1 de fev de 2015

As séries do cabo estão devorando as novelas da Globo


Assistindo a série "Good Wife" pude entender melhor o fascínio que essas séries da TV a cabo provocam nas minhas caçulas e nos seus coleguinhas. Tempos atrás, essas séries eram o tema único nas reuniões do grupo.

A série, no caso, é sobre a esposa de um Procurador Geral que é temporariamente preso com uma falsa acusação de crime em cima de uma acusação verdadeira de escândalo sexual.

Injuriada, com o caso do marido correndo todas as TVs e redes sociais, a esposa vai à luta. Formada em direito, sem nunca ter advogado, acaba no escritório de um ex-namorado, por quem volta a se apaixonar.

A série é semanal. Assisti a temporada 2009 de uma golfada só no Netflix.

Antes do comentário, uma ressalva: um dos produtores executivos é Riddley Scott, figura maior da indústria de entretenimento dos EUA.

O primeiro ponto a chamar a atenção é a maneira como as tramas se entrelaçam.

No caso das novelas brasileiras, há uma trama central e tramas menores que vão sendo esticadas sem muita disciplina.

No caso de "Good Wife" há a trama maior — a vida de Alicia Florrick, a personagem principal vivida pela atriz Juliana Marguilles — e tramas menores — em geral, tramas políticas e do Judiciário e ações propriamente ditas — que fazem com que cada capítulo tenha vida própria, sem perder o fio da meada principal. O telespectador não se vê obrigado a seguir toda a novela para entender o capítulo.

O segundo ponto destacado é a criação dos personagens e a direção dos atores. Alicia ganha uma densidade fantástica, com seus olhares misteriosos, sua integridade, permanentemente exposta aos jogos de interesse do escritório e da política. Duvido que, em outro papel, a atriz mantivesse o carisma que explode na série.

Os demais atores crescem do mesmo modo, do marido Chris Nott (o antigo canastrão da série "Sex in the Cities"), o namorado Josh Charles, a investigadora e bissexual Archie Panjabi, a sócia do escritório a grande Christine Branski, o lobista Allan Cumming e o jovem advogado Matt Czuchry.

Todos eles compõem personagens intensos. Fora da série, a sensualíssima Archie Panjabi é uma mocinha sem graça; o ousado Josh Charles, "um dos dez partidos mais cobiçados de Chicago", um jovem norte-americano comum.

As interpretações não recorrem às jogadas caricaturescas — como nas novelas da Globo. Os tipos mais histriônicos, como Allan Cumming, e suas mil caretas, são figuras encontráveis em qualquer ambiente corporativo. Algumas "marcas" dos personagens são pequenos detalhes do dia a dia — como a maneira pressurosa com que Czuchry fala ou toma café e como muda o perfil quando as circunstâncias o fazem deixar de ser contido.

Ao contrário, nos últimos anos, mesmo contando com um cast de excelentes atores, a Globo reduziu sua escola de interpretação a tipos folclóricos, tirados do baú da TV brasileira e, antes dela, dos programas radiofônicos humorísticos. As moças falam com ar desafiador, os adultos tem aqueles sotaques indecifráveis, os personagens de periferia são todos caricatos.

O terceiro ponto é a capacidade da série em explorar aspectos relevantes da sociedade norte-americana, como a lógica e o jogo de interesses dos grandes escritórios de advocacia, as jogadas políticas da promotoria, as idiossincrasias de juízes.

Por aqui, quando ousam entrar no terreno da economia e da política, as novelas não conseguem sair do maniqueísmo tolo e folclórico.

O quarto ponto é as falta total de maniqueísmo. Os sócios do escritório — Josh e Baransky — emocionam-se com os casos em que atuam "pro bono" (sem cobrar) e, ao mesmo tempo, esfalfam para conseguir a conta do maior traficante da cidade. Juliana é a mulher que não sai da linha mas que, de repente, entra na guerra por clientes valendo-se de todas as armas.

Esse anti-maniqueísmo se revela na forma como a série trata o triângulo amoroso. Os dois personagens homens são capazes de grandes gestos e grandes mesquinharias. O marido arrependido torna-se o companheiro que toda mulher sonhou, mas a certinha Juliana não resiste ao terremoto da relação proibida com o amante. Não é mocinho contra bandido. São dois casos absolutamente compreensíveis — dela com o marido e dela com o amante — sem uma conclusão.

O quinto ponto é a dramaturgia propriamente dita, a criação de pontos de tensão. Às vezes há situações exageradas, provavelmente ao sabor das pesquisas de audiência. Mas a exploração dos sentimentos humanos é extraordinária.

Estou assistindo a temporada de 2009. Em determinado momento, parece que tudo vai se acalmando, o marido retoma o cargo de Procurador e passa a respeitar todas as decisões da esposa, inclusive as escapadas; a esposa e o amante decidem se afastar para se poupar mutuamente

De repente, o elemento tragédia entra com tudo. Juliana decide sair do escritório e montar o seu, para se afastar do chamado amor proibido. Tem início a disputa com o amante, em cima de um conjunto de mal entendidos, que vai ganhando um crescendo. O marido (agora eleito governador do Estado) utiliza os poderes do cargo para ajudar a esposa. Ela, por sua vez, entra de cabeça na guerra valendo-se de recursos que, antes, abominava. Tudo explodindo na tragédia maior.

Vai ser cada vez mais duro a Globo competir com a Netflix e com as séries norte-americanas.

Luís Nassif
No GGN
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Série "Mundo da Lua" previu crise atual da água em 1991?

Assistir ao episódio “Esquadrão do Sabonete” da série de TV brasileira “Mundo da Lua” apresentado em 1991 é a oportunidade de ter uma desconcertante experiência de "dèjá vu": teria lá no passado o protagonista Lucas previsto a atual crise da água? O episódio reserva estranhas conexões entre passado e futuro – coincidências ou sincronicidades? Essas possíveis conexões trazem a discussão sobre as fronteiras entre ficção e realidade tal como propostas por escritores como Charles Bukowski e Philip K. Dick: para o primeiro, a realidade consegue superar a ficção em bizarrice, por isso a literatura deve ser mais estranha que o real; para o segundo, a realidade é o futuro como profecia auto-realizável. É a hipótese sincromística: haveria um subtexto com linhas sincrônicas que dariam um sentido (natural ou conspiratório) a uma realidade aparentemente caótica? Pauta sugerida pelo nosso leitor Carlos Vinícius.

Certa vez o escritor underground e maldito Charles Bukowski (1920-1994) foi questionado sobre o porquê do seu estilo bizarro e exagerado de escrever, para começar os títulos que costumava a dar aos seus contos (“A Máquina de Foder”, “Kid Foguete no Matadouro, “Doze Macacos Alados não conseguem trepar sossegados” etc.): “em um mundo onde notícias e acontecimentos são tão estranhos, somente uma ficção literária bizarra pode tentar superar a realidade”.

Essa estranha percepção de Bukowsky sobre o limiar entre a ficção e a realidade vai de encontro a atual hipótese do Sincromisticismo: a onipresença do contínuo midiático e a forma como os meios de comunicação exploram verdadeiras egrégoras de formas-pensamento e arquétipos, torna os limites entre ficção e realidade cada vez mais tênues e confusos — a vida imita a ficção ou vice-e-versa?

