22 de jan de 2015

Goldman insiste na possibilidade de oposição pedir impeachment de Dilma

Ele
O 1º vice-presidente nacional do PSDB, ex-governador paulista Alberto Goldman, defendeu inesperada e extemporaneamente que a oposição deveria cuidar do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “Se houver motivos para denunciá-la (a presidenta) como tendo cometido crime de responsabilidade e se o quadro político e econômico continuar a se deteriorar, pode ser a saída democrática necessária. Talvez a única”, pontificou do alto de seu reaparecimento, o ex-governador Alberto Goldman.

Goldman já vinha falando disso, inclusive no início da semana aconselhou a oposição a discutir o que fazer diante da crise financeira e das denúncias de corrupção que atingem a Petrobrás — discutir, na opinião dele, com a alternativa do impeachment em mente. Goldman teve a falta de senso de ironizar que não entende por que parte do eleitorado petista havia se indignado com o fato de ele levantar a possibilidade do impeachment.

Até foi capaz de ironizar, dizendo que os mais jovens podem até não se lembrar, mas isso foi o que aconteceu em 1992, com o então presidente Fernando Collor de Mello. “Não se perpetrou, então, nenhum golpe. Usou-se do texto constitucional e da legislação em vigor para, democraticamente, retirar do poder um presidente que não correspondia às necessidades da Nação”, afirmou.

Tudo o que ele disse aplica-se aos governos tucanos de que participou

Goldman concluiu: “se para o País o impeachment é a saída para abrir perspectivas melhores para todos temos a obrigação de usá-lo como o instrumento legal apropriado”. E ficou dando voltas, teorizando — mas, no fundo sustentando o assunto e sugerindo o impeachment… Coisa que o PT, partido líder da oposição durante o tucanato (1995-2002) jamais fez, nem nos piores momentos e escândalos dos governos FHC… Nem quando houve a denunciada compra de votos para aprovar a emenda da reeleição que beneficiou primeiramente o ex-presidente tucano.

Mas, o que se constata e se pode dizer é que tudo o que o candidato a golpista tucano disse agora pode se aplicar ao governo paulista do qual ele faz parte. Aliás, Goldman foi o homem forte no governo Quercia e vice-governador de José Serra, que renunciou 10 meses antes do término do governo, quando Goldman teve a oportunidade de se tornar governador.

Vivemos ou não um descalabro total em São Paulo? Ou não é gravíssimo, apesar da mídia esconder, o escândalo do cartel do metrô e trens urbanos, que envolveu 5 parlamentares tucanos e que só veio a tona com a delação, o acordo de leniência da Siemens no CADE-Conselho Administrativo de Defesa Econômica? Lógico, como envolveu tucanos, 3 já foram absolvidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — a denúncia da Procuradoria-Geral da República nem foi aceita. Dois aguardam o voto de desempate do ministro Luís Fux.

E a SABESP, a CPI do Cachoeira-Goiás e os apagões em todas as áreas em são Paulo?

E a SABESP? Pode uma empresa privatizada na prática pelos tucanos distribuir lucros durante décadas — os tucanos governam São Paulo há décadas — e não investir, levar São Paulo a essa estado de racionamento, rodízio e falta de água? Quando ela sofrerá uma devassa? E onde está a imprensa que tanto fustiga a Petrobras todos os dias e esconde o escândalo do Cartel tucano?

Esconde, aliás, como fez com as ligações do tucanato com Carlinhos Cachoeira, o empresário-bicheiro que chegou a capturar o poder num Estado governado pelos tucanos, o de Goiás. A que interesses serviram a SABESP, o metrô paulistano e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e quem são os governantes responsáveis pelos bilhões desviados do sistema de transporte público de São Paulo?

Eles não deixam apurar. Nada. Isso sem falar na situação da segurança pública e na gravíssima crise da agricultura de São Paulo, hoje uma monocultura sucro-alcooleira… Francamente, não há como se dar razão, nem em respeito à oposição, para a estultice desse tucano de bico fino, serrista de quatro costados, pregador de golpe via legislativo ao ressuscitar inoportunamente o impeachment…

No Blog do Zé
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Às vezes você tem que ouvir o premiê da China para entender a economia do Brasil

Li Keqiang, premiê chinês
É extraordinário.

Às vezes você tem que ouvir o premiê da China para entender a economia do Brasil, tamanha a carga de má informação e análise tendenciosa da mídia brasileira.

Em Davos, o premiê chinês Li Keqiang definiu falou sobre a desaceleração de seu país. Nos anos do milagre chinês, o crescimento bateu em 14% ao ano.

Para 2015, a  expectativa é 7%. O universo treme, hoje, diante do fantasma de uma China sem vigor suficiente para empurrar a economia mundial.

“O arrefecimento da China é parte do ajuste da economia mundial.”

Troque a China pelo Brasil e você terá o diagnóstico da economia nacional.

É uma verdade simples e incontestável: o arrefecimento do Brasil é parte do ajuste da economia mundial.

Mas quantas vezes você viu isso?

Ao longo da campanha, com seu peculiar cinismo demagógico, Aécio disse copiosas vezes o contrário.

Era como se o Brasil fosse um caso isolado de baixo crescimento numa economia global intrepidamente aquecida.

Nesta mistificação, Aécio recebeu a contribuição milionária de colunistas econômicos como Míriam Leitão e Carlos Sardenberg.

Gosto de dizer que um dos propósitos do jornalismo é jogar luzes onde existem sombras. O que o jornalismo econômico fez foi o inverso: mais sombras onde já havia sombras criadas por Aécio.

Não se trata de negar erros que possam ter sido cometidos na política econômica. Mas de assentar o debate na base a partir da qual a discussão pode ficar séria: a economia mundial vive desde 2008 uma crise séria, e o Brasil é parte do todo.

Num primeiro momento, depois de 2008, os países emergentes pareceram a salvação do mundo. Mas com o correr do tempo ficou claro que não era bem assim.

Também os emergentes passaram a sofrer: China, Brasil, Índia e Rússia.

Na raiz da crise iniciada em 2008 estava a ressaca do thatcherismo, a doutrina conservadora da premiê britânica Margaret Thatcher.

Moda nos anos 1980, e copiado no Brasil na década seguinte por FHC, o thatcherismo defendia coisas como a desregulamentação do mercado financeiro.

Entregues à própria ganância, os grandes bancos do mundo foram fazendo operações cada vez mais arriscadas.

Uma hora a realidade se impôs e a festa acabou.

A quebra espetacular e em dominó de muitos daqueles bancos foi a senha para a crise que pôs de joelhos a economia global.

No Brasil, a ortodoxia thatcherista ressurgiu no debate graças a Armínio Fraga, o ex-futuro ministro da economia de Aécio.

Fraga é Thatcher desde antes de nascer.

O eleitorado disse não ao thatcherismo. Disse 54 milhões de vezes não. Mas Dilma parece não ter achado bem isso, ainda que vitoriosa com uma campanha que negava a ortodoxia, e colocou Joaquim Levy para comandar a economia.

Este é um bom debate: por que essa concessão ao conservadorismo econômico batido nas urnas?

Mas, enquanto for invocada a falácia do “Brasil-estagnado-num-mundo-próspero-e-feliz”, estaremos condenados a debates que apenas emburrecem os que os levam a sério.

Paulo Nogueira
No DCM
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Lula visita ENFF e defende atuação dos movimentos sociais no Brasil

“Esta Escola é exemplar e o MST está de parabéns pelo sucesso alcançado. Continuem formando quadros para as mudanças que o país tanto precisa”, afirmou.



Na manhã desta quarta (21/1), o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva conheceu a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), acompanhado do jornalista e ex-ministro Franklin Martins.

Durante a visita, Lula percorreu por todas as instalações da Escola e conversou com militantes do MST sobre o atual cenário político nacional e latinoamericano.

“Esta Escola é exemplar e o MST está de parabéns pelo sucesso alcançado. Continuem formando quadros para as mudanças que o país tanto precisa”, afirmou o ex-presidente.

Para Lula, a atuação dos movimentos sociais “fará a diferença” neste próximo período. Ele defendeu a imprescindibilidade da Reforma Política e a necessidade da unidade da esquerda para o avanço das conquistas para os trabalhadores brasileiros.

“O papel do movimento social é não ser subserviente ao Governo. Não se pode abrir mão de defender os interesses do movimento que representa”, completou.

De acordo com Rosana Fernandes, integrante da Direção Nacional do MST e da coordenação pedagógica da ENFF, a visita de Lula, na condição de amigo do Movimento, integra as comemorações dos 10 anos da Escola, fundada em janeiro de 2005, mas também é espaço para se debater a reforma agrária.

