23 de jan de 2015

Um banho coletivo na casa de Alckmin


Na próxima segunda-feira (26), às dez horas, a entidade de defesa do consumidor “Proteste” promoverá um ato no Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador de São Paulo. Ele já foi batizado nas redes sociais de “banho coletivo na casa de Geraldo Alckmin”. Segundo a página no Facebook da entidade, até esta quinta-feira o evento já contava com 104 mil adesões. Isto não significa que todos estarão no protesto irreverente, mas evidencia que o grau de revolta dos paulistas — inclusive dos que reelegeram o tucano — aumenta a cada dia que passa. Cerca de 60% da população da região metropolitana de São Paulo já registrou a falta de água no seu sofrido cotidiano e a tendência é de caos total no Estado.

O objetivo da “Proteste” é exigir do governador maior transparência nas informações sobre a crise de abastecimento. “Será cobrado de Alckmin um decreto oficial de racionamento antes de se instituir a sobretaxa na conta de água para o consumidor que gastar mais do que sua média de consumo”, afirma o site da entidade. Ela orientou os participantes a vestirem roupões e a levarem toalhas e sabonetes no “ato descontraído”. Ela cobrará do governo que “os consumidores sejam avisados previamente sobre as regiões, datas, horários e por quanto tempo ficarão sem o fornecimento, além de campanhas educativas sobre a economia de água e a promoção do uso racional, evitando desperdícios”.

No início de janeiro, a associação obteve uma vitória na Justiça, em primeira instância, barrando a cobrança da sobretaxa pelo consumo de água. Na sequência, porém, a liminar foi derrubada pelo governo. A entidade vai recorrer da decisão. Mas ela está convencida de que só com a mobilização da sociedade será possível cobrar uma postura mais transparente do governador tucano — que conta com a cumplicidade da mídia e do poder judiciário. Na avaliação da “Proteste”, os paulistas estão sendo duplamente penalizados. Eles não têm água nas torneiras e ainda são multados pelo consumo. Um cenário surrealista! Daí a importância do “banho coletivo na casa do Alckmin”. Participe e ajude a divulgar!

Altamiro Borges
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Está reaberta a temporada de caça a Dirceu

Sempre ele
Lembro uma vez em que o atacante Mario Balotelli, então no Manchester City, exibiu sob a camisa de seu clube uma camiseta que dizia o seguinte: “Por que sempre eu?”

Balotelli, um dos melhores atacantes do time, era sempre objeto de intensas críticas e futricas, a despeito do grande futebol que jogava.

Era como se ele tivesse sido escalado para ser o cara mau.

De certa forma, Zé Dirceu poderia também mostrar uma camiseta com as mesmas palavras: “Por que sempre eu?”

É impressionante a caça a Dirceu. Quando a mídia deseja fazer uma nova rodada de ataque ao PT, você pode esperar. Lá vem “denúncias” sobre Dirceu.

Foram tantos anos de construção pela imprensa de uma imagem de símbolo da corrupção que os donos das empresas de jornalismo sabem que publicar alguma nova história sobre ele vai acender chamas num certo público de estridente e insuperável anafalbetismo político.

A perseguição a Dirceu é feroz. O que você pode ponderar é que o PT jamais teve coragem de enfrentar a mídia, mesmo no tempo de Dirceu.

Numa extraordinária aberração, o PT no poder continuou a abastecer de mensalões os barões da imprensa por meio de mamatas como anúncios, financiamentos, compras de livros e por aí vai.

Em nenhum momento Lula e Dilma disseram: “Bem, chega de farra. 500 milhões por ano para a Globo me bater dia e noite? Chega. Mais 150 milhões por ano para o Silvio Santos encher a emissora de pessoas como Sheherazade e Gentili? Chega.”

E daí sucessivamente. Ah, baixar a zero é muita coisa? Discordo, mas aceito. Então, divida-se o mensalão dos barões por dois imediatamente.

Leio, nos porta-vozes dos patrões, que Dirceu não pode ter consultoria. Quer dizer, então: ele não pode trabalhar.

Vamos tentar entender. Dirceu não pode ser consultor. Mas pessoas saídas de governos do PSDB podem.

FHC colocou na estratégica agência reguladora de petróleo em sua administração o genro, David Zylbersztayn. Claro que Zylbersztayn era um gênio, e portanto a imprensa não tinha razões para discutir se havia aí nepotismo.

Mas, terminado o casamento, acabou a carreira de Zylbersztayn na cúpula da administração do sogro camarada.

O que ele foi fazer? Foi ser consultor. De petróleo.

Isso pode.

A injustiça no caso de Dirceu é a diferença de tratamento que ele recebe. O que para outros não é notícia nem de rodapé para Dirceu vira manchete.

E vamos entender: para alguém como ele, ou a opção é ser consultor ou, simplesmente, nada.

Altos funcionários de administrações amigas da plutocracia sempre encontram propostas de emprego nas grandes empresas. A plutocracia se protege.

A Globo arrumou ocupação até para o filho de Joaquim Barbosa.

No circuito das palestras, as grandes corporações pagam cachês milionários para seus amigos. (Barbosa está vivendo disso, agora.)

Há uma rede de proteção formidável para os que ajudam o Brasil a ser o que é, um campeão de desigualdade.

Dirceu está do outro lado.

Por que quebrar o sigilo bancário dele? Para reforçar a caricata imagem que se fez dele.

É um crime jornalístico divulgar valores de consultorias antes de investigá-las. Qual seria o valor certo para os serviços prestados por Dirceu? Ou queriam que ele prestasse consultoria de graça?

Mais uma vez, está aberta a temporada de caça a Dirceu, e vale tudo.

Ele poderia repetir Balotelli, repito: “Por que sempre eu?”

Paulo Nogueira
No DCM
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Secretário de Segurança do Paraná ostenta arma na cintura em programa de TV

Secretário responde questões ao vivo em programa da TV Tribuna portanto arma de fogo
Secretário de Segurança Pública do Paraná, deputado Fernando Francischini (SD), que recebeu verba de indústria de armas em campanha eleitoral, deu entrevista à TV Tribuna com um saliente revólver na cintura

No estilo do velho oeste, o secretário de Segurança Pública do Paraná, deputado Fernando Francischini (SD), deu entrevista à TV Tribuna com um saliente revólver na cintura, dando péssimo exemplo jogando contra campanhas de desarmamento para reduzir crimes violentos e letais nas ruas.

Nem o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) chegou a este ponto. Seu filho, Eduardo Bolsonaro, também deputado, foi armado a uma manifestação com pessoas que pediam a ditadura militar, mas o revólver estava em baixo da camisa, pelo menos.

Nesta semana mesmo, um policial de Santa Catarina alcoolizado discutiu com um surfista desarmado e o matou com dois tiros. Um tragédia decorrente de abuso e irresponsabilidade no porte de arma.

Apesar de policiais poderem andar armados em várias situações — e Francischini é delegado licenciado da Polícia Federal —, nada justifica a ostentação do revólver em um estúdio de TV cercado de toda a segurança e exibido para o grande público, inclusive para crianças, às 13h. A não ser o populismo barato de querer aparecer como um "xerifão", além do "merchandising" para a indústria de armas que já financiou sua campanha eleitoral.

Francischini recebeu da Taurus, grupo fabricante de armas, R$ 50 mil para sua campanha em 2010. Durante seu mandato de deputado era apontado como um dos membros da chamada "bancada da bala".

Com a reeleição de Beto Richa (PSDB/PR), o governador tucano nomeou Francischini secretário de Segurança Pública. Se os problemas com a criminalidade já eram graves antes, depois da nomeação do secretário, as dores de cabeça aumentaram, inclusive com um escândalo político e sexual envolvendo a secretaria.

Mal foi eleito, um membro do seu partido, o Solidariedade, Josimar Távora, foi preso no dia 12 de dezembro passado na cidade de Medianeira, por uma policial civil. O motivo foi assédio sexual. Uma gravação feita por ela mostra Josimar propondo uma ida ao motel em troca de ele intervir junto à Secretaria de Segurança para ela não ser transferida.

Como prova de sua influência, na gravação Josimar mostra diálogos como o deputado estadual Felipe Francischini, filho do secretário, de quem foi um dos coordenadores de campanha na região de Foz do Iguaçu.

Josimar fala que "recuperou" 300 mil da campanha, aparentemente enviados para vereadores e secretários municipais que não cumpriram a meta de votação combinada em suas cidades. Falta explicar se e como este dinheiro foi declarado à Justiça Eleitoral e se retornou ao fundo partidário como determina a lei. Afinal, se eram despesas de campanha, ganhando ou perdendo o dinheiro estaria gasto e não faz sentido "recuperar".

Na gravação, a policial simula acabar concordando com um encontro sexual, mas quando os dois se encontraram em um posto de gasolina, ela deu voz de prisão e Josimar ainda tentou tomar a arma dela, mas acabou preso.

As gravações são reveladoras e estão também publicadas em vídeo no Youtube:



Josimar Távora: Até quando o Francischini for secretário, mesmo se ele não fosse, durante os quatro anos do Beto, você vai estar sobre minha proteção...

