1 de jan de 2015

Uma série de Sílvio Tendler: Militares da Democracia - I


Direção: Silvio Tendler
Produção: Ana Rosa Tendler
Locução: Eduardo Tornaghi

1 — O dia do Golpe

Militares da Democracia remonta às vésperas do golpe que mudou a história do Brasil
O físico e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, dá seu depoimento no episódio de estreia do programa
O físico e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, dá seu depoimento no episódio de estreia do programa
Os antecedentes do Golpe Militar de 1964 são narrados pelos que viveram os momentos de tensão decorridos entre 31 de março e 2 de abril, quando forças armadas provenientes de Minas Gerais se rebelaram contra o governo de João Goulart, levando o presidente à decisão de partir para Porto Alegre.

Depoimentos do ex-Ministro do Trabalho Almino Affonso, do ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, do antropólogo Anacleto Julião, do jornalista e político Milton Temer, entre outros.



Acompanhe:

Episódio IIEpisódio IIIEpisódio IV — Episódio V
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O discurso de Dilma no parlatório


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Feliz 2014

Nós não estávamos no avião da Malaysian Airlines que desapareceu, não estávamos no gol do Brasil no jogo dos 7 a 1 com a Alemanha, não tivemos nada a ver com o escândalo da Petrobras, não votamos no Aécio ou votamos, mas não achamos que ele perdeu, não fomos aprisionados e decapitados pelo Estado Islâmico nem andamos perto de qualquer lugar bombardeado por drones, não estávamos em Israel sob ameaça de foguetes palestinos nem em Gaza quando Israel revidou, não fomos levados por nenhuma enxurrada ou soterrados por nenhum deslize de terra nem morremos afogados tentando chegar à Itália num barco de refugiados africanos, nem fomos pegos na fronteira do México tentando entrar clandestinamente nos Estados Unidos, não morremos de overdose ou por qualquer outra razão, doença ou desatenção, e o ebola chegou perto de nós apenas no noticiário. Quer dizer, de um ponto de vista puramente subjetivo, foi um bom ano.

Do jantar de Natal aqui em casa sobraram boas lembranças — e peru, claro. A trilha sonora deste ano foi o último disco da Maria Rita, de quem me declaro um devoto. Pelo que sei da sua vida, a Maria Rita nasceu e se criou nos Estados Unidos, o que torna sua opção preferencial pelo samba ainda mais admirável.

Uma das faixas do seu novo CD é um sambão de Arlindo Cruz, Rogé e Arlindo Neto intitulado “É corpo, é alma, é religião”, que começa assim: “Eu não nasci no samba, mas o samba nasceu em mim.” Intencional ou não, a frase serve como uma autobiografia da cantora, que nasceu longe do samba, mas tinha o samba na alma, ou nos genes.

Hoje, pode-se dizer, sem exagero ou idolatria, que ela faz parte de um triunvirato das nossas maiores sambistas, com a Alcione e a Beth Carvalho. E, além de tudo, é uma bela mulher. O nome do disco é “Coração a batucar”. Compre.

Nossas trilhas sonoras familiares são ecléticas, Charles Aznavour e Michel Légrand fazem coro com Aldir Blanc e Moacyr Luz, Mônica Salmaso faz dueto com Patricia Barber e quando menos se espera ouve-se o Miles fazendo fundo pro Chico. E preciso revelar um segredo que, espero, fique só entre os 17 leitores desta coluna.

Chega um ponto em que nada mais serve a não ser o Luis Miguel cantando “Che sei tu”. Preciso dançar um bolero do Luis Miguel com as minhas filhas. É um momento que exige uma certa solenidade. Mas as minhas filhas, não sei por quê, sempre fogem na hora do Luis Miguel. Algo sobre não pagar mico. Vá entender.

Foi um bom ano. O Botafogo caiu, mas o Internacional chegou em terceiro no Campeonato Nacional, vai disputar a Libertadores de 2015 e no fim do ano poderá muito bem ser de novo campeão do mundo, se ainda houver mundo.

Luís Fernando Veríssimo
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2018, o ano que não começou


Há uma frase cujo autor este blogueiro desconhece muito repetida por analistas políticos: uma eleição começa quando a outra termina. Como se o intervalo entre uma disputa e outra fosse apenas um espaço para rearticulação de forças e de projetos. Como se os governos que se iniciam e seus resultados não tivessem condições de impactar profundamente nos resultados políticos futuros.

Em 1990, quando Collor assumiu todos o imaginavam como condutor de sua sucessão e o ex-presidente nem concluiu o mandato, que seria encerrado por Itamar Franco, que ninguém imaginava com capacidade para ser o maior eleitor de 1994.

Em 1995, Fernando Henrique assumiu a presidência da República, derrotando Lula já no primeiro turno, sendo que se tivesse sido candidato a prefeito de São Paulo em 1992 não teria provavelmente ido nem ao segundo turno em eleição que foi vencida por Paulo Maluf, que se reposicionou novamente como um nome para disputas futuras.

Ao ver seu ex-colega de Senado assumir o cargo de presidente, o governador eleito do estado de São Paulo, Mário Covas, provavelmente não contava com a vergonhosa emenda da reeleição que o impediu de disputar a eleição presidencial de 1998. Nem tampouco Lula e nenhum outro político da oposição ou da então situação imaginava algo neste sentido.