“A luta pela terra é o grande motor da nossa organização. Por isso, perguntas como o porquê que não se fez a reforma agrária e o porquê que nossa pauta de reivindicação não foi executada devem ser feitas. Não queremos que Lula fique contra a presidenta Dilma, mas que ele influencie para que a reforma agrária seja feita”, disse Rosana.

HEINRICH AIKAWA.jpg

Mayrá Lima
No MST
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A recessão vai 'curar' o Brasil?

A elevação da Selic em mais meio ponto custará outros R$ 6 bilhões em juros. É um exemplo do remédio para consertar a perna da girafa que quebra seu pescoço

O segundo governo Dilma começou há 21 dias.

Há vinte, ele se dedica integralmente ao propósito de convencer os mercados (financeiros) e o setor produtivo de que o Brasil tem futuro.

Dito assim parece trivial.

O Brasil enfrenta desequilíbrios intrínsecos à luta pelo desenvolvimento sob a hegemonia do capital financeiro globalizado.

Mas o faz do alto da quinta maior extensão territorial do planeta.

Praticamente todo o seu território é habitável, nele vivem mais de 200 milhões de pessoas; a economia formal inclui 90 milhões de assalariados; a renda per capita vinha crescendo acima de 2% ao ano, em média; desse conjunto brotou um mercado de consumo de massa que abrange 53% da população.

A engrenagem tem um encontro marcado com um pico de investimentos em infraestrutura entre 2015 e 2017 — algo da ordem de R$ 300 bilhões. Uma espiral de produção de petróleo extraído das maiores reservas descobertas no século XXI vai dobrar a oferta nacional em cinco anos.

O pré-sal reúne escala e tecnologia que lhe conferem viabilidade mesmo quando o xisto norte-americano jogar a toalha.

Em um planeta açoitado por uma crise de demanda, com o hálito gelado da deflação soprando o cangote das principais economias ricas, um aparato com essas características, autossuficiente em alimentos e minerais, faria inveja a boa parte das nações.

Mas a elite brasileira decidiu que o Brasil é uma girafa de pé quebrado.

— De que adianta uma girafa de pé quebrado?, pergunta, enquanto se prepara para ‘ajustar’ o pescoço com um facão.

O aparato midiático, que fala em nome dos funileiros de girafas, exige e aplaude medidas que agravam os desequilíbrios apontados como impeditivos investimento brasileiro.

Os paradoxos em marcha suscitam dúvidas.

Por exemplo: onde é mais importante aplicar os recursos fiscais escassos do país?

No pagamento de juros cada vez mais abusivos aos rentistas, como decidiu o Banco Central nesta 4ª feira ao elevar a Selic de estratosféricos 11,75% para 12,25%?

Ou na pavimentação acomodatícia de um chão firme para o emprego e o investimento industrial?

A terceira alta seguida da Selic em mais meio ponto custará outros R$ 6 bilhões em juros ao país.

É um exemplo do remédio para ‘consertar’ a perna da girafa que quebra o seu pescoço.

Agora, ela não tem dificuldade apenas para andar; mas também parou de comer.

Adicione-se ao picadinho em marcha, o corte de salvaguardas trabalhistas e sociais, como o seguro desemprego e a elevação do custo do crédito ao consumo, que inibe a demanda e, por tabela, fulmina o investimento.

O mais notável, porém, é o que vem em seguida.

Apesar do adiantado estado de implantação do tratamento — que já somariam 1% do 1,2% de arrocho fiscal almejado — as sondagens são implacáveis: o pessimismo empresarial está em alta; as intenções de investimento em baixa.

Afinal, se o Brasil avança para ser uma girafa que não anda, nem come, investir para quê e onde?

Desequilíbrios macroeconômicos antecedentes explicam uma parte dos braços cruzados do capital diante das urgências do país.

Um exemplo consensual à esquerda e à direita: o câmbio valorizado.

Nos últimos dez anos, a demanda brasileira por manufaturados criou um milhão de empregos — na China, graças à valorização do Real.

O déficit comercial da indústria somou meio trilhão de dólares nos últimos 15 anos.

Nas últimas três décadas, de 1982 a 2012, a participação da indústria no PIB recuou quase 13%. (uns quatro pontos no ciclo de governos do PT, quase nove no do PSDB).

Em vez de investir, fabricantes trocaram as máquinas por guias de importação.

Ou venderam sua fatia do mercado local aos fornecedores externos.

Uma parte do capital apurado foi para o mercado financeiro; a outra nem ingressou aqui, desembarcando direto em paraísos fiscais.

A elite brasileira é detentora da quarta maior fortuna global depositada nesses abrigos do dinheiro frio.

Subjacente ao desmonte industrial há uma mutação ideológica.

Os que renunciam à industrialização abraçam o ideário oposto: filiam-se ao poderoso partido rentista.

São os novos corneteiros do juro alto.

O conjunto explica uma parte dos impasses de um governo que se propõe a fazer uma aliança de desenvolvimento com aliados que bateram em retirada.

Não se trata de teoria conspiratória, é um pedaço da história do Brasil dos dias que correm.

O rentismo não é uma patologia do capitalismo no século XXI.

É um desdobramento inerente à dinâmica de um sistema deixado à própria lógica.

Sem os contrapesos de forças em sentido contrário, o capitalismo quanto mais dá certo, mais dá errado. Nos seus próprio termos: corta o pescoço da girafa para consertar o pé.

O rentismo é o sonho de libertação dos detentores do capital. E o abismo para a sociedade.

É justamente a realização global desse sonho, decorrente do desmonte do aparato regulatório do pós-guerra, que levou à captura dos mercados, das elites, da mentalidade de uma parte da classe média e do horizonte empresarial — bem como de todo o sistema político — pela lógica rentista.

A mesma que agora engessa o desenvolvimento brasileiro.

A dificuldade extrema de injetar racionalidade aos capitais que se comportam, todos, como capital estrangeiro diante da sociedade, é o calcanhar de Aquiles do keynesianismo nos dias que correm.

Leia-se, da esquerda desafiada a gerir o sistema sem dispor, ainda, de meios para transformá-lo.

Quando a abundância de capitais se transforma em um poder antagônico à abundância dos investimentos requeridos pela sociedade, não há ‘ajuste técnico’ que conduza ao desenvolvimento.

Quanto mais se recorta a girafa, mais distante fica a sua regeneração.

Quem vê no capitalismo apenas um sistema econômico, não a dominação política intrínseca a sua encarnação social, petrifica-se diante desse paradoxo.

Quando o governo destina receita para fomentar o pleno emprego (o seguro desemprego é uma forma de sustentar o mercado de trabalho), é acusado de gastança fiscal.

Quando corta despesas e a economia é destinada ao pagamento de juros, é virtuoso e austero.

Certamente há distorções a corrigir.

Desonerações salariais sem garantia legal de manutenção do emprego semearam o cinismo patronal.

Caso das montadoras: depois de embolsarem R$ 12 bi em renúncia fiscal, demitiram 12,4 mil trabalhadores em 2014. Só não acrescentaram mais 800 cabeças ao patíbulo, agora, porque uma greve de dez dias obrigou a Volks a rever a decisão.

O buraco é mais fundo.

A hipótese de que se possa injetar racionalidade ao capitalismo brasileiro com a paradoxal adoção, mesmo parcimoniosa, de sua irracionalidade na gestão econômica, soa otimista.

Nesse vácuo, o comando da sociedade fica submetido aos impulsos rentistas se não for afrontado por uma outra lógica de forças políticas organizadas.

Em resumo: o Brasil não tem mais (faz tempo que não tem) um empresariado ao qual se possa delegar a retomada de um ciclo de desenvolvimento.

A coagulação rentista da sociedade, com uma elite perfeitamente integrada ao circuito da alta finança global, cobra da democracia novos instrumentos de participação popular para dar ao investimento sua finalidade social.

O economista Thomas Piketty, autor do elogiado ‘O capital no século XXI’, demonstra como a regressividade rentista promoveu uma mutação em nosso tempo.

Faz parte dela o ‘murchamento’ produtivo, coroado por uma desigualdade crescente e hereditária, quase um atributo biológico.

Ganhos financeiros sempre superiores ao crescimento médio do PIB deslocam à cepa dos rentista fatias progressivamente mais gordas da riqueza social.

Cristaliza-se uma oligarquia aleitada na teta dos juros.

