27 de jan de 2015

Governo define os rumos a serem tomados no ano de 2015 em reunião ministerial


A presidenta Dilma Rousseff se reuniu hoje (27) com a equipe ministerial de seu segundo mandato. O encontro é realizado com o objetivo de avaliar e definir as ações de cada pasta. No discurso de abertura da reunião, Dilma defendeu o modelo de desenvolvimento adotado pelo governo, que concilia distribuição de renda, crescimento econômico e inclusão social.

Leia Mais ►

Argentina importa energia do Brasil. Imprensa ignora



Importação e exportação de energia elétrica são comuns e frequentes entre sistemas interligados, de acordo com as demandas temporárias de cada um. Só no Brasil, no entanto, o fato vira manchete na imprensa. E apenas quando o Brasil é o país importador.

Prova disso é a notícia, de acordo com o site do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), de que a Argentina importou do Brasil, nesta segunda-feira 26, 200 MW "em função da redução não programada de disponibilidade de geração naquele país".

O fato, porém, não foi noticiado em nenhum veículo da imprensa brasileira. Bem diferente do que ocorreu na semana passada, quando o Brasil importou um pouco menos (165 MW) da Argentina. A transferência aconteceu um dia depois do blecaute que atingiu 11 estados e o Distrito Federal no País.

Apesar de ser comum países vizinhos partilharem suas redes, a exemplo de Estados Unidos e Canadá, a importação brasileira foi logo vinculada ao 'apagão', pela imprensa, e justificada pelos jornais pelo fato de o Brasil não ter energia suficiente para suprir o consumo brasileiro.

Para noticiar o fato da semana passada, a imprensa utilizou o IPDO (Informativo Preliminar da Operação) do ONS. Acesse aqui o IPDO de ontem, que noticia a importação de energia brasileira por parte da Argentina. A energia foi exportada pela estação de conversão Garabi 2, no Rio Grande do Sul.

No 247
Leia Mais ►

Papa Francisco faz convite e recebe transexual no Vaticano

Pontífice é conhecido por querer dar maior abertura na Igreja a homo e transexuais. Em 2013, afirmou: "se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgá-la?"


O papa Francisco recebeu no último sábado, em audiência privada, o transexual espanhol Diego Neria Lejarraga, 48 anos, e sua namorada, informou o jornal Hoy.

O encontro teria ocorrido após Lejanarraga ter enviado cartas ao Pontífice para contar que estava sendo excluído de sua paróquia após ter feito a cirurgia de mudança de sexo.

Ainda de acordo com as informações do periódico, o homem contou ao líder da Igreja Católica que na sua cidade, Estremadura, ele foi proibido de comungar e que o pároco o chamou de "filha do diabo".

Após receber a carta, Jorge Bergoglio ligou para Lejarraga no dia 8 de dezembro e, mais uma vez, dias antes do Natal, quando o convidou para ir ao Vaticano. Sobre o encontro, estritamente privado na residência de Santa Marta, as fontes oficiais da Santa Sé não quiseram se pronunciar.

Nascido em uma família católica, Diego nasceu menina e, assim como tantas pessoas que passam pela mesma situação, não se sentia uma mulher. Apesar de sempre ter contado com o apoio dos pais e da irmã, ele só fez a cirurgia de mudança de sexo aos 40 anos.

Bergoglio é conhecido por querer aproximar e dar uma maior abertura na Igreja para os homossexuais e os transexuais. Em julho de 2013, afirmou: "se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgá-la?". No Sínodo Extraordinário sobre a família o tema chegou a entrar em discussão.

No ANSA Brasil
Leia Mais ►

Por que falta transparência


As notícias sobre os planos econômicos da presidente Dilma Rousseff em seu segundo mandato e sobre a extensão da crise de abastecimento de água na capital paulista, além de especulações nascidas na investigação do caso de corrupção na Petrobras, cruzam-se nas edições dos jornais de terça-feira (27/1). Em todas elas, evidencia-se uma característica que parece marcar as instituições da República: a falta de transparência.

Essa afirmação, porém, deve ser tomada com cautela, no contexto em que a formulamos, ou seja, no campo restrito em que os atos do poder público são filtrados pela imprensa. Há outro campo, mais amplo, onde os fatos acontecem originalmente; no entanto, tratamos, aqui, não dos fatos diretamente, mas da forma como eles são noticiados após passarem pela mediação dos jornalistas.

Nesse ambiente restrito, onde atos, acontecimentos e declarações ganham valores específicos conforme o peso que a imprensa lhes dá no tabuleiro das notícias e opiniões, a própria mediação restringe o acesso à informação e condiciona os eventos originais às interpretações impostas pela mídia. Acontece, assim, o estranho fenômeno pelo qual, em vez de esclarecer, o jornalismo obscurece a compreensão da realidade.

O fato de os governos parecerem menos transparentes, neste tempo de grande expansão dos meios digitais de comunicação, é uma contradição espantosa, mas fácil de constatar. No âmbito federal, por exemplo, existe a notícia de ajustes na economia que podem representar dificuldades para o cidadão comum, como preço a ser pago pela recuperação dos indicadores macroeconômicos. Esse noticiário é centrado nos ministros da Fazenda e do Planejamento; a presidente da República não dá declarações desde a posse, e os jornais especulam sobre a validade e a paternidade (ou maternidade) de tais medidas.

No âmbito estadual paulista, a responsabilidade pelo esclarecimento da população a respeito da possibilidade de a crise hídrica se agravar a um ponto extremo fica a cargo do novo presidente da companhia de abastecimento de São Paulo, a Sabesp, e o govenador sai de cena ou volta à rotina das platitudes que lhe deram um novo mandato.

E as notícias sobre o escândalo da Petrobras são uma colcha de retalhos que é montada a critério dos jornais.

Filtros entupidos

Desde as reflexões de Agostinho de Hipona sobre lógica, quando ele criou as bases doutrinárias do que viria a ser a igreja cristã predominante, o ser humano persegue o fim das contradições e a busca das tautologias, porque o mundo lhe parece mais seguro com mais certezas do que dúvidas. Por isso os candidatos a cargos públicos fazem promessas solenes — pois seus marqueteiros sabem que uma falsa certeza vale mais do que uma dúvida honesta.

No mundo moderno, a imprensa se apossa da função de expor e explorar as contradições, para que, do outro lado do filtro da mediação, saiam informações nas quais a sociedade possa confiar. No entanto, a imprensa brasileira hegemônica há muito não cumpre esse papel, porque seu propósito deixou de ser o de buscar objetivamente a interpretação dos fatos e passou a ser a imposição de uma versão específica da realidade.

Tanto a presidente da República quanto o governador de São Paulo — aqui citado como mero exemplo —, assim como os responsáveis por investigações de grande repercussão, devem urgentemente romper a situação em que se meteram, de extrema dependência da imprensa.

A leitura dos jornais mais confunde do que esclarece, e isso aumenta as contradições, porque a imprensa foge do confronto dialético. O noticiário, fragmentado e manipulado, desinforma e produz insegurança, dificultando a adesão da sociedade a programas de interesse púbico, como a economia de água e energia ou a necessidade de poupar e administrar melhor a economia doméstica.

A divulgação de frações da verdade na investigação de escândalos reduz a confiança na democracia e abre caminho para aventureiros na política. Essa característica do jornalismo praticado pela mídia tradicional equivale a dizer que o filtro da mediação está entupido, ou contaminado pelo viés que interessa impor à sociedade.

