um empréstimo milionário, a juros baixos, liberado 24 horas antes.

Logo depois, lembra Lacerda, O Globo voltou à posição antiga e, denunciando corrupção e um suposto envolvimento do produtor rural João Goulart com o comunismo soviético, apoiou o Golpe de 64, e aliados de Roberto Marinho — inclusive o próprio advogado, Luiz Gonzaga do Nascimento Silva — integraram o ministério.

Um mês antes da edição do AI 5, em 1969, contra pareceres técnicos e o relatório da CPI, que recomendava a cassação da Globo, a emissora de Roberto Marinho recebeu o registro definitivo de sua concessão, que vem sendo renovada até hoje.

“O que aconteceu no passado é um alerta para gente do governo Dilma que acha que pode haver algum tipo de aliança com a TV Globo. João Goulart era estadista um dia, e comunista no outro”, diz Paulo Ramos.

Para ele, essa cultura de ataque num dia e privilégio no outro perdura até hoje. “Tem um condomínio em São Conrado (Rio de Janeiro), que foi construído pela São Marco, num terreno que era de uma entidade filantrópica. Aquilo não poderia estar ali, mas é no mínimo curioso que um apartamento seja ocupado pelo ex-prefeito Marcelo Alencar e outro pelo ex-prefeito César Maia”, afirma.

Na ditadura militar, segundo o livro de cabeceira de Paulo Ramos, a Globo consolidou seu poder, mas na Nova República, com Tancredo Neves, Roberto Marinho ampliou seu raio de ação, ao nomear o próprio ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, decisivo num episódio de disputa comercial.

Marinho queria o controle da NEC, a empresa que vendia equipamentos para o sistema de telecomunicações brasileiro, à antiga Telebrás, mas o dono, um empresário duro na queda, não queria vender.

Por decisão de Antônio Carlos Magalhães, a Telebrás deixou de comprar equipamentos da NEC e asfixiou a empresa, enquanto os veículos da Globo — jornal, rádio e TV — moviam uma campanha de notícias negativas contra o empresário que se opunha a Roberto Marinho na disputa pelo controle da NEC.

O empresário chegou a ter sua prisão preventiva decretada antes de receber em sua casa, no bairro do Morumbi, em São Paulo, um emissário da Globo, para assinar o termo de rendição: o contrato em que vendia por insignificantes 1 milhão de dólares o controle da NEC. Pouco tempo depois, quando, por decisão de Antônio Carlos Magalhães, o governo voltou a comprar produtos da empresa, a NEC voltou a valer mais de 350 milhões de dólares, em dinheiro da época.

Dois fatos relevantes: o emissário de Roberto Marinho nesse encontro no Morumbi era o filho do então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, funcionário da Globo, e a família de Antônio Carlos Magalhães recebeu, alguns meses depois, o contrato de afiliada da rede no Estado da Bahia. O empresário batido no caso da NEC, Mário Garnero, recuperou poder e prestígio, recolocando o grupo Brasilinvest num patamar de destaque, mas amigos dizem que ele ainda tem a Globo entalada na garganta.

A Globo também é um espinho difícil de diferir para o deputado Paulo Ramos, e isso explica iniciativas como a de apresentar um projeto de lei estadual para obrigar a Globo a mostrar os salários milionários de sua equipe.

Hoje com 70 anos de idade e filiado ao PSOL, Paulo Ramos não esquece a cena. Era 1981. Alguns jornalistas que ele conhecia no jornal O Globo conseguiram marcar uma audiência com Roberto Marinho. Paulo Ramos chegou no horário, mas teve de esperar na antessala muito tempo — ele não se lembra quanto, mas sabe que foi muito.

Depois do chá de cadeira, Roberto Marinho o recebeu. De pé. Perguntou o que ele queria. Paulo Ramos disse que um amigo era vítima de uma campanha que ele considerava caluniosa promovida pelos veículos das Organizações Globo e ele queria o direito de resposta. “Roberto Marinho me ouviu, não disse nada e quando perguntei se ele teria a oportunidade de dar entrevista, afirmou: ‘o senhor verá a minha resposta pelo jornal’”.

O massacre continuou e o amigo, acusado de ser mandante de um crime, não teve o direito de resposta. Acabou condenado a 21 anos de prisão. “Foi uma injustiça, um linchamento”, diz Paulo Ramos, que era major da Polícia Militar e tinha trabalhado no setor de relações públicas da corporação.

O prédio à esquerda é onde ficava a cobertura de Roberto Marinho
O prédio à esquerda é onde ficava a cobertura de Roberto Marinho

Embora vestisse farda numa época de ditadura militar, era um peixe fora d’água. Presidente do Clube dos Oficiais, liderava campanhas por melhores salários do funcionalismo e, politicamente, era alinhado ao grupo dos chamados autênticos do PMDB. Cinco anos depois se elegeu deputado federal e recebeu nota 10 do DIAP, órgão do Dieese, por sua defesa dos direitos dos trabalhadores.

Na Câmara dos Deputados, Paulo Ramos se tornou também uma pedra no caminho da Globo, o que lhe valeu a aproximação com o governador Leonel Brizola. Conseguiu aprovar duas CPIs — uma da NEC e outra da Fundação Roberto Marinho — e usou a tribuna para denunciar o que ele considera crimes da Globo, incluindo remessa ilegal de dólares ao exterior, sonegação fiscal, empréstimo de bancos públicos a juros irrisórios e construções ilegais.

Nunca teve espaço na imprensa, mas ainda assim continuou se reelegendo. Seu sonho é que o amigo condenado seja reabilitado. Trata-se do capitão Levy de Araújo Rocha, que foi comandante de uma companhia da PM em Petrópolis e lá combateu o tráfico de drogas. Deixou uma boa impressão e foi transferido para Copacabana.

Lá, em dezembro de 1980, um ex-cabo do Exército, Júlio, foi assassinado. Os homens que cometeram o crime acusaram Levy de ser o mandante, mas Paulo Ramos, que conhecia o capitão, nunca acreditou. Duas semanas depois, um amigo do cabo Júlio, que estava com ele no momento do crime e conseguiu fugir, foi sequestrado na praia de Piratininga, em Niterói.