Josimar: Viu, só 20 minutos o que eu tenho que fazer, eu faço. Tá?

Policial civil: ‘Tá’, eu vou. [...] Vinte minutos de sexo vai valer a minha portaria?

Josimar: Vinte minutos! Vamos aqui pertinho.

Policial: É que agora eu não posso mesmo. Você sabe que eu iria...

Josimar: Vinte minutinhos... Nem vinte minutos? [...] Entendeu? A gente está aqui, já está resolvido...

Josimar: Qual é a pessoa mais próxima que organizou tudo nessa campanha? Fui eu. Se a doutora Tani (delegada) tivesse feito o que ela tinha prometido para nós, eu nem ia conversar com você, eu ia conversar direto com ela. Entendeu? Eu queria falar tudo para você, só que eu não vou falar tudo para você, resolver o seu problema e depois - aquilo que você falou - você não olha mais para minha cara. Só que você sabe que eu sei de tudo, entendeu? Toda a situação, tudo o que ocorreu, não sei a metade, eu sei tudo. Só para você ter uma ideia do naipe da conversa dos ‘cara’. Só para você ter uma ideia eu vou mostrar aqui umas gravações. Só para você ter uma ideia dos naipes das conversas. Nós recuperamos 300 mil da campanha, muitos ‘passou’ a perna em nós, entendeu? (mostrando imagens para ela) Essa aqui é minha loja. Esse aqui é vereador de Céu Azul, Brizolla. Esse cara é secretário de Santa Helena. Aqui ‘ó’. Para todo mundo sou representante, sou eu quem mando em tudo. Só para você ter uma ideia.

Deputado eleito Francischini Filho (em uma gravação): Aí Josimar, tudo bom? Já passou em alguns municípios daí, já ligou para alguns daqueles que traíram a gente para pegar de volta a ‘estrutura’? Quero ver os caras sambando agora.

Policial: Quem que é esse?

Josimar: Esse é o deputado, é o filho do Francischini.

Policial: E esse aqui?

Josimar: Aqui uma foto dele aqui ‘ó’.

Deputado eleito Francischini Filho (na gravação): Aí Jocimar, tudo bom? Já passou em alguns Municípios daí, já ligou para alguns daqueles que traíram a gente para pegar de volta a estrutura? Quero ver os caras sambando agora.

Josimar: Só vim dar o recado, depois se não devolver o dinheiro é com ele, daí.

Deputado eleito Francischini Filho (na gravação): Pode vir, Jocimar, só de manhã eu tenho compromisso na Assembleia, mas à tarde está um pouco mais liberado e especialmente à noite também. Só me liga antes daí.

Josimar: ‘Tá’ vendo? Só pra você entender as conversas.

Deputado eleito Francischini Filho (na gravação): Cara, o que teve de gente aqui. As minhas postagens no Facebook antes da eleição dava 100 curtir, 150 curtir... Vai acabar a eleição, qualquer coisa que eu posto dá 800 curtir, mil curtir... (Risada) Povo não tem ‘simancol’ mesmo. Falei para vocês... os prefeitos todos... não iam mandar ninguém embora que me ajudou, agora eles estão tudo precisando... agora é a deles que começa. Agora os foguetes apontado para os do prefeitos aí, né gente (risada).

Josimar: Agora, vou falar de um cara que a Tani indicou.

Indicado Tani (em gravação): Ô, Jocimar, você vai rodar um roteiro aí e já depois vou soltar vocês para ver uns ‘fiasqueiros’ lá de Matelândia, ‘tá’ uma vergonha. Assis Chateubriand também, Cafelândia... outra lá é Palotina também tinha que ‘tá’ com a gente... Teve um monte de município aí, que a gente vai rever. O Brizolla arrebentou, esse foi muito bom. Em Medianeira, a piazada foi bem também. Foz foi muito bom, cidade que é difícil fazer voto. Então, bola para frente agora. Passar a semana aí e vamos marcar o roteiro.

Josimar: Viu...

Policial: Ai, ‘tá’...

Josimar: Só para você ter uma ideia como está lá a coisa, então eu não posso falar pra você. Vou falar depois que eu sei que eu tenho intimidade com você, que eu sei que...

Policial: Tá, mas falando de mim... Eu quero saber de mim. Quem que quer me prejudicar? Por quê?

Josimar: Eu não posso falar...

Policial: Como que eu vou me defender? Como que eu vou saber que você está me defendendo? Mas como que eu vou saber?!

Josimar: Você viu o jeito da conversa lá. É só na segunda-feira, eu vou falar com o Felipe (Francischini), essa aqui eu não quero que mexe’. Pronto... Entendeu? Não tem ninguém que vai mexer com você. Nem o delegado-geral, ninguém.

Policial: Mas você quer sair e... é uma vez só?

Josimar: Não, vou sair uma vez com você, mas depois, se der, vamos sair mais vezes, entendeu? Eu vou ter que conversar com você... de repente você precisa de mim em outra situação, né? De repente você precisa... um cara está te incomodando, entendeu? E é rápido o meu negócio. É só uma ‘meia horinha’ só.

Josimar: Único jeito... tá?

Como se vê o secretário Francischini tem muito mais a fazer com a caneta para afastar influências políticas na secretaria que levam a propostas indecentes do que ostentar revólver em programas de TV.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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A grande empulhação dos colunistas econômicos


Grande parte dos colunistas de economia da imprensa comercial brasileira, autodenominada “grande imprensa”, comete uma fraude contra os cidadãos que acompanham as notícias no dia a dia. Eles têm uma verdadeira obsessão quando tratam de assuntos da sua área: a obsessão de acreditar que falam ou escrevem sem ideologia nenhuma, que seus comentários são isentos, práticos e objetivos, e que só mesmo a cegueira política não é capaz de enxergá-los como grandes pensadores críticos do país. Ora, ter uma visão ideológica e não assumi-la é a pior forma de cinismo e de empulhação. Essa gente não fez nem TCC no ensino médio para saber que qualquer coisa que se diga, se fala desde um lugar, desde uma teoria de interpretação sobre a realidade que se vê. E acreditar nos pilares do liberalismo sem freio, na aposta que a mão invisível do mercado pode tudo, forma um conceito tão atrasado quanto aquela regra do futebol que permitia ao goleiro segurar a bola com a mão por quanto tempo quisesse.

Pois bem. Um dos esportes prediletos desses colunistas de uma só forma de ver a economia é criticar os governos ditos bolivarianos como a Venezuela, o Equador, a Bolívia e a Argentina, não faltando tremendos esforços para incluir o Brasil na lista. A tese vale para todos: são governos gastões, populistas, anti-iniciativa privada, inimigos dos Estados Unidos e por aí vai. Dizem os guardiões do pensamento do mercado que a situação nesses países vai de mal a pior por obra e culpa dos governantes de plantão, casualmente todos eles de esquerda.

Não é que as previsões para os demais países latino-americanos também não são nada animadoras para 2015? Vamos pegar o exemplo de nações governadas pela direita para que a análise não seja entorpecida. O México terá um de seus piores anos. Indústrias norte-americanas instaladas em território mexicano estão demitindo e fechando suas portas. As chamadas “fábricas maquiladoras”, eixo central da integração do Nafta, estão indo se instalar em outras freguesias. O petróleo, principal receita do país, está com a produção em baixa e preços achatados no mercado internacional. Como entrou de sócio menor no acordo comercial com Estados Unidos e Canadá, os mexicanos correm o risco de voltar a níveis produtivos anteriores a 1980. O PIB deste ano está previsto para 1,0%. A pobreza e a violência só crescem.

A Colômbia, outra menina dos olhos dos colunistas econômicos brasileiros, teve forte queda de produção e mal ultrapassou o 1% do PIB em 2014. As previsões para esse ano são ainda mais sombrias. Aberto desde sempre ao capital estrangeiro especulativo, o país começa a assistir a saída desses capitais numa escala sem precedente. Pesa ainda a desvantagem de não ter muito para onde correr, já que a produção agrícola do país depende de commodities, cujos preços estão em baixa no mercado internacional, sem falar do problema da violência política, ainda sem solução definitiva.

O Peru, depois de três anos seguidos de crescimento, viu uma marcha à ré em 2014. Sua principal riqueza, as jazidas de minério, perdeu espaço para novos centros de produção na África e Ásia. Sem uma indústria forte, pouco terá a oferecer para garantir emprego e renda aos seus cidadãos.

Vamos colocar o Chile no rol dos países mais abertos economicamente, embora tenha um governo de inspiração esquerdista moderada. O cobre, de longe a grande cartada do país, está com preços em queda. Os investimentos externos estão caindo para os piores níveis da história e, o que é pior, iniciam um movimento de fuga, o que levou a presidente Michelle Bachelet a decretar apressadamente uma nova lei de “inversiones extranjeras”, mais liberal e sem grandes contrapartidas como a anterior.

