12 de fev de 2015

Venezuela desarticula tentativa de golpe de Estado




O Presidente informou que as investigações necessárias estão sendo realizadas para prender todas as pessoas envolvidas em ações violentas contra Venezuela.

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse quinta-feira que foi frustrada uma tentativa de golpe contra a nação sul-americana.

Durante a entrega de obras públicas em Caracas o presidente disse à nação que foi uma tentativa violenta contra o governo venezuelano.

Nesse sentido, a presidente da Telesur, Patricia Villegas, informou através de sua conta no Twitter os pontos expostos pelo Presidente Maduro sobre os planos da direita contra o povo e as instituições da Venezuela.


"Eles estavam buscando usar um grupo de oficiais da aviação militar para provocar um evento violento, um ataque, um movimento do golpe de Estado", disse o presidente venezuelano.

Ele anunciou que "o grupo de oficiais foi financiado a partir de Miami (EUA) e havia planejado gravar um vídeo nos dias 12 e 13 de fevereiro nos atos do Dia da Juventude, usando aeronaves Tucano para atacar o Palácio de Miraflores ou o lugar onde participei de uma dessas manifestações ", disse.

"Eu quero que você agradecer aos jovens oficiais, as agências de inteligência, porque fomos capazes de controlar esta tentativa de golpe contra o nosso país", disse ele.

Enquanto disse que "grupos fascistas que promovem planos de golpe contra a Revolução Bolivariana serão derrotados pela conscientização e mobilização popular de nosso povo", disse o presidente.

Maduro relatou que, no ano passado foram detectados vários oficiais, que atualmente estão presos, por tentarem promover um golpe de Estado e um governo de transição, que iria nomear um presidente, vice-presidente e ministros de Venezuela.

Ele insistiu que o gatilho para iniciar as ações violentas contra a Venezuela era causar, neste 12 de fevereiro, um ambiente hostil. "Eles queriam mais mortos em Caracas e no interior do país durante as manifestações da direita".

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, repudiou em seu Twitter @vladimirpadrino qualquer ação golpista contra o governo constitucional do presidente Maduro.


Mais cedo, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela (AN), Diosdado Cabello, informou que as forças de segurança detiveram um homem que pretendia executar um plano de desestabilização contra o governo de Nicolás Maduro.

Cabello disse que o cidadão identificado como Jesus Carmona Álvaro Rodríguez pretendia ativar seu plano assassinato do presidente durante uma atividade em que Maduro iria participar na cidade de Valencia, estado de Carabobo.

Um ano depois dos acontecimentos violentos que a direita golpista iniciou contra o governo do presidente Maduro os venezuelanos continuam a apoiar o projeto nacional concebido pelo líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez.

No teleSUR
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Na mala de Cunha, vem aí o “varejão”, digo, o “distritão”


Da coluna da Ilimar Franco, hoje, em O Globo:
“A proposta do vice Michel Temer de instituir o distritão ganha corpo no Congresso. O PMDB está fechado com o modelo que acaba com o voto de legenda. Este tem sido uma vantagem para o PT, sigla com o dobro de simpatizantes do segundo colocado. No distritão serão eleitos os mais votados. As cúpulas do PP, PR e PTB aprovam. O ministro Gilberto Kassab (Cidades) garantiu o apoio do PSD. O DEM, que preside Comissão da Reforma Política com o deputado Rodrigo Maia, também caminha nessa direção. Esses partidos somam 223 votos. Resta saber o que fará o PT, que não tem votos para aprovar o voto em lista. Eles podem ajudar a construir a mudança ou obstruir qualquer proposta que não seja a sua.
Vamos, está visto, caminhar como caranguejos, com passos para trás, restabelecendo o poder dos “donos de curral”.

Com dinheiro das empresas e as estruturas dos “seus” prefeitos, quem pode ser derrotado?

Já tivemos voto distrital por aqui, nos “círculos” do Império, que asseguravam cadeiras no parlamento às oligaquias locais.

Idem no sistema eleitoral que prevalece, em parte, ainda hoje nos Estados Unidos, onde até o Presidente da República pode ser eleito perdendo no voto popular, pelo sistema de eleição de “delegados”.

Sem falar no “Gerrymandering” uma mistura da palavra salamandra com o nome do ex-governador de Massachusetts e vice-presidente Elbridge Gerry, que redesenhou os distritos eleitorais de seu estado para garantir vitórias eleitorais.

É de lá dos EUA que vem a ilustração do que é possível fazer com este gerrymandering distrital.

As bolinhas vermelhas e azuis são em número igual, mas dividindo espertamente os distritos, o partido da bolinha azul fica com três representantes e o da bolinha vermelha com apenas um.

Qualquer semelhança que o distinto leitor veja nisso é mera coincidência…

Parece aquelas charadas que se faziam com palitos de fósforos na infância, mas é neste “parte e reparte e fica com a melhor parte” que se pensa, até porque de bobo ou não ter artes nada tem este pessoal.

Claro que os argumentos serão todos de uma pureza angelical: uma eleição mais barata, com deputados mais próximos das “bases” e a abolição das figuras exóticas (ou nem tanto) dos Tiriricas e  Romários.

E, na prática, o fim dos partidos políticos, como observa o meu colega Fernando Mollica: “Já é difícil governar com partidos inorgânicos, sem um mínimo de coesão. Mas será o caos com o ‘distritão’. Cada parlamentar será, na prática, um partido, um bloco do eu sozinho, não terá qualquer interesse em participar de uma articulação partidária. Defenderá apenas — ainda mais do que hoje, sim, isto é possível — seus próprios interesses. Teremos então 513 partidos na Câmara dos Deputados (…)

Pelas mãos de Cunha, quem duvida que o “distritão” vai virar o “varejão” do voto?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Dorothy Stang: 10 anos de sua morte com os mandantes em liberdade


Neste 12 de fevereiro, o assassinato de Dorothy Stang completa dez anos, sem que os mandantes pelo crime tenham sido, de fato, presos. Depois de sucessivos julgamentos e do polêmico cancelamento do veredicto que condenou Vitalmiro Bastos de Moura a 30 anos de prisão, tanto ele como o outro mandante, Regivaldo Pereira Galvão, continuam livres. O caso, ao invés de exceção, infelizmente é a regra e retrato fiel da violência e impunidade que assolam comunidades rurais de todo o Brasil e especialmente do Pará.

O momento é para reforçar que não há saída para termos efetivamente paz no campo se, primeiro, não for efetivado com rigor o combate à violência, à pistolagem, às execuções, ao crime de mando, se àqueles que ‘vivem da morte’ não sentirem o braço forte do Estado, não sentirem que a sociedade, que o Estado Democrático de Direito, não admitirá que o crime de mando e de pistolagem possam ser exercidos sem parcimônia, como atualmente acontece neste Estado. Essas execuções tornaram-se banais no Pará, incentivando outros crimes, pois percebe-se que isso é um bom negócio.

