31 de mai de 2015

A ‘revelação’ de Mariana Godoy sobre os apresentadores da Globo

Agora ela pode fazer perguntas
As pessoas pareceram surpresas, nas redes sociais, com uma declaração da jornalista Mariana Godoy, ex-Globo, sobre os apresentadores da emissora.

Numa entrevista, ela se disse feliz com seu novo emprego na Rede TV porque, finalmente, pode fazer perguntas, e não simplesmente ler as que os outros fazem por ela. (assista abaixo)

Outros não. Outro: Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo.

As pessoas achavam que os apresentadores da Globo tinham luz própria para fazer alguma coisa além de declamar.

Não.

Mariana fez questão de incluir Bonner na lista dos que são papagaios de Kamel.

Numa discussão entre jornalistas no Twitter, alguém ponderou que, a rigor, não havia novidade.

Mas outro notou que era a primeira vez que alguém, com autoridade, dizia tão cruamente isso.

A primeira constatação é que Kamel não é um grande perguntador, dado o nível de entrevistas da Globo.

A segunda é que ele é um centralizador doentio. Um chefe inspirador recruta ou forma apresentadores capazes de fazer perguntas a quem quer que seja.

Se seus comandados não são capazes de conduzir uma conversa, o problema está em você, e não neles.

Ensine-os a pescar, em vez de dar-lhes os peixes.

Outra coisa é como é ruim trabalhar na Globo. A emissora dá visibilidade, mas não oferece as coisas que realmente tornam atraente uma atividade, a começar por autonomia.

Você pode miseravelmente pouco quando não é um Marinho na Globo, ou alguém de seu círculo mais próximo.

O que Mariana não disse, por ir além do que ela via, é que as perguntas de Kamel são devidamente aprovadas previamente por João Roberto Marinho, o irmão que cuida do conteúdo da Globo.

Não me refiro, obviamente, às perguntas triviais, mas às que verdadeiramente contam.

Por exemplo, as que foram feitas no Jornal Nacional aos candidatos à presidência.

O que os apresentadores devem saber fazer é lidar com as respostas. Patrícia Poeta, pelo que se noticiou, não foi aprovada na maneira como encaminhou, ou desencaminhou, a entrevista com Marina, e foi tirada do JN.

Mas o mais relevante, no debate, é que o que ocorre na Globo é um lugar comum nas corporações de mídia. Só quem manda são os donos.

Na Veja, o diretor de redação Eurípides Alcântara executa, apenas, as vontades dos Civitas.

Em outros tempos, você tinha um certo equilíbrio no jornalismo brasileiro. Os donos, compreensivelmente, eram de direita. Mas as redações eram, também compreensivelmente, progressistas.

Na Folha, Claudio Abramo puxava o jornal para um lado e Octavio Frias para o outro, e o resultado era um conteúdo frequentemente instigante.

O equilíbrio se perdeu a partir de 2003, com a ascensão de Lula.

Os donos buscaram obsessivamente chefes de redação afinados com eles, ou ao menos completamente submissos, como Eurípides na Veja ou Kamel na Globo.

Para facilitar seu trabalho, estes também se cercaram de replicantes.

Na Globo, ascenderam, por essa lógica, jornalistas como Erick Bretas, diretor de mídias digitais da empresa — e com um viés antipetista tão intenso que, em março, ele convocou seus seguidores no Facebook para uma manifestação contra o governo. Avisou, é claro, que estaria na rua.

Ainda na Globo, outro jornalista que cresceu sob tal ambiente é Diego Escosteguy, que fez da Época uma Veja, como se uma não bastasse.

Semanalmente, sob Escosteguy, a Época, como a Veja, se dedica a semear denúncias “bombásticas” contra Lula e o PT que não dão em nada.

A Época não se detém diante de nada. Na campanha presidencial, publicou uma pesquisa de um certo Instituto Paraná pela qual Aécio hoje estaria na presidência, tamanha a vantagem que lhe davam.

Mais recentemente, o mesmo instituto foi usado pela revista para dizer que, se fossem hoje as eleições, Aécio levaria. O leitor poderia responder: se fosse pelo instituto e pela revista, Aécio já teria sido eleito em outubro.

Esta, enfim, é a mídia brasileira. Se não é a pior do mundo, disputa esse título acirradamente.

Mariana Godoy apenas mostrou, para os iludidos, como é o ambiente dentro das redações: péssimo, como o jornalismo que sai delas.

Paulo Nogueira
No DCM



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Para quem ainda tem dúvidas, a prova do crime


Comparação entre duas emendas prova que houve violação da Constituição

O deputado Eduardo Cunha conseguiu que seus amigos na imprensa lhe prestassem o favor de classificar como “chorões” aqueles deputados que foram ao Supremo denunciar a manobra que permitiu a segunda votação sobre a PEC de financiamento privado de campanhas eleitorais.

Basta comparar as duas emendas — a de número 22 e a de número 28 — para se constatar que houve um crime contra a constituição. Em seu artigo 60, parágrafo 5, ela impede que uma matéria rejeitada uma vez seja apreciada uma segunda vez na mesma legislatura. Não há o que discutir a esse respeito. O artigo 60 diz textualmente que “a matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa”.

Pois foi exatamente isso o que aconteceu, como você pode perceber comparando as duas emendas, cujo link está aqui:
Leia aqui a emenda reprovada na terça-feira: (http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1341640&filename=EMA+22/2015+%3D%3E+PEC+182/2007).


O emprego de termos depreciativos, como “chorão,”sempre foi uma forma de desqualificar adversários para evitar uma discussão difícil ou mesmo constrangedora. Seu uso, agora, destina-se a encobrir a natureza inaceitável da segunda votação.

Também pretende transformar em banalidade sentimental (“chorão”) uma decisão política que tem importância crucial na manutenção do domínio de poder econômico sobre o regime democrático.

A ousadia de violar a constituição — iniciativa tão arriscada que até hoje tenta-se fingir que não ocorreu — revela o receio de quem não se considera capaz de enfrentar eleições sem o direito de comprar e alugar possíveis adversários em troca de dinheiro.

Havia uma corrida contra o tempo, também.

A votação pretendia encerrar uma situação absurda no STF, onde o ministro Gilmar Mendes bloqueia uma deliberação do Supremo sobre a mesma matéria durante oito meses. O caso, no STF, já foi resolvido, com seis votos contrários ao financiamento de empresas privadas. Embora ninguém tenha o direito de duvidar da persistência de Gilmar Mendes em matérias que considera relevantes, as denúncias contra sua atitude, comprometendo a credibilidade da instituição, ameaçavam tornar sua postura insustentável.

Nessa conjuntura, o termo “chorão” revela grande utilidade. Na década de 1990, quando Fernando Henrique Cardoso emplacou o programa de privatizações, os adversários eram chamados de “dinossauros”. Quem se opunha a um programa econômico de pensamento único era classificado como “nostálgico do Muro de Berlim”.

Na mesma linha, nas décadas finais da ditadura tentou-se amenizar a violência da tortura pelo eufemismo “maus tratos”. A própria expressão ditadura era encoberta por “regime autoritário”.

Paulo Moreira Leite
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Piloto do ‘helicoca’ está livre e dando aulas em SP


Enquanto a Policia Federal segue nas ações espetaculares, com delegados e agentes efetuando prisões e realizando diligências em Brasília acompanhados de fotógrafos e cinegrafistas, o caso do Helicoca continua sem nenhuma punição. O Ministério Público Federal pediu a absolvição do empresário Élio Rodrigues, dono da fazenda no Espírito Santo onde o helicóptero do senador Zezé Perrella fez o pouso com 445 quilos de cocaína, em novembro de 2013.

O pedido de absolvição ocorreu depois que o Tribunal Federal da Segunda Região mandou devolver o helicóptero à família Perrella, anulando decisão do juiz de primeira instância, que queria o confisco, com base na lei de combate ao tráfico. Segundo a legislação, bens usados usados no preparo, transporte ou venda de drogas devem ter sua propriedade transferida ao Estado.

