19 de jan de 2015

Você tem tempo?

Um vídeo sobre a arrogância de alguns simples mortais.

"O homem é um cadáver adiado." Fernando Pessoa



(Recomendo ver também: Não nascemos prontos)

29 imagens farão você repensar

Na maior parte do tempo, nos sentimos o centro do universo. Esquecemos que nosso planeta é apenas um grão de areia se comparado a todo o universo e sua imensidão. Nesta postagem, vamos lhe mostrar o quanto somos pequenos e frágeis se nos compararmos a todo o universo.
Você vai repensar sua existência:

Este é o nosso planeta, sua casa.


Esta é a distância, em escala, entre a Terra e a Lua. Até não parece ser tão distante, não é?


Comece a repensar! Entre a Terra e a Lua cabem todos os planetas do Sistema Solar.


Falando em planetas, esta sujeirinha verde é a América do Norte sobre Júpiter


E isso é um cometa. Acabamos de colocar uma sonda em um desses, mas olha só como ele se parece se comparado com Los Angeles


Mas nada se compara ao Sol


E aqui estamos nós, vistos da Lua…


De Marte…


E de Saturno


E aqui está a Terra vista de Netuno, com 6,4 bilhões de quilômetros de distância


Esta é a Terra perto do Sol


E este é o Sol visto da superfície de Marte


Mas isso nem é tão imenso quanto parece. Como já dito por Carl Sagan, há mais estrelas no espaço do que grãos de areia em todas as praias da Terra


E já que estamos falando de estrelas, algumas são bem maiores que o Sol


A maior estrela, Vy Canis Majoris, é 1.000.000.000 de vezes maioir do que o Sol

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Mas nada disso se compara ao tamanho de uma Galáxia. Se reduzir o Sol ao tamanho de um glóbulo branco e reduzir a Via Láctea usando a mesma escala, o tamanho da Via Láctea seria equivalente aos Estados Unidos da Amércia


A Via Láctea é enorme, e tudo que você vê é um minúsculo pedaço dela


Porém, é possível ir mais além. Nesta imagem, capturada pelo telecópio Hubble, há milhares e milhares de Galáxias, cada uma contendo seus próprios planeta e milhões de estrelas


Esta é uma das Galáxias presentes na foto anterior, a UDF 423 e está a 10 bilhões de anos-luz de distância


E lembre-se, estas são imagens de uma pequena fração do Universo


É seguro afirmar que existem alguns Buracos Negros lá fora. Aqui está a comparação do tamanho de um Buraco Negro tendo em vista a órbita da Terra, só para aterrorizar você


E, se depois de tudo isso, você ainda não conseguiu ter uma noção do tamanho do Universo do qual você faz parte, vamos facilitar:

Você mora aqui


E isso é o que acontece com sua casa quando diminuímos o zoom



E então, você ainda acha que nós somos o centro do universo?
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Huck pedirá recontagem do Ibope?

O apresentador Luciano Huck, da TV Globo, não vive uma boa fase. Segundo o Ibope, seu programa de sábado passado (17) registrou um dos piores índices da sua história. O Caldeirão do Huck marcou apenas 10 pontos — "a pior audiência da atração desde 6 de setembro, quando foram registrados 8,9 pontos no Ibope", segundo o site Notícias da TV. Durante a campanha eleitoral, o astro global virou um ativo militante tucano. Fotos registraram a sua tristeza no comitê do cambaleante Aécio Neves na noite da apuração do segundo turno do pleito. O PSDB, incorformado, chegou a propor a recontagem dos votos — o que virou motivo de chacota nas redes sociais e resultou numa dura reação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Derrotado nas eleições presidenciais e na audiência, Luciano Huck até poderia propor também uma recontagem ao Ibope — já apelidado de Globope.

Mas o tucano de nariz afiado não deve se abater. A crise não atinge apenas o seu gelado "caldeirão". No domingo (18), o programa Fantástico registrou a pior média de audiência dos últimos nove meses — com 17,7 pontos. No início do ano passado, a "revista" da TV Globo foi totalmente recauchutada — com novo cenário e muitos efeitos especiais. Não adiantou. O programa continua em queda. Em abril, a poderosa emissora da famiglia Marinho completa 50 anos de existência. Pelo jeito, não terá muito o que comemorar em termos de audiência. Os herdeiros seguem bilionários, mas a TV Globo dá sinais de fadiga!

Altamiro Borges
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A Volta do Manchetômetro

Na verdade o título desse artigo é um pouco dramático. O Manchetômetro nunca parou de existir como prática de pesquisa. Apenas programamos uma suspensão de duas semanas na atividade de codificação dos dados para que pudéssemos adequar os parâmetros de análise à realidade da cobertura pós eleitoral. Essa mudança foi trabalhosa, pois dentro da lógica eleitoral de polarização e competição acirrada entre candidatos era mais fácil focar as análises: candidatos e partidos são temas óbvios e principais, a cobertura de escândalos também se torna obrigatória devido à insistência da grande mídia em agendá-los, etc. A eleição também proporciona uma periodização mais fácil e simples. Há o período pré-campanha, o período da campanha até o primeiro turno e a campanha do segundo turno.

Finda a eleição, a lógica da política muda, o conflito aberto é substituído pelos acordos potencialmente cambiantes e por uma guerra quase silenciosa de posições. Mas não muda tanto assim, ou pelo menos não mudou tanto assim no caso da reeleição de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores. Tornou-se lugar comum nas democracias mundo afora o uso da expressão “lua de mel” para denotar o período imediatamente posterior à posse de um novo governante, quando oposição, mídia e sociedade civil organizada baixam a guarda e permitem que o eleito tome suas primeiras decisões e organize seu novo governo. Dilma, contudo, não foi contemplada nem com o mais leve esboço de uma lua de mel. Pelo contrário, logo após o resultado eleitoral, a oposição, novamente ancorada pela militância dos grandes meios de comunicação, tentou pelo menos duas maneiras de inviabilizar sua posse: pedindo recontagem de votos por alegação de fraude e pressionando o TSE pela rejeição de suas contas de campanha. Não bastasse isso, o escândalo da Petrobrás que já havia servido de combustível para inúmeras denúncias contra Dilma e o PT durante a campanha — destaque para a já histórica capa da Veja às vésperas do segundo turno — tornou-se o assunto mais noticiado desde o término do período eleitoral.

