25 de jan de 2015

Partido anti-Levy vence eleição na Grécia


Coalizão da Esquerda Radical ou Syriza deve ter maioria no Congresso

Tsipras: nem que a vaca tussa
Nascido como uma coalizão de treze grupos e partidos que inclui maoistas, trotskistas, comunistas, ambientalistas (na Europa, Verde é de esquerda, Bláblá…), social-democratas e populistas de esquerda o Syriza tinha pouca força eleitoral até 2012.

Sob a liderança de Alexis Tsipras, a vitória consagradora faz da Grécia o primeiro país da União Europeia frontalmente contra as políticas econômicas ortodoxas do FMI e do Banco Central da Alemanha.

A Grécia está para renovar um empréstimo de salvamento.

Que deverá ser negociado já dentro das novas regras do Supre Mario Draghi, que vai obrigar o Levy a dar umas pedaladas.

Tsipras avisou que não vai abandonar o Euro.

Mas, não vai deixar o povo grego pagar a conta da renovação econômica!

Nem que a vaca tussa, disse ele na campanha!

Em tempo: uma nota trágica. O partido de extrema direita, neo nazista, cujos líderes estão na cadeia à espera de julgamento, teve quase 20% dos votos e chegou em terceiro lugar. Viva a austeridade alemã!




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Os Rothschild compraram o Charlie Hebdo pouco antes dos atentados em Paris

Pra quem ainda acredita que o massacre em Paris não foi 'false flag', segue material para reflexão


Os atentados de 7 de janeiro em Paris cada vez mais se parecem ao 11-S. Se fôssemos da Guarda Civil diríamos que o “modus operandi” é o mesmo, que é a mesma mão que balança o berço.

O caso é que uma revista econômica holandesa, Quote, revelou a informação da compra em 9 de janeiro, dois dias depois dos atentados, e o jornal alemão NeoPresse a reproduziu dez dias depois. A família de banqueiros Rothschild comprou uma revista em ruínas em dezembro do ano passado e ao mesmo tempo o jornal “Libération“, outro velho fóssil de maio de 68, que entrara para as fileiras da pura e dura reação há muito tempo.

Se alguém tinha dúvida dos motivos pelos quais os últimos números de Charlie Hebdo estavam sendo lançandos desde a redação do “Libération”, aqui está a resposta: porque são do mesmo dono.


A aquisição não foi pacífica; ocorreram desentendimentos dentro da família de banqueiros, conta o Barão Philippe de Rothschild numa entrevista publicada por Quote. O tio Edouard não queria comprá-la porque isso lhes traria um poder político que não queriam, diz o sobrinho à revista. “Não nos queremos misturar em política”, assegura Philippe, “ou pelo menos não de uma maneira tão aberta“.

Se isso estiver correto, como parece, a pergunta é inevitável: foi o atentado contra a revista outro negócio redondo por parte dos Rothschild? Eles a compraram a preço de banana, porque antes de 7 de janeiro, a revista só gerava prejuízos.

Mas se só gerava prejuízos, que interesse teriam os banqueiros em comprar uma revista em ruínas? É então que aparece o aspecto político que o Barão Philippe quer manter em segundo plano: para continuar com as provocações de Charlie Hebdo contra os muçulmanos.

Teremos Charlie Hebdo por algum tempo. Agora que a revista passou a ter não somente 60.000 leitores, mas uma audiência de sete milhões. Além do dinheiro que está chovendo, não só do Estado francês, senão procedente de investidores privados. Estão se forrando.

Mas não sejam vocês preconceituosos nem conspiratórios. Nada do que acabamos de expôr significa que os Rothschild organizaram os atentados, nem muito menos que fizeram matar pessoas pelo vil dinheiro. De jeito nenhum. É claro que o que aconteceu em Paris é uma cópia quase exata do 11-S em Nova York, onde asseguraram os ataques terroristas as Torres Gêmeas pouco antes de derrubá-las, é pura coincidência.

E se a imprensa internacional não publicou nada disto, é porque ainda não estão informados. E quando souberem, será notícia no telejornal das 9 da noite. O que tinham pensado? Pensaram que lhes ocultariam a informação? Que não lhes contariam toda a verdade e nada mais que a verdade?

Baby Siqueira Abrão, via email
No Projeto Segunda República
No Movimiento Político de Resistencia
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Os flagelados de São Paulo


A manipulação de fatos e indicadores entrou tão fundamente no processo de produção da mídia tradicional no Brasil que mesmo o leitor crítico, que pela experiência sai vasculhando contradições e inconsistências, tem dificuldade para encontrar o viés que os editores querem impor ao público. Não basta analisar as manchetes e avaliar as escolhas de destaques entre as principais notícias; também não é suficiente ler nas entrelinhas o que a narrativa jornalística tenta esconder: é preciso adivinhar a malícia e seguir suas pegadas.

Vejamos, por exemplo, o que acontece com o noticiário sobre a crise de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo: a estratégia de comunicação do governo paulista consiste em desviar a atenção para a questão da energia, e com isso colocar na perspectiva do público a parte de responsabilidade que cabe ao governo federal.

Como se faz isso? Com parcelas da verdade, cuidadosamente articuladas para que pareçam compor a verdade inteira. Por exemplo, ao afirmar que 1,2 milhão de moradores da região Oeste de São Paulo ficaram sem água na quarta-feira (21/1), porque faltou energia numa estação de bombeamento, a Sabesp não está mentindo. Está apenas colocando um fato menor como tapume para esconder a causa principal da crise hídrica: a falta de investimento na melhoria de sua rede. Mas essa vertente cria uma chance para a imprensa fazer a perigosa mistura de água e eletricidade e criticar o governo federal.

Essa estratégia é referendada pelo próprio Palácio dos Bandeirantes e realizada pelos principais veículos de comunicação, que gostosamente embarcam na ficção criada para esconder a irresponsabilidade dos que governam o mais rico estado da Federação desde antes da virada do século.

Mas a mentira dissimulada em meias-verdades tem pernas curtas: uma pesquisa realizada pelo Ibope entre os dias 24 de novembro e 8 de dezembro de 2014 e publicada na sexta-feira (23/1) revela que 68% dos paulistanos — ou alguém da família — tinham sofrido problemas de falta de água já nos últimos meses do ano passado, ou seja, antes da onda de calor que inaugurou o verão. E a maioria deles afirma que a crise hídrica foi provocada por “falta de planejamento do governo estadual”.