Assim, é de se desconfiar de que a transparência que se espera das instituições públicas esteja sendo obscurecida pela ação da imprensa, cuja eficiência em romper os segredos do poder corrompido é aplicada com critérios claramente partidários. Resta, então, aos protagonistas do poder político vir a público pessoalmente reduzir as contradições e confortar o cidadão com a informação oficial.

Luciano Martins Costa
Leia Mais ►

Denunciam campanha de desestabilização na Argentina

Denunciam que veículos da mídia como La Nación e o grupo Clarín pretendem responsabilizar a presidenta Cristina Kirchner sobre o suposto assassinato do promotor Nisman.
Foto: Reuters
A Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais da Argentina saiu nesta terça-feira em favor da presidente Cristina Fernandez Kirchner, rejeitando a campanha de desestabilização apoiada pelos meios de comunicação internacionais e nacionais contra o seu governo, após a morte do promotor Nisman.

Através de um comunicado, a Rede rejeita a campanha de desestabilização dos meios de comunicação hegemônicos internacionais contra o governo legítimo da presidente Cristina Kirchner. "Esta campanha é complementada pelo ataque contra a soberania nacional Argentina por fundos abutres e está inserida na ofensiva de Washington contra os governos progressistas da América Latina e do Caribe".

Eles falaram sobre as operações do jornal oligárquico La Nación e do grupo Clarín em particular que têm procurado culpar o Executivo do suposto assassinato do promotor do Ministério Público, que acusou o governo de obstruir em favor do Irã, a investigação de ataques criminosos feitos em Buenos Aires contra a Embaixada de Israel, em 1992, e da Associação Mutual Israelita Argentina, em 1994.

A Rede Em Defesa da Humanidade é composta de milhares de intelectuais, artistas, cientistas, ativistas e militantes sociais de todo o mundo.

No teleSUR
Leia Mais ►

Documentário — Por que pobreza? 2/8


Documentário busca as raízes da pobreza em vários momentos da história humana, como a conquista e a pilhagem das Américas, a escravidão e sabotagem às economias africanas, passando pela revolução industrial, a Guerra de Canudos, o imperialismo europeu e o nascimento do terceiro mundo, até chegar em nossa era, que vive um momento crítico, onde os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, mas também mostrando alguns casos de países que estão diminuindo a pobreza, como o Brasil.

Por que o pobre se resigna ao rico?

O número 640 da Park Avenue é o endereço dos apartamentos mais luxuosos de Manhattan — residência de gerações da nata de Wall Street, dos barões das falcatruas e dos controladores de fundos de investimentos. O interior dos apartamentos desse prédio é simplesmente palaciano. Dois quilômetros ao norte, no entanto, está a outra Park Avenue, ao sul do Bronx, onde as perspectivas de vida não são tão boas para aqueles que estão presos na base da pirâmide americana. Alex Gibney examina a desigualdade nos Estados Unidos sob o prisma desses dois locais próximos e antagônicos. Em duas décadas, a desigualdade aumentou consideravelmente nos Estados Unidos e muitos sentem que o antigo ideal de que esse é o país das oportunidades, está morrendo. Mas, como isso aconteceu? Quem são os novos ricos e os novos pobres?

Director: Alex Gibney
Producer: Blair Foster
Produced by: Jigsaw Productions & Steps International



Assista também os outros episódios: 1/83/84/85/86/87/88/8
Leia Mais ►

Direitos trabalhistas são intocáveis e ajuste fiscal será feito sem revogá-los, afirma presidenta Dilma

Medidas tomadas vão consolidar projeto que transformou o País. São passos rumo ao reequilíbrio fiscal e vão preservar políticas sociais, disse Dilma.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.
A presidenta Dilma Rousseff disse, nesta terça-feira (27), em sua primeira reunião ministerial, realizada na Granja do Torto, em Brasília, que os ajustes que estão sendo feitos na economia brasileira manterão o rumo do desenvolvimento e ampliarão oportunidades, preservando as prioridades sociais e econômicas do governo. Esses ajustes, disse ela, são necessários em vista dos desafios atuais no cenário interno e externo.

Ela ressalvou, no entanto, que as medidas não colocam em risco os avanços sociais obtidos até agora. “Os direitos trabalhistas são intocáveis. E não será o nosso governo, um governo dos trabalhadores, que irá revogá-los”, enfatizou a presidenta.

Segundo a presidenta, as medidas que estão sendo tomadas e as que virão depois, consolidarão um projeto que transformou o Brasil. “São passos na direção de um reequilíbrio fiscal que irão permitir preservar as nossas políticas sociais – falo, por exemplo, do Bolsa Família, do Minha Casa, Minha Vida, do Mais Médicos, do Pronatec, das ações para garantir acesso ao ensino superior, do Ciência sem Fronteiras, do combate à violência contra a mulher, por exemplo”, explicou.

Medidas

Dilma lembrou que a primeira ação tomada foi fixar a meta de resultado primário em 1,2% do PIB em 2015. “Essa meta representa um grande esforço fiscal, mas um esforço que a economia pode suportar sem comprometer a recuperação do crescimento e do emprego”.

O governo também decidiu reduzir, previamente, seus gastos discricionários, enquanto o Congresso Nacional discute o Projeto de Lei Orçamentária de 2015. “Por essa razão, reduzimos em 1/3 o limite orçamentário de todos os ministérios, neste início de ano”, disse.

A presidenta acrescentou que o governo também está atuando pelo lado da receita, com a correção das alíquotas da Cide; do IOF sobre o crédito pessoal; e a proposta de correção do PIS/Cofins sobre bens importados e do IPI sobre cosméticos.

“Além destas medidas de política fiscal, estamos também, senhores ministros e senhoras ministras, construindo medidas para viabilizar o aumento do investimento e da competitividade da economia”, afirmou.

No campo tributário,a presidenta adiantou que está sendo finalizada a proposta do governo para o aperfeiçoamento do Supersimples, que estabelecerá um mecanismo de transição entre sistemas tributários, para enfrentar a barreira hoje existente ao crescimento das micro e pequenas empresas. “Estamos preparando a reforma do PIS/Cofins para simplificar e agilizar o aproveitamento de créditos tributários pelas empresas”, informou.

Investimentos

A presidenta garantiu que já foi iniciada também a definição de uma nova carteira de investimentos em infraestrutura. A meta é ampliar tanto as concessões como as autorizações ao setor privado. “Vamos continuar com as concessões de rodovias, com as autorizações e concessões em portos. E ampliar as concessões de aeroportos. Realizaremos concessões em outras áreas, como hidrovias e dragagem de portos, por exemplo”.

Segundo Dilma, o “Minha Casa, Minha Vida irá contratar a construção de mais três milhões de moradias até 2018, ampliando sua penetração em grandes centros urbanos. Com o programa Banda Larga para Todos vamos promover a universalização do acesso a um serviço de internet de banda larga barato, rápido e seguro”.

Por fim, a presidenta Dilma afirmou: “O Brasil sem dúvida nenhuma espera muito de nós, e eu conto com vocês para que nós honremos todas essas expectativas, cada uma delas e sem exceção”.




