20 de jan de 2015

Cunha diz ter ouvido de agente que PF forjou áudio para incriminá-lo; ouça

O líder do PMDB na Câmara e candidato à Presidência da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
Candidato à presidência da Câmara, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou nesta terça-feira (20) que recebeu a informação de que integrantes da cúpula da Polícia Federal teriam forjado, a mando do governo, uma suposta gravação de um diálogo com o objetivo de incriminá-lo e constranger sua candidatura.

A gravação, classificada por ele de uma nova "alopragem", teria sido entregue a ele no sábado (17) por um suposto policial federal que estaria indignado com a fraude. O congressista pediu ao Ministério da Justiça a abertura de inquérito para apurar o caso.

O áudio divulgado pelo peemedebista, de cerca de três minutos, traz um diálogo de dois homens em que o nome do deputado é citado.

No diálogo, uma pessoa que supostamente seria um agente da Polícia Federal ameaça contar tudo o que sabe caso Cunha o abandone. O interlocutor, que seria uma pessoa ligada ao peemedebista, tenta tranquilizar o agente. O deputado disse que não reconheceu nenhuma das vozes.

Cunha disse que a ideia do diálogo seria mostrar que um dos homens seria o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, investigado na Operação Lava Jato — que apura um esquema de corrupção na Petrobras — pela participação no esquema de desvio de recursos da Petrobras.

Inicialmente Careca citou em depoimento que teria entregue dinheiro em um condomínio que seria de Eduardo Cunha, seguindo ordens do doleiro Alberto Yousseff, um dos presos da operação Lava Jato.

O deputado informou que não tem ligação com o endereço e negou participação no esquema de corrupção da Petrobras. O advogado do doleiro também entregou à Justiça uma declaração de Youssef afirmando que não teve negócios com o peemedebista.

Em nota, o Ministério da Justiça disse que recebeu na manhã desta terça o material de Cunha e que o ministro interino, Marivaldo Pereira, encaminhou imediatamente o áudio "para apuração e providências cabíveis da Polícia Federal".

A Polícia Federal informou que abriu inquérito para apurar o caso e que será feita uma perícia no áudio. A nota da PF fala ainda que a "denúncia encaminhada não atribuiu autoria da gravação a qualquer membro da Polícia Federal". "A PF reafirma que trabalha de forma isenta e imparcial, respeitando o devido processo legal", diz o documento.

Ouça o ádio



No diálogo divulgado por Cunha, a pessoa que seria supostamente o policial Jayme "Careca" reclama de ser abandonado por Cunha e de não ter sido remunerado.

"O Cunha está lá tentando ganhar a Presidência, subindo, subindo, e os amigos dele sendo esquecidos. Não posso ser esquecido", afirma. "Se eu ficar abandonando vou jogar merda no ventilador. Está todo mundo enchendo a burra de dinheiro e eu estou abandonado, duro, sem grana."

A outra pessoa, que fala como um aliado do congressista, pede calma, aponta que tudo será resolvido e solicita que não faça referência a nenhum nome.

"Tenha paciência. Você sabe que a amizade nós temos. Não se preocupe, tenha calma. Tenha tranquilidade que você pode ser remunerado", disse.

Há algumas incongruências no diálogo. Uma delas é que primeiro os dois homens falam que vão se encontrar pessoalmente para discutir o caso no lugar de sempre, mas depois se perguntam qual será o local.

Um pede para não ser mais procurado por telefone "por uma questão de segurança", mas segundos depois fala que vão acertar por telefonema um encontro pessoal.

Eduardo Cunha disse que o suposto policial federal que lhe entregou o áudio falou os nomes de quem na cúpula da PF teria produzido a fraude. Ele afirmou que passou essa informação ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

"Quem estaria orquestrando ou montando faria parte da cúpula da PF, não quer dizer que seria o diretor", disse Cunha, se referindo ao que teria ouvido do suposto policial que o procurou.

Márcio Falcão | Ranier Bragon
No fAlha



É muito grave.

A denúncia derruba o Cunha ou derruba o Ministro da Justiça (sic), o zé.

Se a gravação é uma fraude, quem fraudou?

A Polícia Federal, para ferrar a candidatura Cunha?

Ou alguém de fora da PF e que se diz da PF?

Quem entregou a quem entregou a Cunha?

E se a gravação for verdadeira?

Quem fala na ligação?

E a conversa descrita na gravação — se ela for autêntica — reproduz a verdade de fatos?

Ou se tudo o que está na gravação autêntica é uma ameaça de um falso policial?

Uma chantagem para tomar dinheiro do Cunha?

Há muitas possibilidades.

Portanto, a Polícia Federal será incapaz de apurar a verdade dos fatos.

A PF do zé não prendeu ninguém no helicóptero da coca.

A PF do zé não sabe até hoje quem é o dono jatinho em que o Eduardo e a Bláblárina voavam.

A Polícia Federal e seus delegados aecistas só desvenderão esse mistério se o crime tiver sido praticado por um petista.

O Zé Dirceu, por exemplo.

O Genoino.

Aí, a PF do zé será mais eficiente que o FBI e a Scotland Yard, juntos!




Curiosidade:

Como o Jornal Nacional noticiou o áudio sobre Eduardo Cunha

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São Sebastião morreu sem camisa, pois sabia que seria padroeiro do Rio de Janeiro

No dia de São Sebastião, o Rio de Janeiro aproveitou para relembrar a história do Santo que foi assassinado em um paredão na Indonésia por traficar bíblias para o país. Na época, como ainda não existiam armas de fogo, o paredão era feito com flechadas. São Sebastião tentou se proteger. Como se vê nas fotos, ele sempre andava com um capacete, mas os romanos foram mais espertos e acabaram atirando flechas apenas no corpo.

Em última carta deixada por São Sebastião, ele falava sobre sua pena de morte: “puro recalque das invejosas.” Vários fieis peregrinam até a imagem de São Sebastião, no Rio de Janeiro, para ver o santo suar. Historiadores afirmam que o Santo sempre cuidou muito do seu físico e adorava se alimentar de batata doce e peito de frango para poder morrer sem camisa.





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A quem interessava a morte do promotor argentino Alberto Nisman?

Alberto Nisman apareceu morto com um tiro na cabeça disparado com sua arma pessoal. Promotor havia pedido que Cristina Kirchner fosse chamada para depor. Wikileaks revelou que ele se reunia frequentemente com agentes da CIA e do FBI

Alberto Nisman, promotor argentino encontrado morto, se reunia frequentemente com representantes do governo norte-americano
O promotor Alberto Nisman apareceu morto com um tiro na cabeça disparado com sua arma pessoal em um apartamento localizado a poucas quadras da Casa Rosada, a sede do governo. Seu corpo foi encontrado nas primeiras horas desta segunda-feira (19), dias depois de ter acusado Cristina Kirchner de encobrir os responsáveis do atentado que matou dezenas de pessoas na AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), em julho de 1994.