Ironia do destino, esse amigo do cabo Júlio estava na companhia do filho do jornalista Luiz Jatobá, famoso por ser um dos primeiros locutores do Repórter Esso. O amigo do cabo Júlio e o filho do jornalista estão desaparecidos até hoje, e os corpos nunca foram encontrados, mas não há mais dúvida sobre o mandante do sequestro: o bicheiro Aniz Davi Abrão, o Anísio de Nilópolis, dono da escola de samba Beija-Flor. Se mandou sequestrar a testemunha do assassinato, não teria Anísio sido também o mandante do crime em Copacabana? Faz sentido. Nesse caso, a condenação do capitão amigo do deputado Paulo Ramos teria sido uma injustiça, resultado de uma campanha difamatória dos veículos da Globo.

Nas voltas que o mundo dá, Aniz Abrão foi preso em 2007, quando estava em sua cobertura tríplex no edifício de número 2.072 da avenida Atlântica, por envolvimento em vários crimes, mas não pelo assassinato, nunca mais investigado. A prisão dele tem a ver com jogo do bicho, contrabando e lavagem de dinheiro.  A televisão mostrou a operação policial para prender Anísio. São impressionantes as imagens de policiais descendo de helicóptero na cobertura do bicheiro, exibida pela televisão.

A Rede Globo fez a reportagem, mas nada disse sobre o antigo proprietário do apartamento, Roberto Marinho. Antes da venda do imóvel para Anísio, com escritura pública, Roberto Marinho costumava reunir ali a alta sociedade carioca para festas de Reveillon.

Neste prédio, mora ainda a autora de novela Glória Perez e o apartamento do primeiro andar estava em nome de Elisa, ex-mulher de Anísio, também assassinada, depois de escrever uma carta em que acusava o ex-marido de ter sequestrado Misaque e o filho do jornalista Jatobá.

Com 9 milhões de habitantes, o  Rio de Janeiro é a segunda maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo. Mas, vizinho ao prédio onde Roberto Marinho dava sua festa de fim de ano e Anísio da Beija Flor viria a comprar, se localiza o apartamento onde mora Cristina Maris Meinick Ribeiro, a funcionária da Receita Federal que, em janeiro de 2007, veio a retirar o processo em que a Globo era acusada de sonegação milionária na aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, utilizando um esquema que envolve uma empresa no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

Que mundo pequeno…



Joaquim de Carvalho
No DCM
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SwissLeaks revela que vários clientes do HSBC tinham ligações com a Al-Qaeda


O castelo Woslfberg é famoso em todo o mundo, não só porque a sua história remonta ao século XII. Entre as suas paredes se reuniram em outubro de 2000, representantes de onze grandes bancos para discutir diretrizes de Know your client (Conheça o seu cliente. Esta declaração de intenções conteria políticas a serem seguidas para evitar a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo através de instituições financeiras. Neste seleto clube — o Grupo Wolfsberg — estava também o HSBC Private Bank.

Os documentos vazados pelo suíço Hervé Falciani, que estão sendo publicados em todo o mundo sob a coordenação do ICIJ - International Consortium of Investigative Journalists e, na Espanha, pelo Confidencial, colocam em dúvida o cumprimento deste acordo na sede de Genebra, do banco de origem britânica. Os documentos vazados atestam que entre os clientes do banco não só se encontravam nome ligados ao tráfico de drogas, mas também de empresários sauditas ligados ao financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.



A investigação jornalística conhecida como SwissLeaks encontrou vários nomes relacionados com este tipo de atividade. Como foi mostrado pelo jornal alemão Süddestche Zeitung, associado a outros 45 órgãos de imprensa na publicação dessas informações, vários deles aparecem na "Golden Chain" (Corrente de Ouro), uma lista de supostos financiadores da Al-Qaeda. Esta lista foi conhecida em 2002 em Saraievo, quando em uma operação contra o terrorismo, forças de segurança bósnias encontraram em um disco rígido uma pasta com o nome "A História de Osama". A partir dela, a CIA e a Comissão do Senado dos Estados Unidos identificaram alguns dos nomes coletados como integrantes rede que fornecia apoio financeiro a Bin Laden. Um segmento com ramificações na Arábia Saudita e outro segmento com países do Golfo.

Una sucursal suiza del banco HSBC en Ginebra. (Reuters)
Nas últimas semanas, o testemunho exclusivo de um prisioneiro de Guantánamo no jornal francês Le Figaro, voltaram a relacionar o país dos xeiques com o dinheiro que foi usado para por em marcha as operações da organização que assumiu a responsabilidade pelo ataque contra as Torres Gêmeas.

A "corrente de ouro 'no HSBC

A lista "Golden Chain" foi publicada em 2003. De acordo com a documentação que o jornal teve acesso, um dos sauditas relacionados com a organização terrorista abriu uma conta em 2004. Em 2006/2007, as empresas relacionadas com essa conta registraram saldo máximo de US$ 44 milhões. Em ambas as listas — tanto da Golden Chain quanto a dos clientes do banco — aparece um cidadão saudita com as iniciais I.A., vinculado a International Islamic Relief Organization. Esta entidade foi incluída pelo governo dos EUA na lista de organizações suspeitas de financiamento do terrorismo.

Não são os únicos vínculos com o dinheiro da Al-Qaeda. E o banco poderia ter-se dado conta disso fazendo uso do seu arquivo. Em meados dos anos 90, foi divulgado que um de seus clientes, com saldo positivo entre 2006 e 2007, havia pago US$ 200 milhões para barrar acusações que o incriminavam, relacionadas ao financiamento de vários grupos rebeldes no Afeganistão. No entanto, quando questionado pelo ICIJ e outros meios de comunicação que participaram desta pesquisa, o banco simplesmente explica que "não fornece informações sobre clientes individuais".

Também estavam ligados ao grupo algumas organizações supostamente envolvidas em atividades beneficentes. Entre elas, a Benevolence International Foundation, que tinha como tesoureiro um certo M.B., que abriu uma conta no banco suíço em 1997. A empresa foi listada como perigosa e ligada a Al-Qaeda. A organização está relacionada com o financiamento direto do grupo de Bin Laden e de grupos de militantes extremistas na Chechênia e na Bósnia.