O Pará precisa de paz. O Estado não pode continuar convivendo com grupos isolados que se consideram acima da lei, que acham   que podem ter o direito de decidir a vida e a morte de alguém.

Precisamos mobilizar a sociedade e fortalecer as instituições do estado, reconquistar sua credibilidade, para que a população possa confiar de fato nas instituições republicanas e isolar esses grupos, essas falanges criminosas que tanto atentam contra à paz e contra à tranquilidade do povo do Pará.

Carlos Bordalo
No As Falas da Pólis
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Cientistas surpresos com menina que nasceu com fetos de gêmeos em seu ventre

Em Hong Kong, uma menina nasceu com dois embriões no útero, em um caso exótico que surpreendeu os cientistas.

Um relatório publicado na última edição do Hong Kong Medical Journal tenta lançar luz sobre o estranho caso do bebê nascido no Queen Elizabeth Hospital, do território chinês em novembro de 2010. Inicialmente, os médicos pensavam que o que ele teria poderiam ser tumores abdominais, mas uma ultrassonografia revelou foram duas massas, com um diâmetro total de 47 mm, entre o baço e o rim esquerdo da menina.

Acredita-se que os dois fetos teriam de oito a 10 semanas de gestação. Ambos teriam quatro membros, coluna vertebral, caixa torácica, intestinos e ânus. Os especialistas acreditam que esses fetos foram ovos fertilizados que acabaram sendo absorvidos no corpo da menina enquanto ela se desenvolvia.

A bebê, com apenas 3 semanas de idade, teve que passar por uma cirurgia para remover os embriões. O maior pesava 14,2 g, enquanto que o menor pesava 9,3 g.

Os especialistas acreditam que o bebê sofreu uma anomalia chamada "feto no feto", uma condição extremamente rara, que ocorre em um a cada 500 mil nascimentos em todo o mundo. Foram relatados menos de 200 casos e, na maioria, os fetos estão alojados no abdômen de outro.

A Organização Mundial de Saúde classifica "feto no feto" como uma variante do teratoma maduro, um tipo de câncer que ocorre quando o tumor está bem bem desenvolvido.

Há uma outra teoria, conhecida como gêmeos diamniótica monozigóticos, segundo a qual gêmeos idênticos, formados a partir do mesmo ovo, começam a se desenvolver no útero, mas um morre no processo e os seus restos não desenvolvidos são absorvidos no corpo do outro gêmeo.

No entanto, os cientistas que analisaram o caso da menina grávida não acreditam que seja este o caso.

"Nosso caso não apoia a teoria popular de gravidez múltipla monozigótica e promove a classificação tradicional em um teratoma", disseram.

Em 2012, o jornal britânico The Daily Mail informou outro caso, também na China, onde uma menina foi internada ao detectar-se que em suas costas desenvolvia-se um terceiro braço. A menina também foi diagnosticado como um caso de "feto em feto".

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“O juiz Moro é um homem perigoso”, diz o decano dos criminalistas de SP

Sérgio Fernando Moro
Paulo Sérgio Leite Fernandes é o decano dos criminalistas em São Paulo. Aos 79 anos, se define como um sobrevivente.

Na ativa desde 1960, Fernandes é autor de vários livros jurídicos e romances. Foi professor de Processo Penal e conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

“Procuro ensinar aos moços a arte de dizer não. Desgraçadamente, as faculdades ensinam a obediência estrita. Formam advogados medrosos. É ruim para o Brasil”, diz.

Ele deu o seguinte depoimento ao DCM sobre o juiz Sérgio Moro, a Operação Lava Jato e o sistema de delação premiada.

“Eu passei a ver o Direito no sentido quase psiquiátrico. Classifico o juiz Moro como uma figura heroica, psicanaliticamente. Bem e mal. O juiz Moro é jovem. Ele é a encarnação do vingador. Ele acredita naquilo. 

Nós precisamos de quem acredite. O ser humano precisa do ícone do santo, do superhomem, do animal a ser seguido. Isso funciona até mesmo entre as formigas vermelhas da Amazônia. Nós também agimos como agem os cães ou os tigres que marcam seu território. Podemos até nos sofisticar, mas o princípio é o mesmo. Nós somos iguaizinhos.

Temos os chamados animais alfa. O touro, que guia a boiada até o precipício… Vão 500 bois atrás dele. Até as hienas têm liderança.

Dentro desta classificação meio zoológica, o juiz Moro é um animal alfa. 

Além disso, ele tem legitimação jurídica para fazer o que faz. Moro representa a entronização de tudo aquilo em que o povo acredita no sentido do bem combater o mal. 

Ele não é, obviamente, perfeito. O Chico Buarque fez uma canção que fala que “procurando bem, todo o mundo tem pereba”. O Moro tem suas perebas também. 

O sistema processual penal francês é dicotomizado. Tem o juiz de instrução e o juiz que se diria julgador. O juiz de instrução francês tem origem no ministério público. Ele é um investigador. Colhe as provas e as entrega ao poder judiciário encarregado do contraditório penal. O juiz de instrução é, na verdade, um perseguidor.

O juiz penal, embora não seja inerte, é imparcial — ao menos em tese. A gente sabe que não existe imparcialidade. Nós inventamos que ele é imparcial. É coisa nenhuma. Ele depende até mesmo do estado de humor, se trepou com a mulher na noite anterior etc. Você acorda bem, acorda mal, acorda deprimido, impressionado.

O juiz acorda assim. Em tese, porém, a imparcialidade é prerrogativa do magistrado. 

O juiz Moro é parcial e a parcialidade resulta desse pressuposto de que ele é o salvador da moralidade do país. Ele veste a toga e se torna o sacerdote mor da restauração moral do trato da coisa pública.

Moro acredita nisso. É um fenômeno biopsíquico. Não acredito que isso seja especialmente uma boa distribuição da justiça. Esse tipo de compulsão leva o julgador a exacerbar a atividade investigatória e a esquecer a necessidade de equilíbrio que é a garantia do contraditório.

Esse jovem, embora convicto de praticar o bem, quando da distribuição da justiça no sentido de equilíbrio entre acusação e defesa, é um homem perigoso.

O perigo do arbítrio desmedido. 

Hoje ele é o ser humano mais determinado que o Brasil conhece. Ele é um compulsivo. Ele busca o Santo Graal.

No caso da Venina, ele está funcionando como um juiz de instrução [o Ministério Público Federal dispensou a ex-funcionária da Petrobras Venina da Fonseca por “irrelevância”, mas o juiz Sérgio Moro decidiu manter seus depoimentos].

Paulo Sérgio Leite Fernandes
Paulo Sérgio Leite Fernandes
Não é normal no sentido forense. Extrapola os limites. O juiz penal brasileiro não é extático, mas é inerme. Com esse tipo de atitude, ele vai além do limite. Se acusação e defesa concordam, você não tem nem mesmo como reclamar por habeas corpus. Ele se introduz na zona cinzenta e não passa confiança. 

