26 de jan de 2015

Jornalista alemão: "Mentimos para convencer da necessidade de guerra contra Rússia"

Udo Ulfkotte
O jornalista e ex-assessor do Governo Federal da Alemanha, Udo Ulfkotte revelou seu envolvimento no chamado "jornalismo negro", confessando que teve que mentir repetidamente. O destacado jornalista expõe a campanha anti-russa na imprensa ocidental.

"Ele mentiu, traiu, recebendo propina e escondendo a verdade do público", diz o jornalista em seu livro "Gekaufte Journalisten" ("Os jornalistas comprados"), enfatizando que "o que eu estava fazendo não era jornalismo, mas propaganda". Para Ulfkotte, o auge da campanha anti-russa na imprensa ocidental, começou há um ano, sob a liderança da CIA, conforme registrado pelo portal Sputnikbig.

Em sua opinião, a cobertura da mídia ocidental dos eventos na Ucrânia é um exemplo claro de manipulação da opinião pública. "É nojento!", Diz Udo. "Se observarmos de fora o trabalho das redações dos principais meios de comunicação, como 'Frankfurter Rundschau', 'Der Spiegel', dá a sensação de que os editores e jornalistas são insensíveis ao som com capacetes virtuais repetido incessantemente "A guerra contra a Rússia! A guerra contra a Rússia!".

Ulfkotte não tem nenhuma dúvida de que, sob a orientação dos serviços especiais o "Der Spiegel" publicou que o Boeing malaio foi abatido sobre a Ucrânia por um míssil russo sem apresentar qualquer prova. Lembrem-se de que esta desinformação era um pretexto para a imposição de sanções ocidentais contra a Rússia, que de fato, "era uma declaração de guerra econômica em grande escala, que depois foi suplementado com preços artificialmente baixos do petróleo e uma depreciação orquestrada do rublo".

O principal objetivo do livro é a explicação para o fato de que "os jornalistas mentiram para seus leitores para convencê-los da necessidade de guerra contra a Rússia." Udo diz estar farto desse nível de manipulação que próprio de "república das bananas". O jornalista denunica que todas as notícias de televisão e os principais jornais e revistas que fomentam a opinião no Ocidente, estão sendo manipulados e distorcidos pelos Estados Unidos.

No RT
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Ações da Sabesp despencam, mídia fica quietinha


Impressionam, como sempre — apesar de nada mudar nesse campo!!! — os dois pesos e duas medidas da nossa velha mídia. Quando se trata de queda das ações da Petrobras, manchetes, o foguetório e a torcida contra a estatal que já conhecemos… Mas, quando é a vez da SABESP, uma discrição total e absoluta. Nesse último caso o silêncio é ensurdecedor!

Hoje, porém, no Valor, o assunto teve de vir à tona. Na 6ª feira passada, a desvalorização das ações na estatal paulista chegou a 12%, representando a maior queda em um único dia, desde outubro de 2008. Foi também a maior baixa do Ibovespa naquele dia. Manchete de 1ª página de todos os jornalões, como fazem com a queda das ações da Petrobras? Nenhuma.

Para vocês terem uma ideia de a quantas andam as ações da SABESP, em um ano elas caíram 42% e apenas nos primeiros 23 dias deste janeiro desvalorizaram 21%. A situação, definitivamente, não está para peixe na empresa mista de abastecimento de água do Estado, que os governos tucanos privatizaram parcialmente disponibilizando suas ações em bolsa.

Outra empresa que está sofrendo desvalorização é a COPASA de Minas que registrou perda de 15%, após o alerta mais do que necessário do governo Fernando Pimentel sobre a necessidade do racionamento a partir de abril. Postura transparente, clara para com a população mineira, aliás, completamente oposta ao que vemos em São Paulo.

Como anunciaram os dirigentes da estatal mineira de água, na última semana (leiam mais), o Reservatório Serra Azul está operando com cerca de 5% já no volume morto. Obra e mérito de 12 anos de tucanato no poder em Minas, ao longo dos governos Aécio Neves (2002-2010) e Antônio Anastasia (2011-2014).