Pau-de-arara de paulista

A consulta faz parte do estudo conhecido como Irbem – Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município —, encomendado pela ONG Rede Nossa São Paulo e pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Os dados apontam, segundo o Globo, que 91% dos paulistanos puseram a culpa do problema no governo do estado e na Companhia de Saneamento Básico (Sabesp). Sobre as perspectivas diante da crise de abastecimento, há um evidente pessimismo: 82% acreditavam, em dezembro, que é grande o risco de a água acabar completamente.

O estudo inclui 25 temas na percepção dos moradores da capital paulista sobre suas condições de vida, entre eles saúde, educação, habitação, lazer, trabalho, sexualidade e consumo. Além de mostrar que o noticiário não consegue esconder completamente a verdade da população, o estudo revela que, no quadro geral, o paulistano ainda considera que a crise não afetou severamente sua percepção de bem estar: mesmo com a falta de água e apesar do intenso noticiário falando em crise econômica, metade dos entrevistados diz que a qualidade de vida ficou estável no ano passado e 37% afirmam que até melhorou.

Considerando-se os dois grupos, pode-se concluir que a grande maioria tem uma visão muito mais otimista da realidade do que a imprensa. No entanto, a pesquisa mostra uma evidência clara da deterioração das condições gerais de vida na maior cidade do país: 57% dos entrevistados afirmaram que, se tivessem a oportunidade, se mudariam para outra cidade.

Os jornais escondem essa realidade, porque a constatação de que a maioria dos paulistanos pensa em inverter o fluxo migratório os obrigaria a criticar as políticas públicas adotadas em território paulista nos últimos anos.

A imagem de uma enorme fila de orgulhosos paulistanos engarrafando as estradas rumo ao Nordeste, numa inversão do processo migratório clássico, é uma ideia que a imprensa não pode assimilar.

Mas é isso que os indicadores do estudo apontam: se pudessem, muitos daqueles que reelegeram Geraldo Alckmin embarcariam aliviados num pau-de-arara (com ar condicionado, claro), em busca de uma vida melhor.

Luciano Martins Costa
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Populismo penal puxa o gatilho dos assassinatos estatais


O fuzilamento do brasileiro Marco Archer na Indonésia despertou duas discussões razoavelmente adormecidas: a virulência da guerra às drogas e a legitimidade da pena de morte. Mas há uma terceira questão pouco iluminada no debate: é o populismo penal quem puxa o gatilho do assassinato estatal.

Com uma legislação mais liberal, embora ainda draconiana no que tange aos entorpecentes, o Brasil pode criticar a ilegitimidade da pena de morte e a monstruosidade de sua aplicação em casos como este. Mas estamos pouco confortáveis no embate civilização x barbárie, quando se cotejam as mortes que as guerras às drogas efetivamente causam no país, especialmente na periferia, objeto preferencial das polícias e dos policiamentos — basta ver que na mesma semana do fuzilamento um garoto de apenas onze anos foi morto no Rio de Janeiro, por policiais militares.

A pena de morte é bárbara. Sua perpetuação é uma chaga civilizatória. Sua banalização, uma insanidade. Mas a negativa da clemência — e, de resto, ao que se lê, a própria reintrodução das execuções — só aumenta a popularidade do presidente indonésio, que já se elegeu com esteio no populismo penal. Nem disso podemos nos vangloriar: essa ânsia de criar tipos e aumentar penas, endurecer regimes e condicionar cada vez mais a liberdade, também está demasiadamente presente no nosso cotidiano político. Seja de governos seja de oposições.

Não à toa já beiramos a medalha de bronze na população carcerária mundial e continuamos a fazê-la crescer acreditando no recorrente e improvável slogan do país da impunidade.

Prendemos muito e prendemos rápido — cerca da metade do sistema carcerário brasileiro cumpre penas antes da condenação. Pesquisa efetuada pelo IPEA, divulgada em novembro último, estima em 37,7% os presos que, após o julgamento, são liberados (seja porque absolvidos seja porque condenados a penas restritivas). Prisões antecipadas que se mostram abusivas, portanto.

Prendemos mal, pois de forma altamente seletiva, porque seletivas são as penas cominadas aos crimes, as abordagens policiais e as próprias disputas em juízo. E, como se não bastasse, prendemos de forma bárbara, porque em depósitos humanos que em nada se compatibilizam com as normas de civilidade que os nossos próprios códigos impõem. Sinal de que o respeito à lei e à ordem também se aplicam de forma seletiva.

E, se de fato, não matamos legalmente, o contingente de homicídios policiais aumenta a cada ano para dar conta desta ausência. Se disser que a vítima era traficante, parente de traficante, amigo de traficante ou tinha antecedentes criminais, então, a execução praticamente assume ares de legalidade.

Mas não bastasse tudo isso o que já fazemos, o populismo anseia por um direito penal ainda maior — leia-se, nas entrelinhas, mais cruel, mais violento e mais assassino.

O efeito na redução da criminalidade de todo esse barulho é nenhum. Ao revés, as penas mais duras da Lei dos Crimes Hediondos apenas vitaminaram o hiper-encarceramento que contribuiu de forma decisiva para a consolidação das facções criminosas. Com isso, consagramos o paradoxo: quanto mais prendemos, mais crimes aconteceram.

E por incrível que pareça, as propostas políticas continuam quase todas destinadas a prender mais, seja uma lei de drogas ainda severa, seja um projeto de Código Penal que cria novos tipos e se ancora no aumento do tempo de execução em regime fechado. Se a reincidência aumenta junto pouco interessa, pois o símbolo do vigor penal é mais importante do que seu efeito.

Enfim, o direito penal parece ser mesmo o único produto que quanto mais falha, mais ganha prestígio.

Nada gratuito, todavia.

A ampla divulgação dos casos criminais, a exploração sensacionalista de seus detalhes, a criação de mitos de facínoras, a inversão grosseiras das estatísticas (o caso dos presos em saída temporária é um típico exemplo, pois não obstante mais de 95% retornem ao presídio sem maiores problemas, um único crime cometido é o que basta para as propostas de sua extinção), tudo isso incrementa o medo e legitima os exércitos da salvação, seguranças públicas ou privadas que vão se construindo como guardiães da pátria.