Atender a demanda dessa casta — como faz a ‘solução Levy’ — torna ainda mais remoto o fim que se alega perseguir: a retomada do investimento produtivo.

Pior que isso.

A maximização do retorno financeiro, ao lado do arrocho sobre a produção e o consumo, contamina todas as dimensões do cálculo econômico submetendo o investimento já existente aos padrões de retorno da ganância rentista.

Pressionados a entregar fatias crescentes do lucro aos acionistas, dos quais dependem em última instância no cargo, os ‘managers’ corporativos atendem à ‘república dos dividendos’ em detrimento do lucro retido para investimento.

Um exemplo do quanto isso custa à sociedade?

A gloriosa gestão tucana da Sabesp.

Eleita como uma das empresas preferidas dos acionistas estrangeiros, ela privilegiou a distribuição de dividendos em prejuízo do investimento na incorporação de novos mananciais.

Saldo: o racionamento de fato no fornecimento de água a uma São Paulo que figura como uma das maiores concentrações urbanas do planeta.

O baixo incremento da produtividade na economia brasileira também guarda relação com a supremacia da lógica financeira.

Diante da atrofia do investimento privado em pesquisa e tecnologia, como o lucro produtivo pode competir com o retorno do dinheiro a juro?

Maximizando a exploração da mão de obra.

No caso brasileiro, esse intento é incompatível com a existência de um mercado de trabalho que bordeja o pleno emprego.

Uma coisa é negociar com trabalhadores espremidos em filas de desempregados vendendo-se a qualquer preço.

Outra, fazê-lo em um mercado em que a demanda por mão-de-obra cresceu mais que a população economicamente ativa.

O desafio da luta sindical nos próximos meses será justamente impedir o desmonte dessa fronteira que separa o ganho real de salários da hegemonia absoluta do capital.

Se além de resistir quiser avançar, o passo seguinte é mais audacioso.

No ambiente globalizado, a liberdade de capitais dá ao rentismo um poder imiscível com a indução do investimento para a construção de uma democracia social.

Ou seja, controlar a liberdade de capitais está para os trabalhadores assim como destruir o pleno emprego para o capital.

No limite, a receita conservadora só se viabiliza integralmente com o esfarelamento do Estado, uma vez que se trata de erradicar a dimensão pública da gestão da economia.

A marcha dessa radicalização na Europa coleciona manifestações mórbidas que não deveriam ser encaradas como um folclore distante.

A tragédia recente em Paris e as eleições gregas do próximo domingo constituem marcadores históricos dessa polarização global.

Vivemos um tempo em que a saúde dos mercados e a deriva da sociedade e do seu desenvolvimento não são realidades contraditórias.

Antes, exprimem uma racionalidade impossível de se combater sem uma intervenção política que enquadre os mercados e instrumentalize o Estado para agir nessa direção.

Essa moldura histórica magnifica a importância da Política Nacional de Participação Social e da regulação da mídia que ressoam na mesa do segundo governo Dilma.

Para que tenham peso nas grandes escolhas da encruzilhada brasileira é crucial que o governo não se satisfaça em tê-las ali apenas como um aceno de participação e um ornamento de democracia.

Enfeitando a mesa, enquanto a machadinha do açougueiro pica a girafa na sala ao lado.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Evo Morales: En Bolivia mandan los indios, no los gringos

El presidente Evo Morales asumió hoy su tercer mandato presidencial
Foto: Xinhua
Morales destacó que desde que llegó al poder la brecha entre ricos y pobres ha disminuido 42 veces.

Evo Morales asumió este jueves el tercer mandato consecutivo del Estado Plurinacional de Bolivia ante la Asamblea Legislativa Plurinacional, juramentado por el vicepresidente Álvaro García Linera. 

Las actividades comenzaron en horas de la mañana de este jueves con un desfile de representantes de los movimientos sociales y los parlamentarios bolivianos hasta la Plaza Murillo en la capital administrativa, La Paz (oeste).

Tras su ratificación como presidente de Bolivia, Evo Morales, admitió estar emocionado por asumir nuevamente el mandato de la nación, “tengo la enorme responsabilidad de asumir cinco años más, gracias a la lucha del pueblo boliviano y los movimientos sociales”.

Recordó cuando en el año 2002, la madrugada del 22 de enero, fue expulsado del Congreso por la derecha de ese país, “volver a ser posesionado por tercera vez es un orgullo para mi”.

Destacó los nueve años del Estado Plurinacional, “esto demuestra que tenemos democracia y estabilidad política, eso me sorprende a mi”.

También en corto tiempo se ha cambiado la situación social y economía del país aunque manifestó que todavía falta terminar y profundizar.

Logros económicos

Morales también dio a conocer el crecimiento del Producto Interno Bruto (PIB), desde el año 2005 y hasta el 2014 hubo un crecimiento del 5,1 por ciento.

“Según datos de organizaciones internacionales Bolivia tiene mayor crecimiento económico, de un 5,5 por ciento”, informó el mandatario.

Se refirió a que en el año 2005 el 10 por ciento más rico tenían 128 más veces más ingresos que el 10 por ciento más pobre, al 2013 la diferencia se redujo 42 veces, “este es el socialismo”. 

“En corto tiempo hemos crecido”, afirmó.

En materia del salario mínimo, recordó que en ocho años no había sido incrementado, no obstante, durante la gestión de Morales aumentó un 227 por ciento, “ya no somos el último país”.

“Todas estas políticas, programas sociales y económicos nos ha permitido que Bolivia no solo sea conocida, sino respetada. Es la lucha de los movimiento sociales, Tenemos un Estado plurinacional digno”, afirmó el dignatario boliviano.

Compromisos

Resaltó la reducción de la pobreza y se comprometió a mejorar los servicios básicos en tres departamentos de Bolivia. 

También prometió construir hospitales de tercer y cuatro nivel para superar la dependencia del país en materia de atención hospitalaria especializada e iniciar el seguro universal de salud.

De igual modo se refirió a la industrialización de los recursos naturales, decisión que permitirá mejorar la economía nacional. 

Anunció la construcción de una ciudad científica, donde se darán becas a estudiantes.

En cuanto a la infraestructura, garantizó la comunicación vial entre el oriente y occidente boliviano, además de aeropuertos internacionales para los nueve departamentos.

“Todo esto se hizo con la unidad del pueblo boliviano”, culminó.

No teleSUR



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As digitais de Serra nos malfeitos da Sabesp e na crise da falta de água em SP

Ele
Há um personagem tentando sair de fininho, como a Pantera Cor de Rosa quando escapa na ponta dos pés, da mixórdia da Sabesp e da crise da falta de água em São Paulo.

Trata-se de José Serra.

Em 2009, quando ele era governador, um alerta foi disparado. O relatório final do Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê registrava que o Sistema Cantareira apresentava altas garantias de atendimento, mas tinha “déficits de grande magnitude”. Havia uma série de recomendações. Não saberemos se a Sabesp seguiu qualquer uma delas. Provavelmente, não.

Serra não foi chamado a responder por nada. Continua posando de gestor magnífico. Em novo artigo no Estadão, escreve que “memória informa e também é política”. Vale para os outros, não para ele.

Ele não é uma nota marginal no colapso da Sabesp. A ex-presidente Dilma Pena, por exemplo, aquela que falou que não avisava a população da gravidade da situação por “orientação superior”, foi indicação sua. Dilma foi sua secretária de Saneamento e Energia.

Depois que prefeitos do oeste da Grande São Paulo reclamaram do saneamento “caótico”, ele chegou a admitir que a companhia era “o problema número 1 da região”. O que fez?

Propaganda.

De acordo com um levantamento do Estadão, cinco estatais bateram recordes de despesas com publicidade em 2009. Sabesp, Metrô, CPTM, CDHU e Dersa gastaram 340,6 milhões de reais. A Sabesp foi a que mais gastou.

Foi aberta uma sindicância do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para apurar irregularidades numa campanha veiculada nacionalmente. O valor total do contrato com duas agências de publicidade era de 44 milhões. Na época, o TRE do Rio pediu às TVs Globo e Bandeirantes informações a respeito. A Globo levou, sozinha, 7,45 milhões naquele verão.

Gente do Brasil todo, cujos estados eram atendidos por outras empresas, ficaram cientes da competência da Sabesp — e, por extensão, do homem que concorreria à presidência no ano seguinte.

Para quem combate com fervor jihadista o “aparelhamento”, Serra também usou a estatal como cabide de empregos.