Mas, parece não ser muito importante para a nossa mídia aquilo que os governos tucanos deixaram de fazer em Minas ou em São Paulo, tampouco a queda das ações que são fruto direto da inoperância e má gestão deles. O que importa para a nossa mídia são as ações da Petrobras e, se possível, alastrar o pânico geral para que elas caiam um pouco mais.

No Blog do Zé
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Força-Tarefa Lavajato: Nota à imprensa


Esclarecimentos sobre acordo de colaboração premiada de Alberto Youssef celebrado pelo MPF e homologado pelo STF

Em relação a omissões significativas nas reportagens “Doleiro pode levar R$ 10 mi se ajudar a recuperar desvios da Petrobras”, publicada pelo jornal Folha de São Paulo em 24 de janeiro de 2015, e “Youssef pode recuperar até R$ 20 milhões com delação premiada” publicada pelo jornal O Globo em 24 de janeiro de 2015, a Força Tarefa Lavajato tem a esclarecer:

1. No acordo de colaboração premiada, celebrado pelo Ministério Público Federal e homologado pelo Supremo Tribunal Federal, não existe qualquer cláusula de pagamento pela União de recompensa para o acusado Alberto Youssef;

2. O acusado Alberto Youssef, pelo acordo, perde, a título de ressarcimento e multa compensatória, todos os seus bens e valores adquiridos após o ano de 2003, que são estimados em mais de R$ 50 milhões;

3. Caso haja a descoberta de novos bens ou valores sonegados pelo acusado Alberto Youssef, o acordo poderá ser rompido por descumprimento de seus termos, sem prejuízo do perdimento dos bens ou valores;

4. O acordo apenas prevê o abatimento do valor da multa, limitado ao valor de um de seus imóveis, na proporção de dois por cento dos valores e bens que o acusado vier a auxiliar com exclusividade na localização;

5. O abatimento será limitado ao valor de um de seus imóveis, que será avaliado/leiloado ao final da colaboração;

6. O valor apurado será abatido do valor do imóvel, e não retornará ao doleiro Alberto Youssef, mas será entregue em proporções iguais para suas filhas;

7. Os valores mencionados em ambas as reportagens, portanto, além de inconsistentes entre si, não possuem qualquer fundamento nas cláusulas do acordo de colaboração;

8. Esse tipo de acordo é absolutamente legal, pois não se trata de ‘recompensa’, mas de determinação futura do valor da multa a ser paga, e atende o interesse público na busca do ressarcimento máximo do patrimônio do povo brasileiro.

A omissão de todos esses aspectos relevantes nas referidas reportagens, talvez fruto da não leitura dos termos do acordo, ou da sua incompreensão, poderia ter sido esclarecida com o contato do órgão de imprensa com a Força-Tarefa Lavajato.

O Ministério Público Federal reconhece o papel essencial que uma imprensa livre desempenha numa sociedade democrática em transmitir informações corretas à população. Assim, esse esclarecimento se faz necessário para que a população tome conhecimento da integralidade dos fatos – como eles realmente se deram, como prova uma leitura atenta do acordo de colaboração – e saiba que o esforço do Ministério Público Federal é o de maximizar o interesse público na condenação de todos os envolvidos e no ressarcimento de todos os prejuízos.

Procuradoria da República no Paraná
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Surreal — Fábio Barbosa fala de ética


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William Bonner promete “imparcialidade” logo após mentir para proteger PSDB


A edição do Jornal Nacional da última sexta-feira (23) começou tratando da crise hídrica em SP. Como sempre, tratou-se de uma reportagem absolutamente despolitizada que tentou dividir entre governo Federal e governo paulista a responsabilidade pela calamitosa situação do abastecimento de água no Estado mais rico do país.



Em seguida, outra reportagem tenta equiparar a situação paulista com a de Minas Gerais, que, apesar de estar sofrendo com falta de água em algumas cidades, não tem um desastre urbano em sua metrópole, Belo Horizonte, como tem a capital paulista, onde milhões ficam sem água quase todo dia.



A terceira reportagem sobre a seca no país tenta colocar também o Rio de Janeiro no mesmo barco paulista falando sobre redução no nível do maior reservatório fluminense. A reportagem sobre a seca no Rio, tal qual a da seca em SP, não explica ao expectador que não há termo de comparação com SP.



