10 de jan de 2015

Ex-amante do doleiro Alberto Youssef se diz 'magoada' após fim do romance


Logo após ser preso em março de 2014, pela Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef pegou o telefone e mandou uma mensagem. Do outro lado da linha, quem recebeu o comunicado da prisão foi Taiana de Sousa Camargo, de 30 anos.

De salto alto e coberta por notas de dólares, a ex-amante do doleiro estampa a capa da revista Playboy de janeiro posando em quartos de hotel e jatinhos particulares. À publicação, ela contou que foi "a primeira pessoa para quem ele mandou uma mensagem quando foi preso".

"Ele nunca mais me ligou depois daquela mensagem. Acho que ele primeiro pensou em se preservar. Fiquei magoada", disse Taiana.

O romance começou em 2009 após Taiana se mudar para São Paulo, para trabalhar com vendas. Ela conta que foi apresentada a Youssef por uma amiga em comum e que o contato entre os dois se tornou frequente até se transformar em um tórrido caso de amor.

De acordo com a Polícia Federal, que quebrou o sigilo telefônico do doleiro, entre 2010 e 2013 eles se falaram ao telefone por 10.222 vezes. Ela conta que, durante o relacionamento, tomou conhecimento sobre casos de corrupção envolvendo o doleiro.

"Cheguei a confrontá-lo. Mas ele disse que essas acusações eram isso, passado, e que eu estava sendo preconceituosa. Acabou me dobrando", explica.
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Uma análise do governo Dilma

 Importante 


Entrevista com o professor de economia da UFSC e presidente do IELA, Nildo Domingos Ouriques.



Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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Médicos cubanos na Libéria em festa: oito pacientes infectados com Ebola receberam alta

Estas fotos constituyen la mayor alegría de los médicos cubanos que combaten el ébola en Liberia; ocho pacientes que estuvieron ingresados en la Unidad de Tratamiento fueron dados de alta.

En su cuenta en Facebook, el médico, Ronald Hernandez Torres, asegura: «Esto es tan emocionante que no importan las malas noches, ni el peligro al contagio. Hoy más que nunca nos sentimos orgullosos de ser profesionales de la salud y estar aquí ayudando a este pueblo, con mirar la alegría de esos rostros y saber por qué, es suficiente».


No Blog do Mario
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Ação na Internet denuncia ameaças contra blogueira — #PorqueNãoMeCalo

Desde 2011, Lola Aronovich tem sido vítima de seguidas ameaças de estupro, tortura e até mesmo morte

Mulher, professora, feminista. Há sete anos, Lola Aronovich começou a escrever em um blog opiniões sobre arte, política e, sobretudo, feminismo. Os textos ganharam repercussão por meio do Twitter, mas não geraram apenas debates.

Desde 2011, a blogueira tem sido vítima de seguidas ameaças de estupro, tortura e até mesmo morte. As tentativas de intimidação se intensificaram nos últimos meses, levando-a a procurar a polícia pela segunda vez para registrar um boletim de ocorrência.

Na sexta-feira (9), internautas usaram a rede social para manifestar apoio à Lola e às mulheres vítimas de opressão também no ambiente virtual. Utilizando a frase “Porque não me calo”, elas promoveram um tuitaço para repudiar as ações dos que Lola aponta serem masculinistas – que defendem os direitos dos homens, muitas vezes contra as mulheres – e afirmar que não aceitaram ser coagidas.

“Porque o machismo mata todos os dias #PorqueNãoMeCalo”, “Basta de violência online contra as mulheres” e “porque quase semanalmente mulheres são expostas em vídeos e fotos íntimas por parceiros e são humilhadas e xingadas” foram algumas das frases usadas na rede, quando a campanha se tornou um dos assuntos mais comentados do dia.

As publicações dos masculinistas variam de fotos editadas, muitas vezes humilhantes, coação contra comentaristas, e até defesa do estupro “corretivo” ou de assassinato de mulheres, mas também de negros e homossexuais. No caso de Lola, junto às ameaças eles costumam publicar informações pessoais, como endereço residencial, foto da casa, CPF, placa do carro, entre outras.

“No começo, eram os trolls [pessoas que interferem em publicações de forma deliberada] normais, que sempre incomodam e são chatos, mas você descarta e não leva muito a sério, tanto que nos primeiros quatro anos do meu blog eu não tinha moderação de comentários. Mas chegou a um nível insustentável”, diz a professora, e acrescenta que “não se deixa abater, porque eu sei que é o modus operandi deles. É o que eles fazem. Não só aqui no Brasil”.

Em 2012, quando pela primeira vez procurou a polícia, ela denunciou dois homens que acabaram sendo processados e presos. Apesar das ameaças, ela não pretende parar de escrever. “Não é uma opção, porque se não seria dizer que eles ganharam”, afirma Lola, reiterando a reivindicação que circulou hoje no Twitter: “não nos assediem”.

Na avaliação dela, o anonimato acaba facilitando a ação dessas pessoas. “É muito fácil você intimidar e perseguir essas pessoas usando o anonimato”, avalia, e acrescenta que faltam mecanismos de combate, investigação e resposta rápida em relação às ameaças sofridas no ambiente virtual.

Hoje, quem se sentir ameaçado pode procurar a polícia ou registrar a queixa pelo telefone para o Disque 100, enviar carta para a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos ou usar a própria rede, acessando a SaferNet Brasil. Apenas em 2013, a SaferNet registrou 8.328 denúncias de crimes de ódio praticados na Internet.

O crescimento desse tipo de situação levou a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República a criar grupo de trabalho com o objetivo de mapear crimes de ódio na Internet, em novembro do ano passado.

Procurada pela Agência Brasil para saber se o grupo acompanha o caso de Lola, a assessoria da SDH explicou que “não pode divulgar os casos analisados de forma específica, uma vez que aqueles identificados como de fato envolvendo violações à Legislação são encaminhados às autoridades competentes para investigação”. O órgão informou, contudo, que o grupo deve ser reunir ainda este mês para debater as ações em curso, que serão fortalecidas neste ano.