Como também não se imaginava que em 2002, ao invés de ser um grande eleitor, Fernando Henrique seria um fardo para o candidato que viesse a defender o legado da situação. Serra foi mais o candidato do medo de Lula do que da continuidade de FHC.

Nos círculos tucanos, todos tinham certeza no início de 2003 que Lula e o PT fariam um governo desastroso. E que em 2006 a eleição seria uma barbada. Já no PT, os olhos se voltaram cedo para 2010, para o pós-Lula. E a disputa entre Palocci e Zé Dirceu por espaço no governo ganhou o sentido da sucessão do ex-metalúrgico.

Quando se elegeu governador de São Paulo em 2006, o agora senador José Serra já começou a se preparar para a disputa presidencial de 2010. E passou a ser tratado como virtual presidente da República por boa parte da mídia tradicional. Dilma era nada mais do que um azarão. E muitos davam como certa uma emenda de reeleição sem limites para que Lula pudesse disputar mais uma.

Quem imaginaria no auge da campanha das Diretas Já, que quando o Brasil fosse votar pela primeira vez pra presidente da República, Ulysses Guimarães teria uma votação pífia.

Como o leitor já deve ter percebido, as análises que serão feitas a partir de hoje projetando 2018 tem tanta validade quanto as que poderiam ser feitas sobre a sucessão do Papa. Elas servem mais para alimentar especulações do que para de fato prever algo. Dizer que Alckmin e Aécio vão disputar a candidatura dentro do PSDB e que Lula se estiver bem de saúde será o candidato do PT é simplesmente registrar o óbvio. E isso não quer dizer que esse cenário não possa vir a se confirmar, mas política não se gerencia em planilhas de Excel, porque ela também é movida pelo imponderável. Não leve a sério aqueles que já começam a falar em 2018. Não há análise séria que possa ser feita agora sobre uma eleição tão distante. Afora o fato que 2015 deve ser um longo ano, que pode mudar todo o cenário político futuro. Tanto as investigações da Operação Lava Jato quanto a crise hídrica de São Paulo não são eventos comuns. E tem potencial imenso para alterar o rumo do que hoje parece provável.

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Feliz Ano Novo! O Brasil não é feito só de ladrões


 

Inaugura-se, nesta quinta-feira, novo ano do Calendário Gregoriano, o de número 2015 após o nascimento de Jesus Cristo, 515, depois do Descobrimento, 193, da Independência, e 125, da Proclamação da República.

Tais referências cronológicas ajudam a lembrar que nem o mundo, nem o Brasil, foram feitos em um dia, e que estamos aqui como parte de longo processo histórico que flui em velocidade e forma muitíssimo diferentes daquelas que podem ser apreendidas e entendidas, no plano individual, pela maioria dos cidadãos brasileiros.

Ao longo de todo esse tempo, e mesmo antes do nascimento de Cristo, já existíamos, lutávamos, travávamos batalhas, construíamos barcos e pirâmides, cidades e templos, nações e impérios, observávamos as estrelas, o cair da chuva, o movimento do Sol e da Lua sobre nossas cabeças, e o crescimento das plantas e dos animais.

Em que ponto estamos de nossa História ?

Nesta passagem de ano, somos 200 milhões de brasileiros, que, em sua imensa maioria, trabalham, estudam, plantam, criam, empreendem, realizam, todos os dias.

Nos últimos anos, voltamos a construir navios, hidrelétricas, refinarias, aeroportos, ferrovias, portos, rodovias, hidrovias, e a fazer coisas que nunca fizemos antes, como submarinos — até mesmo atômicos — ou trens de levitação magnética.

Desde 2002, a safra agrícola duplicou — vai bater novo recorde este ano — e a produção de automóveis, triplicou.

Há 12 anos, com 500 bilhões de dólares de PIB, devíamos 40 bilhões de dólares ao FMI, tínhamos uma dívida líquida de mais de 50%, e éramos a décima-quarta economia do mundo.

Hoje, com 2 trilhões e 300 bilhões de dólares de PIB, e 370 bilhões de dólares em reservas monetárias, somos a sétima maior economia do mundo. Com menos de 6% de desemprego, temos uma dívida líquida de 33%, e um salário mínimo, em dólares, mais de três vezes superior ao que tínhamos naquele momento.

De onde vieram essas conquistas?

Do suor, da persistência, do talento e da criatividade de milhões de brasileiros. E, sobretudo, da confiança que temos em nós mesmos, no nosso trabalho e determinação, e no nosso país.

Não podemos nos iludir.

Não estamos sozinhos neste mundo. Competimos com outras grandes nações, que conosco dividem as 10 primeiras posições da economia mundial, por recursos, mercados, influência política e econômica, em escala global.

Não são poucos os países e lideranças externas, que torcem para que nossa nação sucumba, esmoreça, perca o rumo e a confiança, e se entregue, totalmente, a países e regiões do mundo que sempre nos exploraram no passado — e ainda continuam a fazê-lo — e que adorariam ver diminuída a projeção do Brasil sobre áreas em que temos forte influência geopolítica, como a África e a América Latina.