No Blog do Planalto
Leia Mais ►

A farra bilionária das estatinas e o “jornalismo” subserviente à indústria farmacêutica

Capa da revista Veja em 16 de junho de 2004
Eu estava trabalhando na revista Veja (os piores oito meses de minha carreira; leia aqui) quando saiu uma capa louvando as estatinas, pílulas usadas para controlar o colesterol “ruim” que, afirmava a revista, eram “a grande surpresa da medicina”, “a aspirina do século 21″, “um dos medicamentos que mudaram a história”. A reportagem, de cinco páginas, parecia um anúncio pago pelos fabricantes do medicamento, comparado por Veja à descoberta da penicilina. As estatinas seriam eficazes para tratar angina, Alzheimer, osteoporose, câncer, esclerose múltipla e diabetes (íntegra aqui). Só faltou bicho-do-pé. “Um belíssimo negócio para a indústria farmacêutica”, vibrava a semanal da editora Abril.

De lá para cá, as estatinas se transformaram na maior fonte de lucro da indústria farmacêutica. Uma delas, o Lípitor (atorvastatina, da Pfizer), se tornou o medicamento campeão de vendas no mundo e, com o providencial pontapé da “revista mais vendida”, o número dos que usam estatinas no Brasil pulou de 400 mil para 8 milhões de pessoas. Mas o que pouca gente sabe é que, após 10 anos, o que foi apresentado ao leitor incauto da revista como panacéia agora é questionado por pesquisadores, médicos e cientistas como prejudicial à saúde e, no mínimo, inútil. E o mais bizarro: hoje o uso contínuo de estatinas está associado a alguns dos males que supostamente curaria, como perda de memória, doenças cardíacas, diabetes, fraqueza muscular e câncer.

Dois anos atrás, a própria Veja reconheceu, em uma reportagem minúscula escondida no site da revista: “Acaba a lua-de-mel com as estatinas” (leia aqui). No texto, a publicação admitia que efeitos colaterais graves têm sido associados ao uso do remédio outrora “revolucionário”, até mesmo a capacidade de provocar o infarto em vez de preveni-lo — justamente a maior qualidade levantada pela propaganda, ops, reportagem anterior. Novos estudos com voluntários, advertia o artigo, comprovam que “usuários frequentes das estatinas tiveram um aumento muito maior na calcificação de placas em suas artérias coronárias. Isso poderia levar a riscos maiores de infartos nesses pacientes”.

Na época da capa-louvação, o cardiologista Sergio Vaisman, coordenador da pós-graduação em Medicina Preventiva da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, escreveu um artigo em seu blog em que condenava o excesso de otimismo da Veja em relação às estatinas. “Acho lamentável assistir a esse desfile de propaganda que enaltece produtos que irão comprometer nossa saúde se usados em demasia”, escreveu Vaisman, criticando a falta de interesse da revista em mostrar os efeitos colaterais do remédio, como as dores musculares crônicas e a rabdomiólise, uma degeneração das fibras musculares que pode levar a lesões renais graves e até à morte. Detalhe: uma estatina, a Baycol (cerivastina, da Bayer), já havia sido retirada do mercado em 2001 por causar rabdomiólise e matar 52 pessoas nos EUA por falência renal.

Entrevistei Vaisman pelo telefone. Ele está cada vez mais cético em relação às estatinas, que só prescreve a seus pacientes em casos muito graves e por um período apenas. “Sou contra o uso contínuo de estatinas, mas vou contra a corrente, porque o establishment da medicina manda fazer isso. Existe uma pressão muito grande da indústria farmacêutica, principalmente sobre os médicos recém-formados”, diz. E ressalta: “Não existe nenhuma evidência científica de que as estatinas protegem o coração de um infarto”.

time
(As mudanças em relação à gordura ao longo dos anos)
Outro aspecto que mudou neste meio tempo foi a própria visão da ciência (não da indústria farmacêutica) sobre o “colesterol ruim” (LDL), antes o grande inimigo do homem moderno e razão de existir das estatinas. “Hoje o colesterol não é o vilão que se pensava. É considerado, por exemplo, fundamental para a produção dos hormônios sexuais. Claro que tudo em excesso é ruim, mas o colesterol tem papéis benéficos”, defende Vaisman. O colesterol também é necessário para o bom funcionamento dos intestinos e do cérebro.

Em outubro de 2013, a Sociedade Brasileira de Cardiologia causou polêmica ao rebaixar o limite considerado saudável de colesterol “ruim” de 100 miligramas por decilitro de sangue para 70 miligramas por decilitro, o que fez aumentar ainda mais as prescrições das estatinas nos consultórios médicos. Na época, especialistas contrários à medicalização excessiva chamaram a atenção para os efeitos colaterais da droga, sem sucesso. Como disse Vaisman, o establishment da medicina no Brasil abraçou as estatinas sem restrições. E o pseudo jornalismo de “saúde” praticado por alguns veículos foi junto.

Nos EUA e na Inglaterra, grandes consumidores das estatinas, a rejeição ao medicamento vem crescendo. O norte-americano Raymond Francis, químico formado pelo MIT (Massachusetts Institute of Tecnology) que se dedica a pesquisas sobre qualidade de vida, contesta, inclusive, que o colesterol seja mesmo responsável pelos problemas cardíacos. “O colesterol não causa doenças do coração”, afirma. “Os franceses têm a mais alta taxa de colesterol da Europa, ao redor de 250, mas as menores incidências de doenças do coração e metade dos ataques cardíacos dos Estados Unidos. Na ilha de Creta, berço da saudável dieta mediterrânea, um estudo de 10 anos falhou ao não conseguir encontrar um só ataque cardíaco, apesar das taxas de colesterol acima de 200″ (leia mais aqui). Outros estudos recentes dizem o mesmo: colesterol alto não é sinônimo de risco para o coração.

Raymond Francis publicou um vídeo no youtube onde diz com todas as letras: “Estatinas são veneno. Não previnem doenças do coração e não são seguras. Pelo contrário, há um aumento dos infartos entre as pessoas que usam estatinas. Ou seja, as estatinas causam doenças do coração”. Ele cita o cardiologista texano Peter Langsjoen, autor do estudo Estatinas podem causar problemas cardíacos, apresentado aos órgãos de saúde norte-americanos em 2002, em que advertia para o bloqueio, pelas estatinas, da produção da coenzima Q10 ou Ubiquinona, molécula que previne as doenças cardíacas. Em 2010, a FDA (Food and Drug Administration) finalmente advertiu para os riscos cardiovasculares com o uso de sinvastatina (Zocor, da Merck). É a estatina mais vendida no Brasil.



No site spacedoc, médicos norte-americanos anti-estatinas listam uma série de efeitos colaterais causados pelo medicamento: danos musculares, amnésia, diabetes, disfunção erétil, pancreatite, insônia, câncer, perda de energia… (leia os artigos aqui). Autor do livro 29 Bilhões de Razões Para Mentir Sobre o Colesterol, o britânico Justin Smith produziu um documentário e está preparando outro sobre os interesses financeiros por trás das estatinas, que, afirma, têm seus benefícios exagerados pela medicina tradicional. Entrevistei Smith por e-mail.

Socialista Morena — O que há de errado com as estatinas?