Helena Martins
Agência Brasil
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Camarotização

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Modern Man


MODERN MAN tells the story of an accidental time traveling CAVEWOMAN and her chance encounter with RUPERT on the day he plans to propose to his girlfriend.

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Malvinas, una patria grande


A 182 años de la usurpación británica, es claro que no debemos olvidar y levantar una vez más la voz en el reclamo y la pertenencia que tenemos sobre nuestras islas Malvinas y que ya es de toda América Latina.

El 3 de enero del 2013, bajo el intenso sol de verano, caminamos por las calles de Buenos Aires ex combatientes, referentes sociales, sindicales, culturales, políticos y jóvenes portando una pancarta que decía “Volveremos a Malvinas de la mano de América latina”. Se recordaban los 180 años de la usurpación de nuestras islas por parte del Reino Unido. El objetivo era llegar hasta la puerta de la embajada británica en Argentina para reclamarle una vez más al primer ministro David Cameron que cumpla las resoluciones de Naciones Unidas que piden expresamente a Gran Bretaña que se siente a dialogar con el gobierno argentino por la soberanía en las islas Malvinas. Ese mismo es el emblema que resalta en la Casa Patria Grande Néstor Kirchner, y el que se utilizó cuando se inauguró el Foro Latinoamericano sobre Malvinas como parte de una de las actividades del encuentro de Jóvenes Dirigentes Políticos que vinieron de toda la América latina.

Recuerdo que vivimos un momento muy especial cuando representantes procedentes de Bolivia, Venezuela, Ecuador, Brasil, Uruguay, Chile, Perú, Colombia y Paraguay se comprometían a llevar adelante actividades por la causa Malvinas en su lugar de origen, como parte de esta pertenencia que se siente cada día más en toda la región.

Reafirmando este compromiso de la región y respaldando al gobierno argentino en su reclamo, años tras año referentes regionales del Mercosur, Unasur y la Celac, acompañan y respaldan al Estado argentino cuando se presenta ante el Comité de Descolonización de Naciones Unidas. Es necesario destacar este compromiso que tienen las tres agrupaciones territoriales con la cuestión Malvinas, asumiéndola como propia y brindando permanentemente el respaldo en el reclamo en los organismos internacionales. Una y otra vez se denuncia la militarización por parte del Reino Unido de la zona de Malvinas, ubicadas en una zona de paz donde está prohibida la provisión de armas nucleares. Hay un pueblo afectado, el argentino, que no puede ejercer la soberanía en la totalidad de su territorio, pero esta amenaza armamentista también inquieta a Latinoamérica. Queda claro que el gobierno británico, con la excusa del presunto objetivo de tener en Malvinas una base militar con alta tecnología para defenderse de una supuesta invasión militar de Argentina, lo que hace es controlar de cerca todo lo que pasa en la Antártida, el mar austral y el paso entre el océano Atlántico y el océano Pacífico. Es por eso permanente el interés de los países de la región en que el Reino Unido se digne reanudar las negociaciones a fin de encontrar una solución pacífica y definitiva de conformidad con los pronunciamientos de Naciones Unidas.

El gobierno británico no dudó en el pasado en realizar negocios con la dictadura argentina y lo que ocurre en la zona de las islas Malvinas es disfuncional a la pacificación del Atlántico Sur, por lo que volver a la mesa de negociación es fundamental. Debemos tener en claro que el Reino Unido permite sin ningún tipo de control la depredación de nuestros recursos naturales, ictícolas y marítimos, y la búsqueda indiscriminada de petróleo, sin medir las consecuencias ecológicas que puedan causar en un territorio de tres millones de kilómetros cuadrados.

El ejercicio de la memoria y la defensa de los derechos humanos deben estar siempre presentes, nos fortalece como sociedad para no volver a permitir que el autoritarismo y el terror se impongan frente a los intereses de la voluntad popular. Es por eso que el camino de verdad y justicia debe continuar también en relación con lo que nos pasó durante aquellos años.

Me sorprende en cada acto, en cada marcha, ver a tantos jóvenes con estandartes, remeras y banderas que los identifican con Malvinas. Las nuevas generaciones sienten como propia esta causa y militan por esa parte de nuestro territorio con el mismo entusiasmo, pertenencia y compromiso que tienen con la historia reciente. Sin dudas que los ex combatientes que creemos en la defensa de los derechos humanos, cada vez nos sentimos más integrados y acompañados en esta lucha por la memoria.

En este presente que nos permite revisar la historia con verdad y justicia nos proponemos hablar y evocar lo pasado con la mirada puesta en el futuro. El reclamo de soberanía sobre las islas Malvinas que tiene nuestro país desde 1833, avasallado por la posesión colonial de Gran Bretaña, que por historia y derecho nos pertenecen, es constante y legítimo. Pero eso nada tiene que ver con el análisis descarnado de lo ocurrido en 1982. Buscar la verdad sobre lo vivido en la guerra nos ayuda a ir reconstruyendo, a pensar y reflexionar sobre los errores y los aciertos de nuestra propia historia, la que nos conforma como argentinos.

La memoria histórica es la recuperación de la verdad desde las experiencias vividas y en este sentido seguimos en la lucha por la memoria de Malvinas. Revisar las vivencias de la guerra padecida por soldados y por toda la sociedad durante la dictadura militar sirve para realizar aportes en la reconstrucción de nuestra identidad.

Hace pocos días, el historiador Felipe Pigna reproducía una carta de Tomás Guido, enviada pocos tiempo después de producirse la invasión británica de 1833. Guido, protagonista de la gesta patriótica de 1810, quien participó de la campaña libertadora de Chile y fuera más tarde edecán de San Martín, no sólo se refiere en esta carta a los derechos de soberanía de la Argentina sobre las islas Malvinas; también señala los motivos que impulsaron a Gran Bretaña a usurpar nuestro territorio: “... apoderarse de un punto de observación importante sobre el segundo canal para el comercio del mundo con los establecimientos de la India y con la Gran China” y “tomar las llaves de los mares del Sur para hacerse señora del comercio del Pacífico”.

Tomas Guido acierta en su pronóstico del lugar que ocuparía el comercio de Gran Bretaña en esta región cincuenta años después de los sucesos de 1833 y que lamentablemente aún perdura el tiempo.