Em suma, ainda que a lógica da política necessariamente mude depois da eleição, a lógica da cobertura midiática da política (e da economia) não necessariamente segue o mesmo caminho. É o que o Manchetômetro vem descobrindo com as análises do cenário pós-eleitoral que começamos a apresentar aqui. O projeto é amplo e ambicioso, por isso decidimos lançá-lo em módulos.

Para começar expandimos o raio de nossas análises: antes nossa base de dados era composta somente dos textos nas capas dos jornais impressos, agora analisamos não somente as capas, mas também as duas páginas de opinião no miolo dos periódicos. Isso nos permitirá não somente capturar o sentido emprestado pelos editores ao instrumento de comunicação mais efetivo do jornal, a capa, mas também ter ideia do posicionamento que o próprio jornal assume explicitamente em seus editoriais, que seus articulistas convidados e colunistas contratados expressam nessas páginas. As funções retóricas desses elementos da comunicação jornalísticas são distintas. A capa é um resumo de todo o jornal, e mistura opinião e reportagens “factuais”. Ela transmite agendamento e enquadramento de maneira sintética e compacta. Os editoriais são a voz direta do jornal, sem mediações. Já os articulistas são um time de jornalistas e publicistas cativos que cumprem uma função retórica incerta, entre a posição do jornal e a representação do público. Sua retórica é claramente aquela do jornalismo crítico e independente, mas os critérios para a formação de um time de articulistas estão longe de ser transparentes ou independentes das posições e interesses da editoria do jornal. Já os artigos de opinião de convidados têm a clara função retórica de representar o debate púbico em sua diversidade. Claro que essa diversidade é aquela que a editoria do jornal entende como apropriada ou relevante.

Lançamos três páginas nesse primeiro módulo. A primeira é dedicada à presidenta Dilma Rousseff (http://www.manchetometro.com.br/cobertura-2015/cobertura-2015-dilma-rousseff/). De cara, pela observação rápida dos gráficos nessa página, podemos facilmente compreender o que dissemos logo acima sobre ter sido negada a Dilma uma lua de mel. Matérias favoráveis são praticamente inexistentes. A proporção entre manchetes e chamadas contrárias e neutras é de praticamente 1:1. Os três grandes jornais juntos dedicam a Dilma já na primeira semana após o Segundo Turno um total de 19 matérias e chamadas de capa negativas, recorde para todo período. Na primeira semana de dezembro do ano passado o número atinge 18, como mostra o gráfico abaixo:

Valências jornais impressos

valencia_jornaisimpressos

Assim como no período eleitoral, a cobertura do Jornal Nacional apresentou perfil similar a dos jornais impressos. As valências de suas notícias durante o período que vai da semana após o Segundo Turno até agora vai no gráfico abaixo:

Valências Jornal Nacional

valencia_jornalnacional

Se nas capas a cobertura já mostra viés contrário à Dilma, quando adentramos as páginas de opinião dos jornais esse viés fica ainda mais extremo. Comecemos pelos editoriais:

Editoriais

editoriais

Os editoriais dos grandes jornais constituem uma verdadeira barragem de textos contrários à Dilma. Na segunda semana de novembro de 2014 temos um pico de 14 editoriais negativos. Se temos três jornais e sete dias na semana, isso significa que, em média, a cada três dias, cada jornal publicou dois editoriais negativos em relação à presidenta. Na última semana esse recorde quase foi igualado. Tivemos 13! Ademais, é importante notar a tendência constante de produção, semana após semana, de textos contrários a Dilma, com neutros sempre bem abaixo, com exceção da terceira semana de dezembro, e favoráveis mantendo seu nível próximo a zero.

Artigos de opinião

opiniao

Vejamos agora os artigos de opinião, aqueles escritos pelos articulistas contratados dos jornais. Eles seguem perfil similar ao dos editoriais, com viés extremamente negativo, inclusive coincidindo com desenho da curva similar. O pico de artigos de opinião negativos se dá também na segunda semana de novembro, 15 textos negativos, quase um por dia por jornal. E na última semana, segunda de janeiro, o número também sobe, aqui para 13. Os neutros ficam sempre bem abaixo, sem qualquer exceção e os textos favoráveis variam entre 0 e 2 e 0 e 1, semana após semana.

Nas colunas temos um pouco mais de variação, como mostra o gráfico abaixo:

Colunas

colunas

Nesses textos, escritos por convidados das editorias dos jornais, há um entrelaçamento maior entre as curvas de neutros e contrários. Ou seja, há um número similar e até um certo equilíbrio entre um e outro tipo de texto. Favoráveis, contudo, são praticamente inexistentes. Ou seja, quando os jornais são menos enviesados contra Dilma Rousseff, como nas colunas, a opinião expressa por eles varia entre o contrário e o neutro.

Como podemos constatar nessa breve análise, Dilma continua sob fogo cerrado da cobertura da grande imprensa. O padrão de viés contrário a ela continua similar àquele do período eleitoral, já revelado em análises prévias do Manchetômetro. Nas páginas de opinião, que não foram analisadas durante o período eleitoral, descobrimos um viés ainda mais forte contra a presidente reeleita. Se somarmos editoriais e artigos de opinião chegamos a números expressivos como o de 29 textos contrários na segunda semana de novembro. Somando as seis colunas negativas publicadas nessa semana, o número vai para 35: uma média de cinco textos contrários a Dilma por dia nos três jornais.

Também disponibilizamos para o internauta uma página com a análise da cobertura dos partidos políticos (http://www.manchetometro.com.br/cobertura-2015/cobertura-2015-partidos/) e da Operação Lava Jato (http://www.manchetometro.com.br/cobertura-2015/cobertura-2015-operacao-lava-jato/), as quais comentaremos em breve.

Nossos planos incluem uma pletora de novas análises e a inclusão de outros meios de comunicação noticiosos, impressos e virtuais.

