13 de jan de 2015

O atentado ao "Charlie Hebdo" foi um filme mal produzido?

Como em todos eventos agudos que envolvem a interminável “guerra contra o terrorismo”, muitos analistas apontam inconsistências, ambiguidades e lacunas na cobertura midiática ao atentado contra o jornal "Charlie Hebdo" em Paris. São tantas que parece que estamos diante de um roteiro de um filme mal produzido: uma ação militar profissionalmente cirúrgica feita por jovens que esquecem um cartão de identidade no carro da fuga. Coincidências e conveniências para muitos lados (e até para a grande mídia brasileira) envolvem a chacina dos jornalistas e cartunistas franceses, gerando uma espiral de especulações e conspirações. Será que alcançamos o estágio mais avançado do terrorismo, o “meta-terrorismo”? O relato midiaticamente ambíguo de um atentado pode se tornar tão letal quanto o próprio atentado.

Como diria a personagem Church Lady (feita pelo comediante Dana Carvey no programa Saturday Night Live, sempre preocupada com as conspirações satânicas por trás das coincidências): “How Con-VEEN-ient!” (“Tão conVEEEniente!”).

Numa primeira análise, o ataque terrorista (alguns afirmam que foi na verdade uma ação militar pela precisão) ao jornal satírico francês Charlie Hebdo em Paris, que vitimou 12 pessoas entre eles cartunistas, editores e colunistas do veículo francês, tem se revelado bem conveniente para três personagens do atual cenário internacional e, de quebra, para o senso de oportunismo da grande mídia brasileira:

(a) Para o politicamente desgastado presidente da França François Hollande — 85% dos franceses declaram que Hollande não deveria se candidatar à reeleição e 50% o acusam de não cumprir promessas da campanha, segundo o Instituto Francês de Opinião Pública. Com a economia estagnada e falando para a mídia em “pacto de responsabilidade” onde cada um teria sua cota de sacrifício (aumento de taxação e redução dos custos dos trabalhos), Hollande acenava com “união” para uma “França forte”. Medo e infelicidade são importantes ingredientes para a unificação diante de um suposto inimigo externo. O 11 de setembro nos EUA provou isso.

(b) Para o fascismo europeu — com dezenas de milhares indo às ruas das capitais europeias desde o ano passado no movimento chamado Pegida (sigla em alemão para Europeus Patriotas Contra a Islamização do Ocidente), isso sem falar no crescimento eleitoral da extrema-direita de Marine Le-Pen na França, o atentado dá forças à xenofobia alimentada pela crise econômica continental. O atentado cairia midiaticamente como uma luva pois representaria um ataque àquilo que supostamente distinguiria o Ocidente do “obscurantismo” islâmico: a liberdade de expressão.

(c) Para os EUA — Enquanto em Paris os supostos terroristas faziam uma chacina na redação do Charlie Hebdo, um carro bomba explodia em frente à Academia de Polícia no centro de Saná, capital do Iêmen, resultando em 37 mortos. Informou-se que o braço jihadista da Al-Qaeda do Iêmen reivindicou a autoria. Quase ao mesmo tempo em Paris, os terroristas encapuçados gritavam na rua para todos que pudessem ouvir: “Digam para a imprensa que somos da rede Al-Qaeda do Iêmen”.

Por que agora o Iêmen? O que agora o mundo (ou os EUA) querem com esse país pobre fronteiriço da Arábia Saudita? Leia esse trecho do documento “A Agenda Secreta do Iêmen: por trás dos cenários da Al-Qaeda, o gargalo estratégico do petróleo” de 2010 do Centre of Research on Globalization (CRG):
“A importância estratégica da região entre o Iêmen e a Somália torna o ponto de interesse geopolítico. Lá está o estreito de Bab el-Mandeb, um dos sete pontos que os EUA consideram gargalos para o transporte de petróleo — um gargalo entre o cabo da África e Oriente Médio, e uma ligação estratégica entre o Mar do Mediterrâneo e o Oceano Índico”.
O impactante atentado de uma suposta ramificação da Al-Qaeda no Iêmen seria um pretexto perfeito para a militarização da águas em torno de Bab el-Mandeb pelos EUA ou OTAN. Os EUA buscam o controle desses gargalos críticos no mundo. Essa região seria estratégica em um futuro próximo pela possibilidade de controle do petróleo para a China, União Europeia ou qualquer região que se oponha à política norte-americana.

(d) Para a grande mídia brasileira — diante do fantasma da regulamentação midiática através da possibilidade da implementação Lei dos Meios, oportunísticamente colunistas brasileiros dão o ponta pé inicial na transformação do atentado em combustível para sua agenda. Diogo Mainardi e Felipe Moura Brasil, por exemplo, tentam associar a tragédia de Paris a uma onda ofensiva contra a liberdade de imprensa do qual faria parte “os ataques petistas”.

E ainda, a inacreditável "jornalista" Rachel Sherazade, em comentário na Rádio Jovem Pan, comparou a revista Veja ao Charlie Hebdo. Para ela, o veículo estaria sendo vítima não do radicalismo islâmico, mas do "radicalismo de esquerda".

Um filme mal produzido?

Daniel Boorstin: a simulação 
domina a vida pública
O historiador norte-americano Daniel Boorstin, talvez o primeiro pesquisador a compreender o papel da simulação como elemento dominante da cultura, chamou a atenção da “era do artifício” atual onde a vida pública estaria sendo dominada pelos “pseudo-eventos”: fatos deliberadamente planejados e roteirizados para serem “noticiáveis”, ganhando a atenção da opinião pública — e isso Boorstin escreveu em 1963 no seu livro The Image – a guide of pseudo-events in America.

Para Boorstin, um dos critérios para podermos diferenciar um pseudo-evento de um “evento produzido por Deus” é a sua “ambiguidade” em relação à realidade subjacente. Enquanto diante de um evento real (terremotos, enchentes, desastres aéreos) o interesse está em saber o que aconteceu e as consequências, no pseudo-evento há uma ambiguidade presente através de inconsistências, detalhes inverossímeis e conveniências ou coincidências que tornam o evento noticiável. O pseudo-evento obedece o timing dos ritmo midiático da transmissão das notícias.

Somado ao timing e conveniência a múltiplos interesses que o atentado veio aparentemente de forma involuntária atender, acrescenta-se uma narrativa com diversas ambiguidades. Um roteirista de cinema experiente condenaria a produção como um filme mal produzido. Vamos analisar sete das inúmeras ambiguidades que analistas e teóricos da conspiração estão discutindo:

(a) Apesar da proximidade do Centro de Paris, as ruas próximas ao atentado estavam vazias. O atentado ocorreu no primeiro dia dos “Soldes” (temporada de liquidação de inverno dos saldos do Natal que ocorre de 7 de janeiro a 17 de fevereiro), caracterizado pelo frenesi de turistas, grande movimentação de carros. O Citroën dos terroristas estava parado no meio da rua. Particularmente nesses dias de “Soldes” você não consegue ficar parado sem, em questão de segundos, formar-se uma fila de carros;

(b) A suposta execução de um policial numa calçada de concreto foi um ato arriscado para o terrorista: ninguém atira numa superfície de concreto, a não ser que queira ser morto por um ricochete;

(c) Problemas com o “figurino” dos policiais: intrigante é que os policiais anti-terroristas não estavam com capacetes e máscaras. Aparecem no vídeo com boné e roupa casual;

(d) O ponto positivo cinemático é o bom efeito de realidade conseguido com a imagem da execução do policial ferido e indefeso caído na calçada. Apesar do fator inverossimilhança (o ricochete da bala), o roteirista deve ter achado necessário inserir uma imagem de execução, já que as imagens liberadas para as redes de TV do mundo seriam muito “frias” — apesar das informações de 20 vítimas (mortos e feridos) simplesmente não vemos urgência: apenas duas ambulâncias e a foto de uma pessoa ferida. Não há declaração de testemunhas oculares.

A imagem da execução do policial consegue dar uma amostra da suposta crueldade e frieza dos terroristas que invadiram uma redação para matar um por um por chamada através do nome de cada vítima. Comparado com as imagens do atentado de 11 de setembro em Nova York, lá houve mais esmero na produção: um grande número de “extras” correndo em pânico pelas ruas e imagens apocalípticas de urgência ;

(e) A narrativa é extremamente conveniente para as autoridades: policiais encontram um documento de identificação de um dos terroristas no Citroën abandonado ruas acima. Mas com que diabos, por que terroristas do braço iemenista da Al-Qaeda andam com documentos de identidade?