O procurador se transformou em uma estrela de televisão e dos meios de comunicação oligopolistas que deram ampla cobertura às suas sonoras denúncias, geralmente vazias de provas. Nisman era para a grande mídia algo como se tornou o juiz paranaense Sergio Moro para a imprensa tradicional brasileira.

Os principais dirigentes oposicionistas haviam viajado de seus respectivos estados para Buenos Aires a fim de participar nesta segunda-feira de uma exposição de Alberto Nisman na Câmara dos Deputados, em que havia prometido que apresentaria provas sobre a interferência de Cristina na investigação sobre o atentado terrorista de 1994.

Segunda essa versão do promotor, a presidenta quis evitar que fossem investigados suspeitos iranianos. A morte de Alberto Nisman motivou comoção nacional a 10 meses das eleições presidenciais, enquanto os adversários do governo não conseguem superar suas diferenças internas para compor uma coalizão unitária.

“Os dados da autópsia de Alberto Nisman estarão prontos à noite, o que podemos adiantar é que sua morte aconteceu antes do jantar [de domingo]… estava sozinho e a porta do apartamento estava fechada com chave”, informou a promotora Viviana Fein.

“Pedimos aos jornalistas que nos deixem trabalhar”, disse Viviana diante de um enxame de repórteres que a esperavam na porta do elegante prédio em que ele residia, onde o corpo jazia dentro do banheiro junto da arma com a qual o disparo foi feito.

Como os dados da perícia forense ainda não foram divulgados, seria irresponsável arriscar se o promotor que investigava o atentado da associação mutual judia AMIA se suicidou ou se foi assassinado. Em todo caso, é evidente que este fato sangrento carrega consigo uma consequência política: prejudica o governo da presidenta Cristina Kirchner, que mantém uma alta popularidade e deve exercer sua influência nas eleições em que seu sucessor será escolhido.

Cristina: Distância diplomática dos EUA e de Israel

O governo de Cristina mantém relações frias com Washington há anos, uma ligação que se enfraqueceu ainda mais quando Buenos Aires se aproximou do Irã.

“Tudo isto que aconteceu é muito raro, não vamos cair em teorias conspiratórias, mas também não seremos ingênuos ao tentar entender as coisas que estão em jogo”, afirmou Atilio Borón, pesquisador universitário e ex-secretário da CLACSO (Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais).

“A primeira coisa a se fazer é responder esta pergunta, quem sai muito prejudicado com este fato? Indubitavelmente é o governo argentino”, acrescentou Atilio Borón em declarações concedidas nesta segunda-feira a uma emissora portenha. TVs, rádios e sites modificaram sua programação para dedicar atenção total ao crime do ano.

Um dos apresentadores estatais do grupo Clarín afirmou estar quase certo de que o promotor foi assassinado para evitar que prejudicasse Cristina. Com linguagem demagógica, argumentou “nas ruas todo mundo diz que Nisman foi assassinado”.

“Isto dá sensação de impunidade… nisto há traços mafiosos”, afirmou Marcelo Tinelli, um popular apresentador de programas frívolos, presidente do clube San Lorenzo, quem, segundo alguns observadores, sonha em ser o Silvio Berlusconi do Pampa Argentino.

Se os partidos de oposição não demonstraram capacidade para formar uma aliança forte, os partidos de fato têm capacidade para criar um estado de angústia nacional e semear um clima de desestabilização. Possivelmente, o partido da mídia, junto à corporação jurídica, sejam as forças mais hostis à Casa Rosada.

Durante o fim de semana, os jornais tradicionais publicaram com grandes manchetes o anúncio do promotor Nisman sobre as revelações que faria nesta segunda-feira no Parlamento. No Clarín, publicou-se uma notícia sobre o “fim de um ciclo” iniciado em 2003 pelo ex-presidente Néstor Kirchner, continuado por sua esposa e atual chefa de Estado.

Promotor amigo do FBI e da CIA

Dezenas de papéis revelados pelo Wikileaks mostraram que o promotor Albert Nisman se reunia frequentemente com representantes do governo norte-americano, a quem consultava sobre como levar adiante o processo pelo atentado terrorista contra a entidade judaica em 1994 em que houve 85 mortos e 300 feridos. Os agentes da inteligência norte-americanos repetiam regularmente que Nisman deveria acusar o Irã.

“Não é preciso seguir a pista síria, nem as conexões locais [dos terroristas] porque isto pode enfraquecer as acusações contra os iranianos”, disseram agentes do FBI consultados por Nisman, segundo um dos papéis obtidos pelo Wikileaks.

Santiago O Donnell, editor do jornal Página12 e autor de um livro baseado em informações do Wikileaks, afirmou que a Embaixada dos Estados Unidos estava muito preocupada com o curso da investigação do atentado contra a AMIA, e que o assunto aparece em 196 comunicações da missão diplomática norte-americana.

O acadêmico Atilio Borón argumentou que Nisman não era um promotor apegado a normas jurídicas, mas um elemento que operava politicamente segundo ordens de Washington.

“Ele ia regularmente à Embaixada receber instruções do FBI, da CIA e… com essa gente pesada não se brinca, eles em qualquer momento podem decidir eliminar alguém que tenha ajudado, mas que já deixou de ser útil”, disse Borón. Do seu ponto de vista, ainda não se pode saber se Nisman se suicidou ou se foi assassinado, e convém ter como uma das hipóteses que Washington o tenha porque não tinha prova para fundamentar suas denúncias.

“Isto que aconteceu com Nisman não pode ser analisado como uma questão local… poucas horas depois de ele aparecer morto houve um comunicado do governo de Israel.. tudo isso acontece 10 dias depois do atentado em Paris contra a Charlie Hebdo, 9 dias depois dos ataques ao supermercado judeu de Paris”.

“Esta morte se insere em um marco mais amplo que é o que alguns comentaristas chamam como a grande guerra do ocidente contra o Islã”, afirmou Atilio Borón.

DarioPignotti / Página 12
No Pragmatismo Político
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Vitória do Bom Senso, derrota da CBF


Dilma veta MP que permitiria clubes de futebol refinanciarem dívidas sem contrapartida

A presidenta Dilma Rousseff vetou o artigo 141 da Medida Provisória 656 que permitiria refinanciamento de dívidas dos clubes de futebol com a União, sem cumprir medidas de responsabilidade financeira e de gestão. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (20).