Um estranho emaranhado quântico, porque nunca saberemos se o observador altera a realidade que observa ou a realidade é que altera o olhar do observador, resultando de volta alterações na própria realidade.

Um exemplo disso é a suspeita conexão sincromística entre um episódio da série de TV Mundo da Lua e a atual crise da água.

Poderia Lucas Silva e Silva, personagem da série de sucesso Mundo da Lua exibida pela TV Cultura de São Paulo entre 1991 e 1992, ter previsto a atual crise da água? Se o leitor assistir aos quase 26 minutos do episódio “Esquadrão do Sabonete”, certamente terá uma estranha sensação de dèjá vu — veja abaixo o vídeo.

Para quem não conhece a série, apresenta o menino Lucas Silva e Silva que ganha um gravador aos 10 anos. Em meio aos típicos problemas da passagem da infância para a adolescência, cria no gravador histórias de como ele queria que as coisas acontecessem. Vive na casa do avô com os pais (Rogério e Carolina) que se desdobram em trabalhar em diversos empregos.

Nesse segundo episódio da série acompanhamos a luta da família para obrigar Lucas a tomar banho. Para isso, os familiares criam o “esquadrão do sabonete” com o intuito de encontrá-lo e arrastá-lo para o banho. Após a perseguição, Lucas tranca-se no banheiro, começa a sonhar acordado e relata pelo microfone do gravador como seria a história de um Brasil sem água.

Sincronismos

Em vários momentos do episódio, o sincronismo com a atualidade é desconcertante: imagens da TV de um telejornal descreve a falta de chuvas e imagens de pessoas carregando baldes: “a ausência de chuvas traz problemas à população... e o principal é a falta d’água nas torneiras. Isso porque os reservatórios das cidades são alimentados pelas chuvas que caem...”.

Esse é o mantra que atualmente os telejornais repetem para esconder a reponsabilidade dos agentes públicos pela falta de planejamento e investimento, colocando a culpa em uma suposta catástrofe ambiental.

A certa altura no episódio, o presidente anuncia em cadeia nacional pela TV, curto e grosso, de que o abastecimento de água entrou em colapso e a partir daquele momento todos os banhos estão proibidos.

Essa é a única diferença em relação a atualidade, onde Sabesp e o governador Alckmin brincam de esconde-esconde com a opinião pública, não assumindo o racionamento por meio de eufemismos como “redução de pressão da água”.

A canequinha

— Estou com coceira mamãe!

— Claro, estamos há quatro dias sem tomar banho...

— Pelo amor de Deus, não dá pra tomar um banhozinho só, nem que seja de canequinha?

Pois foi isso que Paulo Yoshimoto, um dos diretores da Sabesp, sugeriu: falou em “distribuir água de canequinha” e disse que é possível que haja um racionamento de cinco dias por semana, caso não chova de forma satisfatória.

E no final do episódio, a mesma atmosfera de paranoia com os possíveis ladrões de água invadindo a casa da família Silva. Esse é o mesmo clima midiático proto-fascista que a grande mídia vem promovendo nesse momento ao incentivar as pessoas a enviarem fotografias e denúncias daquele que estejam supostamente desperdiçando água — sobre isso clique aqui.

Sucateamento da água e da cultura

Porém, a mais irônica das sincronias é que a série Mundo da Lua foi produzida por uma emissora estatal (a TV Cultura) que aos longo das décadas foi sistematicamente sucateada, assim como a Sabesp e todo o sistema de captação e distribuição de água.

Nunca mais a TV Cultura foi capaz de produzir séries premiadas e elogiadas como Mundo da Lua ou Castelo Ra-Tim-Bum, assim como a Sabesp não conseguirá mais distribuir o produto que é o motivo da sua existência. Cultura e água, crises metodicamente sincronizadas.

Sereias da Cantareira, Mad Max e ECO-92

Acima clipe do "Sereias da Cantareira".
Abaixo, filme "Mad Max"
Um ano depois da apresentação desse episódio, ocorria a ECO-92 no Rio de Janeiro, conferência sobre o meio ambiente com representantes de 108 países. Produziram um documento chamado Agenda 21 onde apontavam à necessidade de combate ao efeito estufa, mudanças climáticas e, para enfrentar tudo isso, a gestão eco-sustentável dos recursos hídricos.

A ECO-92 era o segundo grande evento sobre meio ambiente, dez anos depois da Conferência de Estocolmo. Paralelo a esses encontros, crescia número de lançamento de filmes ficcionais sobre futuros distópicos, representando cinematicamente os mesmos cenários futuros discutidos nesses eventos.

No carnaval desse ano de São Paulo o bloco “Sereias da Cantareira” criou uma marchinha e um videoclipe para a canção. Não há como não lembrar pela imagerie do clipe as icônicas imagens dos filmes Mad Max (1979 e 1985), filme produzido nesse crescendo de filmes distópicos ambientais entre 1972-1992.

E numa sincromística coincidência, no período em que mais se agrava a tragédia hídrica de São Paulo, no circuito de cinemas estreia filmes como Interestellar, cujo cenário é de uma catástrofe climática onde tempestades de areia arrasam a agricultura obrigando a humanidade buscar um outro planeta para sobreviver à extinção; e o filme bíblico Êxodo: Deuses e Reis ambientado em paisagens desérticas e sugerindo que as pragas do Egito na verdade foram catástrofes ecológicas.

Philip K. Dick e a profecia auto-realizável

Essa discussão sobre os sincronismos entre ficção e realidade lembra o conto Paycheck do escritor gnóstico Philip K. Dick (1928-1982): o protagonista descobre uma máquina de “prever o futuro” bem especial: o futuro previsto não acontece porque está lá, mas porque a divulgação da profecia faz ela própria acontecer — a chamada “profecia auto-realizável” — prevê-se a guerra, o países se reúnem para evita-la, o que produz desentendimentos que provocarão a própria guerra; prevê-se uma epidemia, os países tentam isolar os primeiros doentes o que só produz mais mutações e efeitos epidêmicos ainda maiores.

Da mesma forma, poderíamos afirmar que houve uma conexão entre o “massacre do Colorado” em 2012 com um capítulo da HQ de 1988 “Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller? (sobre isso, clique aqui) Ou então entre a série de filmes sobre a destruição de Nova York e o atentado de 2001 ao WTC? (sobre isso, clique aqui) Ou ainda uma conexão entre o filme O Clube da Luta e o “maníaco do shopping” em São Paulo? — também sobre isso clique aqui.

Temos portanto a hipótese sincromística: a ficção estaria baseada em matrizes (formas-pensamento, arquétipos) produzidos pela realidade que, transformados em produtos culturais (filmes, séries, conferências etc.) só acelerariam a sua replicação na própria realidade? Apesar da aparente desordem e caos, existiria uma textura secreta de linhas de sincronismos que unificaria todos os eventos aparentemente fragmentados?