Antero Paes de Barros, ex-senador de Mato Grosso pelo PSDB, foi nomeado conselheiro. Barros despachava diretamente de Cuiabá. (Serra, aliás, já havia usado desse expediente para dar uma mão ao ex-deputado Roberto Freire, aliado de todas as horas, premiado com o cargo de conselheiro em outras estatais).

Na Folha, o presidente da Sabesp desde janeiro Jerson Kelman atribuiu os problemas a fatores esotéricos. “São Pedro tem errado a pontaria, tem chovido, mas não onde deve chover”, escreveu. É uma insistência em subestimar a inteligência alheia. Como diz o senador José Serra, memória informa e também é política.

Kiko Nogueira
No DCM
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Alckmin está perdido e tucanos não sabem o que fazer na crise d’água


Agora eles, governador e sua gente tucana, reagem. Apenas isso. Daí a cada dia Geraldo Alckmin anuncia uma coisa, uma alternativa como solução para a crise. Ontem o governador anunciou que vai transpor água da represa Billings (zona sul paulistana e região do ABCD) para os sistemas de abastecimento Cantareira e Alto Tiete, cujos reservatórios continuam continuam secando (Cantareira tinha, ontem, só 5,5% de sua capacidade, já com o uso do volume morto).

Mas o governador jogou sua “proposta” no ar. Não sabe quando começa a tal transposição, não sabe se ela é viável, não cita datas e os técnicos dizem que a alternativa, se funcionar, só tem condições de oferecer resultados em 2018.

Os tucanos paulistas tiveram a chance e podiam ter tomado as necessárias medidas preventivas para evitar que a situação chegasse a esse ponto há 5 anos, quando técnicos e especialistas — da USP inclusive — entregaram em 2009 ao então governador José Serra as sugestões e advertências de que se não fossem adotadas providências, chegaríamos a essa calamidade.

Tucanos engavetaram alternativas em 2009 e agora correm de um lado para outro

Mas a maior parte das propostas era obra que ia para debaixo do chão. Engavetaram tudo e agora Geraldo Alckmin fica correndo de um lado para outro, de uma solução paras outra. aliás, outra proposta que a SABESP anunciou, de redução ainda maior da pressão da água na rede, foi criticada por unanimidade pelos técnicos.

Eles dizem que a medida vai contaminar e prejudicar a qualidade da água e boa parte desses técnicos defende outra solução: combate já,  imediato ao desperdício de água que na rede paulista ultrapassa os 35% um dos índices mais altos do mundo. Hoje o presidente da SABESP anunciou que poderá vir rodízio de água por aí — quer dizer, ele deve estar se referindo à oficialização de um rodízio no abastecimento, que já existe há anos em muitos e muitos bairros da capital e grande São Paulo.

E assim, enquanto correm de um lado para o outro e não solucionam o problema do racionamento (na prática) e da falta d´água os tucanos paulistas literalmente tapam buracos para que a água não acabe de vez para milhões de paulistanos e paulistas,com efeitos devastadores sobre a atividade econômica e riscos incalculáveis para a saúde publica.

Têm medo de expor a real situação e de tomar medidas drásticas

Adotam um comportamento errático, a cada dia uma descoberta da “pólvora”, ao invés de expor ao país e a São Paulo a real situação e tomar medidas drásticas como o racionamento real e assumido e mobilizar toda a sociedade na capital paulista e no Estado São Paulo para superar a crise e buscar saídas emergenciais.

Mas, não, não têm coragem de encarar nada disso. O governador Alckmin, seguro do apoio da mídia e de sua maioria fisiológica na Assembleia Legislativa, do silêncio do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), do Ministério Público Estadual (MPE-SP) e do Judiciário, da cumplicidade portanto dos poderes públicos, empurra com a barriga a crise.

Continua alternando fugas e desaparecimentos (como registraram os jornais no início da semana, quando ele se escondeu para não falar da crise d’água) com entrevistas afáveis e simpáticas, sorrindo… uma tragicomédia!

No Blog do Zé
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A crise hídrica e a mentira nossa de cada dia


Tenho até este momento mantido um baixo tom de crítica aos meus colegas engenheiros de São Paulo, mas agora chegou ao limite, a cara de pau ultrapassou tudo.

Escutei uma entrevista do atual presidente da Sabesp, o conhecidíssimo professor Jerson Kelman. Este profissional tem uma trajetória brilhante assumindo postos políticos tanto em governos estaduais como federais como poucos profissionais de engenharia. Devido ao seu porte acadêmico e científico com láureas diversas, direção de órgãos de classe importantes e relevantes para o país como a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), com publicações dos mais diversos gêneros que beiram a duas dezenas de milhar, não podia, não deveria, não tinha a necessidade de torturar a lógica para encaixar seu raciocínio e agradar o seu atual patrão, o governador Geraldo Alckmin.

Em uma entrevista concedida a Globo, (assista abaixo), o Professor tortura a lógica quando perguntado várias vezes pelo entrevistador se havia ou não um racionamento em São Paulo, para não ter que concordar com o entrevistador e desmentir o governador ao mesmo tempo o brilhante professor saiu com a seguinte resposta.

“...uma pessoa, como mostrou a reportagem, que está sem água diversas horas é evidente que esta pessoa está sob racionamento, isto é óbvio, agora não há uma situação sistêmica de racionamento em toda e região metropolitana ### ### a grande percentagem da população que está aderindo, está sendo consciente, está diminuindo o consumo, mas não está sofrendo,...

Após isto o entrevistador retoma a mesma pergunta, só perguntando das razões para não aceitar o racionamento.

“...O governo não quer assumir que está racionando?

No que responde a brilhante e maquiavélica mente.

...deixa só eu dizer o seguinte, quem está sem água em casa está sendo racionado, mas isto não está generalizado, quer dizer, por exemplo, se eu disser assim: Tem uma epidemia de gripe em São Paulo? Não tem! Mas tem gente com gripe digo, febre #### cama, tem, são coisas diferentes...

.....

Após isto o apresentador retoma a mesma questão.

O senhor também diz que não há racionamento? O Senhor acha que não há?

No que insiste o professor:

Isto é semântica, estou dizendo o seguinte, a pessoa que está sem água está racionada, mas não está toda a população racionada....

Vamos então as descaradas falácias e o contorcionismo verbal adotado na entrevista.

Primeiro em declarar que não há racionamento o realmente Presidente da Sabesp não erra, pois segundo definição do dicionário Houaiss, racionamento implica em:

distribuição ou venda controlada de certos víveres ou bens carentes, determinada pelas autoridades governamentais para assegurar uma distribuição mais justa entre os consumidores ou usuários”,

ou se formos à raiz da palavra, racionar: 

distribuição em quantidades medidas em rações

e o que ocorre em São Paulo é pior do que isto.

O falta do bem escasso está sendo feita de uma forma totalmente fora da lógica do racionamento, pois quem sofre o corte de água são as pessoas que através de uma loteria geográfica associada ao desenvolvimento da rede de distribuição de água simplesmente não vê este bem chegar a sua casa. Ou seja, o critério de distribuição do prejuízo da seca não é a atribuição de “medidas em rações”, como expresso no nosso bom Houaiss, mas uma má, escolha do cidadão em ter construído ou comprado a casa em um local onde a pressão da rede era menor, neste ponto podemos dizer que o sujeito que sofre o corte sistemico da água não está sendo racionado, como diz o presidente da Sabesp, está sendo penalizado por ter comprado uma casa num local impróprio sem saber que este local era impróprio, ou seja uma pena a alguém sem intensão de crime.

Por outro lado à comparação com a gripe é extremamente falha, pois os casos de gripe numa cidade são distribuídos aleatoriamente em vários bairros ou casas e no caso deste falso racionamento é mais parecido com surtos sucessivos de malária em determinada região da cidade, pois diferentemente da malária, na gripe a pessoa cria anticorpos e no caso de São Paulo são sempre os mesmos que sofrem a interrupção do fornecimento.

Após isto, o Professor Kelman passa a divagações sobre a diminuição voluntária do consumo, embolando com a explicação de porquê somente alguns são atingidos por este racionamento, não racional, deixando de certa forma implícita que determinados cidadãos economizam água enquanto outros não.

A forma em que é dito isto (esta afirmação é mais subjetiva) induz o ouvinte a atribuir à falta de água em determinada região como produto do desperdício daqueles que estão antes na rede, ou seja, numa região há gastadores que não economizam água e como resultado disto os que estão próximos a eles vão ficar sem água.