Justin Smith — Há muitos questionamentos. Primeiramente, temos que perguntar se a droga realmente beneficia as pessoas diante dos efeitos colaterais que acarreta. É preciso separar dois tipos de pessoas: as que foram diagnosticadas com um problema no coração e aquelas que não o foram. Para quem não foi diagnosticado como cardíaco, não há nenhum benefício em tomar estatinas, mas estas pessoas estarão expostas aos efeitos colaterais do remédio. Em uma estimativa realista, 20% das pessoas sofrem efeitos colaterais significativos. Milhares de pessoas têm relatado consequências muito sérias durante anos e muitas delas sofreram danos permanentes. Para quem foi diagnosticado com problema cardíaco há um argumento para usar estatinas. Mas os benefícios que estas pessoas podem ter não estão relacionados com a redução do colesterol. Este é um tema complicado e muitos médicos ainda estão debatendo os efeitos das estatinas. Para as pessoas com problemas cardíacos, as estatinas podem ser ao mesmo tempo boas e ruins. O lado positivo é que as estatinas podem estabilizar as placas nas artérias, reduzir a coagulação e melhorar o metabolismo do ferro — tudo isso é muito bom. No entanto, pelo lado negativo, as estatinas aumentam a quantidade de placas calcificadas nas artérias e potencialmente enfraquecem o músculo do coração ao bloquear a produção da coenzima Q10. Além disso, há uma ligação muito forte entre os baixos níveis de colesterol e uma vida mais curta. Como você vê, é uma decisão muito difícil para as pessoas diagnosticadas com problemas cardíacos tomarem.

— Alguns médicos me disseram que as estatinas não previnem ataques cardíacos. É isso mesmo?

Há evidências de que as estatinas podem prevenir um segundo ou terceiro ataque cardíaco para quem já teve um infarto. Mas, para a população em geral, as estatinas têm um impacto muito pequeno contra os riscos de ataques do coração, possivelmente nenhum. Por outro lado, as estatinas têm sido associadas com mais de 300 efeitos adversos, em parte pelo fato de o colesterol ser uma substância extremamente importante para o corpo humano e a deficiência de colesterol ter enormes efeitos negativos para a saúde. As áreas mais afetadas são os músculos, o cérebro e o sistema nervoso e os olhos. Em alguns estudos, as estatinas foram associadas a um dramático crescimento no risco de câncer.

— Na época em que você lançou seu livro, falou em uma movimentação de 29 bilhões de dólares anuais com as estatinas. Quanto dinheiro elas estão rendendo à indústria farmacêutica atualmente?

É muito difícil dizer, porque a maior parte delas teve a patente quebrada. No entanto, se olharmos para o mercado mais amplo das drogas redutoras de colesterol, há novos remédios surgindo e é um negócio que continua movimentando dezenas de bilhões de dólares cada ano.

Você foi alvo de alguma ameaça por denunciar as estatinas?

Não.



Em seu documentário, Statin Nation, Smith faz questão de destacar três pontos que vão em direção contrária ao que é apregoado pela medicina ocidental: as pessoas com colesterol alto tendem a viver mais; as pessoas com doenças no coração têm baixos níveis de colesterol; baixar o colesterol de uma população não reduz os índices de doenças cardíacas. E pergunta: “Será que os fatos sobre os problemas do coração, o colesterol e os remédios contra o colesterol têm sido distorcidos pela indústria farmacêutica para aumentar seus lucros?”

Não duvido. O que posso dizer com toda certeza, como jornalista, é: desconfie de médicos que prescrevem a torto e a direito remédios de uso contínuo cuja eficácia é controversa. Desconfie de reportagens que atribuem à “ciência” ou à “medicina” pesquisas patrocinadas pela indústria farmacêutica. Desconfie de revistas que colocam um medicamento como “milagroso” numa capa sem alertar devidamente para os riscos. Desconfie das estatinas.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
Leia Mais ►

Novo drone sigiloso da China, fim do domínio dos EUA?


China deu mais um passo em sua busca para acabar com o domínio aéreo dos EUA, revelando uma nova modificação do seu drone Tian Yi.

De acordo com o semanário 'IHS Jane', trata-se de um drone de grande altitude e autonomia, com características furtivas, esta versão mais recente, foi vista no aeródromo de Chengdu Aircraft Corp. no final de dezembro, tem várias reformulações.

Ao contrário dos modelos anteriores, observados em 2006 e 2008, o atual mostra uma entrada de ar amplificada, fuselagem modificada e dois motores tipo turbohélice, aparentemente com a intenção de "suprimir o sinal infravermelho dos drones", isto significa reduzir a sua detecção.

Especialistas em assuntos de defesa dizem que o equipamento, embora de tamanho menor, poderia fazer frente ao Northrop Grumman RQ-4 Global Hawk, carro-chefe dos drones de vigilância.

No RT



Leia Mais ►

Os arrufos de Marta para retornar aos salões


Aceitam-se críticas ao governo não propriamente por falta de transparência, mas pela dificuldade em comunicar seus programas. Aceitam-se críticas à condução da política econômica por parte de Guido Mantega.

Mas não as críticas de Marta Suplicy. Marta é uma pessoa criada nas altas rodas de São Paulo, mas que se fez na política através do PT. Sua crítica é oportunística, um passaporte para retornar ao seu habitat natural.

Seu universo de relacionamento sempre foi a elite paulistana; sua parceria central, os jornais, com quem sempre cultivou boas relações. Na entrevista ao Estadão, em que procurou detonar Dilma, gabou-se do jantar que promoveu com grandes empresários e Lula.

Nada contra.

Tornou-se sexóloga por conta própria e da Globo, locomotiva social por conta da junção dos sobrenomes Smith de Vasconcellos e Suplicy e política por conta do peso de Suplicy. Foi uma boa prefeita para a periferia, conforme atestam ainda hoje seus índices de popularidade.

Comprometeu sua carreira política colocando o coração acima dos objetivos políticos — dependendo do ponto de vista, pode até ser um componente humanizador da sua personalidade — mas tratando Eduardo Suplicy, o Bom, com a mesma falta de respeito que dedica, agora, ao governo do qual participou.

Depois, alçou vôo na área federal.

Como Ministra do Turismo mostrou gana, visão estratégica, montando planos estruturantes e conseguindo estimular o setor.

Depois, murchou. Sua passagem pelo Ministério da Cultura foi pífia. Pior: utilizou-a como passaporte para retornar  aos salões.

O primeiro sinal foi a manutenção do abandono dos pontos de cultura e de demais políticas estruturantes do MinC. Alguém se lembra dela — a pessoa que critica a falta de transparência do governo — prestando contas públicas uma vez sequer de sua estratégia à frente do MinC?

O único tema que a sensibilizou foi a iniciativa de direcionar recursos da Lei Rouanet para a moda, atropelando decisão da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, que vetara um projeto de R$ 2,8 milhões do estilista Pedro Lourenço.

Saudada no expressivo blog Chic, de Glorinha Kalil, Marta colocou a Lei Rouanet a serviço de Lourenço, Alexandre Herchcovitch, estilistas conhecidos no exterior, que atuam em nível de mercado.

Para tentar dar consistência a essa escolha, definiu quatro eixos de análise dos projetos de moda: internacionalização, simbolismo, preservação de acervos e formação de novos estilistas ou de outras pessoas ligadas à moda. Os quatro critérios abarcavam tudo, até desfile de moda no Brasil. Pouco público? Sem problema, porque há muita mídia, rebatia a musa dos estilistas.

Em outros momentos, a moda mereceu uma atenção maior das autoridades. Mas sempre foi tema do MDIC (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio) e da Apex (Agência Brasileira de Promoção das Exportações).

Fosse uma gestora menos fútil, Marta teria tratado de procurar seus colegas de Ministério para discutir uma política conjunta de promoção da moda. Aí, sim, lançaria algo estruturante, um projeto de exportação e promoção cultural no qual o componente cultural fosse um adereço. No rastro dos desfiles internacionais, poderia acoplar outros aspectos da cultura brasileira, como a música e a dança.