A razão do veto diz que o texto aprovado não respeita a discussão entre governo e demais atores por não trazer nele “medidas indispensáveis que assegurem a responsabilidade fiscal dos clubes e entidades, a transparência e o aprimoramento de sua gestão, bem como a efetividade dos direitos dos atletas”. Afirma também a retomada do diálogo com o setor para apresentar alternativa de proposta que “promova de forma integral a modernização do futebol brasileiro.”

O texto aprovado no Congresso previa pagamento da dívida dos clubes em 240 vezes, com descontos de 70% em multas e 50% em juros.

No Blog do Planalto
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Salmo tucano


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Como o amadorismo trouxe de volta a ortodoxia econômica


Por trás de toda complexidade das teorias econômicas, há um conjunto de desafios permanentes à frente dos formuladores: como compatibilizar crescimento de renda e de emprego, atendimento das necessidades da população com o combate à inflação e o equilíbrio das contas externas.

Há um conjunto de objetivos conflitantes:


Vamos ao desafio proposto ao Ministro da Fazenda Joaquim Levy.
  1. O setor privado necessita de previsibilidade e demanda para voltar a investir na economia.
  2. O maior fator de imprevisibilidade é o lado fiscal, depois do carnaval de isenções sem controle do período Mantega-Arno.
  3. A medida fiscal mais utilizada é a relação dívida pública/PIB — que é das mais baixas do mundo.
  4. O objetivo maior a ser perseguido é a receita que garanta a estabilidade da relação dívida/PIB com o menor efeito possível sobre o crescimento.
No entanto, quase sempre as escolhas obedecem muito mais às afinidades ideológicas dos gestores, do que a análises objetivas de custo-benefício para a economia como um todo.

Analisemos algumas estratégias possíveis.

Estratégia 1: com menos ortodoxia


Parte dos seguintes pressupostos:
  1. Dada a pequena relação dívida/PIB, não há a necessidade de um superávit primário robusto que reduza ainda mais essa relação. Basta um horizonte factível que garanta a estabilidade da relação atual.
  2. Há três maneiras de estabilizar a dívida pública: ou se cortam os juros, ou se cortam despesas ou se aumentam impostos. Corte de juros afeta exclusivamente o capital financeiro. Melhora a vida dos devedores (incluindo o Tesouro) e exige menos cortes de despesas e menos aumento de impostos.
  3. O único papel da Selic, hoje em dia, é coordenar as expectativas empresariais em relação à inflação. Há uma extensa literatura comprovando que a única influência sobre a inflação é deletéria: a apreciação cambial. Aumenta a Selic, entra mais capital especulativo que provoca uma apreciação no câmbio reduzindo os preços dos importados — à custa do aumento dos sacrifícios da produção e do emprego.
  4. Hoje em dia, praticamente todo o mercado se guia pelas planilhas do Banco Central, de estimativa da inflação futura. O desafio será montar os gatilhos que substituam a alta da Selic, quando as expectativas forem de alta da inflação.
  5. Outro desafio será desarmar o sistema de títulos públicos, que assegura plena rentabilidade e liquidez aos investimentos.
Este seria o modelo virtuoso, que daria segurança e previsibilidade ao setor privado, garantindo equilíbrio fiscal e manutenção da demanda. Exige criatividade e coragem para romper com a ortodoxia.

Estratégia 2: a ortodoxia


Essa é a estratégia implementada pelo Ministro da Fazenda Joaquim Levy. Não há nada que penalize o capital financeiro; nem que o induza a buscar a economia real.

O remanejamento dos recursos do mercado financeiro para a economia real depende de uma série de fatores:
  1. Previsibilidade fiscal, sem dúvida.
  2. Manutenção da demanda.
  3. O capital só irá para a economia real se esta oferecer uma remuneração similar à dos títulos públicos mais uma taxa adicional para compensar os riscos da renda variável. Com a Selic a 12,5%, o investimento na economia real deveria proporcional no mínimo uma taxa de retorno de 17% ao ano. Fora tráfico de drogas, está difícil encontrar setores com esses atrativos.
Aumento de Selic, de impostos e corte de despesas derrubam a demanda interna, reduzem ainda mais a atratividade do investimento na economia real.

A esperteza cansativamente previsível do mercado consiste em focar só na primeira questão: a previsibilidade fiscal. Como se, tendo previsibilidade fiscal, o investimento viesse automaticamente; vindo o investimento (pelo caminho mais doloroso, porque em um cenário de queda de demanda) o desenvolvimento voltará em um dia qualquer do futuro.

É a reedição da surrada “lição de casa”, a visão cristã da economia, de que todo sacrifício (dos outros) resultará na purgação dos pecados e na redenção das almas, brandida por Pedro Malan, Antonio Pallocci e companheiros.

O fator Mantega-Arno

A volta do mito do pote no final do arco iris é consequência do fracasso da experiência heterodoxa do período Dilma-Mantega-Arno.

Havia um dado da realidade: a pesadíssima campanha negativa dos grupos de mídia, três anos jogando para baixo as expectativas empresariais, em uma estratégia escandalosa de pintar o caos, que atingiu seu ápice com as obras da Copa.

Sabendo-se desse fator, o correto teria sido o governo se armar dos melhores oficiais para enfrentar o fogo de exaustão. Em vez disso, entregou a guerra nas mãos da dupla Mantega-Arno que avalizou a impulsividade de Dilma Rousseff da forma mais desorganizada possível.

A manipulação dos dados fiscais, a incapacidade de desenvolver um discurso público minimamente eficiente, a falta de visão estratégica e integrada na política de isenções, a falta de convicção em sustentar a redução da Selic, desmoralizaram a tentativa de romper com a ortodoxia das políticas monetária e fiscal. E deram verossimilhança ao terrorismo praticado pela mídia.

A derrota não foi da anti-ortodoxia: foi do amadorismo.

Luís Nassif
No GGN
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Sobre a austeridade. Na Europa

Me digam quais os sacrifícios que os 1% dos mais ricos de um país fazem, para tirar seus respectivos países das suas crises que eu mudo de opinião.


O debate sobre a austeridade, tal qual está se dando hoje na Europa, vem do século passado, principalmente após as reformas feitas pela senhora Thatcher, na Inglaterra, na crise de crescimento da economia inglesa dos anos 80. Aquelas reformas desmantelaram o poder dos Sindicatos, vinculados ao trabalhismo inglês, que, até então, eram parceiros do Estado e do grande empresariado industrial, desde os esforços nacionais feitos para a recuperação e modernização industrial do pós-guerra. A recuperação se deu através de formas contratuais específicas, pelas quais ali se desenvolveu o contrato social-democrata europeu.