A 182 años de la usurpación británica, es claro que no debemos olvidar y levantar una vez más la voz en el reclamo y la pertenencia que tenemos sobre nuestras islas Malvinas y que ya es de toda América latina. El desafío es seguir trabajando para lograr que el respaldo internacional siga avanzando ante la actual impunidad que tiene el gobierno británico. No debemos claudicar y seguir luchando por el único camino posible, el de la paz.

Edgardo Esteban, Periodista y soldado ex combatiente de Malvinas.
No teleSUR
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Viagem a uma nova Bolívia

Para o viajante que volta à Bolívia depois de alguns anos de ausência, e que caminha lentamente pelas ruas estreitas de La Paz — cidade marcada por ravinas escarpadas a quase quatro mil metros de altitude — as transformações saltam aos olhos: não se veem mais pedintes, nem vendedores informais que lotavam as calçadas. As pessoas se vestem melhor, têm um ar mais saudável. E a capital tem uma aparência mais bem tratada, mais limpa, com muitos espaços verdes. Ressalta também o surgimento de novas construções. Despontaram duas dezenas de grandes imóveis e multiplicaram-se os centros comerciais; um deles tem o maior complexo de cinemas (18 salas) da América do Sul.

Mas o mais espetacular são os teleféricos urbanos, de extraordinária tecnologia futurista, que mantêm, acima da cidade, um balé permanente de cabines coloridas, elegantes e etéreas como bolhas de sabão. Silenciosas e não poluentes. Duas linhas estão funcionando agora, a vermelha e a amarela; uma terceira, a verde, será inaugurada nas próximas semanas, permitindo assim a criação de uma rede interligada de transporte a cabo de 11 km, a maior do mundo. Isso possibilitará a dezenas de milhares de moradores de La Paz economizar em média duas horas de viagem por dia.

“A Bolívia muda. Evo cumpre suas promessas”, afirmam cartazes nas ruas. E pode-se constatar que o país é de fato outro. Muito diferente daquele que conheci há apenas uma década, quando foi considerado “o Estado mais pobre da América Latina depois do Haiti.” Corruptos e autoritários em sua maioria, seus governos passavam os anos a implorar empréstimos aos organismos financeiros internacionais, às principais potências ocidentais ou às organizações humanitárias. Enquanto isso, as grandes mineradoras estrangeiras pilhavam o subsolo, pagando ao Estado royalties de miséria e prolongando a espoliação colonial.

Relativamente pouco povoada (cerca de dez milhões de habitantes), a Bolívia tem superfície de mais de um milhão de quilômetros quadrados (duas Franças, ou Bahia e Minas Gerais somadas). Suas entranhas transbordam de riquezas: prata (faz lembrar Potosí…), ouro, estanho, ferro, cobre, zinco, tungstênio, manganês etc. O sal de Uyuni tem as maiores reservas no mundo de potássio e lítio — considerado a energia do futuro. Mas hoje, a principal fonte de renda é constituída pelo setor de hidrocarbonetos: gás natural (a segunda maior reserva da América do Sul), e petróleo (em menor quantidade, por volta de 16 milhões de barris ao ano).

No decorrer dos últimos nove anos, após a chegada de Evo Morales ao poder, o crescimento econômico da Bolívia foi sensacional, com uma taxa média anual de 5%. Em 2013, o avanço do PIB atingiu 6,8%; em 2014 e 2015, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), será igualmente superior a 5%… É o percentual mais elevado da América Latina. E tudo isso com uma inflação moderada e controlada, inferior a 6%.

Assim, o nível material de vida dobrou. As contas públicas, embora com importantes investimentos sociais, são igualmente controladas, a tal ponto que a balança comercial oferece resultado positivo com excedente orçamentário de 2,6% (em 2014). Embora as exportações, principalmente de hidrocarburetos e de produtos de mineração, desempenhem papel importante nessa prosperidade econômica, é a demanda interna (+5,4%) que constitui o principal motor do crescimento. Finalmente, outro sucesso sem precedentes da gestão do ministro da economia, Luis Arce: as reservas monetárias internacionais da Bolívia agora equivalem a 47% do PIB, colocando pela primeira vez o país em primeiro lugar na América Latina, bem à frente de Brasil, México e Argentina. Evo Morales indicou que a Bolívia pode deixar de ser um país endividado em nível estrutural para tornar-se um país credor. Ele revelou que “quatro Estados da região”, sem especificar quais, já solicitaram crédito ao governo…

Num país onde mais de metade da população é de origem indígena, Evo Morales, eleito em janeiro de 2006, é o primeiro índio a tornar-se presidente no decorrer dos últimos cinco séculos. E, depois que assumiu o poder, esse presidente diverso rejeitou o “modelo neoliberal” e substituiu-o por um novo “modelo econômico social comunitário produtivo”. A partir de maio de 2006, nacionalizou os setores estratégicos (hidrocarburetos, indústria de mineração, eletricidade, recursos ambientais) geradores de excedentes, e investiu parte desse excedente nos setores geradores de emprego: indústria, produtos manufaturados, artesanato, transporte, agricultura e pecuária, habitação, comércio etc. Consagrou a outra parte do excedente à redução da pobreza por meio de políticas sociais (educação, saúde), aumentos salariais (para funcionários e trabalhadores do setor público), estímulos à integração (os bônus Juancito Pinto, a pensão “dignidade”, os bônus Juana Azurduy) e subsídios.

Os resultados da aplicação desse modelo não se refletem apenas nas cifras acima, mas também num dado bem explícito: mais de um milhão de bolivianos (10% da população, portanto) saíram da pobreza. A dívida pública, que representava 80% do PIB, diminui e mal chega a 33%. A taxa de desemprego (3,2%) é a mais baixa da América Latina, a tal ponto que milhares de imigrantes bolivianos na Espanha, Argentina e Chile começam a voltar, atraídos pelo pleno emprego e notável aumento do padrão de vida.