Nesse cenário, o Banco Mundial destaca que a América Latina cresceu 1,0% em 2014, a média mais baixa dos últimos 12 anos. A projeção de crescimento do PIB é de 2,4% para este ano, um verdadeiro risco para a continuidade dos programas sociais que diminuíram em 24% a pobreza no continente. Nenhum país latino-americano ou caribenho crescerá vigorosamente, com a única exceção da Bolívia, que ainda colhe os frutos da nacionalização do setor de gás e energia. Então, onde está escrito que os únicos países que estão em difícil situação econômica são aqueles cujos governos tem ideias de esquerda? Em qual manual ficou provado que a melhor maneira de levar a economia de uma nação é abrindo todos os flancos para o investimento estrangeiro e para a total privatização dos setores estratégicos? Quem disse que desenvolvimento não combina com justiça social?

Sem dúvida, falta muito para que famosos colunistas econômicos tenham a humildade de reconhecer que, sim, falam em nome de uma ideologia a qual devotam crença inabalável e que prestam um desserviço aos consumidores de notícia quando emitem opiniões baseados em só um lado da moeda. A América Latina vive uma crise econômica que é resultado da queda brutal das commodities de matérias primas, do rearranjo do poder econômico mundial baseado na financeirização dos ativos, da precarização de seu parque industrial, da histórica falta de investimento em inovação e tecnologia e do profundo ódio que os donos locais do dinheiro nutrem contra qualquer coisa que sinalize uma pequena mudança em seu status quo.

Por isso, debater a regulação econômica da mídia é mais do que necessário; é urgente, é “pra ontem”. Somente assim poderemos almejar uma sociedade com mais pluralismo e mais democracia, com cidadãos que poderão olhar criticamente uma notícia sob variados pontos de vista e não apenas a partir da “verdade única” dos colunistas, desses endeusadores do oráculo do mercado.

Marco Piva, jornalista.
No Carta Maior
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“La verdadera operación era la muerte”

Stiuso e Nisman: "usaram ele vivo e depois precisavam dele morto", disse Cristina K
A través de su segunda nota, la Presidenta afirmó que le “plantaron información falsa” al fiscal para que realice su denuncia y sugirió que el ex agente Stiuso le escribió la acusación. “Lo usaron vivo y después lo necesitaban muerto”, sostuvo.

La presidenta Cristina Fernández consideró que las
acusaciones del fiscal eran “falsas”, aunque afirmó que
él no lo sabía.
La presidenta Cristina Fernández ratificó en una nueva carta, publicada a través de las redes sociales, su sospecha de que la muerte en circunstancias dudosas del fiscal Alberto Nisman, días después de haberla acusado de encabezar un plan para garantizar la impunidad de los sospechosos iraníes de haber participado en el atentado contra la AMIA, no fue por mano propia. La mandataria alude a una trama que involucra al ex agente de inteligencia Antonio Stiuso y que estaría vinculada con el encubrimiento del ataque terrorista, además de buscar hacer daño a la imagen interna y exterior del gobierno argentino mediante un “escándalo político y jurídico”. Además, destaca la debilidad de la evidencia presentada en su contra y asegura que la denuncia se derrumbó “como un castillo de naipes” no bien se hizo público su contenido completo.

“Hoy no tengo pruebas, pero tampoco tengo dudas. Había que traerlo (a Nisman) urgente al país para aprovechar el estrépito internacional”, manifestó CFK respecto del hombre que la investigaba y a quien ayer por primera vez menciona CFK con nombre y apellido: Stiuso, ex director de Operaciones y hombre fuerte de la Secretaría de Inteligencia (SI), desplazado en noviembre del año pasado del organismo en el que se desempeñaba desde 1972. Para ella, este espía recientemente exonerado se encuentra detrás no solamente de la sospechosa muerte de Nisman, horas antes de exponer su acusación ante el Congreso, sino de la misma denuncia que el fiscal había presentado seis días antes, apuntando contra la Presidenta y otras figuras vinculadas al gobierno por haber intentado, supuestamente, negociar con Irán la impunidad de los funcionarios de ese país investigados por el atentado.

“La denuncia del fiscal Nisman nunca fue en sí misma la verdadera operación contra el Gobierno. Se derrumbaba a poco de andar. Nisman no lo sabía y probablemente no lo supo nunca. La verdadera operación contra el Gobierno era la muerte del fiscal después de acusar a la Presidenta, a su Canciller y al Secretario General de La Cámpora de ser encubridores de los iraníes acusados por el atentado terrorista a la AMIA”, sostuvo Fernández de Kirchner en su carta, donde destaca llamativos puntos de contacto entre el armado de la denuncia y las maniobras con las que se encubrió ese ataque en los primeros años posteriores a la voladura de la sede de la mutual judía: “Al informe de Nisman le ‘plantaron’ información falsa. Casi una réplica de lo que me tocó ver en la comisión que seguía la investigación de la causa principal”, aseguró.

Stiuso

El hombre que une los puntos es Stiuso, alias “Jaime”, alias “Stiller”, activo en la SIDE desde hace más de cuarenta años y hombre fuerte de “La Casa” por lo menos durante la mitad de ese período. Como Director de Operaciones estaba a cargo de “la ojota”, u oficina de escuchas judiciales (y eventualmente parajudiciales) de la central de Inteligencia, y desde allí extendía su influencia. Nexo con los servicios extranjeros en la investigación de la AMIA, fue el encargado de instalar, a pedido de Estados Unidos e Israel, la pista iraní como rumbo excluyente de la pesquisa. Las diferencias entre “Jaime” y la Casa Rosada eran añejas pero estallaron en noviembre, cuando la Presidenta decidió descabezar la SI y pasarlo a retiro.

Las pistas falsas que Stiuso “plantó” en la investigación de Nisman, según Fernández de Kirchner, son las de los dos “presuntos agentes de Inteligencia” que el fiscal identificó en el informe como “miembros de una ‘SIDE paralela’” que funcionaba “en conexión ‘directa’ con la Presidenta, es decir, salteando a “Stiller”. Se trata de Ramón Allan Héctor Bogado y el ex juez Héctor Yrimia, que, según información desclasificada esta semana por orden de CFK, “NUNCA habían pertenecido a la Secretaría de Inteligencia, bajo ningún carácter” (la mayúscula corresponde al comunicado de la Presidenta).

En la carta, recuerda que incluso “con fecha 12 de noviembre de 2014, la Secretaría de Inteligencia denunció criminalmente al Sr. Bogado por la posible comisión del delito de ‘tráfico de influencias’, ya que se presentaba ante funcionarios de Aduana como personal de Inteligencia” y que “el 7 de agosto de 2013 se recibió en la Secretaría de Inteligencia un oficio librado por el Tribunal Oral en lo Criminal N 1 en una causa por el delito de ‘extorsión’ en el cual se solicitaba saber si Ramón Allan Bogado prestaba servicios en dicha dependencia”, lo que también se respondió de forma negativa. “Dichas actuaciones tuvieron lugar antes de que asumieran las actuales autoridades de la Secretaría y quien puso en conocimiento de las mismas a sus superiores fue precisamente el entonces Director General de Operaciones, Ing. Antonio Horacio Stiuso”, agrega CFK.

En ese punto, la Presidenta trae a cuento unas declaraciones de Nisman realizadas la semana pasada, luego de presentar su denuncia. Allí el fiscal aseguró que Stiuso era quien le proveía de la información con la que confeccionó el informe. “Si Stiuso era el que le daba toda la información que Nisman pedía y tenía, es más que evidente que fue el propio Stiuso el que le dijo (¿o le escribió?) que Bogado e Yrimia eran agentes de Inteligencia. ¿Es posible que se haya olvidado que él mismo lo había denunciado en noviembre del año pasado y se había iniciado causa judicial? Y si se había olvidado un hombre tan memorioso ¿no consultó con la oficina de Recursos Humanos?”, agregó, antes de recordar que el juez de la causa AMIA, Rodolfo Canicoba Corral, manifestó que “en lugar de colaborar” Stiuso “terminó dirigiendo la investigación”.

Castillo de naipes

En otro fragmento de su mensaje, la Presidenta destaca la forma que eligió el diario Buenos Aires Herald respecto del texto completo de la denuncia, difundido anteayer: “Nada nuevo”, tituló el matutino en lengua inglesa para graficar las serias fallas de las que adolece la imputación, cuya falta de pruebas fue incluso destacada por la jueza María Servini de Cubría, la primera en recibir la denuncia de casi 300 fojas, pero sin evidencias. También destacó “el análisis de Horacio Verbitsky, “Alerta roja”, publicado en Página/12, o el de Raúl Kollmann en el mismo diario, páginas 2 y 3... pero ya saben, no faltarían quienes los impugnaran pese a ser ambos periodistas quienes han analizado y seguido el caso AMIA desde sus orígenes. Incluso Horacio Verbitsky preside el CELS, que representa familiares de víctimas del atentado que integran el colectivo Memoria Activa”. Para CFK, el Herald, junto con Página/12 y otros medios “derribaron como un castillo de naipes lo que fue presentado como ‘la denuncia del siglo’, que demostraría nada más ni nada menos que la complicidad de la Presidenta de la República, de su Canciller, y del Secretario General de La Cámpora, en el encubrimiento de los iraníes acusados de haber participado en el atentado a la AMIA hace 21 años”.