Sejam bem vindos à nova fase do Manchetômetro.

João Feres Júnior
No Manchetômetro
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Fizeram do Piketty um Viagra


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O estrondoso silêncio de Aécio e do PSDB no caso do brasileiro executado na Indonésia

Eles
Um silêncio estrondoso foi o que Aécio Neves e o PSDB ofereceram no caso da execução do brasileiro Marco Archer na Indonésia, apanhado com 13 quilos de cocaína. Nenhum pio sobre Archer e nem sobre a atuação de Dilma.

É uma mudança de paradigma inédita para uma oposição acostumada a criticar qualquer coisa, especialmente em relação à diplomacia.

Dilma divulgou uma nota se dizendo “consternada e indignada”. O embaixador brasileiro foi chamado para consultas, o que representa um agravo. Na sexta, fez um apelo ao presidente Joko Widodo pelo telefone — rechaçado.

O secretário geral do Itamaraty reuniu-se com o embaixador indonésio e manifestou sua “profunda inconformidade”, afirmando que a pena de morte representava “uma sombra” nas relações.

Nesse período, Aécio, Aloysio, Serra e seu governo paralelo no eixo Leblon-Higienópolis-Transilvânia não abriram a boca. Por quê? Férias?

Quando o Brasil foi chamado de “anão diplomático” por um estafeta de Israel, Aécio se locupletou. O país não deveria ter dado “palavra mais clara de convocação ao cessar-fogo” entre israelenses e palestinos.

“Temos que condenar o uso excessivo de força de Israel, mas também temos que condenar as ações do Hamas com lançamento excessivo de foguetes. O Brasil se precipitou, ao meu ver”, declarou.

Sobre o Estado Islâmico, ele foi mais duro. “Fiquei estarrecido com as declarações da presidente da República na ONU”, falou. “A presidente propõe diálogo com um grupo que está decapitando pessoas”.

O que teria feito Aécio Neves se acoelhar? Ainda que Dilma tenha acertado no episódio, há sempre um flanco a ser atacado para quem vive disso. Comparar a indignação com a Indonésia à complacência com Cuba nos direitos humanos, por exemplo?

Ou, como fez Rachel Sheherazade, avisar que Dilma Rousseff pode “bater o pé, mandar voltar o embaixador, mas não tem poder de interferir na decisão judicial de um outro país”. Para Rachel, Archer “deu azar de ser flagrado num país sério, onde a Justiça dá o exemplo: aqui se faz, aqui se paga.” (Essa tara por justiceiros ainda vai dar muita alegria à cada vez mais aloprada Sheherazade).

Aécio Neves e seu partido ficam devendo a seus eleitores uma resposta sobre por que ficaram na moita e deixaram Dilma solar num capítulo de gigantesca comoção nacional.

Kiko Nogueira
No DCM
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Empresas escondem toneladas de alimentos da população para boicotar o governo na Venezuela


Mais de mil toneladas de alimentos da cesta básica foram apreendidos pelo governo venezuelano em um galpão da empresa de distribuição Herrera S.A., que não distribuía os produtos, como parte da guerra econômica declarada pelos grandes empresários contra o governo popular de Nicolás Maduro.

Na última segunda-feira (11), a Superintendência de Preços Justos, com apoio de denúncias dos cidadãos, apreendeu milhares de produtos de alimentos e de higiene pessoal em um armazém da empresa privada Herrera S.A. no estado de Zulia. Os produtos possivelmente seriam contrabandeados para a Colômbia. Nove sucursais da empresa estão sendo investigadas por retenção dos produtos vitais para o povo venezuelano.

Foram encontradas toneladas de farinha de milho, arroz, fraldas, detergente e milhares de unidades de leite, sabonetes, amaciantes e barbeadores, entre outros, segundo o vice-presidente da República Jorge Arreaza. Ele disse também que os dirigentes da empresa alegaram que tinham as toneladas de alimentos retidas por problemas com a distribuição. No entanto, o ministro para a Alimentação Carlos Osorio e a ministra para o Comércio Isabel Delgado afirmaram que sem a constatação de alguma denúncia ou queixa pela falta de distribuição, a empresa tem que ser sancionada, informa a Telesur.

Os responsáveis pela empresa terão que comparecer perante a Justiça. Segundo a companhia, a distribuição desses produtos ocorreria em 30 dias, o que viola as leis de distribuição e comercialização no país. Além disso, muitos produtos escondidos pela distribuidora estavam sem a marca de controle de qualidade.

Arreaza acrescentou que investigarão os distribuidores de outra empresa privada, a "Protect&Gamble", já que esconderam em armazéns toneladas de produtos que fabricam na Venezuela. "Se eles estão vendendo esses produtos a essa empresa que esconde os produtos da população, deve haver uma razão", disse.

O Governo venezuelano garantiu que os mais de mil produtos serão avaliados e distribuídos a preço justo à população de todo o país.

Quem é a Herrera S.A.?

A Herrera S.A. detém um forte controle na distribuição de produtos alimentícios, de higiene pessoal e enlatados. Ela tem exclusividade na distribuição das marcas Kellog's, Nestlé, General Mills e Avelcasa em oito estados venezuelanos e também monopólio na venda dos produtos de higiene pessoal fabricados pela "Protect&Gamble" (sabão, detergente, fraldas e absorventes) e pela Pfizer (higiene bucal e cremes para o corpo).

Um de seus acionistas é a companhia Diamante Trading Investments LTD, sediada em Barbados e representada por Peggy Carolina Ordaz Quijada, militante do partido de direita "Vontade Popular", responsável pelos atos terroristas e pelas manifestações violentas para derrubar Maduro em 2014, que causaram mais de 40 mortes.

Em agosto de 2014, a Superintendência de Preços Justos multou a empresa com 5 mil unidades tributárias por não cumprir a Lei Orgânica de Preços Justos, aprovada em 2011 com o objetivo de regular e controlar os preços e evitar a especulação no país.

No Diário Liberdade
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A asa delta de Archer e o helicóptero dos Perrelas

O helicóptero é apreendido na aterrissagem no Espírito Santo
Certas coisas despertam a nossa atenção para absurdos dos quais nem sempre nos demos conta na hora em que ocorreram.