Além disso, Evo Morales começou a tornar verdadeiro um Estado que até o presente não era senão virtual. É claro que a vasta e torturada geografia da Bolívia (um terço de altas montanhas andinas, dois terços de planícies tropicais e da Amazônia), assim como a divisão cultural (36 nações etnolinguísticas) nunca facilitaram a integração e a unificação. Mas o que não foi feito em quase dois séculos, o presidente Morales está determinado a colocar em prática, para dar fim ao desmembramento. Isso passa, antes de tudo, pela promulgação de uma nova Constituição, aprovada por referendo, que estabelece pela primeira vez um “Estado plurinacional” e reconhece os direitos de nações diversas que coabitam o território boliviano. Em seguida, passa pelo lançamento de uma série de ambiciosas obras públicas (estradas, pontes, túneis) com o objetivo de conectar, articular, servir áreas dispersas para que seus habitantes sintam que fazem parte de um mesmo conjunto: a Bolívia. Isso nunca havia sido feito. É a razão por que o país teve tantas tentativas de divisão, separatismo e fracionamento.

Hoje, com todos esses êxitos, os bolivianos sentem-se — talvez pela primeira vez — orgulhosos de si. Estão orgulhosos de sua cultura indígena e de suas línguas nativas. Estão orgulhosos de sua moeda, que a cada dia ganha um pouco mais de valor em relação ao dólar. Estão orgulhosos de ter o mais elevado crescimento econômico e as reservas monetárias mais importantes da América Latina. Orgulhosos de suas realizações tecnológicas como a rede de teleféricos de última geração, de seu satélite de telecomunicações Tupac Katari, de sua cadeia de televisão pública Bolivia TV. Essa cadeia, dirigida por Gustavo Portocarrero, deu em 12 de outubro, dia das eleições presidenciais, uma demonstração notória de sua excelência tecnológica ao conectar-se diretamente — durante 24 horas ininterruptas — com seus enviados especiais em cerca de 40 cidades do mundo (Japão, China, Rússia, Índia, Egito, Irã, Espanha etc.), onde bolivianos que vivem no exterior votaram pela primeira vez. Proeza técnica e humana que poucos canais de TV do mundo seriam capazes de conseguir.

Todas essas realizações — econômicas, sociais, tecnológicas — só explicam em parte a vitória esmagadora de Evo Morales e de seu partido (o Movimiento al Socialismo, MAS) nas eleições de 12 de outubro último [11]. Ícone da luta dos povos indígenas e autóctones de todo o mundo, graças a este novo triunfo, Evo conseguiu romper preconceitos importantes. Ele prova que a permanência no governo não causa, necessariamente, desgastes; e que, depois de nove anos no poder, é possível conseguir uma reeleição esmagadora. Prova também que, ao contrário do que afirmam os racistas e colonialistas, “os índios” sabem como governar e podem ser os melhores líderes que o país já teve. Prova que, sem corrupção, com honestidade e eficácia, o Estado poder ser um excelente administrador, e não uma calamidade sistemática, como pretendem os neoliberais. Finalmente, Evo prova que a esquerda no poder pode ser eficaz; que pode gerir políticas de integração e redistribuição de riquezas sem pôr em perigo a estabilidade da economia.

Mas essa grande vitória eleitoral explica-se também, e talvez sobretudo, por razões políticas. O presidente Evo Morales logrou vencer, ideologicamente, seus principais adversários, agrupados no seio da casta de empresários da província de Santa Cruz, principal motor econômico do país. Esse grupo conservador, que tentou tudo contra o presidente — desde o ensaio de divisão do país até o golpe de Estado —, acabou finalmente por submeter-se e render-se ao projeto presidencial, reconhecendo que o país está em plena fase de desenvolvimento.

É uma vitória considerável, que o vice-presidente Álvaro García Linera explica nestes termos: “Conseguimos integrar o leste da Bolívia e unificar o país, graças à derrota política e ideológica de um núcleo político de empresários ultraconservadores, racistas e fascistas, que conspiraram para dar um golpe de Estado e financiaram grupos armados para organizar uma divisão do território oriental. Além disso, esses nove anos têm mostrado às classes médias urbanas e aos setores populares de Santa Cruz, que estavam cautelosos, que temos melhorado suas condições de vida, que respeitamos o que foi construído em Santa Cruz e suas especificidades. Somos evidentemente um governo socialista, de esquerda, e dirigido por indígenas. Mas desejamos melhorar a vida de todos. Enfrentamos as empresas petrolíferas estrangeiras, da mesma forma que as empresas de energia elétrica, e as fizemos dar sua contribuição para depois, com esses recursos, dar poder ao país, principalmente aos mais pobres — mas sem afetar as posses das classes médias ou do setor empresarial. Esta é a razão por que foi possível um reencontro com o governo de Santa Cruz, e tão frutífero. Nós não mudamos de atitude, seguimos dizendo e fazendo as mesmas coisas que há nove anos. Eles é que mudaram de atitude diante de nós. Desde então, começa esta nova etapa do processo revolucionário boliviano, que é a da irradiação territorial e da hegemonia ideológica e política. Eles começam a compreender que não somos seus inimigos, que é do interesse deles praticar a economia sem entrar na política. Mas se, como empresários, tentarem ocupar as estruturas do Estado e quiserem combinar política e economia, eles não conseguirão. Da mesma forma, não pode ser que um militar assuma também o controle civil, político, uma vez que eles já têm o controle das armas.”

Em seu gabinete do Palacio Quemado (palácio presidencial) o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, explica isso em uma frase: “Vencer e integrar”. “Não se trata — diz ele — de derrotar o adversário e abandoná-lo à sua sorte, correndo o risco de que comece a conspirar com o ressentimento do derrotado e embarque em novas tentativas de golpe. Uma vez vencido, é preciso incorporá-lo, dar-lhe oportunidade de juntar-se ao projeto nacional em que todos estão envolvidos, sob a condição de que admitam e se submetam ao fato de que a direção política, pela decisão democrática das urnas, é exercida por Evo e o MAS.”