Mas é na quarta reportagem que a Globo vai mais longe. A matéria versa sobre notícia do jornal Valor econômico que diz que se o governo federal tivesse construído usinas previstas em 2006 não estaria havendo um problema de geração de energia elétrica que só se constata na mídia, já que o que vem sofrendo racionamento não é a energia, é a água.



A matéria do JN recorre a um dos famigerados “especialistas” da Globo para dizer “onde foi que o governo Dilma errou” e qual sua responsabilidade por uma situação energética que, ao menos até aqui, não causou nenhum transtorno à população, já que blecautes episódicos de poucos minutos ou horas acontecem em qualquer lugar do mundo por acidentes em linhas de transmissão.

Entram os comerciais. Eis que em um dos spots comemorativos aos 50 anos da Globo — fundada em 1965 com ajuda da ditadura militar para que esta tivesse uma grande tevê para ludibriar os brasileiros — mostra um William Bonner, com ares de satisfação, prometendo “imparcialidade” aos telespectadores.



Faltou a propaganda dizer quando a Globo começará a fornecer essa “imparcialidade” aos telespectadores.

Senão, vejamos: a mesma edição do JN que versou sobre suposta “responsabilidade” do governo federal em uma crise energética que, até aqui, simplesmente não existe, para ser imparcial não deveria versar, também, sobre as responsabilidades do governo Alckmin sobre o racionamento que já está sendo aplicado em São Paulo sem aviso oficial?

Como se sabe, em 2004 o governo paulista comprometeu-se com a Agência Nacional de Águas a construir um novo aquífero, já que os então existentes — incluso o Cantareira — já eram considerados insuficientes pelos técnicos. Por que o “imparcial” JN não deu essa informação ao seu público?

A resposta é simples: a tão alardeada “imparcialidade” da Globo — alardeada pela própria Globo, é claro — é idêntica ao volume de água do Cantareira: a cada dia fica menor. Para fazer um trocadilho infame, poder-se-ia dizer que a emissora já está usando o “volume morto” de sua imaginária “imparcialidade”.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Incompetência tucana obriga população a mudar hábitos em SP


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Vazamento seletivo das operações da PF tem três objetivos. Nenhum a favor do país

A divulgação pela mídia corporativa de dados de investigações da Polícia Federal protegidos por sigilo, por determinação da Justiça, tem três objetivos, um claro e dois escondidos.

O claro é fustigar o governo até o limite da exaustão, buscando o maior lucro possível, que é seu enfraquecimento até o ponto de um possível impeachment.

Os outros dois são:

Dar aviso aos corruptos para que limpem suas contas.

Temos vários exemplos sobre isso, e o caso do diretor da Petrobras Cerveró é apenas mais um.

Corrupto ou não, culpado ou não, ele correu ao cartório em setembro do ano passado, assim que seu nome entrou na berlinda, como mostra esta nota da coluna do Ancelmo, de O Globo, de 21 de setembro de 2014.
O ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró esteve terça-feira, dia 16, no cartório do 14º Ofício, em Ipanema, no Rio, com direito a uma sala reservada.
O último objetivo é, depois de esgotado todo o fustigamento ao governo, dar a porta de saída a seus pares, anulando toda a investigação, POR CAUSA DOS VAZAMENTOS ILEGAIS, como aconteceu na Satiagraha e na Castelo de Areia.

Anotem ai: a operação Lava Jato vai ser anulada e todos os acusados vão ficar impunes, porque o objetivo de todo esse processo não é melhorar o país, mas apenas ajustar o governo às demandas do capital.

No Blog do Mello
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Google fornece informações confidenciais ao FBI

De acordo com documentos divulgados pelo jornal britânico "The Guardian", há quase três anos o Google entregou o conteúdo de e-mails e outras informações privadas de vários membros do WikiLeaks do governo dos EUA.

O Google recebeu três ordens judiciais, emitidas em março de 2012, por um juiz federal em que pedia ao monopólio da internet a entrega, até abril do mesmo ano, de todas as informações disponíveis sobre três jornalistas proeminentes do WikiLeaks.