Para Fernández de Kirchner “todo” lo que le imputaba Nisman “es falso”: así, “los agentes no son agentes”; “Interpol, en la persona de su ex jefe Ronald Noble, demolió la acusación sobre las alertas rojas afirmando que lo que decía Nisman era falso”; “el comercio con Irán decrece en vez de aumentar luego del Memorándum”; “el Gobierno nunca compró petróleo a Irán”; y “los que venden granos no son ni la Presidenta, ni el Canciller, ni el Secretario General de La Cámpora, sino en forma privada y sin intervención del Estado, entre otras, las firmas: Bunge, Cargill, Nidera, Oleaginosa Moreno de la firma suiza Glencore, Aceitera General Deheza, Molinos Río de La Plata, Vicentin, e inclusive el Sr. Jorge Aranda, directivo de Clarín, quien triangula operaciones de venta de arroz a Irán a través de la firma Molinos Libres SA”, empresas que, destaca, “no son precisamente ‘amigos’ del Gobierno, como gusta adjetivar Clarín a algunos que no responden a sus directivas o invitaciones”.

Además, involucra en la trama al PRO: “El supuesto agente iraní Jorge Alejandro Khalil”, aparente vínculo del gobierno nacional con Irán en la trama relatada por Nisman, “aparece asociado comercialmente a su hermano Alberto Amado Edgardo Khalil, quien se desempeñó como Director General de Asuntos Jurídicos de la Legislatura porteña”, cargo al que renunció “8 días después del procesamiento y dictado de prisión efectiva al ex Jefe de la Policía Metropolitana Jorge ‘el fino’ Palacios por espionaje telefónico, entre otras personas, a familiares de víctimas de la causa AMIA”, recuerda. “Resulta extraño –agrega– que quien profesa con tanto fervor la fe islámica, lo cual merece mi mayor respeto, y es incondicional defensor de la República Islámica de Irán, algo completamente legal en Argentina, se asocie con dirigentes de un partido manifiestamente anti-iraní. Porque si bien los parientes no se eligen, los socios comerciales sí.”

Nuevos interrogantes

Para la Presidenta, “la acusación de Nisman no sólo se derrumba, sino que constituye un verdadero escándalo político y jurídico” en el que “el estrépito de la denuncia, aún sin pruebas ni sustento, plagada de información ‘plantada’, quedaba sepultada por la muerte del fiscal”, pocos días después de que el ataque terrorista en París del 7 de enero sacudiera a la opinión pública mundial. “Al fiscal Nisman no lo hacen volver sólo para denunciar algo que sabían no tenía sustento y que no podía perdurar — señala —. Lo usaron vivo y después lo necesitaban muerto. Así de triste y terrible.” En ese sentido, agrega, “Nisman mismo expresa en su chat cuando dice que no lo imaginaba tan pronto refiriéndose a lo que venía a hacer en su retorno imprevisto. Lo que nunca pudo imaginar es que el tiempo no solamente había comenzado a correr para la ‘denuncia del siglo’, sino también para su propia vida”.

En ese contexto, Fernández de Kirchner se pregunta si “tal vez lo hicieron venir por lo ocurrido en Francia” o tal vez la denuncia, “pensada para la campaña presidencial (...) se adelantó por los cambios efectuados en la Secretaría de Inteligencia”. La pregunta que ronda en la mente de la mandataria es “por qué se iba a suicidar” el fiscal, reforzando la idea que ya había dejado caer en su primera carta publicada luego de conocerse la noticia, en la que hablaba de un “caso de ¿suicidio?”, colocando esa palabra entre signos de pregunta.

También, dice que es “por lo menos raro” que haya utilizado el arma que le había proporcionado un día antes su colaborador Diego Lagomarsino, y pidió “que se le otorgue mucha protección”, así como “que se ordenen sumarios e investigaciones lo más rápidamente posible sobre la propia custodia del fiscal Nisman” para saber “si informaron inmediatamente de descubierto el hecho al 911 o a sus superiores” y “cómo se permitió el ingreso al lugar donde estaba el cuerpo del fiscal Nisman a un médico privado de una obra social antes de dar cuenta al juez, a sus superiores, a los forenses”.

La segunda carta de la Presidenta despertó críticas de la oposición, quienes la acusaron de haber dado un “sorpresivo giro” por dudar ahora de que la muerte de Nisman se haya tratado de un suicidio, reiterando un argumento con origen en los medios de comunicación opositores y que no se condice con el texto de la primera carta, en el que ella ya expresaba sus dudas. Desde el gobierno nacional ratifican que “no hubo ningún cambio” en la postura oficial con respecto al caso. “Es una situación sensible y antes de sacar conclusiones esperamos que la fiscal y la jueza estén a la altura de las circunstancias y actúen de la mejor forma posible — manifestaron desde Casa Rosada ante la consulta de este diario —. La postura de Cristina siempre fue la misma, no cambió: es un caso que despierta muchas dudas, tal como dijo en su comunicado.”

Nicolás Lantos
No Página|12
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Filme que está fazendo sucesso em Davos


A desigualdade social em sete bolas de neve


“Metade da população global vive entre a bicicleta e o carro”, explica o professor sueco Hans Rosling, especialista em desigualdade do Instituto Karolinska.

Em uma entrevista à BBC na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o professor juntou sete bolas de neve para explicar a distância entre ricos e pobres no mundo.

Rosling diz que a situação mundial melhorou, que muitas pessoas vivem hoje nas bolas de neve “do meio” — bolas que não existiam no passado, quando só havia um mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento.

Ele cita o Brasil como exemplo de um país emergente com uma numerosa classe média, que conquistou poder de consumo — e se encontra “nas bolas do meio”.

“A desigualdade no mundo está diminuindo, mas nos países (está) aumentando. É um pouco complicado”, explica Rosling.

“A distância entre os pobres em países em desenvolvimento e os ricos do mundo desenvolvido está diminuindo. Então, a desigualdade no mundo cai.”

“Porém, dentro dos países em desenvolvimento, apesar de os pobres terem melhorado, os ricos ficaram ainda mais ricos, o problema está dentro dos países. Isso é o que chateia as pessoas, a falta de dinheiro e principalmente o estigma social diante da falta de condições básicas.”

No Caf
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Perito da PF vê “indício de armação” no áudio de Eduardo Cunha, reforçando a hipótese de fraude

Ele
Crescem as evidências de que o grampo denunciado pelo deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) pode ser uma fraude. Cunha é candidato à presidência da Casa.

Na terça-feira 20, o deputado federal Paulo Teixeira (SP), ex-líder do PT na Câmara, lançou dúvidas sobre a motivação por trás da iniciativa de Eduardo Cunha, reportou André Barrocal nessa quinta-feira no site da CartaCapital. Teixeira escreveu no twitter:

“Sentindo a derrota para a presidência da Câmara, inventa um factóide e atira-se na área para cavar um pênalti. Cartão amarelo!”

Na quarta-feira 21, reportagem de O Globo (na íntegra, abaixo) publicou uma avaliação do áudio feita pelo perito Ricardo Molina. Segundo ele, a gravação é “fraudulenta”, retrata uma “encenação” em que os dois homens estariam seguindo um roteiro previamente combinado, “visivelmente planejado”.

Na reportagem, Molina disse ainda que não há traços de hesitação na fala das duas pessoas supostamente flagradas no grampo, o que prova que não houve interação espontânea entre eles:

Em conversações, sejam telefônicas ou diretas, há uma série de traços, já bastante estudados no âmbito da Linguística, que permitem verificar se se trata de uma interação espontânea ou não. No caso em tela podemos afirmar, com bastante segurança, que não se trata de uma conversação espontânea, e por vários motivos: cada interlocutor permite que o outro fale sem haver sobreposições; inexistem hesitações, típicas da fala espontânea; inexistem marcadores conversacionais, “entendeu?”, “viu?”, “né?” etc.; a entonação não é típica de fala espontânea. Muito provavelmente os dois interlocutores estão seguindo um script previamente elaborado, não necessariamente lido durante a interação, mas visivelmente planejado — disse.

Nesta sexta-feira 23, a Folha de S. Paulo publicou outra avaliação, que reforça a hipótese de o áudio ser uma fraude.

Foi feita pelo perito André Morrison, que chefia o serviço de análise de áudio e vídeo da Polícia Federal e preside a Associação Nacional dos Peritos Federais:

“A falta de naturalidade na fala é muito acentuada. Parece que estão lendo um texto. Isso é indício de armação”.

Aguardemos os próximos lances.

De qualquer forma, quer desvendar o futuro de alguém? Conheça o seu passado. Diz muito. No caso de Eduardo Cunha, tem muitos telhados de vidro. Pelo menos o histórico do seu passado é bem desabonador.

* * *

Perito vê indícios de armação em áudio mostrado por Cunha

23/01/2015  02h00

A gravação que o líder do PMDB na Câmara, o deputado Eduardo Cunha, apresentou na terça-feira (20) como suspeita de que ele é vítima da máquina do governo tem indícios de “armação”, segundo o perito André Morrison, que chefia o serviço de análise de áudio e vídeo da Polícia Federal.