O medo é calculadamente estimulado, porque dele depende o sucesso do rigorismo. Como bem diz Giane Ambrósio Álvares, nossa colega de coluna, o medo é o ópio do povo. Muitos se alimentam dele, afinal, o endurecimento penal é, hoje, o populismo da direita.

Mas essa construção do Estado policial também não vem à toa e não é resultado de meros instintos primitivos. O antigo liberalismo pode ter imposto limites ao absolutismo penal, porque a burguesia dependia de liberdade para nascer. Mas o neoliberalismo não se importa com isso agora. No atual momento, não há classe a emergir entre as grandes corporações e sim o interesse de que os vulneráveis jamais se emancipem.

Enquanto o Estado é apropriado pelo mercado, diminuem fortemente os amortecedores sociais, e aumenta a rigidez penal.

O Estado policial é indispensável para conviver com o desmantelamento do Estado social, com a globalização que rompe fronteiras para o capital e cria muros para o cidadão — como bem escreveu Patrick Mariano neste espaço (Qual globalização? [1]).

Piketty mostra, na obra-prima o Capital no Século XXI, como as privatizações fizeram explodir as rendas privadas e como com o aumento exponencial do capital, combinado com o baixo crescimento das economias, o aumento da desigualdade passa a ser uma constante. Recente pesquisa da ONG inglesa Oxfam estima que o 1% mais rico da população deve sobrepor-se aos outros 99% até o ano de 2016, e menos de cem pessoas já detém mais riqueza do que metade do globo.

Nós podemos agir tentando reduzir a desigualdade, tributando grandes fortunas, como propõe Piketty, e restaurando Estados sociais, ou, de outro lado, abrindo as comportas para o mercado e mantendo essa expansão frenética do direito penal de modo a acomodar dentro dele os expelidos do processo.

São opções políticas que devem estar claras tanto aos eleitores quanto aos administradores, que vez por outra se confundem com seus próprios propósitos.

Por isso mesmo, a advertência de Zaffaroni deveria ser melhor ouvida em Brasília:

O maior risco em nossa região é que os próprios políticos comprometidos com a restauração dos demolidos estados de bem-estar, fazendo concessões, acabem por serrar o galho em que estão sentados, pois a criminologia midiática é parte da tarefa de neutralização de qualquer tentativa de incorporação de novos estratos sociais” [2].

[1] http://justificando.com/2015/01/10/qual-globalizacao/
[2] La cuestión criminal. Buenos Aires. Planeta, 4ª edição, 2012, p. 243

Marcelo Semer, Juiz de Direito em SP e membro da Associação Juízes para Democracia.
No Justificando
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Intrigante: Morador filma Cantareira com água e diz que mídia esconde a verdade


Um vídeo publicado na noite deste sábado (24/01) invadiu as páginas das redes sociais. Um morador não identificado (provavelmente da cidade de Guarulhos) postou no Youtube uma filmagem pessoal dizendo que o Sistema do Cantareira está com níveis acima do que tem sido mostrado pela mídia.

Abaixo as palavras do autor do vídeo:

“Olhem ai uma represa da cantareira cheia, pra quem está indo essa água? E a gente bebendo volume morto e quando tem ainda, fiquei indignado em ver essa represa cheia e os paulistanos com a falta de água, somente ontem um milhão e duzentas mil pessoas sem água em São Paulo, e ainda ficam viaturas da policia florestal estacionadas as margens para não deixar ninguém tirar fotos e nem filmar a represa, se alguém parar nas margens eles abordam e mandam sair.”



No BR29
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Jornalistas são perseguidos no Paraná




O governador Beto Richa, reeleito no Paraná, nunca suportou a liberdade de expressão. Que o diga o blogueiro Esmael Morais, vítima de vários processos do truculento tucano. Mas agora, diante do agravamento da crise no Estado — expresso, inclusive, na disparada dos índices de violência —, ele resolveu perseguir até os jornalistas da mídia tradicional. Nesta quinta-feira (22), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota em repúdio à prisão de Iverson Vaz, repórter da CNT, e aos ataques do novo secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, ao colunista Celso Nascimento, do jornal Gazeta do Povo.

Iverson Vaz foi preso pela Polícia Militar quando fazia a cobertura sobre os assaltos aos caixas eletrônicos em Curitiba para o “Programa 190”, da CNT. Ele foi acusado de desacato à autoridade e foi preso diante das câmaras de TV, ao vivo. Já o jornalista Celso Nascimento, que criticou a “cultura de violência” da PM do Paraná em sua coluna na Gazeta do Povo, foi achincalhado pelo secretário de Segurança. Em seu Facebook, Francischini o acusou de tentar subornar policiais quando foi flagrado numa infração de trânsito na capital paranaense. Celso Nascimento negou a “carteirada” e acusou os policiais de agirem com violência.

“A Abraji repudia a ação da PM no caso de Iverson Vaz e se solidariza com o repórter detido. Embora estivesse fora da área reservada para a imprensa, o repórter atendeu ao pedido dos agentes e as imagens da TV mostram que não houve desacato. A Abraji também lamenta a forma como o próprio Secretário de Segurança Pública atacou o colunista Celso Nascimento. Ao acusá-lo publicamente e tentar minar-lhe a credibilidade, o comandante da tropa transmite uma mensagem perigosa à corporação — tal e qual anunciado na coluna de Celso Nascimento”, afirma o texto da entidade. Infelizmente, o protesto da Abraji não teve repercussão na mídia nacional.

Pelo andar da carruagem, a violência contra os jornalistas no Paraná só tende a aumentar. Fernando Francischini, deputado federal do Solidariedade (SD) e delegado licenciado da Polícia Federal, é conhecido pelos gestos intempestivos. Nesta sexta-feira (23), durante uma entrevista para a TV Tribuna, o novo secretário de Segurança Pública inclusive fez questão de exibir o seu revólver na cintura. Ele gosta de posar de “xerifão” e não esconde seus vínculos com a indústria de armamentos. Sempre fez parte da chamada “bancada da bala” no Congresso Nacional. Na campanha eleitoral do ano passado, ele recebeu contribuições financeiras da fabricante de armas Taurus.

