30 de set de 2015

Tempos Bicudos






Processar ou não processar Bicudo?

Final de vida patético
De repente o Brasil foi tomado por absurdos.

Marta Suplicy, por exemplo, entra no PMDB para combater a corrupção.

Alckmin ganha um prêmio por gestão hídrica e diz que, modéstia à parte, mereceu.

O STF proíbe financiamento privado de campanha e, mesmo assim, Cunha e Renan tramam para derrubar a proibição.

E então chegamos a Helio Bicudo, um absurdo em si.

O que fazer com um homem de 93 anos que se comporta como um adolescente irresponsável?

Imagino que Lula, o alvo maior de Bicudo, esteja se fazendo a pergunta acima.

Acertamente, ainda que com atraso, Lula passou a buscar justiça quando se sentiu injustiçado, e já é respeitável o número de processos que ele pôs na praça.

Pelas barbaridades que vem falando, Bicudo tinha que ser acionado. Mas ele já se aproxima dos 100 anos.

Como processar um velhinho centenário sem parecer um monstro?

Suspeito, apenas suspeito, que ele saiba que a idade lhe dá liberdade de dizer o que quer sem consequências.

Não vejo outra explicação.

No Roda Viva, ele disse que conheceu Lula quando este morava numa casa de 40 metros quadrados.

E daí?

Isso pertence a um passado ancestral.

Como era a casa de Bicudo quando ele se iniciou na vida? A não ser que fosse rico, não devia ter muito mais de 40 metros quadrados.

Lula ascendeu. Foi duas vezes presidente. Saiu e se transformou num dos palestrantes mais bem pagos do mundo, coisa na casa de 100 mil dólares a hora, ou mais.

Ou Bicudo acha que Lula permaneceu com a mesma renda que tinha quando, há décadas, se conheceram?

Bicudo é um embaraço nacional, a esta altura da vida.

Ele conseguiu promover desunião até em sua família.

Os leitores do DCM se lembram do depoimento constrangido que um de seus filhos deu, há poucos dias, sobre as peripécias golpistas do pai. O retrato que emergiu do filho foi o de um homem frívolo, vaidoso, rancoroso — além de um pai daqueles que, francamente, ninguém quer ter.

Pois hoje, este mesmo filho deve ter dormido mal depois do Roda Viva com o pai. Ele curtiu um texto sobre o programa, escrito por Kiko Nogueira, que foi postado em nossa página no Facebook às 5 da manhã.

Volto a Lula: como agir com um ancião que calunia você?

Não sei, francamente.

Se ele tem lucidez para despejar injúrias, deveria estar preparado para enfrentar a Justiça.

Mas não é uma decisão fácil. Bicudo provavelmente entraria no Guiness como o processado mais velho do mundo.

Suspeito que Lula não o processará, embora ele merecesse.

E encerro com uma reflexão.

Para chegar aos 93 como Bicudo prefiro ir antes.

Paulo Nogueira



Filho do Bicudo volta a se manifestar no DCM sobre o pai



Gostaria de parabeniza-lo pelo artigo “Processar ou não processar Bicudo?”. O meu constrangimento e de vários de meus irmãos pelas atitudes irresponsáveis de meu pai é imenso. Parece que não há limites. Lula tem sido extremamente generoso e elegante com meu pai até o momento. Não sei se desta feita irá ou não processar meu pai pelas calúnias que este tem disparado contra ele. No entanto, a indiferença de Lula em relação aos impropérios que meu pai vem desferindo contra ele nos últimos dez anos tem machucado mais do que qualquer processo na justiça. Meu pai quer ficar sempre em evidência, nunca soube descer do pedestal e agora encontrou uma parceira que aproveitou a carona para se promover com um discurso raso, retrógrado, golpista, bem a gosto da parcela da população brasileira mais reacionária e conservadora.

Saudações, José Eduardo Bicudo



Triste fim de Hélio Bicudo

por Paulo Jonas de Lima Piva

Quando militante do PT nos anos 90, eu sempre me perguntava: o que esse tal de Hélio Bicudo, um ultracatólico radicalmente contrário ao aborto e à união civil entre os homossexuais, e que torcia o nariz para o MST, está fazendo num partido de esquerda? Ele é um grande lutador da causa dos direitos humanos, diziam-me seus admiradores. Mas como alguém que é contra o direito da mulher de decidir sobre o seu próprio corpo pode ser um defensor dos direitos humanos? Como alguém que é contra a união civil entre os homossexuais, que é homofóbico, pode ser um defensor dos direitos humanos? Mas ele é "progressista", refutavam-me, apesar disso.

O conservadorismo desse senhor me incomodava como militante petista. Incomodou-me ainda mais quando, ainda nos anos 90, surgiu dentro do PT um grupo que defendia uma aliança estadual com o PSDB para enfrentar o malufismo. Hélio Bicudo estava entre os que sustentavam a tese de que o PT deveria abrir mão de uma candidatura própria ao governo do Estado para apoiar, logo no primeiro turno, Mário Covas, o candidato das elites paulistas que havia sido atropelado nas eleições presidenciais de 1989 pelo então representante de uma oligarquia marginal, Collor de Mello. 

Na semana passada, assistimos ao ridículo da tentativa da direita brasileira ressuscitar o fiasco do "Cansei" e a nefasta "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", no Largo São Francisco, em São Paulo. Quem esteve lá viu: menos de cem pessoas, a maior parte delas de engravatados, usando uma retórica pedante, nada popular, para xingar Lula de fascista e coisas do tipo. Os transeuntes passavam indiferentes, sem nada entender. Dentre esses oradores, ao lado de gente como Miguel Reale Jr e de outros políticos do PSDB estava o ex-petista Hélio Bicudo, o tal do homem merecedor de respeito no meu tempo de militância do PT. Do alto dos seus 88 anos, discursou em coro com os argumentos da Opus Dei, dos escribas da Folha e da Veja, e dos demagogos do PSDB. O ressentimento contra o PT e Lula escorria-lhe pela boca. Será que pelo fato de não o terem colocado num cargo de destaque no governo? Será que pelo fato de Lula não o ter nomeado ministro da justiça? Enfim, Hélio Bicudo estava lá, quase que abraçado à bandeira brasileira, cantando o hino nacional ao lado de reacionários e golpistas da elite, desnudando-se em público, deixando à mostra seu ressentimento, jogando no lixo uma reputação positiva que desfrutava entre um certo público de pessoas progressistas.

Ver Hélio Bicudo ao lado de ministros tucanos e advogados elitistas num ato contra um governo popular e democrático não me surpreendeu em nada. Ele estava em casa.


* * *

Em tempo: O movimento gay concedeu certa vez ao ex-deputado Hélio Bicudo o "Diploma Pau de Sebo" por seus desserviços prestados aos direitos dos homossexuais. Outros deputados contemplados co a "honraria" foram Severino Cavalcanti (DEM) e Inocêncio Oliveira (ex-DEM e agora PR), como podemos ler no link abaixo:

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Entrevista com Pedro Estevam Serrano


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Aécio discursa contra os que não respeitam o resultado das urnas...


Não é que Aécio Neves, o candidato que durante toda a campanha presidencial acusava os adversários de levianos, mostra-se um leviano de primeira?

Ele, que desde o primeiro dia do resultado das eleições, não respeita a escolha do povo que reelegeu a presidenta Dilma, critica duramente os que agiam como ele, no passado. Confira no vídeo.

- Le-vi-a-no!



No Blog do Mello
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Suíça investiga Cunha por corrupção e lavagem


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está cada vez mais encurralado diante de denúncias que o acusam de ter recebido propina no esquema de corrupção da Petrobras investigado na Operação Lava Jato.

O deputado, que já é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), passa a ser investigado na Suíça por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Uma conta bancária atribuída a ele, onde teria sido depositado dinheiro do esquema, foi bloqueada e as informações repassadas ao Brasil pelos pesquisadores suíços.

Na última sexta-feira, o lobista João Augusto Rezende Henriques, delator da Lava Jato, revelou à Polícia Federal ter feito um depósito em uma conta na Suíça que depois descobriu ser de Cunha. O valor nem a data foram revelados. O depoimento confirmou as suspeitas dos investigadores suíços.