Depois vem O PIOR DE TUDO a descrição final da forma em que a Sabesp enfrenta e enfrentará o problema da falta de água. O método a ser empregado descrito pelo presidente da Sabesp é mais ou menos como a piada do cavalo do inglês, que a cada semana ele diminuía a ração para que ele se acostumasse a não comer, o problema foi que quando o cavalo estava quase se acostumando ele morreu.

Ou seja, a Sabesp, segundo as palavras de seu novo presidente vão começar a reduzir a ração a cada semana, e esta redução será feita principalmente pelas pessoas que não tiveram o cuidado de na compra de sua casa ter medido a pressão na rede, pois quem mora no fim da rede, ou em pontos mais altos ou com outros problemas da Sabesp vão chegar daqui a algum tempo a não ter água permanentemente em suas residências, lojas ou fábricas.

Para complementar a entrevista o entrevistador fala numa coisa que estão induzindo as pessoas ao desconhecimento e a ignorância, a famosa expressão “diminuir a pressão”. Este termo está sendo utilizada constantemente como uma forma de não dizer que a Sabesp está diminuindo a quantidade de água (o volume).

Ao lado da reportagem há um INFOGRAMA sugerindo uma solução MÁGICA para falta de água, a colocação de um reservatório (Esta é o máximo em empulhação).

Alguém da Sabesp ou outra “sumidade” em abastecimento público dá como solução à falta de água a colocação de um reservatório que sirva para suprir a residência em 24 horas de consumo. Isto vem a ser a maior estupidez e enganação dos pobre-coitados dos clientes da Sabesp, vindo a ser um ótimo negócio para os fabricantes, vendedores e instaladores de reservatórios, porém um péssimo negócio para a população, pois esta solução simplesmente favorece quem está numa zona em que a água é mais constante e piora as condições daqueles que recebem água somente a noite.

Por quê? Simples, vamos explicar, imagine que a Sabesp que fornecia 250.000 litros de água para uma dada região com 1000 habitantes (250 litros /habitante), devido à falta ela passa a distribuir somente 100.000 litros para os mesmos 1000 habitantes (100 litros/habitante). Se não houvesse reservatórios nas casas, quem acordasse a noite e juntasse alguns baldes conseguiria os seus suados 100 litros e os utilizaria com comedimento durante o dia. Com gulosos reservatórios as casas que estiverem em pontos mais baixos (pressão mais alta) ou simplesmente no início da rede recolherão, por exemplo, 250 litros/habitante e somente 200 pessoas ficarão com água, para o resto como diz o presidente da Sabesp eles ficarão sem água.

Ou seja, ou através de falácias, jogos de palavras, discurso enrolado, explicações incorretas e outras formas de manipulação da linguagem, não só o presidente da Sabesp como o governo de São paulo em geral, vão enganando o consumidor, esquecendo-se de dizer que na piada do cavalo do Inglês o cavalo morre no fim da história.

Rogério Maestri
No GGN



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Quem sai no retrato

Os jornais de quinta-feira (22/1) refletem uma circunstância corriqueira na relação da imprensa com o poder político e reproduzem o estado de guerra que domina o ambiente midiático. As manchetes e outros títulos de destaque nas primeiras páginas procuram exacerbar as dificuldades da economia nacional, ao mesmo tempo em que tentam colocar o problema de abastecimento de água em São Paulo na conta das mudanças climáticas.

O conjunto de notícias e opiniões que os diários apresentam como a síntese do período induz o leitor a acreditar que o Brasil é um comboio em direção ao abismo, e que o condutor, o ministro da Fazenda Joaquim Levy, está tomando as providências para reduzir a velocidade e desviá-lo de volta para o trilho do desenvolvimento. A presidente da República, responsável pela estratégia que o ministro deve administrar, é citada quase exclusivamente no meio de declarações sobre o escândalo da Petrobras.

Há espaço, ainda, para a fotografia do presidente reeleito da Bolívia, Evo Morales, envergando a bata tradicional na cerimônia indígena que antecede sua posse. Com exceção do Estado de S. Paulo, os jornais expõem na primeira página a imagem de Morales junto a xamãs nativos, acompanhada de textos que mal dissimulam o preconceito. No Globo, o título do conjunto é: “Dom Evo I”. Na Folha de S.Paulo, o título chega próximo da zombaria: “Pelos poderes de Evo”, diz o jornal paulista.

A imprensa não suporta essa coisa de indígena fora de reservas, ocupando palácio de governo e resolvendo problemas centenários de seus países.

Como se vê, há uma série de elementos a serem observados nas escolhas dos editores. Um dos aspectos mais interessantes é o posicionamento que a imprensa faz dos principais protagonistas da cena pública.

Evo Morales, que vai para seu terceiro mandato com um histórico de êxitos na recuperação da economia e da autoestima dos bolivianos, é retratado como uma aberração excêntrica, numa América Latina cuja elite se imagina europeia. A presidente do Brasil vira personagem secundária na crônica do poder. Por outro lado, o governador de São Paulo, responsável direto pela crise que ameaça o bem-estar de milhões de cidadãos, é retirado de cena quando deveria estar respondendo perguntas incômodas, porém cruciais.

Racionamento de fato

Se a imprensa aprova as medidas anunciadas pelo governo federal, o destaque vai para o ministro da Fazenda. Se a imprensa se vê na contingência de reconhecer o descalabro na gestão dos recursos hídricos e no sistema de distribuição de energia em território paulista, o foco vai para auxiliares do segundo ou terceiro escalão. O governador Geraldo Alckmin aparece apenas para criticar a empresa responsável pela gestão da energia, AES Eletropaulo, numa clara manobra para criar um novo foco de atenção e desviar do Palácio dos Bandeirantes o olhar crítico do público.

O isolamento da presidente Dilma Rousseff no noticiário sobre medidas econômicas (que a imprensa apoia) vem acompanhado de comentários que amplificam supostas reações de dirigentes de seu partido às medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda. Assim, o leitor é induzido a pensar que Joaquim Levy conduz a economia à revelia da presidente e contra a orientação do partido que a reconduziu ao poder.

No caso paulista, quem vai para a frente da batalha comunicacional é o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, que em artigo na Folha de S.Paulo tenta convencer o cidadão de que não há racionamento de água, mas pode vir a acontecer. Aproveita para reconhecer que a principal causa da crise hídrica é a fartura de vazamentos na tubulação. São 64 mil quilômetros de tubos enterrados sob o asfalto da região metropolitana, uma extensão correspondente a uma volta e meia em torno do planeta.

O presidente da Sabesp só não explica por que seu chefe, o governador Geraldo Alckmin, não exigiu que a empresa corrigisse essa deficiência desde a primeira vez que ocupou o Palácio dos Bandeirantes, em 2001. E a Folha de S.Paulo esquece que publicou no dia 12 de outubro de 2003, um domingo (ver aqui), uma reportagem na qual alertava para o fato de que, se nada fosse feito para reduzir as perdas, a região metropolitana só teria água até o ano de 2010.

Nada foi feito. Tudo que sai dos mananciais do sistema Cantareira se perde nos vazamentos. A Sabesp raciona a água, a imprensa faz o racionamento dos fatos.

Luciano Martins Costa
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A marcha da insensatez da mídia com Eduardo Cunha


O ano não promete ser fácil.

Na política econômica, o pacote de maldades do Ministro da Fazenda Joaquim Levy impactará a atividade econômica e o emprego. O realinhamento de tarifas afetará os preços. Quando vier para valer, a falta de água em São Paulo, criará um clima insuportável. A Lava Jato manterá elevada a temperatura política e afetará a produção industrial e as obras de infraestrutura.

* * *

Por tudo isso, só pode se entender como marcha da insensatez o apoio incondicional dado pelos grupos de mídia à candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara. Para a mídia, Cunha tornou-se um novo sir Galahad, em substituição ao pio ex-senador Demóstenes Torres.

Por várias razões, é uma jogada de alto risco.

Do lado político, por ser um fator a mais de ingovernabilidade.

Do lado ético, por desnudar de forma implacável os chamados princípios morais da mídia. Veja aliou-se ao bicheiro Carlinhos Cachoeira; alçou o ex-senador Demóstenes Torres à condição de paladino da moral e dos bons costumes; blindou todas as estripulias do Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal); escondeu todos os malfeitos de José Serra.

Mas todos esses episódios foram cometidos nos bastidores.

* * *

Mas, Eduardo Cunha?! Cunha começou sua vida pública aliado de PC Farias, e foi processado como tal. Depois, assumiu um cargo na companhia habitacional do Rio, no governo Garotinho, e foi acusado de desvios. Teve envolvimento direto com uma quadrilha que fraudava ICMS em distribuidoras de gasolina.