Estes jornalistas são Joseph Farrell, que trabalha com Assange na Embaixada do Equador em Londres, onde o australiano de TI está refugiado desde junho de 2012, a diretora de pesquisa Sarah Harrison e porta-voz Kristinn Hfransson.

O Google informou a estas três pessoas que havia entregue suas suas informações, tais como: listas de contatos, conteúdos enviados e mensagens e apagado os dados de computadores no final de dezembro do ano passado, sob o argumento de que eles tinham sido sujeitos a uma ordem de mordaça.

O WikiLeaks acredita que a emissão dessa ordem é parte da pesquisa que o FBI faz sobre a divulgação de telegramas do governo, que os EUA acusam Assange de espionagem.

O Google entregou as informações sem nenhum questionamento, o que resulta em um precedente perigoso e em um ato prejudicial ao jornalismo e a outros usuários da multinacional.

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Documentário — Por que pobreza? 1/8


Documentário busca as raízes da pobreza em vários momentos da história humana, como a conquista e a pilhagem das Américas, a escravidão e sabotagem às economias africanas, passando pela revolução industrial, a Guerra de Canudos, o imperialismo europeu e o nascimento do terceiro mundo, até chegar em nossa era, que vive um momento crítico, onde os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, mas também mostrando alguns casos de países que estão diminuindo a pobreza, como o Brasil.

A educação vai ajudá-lo a sair da pobreza?

A China inventou o exame. Neste país, a educação é vista como uma forma de sair da pobreza. Mas o sistema chinês marginaliza justamente aqueles que mais precisam de educação — os filhos de camponeses pobres. Muitos deles, ludibriados, ingressam em faculdades particulares de baixo padrão e recebem diplomas sem valor. Eles formam a "Tribo das formigas" — dois milhões de graduados e desempregados a cada ano. O destino dessa geração de jovens é agora reconhecido como um dos maiores problemas sociais da China, e o filme de Weijun nos dá uma visão singular dessa problemática sob a ótica chinesa.

Director: Weijun Chen
Producer: Don Edkins
Produced by: Steps International


Assista também os outros episódios: 2/83/84/85/86/87/88/8
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Crise hídrica e as manobras da mídia

Quando o assunto é confundir a população sobre a responsabilidade que cada instância de poder possui, manipulando a opinião pública sobre o governo, a grande mídia tem um largo histórico de “contribuições”. Em mais uma demonstração de descompromisso com a verdade, o jornal O Globo estampou uma charge de autoria de Chico Caruso, com a imagem de Dilma posicionada de quatro em um reservatório seco, retirando a responsabilidade da crise dos estados e municípios.

Tamanho o esforço da grande mídia e do PSDB em blindar a candidatura do reeleito governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e retirar de suas costas a responsabilidade da má administração e, por consequência do total sucateamento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que o desespero de milhares de paulistas que já sofriam sem água em suas residências há meses, só veio à tona uma semana após o tucano ser eleito com 57% dos votos. O Portal Vermelho vem noticiando há mais de um ano o problema da falta d`água em São Paulo e alertando seus leitores sobre um futuro colapso do Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento para 11 milhões de paulistanos.

O recém-eleito presidente da Sabesp, Jerson Kelman, continua a culpar a crise hídrica apenas aos fatores climáticos e já prepara a população para o pior, “se não chover, o sofrimento do paulista vai aumentar, não há como escapar disso”, afirma.

Um pedido não divulgado

Uma semana após o governador ser eleito, no último mês de novembro, outro fato também ficou pouco conhecido. Alckmin foi ao Palácio do Planalto pedir ajuda a Dilma em uma tentativa de conter o caos que aos poucos chamava a atenção por sua gravidade. Como prometeu em sua campanha, a presidenta determinou a sua equipe total empenho para solucionar a crise hídrica e destinou cerca de 18 bilhões para medidas de infraestrutura, a maioria para obras ainda não iniciadas e outra pequena parte para projetos em andamento.

Outro exemplo que ficou explícito durante a campanha presidencial, foi o bombardeio de pautas negativas que a então candidata a reeleição Dilma Rousseff levou dos grandes canais. Estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) criaram o “manchetômetro”, espaço para denunciar o papel fundamental da grande mídia em manipular as eleições presidenciais e favorecer a direita. No total, foram 234 notícias contra e apenas 18 a favor da presidenta.