Segundo João Henriques, Cunha recebeu propina em retribuição à venda de um campo de petróleo no Benin, na África, para a Petrobras. O negócio foi concretizado graças a uma informação privilegiada concedida pelo peemedebista.
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Reforma ministerial: Casa Civil sai Mercadante entra Jaques Wagner


As especulações sobre a saída de Aloizio Mercadante da Casa Civil foram confirmadas nesta quarta (30). Jaques Wagner, que atualmente ocupa a Defesa, entrará para o núcleo central do governo. Após a saída de Arthur Chioro da Saúde, a sequência da reforma ministerial foi comunicada à cúpula do PMDB. O anúncio oficial sobre as trocas da presidente está previsto para esta quinta-feira (1°). 

Mercadante era visto como fator desagregador dentro do Palácio do Planalto e do Congresso, figura que centralizava o desafeto do PMDB da Câmara, incluindo o presidente da Casa, Eduardo Cunha. A saída de um dos nomes do coração do governo foi o sinal dado pela presidente para a mudança deste segunda mandato. 

Mesmo perdendo ministérios na reforma que será anunciada, a não entrega da Casa Civil ao PMDB atende a uma demanda do partido de Dilma. Jaques Wagner carrega forte apoio do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, os petistas perderão o Ministério da Saúde e duas das três secretarias da área social - Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos - que serão fundidas no Ministério da Cidadania e deve ser comandada por Miguel Rosseto, atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

Aloizio Mercadante retornará à pasta que ocupava antes de assumir a Casa Civil, será deslocado para a Educação, no lugar de Renato Janine Ribeiro. Aldo Rebelo, atual ministro de Ciência e Tecnologia migrará para a Defesa. A pasta de Ciência e Tecnologia está sendo negociada com o PSB e com o PMDB.

O PMDB também ficará com o Ministério da Saúde, uma das sete que devem ser reservadas à legenda. A saída de Arthur Chioro foi concretizada nesta terça (29), em comunicado da presidente por telefone ao então ministro.

No GGN
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Venda de sentenças no Ceará envolve muita grana, cocaína, assassinatos e suicídio

BRA_OPOVO desembargadores tráfico droga

Investigados quatro desembargadores do Tribunal de Justiça do Ceará

No dia 14 de abril de 2014, o desembargador Luiz Gerardo de Pontes Brígido, na época presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE) admitiu, corajosamente, haver um esquema de venda de habeas corpus durante os plantões judiciários, nos fins de semana e feriados.

De acordo com o desembargador, a venda ocorria desde 2011. “Temos indícios de que há uma rede organizada para conceder liminares criminais. Dois desembargadores são investigados pelo CNJ [Conselho Nacional de Justiça]. Há elementos também que incriminam advogados”.

Antes, em fevereiro, ficou constatado que, dos 15.486 processos de pessoas presas no Ceará, analisados pelo Mutirão Carcerário no Estado, 1.109 detentos não foram localizados nas cadeias e penitenciárias onde deveriam estar cumprindo as penas. Parte deles está foragida.

Mensagem no celular do desembargador Luiz Gerardo de Pontes Brígido sobre a venda de habeas corpus nos plantões por 150 mil reais
Mensagem no celular do desembargador Luiz Gerardo de Pontes Brígido sobre a venda de habeas corpus
nos plantões por 150 mil reais
Em 16 de junho último, em coletiva de imprensa, o presidente da OAB-CE, Valdetário Monteiro, revelou:

“É a primeira vez na história do Ceará que se escuta falar e se confirmar corrupção dentro do Poder Judiciário. Hoje podemos dizer que existia um sistema de corrupção organicamente instalado. Nesse momento há fortes indícios de que a venda dos habeas corpus acontecia”, ressaltou Valdetário. De acordo com o presidente da OAB-CE, além dos cinco magistrados investigados, 10 servidores do TJCE, também tem 30 advogados. “Mas isso não quer dizer que todo advogado e desembargador que trabalha nos plantões são corruptos”, destaca. Os advogados envolvidos, segundo Valdetário, serão punidos e excluídos da Ordem.

Na véspera da entrevista, durante ação da Polícia Federal no TJCE, o desembargador Carlos Rodrigues Feitosa foi afastado do cargo.

Os desembargadores Paulo Camelo Timbó e Carlos Rodrigues Feitosa, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) serão investigados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pela suspeita de terem vendido liminares durante plantões judiciários. A partir de proposta da corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, o conselho aprovou por unanimidade a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra os magistrados.

O desembargador Carlos Rodrigues Feitosa é suspeito de conceder liminar para a soltura de três presos após receber R$ 150 mil de advogados que teriam visitado os dois magistrados às vésperas dos seus plantões judiciários. Assim como ocorre no caso envolvendo Timbó, o CNJ também aponta um número elevado de liminares concedidas por Feitosa. No plantão do dia 7 de julho de 2013, o desembargador concedeu 10 liminares entre 10 pedidos de habeas corpus.

Outra evidência das investigações preliminares do conselho são fotos de cédulas de R$ 50 e R$ 100 postadas no Facebook pelo advogado Fernando Feitosa, filho do magistrado, alusivas ao “dia da liminar”. O plenário do CNJ decidiu afastar Carlos Rodrigues Feitosa até o fim das investigações.

Publica UOL hoje (29/09): A PF (Polícia Federal) está desarticulando uma quadrilha especializada em tráfico de drogas internacional, que usava o Ceará e o Rio Grande do Norte como saídas da América do Sul para levar entorpecentes que vinham da Bolívia para a Europa. Segundo a polícia, o esquema envolvia advogados, juiz e desembargadores na compra e venda de alvarás judiciais durante em plantões do Tribunal de Justiça do Ceará. O grupo expedia alvarás de soltura de traficantes presos no sistema prisional do Estado. A fraude foi descoberta durante a Operação Expresso 150, a qual identificou um juiz e um desembargador suspeitos do crime. Policiais estão no prédio do Tribunal de Justiça do Ceará cumprindo mandados de busca e apreensão.

No Claudicando
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Deputados votam mais de 85% das vezes de acordo com recomendação do PMDB


Mais de um terço da base do governo na Câmara votou mais de 85% das vezes conforme orientação da liderança do PMDB, revela pesquisa

Levantamento produzido pelo Laboratório Analytics, concedido com exclusividade para o Congresso em Foco, revela que 134 deputados da base governista, mais de um terço dos congressistas aliados da Câmara, votou mais de 85% das vezes seguindo as recomendações da liderança do PMDB no primeiro semestre legislativo. Ao todo, são 138 os deputados da bancada informal do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma vez que outros quatro pertencem a partidos da oposição.

Veja a lista abaixo:

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Quem ganha com deserções na Esquerda?


Atravessando crise brutal e alvo de ataques incessantes da velha mídia, o PT sofre sangramento sem transfusão em suas bancadas parlamentares e representações executivas, mas menos do que previsto, ao menos até o momento.

Perdeu um punhado de prefeitos em cidades pequenas, concentradamente em São Paulo, mas ganhou outro tanto no Piauí, em Minas e na Bahia, estados nos quais governa e pode oferecer algum atrativo a quem tem olhos postos nas eleições do próximo ano.

Não se pode menosprezar, no entanto, o impacto da saída de Luciano Cartaxo, prefeito de João Pessoa, ou a do importante deputado Alexandre Molon, o mais votado entre os parlamentares petistas do Rio de Janeiro.

O primeiro foi direto para o colo da direita, inscrevendo-se no PSD de Kassab, enquanto o segundo registrou-se na Rede Sustentabilidade, de Marina Silva.

Outras defecções ainda podem ocorrer.

O PCdoB também teve perdas em sua bancada, com dois dos dez parlamentares — o ex-judoca João Derly (RS) e Aliel Machado (PR) — pedindo baixa em sua filiação e também buscando oportunidades na sigla da ex-senadora acreana.

Não é fácil a vida de partidos progressistas, afinal, quando um governo do qual fazem parte gira contra sua própria base social e bate recordes de impopularidade.