Na Câmara, seu trabalho diuturno foi articular lobbies de grandes grupos. Nas últimas eleições, financiou a candidatura de dezenas de deputados, com recursos repassados por grupos econômicos com a finalidade única de fazer negócios.

Cunha é a definição impura e acabada do parlamentar negocista — aquele contra quem o moralismo da mídia deblatera dia e noite.

* * *

E o que se pretende com esse apoio? Apenas o desgaste do governo. O governo Dilma não precisa de ajuda para se desgastar: sabe se desgastar sem a ajuda de ninguém.

No campo dos negócios, os grupos de mídia nada conseguirão, apenas piorar mais ainda o mercado publicitário.

O governo Dilma já mostrou que não retalia críticos com cortes de publicidade; mas também não cede a chantagens nem entra em negociatas.

Pode ser que pretendam, através do Congresso, barrar a entrada dos grandes competidores estrangeiros, aprovar leis que reduzam a obrigatoriedade de capital nacional na mídia, conquistar outra anistia fiscal para suas dívidas.

Não conseguirão. De um lado, porque a Câmara não faz política econômica. De outro, porque acumularam tal quantidade de inimigos com o estilo metralhadora giratória que jamais conseguirão montar uma frente pró-mídia.

Frente anti-PT e anti-governo é simples de montar. Pró-mídia, ainda mais em uma fase de crise econômica, impossível.

* * *

O que e conseguirá com o fator Eduardo Cunha será uma pitada a mais de desmoralização da mídia, mais insegurança econômica — revertendo em menos publicidade — e a confirmação de que jornais não foram feitos para pensar estrategicamente: eles sabem apenas “causar”.

Luís Nassif
No GGN
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Não se deve brigar com os fatos, diz Sabesp

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/01/22/nao-se-deve-brigar-com-os-fatos-diz-sabesp/


Demorou, mas a ficha caiu. Está acabando o jogo do "me engana que eu gosto" promovido pelo governador Geraldo Alckmin, ao longo desta grave crise no abastecimento d´água que vivemos em São Paulo, desde o começo do ano passado.

"É evidente que, na crise atual, a Sabesp não tem como prestar o serviço como se a situação fosse de normalidade. Não é sensato brigar com os fatos. Se for necessário chamar isso de racionamento, que assim seja".

A constatação acima é do novo presidente da Sabesp, engenheiro Jerson Kelman, que prometeu jogar limpo com a população, ao contrário do que vinha acontecendo. Espero que o governador Alckmin leia o artigo de Kelman publicado na Folha desta quinta-feira. Se o governo não pode garantir o nível mínimo dos reservatórios, mesmo que caia chuva de pedra nos próximos dias, restabeleça-se ao menos a verdade.

Poderiam começar por informar a população sobre os horários e os dias em que a água será cortada para que cada um possa planejar a sua vida e tomar as providências necessárias (ou, em último caso, procurar um outro lugar para morar).

É o mínimo que se espera, em vez do governador ficar anunciando mirabolantes projetos de transferência d´água de um reservatório para outro, algo que demora e é altamente discutível por conta da poluição que toma conta de vários deles.

"Em breve, a Sabesp disponibilizará em seu site e nas agências de atendimento ao consumidor um meio mais rápido de conhecer o horário de redução da pressão para cada local específico", prometeu Jerson Kelman. Já não era sem tempo, mas esperamos que este "em breve" seja o mais rápido possível.

Aqui, no bar da esquina ao lado de casa, não precisa nem avisar: faz semanas que todos os dias, religiosamente às quatro da tarde, a água é cortada. Deve acontecer o mesmo em muitos outros locais da cidade que não contam com caixas d´água de bom tamanho ou ficam em regiões mais altas. Basta oficializar o que já existe na prática.

Brigar com os fatos, como sabemos, é pratica comum na internet, tanto nos textos dos blogueiros como nos comentários de leitores, mas é inadmissível quando se trata de autoridades responsáveis por um serviço público vital para a população.

Está na hora da imprensa dar nomes aos bois antes que a vaca vá definitivamente para o brejo que, aliás, também já está secando.

E vamos que vamos.

Em tempo

Para oito em cada dez paulistanos, é grande o perigo de acabar a água na cidade, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira pela ONG Rede Nossa São Paulo e pela Federação do Comércio.

A pesquisa Indicadores de Referência de Bem Estar no Município mostra também que 42% dos moradores responsabilizam a falta de planejamento do governo estadual pela crise no abastecimento de água.

Como eu já havia comentado aqui na semana passada, a maioria da população gostaria de ir embora de São Paulo: 57% dos entrevistados deixariam a cidade, se pudessem, informa a pesquisa.

E você, caro leitor do Balaio? Para onde gostaria de ir?
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‘Mais Médicos’ oferece apoio vital no atendimento a mais de 6 mil pacientes no ES

Além de trazer os médicos estrangeiros, o Programa Mais Médicos estabelece o fomento à formação de médicos brasileiros. No último dia 23 de dezembro o Ministério da Saúde abriu as inscrições de propostas para a criação de cursos de medicina nos 39 municípios selecionados pelo governo federal.

O médico cubano Hector Leonel Boffill Alvarez, do Programa Mais Médicos,
chegou à unidade em novembro de 2013.
Foto: OPAS
Há 30 anos, o cardiologista brasileiro Ulysses da Costa Paiva Neto atende a população da comunidade Nova Rosa da Penha, no município de Cariacica, na região metropolitana de Vitória, Espírito Santo.

Com uma concentração de população de baixa renda, a comunidade Nova Rosa da Penha conta com um posto de atendimento e uma equipe de saúde reduzida. Além do cardiologista, a unidade possui um ginecologista e dois clínicos gerais, e realiza em média 6 mil atendimentos mensais, cobrindo uma população de aproximadamente 14 mil pessoas.

Com alta rotatividade entre a equipe médica, a chegada em novembro de 2013 do cubano Hector Leonel Boffill Alvarez, do Programa Mais Médico, ao centro de saúde foi recebida com bons olhos pelo cardiologista.

A gerente da unidade, Rosangela Sueli Batista Borba, relembra que antes do Programa Mais Médicos, o posto contava com os especialistas em turnos de quatro horas, e nem sempre havia um médico presente na unidade. A rotina mudou após a incorporação do médico cubano, que atende a população de segunda a sexta, em horário integral, motivo de elogio da comunidade.

Para Ulysses, a resistência da classe médica brasileira ao trabalho dos médicos cubanos no país pode mudar quando se passa a conhecer o valor do seu trabalho. “À medida que os médicos cubanos vão mostrando a capacidade e a boa intenção deles para com as comunidades, o relacionamento com os pacientes, o reconhecimento vai surgindo. A população gosta deles, aprova o trabalho deles e é agradecida.”

Programa Mais Médicos abre processo de cursos

Por contrato, os médicos cubanos podem permanecer no Brasil por um período de três anos, quando devem retornar à Cuba. Além de trazer os médicos estrangeiros, o Programa Mais Médicos estabelece também o fomento à formação de médicos brasileiros.

Como parte desta iniciativa, no último dia 23 de dezembro o Ministério da Saúde abriu as inscrições de propostas para a criação de cursos de medicina nos 39 municípios selecionados pelo governo federal. O prazo de inscrições vai até o dia 23 de janeiro. A iniciativa faz parte da estratégia do Programa Mais Médicos de expansão da formação destes profissionais no país, com foco nas regiões que mais precisam.

Todas as cidades selecionadas para receber cursos de medicina têm 70 mil habitantes ou mais, e não contam com graduação para a formação de médicos. Elas estão localizadas em 11 estados de quatro regiões, no interior e regiões metropolitanas, sendo que nenhuma delas é capital. Na seleção, o Ministério da Educação levou em conta a necessidade social do curso, a estrutura da rede de saúde para realização das atividades práticas e a capacidade para abertura de programa de residência médica.

“Uma das ações do Mais Médicos é ampliar as vagas de Medicina e, assim, formar mais médicos. O governo federal, por meio de um trabalho conjunto do Ministério da Educação e da Saúde, está expandindo as vagas de forma planejada e garantindo a qualidade da formação profissional”, destacou o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Heider Pinto.

No ONU BR
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Empresas começam a deixar São Paulo pela falta d'água


Companhias como Ambev e Coca-Cola já deixam o estado pela falta d’água e economia estadual afunda cada vez mais

A crise hídrica em São Paulo está levando empresas a direcionarem seus investimentos a outros estados. Indústrias estão migrando para Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Nordeste para reduzir o uso do mineral.