Esta série de nomes e personalidades, como no caso do tráfico de drogas, apontam para as normas frouxas do banco. Foi o que aconteceu com os negócios relacionados com o tráfico de drogas no México ou com os agitadores da guerra na África. O HSBC Private Bank (Suisse) disse em 2003, que o banco havia estabelecido normas mais restritas para evitar o financiamento do terrorismo. As informações fornecidas por Falciani às autoridades francesas prejudicam essas restrições. Na sequência desta investigação jornalística, o banco explicou que desde 2011 suas políticas mudaram, levando-o a reduzir o número de contas gerenciadas, de mais de 30.000 em 2007 para as 10.300 que declara controlar em 2014.

No El Confidencial


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Depois do “vazamento seletivo”, temos o “jornalismo seletivo”


Muitos me perguntam porque não falei dos depósitos feitos por 8.667 brasileiros no HSBC da Suíça, revelado pelo chamado SwissLeaks.

Simples. Porque não sei quem são.

Só uma pessoa — o jornalista Fernando Rodrigues — e uma empresa — o UOL — sabem.

Hoje, ele publicou alguns, de donos da Odebrecht e de algumas pessoas citadas na tal Operação Lava Jato.

Evidente que, à exceção do gerente ladrão da Petrobras, Pedro Barusco, não se pode dizer que o dinheiro dos demais seja criminoso.

Embora, do ponto de vista moral, ter conta na Suíça — exceto para quem tem negócios por lá — já seja um indicador de muito pouca boa-fé.

O UOL publica uma "explicação" para o fato de estar publicando “em pílulas” os donos das contas.

A imensa maioria dos nomes contidos na listagem brasileira do HSBC da Suíça é desconhecida do grande público. Há uma minoria de pessoas conhecidas. Empresários, banqueiros, artistas, esportistas, intelectuais. Quais nomes e contas bancárias serão divulgados? Em primeiro lugar, os que tiverem interesse público, e, portanto, jornalístico. Em segundo lugar, todos sobre os quais se puder provar que existe uma infração relacionada ao dinheiro depositado no HSBC na Suíça.

Baixou o espírito “Sérgio Moro” na empresa?

Primeiro, não foi essa a política adotada pelo consórcio de jornalistas que apurou os dados.

Como não se sabe, por exemplo, que o banqueiro Edmond Safra, de nacionalidade brasileira, tenha posto lá dinheiro de roubalheira, porque foi divulgado? E o piloto de F-1 Fernando Alonso, acaso andou metido com Paulo Roberto Costa?

Segundo, porque decide que “só serão publicados dados que tenham interesse público”.

O que é interesse público? Crime, fama, função pública? Não é do interesse público que o dono do supermercado, o síndico do prédio, o gerente da empresa têm conta na Suíça?

É violação do sigilo bancário saber-se que uma pessoa tem conta na Suíça ou apenas seria se eu informasse — como o UOL faz com quem decide ser de interesse público — dizer quanto eu movimentei nela?

Mas na explicação ética, o UOL faz pior.

Primeiro, compara o valor detido por estes brasileiros no HSBC (R$ 20 bilhões) com — vou citar literalmente — “um montante próximo ao que o governo da presidente Dilma Rousseff precisa economizar em 2015 para fazer o ajuste fiscal do país”.

Vejam, como se Dilma pudesse “meter a mão” nesta dinheirama e resolver os problemas nacionais.

Não beira a manipulação política. É a própria.

Vai adiante, porém. Acusa Dilma de desídia: “não há interesse da administração pública federal comandada pela presidente Dilma Rousseff em apurar o que ocorreu’.

Por que?

Governo não é uma quitanda e se rege de acordo com as leis.

As razões estão nas próprias “acusações” do UOL:

“Uma fração mínima de nomes sob os quais há alguma suspeita foram mostrados ao governo, de maneira reservada.”

E aí o governo faz o que? Abre uma investigação, com quebra de sigilo bancário e fiscal, sobre alguns nomes “selecionados” pelo UOL e já dá à empresa o resultado do que apurar?

“O Blog e o UOL entendem que o governo não pode revelar os nomes de quem cometeu crime fiscal. Mas pode dizer — e a sociedade tem o direito de saber — quantos são os que mantiveram dinheiro de forma irregular no HSBC da Suíça.”

Quantos de quantos? De todos? Ou dos que o UOL quer?  Que diabos de ação pública seria essa de dizer: “olha, destes 18 que vocês trouxeram, 15 estão irregulares”.

Aliás, se o governo fizer isso, não sobra uma ação fiscal na Justiça contra eles. Caem todas, por obtenção ilícita de informações.

Se ter conta na Suíça é indício de crime — eu, particularmente, acho que é, pela ocultação de patrimônio que não pode ser checado pela autoridade fiscal — é para todos e o Ministério Público deve agir. E sem vazamentos seletivos.

Diante disso, fico com as palavras de meu professor de jornalismo, Nílson Laje, que tem mais de 50 anos de janela sobre a imprensa brasileira:

“Não existe mais repórter “do jornal”.

O que existe agora é repórter “da fonte”.

Atua em um ramo de publicidade não contabilizado — a “publicidade contra”.

Escolhido, pode ser ou não remunerado pela tarefa; atua com a concordância e apoio do veículo em que trabalha — e que este, sim, fatura de algum modo.

Assim é com os vazamentos do Lava-jato. E, agora, com os vazamentos de nomes de investidores brasileiros no HSBC.

O repórter incumbido da tarefa de “vazar” esses nomes alinha, um por um, os que interessam à fonte, com a qual é ou se faz solidário. Vaza aos poucos, por motivos mercadológicos e porque sabe que não há competição.

A garantia do negócio é a falta do contraditório ou da concorrência.

No caso, o interesse transparente da fonte, que coincide com o interesse do veículo, é o mesmo da orquestração midiática em curso: visa pessoas ligadas ao governo nacionalista e a empresas nacionais que se pretende desnacionalizar.