Mas aí seria abrir mão do prazer indizível de comportar-se como mecenas de rico com dinheiro público.

Agora, dá início ao segundo tempo de reinclusão nas rodas sociais, exercitando o esporte preferido da elite paulistana: pau no governo Dilma e na "falta de transparência".

Outros podem e devem exercitar essa crítica. Marta, não.

Mulher fútil.



Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Sobe para 11 o número de mortos em acidente aéro militar na Espanha

Hospital de Albacete tras el accidente del avión F-16 que dejó 11 muertos y otras trece han resultado heridas.
Foto: EFE
O Ministério da Defesa espanhol disse que o acidente é um dos mais graves sofrido pela OTAN fora de zonas de conflito.

Um dos militares franceses internado no hospital madrilenho de La Paz, François Combourie, morreu nesta terça-feira por causa das graves queimaduras produzidas pelo acidente com o F-16 grego na segunda-feira na base aérea espanhola de Los Llanos, na província Albacete.

O acidente resultou na morte de 11 soldados, dois gregos e nove franceses, e 21 feridos em diferentes graus.

Entre os franceses falecidos "três eram capitães, um tenente e quatro sargentos, enquanto os dois gregos eram os capitães que pilotavam a aeronave", diz o Ministério da Defesa.

O ministro francês da Defesa, Jean Yves Le Drian, e sua homóloga italiana Roberta Pinotti visitaram nesta terça-feira, junto com o ministro espanhol da Defesa Pedro Morenés, a área onde ocorreu o acidente enquanto a OTAN investiga as causas do acidente que ocorreu durante a decolagem.

Cinco dos feridos, quatro franceses e um italiano, permanecem em estado grave.

Em comunicado, a Defesa disse que o acidente ocorreu quando a aeronave durante a decolagem, perdeu força, colidindo com aeronaves que estavam estacionadas e causando uma explosão seguida de um incêndio.

Leia Mais ►

Irã e Rússia descartam dólar e realizarão pagamentos mútuos em moedas nacionais


O embaixador do Irã na Rússia, Mehdi Sanaei, disse hoje que planeja criar uma conta conjunta para realizar pagamentos mútuos nas moedas nacionais dos dois países, rublo e rial.

Mehdi Sanaei sublinhou que as relações entre Moscou e Teerã "estão desenvolvendo-se ativamente" e que "o ano de 2014 foi muito produtivo" para ambas as nações.

Irã e Rússia "criarão um banco comum, ou uma conta conjunta, para que se possa fazer pagamentos em rials e rublos. Foi também acordada a criação de um grupo de trabalho sobre esta questão", disse ele.

Além disso, em 2015 o Irã espera assinar um contrato ou memorando com a União Econômica Euroasiática e a intenção de aproveitar esta oportunidade para suas exportações para a Rússia, afirmou o embaixador.

"Eu acho que nós temos que trabalhar para isso em 2015, para que o Irã tenha certos contatos econômicos com a União Econômica Euroasiática. Estamos trabalhando nisso agora, e o Irã tem a intenção de aproveitar esta oportunidade para as exportações para a Rússia e outros países", disse ele.

De acordo com o diplomata, a plena cooperação entre Irã e Rússia é dificultada pelo alto imposto de importação para produtos iranianos.

No último sábado, o Banco Central do Irã anunciou que deixará de usar o dólar estadunidense em transações internacionais e que os contratos de comércio exterior serão feitos com outras moedas como o yuan, o euro, a lira turca, rublo russo e o won da Coreia do Sul.

No RT
Leia Mais ►

Documentário exibe cenas do Holocausto escondidas desde 1945

Soldado aliado filma em campo de concentração nazista em 1945
Uma pilha com dezenas de corpos esquálidos, retorcidos, atirados num descampado. "Mulheres que são como estátuas de mármore na lama", diz o narrador enquanto imagens de judeus assassinados em campos de extermínio passam pela tela.

Durante 70 anos, essas cenas, registradas por soldados britânicos, soviéticos e americanos na Segunda Guerra, ficaram confinadas por serem "chocantes demais". Lançado no final do ano passado, o documentário inglês "Night Will Fall" (a noite vai cair) recupera a história desses registros.

"A nossa missão era botar todas essas imagens em contexto", contou à Folha, nesta segunda (26), o diretor e antropólogo inglês André Singer, que compilou 12 minutos das cenas originais em seu filme de 75 minutos. O documentário traz depoimentos de judeus sobreviventes e de ex-militares que filmaram as cenas.

Produtor de outro filme sobre genocídio, "O Ato de Matar" (2012), que disseca a ditadura indonésia, Singer soube que o Imperial War Museum, na Inglaterra, restaurava rolos engavetados de imagens feitas por soldados durante a Segunda Guerra.

Em 1945, enquanto as tropas dos Aliados avançavam sobre a Alemanha, o governo britânico incumbiu parte dos seus soldados de registrar imagens de campos de concentração e extermínio de judeus para um documentário que comprovasse os crimes cometidos pelos nazistas.

Membro do Ministério da Informação do Reino Unido, Sidney Bernstein reuniu uma equipe que incluiu o diretor Alfred Hitchcock como supervisor artístico do documentário "German Concentration Camps Factual Survey" (pesquisa factual sobre campos de concentração alemães). Bernstein também incluiu cenas rodadas por tropas americanas e soviéticas em 11 campos.

Engavetado

Nesta terça (27), completam-se 70 anos da libertação, pelo Exército Vermelho, de Auschwitz, rede de campos de concentração nazistas no sul da Polônia. O local, onde estima-se que mais de 1 milhão de judeus foram assassinados, também aparece no documentário.

Atrás dos arames farpados do campo de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha, crianças judias espreitam com um misto de esperança e desconfiança a chegada dos Aliados. Algumas delas foram reencontradas por Singer. "Para nós, os soldados ingleses pareciam deuses", diz uma das sobreviventes, já idosa.

Guilherme Genestreti



Leia Mais ►

No Dia da Memória, Auschwitz lembra a crueldade nazista

Canto da Memória
Há 15 anos, o dia 27 de janeiro foi declarado o “Dia da Memória das Vítimas do Holocausto” para lembrar as vítimas dos campos de concentração



Há 70 anos, maior campo de concentração foi libertado. O arame farpado corre em volta do recinto e é interrompido por uma rampa abandonada, de onde se vê uma ferrovia que leva para dentro do local desolado, do terrível legado que se tornou o símbolo absoluto e mais potente do holocausto. No campo de concentração de Auschwitz, a 60 quilômetros de Cracóvia, só a neve camufla a dor, quase interrupta, de quem entrou ali. E ainda é possível ouvir de longe o barulho ensurdecedor do sino que toca no local. Como há 70 anos, quando no dia 27 de janeiro de 1945 as tropas soviéticas chegaram na cidade polonesa e liberaram aqueles que ainda estavam vivos — apenas sete mil dos quatro milhões de prisioneiros — apareceu a maior e mais triste face do nazismo.

Há 15 anos, o dia 27 de janeiro foi declarado o “Dia da Memória das Vítimas do Holocausto” para lembrar as vítimas dos campos de concentração. E em 2015, para lembrar os 70 anos dessa libertação, o presidente da Polônia, Bronislaw Komorowski, delegações e representantes dos principais países europeus irão participar de uma celebração oficial em frente à “Porta da Morte” de Auschwitz. Após o encontro, haverá uma homenagem às vítimas em frente ao memorial do bloco 21.