O marketing de “xerifão”, porém, sofreu fortes abalos em dezembro último. Um dirigente da SD, Josimar Távora, foi preso na cidade de Medianeira. Ele foi acusado de assédio sexual. Uma gravação mostra o sujeito propondo a uma policial civil a ida ao motel em troca de favores junto à Secretaria de Segurança Pública. Num dos trechos, como prova da sua influência, ele exibe diálogos com o deputado estadual Felipe Francischini, filho do secretário, de quem foi um dos coordenadores de campanha na região de Foz do Iguaçu. Na gravação, a policial simula concordar com o encontro, mas quando os dois se encontraram em um posto de gasolina, ela deu voz de prisão. Josimar Távora ainda tentou tomar a arma a agente da Polícia Civil, mas acabou preso.

Altamiro Borges
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Postalis, mais uma vítima do pacto com o PMDB

O presidente dos Correios Wagner Pinheiro e o ex-presidente do Postalis, Alexj Predtechensky, responsável pelos golpes aplicados no Postalis
Nos próximos dias irá estourar mais um mega-escândalo do Postalis, o fundo de pensão dos Correios e mais uma evidência incômoda do desastre que foi para o país a utilização de estatais para acordos políticos.

O Postalis adquiriu R$ 150 milhões em debêntures da Construtora Mudar, de um aventureiro carioca de nome Augusto Martinez. Recebeu, como garantia, terrenos avaliados em apenas R$ 7 milhões.

Graças a uma parceria com o programa Domingo Legal, do SBT, a Mudar estourou no mercado de baixa renda, em dois anos saltou de R$ 150 milhões para R$ 400 milhões em lançamentos, emitiu as debêntures. Logo depois, Martinez desapareceu deixando 3 mil mutuários sem receber os apartamentos.

Não foi o primeiro golpe aplicado no Postalis pelo ex-presidente Alexej Predtechensky, o “Russo”, colocado no cargo, ao que consta, na cota do ex-Ministro Edison Lobão, ligado ao grupo de Sarney.

O Postalis aplicou em todos os micos recentes do mercado financeiro, em papéis do BVA, Banco Cruzeiro do Sul e Oboe.

Grande parte da roubalheira aconteceu através do fundo de investimento Sovereign, administrado por uma tal de Atlântica Investimento — de um aventureiro brasileiro que passou por Miami, Fabrizio Dulcetti Neves.

A diretoria do Postalis — Alexej e o diretor financeiro Ricardo Oliveira Azevedo — tinham liberdade para aplicar até o limite de R$ 120 milhões sem consultar nenhuma outra instância.

Só com o Atlântica as perdas chegaram a R$ 371 milhões (em valores históricos), ou mais de R$ 600 milhões (em valores atualizados). O fundo foi constituído para investir em títulos da dívida externa brasileira, mas desviou as aplicações para empresas privadas, provavelmente ligadas a Fabrizio e a Alexej.

O Russo atuou impunemente no Postalis por seis anos. Saiu apenas em 2011, quando se constataram suas falcatruas.

Sua saída foi prestigiada por inúmeras autoridades, incluindo o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro. No discurso final, o Russo afirmou que gerir o Postalis foi uma das experiências mais marcantes de sua vida profissional e que perseguiu por todos os meios a meta de manter o Postalis “adequado à modernidade pegada pela legislação brasileira.”

O presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, quando do outro lado do balcão, ainda no governo FHC, teve papel relevante para impedir que o Banco Opportunity lesasse ainda mais os fundos de pensão.

Como presidente da patrocinadora, saudou a gestão de Russo, afirmando que “nos últimos dez anos, houve uma mudança enorme na gestão dos fundos, sendo quase uma revolução no setor de previdência complementar no Brasil.”

O pacto espúrio com o PMDB fez com que outro fundo relevante, o Real Grandeza, fosse entregue ao inacreditável deputado Eduardo Cunha. Mas os funcionários se levantaram a tempo conseguindo seu afastamento.

80 mil contribuintes do Postalis podem ter o mesmo destino do Aerus, o fundo de pensão depenado dos aeroviários, depenado por sucessivas diretorias.

Luís Nassif
No GGN
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Operação escancarada

Taxa de sucesso que pode chegar a R$ 20 milhões a delator da Lava Jato só reforça convicção de que Sérgio Moro quer condenações a qualquer preço — literalmente

Poucas notícias sobre a Operação Lava Jato causaram tanta indignação nos meios jurídicos como a revelação de que delator Alberto Yousseff pode voltar para casa com um prêmio de 2% sobre cada centavo que ajudar a localizar em contas secretas no exterior. Isso quer dizer que, se trabalhar direito, Yousseff pode embolsar até R$ 20 milhões, quantia espantosa para um cidadão que, pela letra fria da lei, poderia acumular penas de até 200 anos. “Agora escancarou”, reage Antonio Claudio Mariz de Oliveira, que defende Eduardo Leite, executivo de uma empreiteira.

“É repulsivo,” afirma Nelio Machado, advogado do acusado Fernando Santana.

Para Claudio José Lagroiva Pereira, professor de Direito Processual Penal na PUC paulista, instituição da qual foi vice-reitor, a decisão envolve uma medida absurda: “como é que o Estado brasileiro vai tirar uma porcentagem de um dinheiro que deve ser devolvido ao povo brasileiro, pois é fruto da corrupção, para entregar a um bandido?”

Num país onde esse tipo de recompensa não é previsto pela legislação — não consta sequer das regras que definem a delação premiada —, o acordo reforça a visão de que o juiz Sérgio Moro está empenhado em obter condenações fortes a qualquer preço — literalmente. A tradição jurídica brasileira admite várias concessões a um acusado capaz de auxiliar no andamento de um processo. Mas são acordos que envolvem redução de pena, suspensão de acusações consideradas pouco consistentes e assim por diante. Nem advogados nem autoridades ligadas ao mundo da Justiça já tinham ouvido falar de um caso semelhante. Para um delegado ouvido pelo 247, e que já participou de várias investigações semelhantes, “pode ser aceitável permitir que um condenando fique de posse de bens que ele pode demonstrar que adquiriu honestamente. E só.”