Seriam esses sincronismos “naturais” ou produzidos por alguma deliberada conspiração? Escritores como Charles Bukowski e Philip K. Dick escolheriam a segunda opção.



Wilson Roberto Vieira Ferreira
No Cinegnose
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PT celebra 35 anos de fundação

O Partido dos Trabalhadores celebra 35 anos de história em fevereiro. A data será marcada por um ato político a ser realizado no próximo dia 6, às 18h, no Centro de Convenções Minas Centro, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Além do aniversário de fundação, o PT comemora em 2015 a marca de 13 anos à frente da direção do País.

Estarão presentes ao encontro a presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do partido, Rui Falcão, todos os governadores eleitos pelo PT, entre eles o governador de MG, Fernando Pimentel, as principais lideranças da sigla na Câmara e no Senado, prefeitos, ministros e demais personalidades que auxiliaram na construção da legenda.

O evento contará também com a presenta do ex-presidente do Uruguai José Mujica. O líder socialista é famoso pela modéstia na forma de viver e pelo modo inovador com o qual conduziu a política de seu país, com a adoção de medidas progressistas, como a descriminalização do aborto, a liberação da maconha e o casamento homoafetivo.

Na oportunidade, acontecerá, ainda a reunião do Diretório Nacional, com início das 10h, no Ouro Minas Palace Hotel, também na capital mineira.

No dia 5 de fevereiro, o secretário nacional de Comunicação do PT, José Américo, e o vice-presidente nacional, Alberto Cantalice, coordenador de Mídias Digitais da legenda, vão reunir secretários estaduais de Comunicação dos diretórios para debater novas estratégias de divulgação de ações em 2015.

O encontro terá tons de comemoração e reflexão, com temas imprescindíveis para a ano em pauta. Questões estratégicas como o futuro da sigla, a necessidade de reforma interna e revitalização da imagem do partido, principalmente entre os jovens e reaproximação com movimentos sociais deverão ser levantadas pelos dirigentes.

Reforma política

Integra ainda a celebração de aniversário do partido, o Dia Nacional de Mobilização e Coleta de Assinaturas para a Reforma Política, que será realizado no dia 10 de fevereiro. A ação mobilizar a militância na meta de colher pelo menos 1,5 milhão de assinaturas para levar ao Congresso Nacional um Projeto de Iniciativa Popular para a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva.

Nesse dia, qualquer município com diretório do PT, poderá coletar assinaturas para o projeto de reforma política do partido.

Em junho, o partido se reúne novamente para a segunda etapa do 5º Congresso Nacional do PT, em Salvador.



PT: O maior partido do Brasil

São mais de 1,5 milhão de filiados, 70 deputados, 12 senadores, cinco governadores, 633 prefeitos e uma presidente da República

Fundado em 10 de fevereiro de 1980, o PT chega em 2015 entre os dez maiores partidos políticos do Brasil. Em número de filiados, a legenda registrou crescimento exponencial nos últimos dois anos. Somente em 2013, conquistou mais de 37,6 mil novos petistas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para celebrar os 35 anos de história da sigla que mais cresce no País, a Agencia PT de Notícias preparou uma série de reportagens que relembrarão passagens marcantes, conquistas, desafios e projetos para os próximos anos.

Atualmente, a sigla conta com 1.590.304 filiados, segundo dados do TSE. O número corresponde a 10,37 % do total de cidadãos filiados a partidos políticos no Brasil.

O PT é também o partido preferido da população, desde 2009, segundo pesquisa realizada pelo IBOPE, em abril de 2014. A legenda registrou o maior percentual de simpatizantes do último ano, com 22%.

Na Câmara dos Deputados, forma a maior bancada com 70 deputados, conquistados com 13.554.164 votos, o maior número entre todas as siglas. Para o Senado, o PT manterá 12 representantes e inicia o ano com cinco governadores, 633 prefeitos e o posto mais alto do Poder, a presidência da República.

Grande desde sua formação, em 1982, quando obteve oficialmente o registro no TSE, o PT já contava com mais de 400 mil militantes. Naquele ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputou o governo de São Paulo, ficando em quarto lugar, com 1.144.648 votos.

Na mesma eleição, primeira em que o PT participou, o partido elegeu oito deputados federais, 12 estaduais e 78 vereadores.

Anos depois, em 1986, Lula foi eleito o deputado federal mais votado do país para a Assembleia Nacional Constituinte, com 650.134 votos e o PT passou a ter 16 deputados no Congresso. Em 1988, o partido teve um desempenho histórico nas eleições municipais, elegendo 36 prefeitos e mil vereadores em todo o Brasil.

A grande vitória do partido e também de Lula veio em 2002, quando, com quase 53 milhões de votos, Lula foi eleito Presidente da República.

Flávia Umpierre
No Agencia PT de Notícias
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Declaração mostra que Roberto Carlos pediu proibição de livro que não leu

Não leu e não gostou
Foto Alex Palarea e Marcello Sá Barretto / AgNews
Fiquei sabendo pelo blog do alvinegro Mauricio Stycer (leia post aqui): outro dia Roberto Carlos disse a Amaury Jr., na Rede TV, que nunca ouvira falar na covardia de um colaborador seu contra Tim Maia, na segunda metade dos anos 1960.

Sem um tostão no bolso, Tim pediu ao velho amigo Roberto, dos tempos de vacas magras na Tijuca, uma ajuda em dinheiro. Então, uma pessoa do estafe do líder da Jovem Guarda atirou um trocado no chão, humilhando o artista em dificuldades.

Essa cena consta do filme de Mauro Lima sobre Tim Maia, lançado no ano passado. Mas foi suprimida da versão que a TV Globo exibiu semanas atrás. A sequência do filme e as declarações de Roberto a Amaury podem ser assistidas clicando na imagem abaixo:



Eis o que Roberto disse: “Aquele negócio do dinheiro que o secretário jogou, eu nunca soube disso. Para mim, aquilo foi uma absoluta novidade, porque eu nunca soube que aquilo tivesse acontecido''.

Não há por que duvidar de que Roberto Carlos esteja falando a verdade ou suspeitar que a senilidade lhe consome os neurônios.

O curioso é que, na virada de 2006 para 2007, o rei recorreu à Justiça para proibir um livro. E conseguiu: “Roberto Carlos em Detalhes'', biografia supimpa da autoria de Paulo Cesar de Araújo e editada pela Planeta, está banido das livrarias até hoje.

O que a afirmação de RC a Amaury Jr. confirma é a desconfiança de que o cantor não havia lido o livro que logrou proibir. E cujos milhares de exemplares sobreviventes, entregues ao co-autor da obra-prima “Quero que vá tudo pro inferno'', desapareceram. Será que foram queimados numa fogueira intolerante?

Porque o episódio da sacaneada em Tim Maia está lá, na biografia censurada, contado em detalhes. A fonte foi o próprio síndico, em entrevista ao biógrafo PC. E quem humilhou o homem que vivia um perrengue brabo, depois de cinco prisões nos Estados Unidos, uma no Rio, com tortura na delegacia e cana de meses, recém saído da cadeia, não foi um estafeta, mas o poderoso diretor do programa de Roberto na Record.