Nosso espaço neste planeta, nosso lugar na História, foi conquistado com suor e sangue, por antepassados conhecidos e anônimos, entre outras muitas batalhas, nas lutas coloniais contra portugueses, holandeses, espanhóis e franceses; na Inconfidência Mineira, e nas revoltas que a precederam como a dos Beckman e a de Filipe dos Santos; nas Conjurações Baiana e Carioca, na Revolução Pernambucana; na Revolta dos Malês e no Quilombo de Palmares; na Guerra de Independência até a expulsão das tropas lusitanas; nas Entradas e Bandeiras, com a Conquista do Oeste, da qual tomaram parte também Rondon, Getúlio e Juscelino Kubitscheck; na luta pela Liberdade e a Democracia nos campos de batalha da Europa, na Segunda Guerra Mundial.

As passagens de um ano para outro, deveriam servir para isso: refletir sobre o que somos, e reverenciar patriotas do passado e do presente.

Brasileiros como os que estão trabalhando, neste momento, na selva amazônica, construindo algumas das maiores hidrelétricas do mundo, como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio; como os que vão passar o réveillon em clareiras no meio da floresta, longe de suas famílias, instalando torres de linhas de alta tensão de transmissão de eletricidade de centenas de quilômetros de extensão; ou os que estão trabalhando, a dezenas de metros de altura, em nossas praias e montanhas, montando ou dando manutenção em geradores eólicos; ou os que estão construindo gigantescas plataformas de petróleo com capacidade de exploração de 120.000 barris por dia, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, como as 9 que foram instaladas este ano; ou os que estão construindo novas refinarias e complexos petroquímicos, como a RENEST e o COMPERJ, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; ou os que estão trabalhando na ampliação e reforma de portos, como os de Fortaleza, Natal, Salvador, Santos, Recife, ou no término da construção do Superporto do Açu, no Rio de Janeiro; ou os técnicos, oficiais e engenheiros da iniciativa privada e da Marinha que trabalham em estaleiros, siderúrgicas e fundições, para construir nossos novos submarinos convencionais e atômicos, em Itaguaí; os técnicos da AEB - Agência Espacial Brasileira, e do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que acabam de lançar, com colegas chineses, o satélite CBERS-4, com 50% de conteúdo totalmente nacional; os que trabalham nas bases de lançamento espacial de Alcântara e Barreira do Inferno; os oficiais e técnicos da Aeronáutica e da Embraer, que se empenham para que o primeiro teste de voo do cargueiro militar KC-390, o maior avião já construído no Brasil, se dê com sucesso e dentro dos prazos, até o início de 2015; os operários da linha de montagem dos novos blindados do Exército, da família Guarani, em Sete Lagoas, Minas Gerais, e os engenheiros do exército que os desenvolveram; os que trabalham na linha de montagem dos novos helicópteros das Forças Armadas, na Helibras, e os oficiais, técnicos e operários da IMBEL, que estão montando nossos novos fuzis de assalto, da família IA-2, em Itajubá; os que produzem novos cultivares de cana, feijão, soja e outros alimentos, nos diferentes laboratórios da EMBRAPA; os que estão produzindo navios com o comprimento de mais de dois campos de futebol, e a altura da Torre de Pisa, como o João Candido, o Dragão do Mar, o Celso Furtado, o Henrique Dias, o Quilombo de Palmares, o José Alencar, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; os que estão construindo navios-patrulha para a Marinha do Brasil e para marinhas estrangeiras como a da Namíbia, no Ceará; os engenheiros que desenvolvem mísseis de cruzeiro e o Sistema Astros 2020 na AVIBRAS; os que estão na Suécia, trabalhando, junto à Força Aérea daquele país e da SAAB, no desenvolvimento do futuro caça supersônico da FAB, o Gripen NG BR, e na África do Sul, nas instalações da DENEL, e também no Brasil, na Avibras, na Mectron, e na Opto Eletrônica, no projeto do míssil ar-ar A-Darter, que irá equipá-los; os nossos soldados, marinheiros e aviadores, que estão na selva, na caatinga, no mar territorial, ou voando sobre nossas fronteiras, cumprindo o seu papel de defender o país, que precisam dessas novas armas; os pesquisadores brasileiros das nossas universidades, institutos tecnológicos e empresas privadas, como os que trabalham ITA e no IME, no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, ou no projeto de construção e instalação do nosso novo Acelerador Nacional de Partículas, no Projeto Sirius, em São Paulo; os técnicos e engenheiros da COPPE, que trabalham com a construção do ônibus brasileiro a hidrogênio, com tubinas projetadas para aproveitar as ondas do mar na geração de energia, com a construção da primeira linha nacional de trem a levitação magnética, com o MAGLEV COBRA; nossos estudantes e professores da área de robótica, do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, várias vezes campeões da Robogames, nos Estados Unidos.

Neste momento, é preciso homenagear esses milhões de compatriotas, afirmando, mostrando e lembrando — e eles sabem e sentem profundamente isso — que o Brasil é muito, mas muito, muitíssimo maior que a corrupção.

É esse sentimento, que eles têm e dividem entre si e suas famílias, que faz com que saíam para trabalhar, com garra e determinação, todos os dias, cheios de orgulho pelo que fazem, e pelo nosso país.