Os outros nomes não importam ou “ficam para depois”.

Chamam a isso de “furo”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Grupo bipartidário de senadores apresentam projeto de lei que elimina o bloqueio a Cuba

Um grupo de senadores democratas e republicanos aresentou nesta quinta-feira (12) um projeto de lei que busca levantar o bloqueio estadunidense de mais de cinco décadas contra Cuba.

A iniciativa, denominada de Lei da Liberdade para as Exportações à Cuba, foi apresentada pela democrata Amy Klobuchar, com apoio de seus correligionários Debbie Stabenow, Patrick Leahy e Richard Durban, como também pelos republicanos Mike Enzi e Jeff Flake.

Klobuchar, em um comunicado de imprensa, disse que já é hora de alterar a tradicional política de Washington contra o maior das Antillas, pois mais de cinco décadas de sanções unilaterais "não garantiram nossos interesses na ilha e colocaram em desvantagem as companhias estadunidenses ao restringir-lhes o comércio com um mercado de 11 milhões de pessoas", informou PL.

Press Release
Há muitos aspectos da nossa relação com Cuba que devemos abordar, mas esta legislação começará a abrir novas oportunidades para as empresas norteamericanas, ajudará o aumento de empregos e das exportações, além de melhorar a qualidade de vida dos cubanos, assinalou a senadora.

Meios como Reuters e a Voz da América indicam que o "projeto mantém partes da lei que tem a ver com direitos humanos ou reclamações de propriedades contra o governo cubano."


Em 16 de janeiro último entraram em vigor medidas dos departamentos do Tesouro e Comércio, que flexibilizaram de alguma forma tais proibições aos estadunidenses, permitindo determinadas transações comerciais, mas mantendo intactas outras disposições chaves do bloqueio.

Os presidentes de Cuba e Estados Unidos anunciaram no dia 17 de dezembro passado suas decisões de restabelecer relações diplomáticas e iniciar um processo até a normalização dos vínculos bilaterais.

No ISLAmía
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Mídia atropela a notícia para servir ao “governo anterior”

Foto do Facebook de Maurício Machado registra: “período que antecede o governo petista” é governo FHC!
Milhares de pessoas cercam o prédio de uma assembleia legislativa. Encaram bombas e balas de borracha. Impedem a votação do plano de austeridade de um dos principais governos estaduais do Brasil.

Manchete da Folha? Outra notícia, vinda também de Curitiba, extraída de um antigo depoimento do doleiro: José Dirceu sabia (dos desvios na Petrobras). Depoimento, aliás, desmentido pelo próprio. E pelo também citado tesoureiro do PT, João Vaccari. O doleiro disse à PF o que bem entendeu. No caso, ele é o réu confesso. Mas sua palavra é publicada como verdade absoluta e inquestionável.

O que está acontecendo?

O suposto envolvimento de Dirceu cai como uma luva no roteiro. Mensalão + petrolão = Lula derrotado em 2018. Mas, para que tenha credibilidade, é preciso eliminar do escândalo o que a Globonews chamou de “período que antecede o governo petista”. Sarney? Itamar? Médici?

É por isso que, como notou o presidente do PT, a curiosidade dos delegados que colhem depoimentos na Operação Lava Jato parece se fixar no período pós-2003.

É como se Youssef, o doleiro, não tivesse servido também a tucanos.

Aliás, a credibilidade do PT está no fim com os eleitores também pelo fato de o partido ter convivido muito bem, sempre, com a herança maldita dos antecessores.

A origem da máfia dos sanguessugas — que vendia ambulâncias superfaturadas — foi o ministério da Saúde sob José Serra, mas ela prosseguiu depois que Lula assumiu o poder.

O mesmo aconteceu com a máfia dos vampiros — que negociava hemoderivados.

Marcos Valério serviu ao esquema de caixa 2 do PSDB e aliados antes de repetir a jogada com o PT e aliados.

Quando o PT no poder teve a oportunidade de provocar rupturas com o passado, não o fez.

CPI do Banestado? Terminou em acordão. CPI da Privataria? Nem então, nem depois do livro de Amaury Ribeiro Jr.

Quando um delegado da Polícia Federal teve a coragem de encanar o banqueiro, o governo se voltou… contra o delegado. O chefe da Polícia Federal foi mandado para o exílio. O banqueiro hoje financia um site de apoio ao governo Dilma!

Quando um repórter da Veja foi flagrado em aliança jornalística com o bicheiro, o PT olhou, olhou e fez que não viu.

Por isso, não foi surpresa quando o vice de um governador tucano — Afif Domingos — se tornou ministro de uma presidente petista.

Ninguém enrubesce com a perspectiva de ver Marta Suplicy, petista histórica, concorrendo à Prefeitura de São Paulo pelo PSB com o apoio de Geraldo Alckmin.

É nesta geleia geral que Curitiba assume relevância ainda maior. Não a Curitiba do Moro, mas a que impediu a austeridade de Beto Richa.

É junho de 2013, de novo.

Mas a mídia não entendeu isso. Ela está ocupada na campanha que parece não ter fim: criminalizar apenas um dos irmãos — eles estão ficando cada vez mais parecidos.

Não mencionem “PSDB” que ela enterra nas páginas internas. Na Globo, como famosamente saia no Jornal Nacional já na campanha de 2006, é “o governo anterior”.