Eis o que está no livro:
“Certa vez, Tim Maia entrou na TV Record disposto a falar de qualquer jeito com Roberto Carlos. 'Mas ali só dava para falar com ele andando. Roberto ia caminhando com uns quinze secretários, seguranças e o motorista atrás dele.' Tim seguiu a procissão. Quando Roberto Carlos percebeu a presença dele, acenou sorrindo, 'oi, Tião, como vai?', e continuou andando com sua equipe. 'Roberto Carlos, eu estou durinho, cara. Eu não tenho dinheiro nem pra voltar pra casa', implorou Tim Maia. 'Manga, dá um dinheiro aí pro Tião', ordenou Roberto ao diretor do programa que caminhava ao seu lado. Carlos Manga também ainda não conhecia Tim Maia, nem sabia da história dos Sputniks, nem da pensão do seu Altivo Maia. Então tirou uma nota de dez cruzeiros do bolso, amassou-a e fez uma bolinha de papel, jogando-a para o alto. A bolinha fez um arco no ar e caiu num canto do corredor, distante de onde estava Roberto Carlos. Humilhado e ofendido, Tim Maia se agachou para pegar o dinheiro. 'Eu tive um acesso de choro na hora', afirma Tim.''

(“Roberto Carlos em Detalhes'', de Paulo Cesar de Araújo, Planeta, 2006, pág. 151)
Mais uma informação para a biografia de Roberto Carlos: ele não é apenas partidário do expediente antidemocrático da proibição de livros; também é pró-censura de um livro que, como ele deixa claro, nem leu.

Mário Magalhães
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Documentário — Por que pobreza? 7/8


Documentário busca as raízes da pobreza em vários momentos da história humana, como a conquista e a pilhagem das Américas, a escravidão e sabotagem às economias africanas, passando pela revolução industrial, a Guerra de Canudos, o imperialismo europeu e o nascimento do terceiro mundo, até chegar em nossa era, que vive um momento crítico, onde os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, mas também mostrando alguns casos de países que estão diminuindo a pobreza, como o Brasil.

O mundo é autossuficiente?

Por décadas, as invenções destinavam-se ao aumento da produção de grãos. Porém, nos últimos anos, as invenções científicas estão sendo permeadas por uma corrida por terra. A China e a Arábia Saudita, nações ricas, famintas por terra, são exemplos de países que lutam para compra-las de países pobres. Esses esforços, porém, não são bem-vistos pelos camponeses, que os consideram outra manifestação do imperialismo. O filme de Hugo Berkeley e Osvalde Lewat acompanha um grupo de investidores e empreendedores, na tentativa de transformar grande parte do deserto de Mali em agronegócio. À primeira vista, Mali pode parecer remoto e atrasado, mas é aqui que o futuro se faz presente. Em cinquenta anos, enquanto a população mundial migra para as cidades, talvez, não haja mais camponeses. Muitos em Mali estão determinados a evitar que isso aconteça.

Director Hugo Berkeley & Osvalde Lewat
Producer Eli Cane
Produced by Normal Life Pictures & Steps International


Assista também os outros episódios: 1/82/83/84/85/86/88/8
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O sexo dos políticos e os conflitos do jornalismo

Bunga-Bunga
Com as eleições de 2016 no horizonte e o clima de campanha eleitoral permanente herdado dos confrontos de 2014, o jornalismo brasileiro terá de novo que calibrar seu comportamento acerca de controvérsia encarada de maneiras distintas mundo afora: quais os limites toleráveis na cobertura da vida privada de postulantes a funções públicas ou no exercício delas, mais propriamente a respeito de seus amores e sexualidades?

A abordagem consagrada pela imprensa no país costuma proteger os políticos da difusão de informações sobre seus relacionamentos não públicos.

Essa é a cultura nacional, e da minha parte está bem assim. Num exemplo, se determinada figura pública mantém outros namorados ou namoradas além do titular dos retratos palacianos, isso constitui assunto íntimo.

Reconheço, contudo, que são vigorosos os argumentos contrários, adotados em larga escala pelos meios de comunicação norte-americanos: se alguém se dispõe a participar da administração pública e por isso interfere no cotidiano dos cidadãos, precisa aceitar que seu dia-a-dia seja escrutinado publicamente. Teme-se também que relações afetivas secretas possam se tornar instrumento de chantagem contra o político e, portanto, ameaçar o interesse público.

A atitude jornalística mais nefasta, como confirmam os últimos meses de certo noticiário, é a insinuação, no estilo ordinário da imprensa amarela ou marrom. A fórmula da baixaria se condensa hoje na expressão maliciosa “homem de confiança''.

Se o jornalismo considera importante e legítimo expor vínculos amorosos de políticos, que os exponha. Mas cultivar a maledicência equivale à desqualificação mais vulgar do ofício informativo.

Nos Estados Unidos, com suas irrefreáveis carolice, hipocrisia e patrulhas da libido, quando um político é surpreendido com a regra três, mesmo em relações consensuais entre maiores de idade, a informação é veiculada, e a carreira, liquidada. Que o diga Bill Clinton.

Na França, ao contrário, a existência de duas famílias de François Mitterrand, uma de domínio social e outra na moita, era manjada nas redações. Mas o “secret de Polichinelle” só foi compartilhado com o povaréu quando o presidente morreu.

Como se descobriu em janeiro do ano passado, os franceses mudaram: a partir do furo de valor duvidável de uma revista, mostrando que Hollande, xará de Mitterrand, saía de moto para costurar para fora, o jornalismo em conjunto debruçou-se sobre a tempestade conjugal no Élysée. Entre as alegações buscando prestigiar a informação que originara a crise, estava a de que os filhos da pátria tinham o direito de saber que o namorador, rumo aos seus pulinhos de cerca, cometia o desatino de circular com débil proteção da segurança.

Brasil

Com governantes no poder, o jornalismo brasileiro costuma ignorar escapadelas ou convivências não oficiais.

Quando um presidente da República supunha ter um filho fora do casamento — assumido legalmente por ele, mas escondido dos refletores —, o opção quase unânime foi não noticiar. Inexistia relevância pública na informação, e prevaleceu o silêncio. Corretamente, como, no meu tempo de ombudsman, eu respondia aos leitores que me procuravam reivindicando reportagens sobre o tema. Tratava-se de matéria essencialmente particular.

Alguns anos atrás, a Agência Brasileira de Inteligência expediu informe reservado dando conta de um affaire entre um ministro e uma ministra de Estado. Mesmo na queda do ministro, suspeito de promiscuidade com empreiteiras, os muitos repórteres que tiveram acesso ao documento nada publicaram. Fizeram bem, porque não havia interesse público — talvez “do” público futriqueiro — no suposto xodó ministerial.

(É diferente quando os protagonistas de um romance clandestino o tornam público, como Zélia Cardoso de Mello e Bernardo Cabral, na atmosfera burlesca da era Collor.)

Noutra quadra, eu preparava o perfil de uma expoente da República quando comprovei que ela mantinha um namorado na surdina. Escrevi sobre a influência do dito cujo na militância da senhora, pois era fato político significativo. Mas não ensaiei insinuação sobre outras conexões, pois elas não diziam respeito a ninguém além do casal enamorado e do marido desatento.