É herança de um imperialismo judicial. No sentido de investigação, pode ser meritório. No sentido de obediência à nossa teoria e prático do processo penal, é uma extravagância. 

Moro é diferente do Joaquim Barbosa. Barbosa é uma criatura emocionalmente desarticulada. O Moro tem componentes compulsivos bem acomodados num comportamento externo obediente às normas de conduta perante a comunidade. 

Nós somos estritamente comportamentais. Na vida pública, ele parece ser irrepreensível. Educado, trata as partes com cordialidade, aparentemente tem saúde boa e está fazendo o serviço dele.

O doutor Barbosa vestiu uma capa de Batman para lutar contra os meliantes. Se o juiz se conscientizar de que é um instrumento de equilíbrio no combate entre o bem e o mal, ótimo. Ele nunca é o fautor. Esse combate entre o bem e o mal é tão sinuoso que o bandido e o mocinho se entrelaçam. É uma simbiose. Eu tenho a esquisita sensação de que o mocinho é também o bandido.

Na delação premiada, para haver a chamada “colaboração eficaz”, eu, agente do bem, ofereço a você, delinquente, o perdão se você delatar seu confrade, seu irmão, sua mulher. 

Ele cometeu uma infração talvez mais grave que o outro. Quando ofereço o perdão, estou tergiversando porque eu não posso perdoar. Eu posso perdoar quem se arrepende, talvez, mas não posso perdoar quem tem como mérito único denunciar quem se comportou da mesma forma. Isso é tergiversação, não importa o que diz a lei.

Mais ainda: não posso oferecer o perdão sob condição de não tomar parentes como reféns. Isso é coação e constrangimento. Já houve casos de negociação assim: “se você poupar minha mulher, eu confesso tudo”. Isso aconteceu muito durante a ditadura.

O próprio Yousseff. Eu pensaria muito antes de acreditar nele. Há advogados especialistas na delação premiada. Eu acho podre. O mocinho vira bandido também. Ele comete um crime para realizar o bem.

Estou falando no sentido ético. Ela é legal. Mas era legal para os nazistas mandarem os judeus para as câmaras de gás. Virou rotina no Brasil. Nós copiamos dos Estados Unidos. Acredito que haverá uma reação na sociedade dentro de cinco ou seis anos.”

Kiko Nogueira
No DCM
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Campeonato espanhol pode ser paralizado por direitos de TV

Real Madrid e o Barcelona são os mais beneficiados com os contratos de televisão.
Foto: Reuters
Importantes equipes do futebol espanhol estão dispostas a tomar medidas drásticas, se o governo central não aceitar acordo para um decreto de negociação coletiva sobre os direitos de transmissão televisiva.

O futebol espanhol parece estar vivendo um momento muito tenso. O fato é que vários clubes que compõem a Liga de Futebol Profissional no país ibérico, ameaçam interromper o campeonato se não for aprovada a regulamentação dos direitos de televisão, com os ganhos dos clubes distribuídos de forma equitativa.

O presidente do Espanyol de Barcelona, Joan Collet, foi bastante claro para tomar uma posição radical sobre o assunto: "Estamos prontos para parar a Liga se o decreto não vier em uma, duas ou três semanas. Já falei com clubes como Valencia, teríamos que fazer uma outra assembleia, mas estamos dispostos a paralisar se o governo não colocar as pilhas", disse o dirigente máximo de Espanyol.

A Liga espanhola, onde os direitos de transmissão pertecem exclusivamente a empresa Mediapro, é o único dos principais campeonatos europeus, onde os clubes negociam seus próprios direitos televisivos.

A maioria dos clubes da Espanha denunciam que o Real Madrid, por exemplo, é um dos onze mais ricos do mundo; e o Barcelona é a quarta equipe com mais capital ao redor do mundo. Ambos ficam, em conjunto, com cerca da metade dos 650 milhões de euros da Liga pelos contratos de TV, uma das razões pelas quais habitualmente terminam com tanta vantagem sobre seus rivais domésticos.

Isto contrasta com o que acontece na Inglaterra, onde a equipe que menos ganha pelos direitos de transmissões recebe cerca de 143 milhões de euros por temporada; enquanto que na Espanha, o clube com menos direitos de televisão ganha somente 15 milhões. Este não é um lucro considerável, comparado com € 148 milhões com que recebe o Madrid ou Barça. Esses dados foram obtidos a partir de um estudo feito pela consultoria catalo Prime Timen Sport e seu principal conselheiro, o delegado Esteve Calzada.

Muitos clubes da Liga, incluindo Espanyol, Valencia e Sevilha, estão confiantes que um acordo coletivo lhes permita exigir mais das produtoras e redes de emissoras, a ser repartido de forma mais equitativa para criar um nível mais elevado em campo.

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Dirceu repudia com veemência declarações a seu respeito atribuídas a Alberto Youssef


A propósito do noticiário gerado a partir de depoimentos vazados na Operação Lava Jato, que o associam à denúncias de recebimento pelo PT de recursos de empreiteiras que tinham negócios com a Petrobras, o ex-ministro José Dirceu divulgou nota em que repudia, com veemência a informação.

O ex-ministro negou ter recebido recursos ilícitos do empresário Julio Camargo, da Toyo Setal, ou de qualquer outra empresa investigada pela Operação Lava Jato, conforme teria dito em depoimento em delação premiada o doleiro Alberto Youssef.

NOTA À IMPRENSA

O ex-ministro José Dirceu repudia, com veemência, as declarações do doleiro Alberto Youssef de que teria recebido recursos ilícitos do empresário Júlio Camargo, da Toyo Setal, ou de qualquer outra empresa investigada pela Operação Lava Jato.

O ex-ministro também afirma que nunca representou o PT em negociações com Júlio Camargo ou com qualquer outra construtora. As declarações são mentirosas. O próprio conteúdo da delação premiada confirma que Youssef não apresenta qualquer prova nem sabe explicar qual seria a suposta participação de Dirceu. O ex-ministro também esclarece que, depois que deixou a chefia da Casa Civil, em 2005, sempre viajou em aviões de carreira ou por empresas de táxi aéreo.
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Eduardo Cunha defende a si e a 80 deputados ao ser contra impeachment de Dilma


A narrativa política está longe de ser algo facilmente compreensível. Seus ritos, acordos e sinalizações são mais sutis do que parecem. Muitas vezes quando alguém bate duro, não está dando sinais de que está abandonando o barco. Ao contrário, está anunciando que quer mais cargos, poder e e um pouco de carinho. Político adora carinho.

Quando alguém com experiência e liderança ameaçada fica muito quieto, não significa que está conformado com a sua situação. Ao contrário, isso pode significar que um bote está sendo preparado.