A combinação entre desalento programático e possível definhamento eleitoral seiva o ambiente de ruptura tanto para militantes legitimamente dissidentes dos rumos adotados quanto para quadros afoitos por salvar o pescoço sem maiores compromissos com projetos coletivos.

Mas o curioso é que o PSOL, com todo o espaço para se apresentar como alternativa de esquerda e “diferente de tudo que está aí”, além do mais poupado pela imprensa, com alguns de seus integrantes adulados por certos veículos, tenha sofrido perdas relativas até piores que as de PT e PCdoB.

Não tem mais senadores, com o descolamento de Randolfo Rodrigues, e foi-se embora seu único prefeito de capital, o de Macapá.

Despediu-se definitivamente a vereadora Heloisa Helena, de Maceió, estrela máxima do partido em seus primeiros anos, a partir de agora também aderida à agremiação liderada por Marina.

Ganhou a adesão do deputado Glauber Braga e do vereador Brizola Neto, mas isso só prova que o partido continua, como opção viável e atraente, limitado ao Rio de Janeiro. Mesmo assim, fraquejando: o deputado estadual Paulo Ramos, o vereador carioca Jefferson Moura e seu colega de Rezende, Dr. Julianeli, também pegaram o chapéu e saíram de mansinho, igualmente tendo a Rede como destino.

O que está acontecendo, enfim, é mais um indício de que a derrota eventual do PT e do governo não carrega em seu bojo o fortalecimento de uma suposta esquerda da esquerda, mas a escalada das forças mais conservadoras.

A polarização política, mesmo ameaçada a médio e longo prazo, ainda está marcada pelo confronto entre dois campos blocados, um liderado pelo PT e outro pelo PSDB.

Esta é a expressão institucional do conflito entre esquerda e direita, trabalhadores e oligarcas, pobres e ricos. Uma disputa ao redor da qual, a propósito, se organizam o Estado e a sociedade há mais de vinte anos.

Não há qualquer sinal que o esvaziamento ou a derrocada do bloco petista criaria chances de uma alternativa à esquerda.

Enfraquecida, a hipótese principal de superação desta bipolaridade está ao centro, com uma costela oriunda do campo progressista (como é o caso da Rede) ou uma fração do conservadorismo governista (a exemplo do PMDB) assumindo o papel de liderar um bloco de partidos e classes capaz de reordenar a hegemonia burguesa no país, sobre os eventuais escombros do processo comandado pelo PT desde 2003.

A despeito das ilusões nas franjas aparentemente mais radicalizadas da esquerda, as correntes progressistas, gostem ou não da ideia, só terão futuro se forem capazes de resistir à ofensiva conservadora em curso, pressionando pela mudança de rumo do governo Dilma e viabilizando o aprofundamento da agenda vitoriosa há quase treze anos.

Fora dessa equação, o caminho que estará aberto é o da contrarreforma e o da restauração conservadora, pela via que tiver mais condições de sepultar a experiência petista por uma ou duas gerações, enterrando junto as demais variáveis de esquerda.

Breno Altman
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Os riscos da estratégia de Dilma


Algumas considerações sobre a estratégia política e econômica de Dilma Rousseff.
Sua avaliação é que a crise política é decorrência da crise econômica. Resolvendo o nó político, aprovado o pacote fiscal, as coisas se ajeitam da seguinte maneira:
1. O empresariado passará a acreditar na solidez fiscal.
2.  A política monetária do Banco Central reduzirá as expectativas de inflação.
3. Com a queda nas expectativas futuras de inflação, haverá uma diminuição no prêmio de risco das taxas de juros longa, o que poderá ocorrer em meados do próximo ano.
4. Com as taxas despencando, e com as novas condições das concessões públicas, o empresariado voltará a investir, permitindo à economia sair do buraco.
É uma aposta de alto risco, na qual não há  espaço para uma estratégia B.
* * *
Dilma joga um jogo no qual precisa passar por vários níveis.
O primeiro nível é se viabilizar politicamente para acabar de aprovar a pauta fiscal.
O caminho natural seria um acordo com um arco — que vem do segundo governo Lula — representado por Lula e os caciques do PMDB. Mas  Dilma não quer comprometer um centímetro de sua autoridade futura para a eventualidade de conseguir chegar com segurança ao porto seguro da volta do crescimento. Ela aposta no mercado futuro a descoberto.
O caminho escolhido foi tentar cooptar o baixo clero do PMDB, um corpo amorfo que tem seu centro de gravidade no estado do Rio de Janeiro. Na semana  passada ela conseguiu fechar um acordo bem sucedido com o ex-governador Sérgio Cabral, o governador Pezão e o prefeito Eduardo Paes.
Mas é um terreno politicamente fluido, no qual ainda precisa vencer dois obstáculos para passar para o segundo nível: o veto ao reajuste do Judiciário e a aprovação da CPMF.
* * *
Nessa estratégia, a CPMF é a única alternativa que resolve os problemas de caixa com baixo impacto sobre a inflação e sobre  o nível de atividade. Mas, na melhor das hipóteses, só começará a surtir efeito em outubro do próximo ano.
* * *
Conquistando a CPMF, vem a parte mais difícil, passar pela terceira etapa.
A estratégia econômica mira um alvo único: os investimentos em infraestrutura. Esses investimentos recuperarão parte do emprego perdido na construção civil e aquecerão a indústria de máquinas e equipamentos. Mas a economia é muito maior e há o risco do chamado fator engarrafamento.
No período anterior, várias setores cresceram de forma acelerada. A todo processo de crescimento corresponde um aumento do endividamento. Quando o crescimento é frustrado, as empresas precisam adequar o endividamento às novas perspectivas de receita. A única saída é renegociar o prazo.
Aí a empresa se depara com queda da demanda privada, queda dos pagamentos públicos (por causa da crise fiscal), aumento dos juros, trancamento do crédito em reais e encarecimento do crédito em dólares. Muitas delas acabarão batendo de frente com o muro e as empresas que vêm atrás — fornecedores — baterão também.
Lá na frente, se a tempestade amainar, haverá investimento apenas da parte dos concessionários. Para o restante da indústria, a capacidade ociosa atrasará por anos a retomada dos investimentos. 
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Há uma probabilidade pequena que a estratégia dê certo. E uma maior de não chegar ao fim.
O caminho B seria abandonar o plano Levy. Mas as caravelas foram queimadas.

Luís Nassif
No GGN
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Aécio no lado errado da História. De novo!


Aécio Neves e demais lideranças conservadoras do Congresso perderam uma ótima oportunidade para tomar uma decisão que interessa ao país, faz bem ao povo e até poderia contribuir para melhorar biografias marcadas por demonstrações frequentes de falta de compromisso com as regras da democracia, como se vê no esforço permanente para encaminhar um projeto de impeachment de Dilma Rousseff sem apoio em fatos ou provas. 

Estou falando da decisão de  questionar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o financiamento de campanha. Não estamos tratando de matéria secundária,  diga-se. Mas da principal porta de entrada da corrupção em nosso sistema político, onde o dinheiro das empresas permite alugar o poder de Estado às costas da vontade do eleitorado. Por uma conjunção astral que ocorre poucas vezes no céu político de um país, os brasileiros conseguiram livrar-se, quem sabe de uma vez por todas, de uma praga que tantos males causou ao regime democrático, tantos desvios trouxe ao uso racional do dinheiro público. Aécio anunciou, ontem, a disposição de tentar revogar a mudança.

O resultado mais visível que essa atitude pode produzir  é confirmar um comportamento hipócrita, de quem adora cobrar respeito a lei — quando se trata de acusar adversários — mas se recusa a aceitar uma deliberação legítima da mais alta corte da justiça brasileira, quando o resultado final não  lhe convém. Para um partido que transformou as denúncias da  Lava Jato — todas baseadas em dinheiro de empreiteiras com interesses na Petrobras — em  troféu eleitoral, essa atitude é mais do que risível. Mostra uma preocupante, quem sabe incurável, dependência dos partidos de oposição diante das verbas do setor privado.