“A falta de naturalidade na fala é muito acentuada. Parece que estão lendo um texto. Isso é indício de armação”, disse à Folha Morrison, que preside a Associação Nacional dos Peritos Federais.

Cunha é candidato à presidência da Câmara dos Deputados e apresentou a gravação como uma orquestração da cúpula da PF para atingi-lo e beneficiar o candidato petista ao cargo, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Cunha disse ter recebido o áudio de um policial federal. Na conversa, um suposto aliado de Cunha fala com outro homem que menciona dinheiro para não incriminar o deputado. “Se eu ficar abandonado, eu vou jogar merda no ventilador. Está todo mundo enchendo a burra de dinheiro e eu estou abandonado e duro, sem grana”, diz alguém que diz ser da PF.

O perito da PF afirma que uma das poucas conclusões que dá para tirar do diálogo gravado é que ele não ocorreu por telefone.

Conversas telefônicas têm uma frequência de até 4.000 Hertz, segundo Morrison, e no diálogo apresentado por Cunha essa grandeza chega a 16 mil Hertz (frequência, nesse caso, é a oscilação de ondas gerada pela fala).

Texto lido

Há também, segundo o perito, indícios de que o texto foi lido. Ele cita duas características da conversa para chegar a essa suspeita.

Não há sobreposição nem interrupção de diálogos, como acontece na vida real; um espera o outro terminar sua fala para começar a sua parte, como se fosse uma peça de teatro amador.

“A fala tem um ritmo e uma entonação natural. Aquela fala não tem naturalidade alguma. Há sinais de que foi uma conversa acordada”, afirma Morrison.

Outra característica inusual da gravação é que, no final do diálogo, o padrão da conversa sofre uma mudança abrupta, um indício, ainda segundo Morrison, de que a leitura foi interrompida e os dois começaram a entabular um diálogo mais natural.

O perito diz que só é possível identificar os interlocutores que fizeram a gravação se a Polícia Federal chegar a suspeitos e cotejar o padrão de vozes, já que a fala de cada pessoa difere da de outra como a impressão digital. A PF instaurou inquérito para investigar a gravação.

Sem identificar os suspeitos que conversam, seria impossível descobrir os donos daquelas vozes, ainda de acordo com Morrison.

Isso ocorre porque o país não conta com um banco de vozes com milhões de registros, como acontece com a polícia dos Estados Unidos.

* * *

Áudio divulgado por Eduardo Cunha é ‘encenação’, diz perito

21/01/2015 15:49 / ATUALIZADO 21/01/2015 17:17

RIO – A gravação apresentada à imprensa na terça-feira por Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara e candidato à presidência da Casa — na qual, em uma conversa entre duas pessoas, um homem se faz passar por um policial insatisfeito que teria sido “esquecido” por Cunha e estaria em busca de pagamentos —, é “fraudulenta” e retrata uma “encenação”, em que os dois homens estariam seguindo um roteiro previamente combinado, “visivelmente planejado”, disse o perito Ricardo Molina. A questão agora é descobrir o autor da gravação fraudada.

Segundo o especialista, que analisou o áudio a pedido do GLOBO, não há traços de hesitação na fala das duas pessoas, o que prova que não houve interação espontânea entre eles.

— Em conversações, sejam telefônicas ou diretas, há uma série de traços, já bastante estudados no âmbito da Linguística, que permitem verificar se se trata de uma interação espontânea ou não. No caso em tela podemos afirmar, com bastante segurança, que não se trata de uma conversação espontânea, e por vários motivos: cada interlocutor permite que o outro fale sem haver sobreposições; inexistem hesitações, típicas da fala espontânea; inexistem marcadores conversacionais, “entendeu?”, “viu?”, “né?” etc.; a entonação não é típica de fala espontânea. Muito provavelmente os dois interlocutores estão seguindo um script previamente elaborado, não necessariamente lido durante a interação, mas visivelmente planejado — disse.

Eduardo Cunha afirmou a jornalistas que um suposto policial, que teria lhe fornecido a gravação, teria informado que a “armação” estava sendo orquestrada pela cúpula da Polícia Federal, a mando do governo. O deputado alegou estar sendo vítima de uma armação que teria como objetivo constranger sua candidatura à presidência da Câmara. Considerado o favorito na disputa pelo cargo, Cunha já percorreu em campanha as 27 unidades da federação, superando a marca da presidente Dilma Rousseff (PT) e do senador Aécio Neves (PSDB) nas viagens durante a campanha presidencial do ano passado.

Ele contou ter sido procurado no último sábado em seu escritório no Rio de Janeiro por um homem que se apresentou como delegado da Polícia Federal e que teria lhe denunciado uma movimentação interna no órgão para incluir o nome de Cunha em um inquérito em andamento.

Peritos divergem sobre circunstâncias da gravação

No laudo técnico produzido por Molina, ele afirma que os dois homens estavam no mesmo ambiente na hora da conversa. O que descarta, portanto, a tese de que estariam falando ao telefone e de que a gravação teria sido obtida por meio de grampo.

Já o perito Mauro Ricart garante que a conversa foi feita pelo telefone. Ele não soube precisar, no entanto, se a gravação foi feita por um dos dois homens ou por meio de grampo.

— É gravação telefônica, de uma pessoa para outra via telefone. Mas há muito tempo não vejo uma gravação de tão alto nível técnico, estou até surpreso. É de uma nitidez impressionante, não é coisa de amador. Um dos dois pode ser o captador, mas pode ser um captador de fora, um grampo — disse Ricart.

No fim do documento produzido por Ricardo Molina, ele afirma que a gravação é fraudulenta e que não pode ser considerada autêntica:

— A gravação é fraudulenta, no sentido de tentar simular uma situação inverídica (…). A gravação não pode ser considerada autêntica, no sentido em que retrata apenas uma encenação e não uma interação espontânea.

Pelo Twitter, Cunha negou nesta terça-feira que esteja acusando o governo na denúncia feita aos jornalistas. “Tanto que procurei o próprio governo, no caso o ministro da Justiça, para abertura de investigação policial do fato”, disse.

Em quatro tuítes escritos em sequência, o peemedebista explica que apenas relatou a versão que lhe foi passada:

“Boa tarde a todos. Quero deixar bem claro que não acusei o governo de nada na denúncia que fiz. Tanto que procurei o próprio governo,no caso o ministro da Justiça, para abertura de investigação policial do fato. Se tivesse a certeza de que era o governo teria procurado direto o MP e não o governo. O que relatei foi a versão que me passaram, o que não quer dizer que tenha aceito a versão como fato”, escreveu

Conceição Lemes
No Viomundo
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Azeitona

Ele: — Como se sabe, a humanidade é dividida em duas facções: a dos que comem a azeitona primeiro e depois tomam o Martini, e a dos que deixam para comer a azeitona depois de tomar o Martini.

Ela: — Noto que seu Martini está pela metade, e a azeitona continua intacta.

— Sou da segunda facção. E você, o que está tomando?

— Um Krakatoa. O único drinque no mundo baseado num vulcão.

— Vi pela fumacinha...

— O drinque é ruim, mas dizem que, quando se tomam dois, a ressaca no dia seguinte é uma experiência transcendental.

— Isso é verdade?

— Não se sabe. Até hoje, ninguém conseguiu tomar dois. E o seu Martini. Está perfeito?

— Um Martini nunca está perfeito, mas é o mais próximo que o homem jamais chegará da perfeição.

— Na sua opinião, então, um Martini, mesmo imperfeito, é a criação máxima da humanidade?

— O Martini é o adágio do concerto para oboé e cordas em ré menor do Alessandro Marcello.

— É isso que deixaremos para a posteridade? Nada mais? Nem uma catedral? Nem um soneto?

— Não haverá posteridade. Sei de fonte segura que a civilização ocidental acabará hoje, às 23h30m, hora de Brasília. Impreterivelmente.

— Assim, de repente?

— Não é de repente. A civilização ocidental vem decaindo há muito tempo. Vem morrendo aos poucos. Hoje será o fim definitivo.

— Na sua opinião, quando foi que começou o declínio da civilização ocidental?

— Nesse caso, também, as opiniões se dividem. Há quem diga que foi a Descoberta da América por Cristóvão Colombo, um evento com graves consequências históricas do qual o mundo nunca se recuperou. Outros dizem que foi a invenção da pizza com abacaxi.

— E não tem volta? Não deixaremos nada para trás, a não ser ruínas? Seremos a primeira geração da História sem uma posteridade?

— Mas isso será ótimo. Você não vê? Uma posteridade significaria gente remexendo nossas ruínas, tentando nos entender pelo que encontram. O que pensariam de um vibrador com a cara do George Clooney? E as conclusões erradas a que chegariam? Confundiriam o Papa com a Peppa! Não, é melhor desaparecer sem rastros. Deixa eu comer minha azeitona.

— Mas você ainda não chegou ao fim do seu Martini.