Por exemplo: os 13,4 quilos que levaram ao fuzilamento do brasileiro Marco Archer, na Indonésia, são uma insignificância em relação à meia tonelada de pasta de cocaína descoberta no helicóptero dos Perrelas.

Você, pela tragédia de Archer, tem uma ideia da omissão da mídia e da polícia brasileira no caso do helicóptero.

O interesse público, mais uma vez, foi para o fim da fila.

Se meia tonelada de cocaína não é notícia, não é manchete, não é motivo para investigações frenéticas da mídia e para pressões de repórteres sobre a polícia, então o que é?

Você pode dizer, com cinismo e descaro, e estará certo: depende de quem seja o portador. Meio quilo no carro de um amigo de Lula receberia uma cobertura estrepitosa.

Ninguém, na grande mídia, fez nada decente sobre o helicóptero dos Perrelas.

Na internet, graças à generosidade e ao ativismo dos leitores que financiaram nosso trabalho, mergulhamos no caso.

Não é fácil fazer jornalismo independente no Brasil. Nosso documentário sobre o ‘Helicoca’, por obra de alguma força oculta, foi abruptamente retirado do YouTube, para onde só voltou há pouco graças a nossa teimosia e perseverança.

O repórter Joaquim Carvalho teve acesso a um documento da Polícia Federal no qual estava a informação de que o helicóptero pousara num hotel antes de seguir viagem e ser interceptado pela polícia.

A informação foi confirmada pelo piloto, numa entrevista gravada por Joaquim.

Mesmo assim, diante de tais fatos, o hotel entrou na Justiça e fomos obrigados a retirar do ar os textos em que seu nome aparecia.

Como meia tonelada virou nada para a mídia?

A hipótese mais provável é a seguinte. Os Perrelas são ligados a Aécio, e Aécio é amigo dos donos das empresas jornalísticas.

Mexer no assunto, segundo essa lógica, poderia atrapalhar a campanha do amigo Aécio.

Sem o helicóptero a fama de playboy de Aécio já era um problema suficientemente grande em sua tentativa de subir a rampa do Planalto.

Apenas a título de especulação. Imagine que Archer, na Indonésia, tivesse dito que a cocaína transportada em sua asa delta não era dele. Alguém pôs isso lá, acreditem.

No Brasil, a mídia aceitou, sem questionamentos, a versão de que a cocaína nada tinha a ver com os donos do helicóptero.

Teria sido apenas uma coincidência que, entre tantos helicópteros que voam no Brasil, alguém tivesse escolhido exatamente o dos Perrelas para depositar a cocaína.

Pode ser verdade, aliás. Mas a sociedade teria que ser cientificada disso com informações convincentes e confiáveis.

Não foi o que ocorreu até aqui.

E, se não o episódio não foi esclarecido até agora, esqueça: o helicóptero entrará no museu dos enigmas que ninguém quer resolver.

Moral da história.

A mídia que deu tamanho espaço a um caso que envolvia 13,4 quilos de cocaína simplesmente desprezou outro com uma carga mais de 30 vezes maior.

Pobres leitores, pobres telespectadores, pobres ouvintes.

Paulo Nogueira
No DCM
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Alckmin tem algum plano?

E qual é o plano do governo paulista (Alckmin) para desocupar a cidade de São Paulo quando entrar em colapso a Cantareira?

Temos só dois meses no reservatório.

Se não chover canivete, em pouco tempo a área abastecida pela represa ficará sem água nenhuma.

Pelo que entendi, a área da Guarapiranga continuará com água. Mas metade da cidade e parte do entorno ficará inabitável.

Estas pessoas, milhões que são, vão para onde?

Será cada um por si, bem liberalismo do século XIX?

Quem tiver parente no interior ou em outro Estado? Ou na zona Sul?

E as empresas? E os empregos?

E por que a imprensa continua calada sobre isso?

Em dois meses, ou um pouco mais, se não houver um quase-milagre, a cidade mais rica do Brasil pode entrar em colapso.

E o que o governador prevê para isso? E por que a imprensa não cobra?

Renato Janine Ribeiro
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O apagão de São Paulo

A gestão da comunicação em torno da crise de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo está sendo feita por um gabinete junto ao governador Geraldo Alckmin. A equipe de assessores da Sabesp ficou encarregada apenas de ações defensivas e pontuais, como o encaminhamento de declarações e dados para os consumidores e para jornais e emissoras cujo noticiário se desvia eventualmente do padrão estabelecido por praticamente toda a imprensa: a prioridade é preservar o governo paulista e criminalizar os cidadãos que ainda não aderiram ao racionamento dissimulado.

Na comunicação direta com o contribuinte, a Sabesp tem trabalhado com textos ambíguos até mesmo para informar cortes no fornecimento de água ou redução na pressão do bombeamento. Por exemplo, ao anunciar a suspensão do serviço na região da Avenida Paulista, no último fim de semana, a empresa informava que a medida era necessária “devido a falta de energia que afeta o abastecimento”. Ou seja: a culpa da falta de água agora é da Eletropaulo.

A principal preocupação do gabinete de crise não é apenas conscientizar o consumidor, mas evitar que a opinião pública faça associações que levem ao ponto de origem do problema: a incúria do governo do estado, que vem sendo prevenido há mais de uma década sobre a redução da oferta de água no sistema que abastece a capital paulista e as cidades vizinhas.

A mensagem da Sabesp tenta diluir as responsabilidades, criando outro foco na própria máquina do Estado — a empresa de energia — dentro da estratégia central, que consiste em manter o governador longe da cena, nem que para isso seja preciso, por exemplo, fomentar conflitos entre vizinhos.

A mídia tradicional, principalmente os grandes jornais paulistas, funciona como extensão do Palácio dos Bandeirantes: embora o noticiário registre diariamente a redução do nível dos mananciais que abastecem a maior concentração urbana do país, os jornalistas se contentam com as frases de efeito e as platitudes produzidas pelo governador. Omite-se o fato de que não apenas o sistema hídrico já entrou em colapso, mas esconde-se o quadro geral, que mostra a deterioração da infraestrutura de saneamento, energia, segurança e educação do estado nos últimos vinte anos.