Hoje, com diferentes graus, vários países da União Europeia tem sido obrigados pelo Banco Central Europeu — leia-se governo alemão e Banco Central Alemão — adotar “políticas de austeridade”, em função da brutal dívida pública destes países e da sua presumida incapacidade de saldá-las. Argumenta-se, como diz o professor Vincenç Navarro — emérito professor em universidades europeias e americanas, ex-assessor da sra. Hillary Clinton, como coordenador do grupo da Reforma do sistema de saúde americano — “que a redução do déficit público é a chave para recuperar a confiança dos mercados financeiros(…) com mais e mais cortes nas transferências e nos serviços públicos do Estado”.

Estas políticas, criticadas pelo professor Navarro e milhares de cientistas sociais, políticos de diversas ideologias e origens, acadêmicos ou não, economistas e gestores públicos em todo o mundo, são apresentadas como se fossem políticas universais, “neutras”, verdadeira razão de estado e espada luminosa dos que defendem o interesse público. Em regra, são as preferidas por nove entre dez dos comentaristas econômicos da grande mídia, que não poupam críticas ao Estado “gastador”, à falta de sabedoria dos agentes públicos que defendem outras saídas. Mas o fazem sem abordar o debate de fundo: quais os resultados destas políticas? A quem ela beneficia efetivamente? De quem ela exige sacrifícios? E mais: quais as políticas de outra natureza que se opõem à dita “austeridade”?

O Presidente Reagan, nos anos 80, confrontado com a crise de eficiência e, consequentemente, de acumulação das grandes empresas americanas, aplicou a receita sem vacilação: redução do valor real dos salários, aumento do desemprego para aumentar a competitividade, redução das despesas de prestações sociais, redução dos impostos para as classes superiores e, no plano político mais amplo (para unir o país contra as ameaças de “fora”), a retomada agressiva da “guerra fria”, com o deslocamento de vultosos financiamentos para a bomba de nêutrons, escudo antimísseis, “guerra nas estrelas”.

Compare-se, nos dias de hoje, como a União Europeia e os EUA — que chegou a “estatizar” indústrias automobilísticas durante a crise do “sub-prime” — enfrentam crises semelhantes, pela palavra dos seus mais autorizados representantes. No verão europeu de 2012, Mário Draghi, Presidente do Banco Central Europeu, afirmava que o “Banco Central Europeu fará tudo que for necessário para sustentar o euro, e, acreditem, isso será suficiente”. Em março de 2012, o Secretário do Tesouro americano Timoty Geithner, assinalava que é preciso calibrar com cuidado a mistura de “apoio financeiro e o ritmo de consolidação fiscal”, fazendo coro com o Presidente da Reserva Federal dos EUA, Ben Barnanke, que pedia mais estímulos contra o desemprego. O Presidente da Reserva Federal, diferentemente de Draghi, deixava claro que se a situação piorasse nos EUA, iria atuar para “apoiar o crescimento”.

Estas palavras são ditas, já dentro de uma situação “madura” de crise, que vem se arrastando há vários anos e, sobretudo, demonstram que as ditas políticas de austeridade não são aplicadas numa mesma medida. E que seu entendimento é diferenciado, mesmo nos países avançados, nos quais classes trabalhadoras e os setores médios ainda “tem o que perder”, sem cair na miséria absoluta. O empobrecimento, a olhos vistos, de uma grande parte dos assalariados que era de renda baixa é o sucedâneo de uma situação na Europa, particularmente na Espanha, Portugal, Grécia, Irlanda, França — entre outros países — que já tem bolsões de miséria dignos das regiões mais pobres da América Latina.

No terceiro trimestre de 2012, ou seja, no momento áureo de aplicação das políticas de austeridade, a dívida pública em relação ao PIB, na Zona do euro, era de 90%; comparada com o terceiro trimestre de 2011, ela subiu aproximadamente 5%. Neste trimestre, que foi considerado, financeiramente, o período de mais extrema gravidade para a estabilidade macro financeira da Zona do Euro, ela alcançara 86,6% em relação ao PIB. Fracasso total das políticas de austeridade, com a manutenção do desemprego entre os jovens, na Espanha, de mais de 40% e mais de 23% da força de trabalho total, com redução do poder aquisitivo dos trabalhadores, assalariados de todos os setores e, ainda, crise devastadora nos pequenos e médios negócios industriais e de serviços.

A elite financeira americana e as minorias mais ricas em geral, principalmente ligadas aos setores improdutivos da economia, a elite financeira e seus “managers” dos serviços correlatos (1% da população), segundo o professor Navarro, nos últimos cinco anos da crise, acumularam mais de dois trilhões de dólares. Enquanto isso aumentou as diferenças sociais nos EUA de modo alarmante e a Europa inteira decresceu: Espanha menos 1,5%; Grécia menos 5,2%; Itália menos 2,3%; Portugal, menos 3%.

Não é preciso muito esforço para compreender que as políticas de austeridade têm beneficiários diretos e sacrifícios ampliados em toda a sociedade. Mas ela precisa, ainda, reduzir a margem de risco dos “financiadores” aparentes da recuperação, que supostamente são as agências financeiras. Mormente aquelas que dão as “notas”, os “graus” de investimento, para os países endividados e, ao mesmo tempo, são as que manejam o mercado financeiro e alimentam, politicamente, o circuito informativo global, destinado a convencer a todos que a política deve ser substituída por medidas supostamente técnicas, de necessidade indiscutível.

Os recursos da recuperação, contudo, vem do Estado e são dinheiro público. Ou seja, os recursos públicos, para a recuperação da economia, não são entregues pelos governos às empresas em crise — de qualquer tamanho — mas aos agentes financeiros privados, que manipulam a taxa de juros e a acumulação sem trabalho. A diminuição do risco especulativo, necessária, aliás, para pacificar o mercado e aliviar tensões, exige que haja plena previsibilidade para o pagamento dos países credores, pelos endividados.

Daí um segundo passo: a redução das transferências públicas (diminuição das pensões, redução da compra de serviços e calotes nas pequenas e médias empresas, diminuição real e irrestrita dos salários dos servidores públicos, redução dos programas de transferência de renda) e dos serviços públicos essenciais (saúde, educação); e depois, ainda, um terceiro passo, com sucesso parcial na Inglaterra: a privatização de estradas (de outras empresas prestadoras de serviços públicos que são capazes de dar lucro sem competição e sem risco, para os investidores privados), porque ninguém deixa de tomar água, por exemplo, ou levar um filho ao Hospital, para ser operado de uma apendicite.