O curioso é que há uma década o mesmo Sérgio Moro acertou com o mesmo Yousseff um acordo de delação premiada, que permitiu ao doleiro safar-se das principais acusações, entregando pouco mais de 60 concorrentes no comércio ilegal divisas — inclusive Toninho da Barcelona, o maior doleiro paulista na época — e cumprir uma pena relativamente leve. Uma das cláusulas dos acordos de delação é óbvio: os beneficiados assumem o compromisso de não retornar às atividades ilegais. Embora não tenha cumprido sua parte do pacto, o que deveria ser um agravante em seu caso, dificultando até um novo acordo de delação, em 2014 Yousseff conseguiu um segundo pacto, tão generoso que lhe permite até cobrar comissão por serviços prestados.

“Estamos no mundo dos caçadores de recompensa,” afirma o professor Cláudio Lagroiva, apontando para um crescimento da influência da escola utilitária da Justiça norte-americana no interior do Judiciário brasileiro. Não é uma novidade que caiu do céu, já que, através de acordos bilaterais de cooperação, mantidos pelo Departamento de Estado, muitas ideias jurídicas dos EUA ganharam curso no país em anos recentes, competindo com as escolas europeias que formaram boa parte de nossos juristas.

No debate jurídico, o termo “utilitarismo” ajuda a designar práticas destinadas a obter provas condenatórias de qualquer maneira, ainda que seja possível ferir princípios maiores do Direito. Depois dos escândalos financeiros dos anos 1990, os EUA se tornaram a pátria da delação premiada, que permitiu ao chefe de uma quadrilha, que manipulava informações privilegiadas acumular fortunas na Bolsa, salvar o pescoço em troca da delação de sócios e parceiros.

Para falar num caso extremo: durante o governo George W. Bush, a Casa Branca assinou um decreto que autorizava os interrogatórios por afogamento de prisioneiros de guerra — o utilitarismo era dizer que essa forma de violência não constituía tortura. O decreto foi revogado por Barack Obama mas ainda hoje, em determinados estados, policiais acusados de torturar prisioneiros podem até ser processados e cumprir penas — mas as provas obtidas pela tortura não são anuladas, o que implica numa forma de respaldo.

O emprego das prolongadas prisões preventivas por parte de Sérgio Moro não é definida como tortura — é uma medida prevista em lei e os prisioneiros têm sua integridade física preservada. Mas o regime é de uma dureza peculiar, como descreve o advogado Nelio Machado, num habeas corpus em que pede a soltura de seu cliente, detido, como a maioria, sem provas. O acesso de familiares de cidadãos encarcerados nas celas da Polícia Federal no Paraná, que são simples acusados, é mais restrito até do que nas penitenciárias que guardam condenados com pena transitada em julgado. O contato com advogados é mais restrito. O que se busca é uma prova que guarda uma semelhança essencial com a tortura, mesmo que não seja obtida com choques elétricos — uma confissão involuntária.

O utilitarismo é político, também. Como as investigações da Lava Jato interessam aos adversários do governo Lula-Dilma, fecha-se os olhos a um abuso. Imagine se o mesmo regime fosse empregado para se obter confissões dos envolvidos no esquema do metrô do PSDB paulista. Recorde-se a pronta resposta do Supremo Tribunal Federal quando ocorreram as prisões dos acusados na Operação Satiagraha.

Para além do necessário debate jurídico, há uma questão política. Quem lê um texto de Sérgio Moro escrito em 2004, “Considerações sobre a Operação Manni Puliti,” constata que a Operação Lava Jato estava pronta antes mesmo de aparecer a primeira denúncia sobre a Petrobras. Moro já falava na necesssidade de “deslegitimar” o sistema político — processo em curso quando parlamentares e ministros são colocados contra a parede por vazamentos cuja origem ninguém assume, cujo conteúdo integral ninguém conhece. Durante uma década a Lava Jato foi uma ideia em busca de uma oportunidade, escrevi neste espaço, em 16 de janeiro. Num país onde os principais meios de comunicação são adversários assumidos do governo federal, não foi difícil obter adesão a suas ações, indispensável para dar sustentação a uma operação dirigida contra o núcleo do sistema representativo e da soberania popular.

No pedido de habeas corpus, Nélio Machado afirma: “impõe-se que o magistrado do Paraná, o quanto antes, se dê por impedido ou se declare suspeito, pelo inesconvível apaixonamento que revela pela causa, que parece ser, em boa verdade, a sua causa, que talvez possa chamá-la de ‘minha, ‘minha causa,’ ou quem sabe ‘minha luta,’ tarefa incompatível com a judicatura, que há de ser impessoal.”

Paulo Moreira Leite
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E o Getúlio?

Em Taquari, interior do Rio Grande do Sul, cidade natal de Costa e Silva, foi destruído um monumento ao general, presidente do regime militar instalado no Brasil pelo golpe de 64. Surgiram outros movimentos no estado e no país com o mesmo objetivo, o de anular homenagens feitas aos presidentes ditatoriais. O jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, fez um levantamento do número de avenidas, ruas, praças, ginásios, bustos, estátuas etc com o nome dos generais que presidiram o país durante a ditadura, do Castello Branco ao Figueiredo, e chegou a mais de 50, só no estado. Aí um leitor escreveu para o jornal perguntando por que o nome do Getúlio Vargas não estava na lista. Imagino que muita gente, ao ler a carta, deve ter tido, como eu, um momento “é mesmo!”

Não sei qual é a posição política do autor da carta ou seu motivo para levantar a questão, e não interessa. A pergunta remete para uma questão maior, nunca satisfatoriamente encarada ou adequadamente resolvida. A importância do Getúlio para o progresso do país é indiscutível. A legislação social inédita que ele implantou, naquelas circunstâncias, contra aquelas oligarquias, ainda espanta. O Brasil se transformou, econômica e politicamente, sob o seu governo, e isto não é opinião, é história. Mas, pelo menos durante oito anos, seu governo foi um governo ditatorial, e Getúlio tem todas as credenciais — salvo a farda e as estrelas de general — para estar na lista.

O Estado Novo que vigorou de 1937 a 1945, inspirado no regime de Salazar em Portugal, tinha os requisitos completos de um estado fechado e repressor. O arbítrio era igual ao que se seguiu ao golpe de 64. O Congresso foi fechado, havia censura à imprensa, prisões ilegais e tortura de presos. Um nome se destacou entre os que comandavam a repressão, o de Filinto Müller, um admirador do nazismo e o principal responsável pela extradição da mulher do Prestes, a judia Olga Benário, para a Alemanha de Hitler.

