9 de jan de 2015

Médico é condenado a quase 30 anos de prisão por cobrar por partos no RS


Profissional cobrava por procedimentos feitos pelo SUS em hospital público.

Pelo menos nove gestantes foram lesadas em Santa Bárbara do Sul.

A Justiça condenou a 27 anos e dois meses de reclusão em regime inicial fechado o médico acusado de cobrar de gestantes para realizar partos pelo SUS no Hospital de Santa Bárbara do Sul, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Luis Carlos Michell poderá recorrer em liberdade.

Segundo o Tribunal de Justiça (TJ-RS), o médico também perdeu o cargo público no hospital municipal e foi condenado ao pagamento de reparação pelas cobranças indevidas às pacientes.

Os casos ocorreram entre 2009 e 2010. Nesse período, o médico teria lesado nove gestantes, segundo a Justiça. Cerca de 25 pessoas foram ouvidas ao longo do processo e todas confirmaram que o réu exigia honorários para a realização de procedimentos.

“O réu aproveitou-se da situação de vulnerabilidade em que se encontravam as vítimas, prestes a darem a luz aos seus filhos, para cobrar os valores indevidos (...). Além disso, demonstrou total desprezo com os seus semelhantes, chegando a afirmar que ‘pobre’ não teria o direito de ter filhos e não se comovendo com o sofrimento físico das vítimas”, escreveu a juíza Marilene Parizotto Campagna na sentença.

Uma das vítimas do médico, segundo a Justiça, “ficou três dias tomando soro, sem beber e sem comer, para forçar um parto normal, pois a cesárea somente seria realizada se efetuasse o pagamento da quantia exigida pelo acusado”.

A defesa do médico alegou que depois de 23 anos de atuação profissional e mais de dois mil partos poderia ocorrer confusão com os pacientes de planos particulares e sistema universal. Disse ainda que não existiam provas contra o médico e alegou perseguição política.
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O Nazismo entre nós

http://www.maurosantayana.com/2015/01/o-nazismo-entre-nos.html


Nos últimos tempos fez fama na internet a imagem de uma suástica no fundo de uma piscina, no quintal de uma casa de Pomerode.

Seu proprietário foi identificado, posteriormente, como o professor Wandercy Pugliese, que dá aulas em “cursinhos” na região, e já teve vasta coleção de objetos de inspiração nazista apreendidos pela polícia em sua casa, na década de 1990.

Agora, surge a informação de que um Comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro, foi exonerado de seu cargo pelo Secretário de Segurança José Beltrame, por trocar mensagens de cunho nazista com outros oficiais e subordinados pelo WhatsApp e defender, jocosamente, o assassinato de manifestantes.

Resgatando o Sigma, símbolo do Integralismo, existe uma página, no Facebook, do "Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Brasileiros", tradução literal do "Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei," o Partido Nazista alemão de Adolf Hitler.

O mesmo Sigma pode ser encontrado em sites integralistas, como o do Movimento Integralista e Linearista Brasileiro, ou da SENE - Sociedade de Estudos do Nacionalismo Espiritualista, e no peito do Galo Tupã, "mascote" da doutrina, pisando o verme “comunista-liberal" que ameaça o Brasil.

Filhote do fascismo, e semelhante ao nazismo, a Ação Integralista Brasileira, chefiada por Plínio Salgado, a exemplo das doutrinas que a inspiraram, não se dizia, malandramente, nem como de "direita", nem de "esquerda".

Com “Deus, Pátria, Família”, como slogan, ela chegou a contar com dezenas de milhares de simpatizantes no Brasil, até uma frustrada tentativa de golpe contra Getúlio Vargas, em 10 de maio de 1938, quando foi proibida e colocada na clandestinidade.

Hoje, os integralistas tentam reviver, a partir da internet, por meio da FIB - Frente Integralista Brasileira, que organiza congressos e palestras, e também de outros grupos, sites e fóruns como os que já citamos antes.

O nazismo tupiniquim, tão ridículo quanto absurdo, quando defendido e praticado em uma das nações mais miscigenadas e universais do mundo, está presente também nos bandos de skinheads que agridem verbal e fisicamente, judeus, nordestinos, negros e homossexuais, principalmente em São Paulo e na Região Sul do país.

Em tempos de ressurreição do discurso anticomunista, que insiste em colocar comunismo e nazismo no mesmo saco, embora o primeiro nunca tenha construído câmaras de gás e fornos crematórios, ou perseguido alguém por critérios raciais, e tenha combatido e derrotado implacavelmente o segundo, da memorável Batalha de Stalingrado, até o suicídio de Hitler em seu bunker, para não ser capturado e julgado pelos soviéticos, em 1945, nunca é demais lembrar que o nazismo deve ser combatido sempre que apontar a cabeça para fora do esgoto da História.

Mesmo quando apenas simbólicos, os ovos da serpente devem ser esmagados ainda no ninho, para que não possam germinar nem eclodir.
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O que incomoda os EUA — os Brics em ação

Rusia y Brasil preparan un 'megaproyecto' de cooperación en la industria espacial y militar


Rusia está negociando con Brasil una activa cooperación en los sectores de alta tecnología, industria militar y mercado espacial, que se traducirá en un amplio acuerdo en 2015.

Además de la industria espacial, la gama de propuestas rusas formuladas por el viceprimer ministro ruso, a cargo de la Industria de Defensa, Dmitry Rogozin, incluye los sectores de la construcción naval y el aeronáutico, informa TASS.

En la capital brasileña se celebró una reunión entre Rogozin y el vicepresidente de Brasil, Michel Temer, quien a su vez es el copresidente de la Comisión Bilateral para la Cooperación con Rusia.

"Brasil es un país desarrollado en términos de tecnología. Por ejemplo, la empresa Embraer produce aviones modernos de diversas clases y compite exitosamente con líderes mundiales — incluyendo a rusos — del sector aeronáutico," dijo Rogozin al comentar los resultados de su encuentro.

El funcionario ruso, encargado de la industria militar, destacó que Brasil tiene un gran interés en aquellas "tecnologías rusas cuyas posiciones en el mundo son muy fuertes". "Está claro que [Brasil] no quiere comprar productos acabados, terminados, pero le gustaría participar en el desarrollo y la localización de estos productos en su territorio", señaló.

Como ejemplo, el funcionario citó la cooperación en el sector espacial. "En el territorio de Brasil se desarrolla la infraestructura GLONASS, y la dirección brasileña nos ha apoyado para sacar adelante este sistema [de posicionamiento global]", resaltó.

Otro factor importante es "la posibilidad de participación en proyectos como la creación de un centro de mantenimiento y reparación de helicópteros rusos".

Según Rogozin, "helicópteros como el Mi-28 y el Mi-35 se han convertido en Brasil en tarjetas de visita de la industria aeronáutica rusa".

De acuerdo con el funcionario, en vísperas de la visita de la presidenta brasileña Dilma Rousseff a Rusia, prevista para el este año, sería acordado y firmado un nuevo acuerdo de cooperación en las industrias espacial, nuclear, aeronáutica, la construcción naval y la electrónica".

No RT



China vai investir 250 bilhões de dólares na América Latina nos próximos dez anos




Novo míssil russo-indiano BrahMos excede expetativas


Os mísseis de cruzeiro existentes, como, por exemplo, os Tomahawk norte-americanos, são subsónicos, podendo ser detetáveis através de satélites. O BrahMos é supersónico, o que põe em causa qualquer sistema de proteção. Uma vez lançado tal míssil, só resta ao adversário uma coisa — fugir do campo de batalha.

Se trata de uma arma sem análogos no mundo com boas perspetivas, disse em entrevista à Voz da Rússia, Sudhir Mishra, diretor da empresa mista russo-indiana Brahmos Aerospace, nomeado para o cargo em 1 de agosto. Ele se referiu ainda aos planos de desenvolvimento da empresa e à criação conjunta de novos tipos de armas.

— Quais as prioridades do seu trabalho no novo posto de dirigente máximo da Brahmos Aerospace?

— A principal meta é concluir os testes do míssil BrahMos. Além disso, temos contado com muitas encomendas feitas por entidades militares, cabendo-me ainda atualizar programas de produção de mísseis na Índia e na Rússia. E, com efeito, assegurar o fornecimento atempado de mísseis para as unidades militares. Espero que, nesse ponto, consigamos ultrapassar até os prazos marcados.