Empresas do ramo de bebidas, papel e celulose, inclusive, fizeram o que o governador Geraldo Alckmin não fez: enxergaram uma possível estiagem, aliada à falta de planejamento, e, desde o ano passado, vêm se preparando para não sofrerem com os prejuízos da seca.

A Coca-Cola e a Ambev, por exemplo, começaram, a partir do segundo semestre de 2013, a investir R$2,4 bilhões em plantas de matérias primas no Paraná. A Coca-Cola afirmou que “ações para mitigar os efeitos da crise hídrica estão sendo estudadas”. Já a Ambev, está com novas instalações em Ponta Grossa e, de acordo com a prefeitura da cidade, foram investidos R$580 milhões. Porém, a Ambev diz que não sairá do estado, pelo menos por enquanto.

Transferir parte dos investimentos para outros estados foi uma solução encontrada por essas companhias para os custos no tratamento da água, já que, quanto mais baixos os níveis dos rios, mais dificuldades para retirar lama e sujeira.

No Limpinho&Cheiroso
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Herança maldita em Minas: a caixa d'água secou


Conhecido como "a caixa d'água do Brasil", o estado de Minas Gerais pode enfrentar um cenário de escassez de água não tão drástico quanto o de São Paulo, mas também gravíssimo; sistema que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Paraobepa, está secando e o diagnóstico será apresentado nesta quinta-feira por Sinara Meirelles, a nova presidente da Copasa, empresa de abastecimento mineira; situação mais crítica é a do reservatório Serra Azul, que opera com 5% da capacidade; no início da gestão, governo de Fernando Pimentel lançará plano de combate ao desperdício e redução de consumo, mas especialistas apontam que as medidas já deveriam ter sido tomadas pelo antecessor Antonio Anastasia; calendário eleitoral, que teve Aécio Neves como candidato a presidente, adiou medidas importantes de conscientização e economia dos recursos hídricos



Os paulistas, que se vêem as vésperas de um eventual racionamento de água, como admite, nesta quinta-feira, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman (leia mais aqui), podem ter um consolo: a crise hídrica também deve atingir os vizinhos mineiros.

A situação dramática do abastecimento de água em Minas Gerais será apresentada nesta quinta-feira por Sinara Meirelles, que toma posse como presidente da Copasa, a empresa de abastecimento mineira. Com dados que irão surpreender muitos brasileiros, uma vez que a Copasa não vinha divulgando os níveis dos seus reservatórios, ela irá mostrar que a "caixa d'água do Brasil" (era esse o apelido de Minas) também está secando.

A situação mais crítica é a do sistema Paraopeba, que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, formado pelos reservatórios de Rio Manso, Vargem das Flores e Serra Azul. Este último, por exemplo, opera com apenas 5% da sua capacidade.

Redução do consumo e calendário eleitoral

Nesse contexto de crise hídrica, a Copasa deverá lançar um extenso pacote com estímulos à redução do consumo e também uma frente de investimentos para combater os vazamentos e o desperdício.

No entanto, o governo de Fernando Pimentel também deve alertar a sociedade mineira para uma crise que não é sua, mas sim herdada das gestões anteriores nos últimos doze anos, o estado foi governado pelos senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia.

Segundo especialistas, o pacote para cortar o consumo e alertar a sociedade já deveria ter sido adotado no ano passado, mas acabou adiado em razão do calendário eleitoral, uma vez que Minas foi a principal vitrine do candidato tucano Aécio na sucessão presidencial.

No ano passado, a Copasa, que não divulga os níveis de seus reservatórios, informava operar sempre acima de 50% da capacidade em seus reservatórios. No entanto, o diagnóstico de Sinara irá apontar que, pelo menos desde setembro do ano passado, o nível da água já era inferior a isso em praticamente todos eles.

Na nova gestão da Copasa, o nível da água nos reservatórios será também divulgado diariamente, como faz a Sabesp. Algumas cidades de Minas, como a histórica Ouro Preto, já passam por um racionamento. Outras pretendem sair da esfera da Copasa, para criar suas próprias concessões de água.

No 247
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Falta energia e falta de vergonha


Não dá para falar no perigo da falta de energia sem debater quem fez campanha permanente contra hidroelétricas

É inacreditável. Os cortes de energia ocorridos nos últimos dias tem sido usados por economistas e observadores ligados a oposição para sua revanche diante dos benefícios obtidos pela população mais pobre nos últimos anos e tentar desgastar o governo.

O argumento é sentimental: dizer que ocorreu uma grande ampliação do consumo, em particular de eletro-domésticos, mas lamentar em tom lacrimoso que não houve um aumento correspondente na oferta de  energia.

O truque é esconder o que ocorreu com nossa oferta de energia — e quem é responsável pelo que acontece agora. Não estamos falando de um episódio que aconteceu ontem ou na semana passada nem há dois anos mas de uma política de décadas.

Qualquer que seja a causa real para os cortes de energia dos últimos dias, a verdade é que o país estaria em situação muito mais segura e confortável se não tivesse sido obrigado a enfrentar — e ceder — diante de pressões poderosas, ocupadas em atrasar os principais investimentos no setor, com argumentos razoáveis, absurdos ou apenas estúpidos mas que, na prática, apenas contribuíram para enfraquecer o desenvolvimento do país. O governo Lula-Dilma encontrou o dinheiro, fez o projeto, definiu como seria feito — mas foi impedido de seguir em frente, por campanhas políticas, de marketing, ou através da judicialização do debate.

Segunda da maior hidroelétrica do país, a terceira maior do mundo, Belo Monte é um projeto de três décadas, que sofre um massacre sistemático e agressivo, inclusive campanhas internacionais com estrelas de Hollywood, onde se multiplicaram ações na Justiça e repentinas preocupações com o bem-estar dos trabalhadores dos canteiros de obras apenas para justificar o apoio a todo tipo de paralisação. Poderia estar pronta, contribuindo para acender lampadas no país inteiro mas só vai entrar em funcionamento no ano que vem. Irá produzir menos da metade de seu potencial porque a pressão ecológica levou a uma reforma do projeto para agradar entidades ambientais.

Contra a usina de Madeira se insurgiram os amigos de um tipo especial de bagres que se reproduzem pelo rio — e poderiam ser ameaçados pelas turbinas.

Faça sua lista e não esqueça de incluir as usinas nucleares que, de uma forma ou de outra, asseguram energia para a maioria das sociedades desenvolvidas, inclusive aquelas que financiam milionárias entidades ecológicas abaixo da linha do Equador. Não pense em teorias da conspiração.

É disputa de interesses, pura e simplesmente, tão antiga como a história do capitalismo. Falando na forma de caricatura, apenas para tornar as questões mais claras: houve uma época na qual as potencias mundiais usavam a religião para submeter os povos da América e da Asia com a ameaça do inferno cristão. Hoje, a ameaça de destruição da Terra serve como argumento ideológico para manter tudo como está — e azar de quem ainda não possui aquilo que necessita e tem direito.

É claro que Marina Silva tem explicações a dar nesse debate, vamos combinar. Suas responsabilidades são óbvias, ainda mais como candidata presidencial, que se apresenta como porta-voz da natureza ameaçada. Emprestou um prestígio adquirido na luta popular para causas que nada tem a ver com a melhoria no bem-estar das maiorias. Ajudou a dividir a resistência brasileira para defender o direito ao desenvolvimento. Mas não só.

Esse discurso só tem ressonância porque expressa interesses muito maiores, que nada tem a ver com os brasileiros que lutam dia e noite por um destino melhor na floresta — mas às grandes forças que sempre governaram o mundo e trabalham diariamente para manter tudo como está. Não foi por acaso que o esforço do PSDB para ampliar nosso parque energético esteve perto da nulidade.

Não se trata de negar a importância de medidas preservacionistas. Elas podem e dever ser estimuladas. A questão é de prioridade: preservar a natureza ou o status quo? Para quem? Para beneficiar o que?

O debate é este.

Paulo Moreira Leite
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Golpe final na soberania do País


1. Não é hipérbole dizer que o Brasil — consciente disto, ou não — vive momento decisivo de sua História. Se não quiser sucumbir, em definitivo, à condição de subdesenvolvido e (mal) colonizado, o povo brasileiro terá de desarmar a trama, o golpe em que está sendo envolvido.