Austeridade reproduz mais austeridade, mais desigualdade, mais concentração de renda, mais pobreza e redução das funções públicas do Estado. Austeridade fulmina a política e “fascistiza” os conflitos, porque a violência da concentração de renda e de poder, que ela causa, desacredita a democracia e a política, desacredita as eleições e os governos. Me digam quais os sacrifícios que os 1% dos mais ricos de um país fazem, para tirar seus respectivos países das suas crises, que eu mudo de opinião. Por enquanto eu fico com esta.

Tarso Genro
No Carta Maior
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Se for para sugar a economia real, mais imposto agravará a recessão


A elevação das alíquotas de alguns impostos por Joaquim Levy contrapõe-se a um dos maiores equívocos da administração Mantega no primeiro governo de Dilma. O conjunto de exonerações determinado por este último em nome de um keynesianismo mambembe de livro texto, sem considerar as condições monetário-fiscais brasileiras, em lugar de contribuir para o crescimento do PIB foi um dos principais fatores da estagnação em que nos encontramos.

O pressuposto das exonerações fiscais é que seus beneficiários, principalmente empresários, investiriam ou consumiriam imediatamente os recursos economizados com impostos. O governo teria menos para gastar, mas os privados investiriam mais. Dessa forma, estimulariam o crescimento. Entretanto, em face de um consumo tendente à estagnação, e na presença de taxas de juros reais extravagantemente elevadas num mundo de taxas básicas em nível zero, os empresários, em lugar de investir, preferiram aplicar no mercado financeiro brasileiro ou simplesmente remeter os lucros excedentes para o exterior. Assim, exportamos os impostos “economizados”.

Claro que apenas manter a carga fiscal não teria resolvido o problema da estagnação. Teria sido necessário que toda a carga de impostos original, antes da desoneração, fosse aplicada, com o conjunto dos impostos, em investimentos ou em consumo do setor público. Isso é óbvio, porque imposto significa retirar recursos da economia, o que só pode ser contrabalançado em termos de contribuição ao crescimento pelo gasto público ou privado. Quando se tira imposto muito acima do gasto público não financeiro (superávit primário), se o privado não investir na economia real a economia tende necessariamente à estagnação.

Desonerações fiscais, nas condições brasileiras, significaram redução, e não aumento do investimento na economia. Mas a mesma coisa acontece com o superávit primário. Nesse caso, retiram-se recursos da economia para que sejam esterilizados na dívida pública sob a forma de pagamento de juros e amortizações. Se as taxas de juros forem altas, esses recursos não retornam à economia real. Diante disso, é preciso saber exatamente o que Joaquim Levy pretende fazer com o aumento dos impostos. Se for apenas “economizar” para pagar juros, teremos o ciclo clássico dos ajustes fiscais de caráter recessivo, que está liquidando com a maioria das economias europeias.

Diante dessas considerações, sou totalmente favorável, sob condições, à restauração da CIDE, o imposto sobre a gasolina (22 centavos o litro) e o diesel (15 centavos). Ele nunca deveria ter sido zerado em 2012. Na origem remota, a CIDE era um imposto vinculado a investimentos sobretudo em logística, numa época em que tinha outro nome (IUCLG). Graças ao imposto vinculado construímos uma vasta rede rodoviária. Quando entramos em crise cambial e tivemos de recorrer ao FMI, o Fundo exigiu a extinção dos impostos vinculados.

Um dos últimos atos do Governo Fernando Henrique foi restaurar o imposto, porém sem vinculá-lo a investimentos específicos. Em outras palavras, caiu no caixa único do Tesouro. Se é para reverter à caixa única a fim de se fazer superávit primário, sou frontalmente contrário à restauração da CIDE. É que basta circular pelo país para concluirmos que precisamos de grades investimentos em logística, o que não acontecerá apenas com PPPs, sobretudo agora que as grandes empreiteiras enfrentam óbvias dificuldades em suas operações com o setor público.

Joaquim Levy revelaria um alto grau de sabedoria se mandasse ao Congresso um projeto de lei vinculando a CIDE a investimentos em logística. De acordo com as faixas anunciadas do tributo, deveremos ter uma arrecadação anual da ordem de R$ 2,8 bilhões de acordo com o consumo de gasolina e diesel no ano passado. Parece pouco, mas não se isso alimentar um Fundo de Investimento setorial. Uma arrecadação firme próximo dos R$ 3 bilhões anuais para o Fundo, legalmente estabelecida, possibilitaria um financiamento imediato de R$ 110 bilhões em rodovias, ferrovias e hidrovias num prazo de 30 anos, com baixíssimo risco. Isso resolveria parte substancial de nossos problemas logísticos.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.
No GGN
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Cai a confiança na imprensa

Uma reportagem no Estado de S. Paulo comenta resultado de um estudo global sobre o nível de confiança das sociedades nacionais em governos, empresas, ONGs e mídia. O Edelman Trust Barometer, em sua 14ª edição, faz um levantamento em 27 países, por meio de 33 mil entrevistas, sendo 27 mil do público em geral e 6 mil no grupo composto por uma seleção de pessoas com educação superior, hábito de consumir notícias diversas vezes por semana e que acompanham temas sociais e políticos. Portanto, pode-se dizer que esse estrato específico de 6 mil entrevistados representa o cliente típico da imprensa.

Os dados referentes ao Brasil serão divulgados em fevereiro, em dois seminários marcados para o Rio de Janeiro e São Paulo, e prometem ser muito úteis para os estudiosos das relações entre mídia e sociedade. O texto publicado pelo Estado se refere apenas ao grau de confiança que o público em geral deposita em empresas familiares, em comparação com a credibilidade das empresas de capital aberto e as estatais.

No resumo distribuído pela Edelman (ver aqui), a análise é mais ampla: por exemplo, observa-se que a confiança na mídia caiu 4 pontos de 2013 para 2014, em todo o mundo. Mas o mais interessante é observar como os novos meios digitais e outros processos de comunicação desvinculados da mídia tradicional passaram a contar com muito mais credibilidade, avançando no campo antes dominado por aquilo que chamamos classicamente de imprensa.

O estrato da amostragem considerado como “público informado” declara que, ao buscar informações sobre qualquer assunto, confia tanto na mídia tradicional quanto nos sistemas de busca online. No Brasil, esse aspecto é ainda mais diferenciado: as ferramentas de busca como o Google têm a confiança de 81% dos consultados.