Às vezes, contudo, a descompostura alheia obriga a veiculação de estocadas indignas.

Na década de 1990, num mata-mata eleitoral para prefeitura, a campanha de uma candidata espalhou que a adversária manifestava “conduta sexual atípica”, ou, no raciocínio desmiolado de quem proferiu as palavras, era homossexual.

Já nos anos 2000, propaganda de uma candidata a prefeita indagava na TV sobre o contendor: “É casado? Tem filhos?”.

Nos dois episódios, o jornalismo tinha obrigação de noticiar. Mas não escarafunchou a intimidade dos candidatos. Acertou.

Para os anais: os eleitores rejeitaram a intolerância oportunista e derrotaram os concorrentes que apelaram à insensatez.

História

Não ultrapassar os limites civilizados da privacidade não implica calar na hipótese de testemunhar ou ouvir testemunho de ações de um político que os eleitores merecem conhecer, para avaliá-lo, julgá-lo e eventualmente sufragá-lo. Desde envolvimento com pedofilia a agressão a companheiro ou companheira.

A tradicional recusa brasileira em abordar o sexo dos políticos não se sustenta, contudo, ao reconstituir o passado.

No balanço sincero da história, seria aberrante não contar em obra jornalística ou historiográfica de fôlego o que o presidente Juscelino Kubitschek pretendia fazer no Rio quando ocorreu o desastre automobilístico que o matou. Ele não viajava para cá a fim de comer um sanduíche de rosbife no saudoso Gordon.

Bem como seria incompreensível narrar a vida de Tancredo Neves ignorando uma longeva relação fora do matrimônio.

Idem uma biografia do argentino Ernesto Che Guevara que não tentasse esclarecer, confirmando ou negando (as que eu li divergem), se ele e a alemã Tamara Bunke eram amantes. Ambos combateram na guerrilha deflagrada na Bolívia e foram mortos em 1967.

Seria desclassificante evocar a trajetória de Marilyn Monroe e John Kennedy apagando o bundalelê entre os dois. Não seria contar vidas, mas omitir e descaracterizar.

Sem falar do rabicho entre D. Pedro I e Domitila de Castro Canto e Melo, como entender a proeminência da Marquesa de Santos nas intrigas imperiais?

Exemplos não faltam.

Porém, cavucar honestamente o passado difere da informação invasiva contemporânea com possível impacto em embates eleitorais. Salvo eventual cenário extraordinário, notícias sobre quem-come-quem ou se-gosta-de-menino-ou-menina carecem de importância pública, portanto jornalística.

O jornalismo não deveria ser bedel dos desejos, e sua contribuição indispensável à democracia prescinde de mexericos.

Mário Magalhães
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A incapacidade de Dilma de limpar a agenda negativa


A presidente Dilma Rousseff não nomeou ainda os presidentes do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Não confirmou no cargo, ainda, Ministros de área social. Não definiu, com os respectivos Ministros, os projetos centrais de cada Ministério. Conclamou os Ministros para uma estratégia de comunicação, mas não definiu a estratégia.

Na 5a  feira passada criticou duramente — para assessores, vazando para os jornais — a estratégia de divulgação do “impairment” da Petrobras, que permitiu que um ajuste de R$ 88,8 bilhões nos ativos fosse tratado pela mídia como custo da corrupção.

Mas, da parte de Dilma, nada foi feito para preparar a empresa para enfrentar o terremoto atual.

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Existe um CEO adequado para cada circunstância. Para períodos de crescimento, de contenção, para épocas de crise, cada circunstância exige um perfil diferente.

Graça Foster é uma funcionária exemplar da Petrobras, mas exposta a um fogo cruzado intenso e desgastante, que a obriga a pensar na empresa, na sua segurança pessoal e a explicar-se diariamente sobre malfeitorias das quais não participou.

Além disso não tem experiência de CEO para analisar todas as circunstâncias e desdobramentos da crise atual.

O momento exigiria um CEO experimentado em questões de governança, que pudesse implantar métodos modernos de controle e isolar a operação definitivamente da crise política e policial.

A insistência de Dilma com Graça Foster foi imprudente e injusta para com ela própria. De certo modo repete-se o que já ocorreu em outras áreas do primeiro governo Dilma, em que a demora em proceder a substituições inevitáveis acabou por impor sacrifícios adicionais às pessoas que permaneciam no cargo.

Dilma julga estar agindo com lealdade com seus subordinados, mas apenas os expõem a uma dose de sacrifício adicional, antes do inevitável.

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A segunda perna da estratégia seria um presidente de Conselho de Administração com status de Ministro para administrar a crise, conversar com as empresas de auditoria, com o Grupo de Trabalho da Lava Jato, com o próprio mercado. E, principalmente, articular com os bancos operações de salvamento dos fornecedores da Petrobras, para impedir o desmantelamento da cadeia produtiva do petróleo e gás — que responde por 13% do PIB.

De preferencia, alguém que já tenha sido CEO de grandes grupos, que conheça os humores do mercado nacional e internacional, que saiba analisar os desdobramentos de decisões internas sobre o balanço, o mercado e os fornecedores.

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Está certo que, desde as eleições, Dilma não teve um minuto de sossego. No dia seguinte ao da apuração, já estava sob fogo cruzado. Mas o momento exige decisão. E exige, acima de tudo, discernimento e método para gerir o país em um pedaço complicado que virá pela frente.

Em períodos críticos como o atual, o governante não pode se dar o direito de apostar — como fez Dilma, mantendo Graça Foster no cargo quando normas mínimas de prudência recomendariam sua substituição, inclusive para tirar o tema Petrobras da frente e permitir ao governo avançar em uma agenda positiva.

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Tome-se a Procuradoria Geral da República. É um cargo relevante, mas longe da importância e da complexidade da Presidência da República. No entanto, o PGR conta com um conjunto de conselhos de alto nível — composto pelos quadros do Ministério Público Federal — para aconselhá-lo em todos os temas relevantes, de questões políticas a questões constitucionais.

Quando se olha para o Palácio do Planalto, o que se vê — ainda — é o governo de uma só, com poucos conselheiros opinando nas análises conjunturais, políticas e econômicas e quase nenhum sendo ouvido. E os problemas se acumulando pela incapacidade de Dilma de pensar friamente, estrategicamente para ir limpando o sótão de fantasmas que nunca são exorcizados.

Luís Nassif
No GGN
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Além do saião

“Je suis" Tsipras. Ou fui, durante 15 minutos, até ver a foto do candidato vencedor das recentes eleições na Grécia reunido com o chefe de um partido de direita corrupto para pedir seu apoio no Parlamento — algo tão inimaginável quanto, sei lá, o Lula visitar o Maluf. O partido do novo primeiro-ministro, de esquerda, não tem maioria suficiente para governar e precisa de ajuda, venha de onde vier. Na política moderna “governabilidade”, a desculpa pronta para todas as alianças, imorais ou amorais, juntou-se à “austeridade” na lista de velhas palavras transformadas em novos palavrões.