(f) O suposto “atentado terrorista” foi, na verdade, uma “cirúrgica” ação militar metodicamente planejada contra vítimas pré-selecionadas. Foram treinados militarmente, o que, pela logística de assalto demonstrada (proteção em “ala” — quem não dispara “gira”, fechando a saída do alvo — deslocam-se para o veículo de fuga sem correr, atiraram bem com fuzis sem extensão de ombro e apoio axilar), não se encaixam com o perfil que a mídia agora começa a fazer dos jovens — o mais novo dos irmão Kouachi era fã de rap (vídeo dele em shows agora são exibidos), “um aprendiz de perdedor” como declarou seu antigo advogado Vincent Ollivier, limítrofes sociais que viviam de bicos em pizzarias e peixarias.

Surgem informações que ficaram alguns meses no Iêmen sendo treinados (sim! sempre Iêmen), o que lembra o script do atentado de 11 de setembro — os terroristas que jogaram o Boeing 747 contra o WTC teriam feito um curso em um Aeroclube na Flórida...

Convenientemente um terrorista deixa para trás
sua identidade
Uma ação militar precisa com o modus operandi de mercenários ou profissionais a serviço da CIA ou Mossadi levada a cabo por jovens que esquecem o cartão de identidade no carro da fuga... o que lembra o erro crasso de todo roteiro mal feito, chamado pelos roteirista de “Deus ex-machina” — termo para designar soluções arbitrárias, sem nexo ou plausibilidade na narrativa para solucionar becos sem saída em roteiros mal conduzidos.

(g) Embora caricato e canastrão, o roteiro segue o padrão “sujos, feios e malvados” para caracterizar os protagonistas: a aproximação metonímica entre rap, muçulmanos e armas russas (nas primeiras informações da grande mídia destacava-se que os terroristas teriam utilizado “armas russas”). Por isso, os protagonistas se encaixam no padrão RAV hollywoodiano: Russos, Árabes e Vilões em geral. Se o episódio fosse no Brasil, o perfil dos terroristas certamente seria o de funqueiros.

Teorias Conspiratórias

Todas essas ambiguidades estão ajudando a turbinar duas principais teorias conspiratórias: o “Trabalho Interno” (Inside Job — governos estimulam ou permitem determinada ação do inimigo pela conveniência das consequências — algo como foi o ataque de Pearl Harbor para os EUA na II Guerra Mundial) e a teoria da “Falsa Bandeira” (False Flag — operação conduzida por governo, corporação ou organização que simula serem ações do inimigo para tirar proveito das consequências resultantes):

(a) Foi um “Trabalho Interno” — os supostos terroristas sabiam quando e como atacar a sede do Charlie Hebdo. Todos foram assassinados juntos, em uma reunião de pauta do jornal. Os funcionários mais importantes do veículo estavam lá reunidos naquele momento. Os “terroristas” lidaram com a situação como profissionais, o que contraria a prática até aqui do terrorismo — destruição e mortes em larga escala para produzir pânico e repercussão midiática. Foi um assassinato. Os teóricos dessa linha se perguntam: como os terroristas sabiam que os mais importantes nomes do Charlie Hebdo estariam lá, reunidos naquele momento?

Uma operação "False Flag"?
(b) Foi uma “Falsa Bandeira” — a equipe do jornal estava sob sistemática proteção policial desde 2013 e o editor Stephanie Charbonnier (Charb) estava numa hipotética lista negra da Al-Qaeda. Como, então, foi possível uma ação metodicamente planejada? Os teóricos dessa linha levantam a questão de que no vídeo não há tráfego visível no centro de Paris. Onde foram parar as armas da ação e para onde foram as balas da execução do policial? Ao explorar a teoria da Falsa Bandeira é impossível não trazer à tona a ação de mercenários contratados por agência como CIA ou Mossad. Alguns mais radicais falam de simulação cenográfica pura e simples, assim como teria ocorrido no atentado à Maratona de Boston em 2013.

Hipóteses finais

A narrativa informada pela grande mídia sobre o atentado ao Charlie Hebdo está tão carregada de lacunas, ambiguidades e inverossimilhanças que podem resultar em duas hipóteses:

(a) Estamos diante de mais uma peça de propaganda dominada pela canastrice dos atuais dispositivos de propaganda: vídeos e mensagens excessivamente saturadas, over, melodramáticos (imagine a cena da funcionaria chegando com sua filha pequena e coagida pelos terroristas armados a digitar o código que abria a porta do jornal) e com “appeal” ou “look” semelhante às produções medianas de Hollywood. Hipótese comprovada pela estereotipagem RAV dos supostos terroristas.

(b) Hipótese ainda mais sinistra: as ambiguidades e lacunas foram propositalmente deixadas na produção. Desde os estudos feitos por Gordon Allport e Leo Postman em 1947 (leia A Psicología del Rumor, Psique, 1988), o fator ambiguidade é considerado o fator mais importante na transformação de uma informação em boato ou meme. A dúvida entre a realidade e a mentira dá ainda mais alcance à notícia, produzindo uma espiral especulativa. Portanto, estaríamos diante de um meta-terrorismo: um terrorismo autoconsciente onde o relato midiaticamente ambíguo do atentado se torna mais uma arma letal.

No Cinema Secreto: Cinegnose
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Colunista de O Globo ensina aos leitores quem são “eles”, os pobres


O plano cobre

Todo pobre tem problema de pressão. Seja real ou imaginário. É uma coisa impressionante. E todos têm fascinação por aferir [verificar] a pressão constantemente. Pobre desmaia em velório, tem queda ou pico de pressão. Em churrascos, não. Atualmente, com as facilidades que os planos de saúde oferecem, fazer exames tornou-se um programa sofisticado. Hemograma completo, chapa do pulmão, ressonância magnética, ultra de bexiga cheia. Acontece que o pobre — normalmente — alega que se não tomar café da manhã tem queda de pressão.

Como o hemograma completo exige jejum de 8 ou 12 horas, o pobre, sempre bem arrumado, chega bem cedo no laboratório, pega sua senha, já suando de emoção [uma mistura de medo e prazer, como se estivesse entrando pela primeira vez em um avião] e fica obcecado pelo lanchinho que o laboratório oferece gratuitamente depois da coleta. Deve ser o ambiente. Piso brilhante de porcelanato, ar condicionado, TV ligada na Globo, pessoas uniformizadas. O pobre provavelmente se sente em um cenário de novela.

Normalmente, se arruma para ir a consultas médicas e aos laboratórios. É comum ver crianças e bebês com laçarotes enormes na cabeça e tênis da GAP sentados no colo de suas mães de cabelos lisos [porque atualmente, no Brasil, não existem mais pessoas de cabelos cacheados] e barriga marcada na camiseta agarrada.

O pobre quer ter uma doença. Problema na tireoide, por exemplo, está na moda. É quase chique. Outro dia assisti a um programa da Globo, chamado Bem-Estar. Interessantíssimo. Parece um programa infantil. A apresentadora cola coisas em um painel, separando o que faz bem e o que faz mal dependendo do caso que esteja sendo discutido. O caso normalmente é a dúvida de algum pobre. Coisas do tipo “tenho cisto no ovário e quero saber se posso engravidar”. Porque a grande preocupação do pobre é procriar. O programa é educativo, chega a ser divertido.

Voltando ao exame de sangue, vale lembrar que todo pobre fica tonto depois de tirar o sangue. Evita trabalhar naquele dia. Faz drama, fica de cama.

Eu acho que o sonho de muitos pobres é ter nódulos. O avanço da medicina — que me amedronta a cada dia porque eu não quero viver 120 anos — conquistou o coração dos financeiramente prejudicados. É uma espécie de glamourização da doença. Faz o exame, espera o resultado, reza para que o nódulo não seja cancerígeno. Conta para a família inteira, mostra a cicatriz da cirurgia.

Acho que não conheço nenhuma empregada doméstica que esteja sempre com atacada da ciática [nervo ciático inflamado]. Ah! Eles também têm colesterol [colesterol alto] e alegam “estar com o sistema nervoso” quando o médico se atreve a dizer que o problema pode ser emocional.

O que me fascina é que o interesse deles é o diagnóstico.

O tratamento é secundário, apesar deles também apresentarem certo fascínio pelos genéricos.