PS do Viomundo: Conforme dissemos anteriormente, quando a blogosfera entrou em surto com a eleição de Eduardo Cunha, ele nunca se interessou pelo impeachment de Dilma. Definido como lobista por Altamiro Borges, o deputado carioca é isso: serviçal da grana. Ele não vai entregar a chave do cofre para os tucanos. Jamais. Cunha é o artífice da reação da elite brasileira contra junho de 2003. Se deixarem, vai fazer uma reforma política que nos fará ficar com saudade daquele Congresso cercado pelos manifestantes.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Impeachment: fantasia política sem base jurídica

Desde a reeleição da Presidente Dilma Rousseff, em outubro de 2014, quando ela recebeu do povo brasileiro, por meio de votação livre e rigorosamente democrática, 54 milhões de votos para exercer um segundo mandato na Presidência da República, começaram a aparecer na imprensa declarações de dirigentes e militantes do PSDB, partido derrotado, sugerindo e ameaçando a adoção de medidas antidemocráticas visando tirá-la da Presidência e partir para uma aventura, sem qualquer consideração pelos interesses do Brasil e de seu povo. Dando sequência a essas manifestações dos perdedores inconformados, a imprensa vem divulgando nos últimos dias, com injustificável evidência, a informação de que, aproveitando as revelações sobre a prática de corrupção na Petrobras, envolvendo quantias muito elevadas, está sendo cogitada uma proposta de impeachment da Presidente Dilma. E foi dada publicidade a um parecer que fora encomendado ao prestigioso jurista Ives Gandra Martins, para apoiar a tese segundo a qual o fato de que ela era Presidente do Conselho de Administração da Petrobras quando, em 2006, foi decidida a compra da refinaria de petróleo de Pasadena, nos Estados Unidos, por preço exorbitante e favorecendo ilegalmente alguns altos funcionários da Petrobras que foram intermediários da compra, esse fato de 2006 daria o fundamento jurídico para o impeachment. Um dado expressivo é que os que fazem essa acusação admitem que ela não praticou qualquer ato de má-fé naquela oportunidade, apoiando conscientemente um mau negócio ou acobertando a ação corrupta dos funcionários que participaram da realização do negócio, mas dizem que foi culpada por omissão, não impedindo aquelas irregularidades. E aí estaria o fundamento para o pedido de destituição de Dilma Rousseff da Presidência da República.

Para que se compreenda o significado dessa ameaça à Presidente da República e para que mesmo os leigos em matéria jurídica possam entender e avaliar o significado de tal ameaça, inclusive recebendo esclarecimentos sobre a real possibilidade jurídica de sua utilização, é oportuna a divulgação de uma análise, ainda que sucinta, do enquadramento jurídico dessa questão, pois isso interessa a todo o povo brasileiro. Evidentemente, forçar a Presidente da República a deixar o cargo antes do prazo de vencimento do mandato recebido do povo é ato de extrema gravidade, que, mesmo quando praticado com rigorosa obediência aos preceitos constitucionais e legais, acarreta grave perturbação na vida do País. E se a deposição da Presidente ocorrer por um ato de força, mesmo que com aparente base jurídica, estará sendo dado um golpe de Estado, que poderá ser muito conveniente para um pequeno grupo de golpistas mas será extremamente danoso para todo o povo, significando a implantação de uma ditadura, com suas inevitáveis mazelas. 

O primeiro ponto que deve ser esclarecido é que nem na Constituição nem nas leis brasileiras aparece a palavra impeachment. Essa palavra, de origem inglesa, quando aplicada para determinar a retirada, com o caráter de punição, de um governante ou administrador público de seu  cargo, tem o significado de « destituição » ou « impedimento ». E é isto que se está pretendendo pedir agora. A possibilidade jurídica de pedir a destituição do Presidente da República está expressamente prevista na Constituição, no artigo 85, segundo o qual « são crimes de responsabilidade, cuja prática dará fundamento para afastá-lo do cargo, os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e especialmente contra :…V. a probidade na administração ». O que se tem aí é o enunciado genérico dos crimes de responsabilidade. Se o Presidente da República cometer algum desses crimes poderá ser destituído por decisão do Congresso Nacional, obedecidos os procedimentos que a própria Constituição estabelece.  E no parágrafo único desse mesmo artigo  dispõe-se, expressa e claramente : « Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento ». A lei especial aí referida, que trata especificamente dos crimes de responsabilidade, é a Lei Federal n° 1079, de 10 de Abril de 1950, que, segundo opinião unânime dos juristas, foi recepcionada pela Constituição de 1988.

Quanto à definição dos crimes, que lhe cabe por disposição constitucional, dispõe a Lei 1079, no artigo 1°, que «são crimes de responsabilidade os que esta lei especifica », fazendo em seguida, em vários incisos, a enumeração das espécies de crimes, dispondo o inciso V sobre os que atentam contra « a probidade na administração ». E quanto a estes, no artigo 9°, que completa os dados necessários para esta breve análise, estabelece a lei que « são crimes de responsabilidade contra a probidade na administração :…3. não tornar efetiva a responsabilidade « dos seus subordinados » (obviamente, subordinados do Presidente da República, que é o objeto exclusivo da lei). 

Sintetizando o que acaba de ser exposto, há dois requisitos fundamentais que devem ser observados para dar consistência jurídica a um pedido de destituição do Presidente da República por ter praticado um crime de responsabilidade, como prevê o artigo 85 da Constituição: o primeiro ponto é que a base fática indispensável para tornar viável um pedido dessa natureza é que se apontem, como fundamento, « atos do Presidente da República ». Isso está expresso na Constituição e seria evidentemente inconstitucional um processo de  impeachment que se fundamentasse em atos ou omissões ocorridos quando, anos atrás, Dilma Rousseff  ocupava um cargo na direção da Petrobras. Outro ponto é que por disposição expressa da Lei 1079, que define os crimes de responsabilidade, outra hipótese de configuração da prática de crime de responsabilidade é o fato de não tornar efetiva a responsabilidade de seus subordinados, ou seja, dos subordinados da Presidência da República. Como é público e notório, a Presidente Dilma Rousseff, tão logo informada das acusações de corrupção na Petrobras, determinou  que fossem adotadas providências rigorosas visando esclarecer os fatos e punir os eventuais culpados. Basta a consideração desses dois pontos para que se entenda minha respeitosa discordância do parecer do ilustre colega Ives Gandra Martins, acima referido.