Eduardo Cunha é um desses políticos que não dá ponto sem nó. Ele tem dito reiterada vezes que Dilma não pode ser responsabilizada pelo que pode ter cometido de irregularidades no mandato anterior. Ou seja, mesmo que tenha participado de toda arquitetura da Operação Lava Jato, ela estaria limpinha para este segundo mandato.

Dilma, como sabem até as não existentes esquinas de Brasília, não tem culpa no cartório. Apesar de Veja, Globo, Folha, Estado e todos os outros veículos que se locupletam com financiamento do governo federal dizerem o contrário.

Só uma narrativa a partir da tese do domínio do fato poderia levá-la a um processo de impeachment.

Mas então por que Eduardo Cunha defende a permanência de Dilma no cargo mesmo que ela seja implicada em algum crime cometido antes dessa sua nova posse?

Porque essa tese interessa a Eduardo Cunha e a uns outros 80 deputados reeleitos. É disso que se trata.

O Supremo Tribunal Federal já tem os nomes dos deputados e senadores que podem ter metido a mão na cumbuca na Lava Jato. E muitos serão processados por isso, caso esses vazamentos seletivos não venham a impugnar a ação.

Cunha se tornou a esperança dos ameaçados. É ele quem pode levar a Câmara a enfrentar o Supremo e não permitir a cassação dos envolvidos.

Essa é a avaliação de dois deputados governistas com quem este blogue conversou para tratar dos super poderes de Cunha.

Ao mesmo tempo, eles acham que Temer, Renan e outros líderes peemedebistas podem estar ficando incomodados com a tratoragem de Cunha. E que isso pode se voltar contra ele em algum momento.

Por isso, amigos, o super Cunha de hoje pode se tornar o pato manco de amanhã.

E a Dilma manquitola de hoje, pode sair dessa crise mais forte. Principalmente se não se dobrar aos espertalhões. E, neste caso, o tempo joga a favor da presidenta. Por mais absurdo que isso possa parecer. Dilma tem quase quatro anos de mandato. Cunha e os prováveis enredados na Lava Jato não sabem quanto tempo têm até serem desmascarados.

O hoje nunca é garantia de amanhã. É por isso que Eduardo Cunha está tão ansioso.
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Umberto Eco e o manual do mau jornalismo

Umberto Eco fala sobre o jornalismo em seu novo livro
"Número Zero", novo romance do escritor italiano, é ambientado em 1992 e mostra a história de um jornal criado para difamar

O famoso escritor e ensaísta italiano Umberto Eco apresentou na Itália seu novo romance, Número zero, uma espécie de manual do mau jornalismo ambientado na redação de um jornal imaginário.

O novo livro do influente intelectual italiano, autor do famoso romance O nome da rosa e de importantes tratados de semiótica, é uma história de ficção ambientada em 1992, um ano particular para a Itália contemporânea, marcado pelos escândalos de corrupção e pela investigação "Mani Pulite" (Mãos limpas), que arrasou com boa parte da classe política da época.

O livro se concentra, sobretudo, nos mistérios não resolvidos que sacudiram nestes anos a Itália, entre eles o protagonizado pela loja maçônica Propaganda 2 do temido Licio Gelli, que queria dar um "golpe branco". "É o primeiro romance de Eco que fala de uma época tão recente", reconhece Elisabetta Sgarbi, diretora da editora Bompiani.

Eco descreve a redação imaginária de um jornal, criado naquele ano, para desinformar, difamar adversários, chantagear, manipular, elaborar dossiês e documentação secreta. "Para mim é um manual da comunicação de nossos dias", sustenta Roberto Saviano, renomado jornalista antimáfia da Itália, que vive sob escolta pelas ameaças de morte que recebe das organizações criminosas.

Em uma conversa entre Eco e Saviano, publicada pela revista L'Espresso, o semiólogo afirma que não quis escrever um "tratado de jornalismo", mas contar uma história sobre os limites da informação, sobre como funciona uma máquina de denegrir, e não tanto sobre o trabalho de informar. "Escolhi o pior caso. Quis dar uma imagem grotesca do mundo, ainda que o mecanismo da máquina para sujar, de lançar insinuações, já fosse usado durante a Inquisição", comentou Eco.

Saviano, que considera que as redes sociais multiplicaram esta forma de denegrir gerando verdadeiros monstros, acredita que o magnata das comunicações e ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi marcou o início dessa era, entre boatos e informações, vida e vícios tanto privados quanto públicos. "Escolhi 1992 porque considero que este ano marca o momento de um declínio na história da sociedade italiana", disse Eco em uma entrevista ao Corriere della Sera.

No livro, o semiólogo se diverte citando frases famosas ou lugares comuns do jornalismo, como "no olho do furacão", "um duro revés" ou "com a água no pescoço". "Não é necessário estrangular a avó para perder a credibilidade. É suficiente contar que o juiz usa meias na cor laranja. Por que será?", contou Eco citando um caso verdadeiro durante uma longa entrevista à RAI.

Graças aos delírios de um redator paranoico, Eco conta fatos concretos, mas reconstruídos a partir de teorias bizarras ou que se entrelaçam estranhamente com outras e que terminam por criar uma nova notícia.

É o caso da loja maçônica P2, do suposto assassinato do papa Luciani (João Paulo I), dos cúmplices das brigadas vermelhas que trabalhavam para os serviços secretos, dos tentáculos da CIA, dos atentados e até de um falso cadáver de Benito Mussolini com o qual conseguiram salvá-lo e enviá-lo à Argentina. Todas são histórias que o leitor não conseguirá determinar se são fatos inventados ou a descrição da realidade, segundo o escritor.

Trata-se do sétimo romance de Eco, que publicou, entre outros, O Cemitério de Praga e O Pêndulo de Foucault.

Kelly Velazquez
No Carta Capital
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Silvia Maria manda mesmo na Globo?


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O preço da inação política

Dilma acreditou que calaria a boca da oposição ao mudar a política econômica, mas está isolada e corre o risco de enterrar o legado dos governos de esquerda.

É assustadora a corrosão ocorrida na imagem da presidenta Dilma Rousseff e de seu governo em apenas 41 dias do início do seu segundo governo. Isso não é apenas efeito Operação Lava Jato. Aliás, é possível arriscar o palpite de que a operação, que desde o ano passado tentava vincular a rede de corrupção dentro da Petrobras ao governo, à Dilma e ao PT, apenas conseguiu esse objetivo porque encontrou terreno fértil na inação política do governo, no período posterior à campanha eleitoral.