Mesmo “com colesterol” continuam comendo pastel de camarão com catupiry [não existe um pobre na face da terra que não seja fascinado por camarão] e, no final de semana, todo mundo enche a cara no churrasco ao som de “deixar a vida me levar, vida leva eu” debaixo de um calor de 48 graus.

Pressão: 12 por 8

Como são felizes. Babo de inveja.

Silvia Pils, em O Globo

PS do Viomundo: É para isso que as Organizações Globo defendem a liberdade de expressão.
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O Manchetômetro voltou!


Dilma Rousseff

Nesta página encontram-se os gráficos que representam a cobertura agregada dos três jornais impressos estudados (Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo) e do Jornal Nacional no que toca a presidente Dilma Rousseff. Primeiro, apresentamos séries temporais semanais que correspondem ao acumulado de textos favoráveis, neutros e contrários a Dilma nas capas dos jornais impressos e também no noticiário televisivo a partir de 27 de outubro, dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial.

A operação Lava Jato recebe atenção especial por meio de um gráfico que mostra as valências atribuídas a Dilma Rousseff nos textos e matérias que tratam do escândalo.

Apresentamos também um estudo dos textos publicados nas páginas de opinião dos jornais impressos. Nele, levamos em conta a valência de editoriais, colunas e artigos de opinião que mencionam Dilma Rousseff.

Os gráficos desta página são atualizados semanalmente.

Dilma e a Operação Lava Jato: Jornais impressos

No gráfico abaixo apresentamos o número de textos sobre a operação Lava Jato que mencionaram Dilma Rousseff, presentes nas capas dos jornais impressos, classificados de acordo com a valência atribuída à presidenta ao longo do tempo, dividido em semanas, tomando como início da série 27 de Outubro de 2014, dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial.


Dilma e Operação Lava Jato: Jornal Nacional

No gráfico abaixo apresentamos o número de matérias sobre a operação Lava Jato que mencionaram Dilma Rousseff, presentes nas capas dos jornais impressos, classificados de acordo com a valência atribuída à presidenta ao longo do tempo, dividido em semanas, tomando como início da série 27 de Outubro de 2014, dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial.


Páginas de opinião

Os gráficos abaixo tomam como base os textos publicados nas duas páginas de opinião constantes em cada um dos jornais impressos. Essas páginas têm uma estrutura muito similar nos três periódicos. São compostas de editoriais, artigos de opinião e colunas e expressam a posição do jornal e as opiniões que sua editoria considera mais relevantes.

No jornal O Estado de S. Paulo, A2 e A3 são as páginas de opinião. A primeira, denominada Espaço Aberto, contém dois artigos de opinião cujos autores variam. Já a segunda, denominada Notas e Informações, contém 3 editoriais. A sessão intitulada Fórum dos Leitores, que ocupa o rodapé de ambas as páginas, não é analisada.

No jornal Folha de S. Paulo, também as páginas A2 e A3 são destinadas a textos de opinião. Na A2 há dois editoriais e quatro colunas assinadas por articulistas fixos. Na A3, a sessão intitulada Tendências/Debates apresenta dois artigos de opinião de pessoas não ligadas ao jornal. As charges, publicadas na página A2, e a sessão Painel do Leitor, publicada na página A3, não são analisadas.

Em O Globo, a sessão Opinião ocupa a antepenúltima e a penúltima páginas do primeiro caderno. A antepenúltima página tem no topo um ou dois editoriais, dentro de um box que leva o título Opinião. Esporadicamente o jornal dedica o segundo texto dessa seção a uma opinião contrária à do próprio jornal. O espaço abaixo do box e de toda a penúltima página é tomado por artigos de opinião de articulistas fixos do jornal (Elio Gaspari, Zuenir Ventura, Roberto DaMatta, etc) e de convidados eventuais.
Editoriais

No gráfico abaixo, temos o número de editoriais favoráveis, neutros e contrários a Dilma Rousseff nas páginas de opinião dos jornais impressos a partir de 27 de Outubro de 2014.


Artigos de opinião

No gráfico abaixo, temos o número de artigos favoráveis, neutros e contrários em relação a Dilma Rousseff nas páginas de opinião dos jornais impressos a partir de 27 de Outubro de 2014.


Colunas

No gráfico abaixo, temos o número de colunas favoráveis, neutras e contrárias a Dilma Rousseff nas páginas de opinião dos jornais impressos a partir de 27 de Outubro de 2014.




Partidos

Nesta página encontram-se os gráficos que representam a cobertura agregada dos três jornais impressos estudados (Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo) e do Jornal Nacional no que toca os partidos políticos mais relevantes nas eleições presidenciais de 2014 – PT, PMDB, PSDB e PSB – e que são, também, os detentores das maiores bancadas do Senado. Primeiro, apresentamos séries temporais semanais que correspondem ao acumulado de textos neutros e contrários a cada um deles nas capas dos jornais impressos e também no noticiário televisivo a partir de 27 de outubro, dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial.

A operação Lava Jato recebe atenção especial por meio de gráficos que mostram o número de textos e matérias neutras e contrárias em relação aos partidos, considerando apenas o material que trata do escândalo.

Apresentamos também um estudo dos textos publicados nas páginas de opinião dos jornais impressos. Nele, levamos em conta a valência de editoriais, colunas e artigos de opinião que mencionam os quatro partidos.

Os gráficos desta página são atualizados semanalmente.

Contrários: Jornais impressos

No gráfico abaixo temos o número de textos contrários aos partidos ao longo do tempo, dividido em semanas, tomando como início da série 27 de Outubro de 2014, dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial.

Contrários: Jornal Nacional

No gráfico abaixo temos o número de matérias neutras aos partidos exibidas no Jornal Nacional ao longo do tempo, dividido em semanas, tomando como início da série 27 de Outubro de 2014, dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial.



Partidos e a Operação Lava Jato: Contrários, Jornais impressos

No gráfico abaixo temos o número de textos contrários em relação aos partidos ao longo do tempo, dividido em semanas, tomando como início da série 27 de Outubro de 2014, dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial. O gráfico foi elaborado a partir da base de textos que fazem referência à operação Lava Jato.


Partidos e a Operação Lava Jato: Contrários, Jornal Nacional

No gráfico abaixo temos o número de matérias contrárias em relação aos partidos ao longo do tempo, dividido em semanas, tomando como início da série 27 de Outubro de 2014, dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial. O gráfico foi elaborado a partir da base de textos que fazem referência à operação Lava Jato.


Páginas de opinião

Os gráficos abaixo tomam como base os textos publicados nas duas páginas de opinião constantes em cada um dos jornais impressos. Essas páginas têm uma estrutura muito similar nos três periódicos. São compostas de editoriais, artigos de opinião e colunas, que expressam a posição do jornal e as opiniões que sua editoria considera mais relevantes.

No jornal O Estado de S. Paulo, A2 e A3 são as páginas de opinião. A primeira, denominada Espaço Aberto, contém dois artigos de opinião cujos autores variam. Já a segunda, denominada Notas e Informações, contém 3 editoriais. A sessão intitulada Fórum dos Leitores, que ocupa o rodapé de ambas as páginas, não é analisada.

No jornal Folha de S. Paulo, também as páginas A2 e A3 são destinadas a textos de opinião. Na A2 lemos dois editoriais e quatro colunas, assinadas por articulistas fixos. Na A3, a sessão intitulada Tendências/Debates apresenta dois artigos de opinião de pessoas não ligadas ao jornal. Ainda nesta página encontra-se a sessão Painel do Leitor, que não é analisada.

Em O Globo, a sessão Opinião ocupa a antepenúltima e penúltima páginas do primeiro caderno. A antepenúltima página tem no topo um ou dois editoriais, dentro de um box que leva o título Opinião. Esporadicamente o jornal dedica o segundo texto dessa seção a uma opinião contrária à do próprio jornal. O espaço abaixo do box e de toda a penúltima página é tomado por artigos de opinião de articulistas fixos do jornal (Elio Gaspari, Zuenir Ventura, Roberto DaMatta, etc.) e de convidados eventuais.

Artigos de opinião: Contrários

No gráfico abaixo, temos o número de artigos de opinião contrários aos partidos políticos publicados nas páginas de opinião dos jornais impressos a partir de 27 de Outubro de 2014.


Colunas: Contrários

No gráfico abaixo, temos o número de colunas contrárias aos partidos publicadas nas páginas de opinião dos jornais impressos a partir de 27 de Outubro de 2014.


Editoriais: Contrários

No gráfico abaixo, temos o número de editoriais contrários aos partidos publicados nas páginas de opinião dos jornais impressos a partir de 27 de Outubro de 2014.