E é por causa dessa certeza, que esses brasileiros estão se unindo e vão se mobilizar, ainda mais, em 2015, para proteger e defender as obras, os projetos e programas em que estão trabalhando, lutando, no Congresso, na Justiça, e junto à opinião pública, para que eles não sejam descontinuados, destruídos, interrompidos, colocando em risco seus empregos, sua carreira, e a sobrevivência de suas famílias.

Eles não têm tempo para ficar teclando na internet, mas sabem que não são bandidos, que não cometeram nenhum crime e que não merecem ser punidos, direta ou indiretamente, por atos dos quais não participaram, assim como a Nação não pode ser punida pelos mesmos motivos.

Eles têm a mais absoluta certeza de que a verdadeira face do Brasil pode ser vista nesses projetos e empresas — e no trabalho de cada um deles — e não na corrupção, que se perpetua há anos, praticada por uma ínfima e sedenta minoria. E intuem que, às vezes, na História, a Pátria consegue estabelecer seus próprios objetivos, e estes conseguem se sobrepor aos interesses de grupos e segmentos daquele momento, estejam estes na oposição ou no governo.
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Segundo mandato terá como lema principal a Educação, garante Dilma


Em discurso de posse no Congresso Nacional nesta quinta-feira (1º) a presidenta Dilma Rousseff anunciou que o lema de seu segundo mandato será “Brasil, Pátria Educadora”. Dilma afirmou que a frase sintetiza a educação como prioridade de seu governo para os próximos quatro anos, além de formar o cidadão com compromissos éticos e sentimentos republicanos.

“Ao bradarmos ‘Brasil, pátria educadora’ estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e sentimento republicano”, enfatizou a presidenta.

Em sua fala, a presidenta também qualificou o acesso à educação como “porta de um futuro próspero”.

“Só a educação liberta um povo e lhe abre as portas de um futuro próspero. Democratizar o conhecimento significa universalizar o acesso a um ensino de qualidade em todos os níveis – da creche à pós-graduação; para todos os segmentos da população – dos mais marginalizados, os negros, as mulheres e todos os brasileiros”, afirmou Dilma.

Dilma destacou os esforços já realizados para a universalização da educação e lembrou que a área começará a receber, em seu segundo mandato, recursos dos royalties do petróleo e do fundo social do pré-sal, que auxiliarão a expansão e melhor alcance de políticas públicas, ações e programas da educação nos próximos quatro anos. Ela garantiu que o Pronatec, uma das principais políticas públicas do governo, deverá oferecer 12 milhões de novas vagas até 2018.

O Pronatec oferecerá, até 2018, 12 milhões de vagas para que nossos jovens, trabalhadores e trabalhadoras tenham mais oportunidades de conquistar melhores empregos e possam contribuir ainda mais para o aumento da competitividade da economia brasileira. Darei especial atenção ao Pronatec Jovem Aprendiz, que permitirá às micro e pequenas empresas contratarem um jovem para atuar em seu estabelecimento.
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Ex-governador critica Alckmin pela falta de água em SP

Apesar das declarações, Cláudio Lembo diz que tucano será o próximo candidato a presidente pelo PSDB

O ex-governador e integrante da Executiva do PSD, Cláudio Lembo, diz que se fosse o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) “não dormiria um único dia sequer” em razão da crise de abastecimento de água, que continua a ser uma questão no Estado, principalmente para a seca de 2015, apesar da chuva dos últimos dias.

Lembo avalia que a administração estadual escondeu a gravidade do problema durante a eleição e diz agora que o governo “deveria ser multado pela escassez”. Ironiza o argumento de que São Paulo passa pela maior seca dos últimos 84 anos e afirma que houve falta de obras. “A única saída é chamar Moisés, já que São Pedro não ajudou.”

Apesar de dizer que o governador paulista é “pequeno burguês”, Lembo diz que Gerado Alckmin será o próximo candidato a presidente pelo PSDB. “Ele é o governador de São Paulo, e eu já disse há pouco que ele é equilibrado, sensato. E o Aécio ainda é o menino de Minas, que não foi bem em Minas. Quem não é eleito na sua terra não vai ter grande sucesso.”

Aliado de Kassab, que será o novo ministro das Cidades, Lembo defende o governo Dilma.

Leia abaixo a entrevista.

O sr. foi governador e vice de Alckmin. Qual a razão da eleição dele em primeiro turno, apesar das dificuldades pelas quais passa o Estado e os 20 anos de poder do PSDB em São Paulo?

A figura equilibrada, que é típica de São Paulo. Uma figura equilibrada, sem arestas, que não agride ninguém. E conservador.

Mas o eleitor paulista já elegeu políticos com perfis bem diferentes do de Alckmin, como Maluf e Covas.

Sim, mas todos têm um traço de direita. Por mais absurda que pareça a afirmação quanto ao Covas, ele também era de direita e conservador. Tinha arroubos, mas no fundo tinha uma linha conservadora. O Maluf é um caso a parte.

Então o sr. acha que contou mais a personalidade do governador do que sua gestão?