Mas o importante na vitória do partido do Tsipras, o Syriza, depois de cinco anos em que a Grécia seguiu a receita do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia — ou da Alemanha, para sermos mais sucintos — para sua salvação não foi o sucesso da legenda, mas o fracasso da receita. Cinco anos de austeridade e sacrifício inútil pioraram a vida da população e não melhoraram a situação do país, com os generosos empréstimos da Europa indo diretamente para pagar aos bancos internacionais e só piorando a divida. O Tsipras não vai poder mudar isso imediatamente e talvez nem dure muito no poder, mas a Grécia foi o primeiro entre os países em situação parecida — Portugal, Espanha, Itália, Irlanda etc — a se rebelar contra a receita, e a dar o exemplo. Partidos e movimentos populares, como o Podemos, na Espanha, crescerão politicamente inspirados pelo Syriza ou, no mínimo, se convencerão de que podem, sim, sair de baixo do saião dogmático da Frau Merkel para respirar um pouco.

É claro que dessa bicicleta se pula para os dois lados, para a esquerda ou para a direita. Também há partidos e movimentos neofascistas esperando para explorar a revolta das vítimas da austeridade, e eles também podem crescer. Os alemães — pelo menos os alemães que conhecem a própria história — sabem qual pode ser a consequência de uma nação forçada a entregar sua economia, sua historia e seu futuro a outra. Na Alemanha debilitada pela derrota na Primeira Guerra Mundial, obrigada a pagar uma indenização gigante pela sua culpa na guerra e oprimida por uma dívida impagável (os credores insensíveis da época eram os franceses), a consequência do sacrifício imposto foi o ressentimento, e a consequência do ressentimento foi o nazismo. Hitler foi um produto da austeridade. Alguém aí bata na madeira.

Água, Água

O José Simão disse que em São Paulo mudaram a fórmula da água. Em vez de H²O agora é H²Ó PRA VOCÊS. Certo, faltar água no país com as maiores bacias hídricas do mundo é mais do que uma ironia, é um insulto. Alguém tem que explicar o que foi feito para se chegar a este ponto. Ou o que não foi feito. É verdade que a chuva mudou: hoje cai chuva teflon, que não adere. Quem diria que nós ainda iríamos ver a prova de uma velha conjetura brasileira, o “chove e não molha"?

Luís Fernando Veríssimo
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A marcha da mudança — vídeo completo


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Recado de Geraldo Antonieta

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A irresponsabilidade criminosa do governo paulista na questão da água


Há um senso comum pretensamente racional quando se fala em enfrentar a gravíssima crise da água em São Paulo.

Começam a aparecer vozes pretensamente equilibradas, a dizer que a hora é de se encontrar soluções. Não se deve buscar culpados ou olhar para o passado.

É certo que a crise demanda soluções imediatas. O racionamento, diante da irresponsabilidade criminosa do governo Alckmin, já deveria ter começado no ano passado, quando seria mais brando.

Agora está sendo feito de forma atabalhoada e com contornos de terrorismo midiático. Anuncia-se o corte de cinco dias na semana, sem saber se isso resolverá a secura dos canos...

Ações emergenciais, planos de abastecimento alternativo, incentivo ao reuso, criação de forças-tarefa intersecretariais e convocação à população, entre outras, são iniciativas que já deveriam ter sido tomadas.

Mas é essencial olhar para trás, sim, e ver onde o problema começou.

Começou há 22 anos, quando terminou a construção do último sistema de tratamento de água do estado, o do Alto Tietê. De lá para cá, a população passou de 32 milhões para 43 milhões de pessoas.

Ou seja, não se adicionou uma gota na captação do sistema, num período em que houve um aumento demográfico de mais de 30%.

Por que houve isso?

Em especial porque metade da Sabesp foi privatizada, em 1996.

Os acionistas privados — que lucraram R$ 4,3 bilhões entre 2004 e 2014 — não têm o menor interesse em reduzir seus ganhos para que investimentos sejam feitos.

E a gestão tucana agiu como se não houvesse necessidade de se ampliar o sistema.

Até que a crise chegou, agravada pela estiagem prolongada.

É preciso resolver o problema, com ações práticas e imediatas.

Mas falar em resolver qualquer coisa de forma permanente sem fechar o capital da Sabesp, retomar a empresa para o estado — aproveitando a baixa das ações — e sem acionar judicialmente os responsáveis — a começar pelos governadores Geraldo Alckmin e José Serra — é o mesmo que chover no molhado.

Perdão pelo inoportuno trocadilho.

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O DNA da História

Os jornais de sexta-feira (30/1) destacaram, em suas primeiras páginas, o déficit das contas públicas que marca o encerramento do ano fiscal de 2014, a decisão da Petrobras de reduzir o ritmo de obras e a perspectiva de suspender o pagamento de dividendos aos seus acionistas, além de referências à disputa pela presidência da Câmara dos Deputados e, claro, novos registros sobre a crise de abastecimento de água na região Sudeste. O desemprego caiu para 4,8% no ano passado, mas apenas a Folha de S.Paulo cita esse fato na primeira página.

O conjunto do noticiário pode ser visto a olho nu, ou sob as lentes da mídia, que supostamente mostram as frações mais relevantes da realidade. Houve um tempo, no jornal O Estado de S.Paulo, que se aplicava na produção da primeira página o conceito batizado com o imodesto nome de “DNA da História”: tratava-se de uma orientação geral para que os editores indicassem para os destaques, preferencialmente, as notícias que tivessem mais potencial para representar a contemporaneidade.

Mas esse é um tempo passado. Hoje em dia, a observação da imprensa exige que se aplique sobre seus conteúdos a lente da interpretação de motivos. No caso do noticiário econômico, por exemplo, essa lente revela o efeito dissimulador sobre o significado de fatos aparentemente contraditórios convivendo numa mesma página: num texto, o Brasil afunda em uma crise grave; em outros, o desemprego continua caindo e o investimento direto de capital estrangeiro segue em alta.

Há detalhes que poderiam ajudar o leitor a entender as entrelinhas que serpenteiam abaixo dos títulos. Por exemplo, o rendimento do trabalho subiu 33,1% entre 2003 e 2014 e houve uma mudança no eixo do desenvolvimento, sob o ponto de vista dos salários: pelo quinto ano consecutivo, constata-se que os trabalhadores da região metropolitana do Rio de Janeiro ganham mais do que seus colegas da capital paulista. Paralelamente, pode-se observar que o desempenho da indústria paulista continuou em queda, no período escolhido pela imprensa para mensurar os dados econômicos.

Dois olhares

O noticiário significa pouco se o leitor não colocar os indicadores em perspectiva, ou seja, numa economia globalizada, cada aspecto da realidade local precisa ser confrontado com a realidade planetária. Por exemplo, se há um ajuste na política econômica em função do déficit das contas públicas, convém avaliar os potenciais efeitos colaterais sobre a saúde do organismo ao qual o Estado deve servir.

Não são poucos os casos em que um remédio para o coração provoca a falência múltipla de órgãos. Essa foi a constatação feita nesta semana, por exemplo, pelos eleitores gregos.