Em um ano, a mídia tradicional perdeu 7 pontos na classificação da credibilidade, com 74% de citações, seguida de portais, blogs e congêneres, com 65%, e mídias sociais e outras fontes digitais, com 63% cada. A pesquisa permite associar o nível de confiança nos meios à formação da opinião sobre marcas de produtos e serviços, indicando que cresce a influência de funcionários e cidadãos comuns em relação às fontes institucionais, como dirigentes de empresas.

Estratégia equivocada

Observando-se apenas esse contexto do estudo, pode-se constatar uma importante mudança no comportamento dos indivíduos, tanto em seu papel de cidadãos como na qualidade de consumidores.

A análise que acompanha os dados da pesquisa indica que as pessoas ainda consideram importante a qualidade específica daquilo que lhes é entregue em troca de seu dinheiro ou de seus impostos, mas aumenta a expectativa quanto a outras questões, como a conduta de empresas e instituições em geral, ou seja, atributos éticos tornam-se tão valiosos quando os aspectos operacionais.

Esses indicadores explicam em grande parte o distanciamento, quase animosidade, que se nota, no Brasil, entre grandes parcelas da população e o conjunto das instituições. De certa forma, também justificam, parcialmente, o nível maior de confiança nas empresas que têm uma face — a cara do dono —, em comparação com as organizações sem rosto. Torna-se interessante, por exemplo, observar como o empresário Abílio Diniz, que era o retrato do grupo Pão de Açúcar, vai transferir sua reputação para o novo grupo empresarial a que está se associando.

No campo político, a pesquisa mostra como pode ser um erro estratégico grave a opção da maioria dos governantes, inclusive no âmbito federal, de buscar o poder no voto para exercê-lo no ambiente restrito das instituições partidárias. Se, como mostra o estudo, a sociedade quer ver a face que personifica a instituição, as estratégias de comunicação que despersonalizam empresas e outras entidades podem estar seriamente equivocadas.

A observação diária da imprensa revela que a mídia tradicional se dirige preferencialmente às instituições, e que tanto governos quanto empresas também se fecham nessa conversação que exclui o cidadão comum.

O retrato pintado pelo Edelman Trust Barometer indica um novo caminho: se as pessoas tendem a confiar mais em seus pares do que na imprensa ou nas instituições, a sucessão de crises que testemunhamos só será sustada se houver um redirecionamento na comunicação, visando mais o ser humano do que suas representações formais.

Luciano Martins Costa
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Caminhamos para uma recessão. Com o governo consciente disso, esperamos

Que 2ª feira! Calor, aumento de impostos num pacotaço anunciado pelo ministro da Fazenda, de juros e queda de energia em importantes cidades do país causada pela onda de calor inédita no pais… Ontem nem parecia uma 2ª feira, estava mais para uma 6ª feira 13. Só noticias ruins.

O aumento de impostos e dos juros são apenas consequências, desdobramentos da busca de um superavit de 1,2% do PIB este ano. A elevação dos juros visa derrubar a demanda e vem casada com o aumento do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras para os empréstimos às pessoas físicas. Aí, também refreando o consumo.

Caminhamos assim — conscientemente, espero, por parte do governo – para uma recessão com todas as suas implicações sociais  e políticas. Fica evidente, empiricamente, pela prática, que o aumento dos juros não refreou a inflação cujas causas estão fora do alcance da politica monetária do Banco Central (BC), mas nos preços administrados, serviços e alimentos.

Quando a inflação cair… se cair…

Assim, quando a inflação cair — se cair… — será pela queda violenta da demanda e não pela alta dos juros. O que espanta é o silêncio de nossas autoridades sobre os efeitos da atual taxa Selic de 11,75% — o sonho de consumo do mercado financeiro — e sobre o serviço da divida interna de R$ 250 bi ao ano, ou o correspondente a 6% do PIB nacional. É a maior concentração de renda do mundo no período de um ano e para uma minoria detentora dos títulos públicos de nossa divida interna.

Como a arrecadação cairá com a recessão é preciso de novo que nossas autoridades expliquem como farão o superávit e manterão os investimentos públicos e os gastos sociais.  Têm de explicar: como o pais voltará a crescer?

Fora o fato que as autoridades da área econômica diariamente criticam abertamente os bancos públicos e seu papel de vanguarda no financiamento subsidiado (porque necessário) de nossa indústria, agricultura, infraestrutura social e econômica. A pergunta que não cala é: quem os substituirá, quem continuará a desempenhar esse papel dos bancos oficiais?

Semana começa com muita apreensão sobre os rumos do país

Sobre o efeito maléfico e daninho dos juros altos na valorização do real e nas contas externas também nada, nem uma palavra… Nossa indústria que se vire. A semana começa, assim, com muita apreensão pelos caminhos do país. Mas podem ter certeza, com muita festa no mercado financeiro e nas redações de nossa mídia.

Mesmo que haja algum choro e ranger de dentes pelo aumento dos impostos, no fundo dirão, melhor assim que uma reforma tributária que taxe os ricos, o patrimônio e a renda, as fortunas e heranças e os fantásticos lucros financeiros. Isso, talvez, explique o silêncio dos responsáveis pela política econômica e pelo governo sobre a volta da CPMF ou de algum outro imposto ou tributo equivalente e que cumpra seu papel.

No Blog do Zé
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O homem que inspirou a Abril e a Globo


É pequena a bibliografia sobre a formação dos grupos contemporâneos de mídia brasileiros nas últimas décadas.

O advento da TV aberta e da tecnologia da micro ondas — que permitiu a transmissão simultânea do sinal de TV ao vivo — produziram a penúltima grande revolução no formato dos grupos de mídia. A última é a da Internet.

Coube a Henry Luce, fundador e mentor do grupo Time-Life a grande revolução do período, que o tornou o norte-americano mais influente de sua época.

Luce teve influência direta sobre os dois grandes grupos brasileiros que emergem desse período: as Organizações Globo, assumindo a liderança no mercado de TV; e a Editora Abril, do mercado de revistas.

* * *

Antes da TV, Luce se consagra com um conjunto de revistas campeãs, a Time (espelho da futura Veja), a Life (copiada pela Manchete), a Fortune (de negócios) e a Sporteds Illustred, servindo de modelo para os novos grupos editoriais.

Inovou no modelo de negócios, ao criar uma nova empresa, a Time-Life, que se valia da grande penetração das revistas para a venda de produtos de catálogo.

Quando teve início a era da televisão, promoveu uma transição bem sucedida para a nova mídia, tornando-se o primeiro grupo a juntar todas as formas de comunicação em um mesmo conglomerado, batizado de Time-Life Broadcast Inc

* * *

Nos anos 50, a Time-Life e as redes NBC, CBS e ABC deram início a uma estratégia de internacionalização, fortemente amarradas aos interesses diplomáticos e comerciais norte-americanos.