— Eu sei, mas já são 23h27m. Não temos mais tempo.


‘Há quem diga que declínio da civilização ocidental começou com a Descoberta da América por Cristóvão Colombo, um evento com graves consequências históricas’

Luís Fernando Veríssimo
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Vai pra Cuba Constantino!!!

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Sem investir, governo Alckmin importa energia e aumenta risco de apagão

Governo não aumentou a produção para atender à demanda e nem exigiu investimentos do setor privatizado pela política tucana; o jeito foi buscar energia de fora garantida por investimentos da União

Usina de Três Irmãos, a maior do rio Tietê, começou a ser
construída em 1980, em plena ditadura
São Paulo – A população paulista, que enfrenta a maior crise de abastecimento de água de toda a sua história, com a possibilidade de colapso já nos próximos meses conforme já admite o próprio presidente da Sabesp, Jerson Kelman, pode ter pela frente outra ameaça: a falta de energia elétrica. Isso porque o aumento da demanda por energia no estado não foi acompanhado por investimentos no setor.

O alerta é do presidente da Federação dos Urbanitários do Estado, Gentil Teixeira de Freitas. A entidade representa trabalhadores dos setores de água e energia. De acordo com ele, desde 1997, quando foram privatizadas empresas como a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) não foram feito investimentos para a ampliação da produção.

"Uma grande luta dos trabalhadores foi para incluir nos editais de privatização a obrigatoriedade de expansão de 15% no que estava sendo comprado. O governo, que já não tinha investido, vendeu tudo e não cobrou o cumprimento dos editais. Pelo menos até ontem, nada foi ampliado", afirmou.

Conforme o dirigente, faltaram investimentos também em fontes alternativas, como energia eólica, com grande potencial em regiões como Botucatu e São José dos Campos, entre outros, em termelétricas e em tecnologias para extração de energia do bagaço de cana, por exemplo.

"Os governos paulistas conseguiram ser ainda mais incompetentes que os de outros estados, também administrados por tucanos. Em MG houve ampliação da geração e em muitos outros estados há investimentos para obtenção de energia eólica."

O problema, conforme explica, é que o estado mais rico da federação, que concentra a maior produção industrial e tem o maior mercado consumidor, compra energia de fora, que chega ao estado por meio das linhas de transmissão — os chamados linhões — construídas do governo Lula para cá para trazer a energia produzida em usinas de outros estados. "Fica tudo nas costas da União", diz.

De acordo com Freitas, o governo paulista tem condições de construir. Localizadas no rio Paraná, entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, as usinas de Jupiá e Ilha Solteira compõem um complexo hidrelétrico construído entre os anos de 1965 e 1978, em plena ditadura. Foram privatizadas a partir de 1997, não receberam mais investimentos.

Além disso, o estado não aderiu à proposta federal de renovação das concessões das hidrelétricas, como parte do programa para a redução de tarifas de energia para consumidores residenciais e empresariais. Com isso, as usinas foram devolvidas à União, que acabou abrindo editais de concessões.

No ano passado, a União assinou concessão para a usina de Três Irmãos, a maior do rio Tietê, que também tinha sido concluída no final dos anos 1970. O controle passou para um consórcio formado por Furnas e uma empresa do setor de portos e pavimentação."A gestão das usinas pela iniciativa privada, preocupada apenas com o lucro, está por trás do aumento das tarifas", aponta ele.

Segundo o próprio Balanço Energético do Estado de São Paulo 2014, da Secretaria estadual de Energia, entre 2004 e 2013, a produção paulista de energia subiu de 76.865 GWH (gigawatts) para 80.091 GWH — um aumento de 4,19%. No mesmo período, a importação, também em GWH, passou de 48.208 para 90.885 — 88,52% a mais — para atender a um consumo que partiu de 111.982 para 153.147, correspondente a 36,76% de aumento.


Cida de Oliveira
No RBA
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O escândalo da importação de energia é de 0,12% do que o Brasil gasta!




A imprensa, com estardalhaço, anuncia que o Brasil está importando energia da Argentina e Paraguai.

Está.

Exatos 90 megawatt, ontem.

O equivalente a estrondosos 0,12% dos 73.780 MW consumidos ontem no país.

Uma quantidade, como se vê, ridícula, embora, nesta seca, qualquer 10 mil réis sejam úteis.

Irrelevante, sob qualquer aspecto.

Mas o Brasil importava energia antes?

Sim, e muito mais.

Peguei, ao acaso, um dia de 2002, na crise energética tucana.

Importamos 673 MW da Argentina e do Paraguai no mesmo dia 21 de janeiro de 2002.

Ou 1,89% da carga de 35.647 MW consumida pelo país, proporcionalmente 15 vezes mais.

(Sim, porque o consumo — e a produção — de energia mais que dobraram de Fernando Henrique para cá, embora a população tenha crescido pouco mais de 20%)

Não me recordo de qualquer escândalo por isso.

Até porque, de lá para cá, importamos ou exportamos energia (e, aí, até 1.000 MW) conforme as disponibilidades da região sul do Brasil e dos países vizinhos.

Mas, agora, qualquer defeito local, a maioria das distribuidoras de energia, vai virar “prova” de que estamos na iminência de um baita apagão.

O jornalismo, no Brasil, é a política.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Convém notar as diferenças Chinaglia e Cunha


Disputa pela presidência da Câmara está longe de ser uma guerra entre concorrentes igualmente ruins

A maioria dos analistas políticos acostumou o eleitor a enxergar todas as disputas da Câmara de Deputados como uma deprimente troca de favores por votos, um leilão descarado por verbas públicas e provas de prestígio — e mesmo coisa pior. Essa visão costuma embaçar a visão das disputas de Brasília que, muitas vezes, são aquilo que não se consegue enxergar — lutas políticas.

O malefício mais recente dessa visão é considerar que a disputa entre Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) pela presidência da Câmara, que se resolverá em 1 de fevereiro, não passa de um confronto entre concorrentes iguais em seus defeitos e em sua falta de sintonia com as necessidades da maioria dos brasileiros.

Essa é uma visão que interessa a quem deseja a crise a qualquer custo e aposta no quanto pior melhor.

Introduzido no primeiro escalão da política brasileira pelo tristemente inesquecível tesoureiro PC Farias, Eduardo Cunha é o candidato dos falsos moralistas e reacionários, como Marco Feliciano. Também tem apoio dos partidários de um golpe militar, como Jair Bolsonaro. Político de interesses particulares e “particulares”, Eduardo Cunha representa o que de mais atrasado se pode encontrar no Congresso.

Faz a política da pré-política, do tempo medieval que insiste em sobreviver, no qual senhores feudais de paletó e gravata não separam o público do privado. Qual sua causa? Quais interesses? Não importa. Caso venha ser vitorioso, irá quebrar um recorde. Ele é a favor do quê mesmo?

Pela primeira vez, o presidente do Congresso terá interesses especiais a defender. Nem Severino Cavalcanti, flagrado quando recebia um dinheiro de um dono de restaurante no parlamento, poderia ser definido assim.

Ninguém sabe, neste momento, quem vencerá a disputa pela presidência da Câmara de Deputados, onde Eduardo Cunha (PMDB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), chegaram a um empate técnico. (Há poucas horas, uma das mais competentes raposas de Brasília estimava que Arlindo avançava com uma pequena vantagem no olho eletrônico mas vamos combinar que isso é puro palpite, longe de um levantamento real).

Há menos de um mês a vitória de Eduardo Cunha era tida como inevitável como a chegada da quarta-feira de Cinzas depois do Carnaval. Um número considerável de dirigentes do PT passou o Reveillon debatendo se era conveniente enfrentar Eduardo Cunha, em vez de aderir a sua candidatura em troca de um cargo na Mesa diretora.

O pessimismo era tanto que vozes respeitadíssimas temiam o pior. Convencidas de que Eduardo Cunha já formara um conjunto de alianças invencível, se perguntavam se não era tarde demais até para bater na porta na posição de quem vai pedir uma esmola.

O empate técnico mostra o absurdo dessa visão.

Ocorre em Brasília, neste momento, uma disputa política em torno de apostas para o futuro e remédios para o presente — e é com argumentos dessa natureza que os aliados de Arlindo Chinaglia têm conseguido reforçar sua candidatura.

Será que halterofilistas do discurso ético ficarão à vontade no interior da espessa nuvem de rumores que cerca Eduardo Cunha? Vão dar o braço nas passeatas que pedem repressão aos gays, em quem defende a restauração da ditadura?

O caráter extremista da candidatura de Cunha — alguns observadores o definem como catastrofista — parecia ser o ingrediente ideal para uma Câmara a ser empossada num ambiente em ambiente de fim do mundo. Até parecia que a situação brasileira era essa, logo após a vitória de Dilma por uma margem pequena, quando ouvia-se gritos por impeachment e golpe milita em passeatas enfeitadas por estrelas do PSDB de Aécio Neves e comentários ambíguos de Fernando Henrique Cardoso, sobre o legal e o legítimo.