A participação do senador Zezé Perrella foi sumariamente descartada pela PF neste caso, alguns dias depois do flagrante, e com isso o Tribunal entendeu que não seria justo deixá-lo sem o helicóptero. Os policiais federais também desistiram de investigar o local onde a aeronave, vinda do Paraguai com a droga e a caminho do Espírito Santo, pousou e deixou a mercadoria guardada por uma noite.

O local é em Jarinu, na Grande São Paulo, e segundo um dos pilotos fazia parte de um hotel fazenda. No dia seguinte, o helicóptero voltou para lá e recarregou a cocaína, menos duas sacolas, com 50 quilos de droga, que ficaram.

Apesar de a delegada que assina relatório do inquérito recomendar investigação dos proprietários do local, que poderiam ser os verdadeiros donos da cocaína, não se tem notícia no processo de que algo tenha sido feito nesse sentido.

No processo que tramita em Vitória, capital do Espírito Santo, sobraram quatro pessoas para ir a julgamento: os dois pilotos, além de um jardineiro e um pequeno empresário de Araruama, Rio de Janeiro, os dois que aguardavam em solo para ajudar a descarregar a droga, colocá-la em um carro e levá-la para um ponto, de onde, ao que o inquérito indica, seguiria para a Europa.

O julgamento deve ocorrer em junho, mas dificilmente haverá prisões após a sentença, ainda que alguém seja condenado, já que caberá recurso.

Depois que foram presos em flagrante, em novembro de 2013, os quatro homens acusados de tráfico permaneceram seis meses na prisão. Há um ano, foram soltos depois que o procurador do caso levantou a hipótese de farsa da Polícia Federal, que teria efetuado as prisões com base numa escuta clandestina. Por conta disso, os advogados de defesa querem anular o processo.

Enquanto aguarda em liberdade, um dos pilotos voltou a voar, e até dá aulas para quem quer pilotar helicóptero. Alexandre José de Oliveira Júnior, que aparece no inquérito da Polícia Federal como o piloto que organizou a viagem que trouxe a droga do Paraguai, assina como testemunha um contrato de aulas de voo, celebrado entre um aluno e a escola Unifly Heicópteros, que opera em Arujá, na Grande São Paulo.

Quem assina como representante legal da escola é Airton Ginez Dantas, mas, segundo o aluno, todas as tratativas foram feitas com o próprio Alexandre. “Ele falava como se também fosse dono da empresa”, conta o aluno.

O contrato foi assinado no ano passado, mas, sem a realização das aulas, o aluno temeu que pudesse estar sendo vítima de um golpe, pesquisou na internet o nome deAlexandre e descobriu sua relação com o Helicoca.

Depois de um período sem aulas, o piloto do Helicoca retomou a rotina de ensino, voa com frequência e até posta as fotos no Facebook. Em sua página, Alexandre publicou um vídeo em que sobrevoa o bairro do Tatuapé, em São Paulo.

Alexandre tem hoje três helicópteros: um Robinson 44 e dois Robinson 22. O helicóptero de Perrella, que ele usou para buscar cocaína no Paraguai, é um Robinson 66. Na velocidade de seus negócios, livre e solto, Alexandre ainda chega lá. Quem o conhece não tem dúvida disso.

piloto helicoca

Joaquim de Carvalho
No DCM
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A Fifa, a Globo e Carlitos em Luzes da Cidade


Urariano Mota, comenta as últimas prisões da Fifa e o papel da mídia nesse processo.

Durante sua reflexão ele mostra como "o amuleto da Fifa, que defendia os lucros extraordinários da Rede Globo, agora têm que ser apagados, para que a sociedade entre as duas, a exclusividade de transmissão de jogos tenha sido pura, decente e feliz. Como antes do pugilista subir para o ringue. Ou antes das prisões na Suíça, que começa a desvendar a verdadeira face dos bons negócios.

Ouça a íntegra da coluna na Rádio Vermelho

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CBF e a cara do Brasil


Há muitos anos se sabe que uma das caras do crime organizado é o futebol, nas suas vertentes de comércio de jogadores e de torneios.

No Brasil, o antigo presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, montou uma blindagem intransponível no Judiciário carioca e na Polícia Federal. A exemplo de outras figuras poderosas — como o presidente da Câmara Eduardo Cunha e o Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes — passou a sufocar os críticos com montanhas de processos, saindo ileso de todas as ações contra ele.

Essa blindagem permitiu-lhe passar isento pela CPI da Nike, que visava apurar denúncias de corrupção na entidade. Nenhum órgão de fiscalização interno — nem PF, nem Ministério Público Federal — ousou avançar contra os esbirros do setor.

Assim como no caso Alstom, foi necessário uma investigação externa para levantar o véu dos malfeitos do futebol brasileiro.

* * *

É fácil entender as razões dessa blindagem.

O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, é estreitamente ligado ao influente deputado petista Vicente Cândido. Este foi vice-presidente de Del Nero na Federação Paulista de Futebol e depois na CBF, além de seu sócio no escritório particular.

Ricardo Teixeira é amicíssimo de Aécio Neves (PSDB) e Renan Calheiros (PMDB).

J. Hawila, o empresário que comandava a venda de campeonatos e de patrocínios, é umbilicalmente ligado às Organizações Globo. E não apenas pela amizade íntima com Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo responsável pela compra de direitos de transmissão de campeonatos.

* * *

Além de garantir à Globo o virtual monopólio na transmissão dos campeonatos, Hawila tornou-se sócio de um dos herdeiros do grupo, adquirindo com ele retransmissoras da Globo em todo o interior paulista, o jornal Diário de S. Paulo, além de ter-se tornado produtor de vários programas da rede.

Não é o único envolvimento de grupos de mídia com a contravenção.

A audiência da Globo deu-se em cima de três pilares: novelas, futebol e carnaval.

Em dois deles — carnaval e futebol — em sociedade com a contravenção do jogo de bicho e dos esquemas bilionários da CBF e da Fifa. De seu lado, a Editora Abril mete-se em negócios nebulosos com a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira. Apesar da abundância de provas colhidas por uma CPI, não motivou uma representação sequer ao MPF.

Ambas foram poupadas pelos órgãos de investigação, graças às parcerias firmadas com eles.

* * *

É nesse ambiente protegido que floresceram os contraventores de primeira classe, protegidos da ação do Ministério Público Federal e da Polícia, ao largo do alcance da mão da Justiça e do Congresso.

* * *

Repete-se, no futebol, as mesmas práticas generalizadas envolvendo os principais partidos políticos — PT, PSDB e PMDB — e os principais centros de poder do país.

Resta esperar os desdobramentos desse jogo, que será o maior desafio para comprovar a independência (ou não) do MPF e da Polícia Federal em relação a seus parceiros preferenciais.

Luís Nassif
No GGN
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Jesus: O Incômodo Silêncio da História


"Quem é que nunca ouviu falar de Jesus de Nazaré? É claro que todo mundo ouviu falar de Jesus. A Bíblia nos diz que sua fama se espalhou por toda a Palestina e Síria. Ele é o homem-deus/salvador do mundo que realizou milagres que só um deus poderia realizar.

Transformou água em vinho, alimentou milhares de pessoas com apenas alguns pedaços de pão e peixe, andou sobre as águas, acalmou tempestades, curou cegos, surdos e enfermos, recuperou mãos atrofiadas, expulsou demônios e ressuscitou os mortos.

Seus ensinamentos morais são considerados superiores a tudo o que já foi ensinado".

Mas ele existiu de fato ou tudo não passa de um mito?

Leia o instigante artigo do ex-pastor pentecostal Lee Salisbury e tire suas próprias conclusões.