E agora? O que fazer com uma vitória assim esmagadora? “Temos um programa — afirma tranquilamente Juan Ramón Quintana — queremos erradicar a pobreza, dar acesso universal aos serviços públicos básicos, garantir uma saúde e uma educação de qualidade para todos, desenvolver a ciência, a tecnologia e a economia do conhecimento, estabelecer uma administração econômica responsável, ter uma gestão pública transparente e eficaz, diversificar nossa produção, industrializar o país, alcançar a soberania alimentar e agrícola, respeitar a mãe Terra, avançar em direção a uma maior integração latino-americana e com nosso parceiros do Sul, integrar-nos ao Mercosul e alcançar nosso objetivo histórico, fechar nossa ferida aberta: recuperar nossa soberania marítima e o acesso ao mar.”

Por sua vez, Morales exprimiu seu desejo de ver a Bolívia tornar-se o “coração energético da América do Sul”, graças ao enorme potencial em matéria de energias renováveis (hidroelétrica, eólica, solar, geotérmica, biomassa), ao invés dos hidrocarbonetos (petróleo e gás). Isso, com o complemento da energia atômica civil produzida por uma central nuclear cuja aquisição está próxima.

A Bolívia muda. Avança. E sua metamorfose prodigiosa ainda não acabou de surpreender o mundo.

Ignacio Ramonet Míguez, jornalista e sociólogo espanhol.
Tradução: Inês Castilho
No Outras Palavras
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Charlie Hebdo, before the massacre


Neste breve documentário filmado no Charlie Hebdo em 2006, cartunistas e editores definem uma satírica imagem de Maomé para a capa.

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Nota oficial do Governo Federal


O Governo e o povo brasileiros acompanharam nos últimos dias, com emoção e apreensão, os sucessivos ataques terroristas que vitimaram os membros da redação de Charlie Hebdo, policiais e cidadãos franceses.

Quero reiterar nossa mensagem inicial de solidariedade aos franceses e a seu Governo. Manifesto, igualmente, a esperança de que a grande comoção que esses acontecimentos provocaram na França e no mundo seja o melhor antídoto contra futuros atos de intolerância e de barbárie.

Estou segura de que os muitos brasileiros que vivem na França estarão presentes à grande Marcha Republicana de domingo próximo em Paris. O pensamento de meu governo estará convosco. Pedi ao embaixador do Brasil, José Bustani, que fosse meu representante pessoal nesse encontro de cidadãos do mundo em prol de um futuro de paz e democracia.

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil
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O verdadeiro complexo de inferioridade dos fundamentalistas frágeis e confusos

Agora que estamos todos em estado de choque, depois da carnificina nos escritórios de Charlie Hebdo, é o momento certo para encontrar coragem para raciocinar. Naturalmente devemos condenar sem ambiguidade os homicídios como um ataque contra a essência da nossa liberdade, e condená-los sem nenhuma distinção. Mas este sopro de solidariedade universal não é suficiente. O raciocínio, o pensamento, de que falo não tem absolutamente nada a ver com as relações atribuídas ao valor deste crime (o mantra do “quem somos nós ocidentais, que cometemos massacres terríveis no terceiro mundo, para condenar atos como estes?”). E existe ainda menos a fazer com o medo patológico de tantos progressistas liberais ocidentais de se maquiar com a islamofobia. Para estes falsos progressistas, qualquer crítica ao Islã é identificada como expressão da islamofobia ocidental: Salman Rushdie foi acusado de ter provocado gratuitamente os muçulmanos, e então é o responsável (em parte) do fato que o condena à morte, e assim por diante.

O resultado dos posicionamentos do gênero é aquele que podemos esperar nestes casos: mais os progressistas ocidentais revolvem o seu sentimento de culpa, mais são acusados pelos fundamentalistas islâmicos de serem hipócritas que buscam esconder o seu ódio pelo Islã. Essa constelação reproduz à perfeição o paradoxo do superego: mais obedeces àquilo que o outro espera de ti, mais te sentes culpado.

Na prática, quanto mais tolerarem o Islã, mais forte será a pressão sobre vocês... Há muito tempo atrás Friedrich Nietzsche percebia que a civilização ocidental estava avançando para o Último Homem, uma criatura apática, sem grandes paixões ou grandes funções. Incapaz de sonhar, cansado da vida, não assume riscos, procura somente conforto e segurança, uma manifestação de tolerância recíproca: “Um pouco de veneno a cada pouco, para ter sonhos agradáveis. E muito veneno no final, para uma morte agradável”.

De fato pode parecer que a brecha entre o primeiro mundo permissivo e a reação fundamentalista contra este, coincida cada vez mais com a contraposição entre uma vida longa e satisfatória, cheia de bem estar material e cultura, e uma vida dedicada a alguma causa transcendente. “Os melhores” não são mais capazes de se empenhar até o fim, enquanto “os piores” se empenham em um fanatismo racista, religioso, sexista.

Mas os terroristas fundamentalistas correspondem exatamente a essa descrição? O que evidentemente falta é uma qualidade que é fácil discernir em todos os fundamentalistas autênticos, dos budistas tibetanos aos Amish americanos: a falta de ressentimento e inveja, a profunda indiferença para o modo como vivem os que não possuem a mesma crença. Se os ditos fundamentalistas da atualidade estão verdadeiramente convencidos de terem encontrado o caminho para a verdade, porque devemos nos sentir ameaçados pelos que não acreditam, porque devemos invejá-los? Quando um budista encontra um hedonista ocidental não o condena de fato. Se limita a observar pacificamente que a busca pela felicidade do hedonista é contrária ao seu pensamento. Ao contrário dos verdadeiros fundamentalistas, os pseudo fundamentalistas terroristas são profundamente irritados, intrigados, fascinados pela vida pecaminosa dos que não possuem tal crença: se tem a sensação que combatendo o pecador estão combatendo a sua própria tentação ao pecado.

O terror do fundamentalismo islâmico não está arraigado na convicção dos terroristas da sua própria superioridade, em um desejo de preservar a própria identidade cultural e religiosa do furioso assalto da civilização consumista mundial. O problema dos fundamentalistas não é que se sintam inferiores a nós, mas ao contrário, que eles mesmos se consideram secretamente inferiores. É por isso que quando os tranquilizamos, cheios de condescendência e do politicamente correto, que não nos sentimos absolutamente superiores a eles, não fazemos outro que os inferiorizar ainda mais e alimentar o seu ressentimento. O problema não é a diferença cultural (o seu esforço para preservar a própria identidade), mas ao contrário, o fato que os fundamentalistas já são como nós, que secretamente tem já interiorizado os nossos parâmetros e medem a si mesmos com base nisso.