Regulamentar os meios de comunicação: Medida urgente

A única saída para romper com a “bola de neve” que a desinformação e manipulação geram a população brasileira é a regulamentação dos meios de comunicação e poucos sabem que tal reivindicação é um direito constitucional: Artigo. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. 5º — Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.

Para Venício Lima, professor da Universidade de Brasília (UNB) e um dos maiores estudiosos brasileiros sobre a democratização dos meios de comunicação, “a ausência de regulamentação implica que não há uma definição legal do que se considera monopólio ou oligopólio nos meios de comunicação social. Mais grave, significa, por óbvio, que a norma constitucional não é cumprida”, afirma.

Laís Gouveia
No Vermelho
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Cortar BV da Globo é 1º passo da reforma da mídia


Uma suruba conveniente

Pretendo colocar aqui um outro ângulo nesse tema árido e momentoso que é a regulação da mídia no Brasil e que esta voltando agora com nova força.

Acho que a principal questão, o que desequilibra mesmo o jogo concorrencial entre os veículos, é uma sequência interligada de fatores:

1 — A venda casada de comerciais pela Globo e RBS, através de um jogo de pressão entre os veículos da "casa". Esta chantagem junto aos anunciantes, públicos e privados, prejudica diretamente a todos, concentrando o bolo num só grupo.

2 — O "suborno virtuoso" chamado BV (bonificação de volume), criado e sustentado pela Globo. O BV é hoje, na prática, o lucro das agências de publicidade. Quem atrasa as faturas para a Globo, fica fora do BV. Tem agência que não recebe do cliente e se endivida na rede bancária para garantir ficha limpa na Globo. É uma prova cabal da dependência de todo um setor de apenas um veículo.

3 — A proibição da existência no Brasil (e só aqui) dos Birôs de Mídia, que criariam maior equilíbrio na compra e venda de espaços comerciais. Os birôs foram proibidos ainda no governo Fernando Henrique, quando estava se abrindo toda a economia para o mundo. Na ocasião, ao contrário do movimento geral, e da pregação em todos os veículos a favor do liberalismo, a mídia trafegou em sentido contrário, fechando o seu mercado para o mundo. Em síntese: os birôs compram a mídia no atacado e a revendem no varejo. Quebrariam na prática com o sistema de BV.

4 — Os descontos nas tabelas de preços praticados só pelos veículos mais necessitados e desesperados. A Globo não dá desconto. O restante, que reparte as migalhas, chega a praticar uma tabela desesperada de menos 80% dos valores de face.

Em vista do quadro sumariamente descrito, a grande mídia brasileira é uma aliança entre empresas quase quebradas e uma gigante que controla todo o fluxo de todas as verbas publicitárias. Mas este conjunto heterogêneo é unificado em torno de um discurso tão pobre quanto falso: o controle editorial ou censura da mídia.

Este notório desequilíbrio comercial deveria estar sendo tratado há muito tempo pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e pela SDE (Secretaria de Direito Econômico), da esfera do Ministério da Justiça. Trata-se de um escândalo de concorrência desleal, que leva à concentração monopolística. O CADE já atuou duro em outros setores, como cerveja, frango e creme dental.

Mas a briga pela regulação é levada pelos interessados para outras arenas, como o Congresso e o Ministério das Comunicações, onde a derrota é certa.

Há um grande veículo matando economicamente a concorrência, ao mesmo tempo em que enquadra todos na linha do ataque às ameaças de "censura à imprensa". Abril, Diários Associados e o Estadão, por exemplo, estão morrendo mas defendem inflexíveis a "honra" do parceiro predador.

Na prática, o que ocorre no Brasil é uma outra jabuticaba, como em outros casos, sem precedentes nem similitudes internacionais. A concentração de propriedade horizontal e vertical e a papagaiada anti toda e qualquer organização mais ou menos esquerdizante é muito pouco perante o que acontece de fato no controle da distribuição das verbas publicitárias, públicas e privadas: 60% na mão de um só grupo, proporção impensável em qualquer país capitalista do mundo.