As cerimônias serão transmitidas para todo o mundo e envolverão entidades, instituições e escolas para mostrar o horror do holocausto, sobretudo, para as nove gerações pós-guerra. Além disso, a ideia é recordar e dar testemunho ao mundo do quanto a memória e a consciência do extermínio servem de base para lutar contra todas as formas de discriminação e de racismo.


Além da Polônia, diversas manifestações, mostras, projeções e debates estão programados para várias regiões do mundo. Recordar o horror para não repeti-lo.
 Visitar os principais campos de concentração da Polônia — Auschwitz e Birkenau, os mais documentados, e Chelmno e Bèlzec — é um momento para participar de maneira envolvente e emocionante das comemorações de hoje. Todos os anos, mais de um milhão de pessoas passam pelas cancelas do campo de Auschwitz e, fazer isso neste ano, tem um significado ainda maior.


Muitas são as empresas e associações especializadas que organizam viagens guiadas à Polônia para que as pessoas conheçam a realidade daquela guerra. A partida, geralmente, é de Cracóvia onde uma passagem obrigatória é entrar no bairro judaico de Kazimierz e também o Museu de Memória Judaica. É possível também fazer a visita sozinho, com ônibus e trens que levam até a cidade, diretamente para o centro do campo de concentração.

Na compra do ingresso, há também um carro que leva os visitantes, gratuitamente, de Auschwitz para o campo de Birkenau (conhecido como Auschwitz 2), situado a apenas quatro quilômetros.
 Na realidade, o principal campo de concentração nazista é resultado da união de outros três locais com a mesma função: Auschwitz 1, Birkenau (Brzezinka, em polonês) e Monowitz (Monowice) — além de outros pequenos campos.

Ao todo, o complexo englobava 45 quilômetros quadrados de torturas. Se o campo principal era para prender, sendo ativado em 1940, Birkenau era só para o extermínio. Ali, perderam a vida mais de 1,1 milhão de pessoas entre judeus, poloneses, prisioneiros de guerra, homossexuais, opositores políticos e ciganos de toda a Europa.


Ao chegar no local, o visitante poderá ver uma exposição contemporânea, uma livraria com muitos documentos da época, diversas celas originais e uma câmara de gás. Além disso, é possível conhecer a enfermaria, as barracas, a rampa onde chegava o trem com os prisioneiros e as fossas comuns. Subindo na torre da guarda, é possível ver a vastidão do campo.
 A entrada é gratuita e o visitante só paga se quiser participar de uma visita guiada. Para mais informações sobre o local, é só acessar o site www.70.auschwitz.org.

Ansa
No Brasileiros
Leia Mais ►

ContextoLivre alcança 6 milhões de acessos

Obrigado!


Leia Mais ►

Fidel Castro: Para mis compañeros de la Federación Estudiantil Universitaria

Fidel en la Universidad de La Habana, 3 de septiembre de 2010.
Foto: Ismael Francisco
Queridos compañeros:

Desde el año 2006, por cuestiones de salud incompatibles con el tiempo y el esfuerzo necesario para cumplir un deber — que me impuse a mí mismo cuando ingresé en esta Universidad el 4 de septiembre de 1945, hace 70 años —, renuncié a mis cargos.

No era hijo de obrero, ni carente de recursos materiales y sociales para una existencia relativamente cómoda; puedo decir que escapé milagrosamente de la riqueza. Muchos años después, el norteamericano más rico y sin duda muy capaz, con casi 100 mil millones de dólares, declaró ― según publicó una agencia de noticias el pasado jueves 22 de enero —, que el sistema de producción y distribución privilegiada de las riquezas convertiría de generación en generación a los pobres en ricos.

Desde los tiempos de la antigua Grecia, durante casi 3 mil años, los griegos, sin ir más lejos, fueron brillantes en casi todas las actividades: física, matemática, filosofía, arquitectura, arte, ciencia, política, astronomía y otras ramas del conocimiento humano. Grecia, sin embargo, era un territorio de esclavos que realizaban los más duros trabajos en campos y ciudades, mientras una oligarquía se dedicaba a escribir y filosofar. La primera utopía fue escrita precisamente por ellos.

Observen bien las realidades de este conocido, globalizado y muy mal repartido planeta Tierra, donde se conoce cada recurso vital depositado en virtud de factores históricos: algunos con mucho menos de los que necesitan; otros, con tantos que no hayan que hacer con ellos. En medio ahora de grandes amenazas y peligros de guerras reina el caos en la distribución de los recursos financieros y en el reparto de la producción social. La población del mundo ha crecido, entre los años 1800 y 2015, de mil millones a siete mil millones de habitantes. ¿Podrán resolverse de esta forma el incremento de la población en los próximos 100 años y las necesidades de alimento, salud, agua y vivienda que tendrá la población mundial cualquiera que fuesen los avances de la ciencia?


Bien, pero dejando a un lado estos enigmáticos problemas, admira pensar que la Universidad de La Habana, en los días en que yo ingresé a esta querida y prestigiosa institución, hace casi tres cuartos de siglo, era la única que había en Cuba.

Por cierto, compañeros estudiantes y profesores, debemos recordar que no se trata de una, sino que contamos hoy con más de cincuenta centros de Educación Superior repartidos en todo el país.

Cuando me invitaron ustedes a participar en el lanzamiento de la jornada por el 70 aniversario de mi ingreso a la Universidad, lo que supe sorpresivamente, y en días muy atareados por diversos temas en los que tal vez pueda ser todavía relativamente útil, decidí descansar dedicándole algunas horas al recuerdo de aquellos años.

Me abruma descubrir que han pasado 70 años. En realidad, compañeros y compañeras, si matriculara de nuevo a esa edad como algunos me preguntan, le respondería sin vacilar que sería en una carrera científica. Al graduarme, diría como Guayasamín: déjenme una lucecita encendida.

En aquellos años, influido ya por Marx, logré comprender más y mejor el extraño y complejo mundo en que a todos nos ha correspondido vivir. Pude prescindir de las ilusiones burguesas, cuyos tentáculos lograron enredar a muchos estudiantes cuando menos experiencia y más ardor poseían. El tema sería largo e interminable.

Otro genio de la acción revolucionaria, fundador del Partido Comunista, fue Lenin. Por eso no vacilé un segundo cuando en el juicio del Moncada, donde me permitieron asistir, aunque una sola vez, declaré ante jueces y decenas de altos oficiales batistianos que éramos lectores de Lenin.

De Mao Zedong no hablamos porque todavía no había concluido la Revolución Socialista en China, inspirada en idénticos propósitos.

Advierto, sin embargo, que las ideas revolucionarias han de estar siempre en guardia a medida que la humanidad multiplique sus conocimientos.

La naturaleza nos enseña que pueden haber transcurrido decenas de miles de millones de años luz y la vida en cualquiera de sus manifestaciones está siempre sujeta a las más increíbles combinaciones de materia y radiaciones.

El saludo personal de los Presidentes de Cuba y Estados Unidos se produjo en el funeral de Nelson Mandela, insigne y ejemplar combatiente contra el Apartheid, quien tenía amistad con Obama.