Georges Bourdoukan



Jesus: O Incômodo Silêncio da História

por Lee Salisbury


12 de outubro de 2004

Quem é que nunca ouviu falar de Jesus de Nazaré? É claro que todo mundo ouviu falar de Jesus. A Bíblia nos diz que sua fama se espalhou por toda a Palestina e Síria. Ele é o homem-deus/salvador do mundo que realizou milagres que só um deus poderia realizar. Transformou água em vinho, alimentou milhares de pessoas com apenas alguns pedaços de pão e peixe, andou sobre as águas, acalmou tempestades, curou cegos, surdos e enfermos, recuperou mãos atrofiadas, expulsou demônios e ressuscitou os mortos. Seus ensinamentos morais são considerados superiores a tudo o que já foi ensinado.

Ele foi rejeitado por seu próprio povo, os judeus, e brutalmente crucificado pelos romanos. Mas isto não deteve Jesus. A Bíblia nos diz que, ao ser crucificado, céus e terra confirmaram sua divindade, causando um eclipse do sol de 3 horas em toda a terra, um terremoto que fez com que a cortina do templo em Jerusalém se rasgasse ao meio e que túmulos se abrissem e homens santos ressuscitassem e aparecessem às pessoas em Jerusalém. Três dias depois, o Filho de Deus derrotou o Diabo, o príncipe das trevas, ressuscitou dos mortos, apareceu a seus discípulos e então subiu aos céus. Como é possível alguém não gostar desta história nem desejar acreditar nela?

O problema que pesquisadores sinceros e com mentes objetivas têm com esta história espantosa é:

Por que os registros históricos de escritores gregos, romanos e judeus não cristãos praticamente não dizem nada sobre Jesus de Nazaré?

Certamente que notícias sobre acontecimentos como esses, se fossem verdadeiras, teriam se espalhado por todo o mundo mediterrâneo. E, no entanto, os escritos que  sobreviveram, de uns 35 a 40 observadores independentes durante os primeiros 100 anos que se seguiram à suposta crucificação e ressurreição de Jesus, praticamente não confirmam nada.

Estes autores eram respeitados, viajados, sabiam se expressar, observavam e analisavam os fatos, eram os filósofos, poetas, moralistas e historiadores daquela época.

Entre as mais destacadas personalidades que não mencionam Jesus, temos:

Sêneca, 4 a.C. - 65 d.C. Um dos mais famosos autores romanos sobre ética, filosofia e moral e um cientista que registrou eclipses e terremotos. As cartas que teria trocado com Paulo se revelaram uma fraude, mais tarde.

Plínio, o velho, 23 d.C. - 79 d.C. História natural. Escreveu 37 livros sobre eventos como terremotos, eclipses e tratamentos médicos.

Quintiliano 39 d.C. - 96 d.C. Escreveu "Instituio Oratio", 12 livros sobre moral e virtude.

Epitectus 55 d.C. - 135 d.C. Ex-escravo que se tornou renomado moralista e filósofo e escreveu sobre a "irmandade dos homens" e a importância de se ajudarem os pobres e oprimidos.

Marcial 38 d.C. - 103 d.C. Escreveu poemas épicos sobre as loucuras humanas e as várias personalidades do império romano.

Juvenal 55 d.C. - 127 d.C.. Um dos maiores poetas satíricos de Roma. Escreveu sobre injustiça e tragédia no governo romano.

Plutarco 46 d.C. - 119 d.C. Escritor grego que viajou de Roma a Alexandria. Escreveu "Moralia", sobre moral e ética.

Três romanos cujos escritos contêm referências mínimas a Cristo, Cresto ou cristãos:

Plínio, o jovem, 61 d.C. - 113 d.C. Foi proconsul da Bitínia (atual Turquia). Numa carta ao imperador Trajano, em 112 d.C., pergunta o que fazer quanto aos cristãos que "se reúnem regularmente antes da aurora, em dias determinados, para cantar louvores a Cristo como se ele fosse um deus". Uns oitenta anos depois da morte de Jesus, alguém estava adorando a um Cristo (messias, em hebraico)! Entretanto, nada se diz sobre se este Cristo era Jesus, o mestre milagreiro que foi crucificado e ressuscitou na Judéia ou se um Cristo mitológico das religiões pagãs de mistério. O próprio Jesus teria dito que haveria muitos falsos Cristos, portanto a afirmação de Plínio não contribui em muito para demonstrar que o Jesus de Nazaré existiu.

Suetônio, 69 d.C. - 122 d.C. Em "A vida dos imperadores", com a história de 11 imperadores, ele conta, em 120 d.C., sobre o imperador Cláudio (41 a 54 d.C.), que ele "expulsou de Roma os judeus que, sob a influência de Cresto, viviam causando tumultos". Quem é Cresto? Não há menção a Jesus. Seria este Cresto um agitador judeu, um dos muitos falsos messias, ou um Cristo mítico? Este trecho não prova nada sobre a historicidade de um Jesus de Nazaré.

Tácito, 56 a 120 d.C. Famoso historiador romano. Seu "Annuals", referente ao período 14-68 d.C., Livro 15, capítulo 44, escrito por volta de 115 d.C., contém a primeira referência a Cristo como um homem executado na Judéia por Pôncio Pilatos. Tácito declara que "Cristo, o fundador, sofreu a pena de morte no reino de Tibério, por ordem do procurador

Pôncio Pilatos". Os estudiosos apontam várias razões para se suspeitar de que este trecho não seja de Tácito nem de registros romanos, e sim uma inserção posterior na obra de Tácito:

1. A referência a Pilatos como procurador seria apropriada na época de Tácito, mas, na época de Pilatos, o título correto era "prefeito".

2. Se Tácito escreveu este trecho no início do segundo século, por que os Pais da Igreja, como Tertuliano, Clemente, Orígenes e até Eusébio, que tanto procuraram por provas da historicidade de Jesus, não o citam?

3. Tácito só passa a ser citado por escritores cristãos a partir do século 15.

O que é claro e indiscutível é que um período de 80 a 100 anos sem nenhum registro histórico confiável, depois de fatos de tal magnitude, é longo o bastante para levantar suspeitas. Além do mais, é insuficiente citar três relatos tão curtos e tão pouco informativos para provar que existiu um messias judeu milagreiro chamado Jesus que seria Deus em forma humana, foi crucificado e ressuscitou.

Há três autores judeus importantes do primeiro século:

Philo-Judaeus, 15 a.C. - 50 d.C., de Alexandria, era um teólogo-filósofo judeu que falava grego. Ele conhecia bem Jerusalém porque sua família morava lá. Escreveu muita coisa sobre história e religião judaica do ponto de vista grego e ensinou alguns conceitos que também aparecem no evangelho de João e nas epístolas de Paulo. Por exemplo: Deus e sua Palavra são um só; a Palavra é o filho primogênito de Deus; Deus criou o mundo através de sua palavra; Deus unifica todas as coisas através de sua Palavra; a Palavra é fonte de vida eterna; a Palavra habita em nós e entre nós; todo julgamento cabe à Palavra; a Palavra é imutável.

Philo também ensinou sobre Deus ser um espírito, sobre a Trindade, sobre virgens que dão à luz, judeus que pecam e irão para o inferno, pagãos que aceitam a Deus e irão para o céu e um Deus que é amor e perdoa.

Entretanto, Philo, um judeu que viveu na vizinha Alexandria e que teria sido contemporâneo a Jesus, nunca menciona alguém com este nome nem nenhum milagreiro que teria sido crucificado e depois ressuscitou em Jerusalém, sem falar em eclipses, terremotos e santos judeus saindo dos túmulos e andando pela cidade. Por que? O completo silêncio de Philo é ensurdecedor!