Em outubro de 1964, em um seminário do Hudson Institute, um dos principais executivos da Time Life explicou a fórmula de expansão das redes norte-americanas:

1. Ter posição minoritária nos países da América Latina, devido às leis dos respectivos  países sobre telecomunicações.

2. Ter  sócios  locais, e “eles têm provado ser dignos de confiança”.

3.  A programação diurna da TV será importante para o êxito comercial e poderosamente eficaz e popular.

Ao mesmo tempo, propunha uma parceria com o governo norte-americano, “como um meio de atingir o povo do continente”.

* * *

Luce se valeu da esposa Clare Booth Luce, primeira mulher diplomata de peso dos EUA, para avançar em parcerias com outros países.

No período em que Clare foi embaixadora na Itália, lançou o Panorama, em sociedade com um grupo local.

Quando a esposa veio como embaixadora no Brasil, serviu de ponte para a sociedade com Roberto Marinho, das Organizações Globo, firmada em 1961. A sociedade permitiu à Globo recursos para tirar as principais atrações dos concorrentes; e o know how de programação, comercialização e operação da rede.

A sociedade ganhou velocidade após 1964 e só foi interrompida em 1971, quando Marinho adquiriu a parte da Time-Life.

* * *

Na área das revistas, Luce foi essencial para alavancar os irmãos Civita — dois ítalo-americanos que aportaram no Brasil e Argentina, respectivamente, sem capital e com a intenção de explorar o mercado de revistas. Consta que um deles, Victor, foi funcionário da Time-Life.

Em pouco tempo, a Editora Abril, do Brasil, e o Editorial Abril, da Argentina, lançaram 19 títulos de revistas. Na Argentina, o carro-chefe tornou-se a revista Panorama — que ostentava na capa a parceria da Abril com a Time-Life. No Brasil, a revista Veja, seguindo a fórmula consagrada no Times.

O estilo Time consistia em tratar as notícias como um produto agradável, com o texto que fosse compreendido pelo leitor mais medíocre. Para obter esse alcance, havia uma simplificação de tal ordem, especialmente de temas complexos, que adulterava totalmente o conteúdo. Era a tal sociologia para a dona de casa de Botucatu.

Para conferir veracidade ao texto, o estilo contemplava uma série de detalhes de ambiente, passando a ideia da “onipresença” e “onisciência”.

* * *

No final dos anos 60, com a doença de Assis Chateaubriand e a crise dos Associados, a Globo assumiu a liderança na TV aberta e a Abril no mercado de revistas.

As Organizações Globo deram certo e se consolidaram como o grande grupo editorial brasileiro, valendo-se das falhas na fiscalização da radiodifusão.

Com o tempo a fórmula Veja transformou-se em um esgoto a céu aberto e a Abril não conseguiu fazer a travessia para o novo modelo. Tentou a Internet, a TV a cabo, tanto a produção quanto a operação. Fracassou em todas as novas frentes.

Hoje é um grupo que caminha para o fim.

Luís Nassif
No GGN
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Nota à Imprensa do ONS - 19/01/2015


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A morte da humanidade

Todas as vezes que condenei alguém criminalmente (em alguns casos, crimes bárbaros e crueis), nunca senti qualquer prazer ou sensação de justiça.

Ao contrário. O que eu sentia era uma profunda tristeza, com a morte lenta da esperança que era percebida no final de cada assinatura. É como se tivéssemos fracassado, como grupo social.

Vingança ou justiçamento são sentimentos que, felizmente, não sinto. Talvez pela formação familiar, pelos mestres humanistas com os quais tive a sorte de conviver.

Já vivi a experiência da violência muito de perto, na minha família, e sinto repulsa pelas advertências, quase desejos, de que, quem não acha que bandido bom é bandido morto, merece ser vítima para mostrar se mantém o discurso.

As exibições de ódio me causam repulsa. Talvez, o que a violência tenha de mais perverso, não seja a dor pontual que provoca, mas a morte da humanidade, a cada ação.

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Nem a Indonésia quer o PIG

Governo da Indonésia deporta repórter e cinegrafista da Rede Globo

O repórter Márcio Gomes, da Globo, e um cinegrafista foram deportados pelo governo da Indonésia. A informação foi confirmada pelo setor de comunicação da emissora.

No país para acompanhar a execução do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53, a dupla chegou a ser detida no sábado (17) na cidade de Cilacap. Foi liberada depois, mas os passaportes ficaram retidos.

O jornalista entrou no país com visto de turista.

Nesta segunda (19), segundo a Globo, Gomes e o cinegrafista foram transportados para a capital, Jacarta, pela polícia — o acompanhamento foi necessário por estarem sem passaporte. Lá, aguardariam em um hotel o voo para Tóquio (Japão), onde Gomes atua como correspondente.

O Itamaraty não quis comentar. No sábado, a reportagem da Folha também foi ameaçada de deportação.
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Desespero de policial depois de matar suspeito desarmado. Não, não é no Brasil.


Um oficial do departamento de polícia da cidade de Billings, no estado de Montana, Estados Unidos, foi tomado pela emoção após atirar mortalmente em um homem desarmado Montana. O fato ocorreu em abril de 2014, mas o vídeo que mostra os momentos logo após o tiroteio, só foi liberado agora.

O oficial Grant Morrison, durante uma blitz, atirou em Richard Ramirez que era passageiro de um veículo. Ramirez, que estava desarmado, foi encontrado morto instantes depois.

Morrison disse que estava com medo de que Ramirez estivesse pegando uma arma. "Foi a decisão mais difícil que eu tive de fazer", disse Morrison durante seu depoimento. "Gostaria de saber que ele não tinha uma arma, mas eu não podia correr o risco", acrescentou.

O vídeo do incidente de 14 de abril foi usado como parte do inquérito sobre a morte de Richard Ramirez. Nele são mostradas imagens do oficial chorando em um carro da polícia, após o tiroteio.

Em 7 de janeiro último, o oficial Morrison foi inocentado sob a alegação de ato não-criminal, homicídio justificável. 

Assista o vídeo:

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Enquanto isso, na França...


Laerte
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A decadência do Manhattan é tanta que virou palco para Zélia Cardoso de Mello




O programa Manhattan Connection, aquele que é abrilhantado pela generosa lucidez de Diogo Mainardi e seus comentários sobre a natureza “bovina” do povo nordestino, ganhou ontem uma comentarista econômica à altura de sua credibilidade.