Uma linha de trabalho político a ser feito seria a de, pelo menos, atrapalhar a aliança mal sustentada dos adversários, que defendem teses abstratas e se deixam destruir no essencial do negócio: o econômico.

É uma suruba política entre seis ou sete envolvidos onde, no recinto, só um é ativo.

Ricardo Ebling
No 247
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Cristina somos todos


“Excelentíssimos cadáveres”, o notável filme do recém falecido diretor italiano Francesco Rosi, passado na Sicília, já apontava para a manipulação de cadáveres em circunstâncias políticas. Se investigamos a história política da América Latina, nos deparamos muitas vezes com essa mistura macabra de mortos e política.

A própria vitória eleitoral de Salvador Allende, em 1970, no Chile, foi colocada em risco pela aparição, morto, do Comandante em Chefe das FFAA, numa tentativa desesperada dos golpistas de impedir a posse do presidente socialista. Mais recentemente, quando se encaminhava a vitória da Dilma no primeiro turno das eleições, um até hoje não esclarecido acidente de avião provocou a morte de um candidato e a colocação de outra na disputa, redistribuindo as cartas do baralho e quase levando à vitória da direita.

A Argentina é o novo cenário desses “excelentíssimos cadáveres”. Tudo muito suspeito, como convem à manipulação política de circunstâncias como essas. Se tudo fosse claro, não se prestaria às manipulações dos que querem pescar em águas turvas.

Todas as manipulações apontam para a Cristina, por tudo o que ela representa. Os que levaram a Argentina à pior crise da sua historia, não se resignam a que o país foi resgatado por governos populares, que não se contentaram em retomar o crescimento econômico, mas que o fizeram redistribuindo renda, retomando a trajetória dos governos populares argentinos.

Não perdoam a Cristina ter protagonizado esse resgate, ter sobrevivido às mobilizações golpistas dos produtores de soja de 2007, à própria morte do seu companheiro, Nestor Kirchner, à ofensiva covarde dos fundos abutre. Não se perdoa que uma mulher tenha enfrentado, com altivez, as agressões torpes da mídia, machistas, grosseiras, como corresponde a uma direita complacente com os crimes do terrorismo de Estado. Não perdoam a Cristina e a Nestor ter reaberto os processos contra os responsáveis pelos crimes de Estado. Não lhes perdoam o reencontro de mais de 100 netos, filhos de militantes opositores à ditadura, que além de assassinados, tiveram seus filhos sequestrados, no pior crime humanitário que conhecemos.

Cristina somos todos, porque resistimos juntos às ditaduras militares, solidários na luta, nos sofrimentos, nas perdas, na sobrevivência e na recuperação da democracia. Cristina somos todos porque todos os nossos países são vítimas de manipulações torpes como essa, que hoje são contra a Cristina, contra a democracia argentina, contra as conquistas sociais do seu povo, da sua soberania internacional.

A uma direita que nem sequer consegue ter lideres que os una contra o governo popular de Cristina, lhe doi a liderença da Presidenta da Argentina, sua dignidade, seu vinculo direto com o povo e com a historia de lutas dos argentinos.

Cristina somos todos, porque todos os que lutamos por países justos, solidários, soberanos, dignos, estamos com Cristina e com os argentinos, também nesta hora. Somos todos.

Emir Sader
No Anncol-Brasil
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“Falsa-bandeira” e como começar uma “revolução colorida” na Argentina

The Saker
Como começa:

1987-88: Irã assinou três acordos com a Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina. O primeiro acordo Irã-Argentina envolvia ajuda para converter o reator do Tehran Nuclear Research Centre (TNRC) que os EUA haviam fornecido a Teerã, de reator para combustível alto-enriquecido, para reator de combustível (urânio) baixo-enriquecido a 19,75%, e fornecer ao Irã o urânio baixo-enriquecido.

Dezembro, 1992: A embaixada em Buenos Aires informa ao governo argentino que Washington não aceita a continuação do acordo de cooperação nuclear Irã-Argentina.

Em março de 1992, a embaixada de Israel, e em julho de 1994 o prédio da Asociación Mutual Israelita Argentina, AMIA, foram explodidas, supostamente por carros-bombas.