Flavius Josephus, 37-103 d.C. era um fariseu que nasceu em Jerusalém, vivia em Roma e escreveu "História dos judeus" (79 d.C.) e "Antiguidades dos judeus" (93 d.C.). Apologistas cristãos (defensores da fé) consideram o testemunho de Josephus sobre Jesus a única evidência garantida da historicidade de Jesus. O testemunho citado se encontra em "Antiguidades dos judeus". Ao contrário dos apologistas, entretanto, muitos estudiosos, inclusive os autores da Encyclopedia Britannica, consideram o trecho "uma inserção posterior feita por copistas cristãos". Ele diz que: "Naquele tempo, nasceu Jesus, homem sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não foi só seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos, Era o Cristo. Sendo acusado por nossos chefes, do nosso país ante Pilatos, este o fez sacrificar. Seus seguidores não o abandonaram nem mesmo após sua morte. Vivo e ressuscitado, reapareceu ao terceiro dia após sua morte, como o haviam predito os santos profetas, quando realiza outras mil coisas milagrosas. A sociedade cristã que ainda hoje subsiste, tomou dele o nome que usa".

Por que este trecho é considerado uma inserção posterior?

1. Josephus era um fariseu. Só um cristão diria que Jesus era o Cristo. Josephus teria tido que renunciar às suas crenças para dizer isto, e Josephus morreu ainda um fariseu.

2. Josephus costumava escrever capítulos e mais capítulos sobre gente insignificante e eventos obscuros. Como é possível que ele tenha despachado Jesus, uma pessoa tão importante, com apenas algumas frases?

3. Os parágrafos antes e depois deste trecho descrevem como os romanos reprimiram violentamente as sucessivas rebeliões judaicas. O parágrafo anterior começa com "por aquela época, mais uma triste calamidade desorientou os judeus". Será que "triste calamidade" se refere à vinda do "realizador de mil coisas milagrosas" ou aos romanos matando judeus? Esta suposta referência a Jesus não tem nada a ver com o parágrafo anterior. Parece mais uma inclusão posterior, fora de contexto.

4. Finalmente, e o que é ainda mais convincente, se Josephus realmente tivesse feito esta referência a Jesus, os Pais da Igreja pelos 200 anos seguintes certamente o teriam usado para se defender das acusações de que Jesus seria apenas mais um mito. Contudo, Justino, Irineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes nunca citam este trecho.

Sabemos que Orígenes leu Josephus porque ele deixou textos criticando Josephus por este atribuir a destruição de Jerusalém à morte de Tiago. Aliás, Orígenes declara expressamente que Josephus, que falava de João Batista, nunca reconheceu Jesus como o Messias ("Contra Celsum", I, 47).

Não somente a referência de Josephus a Jesus parece fraudulenta como outras menções a fatos históricos em seus livros contradizem e omitem histórias do Novo Testamento:

1. A Bíblia diz que João Batista foi morto por volta de 30 d.C., no início da vida pública de Jesus. Josephus, contudo, diz que Herodes matou João durante sua guerra contra o rei Aertus da Arábia, em 34 - 37 d.C.

2. Josephus não menciona a celebração de Pentecostes em Jerusalém, quando, supostamente: judeus devotos de todas as nações se reuniram e receberam o Espírito Santo, sendo capazes de entender os apóstolos cada qual em sua própria língua; Pedro, um pescador judeu, se torna o líder da nova igreja; um colega fariseu de Josephus, Saulo de Tarso, se torna o apóstolo Paulo; a nova igreja passa por um crscimento explosivo na Palestina, Alexandria, Grécia e Roma, onde morava Josephus. O suposto martírio de Pedro e Paulo em Roma, por volta de 60 d.C., não é mencionado por Josephus. Os apologistas cristãos, que depositam tanta confiança na veracidade do testemunho de Josephus sobre

Jesus, parecem não se importar com suas omissões posteriores.

A Encyclopedia Britannica afirma que os cristãos distorceram os fatos ao enxertar o trecho sobre Jesus. Isto é verdade?

Eusébio (265-339 d.C.), reconhecido como o "Pai da história da Igreja" e nomeado supervisor da doutrina pelo imperador Constantino, escreve em seu "Preparação do evangelho", ainda hoje publicado por editoras cristãs como a Baker House, que "às vezes é necessário mentir para beneficiar àqueles que requerem tal tratamento". Eusébio, um dos cristãos que mais influenciou a história da Igreja, aprovou a fraude como meio de promover o cristianismo! A probabilidade de o cristianismo de Constantino ser uma fraude está diretamente relacionada à desesperada necessidade de encontrar evidências a favor da historicidade de Jesus. Sem o suposto testemunho de Josephus, não resta nehuma evidência confiável de origem não cristã.

Justus de Tiberíades é o terceiro escritor judeu do primeiro século. Seus escritos foram perdidos, mas Photius, patriarca de Constantinopla (878-886 d.C.), escreveu "Bibleotheca", onde ele comenta a obra de Justus. Photius diz que "do advento de Cristo, das coisas que lhe aconteceram ou dos milagres que ele realizou, não há absolutamente nenhuma menção (em Justus)". Justus vivia em Tiberíades, na Galiléia (João 6:23). Seus escritos são anteriores às "Antiguidades"de Josephus, de 93 d.C., portanto é provável que ele tenha vivido durante ou imediatamente após a suposta época de Jesus, mas é notável que nada tenha mencionado sobre ele.

A literatura rabínica seria logicamente o outro lugar para se pesquisar a historicidade de Jesus de Nazaré. O Novo Testamento alega que Jesus é o cumprimento da profecia judaica sobre o messias, crucificado no dia da Páscoa.

Naquele dia, supostamente houve um terremoto em Jerusalém, a cortina de seu templo se rasgou de alto a baixo, houve um eclipse do sol, santos judeus ressuscitaram e andaram pela cidade. Três dias depois, Jesus ressuscitou e depois subiu aos céus diante de todos. Algum tempo depois, no dia de Pentecostes, os judeus de várias nações se reuniram e viram o Espírito Santo descer na forma de línguas de fogo; a igreja cristã se expandiu de forma explosiva entre judeus e pagãos, com sinais e milagres acontecendo por toda a parte. Em 70 d.C., Jerusalém foi cercada pelos romanos, que destruíram Israel como nação e dispersaram os judeus.

Ainda que os rabinos não aceitassem Jesus como o Messias, o impacto dos acontecimentos à volta de Jesus logicamente teria sido registrado nos comentários ao Talmud (os midrash). A história e a tradição oral dos judeus registradas nos midrash foram atualizadas e receberam sua forma final pelo rabino Jehudah ha-Qadosh por volta de 220 d.C.

Em seu livro "O Jesus que os judeus nunca conheceram", Frank Zindler diz que não há uma única fonte rabínica da época que fale da vida de um falso messias do primeiro século, dos acontecimentos envolvendo a crucificação e ressurreição de Jesus ou de qualquer pessoa que lembre o Jesus do cristianismo.

Não há locais históricos na Terra Santa que confirmem a historicidade de Jesus de Nazaré. Monges, padres e guias turísticos que levam peregrinos cristãos (aceitam-se doações) aos locais dos acontecimentos descritos na Bíblia dificilmente podem ser considerados pessoas isentas.

Ainda citando Zindler, "Não há confirmação não tendenciosa desses locais. Nazaré não é mencionada nem uma vez no Antigo Testamento. O Talmud cita 63 cidades da Galiléia, mas não Nazaré. Josephus menciona 45 cidades ou vilarejos da Galiléia, mas nem uma vez cita Nazaré. Josephus menciona Japha, que é um subúrbio da Nazaré de hoje. Lucas 4:28-30 diz que Nazaré tinha uma sinagoga e que a borda da colina sobre a qual ela tinha sido construída era alta o suficiente para que Jesus morresse se o tivessem realmente jogado lá de cima.

Contudo, a Nazeré de nossos dias ocupa o fundo de um vale e a parte de baixo de uma colina. Não há "topo de colina". Além disso, não há nenhum vestígio de sinagogas do primeiro século. Orígenes (182-254 d.C.), que viveu em Cesaréia, a umas 30 milhas da atual Nazaré, também não fala em Nazaré. A primeira referência à cidade surge em Eusébio, no século 4. O melhor que podemos imaginar é que Nazaré só surgiu depois do século 2. Esta falta de evidência histórica parece ser a explicação para o fato de não haver nenhuma menção a Nazaré em nenhum registro, de nenhuma origem não cristã. Ou seja, Nazaré não existia no primeiro século.