O fundamentalismo é uma reação — uma reação falsa e mistificadora, naturalmente — contra um defeito real do liberalismo, e é por isso que o liberalismo o gera repetidamente. Para que essa tradição fundamental possa sobreviver, o liberalismo necessita de auxílio fraterno da esquerda radical. É a única forma para derrotar o fundamentalismo, cortar a grama sob seus pés.

Pensar em resposta aos homicídios de Paris significa colocar de lado a complacência autocelebrativa do liberal permissivo e aceitar que o conflito entre a permissividade liberal e o fundamentalismo definitivamente é um falso conflito. Aquilo que Horkheimer disse sobre o fascismo e o capitalismo, que quem não está disposto a falar de maneira crítica do capitalismo não deve contestar o fascismo, seria aplicado também ao fundamentalismo da atualidade: quem não está disposto a falar de maneira crítica da democracia liberal não deveria contestar o fundamentalismo religioso.

Slavoj Zizek
Tradução de Ivan Pedro Lazzarotto
Do La Repubblica
No IHU
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Vídeo mostra o exato momento em que PM começa a atacar manifestação em SP


Ao contrário do que afirmou o comando da Polícia Militar, a corporação atacou todo o ato. Milhares de pessoas ficam encurraladas e se tornam alvo fácil para policiais, que seguem atirando bombas

Após a primeira manifestação contra o aumento da passagem de ônibus e Metrô, em São Paulo, o major Larry Sampaio, comandante da operação policial que acompanhou o ato, perguntou: “Como eu posso controlar esses marginais que se infiltram na manifestação?”.

A resposta pode estar em um vídeo divulgado na manhã deste sábado. Nas imagens é possível ver que, indiscriminadamente, a PM arremessa bombas no meio da manifestação, sem qualquer preocupação sobre o seu destino. O “grupo isolado”, alvo do major, estava cerca de 200 metros à frente da manifestação. Porém, o comandante achou por bem dizimar o ato e colocar em risco a vida de milhares de pessoas.

A ação foi condenada pela Defensoria Pública: “O que vimos aqui hoje, foi uma ação absolutamente ilegal. Não havia nenhum motivo para que bombas fossem atiradas contra a manifestação. Uma bomba estourou ao meu lado, perto do meu pé”



Igor Carvalho
No spressoSP
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ABI defende Protógenes Queiroz junto ao Supremo: "A autoridade é quem está presa"


Manifesto da Presidência da ABI

Ao Exmo. Sr. Presidente do

Supremo Tribunal Federal

Ministro Ricardo Lewandowski

Exmo. Sr. Presidente,

A Associação Brasileira de Imprensa recebeu com perplexidade e fundada preocupação a decisão desta colenda Corte em manter a condenação do deputado federal Protógenes Queiroz a dois anos e meio de prisão, além de perda do cargo de Delegado da Polícia Federal, sob acusação de ter cometido violação de sigilo profissional.

O delegado Protógenes Queiroz investigou desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Satiagraha e teria avisado jornalistas sobre a data e a hora em que cumpriria mandados de busca e apreensão, além de realizar a prisão dos principais investigados.

Na lista dos que deveriam ser presos constavam personagens de notória projeção econômica e social até então jamais alcançados publicamente pelo braço da lei como o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, o financista Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.

O efeito pedagógico da sentença penal condenatória foi diametralmente contrário ao que se esperava. A sensação que o julgamento imprimiu na alma do cidadão comum é de que o pecado prevaleceu sobre a virtude. Os presos naquela operação estão todos soltos. A autoridade policial que os prendeu é que vai para a cadeia.

Os danos colaterais dessa sentença vão se enraizar entre as fibras dos extratos mais desamparados da sociedade como exemplo de que os interesses individuais podem se sobrepor aos interesses públicos sem risco de punição.

O Marquês de Vauvenargues, no seu peculiar estilo aforístico conciso, dizia que a Justiça é mais ampla que o Direito, ao sustentar que a moral e a honra não são frutos do legislador divino, mas construídas pelo próprio homem. "Não podemos ser justos se não formos humanos", ensinava Luc de Clapiers de Vauvenargues.

Como garantidor da Justiça e do Direito, o STF não pode se mostrar indiferente aos desdobramentos que uma condenação dessa natureza produzirá nas dobras do tecido social. O impacto desse acórdão provocará diferentes leituras em uma população tão desprotegida como a nossa, onde o judiciário desfruta de uma representação quase religiosa.

No imaginário coletivo, a Justiça exerce o mesmo papel dos arcos botantes que sustentavam as grandes cúpulas das catedrais medievais. A higidez da sua estrutura transmitia aos fiéis a sensação de segurança, ordem e paz interior inerentes a esses espaços consagrados à reflexão e ao exercício da fé.

A ABI entende que o fórum adequado para o julgamento do deputado Protógenes Queiroz deveria ser o plenário do Supremo, como determina a Constituição. Ele jamais poderia ser sentenciado como foi por uma das duas turmas recentemente criadas com base em dispositivo regimental. Ao transferir do pleno para as câmaras a primazia de apreciar casos penais que envolvam parlamentares e ministros com direito a foro privilegiado, o STF ofendeu a Carta Magna e feriu o princípio da isonomia.

O Artigo 102 da Constituição Federal reza que todos os mandatos parlamentares "têm o mesmo valor representativo e merecem o mesmo tratamento ". Aristóteles afirmava que os iguais devem ser tratados igualmente e os desiguais de forma diferente. Ao estabelecer que só parlamentares que ocupam a presidência da Câmara e do Senado terão o privilégio de serem julgados, a partir de agora, somente pelo pleno, constituído pelos 11 membros, o STF mitigou o direito de defesa dos outros acusados.