— Em que consiste a exclusividade do BrahMos?

— O sistema é realmente único no género. Primeiro, é um míssil supersónico com um raio de ação igual a 300 km. Ele pode aniquilar alvos também no território de potencial adversário. Os mísseis existentes hoje, como os Tomahawk dos EUA, são subsónicos, abrangidos pela ação de satélites. A maior vantagem do BrahMos é que estes mísseis são supersónicos, privando assim adversário de uma defesa eficiente. A única coisa que lhe resta fazer, nesse caso, é fugir a sete pés. Mas receio que para tal não tenha tempo suficiente. Por isso, esta arma sem análogos abre perspetivas aliciantes.

— Quer dizer que nem os EUA, nem a China ou Israel não possuem mísseis como esse?

— Não, não possuem. Em outros países tais mísseis estão em fase de elaboração. Creio que quando ali forem criados engenhos análogos, nós entraremos numa etapa de projeções mais avançada.

— Existem planos de exportar o míssil para os outros países, por exemplo, para a América Latina ou a Ásia?

— As questões da exportação de armamentos são reguladas por um acordo intergovernamental russo-indiano. Será possível exportá-los apenas para os países amigáveis do ponto de vista da Rússia e da Índia. Muitos países têm revelado interesse em relação aos nossos mísseis. Mas compete ao governo russo e ao indiano identificar as áreas de exportação.

— Dizem que no âmbito da próxima visita de Vladimir Putin à Índia será celebrado um acordo prevendo a criação de uma nova modificação do BrahMos mini.

— Ainda não foram definidos os requisitos técnicos para tal tipo de míssil. As respetivas pesquisas se realizam tanto pela empresa russa Mashinostroenie, como pela Organização de Investigações de Defesa da Índia. Procuramos processar e generalizar os resultados destas pesquisas. Mas o projeto tem despertado um interesse enorme. Por outro lado, não posso garantir que o documento seja assinado em novembro. Estamos convencidos de que quanto mais cedo for fechado tal convénio, tanto melhor. Fazemos os possíveis para que seja assim.

— Que tipo de míssil é o BrahMos mini?

— O novo míssil será mais pequeno, com um diâmetro menor. Queremos que seja versátil, ou seja, que se possa lançar a partir de rampas diversas — terrestres, aéreas, marítimas e subaquáticas. Claro que terá uma maior precisão, podendo ser usado contra vários alvos, possuindo características mais avançadas.

— A imprensa dá conta de projetos de mísseis de nova geração, hipersónicos.

— Hoje, o BrahMos é a melhor empresa de produção de mísseis do mundo. É evidente que estamos trabalhando sobre mísseis de cruzeiro de nova geração. A tecnologia hipersónica tem boas perspetivas, sendo estudada pelo Instituto de Aviação, com a sede em Moscou, pelo Instituto Cientifico indiano de Bangalore e por muitos outros centros científicos e laboratórios dos dois países. Procuramos juntar os esforços nessa aérea importante e complexa, podendo os primeiros resultados vir a surgir daqui a 5 anos.

— A empresa tem concorrentes nos EUA ou na China?

— A informação sobre tais pesquisas é secreta e eu não posso dar palpites. Mas nós gostaríamos de manter a liderança nesse domínio e vamos, de qualquer modo, atingi-lo. Os nossos parceiros russos e indianos estão convencidos disso também.

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Venderam o caos e quem paga são os jornalistas

Ilustração Sátiro-Hupper


No Rio, o jornal O Globo, dos irmãos Marinho, demite 100 profissionais; em São Paulo, a Abril, da família Civita, fecha revistas e entrega metade dos andares que ocupa; em Minas, o Estado de Minas, onde o diretor Zeca Teixeira da Costa fez campanha explícita por Aécio Neves, corta cabeças e coloca a própria sede à venda; meios de comunicação tanto fizeram para contaminar as expectativas empresariais, com o discurso de que o Brasil rumava para o abismo, que foram os primeiros a cortar na carne; venderam o fim do Brasil e estão morrendo antes dele

A semana que termina nesta sexta-feira escancarou a crise dos meios de comunicação brasileiros. Primeiro, foi a Abril, em São Paulo, quem entregou metade dos andares que ocupa e viu o busto do fundador Victor Civita ser removido (leia aqui). Em seguida, o Estado de Minas demitiu 11 profissionais experientes e foi repreendido pelo sindicato dos jornalistas por ter misturado jornalismo e política, de forma tão explícita (leia aqui). Agora, é o Globo que corta 100 profissionais, dos quais 30 na redação (leia aqui).

Há um ponto em comum entre esses três grupos editoriais. Todos, no último ano, adotaram o discurso de que o Brasil rumava para o caos. Engajados na campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência da República, o que foi feito de forma explícita por Zeca Teixeira da Costa, diretor do Estado de Minas, esses veículos venderam a ideia de que a economia brasileira, mesmo com pleno emprego e inflação na meta (ainda que no topo), mais cedo ou mais tarde afundaria.

Tal discurso contaminou as expectativas empresariais, reduzindo investimentos. E os primeiros a sofrer foram os grupos de comunicação. Os patrões venderam o caos, mas os jornalistas e profissionais de outras áreas é que pagam o pato.

Leia, abaixo, notícia do Comunique-se sobre o Globo:
O jornal O Globo realizou mais de uma centena de demissões nesta quinta-feira, 8. Conforme informações extraoficiais repassadas à reportagem do Comunique-se, ao todo, o veículo de comunicação dispensou cerca de 160 profissionais, atingindo vários departamentos da empresa, como administrativo e comercial. Na redação, os cortes alcançaram aproximadamente 30 pessoas, entre repórteres e diagramadores.

Na lista de jornalistas que se despediram do dia a dia do impresso mantido pela Infoglobo estão profissionais premiados e com longo tempo de casa, caso da editora-assistente de ‘Rio’, Angelina Nunes, que estava na empresa de comunicação desde 1991. Ela usou o perfil que mantém no Facebook para confirmar a sua saída. “A partir de hoje não estou mais no Globo. Vou concluir o mestrado e me preparar para quando o Carnaval chegar”, publicou. Durante os 23 anos de trabalhos dedicados ao Globo, somou conquistas como Prêmio Esso, Prêmio Embratel e Prêmio Vladimir Herzog.

Integrante da galeria ‘Mestres do Jornalismo’ do Prêmio Comunique-se desde 2013, o colunista de cultura Artur Xexéo também foi dispensado pela direção do jornal. No Globo desde 2000, o articulista parece ter pressentido que iria deixar de colaborar com a publicação. No blog que leva o nome do jornalista, o último texto (publicado no domingo, 4) recebeu o título de “Despedidas”. No artigo, ressalta-se que a despedida era de 2014, mas o autor chega a citar a sua situação profissional em determinado trecho. “Se o assunto não for minha aposentadoria, o leitor sempre pode imaginar que fui demitido. Que demoraram 22 anos, mas, enfim, descobriram que sou uma farsa”, escreveu Xexéo.
Leia, abaixo, notícia do Portal Imprensa sobre a Abril:
Após cortes de gastos e reestruturações em seus produtos editoriais, a editora Abril tem esvaziado andares de sua sede em São Paulo (SP). Uma parte do prédio teria sido entregue a um fundo investidor do Banco do Brasil, dono do imóvel.

O principal motivo para as mudanças teria sido a diminuição de operações na editora desde 2013 - envolvendo desde a transferência de dez publicações para a Editora Caras até o fim da versão impressa da revista Info. Em 2014, a editoria já havia divido parte de suas atividades com o prédio localizado na Marginal Tietê, que pertence à Abril e não é alugado.

Imprensa teve acesso ao comunicado interno divulgado pela empresa, que explica aos funcionários os detalhes das mudanças. Nele, a editora diz que decidiu não renovar o contrato de locação do primeiros andares da chamada Torre Alta. Assim, as atividades da Abril ficarão concentradas do 13º ao 26º andar do prédio, além do 8º piso.

Com a reorganização do espaço comum do condomínio, o busto de Victor Civita, fundador da Abril, que ficava na recepção, foi transferido para o mezanino do prédio. O terraço e o auditório seguem sendo de uso exclusivo da editora. O corte de custos seria uma estratégia natural do grupo e não indicaria uma suposta "crise financeira". Com redações cada vez menores, a empresa decidiu "compactar" suas instalações.