Não há tempo nem espaço para se falar de outras cidades significativas citadas no Novo Testamento, mas as evidências históricas e arqueológicas quanto a Cafarnaum (mencionada 16 vezes no N.T.) e Betânia, ou o Calvário, são, assim como no caso de Nazaré, igualmente fracas e até mesmo desmentem as Escrituras.

Mentes críticas e objetivas se destacam por procurar confirmação imparcial dos supostos fatos. Quando a única evidência disponível de um acontecimento ou de seus resultados é, não apenas questionável e suspeita, mas também aquilo que os divulgadores do acontecimento ou resultado querem que você acredite, convém desconfiar.

O fato é que os escritores judeus não-cristãos, gregos e romanos das décadas que se seguiram à suposta crucificação e ressurreição de Jesus nada dizem sobre ninguém chamado Jesus de Nazaré. Uma pessoa justa sempre estará disposta a analisar novas evidências, mas, 2 mil anos depois, o cristianismo continua tendo tantas evidências imparciais sobre Jesus quanto sobre o Mágico de Oz, Zeus ou qualquer um dos muitos deuses-redentores daquela época.

Lee Salisbury, nascido em Stillwater, MN., foi um pastor pentecostal de 1972 a 1986. Ele fundou e dirige o "Clube do pensamento crítico" em Minesotta, escreve colunas para http://www.axisoflogic.com/, onde este artigo foi publicado pela primeira vez, e participa de debates públicos. Seu email é leesal@comcast.net. A primazia de publicação e tradução autorizada do artigo é de Fernando Silva da Ateus do Brasil, que gentilmente autorizou sua publicação na MPHP.

Copyright (C) 2004 Lee Salisbury

REFERÊNCIAS

"The Jesus the Jews Never Knew" por Frank R. Zindler Encyclopedia Britannica
"Deconstructing Jesus" por Robert Price, Ph.D. Obras completas de Josephus, tradução de William Whiston, Ph.D.
"The Jesus Puzzle" por Earl Doherty
"The Jesus Mysteries" por Timothy Freke e Peter Gandy
Também de autoria de Lee Salisbury:
"Any Ole God Will Do" (http://www.dissidentvoice.org/Oct04/Salisbury1005.htm)
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Promiscuidade


A velhacaria que envolve o mundo do esporte tem incentivos cínicos de empresas e isso deve ser dito

A FIFA cometeu dois erros fatais ao negar as duas próximas Copas do Mundo ao ainda poderoso império americano e ao velho império inglês. Note que, desde então, jamais teve paz.

Primeiro caíram os velhos cardeais corruptos e agora os que os substituíram.

Não sejamos seletivos na indignação, porém.

Havelange, Teixeira, Hawilla, Leoz, Marin, o que menos importa é o nome do bicho.

Importa denunciar o mundo à parte que inventaram, no qual se vive nababescamente e depois corre-se o risco da desmoralização, da prisão e da humilhação. Vale a pena? Cada um sabe de si.

Lava-se dinheiro e joga-se bruto no esporte desde que o esporte virou o negócio que virou.

Certa de sua impunidade, a cartolagem da Fifa jamais deu bola aos que a investigavam.

Preferiu sempre negar-lhes credenciamentos, processá-los ou ignorá-los.

A polícia do mundo é a polícia do mundo e as três letrinhas do FBI golearam as quatro da Fifa. Porque, como sempre, alguém precisa botar um mínimo de ordem nesta zorra.

Zorra que gera a promiscuidade incapaz de separar jornalismo de propaganda ou de entretenimento.

Promiscuidade que atinge até o Poder Judiciário, que vira e mexe dá razão a tais figuras.

Ou permite que comunicadores e executivos frequentem os mesmos convescotes que tais cartolas e os protejam e homenageiem.

Dia desses mesmo, na festa da FPF, o número 1 da Globo Esporte, Marcelo Campos Pinto, se desmanchou em elogios ao “eterno presidente Marin” — e o homem já não tem mais nem o nome no edifício que mandou construir a toque de caixa, por R$ 70 milhões!

“2015 vai entrar para a história do futebol brasileiro como um grande ano, o ano em que José Maria Marin passou o bastão ao presidente Marco Polo Del Nero”, disse Campos Pinto. De fato!

Não satisfeito, acrescentou, emocionado, a Marin: “O senhor escreveu o seu nome na história do futebol brasileiro, tendo sucedido um outro grande presidente, que foi o Ricardo Teixeira”.

Nero foi saudado como “excelentíssimo senhor com o qual tenho o privilégio de conviver assiduamente há mais de 11 anos”.

Esta promiscuidade também precisa acabar porque não há autocrítica que dê conta quando o interesse do negócio suplanta a ética e os bons costumes.

O que vale para a GM, Visa, Ambev, Itaú etc.

Uma coisa é a polidez numa cerimônia pública, outra é a cumplicidade subserviente porque, enfim, tudo resulta no mesmo, em comissões, bônus ou corrupção.

Finalmente é preciso salientar que mais que novas CPIs da CBF, será fundamental aprovar a Medida Provisória do Futebol, esta sim com novos métodos de governança que podem mudar os hábitos que vigoram há décadas em nosso futebol.

Para que não sigamos ouvindo de um Hawilla o que eu já ouvi, há anos, de um Odebrecht: “Preferiria que fosse diferente. Mas o jogo é o jogo, não posso mudar o mundo”.

Todos podemos.

Juca Kfouri
No Viomundo
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Documentário: O Dia da Memória


O ContextoLivre oferece um presente a seus leitores.

Trata-se do imperdível vídeo-documentário "O Dia da Memória", do Portal Desacato. Uma produção da CpCC - Cooperativa de Produção em Comunicação e Cultura que resgata o dia em que o povo catarinense se manifestou rememorando os 50 anos da ditadura.

Homenagem às vítimas da ditadura e aos militantes da arte que narraram a ditadura em Florianópolis nessa caminhada.

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Esperteza, quando é muita, come o dono


(Ou por que o financiamento empresarial vai cair!)

Vocês que acompanharam a tramitação da (contra) "reforma política" na House of Cunha sabem que, um dia depois de o presidente da Casa ter perdido a votação em que tentou incluir na Constituição, mediante emenda, o financiamento empresarial de campanha, ele fez uma manobra ilegal para votar novamente e, dessa vez, obteve a maioria necessária. Vocês que acompanharam sabem, também, que a "emenda aglutinativa" rejeitada permitia a doação de empresas a partidos e candidatos, e o artifício usado por Cunha na segunda votação foi pedir ao deputado Celso Russomano, do PRB, que apresentasse (fora do tempo, quando a matéria já tinha sido rejeitada) uma nova "emenda aglutinativa" que permite a doação de empresas (pessoas jurídicas) apenas a partidos, mas não a candidatos, que só poderão receber dinheiro ou bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas. Certo?

Pois bem, leiam com muita atenção o que o texto ilegalmente votado diz:

«Dê-se ao artigo 17 da Constituição Federal, constante da redação do artigo 2º do Substitutivo apresentado pelo Relator, a seguinte redação:

"Art. 17

§5º É permitido aos partidos políticos receber doações de recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas ou jurídicas.

§6º É permitido aos candidatos receber doações de recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas.
(...)».

Vamos repetir: os PARTIDOS poderão receber dinheiro ou bens de pessoas físicas ou jurídicas, mas os CANDIDATOS só poderão receber dinheiro de pessoas físicas.

O que é que Cunha e Russomano esqueceram?

OS PARTIDOS SÃO PESSOAS JURÍDICAS!

Ou seja, os partidos, com essa emenda, não poderão repassar UM TOSTÃO aos candidatos, mesmo que receberem milhões das empreiteiras amigas! Quer dizer: esse dinheiro poderá ser usado pelo partido para qualquer coisa MENOS PARA FINANCIAR AS CAMPANHAS DOS SEUS CANDIDATOS.