"Estamos na hora da verdade," afirmou Gilberto Carvalho, em  entrevista ao programa Espaço Público, ontem a noite. Ministro do governo Lula-Dilma entre 2003 e 2015, hoje presidente do Conselho Nacional do SESI, Gilberto Carvalho é um desses fundadores do PT com autoridade para falar do assunto. Nunca deixou de cobrar autocrítica do partido quando seus dirigentes se envolveram em práticas condenáveis. Para Gilberto Carvalho, "esse debate vai mostrar quem quer enfrentar a corrupção e quem faz demagogia para tirar proveito político."

Como você há de recordar, há duas semanas o STF definiu, por 8 votos a 3, que as contribuições de empresas privadas são inconstitucionais. Embora houvesse uma maioria nítida a favor da proibição, desde o início, não foi uma decisão fácil. O debate ficou paralisado um ano e cinco meses,  graças a um escandaloso pedido de vistas de Gilmar Mendes. Enquanto isso ocorria no STF, Eduardo Cunha fazia sua parte na Câmara, mobilizando uma maioria formada com volumosas contribuições de empresas para restaurar aquilo que o Supremo pretendia — já tinha votos para isso — eliminar. Se a ideia era criar um impasse, como é fácil supor, deu errado. Após longa espera, o STF seguiu a votação, definiu a proibição por larga margem e Dilma anunciou o veto.

A decisão do STF poderia ser questionável caso os ministros tivessem exorbitado de seu papel. Isso teria acontecido se, por exemplo, eles tivessem formulado leis específicas para campanhas eleitorais — tarefa que escapa ao Judiciário, pois é uma atribuição específica do Legislativo.

Debatendo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que chegou ao STF em 2011, os ministros limitaram-se a examinar se as leis ordinárias que até hoje autorizavam as contribuições de empresas privadas são compatíveis com a Constituição de 1988. A partir de uma discussão que produziu votos de alta qualidade, capazes de ir a essência de questões sobre a distinção ontológica entre empresas e cidadãos, e também entre o princípio essencial que define o princípio democrático de  1 homem  = 1 voto, como ressaltou o presidente Ricardo Lewandowski, a conclusão é que elas são incompatíveis com princípios constitucionais que punem o abuso de poder econômico.

Os ministros definiram um princípio, sem atravessar uma fronteira, sempre perigosa, de se transformar em legisladores. Agiram com o mesmo método exibido em outros momentos, como em  deliberações sobre células tronco embrionárias e sobre cotas raciais. Imagina-se que irão agir da mesma forma quando chegarem a uma conclusão sobre a liberação ou proibição de drogas.

Seu horizonte consiste em definir o que é direito constitucional, o que não é. No caso das contribuições de campanha, concluiu-se que auxiliar candidatos, inclusive com dinheiro, é uma prerrogativa de quem exerce o direito de votar — coisa que faz parte das atividades de seres humanos, mas não faz parte das atribuições de uma empresa, que sequer são dotados de consciência humana para tanto.

Apoiada na deliberação da mais alta corte do país, o veto de Dilma Rousseff não foi uma decisão isolada. O mesmo projeto que Câmara aprovou tinha sido examinado e reprovado, uma semana antes, pelo Senado, a partir de uma emenda de Vanessa Graziottin (PC do B-AM).

Apoiada por 70% da população brasileira, conforme o Datafolha, a proibição das contribuições de pessoas jurídicas se apoia na convicção de que  elas não passam de uma rasteira compra de favores.

Esse apoio massivo a decisão que o STF tomou reflete a consciência da maioria dos brasileiros sobre o poder nefasto do dinheiro na definição de uma eleição. A grande lição dos sucessivos escândalos de corrupção — que atingem todos os partidos, em todos as esferas do Estado — mostra que não vivemos um sistema no qual o dinheiro está a serviço do voto, ajudando a pagar despesas e custos de campanhas eleitorais de toda ordem. Isso até seria normal. Criou-se um sistema onde o voto pode ser colocado a serviço do dinheiro, o que é inaceitável.

Este é o debate — e cada um tem a chance de escolher o lado em que pretende ficar.

Paulo Moreira Leite
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Sem impeachment, PSDB fica sem rumo nem discurso

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/09/30/sem-impeachment-psdb-fica-sem-rumo-nem-discurso/

Com Eduardo Cunha encurralado por denúncias de cinco delatores da Lava Jato e o governo Dilma trazendo boa parte do PMDB de volta para a base aliada, com a reforma ministerial em curso, o grande derrotado é o PSDB, carregando junto setores da mídia e os movimentos golpistas que jogaram todas suas fichas no impeachment, e agora ficaram sem rumo e sem discurso.

Para uma oposição que tinha como único projeto de vida derrubar a presidente reeleita um ano atrás, como ficou claro no programa de televisão dos tucanos levado ao ar em cadeia de rádio e TV na segunda-feira, os acontecimentos dos últimos dias não poderiam ser mais desalentadores.

Por maiores que sejam as dificuldades enfrentadas pelo governo central na política e na economia, as oposições comandadas pelo PSDB vão ter que recolher suas bandeiras incendiárias do quanto pior melhor e os pareceres dos seus juristas de plantão, pelo menos por algum tempo, pois não conseguiram se apresentar à sociedade como real alternativa de poder dentro das regras constitucionais.

Enquanto o governo ganha tempo, depois de enfrentar nove meses de artilharia pesada, em que a oposição andou a reboque do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do ministro Gilmar Mendes, do STF, o PSDB terá que encontrar um novo discurso para disputar as eleições municipais do próximo ano. Só bater no governo e no PT já não basta. Por enquanto, o partido não tem sequer um candidato competitivo em São Paulo, a maior cidade do país e o principal reduto tucano.

A não ser que surjam fatos novos na Lava Jato, no TSE ou no TCU, a tendência é que o tema do impeachment fique em banho maria, sem prazo para voltar às manchetes. Ao perceber a mudança do vento, até a empresária e socialite Rosângela Lyra, uma das estrelas dos movimentos organizados contra o governo, já caiu fora, depois de brilhar semanas atrás ao organizar um encontro entre o vice-presidente Michel Temer e empresários críticos do governo

"As pessoas acham que a corrupção está só em Brasília, mas está em todo o Brasil. A minha bandeira não é do impeachment. É de transformação do Brasil. Prefiro estar associada ao combate à corrupção", disse ela, ao justificar a sua saída do movimento "Acorda Brasil". Pode ser uma boa dica para os caciques tucanos empenhados na busca de um novo rumo.

Quem saiu ganhando, mais uma vez, foi o PMDB, o verdadeiro partido do poder desde a redemocratização. Além de manter os seis ministérios que já tinha, ainda ficou com o poderoso Ministério da Saúde e conseguiu, finalmente, tirar o seu desafeto Aloizio Mercadante da Casa Civil. Nem PT nem PSDB, os partidos que se revezaram no Palácio do Planalto nos últimos 20 anos: a bola agora está com o PMDB. Alguma surpresa?

Vida que segue.
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Humberto Costa ataca manobra de Renan e Cunha por doação de empresas Humberto_Costa05


O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), questionou na terça-feira, dia 29/9, em discurso na tribuna da Casa, a articulação do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB/AL), e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), de colocar em votação pelos senadores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que libera as doações de empresas a campanhas políticas.

Segundo Humberto, a apreciação da matéria esta semana, aprovada na Câmara após uma manobra regimental de Cunha, desrespeita um acordo firmado entre os líderes partidários do Senado em reunião recente, além de ir contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que vetou o financiamento privado e a vontade de mais de 80% dos brasileiros, contrários à medida.

“Além disso, a proposta que autoriza a inscrição dessa porta aberta à corrupção na nossa Lei Maior não tem nem parecer da Comissão de Constituição e Justiça. A sua votação, agora, ainda desrespeita o regimento interno do Senado, já que haverá supressão do interstício previsto no regimento”, afirmou. Para valer nas eleições de 2016, a emenda constitucional tem de ser aprovada até o dia 2 de outubro.

Para o líder do PT, o Senado não pode fazer o jogo que a Câmara fez, votando duas vezes uma medida derrotada, em flagrante desrespeito à lei, que seria inaceitável. “Derrubamos o projeto naquela noite memorável do dia 2 deste mês por 36 votos a 31 e estamos dispostos, senadores de diversos partidos, a também jogar uma pá de cal sobre essa PEC definitivamente aqui no plenário”, afirmou. “Mas não por cima do regimento.”