Acima de tudo é a personalidade dele que se encaixa muito no perfil paulista pequeno burguês, da elite branca. Mais do que isso. Ele é um pequeno burguês. Pode até não ser da elite branca.

O que quer dizer com pequeno burguês?

Uma pessoa sensata, equilibrada, que está sempre bem posto. Fala com cuidado. Procura as palavras. Uma pessoa mediana.

E a gestão dele?

Mediana.

Como vê a crise de abastecimento de água?

Isso é grave, acho muito preocupante. Porque vai afligir todos. Espero que chova. Se as orações valerem, espero que chova muito em São Paulo. Isso seria uma tragédia. Não só quanto à falta de água em si, mas uma tragédia da saúde publica. A higiene das próprias casas. Seria uma tragédia. Melhor não pensar nisso. Melhor agir e não pensar. Eu, se fosse governador, não dormiria nenhum dia.

Mas a culpa é dele?

Claro. Deveriam ter feito mais obras. A Sabesp é uma empresa que alterou os seus objetivos. Ela não poderia ser uma empresa que obtivesse lucro com a água. A água é um bem essencial que deve ser muito preservado. E a Sabesp gerava a idéia de consumo para poder ter lucro. O que foi um grande erro. São Paulo teria que estar economizando água desde os anos 2000. Deveria ter criado a consciência do consumo de acordo com as necessidades e não supérfluo. É uma cidade que gasta muita água. Aprenderam a gastar água porque a Sabesp sempre projetou a idéia de que havia água à vontade e de forma muito volumosa. E não é verdade.

Quanto mais o paulista consome, mais ela gera receita.

Exatamente, e isso é um erro da maldita privatização de tudo. Quando se colocou as ações da Sabesp na Bolsa de Nova York, se praticou um grande erro. É uma empresa pública, deveria ser uma empresa pública pura, sem intuito de lucro. Deveria reinvestir tudo na água e na preservação da água. Agora, deu nisso.

O que o sr. acha que Alckmin deveria ter feito?

Primeiro, deveria ter trazido água do São Lourenço, que é uma reserva muito rica. E hoje fazer uma adutora é muito fácil. Esse eu acho o ponto mais grave do problema da Sabesp. E, depois, deveria ter consumido mais dos reservatórios aqui na região do planalto. Nós estamos com o Cantareira, que é do Regime Militar. Não tem cabimento. No Regime Militar, São Paulo tinha 4 milhões de habitantes.

O Cantareira foi subestimado na época na construção, nos anos 60.

Exatamente. A situação da água é muito grave. Eu confesso que, se fosse governador, não dormiria um único dia sequer, angustiado com o problema. Vai levar a uma catástrofe de saúde publica patética. Portanto, eu espero e quero que chova.  Torço para o melhor.

O governo paulista escondeu a situação durante durante a eleição?

Claro que escondeu. Hoje a gente percebe que não houve o racionamento desde a hora que deveria. Claro que escondeu. É só ouvir a Dilma (Pena, presidente da Sabesp). Ela mostrou isso. E eu acho que os meios de comunicação preservaram muito esse quase sigilo sobre a água.

Os jornais trouxeram o tempo todo manchetes e notícias sobre a falta de água.

Ah, mas muito leve. Ninguém fez uma análise profunda. A The Economist fez uma análise melhor que a dos paulistas.

O governo diz que o bônus e a multa…

(Interrompendo) A multa deveria ser ao governo e não ao particular. O particular deveria ser educado para não gastar. O governo deveria ser multado pela escassez. Por não ter feito em tempo oportuno novas obras e porque na época da tragédia não pensou em fazer uma publicidade do que estava acontecendo para que todos economizassem. A publicidade foi muito leve, culpou só a falta d`água. E não é verdade. Houve a falta de obra também. As duas coisas. Pobrezinho de São Pedro, ele não anda bem… Ele perdeu a chave da água.

Eu acho muito grave porque as obras futuras vão custar muito. E os investimentos do Estado em outras áreas não vão ser fáceis com essas obras. Na saúde, na educação, nas rodovias… A infraestrutura em geral. Vai ser complexo. Vai ser muito difícil.

Qual o prognóstico para 2015?

Se iniciarem as obras, lá por 2018 vão estar prontas. Então, vamos passar por um período realmente muito difícil. A única saída é chamar Moisés, já que São Pedro não ajudou.

No governo, fala-se também que a seca afetará o setor elétrico e o abastecimento de energia.

Esse hábito de falar mal da Dilma é coisa de paulista. O Brasil tem um sistema elétrico interligado e notável. É um dos poucos do mundo interligados. Só dois Estados não são: Amazonas e Acre. Segundo, é caro, mas há as termoelétricas. Doutora Dilma criou as termoelétricas por todo o País.

Como vê a disputa interna no PSDB, ainda discreta, para a vaga de candidato a presidente em 2018? Será de Alckmin ou de Aécio?

Será Gerado Alckmin. Porque ele é o governador de São Paulo, e eu já disse há pouco que ele é equilibrado, sensato. E o Aécio ainda é o menino de Minas, que não foi bem em Minas. Quem não é eleito na sua terra não vai ter grande sucesso. Eu acho que o Geraldo tem mais possibilidade no PSDB que o Aécio. Ainda porque o Aécio na posição de líder da oposição sempre foi mal. A gente percebe que ele não esta à vontade. Ele é um homem de conciliação. Não fica bem como líder da oposição. Não é para ele. Ele é mais leve do que isso.