Não é engraçado? Tantas manobras, tanto atropelo, e eles mesmos atiraram no pé. Desesperados e com pressa por redigir uma emenda para ser votada (mesmo que isso atropelasse a Constituição Federal), Cunha et caterva criaram uma aberração jurídica que pode fazer com que os partidos que se submeterem a essa prática arrecadem milhões de reais, mas não possam repassar nada aos seus candidatos! Um verdadeiro Frankenstein!

Sem prejuízo a essa burra malandragem, o Mandado de Segurança contra a manobra golpista do Eduardo Cunha para aprovar essa emenda — iniciativa do meu mandato e do PSOL que conquistou o apoio de dezenas de parlamentares de diferentes bancadas — já foi protocolado no Supremo Tribunal Federal: http://bit.ly/1eHm3Hz

Quem quiser acompanhar a tramitação desse recurso, é só ficar de olho no link: http://goo.gl/Cl6mee

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Representação a Procurador-Geral da República pede apuração de denúncias contra CBF, extensão da investigação à FPF e à offshore da Globo


O deputado estadual Carlos Neder (PT-SP) e o advogado e assessor parlamentar Paulo Dantas protocolaram na noite dessa sexta-feira 29, no Ministério Público Federal no Estado de São Paulo (MPF-SP), representação, na qual solicitam a apuração das denúncias envolvendo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e  a investigação se estenda à Federação Paulista de Futebol (FPF).

Protocolada sob nº PR-SP-00033868/2015, o documento é dirigido ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, já que o caso envolve indícios de crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro no âmbito internacional.

Na representação (na íntegra, ao final), os signatários fazem duas linhas do tempo a partir de matérias que saíram na mídia brasileira, principalmente em sites e blogs.

Uma, envolve as apurações anteriores a 2012, que estão em investigação nos EUA. A outra, registra do momento em diante da prisão dos sete dirigentes da Fifa, na Suíça, entre os quais José Maria Marin, ex-presidente  CBF e atual vice-presidente da entidade.

Às 3h59, da última quarta-feira, 27 de maio, o jornalista Jamil Chade, em seu blog no Estadão, revela em primeira mão que “Marin e outros seis cartolas são detidos por corrupção em Zurique”.


Chade revela que J. Hawilla, fundador e proprietário da Traffic, e José Margulies estão entre os executivos de marketing esportivo sob investigação da Justiça dos Estados Unidos. O mesmo acontece com as empresas Traffic Sports International Inc., Traffic Sports USA Inc. (de Hawilla), Valent Corp. e Somerton Ltd (de Margulies).


Na representação, Neder e Dantas, reproduzem os seguintes parágrafos do artigo de Azenha:

“Segundo os norte-americanos, o esquema de duas décadas envolveu a venda de direitos de transmissão de vários campeonatos, desde a Copa América passando pela Libertadores e chegando à Copa do Brasil.

Também é citada uma empresa de material esportivo que fechou contrato com a CBF, não nomeada pelo Departamento de Justiça. Trata-se, obviamente, da Nike.

Além de Hawilla, a Traffic International, baseada nas ilhas Virgens Britânicas, e a Traffic USA, de Miami, também se declararam culpadas — o que indica que estão entregando o esquema à Justiça.

As ilhas Virgens Britânicas aparentemente são o refúgio fiscal favorito da cartolagem futebolística.

Foi nelas que a Globo “investiu” uma bolada para formar uma empresa de nome Empire, cujo capital depois foi usado para comprar os direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006. Segundo a Receita Federal brasileira, a engenharia financeira visava burlar o Fisco, o que resultou em multa superior a R$ 600 milhões.

As ilhas Virgens Britânicas também foram sede da Fundação Nunca, um dos propinodutos utilizados pela empresa de marketing ISL para subornar cartolas.

A International Sports and Leisure (ISL) foi o instrumento criado pelo fundador da Adidas, Horst Dassler, para “inventar” o marketing esportivo, espalhando no processo milhões em propinas para controlar dirigentes esportivos e — o que realmente interessava a ele — direitos de transmissão.”

Neder e Dantas acrescentam:

É importante registrar no texto, acima reproduzido, a menção que o jornalista Azenha faz em relação à constituição da empresa “Empire”, offshore controlada pela Globo, para a compra de direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006. Segundo dados da Receita Federal do Brasil, afirma o jornalista, “a engenharia financeira visava burlar o Fisco, o que resultou em multa superior a R$ 600 milhões”.

Na representação, os autores destacam também artigos de Miguel do Rosário, em O Cafezinho, e Juca Kfouri, colunista da Folha de S. Paulo.


De Juca Kfouri, eles atentam para matéria de agosto de 2012. Ela revelou, em primeira mão, a renovação do contrato da CBF com a International Sports Events (ISE) até 2022 e queno lugar da Kentaro, até então subcontratada pela ISE, entrou a Pitch Internacional. Essas empresas aparecem nas denúncias feitas na Suíça. Juca denuncia:

No dia 15 de novembro de 2011, quatro meses antes de renunciar à presidência da CBF, Ricardo Teixeira assinou, em Doha, no Qatar, um novo contrato com a International Sports Events (ISE).

O acordo deu à empresa da Arábia Saudita, com sede nas Ilhas Cayman, o direito de organizar jogos da seleção brasileira até a Copa do Mundo de 2022, que será no Qatar.

O contrato entre a CBF e a ISE, ao qual a Folha teve acesso, prevê o pagamento de uma taxa de US$ 1,050 milhão (R$ 2,12 milhões) em cada partida da seleção.

               …

A ISE compra o direito de organizar as partidas da seleção, mas não é efetivamente ela quem negocia os diretos de transmissão, placas de publicidade, bilheteria, potenciais adversários e locais.

Esse trabalho é terceirizado e, sob o novo contrato, também há uma nova parceira tratando pela CBF e pela ISE das partidas do Brasil.

Há 12 dias, a Pitch International, uma empresa inglesa de marketing esportivo, anunciou com alarde que havia acertado com a CBF para organizar a parte operacional dos amistosos até 2022, função que até este ano pertencia à suíça Kentaro.

O advogado Paulo Dantas é corintiano roxo como Juca Kfouri. Aqui, ele faz questão de abrir um parêntese, que não consta da representação: “ Inúmeras vezes o Juca denunciou desmandos e corrupção  no futebol brasileiro, sobretudo na gestão de Ricardo Teixeira na CBF, que ele sabiamente denominou de Casa Bandida do Futebol. Os atuais acontecimentos, revelando o mar de lama do futebol mundial e brasileiro, são o CQD (Como Queríamos Demonstrar) sempre perseguido por Kfouri”.

Os autores da representação pedem a Rodrigo Janot a apuração de indícios de crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, que teriam sido praticados por Marin na condição de vice e presidente da CBF e que seriam originários de contratos de patrocínio da entidade, assim como de subcontratações com diversas empresas de mídia.

Diante da ligação de Marin com a Federação Paulista de Futebol – FPF (presidiu-a na década de 1980), e por seus laços pessoais e políticos com Marco Polo Del Nero, ex-presidente da FPF e atual presidente da CBF, os autores postulam a extensão das investigações à entidade paulista.

No final, os dois signatários requerem:

* Que a PGR instaure inquérito criminal para apurar os indícios de crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

* Que a PGR compartilhe provas de processo em poder da Justiça americana, cujo processo foi instaurado em 2012 e também com as autoridades judiciais da Suíça. Segundo Loreta Lynch, secretária de Justiça dos Estados Unidos, as investigações no país abrangem ao menos duas gerações de dirigentes esportivos, retroagindo à década de 1990.

* Que a PGR acesse e compartilhe a íntegra dos contratos de patrocínio de jogos de futebol, bem como das subcontratações envolvendo direito de mídia e marketing,  celebrados pela CBF e FPF.