Para finalizar, é importante que se saiba que desde a posse da Presidente Dilma Rousseff para exercer o primeiro mandato presidencial até agora já foram protocolados na Câmara dos Deputados, que é por onde deve começar o processo, doze pedidos de  impeachment. Em todos esses casos os pedidos foram examinados por uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados, como previsto em seu regimento, tendo sido proposto por ela e decidido pelo plenário o arquivamento de todos eles, por absoluta falta de fundamento legal. Se agora for apresentado um novo pedido, como tem sido ansiosamente sugerido por altos dirigentes do PSDB, e se esse pedido tiver a pretensão de se basear na fundamentação jurídica acima referida, certamente haverá mais um arquivamento, em obediência às disposições constitucionais e para preservação da ordem jurídica democrática no Brasil. Assim, pois, a ameaça de pedido de impeachment não deve ser levada a sério, não merecendo ser tratada como possibilidade real, mas sim como simples desabafo de maus perdedores tentando manter-se em evidência.

Dalmo de Abreu Dallari
No Esquerda Caviar
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Cemig: o caso esquecido pelo PT e por Sérgio Moro


Ao mesmo tempo em que se mobiliza, por meio do líder líder Sibá Machado (PT/AC) e do ministro José Eduardo Cardozo, para que sejam investigados casos de corrupção na Petrobras no distante governo do ex-presidente FHC, o PT ignora um caso de potencial bem mais explosivo e que é de 2014: o pagamento de uma comissão de R$ 4,6 milhões ao doleiro Alberto Youssef, numa operação que envolveu a Cemig, até recentemente a joia da coroa tucana; a operação apareceu na Lava Jato, foi classificada como suspeita pelo juiz Sérgio Moro, mas não se pediu nenhum esclarecimento adicional, justamente por não tratar da Petrobras; ocorre que o juiz Moro não tem competência legal para investigar a Petrobras, sediada no Rio de Janeiro, mas sim o doleiro Youssef, que é do Paraná; foco na Petrobras sinaliza viés político

Na última quarta-feira, o líder do PT Sibá Machado entregou à Procuradoria-Geral da República um pedido para que o Ministério Público investigue casos de corrupção na era FHC. O motivo foi a delação premiada do executivo Pedro Barusco, que confessou roubar a Petrobras desde 1997 (leia mais aqui).

A avaliação de Sibá, e de outros parlamentares petistas, é de que há direcionamento político nas investigações, com o objetivo de se atingir apenas o PT e o governo da presidente Dilma Rousseff. Em entrevistas recentes, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, endossou a mesma posição.

No entanto, apurar o que ocorreu há 17 anos, quando Barusco diz ter começado a roubar a Petrobras, poderá ser uma tarefa inglória. Um caso de potencial mais explosivo atinge a Cemig, que, até recentemente, era a joia da coroa de Minas Gerais. Trata-se de uma comissão de R$ 4,6 milhões paga a uma empresa do doleiro Alberto Youssef, num negócio que envolve a Light, subsidiária da Cemig.

Resumidamente, o empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro do governo Collor, vendeu uma pequena central hidrelétrica à Light, controlada pela Cemig. Em contrapartida, depositou R$ 4,6 milhões numa conta indicada por Youssef.

Na Lava Jato, o caso apareceu e o juiz Sergio Moro o classificou como "suspeito", num despacho de novembro do ano passado. Mas fez uma ressalva. "Aparentemente, trata-se de negócio que, embora suspeito, não estaria relacionado aos desvios na Petrobras."

É exatamente aí que surgem as primeiras contradições da Lava Jato. Juiz de primeira instância do Paraná, Moro não tem competência legal para investigar a Petrobras, sediada no Rio de Janeiro, nem as empreiteiras, que são de outros estados. A estatal caiu no seu colo graças aos vínculos de Youssef, que é paranaense, com o ex-diretor Paulo Roberto Costa, também do Paraná. Ocorre que, se é legítimo investigar a Petrobras, o mesmo critério deveria ser aplicado à Cemig. No entanto, até agora, nada foi perguntado ao doleiro sobre a comissão de R$ 4,6 milhões na operação da Light, paga em pleno ano eleitoral.

Um dos erros de análise da Lava Jato é classificar o doleiro Youssef como um operador da Petrobras. Youssef é, na verdade, um operador das empreiteiras, que prestam serviços a políticos de todos os partidos, sem distinção ideológica. Investigá-lo apenas na Petrobras, ignorando casos como o da Cemig, é o principal indício de direcionamento político.

Leia, abaixo, reportagem anterior do 247 sobre o caso:

Decisão de Moro cita comissão ligada à Cemig

Estratégia tucana de trabalhar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, conforme sinaliza a nota divulgada neste sábado pelo senador Aécio Neves (PSDB/MG), esbarra num inquérito policial citado pelo juiz Sergio Moro, em seu despacho que resultou na prisão de empreiteiros e do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque; trata-se do inquérito 5045104-39.2014.404.7000, que investiga uma comissão de R$ 4,6 milhões paga pelo empresário Pedro Paulo Leoni Ramos ao doleiro Alberto Youssef, na venda de pequenas centrais hidrelétricas à Light, controlada pela Cemig; em seu despacho, o juiz Moro afirma: "trata-se de negócio que, embora suspeito, não estaria relacionado aos desvios na Petrobras"; a questão é: na Cemig pode?

15 DE NOVEMBRO DE 2014 ÀS 15:13

Em nota divulgada nesta tarde, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) sinalizou que trabalha pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (leia aqui). Além disso, também neste sábado, manifestações realizadas em São Paulo e em algumas capitais pediram, abertamente, a derrubada da presidente reeleita há menos de um mês.

Aécio, no entanto, pode encontrar um obstáculo pela frente, nessa movimentação que, segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pretende transformar a Operação Lava Jato numa espécie de "terceiro turno" da disputa presidencial. A "pedra no caminho" está citada na decisão judicial do próprio juiz federal Sergio Moro, que embasou as prisões de diversos executivos de empreiteiras nesta sexta-feira.