Procurada, a Abril ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.
Leia, abaixo, notícia do Portal Imprensa sobre o Estado de Minas:
O jornal O Estado de Minas, um dos principais veículos de comunicação de Minas Gerais, promoveu nesta quarta-feira (7/1) um corte em seu quadro de funcionários. De acordo com o sindicato dos jornalistas do Estado, 11 jornalistas foram demitidos.

Segundo a entidade, os profissionais desligados tinham grande experiência profissional, sendo que alguns trabalhavam no jornal há décadas. Os cortes atingiram cinco editoriais, que perderam repórteres, editores, fotógrafos e um ilustrador. Uma secretária também foi demitida.

Em nota, o sindicato solidarizou-se com os demitidos e suas famílias e manifestou grande preocupação com os cortes, que "enfraquecem" o jornalismo mineiro."A preocupação do Sindicato não se limita à perda do emprego desses jornalistas e fechamento de postos de trabalho, mas também pelas circunstâncias recentes que cercam a decisão da empresa. No final de 2014, num ato que teve grande repercussão, o mesmo jornal dispensou o então editor de Cultura João Paulo Cunha, que se recusou a ter seus artigos censurados".

A entidade diz entender que o fortalecimento da profissão e da liberdade de imprensa passa pela produção de um jornalismo vigoroso, informativo e democrático, masa, ainda de acordo com ela, o jornal tem realizado "exatamente o oposto". "A renovação urgente do jornalismo mineiro não pode prescindir de profissionais experientes como estes que acabam de ser dispensados. O Sindicato informa ainda aos dispensados que transmitirá orientações jurídicas a serem tomadas e em relação ao plano de saúde, que também foi motivo de litígio recente dos jornalistas com a empresa".

À Imprensa, Kerison Lopes, presidente do sindicato, afirma que as demissões ocorrem em decorrência da crise financeira enfrentada pela publicação, que vai além dos problemas enfrentados pelos veículos impressos em todo o mundo.

"O jornal passa por uma crise financeira, e uma crise de gestão e credibilidade. Nos últimos tempos, O Estado de Minas adotou uma linha editorial atrelada a um grupo político e acabou perdendo assinantes e, consequenemente, diminuindo sua venda em bancas", disse ele.

Procurado por Imprensa, o jornal não retornou as ligações para comentar os cortes.

No 247
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Palestina ingresará a la Corte Penal Internacional en abril

La ONU confirmó el ingreso de la nación a la Corte
El secretario general de la ONU, Ban Ki-moon, confirmó la entrada del Estado como miembro pleno, lo que permitirá al pueblo denunciar los crímenes cometidos por Israel y la ocupación arbitraria de sus territorios.

A partir del 1 de abril Palestina se convertirá en un miembro pleno de la Corte Penal Internacional, lo que permitirá al pueblo denunciar a Israel por los numerosos crímenes, asedios y violaciones de sus derechos.

La Organización de Naciones Unidas (ONU), confirmó el ingreso del Estado palestino este miércoles, mediante un comunicado firmado por el secretario general del organismo, Ban Ki-moon.

El presidente de Palestina, Mahmud Abbás, firmó la semana pasada los documentos formales para ser miembro de la CPI. Este hecho generó la furia de Israel, que decidió congelar los pagos de impuestos recaudados por Palestina, en violación del Protocolo de París de 1994.

En diciembre, el Estado palestino fue acogido por la CPI como observador, lo que le permite participar en las reuniones del la Corte. Sin embargo, El Consejo de Seguridad de la ONU rechazó el proyecto de resolución de fijaba un plazo de tres años para la creación del Estado palestino en localidades ocupadas ilegalmente por Israel.

Nueve de los 15 miembros del Consejo, entre ellos, Estados Unidos, votaron en contra de la resolución palestina. Este país cuenta, además, con el derecho a veto en el organismo.

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Washington se opone rotundamente al ingreso de Palestina a la Corte Penal Internacional

El gobierno de Estados Unidos arremetió hoy contra la decisión de Naciones Unidas de permitir el ingreso de Palestina a la Corte Penal Internacional y aseguró que ese pueblo árabe no es Estado soberano, por tanto, no cumple las condiciones para adherirse al Estatuto de Roma que sirve de base a esa institución judicial internacional.

La portavoz del Departamento de Estado, Jen Psaki, reaccionó así a la confirmación de la ONU de que ha registrado la documentación presentada por la Autoridad Nacional Palestina (ANP) con la que se acoge al Estatuto de Roma, por lo que su adhesión a ese instrumento jurídico entrará en vigor el 1 de abril próximo.

“Estados Unidos no cree que el estado de Palestina pueda ser calificado como estado soberano y no lo reconoce como tal, y no cree que cumpla los requisitos para acceder al Estatuto de Roma”, afirmó Psaki en su conferencia de prensa diaria.

El Gobierno de EE.UU. ha expresado su rotunda oposición a la decisión del presidente de la Autoridad Nacional Palestina, Mahmud Abás, de pedir la adhesión de Palestina al Estatuto de Roma que regula la actividad de la CPI, tras fracasar una petición al Consejo de Seguridad de la ONU para obligar a Israel a poner fin a la ocupación en 2017.

Esa adhesión puede abrir el camino a la presentación por los palestinos de incontables denuncias contra gobernantes y altos mandos israelíes por violación de derechos humanos y crímenes de guerra en los territorios palestinos ocupados.

Un influyente senador republicano de EE.UU., Rand Paul, presentó hoy un proyecto de ley que pide cortar toda la ayuda estadounidense a la ANP hasta que el liderazgo palestino retire su solicitud de adherirse a la CPI.

“Actualmente enviamos casi 400 millones de dólares de los contribuyentes de EE.UU. a la Autoridad Palestina. Y ciertamente, los grupos que amenazan a Israel no pueden ser aliados de Estados Unidos”, dijo Paul en un comunicado.

Preguntada al respecto, Psaki no precisó si el Gobierno de Barack Obama estaría dispuesto a respaldar esa ley en caso de que sea aprobada.

No teleSUR e CubaDebate
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O Globo demite. Cadê os "calunistas"?

Em mais uma prova de que a mídia impressa está agonizando, o jornal O Globo efetuou nesta quinta-feira (8) um drástico corte em sua redação. Ainda não há dados oficiais e o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro sequer foi comunicado previamente sobre o facão. Fala-se de 18 a 30 funcionários sumariamente dispensados, entre repórteres, editores e colunistas. Segundo o Portal Imprensa, "entre os demitidos estão Fernanda Escóssia, ex-editora de 'País'; os colunistas Jorge Luiz ('Esporte'), Artur Xexéo ('Cultura') e Agostinho Vieira ('Meio Ambiente'); e a ex-editora de 'Rio', Angelina Nunes". A lista macabra também incluiria as repórteres Carla Alencastro, Isabela Bastos, Laura Antunes e Paula Autran, além dos diagramadores Claudio Rocha e Télio Navega. 

Diante desta truculência, o sindicato da categoria divulgou uma nota enérgica, que reproduzo abaixo: 

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Nota do Sindicato em repúdio às demissões em série na Infoglobo

Otimização, revisão de processos, reestruturação. Eufemismos corporativos foram usados pela Infoglobo para justificar demissões em série de jornalistas de ‘O Globo’ nesta quinta-feira (08/01). Os cortes na redação causaram profunda indignação e comoção em toda a categoria dos jornalistas profissionais do Rio por enviar o claro recado de que trabalhadores são materiais descartáveis aos olhos de empresários ávidos por mais lucro. As demissões atingiram desde repórteres com pouco tempo de casa até ‘medalhões’ da imprensa carioca, como colunistas e jornalistas premiados. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudia as demissões promovidas pela Infoglobo e coloca-se a disposição de todos os jornalistas dispensados.

Ao Sindicato, a empresa negou que esteja em crise e tratou as demissões como uma ‘medida de otimização após a revisão de dos processos da empresa’. Essa revisão, ainda segundo a Infoglobo, ‘constatou que haviam diferentes unidades produzindo o mesmo tipo de trabalho’ e a necessidade de ‘um modelo de convergência’. A explicação, fria, vaga e tecnicista, só demonstra o lamentável descaso da Infoglobo com profissionais que dedicaram anos de sua vida ao sustento e ao crescimento do jornal. Indignada, a nossa diretoria cobrará mais explicações da empresa em reunião marcada para o início da semana que vem.