Humberto diz que não faz sentido que os senadores votem o texto dessa maneira, inclusive porque pode gerar instabilidade jurídica para o pleito de 2016. “As mesmas entidades que entraram com ações de inconstitucionalidade na Justiça contra as doações privadas a partidos e candidatos irão tomar iniciativas semelhantes de novo”, avalia. O julgamento no Supremo sobre o tema foi feito a partir de uma ação da OAB questionando a constitucionalidade do financiamento de empresas.

“O Senado tem de se somar ao STF nesse movimento por uma verdadeira reforma política, que o Congresso ainda não fez e que, até agora, coube ao Supremo capitaneá-la quando decidiu, por 8 votos a 3, proibir que empresas — que não votam nem podem ser votadas — continuem interferindo no processo eleitoral”, comentou.

No discurso, o parlamentar ressaltou que a presidenta Dilma deve vetar o projeto aprovado na Câmara que libera as doações empresarias a campanhas políticas em todo o país. Segundo ele, a medida, que deverá ser publicada em edição extra de hoje do Diário Oficial da União, é extremamente coerente com a decisão do STF.

Humberto lamentou ainda que o Congresso Nacional não tenha feito uma ampla reforma política para mudar o atual sistema, completamente exaurido em sua opinião. Para ele, as alterações propostas pelos deputados e senadores não passaram de perfumaria e não mexeram em alguns dos principais pontos do sistema.

“Não ampliamos os mecanismos de participação democrática, não dotamos o país de mais instrumentos de democracia direta, não arejamos a nossa estrutura com novas ideias e novos princípios, não estreitamos as relações entre representantes e representados”, disparou.





Fátima Bezerra condena PEC que trata de doação de empresas em campanha eleitoral





É inaceitável que Congresso insista em financiamento empresarial, critica Fux

Para ministro do STF, votação da medida pelo Legislativo pode representar “uma maneira de tentar burlar decisão do Supremo”


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux declarou, em entrevista ao jornal “Estado de S. Paulo”, ser inaceitável que os parlamentares votem a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que autoriza o financiamento empresarial a campanhas e a partidos.

De acordo com Fux, o Supremo declarou a inconstitucionalidade porque o financiamento empresarial viola cláusulas pétreas “relativas à democracia, ao sistema republicano”.

“É inaceitável que, depois de decisão do Supremo, o Congresso Nacional insista em algo que não é o sentimento constitucional admissível, qual seja o de que empresas que não têm ideologia nenhuma continuem a financiar campanhas políticas”, defendeu.

A retomada da discussão pelos parlamentares, avalia, pode representar “um atentado à dignidade da jurisdição, uma maneira de burlar decisão do STF”.

Para entrar na pauta desta semana do Congresso, todos os partidos deveriam concordar com a votação da medida, o que não ocorreu. O PT foi um dos partidos que rejeitou a votação.

A doação de empresas só valeria para as próximas eleições, em 2016, se fosse aprovada até o final desta semana. Na terça-feira (29), a presidenta Dilma Rousseff vetou o item na minirreforma eleitoral que autorizava a doação de empresas.

A decisão da presidenta segue a mesma orientação do PT, que não recebe, desde o início do ano, recursos de empresas. Durante a reforma eleitoral no Congresso, todos os parlamentares do partido votaram contra o financiamento empresarial.
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O dia em que Sérgio Moro prestigiou o maior operador do PSDB paulista


No site de Veja, foi consagrador o relato da palestra de Sérgio Moro ao público de empresários ligados à LIDE, de João Dória Jr.

Cerca de 580 empresários e consultores almoçaram hoje com o juiz Sergio Moro, encarregado da Operação Lava Jato, no hotel Grand Hyatt em São Paulo.

O público presente ao evento, promovido pelo grupo empresarial LIDE, era maior que o público do almoço que a LIDE organizou com Aécio Neves durante a campanha eleitoral do ano passado.

Aplaudido de pé, Moro foi elogiado pelos presentes por sua ‘postura comedida’, ‘humilde’ e sua capacidade de evitar o deslumbramento apesar de ter todos os holofotes do País sobre ele.

Moro disse que a iniciativa privada acaba cedendo à tentação de pagar propina para obter facilidades. “A corrupção é um problema que sempre vai existir, mas a questão é o nível de corrupção,” disse ele, acrescentando que há diversos indícios de que, no caso investigado pela Lava Jato, a corrupção ‘entrou num nível sistêmico’.

“O que mais me incomoda é a percepção de naturalização da propina,” disse Moro. “Às vezes há uma certa dificuldade de se obter uma resposta sobre o motivo do pagamento. Segundo ele, em muitos casos os investigados apenas respondiam: “Era a regra do jogo.

Ao lado de Moro, um dos anfitriões do encontro concordava com a cabeça e puxava as salvas de palmas para o juiz. Ali estava o homem capaz de passar o país a limpo e permitir ao empresariado trabalhar limpamente. Tratava-se de Washington Cinel, dono da Gocil, empresa de segurança, um dos grandes exemplos das oportunidades que o novo Brasil abre aos self-made-men.

Graças ao seu empreendedorismo, Washington tornou-se um dos homens de ouro de Dória, que o nomeou presidente da Lide Segurança.

Washigton entusiasmou-se especialmente na conclamação que Moro fez ao empresariado:

“O empresariado tem muita força para fazer as reformas das instituições e para dizer não no caso de cobrança de propina e, em caso de extorsão, deve levar as denúncias para as autoridades.

Rapidamente, deve ter passado pela cabeça de Washington as etapas que o fizeram sair do interior e conquistar a capital. De mero funcionário da prefeitura de Reginópolis (SP) tornou-se um empreendedor bem-sucedido, mostrando como o Brasil é uma terra de oportunidades.

Sua revanche sobre a infância pobre foi a compra da casa do grande representante do andar de cima da velha geração, José Ermírio de Moraes. Comprou e adquiriu as casas em volta para construir provavelmente a mais cara mansão do país, avaliada em R$ 200 milhões não apenas pela imponência da obra, mas pelas antiguidades adquiridas em Londres.

Não apenas ela, mas a mansão em Miami e na praia de Tabatinga e o prédio de dez andares da Gocil, no qual o andar do presidente permitiria até jogar golfe.

Lá, os convidados de Washington almoçam banquetes servidos por garçons utilizando luvas, exemplo máximo de que, se a riqueza não traz lustro intelectual, ao menos permite copiar os rapapés dos grã-finos.

O empreendedor político

Para quem compara o começo e o apogeu da carreira de Washington, tem-se ali o exemplo acabado do empreendedor brasileiro nato, sendo um dos anfitriões do juiz que quer passar o país a limpo.

De perto, o personagem é tão conhecido como a própria história do país, lembrando alguns personagens do Vaudeville que Carlos Gomes encontrou na Europa quando partiu para lá: o sujeito que enriquece na política e vai gastar seu dinheiro no cancan.

Washington saiu de Reginópolis exonerado da prefeitura por malfeitos. Seguiu para Bauru, ingressou na Polícia Militar e chegou a tenente.

Encontrou o mapa da mina ainda no governo Quércia, quando montou a Gocil e conseguiu os primeiros contratos de terceirização do Estado, junto com vários outros oficiais que passaram a constituir a República da PM, ascendendo ao poder financeiro e político com suas empresas de segurança, compondo-se com sucessivos governos estaduais. Tem como maiores clientes a Companhia Metropolitana do Metrô e outras estatais paulistas.

É conhecido pela absoluta aversão a pagar impostos.

Seus débitos com o INSS atingem R$ 700 milhões, a maior parte decorrente de contribuições descontadas em folha e não repassadas ao órgão — sistema que já colocou muitos empresários pouco influentes na cadeia.

É um mistério como consegue operar sem certidões negativas em um setor que é controlado de perto pela Polícia Federal. Há suspeitas de que ele opera em São Paulo com certidões negativas de outros estados, especialmente do Paraná.

A casa do empresário que Moro prestigiou fica na rua Costa Rica, em frente à de Paulo Maluf e de J. Hawila, três ícones do Brasil que Moro diz pretender passar a limpo.