Infraestrutura sucateada

Quando a Sabesp afirma, em comunicado oficial, que vai faltar água por problemas na rede de distribuição de energia, o cidadão atento enxerga o emaranhado de fios que pende perigosamente sobre as cabeças dos transeuntes. Os constantes cortes no fornecimento de eletricidade, que se tornaram rotina, são noticiados burocraticamente, sem referência ao contexto mais importante, que é o sucateamento do sistema em toda a região metropolitana. Comentaristas de emissoras de rádio tratam de misturar o assunto com as quedas de árvores, e muitos ouvintes ficam com a impressão de que a culpa é do prefeito petista da capital, Fernando Haddad.

Observe-se que nunca houve tanta oferta de financiamento para obras públicas como nas duas últimas décadas. Eventualmente, especialistas citam medidas que nunca foram tomadas, embora tenha havido dinheiro disponível, por falta de projetos executivos.

Há muito sinais de negligência na ação dos governantes que se sucederam nos últimos anos à frente do Executivo paulista, suficientes para autorizar pelo menos uma investigação sobre prevaricação. O antecedente criado pelo escândalo dos contratos para obras no metrô e no sistema de trens metropolitanos deveria suscitar ao menos a curiosidade dos jornalistas.

Nos meses que antecederam a Copa do Mundo, problemas pontuais em dois ou três aeroportos motivaram a imprensa a anunciar o apocalipse e a prever o “apagão” geral do país. “Imagine na Copa” — era a senha dos profetas do caos.

Nove entre dez consultores de comunicação, assim como administradores de empresas e políticos, são adeptos dos ensinamentos do general chinês Sun-Tzu, personagem improvável que teria vivido entre os séculos 6 e 5 antes da era cristã. Mas o noticiário sobre o problema hídrico de São Paulo ignora um dos principais aforismas atribuídos ao suposto estrategista: “Aquele que se empenha em resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam”.

Especialistas afirmam que, se nada mudar, São Paulo vai conhecer uma crise social sem precedentes a partir de março, ou seja, daqui a dois meses, quando 6 milhões de pessoas poderão ficar sem água.

E a imprensa continua tratando como estadista um governador anódino, anestesiado, incapaz de enfrentar publicamente sua responsabilidade.

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Vá pra Cuba, Companheiro!


Nosso amigo e blogueiro Ênio Barroso Filho precisa tratar de uma distrofia muscular em estágio avançado. Em Cuba há um tratamento que controla o avanço da doença e ameniza os sintomas já existentes. O tratamento é feito em duas etapas, que ao todo somam 35 dias. Durante todo o tratamento é necessário que ele tenha um acompanhante.

O custo total para a viagem do Ênio e do acompanhante ficará em torno de U$ 18.000,00. Nesse total está incluso passagem aérea ida e volta e hospedagem para duas pessoas, e o tratamento do Ênio nas duas fases.

Lançamos essa campanha na expectativa de arrecadar o valor necessário, e assim mandar o Ênio para Cuba!

Convidamos todos os blogueiros, ativistas digitais e simpatizantes de Ênio a escreverem depoimentos em prol da campanha e compartilharem a causa em suas redes. As doações podem ser feitas em qualquer quantia, tanto via depósito direto na conta poupança de Ênio quanto pelo botão do Pagseguro:


Depósito direto em conta poupança:

Ênio Barroso Filho

104 - Caixa Econômica Federal

CPF 000.831.558-21

Agência 0244 - Casa Verde

Conta Poupança: 013.19636-2
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Bom mesmo é ser rico no Brasil e gastar nos EUA

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/01/19/bom-mesmo-e-ser-rico-no-brasil-e-gastar-nos-eua/

Se já tinham alguma desconfiança, os ricos brasileiros e seus blogueiros de estimação agora é que vão ter certeza mesmo de que Barack Obama é comunista.

Na contramão das medidas econômicas recessivas que vêm sendo estudadas pelo governo Dilma 2, o presidente dos EUA vai anunciar nesta terça-feira, em seu discurso anual sobre o Estado da União, que enviará projeto ao Congresso com proposta que prevê aumentar os impostos dos mais ricos e dos bancos e, ao mesmo tempo, desonerar a carga tributária da classe média.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, novo "czar" da economia brasileira, poderia aproveitar sua viagem esta semana a Davos, na Suíça, onde representará nosso país no Fórum Econômico Mundial, para perguntar aos seus colegas americanos como é possível fazer um "ajuste fiscal", tirando de quem tem mais e vive da especulação financeira, para beneficiar quem vive apenas do seu trabalho, ao contrário do que o ministro vem planejando por aqui.

O "Plano Robin Hood" de Obama prevê um aumento da arrecadação de US$ 320 bilhões nos próximos dez anos, com a maior taxação de grandes bancos, casais que ganham mais de US$ 500 mil por ano e cobrança de impostos sobre heranças — algo simplesmente fora de cogitação dos ajustes de Dilma-Levy.

De outro lado, a proposta do governo americano prevê uma desoneração de US$ 175 bilhões dos impostos pagos pela classe média no mesmo período, segundo notícia publicada nesta segunda-feira no New York Times, venerável publicação que, perto dos jornalões brasileiros, deve parecer um perigoso porta voz do socialismo, a ameaçar a liberdade de expressão em todo o mundo.

O principal jornal americano já prevê que Obama "vai enfrentar forte resistência num Congresso agora controlado pelo Partido Republicano", o equivalente, mal comparando, ao nosso PSDB.

O mais curioso e triste para nós é que Obama, que perdeu as últimas eleições parlamentares nos Estados Unidos, mostra coragem para enfrentar a oposição republicana, mesmo estando em minoria, enquanto Dilma Rousseff, que acabou de vencer as eleições gerais no Brasil, com ampla maioria no Congresso Nacional, faz exatamente o contrário, para agradar ao mercado.