Última atualização: 13/01/2015 às 15:49

No Manchetômetro
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Fatos

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A casa amarela onde foi entregue a propina para Eduardo Cunha

Casa amarela na Rua Fala Amendoeira 105, no condomínio Novo Leblon, na Barra da Tijuca
A casa citada pelo policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, como destino do dinheiro da propina paga pelo doleiro Alberto Youssef, delator da Operação Lava-Jato, pertence ao advogado Francisco José Reis, aliado do deputado estadual eleito Jorge Picciani, atual presidente do PMDB do Rio. Chico Reis, como o advogado é conhecido na política fluminense, serviu ao peemedebista como assessor parlamentar, de 1991 a 1997, e como subchefe da 1ª Secretaria da Assembleia Legislativa (Alerj) entre 1997 e 2001 — quando Picciani era o primeiro-secretário. Indicado pelo deputado, deixou a Casa para ser conselheiro da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos do Estado do Rio (Asep) e, depois, da Agetransp, a agência reguladora do transporte público no Rio, onde trabalhou até dezembro de 2013.

Careca, que servia no Aeroporto Internacional do Rio, era um dos entregadores da propina distribuída por Youssef. Ele contou aos investigadores que o doleiro teria lhe dito que a casa pertencia ao deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), favorito para vencer a disputa pela presidência da Câmara em fevereiro — Cunha negou ter recebido dinheiro de Youssef. Depois, em retificação entregue à PF por seus advogados em 5 de janeiro, o policial disse que não poderia afirmar que Cunha fosse o proprietário. Não mudou, porém, a versão de que teria ouvido de Youssef que a casa era de Eduardo Cunha.

Em dois anos, Careca teria distribuído R$ 16,7 milhões. Em seu depoimento à Polícia Federal do Paraná, no dia 18 de novembro do ano passado, o agente informou inicialmente aos investigadores da Operação Lava-Jato que levou dinheiro em mochilas duas ou três vezes, “há cerca de dois anos, mais ou menos”, a uma casa amarela de dois andares na Barra da Tijuca, entregando-o ao suposto proprietário.

Casa amarela na Rua Fala Amendoeira

Inicialmente, o agente disse que a casa ficava no condomínio Nova Ipanema, na Barra da Tijuca. Na retificação, esclareceu que a propriedade onde entregou dinheiro era, na realidade, no condomínio Novo Leblon, na Rua Fala Amendoeira, também na Barra da Tijuca.

O imóvel, de matrícula 2937, registrado no 9º Ofício de Registro de Imóveis da Capital em 29 de março de 2010, pertence a Francisco Reis e sua ex-companheira, Carmelita Barbosa Santana. Pela casa, o casal pagou na época R$ 1,9 milhão. Na frente do imóvel, Chico Reis costuma deixar estacionado um carro Mercedes branco registrado em seu nome.

No depoimento, Careca descreveu para os policiais como chegava à casa amarela de dois andares onde entregou o dinheiro: “Entrando no condomínio, vira à esquerda, vai até o final, vira à direita, vai quase até o final e vira à direita. É uma casa amarela de dois andares, à esquerda de quem entra na rua”. O caminho apontado pelo agente dá exatamente no endereço da rua Fala Amendoeira que está na retificação entregue pelos advogados. A casa, protegida por um muro alto, fica numa rua de mansões vigiadas por câmeras e seguranças.

Prestes a completar 73 anos, o advogado Francisco Reis conhece Picciani há quatro décadas. Eram vizinhos (Picciani morava no bairro Mariópolis, no Rio, e Francisco, em Olinda, bairro de Nilópolis, Baixada Fluminense). Em 1990, Reis teve uma destacada atuação como cabo eleitoral quando Picciani elegeu-se deputado pela primeira vez.

Em agosto de 2003, quando a composição de conselheiros da Asep foi discutida na Alerj, Picciani pediu que os deputados aprovassem a recondução de seu aliado. Na época, já tinha 30 anos de amizade com o advogado: “Venho à tribuna para pedir um voto pela recondução do Dr. Francisco José Reis. Pessoa que conheço há três décadas e sei que é qualificado e preenche os pré-requisitos de equilíbrio, de moral e de interesse público para compor a Agência do Serviço Público do Estado do Rio de Janeiro”.

Chico Reis advogou para Picciani

Políticos ligados ao PMDB garantem que, até hoje, Chico Reis é fiel ao ex-vizinho. Como advogado, defendeu Picciani em ação popular iniciada em 1992 e que se arrastou até o ano passado. No tempo em que atuou na Alerj, era visto como o homem de confiança, responsável pelo cumprimento de missões políticas importantes.

Antes da divulgação do depoimento de Careca, a imprensa já havia noticiado o envolvimento de políticos fluminenses na Operação Lava-Jato. Uma das reportagens, publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” em dezembro do ano passado, inclui entre os 28 políticos citados no depoimento do delator Paulo Roberto Costa o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), o senador Lindbergh Farias (PT) e os deputados federais Alexandre Santos (PMDB) e Simão Sessim (PP). O nome de Eduardo Cunha, segundo o jornal “Folha de S. Paulo”, foi citado na delação premiada do doleiro Alberto Youssef.

Picciani, que vai disputar a presidência da Alerj em fevereiro, informou que não tem nenhum envolvimento com Careca ou com o ex-assessor, e que “cabe a Francisco Reis responder e não a ele, Picciani”. “Cada um que carregue o seu fardo, tenho zero envolvimento nisso”, disse Picciani, alegando que, há 14 anos, Francisco Reis deixou de trabalhar em seu gabinete e que, depois da sua nomeação como conselheiro, poucas vezes se falaram desde então.

Procurado, Chico Reis não quis dar entrevista.

— Não tenho nada a dizer. Passar bem — disse, desligando o telefone em seguida.

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Advogado ligado ao PSDB isenta Antonio Anastasia


No Estadão, o advogado de Alberto Yousseff, ligado ao PSDB e apontado como responsável pelo vazamento de um dos depoimentos sigilosos a revista Veja, aparece em reportagem inocentando o ex-governador mineiro Antonio Anastasia.

O título do jornal é definitivo: "Defesa de doleiro isenta Eduardo Cunha e Anastasia". O teor da reportagem, não. O advogado admite que o doleiro enviou R$ 1 milhão para Minas, mas não sabe precisar quem foi o beneficiário. "Se o Jayme Careca tem alguma coisa a informar, de que o destino do dinheiro foi o Anastasia, cabe a ele provar isso", disse o ínclito Antonio Figueiredo Basto, que há muito deveria ter sido processado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) por colocar em risco a defesa do seu cliente em troca de uma jogada política com a Veja.

Antes de mais nada, enfatizo o que já escrevi aqui: Antonio Anastasia é um homem público acima de qualquer suspeita; assim como Eduardo Cunha é um político abaixo de qualquer crítica.

O vazamento que o vitimou é da mesma natureza espúria de todos os demais vazamentos da Lava Jato: não se tem como conferir porque o inquérito é sigiloso.

O Procurador Geral da República Rodrigo Janot considera normais vazamentos de inquéritos sigilosos e o STF (Supremo Tribunal Federal) mantém o sigilo para advogados e partes acusadas, os vazadores ficam donos da situação: podem liquidar com reputações, inviabilizar nomeações de Ministros, interferir em eleições e contar com a benevolência de Janot. E os jornais podem escolher a quem defender ou a quem liquidar ou ainda o vazamento que garantir melhores vendas.

Aos inimigos, o peso de qualquer acusação, por mais inverossímil que seja, sem direito a retificação; aos amigos, o beneplácito dos atenuantes, mesmo não tendo nenhum significado, como é o caso da declaração do advogado.

Luís Nassif
No GGN
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Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/01/13/marta-aproveita-vazio-da-politica-e-da-seu-showzinho/

Marta aproveita vazio da política e dá seu showzinho

Em política, não existe vazio, já ensinavam os sábios mais antigos. Assim, nestas duas primeiras semanas de 2015, junto com as chuvas de verão, um calor dos infernos e as excelências maiores descansando em berço esplêndido, quem tomou conta da cena foi uma figura do segundo time, a ex-prefeita, ex-ministra e quase ex-petista Marta Suplicy. É a nova estrela da estação.

Só se fala dela nas rodas do poder que não saíram de férias, o que dá bem uma ideia da pobreza de ideias e da orfandade de lideranças no cenário político-midiático-partidário nacional. O que quer Marta, afinal, ao atirar para todo lado, depois de ser defenestrada do Ministério da Cultura?