Baste señalar que ya en esa fecha, habían trascurrido varios años desde que las tropas cubanas derrotaran de forma aplastante al ejército racista de Sudáfrica, dirigido por una burguesía rica y con enormes recursos económicos. Es la historia de una contienda que está por escribirse. Sudáfrica, el gobierno con más recursos financieros de ese continente, poseía armas nucleares suministradas por el Estado racista de Israel, en virtud de un acuerdo entre este y el presidente Ronald Reagan, quien lo autorizó a entregar los dispositivos para el uso de tales armas con las cuales golpear a las fuerzas cubanas y angolanas que defendían a la República Popular de Angola contra la ocupación de ese país por los racistas. De ese modo se excluía toda negociación de paz mientras Angola era atacada por las fuerzas del Apartheid con el ejército más entrenado y equipado del continente africano.

En tal situación no había posibilidad alguna de una solución pacífica. Los incesantes esfuerzos por liquidar a la República Popular de Angola para desangrarla sistemáticamente con el poder de aquel bien entrenado y equipado ejército, fue lo que determinó la decisión cubana de asestar un golpe contundente contra los racistas en Cuito Cuanavale, antigua base de la OTAN, que Sudáfrica trataba de ocupar a toda costa.

Aquel prepotente país fue obligado a negociar un acuerdo de paz que puso fin a la ocupación militar de Angola y el fin del Apartheid en África.

El continente africano quedó libre de armas nucleares. Cuba tuvo que enfrentar, por segunda vez, el riesgo de un ataque nuclear.

Las tropas internacionalistas cubanas se retiraron con honor de África. Sobrevino entonces el Periodo Especial en tiempo de paz, que ha durado ya más de 20 años sin levantar bandera blanca, algo que no hicimos ni haremos jamás.

Muchos amigos de Cuba conocen la ejemplar conducta de nuestro pueblo, y a ellos les explico mi posición esencial en breves palabras.

No confío en la política de Estados Unidos ni he intercambiado una palabra con ellos, sin que esto signifique, ni mucho menos, un rechazo a una solución pacífica de los conflictos o peligros de guerra. Defender la paz es un deber de todos. Cualquier solución pacífica y negociada a los problemas entre Estados Unidos y los pueblos o cualquier pueblo de América Latina, que no implique la fuerza o el empleo de la fuerza, deberá ser tratada de acuerdo a los principios y normas internacionales. Defenderemos siempre la cooperación y la amistad con todos los pueblos del mundo y entre ellos los de nuestros adversarios políticos. Es lo que estamos reclamando para todos.

El Presidente de Cuba ha dado los pasos pertinentes de acuerdo a sus prerrogativas y las facultades que le conceden la Asamblea Nacional y el Partido Comunista de Cuba.

Los graves peligros que amenazan hoy a la humanidad tendrían que ceder paso a normas que fuesen compatibles con la dignidad humana. De tales derechos no está excluido ningún país.

Con este espíritu he luchado y continuaré luchando hasta el último aliento.


Fidel Castro Ruz
Enero 26 de 2015
12 y 35 p.m.
Leia Mais ►

O ministro do esporte e o delegado camarada

Entenda por que o processo contra o ministro George Hilton, flagrado com caixas de dinheiro em 2005, não avançou no STF. Para o Ministério Público, o policial responsável pelo caso, Domingos Pereira, praticou uma "condenável camaradagem"

RISO JUSTIFICÁVEL
O ministro do Esporte, George Hilton, escapou incólume do
processo no STF graças à ação do delegado Domingos Pereira (abaixo),
que não contou o dinheiro apreendido e nem sequer registrou ocorrência

MINISTERIO-02-IE.jpg

O novo ministro do Esporte, George Hilton, chegou ao primeiro escalão de Dilma Rousseff debaixo de uma enxurrada de críticas. O fato de ele não ser familiarizado com a área que passou a comandar — o que ele mesmo admitiu em recente entrevista — foi a razão de uma das ressalvas feitas ao seu nome. A outra decorre de seu passado marcado por atitudes, no mínimo, questionáveis. Em 2005, Hilton desembarcou de um jato particular no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, transportando 11 caixas de dinheiro. Detido pela polícia de Minas Gerais, o então deputado pelo PFL escapou ileso do episódio, depois que o inquérito aberto contra ele foi arquivado no Supremo Tribunal Federal. Esse é o principal argumento usado pelo novo integrante do Ministério de Dilma quando sua conduta ética é posta em xeque. Entretanto, o ministro omite que por trás da decisão do STF de livrá-lo da punição há uma teia de manobras e tráfico de influência que inviabilizaram a apuração do caso pelo Ministério Público Federal. O insucesso da investigação envolvendo George Hilton e suas caixas de dinheiro teve um personagem decisivo: o delegado federal Domingos Pereira Reis. Primeira autoridade a ser informada sobre o flagrante ocorrido no Aeroporto da Pampulha, o delegado Pereira foi bastante camarada com George Hilton.

graf1.jpg
Documento da Procuradoria-Geral da República

A conduta do delegado é detalhadamente explicada em três depoimentos que constam na ação analisada pelo STF. Em um deles, o agente de plantão conta que, ao ser informado por telefone sobre a apreensão das caixas, Pereira mandou o oficial liberar George Hilton sem contar o dinheiro e sem sequer registrar a ocorrência. O mais grave: segundo outra testemunha, o delegado se comunicou com o então deputado estadual por telefone e avisou que o caso estava resolvido. O único registro teria sido feito no livro da polícia, que apenas cita exemplos do que é declarado pelos passageiros. Hilton disse transportar R$ 600 mil e afirmou que o dinheiro pertencia à igreja da qual era pastor. Depois disso, deixou a delegacia sem constrangimentos. O episódio gerou um inquérito na Justiça Federal de Minas, mas ficou paralisado por dois anos. Somente em 2007, quando o atual ministro tornou-se deputado federal e o processo chegou ao STF, a ação foi finalmente analisada.

Ao estudar a fundo o processo, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, concluiu que a atuação do delegado em favor de George Hilton invalidou qualquer possibilidade de apuração, tornando impossível o registro e o recolhimento de provas. Segundo o procurador, a falta de registros e a liberação do interceptado sem depoimentos ou quaisquer explicações formais impediram o trabalho do MP e da polícia em busca de respostas para a origem do dinheiro e o real valor transportado. Por isso, não houve como avançar nas investigações e o processo foi arquivado. Antonio Fernando de Souza solicitou, no entanto, que a conduta do delegado federal fosse apurada em um processo paralelo e conseguiu dar novo fôlego às apurações.

Atendendo à orientação da PGR, o Ministério Público de Minas Gerais acusou Domingos Pereira de “falta de interesse de agir” no desempenho de sua função pública. Investigado, passou três anos respondendo a um inquérito e tentando explicar o porquê de ter livrado o deputado. Segundo os procuradores, Pereira não conseguiu convencer o MP sobre a legalidade da sua conduta e tampouco encontrou amparo legal para justificar a omissão. Por isso, o MP o acusa de uma sequência de atos que figuram a condenável “camaradagem entre um agente público e um político”. O caso rendeu desgastes em série para Domingos Pereira. Além de perder o cargo, ficou anos sem desfrutar de qualquer prestígio na polícia, sendo criticado internamente por colegas e subordinados. Em 2009, ele solicitou aposentadoria. 