Até agora, mesmo com a presidente se mantendo em ensurdecedor silêncio desde que tomou posse no segundo mandato, há 19 dias, seus ministros e assessores só vêm anunciando medidas que oneram a classe média, como o aumento dos impostos de profissionais liberais e prestadores de serviço que formaram pequenas empresas na forma de pessoas jurídicas, mais conhecidos por "PJ", além de restringir o acesso a benefícios sociais e liberar o aumento de tarifas.

Chega agora a cheirar a ironia a ameaça feita por tucanos emplumados, às vésperas da eleição de outubro, de que deixariam o Brasil se Dilma se reelegesse. Para quê?

Bom mesmo é ficar rico no Brasil, ir às compras e investir em imóveis nos Estados Unidos, sem nenhuma ameaça de taxação das suas fortunas. Tem lugar melhor no mundo para ser banqueiro ou herdeiro que vive de rendas? Quando começa a faltar água e luz, é só pegar um avião, de preferência um jatinho particular, e ir para suas casas em Punta ou Miami. Seu rico dinheirinho estará garantido pelo nosso fisco camarada, e não tem nenhum Obama que o ameace.

E vamos que vamos.

Em tempo — Acabo de ler na manchete do UOL: "Riqueza de 1% deve ultrapassar a dos outros 99% no mundo até 2016, diz ONG".

Estudo da organização britânica Oxfam informa que a "explosão da desigualdade" está dificultando a luta contra a pobreza global. "Apesar de o assunto ser tratado de forma cada vez mais frequente na agenda mundial, a lacuna entre os mais ricos e o resto da população continua crescendo a ritmo acelerado", advertiu a diretora executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyma.

A presidente Dilma e o ministro Levy bem que poderiam ler este estudo antes de apresentar as propostas brasileiras em Davos.

Barack Obama já está fazendo sua parte para evitar que este abismo entre ricos e pobres cresça ainda mais.

E nós?

Ricardo Kotscho
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Arrecadação de FGTS para trabalhadores domésticos foi de R$ 189 milhões em 2014

No portal E-Social é possível emitir a guia de recolhimento do FGTS com código de barras sem sair de casa. Imagem: divulgação ACN
O recolhimento do FGTS para empregados domésticos ainda não é obrigatório, mas o número desses trabalhadores que recebem mensalmente o FGTS já chega a 190 mil. Foram mais de R$ 189 milhões arrecadados em 2014 para este público específico, aumento de 31% em relação a 2013, quando foram recolhidos R$ 144 milhões.

Parte da motivação desses empregadores decorre das facilidades disponibilizadas para a emissão de guias para recolhimento do FGTS”, afirma Henrique José Santana, gerente nacional do FGTS da Caixa Econômica Federal. Desde janeiro de 2014, a CAIXA disponibiliza o portal E-Social para atender os empregadores que querem pagar o benefício aos seus empregados domésticos. Ao clicar no link “Guia FGTS”, é possível emitir a guia de recolhimento do FGTS com código de barras e ter a comodidade de efetuar o pagamento em qualquer canal da rede bancária, inclusive pela própria internet, sem sair de casa.

Rafael Costa Morgado Soares Braga foi uma das pessoas que optou por recolher o FGTS para sua empregada. Ele iniciou o pagamento há um ano, ainda sem a facilidade de imprimir a guia de recolhimento pela Internet. “Tinha todo um processo. Eu tinha uma planilha em que eu lançava os números, imprimia a guia e pagava apenas na agência. Tomava um bom tempo do meu dia”, lembra. “Agora facilitou bastante. Eu gero minha própria guia com código de barras pelo E-social e faço o pagamento pelo internet banking. É muito prático. Você coloca os dados do primeiro pagamento e no próximo o sistema já completa e imprime direto, inclusive calcula 13º, férias.”

Nova funcionalidade oferece impressão da guia de recolhimento rescisório

Em dezembro, o portal do E-Social passou a oferecer mais uma funcionalidade. Além de imprimir a guia de recolhimento para os depósitos mensais, o empregador passou a ter acesso também à impressão da guia de recolhimento rescisório para casos de rescisão sem justa causa do trabalhador. Por meio do site da Caixa, os interessados em realizar o pagamento dos empregados domésticos têm acesso a um tutorial de orientação para navegação e preenchimento das guias mensais e rescisórias.
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O terror, o "Ocidente", e a semeadura do caos

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Há alguns dias, terroristas franceses, ligados, aparentemente, à Al Qaeda, atacaram a redação do jornal satírico parisiense Charlie Hebdo, em represália pela publicação de caricaturas sobre o profeta Maomé.

Doze pessoas foram assassinadas, entre elas alguns dos mais famosos cartunistas e intelectuais do país, e dois cidadãos de origem árabe, um deles, estrangeiro, que trabalhava há pouco tempo na publicação, e um membro das forças de segurança que estava nas imediações.

Logo em seguida, houve, também, outro ataque, a um supermercado kosher na periferia de Paris, em que 4 judeus franceses e estrangeiros morreram.

Dias depois, milhões de pessoas, e personalidades de vários países do mundo, se reuniram nas ruas da capital francesa, para protestar contra o atentado, e se manifestar contra o terrorismo e pela liberdade de expressão.

Na mesma primeira quinzena de janeiro, explodiram carros-bomba, e homens-bomba, também ligados a grupos radicais islâmicos, no Líbano (Beirute), na Síria (Aleppo), na Líbia (Benghazi), e no Iraque (Al-Anbar), com dezenas de mortos, em sua maioria civis.

Mas, como sempre, não seria normal esperar que algum destes fatos tivesse a mesma repercussão do atentado em Paris, capital de um país europeu, ou que a alguém ocorresse produzir cartazes e neles escrever Je suis Ahmed, ou Je suis Ali, ou Je suis Malak, Malak Zahwe, a garota brasileira, paranaense, de 17 anos, que morreu na explosão de um carro-bomba, junto com mais 4 pessoas (20 ficaram feridas), no dia 2 de janeiro, em Beirute.

No entanto, os homens, mulheres e crianças, mortos, todos os dias, no Oriente Médio e no Norte da África, são tão frágeis e preciosos, em sua fugaz condição humana, quanto os que morreram na França, e vítimas dos mesmos criminosos, criados pela onda de radicalização e rápida expansão do fundamentalismo islâmico, nos últimos anos.