2. Essa trama — que visa a aplicar o golpe de misericórdia em qualquer veleidade de autonomia nacional, no campo industrial, no tecnológico e no militar — é perpetrada, como foram as anteriores intervenções, armadas ou não, pelas oligarquias financeiras transnacionais e instrumentalizada por seus representantes locais e pelo oligopólio mediático, como sempre utilizando hipocritamente o pretexto de combater a corrupção.

3. Que isso significa? Pôr o País à mercê das imposições imperiais sem que os brasileiros tenham qualquer capacidade de sequer atenuá-las.

4. Implica subordinação e impotência ainda maiores que as que levaram o País, de 1955 ao final dos anos 70, a endividar-se, importando projetos de infra-estrutura, em pacotes fechados, e permitindo o crescimento da dívida externa, através dos déficits de comércio exterior decorrentes da desnacionalização da economia, e em função das taxas de juros arbitrariamente elevadas e das não menos extorsivas taxas e comissões bancárias para reestruturar essa dívida.

5. Ora, a cada patamar inferior a que o Brasil é arrastado, o império o constrange a afundar para degraus ainda mais baixos, tal como aconteceu nas décadas perdidas do final do Século XX.

6. Na dos anos 80 ocorreu a crise da dívida externa, após a qual o sistema financeiro mundial fez o Brasil ajoelhar-se diante de condições ainda mais draconianas dos bancos “credores”.

7. Na dos anos 90, mediante eleições diretas fraudadas em favor de ganhadores a serviço da oligarquia estrangeira, perpetraram-se as privatizações, nas quais se entregaram e desnacionalizaram, em troca de títulos podres de desprezível valor, estatais dotadas de patrimônios materiais de trilhões dólares e de patrimônios tecnológicos de valor incalculável.

8. A Operação Lava-jato está sendo manipulada com o objetivo de destruir simultaneamente a Petrobrás — último reduto de estatal produtiva com formidável acervo tecnológico — bem como as grandes empreiteiras, último reduto do setor privado, de capital nacional, capaz de competir mundialmente.

9. Quando do tsunami desnacionalizante dos 90, a Petrobrás foi das raras estatais não formalmente privatizadas. Mas não escapou ilesa: foi atingida pela famigerada Lei 9.478, de 1997, que a submeteu à ANP, infiltrada por “executivos” e “técnicos” ligados à oligarquia financeira e às petroleiras angloamericanas.

10. Essa Lei abriu a porta para a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo no Brasil, com direito a apropriar-se do óleo e exportá-lo, e propiciou a alienação da maior parte das ações preferenciais da Petrobrás, a preço ínfimo, na Bolsa de Nova York, para especuladores daquela oligarquia, como o notório George Soros.

11. Outros exemplos do trabalho dos tucanos de FHC agindo como cupins devoradores — no caso, a Petrobrás servindo de madeira — foram: extinguir unidades estratégicas, como o Departamento de Exploração (DEPEX); desestruturar a administração; e liquidar subsidiárias, como a INTERBRÁS e numerosas empresas da área petroquímica.

12. Como assinalam os engenheiros Araújo Bento e Paulo Moreno, com longa experiência na Petrobrás, a extinção do DEPEX fez que a empresa deixasse de investir na construção de sondas e passasse a alugá-las de empresas norte-americanas, como a Halliburton, a preços de 300 mil a 500 mil dólares diários por unidade.

13. Os próprios dados “secretos” da Petrobrás, inclusive os referentes às fabulosas descobertas de seus técnicos na plataforma continental e no pré-sal são administrados pela Halliburton. Em suma, a Petrobrás é uma empresa ocupada por interesses imperiais estrangeiros, do mesmo modo que o Brasil como um todo.

14. Além disso, a Petrobrás teve de endividar-se pesadamente para poder participar do excessivo número de leilões para explorar petróleo, determinados pela ANP, abertos a empresas estrangeiras.

15. Para obter apoio no Congresso, os governos têm usado, entre outras, as nomeações para diretorias da Petrobrás. Essa política corrupta e privilegiadora de incompetentes, já antiga, é bem-vinda para o império, e é adotada para “justificar” as privatizações: vai-se minando deliberadamente a empresa, e depois se atribui suas falhas à administração estatal.

16. Tal como agora, assim foi nos anos 80 e 90, com a grande mídia, incessantemente batendo nessa tecla, e fazendo grande parte da opinião pública acreditar nessa mentira.

17. Mas as notáveis realizações da Petrobrás são obras de técnicos de carreira, admitidos por concurso — funcionários públicos, como foram os da Alemanha, das épocas em que esse e outros países se desenvolveram. Entretanto, a mídia servil ao império demoniza tudo que é estatal e oculta a corrupção oriunda de empresas estrangeira, as quais, de resto, podem pagar as propinas diretamente no exterior.

18. Para tirar do mercado as empreiteiras brasileiras, as forças ocultas — presentes nos poderes públicos do Brasil — resolveram aplicar, contra essas empresas, a recente Lei nº 12.846, de 01.08.2013, que estabelece “a responsabilização objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira (sic).”

19. Seu art. 2o reza: As pessoas jurídicas serão responsabilizadas objetivamente, nos âmbitos administrativo e civil, pelos atos lesivos previstos nesta Lei praticados em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não.”

20. Como as coisas fluem rapidamente, quando se trata de favorecer as empresas transnacionais, a Petrobrás já cuidou de convidar empresas estrangeiras para as novas licitações, em vez das empreiteiras nacionais.

21. A grande mídia, tradicionalmente antibrasileira, noticia, animada, a possibilidade de se facilitar, em futuro próximo, a abertura a grupos estrangeiros do mercado de engenharia e construção civil, mais uma consequência da decisão, contrária aos interesses do País, de considerar inidôneas as empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato.

22. Recentemente, nos EUA, foi infligida multa recorde, por corrupção, a um grupo francês, a qual supera de longe os US$ 400 milhões impostos à alemã Siemens. Já das norte-americanas, por maiores que sejam seus delitos, são cobradas multas lenientes, e não está em questão alijá-las das compras de Estado.

23. Já no Brasil — país ocupado e dominado, mesmo sem tropas nem bases estrangeiras — somente são punidas empresas de capital nacional. Fica patente o contraste entre um dos centros do império e um país relegado à condição de colônia.

24. Abalar a Petrobrás e inviabilizar as empreiteiras nacionais implica acelerar o desemprego de engenheiros e técnicos brasileiros em atividades tecnológicas. As empreiteiras são importantes não só na engenharia civil, onde se têm mostrado competitivas em obras importantes no exterior, mas também por formar quadros e gerar de empregos de qualidade nos serviços e na indústria, inclusive a eletrônica e suas aplicações na defesa nacional.

25. Elas estão presentes em: agroindústria; serviços de telefonia e comunicações; geração e distribuição de energia; petróleo; indústria química e petroquímica; construção naval. E — muito importante — estão formando a nascente Base Industrial da Defesa.

26. A desnacionalização da indústria já era muito grande no início dos anos 70 e, além disso, foi acelerada desde os anos 90, acarretando a desindustrialização. Paralelamente, avança, de forma avassaladora, a desnacionalização das empresas de serviços.

27. Este é o processo que culmina com o ataque mortal à Petrobrás e às empreiteiras nacionais, e está recebendo mais um impulso através da política fiscal — que vai cortar em 30% os investimentos públicos — e da política monetária que está elevando ainda mais os juros.

28. Isso implica favorecer ainda mais as transnacionais e eliminar maior número de empresas nacionais, sobre tudo pequenas e médias, provedoras mais de 80% dos empregos no País. De fato, só as transnacionais têm acesso aos recursos financeiros baratos do exterior e só elas têm dimensão para suportar os cortes nas compras governamentais.

29. Como lembra o Prof. David Kupfer, a Petrobrás e seus fornecedores respondem por 20% do total dos investimentos produtivos realizados no Brasil. Só a Odebrecht e Camargo Corrêa foram responsáveis por mais de 230 mil empregos, em 2013.

30. A área econômica do Executivo parece não ver problema em reduzir o assustador déficit de transações correntes (mais de US$ 90 bilhões de dólares em 2013), causando uma depressão econômica, cujo efeito, além de inviabilizar definitivamente o desenvolvimento do País, implica deteriorar a qualidade de vida da “classe média” e tornar ainda mais insuportáveis as condições de vida de mais da metade da população, criando condições para a convulsão social.

31. Por tudo isso, há necessidade de grande campanha para virar o jogo, com a participação de indivíduos, capazes de mobilizar expressivo número de compatriotas, e de entidades dispostas a agir coletivamente.

Adriano Benayon, doutor em economia, pela Universidade de Hamburgo, e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.
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