O Estado Novo acabou em 45, com a destituição de Getúlio. Ele deixou no seu rastro um movimento popular, o “queremismo”, que acabou levando-o de volta ao poder. Pelo voto, o que para muitos significou uma absolvição do seu passado. Filinto Müller continuou sua carreira politica e morreu num acidente de avião, também absolvido. Hoje há uma escola com seu nome no interior de São Paulo, e não deve ser a única.

Alguém já disse que comédia é tragédia mais tempo. Substitua-se “comédia” por “esquecimento” ou “perdão” e temos uma explicação para o fenômeno Getúlio e para a dificuldade do seu julgamento, a menos que se adote a ideia do ditador no bom sentido. Ele continua um mito para a esquerda e um enigma para o resto — ou seja, refratário a qualquer definição.

Além disso, imagine o trabalho que daria mudar o nome de todas as avenidas Getúlio Vargas do país.

Luís Fernando Veríssimo
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Entre sigilo jornalístico e violação de segredo judicial, o que o Judiciário deve fazer?


No momento em que a discussão sobre a liberdade de imprensa e seus limites atinge seu auge, um caso de enorme relevância deve ser julgado em breve pelo STF (Supremo Tribunal Federal) envolvendo um dos inúmeros aspectos desse tema.

Trata-se de uma Reclamação[1] apresentada pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), por meio da qual a entidade pede a cassação de decisão proferida pelo Juiz da 4ª Vara da Justiça Federal de São José do Rio Preto, que determinou a quebra do sigilo telefônico de um repórter e de um jornal da cidade.

Resumidamente, em 2011 foram publicadas duas reportagens sobre a “Operação Tamburutaca”, realizada pela Polícia Federal para investigar suposto esquema de corrupção na Delegacia do Trabalho do município. Nas matérias, foram expostos trechos de conversas telefônicas interceptadas por ordem do Juiz da 4ª Vara da Justiça Federal, no bojo de processo que corria em segredo de justiça.

Inconformado com isso, o Ministério Público Federal pediu o indiciamento criminal do repórter, com a finalidade de apurar o cometimento de crime previsto no artigo 10 da Lei n° 9.296/96[2], isto é, a quebra de segredo de Justiça.

No decorrer dessa investigação, foi solicitada autorização judicial para quebra do sigilo telefônico tanto do repórter quanto do jornal, para que se identificasse a fonte das informações transmitidas ao jornalista. Esse pedido foi acolhido pelo Magistrado.

Assim, a ANJ ajuizou Reclamação sob o argumento de que essa decisão fere a autoridade do julgado vinculante do STF na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) n° 130, isto é, a ação por meio da qual a chamada “Lei da Imprensa” (n° 5.250/67) foi considerada não recepcionada pela Constituição de 1988.

Em decisão proferida no recesso judicial, o Ministro Ricardo Lewandowski ressalta que o caso é extremamente complexo, pois de um lado se encontra a garantia do sigilo de fonte e, do outro, a violação do segredo de justiça. Sem entrar no mérito, o Ministro determinou a suspensão da decisão do Juiz de Primeiro Grau para preservar eventual utilidade do provimento judicial até o julgamento definitivo.

Em que pese a decisão no sentido de suspender a quebra de sigilo ter sido correta, o Ministro partiu de um ponto de vista equivocado. O caso envolve uma série de discussões jurídicas importantes, porém devemos identificá-las e discuti-las separadamente.

Isto é, o conflito e a eventual necessidade de ponderação entre normas constitucionais referentes à liberdade de expressão/informação e segredo de justiça tem relevância no contexto da discussão quanto à tipicidade/atipicidade da conduta do jornalista. Não é esse o objeto da ação que corre no STF.

A Reclamação apresentada pela ANJ questiona a legalidade da quebra de sigilo telefônico de um jornalista, ao longo de um procedimento investigativo, para a apuração de suas fontes.

A decisão do Juiz de Primeira Instância afronta claramente o artigo 5°, inciso XIV, da Constituição Federal, que assegura a todos “o acesso à informação” e resguarda “o sigilo de fonte, quando necessário ao exercício profissional”. Nenhuma investigação, independentemente da natureza do suposto crime, pode ignorar tal preceito. Por isso, a decisão deve ser cassada pelo STF.

Isso não impede que o jornalista seja processado pelo crime previsto no artigo 10° da Lei n° 9.296/96. Essa é uma outra discussão extremamente importante, neste caso envolvendo, sim, conflito entre dois preceitos constitucionais, mas que ainda não foi sequer tratada em primeira instância.

Dessa forma, a norma que prevê o sigilo de fonte não se encontra em conflito com aquela que garante o segredo de justiça, pois eventual cometimento de crime por parte do jornalista ou de algum servidor público pode ser apurado por outros meios.

Neste momento, o importante é que a Corte Suprema assegure o respeito ao sigilo de fonte. A investigação sobre um suposto crime cometido pelo jornalista ou por servidor público pode prosseguir sem a necessidade de se violar uma norma tão indispensável à liberdade de expressão e de informação.

[1] BRASIL, Supremo Tribunal Federal. Reclamação n° 19.464. Relator Ministro Ricardo Lewandowski, 2014.
[2] BRASIL, Lei n° 9.296, de 24 de julho de 1996. “Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei”.

Marcelo Frullani Lopes, advogado graduado na USP (Universidade de São Paulo), sócio do escritório Frullani Lopes Advogados.
No Justificando
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Maria Della Costa


 Gentile Maria Marchioro Della Costa Polloni 
* 1º de janeiro de 1926 — Flores da Cunha - RS + 25 de janeiro de 2015 — Rio de Janeiro - RJ
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Personalidade do Ano de O Globo: a lisonja como cooptação


O juiz Sérgio Moro foi eleito “Personalidade de 2014” do jornal O Globo. Quem lhe outorgou título tão eloquente foi um júri extremamente representativo de qualquer coisa. Não propriamente representativo da opinião pública brasileira, também não da opinião pública carioca. Talvez a escolha fosse aprovada pela opinião pública do Leblon, mas não chegou a ser consultada.