Por que em São Paulo o sentimento anti-petista foi grande, refletindo a votação expressiva de Aécio Neves (PSDB) no Estado?

Realmente, é um fenômeno muito interessante. Eu confesso que, por mais que eu examine, não consigo perceber com clareza. Mas imagino que seja a origem do PT. O PT nasceu em São Paulo, cresceu em São Paulo, teve muitas vitórias em São Paulo e frustrou São Paulo. Então, tem um ódio contra o PT. Um sentimento de frustração.

Como vê as manifestações de impeachment de Dilma e os pedidos para a volta do Regime Militar?

Eu lamento que os alguns poucos paulistas tenham baixado tanto na vida. Primeiro, eu acho que não há por que querer a volta do Regime Militar. Eu acho muito ruim essa idéia de impeachment, ela (Dilma) particularmente não está envolvida (nos escândalos de corrupção na Petrobras). Vamos permitir que ela governe e que o País saia dessa situação complexa que está neste momento. Eu acho duas situações absolutamente absurdas.

Acho que em virtude de todos os acontecimentos da campanha e, particularmente, dos ocorridos a partir do Paraná (Operação Lava Jato), ou seja, da Justiça Federal, o Brasil vai ser passado a limpo, e o governo Dilma vai ser muito bom e tranqüilo, porque vai haver um equilíbrio de pensamento em razão da própria execução penal.

Mas o governo enfrentará problemas de governabilidade em razão dos desdobramentos da Lava Jato.

De maneira alguma. Acho que o País está bastante institucionalizado para se ter consciência de que uma coisa é o Poder Executivo outra é o Judiciário. O Judiciário é feito exatamente para penalizar ou para aplicar a lei. Portanto, é ótimo porque está se recuperando as instituições no Brasil.Acho excelente, os maus políticos serão afastados.Há um outro aspecto que é passar a limpo as empreiteiras no Brasil. As empreiteiras no Brasil, desde o Império, são um problema muito sério.

Advogados de defesa de empreiteiros disseram que o Brasil para se o cerco continuar.

Não para nada. Isso é uma visão tucana. Se fosse parar, já tinha parado há muito tempo. Mais do que isso. Se existem essas empreiteiras, existem outras que são as sub-empreiteiras. Essas podem continuar as obras. Não há problema nenhum. Ainda porque a Petrobras, no caso específico, tem quadros muito qualificados. Vai ocorrer uma limpeza nas empreiteiras. Elas vão passar a agir de maneira mais idônea.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, articulando outro partido. Não é oportunismo político?

Não. Na política, há muitas mudanças de posição. E há emigração. É da natureza humana emigrar. É possível que surja um novo partido, sim. Não há nada definido ainda. Mas isso é mais por vontade dos parlamentares, do que do Gilberto Kassab. Há uma vontade do Parlamento de emigrações, o que é normal. Acho que isso vai se consolidando até a reforma política. Antes da reforma política você tem que fazer acertos dentro dos partidos. Depois, temos que fazer a reforma política e certamente diminuir o número de partidos existentes no Brasil.

O sr. também vai mudar de partido?

Eu não. Nunca emigrei. Os partidos acabam, e eu fico onde estou.

O PSD vai acabar?

Não acredito. Acho que ele tem condições de crescer e se tornar um partido de centro muito poderoso no Brasil. Está faltando no Brasil o bom senso do centro democrático. Nós temos meninos brincando de centro-esquerda, que é a social democracia, e nós temos outros brincando de esquerda pura. Está precisando do centro, que é a grande democracia brasileira.

Julia Duailibi
No Estadão
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Tucanos deixam Alckmin só


Lideranças nacionais do PSDB, como o senador Aécio Neves, o ex-governador José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deixaram o tucano sozinho.
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O recomeço de Dilma

Ricardo Stuckert
Sem direito a lua-de-mel dos primeiros meses, presidenta toma posse sob pressão da investigação na Petrobras e de mudanças na economia

Vencida a ilusão de que a vitória por 51,6% dos votos em outubro de 2014 seria apenas uma etapa intermediária para um retorno triunfal de Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto em 2018, o segundo mandato de Dilma Rousseff não pode negar sua marca de origem.

O governo que se inicia hoje é produto de uma guerra de trincheiras, num país dividido em fatias muito semelhantes, e muito provavelmente irá carregar traço por um bom período. Sem direito a tradicional lua-de-mel que acompanha o início de todo governo, Dilma irá jogar seu destino numa opção política delicada.

Embora tenha feito opção por um economista conservador, Joaquim Levy, para ocupar o Ministério da Fazenda e recuperar a confiança do empresariado que tomou distância de seu governo nos últimos quatro anos, a presidenta será vitoriosa se, respeitadas as atuais condições de temperatura e pressão, for capaz de trazer resultados equivalentes àqueles que o PT acumula desde que chegou ao Planalto, em 2003: proteção dos mais pobres, melhoria na distribuição de renda, abertura de mais oportunidades a quem reside nas parcelas inferiores da pirâmide social.