Além da frieza cruel ao tratar da dispensa de profissionais com lastro no jornalismo, a Infoglobo ainda promoveu um verdadeiro clima de terror em suas redações ao não comunicar os demais trabalhadores sobre os cortes — que também atingem outras áreas da empresa. O nosso setor jurídico analisa possíveis irregularidades cometidas pela empresa durante as demissões. O Sindicato fará ainda a fiscalização cerrada sobre as homologações para que nenhum direito deixe de ser compensado a esses jornalistas. Hoje é um dia triste para o jornalismo brasileiro.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro


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Como aponta a nota, o clima no jornal da famiglia Marinho é de terror. Além das demissões, O Globo tem burlado os direitos trabalhistas. No final do ano passado, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro já havia acionado o Ministério do Trabalho para fiscalizar o jornal. "O objetivo é a apuração e responsabilização da empresa diante de irregularidades em sua relação com os jornalistas. A decisão da diretoria de entrar com a fiscalização se deu após longa e exaustiva tentativa de diálogo no sentido de cobrar a adequação às leis trabalhistas. Houve uma série de reuniões com a empresa e quatro mesas redondas mediadas pelo Ministério do Trabalho ao longo de 2014", explica a entidade sindical.

Ainda de acordo com o sindicato, "os funcionários reclamavam das jornadas estendidas sem a folga obrigatória, da cobrança de horas extras negativas referentes aos sábados não trabalhados, do desrespeito à hora do almoço, entre outros problemas". Já havia boatos de demissões, mas a direção do império global preferiu aguardar a conclusão da campanha eleitoral e o período das festas do final do ano — quando a resistência sindical se torna mais difícil. Agora, as dispensas se confirmam e ainda há o temor de novas demissões. 

Será que os famosos "calunistas" de O Globo, que adoram opinar sobre tudo e sobre todos, irão se pronunciar sobre estas demissões arbitrárias? Merval Pereira, Ricardo Noblat, Miriam Leitão e outros "urubólogos" de plantão irão manifestar a sua indignação e prestarão solidariedade aos demitidos? Ou eles são daqueles que tratam os patrões como companheiros — como sempre ironiza Mino Carta — e não têm qualquer compromisso com os seus colegas de profissão? A conferir!

Altamiro Borges
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Custeio de cirurgia pelo SUS exige comprovação de necessidade e falta de alternativas

Lewandowski suspendeu decisão que havia obrigado município de Maceió a custear cirurgia de R$ 41 mil.

Necessidade de realização e ausência de alternativas devem ser demonstradas para que o SUS custeie a cirurgia de um paciente. Entendimento foi adotado pelo ministro Lewandowski, ao suspender acórdão do TJ/AL que havia obrigado o município de Maceió/AL a custear procedimento médico conhecido como artroscopia, no valor de R$ 41 mil.

Decisão atende pedido do município para estender os efeitos da decisão proferida anteriormente pela Corte na STA 748. O ente municipal argumentou que, semelhante ao caso original, não houve a demonstração de necessidade de realização de uma cirurgia de artroscopia de ombro em detrimento de outros tratamentos fornecidos pelo sistema público.

No primeiro caso, foi determinada a suspensão de ordem judicial que determinava a realização pelo município de Maceió de um procedimento de estimulação magnética trascraniana em um outro paciente, ao custo de R$ 68 mil. Segundo o entendimento da presidência do Supremo à época, as provas não confirmaram o caráter urgente do procedimento nem evidenciaram a busca prévia por alternativas oferecidas pelo SUS.

Ao analisar o pedido de extensão, o ministro Lewandowski considerou que o tema em debate na decisão original da STA 748 é análogo ao veiculado no pedido atual do município e que a decisão da Justiça local representa uma ameaça de grave lesão à ordem e à economia públicas.

"Os princípios da economicidade e da eficiência justificam o acolhimento do pleito ora formulado pelo município de Maceió", afirmou Lewandowski, deferindo a extensão para suspender os efeitos de decisão proferida pelo TJ/AL, que havia mantido o bloqueio de R$ 41.396,59 determinado pelo juízo da 14ª vara Cível de Maceió para garantir a realização da cirurgia.

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Sobre mídia, preconceito e suas consequências


Não demorou muito para a grande mídia conservadora brasileira começar a tentar transformar o trágico atentado contra o jornal Charlie Hebdo, em um atentado contra a “liberdade de expressão”.

Por liberdade de expressão na nossa mídia hegemônica entenda-se: o direito de acusar sem ter provas, simular imparcialidade para defender seus próprios interesses e difundir padrões de comportamentos e preconceitos.

A morte de 12 pessoas na redação da publicação francesa, incluindo renomados cartunistas, deve ser condenada. Fato. Qualquer rejeição ao diálogo como forma de resolver diferenças não deve ser apoiada. A maioria absoluta dos muçulmanos ao redor do planeta provavelmente rejeita esse tipo de ação.

Mas horas depois do atentado nos deparamos nas redes sociais com uma onda de hashtags e desenhos com a frase “Je suis Charlie”. Aparte toda comoção que mortes tão desnecessárias quanto essas possam causar, devemos lembrar que a revista reforçava sim preconceitos e estereótipos contra uma das minorias locais, os muçulmanos. Nossa mídia local, que produz “humoristas” como Danilo Gentili e coisas do gênero, que também fazem “piadas” utilizando nossas minorias, saiu imediatamente em defesa da sua versão de liberdade de expressão, justamente aquela que citamos no segundo parágrafo.

Exemplo do mau gosto e da agressividade
 das publicações da revista francesa
As charges da publicação francesa eram de extremo mau gosto. Os muçulmanos na França, em sua maioria provenientes de ex-colônias daquele país, são um grupo visto com muito preconceito e ingressam no mercado de trabalho cumprindo funções que o “francês puro”, adaptado ao “estilo de vida francês”, expressão utilizada pela presidenta da Frente Nacional, a extrema direita local, não aceita exercer.

O panfleto da nossa direita nativa, a revista Veja, através de um de seus colunistas chega ao disparate de comparar a manifestação organizada pela União da Juventude Socialista, realizada dois dias antes das eleições presidenciais, e que se valeu de papéis picados e palavras de ordem, para demonstrar indignação com a tentativa do semanário de influenciar diretamente o resultado das urnas, com os ataques armados acontecidos essa semana na França. Ora, mas ele não está indignado justamente por um ataque contra — o que é ao seu ver — a liberdade de expressão? Então porque a manifestação pacífica da UJS é comparada justamente com um ato que representa a completa falta de diálogo?

Nossa mídia, como sabemos, tem dois pesos e duas medidas. Ou quantos pesos e quantas medidas forem necessários. De apoiadores da ditadura e de suas atrocidades a veementes defensores da liberdade de expressão, sempre usando o que for mais adequado para defender seus interesses próprios, nitidamente a serviço do imperialismo, o mesmo que massacra muçulmanos e tenta impor a sua cultura ao resto do planeta.

Vale ainda lembrar que grande parte da população se comove com a morte dos jornalistas e cartunistas e dizem “Je suis Charlie”, enquanto a morte do policial muçulmano Ahmed, justamente para defender a redação, passa batida.

Afinal, Ahmed, é só mais um trabalhador muçulmano…

Thiago Cassis
No UJS

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‘Charlie Hebdo’, uma charge, muitas perguntas

Como não podia deixar de ser, os jornais de quinta-feira (8/1) abrem grandes manchetes para noticiar o atentado contra o semanário francês Charlie Hebdo. As edições dos diários brasileiros não podiam ser mais homogêneas e previsíveis, como se os editores tivessem planejado cada uma delas em uma mesma reunião de pauta. Mas, embora sobrem muitas questões a serem abordadas, o essencial está dito: a democracia precisa inventar uma maneira de se defender sem abrir mão daquilo que a caracteriza e justifica.

O ataque ao jornal satírico produz a ironia extremada, que é enfrentada por alguns cartunistas em publicações ao redor do mundo, com centenas de charges que reafirmam o direito à liberdade de expressão e desafiam o poder da violência contra o humor.