O egrégio título, que repercutiu em todas as mídias, foi outorgada por um júri bastante diversificado composto por Aluizio Maranhão, jornalista de O Globo, Ancelmo Gois, colunista de O Globo, Ascânio Seleme, diretor de O Globo, Merval Pereira, colunista de O Globo, Mirian Leitão, colunista de O Globo, e Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, se não me engano cunhado de Merval, colunista de O Globo.

Houve um desbalanceamento na representatividade do júri, de fato. Poderia ter sido mais equilibrado se mesclado com algum colunista de Variedades de O Globo, algum repórter especial de O Globo, quem sabe um editorialista de O Globo, algum cunhado de Seleme, diretor de O Globo. Mas acredito que não afetaria o resultado final, de ser um júri representativo do pensamento dos Marinho.

O jornal aplicou uma fórmula que é a contra face do assassinato de reputação: a lisonja. Quem não se verga pelo medo, cede pela vaidade.

O juiz Sérgio Moro é da mesma natureza do juiz Fausto De Sanctis, da Satiagraha.

De Sanctis enfrentou uma barra mais pesada, porque composta do enorme poder financeiro e dos métodos de Daniel Dantas, do poder ilimitado da mídia e o poder despudorado do Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Um juiz contra todos os poderes, taxado de arbitrário. Tornou-se vilão porque investiu contra o plutocrata errado, que tinha como hobby financiar sites jornalísticos e de meio ambiente, cuidar das aplicações externas das altas rodas cariocas e ser aliado dos economistas do real.

Moro enfrenta uma quadrilha poderosa, sim, mas com a mídia amparando-o em todos os movimentos, com parceria com procuradores e delegados em vazamentos altamente seletivos. Tornou-se herói porque escolheu a plutocracia certa. Aliás, não propriamente o plutocrata, mas o alvo político que se quer atingir.

O premiado anterior foi o ex-Ministro Joaquim Barbosa, da AP 470. Mas Joaquim, o “menino que salvou o Brasil” era suficientemente individualista para não se enquadrar em esquemas: seu desequilíbrio é natural, sem precisar de motivações externas.

Com Ayres Britto, foi fácil. Bastou poupá-lo de denúncias, convidá-lo a escrever contracapas de livros, elogiar seus poemas pela frente (enquanto morriam de rir por trás) e depois contratá-lo para presidir o Innovare, prêmio de qualidade, com que as Organizações Globo cativam o poder judiciário.

As manobras de lisonja-ataques tem um poder mortífero sobre o poder judiciário, afetando de todas as maneiras magistrados. Aliás, a maneira com que os juízes mais críticos atenuam os impulsos dos deslumbrados é lembrar que “todos são humanos” — alguns, excessivamente humanos, convenhamos.

A porção ataque foi cometida contra Ricardo Lewandowski, expondo-o a humilhações em ambientes públicos. A porção lisonja inebriou até o austero Celso de Mello, que não parava de fazer catilinárias para a história durante o julgamento da AP 470.

É interessante como o alarido da mídia cria distorções na percepção dos próprios agraciados (ou atacados). Na primeira fase da AP 470, o decano Celso de Mello comportou-se como um jovem acadêmico deslumbrado; Lewandowski sentiu na carne a humilhação.

Encerrado o tempo integral do julgamento, ambos voltaram para seu meio, Lewandowski recebido como o juiz exemplar, que não cedeu ao clamor da turba. Só então caiu a ficha de Celso de Mello que deu-se conta da enorme dissintonia entre a opinião midiática e a opinião interna do Judiciário.

Voltou comedido, incorporou de novo os valores da sobriedade, e enfrentou corajosamente a campanha pesada conduzida pelo O Globo e pela Veja.

Que fique claro, então, o uso dos ataques e da lisonja. Ambos atendem aos interesses de um poder — a mídia — que está longe de ser virtuoso, que tem interesses próprios, frequentemente colocados acima dos interesses gerais, que posa de moralista, quando se trata de atacar adversários, e santifica ímpios, quando é de seu interesse — como foi o caso da construção de imagem de Demóstenes Torres e agora, desse inacreditável Eduardo Cunha.

Que Sérgio Moro não se torne refém desse jogo despudorado de lisonja.

No GGN
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PVC passa mal e desmaia ao vivo - vídeo

O comentarista esportivo do canal FoxSports, Paulo Vinícius Coelho, o PVC, teve um mal súbito enquanto comentava a vitória do Corinthians sobre o Corinthians-Casuals. Embora o susto tenha sido grande, o jornalista se recuperou rapidamente e não chegou a procurar o hospital imediatamente. A imagem da queda do comentarista repercutiu nas redes sociais.

Preocupado, o apresentador Gustavo Vilani pensou em pedir um intervalo comercial, mas não teve tempo: PVC apagou ainda quando o programa estava no ar. De acordo com as imagens, PVC parece perder o equilíbrio até cair de costas.

Vilani, ao voltar ao vivo, disse que PVC tinha sido atendido por médicos e estava bem. Disse ainda que o colega tinha tido uma súbita queda de pressão arterial. No final do programa PVC apareceu e revelou que pretende comentar a partida entre Boca Juniors x River Plate neste domingo (25). Segundo ele, o problema foi provocado por uma desidratação.

Um dos mais respeitados jornalistas da atualidade, ele já teve sete livros publicados: Jornalismo Esportivo (2003), Os 50 Maiores Jogos das Copas do Mundo (2006), Futebol Passo a Passo: Técnica, Tática e Estratégia (2006)
Bola Fora: A História do Êxodo do Futebol Brasileiro (2009),Os 55 Maiores Jogos das Copas do Mundo (2010), Os 100 Melhores Jogadores Brasileiros de Todos os Tempos (2010), Tática Mente (2014), O Planeta Neymar (2014).

Mas nas redes sociais a história repercutiu. Muita gente fez piada com o problema, mas a maioria revelou preocupação.


No Conexão Jornalismo
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O impossível, até aqui

Já que o impossível acontece, não será tão extraordinário que afinal o faça entre nós. Pois é isso mesmo que se vislumbra, e, talvez como compensação por tanto tempo de mesmismo, o impossível em dose dupla.

Aos poucos se esboça uma conjugação de fatores voltada para consequências alheias às intenções que os geraram e os impulsionam. Como sobras que, além de imprevistas, passam a ser o principal.