No segundo turno de 2014 Dilma venceu uma campanha mutuamente destrutiva contra Aécio Neves e saiu-se vitoriosa em função de um argumento valioso: muitos brasileiros que achavam que o país estava ruim com Dilma, foram convencidos a admitir — pela comparação com as gestões tucanas — que ficaria ainda pior sem ela. O resultado foi a quarta vitoria consecutiva do Partido dos Trabalhadores em eleições presidenciais, proeza inédita depois que a revolução de 1930 eliminou as fraudes institucionalizadas da República Velha.

Apesar da vitória, Dilma enfrentou derrotas estaduais importantes, a começar por São Paulo, sede do maior PIB do país, berço político do partido, onde os petistas já governaram várias cidades de porte. Em determinados pontos do país, dirigentes da Central Única dos Trabalhadores, fundada pelo PT, se recusaram a pedir votos para Dilma no segundo turno. O afastamento de lideranças do PT se acentuou com as primeiras notícias sobre o ministério. A indicação de Katia Abreu para a Agricultura serviu como um toque de recolher de uma parcela de internautas que, nos meses anteriores a votação, construíram uma eficiente muralha de proteção a Dilma no segundo turno.

Embora tenha contado com a benção não só da presidenta, mas do próprio Lula, a chegada de Joaquim Levy ao ministério da Fazenda recebeu sinais opostos do mundo político. Teve direito a aplausos já esperados de adversários do governo e críticas também esperadas de aliados internos, numa situação que antecipou dificuldades maiores no futuro, caso a economia não venha a reagir como se espera até 2016.

“O governo deve satisfação a quem o elegeu,” reagiu o professor Wanderley Guilherme dos Santos, lembrando que a campanha de Dilma chegou a suplicar pelo apoio de eleitores de esquerda para garantir os votos que deram a vitória na reta final.

Acusado pela oposição de ter cometido um estelionato eleitoral ao recrutar os serviços de um economista que nunca partilhou a mesma visão de política econômica, o Planalto necessitará de resultados consistentes — em prazo razoável do ponto de vista do eleitor. Só assim poderá sustentar o argumento de que o ajuste preparado por Levy, mesmo exibindo várias características de um programa de austeridade típico, terá sido apenas um atalho para um retorno a uma situação de crescimento, proteção do emprego e dos salários — e não uma mudança definitiva na orientação econômica. Essa é a aposta do segundo mandato.

Os movimentos do próprio Lula, nas semanas que antecederam a posse, procuram responder a essa situação.

Lula tem agido como o cidadão que, ao enxergar rachaduras e problemas de gravidade variada num edifício político pelo qual é o engenheiro-responsável, decide empregar a própria musculatura para impedir um desastre — segurando as paredes pelo lado de fora.

O ex-presidente procura equilibrar duas forças em situação de permanente instabilidade. Ele foi um ator fundamental nas articulações que levaram Joaquim Levy para a Fazenda.

Ao mesmo tempo, trabalha, à esquerda, para ajudar o governo a colocar de pé bandeiras históricas do PT, como a reforma política e a democratização dos meios de comunicação.

O ambiente politicamente carregado do início do segundo mandato tem uma causa profunda e conhecida. Embora já se pudesse distinguir uma sombra golpista em 2005, por trás das denúncias que levaram a AP 470, em 2014 a oposição perdeu boa parte de seus pruridos democráticos e procura brechas de todo tipo para atacar o mandato de Dilma.

Dois anos depois da Ação Penal 470, o espetáculo jurídico que permitiu a condenação do núcleo histórico de dirigentes do Partido dos Trabalhadores com base em provas fracas para penas fortíssimas, assiste-se, na Operação Lava Jato, a uma nova tentativa de usar a Justiça como instrumento de pressão sobre o sistema político. Os tribunais superiores parecem intimidados demais para assegurar o respeito a jurisprudência sobre prisões preventivas, que recomenda seu uso de modo cauteloso e controlado, pois elas são parte das garantias que protegem os direitos todo cidadão e não podem ser usadas para arrancar confissões de qualquer maneira.

Para além de qualquer descoberta sobre casos de corrupção na Petrobras, que precisam ser investigados e punidos, deve-se temer uma devastação política a ser obtida pela paralisia do governo. Comparada com a AP 470, a operação Lava Jato exibe desde já um horizonte preocupante.

Na década passada, a AP 470 não foi capaz de atingir a economia. O país continuou funcionando, e conseguiu responder de forma positiva às oportunidades de crescimento que surgiram. Após um ano de gelo econômico, em 2003, a partir de 2004 os programas sociais puderam ser construídos. Também foi possível estimular o credito popular e a elevação do salário minimo. Em 2015, o risco é outro.

Depois de envolver a Petrobras, as investigações começam a atingir as grandes empreiteiras de obras públicas, que figuram entre as principais investidoras do setor produtivo. A ameaça, aqui, é que se gere, artificialmente, uma situação de aniquilamento econômico, de consequências nefastas para o crescimento e proteção do emprego. Em vez de caminhar por linhas paralelas, como ocorreu na década passada, os tumultos da política e as dificuldades da economia estão cada vez mais embaralhadas e isso é ruim para todos — o país, para o cidadão comum e para o governo.