Mas, como manter a graça diante da barbárie desmedida? A resposta mais adequada talvez esteja aqui ao lado, no texto de Claire San Filippo (ver aqui), representante nas Américas da organização Repórteres Sem Fronteiras: que todos os meios de comunicação republiquem desenhos do Charlie.

Ideia semelhante é defendida pelo colunista Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo. Ele sugere que os jornais de todo o mundo marquem uma data para republicar, ao mesmo tempo, a charge que há oito anos detonou a ira dos fanáticos que se dizem muçulmanos. Seria uma forma de reafirmar os valores que, afinal, justificam moralmente a existência da imprensa — a oferta de um espaço para a diversidade de crenças e opiniões que define a modernidade.

Mas há muito mais do que indignação e espanto a se registrar no noticiário sobre o atentado. O relato homogêneo da imprensa brasileira faz a descrição dos fatos, alinha opiniões de especialistas, projeta reações das forças políticas que disputam o poder na Europa e questiona a capacidade do Ocidente de se prevenir contra o assédio de pregadores extremistas sobre os jovens de origem árabe e muçulmana que sofrem os efeitos mais perversos do desemprego e da falta de perspectivas na periferia de suas cidades.

Rir de quê?

Há, por trás do atentado ao Charlie Hebdo, uma questão que a imprensa tem dificuldade para encarar: o sistema econômico predominante no mundo e o modelo de organização do Estado democrático ainda oferecem uma estrutura adequada para abrigar a grande diversidade de valores que a globalização traz à superfície comum? Nesse contexto, o próprio sistema da imprensa ainda pode retratar com fidelidade e equilíbrio essa complexidade?

Se ações extremas como a dos terroristas precisam ser evitadas, para que não imponham o caos à sociedade, quais seriam, nos limites do tolerável, os recursos do Estado em defesa do processo civilizatório? Essa questão não está contemplada nas reportagens, assim como também não se encontra com facilidade um texto que estranhe a liberdade com que os autores do atentado planejaram e executaram o ataque.

Para não cometer uma injustiça, convém observar que o colunista Gilles Lapouge, no Estado de S. Paulo, levanta suspeitas sobre a facilidade com que os assassinos adquiriram armas pesadas, coletes a prova de balas e outros equipamentos para efetivar o atentado. No entanto, essa deveria ser uma questão central nas reportagens: a evidente incapacidade dos serviços de segurança franceses de manter sob monitoramento um par de suspeitos ligados ao veio mais radical da guerra religiosa islâmica, um dos quais previamente condenado por seu protagonismo na cooptação de militantes.

Como se explica que tenham planejado a ação com tantos detalhes de informações sobre a rotina e a identidade de suas vítimas, obtido o acesso à bazuca e metralhadoras, sem que a polícia especializada lhes tenha barrado o caminho? Seriam apenas três os autores do crime?

O massacre da Rua Nicolas Appert, em Paris, a cinco quadras da Bastilha, oferece uma plenitude de significados e uma fartura de metáforas, matéria na qual os jornalistas adoram ancorar suas narrativas. Confrontam-se aqui o direito de pensar ironicamente sobre qualquer coisa e o direito à crença na sacralidade de certos ícones, e o problema aparece quando a fé se expõe ao ambiente mundano.

Para os religiosos de todas as crenças, a chalaça, a pilhéria, a gozação, são a expressão da mesma falta de respeito inadmissível. Para os valores da modernidade, ninguém, humano ou divindade, deve estar acima do direito ao estado de espírito galhofeiro.

Mas quando a vítima é o humor, rir de quê? 

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Veja no rumo da falência


O ano de 2015 começou com uma boa notícia para a liberdade de expressão e a democratização dos meios de comunicação. Ela relata as dificuldades financeiras que levaram a Editora Abril, dona da revista Veja, a se abrir mão de metade do prédio onde a revista está sediada, na marginal Pinheiros, em São Paulo. A notícia sobre as dificuldades enfrentadas pelo monopólio midiático merece ser saudada.

Elas não são recentes. No início dos anos 90 a Editora Abril chegou a tomar “emprestado” parte dos salários de seus empregados (que devolveu depois) para enfrentar problemas de caixa.

Naqueles anos seus diretores flertavam com a ideia da empresa vir a ser uma grande emissora de TV a cabo. Com este objetivo, a Abril endividou-se para “cabear” algumas cidades brasileiras pois não queria usar os cabos telefônicos existentes. O sonho durou até que a popularização da internet (ocorrida ainda na primeira metade dos anos 90) levou as redes de cabos próprios à aposentadoria. A aventura deixou a conta salgada dos dólares gastos na compra dos cabos de fibra ótica que foram inutilmente enterrados naquelas cidades (este é um verdadeiro “case”, para usar o jargão marqueteiro comum nos corredores da Abril, à espera do estudante de pós graduação que queira comparar as virtudes da administração privada com aquelas da administração pública).

As dificuldades se agravaram com o passar dos anos. A publicadora da família Civita veio de uma história de sucessos desde 1950, quando foi fundada. No início só publicava HQ, fotonovelas e revistas de serviços. Deu um salto em 1965 quando publicou a revista Realidade, que acolheu alguns dos melhores talentos do jornalismo brasileiro, entre eles vários profissionais ligados a uma organização que a ditadura colocou na ilegalidade, a Ação Popular (AP). O prestígio ganho com aquela publicação capacitou a editora a outro passo ousado: o lançamento, em 1968, da revista Veja.

A equipe de jornalistas que atuava na Editora Abril conseguiu um feito memorável: produzir publicações afinadas com o momento de modernização conservadora que o Brasil vivia. Realidade, mais avançada, durou pouco e logo depois do AI-5 (1968) abandonou as ousadias editoriais e se tornou uma convencional revista de variedades. Veja, logo afinada com a ditadura militar, cresceu e se transformou na principal revista semanal de informação publicada no Brasil.

Veja reforçou o alinhamento com a direita depois do fim da ditadura (em 1985). Conservadora, a revista — que um crítico disse ser a principal publicação norte-americana em idioma português — esteve na vanguarda do projeto neoliberal no Brasil. E fez as apostas equivocadas cujo resultado agora é visível. A principal delas: a oposição fundamentalista a qualquer governo de coloração democrática. Essa oposição se aprofundou desde a eleição de Lula em 2002.

A soberba e a arrogância cresceram desde o Fora Collor (1992) que apeou do poder o presidente Fernando Collor de Mello que fora, antes, o “caçador de marajás” queridinho de Veja...

Soberba e arrogância cujas consequências estão na raiz da crise da editora. Conta-se nos corredores do prédio da marginal Pinheiros que durante a crise do chamado “mensalão” (2005) o atual diretor de redação da revista, Eurípedes Alcântara, teria se lamentado por ter menos sorte que seu antecessor no cargo, Mario Sérgio Conti, pois, ao contrário de Collor, Lula não queria renunciar...

Nesta obsessão antidemocrática, Veja — cujo marketing dizia ser “indispensável” — entrou no rumo do abismo. Aquela que, nos anos 90, alcançou a circulação semanal de 1,3 milhões de exemplares, caminhou aceleradamente para a irrelevância, carregando atrás de si o império dos Civita.

Suas matérias, sobretudo a pauta política, passaram a ter escasso compromisso com a verdade. Foram inúmeras: contra o presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores, a esquerda em geral. Um exemplo desse jornalismo marrom baseado em mentiras foi a “reportagem” publicada em outubro de 2011 na qual, com base na palavra de um desclassificado, fez acusações contra o então ministro do Esporte Orlando Silva (PCdoB-SP). A mentira foi logo desmontada mas a publicação custou o mandato do ministro, que foi substituído no cargo por outro comunista, Aldo Rebelo.

Foram “reportagens” dessa espécie que corroeram, rapidamente, a credibilidade de Veja. A venda em banca da revista passou a cair de forma vertical, enquanto crescia a dificuldade para obter novas assinaturas ou mesmo de renovar as existentes.

Queda nas vendas significa queda no preço da publicidade inserida na revista, e que é sua principal fonte de renda. Um problema puxa o outro; com a falência da confiança na revista (encarada como uma publicação que não reproduz a verdade) um anunciante pensa duas vezes antes de associar-se a um veículo cujo produto (a informação) apodrece a olhos vistos.