Assustada com a agressividade da oposição durante as eleições, a presidenta concentrou-se em tentar eliminar as restrições do mercado à política econômica anterior. Acreditou que, agradando o capital financeiro, desarmaria seus oponentes mais sensíveis aos humores do poder econômico. Ignorou o fato de que a agressividade da oposição, e o ataque especulativo à economia brasileira e à Petrobras, não se encerrariam com o fechamento das urnas e a consagração do candidato vitorioso. Isso porque, independentemente da sua vontade ou de sua intenção, tornou-se a grande protagonista de um momento da história em que ocorre uma radicalização visível e grave na sociedade. Quer ela queira, ou não, é a maior líder de um lado dessa disputa, no momento em que o outro lado passou a ter um projeto de poder que lhe é próprio, não admite mais intermediários.

Neste momento, a elite brasileira não está delegando tarefas a terceiros. As elites política e econômica, juntas, acham que dão conta de operar diretamente seus interesses, da forma como fizeram durante toda a história desse país, salvo intervalos de governos mais populares — Getúlio Vargas, João Goulart, Lula e Dilma. O "outro lado" está forjando líderes na marra, com o uso ativo de uma máquina de mídia. Dilma tem que decidir se assume de fato a liderança do seu lado ou insiste numa política de tentar cooptar grupos políticos e econômicos que acreditam ter mais poder do que ela, e dificilmente serão seduzidos por um Executivo que vem sendo diária e persistentemente esvaziado pela ação da Justiça, da Polícia Federal, da grande mídia e da articulação parlamentar da política tradicional.

A parcela excluída do poder federal pelas eleições tinha, cultivou e adubou formas de poder concorrentes ao obtido nas urnas, tem munição para bancar uma guerra própria e não está interessada na mediação que Dilma insiste em fazer para contentar seus interesses econômicos imediatos. Qualquer concessão que a presidenta fizer a esse grupo social será apenas uma concessão. Ela e esses grupos estão apartados pela radicalização política que existe efetivamente nas bases sociais. Abandonar a política econômica antiliberal, cooptar para o governo figuras emblemáticas da direita ideológica (como a ministra Kátia Abreu, a ruralista, e o ex-prefeito Gilberto Kassab) e desmobilizar as forças que a levaram ao poder em 20 de outubro passado — nada disso apaga da sua imagem a marca, agora indelével, de figura central de um projeto de poder que venceu as três últimas eleições presidenciais com o voto de uma massa de eleitores pobres. Foi o voto que ela pediu aos eleitores que a transformaram nisso. Não existe hipótese de Dilma ser aceita por esses setores conservadores. O projeto de poder que representa foi consagrado nas eleições e continua em disputa na sociedade, mesmo depois de fechadas as urnas, e assim continuará, pela simples razão de que contrariou interesses econômicos consolidados e desalojou os políticos tradicionais de suas bases, antes manipuladas eleitoralmente com grande facilidade por grupos que, ou estão na oposição, ou foram apoiar o PT, mas deixaram de ser donos de votos e passaram a sobreviver do apoio a programas sociais do governo federal, e certamente não gostam dessa situação.

O início do segundo governo Dilma possibilitou uma reunificação de interesses das elites econômicas e políticas do país. As traições ocorridas nos partidos tradicionais que apoiavam a reeleição, durante o processo eleitoral, são expressão disso. Maior expressão ainda foi a vitória do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na disputa pela Presidência da Câmara. A derrota arrasadora na eleição para mesa daquela Casa legislativa não foi simplesmente uma humilhação política. Foi um golpe para o projeto político do eleitor de Dilma. Cunha consegue unificar interesses econômicos que antes orbitavam no Planalto apenas por razões de ordem prática. Agora, quase que se extingue a necessidade desses interesses negociarem diretamente com o Planalto. O deputado peemedebista fez uma enorme bancada de seguidores porque opera como mediador de financiamento de campanha para parlamentares. É uma ligação direta entre política e poder econômico. Com Cunha, esse vínculo deixa de ser uma hipótese ou recurso teórico e retórico: o deputado é a ligação tangível, real, palpável, sem subterfúgios, entre a política tradicional e o poder econômico; entre elites políticas e econômicas. Por isso ganhou as eleições para presidente da Câmara. E, investido do cargo, passa a ter o poder adicional de agendar interesses de qualquer grupo econômico. Tem poder e bancada para respaldá-lo. Cunha é um elemento fundamental na unificação dos setores econômicos e políticos cujo status quo foi ameaçado pela política econômica e social da última década, que permitiu melhor distribuição de renda e democratizou o acesso dos brasileiros aos direitos básicos de cidadania: renda, educação (inclusive superior), saúde e habitação.

Quando obteve os votos necessários à sua reeleição, Dilma foi credenciada pelos eleitores para ser a voz deles na disputa por espaço de poder não apenas formal — o da Presidência, com as limitações impostas ao exercício pleno de um projeto de poder consagrado pelas urnas —, mas como líder de um dos lados da luta social incontida na sociedade, que ganhou espaço e substância na luta eleitoral. Dilma desmobilizou a militância e os apoios que obteve na campanha eleitoral, no pressuposto de que isso acalmaria os detratores, sem se dar conta de que abria mão da sustentação social que deu a ela vitória nas urnas, e sem entender que isso não desmobilizaria os setores que a ela se opunham. Esses grupos têm lado definido, estão mobilizados, entenderam que a disputa política não se encerra nas eleições e estão dispostos a pagar — e fazer o país pagar — qualquer preço para tirar o PT do poder.

Em 12 anos de luta contra aparelhos de Estado que se mantêm em permanente conflito com o poder instituído pelo voto, como o Ministério Público, Justiça e Polícia Federal, e de sofrer bombardeios diários e constantes da mídia tradicional, aparelho privado de ideologia mais forte e poderoso que os próprios partidos políticos, não ensinaram o partido que detém o poder que hegemonia eleitoral e hegemonia política são duas coisas distintas. Dilma sofre do mesmo mal. Ela e o PT desconhecem que o voto não passa simplesmente uma borracha no desgaste acumulado nesse período por ataques constantes à imagem (sem reação significativa nenhuma dela ou do PT a qualquer acusação). E que a nova classe média, que reelegeu Lula e elegeu Dilma, e em parte contribuiu para a reeleição da presidenta, entrou no mundo do consumo também como consumidor de uma informação que é produzida pela mesma elite que os manteve fora do mercado durante todo esse tempo.

O processo de desgaste político pode encontrar meios de reparação na ação política do governo e da presidenta Dilma — e se não enxergar o país e a democracia brasileira apenas no âmbito institucional. O desafio de Dilma, nesse momento, não é ganhar aliados discutíveis, mas manter a base de apoio social que deu a ela vitória nas eleições. Com dificuldades institucionais, num sistema político onde cada vez mais os poderes são concorrentes, e cada vez menos cooperativos; numa realidade onde a radicalização dos setores oposicionistas persiste; num momento em que o ativismo policial e judiciário tem servido ao caldo de cultura contrária ao partido que mantém o poder há 12 anos e em que a mídia tradicional reina, absoluta, nos corações e mentes, desmobilizar eleitores, militantes e simpatizantes significa isolar completamente a Presidência da República.