Neste ambiente, o governo que toma posse hoje será julgado pela sua capacidade de dar respostas a um horizonte sempre delicado, no qual a eficiência do poder político só pode ser medida pela capacidade de responder a dificuldades reais, num esforço para construir respostas todos os dias, enfrentando problemas inesperados e criando soluções que sequer poderiam ser imaginadas na véspera.

Dilma instalou a Democracia Socialista, uma das menores correntes políticas do PT, no coração do Planalto, onde Miguel Rossetto (Secretário Geral da Presidência) e Pepe Vargas (titular da Secretaria de Relações Institucionais) irão formar o núcleo de poder ao lado de Aloizio Mercadante, da Casa Civil. Não é um trio de apaniguados nem de bajuladores, mas de quadros políticos testados. Dilma aproximou-se do PT através dos dirigentes da DS no Rio Grande do Sul, onde partilharam posições importantes no governo Olívio Dutra. Nasceu ali uma afinidade, política e pessoal, que se mantém até hoje.

A pergunta que se faz a partir de 2015 envolve as relações do governo com o Congresso e com o próprio Partido dos Trabalhadores. As relações tensas e desgastadas entre o Planalto e sua base no Congresso foram um dos traços difíceis do primeiro mandato de Dilma. Nessa circunstância, já difícil, parlamentares do próprio partido querem saber se o Planalto agiu corretamente ao entregar a minoria do partido a tarefa de dirigir a maioria — situação que costuma produzir conflitos e tumultos sem necessidade.

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Relações premiadas

Mesmo incompleta, por força de indecisões presidenciais e de voracidades partidárias insatisfeitas, a montagem do ministério para o segundo governo Dilma Rousseff é uma demonstração de que os problemas de governo e de sistema político são, no Brasil, mais complexos e mais típicos do que em geral se admite.

As más composições do conjunto de ministérios, tornadas norma desde o início da redemocratização, estão explicadas como consequência forçosa do "presidencialismo de coalizão". Na primeira delas, o governo foi aberto para a oposição à ditadura, sob o estandarte do PMDB, e para o segmento de apoiadores da ditadura que por fim a abandonaram, reunidos no que seria o PFL.

A multiplicação dos partidos, hoje mais de 30, instaurou a desordem. Na consequente divisão do Congresso entre múltiplas representações partidárias, várias bancadas não têm expressão política, mas todas são votos na Câmara e no Senado. Votos de que os governos precisam. A obtenção circunstancial desses votos é feita pelo sistema "é dando que se recebe", uma combinação de cinismo e corrupção que já serviu até para dar um segundo mandato de presidente. A maneira dos governantes obterem apoio com alguma permanência é a compra paga com participação no governo: o presidencialismo de coalizão — e de imoralidade e ineficiência.

Uma desgraceira, mas com explicação possível. E não completada em si mesma: há o acréscimo inexplicável. É, consumada a coalizão, a parte presidencial, da sua escolha ou aceitação do nome para representar o partido coligado. Esta segunda etapa é pior do que a primeira. Não só por ser agravante da anterior, mas por não ter sequer a desculpa do sistema viciado que a exige. Sua causa é pessoal: está em cada presidente, inescrutável, no máximo presumida, às vezes.

Só para exemplificar (no entanto, sem os pontos de exclamação merecidos): Renan Calheiros ministro da Justiça de Fernando Henrique; Geddel Vieira Lima, do grupo dos "anões da Câmara" que assaltavam o Orçamento, ministro da Integração Nacional de Lula, quando destinou à Bahia 90% das verbas para uso em todos os Estados (nem assim os baianos o elegeram governador).

Incompleto embora, o novo ministério de Dilma é pródigo no inexplicável. O pastor George Hilton em Esporte, Aldo Rebelo em Ciência e Tecnologia e Jaques Wagner na Defesa podem revelar-se admiráveis nas suas áreas, a vida cria surpresas. Mas a escolha de seus nomes não pode ter partido dessa expectativa de Mega-Sena com cartão simples.

Na ausência total de qualificação para a Defesa, quando o Brasil precisa repensar suas ideias militares obsoletas, Jaques Wagner talvez se explique por suas relações especiais com Dilma. Diante da aberração que é o atraso científico do Brasil, não há como entender que Ciência e Tecnologia não fique com um cientista, em vez de usado como quebra-galho para agrado ao PC do B. Consta que, para evitar problemas, a supervisão dos preparativos da Olimpíada-16 ficará na Casa Civil da Presidência com Aloizio Mercadante. É uma confissão da escolha descabida para Esporte. E um modo de causar dano mútuo à Olimpíada e à Casa Civil.

Baixa compreensão do que é política, conceitos errados de administração pública, escassa noção de responsabilidade, desinteresse funcional, presunção em excesso, confusão entre relações pessoais e instâncias públicas — seja algo por aí ou seja o que for, o "presidencialismo de coalizão" faz muito mal ao Brasil, mas os presidentes conseguem torná-lo ainda pior.

Ano novo

Se você está no lado garantido na vida, aproveite-o bem em 2015. Se está no outro, que a sorte não lhe falte.

Janio de Freitas
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