O ambiente, hoje, evolui em outra direção. Dilma montou um ministério com diferenças notáveis em relação ao primeiro mandato, como indicam as medidas econômicas, que, adequadas ou não, pouco tem ver com o que se fez no governo e se disse na campanha.

Embora uma quantidade imensa de brasileiros ainda não tenha se acostumado com a desenvoltura de um Joaquim Levy num governo do PT — e é até possível que isso nunca venha a ocorrer — é difícil negar que a ideia de emparedar seu governo para forçar um ambiente de crise permanente está murchando, e essa situação que esvazia a candidatura de Eduardo Cunha.

Paulo Moreira Leite
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Os precedentes perigosos da Lava Jato


Há algo de errado na forma como a Operação Lava Jato está sendo conduzida pela Força Tarefa e pelo juiz Sérgio Moro.

Havia uma impotência no ar, pela maneira absurda com que foram interrompidas a Operação Satiagraha — que investigava o banqueiro Daniel Dantas — e a Operação Castelo de Areia — que flagrou corrupção da Camargo Correia em São Paulo.

Aliás, os vazamentos seletivos da Polícia Federal contra o PT e o governo são uma represália pela maneira como o governo Lula liquidou com a Satiagraha e com os funcionários públicos que ousaram enfrentar o poder econômico.

* * *

No início, envolvidos até o pescoço com a luta partidária, os grupos de mídia blindaram o juiz Sérgio Moro e a Força Tarefa. A dimensão dos escândalos apurados fortaleceu ainda mais o trabalho dos investigadores.

Montou-se, então, uma parceria entre delegados, procuradores e mídia que transformou a Lava Jato em um bólido incontrolável, atropelando todos os princípios de prudência e de respeito a direitos individuais.

* * *

Tome-se o caso do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

O usual é se decretar a prisão preventiva de quem se prepara para fugir do país. Cerveró foi preso quando voltava de uma viagem. Acusam-no (sem provas) de possuir um patrimônio de US$ 40 milhões no exterior. É preso sob a acusação de sacar R$ 400 mil de um plano de previdência e de transferir três imóveis para filhos.

* * *

Procuradores vão para a Suíça e declaram ao correspondente que estão atrás de provas contra determinada construtora. Não é que encontraram provas: apenas estão atrás de provas, que podem ser encontradas ou não. E isso vira notícia.

* * *

O jogo se desenvolve em duas frentes.

A primeira é a dos balões de ensaio. Delegados e procuradores passam qualquer boato para a imprensa, sai a notícia sem nenhuma informação consistente e, com base nela, abre-se o inquérito. O mero aparecimento do nome de suspeitos, pessoas física ou empresas, e o alarido da mídia, intimida juízes, desembargadores e Ministros do STF, que acabam deixando o juiz Moro sem nenhum freio.

* * *

Aparentemente toda a investigação está se dando em cima de delação premiada, seguindo um roteiro complicado.

Mantém-se várias pessoas presas por prazo indeterminado. Só tem expectativa de sair quem aderir ao instituto da delação. Quase todas as delações têm como advogado Beatriz Cattapreta cujo escritório, aliás, é indicado por PFs para réus inclinados a delatar.

Nas sessões de delação comparecem apenas o juiz Moro, delegados, procuradores e a advogada. As delações são dirigidas.

Os réus ficam presos por tempo indeterminado, sob ameaça de serem conduzidos para presídios comuns. E só tem expectativa de liberdade quem aceitar as regras do jogo, "Laranja" do doleiro Alberto Yousseff, com 68 anos e problemas cardíacos, João Procópio está preso desde março em um presídio comum. Reincidente — depois do acordo de delação no caso Banestado — Yousseff conseguiu reduzir sua pena para cinco anos.

No começo do ano, ainda havia algum pudor: delegados e procuradores negavam que prendessem pessoas para forçá-las à delação. De novembro para cá, assume-se publicamente a tática.

* * *

Há riscos nessa falta de limites.

O primeiro, dos inquéritos serem insuficientes e passarem a sensação de impunidade. O segundo, de criar o precedentes de conferir a qualquer juiz de primeira instância o direito de sair prendendo.

Luís Nassif
No GGN
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Nota à Imprensa de José Dirceu

Empresa de Dirceu presta esclarecimentos sobre contratos de trabalho com clientes

A propósito de reportagem divulgada ontem em telejornais — reproduzida em jornais de hoje — sobre a decisão de uma juíza do Paraná, de quebrar o sigilo bancário e fiscal do ex-ministro José Dirceu no desdobramento das investigações da Operação Lava Jato, a assessoria  do ex-ministro-chefe da Casa Civil divulgou nota em que presta esclarecimentos.

A assessoria informa que os contratos comerciais de trabalho firmado pela consultoria do ex-ministro, a JDA, com empresas nada tem a ver, com as apurações em curso na Petrobras.

Vejam, abaixo, a íntegra do esclarecimento prestado pela empresa do ex-ministro José Dirceu:

NOTA À IMPRENSA

A respeito da reportagem veiculada pelo Jornal Nacional nesta quinta-feira (22), a JDA esclarece que prestou consultoria às empresas UTC, OAS e Galvão Engenharia, conforme contratos, para atuação em mercados externos, sobretudo na América Latina e Europa.

A relação comercial com as empresas não guarda qualquer relação com contratos na Petrobras sob investigação na Operação Lava Jato. O ex-ministro José Dirceu está à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos à Justiça.



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Policiais são os maiores agressores de jornalistas, diz Fenaj


Relatório mostra que, dos 129 jornalistas agredidos no país no ano passado, 62 foram vítimas da violência policial, ou seja, 48,06%

O perfil da agressão a profissionais da imprensa mudou nos últimos anos. O Relatório da Violência contra Jornalistas 2014, divulgado na quinta-feira (22) pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mostra que os crimes deixaram de ter motivação política e passaram a ser cometidos por policiais, sendo a maioria em manifestações. Dos 129 jornalistas agredidos no país no ano passado, 62 foram vítimas da violência policial, ou seja, 48,06%.

O documento destaca ainda, em 2014, a morte de três profissionais, entre eles, o repórter cinematográfico da TV Band, Santiago Ilídio Andrade, vítima de rojão disparado por manifestantes em protesto no Rio. Embora em percentual menor do que a violência policial, ataques a jornalistas por pessoas em manifestações chegaram a 16 casos e preocupam.

“A maioria [das agressões] partiu de agentes policiais, principalmente das polícias militares, em boa parte, da polícia paulista, onde houve excesso”, diz o presidente da Fenaj, Celso Schröder. “Em segundo lugar, estão os manifestantes, com 12,4% [das agressões] e políticos, também com 12,4%”, completa. No mundo, Schröder explicou que jornalistas mortos ou vítimas de violência atuam na área de polícia ou na cobertura de conflitos de guerra.

Em comum, as agressões por policiais ou manifestantes ocorreram em protestos, com 50,39% dos casos, sendo a maioria no Sudeste. Em geral, as vítimas trabalhavam em veículos impressos, eram repórteres fotográficos ou cinematográficos, diz o presidente da Fenaj, alertando para a consolidação de uma tendência que começou nas manifestações de 2013.

Para enfrentar esse perigo, a Fenaj cobra que os crimes sejam tratados em esfera federal e que seja criado um Observatório Nacional da Violência. A expectativa é que o órgão seja criado este ano, pela Secretaria de Direitos Humanos e pelo Ministério da Justiça, que passariam a fazer também a interlocução com agentes de segurança nos estados.

No Rio, onde o repórter da Band, foi morto, a presidenta do Sindicato dos Jornalistas do município, Paula Máiran, além de cobrar investigação e responsabilização das agressões, acrescenta que as empresas de comunicação precisam garantir treinamento adequado às equipes, equipamentos de proteção para coberturas e respeito à Cláusula de Consciência dos Jornalistas, que permite ao profissional recusar tarefas em desacordo com o Código de Ética.

Embora não seja uma justificativa para os ataques, Paula disse que, na capital fluminense, “jornalistas nas ruas acabam atacados como representantes das empresas onde trabalham, diante da revolta com a linha editorial manipulada e distorcida de veículos”, e lembrou que a prerrogativa de recorrer à Cláusula de Consciência é uma das 16 recomendações feitas às empresas de comunicação pelo Ministério Público do Trabalho e pelo sindicato.

O Relatório da Violência contra Jornalistas, feito com dados contabilizados pela categoria, segundo a Fenaj, registrou agressões, ameaças, assédio, intimidações, injúria racial, censura, impedimento ao trabalho e prisões e detenções. Segundo o relatório, esses são casos de violações do direito humano à comunicação, à liberdade de imprensa e expressão.

Isabela Vieira
No Agência Brasil
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A tática dos executivos: fazer da Lava Jato o novo mensalão e tentar anular o processo


Os jornais desta quinta-feira (22) estamparam o que parece ser a tática adotada pela defesa de executivos envolvidos na Operação Lava Jato: tratar da corrupção na Petrobras como uma continuidade do chamado mensalão de 2005 (Ação Penal 470) e levantar pontos na condução do processo que possam render sua nulidade.