A mídia genérica que alcança a maioria do público leitor tem um viés catastrofista em relação ao Brasil, mas não consegue distorcer tudo. Por exemplo, num canto de página da edição de sexta-feira (30/1) do jornal O Estado de S.Paulo o indivíduo enxerga o título de três linhas em uma coluna: “Brasil fica em 5º como destino de investimentos”. Abre com uma visão positiva, mas em seguida desanda para o pessimismo.

Já no especialista Valor Econômico, a mesma notícia tem outra interpretação, mostrando que, num cenário internacional de retração, o Brasil subiu de 7º para 5º lugar entre os destinos de investimentos produtivos.

Quando um dos grandes diários de circulação nacional se vê obrigado a publicar uma notícia positiva, imediatamente se seguem os “poréns, contudos, todavias”. No caso do investimento estrangeiro direto, não dá para esconder o fato de que o Brasil subiu duas posições na disputa global por dinheiro aplicado em negócios — que é diferente do que vai para o mercado de ações. Também não se pode omitir, sob pena de sacrificar a credibilidade, que o Brasil superou todos os países europeus, segundo os dados da ONU.

Se colocada em destaque, a notícia abriria a possibilidade, por exemplo, de expor o modelo adotado pela Europa para combater os efeitos de longo prazo da crise financeira de 2008, em comparação com a escolha brasileira de estimular o mercado interno a partir de projetos sociais que resgataram milhões da pobreza e da política de valorização da renda do trabalho.

No texto de apenas quatro parágrafos, a notícia positiva só aparece no primeiro parágrafo e é soterrada pelos aspectos negativos. No entanto, o texto que foi distribuído pela ONU avalia o desempenho da América Latina, informando que o investimento estrangeiro caiu em praticamente todos os países da região, inclusive o México. No Brasil, aumentou 8%.

Também acontecem coisas boas. Mas a chamada grande imprensa só pensa naquilo.

Luciano Martins Costa
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Brasil ganha 2 posições e fica em 5º no ranking mundial de investimentos


Enquanto a nossa imprensa usa carga total para pintar a nossa economia com tintas negras, o mundo continua acreditando no Brasil.

Segundo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), divulgado ontem, o Brasil ganhou duas posições, passando de sétimo para o quinto país que mais recebeu investimentos estrangeiros diretos, no ranking mundial.

O Brasil recebeu US$ 62 bilhões em 2014, queda de 3% sobre o ano anterior. Na média mundial, porém, a queda foi de 8%.

O Brasil ficou à frente de todos os países europeus.

Apenas China (continente e Hong Kong), EUA e Cingapura ficaram à nossa frente.

Para fazer uma citação culta:  “Se isso é tá na pior, porran!”



Miguel do Rosário
No Tijolaço
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O Governo desaprendeu a travar a batalha da comunicação

Como sair do atoleiro se o Governo desaprendeu a travar a batalha da comunicação? Não basta comunicar-se mais. É preciso reorientar toda a comunicação.

Um governo despreparado para a batalha

Em sua primeira reunião ministerial (27/1), Dilma exortou seus ministros a travarem a batalha da comunicação. Falou, repetiu, insistiu. Quase perguntou se precisava desenhar.

A ordem é a seguinte:

"Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre e permanentemente. Vou repetir: sempre e permanentemente. Nós não podemos permitir que a falsa versão se crie e se alastre.

Reajam aos boatos, travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião pública, a posição do ministério, a posição do governo à opinião pública. Sejam claros, sejam precisos, se façam entender. Nós não podemos deixar dúvidas."

No fundo, Dilma sabe que ela não é a melhor comunicadora do governo e pede ajuda a todos de sua equipe para uma tarefa que, de qualquer forma, nenhum presidente, sozinho, é capaz de realizar: dizer ao público o que está acontecendo e o que o governo tem feito.

Até aí, tudo bem. A maioria dos governos anteriores tinha ministros mais desenvoltos para a comunicação do que o presidente. Lula foi uma das exceções. Ele era, sem sombra de dúvida, o melhor comunicador de seu próprio governo.

Com Dilma é diferente e a constatação pode ser perfeitamente administrada. Mas há uma pedra no meio do caminho.

Se o pedido da presidenta não significar uma completa reorientação na concepção, nas práticas e nas mensagens do governo, o tiro irá sair pela culatra. Vai estar aberto o caminho para uma sucessão de trapalhadas.

De todo modo, não se deve, em hipótese alguma, tentar esconder um presidente da República. Não há como tirar um assunto do colo da presidenta quando o assunto é o Brasil.

Um presidente da República jamais pode fingir que alguns grandes problemas não são seus.

Toda semana a presidenta precisa mostrar que existe, que está trabalhando, que está fazendo.

Mesmo que não queira, Dilma precisa aparecer regularmente, dar sua opinião e orientação, ainda que os detalhes e as piores partes do tratamento de algum problema fiquem por conta de outra pessoa.

Ao invés de aparecer pouco e, quando aparece, falar muito (Dilma é a primeira a se cansar de seu próprio discurso), é melhor a presidenta aparecer mais vezes e falar menos, fazendo discursos mais curtos e diretos.

Se não for pedir demais, em nome da clareza na comunicação com o público, Dilma poderia usar mais metáforas e analogias. Alguns não vão gostar, mas a maioria vai.

Fazer comunicação com o quê e com quem?

O atual governo gasta muito e gasta mal em comunicação. E conseguiu a façanha de desmontar boa parte dos bons instrumentos próprios que haviam sido construídos no primeiro mandato do governo Lula.

É bom fazer o registro: a situação já estava assim antes do atual ministro Thomas Traumann assumir o posto. O problema é que, até agora, nada mudou e Traumann não tem qualquer controle sobre a área de publicidade.

O governo faz regularmente uma pesquisa para aferir os hábitos de consumo da população.

Para quê? Não se sabe. A pesquisa mostra que o rádio é quase tão presente como fonte de informação quanto a tevê. Em seguida, vem a internet. Por último, bem atrás, a mídia impressa.

Apesar disso, o governo prefere gastar em tevê valores estratosféricos, extraordinariamente maiores do que gasta em rádio.

Ainda mais absurdo é que jornais e revistas impressos recebam bem mais que a internet e até que o rádio. Isso não é e nunca foi mídia técnica. É um escândalo de compadrio da publicidade com os grandes veículos.

O governo tem um gosto todo especial em financiar a concentração da mídia.

Sem contar que o Ibope e a vendagem de muitos veículos são alimentadas por informações de dirigentes e gestores governamentais que dão a alguns veículos um tratamento privilegiado. Esquecem-se que informação oficial é um bem público, e não um produto a ser barganhado na troca de favores do mercado da notícia.

Comunicação estatal, considerada um palavrão, foi quase reduzida a zero

A grande maioria dos ministros não sabe o que é o governo, seus números, seus planos, suas metas, suas dificuldades.

O governo já teve, mas extinguiu, um boletim informativo regular, chamado Em Questão.

O Em Questão era o principal veículo diário de informação sobre as ações, números e argumentos em defesa do governo.

Deveria ser ressuscitado pela presidenta, isso se ela quiser pautar pelo menos a fala de seus ministros.