Nos últimos tempos decidiu entrar no ramo de administração de hospitais. Seu alvo prioritário são os hospitais do estado de São Paulo.

Tornou-se unha e carne de João Dória, que o colocou como presidente da LIDE Segurança. Sua aproximação com Dória se explica pelo elo com o PSDB, uma mão lavando a outra. Hoje em dia é considerado o principal operador dos financiamentos de campanha do governo paulista, devido à sua enorme facilidade em emitir notas fiscais.

Luís Nassif
No GGN
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O que mais Eduardo Cunha tem que fazer para ser detido?

Intocável
O que mais Eduardo Cunha tem que fazer para que o detenham?

Assaltar um banco à luz do sol? Bater na sogra no Dia das Sogras?

Um, dois, três, quatro, cinco depoimentos coincidem em acusá-lo de coisas pesadíssimas no terreno da corrupção.

Daqui a pouco não haverá mais dedos para fazer essa contagem macabra.

E o que se vê é Eduardo Cunha conspirando como se estivesse livre de qualquer suspeita.

Sabe-se que ele quer agora derrubar uma decisão, a um só tempo, do STF e de Dilma, a que vetou dinheiro de empresas nas campanhas.

Cunha tenta achar uma gambiarra que permita a manutenção dessa que é a fonte primária de corrupção no país.

Em qualquer situação, seria um acinte. Nas presentes circunstâncias, é um crime de lesa pátria.

Como sempre, ele legisla em causa própria. Cunha simplesmente não existiria sem os milhões que as empresas investem nele para que, no Congresso, defenda os interesses delas.

Ele se elege com este dinheiro e, como sua capacidade arrecadadora é enorme, ajuda a eleger outros políticos que comerão depois em sua mão.

Foi assim que virou presidente da Câmara.

Tantas evidências se acumulam contra ele e Cunha age como um Napoleão do Congresso, para vergonha do país.

Por que essa impunidade não termina?

Cunha simplesmente desmoraliza a tese de que o Brasil trava um combate épico contra a corrupção.

Ao contrário, ele reforça a suspeita de muitos de que este combate épico é seletivo, cínico e demagógico. É fácil engaiolar Dirceu, Genoíno, Vaccari. E virtualmente impossível dar o mesmo destino ao outro lado, mesmo com a folha corrida de um Eduardo Cunha

Fiz a pergunta que abre este artigo no Facebook: o que Cunha tem que fazer para responder por suas delinquências?

Uma resposta foi aplaudida por muitos internautas: filiar-se ao PT.

Parece que esta é uma condição na Lava Jato de Moro e da PF: ser do PT.

Rir ou chorar?

Os filósofos sempre recomendaram rir da miséria humana em vez de chorar.

Riamos, então, da miséria da Justiça brasileira.

Paulo Nogueira
No DCM
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Marta — o antes e o depois

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Entrevista com Ciro Gomes


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Nota de resposta ao Estado de S. Paulo


Em seus dois mandatos, Lula chefiou 84 delegações de empresários brasileiros em viagens por todos os continentes. A diplomacia presidencial contribuiu para aumentar as exportações brasileiras de produtos e serviços, que passaram de US$ 50 bilhões para quase US$ 200 bilhões, e isso representou a criação de milhões de novos empregos no Brasil.  Só uma imprensa cega de preconceito e partidarismo poderia tentar criminalizar um ex-presidente por ter trabalhado por seu país e seu povo.

Há uma repetitiva, sistemática e reprovável tentativa de alguns órgãos de imprensa e grupos políticos de tentar criminalizar a atuação lícita, ética e patriótica do ex-Presidente Lula na defesa dos interesses nacionais, atuação que resultou em um governo de grandes avanços sociais e econômicos, com índices recorde de aprovação.

Temos a absoluta certeza da legalidade e lisura da conduta do ex-presidente Lula, antes, durante e depois do exercício da Presidência do país, e da sua atuação pautada pelo interesse nacional. 

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula
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RBS busca substituto para Duda Melzer



Nelson para Eduardo, na festa da posse da RBS em 2012: “Duda, não se acadele!”
Foto: Divulgação RBS
Ainda não é oficial, mas será: caiu o presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, o Duda.

O afastamento do principal executivo do maior grupo de mídia do sul do país deverá ser formalizado em outubro. Uma empresa de head-hunters de São Paulo já está procurando um profissional que assuma o comando do conglomerado sulista e de forte repercussão na mídia nacional, já que a RBS é a maior afiliada da Rede Globo no Brasil.

O grupo possui 18 emissoras de tevê que cobrem 789 municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de sete rádios e seis jornais, liderados por Zero Hora, o diário mais influente da região e o sexto jornal de maior circulação no Brasil.

Eduardo Sirotsky, neto do fundador da RBS, Maurício Sirotsky (1925-1986), assumiu o comando do grupo em 2012, recebendo o bastão de comando do tio, Nelson Sirotsky, da segunda geração da família mais poderosa da mídia da região Sul.

O que parecia promessa virou decepção. O jovem Duda, então com 40 anos, se defrontou com uma crise de conjuntura que mesclou redução de faturamento, aumento de custos, fuga de leitores e a crise existencial da internet que atingiu o fígado, o bolso e o modo de operação dos jornais impressos, núcleo central que sempre deu prestígio e influência às famílias tradicionais da grande mídia brasileira.

A crise que afetou Zero Hora e outros grandes jornais erodiu o prestígio dos Sirotsky — e o comandante em exercício na terceira geração, Duda, acabou pagando o pato. Para tentar estancar a sangria, ele acertou em 2013 a contratação de um consultor respeitado em São Paulo e temido pelo apelido que o define: Cláudio Galeazzi, um especialista em hemorragias empresariais que, à custa de seu rigor impiedoso e cirúrgico, conquistou no mercado a merecida fama de Galeazzi Mãos de Tesoura.

Sua aparição no grupo, sobrevoando o emprego de seus 6.500 funcionários, foi revelada no numa reportagem em setembro de 2014 sob o título de “A tesoura que assombra a RBS”. A lâmina de Galeazzi cortou fundo na empresa, fundo demais. O fio agudo do consultor acabou sangrando até as relações entre criador e criatura, os dois Sirotsky que se revezaram no poder, Nelson e Eduardo.

Gente de confiança de Nelson foi tesourada, sem piedade, pelo plano de arrocho imposto por Eduardo. Dois homens da tropa de elite de Nelson — o vice-presidente de jornais, rádio e digital, Eduardo Smith, e o diretor de jornalismo, Marcelo Rech — foram excluídos do círculo de decisão da RBS, provocando uma cisão irreparável nas relações entre tio e sobrinho. Eduardo afastou Rech da área crítica da direção editorial, contrariando frontalmente a visão de Nelson, que via o jornalista como uma referência de ponderação nas decisões sempre delicadas da redação.

Apostas erradas

O sobrinho, um inexperiente administrador de empresas com rápida passagem na juventude por uma inexpressiva franquia de pirulitos e balas, acabou sendo uma aposta errada do tio. Eduardo não mostrou o talento e o apego jornalístico que Nelson herdou do pai, Maurício, um homem que trazia a comunicação nas veias do veterano profissional de rádio.

A sangria desatada dos últimos tempos mostrou ao clã Sirotsky que o próprio Galeazzi e sua impiedosa tesoura também foram apostas equivocadas. Nelson e membros da família acham, agora, que a dose foi exagerada, e o desgaste na imagem vencedora da RBS tornou-se insuportável. Os laços profissionais com Galeazzi estão cortados, ele já cumpriu sua missão de serial killer com louvor, e ninguém mais quer lembrar de sua sangrenta passagem por lá. Para conveniência geral, a conta da contratação de Galeazzi ficou nos ombros largos do jovem Duda Sirotsky.

Diante do tamanho da crise que afeta os negócios da comunicação, agravada pelas dificuldades mais amplas da economia brasileira, a família Sirotsky percebeu agora que Eduardo não tem o perfil para cavalgar o tsunami da conjuntura e não tem o pulso necessário para impor um novo rumo à RBS.