Elemento decisivo em todas as situações políticas nos sinuosos 30 anos desde o fim da ditadura, o PMDB e sua potência estão sob fortes ameaças. Uma delas, de procedência interna. Como efeito colateral e subterrâneo, digamos, do objetivo peemedebista de manter a presidência da Câmara. Seu candidato natural, Eduardo Cunha, líder da bancada, tem relações ruins com o governo e não convive com o PT como o aliado que o PMDB diz ser. Sua campanha não explicita projeto político, e nem mesmo propostas para melhor funcionamento da Casa, limitando-se à vulgaridade das promessas materiais, e mal definidas, para a massa dos deputados fisiológicos.

Mas Eduardo Cunha não evita a insinuação de que, se eleito (por ora, é o favorito), seu convívio com o governo promete ser igual ou pior que o atual. O nível e os desdobramentos mudarão, porém.

Nesse caso, em termos institucionais haverá a hostilidade entre dois poderes. Em termos partidários, o poder da Câmara conduzirá um segmento do partido a contrapor-se ao vice-presidente da República que simboliza a aliança do PMDB com o governo. E se oporá, ainda, ao presidente do Senado e do Congresso, além de senadores peemedebistas. Contingência partidária difícil, portanto, e tendente a desfecho traumático e enfraquecedor do PMDB.

A alternativa a um encaminhamento assim seria, ainda no caso de eleição de Eduardo Cunha, a inversão mútua das suas e das disposições do governo. Uma improbabilidade renitente, a julgar pelo que se conhece dos dois lados.

Em paralelo a esse PMDB em suspense, corre quase em silêncio a formação de mais um partido, o PL. Seria só isso mesmo, mais um partido, não fosse ideia e obra do mais surpreendente dos políticos surgidos nos tempos recentes. Já criador do bem sucedido PSD, Gilberto Kassab leva sua ousadia a uma operação de admirável criatividade política: um novo partido que, obtidas as esperadas adesões, se incorpora ao PSD e o torna uma força, no mínimo, equivalente à do PT e do PMDB.

O PL poderá mostrar-se opção promissora para muita gente, mas seu alvo preferencial são peemedebistas. Para muitos dos quais representa a oportunidade de maior aproximação aos benefícios proporcionados pelo governo. Aquelas vantagens do governismo sempre disputados com muitos concorrentes no PMDB e, em geral, ou destinadas aos de sempre ou insignificantes. Atração bem visível, o prestígio do ministro Gilberto Kassab e do PSD no governo não é menor que o do PMDB. Muito ao contrário, com bons motivos para isso: como aliados do governo, Kassab é sutil e leal, o PMDB é famélico e prepotente.

Nova distribuição das forças na Câmara, com a perda da condição de elemento decisivo pelo PMDB, muda a configuração política. Se acontecer, abre perspectivas para modificações importantes no funcionamento do Congresso e para a apreciação de muitas das aspirações que o PMDB bloqueia. A reforma política, por exemplo. Cujo primeiro passo estaria dado na própria redistribuição das forças partidárias no Congresso.

Ou seja, o impossível, até aqui.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 116


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Essa é do Barão... 174


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O que acontece quando Armínio encontra Eliane Catanhêde?

Bons modos são para os outros
Qual o resultado da mistura de Armínio Fraga com Eliane Cantanhêde?

Bem, o resultado está no Estadão, numa entrevista.

Ou melhor: é o apocalipse. O Brasil acabou, para os dois.

De um modo geral, quando leio esse tipo de coisa, me pergunto o que pessoas que pensam assim ainda fazem no país.

O que Armínio retrata, com a ajuda milionária de Catanhêde, é uma distopia que só será superada se pessoas como eles estiverem no poder.

É o triunfo do ressentimento e de falta de autoconhecimento. A não ser que consideremos que éramos o paraíso sob FHC.

Uma frase simboliza a entrevista: “Estamos vivendo uma enorme crise de valores e isto é gravíssimo.”

Pois acrescento: entrevistado e entrevistadora são amostras dessa “enorme crise de valores”.

Armínio fala, a certa altura, do horror que é um sistema em que “empresas doam centenas de milhões de reais para as campanhas”.

Concordo. Muita gente concorda, aliás. E é uma pequena tragédia que Gilmar Mendes segure há tanto tempo, em completa impunidade, uma proposta de mudança de financiamento de políticos.

Mas a questão é: como foi a campanha de Aécio? Na base de água e pão? E a de Alckmin?

Armínio parece tratar os leitores do Estadão como idiotas. Do jeito como a questão foi apresentada, parece que o PT inventou o financiamento corporativo das campanhas.

Apenas o PSOL, nas eleições de 2014, optou por não aceitar dinheiro de grandes corporações.

Armínio não é Luciana Genro. Ou é?

Fosse uma jornalista mais atilada, ou menos tendenciosa, Eliane Catanhêde teria pedido explicações a Armínio quando ele falou no financiamento.

“Mas ministro”, diria ela. (Ministro seria uma concessão aceitável para um ex-futuro ministro.) “O Aécio recebeu 201 milhões de reais de empresas para sua campanha. E nem isso foi suficiente. Ele gastou 216 e ficou com 15 no buraco. Como o senhor explica isso?”

Num mundo menos imperfeito, ela iria adiante. Se o Aécio, com Armínio, não conseguiu controlar sequer o orçamento de sua campanha, como poderia sonhar em controlar as contas do país?

Volto à “gravíssima crise de valores”.

Como, à luz disso, classificar o aeroporto que Aécio construiu em Cláudio, num terreno que era da família? Ou o dinheiro que o governo de Minas, sob Aécio, colocou nas empresas de mídia da família?

Falemos do chefe de Armínio: e o dinheiro que, em malas, comprou os votos para a emenda de reeleição de FHC?

Há uma coisa peculiar no pensamento de homens como Armínio. Eles podem prevaricar copiosamente e, ainda assim, são capazes de oferecer inflamadas lições de moral.

Isso tem um nome: demagogia.

É quando você acusa os outros de fazer o que você faz.

O conteúdo econômico da entrevista segue na mesma linha. Armínio finge ver um universo pujante no qual a economia brasileira é um caso único de dificuldade.

Quem acredita nisso, para usar as palavras de Wellington, acredita em tudo.

Armínio não pode acreditar, ou seria um mentecapto. Mas aparentemente espera que os leitores — pobres leitores — acreditem.

Paulo Nogueira
No DCM
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