A desculpa convencional para a crise é aquela de plantão em nossos dias: a força da internet provoca a queda nas vendas de revistas e jornais.

Este é realmente um fator importante. Mas não é o principal. A Editora Abril é um monopólio cujo produto tem uma natureza específica. Não é a carne da Friboi nem os automóveis da Volkswagen. Seu produto é de natureza muito mais delicada: são ideias, informações. É algo que a Editora Abril não pode exportar mas precisa vender no mercado brasileiro, em idioma português. E cuja venda depende fundamentalmente da confiança que os leitores têm nele.

No passado, afinada com o projeto de Brasil Grande da ditadura militar, as ideias vendidas pela Editora Abril foram aceitas pelos brasileiros — ao menos pela parcela que lia revistas. Bem ou mal, suas publicações estavam alinhadas com um sentimento que prevalecia no país e que fez da Abril a principal editora de revistas do país.

Hoje é visível seu descompasso com o coração dos brasileiros e ele se traduz na queda de vendas letal para qualquer publicação.

José Carlos Ruy
No Vermelho
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Alunos da PUC-Campinas denunciam esquema de violência na CPI das universidades

Esquema teria estrutura de poder baseada na hierarquia, na qual a ponta superior teria a participação ou anuência de professores da instituição

"Sou um homem de esquerda e minha formação é
católica, estou agredido. Isso é uma barbárie”, disse Adriano Diogo
São Paulo – Em longo depoimento na CPI instalada na Assembleia Legislativa para apurar violações dos direitos humanos e outras ilegalidades nas universidades de São Paulo, alunos da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC)-Campinas denunciaram hoje (7) um esquema de intimidação, ameaças, violências física e moral e trotes humilhantes.

O esquema tem a participação de alunos veteranos e mesmo médicos formados. Segundo os alunos, a Associação Atlética Acadêmica Samuel Pessoa é um dos pilares do esquema, cuja estrutura de poder seria baseada na hierarquia na qual a ponta superior teria a participação ou anuência de professores da instituição. A entidade destina-se a promover e coordenar eventos esportivos e “integração” dos alunos da faculdade, organizando festas e outras atividades.

Os veteranos e alunos, de modo geral, são submetidos a um sistema de hierarquia e a todos são atribuídos apelidos, que são dados numa data específica, o "Dia do Apelido". “A pessoa ganha um apelido e perde a identidade”, disse um dos depoentes. O sistema de intimidações e trotes violentos envolve alguns veteranos conhecidos por alcunhas como Castor, Cebola, Xoxota e Boner, alguns dos citados na audiência. É comum que um veterano se especialize em um tipo de trote.

O apelidado Boner, por exemplo, é conhecido por ter preferência pela “esternada”: esse trote consiste simplesmente em um soco desferido no esterno, osso situado acima do estômago. De acordo com os alunos, o veterano conhecido como Castor tem o hábito de urinar nos calouros.

Um dos mais "respeitados" entre os veteranos — na verdade já formado — é o conhecido como Xoxota, que faz residência médica em pediatria, segundo os depoimentos. Embora já tenha terminado o curso, mesmo assim ele participa dos trotes. "Os trotes não são feitos só para humilhar, mas para a pessoa entrar na estrutura", contou um dos depoentes. Afinal, os calouros serão os futuros veteranos responsáveis por aplicar o "batismo" às novas turmas.

No alto da hierarquia, segundo a reportagem apurou, estariam os médicos Carlos Osvaldo Teixeira, o Caiá, chefe do departamento de Clínica Médica da PUC-Campinas e fundador da Associação Atlética Acadêmica Samuel Pessoa, e Maria Aparecida Barone Teixeira, a Cidinha, responsável por indicar o formando que vai entrar na clínica médica. Caiá seria adepto de ter sua mão beijada. Os alunos contaram que "todo mundo da família tem que adorar Cidinha e Caiá".

As violências não são fatos isolados. Os membros da “sociedade” formada a partir da Associação Atlética se autointitulam “a Família”. As meninas são submetidas a situações humilhantes, como ser obrigadas publicamente a simular sexo oral com bananas ou pedaços de pau. A “Família” obriga os alunos a decorarem hinos de teor misógino, machista e de estímulo à violência sexual. Eles são forçados a aprender esse hinário sob ameaças, como em exercícios militares.

Os alunos que se recusam a participar das atividades sofrem ameaças não apenas de violências física ou moral, mas de terem inclusive sua vida profissional prejudicada. O medo de retaliações faz com que os alunos evitem denunciar o esquema. Os alunos mais jovens costumam ouvir frases como: “se você não é da família, eu não vou poder te ajudar (quando o aluno se formar)”. “Isso assusta muito quem está no primeiro ano, começando uma vida na faculdade. O medo de ficar seis anos na faculdade e depois não conseguir trabalhar”, disse um dos depoentes.

Entre outras obrigações a que os “bixos” (calouros) são submetidos, está a de furtar lençóis do hospital (fornecidos pelo SUS) para serem usados em festas.

“Não posso acreditar que numa universidade possa acontecer isso. A igreja católica não pode respaldar, acolher coisas que acontecem na Faculdade de Medicina da PUC de Campinas. Eu sou um homem de esquerda e minha formação é católica. Estou totalmente agredido, isso é uma barbárie”, disse o deputado Adriano Diogo (PT), presidente da CPI da USP. A comissão vai convocar professores e membros da instituição da faculdade para depor. “Nosso objetivo aqui é formar médicos mais humanizados. Se as coisas não mudarem, daqui a dez anos vamos continuar ouvindo as mesmas histórias”, disse um dos alunos na CPI.

Por motivos de segurança, seus nomes não foram divulgados. As denúncias serão levadas ao Ministério Público.

Eduardo Maretti
No RBA
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Programa Mais Médicos – Síntese 2014


  • Numero total de médicos = 14.462
  • Desistentes durante ao ano de 2014 = 174

  • Numero de médicos Brasileiros que participam do programa = 1.846
  • Desistentes brasileiros = 144 — 7,8% do total da categoria

  • Inter-cambistas (estrangeiros ou brasileiros formados no estrangeiro) = 1.187
  • Inter-cambistas Desistentes = 11 — 0,92% do total da categoria

  • Médicos Inter-cambistas cubanos = 11.429
  • Desistentes cubanos = 19 — 0,16% do total da categoria

  • Municípios brasileiros atendidos = 3.785
  • População brasileira total atendida no ano = 54,7 milhões (aproximadamente).

No Imagem Política
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A saúde, a saúva e a virtude

Em 2013, o dobro do valor do execrado 'Mais Médicos' foi gasto em próteses fraudadas, mas quanto a este escândalo as associações de médicos se calam.

Nenhuma outra corporação profissional se destacou tanto na guerra aberta à reeleição da Presidente Dilma quando a do jaleco branco.

O pleito foi o ápice de uma espiral de colisões iniciada em 2013, quando as entidades médicas alinharam-se ao conservadorismo mais feroz na oposição ao programa ‘Mais Médicos’.

Classificada como uma fraude, a iniciativa federal de levar cerca de 5,5 mil profissionais cubanos a rincões não cogitados por médicos brasileiros mereceu do Cremesp, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, a seguinte nota, em maio de 2014: ‘Tomaremos iniciativas políticas e eventuais medidas judiciais para impedir essa afronta à saúde da população e à dignidade da medicina brasileira’.

Em outubro, dez dias antes do pleito, a Associação Médica Brasileira (ABM) lançaria um manifesto conclamando os associados a eleger Aécio.

‘Urge mudarmos estas mazelas e descasos, frutos de um ideário político-partidário que nunca teve, na sua essência, a legítima e real preocupação com a saúde no Brasil (...) precisamos retirar do poder aqueles que não se preocuparam com os anseios e necessidades da população, em prol da saúde brasileira. Conclamamos todos a votar em Aécio Neves’, finalizava a nota.

Passados pouco mais de dois meses, uma reportagem do Fantástico, veiculada pela Globo, no último domingo, mostrou bastidores de um, aí sim, gigantesco esquema de mazelas; um assalto aos cofres do SUS, o Sistema Único de Saúde, que carrega no nome a promessa de uma equidade ainda distante.

Os protagonistas dessa sucção ‘não se preocuparam’ — para emprestar os termos da Associação Médica Brasileira — ‘com os anseios e necessidades da população, em prol da saúde brasileira’.