* Que a PGR promova a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico, além da abertura do sigilo de e-mails e mensagens eletrônicas via celular, das seguintes pessoas físicas e jurídicas:

José Maria Marin

J. Hawilla

José Margulies

CBF

FPF

Empresas do Grupo Traffic, de J. Hawilla


ISE

Pitch International

Kentaro

* Que a PGR estenda as quebra dos sigilos a outras pessoas que apareçam no transcorrer das apurações.

Carlos Neder cobra dos seus pares: “É preciso que, no exercício de mandatos, os deputados estaduais não se omitam e investiguem se as denúncias que mancham a reputação do futebol brasileiro procedem e chegam a São Paulo”.

Paulo Dantas arremata: “O futebol brasileiro é um patrimônio cultural do nosso povo, não deve ser um mero negócio privado. A falta de transparência das entidades que o comandam — entre as quais a CBF e a FPF — cria um terreno fértil para ação de corruptos e corruptores no futebol”.



Conceição Lemes
No Viomundo
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ContextoLivre completa 6 anos e entra em seu Ano - VII


Exatamente às 14h53min do dia 31 de maio de 2009, o blog ContextoLivre  era criado com a postagem reproduzida mais abaixo que, incrivelmente, continua muito atual.

Nesses 2.192 dias no ar, o ContextoLivre acumula 36.900 postagens, 11.238 comentários e 1.222 rascunhos (artigos ainda não publicados). 

Acumula ainda, uma dívida de gratidão aos amigos, leitores e seguidores conquistados neste período, e que acompanham e estimulam este blog.

Deixo alguns números que comprovam o quanto o ContextoLivre deve a seus leitores:




O jornalismo papagaio de repetição

Escolhi este texto de Leonardo Sakamoto para o primeiro post do Com Texto Livre porque sintetiza o espírito deste blog.

Leonardo Sakamoto

Não existe imparcialidade jornalística. Qualquer estudante de jornalismo aprende isso nas primeiras aulas. Quando você escolhe um entrevistado e não outro está fazendo uma opção, racional ou não, por isso a importância de ouvir a maior diversidade de fontes possível sobre determinado tema.

Fazer uma análise ou uma crítica tomando partido não é o problema, desde que não se engane o leitor, fazendo-o acreditar que aquilo é imparcial. Infelizmente, muitos veículos ou jornalistas que se dizem imparciais, optam sistematicamente por determinadas fontes, sabendo como será a análise de determinado fato. Parece até que procuram o especialista para que legitime um ponto de vista. Ou têm preguiça de ir além e fugir da agenda da redação, refrescando suas matérias com análises diferentes.

Dois amigos, grandes jornalistas com anos de estrada, ajudaram a fazer uma lista exemplar do que estou falando.Vale ressaltar que boa parte destas fontes são especialistas sérios, reconhecidos em seus campos de atuação e que já deram importantes contribuições à sociedade. Como disse um desse amigos, terem posições conservadoras ou liberais não os descredencia. É um direito que eles têm. O problema são as mídias que sempre, sempre, sempre procuram esses mesmos caras para repercutir. Sempre eles. E somente eles.
Façam um teste e procurem esses nomes no seu jornal, revista, rádio, TV, site preferidos.

Questões trabalhistas? Disk Pastore (O sociólogo José Pastore, mas sem dizer que ele dá consultoria para a Confederação Nacional da Indústria e a empresários que têm interesse direto no assunto)

Constitucionalismos? Disk Ives Gandra (O respeitável jurista do Opus Dei não vacila jamais)

Ética? Disk Romano (O professor de filósofia Roberto Romano)

Questões sindicais? Disk Leôncio (O cientista político Leôncio Martins Rodrigues)

Ética na política? Disk Gabeira (O deputado federal Fernando Gabeira, que viaja bastante de avião…) [*ou o senador Pedro Simon, que é sempre a favor de CPIs, exceto para investigar o governo tucano/peemedebe de Yeda, no Rio Grande do Sul] *acréscimo meu!

Ética dos juros? Disk Eduardo Giannetti (O professor do Ibmec é quase um gênio)

Pau no governo Lula? Disk Marco Antônio Villa (Historiador. Tiro e queda. Mais pau no governo Lula? Disk Lúcia Hippólito - com a vantagem de ser uma das meninas do Jô)

Relações internacionais? Disk Rubens Barbosa (Ex-embaixador. Precisa diversificar? Disk Celso Lafer, o ex-chanceler)

Mercado financeiro? Disk Arminio Fraga, o ex-BC (Não rolou? Disk Gustavo Loyola!Ocupado? Ah, então vamos no Disk Maílson mesmo)

Mercado financeiro mundial? Disk Paulo Leme (O cara está em Wall Street, pô, sabe tudo…)

Segurança pública? Disk Zé Vicente (Ele é durão, estava lá dentro, mas fala como sociólogo. E com a vantagem de não ficar falando em direitos humanos para qualquer “resistência seguida de morte”. É o coronel esclarecido…)

Partidos? PT especificamente? Disk Bolívar (O cientista político Bolívar Lamounier, mas, por favor, não diga que ele é filiado ao PSDB)

Geografia? História? Demografia? Sociologia? Socialismo? Política? Geopolítica? Raça? Relações internacionais? Coréia? Pré-sal? Cotas? Mensalão? América Latina? MST? Pugilistas cubanos? Liberdade de imprensa? Farc? Tarso Genro? Disk Demétrio Magnoli

(Se te ocorrer algum outro assunto, ligue para ele também)
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Governança multissetorial e pluriparticipativa da Internet no Brasil é referência mundial

O modelo brasileiro de Governança da Internet conduzido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) é referência em todo o mundo. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet pluriparticipativo e democrático, propiciando que os setores da sociedade participem de forma equânime dos debates e decisões sobre a Internet no Brasil. Em quase 20 anos de história, representantes de todo o Brasil, com origens e interesses diversos, consolidaram o CGI.br e contribuíram para construir a história da Internet brasileira e prepará-la para o futuro.

O vídeo “CGI.br: Governança multissetorial e pluriparticipativa da Internet no Brasil” reúne depoimentos de alguns dos personagens desta trajetória. Conheça as origens do CGI.br e os motivos que levaram a Internet no Brasil a contar com um modelo de governança composto por representantes dos setores governamental, de mercado, pesquisadores e acadêmicos e de organizações da Sociedade Civil.

Participações, por ordem de aparição:
  • Tadao Takahashi
  • Luci Pirmez
  • Virgilio Almeida
  • Carlos Afonso
  • Ivan Moura Campos
  • Demi Getschko
  • Liane Tarouco
  • Sílvio Meira
  • Sergio Amadeu
  • Hartmut Glaser
  • Veridiana Alimonti
  • Cássio Vecchiatti
  • Eduardo Levy
  • Manuel Lousada Soares
  • Nelson Simões
  • Antonio Tavares
  • Augusto Gadelha
  • Maximiliano Martinhão
  • Marcelo Bechara

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A invasão

A divisão ciência/humanismo se reflete na maneira como as pessoas, hoje, encaram o computador. Resiste-se ao computador, e a toda a cultura cibernética, como uma forma de ser fiel ao livro e à palavra impressa. Mas o computador não eliminará o papel. Ao contrário do que se pensava há alguns anos, o computador não salvará as florestas. Aumentou o uso do papel em todo o mundo, e não apenas porque a cada novidade eletrônica lançada no mercado corresponde um manual de instrução, sem falar numa embalagem de papelão e num embrulho para presente. O computador estimula as pessoas a escreverem e imprimirem o que escrevem. Como hoje qualquer um pode ser seu próprio editor, paginador e ilustrador sem largar o mouse, a tentação de passar sua obra para o papel é quase irresistível.

Desconfio que o que salvará o livro será o supérfluo, o que não tem nada a ver com conteúdo ou conveniência. Até que lancem computadores com cheiro sintetizado, nada substituirá o cheiro de papel e tinta nas suas duas categorias inimitáveis, livro novo e livro velho. E nenhuma coleção de gravações ornamentará uma sala com o calor e a dignidade de uma estante de livros. A tudo que falta ao admirável mundo da informática, da cibernética, do virtual e do instantâneo acrescente-se isso: falta lombada. No fim, o livro deverá sua sobrevida à decoração de interiores.