Segundo um dos procuradores ouvidos por IstoÉ, houve pressão política para que o processo contra o delegado não tivesse um desfecho. O próprio deputado e atual ministro do Esporte, George Hilton, chegou a telefonar pessoalmente para duas testemunhas de acusação, convencendo-as a desistir de depor. O delegado Domingos Pereira, por sua vez, negou por oito vezes o envio aos procuradores das cópias do registro de ocorrência que teria mandado fazer, e George Hilton ignorou três intimações para depor. Sem sucesso nas investidas em busca de provas e depoimentos, o Ministério Público recorreu à Justiça Federal mineira pedindo que juízes obrigassem as pessoas a testemunharem no processo, inclusive o próprio ministro George Hilton. Inexplicavelmente, o TRF decidiu não interferir e o processo contra o delegado se arrastou por anos, chegando a ser arquivado e desarquivado por duas ocasiões. Em 2012, o MP finalmente desistiu do caso por falta de condições de atuar e produzir as provas. Foi a segunda vitória do atual ministro do Esporte para conseguir safar-se ileso das suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro e tráfico de influência. O episódio, porém, continua envolto em mistério.

graf2.jpg

Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress; Alex de Jesus/O Tempo
Izabelle Torres
No IstoÉ
Leia Mais ►

Modos de dizer

A delação premiada é, por si mesma, de discutível e discutida moralidade, não precisa de acréscimos factuais que a façam ainda mais questionável. A autodenominada "força-tarefa Lava Jato" traz, porém, outro adendo aos motivos de críticas à delação premiada e seus efeitos não judiciais, como os vazamentos e as duvidosas acusações que escapam do "segredo de Justiça", as pressões apontadas por advogados, e outros.

O acréscimo se encontra em uma nota da "força-tarefa" com a intenção de negar que o "doleiro Alberto Youssef pode ganhar R$ 10 milhões se ajudar a recuperar R$ 500 milhões desviados da Petrobras", notícia assinada na Folha por Mario Cesar Carvalho e Gabriela Terenzi, com base em informações do advogado Antonio Figueiredo Basto, defensor de Youssef.

A nota é taxativa: "Não existe qualquer cláusula de pagamento pela União de recompensa para o acusado". E critica os repórteres por não lerem ou não terem entendido o acordo da delação premiada. Mas, por pouco interesse em bem informar ou com propósito não explicitado, deixa de incluir, em seus "esclarecimentos a omissões significativas nas reportagens", a informação decisiva.

Essa informação está em entrevista do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima para negar a existência da "cláusula de recompensa" referida por Figueiredo Basto. No texto do "Globo": em lugar de recompensa, "segundo o procurador, o acordo de delação premiada prevê o abatimento do valor da multa que ele [Alberto Youssef] terá que pagar no fim do processo, ainda a ser definida". Segue-se a explicação pormenorizada, pelo procurador, dos critérios de aplicação e abatimento da multa.

Carlos Fernando dos Santos Lima é integrante da Lava Jato e praticante daquela linha-duríssima que se confunde, frequentemente, com arbitrariedade (hábito comum, quase característica, em procuradores da República). Não considera que haja recompensa a Youssef. Mas o que diz e a nota escamoteia é só um outro modo de dizer o essencial da notícia contestada: os valores de multa devida pelo delator premiado serão propriedade da União, e qualquer parte que lhes seja retirada para pagamento a Youssef, ou a outros, consistirá em remuneração com dinheiro da União.

Restam duas questões. Os procuradores e juízes que negociam delações premiadas podem ceder direitos financeiros da União (multas) e da Petrobras (devoluções)? Não é tempo de acabar com meias informações e liberar notas e documentos que proporcionem ao país clareza sobre os métodos e o teor das negociações entre Ministério Público e Judiciário, de um lado, e acusados, de outro?

Já que o tema é retribuição, em agradecimento à força-tarefa pelo ensinamento de jornalismo com que encerra sua nota, vai uma sugestão para notas futuras: em vez de "sem prejuízo do perdimento de bens e valores", pode escrever "sem prejuízo da perda" que a Língua Portuguesa agradecerá.

A Mudança

Em sua participação final no Fórum de Davos, Joaquim Levy disse, sobre a nova política econômica, que "nós decidimos mudar". A imprecisão deliberada desse plural não disfarça a inverdade, caso expresse o país, como interpretado por parte do noticiário, nem a presunção do autor, se referida à decisão governamental.

O país não decidiu mudar. A maioria do eleitorado não apenas votou pela continuidade: rejeitou a política econômica proposta por Aécio e agora adotada por Dilma.

Quem decidiu mudar foi Dilma Rousseff, e decidiu sozinha, em uma extravagância de poder contra a vontade das urnas. Espera-se que não volte a falar em plebiscito ou em qualquer consulta à vontade pública.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Sérgio Porto # 118


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►

Essa é do Barão... 176


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►

“A prisão preventiva tem sido usada para obter delações. Isso é absolutamente inconstitucional”


Para advogado e professor da PUC-SP, Pedro Serrano, instituto da delação premiada tem sido mal utilizado na Operação Lava Jato. “As pessoas não estão colaborando por vontade espontânea, mas para evitar a continuidade da prisão preventiva”, acredita

As delações premiadas da Operação Lava Jato voltaram a ser notícia na última sexta-feira (24). Reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmavam que o doleiro Alberto Youssef teria direito a receber, como taxa de sucesso, 2% de todo os recursos desviados de contratos públicos que ajudasse a recuperar. Hoje (26), o Ministério Público Federal do Paraná emitiu uma nota para desmentir as matérias.

De acordo com o MPF-PR, “não existe qualquer cláusula de pagamento pela União de recompensa para o acusado Alberto Youssef”, que perderia, “a título de ressarcimento e multa compensatória, todos os seus bens e valores adquiridos após o ano de 2003, que são estimados em mais de R$ 50 milhões”. A nota diz ainda que “o acordo apenas prevê o abatimento do valor da multa, limitado ao valor de um de seus imóveis, na proporção de dois por cento dos valores e bens que o acusado vier a auxiliar com exclusividade na localização”. O valor apurado será entregue em proporções iguais para as filhas do doleiro.

“Parece adequado diminuir o valor da multa como é adequado reduzir outros tipos de sanções. O que é estranho é haver um percentual dos valores indicados”, analisa Pedro Estevam Serrano, advogado e professor de Direito Constitucional da PUC-SP. “De qualquer forma, isso não pode incidir sobre o que ele vai ter que pagar no campo cível por ser coautor de atos de improbidade. São sanções diferentes, a sanção penal não pode se confundir com as sanções civis, seria importante que o acordo de delação fizesse uma observação específica a respeito”, acredita.

No entanto, para o jurista — que ressalta não ter conhecimento do processo, mas sim dos fatos veiculados pela mídia — um dos problemas da Operação Lava Jato seria a forma como teriam sido fechados os acordos. “A delação premiada tem sido mal executada porque ela não tem sido produto, ao que parece, da vontade espontânea dos réus, mas de uma grave pressão, que é a prisão preventiva das pessoas”, explica. “A prisão preventiva tem sido usada para obter delações. Isso é absolutamente inconstitucional porque ofende um parágrafo do artigo 5º da Constituição que determina que não pode haver tratamento degradante.”

Esse tipo de conduta poderia implicar ainda em outras complicações para as investigações. “Prender uma pessoa com a finalidade real de obter uma delação é um desvio de finalidade da prisão preventiva e um tratamento degradante, está se obtendo a delação por coação, e isso contamina a sua legalidade”, acredita Serrano. “A impressão que dá — e pode ser uma impressão só minha — é que o delator não está preocupado em falar a verdade, mas sim algo que satisfaça o ímpeto acusatório dos investigadores para que possa sair da prisão preventiva. É a hipótese se sobrepondo ao fato”, avalia.

Glauco Faria
No Fórum
Leia Mais ►