Não há leviandade em cogitar — aliás existem evidências — de que muitos deles atenderam ao apelo cívico-eleitoral lançado pela associação de classe, em outubro passado.

A expressão ‘máfia da prótese’ chega à suave no caso.

Ela condensa a ação de uma quadrilha integrada por profissionais da medicina, advogados e fornecedores de próteses.

A mecânica do golpe, que pode envolver dezenas de milhões de reais, apoia-se em uma triangulação.

O paciente que espera pelo implante na fila do SUS — de cuja receita foram decepados R$ 40 bilhões por ano com a extinção da CPMF, em 2006, sem protesto da AMB —, é orientado por médicos que fazem a ponte com advogados e escritórios encarregados de processar o governo.

A engrenagem se move para exigir o pagamento da prótese e da cirurgia feita em regime privado.

Invariavelmente, a conta apresentada ao SUS é dezenas, às vezes milhares de vezes, superfaturada.

Tornar o assalto excepcionalmente lucrativo é um requisito de sobrevivência da cadeia alimentar.

Pra isso, médicos, advogados e indústria fazem gato e sapato no percurso entre o diagnóstico verdadeiro, a versão cobrada do SUS e aquilo que, de fato, é executado na sala de cirurgia.

Ainda não há números redondos do cambalacho.

Mas há evidências.

Um levantamento do governo constatou que em apenas seis anos, entre 2005 a 2011, os gastos do SUS com o cumprimento de sentenças judiciais cresceram 100 vezes no Brasil.

Passaram de R$ 2,5 milhões para R$ 266 milhões em 2011.

Só em 2013, mais de R$ 1,2 bilhão foram pagos em despesas com próteses em geral.

O valor é o dobro do gasto com o execrado ‘Mais Médicos’ no mesmo período.

E não fica tão abaixo do auge atingido pelo orçamento do programa, que no ano passado atingiu R$ 1,9 bilhão.

As diferenças de custo/benefício é que são expressivas.

O recurso investido predominantemente na contratação de médicos cubanos viabiliza hoje o atendimento de 50 milhões de brasileiros antes desassistidos.

Em contrapartida, mais de 80% dos gastos com implantes de próteses feitos em 2013, nos 60 maiores hospitais privados do país, destinaram-se ao circuito da fraude que vai da prescrição à venda, muitas vezes desnecessária, desses produtos.

Outra diferença não menos notável: a indignação ‘ética’ das entidades de classe contra a parceria com ‘cubanos’ não se repetiu no presente escândalo.

A negligencia, infelizmente, talvez encerre algo mais que o mero descuido.

E esse é o ponto a reter.

A recorrência dos escândalos médicos e o seu baixo impacto corporativo, comparado à animosidade engajada contra o ‘Mais Médicos’, evidencia a existência de profundas distorções no ambiente médico do país.

Desde a formação do estudante, passando pela cultura da profissão e a ênfase das representações de classe, o profissional brasileiro enxerga-se cada vez mais como um apêndice do mercado e dos interesses da indústria, e cada vez menos como um sujeito comprometido com a dignidade da saúde pública.

Decorre daí uma certa elasticidade ética.

Ela torna o juramento de Hipócrates por estas plagas cada vez mais complacente com o intercurso entre o consultório, a indústria da saúde, o receituário e o lucro a qualquer preço.

Em contrapartida, mostra-se cada vez menos permeável à natureza social de programas e agendas como o ‘Mais Médicos’.

E de seu corolário: a luta pelo financiamento de um sistema único de saúde digno e eficiente em todo o país (leia análise do ex-ministro Alexandre Padilha sobre as opções ao sub-financiamento do sistema público de saúde brasileiro).

A reportagem do Fantástico mostrou que o intercurso entre um médico e o esquema da máfia das próteses poderia render até R$ 100 mil ao profissional.

Não é um ponto fora da curva.

Cruzeiros, resorts e passeios ao exterior com os quais os médicos campeões em receitar determinados medicamentos são brindados pelos fabricantes não ficam muito atrás nessa gincana de cifrões que intoxica toda a área da saúde.

Nos EUA, as gigantes do setor farmacêutico gastam cerca de US$ 58 bilhões em marketing (o dado, subestimado, é de 2004).

Quase 90% desse total ruma diretamente para o bolso de quem tem o poder de prescrever medicamentos.

É uma espécie de captura da prerrogativa médica pelo mercado.

Mas esse sequestro ético parece mais palatável às entidades de classe brasileira, que o desembarque solidário de doutores cubanos no país.

A interatividade entre o jaleco e o lucro corporativo chegou a tal ponto que uma legislação mitigatória entrou em vigor nos EUA, no ano passado.

Ela obriga empresas farmacêuticas a relacionar em um site oficial os médicos que aceitaram pagamentos ou presentes de valor superior a US$ 10, bem como as quantidades exatas pagas a cada um e a sua alegada finalidade.

Eis uma boa ferramenta ética que a operosa Associação Médica Brasileira poderia abraçar.

Na verdade, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), já fizeram uma tentativa nesse sentido.

Brindes e presentes, por exemplo, deveriam estar relacionados à prática médica efetiva; seu valor não poderia exceder a um terço do salário mínimo em vigor no país.

Como explicar, então, a persistente e generosa lubrificação de dermatologistas, por exemplo, com cataratas de viagens, cruzeiros e outros mimos de custo dezenas de vezes mais elevado?

Existem outras normas supostamente em vigor, com efeitos prático idênticos.

Um artigo no novo Código de Ética Médica, uma resolução da Anvisa e um "código de condutas" da associação das indústrias buscam coibir a simbiose entre a saúde e a saúva.

Por que, então, a correição persiste?

Sem a transparência pública e a penalização determinada pelo Estado, a conveniência entre o lucro e o bolso parece dar força ao sauveiro.

Recentemente, a indústria farmacêutica norte-americana foi proibida de promover palestras em um dos maiores congressos médicos do mundo, o da American Heart Association.

A decisão partiu de um órgão do sistema nacional de saúde dos EUA (INH), que credencia cursos de educação continuada.

No Brasil, calcula-se que mais de 60% dos cursos livres e congressos médicos são bancados pela indústria farmacêutica e de equipamentos.

Sem isso, alegam entidades médicas, o evento seria inviável.

Uma pergunta: qual é, afinal, a grande diferença entre médicos e/ou entidades bancados por uma grande farmacêutica, e políticos e/ou partidos sustentados por uma empreiteira?

Há aí uma cultura precisa ser quebrada.

E ela está arraigada no ambiente médico.

Pesquisa feita pelo Datafolha em 2010, em parceria com o Cremesp, ouviu 600 médicos em um universo de mais de 100 mil profissionais em atividade então no Estado de São Paulo.

Não há razões para supor que o quadro evoluiu para melhor.

Desse total, 80% admitiram receber, em média, oito visitas de propagandistas de medicamentos por mês.

Pior: 93% afirmaram ter recebido, nos últimos 12 meses, produtos, benefícios ou pequenos pagamentos da indústria.

Quase 40% admitiram ter recebido presentes de maior valor, desde cursos a viagens para ‘congressos internacionais’.

Quase metade, 48%, afirmou receitar o que o fabricante indica.

E o escárnio supremo: há indícios de que a fidelidade desse matrimônio é vigiada pelo dono do dinheiro.

Em 2005, uma reportagem da ‘Folha de São Paulo’ revelou que, em troca de brindes ou dinheiro, farmácias e drogarias brasileiras auxiliavam a indústria de remédios a vigiar as receitas prescritas por médicos.

Com acesso ao receituário, representantes dos laboratórios pressionavam os profissionais a indicar seus produtos e os recompensavam por isso.

A marcação corpo a corpo se inspira em valores elevados.

O Brasil é um dos maiores mercados farmacêuticos do mundo, crescendo a taxas chinesas de 10%, em média, nos últimos anos.

Com a elevação da renda e do salário mínimo, 54% da população consome medicamentos regularmente.

O faturamento do setor em 2013 foi de R$ 55 bilhões.

É muito dinheiro em uma área vital para que seja manejado sem a salvaguarda do interesse coletivo.

Não se trata de duvidar do caráter do médico brasileiro.

Entre a saúde e a saúva, a chance da virtude está nas instituições, não nas metas de lucro corporativo ou na fraqueza humana diante de cruzeiros gratuitos pela Europa e o Caribe.