Raivosas, autoritárias, intempestivas, numerosas vozes se alçaram, em vários países, incluído o Brasil, para gritar — em raciocínio tão ignorante quanto irascível — que o terrorismo não tem que ser "compreendido" e, sim, "combatido".

Os filósofos e estrategistas chineses ensinam, há séculos, que sem conhecê-los, não é possível vencer os eventuais adversários, nem mudar o mundo.

Além disso, não podemos, por aqui, por mais que muitos queiram emular os países "ocidentais", em seu ardoroso "norte-americanismo" e "eurocentrismo", esquecer que existem diferenças históricas, e de política externa, entre o Brasil, os EUA, e países da OTAN como a França.

Podemos dizer que Somos Charlie, porque defendemos a liberdade e a democracia, e não aceitamos que alguém morra por fazer uma caricatura, do mesmo jeito que não podemos aceitar que uma criança pereça bombardeada pela OTAN no Afeganistão ou na Líbia, ou porque estava de passagem, no momento em que explodiu um carro-bomba, por um posto de controle em Aleppo, na Síria.

Mas é preciso lembrar que, ao contrário da França, nunca colonizamos países árabes e africanos, não temos o costume de fazer charges sobre deuses alheios em nossos jornais, não jogamos bombas sobre países como a Líbia, não temos bases militares fora do nosso território, não colaboramos com os EUA em sua política de expansão e manutenção de uma certa "ordem" ocidental e imperial, e, talvez, por isso mesmo — graças a sábia e responsável política de Estado, que inclui o princípio constitucional de não intervenção em assuntos de outros países - não sejamos atacados por terroristas em nosso território.

As raízes dos atentados de Paris, e do mergulho do Oriente Médio na maior, e, com certeza, mais profunda tragédia de sua história, não está no Al Corão ou nas charges contra o Profeta Maomé, embora estas últimas possam ter servido de pretexto para ataques como o que ocorreu em Paris.

Elas começaram a se tornar mais fortes, nos últimos anos, quando o "ocidente", mais especificamente alguns países da Europa e os EUA, tomaram a iniciativa de apoiar e insuflar, usando também as redes sociais, o "conto do vigário" da Primavera Árabe em diversos países, com a intenção de derrubar regimes nacionalistas que, com todos os seus defeitos, tinham conquistado certo grau de paz, desenvolvimento e estabilidade para seus países nas últimas décadas.


Inicialmente promovida, em 2011, como "libertária", "revolucionária", a Primavera Árabe iria, no curto espaço de três anos, desestabilizar totalmente a região, provocar massacres, guerras civis, golpes de Estado, e alcançar, por meio da intervenção militar direta e indireta da OTAN e dos EUA em vários países, a meta de tirar do poder, a qualquer custo, regimes que lutavam para manter um mínimo de independência e soberania em suas relações com os países mais ricos.


Quando os EUA, com suas "primaveras" — que não dão flores, mas são fecundas em crimes e cadáveres — não conseguem colocar no poder um governo alinhado com seus interesses, como na Ucrânia e no Egito, jogam irmão contra irmão e equipam com armas, explosivos, munições, terroristas, bandidos e assassinos para derrubar quem estiver no comando do país.

O objetivo é destruir a unidade nacional, a identidade local, o Estado e as instituições, para que essas nações não possam, pelo menos durante longo período, voltar a organizar-se, a ponto de tentar desafiar, mesmo que em pequena escala, os interesses norte-americanos.

Foi assim que ocorreu com a intervenção dos EUA e de aliados europeus como a Itália e a França — contra a recomendação de Brasil, Rússia, Índia e China, no Conselho de Segurança da ONU — no Iraque, na Líbia e na Síria.

Durante décadas, esses países — com quem o Brasil tinha, desde os anos 1970, boas relações — viveram sob relativa estabilidade, com a economia funcionando, crianças indo para a escola, e diferentes etnias, religiões e culturas, dividindo, com eventuais disputas, o mesmo território.

Estradas, rodovias, sistemas de irrigação, foram construídos — também com a ajuda de técnicos, operários e engenheiros brasileiros — com os recursos do petróleo, e países como o Iraque chegavam a importar automóveis, como no caso de milhares de Volkswagens Passat fabricados no Brasil, para vender aos seus cidadãos de forma subsidiada.

Na Líbia de Muammar Kadafi, segundo o próprio World Factbook da CIA, 95% da população era alfabetizada, a expectativa de vida chegava, para os homens, segundo dados da ONU, a 73 anos, e a renda per capita e o IDH estavam entre os maiores do Terceiro Mundo, mas esses dados nunca foram divulgados normalmente pela imprensa "ocidental".

Pode-se perguntar a milhares de brasileiros que estiveram no Iraque, que hoje têm entre 50 e 70 anos de idade, se, naquela época, sunitas e xiitas se matavam aos tiros pelas ruas, bombas explodiam em Basra e Bagdá todos os dias, como explodem hoje, a qualquer momento, também em Trípoli ou Damasco, ou milhares de órfãos tentavam atravessar montanhas e rios sozinhos, pisando nos restos de outras crianças, mortas em conflitos incentivados por "potências" estrangeiras, ou tentavam sobreviver caçando, a pedradas, ratos por entre escombros das casas e hospitais em que nasceram.

São, curdos, xiitas, sunitas, drusos, armênios, cristãos maronitas, inimigos?

Antes, trabalhavam nos mesmos escritórios, viviam nas mesmas ruas, seus filhos frequentavam as mesmas salas de aula, mesmo que eles não tivessem escolhido, no início, viver como vizinhos.

Assim como no caso de hutus e tutsis em Ruanda, e em inúmeras ex-colônias asiáticas e africanas, as fronteiras dos países do Oriente Médio foram desenhadas, na ponta do lápis, ao sabor da vontade do Ocidente, quando da partilha do continente africano por europeus, obedecendo não apenas ao resultado de Conferências como a de Berlim, em 1884, mas também à máxima de que sempre se deve "dividir para comandar", mantendo, de preferência, etnias de religiões e idiomas diferentes dentro de um mesmo território ocupado pelo colonizador.