Com a frieza de um Galeazzi, Nelson aprovou, na família, a dolorosa decisão de tesourar o sobrinho, afastando-o da cadeira de comando antes que o buraco fique maior. Coincidência ou não, isso fará com que Eduardo Sirotsky Melzer compareça à CPI do CARF, no Senado Federal, na condição de ex-dirigente da RBS. Ainda não há data marcada para seu depoimento, mas ele já foi convocado para depor em nome da RBS, uma das principais empresas brasileiras flagradas pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, que investiga a manipulação de multas e crimes de sonegação no âmbito da Receita Federal.

Fim da perpetuação

Eduardo prepara o desembarque da RBS há algum tempo. Nunca formalizou a transferência da mulher, Lica, de São Paulo para Porto Alegre e, há algum tempo, trocou a casa na capital gaúcha por um apartamento, onde mora só. A mudança já foi concluída para a sua mansão no elegante bairro do Morumbi, na capital paulista, onde ele pretende morar definitivamente — dentro ou fora da RBS.

A ousada decisão da RBS de requisitar os serviços de uma empresa head-hunter para definir o sucessor de Eduardo mostra que a família desistiu do privilégio hereditário de manter um Sirotsky no comando da empresa. É um exemplo inesperado de profissionalismo, que afeta o dogma da ‘perpetuação’ que o clã Sirotsky cultivou com obstinação até agora. Mas, revela também o reconhecimento de que não encontraram, nas veias familiares, o talento empresarial necessário para manter a RBS no rumo de sucesso que tinha com os dois primeiros Sirotsky, Maurício e Nelson.

No grande evento de Porto Alegre da transmissão de mando na RBS, em 2012, as fotos mostram um sorridente Nelson Sirotsky cumprimentando o eufórico Eduardo Sirotsky Melzer. Sem perceber que o microfone continuava aberto, o tio deu um forte abraço no sobrinho e fez uma clara recomendação, que repetiu duas vezes, numa inconfidência que ecoou pelo salão:

— Não se acadele, Duda, não se acadele!

O verbo acadelar, no restrito linguajar gauchesco, significa desmotivar-se, perder a coragem, apequenar-se, quase uma desonra para o rígido código de ética do gaúcho tradicional. Nelson Sirotsky, sem querer, definiu nesse descuido, num momento de festa, o que acontece agora no momento de tragédia pessoal do sobrinho.

Luiz Cláudio Cunha
No Desacato





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10 coisas que você não vai ver no programa do PSDB na TV


O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) listou, em sua página no Facebook, 10 assuntos que não serão vistos no programa do PSDB veiculado esta semana nas emissoras de rádio e TV. Confira a lista de temas censurados pelos tucanos.

1) Explicação sobre os 124 voos particulares de Aécio com dinheiro público;

2) Defesa do financiamento privado de campanha, apontado por especialistas como a principal causa da corrupção;

3) Sob gestão tucana, o estado de São Paulo sofre diariamente com a crise da água;

4) Por que eles querem privatizar o Pré-Sal, a maior jazida de petróleo do mundo, retirando bilhões da saúde e da educação dos brasileiros;

5) Explicação sobre a propina de R$ 5 milhões recebida por Aécio, segundo depoimentos da Lava Jato;

6) Como o Senador Aécio Neves usou recursos públicos para construir um aeroporto particular em propriedade familiar;

7) Explicação sobre a compra de votos para a PEC da Reeleição de FHC;

8) Por que FHC extinguiu a comissão especial para apurar a corrupção no Brasil;

9) Na era FHC o Brasil era recordista na criação de impostos;

10) Sem perspectiva de voltar a governar o país pelo voto do povo, o PSDB é a favor do Golpe.
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Os programas do PT na TV



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29 de set de 2015

Ao tentar blindar Cunha, jornalismo da Globo coleciona vexames — assista

TV dos Marinho parece manter acordo com Eduardo Cunha e "terceiriza" acusações contra presidente da Câmara

Eduardo Cunha está cada vez mais envolvido em denúncias de
corrupção e já vira alvo da mídia
Gustavo Lima
Em depoimento na sexta-feira (25) aos investigadores da Operação Lava Jato, João Augusto Henriques, preso como operador do PMDB, afirmou ter aberto uma conta na Suíça para pagar propina ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo Henriques, o pagamento teria sido ordenado por Felipe Diniz, filho do falecido deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG). A propina seria ligada à negociação de um campo de petróleo em Benin, na África, pela diretoria internacional da Petrobras, onde Cunha teria influência na época.

A notícia foi publicada primeiro no jornal O Estado de S. Paulo. Diante da grande repercussão, no sábado (26) o Jornal Nacional foi obrigado a reproduzir trechos do jornal impresso, sem fazer qualquer apuração própria. Os fatos até foram narrados de acordo com a notícia original, mas a chamada e principalmente a conclusão da matéria foram mais um vexame jornalístico da TV Globo.

O telejornal soltou esta pérola ao vivo e em cores para encerrar a matéria: "O Jornal Nacional não conseguiu falar com Eduardo Cunha sobre a nova denúncia, mas quando foi citado pelo delator Júlio Camargo como destinatário de US$ 5 milhões, Cunha disse que desmentia com veemência o que chamou de 'mentiras do delator'".



Traduzindo: Eduardo Cunha e sua assessoria fugiram de dar explicações sobre a nova denúncia, então o JN "vestiu a camisa do deputado" e publicou uma resposta antiga de uma denúncia anterior.

Isso não é jornalismo. O JN agiu como a própria assessoria de imprensa do deputado. Não é a primeira vez, como já mostramos em nota anterior aqui na Rede Brasil Atual.

Diante disso fica a pergunta: que acordo tem a TV Globo com Eduardo Cunha para dar tanto vexame jornalístico?

Quase toda a imprensa tradicional blindou Cunha quando ele se lançou candidato à presidência da Câmara dos Deputados, ignorando episódios polêmicos de sua biografia. Mas, a partir de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, persistiu em investigá-lo, a cada dia surgem fatos novos que complicam a situação do parlamentar. Fica cada vez mais difícil, pra não dizer impossível, esconder a investigação no noticiário.

Ontem (28), a Folha de S.Paulo desengavetou outra "novidade" antiga. Publicou que Cunha é investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por ter recebido dinheiro desviado do Prece — fundo de pensão da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) do Rio de Janeiro — entre 2003 e 2006.

A "novidade" é antiga porque a processo na CVM foi aberto em 2012. Será que se a Folha tivesse publicado antes da eleição para presidente da Câmara, em fevereiro deste ano, Cunha teria chegado a presidente da Casa?

Na noite de ontem, novamente o Jornal Nacional reproduziu a notícia da Folha, também sem fazer apuração própria. Parecia até estar se justificando ao "amigo" Cunha: "Foi a Folha que soltou, então não teve como abafar".



É assim que vemos a imprensa tradicional se comportando como os ratos que abandonam o navio quando começa o naufrágio. Enquanto Cunha estava em ascensão, o bajulava, blindava e mantinha seu passado engavetado. Só quando despontou a real ameaça de cair em desgraça começaram a desengavetar os malfeitos sabidos há tempos.

Notícias desses desvios no Prece existem desde 2006, quando este fundo de pensão foi investigado na CPI dos Correios. O que seria novidade de fato é porque ainda "não veio ao caso" até hoje uma investigação séria feita pela Procuradoria-Geral da República, mesmo havendo um processo administrativo aberto há três anos na CVM.

Mas isso nenhum jornal da imprensa tradicional quer saber. Ainda.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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Gilmar Mendes processa Guilherme Boulos após críticas em jornal


O ministro do STF foi à Justiça contra o líder do MTST por conta de coluna publicada na Folha de S. Paulo em que é chamado de “bravateiro de notória ousadia”. “Essa ação revela a dificuldade do ministro de lidar com críticas exercidas dentro do direito da liberdade de expressão”, rebate Boulos

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes decidiu processar por danos morais o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, por artigo que escreveu na Folha de S. Paulo criticando a atução do magistrado. Conforme informações do próprio jornal, Mendes pede indenização de R$ 100 mil e a ação corre na Justiça do Distrito Federal.