Há que ser duro, sem perder a ternura, disse um precursor dos cubanos do Mais Médicos.

A verdade é que a medicina praticada hoje no Brasil repousa, predominantemente, nas mãos de uma classe média desprovida de discernimento sobre o país, sobre o mundo que a cerca e as urgências da sociedade que lhe custeou o estudo.

Daí a naturalidade com que se endossa — com dignas exceções — a sabotagem à assistência emergencial do Mais Médicos; e a cara de paisagem exibida diante de um escândalo como o da máfia da prótese.

Pior que isso.

Entre indignado e estupefato, o conservadorismo de jaleco branco recusa a possibilidade da existência de outra referência de exercício da medicina que não a dos valores argentários.

Solidariedade, internacionalismo e fraternidade formam uma constelação incompreensível a quem divide o mundo entre consumidores e escravos.

Felizmente, nem os médicos do Caribe nascem bonzinhos, nem a mentalidade da máfia da prótese se reproduz por geração espontânea.

Ambos são fruto de instituições. A ponto de um não achar estranho sair de seu país para ajudar uma outra nação.

E o outro não hesitar em sangrar recursos públicos escassos de sua própria nação, que podem fazer a diferença entre a vida e a morte na fila da saúde pública.

Esse talvez seja o aspecto mais chocante do escândalo médico da vez.

E, sobretudo, o mais instrutivo, para quem quiser enxergar a real abrangência dos desafios financeiros e educacionais que ele propõe.

A ver.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Apesar de todos os urubólogos, inflação de 2014 ficou dentro da meta combinada, diz Levy

Para 2015, o ministro lembra que ajustes para que economia volte a crescer poderão mexer com
alguns preços, mas Banco Central estará vigilante.
Foto: Iano Andrade – Gabinete Digital/PR
A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o ano de 2014 em 6,41%, abaixo do teto da meta fixada pelo Banco Central, que era de 6,5% ao ano e menor que a de 2013, quando avançou 5,91%. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, enfatizou que, apesar de todos os desafios enfrentados pelo País em 2014, a taxa “ficou dentro do combinado”, disse ele, durante Face to Face do Portal Brasil nesta sexta-feira (9).

Ele previu que a taxa poderá flutuar durante o ano, mas que o Banco Central estará atento para manter a inflação dentro dos trilhos. “Em janeiro, realmente a inflação deve ser um pouco mais alta do que em alguns meses do ano passado. Em parte, é porque, janeiro e fevereiro são meses em que, todo ano, tem mais reajustes, como de escola, IPTU, ônibus etc”, lembrou.

O ministro reafirmou que ajustes já estão sendo feitos para que a economia do País volte a crescer. “Temos que fazer algumas arrumações e isso pode mexer em alguns preços. Os economistas chamam isso de mudança nos preços relativos e ela é importante para acomodar a economia em um novo caminho de crescimento”, explicou.

Para o futuro, Joaquim Levy disse que o objetivo é manter a inflação dentro da meta. “O mais importante é que o Banco Central, que é o guardião do valor do dinheiro, está atento e vai continuar cuidando para que a inflação esteja no caminho de não só ficar abaixo do teto, como expliquei acima, até o final de 2015, mas também para ela voltar para o objetivo de não passar de 4,5% em 2016.”

Ele voltou a defender a contenção dos gastos públicos, na luta contra o avanço da inflação. “Para a gente segurar a inflação é preciso que o governo não gaste demais. Se a gente fizer isso agora, vamos poder ter a inflação caindo no ano que vem”, enfatizou.

IPCA

A taxa anualizada do IPCA, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostrou o impacto dos alimentos e transportes na inflação de dezembro. O resultado final total do ano ficou em 6,41%. Em 2013, o indicador teve alta 5,91.

Mesmo não registrando a maior taxa entre os grupos de gastos analisados, os alimentos exerceram o maior impacto no IPCA, subindo 8,03%, um pouco abaixo da taxa de 2013, pressionados principalmente pelas carnes, com alta de 22,21%.

Em dezembro, o IPCA apresentou alta de 0,78% e ficou acima da taxa de 0,51% registrada em novembro em 0,27 ponto percentual. É a segunda maior taxa mensal do IPCA no ano, superada pela taxa de março, quando atingiu 0,92%. O ano de 2014 fechou, então, em 6,41%, acima dos 5,91% do ano anterior. Em dezembro de 2013, a taxa havia ficado em 0,92%.

Regiões

Dentre os índices regionais do mês, o maior ficou com a região metropolitana do Rio de Janeiro (1,39%), pressionado pelo item energia elétrica, cujas contas subiram 3,46% em função do reajuste de 17,75% em uma das concessionárias desde o dia 7 de novembro.

O item empregado doméstico também teve alta expressiva no Rio de Janeiro, de 1,83%. Além disto, o aumento nos preços dos alimentos consumidos fora de casa superou a média nacional, atingindo 2,28%.

As regiões metropolitanas de Recife (0,42%) e Belo Horizonte(0,44%) apresentaram os índices mais baixos do mês, destacando-se os alimentos, que ficaram em 0,72% e 0,63%, respectivamente.

No Blog do Planalto
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Como Charlie Hebdo "ilustrou" o bombardeio de Israel a uma escola palestina


Assim o jornal Charlie Hebdo "ilustrou" o bombardeio de Israel a uma escola palestina em 30 de julho de 2014...

O ataque israelense à escola matou 19 pessoas e feriu outras 125.

Na ocasião, não houve comoção nas TVs do mundo, nenhum "plantão da globo", nem jornalistas estufando o peito para falar em "caçada aos terroristas"... Agora... imagina se essa mesma charge tivesse sido publicada hoje em algum jornal árabe para se referir ao atentado em Paris... Qual seria a reação da mídia e da opinião pública?

No Chebola
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Vovô renovado


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Folha admite o estelionato eleitoral de Alckmin


Editorial: Já vem tarde

Moradores da Grande São Paulo começaram a receber nesta semana kits destinados a reduzir a vazão da água em suas casas. Os apetrechos permitirão diminuição do consumo de ao menos 20% nas torneiras em que forem instalados, de acordo com a Sabesp.

Além disso, a agência reguladora de saneamento do Estado aprovou, também nesta semana, a aplicação de uma multa a quem aumentar o uso de água. A medida, anunciada no mês passado, tem o propósito de combater o desperdício.

Dada a estiagem recorde que São Paulo enfrenta, iniciativas dessa natureza são nada menos do que imperativas. Pelo mesmo motivo, no entanto, deveriam ter sido tomadas há muito mais tempo.

Hoje quase esvaziada, a maior reserva de recursos hídricos do Estado — o sistema Cantareira — já despertava atenção há um ano. Reportagem desta Folha publicada em janeiro de 2014 mostrava que o reservatório atingira seu menor nível em dez anos (23%).

Os índices inquietantes de então eram resultado do terceiro verão consecutivo com chuvas abaixo da média histórica na região de captação. Com a persistência da seca, a situação só se agravou. A Sabesp teve de recorrer pela primeira vez ao chamado volume morto; outros mananciais também se aproximaram de patamares críticos.

A despeito desse quadro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) optou a princípio por tergiversar. A prioridade do tucano, ao que parece, era cuidar da própria reeleição.

Mesmo após a votação, contudo, o mandatário paulista continuava a alimentar certo otimismo descolado da realidade. "Já passamos pelo pior período e nem utilizamos a segunda reserva técnica disponível", declarou Alckmin no início de novembro, uma semana antes da lançar mão da cota citada.

Diante dessas circunstâncias, soam ironicamente alentadoras, pelo senso de realismo, as declarações de Jerson Kelman, indicado para ser o próximo presidente da Sabesp. "A situação é preocupante, é grave, e nós temos que torcer pelo melhor, mas estar preparados para o pior", afirmou a esta Folha.

Tão importante quanto admitir o problema é comunicar de maneira clara os meios encontrados para remediá-lo. "A melhor política é de absoluta transparência", disse Kelman na mesma entrevista.

O governo de São Paulo teria algo a aprender com isso. Basta dizer que a principal medida de economia adotada até agora, a redução da pressão da água na rede, não chegou ao conhecimento da população por meio de campanha oficial de informação. Foi descoberta — e divulgada — pela imprensa.
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