Se a resposta política não for rápida e ampla, todavia, a repercussão sobre os instrumentos disponíveis de gestão das políticas econômica e social será desastrosa. O desgaste político torna o governo muito mais sensível ao ataque especulativo contra a Petrobras. Já é possível antever o próximo ataque, destinado ao BNDES. Sem Petrobras e BNDES, e com a decisão de fazer uma política fiscal restritiva, a chance de piorar muito a situação econômica do país é enorme. Aos poucos, a ação policial contra a Petrobras — que está mirando a estatal e o governo, não simplesmente depurando a empresa de malfeitos — vai amarrando todos os instrumentos que, a partir do segundo mandato de Lula, permitiram a ele e a Dilma resistirem à crise internacional: investimentos crescentes da petroleira estatal, banco de desenvolvimento, incremento da indústria da construção civil e capacidade do Estado incentivar setores via benefícios fiscais. Voltar a fazer uma gestão antiliberal sem esses instrumentos, no futuro, vai ser muito difícil. O risco futuro não é simplesmente a inviabilização da esquerda como alternativa de poder, mas junto com isso enterrar o legado — reconhecido internacionalmente — de construção de um país menos injusto.

Maria Inês Nassif
No Carta Maior
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Os gays e as mulheres querem respeito, seu Cunha

O presidente da Câmara diz que se preocupa com o que a sociedade pede. Ora, eu também sou sociedade. Eu, milhões de LGBTs, mulheres e pessoas que vislumbram um mundo maior que o de seus seguidores

Essa história de defensor da família e dos bons costumes é apenas uma
cortina de fumaça para o novo presidente da Câmara
Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O cacique-mór dos fundamentalistas religiosos, Eduardo Cunha (PMDB), agora presidente da Câmara dos Deputados, já mostrou a que veio. Ele disse que debater casamento LGBT, aborto e temas como revisão da política de drogas está fora de cogitação.

"Só por cima do meu cadáver" disse em entrevista ao Estado. "Tenho que me preocupar com o que a sociedade está pedindo". Ora, ora… Eu também sou sociedade… Eu, milhões de LGBTs, mulheres e pessoas progressistas que vislumbram um mundo maior que o dos seguidores do novo presidente da Câmara. "O povo quer respeito!", hein seu Cunha. Não foi com esse bordão que o senhor conquistou eleitores em seu programa de uma rádio evangélica no Rio de Janeiro?

Segundo pesquisa Ibope, 40% dos brasileiros são a favor do casamento LGBT. Alguém aí pode argumentar que não somos maioria. Mas na democracia, a minoria também tem voz (os evangélicos, por exemplo, são 25% da população e estão muito bem representados no Congresso, de forma legítima). E numa democracia madura e desenvolvida, as minorias têm direitos assegurados.

Só que na conta do seu Cunha, os que estão nestes 40% (LGTBs, mulheres, indígenas, seguidores de religião de matriz africana, e minorias em geral) devem ficar quietinhos no seu canto. A decisão é basicamente ignorar o debate sobre a regulamentação do aborto, de uma política de drogas funcional e de questões urgentes como a criminalização da homofobia.

Mas o maior golpe de Eduardo Cunha ainda está por vir. A hora é de ficar de olho na composição da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, que deve ser decidida logo depois do Carnaval. Há dois anos, a falta de articulação da galera dos 40% abriu caminho para a indicação do pastor homofóbico machista e racista Marco Feliciano (PSC) para a vaga.

Alô deputados Jean Wyllys, Maria do Rosário, Érika Kokay, Luiza Erundina, Paulo Teixeira, Ivan Valente, Jandira Feghali, Chico Alencar! Precisamos firmar posição pelos Direitos Humanos. E não só em Brasília, mas também na rua.

Em São Paulo, vários movimentos já estão se juntando para construirmos a Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Minorias, um grupo de pressão contra a Liga Fundamentalista do Congresso (Feliciano, Cunha, Bolsonaro, Magno Malta e cia ilimitada). A primeira edição, no dia 21, será presidida por nossa diva Laerte Coutinho.

E nesse debate eu faço um apelo e uma provocação ao povo evangélico. É muito óbvio que nem todo crente é homofóbico, machista e racista. Por isso mesmo está na hora daqueles que seguem o Evangelho (Mt 22, 3440) soltarem o verbo e dizer que a Liga Fundamentalista do Congresso não os representa. Se ficarem quietos, serão apenas coniventes com tudo o que está aí.

E essa história de defensor da família e dos bons costumes é apenas uma cortina de fumaça para o novo presidente da Câmara, como já disse o Jean Wyllys. Os negócios dele são muito mais amplos (bancada da bala, interesses econômicos, empreiteiras, etc). Vide a proposta de Reforma Política com financiamento privado do seu Cunha (mas isso é assunto para outro artigo).

E para quem argumentar que este é um texto parcial, eu confirmo que é mesmo. Cunha declarou guerra para os 40% e este é um manifesto para quem é parte deste clube, para compartilhar como artilharia contra o inimigo. Nossa única arma é falar.

Como já disse nosso cronista humorista inteligente Gregório Duvivier, "ateus, maconheiros, vagabundas, pederastas, sapatões e travestis do mundo: uni-vos. Porque o lado de lá tá bem juntinho".

Maurício Moraes
No Carta Capital
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E se fosse um governo petista no Paraná?

30 mil funcionários em greve, nenhuma palavra no Jornal Nacional
Um governador pouco amado
A escolha de pauta nos grandes jornais brasileiros é muito interessante, veja bem:

No Paraná, 100% das escolas estaduais estão em greve. Três, das quatro universidades estaduais, também. Policiais e bombeiros, não, porque sua greve é inconstitucional.

Há poucos dias, os ônibus de Curitiba pararam. Pelo governo estadual.

Nesta semana, Beto Richa (PSDB) propôs um “pacote de maldades” para ser aprovado em critério de urgência pelos seus deputados mandados. Entre os desejos, além de aumentar impostos, Richa quer pegar 8 bilhões da Previdência Paraná. Pegar (pra não dizer roubar) porque esse dinheiro tem dono. Esse dinheiro é do contribuinte. [Entenda todo o pacotaço aqui].

Entre tantos feitos, Beto deu calote em professores, bombeiros, policiais e outras classes, não pagando férias, atrasando décimo terceiro, demitindo professores PSS que haviam sido aprovados, além de faxineiros, merendeiros, porteiros etc.

Para o leitor entender, se uma escola abrir hoje, ela abre sem merenda.

Por outro lado, sorte da escola que abre, porque várias foram fechadas.

Qual governo, em pleno 2015, fecha escolas?

Qual jornal, em pleno 2015, com a internet aí, omite o caos que está acontecendo?