Na tentativa de reparar o desequilíbrio causado pela mudança do regimento interno, que entrou em vigor a partir de junho, a presidência da Câmara Federal, após encontro com Vossa Excelência, ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo por entender que não se pode, com o estalar de dedos, alterar direitos assegurados pela Constituição.

A redução do número de julgadores de 11 para cinco permite que apenas três ministros, por maioria simples, possam julgar e condenar um parlamentar ( ou, quem sabe, absolvê-lo mais rapidamente, no futuro sombrio que se avizinha, sem o ônus da exposição pública, como ocorreu no episódio do Mensalão ). No plenário, como determinava o antigo regimento da Corte, os acusados só poderiam ser condenados ou absolvidos, em sessão aberta, com maioria de seis votos. As turmas do STF ao terem, a partir de agora, a primazia de apreciarem ações penais contra parlamentares, passarão a realizar julgamentos sumários entre quatro paredes.

A ABI não pretende se fixar nas singularidades que circunscrevem o julgamento do deputado Protógenes Queiroz, mas nos danos que sua condenação certamente provocará entre as gentes, ao ser interpretada como uma derrocada do bem pelo mal.

Na velha redação de Última Hora, no Rio de Janeiro, o veterano repórter Fausto Neto a quem a vida boêmia levara precocemente os cabelos e os dentes, costumava dizer, em alto e bom som, quando voltava da rua:

“Essa história de que o crime não compensa foram eles mesmo que inventaram para evitar a concorrência!".

Ao entrar na redação sempre com aspecto andrajoso, paletó amarrotado, surrado, gravata frouxa, camisa para fora da calça, os colegas silenciavam as ruidosas máquinas de escrever para ouvir com interesse "o seu pensamento do dia".

O STF tem a obrigação de convencer a opinião pública de que Fausto Neto não sabia o que dizia quando bebia além da conta. Não é difícil o Supremo provar que aquele velho repórter só falava bobagens abria o peito encharcado de emoção e cerveja.

O tempo, como a vida, tem a duração de um sopro, ensinava Oscar Niemeyer. Vossa Excelência dispõe não só do controle do tempo, o mais sábio dos conselheiros, como dos instrumentos capazes de fazer os ponteiros voltarem atrás. A Justiça, na verdade, nunca se atrasa. Nós é que não sabemos esperar.

Atenciosamente,

Domingos Meirelles
Presidente da ABI
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Enfim, 'calunista' do Globo critica tucanos

A oposição está deitando e rolando, desde a eleição, com o escândalo Petrobras. Políticos do PMDB e PT são citados em delações premiadas e depoimentos. Os tucanos batem sem dó, como se todos os citados fossem culpados. Estufam o peito ao defender que seu ex-presidente, o falecido Sérgio Guerra, seja devassado. Agora que Antonio Anastasia entrou na roda-viva, os tucanos reagem com indignação.

Pimenta nos olhos alheios é colírio

O presidente do PSDB mineiro, deputado Marcus Pestana, escreveu indignado sobre o caso. Seu desabafo: “Ele (Anastasia) está muito abalado, arrasado”; “Palavra de meliante não pode ser critério da verdade”; “Jornalismo investigativo tem que buscar provas e evidências”; “Não é justo um cara da integridade dele ser misturado com esse lodaçal de corrupção”; “Estamos indignados! Ele é símbolo de honradez. Querem misturar joio e trigo”; “O estrago na imagem dele está feito”; “Um ‘Jornal Nacional’ é o bastante para as pessoas passarem a olhar diferente para o sujeito”; e “Estão lhe roubando o único patrimônio”. Na política é assim: o que dá para rir, dá para chorar.

Ilimar Franco
No O Globo
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Os maiores terroristas do mundo

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Sérgio Porto # 101


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Essa é do Barão... 159


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“Jesus Cristo era gay!”


Suponha-se que eu fosse um cartunista e ao invés de usar essa frase ilustrasse este texto com uma caricatura de Jesus Cristo desmunhecando em trejeito típico de homossexual. Amanhã publicaria outro cartoom de Jesus Cristo travestido, rodando bolsa numa esquina de prostituição. E depois, Jesus Cristo num palco fazendo um show como drag queen? Aceitariam a justificativa do exercício de minha liberdade de expressão?

E se ao invés de Jesus, eu utilizasse a imagem de Moisés? Ou de Buda? Judeus e budistas compreenderiam como meu direito à liberdade de expressão?

Então vamos parar de hipocrisia tentando justificar a prepotência da iconoclastias contra os símbolos religiosos de outros povos. Toda liberdade compreende responsabilidade e a intolerância dos terroristas não é menor do que a dos chargistas ou daquele que chutou Nossa Senhora da Aparecida num programa da TV brasileira.

Qualquer censura é odiosa, mas quando voltada contra todo um segmento social se torna necessária independente do talento do qual por ventura os detratores sejam dotados, pois não há talento que onde se identifica fascismo e as consequências sempre serão imprevisíveis, servindo apenas para promover mais preconceitos e falta de civilidade como a demonstrada pelos assassinos de Wolinski, Cabu e Charbonier.

Nascido em Túnis, onde os pais judeus se refugiaram do nazismo invasor da Polônia, Wolinski colaborou com a publicação comunista L’Humanité entre outros importantes publicações da esquerda francesa. Convocado pelo exército para servir na Guerra da Argélia, Cabu se tornou um antimilitarista de esquerda. Stéphane Charbonier se tornou famoso como Charlie Hebdo por seu trabalho na revista que substituiu a famosa Hara Kiri  criada em 1960 por George Bernier e François Cavanna. Todos, através de seus desenhos, durante mais de 5 décadas ironizaram a cultura, os costumes e a hipocrisia do moralismo da direita francesa e internacional.

Pois o estúpido assassinato desses humoristas está sendo utilizado para os péssimos propósitos da direita. Ontem, dia 08 de janeiro, Marine Le Pen, líder da FN (Frente Nacional), partido de extrema direita, em declaração a emissora France 2 anunciou a intenção de requerer um referendo popular para a instauração da pena de morte no país.