Eram Saddam Hussein e Muammar Kadafi, ditadores? É Bashar Al Assad, é um déspota sanguinário?

Quando eles estavam no poder, não havia atentados terroristas em seus países.

E qual é a diferença deles e de seus regimes, para os líderes e regimes fundamentalistas islâmicos comandados por xeques e emires, na mesma região, em que as mulheres — ao contrário dos governos seculares de Saddam, Kadafi e Assad — são obrigadas a usar a burka, não podem sair de casa sem a companhia do irmão ou do marido, se arriscam a ser apedrejadas até a morte ou chicoteadas em caso de adultério, e não há eleições, a não ser o fato de que esses regimes são dóceis aliados do "ocidente" e dos EUA?

Se os líderes ocidentais viam Kadafi como inimigo, bandido, estuprador e assassino, por que ele recebeu a visita do primeiro-ministro britânico Tony Blair, em 2004; do Presidente francês Nicolas Sarkozy — a quem, ao que tudo indica, emprestou 50 milhões de euros para sua campanha de reeleição — em 2007; da Secretária de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, em 2008; e do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi em 2009?

Por que, apenas dois anos depois, em março de 2011 — depois de Kadafi anunciar sua intenção de nacionalizar as companhias estrangeiras de petróleo que operavam, ou estavam se preparando para entrar na Líbia (Shell, ConocoPhillips, ExxonMobil, Marathon Oil Corporation, Hess Company) esses mesmos países e os EUA, atacaram, com a desculpa de criar uma Zona de Exclusão Aérea sobre o país, com 110 mísseis de cruzeiro, apenas nas primeiras horas, Trípoli, a capital Líbia, e instalações do governo, e armaram milhares de bandidos — praticamente qualquer um que declarasse ser adversário de Kadafi — para que o derrubassem, o capturassem e finalmente o espancassem, a murros e pontapés, até a morte?


Ora, são esses mesmos bandidos, que, depois de transformar, com armas e veículos fornecidos por estrangeiros, a Líbia em terra de ninguém, invadiram o Iraque e, agora, a Síria, e se uniram para formar o Estado Islâmico, que pretende erigir uma grande nação terrorista juntando o território desses três países, não por acaso os que foram mais devastados e destruídos pela política de intervenção do "ocidente" na região, nos últimos anos.

Foram os EUA e a Europa que geraram e engordaram a cobra que ameaça agora devorar a metade do Oriente Médio, e seus filhotes, que também armam rápidos botes no velho continente. Serpentes que, por incompetência e imprevisibilidade, depois da intervenção na Líbia, a OTAN e os EUA não conseguiram manter sob controle.

Os Estados Unidos podem, pelo arbítrio da força a eles concedida por suas armas e as de aliados — quando não são impedidos pelos BRICS ou pela comunidade internacional — se empenhar em destruir e inviabilizar pequenas nações — que ainda há menos de cem anos lutavam desesperadamente por sua independência — para tentar estabelecer seu controle sobre elas, seu povo e seus recursos, objetivo que, mesmo assim, nunca conseguiram alcançar militarmente.

Mas não podem cometer esses crimes e esses equívocos, diplomáticos e de inteligência, e dizer, cinicamente, que o estão fazendo em nome da defesa da Liberdade e da Democracia.

Assim como não deveriam armar bandidos sanguinários e assassinos para combater governos que querem derrubar, e depois dizer que são contra o terrorismo que eles mesmos ajudaram a fomentar, quando esses mesmos terroristas, além de explodir bombas e matar pessoas em Bagdá, Damasco ou Trípoli, todos os dias, passam a fazer o mesmo nas ruas das cidades da Europa ou dos próprios Estados Unidos.

O "terrorismo" islâmico não nasceu agora.

Mas antes da balela mortífera da Primavera Árabe, e da Guerra do Iraque, que levou à destruição do país, com a mentirosa desculpa da posse, por Saddam Hussein, de armas de destruição em massa que nunca foram encontradas — tão falsa quanto o pretexto do envolvimento de Bagdá no ataque às Torres Gêmeas, executado por cidadãos sauditas, e não líbios, sírios ou iraquianos — não havia bandos armados à solta, sequestrando, matando e explodindo bombas nesses 3 países.


Hoje, como resultado da desastrada e criminosa intervenção ocidental, o terror do Estado Islâmico, o ISIS, controla boa parte dos territórios e da sofrida população síria, iraquiana e líbia, e, a partir deles, está unindo suas conquistas em torno da construção de uma nação maior, mais poderosa, e extremamente mais radical do ponto de vista da violência e do fundamentalismo, do que qualquer um desses países jamais o foi no passado.


O ataque terrorista à redação e instalações do semanário francês Charlie Hebdo, e do Mercado Kosher, em Vincennes, Paris, foram crimes brutais e estúpidos.

Mas não menos brutais, e estúpidos, do que os atentados cometidos, todos os dias, contra civis inocentes, entre muitos outros lugares, como a Síria, o Iraque, a Líbia, o Afeganistão.

Quem quiser encontrar as sementes do caos que também atingiram, em forma de balas, os corpos dos mortos do Charlie Hebdo poderá procurá-las no racismo de um continente que acostumou-se a pensar que é o centro do mundo, e que discrimina, persegue e despreza, historicamente, o estrangeiro, seja ele árabe, africano ou latino-americano; e no fundamentalismo branco, cristão e rançoso da direita e da extrema direita norte-americanas, cujos membros acreditam piamente que o Deus vingador da Bíblia deu à "América" do Norte o "Destino Manifesto" de dirigir o mundo.


Em nome dessa ilusão, contaminada pela vaidade e a loucura, países que se opuserem a isso, e milhões de seres humanos, devem ser destruídos, mesmo que não haja nada para colocar em seu lugar, a não ser mais caos e mais violência, em uma espiral de destruição e de morte, que ameaça a sobrevivência da própria espécie e explode em ódio, estupidez e sangue, como agora, em Paris, neste começo de ano.
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