Talvez as informações sejam irrelevantes…

Talvez, como sempre acontece quando o bico do pássaro é grande, estejam acobertando. Como o e-mail que vazou, da diretora da globo mandando tirar o nome de FHC dos vt’s sobre a Lava-Jato. Curioso que dois dias depois do e-mail vazar, fizeram uma matéria colocando o nome do FHC, em todos os jornais. Imparcialidade, sempre.

Ontem, além do que já foi escrito e dos outros absurdos que você pode descobrir, caso se interesse pela política paranaense, mais de 20 mil professores e funcionários públicos, de diferentes cidades, ocuparam a Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, dando um corre nos deputados de situação, que fugiram pela porta dos fundos.

[Minha mãe, professora há mais de 25 anos, com outros professores de Guaíra, viajou mais de 660 km, para estar no protesto, tamanha a gravidade do assunto.]

Os professores permanecem na ALEP.

Hoje, Beto Richa conseguiu que decretassem a expulsão deles do local.

A PM se recusou a cumprir tal ordem e foi embora. Veja:



Em comentário, a docente e leitora do site, Thais Vanessa Schmitz, escreveu: “A PM do PR também está sofrendo com um calote do governador e desvalorização. Para eles é inconstitucional fazer greve, mas estão nos apoiando, um deles mesmo disse: eu sei que vocês estão lutando por nós também.”

Entretanto, nada está garantido. Como se fosse piada, os parlamentares irão votar o projeto amanhã, a portas fechadas, no restaurante da Câmara.

Será que a população não vai invadir? Será que não teremos confrontos?

Tudo isso, absolutamente tudo isso [e muito mais], não parece importar aos grandes jornais, sendo transmitido apenas pela televisão local.

A pergunta que não quer e não pode calar é: e se fosse um governo petista?

Eu respondo:

Se fosse um governo petista, este site atuaria da mesma maneira. Infelizmente, porém, não podemos dizer isso da grande mídia, que não abre o bico sobre tais assuntos, porque o mesmo bico que abre é o bico que é atingido.

Gustavo Magnani
No DCM
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Laços de Família: Primo da mulher do juiz Moro é assessor de Álvaro Dias


A “República do Paraná” comandada pelo juiz federal Sérgio Fernando Moro e pelo senador Álvaro Dias (PSDB), que investiga a corrupção na Petrobrás, se revela, cada vez mais, um núcleo Ultra-Tucano. Já não bastasse o próprio Moro ter trabalhado para Irivaldo Joaquim de Souza, advogado do PSDB na prefeitura de Maringá no governo de Jairo Gianoto entre os anos de 1997 a 2000 — condenado por gestão fraudulenta — a esposa, Rosângela Wolff Moro, ser assessora jurídica de Flávio José Arns, ex-vice de Beto Richa (PSDB). Agora é a vez do primo Luiz Fernando de Brito Wolff, acompanhe:



Repostagem do Estadão:




O Luiz Fernando Wolff é sócio da Empresa Concessionária de Rodovias do Norte (Econorte), empresa de pedágios do Paraná.


MPF (Ministério Público Federal) aponta que os contratos de concessão de rodovias federais no Paraná foram alterados de forma unilateral pelo governo de Beto Richa (PSDB), sem publicação em Diário Oficial ou comunicação ao governo federal. A maioria dos "atos secretos", como se refere o relatório do MPF, serviu para modificar as obrigações das concessionárias.

Em um dos casos, o consórcio Econorte, administrador da BR-369 — que liga o norte do Paraná a São Paulo —, recebeu concessões adicionais de estradas estaduais por meio de aditivos contratuais, passando de 245 km para 350 km sob sua administração.


No UOL


Wolff foi acusado juntamente com o deputado José Carlos Martinez (PTB-PR) morto em acidente aéreo por sonegação fiscal, falsidade ideológica, falso testemunho e remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Negou que fosse sócio de PC. A base de toda a denúncia, oferecida pelo Ministério Público Federal no Paraná, é a compra da TV.

Conforme a denúncia criminal, Martinez e o irmão Flávio Martinez (Sócio de Wolff) compraram a emissora de Silvio Santos por US$ 15 milhões e pagaram parte do valor com dinheiro de contas bancárias de “fantasmas", ou seja, abertas em nomes de pessoas fictícias, artifício usado pelo esquema PC. O empréstimo teria sido de US$ 8,4 milhões.

Consta que a movimentação bancária foi descoberta pela CPI que investigou o caso PC, em 1992. Somente após aquela investigação parlamentar o deputado teria informado à Receita sobre o empréstimo, quando o prazo para entrega da declaração de rendimentos já havia sido encerrado.

Também é objeto de apuração na ação penal a suposta venda pelo deputado, também em 1991, de uma fazenda no Amazonas ao sócio Luiz Fernando Wolff, não registrada imediatamente em escritura e em valor aparentemente muito superior ao de mercado.

Contas


Cínico

Como Wolff fez depósitos em contas de PC, a suspeita dos procuradores é que essa venda tenha sido montada após a descoberta do esquema PC para justificar o suposto empréstimo e a origem do dinheiro usado para pagamento do empresário alagoano.

No depoimento, Martinez disse que o dinheiro que receberia do sócio pela venda da fazenda foi transferido em parcelas diretamente para contas de PC.

O deputado Martinez disse que tomou o empréstimo porque PC teria uma “dívida de amizade" com ele. Pouco antes ele teria transferido para o empresário alagoano, gratuitamente, o título do jornal “Gazeta de Alagoas", de sua propriedade.

No Plantão Brasil
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A máquina de forjar notícias


Os jornais de quarta-feira (11/2) trazem alguns exemplos de como o filtro da mídia distorce a realidade a ponto de produzir contextos obscuros e, muitas vezes, contraditórios. A explicação é bastante simples: como o interesse do produto jornalístico não é informar, mas causar determinado estado de espírito, tudo de relevante que acontece é tratado com o mesmo viés, colocado numa forma de um mesmo padrão — mas as peças resultantes não se ajustam, ou, quando se encaixam, formam um desenho que não faz sentido.

Vamos exemplificar com algumas notícias do dia.

Primeiro, o movimento do novo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em seu esforço por ganhar relevância no cenário político: ao patrocinar uma votação que obriga o Executivo a honrar as emendas parlamentares, ele coloca o Parlamento em choque com as medidas que o empresariado (e a imprensa) vem defendendo — e com as quais o governo havia concordado; ao excluir o Partido dos Trabalhadores da comissão que deve planejar a reforma partidária-eleitoral, ele tira os governistas de um contexto controverso, porque sabe-se que o Congresso não quer uma reforma para valer.

Assim, o potencial de aumento das despesas públicas provocado pelo favor que o presidente da Câmara faz a seus pares cria argumentos para o Poder Executivo buscar recursos em outra fonte, como, por exemplo, na tributação de grandes fortunas, o que certamente favoreceria a popularidade da presidente da República. Ao mesmo tempo, limpa o terreno para uma reaproximação entre o governo e as lideranças sindicais. Por outro lado, sem cargos na comissão da reforma política, o PT assume o papel em que historicamente fica mais à vontade: o de oposição crítica.