Investigações independentes na Argentina e o relatório inicial de Charles Hunter (FBI) mostram que as duas explosões, considerados os danos nos prédios em volta, são inconsistentes com a teoria dos carros-bombas.

Ao contrário de todas as provas materiais, o governo israelense e, depois, Washington, pressionam o presidente argentino Carlos Saul Menem a insistir na ideia de que os iranianos teriam plantado os carros-bomba, em cooperação com o Hezbollah.

O processo judicial dá em nada, até que o presidente Nestor Kirchner indica o promotor Nisman em 2005 para iniciar nova investigação. Nisman tem contatos próximos na embaixada dos EUA, com advogados norte-americanos especialistas em investigações antiterrorismo e com alguns membros da SIDE (inteligência argentina).

Explosão na Embaixada de Israel na Argentina (17/3/1992)
Em 2013, Nisman instrui a Interpol a emitir ordens de prisão contra uma lista de iranianos e libaneses importantes:

● — Hashemi Rafsanjani, então presidente do Irã

● — Ali Akbar Velayati, então ministro de Relações Exteriores

● — Ali Fallahijan, então chefe da inteligência

● — Mohsen Rezai, então comandante da Guarda Revolucionária

● — Imad Mougnieh, chefe da segurança exterior do Hezbollah

● — Ahmed Vahidi, então comandante das forças “Al Quds” [Jerusalém]

● — Mohsen Rabbani, ex-representante diplomático na Argentina

● — Ahmad Ashagri, ex-representante diplomático na Argentina

● — Hadi Soleimanpour, ex-embaixador do Irã na Argentina.

A Presidenta Cristina de Kirchner várias vezes disse que não acredita na existência de alguma “conexão Irã” (vários funcionários dos EUA questionaram publicamente se haveria prova de envolvimento iraniano [James Cheek]) e usou a recente abertura para consultas entre Washington e Teerã, como uma oportunidade para negociar uma “comissão da verdade” Irã-Argentina, a ser constituída de cinco juízes independentes, nenhum deles iraniano ou argentino.

A oposição e o lobby pró-Israel contestaram a ideia e qualquer possível acordo.

Explosão da AMIA (Centro judeu na Argentina) em jul/1994
O toque final:

Haverá em breve eleições na Argentina, e Cristina de Kirchner não pode ser reeleita, e há forte polarização de candidatos, mas as pesquisas mostram que Scioli, candidato apoiado por Cristina pode vencer no segundo turno.

É onde entra o promotor Nisman: Ele apresenta uma denúncia, de que a Presidenta Cristina de Kirchner teria conduzido negociações secretas com o Irã, por canais não diplomáticos, oferecendo-se para encobrir o envolvimento de oficiais iranianos, de modo que a Argentina pudesse começar a trocar grãos pelo muito desejado petróleo iraniano. Ordena que todos os bens da Presidenta Cristina de Kirchner sejam bloqueados.

A denúncia baseia-se em “suposta prova” apresentada por Stiuso (recentemente demitido da presidência da contrainteligência da SIDE argentina, e agente que teria bons contatos com o Mossad) e outros agentes menos importantes.

A imprensa-empresa argentina, toda ela de oposição — o Pig —, faz circular amplamente o conteúdo da denúncia, ignorando a declaração oficial feita pela Interpol, de que o governo argentino jamais requerera a suspensão das ordens de prisão contra os iranianos.

Alberto Nisman
A denúncia, de que teria havido “intenção de encobrir fatos” não tem base legal. A lei argentina penaliza o ato, não a intenção — “detalhe” que a imprensa-empresa de propaganda da oposição apagou completamente da discussão social.

No dia em que o promotor Nisman estava convidado pela oposição para falar ao Congresso, ele é encontrado morto no seu apartamento.

A “denúncia” de Nisman não sobreviveria por mais muito tempo, mas a morte dele (por suicídio ou não) o elevará à condição de vítima de uma conspiração — o que a imprensa-empresa se encarregará de repetir sem descanso.

As redes sociais rapidamente converteram o “Je suis Charlie” para “Yo soy Nisman” e organizam-se manifestações públicas diárias, com número já crescente de participantes.