Muito simples: sem espaço no PT, a ex-prefeita de São Paulo quer ser expulsa do partido para se abrigar em outra legenda e poder disputar novamente o cargo. O seu objetivo inicial era o PMDB, mas o prefeito Fernando Haddad, candidato à reeleição, foi mais rápido e fechou uma aliança com a ala de Michel Temer, entregando o cargo de secretário da Educação para Gabriel Chalita, que deve ser seu companheiro de chapa.

Sem aliados de peso na sua empreitada de franco atiradora, além do marido Márcio Botelho, que pode entender de negócios, mas não de política, Marta resolveu ir à guerra montando seu showzinho particular, em que se limita a detonar o PT e seus principais líderes, de Dilma a Lula, passando por Mercadante e Rui Falcão, ao jogar um contra o outro, sem apresentar qualquer nova proposta política para a cidade ou para o país. Magoada e irada, Marta apenas quer porque quer voltar a ser prefeita e se vingar do seu antigo partido.

Restam-lhe opções menores, como o Solidariedade, do sempre oferecido Paulinho da Força, mas, no momento, ela está sozinha na estrada, aproveitando-se da entressafra do noticiário político para ocupar espaço, enquanto fevereiro não vem.

A direção do PT está numa sinuca de bico. Com Dilma e Lula guardando obsequioso silêncio desde o início do novo governo, o partido não pode responder aos ataques na mesma moeda, pois faria o jogo de Marta. Ao mesmo tempo, também não pode fingir que não está acontecendo nada.

Com o coração na mão, o mundo político só está à espera das bombas-relógio da Operação Lava-Jato, que devem começar a explodir junto com a reabertura do Congresso Nacional. Aí ninguém mais vai falar de Marta, mas ela já terá feito seu estrago na desgastada imagem do partido que enfrenta hoje sua maior crise, após 12 anos de hegemonia no poder central.



Marta é fiel (à Globo)

Uma questão de preferência.

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Netanyahu é Charlie

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Médicos cubanos disfarçados estariam por trás da “Máfia das Próteses”


Como era de se esperar, os espiões cubanos disfarçados de médicos que desembarcaram no Brasil ano passado não demoraram a aprontar das suas. Como peritos em disfarces e em roubo de identidade alheia, eles teriam se travestidos de legítimos médicos da classe média brasileira e montado um esquema para fraudar o SUS, formando supostamente a máfia das próteses.

Para disfarçar, os médicos cubanos fizeram campanha contra Dilma
Para disfarçar, os médicos cubanos fizeram campanha contra Dilma
A denúncia partiu de uma reportagem na TV segundo a qual as comissões, pagas aos médicos cubanos disfarçados de brasileiros, seriam entre 15% e 50%. Para essas vantajosas comissões os profissionais cubanos superfaturavam serviços, direcionavam licitações, faziam procedimentos desnecessários e até registravam procedimentos não realizados. Segundo uma ex-vendedora de próteses, ouvida pela reportagem, os pseudos médicos brasileiros, envolvidos, chegariam a faturar R$ 100 mil por mês no esquema.

Médico brasileiro probo, ilibado, grande combatente contra o comunismo do PT, que não está envolvido nas supostas irregularidades
Ainda bem que nenhum dos médicos envolvidos é brasileiro! Tanto o Conselho Regional de Medicina, o Sindicato Médico do RS e o Conselho Federal de Medicina estão em horrorizadas sobre o caso até agora. Essas entidades fazem uma campanha declarada e aberta contra o governo federal, principalmente contra o Mais Médicos, e agora tem mais motivos para isso, uma vez que agem assim na defesa dos íntegros e impolutos médicos brasileiros.

Professor Hariovaldo
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Uma cobertura doentia

O escandaloso caso de médicos que recebiam propina para recomendar próteses caríssimas e nem sempre necessárias, revelado em reportagens do programa Fantástico, da Rede Globo, ganha nova dimensão com um ou outro episódio que denuncia cirurgiões que realizam cirurgias cardíacas e vasculares utilizando materiais com validade vencida. No entanto, o leitor abre o jornal nos dias seguintes, procura e não acha qualquer referência a esses assuntos.

Curioso, o cidadão ou cidadã mais exigente vai aos arquivos e compara o noticiário sobre saúde desses dias com os acontecimentos de um ano atrás, quando a imprensa promoveu uma enxurrada de notícias negativas sobre o Programa Mais Médicos. Lançado em julho de 2013, por Medida Provisória, foi no início de 2014 que o plano sofreu o grande bombardeio por parte das entidades profissionais da medicina, inicialmente com o argumento de que os médicos formados no exterior não teriam qualificação adequada; depois, as críticas passaram a visar o valor pago aos profissionais trazidos de Cuba.

Em doze meses, o programa superou a meta estabelecida nos estudos que levaram à sua criação, reduzindo em mais de 20% o encaminhamento de pacientes a hospitais, com o atendimento básico ampliado em 35% nos postos de saúde. O resultado vem sendo omitido pela imprensa, num momento em que a medicina corporativa tem seus vícios escancarados no noticiário sobre pagamentos de propina, mau atendimento e ações de quadrilhas que visam os segurados dos planos privados e o Sistema Único de Saúde.

Segundo as reportagens da televisão, a máfia da medicina promove todo tipo de falcatrua para aumentar o rendimento de suas atividades, desde o uso de advogados para forçar o serviço público a pagar por tratamentos e materiais de necessidade duvidosa, até a falsificação de prontuários para aumentar o valor cobrado dos grupos privados de seguridade.

Na comparação entre os dois setores, o lado representado pelo Programa Mais Médicos tem um balanço positivo a oferecer, e a imprensa o ignora; o lado representado pela medicina privatizada mergulha em escândalos, e os jornais apenas fazem uma referência aqui e ali.

Uma pauta tendenciosa

Na edição de terça-feira (13/1), o Globo toca num ponto curioso, ao tentar demonstrar que o Programa Mais Médicos falhou no propósito de descentralizar a oferta de profissionais por meio da distribuição de vagas do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). A reportagem afirma que as universidades federais oferecem mais cursos de Medicina nas grandes cidades do Sul-Sudeste e do litoral, enquanto o interior do Brasil é atendido principalmente por faculdades particulares. No entanto, o mapa publicado pelo jornal mostra que houve um grande aumento de vagas no Nordeste, que oferece quase 80% a mais de postos do que as escolas federais do Sudeste.

O assunto apresenta muitas variáveis, como, por exemplo, as três maiores universidades públicas de São Paulo — USP, Unicamp e Unesp — terem vestibulares próprios e não participarem do Sisu, o que altera o quadro geral e exige uma abordagem diferenciada. Além disso, a reportagem deveria considerar outras questões importantes, como o fato de que essas instituições, principalmente a Faculdade de Medicina da USP, não terem como prioridade formar médicos clínicos, mas pesquisadores.

Há casos de médicos com doutorado que são incapazes de fazer um diagnóstico corriqueiro nos postos de saúde. Essa distorção, tema de polêmica nos conselhos universitários, tende a ser corrigida no longo prazo pela determinação de que, desde o dia 1º deste mês de janeiro, os alunos que ingressam na graduação deverão atuar por dois anos em unidades básicas de saúde e nos postos de emergência e urgência do SUS. O propósito dessa medida é estimular a formação de médicos com mais sensibilidade para os aspectos sociais de sua profissão.

Somada à ampliação de vagas — mais 11,5 mil alunos de graduação até 2017 e 20 mil novos especialistas formados até 2020 — esse conjunto de medidas faz parte da estratégia do programa de colocar a medicina a serviço da sociedade.

Por que a imprensa omite esses fatos e não se empenha em investigar o escândalo das propinas? Porque a pauta é definida pelo interesse de desmoralizar o sistema público e justificar a predominância da medicina privada.

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A mídia brasileira está usando o sangue do Charlie em causa própria

Enquanto isso, no Brasil …
Um jornalista britânico pergunta, no Independent, se haveria a mesma comoção se o atentado contra o Charlie Hebdo tivesse como alvo uma publicação de extrema direita.

Respondo com uma pergunta.

Alguém consegue imaginar uma marcha, no Brasil, que congregue pessoas emocionalmente arrasadas que segurem cartazes que digam: “Sou a Veja?” Ou mesmo: “Sou a Globo?” Ou ainda: “Sou a Folha?”