Em 2008, o próprio gabinete pessoal do Presidente Lula começou a produzir um informativo, chamado Destaques, com dados e outras informações sobre as ações de governo.

O último caderno Destaques data de julho de 2013.

O último programa de rádio Café com a Presidenta foi ao ar em 30 de junho do ano passado.

O cargo de porta-voz está vago há mais de um ano.

Falar em comunicação estatal virou palavrão, desde que extinguiram a Radiobrás e surgiu a EBC.

A fusão da Radiobrás com a TV e rádios educativas do Rio de Janeiro gerou uma grande bagunça entre o que era a comunicação pública, feita pela Acerp (que controlava a TV e Rádio Educativa do Rio de Janeiro) e a comunicação estatal (feita pelo sistema Radiobrás, em Brasília).

A antiga e extinta Radiobras ensinou Câmara, Senado e Justiça a implantarem seus veículos. Hoje, a comunicação do Executivo está longe do padrão de excelência alcançado pela comunicação dos outros Poderes.

A comunicação governamental se resume a um canal de tevê a cabo, a NBR, para o qual o próprio governo não dá a mínima importância. A NBR já deveria ser tirada da EBC e estar sob o comando direto da Secom faz tempo.

Da forma como está, com a EBC agindo como mera empresa de prestação de serviços, é mais barato para o governo contratar a empresa da esquina que filma aniversários e casamentos.

É na rua que se anda pra frente

O governo vai realmente travar a batalha da comunicação? Para falar o quê? E com quem?

O principal alvo para uma batalha da comunicação, antes dos veículos de imprensa, é o público.

O governo vai para a rua? Se não for, não vai poder dizer que está travando a batalha da comunicação.

Ministros e suas equipes vão por o pé na estrada, visitar capitais e cidades do interior, dar entrevistas aos veículos locais e blogueiros de cada cidade?

O governo poderia gastar um pouco menos em propaganda e um pouco mais em sola de sapato, telefonemas, e-mails, interação em mensagens pelas redes sociais e vídeos no Youtube.

A principal forma de comunicação que falta ao governo chama-se conversa. É preciso pegar o telefone para ligar e conversar com prefeitos, dirigentes sindicais, entidades estudantis, movimentos agrários e de luta pela moradia e ativistas das redes sociais.

Ativistas das redes sociais? Sim, é uma categoria nova, influente na formação de opinião e, a não ser no caso dos direitosos, ainda é absolutamente desconhecida e desprezada pela maioria dos que fazem comunicação governamental.

Não custa também perguntar: quantos ministérios já estão chamando suas conferências nacionais? Quantos já implantaram conselhos e comitês para discutir políticas públicas.

Talvez muitos ministros não saibam, mas o decreto que instituiu a Política Nacional de Participação Social continua valendo.

Seria bom alguém se dedicar a informá-los.

Antonio Lassance, cientista político.
No Carta Maior
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Um ou outro, lá e cá

Hoje, quando o Congresso recebe os senadores e deputados para iniciar a nova legislatura, promete ser o dia mais interessante da vida parlamentar neste ano. A disputa pela presidência da Câmara vale a atenção que receba, não propriamente pela rivalidade entre Eduardo Cunha e Arlindo Chinaglia, com Júlio Delgado esperançoso de uma surpresa, mas, sim, pelos reflexos que a eleição lançará para fora da Câmara.

Poucas vezes, desconsiderados os tempos de ditadura, o contraste entre as perspectivas representadas pelos dois principais candidatos terá sido tão acentuada. Alguém disse que Eduardo Cunha representa "o PMDB do mal". Eduardo Cunha representa Eduardo Cunha. O que é muito mais problemático, pela permanente e sempre aumentada incógnita, do que qualquer parcela peemedebista, todas sujeitas a limites e negociações.

A possível presidência de Eduardo Cunha será uma dificuldade grande e constante para o governo, sem que isso assegure vantagem para a oposição. Nada a ver com independência do deputado. É que os direcionamentos de Eduardo Cunha determinam-se por motivações variáveis que não costumam ser claras, ou induzem a impressão de que sob o propósito exposto há intenções inconfessáveis, seja lá pelo que for. Imprevisível e ousada, desafiadora e passível de suspeitas diversas, assim tende a ser a presidência da Câmara por Eduardo Cunha. À imagem do próprio.

Se a disputa fosse menos rasteira, ou seja, menos apegada às características da atualidade, Arlindo Chinaglia poderia ter feito sua campanha com a invocação da passagem que teve na presidência a que deseja voltar. Sóbrio, muitas vezes duro e áspero na condução de sessões, foi presidente da Câmara muito mais do que um petista na presidência da Câmara. Mas as presentes condições políticas são muito mais difíceis para os petistas em geral e, acima de todos, para os da Câmara.

A possível presidência de Arlindo Chinaglia não é uma obscuridade, dado o seu histórico pessoal e político. Nem é contra ele que a oposição investe, é contra o PT. Mas com Chinaglia não se imagina que os oposicionistas tenham a vida fácil, para o seu jogo, que tiveram até agora com o peemedebista e "aliado" Henrique Alves, nem o PMDB encontre facilidade para as manipulações de suas chantagens por cargos e verbas.

Expectativa, portanto, de embates fortes.

E há, ainda, as duas fervuras que devem escoar para a Câmara: a política econômica e a corrupção na Petrobras. O PT já aprendeu a engolir a vergonha, mas se a mão do governo no bolso dos direitos alheios provocar reações de massa, e se o caso Petrobras for levado a sério, sem a oposição preferir nova proteção aos seus comprometidos — então Arlindo Chinaglia, sob pressões enormes, vai viver o teste da sua vida política.

A depender do eleito, e do consequente estado da Câmara, será maior ou menor o grau de dificuldades políticas do governo, capaz ou não de mais agravar seu desempenho e perturbar suas pretensões. Um vitorioso ou outro, vai se acelerar ou não o processo da sucessão presidencial, maiores problemas do governo provocando a consolidação do Lula messiânico.

A de hoje não é apenas mais uma eleição na Câmara. A eleição é lá, sim, mas o efeito é cá.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 123


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Essa é do Barão... 181


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PR anuncia apoio a Chinaglia

Ao todo, cinco partidos votam com o candidato do PT – PSD, PDT, PROS, PC do B e, agora, o PR

Às vésperas das eleições para a Presidência da Câmara, que acontecem neste domingo (1º), o PR declarou apoio ao candidato do PT, Arlindo Chinaglia. O anúncio foi feito pelo presidente nacional do partido, senador Alfredo Nascimento, neste sábado (31).

A partir de domingo, o PR será a sexta maior bancada da Câmara, com 33 deputados. Com isso, o apoio do partido faz uma importante soma aos 146 confirmados pelos partidos PSD, PDT, PROS, PC do B e pelos parlamentares do PT, totalizando 179 votos à Chinaglia.

Para ser eleito em primeiro turno, é preciso conquistar um total de 257 votos, ao seja, metade dos deputados, mais um.

O candidato do PT, Arlindo Chinaglia, concorre a presidência da Câmara os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

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