E aqui no Brasil, um de nossos mais famosos cartunistas que nos anos 70 postava-se à esquerda, hoje, financiado pelo governo tucano de São Paulo, se requereu vítima da mesma intolerância por aqueles que apoiam ao governo federal, como se o militante assassinado em Curitiba estivesse promovendo a candidatura de Aécio Neves e seus executores fossem eleitores da Dilma e não exatamente o inverso.

É a mesma inversão de realidades do alegado antissemitismo reiteradamente empregado por judeus sem qualquer ascendência semita, a cada vez que se os critica pelos massacres a palestinos, povo integralmente semítico.

Ou seja, a ação de fundamentalistas intolerantes só é útil aos intolerantes e oportunistas do outro lado. E há muito os sionistas comprovaram isso promovendo atos terroristas tanto para inculpar oponentes aos seus objetivos quanto para acirrar o ódio no próprio povo que por milênios conviveu pacificamente com seus primos semitas árabes.

E tome ignorantes de história a acreditar em contendas milenares que nunca existiram além de escaramuças comuns a todos os povos tribais do mundo, como havia entre tupis e guaranis ou entre os visigodos de Espanha que recorreram à aliança do Califa de Marrocos para combater Roderick, o rei visigodo de Toledo.

O que a história registra como Invasão Moura em verdade resultou de um pedido de aliança de um bispo católico que foi atendido para a proteção dos “povos dos Livros Sagrados” (Torá, Bíblia e Alcorão), conforme os mandamentos de Maomé. Tanto que vencendo Roderick em batalha campal, o exército mouro do General Tárique adentrou os muros de Toledo através dos portões da cidade abertos por judeus que o receberam como salvador. E daí se deu início a 8 séculos de desenvolvimento cultural que resultou no que hoje se conhece como civilização ocidental, enquanto o restante do continente era soterrado pelas trevas das intolerâncias da Igreja Católica. Se algo restou das bases gregas de nossa civilização, foi o que se resguardou nas enormes bibliotecas de Córdoba e outras cidades da Ibéria Moura, pois no restante do continente apenas se permitia algo de Platão e Aristóteles e mais nada além daquilo em que Agostinho e Thomaz de Aquino se basearam para construir os cânones da Igreja.

Congraçando três culturas: judaica, cristã e islâmica; em Espanha é que realmente se deu as bases precursoras do Renascentismo que em Florença fez surgir à cultura ocidental e isso ainda hoje se pode notar em uma das ruas de Toledo onde daquela época permanecem, lado a lado, uma igreja católica, uma mesquita e uma sinagoga.

Só depois de conseguir expulsar os mouros da Ibéria é que a Igreja Católica insuflou o ódio aos judeus, culminando com o Progrom de Lisboa de 1506 quando por três dias de páscoa se lavou as ruas da cidade com o sangue de milhares de judeus, compulsoriamente convertidos ao cristianismo ou não.

Segundo Damião de Góis, Alexandre Herculano e outros historiadores portugueses, o massacre, um dos mais hediondos da história da humanidade, foi instigado pela irresponsabilidade de alguns freis dominicanos que culparam os judeus pela seca e a peste que atingiu a cidade após o abandono dos sistemas e costumes higiênicos dos mouros.

Não sei se alguma vez os chargistas da Charlie Hebdo satirizaram Jeová ou Ariel Sharon pelos permanentes massacres cometidos contra palestinos. Identificados como militantes de esquerda, muito provável que sim, mas exatamente por essa biografia é que deveriam saber distinguir entre a irreverência inerente aos humoristas e a iconoclastia irresponsável contra símbolos sagrados aos povos do mundo.

Pode ser produtivo se discutir e estimular reflexões sobre os tantos malefícios à humanidade já provocados pelo monoteísmo.  Por nada se matou tanto no mundo quanto por Deus, God, Dieu, Jeová ou Alá; mas o que se poderá obter de um muçulmano, cristão ou judeu desrespeitando esse símbolo comum a todos?

Não foi por irresponsabilidade nem iconoclastia inconsequente que Nietzsche anunciou a morte de Deus. A pressentira como resultado da histórica intolerância das igrejas cristãs e é o que se registra nas civilizações europeias onde o ateísmo é o que mais evolui há cada geração, inclusive na Irlanda onde ainda há pouco se via adultos protestantes covardemente aterrorizando crianças católicas a caminho da escola. Crianças que depois de crescidas ingressavam no IRA – Exército Republicano Irlandês, para fazer explodir seus patrícios que apoiavam o anglicanismo do Império Britânico, mas tudo em nome de Deus de cristãos católicos ou protestantes.

A despeito do talento, a inconsequência dos chargistas da Charlie Hebdo — hebdo de hebdomadário ou semanário e Charlie em homenagem ao Charlie Brown, personagem das tiras Peanuts do estadunidense Charles Schulz — e a estupidez de seus execráveis assassinos apenas alimentam mais intolerância e desumanidade.

Muito mais contribuiriam se mirassem suas sátiras e armas nos príncipes saudistas, aliados de sionistas e especuladores internacionais do petróleo, verdadeiros promotores da intolerância e do terrorismo internacional e realmente beneficiados por este atentado que mais uma vez promove a histeria e o medo como tanto interessa a direita.

E não adianta citar exemplos da extensão da irreverência aos políticos de direita ou ao Papa. O Papa é a Igreja, não Jesus Cristo. Esse ou aquele imã, não é Maomé. Esse ou aquele rabino não é Moisés.

E se a piada fosse Moisés cobrando dízimos em forma de bilhete de passagem para judeus atravessarem o Mar Vermelho, gritando ao final da fila “— Quem não pagar vai ter de esperar o exército do Faraó e se não conseguir chegar do outro lado não tenho culpa. É Deus quem está com pressa!”?

Fazer piada é fácil. Difícil é fazer todos rirem e Jung há muito tempo ensinou e demonstrou a importância do significado dos símbolos sagrados ao homem. E ainda foi Nietzsche quem disse não ser a religião o que nos repugna, mas, sim a língua bigume das igrejas.

As igrejas que desorientaram os chargistas sobre suas responsabilidades humanas e as igrejas que desorientaram os terroristas sobre suas próprias humanidades.

Raul Longo
No Desacato
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