Só falta, até agora, aparecer lá alguém da embaixada dos EUA [Victoria “F*** EU” Nuland? (Nrc)], para distribuir sanduíches entre os “manifestantes”.

Nota do Saker:

Ver também: 22/1/2008, The Vineyard of the Saker em: “Hezbollah Didn't Do Argentine Bombing (updated)” (em inglês)

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O bruxo está solto

Transformado em porta-voz oficioso do governo Dilma, o ministro Joaquim Levy está com tudo e está prosa. Sua mais recente novidade é destruir o seguro-desemprego. Ok, depois surgem os desmentidos habituais, como manda o figurino. Mas o mal já foi feito.

Diz-se nos corredores do poder que a presidente Dilma repousa no silêncio desde a posse para fazer com que o ônus do ataque aos direitos dos trabalhadores recaia sobre a troica brasileira — Levy, Barbosa e Tombini. Alô, Planalto, temos uma péssima notícia. Conhecendo Dilma, o PT e o ministério saco de gatos montado pela presidente, mesmo o sujeito mais desavisado percebe que nenhuma das medidas anunciadas deixa de contar com o aval presidencial. Algumas como balões de ensaio, outras nem tanto.

A afonia política da presidente tem seu custo. Pode-se até tentar entender o seu timing: a verdadeira eleição no "presidencialismo de coalizão" vai ocorrer em 1° de fevereiro, com a escolha do presidente da Câmara. Ganhando Eduardo Cunha (do "aliado" PMDB!), a fatura sairá bem mais cara. Nada que o dinheiro público não possa comprar, principalmente em se tratando de quem se trata. Mas a dor de cabeça certamente será maior.

Problema: os cálculos dos políticos oficiais raramente coincidem com o cronograma do cidadão. Estamos em janeiro, mês de férias para estudantes e para muitos trabalhadores. Normalmente um período de calmaria. Mesmo assim, movimentos como o passe livre conseguem mobilizar milhares de pessoas contra o aumento de tarifas. Greves se espalham, o espectro das demissões nas empresas envolvidas no esquema Lava Jato não para de crescer, e as consequências da falta d'água e de energia apavoram a população de metrópoles inteiras.

Diante do quadro cuja gravidade salta aos olhos, nada se ouve de positivo do pessoal de Brasília. Ao contrário: as promessas são de um presente de dificuldades, para, quem sabe, um futuro melhor daqui a dois, três anos. Haja paciência.

Vale a pena? Na semana que passou, a ONG Oxfam divulgou um relatório mostrando que o ganho da fatia 1% mais rica da população do planeta avança sem parar e deve ultrapassar 50% do total em 2016. Ou seja, 1% sozinho vai possuir mais da metade do que os 99% restantes. Boa parte disso é resultado de especulação financeira e de heranças e bens que passam de pai para filhos graças à sobrenomecracia.

Não é preciso ser nenhum Piketty para concluir: reduzir tamanha desigualdade e espoliação desenfreada são providências básicas. Menos no Brasil. Fala-se muito da carga tributária "excessiva" no país, mas pouco de quem paga a fatura. Quando a lente se aproxima, o assunto revela sua verdadeira dimensão.

Estudo da professora Lena Lavinas, citado em artigo de Luiz Gonzaga Belluzzo na revista "Carta Capital" nº 832 evidencia: os que ganham até dois salários mínimos entregam ao governo 53,9% da renda, considerando-se todos os impostos.

Já os que recebem acima de 30 salários mínimos contribuem com apenas 29% de sua renda. Qual nosso bruxo das finanças, esses últimos certamente terão água em abundância nas piscinas, energia elétrica à farta e escaparão das agruras despejadas sobre o cidadão comum.

Eis o centro do problema. Sem atacá-lo, nenhum governo estará à altura dos votos que recebeu. As eleições na Grécia que o digam.

Pergunta sem resposta

Por que Andrade Gutierrez e Odebrecht até agora estão a salvo das garras do "justiceiro" Moro — assim como os verdadeiros proprietários das empreiteiras acusadas de corrupção?

Ricardo Melo
No fAlha
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Sérgio Porto # 117


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