Trata-se do inquérito 5045104-39.2014.404.7000. Eis o que escreveu Sergio Moro a respeito:
A Investminas Participações S/A confirmou, em petição de 21/10/2014 (evento 18) pagamento de 4.600.000,00 (R$ 4.317.100,00 líquidos) à MO Consultoria. Alegou que remunerou conta indicada por Alberto Youssef em decorrência de intermediação e serviços especializados deste na venda de suas ações na Guanhães Energia S/A para a Light Energia S/A, com intervenção a CEMIG Geração e Transmissão S/A. Juntou como prova os contratos e notas fiscais pertinentes, todos com suspeita de terem sido produzidos fraudulentamente. Alegou que Alberto Youssef seria 'empresário que, à época, detinha conhecimento do setor elétrico e reconhecida expertise na área de assessoria comercial'. Aparentemente, trata-se de negócio que, embora suspeito, não estaria relacionado aos desvios na Petrobras.
Pelo que se lê do texto de Sergio Moro, a Investminas, do empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro do governo Collor, pagou uma propina de R$ 4,6 milhões à MO Consultoria, do doleiro Alberto Youssef, para vender alguns ativos à Light, empresa do Rio de Janeiro, controlada pela Cemig, estatal que é a joia da coroa mineira. Moro não tomou nenhuma providência relacionada ao caso — ao menos, até agora — porque, segundo ele próprio disse, não estaria relacionado aos desvios na Petrobras.

No entanto, não há nenhum motivo para acreditar que todos os pagamentos de empresas ligadas à Petrobras a Youssef são propina e que os outros, relacionadas a outras empresas ou outros governos, de outros partidos, como o próprio PSDB, são normais. Haveria, no mínimo, uma diferença de tratamento.

Por isso mesmo, é possível que o Congresso se movimente para que, em breve, a CPI da Petrobras amplie seu escopo e atinja também outras estatais — como a própria Cemig.

A esse respeito, vale recordar matéria recente da Rede Brasil Atual. Leia abaixo:

Pagamento de sócia da Cemig a doleiro reforça defesa de CPI ampliada

Empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef recebeu depósito de R$ 4,3 milhões de empresa associada à estatal mineira de energia

Por Helena Sthephanowitz

Em sintonia com a agenda política oposicionista liderada por Aécio Neves (PSDB-MG) visando a fazer uma CPI exclusivamente sobre a Petrobras, a revista Época desta semana publicou uma reportagem levantando suspeita de que pagamentos à consultoria "de fachada do doleiro Alberto Youssef", seriam para pagar propina a políticos e funcionários públicos.

Em um trecho, diz o texto: "Seguindo o caminho do dinheiro de Youssef, a PF e uma possível CPI chegarão não apenas ao passado da Petrobras, mas também ao presente. Em 19 de setembro de 2012, a Investminas, do empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, conhecido como PP, depositou R$ 4,3 milhões na conta da MO Consultoria — empresa de fachada usada pelo doleiro Youssef".

A Investminas Participações não tem nada a ver com a Petrobras, mas tem tudo a ver com a Cemig (estatal mineira de eletricidade). Isso não está na reportagem. É uma Sociedade de Propósito Específico criada para construir e operar pequenas centrais hidrelétricas (PCH). A única atividade empresarial da Investminas até 2012 foi uma sociedade com a Cemig, constituindo a empresa Guanhães Energia SA, conforme atesta uma relatório do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A sociedade na Guanhães Energia era 51% para a Investiminas e 49% para a Cemig.

Com as quatro PCH em sociedade com a Cemig ainda em construção — portanto, ainda sem dar lucros —, a Investminas ganhou ao vender sua participação de 51% para a Light, empresa também controlada pela Cemig, pelo valor de R$ 26,586 milhões.

Segundo o balanço da Cemig, o patrimônio desta participação era R$ 10,357 milhões. O ganho foi de R$ 16,2 milhões. Um ágio de 157%.

Nas notas explicativas do balanço, na página 22 a Cemig justifica essa diferença como sendo o valor pela outorga das PCH, um bem intangível (que não precisaria estar necessariamente contabilizado no balanço, cuja avaliação depende da percepção de mercado). Ou seja, na prática houve uma negociação direta entre as partes sobre este valor.

Essa sociedade com a Cemig foi o único negócio com fins lucrativos realizado pela Investminas. A venda foi finalizada no dia 28 de agosto de 2012. Três semanas depois, no dia 19 de setembro de 2012, a Investminas pagou R$ 4,3 milhões à MO Consultoria, a suposta empresa de fachada do doleiro, segundo a revista.

Se for seguir a pauta da revista Época, que considera o pagamento como dinheiro suspeito de ser propina para políticos e funcionários, o caso da Investminas levanta suspeitas relacionadas à Cemig, e não à Petrobras.

Causa mais estranheza a Cemig em vez de adquirir diretamente da sócia e ficar com 100% da Guanhães, usar outra empresa controlada, a Light, cuja área de atuação é no Rio de Janeiro, para comprar pequenas usinas hidrelétricas situadas em Minas Gerais, sua área de atuação.

Se o alvo da reportagem era a Petrobras acabou acertando a estatal controlada pelo governo de Minas, sob domínio tucano, o que pode voltar-se contra os interesses políticos do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Por isso, enquanto o senador tucano defende uma CPI restrita à Petrobras, a base governista defende uma CPI ampliada para investigar também outros casos, como o cartel do Metrô e a própria Cemig. Ao que parece, não sem razão.

No 247
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Ser bilionário no mundo de hoje

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6945

Saiu, há mais de um mês, um estudo sobre os mais ricos do planeta. Tratei de estudar o assunto. Ainda não desisti de ser bilionário. É só uma questão de tempo e de dinheiro. Todo verão, planejo entrar para o seleto clube dos controlam a grana. Depois, terminam as férias, volto a trabalhar e fico sem tempo para enriquecer. Tenho um ponto em comum com os detentores das maiores fortunas do mundo: sou do sexo masculino. Já é um começo. Talvez não seja suficiente. Sobre 2325 bilionários, 2039 são homens. O machismo ainda é o capital dominante no capitalismo? Por que as mulheres só representam 12,3% do total dos mais afortunados? Falar em meritocracia pegaria mal. Tem um preço. A diferença em favor dos homens segue aumentando. Subiu 7,9% só em 2014.

É a guerra de sexos.