Ou indo para pessoas físicas. Feche os olhos e veja multidões com cartazes assim: “Eu sou Jabor”. Ou: “Eu sou Merval”. Ou: “Eu sou Reinaldo Azevedo”. Ou: “Eu sou Sheherazade”.

A direita tem poder e dinheiro, mas não comove ninguém. Não muito tempo atrás, festas nas ruas celebraram na Inglaterra a morte de Margaret Thatcher.

Testemunhei uma delas, em Trafalgar Square, berço da majestosa coluna de Nelson, o almirante que impôs a primeira grande derrota à França de Napoleão.

As grandes empresas de jornalismo do Brasil e seus porta-vozes — os reais chapas brancas da mídia — são o exato oposto do Charlie. Defendem um mundo de privilégios que provocava vômitos mentais nos cartunistas mortos.

Isso não tem impedido a mídia brasileira de usar a tragédia do Charlie, cinicamente, em causa própria.

O sangue dos cartunistas franceses vem sendo utilizado sobretudo para barrar a discussão em torno da regulação da mídia no Brasil.

A liberdade de expressão pela qual morreram os jornalistas do Charlie seria, aspas, e pausa para uma gargalhada, ameaçada pela regulação.

Já que falamos de Nelson, evoquemos também Wellington, o herói inglês de Waterloo: quem acredita nisso acredita em tudo.

A “liberdade de expressão” pela qual se batem as empresas jornalísticas brasileiras pode ser resumida assim: vale tudo para defender os próprios privilégios.

Você pode assassinar reputações sem prova e sem consequências jurídicas. Você pode usar concessões públicas como rádios e tevês como arma de propaganda contra ideias e pessoas que representam ameaças, reais ou imaginárias, às mamatas. Você pode concentrar o direito à opinião em quatro ou cinco famílias. Você pode formar monopólio impunemente.

Você pode tudo, em suma — e sem contrapartida. Numa disputa com dois barões da mídia na década de 1930, o então premiê britânico Stanley Baldwin produziu uma frase ainda hoje amplamente citada no Reino Unido.

Depois de dizer que os jornais de ambos eram na realidade “máquinas de propaganda” para servir a interesses pessoais, e não públicos, Baldwin afirmou: “O que os donos desses jornais querem é poder, mas poder sem responsabilidade, coisa que no correr dos tempos tem sido o atributo das marafonas.”

De Baldwin para cá, a opinião pública inglesa esteve constantemente vigilante em relação aos barões da mídia.

O último deles, Rupert Murdoch, virou um pária social depois que os ingleses souberam os métodos que um jornal seu empregava para obter furos.

Sob a fúria da opinião pública, Murdoch foi obrigado a fechar o jornal, e jamais voltou a ter um vestígio do poder e da influência que tivera na Inglaterra.

Ainda em consequência do escândalo, a Inglaterra se pôs a discutir, prontamente, uma nova regulação da mídia. Os detalhes finais estão sendo elaborados, mas essencialmente foi decretado o fim da auto-regulação por ter se provado pateticamente ineficaz.

No Brasil, não chegamos ainda, neste terreno, aos anos 1930 de Baldwin.

Que presidente brasileiro ousou dizer a barões — e à sociedade, principalmente — as verdades que Baldwin disse?

Diversos ocupantes do Planalto não apenas silenciam como patrocinam os barões com o Bolsa Imprensa, o dinheiro público farto e constante que sempre abastece as grandes empresas na forma de publicidade federal.

É esse estado de coisas que a mídia está defendendo mais uma vez, com o caso do Charlie — e não, não e ainda não a “liberdade de expressão”.

Paulo Nogueira
No DCM
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O chororô dos dos colunistas: Merval faz Dilma chorar, Noblat tira lágimas de Lula


O jornalismo político Brasil, definitivamente, está precisando de um analista.

Os mais ilustres comentaristas da grande imprensa, um após outro, dedicam-se a analisar supostas emoções, muito menos que os fatos.

Dias atrás, Merval Pereira disse que Dilma, segundo seus informantes, teria chorado por sentir-se “abandonada” por Lula.

Agora, é Ricardo Noblat quem coloca Lula distante e apreensivo, porque Dilma — a mesma que disse Merval estava chorando sem Lula — não o ouve e consulta.

Lula, diz Noblat, “está nas mãos de Dilma”.

Não é preciso, convenhamos, nenhum divã de analista para verificar que ambas descrições são, em bom português, pura intriga.

Ajudada, é verdade, por uma visão “patrimonialista” (para usar a palavra da moda) do exercício do poder.

O espírito das intrigas palacianas serve, com certeza, para palácios habitados por príncipes, daqueles que se acham possuidores, por direito natural, do trono.

Não que precisem ser nobres para isso. Quem lembrar da cena política brasileira nos últimos anos verá que o príncipe José Serra achou um absurdo alguém tão preparado quanto ele não ser presidente e, estes dias, o dauphin Aécio Neves fez birra porque não aceitou que a plebe ignara o tenha preterido para reinar.

Foge a Merval e a Noblat a ideia de que, para algumas pessoas, a política não é como uma carreira de “medalhão” da grande imprensa, onde a regra para subir é invejar e derrubar quem ocupa cargos de mando.

Falta-lhes, porque não a têm, a ideia de que alguém possa fazer política com causas coletivas e um projeto político para a Nação. Com tudo o que as ambições próprias do ser humano possam interferir nos episódios do dia-a-dia, não compreendem que lideranças políticas possam ter outra relação com o poder senão a de ambição (de todas as naturezas) e do desejo de mandar.

Lula e Dilma, cada um deles, têm seu lugar na história assegurado, como presidente e presidentes reeleitos.

Podem ter suas vaidades, mas têm uma causa da vida inteira.

Por isso, não trabalham com a ideia — que Luiz XV da França tornou célebre com a frase “d’apres moi le deluge” — de que, fora de seus próprios interesses e vaidades pessoais nada mais lhes importa.

Nem que Lula, um simples operário vindo do Nordeste, possa ter as noções de ética que lhe permitam sugerir, ponderar mas não impor soluções a seus companheiros, inclusive e principalmente aquela que, de fato e de direito, detém o cargo de Presidenta.

Deve ser difícil aos que se transformaram em porta-vozes de uma elite miúda e sem classe como a brasileira entender o que é comportamento ético e ausência de mesquinhez.

Afinal, subir na vida é uma questão de ” invejar e derrubar”, não é?

Noblesse oblige.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Ali Kamel e a guerra dos livros didáticos


A cartelização dos grupos de mídia foi o passo inicial do pacto de 2005, que teve como grande mentor o finado Roberto Civita, da Editora Abril, baseado no modelo Rupert Murdoch — o australiano que se mudou para os Estados Unidos e definiu uma estratégia pesada de sobrevivência, que acabou servindo de modelo para grupos de mídia inescrupulosos.

A lógica do pacto era simples e tosca como o jornalismo de Murdoch. Com a Internet, vinham pela frente mudanças radicais trazendo o maior desafio da história para os grupos de mídia, mais do que o advento do rádio e da televisão, porque muito mais difícil de enquadrá-la em regulamentação — como foi o caso da Lei das Concessões, que restringiu a competição e entregou o filé mignon aos grupos já estabelecidos.

* * *

A estratégia murdochiana consistia em criar um clima de guerra, instaurar um macarthismo feroz debaixo do qual caberiam todas as jogadas comerciais necessárias para assegurar a sobrevivência dos grupos de mídia em novos mercados.

Dentro dessa estratégia, em 2007 explodiu uma guerra hoje em dia pouco lembrada, em torno dos livros didáticos e dos cursos apostilados. Considerou-se que o mercado de livros didáticos poderia ser uma das novas frentes dos grupos de mídia, seguindo a picada aberta pelo grupo espanhol Santillana, controlador do jornal El Pais.

* * *

A Abril entrou no mercado de livros didáticos e cursos apostilados através de uma nova divisão, na qual incorporou as editoras Ática e Scipione, que havia adquirido em sociedade com o grupo francês VIvendi; e a Globo tentou uma sociedade com a UNO, braço do Santillana.

* * *

Recorreu-se ao macarthismo para afastar competidores.

No caso da Veja, a uma parceria com um site de direita, criado para denunciar infiltração comunista no ensino. Com base no site, a revista publicou uma reportagem sensacionalista denunciando um competidor no mercado de cursos apostilados. Era matéria falsa, baseada em informação desmentida pelo próprio acusado, mas que não foi respeitada na reportagem publicada.