No texto, intitulado “Gilmar Mendes e o Bolivarianismo” e publicado em 13 de novembro de 2014, Boulos comenta uma declaração de Mendes, dada no início daquele mês, alertando para o risco de que o STF “se converta numa corte bolivariana” com a possibilidade de “governos do PT terem nomeado dez de seus onze membros a partir de 2016″. O líder do MTST escreveu que o ministro é um “bravateiro de notória ousadia” e relembrou algumas de suas decisões que, segundo a Folha, “favoreceram o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda e o ex-senador de Goiás Demóstenes Torres — ambos do DEM e abatidos em escândalos de corrupção — e o banqueiro Daniel Dantas, preso pela PF e libertado por ordem de Mendes”.

“Essa ação revela a dificuldade do ministro de lidar com críticas exercidas dentro do direito da liberdade de expressão. Ninguém está acima de crítica em uma democracia”, afirmou Boulos ao jornal.

Abaixo, leia a íntegra da coluna que motivou o processo:
Gilmar Mendes e o Bolivarianismo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, saiu “às falas” mais uma vez. Na semana passada, o ministro deu uma entrevista à Folha alardeando o risco de “bolivarianismo” no Judiciário brasileiro.

Afinado, como sempre, com o PSDB e ecoando as vergonhosas marchas de Jair Bolsonaro (PP) e companhia, apontou a iminente construção de um projeto ditatorial do PT, que passaria pela cooptação das cortes superiores. Não poderia deixar de recorrer ao jargão da moda.

Gilmar Mendes, todos sabem, é um bravateiro de notória ousadia. Certa vez, chamou o presidente Lula “às falas” por conta de um suposto grampo em seu gabinete, cujo áudio até hoje não apareceu. Lula cedeu e demitiu o diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Mais recentemente, o ministro comparou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a um “tribunal nazista” por ter barrado a candidatura de José Roberto Arruda (PR) ao governo do Distrito Federal. O único voto contrário foi o dele.

O próprio Arruda afirmou que FHC — que indicou Mendes ao STF — trabalhou em favor de sua absolvição. Para quem não se recorda, Arruda saiu do palácio do governo direto para a prisão após ser filmado recebendo propina.

Quem vê o ministro Gilmar Mendes em suas afirmações taxativas e bradando contra o “bolivarianismo” pensa estar diante do guardião da República. Parece ser o arauto da moralidade, magistrado impermeável a influências de ordem política ou econômica e defensor da autonomia dos poderes.

Mas na prática a teoria é outra. Reportagem da revista “Carta Capital”, em 2008, mostrou condutas nada republicanas de Mendes em sua cidade natal, Diamantino (MT), onde sua família é proprietária de terras e seu irmão foi prefeito duas vezes.

Lobbies, favorecimentos e outras suspeitas mais. Mendes, que questionou o PT por entrar com ação contra a revista “Veja”, processou a revista “Carta Capital” por danos morais.

Já o livro “Operação Banqueiro”, de Rubens Valente, mostra as relações de Mendes com advogados de Daniel Dantas, que após ser preso pela Polícia Federal na Operação Satiagraha, foi solto duas vezes pelo ministro em circunstâncias bastante curiosas. Na época, ele também acusou uma ditadura da PF, mostrando o que parece ser seu estratagema predileto.

Mais recentemente, seu nome foi envolvido na investigação da Operação Monte Carlo, sob a suspeita de ter pego carona no jatinho do bicheiro Carlinhos Cachoeira, na ilustre companhia do senador Demóstenes Torres, cassado depois por seu envolvimento no escândalo. Em julho deste ano, Mendes deu uma liminar que permitiu a Demóstenes voltar ao trabalho como procurador de Justiça.

São denúncias públicas, nenhuma delas inventada pelo bolivariano que aqui escreve. Assim como é público que o ministro mantém parada há 7 meses a ação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que propõe a inconstitucionalidade do financiamento empresarial de campanhas e que já obteve a maioria dos votos no Supremo, antes de seu pedido de vistas.

Ou seja, a trajetória de Gilmar Mendes está repleta de ligações políticas e partidárias, aquelas que ele acusa nos outros magistrados, os bolivarianos. Afinal, o que seria uma “corte bolivariana”? Se tomarmos os três países sul-americanos que assim são identificados — Venezuela, Bolívia e Equador — veremos que todos passaram por processos de reformas no Judiciário.

No caso da Bolívia, a reforma incluiu o voto popular direto para juízes, estabelecendo um controle social inédito sobre o Poder Judiciário. O mesmo controle que já existe sobre o Executivo e o Legislativo.

Por que o Judiciário fica de fora? Por que não presta contas para a sociedade? Não, aí é bolivarianismo!

Na Venezuela e no Equador o foco das reformas foi o combate das máfias de toga e dos privilégios de juízes. Privilégios do tipo do auxílio-moradia que os juízes brasileiros ganharam de presente do STF neste ano. Mais de R$ 4.000 por mês para cada juiz. A maioria deles tem casa própria, mas mesmo assim poderá receber o auxílio. Cada auxílio de um juiz poderia atender a oito famílias em situação de risco.

O Judiciário é o único poder da República que, no Brasil, não tem nenhum controle social. Regula a si próprio e estabelece seus próprios privilégios. Mas questionar isso, dizem, é questionar a democracia. É bolivarianismo.

Este tal bolivarianismo produziu reformas estruturais e populares por onde passou. Os indicadores mostram redução da desigualdade social, da pobreza, dos privilégios oligárquicos e avanços consideráveis nos direitos sociais. Basta ter olhos para ver e iniciativa para pesquisar. Os dados naturalmente são de organismos bolivarianos como a ONU e a Unesco.

Pena que nessas terras o bolivarianismo seja apenas um fantasma. Fantasma que a oposição usa para acuar o governo e o governo repele como se fosse praga. Afinal, Gilmar Mendes pode chamá-lo “às falas”.

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A importância simbólica da imagem de Haddad na classe econômica

Clap, clap, clap
É uma maravilha, do ponto de vista da simbologia, o prefeito Haddad viajar de classe econômica.

Um homem público não é apenas o que ele fala e faz: é também o que transmite.

O Brasil é indigente no capítulo da frugalidade simbólica na política.

E o mundo tem exemplos formidáveis. Cito dois deles, Francisco e Mujica.

Francisco andava de táxi por Buenos Aires quando cardeal, e foi para o conclave do qual sairia papa de classe econômica.

Mujica é seu Fusquinha azul.

Mesmo políticos conservadores estão agindo de acordo com os tempos agudos de crise mundial. Dias atrás, o premiê inglês David Cameron foi flagrado na classe econômica de um voo a caminho de Portugal, a serviço.

Compare esse tipo de coisa ao que vigora no Brasil.

Aécio fez 124 viagens para o Rio no avião de Minas nos dias de governador para fazer jus a sua fama de garoto do Leblon.

Joaquim Barbosa, quando presidente do STF, pegou o jato da FAB, encheu de jornalistas amigos e foi fazer uma palestra de majestosa insignificância na Costa Rica.

Você poderia e deveria esperar que, com o PT no poder, os governantes dariam um exemplo de simplicidade.

Não foi, no entanto, o que ocorreu. Mercadante, segundo um levantamento divulgado por Boechat, é um dos maiores usuários de voos ao estilo tristemente consagrado por Aécio.

Nem Lula e nem Dilma foram eficientes neste quesito, e é uma pena. Sobretudo Lula, faz tempo que é muito mais comum vê-lo se deslocando em jatos e helicópteros de amigos plutocratas do que como um mortal comum num avião.

Esse tipo de comportamento alimenta a descrença da sociedade na política, o que é péssimo para o país.

Na Escandinávia, chefes de governo e ministros costumeiramente vão trabalhar de bicicleta.

A jornalista e escritora Claudia Wallin contou, em seu livro Um País sem Excelências nem Mordomias, o caso de uma líder política sueca que se encrencou por usar táxi em vez de trem em seus descolacamentos.

O Brasil precisa de uma mudança de mentalidade.

Ver Haddad na classe econômica é um passo para isso. Pequeno, tímido, é verdade.

Mas, como diz a sabedoria oriental, toda caminhada começa no primeiro passo.

Haddad deu este passo.

Paulo Nogueira
No DCM
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