Sabe-se que o deputado Cunha é basicamente um negociador, e que seus movimentos iniciais são parte da estratégia para estabelecer um patamar de poder a partir do qual poderá comandar aquela parcela do Congresso que os jornalistas chamam de “baixo clero” — que sobrevive politicamente à base de verbas obtidas com emendas ao orçamento.

O que não se sabe, mas pode-se conjecturar, é se o novo presidente da Câmara alimenta ambições maiores e que talvez esteja de olho na proposta de impeachment da presidente da República, que vem sendo estimulada pela imprensa.

Desculpas ignoradas

Outra notícia relacionada ao embate entre o Legislativo e o Palácio do Planalto dá conta de que o presidente da Câmara pretende convocar todos os ministros para darem explicações sobre seus planos de governo. O potencial de conflitos nesses encontros — que podem se transformar em interrogatórios constrangedores — colocaria em risco a aliança governista, e é preciso lembrar que a caneta dos cargos e verbas fica com o Executivo, o que poderia produzir um tiro pela culatra.

Além disso, mas sem esgotar a lista dos temas controversos trazidos à agenda pública pela imprensa, convém observar que o escândalo da Petrobras ficou subitamente ausente das manchetes. A decisão do Supremo Tribunal Federal, de arquivar o inquérito contra políticos paulistas do Partido Democratas e do PSDB no caso dos trens metropolitanos, ganha destaque e alimenta suposições de que a Justiça oferece tratamentos desiguais conforme a origem do delito.

Por mais que acredite no que lê, o cidadão pode achar suspeita a diferença entre os dois casos de corrupção. Num deles, o noticiário aponta diretamente para o núcleo político do governo federal e criminaliza a Petrobras; no outro, a imprensa criminaliza empresas supostamente corruptoras, inocenta o Metrô e a Companhia de Trens Metropolitanos e reduz tudo a um caso de cartel, fazendo de conta que o esquema funcionou por vinte anos sem a participação de políticos.

O processo iniciado com a Operação Lava Jato vai demorar muito tempo, e não há como manter o assunto nas manchetes diariamente, a não ser como exercício de campanha, com a administração seletiva de vazamentos do inquérito. Assim, a imprensa aproveita qualquer citação para requentar o assunto, criando um clima de apocalipse em relação à Petrobras.

Os jornalistas sabem que o processo ainda tem muito terreno pela frente, e quando estiver no fim, ainda será preciso determinar as responsabilidades de quem irá prover recursos para atender aos pedidos de indenização e compensações financeiras que vierem a ser atendidos pela Justiça.

A mídia tradicional ignora o histórico da corrupção e trata de amplificar qualquer suspeita sobre personagens ligados de alguma forma ao governo. O caso do geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração da estatal, é exemplar: a acusação que lhe foi feita pelo Jornal Nacional, da TV Globo, ganhou destaque imediato; o desmentido e o pedido de desculpas da emissora (ver abaixo) foram praticamente ignorados pela mídia.

É assim que funciona.

Luciano Martins Costa

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Conta de água aumenta 13,4% no Bandeirantes

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Os derrubados

O ímpeto demolidor de Eduardo Cunha, o novo presidente da Câmara, faz mais do que impor a Dilma Rousseff e ao PT as derrotas que até ousa anunciar com farta antecedência. Derruba também à sua volta. Neste caso, em silêncio. Mas com o mesmo efeito: atingido também por derrubadas, o seu PMDB está tão atônito quanto o PT, embora com menos evidência por não suscitar o mesmo interesse do noticiário político que os petistas.

Ninguém disse, mas Michel Temer está apeado do poder de presidente do PMDB, assumido de fato por Eduardo Cunha. Avalista moral e político da aliança peemedebista com Dilma Rousseff, Temer atravessou o mandato anterior sem falha alguma na lealdade de aliado e com valiosas colaborações. Michel Temer está emudecido.

A voz de comando do PMDB é a de Eduardo Cunha. O PMDB avalizado por seu presidente põe-se como oposição ao governo sem, no entanto, romper a aliança com Dilma e com o PT e, menos ainda, sem deixar os cargos que tem no governo a que hostiliza. Michel Temer nada diz nem como vice-presidente da República: o que diga em discordância com o governo e Dilma, situa-o contra a aliança de que é avalista; o que diga em discordância com a linha peemedebista hostil a Dilma e ao governo, deixa-o contra o partido de que é presidente de direito.

O PMDB parece não ter governadores nem senadores. Seguir posições contra o governo não é a mais conveniente das posições para os governos estaduais, todos com necessidade da boa vontade federal. No Senado, os peemedebistas Renan Calheiros e Romero Jucá falam por suas funções de presidente da Casa e, o outro, por suas múltiplas relatorias e articulações de projetos. Aí, porém, a apreciação silenciosa da avalanche Eduardo Cunha não é equivalente à dubiedade amordaçante de Michel Temer. É resistência, é discordância. É espera tática.

Com a ausência de Sarney, que não buscou a reeleição, e como ocupante da presidência do Senado e do Congresso, Renan Calheiros chega à situação de tornar-se a mais influente figura da vida parlamentar. O que implica dizer, também, do PMDB. Imaginá-lo cedendo essa oportunidade à voracidade de um recém-chegado é esquecer batalhas piores que Calheiros transpôs, para chegar onde está. O mesmo pode ser dito de Romero Jucá, talvez o mais sagaz e por certo um dos mais habilidosos em todo o Congresso.

Mesmo na bancada peemedebista da Câmara não falta perplexidade, entremeada na euforia que Eduardo Cunha injeta. Como demonstrado na sua pressa de providências contra o plano do ministro Gilberto Kassab, de atrair deputados para um novo partido governista: é sabido que foram percebidos, na bancada do PMDB, aderentes potenciais ao PL governista de Kassab.

A propósito, a quarentena de cinco anos para a fusão de um novo partido a um outro, conforme projeto incentivado por Eduardo Cunha para inviabilizar a integração PSD/PL de Kassab, é pouco menos do inócua. Pode impedir a criação de um partido tão numeroso, ou quase, quanto os maiores atuais, mas não impede que o novo partido integre e aumente, com o mesmo efeito, a bancada do governo.

O PMDB não é avaro: o que causa para fora, causa também para dentro.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 134


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Essa é do Barão... 192


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Colunista patronal do Globo já privatizou a Petrobrax


No G1
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PT vai processar Barusco e quem mais o acusar sem provas

Partido também vai requerer informações à PF , MJ e CNMP sobre a atuação dos investigadores que atuam no caso
Rui Falcão concedeu entrevista a jornalistas acompanhado do secretário nacional de Comunicação, José Américo (E) e do vice-presidente do PT, Alberto Cantalice

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