Coube à blogosfera desarmar a armação, denunciando a informação falsa e divulgando trechos de livros de história da Ática e da Scipione com as mesmas análises condenadas no material concorrente.

Desmascarada, a revista acabou publicando um “Erramos”, episódio raro em sua história.

* * *

A segunda frente foi conduzida por Ali Kamel, já elevado a diretor da Globo.

Em 18 de setembro de 2007 publicou coluna no jornal O Globo, prontamente reproduzida no Estadão, denunciando o conteúdo subversivo de um campeão de vendas, a coleção “Nova História Crítica”, de uma editora nacional. As denúncias foram repercutidas nos demais veículos da Globo, da revista Época ao Jornal Nacional.

Kamel denunciava o livro por suposta apologia a Mao Tse-tung selecionando a parte que enaltecia Mao:

"Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador."

E sonegando a parte que o criticava:

Como governante, agiu de forma parecida com Stálin, perseguindo os opositores e utilizando recursos de propaganda para criar a imagem oficial de que era infalível.”

Sobre a revolução cultural chinesa, Kamel mencionava o trecho:

Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas”.

E escondia a crítica:  

''O Grande Salto para a Frente tinha fracassado. O resultado foi uma terrível epidemia de fome que dizimou milhares de pessoas. (...) Mao (...) agiu de forma parecida com Stálin, perseguindo os opositores e utilizando recursos de propaganda para criar a imagem oficial de que era infalível.'' (p. 191) ''Ouvir uma fita com rock ocidental podia levar alguém a freqüentar um campo de reeducação política. (...) Nas universidades, as vagas eram reservadas para os que demonstravam maior desempenho nas lutas políticas. (...) Antigos dirigentes eram arrancados do poder e humilhados por multidões de adolescentes que consideravam o fato de a pessoa ter 60 ou 70 anos ser suficiente para ela não ter nada a acrescentar ao país...''

Sobre a revolução russa, o mesmo procedimento:

"É claro que a população soviética não estava passando fome. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas...

E escondia as críticas:

''A URSS era uma ditadura. O Partido Comunista tomava todas as decisões importantes. As eleições eram apenas uma encenação (...). Quem criticasse o governo ia para a prisão. (...) Em vez da eficácia econômica havia mesmo era uma administração confusa e lenta. (...) Milhares e milhares de indivíduos foram enviados a campos de trabalho forçado na Sibéria, os terríveis Gulags. Muita gente foi torturada até a morte pelos guardas stalinistas...''.

No dia seguinte ao artigo de Kamel, o diário El Pais (dono da Santillana), publicou artigo repercutindo internacionalmente a denúncia e afirmando que “el libro de texto ensalza el comunismo y la revolución cultural china”.

No mesmo dia, o ex-Ministro Paulo Renato de Souza (em cuja gestão o livro passou a integrar as obras do MEC) publicou no site do PSDB a informação de que entraria no dia seguinte com representação na Procuradoria Geral da República para retirar a Nova Historia Crítica do mercado.

No seu site pessoal, a informação de que sua consultoria tinha entre seus clientes a Santillana.

* * *

Conseguiram matar um campeão de vendas. Mas o contraponto da blogosfera produziu tal desgaste que a estratégia acabou abandonada, para alívio das editoras e dos autores concorrentes.  

Restou o esperneio, o uso do poder da Globo para processar jornalistas que ousaram investir contra a estratégia traçada.

Luís Nassif
No GGN
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A proposta higienista de Hildegard Angel

http://www.hildegardangel.com.br/

O caos já se instalou no Rio, o poder público precisa coragem para agir à altura dele!

Certamente por maior que seja nosso efetivo policial, ele jamais será grande o suficiente para reprimir as hordas e hordas de jovens assaltantes e arruaceiros, que geram intranquilidade atacando cariocas e turistas nesses arrastões do verão no Rio de Janeiro.

É uma crise grave. O poder público não pode nem deve ser titubeante. Há momentos em que ele precisa ser enérgico e corajoso o suficiente para tomar medidas necessárias que desagradem. A população não pode estar sujeita ao medo, à violência, ao vandalismo desenfreados. Há ações que necessitam ser implementadas. Certamente os especialistas sabem quais são, mas sugerir não ofende.

1 — Em tais dias de grande concentração de pessoas nas ruas e praias, nos fins de semana e feriados do verão, diminuir drasticamente a circulação das linhas de ônibus e de Metro no fluxo Zona Norte – Zona Sul, estimulando o aumento do fluxo Zona Norte – Zona Oeste, para haver uma distribuição mais equilibrada da população das praias. Barra, Recreio, São Conrado têm praias imensas, lindas. Modo de evitar concentrações opressivas.

2 — Caso essa providência não alcance resultado, partir para um plano B radical: cobrar entrada nas praias de Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon. Isso pode soar com estranheza para os cariocas, que sempre tiveram a praia gratuita, mas no exterior é a normalidade. Preços módicos, naturalmente.

As medidas são antipáticas e discriminatórias, concordo. Mas ou é isso ou será o caos. Ou melhor, o caos já é. Daí pra pior.
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Charlie HEBrasil

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Latuff: a peculiar maneira do Ocidente de ver charges sobre religiões

Uma charge antiga de Latuff voltou à cena no curso do debate sobre o Charlie Hebdo.

Charges contra o Islã, segundo Latuff, são defendidas à luz da liberdade de expressão. Contra os judeus, viram demonstração de antissemitismo.

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O debate sobre a regulamentação da mídia

Em entrevista, Venício Lima falou de como a mídia aprisiona o debate dentro de uma narrativa falsa que fala de censura, e não de regulamentação econômica.

Foto: Rogério Tomaz Jr.
A possibilidade de ter a participação de Lula na batalha pela democratização da mídia será um aporte "extraordinário" para o campo progressista e uma dor de cabeça para os defensores do status quo.

E a nomiação de Ricardo Berzoini no Ministério das Comunicações é um fato importante porque ele tem demostrado estar "sensibilizado" com a necessidade de mudanças, um objetivo onde tem como aliados os ministros Miguel Rossetto, Jaques Wagner e Pepe Vargas.

Estas são algumas das reflexões formuladas pelo professor Venício Lima, um dos acadêmicos que tem estudado com maior rigor e durante anos as interfaces entre poder e mídia no Brasil, onde impera um dos sistemas de propriedade mais concentrados do mundo. Durante entrevista com Carta Maior ele repassou a história das manobras das oligarquias jornalísticas na defesa de seus privilégios.

Uma história cuja origem é anterior ao golpe de 1964 e continua até hoje com campanhas da mídia e da oposição tucana, destinadas a intoxicar o debate público.

— Qual importância da eventual participação de Lula na batalha por mudanças na mídia?

Acho que a participação de Lula será muito importante, será extraordinária. Agora temos que aguardar, mas é fato que o presidente Lula teve uma postura clara sobre esta questão. Ele está realmente comprometido com mudanças na mídia.

Lula terá peso num debate que será muito intenso, um debate que com certeza será manipulado pela grande mídia...

É necessario que o debate chegue à sociedade, porque você só conseguirá mudanças se conseguir mobilização, porque existe uma relação de forças muito desigual no Parlamento, onde há uma maioria conservadora inimiga da regulação da midia.

Temos de lembrar que essa discussão sobre democratização da mídia está sendo feita no Brasil há muitos anos, temos de recordar a Conferência Nacional da Comunicacão em dezembro de 2009 e, no final do segundo governo Lula, em 2010, o ministro Franklin Martins (SECOM) realizou um seminário internacional, que trouxe representantes das agências reguladoras dos EUA, da Inglaterra, da Argentina, da França, etc. Esse material está todo disponível, foi um seminário boicotado pela mídia.

— Junto com o possível debate, aumentaram os ataques da mídia oligárquica contra Lula.

Sim, estão atacando duramente o Lula, na verdade os grandes grupos nunca deixaram de atacá-lo. Agora, nesses dias, até falaram que tem câncer de pâncreas (portal UOL), sinceramente é a primeira vez que ouvi falar que alguém tem câncer de pâncreas e não morre logo, porque o câncer de pâncreas mata em semanas. Claro que isso é mentira.

— O jornal Valor vinculou Lula ao financiamento do carnaval e do jogo do Bicho.

A gente acha que Valor tem um pouco mais de responsabilidade jornalística que O Globo, Estado, Folha porque é um jornal dirigido para empresários. Mas isso que você está me falando de Lula e os bicheiros até causa graça. A destruição de Lula é permanente em toda a grande mídia. É algo inacreditável.