Zélia Cardoso de Mello, a todo-poderosa ministra do Governo Collor discorreu sobre os ajustes econômicos do Ministro Joaquim Levy com a sabedoria que demonstrou em sua “gestão” da Fazenda.

Depois de fazer coro aos elogios aos veios liberais de Levy, com um único “senão”:

(ele) vai precisar de apoio político da presidente da República, e isso, sinceramente, eu não sei se ele tem.

Das lonjuras de seu ostracismo voluntário em Nova York,  a ex- ministra diz que, em seus discursos, a Presidenta Dilma Rousseff não teria demonstrado o desejo de tomar medidas “que não são agradáveis”.

Ainda bem, não é, que Dilma desagrada Zélia. Tenho certeza que a recíproca é verdadeira.

Mas o momento que prova que o Manhattan Conection vai, cada vez mais se tornado um programa humorístico de quinta categoria foi a declaração da senhora quase esquecida sobre o “defeito” do povo brasileiro de ser “muito feliz” e, por isso, aceitar demais a corrupção.

— “O povo brasileiro é muito feliz, e isso é um defeito, um problema. É um povo muito tolerante. Consegue conviver com coisas ruins durante muito tempo. Não sei qual vai ser o grau de tolerância, deveríamos estar já no limite”.

Talvez esteja julgando por si própria, capaz de conviver com as atividades de Paulo Cesar Faria, inclusive nas franjas da privatização que ela, como Ministra, preparou.

De qualquer forma, o site Terra, de onde tirei as informações, curiosamente publicou as declarações de Zélia na página chamada “diversão”.

É ruim, mas é piada.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A campanha do segredo

A disputa pela presidência da Câmara introduz uma novidade que só se percebe nas suas preliminares, mas não na finalidade que, no entanto, não pode ser insignificante. E o mais provável é que não traga contribuição para atenuar as calamidades da política. Ao contrário.

Ao oficializar sua candidatura, o deputado Eduardo Cunha disse que iria correr o país, e pareceu que apenas usava de exagero para acentuar sua disposição de enfrentar a esperada oposição do governo e dos governistas menos infiéis. As últimas disputas pela presidência da Câmara tornaram normais as imitações de campanha eleitoral, com folhetos programáticos, cartazes, brindes, e outros usos publicitários. Eduardo Cunha sai da norma para o avião.

Se o corpo eleitoral é composto só pelos deputados, aí está o território a ser trabalhado pelos candidatos. Não para Eduardo Cunha. Ele busca fora da Câmara a presidência da Câmara. Viaja mesmo, como disse, pelo país afora, contatando prefeitos não só do seu PMDB, políticos regionais de diferentes partidos, e até governadores que precisam fazer o encontro em sigilo.

É claro que Eduardo Cunha procura conquistar pressões locais sobre os deputados/eleitores, para lhe darem os votos. Sua atual condição de favorito atesta, em princípio, a eficiência dos argumentos que utiliza na campanha fora da Câmara. Mas que argumentos formula para atrair prefeitos e políticos regionais? Que argumentos são esses que não convenceriam os deputados/eleitores em contatos com os próprios, precisando que sejam submetidos a pressões de suas bases políticas? Eduardo Cunha não diz, e os contatados calam. Por certo, com fortes razões para tanta confidencialidade.

Notícias esparsas mencionam viagens de Eduardo Cunha. Nenhuma pôde expor medidas por ele projetadas, caso eleito. Não é só que o país ignore o que pensa da e para a Câmara quem deseja, com tanta determinação, vir a presidi-la. Deputados/eleitores também desconhecem.

Essas coisas não levam a bons prenúncios. Ainda mais com alguém de histórico discutido e de presente perturbador, até para os seus correligionários mais próximos.

Mas Eduardo Cunha faz escola. Nas andanças, que no demais não seria fácil. Um dos seus dois adversários, Júlio Delgado, do PSB, deu para viajar também. Por isso estava no avião da Gol que teve um tremelique no Rio Grande do Sul. O escolado Arlindo Chinaglia, porém, não dá sinais, com seu ar de tédio, do que faz para salvar o governo e o PT da presidência de um dos outros dois. Sobretudo do ameaçador Eduardo Cunha.

Do buraco ao céu

Com previsível fartura de frases feitas e uma passeata patética de poderosos idem, François Hollande derrubou as análises políticas do pós-atentado ao "Charlie". Todas previram, como efeito da ação terrorista, o fortalecimento da extrema-direita, de Marine Le Pen, e da pretensão de retorno do ex-presidente Sarkozy. O presidente, que já estava em funda rejeição, desceria mais no buraco.

A vulgaridade de Hollande elevou dos 19% aos 40% a proporção dos franceses que nele confiam. Se não cometer algum ato inteligente até a eleição, já passou de derrotado fácil a reeleito sem risco.

Política e eleitorados são o mesmo aqui, lá e em toda parte. As exceções só ocorrem como fenômenos.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 111


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Essa é do Barão... 169


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ONS informa recorde de demanda instantânea de energia elétrica


ONS informa que “adotou medidas operativas em conjunto com os agentes distribuidores” para restabelecer frequência elétrica

Em comunicado divulgado na noite desta segunda-feira (19), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prestou esclarecimento sobre a decisão de interromper o fornecimento de energia em sete estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Confira a nota na íntegra:
“No dia 19 de janeiro, a partir das 14h55, mesmo com folga de geração no Sistema Interligado Nacional (SIN), restrições na transferência de energia das Regiões Norte e Nordeste para o Sudeste, aliadas à elevação da demanda no horário de pico, provocaram a redução na frequência elétrica.

Na sequência, ocorreu a perda de unidades geradoras nas usinas Angra I, Volta Grande, Amador Aguiar II, Sá Carvalho, Guilman Amorim, Canoas II, Viana e Linhares (Sudeste); Cana Brava e São Salvador (Centro-Oeste); Governador Ney Braga (Sul); totalizando 2.200 MW. Com isso, a frequência elétrica caiu a valores da ordem de 59 Hz, quando o normal é 60 Hz.

Visando restabelecer a frequência elétrica às suas condições normais, o ONS adotou medidas operativas em conjunto com os agentes distribuidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, impactando menos de 5% da carga do Sistema.

A partir das 15h45, a situação foi totalmente normalizada.

Amanhã, dia 20 de janeiro de 2015, às 14h30, no Riode Janeiro, o ONS se reunirá com os agentes envolvidos para analisar a ocorrência.

Assessoria de Planejamento e Comunicação do ONS“

Os especialista da Globo News disseram:



No ONS
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