É para onde aponta a peça de defesa do vice-presidente da Engevix Gerson de Mello Almada, segundo publicação do jornal O Globo. O executivo, preso desde novembro passado, acusa o governo Dilma Rousseff (PT) de "lotear” a máquina administrativa para "satisfazer partidos políticos" e usar a Petrobras para “geração de montantes necessários à compra da base aliada do governo”. 

O deputado Carlos Sampaio (PSDB) já usou o fato para sustentar que é "evidente que o esquema de corrupção na Petrobras foi articulado com o objetivo de comprar parlamentares aliados e financiar o projeto de poder do PT."

A defesa do empresário ainda argumenta que a denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra Almada não pode ser aceita pois é falha. Ela deixou de fora um ponto fundamental, no entendimento dos advogados: faltou contextualizar o “plano de manutenção” do PT no governo federal. 

“A denúncia não pode ser recebida, pois não conta a verdade, fim precípuo do processo penal. Vale registrar alguns fatos notórios, outros emergentes dos próprios autos do inquérito policial, que desapareceram da acusação: faz mais de doze anos que um partido político passou a ocupar o poder no Brasil. No plano de manutenção desse partido no governo, tornou-se necessário compor com políticos de outros partidos, o que significou distribuir cargos na Administração Pública, em especial, em empresas públicas e em sociedades de economia mista."

A equipe de O Globo não observou que há depoimentos na Lava Jato dando conta de que políticos e partidos alheios à base aliada também são suspeitos de terem sido beneficiados no esquema de corrupção na Petrobras. Caso do PSB e PSDB, para citar dois protagonistas da última disputa presidencial. Tampouco lembrou de artigo publicado por empresário tucano na Folha, relatando que tem conhecimento das relações promíscuas entre empresários e a Petrobras antes mesmo de o PT chegar ao Planalto.

A questão Sergio Moro

Além da petição de Almada, outra peça de defesa foi alvo de reportagem hoje no Estadão. Trata-se do pedido dos advogados de João Procópio, acusado de movimentar as contas do doleiro Alberto Youssef no exterior. O pleito é direto: o processo da Lava Jato deve ser anulado e o juiz Sérgio Moro, que cuida da tramitação no âmbito da Justiça do Paraná, declarado impedido de atuar no caso.

Os dois principais argumentos: Moro teria atuado no processo do mensalão como auxiliar da ministra Rosa Weber. No decorrer da AP 470, teria tido acesso a informações que agora o ajudam a desdobrar a Lava Jato. Além disso, para os advogados, a Lava Jato deveria tramitar no Supremo Tribunal Federal de maneira integral, já que cita políticos com foro privilegiado. Hoje, o processo está desmembrado para abranger não só os parlamentares como os empresários e ex-diretores da Petrobras.

Cíntia Alves
No GGN



Lava Jato sofre pedido de nulidade e é associada ao mensalão

A defesa de um "laranja" do doleiro Alberto Youssef entrou com um pedido de nulidade do processo da Lava Jato e de declaração de impedimento do juiz Sérgio Moro, que conduz a investigação no Paraná, em função de sua atuação na Ação Penal 470, o chamado mensalão. Moro foi auxiliar da ministra Rosa Weber e, na visão dos advogados de João Procópio, os fatos do mensalão são "conexos aos que originaram as investigações da cognominada Operação Lava Jato."

"É necessário salientar que há que ser reconhecida a existência de situação de impedimento do magistrado Sérgio Fernando Moro, eis que funcionou em fatos conexos aos que originaram as investigações da cognominada Operação Lava Jato como assessor da Ministra Rosa Weber, quando do processamento e julgamento da ação penal n.º 470 (Caso Mensalão)", afirma a defesa, segundo publicou o jornal O Estado de S. Paulo nesta quinta-feira (22).

"Não há dúvida que os fatos lá apurados dizem também respeito aqueles que foram e continuam sendo investigados nesta operação; vossa excelência, portanto, tomou conhecimento na qualidade de auxiliar da Justiça, em outra instância, de fatos determinantes para a investigação que culminou nesta e em inúmeras ações penais. Requer-se, portanto, seja reconhecida a situação de impedimento", acrescentam os advogados.

A peça de defesa ainda pede a nulidade de todo o processo da Lava Jato. O motivo? Segundo os advogados, a tramitação deveria ocorrer no Supremo Tribunal Federal desde o momento em que políticos com foro privilegiado foram envolvidos no processo. O documento cita o ex-deputado federal José Janene, morto em 2010.

"Há também a necessidade de se reconhecer que os feitos originários investigaram deputado federal investido no cargo. É por demais artificial a justificativa póstuma de que o feito visava a investigação apenas de Alberto Youssef; uma simples leitura dos documentos produzidos àquela época demonstram que era de fatos dos quais José Janene participara que se tratava a investigação".
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“Vá pra Cuba, companheiro!”


Campanha arrecada fundos para ajudar nas despesas de viagem do militante Enio Barroso, que vê no tratamento em Cuba uma esperança para atenuar os sintomas causados por uma grave distrofia muscular

“Primeiro, preciso dizer que a solidariedade é minha única ideologia e minha única religião”. A frase é de Enio Barroso Filho, um dos mais emblemáticos militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e um símbolo dos ideais genuínos da luta de esquerda. Acostumado a dedicar seus esforços pelo bem-estar coletivo, agora ele se surpreende ao ser alvo de uma grande rede de amigos mobilizados em ajudá-lo.

A campanha “Vá pra Cuba, companheiro!” tem reunido várias pessoas com um único objetivo: custear as despesas para o tratamento de Enio no país caribenho e, assim, atenuar as dificuldades trazidas por uma séria distrofia muscular congênita. A doença degenerativa faz com que se perca o tônus muscular ao longo dos anos e, além de comprometer os movimentos do corpo, ainda causa disfunções como dores, câimbras e fadiga.

Apesar de ser um problema comum na família — uma tia, inclusive, morreu bastante jovem por consequências da distrofia —, Enio levou uma vida normal até os 28 anos, quando passou a sentir fraqueza nas pernas e nos braços. O diagnóstico veio em 1985 e, a partir daí, precisou caminhar com o uso de bengala e abandonou a profissão de químico. Há 7 anos, se tornou cadeirante e, com o passar da idade, percebeu a doença avançar em uma velocidade ainda maior.

Agora, ele vê em Cuba uma possibilidade de reduzir os sintomas, já que não há ainda uma cura definitiva para a doença. A escolha do destino foi baseada, além da qualidade, no viés humanista do sistema de saúde cubano. Segundo ele, o acompanhamento é feito de modo personalizado, com especialistas de variadas áreas e uma visão mais voltada às particularidades do paciente. “Em Cuba, me parece que serei tratado como um amigo que precisa de ajuda”, afirmou.

Mas, para isso, é preciso arrecadar uma quantia de aproximadamente R$ 50 mil, incluindo os valores das passagens de ida e volta (a viagem de um acompanhante é obrigatória), hospedagem, seguro-saúde, taxas e outras despesas. Enio pretende fazer vídeos diários para mostrar informações sobre a estadia e os progressos do tratamento em Cuba. Todo o registro do material poderá ser acompanhado no blogue pessoal do ativista.

Ao contrário do que se imagina, todo esse processo tem sido encarado com esperança e bom humor. “Como pode ver, a minha vida foi tumultuada demais para ser levada a sério”, disse. “É tudo o que eu preciso: melhorar minha qualidade de vida e o consequente prolongamento das minhas perspectivas, que até aqui me foram apresentadas como breves”, concluiu.

Enio Barroso é filiado ao PT desde o primeiro dia de fundação do partido. Trabalhava no Polo Petroquímico de Capuava, em Santo André (SP), quando surgiram, no final dos anos 1970, as históricas greves do ABC. Ali, conheceu o então sindicalista Lula e lutou por melhores salários para sua categoria, além de consolidar a resistência ao regime militar.

Atuou no movimento estudantil e foi preso por quatro vezes. Morou e militou um tempo em Porto Alegre. Mas, ao descobrir a doença, precisou voltar a São Paulo, onde ocupou posteriormente cargos nas gestões municipais de Luiza Erundina e Marta Suplicy. Atuou ainda como assessor parlamentar e participou de inúmeras campanhas políticas.

A experiência como “blogueiro sujo” — termo criado pelo tucano José Serra para hostilizar a blogosfera formada por militantes de esquerda — teve início com as limitações trazidas pela distrofia. “Tudo começou quando a vida me tirou os pés do chão e me sentou na cadeira de rodas”, explicou. Hoje, ele se orgulha de ter presenciado tantos momentos marcantes e de ter contribuído para as transformações sociais em andamento no país.

Como ajudar

Quer colaborar com a campanha? As doações podem ser feitas em qualquer quantia.

Para utilizar o Pagseguro, clique aqui. Ou pode ser feito um depósito direto em conta poupança:

Enio Barroso Filho
104 – Caixa Econômica Federal
CPF 000.831.558-21
Agência 0244 – Casa Verde
Operação: 13
Conta Poupança: 19636-2

Maíra Streit
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