Mas é verdade que o poder da mídia para determinação do voto já não é a mesma de 25 anos atrás, se você compara uma eleição de hoje com a eleição de Collor (1989) é uma eleição completamente distinta. Eu falo isso porque estudei profundamente aquela eleição que foi a primeira depois da ditadura. O país mudou, hoje as circunstâncias são completamente distintas, o nível educacional aumentou muito, você tem uma inclusão social e econômica que não tinha naquela época e você tem internet, que não é determinante, mas que é capaz de se contrapor à grande mídia como já foi comprovado desde as eleições de 2006. Então a grande mídia não tem o poder que já teve, mas ainda tem um poder desmesurado...

Dilma e Berzoini

— Acha que a presidenta já arquivou a ideia de uma trégua com a grande mídia?

Um dos problemas que tivemos foi a ilusão dos governos, inclusive os governos de Lula e Dilma, de que é possível negociar com esses grupos. Em algum momento parece que Lula se deu conta de que isso não é possível, ali é possível explicar porque foi criada a Empresa Brasileira de Comunicação (segundo mandato). Acontece que a criação da EBC não foi seguida da construção de um sistema de mídia pública, que aliás é uma das coisas que não está regulamentada do artigo 223 na Constituição, o espírito desse artigo é o da complementaridade entre modelos público, privado e estatal.

Por outro lado o Poder Executivo não apoia na medida necessária a construção de um sistema público que sirva de alternativa de qualidade ao sistema privado dominante.

— A presidenta Dilma tem falado em regulação e designou Berzoini, um dirigente petista que defendeu a democratização. Como vê esses sinais?

Veja só, até onde eu sei o ministro Berzoini é um homem cuja caraterística é a capacidade de articulação no Parlamento, ele foi ministro das Relações Institucionais. Eu não tenho informações de bastidores, porém o que circulou na mídia é que o ministro das Comunicações ia ser Jaques Wagner, mas evidentemente houve algum impedimento... não sei. Ou talvez Berzoini não quis continuar em Relações Institucionais.

Berzoini não é da área (da mídia) mas acho que o fato de sua ida ao ministério é relevante porque ele tem um acúmulo de declarações e de posições políticas sobre a necessidade de democratização do setor, e isso é muito importante.

Aliás, no gabinete da presidenta Dilma, também está Jaques Wagner (Defesa), ele foi o único governador que incentivou um conselho estadual de comunicações num estado como a Bahia que emergia do carlismo, então ele também tem familiaridade com á área.

O secretário-geral, ministro Miguel Rossetto, deve desempenhar um papel importante na questão da mídia, ele que será o responsável pelo diálogo com os movimentos sociais e será um dos ministros que estará naquele núcleo duro da Dilma.

Rossetto tem total sensibilidade nessa questão, e o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais) certamente também tem sensibilidade. Isso significa que a presidenta estará cercada de ministros como Vargas, Wagner, Rossetto e Berzoini, que sabem da importância do tema das comunicações.

— Falou-se que Berzoini quer criar uma agência de mídia similar à de Portugal.

Com relação à criação da agência, depois da posse Berzoini desmentiu que estava tomando a agência portuguesa como referência. De qualquer maneira, ela não é de regulação econômica da mídia. Ela tem alguma semelhança com o modelo inglês que recebe reclamações sobre eventuais desvios da mídia em geral, uma comissão que já foi dissolvida depois do informe da comissão Levenson (2012, por causa do escândalo do jornal britânico News of the World).

Por enquanto o ministro falou que não temos nenhuma referência inicial, que está aberto a ouvir a todos, tive a impressão de que ele estava zerando a discussão, o que também é interessante.

— Tem expectativa que Berzoini possa avançar mais que o ex-ministro Paulo Bernardo?

O ex-ministro Bernardo não deu continuidade às iniciativas do final do governo Lula, como a Conferência Nacional de Comunicações de dezembro de 2009, e outras iniciativas.

Mas eu sou testemunha de uma afirmação de Paulo Bernado em que ele disse que ele era um ministro que tinha chefe, e ele seguia orientação da presidenta Dilma. Então a verdade é que não foi uma questão só de Paulo Bernardo.

Então não se deu continuidade ao que foi feito no final do governo Lula pelo ministro Franklin Martins por decisão do governo. Por isso eu tenho afirmado que gostaria de ver agora uma posição mais clara, menos reticente, da própria presidenta com relação a essa questão da regulação da mídia.

— Qual a melhor tática nessa batalha. É bom enviar projeto lei de regulação ao Parlamento de maioria conservadora?

— Eu sou absolutamente suspeito para responder isso porque tenho há muitos anos insistido que há um erro de estratégia política. Até escrevi um livro sobre isso.

No meu ponto de vista você tem que levar a discussão sobre regulação ao nível local, regional, estadual, mostrar às pessoas que isso tem a ver com elas.

Eu tenho dito que uma estratégia mais correta seria criar os conselhos estaduais de comunicação que estão previstos em 10 constituições estaduais e na lei orgânica de Brasília. Aliás, o artigo 224 da Constitução nacional cria o conselho de comunicação nacional, porém até hoje só foi criado o Conselho da Bahia, o de Alagaos foi criado de cima para baixo para favorecer o governo local.

A tal regulação econômica está na Constitucão, então o que é necessário é regulamentar e cumprir a Constitução, o que já está lá há 20 anos, e desse modo você obriga a quem for contra a regulação que tenha de contestar a Constitução. O que aliás já foi feito pelo Paulo Bernardo, que falou que não fazia mais sentido discutir a questão da propriedade cruzada.

História da sabotagem

- O modelo brasileiro é quase único no mundo, e ele não tem nenhuma forma de regulação. Onde está a explicação dessa originalidade?

É verdade, em algumas questões nunca tivemos nenhuma regulação, é um caso possivelmente único... nas principais democracias do mundo a propriedade cruzada está regulamentada desde sempre para atacar a formação de monopólios e oligopólios.

Eu diria que é um tema de pesquisa estudar como é que nós chegamos onde estamos, as opções fundamentais que determinam a configuração do sistema brasileiro de mídia começaram a ser tomadas na época de Getúlio Vargas, com dois decretos da década do 30, e foram se consolidando ao longo do tempo.

Eu me dei conta quando tive de relatar um texto para um seminário dos 50 anos do golpe, o tema era "Herança da Ditadura na área da Mídia" e quando fui ver, a verdade é que você não pode atribuir a configuração estrutural do sistema à ditadura, ele é anterior à ditadura, ela foi piorada no período da ditadura.

Tucanos e Gramsci

A história da sabotagem à regulação continua até hoje quando o PSDB lança ataques preventivos contra Berzoini e qualquer intento de debater uma lei.

Se você pegar as declarações dos dirigentes do PSDB e do deputado Eduardo Cunha (líder do PMDB) se perguntaria contra o que eles estão reagindo.

Eles falam da regulação como uma suposta forma de censura, e eu perguntaria: quem está defendendo a censura? Ninguém está falando que não vai ter liberdade de imprensa.

Na verdade a regulação da mídia fala em regulação daquilo que já está na Constitução, a menos que essa pessoas se declarem, por exemplo, contra o artigo 221, da regionalização da produção, que incentiva a produção independente que fala da produção regional cultural, artística, jornalística.

É impressionante ler as coisas publicadas pelo colunista Josias (de Souza). Ele é especialista em falar contra regulação.... e tem outros jornalistas que perguntam aos parlamentares "o senhor está a favor da censura?", essa é uma forma de controlar a linguagem, de controlar a narrativa, isso é seríssimo, e a grande mídia tem o poder de fazer isso.

— A hegemonia da qual já falava Antonio Gramsci?

Exatamente, exatamente... é estudando a utilização da linguagem na unificação italiana que Gramsci inicia os estudos da hegemonia. Ele se deu conta da importância que teve para unificação italiana (século XIX) a unificação da linguagem.

Aqui no Brasil você aprisiona o debate da regulamentação dentro de uma narrativa falsa e isso é o grande problema que temos na luta pela democratização da mídia, porque o debate foi aprisionado numa gramática que não é a real. E alguns colunistas que defendem interesses contrários à mudança do status quo são muito eficientes na consolidação de um vocabulário, que foi o que já aconteceu com a narrativa do mensalão, sobretudo durante o julgamento da ação penal 470.

Dario Pignotti, repórter e doutor em comunicação pela USP
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