O bilionário é um ser especial, que se comporta de um jeito. São Paulo tem 36 bilionários. Nove mulheres. Ou seja, 25%. Em Nova York, a porcentagem de mulheres bilionárias é apenas de 9%. Estamos na vanguarda. Em contrapartida, os Estados Unidos têm mais homens bilionários do que os quatro países seguintes na classificação: China, Inglaterra, Alemanha e Rússia. Outro aspecto que me deixa otimista quanto às minhas chances de virar bilionário é a idade: a maioria está pelos 63 anos. Mais de 93% passou dos 45 anos de idade. Tenho dez anos para atingir o meu objetivo. É mais do que suficiente. Pretendo ficar rico escrevendo livros. Quero fazer companhia a Paulo Coelho em Davos. Já andei examinado os preços do hotel Belvedere.

Minhas chances aumentam com outra característica dos bilionários: eles são casados (eu também). Mas diminuem quanto ao nível de estudo. A maioria possui poucos diplomas ou nenhum. Eu tenho vários. Chega a 35% o índice de bilionários que não terminaram o ensino médio. Já 42% só têm o ensino médio. Apenas 11% fizeram uma tese e embolsaram um diploma de doutorado. Por que eu fui estudar tanto? Volto a me entusiasmar: 60% dos bilionários eram pobres. Quase 70% deles praticam esportes. Eu jogo futebol sábado à tarde. Será que basta? Talvez seja o caso de aprender golfe e tênis o mais rápido possível. A maioria gosta de ir aos festivais de cinema de Cannes, de jazz, em Montreux, aos torneios de Roland Garros e Wimbledon, ao grande prêmio de Fórmula 1 de Mônaco e a desfiles de moda. Já estive nos festivais de Cannes, Montreux e em Roland Garros. Trabalhando.

Será que isso atrapalha? Fui a Mônaco como turista. As fashion week e Wimbledon ainda não constam na minha lista. Preciso correr. Um ponto complicado: os muito ricos leem pouco. Preciso deixar de ler. Se pessoas conseguem largar o cigarro, por que eu não conseguiria largar os livros? Não é certo, mas parece que é possível ser bilionário e continuar lendo muito. As estatísticas, porém, quanto a isso, são deficientes. A maioria dos bilionários atua no ramo financeiro e na especulação. Livro também é especulativo.

Vai dar. Assim que eu me aposentar, terei todo tempo de virar bilionário.

A especulação exige planejamento e golpes certeiros.
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Dilma e Lula se encontram em São Paulo e o jornalismo mediúnico

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

A presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontraram na tarde desta quinta-feira (12), em São Paulo.

Jornalismo mediúnico

Repórter da fAlha era a terceira pessoa no encontro e breve revelará conteúdo da conversa!
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Advogada desmente Youssef e confirma Dirceu


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Pimenta quer que zé investigue HSBC

Quem são os membros da “família Steinbruch” que aparecem lá?​


Como se sabe, o Brasil é um campeão de lavagem no HSBC da Suíça.

O PiG não pia.

O zé da Justiça não pia.

A PF do zé não pia.

O Ministério Público, a “força tarefa” e o Dr Lima não piam.

O Dr Moro, o salvador da Pátria, não pia.

Aí, o bravo deputado Pimenta teve que tomar providências:

SwissLeaks: Deputado Paulo Pimenta pede que Ministério da Justiça acompanhe caso HSBC

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) entregou ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, representação solicitando esclarecimentos e providências cabíveis em relação a todos os casos de sonegação fiscal envolvendo milhares de brasileiros e o banco HSBC, na Suíça. O caso, conhecido como SwissLeaks, em que clientes do mundo inteiro se valiam do sigilo bancário suíço para não declarar quantias milionárias, foi divulgado no último final de semana pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

No documento protocolado nesta quinta (12), o deputado Pimenta cobra do Ministério da Justiça o combate ao crime transnacional, a exemplo de outros países que, segundo o parlamentar, já iniciaram investigações sobre o caso. “À luz dos acordos de colaboração internacional e, em vista de o Ministério da Justiça constituir-se na autoridade central no exercício da cooperação jurídica no Brasil, diligenciamos no sentido de solicitar suas gestões para recolher todos os elementos relacionados às denúncias acerca de brasileiros que eventualmente possam estar envolvidos com transações financeiras ocultas ao fisco junto às agências suíças do banco HSBC”, diz trecho do documento protocolado pelo parlamentar.

Pimenta critica cobertura da mídia brasileira

O deputado Pimenta afirmou também, nesta quinta, estranhar o fato de a mídia brasileira não demonstrar interesse pelo assunto. Segundo o parlamentar, a imprensa brasileira parece não enxergar irregularidades nesse episódio bilionário de sonegação fiscal em que há milhares clientes brasileiros do HSBC. “O caso SwissLeaks é a pauta do jornalismo mundial no momento, mas a imprensa no Brasil não atribui a esse assunto qualquer valor-notícia, suprimindo esse tema da sua cobertura jornalística”, criticou Pimenta.

No CAf
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Tucano Beto Richa é desmentido pelo próprio líder do governo na Assembleia


O governador Beto Richa (PSDB) saiu ontem à noite (12) da toca, assustadíssimo, para acusar professores e funcionários públicos em greve de “baderneiros”.

Os grevistas tomaram a Assembleia Legislativa do Paraná em protesto contra a votação às escondidas do conhecido pacote de maldades, que previa os R$ 8 bilhões do fundo previdenciário dos servidores nas mãos de Richa.

Pois bem, o governador jurou que foi a presidência da Assembleia quem retirou o pacotaço da pauta. No entanto, o líder da bancada governista, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), revelou que a iniciativa da retirada do pacotaço da pauta foi de Richa.

Líder e governador batem biela. Não falam a mesma língua. O desencontro leva o funcionalismo público a questionar: “há aí um desacerto de mitômanos?”. Afinal, diz um deputado oposicionista, “eles [Richa e Romanelli] só mentem quando piscam”.

Pelo sim pelo não, Romanelli também jurou que durante sua liderança na Assembleia não haverá mais requerimento para a famigerada Comissão Geral (tratoraço). Ou seja, depois de a casa ser arrombada os governistas cogitam tramela nas portas…




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Sérgio Porto # 135


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Essa é do Barão... 193


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