A urna eletrônica é um exemplo da invasão inevitável da cultura científica em todos os nossos costumes. Imagino que ela é apenas o começo de uma informatização progressiva do processo eleitoral que culminará, um dia, com a eliminação do próprio candidato. Em vez de digitar na urna os números que identificam o candidato com as características e as qualidades que você quer, você digitará os números que identificam as características e as qualidades que você quer — e o computador fabricará um candidato com as especificações mais procuradas. Em vez de um presidente, por exemplo, teremos uma espécie de print-out consensual.

Como o amor e as compras, um dia a democracia também será feita só através da internet. Você não precisará sair de casa para votar — e poderá votar em qualquer eleição do mundo! Se a globalização já tivesse chegado a este ponto, você poderia ter votado nas recentes eleições na Inglaterra, por exemplo. Só não votará quem não estiver ligado na internet, mas a esta altura quem não estiver ligado na internet não fará mais nada, e não será mais ninguém. E um dia o circuito se fechará. Digitaremos no nosso computador para eleger computadores. Computadores programados farão o trabalho do legislativo e do executivo. Eliminaremos o fator humano, a técnica nos dominará e seremos felizes. Ou infelizes, dará no mesmo, porque não haverá ninguém para culpar, e os computadores farão pouco dos nossos protestos. Até o presidente será um computador central. E, no Brasil, a única coisa certa é que o vice será do PMDB.

Luís Fernando Veríssimo
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Podridão

“Pourriture”, era o título do editorial de primeira página do “L’Equipe”, jornal de esportes francês, sobre esse escândalo da Fifa. “Porcaria” seria a tradução mais correta; “podridão”, a mais adequada. Da porcaria algo ainda pode ser resgatado: a história da Fifa está cheia de porcaria perdoada ou esquecida. Da podridão nada se salva.

O Blatter não esteve diretamente envolvido na ação policial que prendeu o Marin e os outros capos e subcapos da Fifa em Zurique e é possível que, como aconteceu em porcarias passadas, ele escape de novo. Mas em quase todos os jornais da França e da Inglaterra que vi, era sua a foto maior que ilustrava a matéria. É difícil que a investigação da pourriture generalizada não o atinja.

A edição internacional do “New York Times” publicou uma foto patética dos empregados do hotel de Zurique estendendo lençóis para tapar a cena dos executivos sendo levados para a prisão, o que não era menos que um hotel de luxo poderia oferecer a hóspedes ilustres, embora a cena fosse, provavelmente, inédita na sua história. E nenhum outro jornal que vi, além do “Times”, falou das mulheres e namoradas dos presos reunidas num salão, algumas chorando e recebendo apoio psicológico do staff.

A televisão francesa fez uma rápida pesquisa: para quantos a notícia de grossa sujeira na cúpula da Fifa chegava como uma surpresa, e quantos não esperavam outra coisa? Só uns três ou quatro por cento não suspeitavam de tamanha podridão. A pourriture era intuída, mesmo antes de ser tão espetacularmente flagrada. Pesquisa mais interessante seria para saber quantos acham que o caso é menos sobre moral e mais sobre política interna da Fifa.

Estou escrevendo sem saber o saldo das prisões e das notícias. O Blatter se aguenta ou cai? Aguardo as próximas manchetes.

Falha

O “L’Equipe” se orgulha de ser um dos jornais mais antigos da França e de cobrir os esportes, principalmente o futebol, do mundo todo, todos os dias. Mas procurei em vão por notícia da vitória do Internacional sobre o Santa Fé da Colômbia pela Libertadores na sua última edição, e nada. Outro escândalo!

Luís Fernando Veríssimo
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Caras do Brasil

Muito mais do que mostrar o que tem sido a cúpula do futebol no mundo, o escândalo da Fifa mostra ao mundo o que é o Brasil. Como se ainda fosse necessário fazê-lo.

A Fifa, que recebe aqui o tratamento apropriado para os covis, baniu dos seus quadros, há muito tempo, os ilustres brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira, seu ex-presidente e o ex-conselheiro por ela declarados catadores de suborno e de outros modos de corrupção. Nem depois disso a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público (o Federal e o do Rio) foram capazes de dar aos dois as consequências da lei. Ambos enriquecidos, muito antes de chegarem aos balcões internacionais, aqui mesmo na CBD/CBF.

A aparência é de que Ricardo Teixeira tratou de escapar para Miami. Mas não o fez, de fato, senão para as delícias de que desfruta em sua mansão. Os vários processos que ainda tem no Brasil jamais o incomodaram, tal como os anteriores. Havelange tornou sua velhice suportável em um dos prédios magníficos de São Conrado. A rejeição da Fifa não chegou ao prestígio social de ambos.

Da arquibancada ao poder econômico, que é o maior poder por aqui, Havelange e Ricardo Teixeira faziam uma síntese perfeita e discreta do Brasil. José Maria Marin, o mau discípulo, escancarou. Já se percebe que as autoridades brasileiras sentem necessidade de adotar iniciativas. Deve ser o melhor que pode acontecer a Marin.

Parlashopping

Eduardo Cunha providenciou a inclusão, na medida provisória 668 sobre alíquotas do PIS-Pasep, da construção do shopping do Congresso. O Senado seguiu a Câmara e aprovou toda a MP. Mas Eduardo Cunha fica irritado quando essa sua obsessão é chamada de shopping e, pior ainda, já apelidada de parlashopping.

No entanto, é só isso mesmo. Uma obra que, sem ter projeto, já tem o custo calculado em R$ 1 bilhão, com gabinetes desnecessários e amplos como desejado pelos deputados, e lojas, lojas e mais lojas.

Duas imoralidades em uma: o contrabando do shopping na MP e a sua aprovação pela Câmara e pelo Senado, que aprovam, sob o falso nome de ajuste, medidas perversamente prejudiciais aos assalariados, aos aposentados, à Educação e à Saúde.

Diante da indignação que a presença e aprovação do shopping causou em alguns senadores, e prevenindo reação forte (que não houve) da imprensa, Renan Calheiros recorreu ao seu experiente escapismo: "Isso é da autonomia da Câmara".

Não é verdade. Tanto que foi à votação do Senado. Onde Renan Calheiros contribuiu para o truque de votar a MP perto do prazo em que caducaria: se feita alteração no Senado, deveria voltar à apreciação pela Câmara, e ocorreria a extinção do prazo.

Em seu exaltado discurso contra o golpe do shopping e contra o próprio, disse o senador Jader Barbalho que "só falta uma medida provisória que inclua a construção de um motel". Não haverá, talvez, porque é desnecessária: para a mesma finalidade são usados os gabinetes.

Sem máscara

Na hora da verdade, o chão do plenário da Câmara ficou repleto de máscaras de bem-intencionado. O PSDB e seu líder, Carlos Sampaio, deixaram cair 46 de uma vez com esses votos pela permanência do dinheiro de empresas para financiar candidatos — a velha causa da corrupção mais devastadora.

Entre as propostas de "reforma" ainda a serem votadas, uma pretende estapafúrdia redução da idade mínima para senador: de 35 para 29 anos. Só podia ser coisa de má-fé, mas o que seria? A repórter Júnia Gama descobriu.

Não lhe bastando prestar-se ao serviço de substituir o relator Marcelo Castro, destituído por não fazer o relatório como desejado por Eduardo Cunha, o deputado Rodrigo Maia se dispôs a outro serviço deplorável.

Como não chegará aos 35 anos para candidatar-se ao Senado nas próximas eleições, o milionário deputado paraibano Wilson Filho conseguiu que Rodrigo Maia proponha, como relator, a redução da idade mínima de governadores e seus vices, de 30 para 29. E no bolo inclua os senadores.

Rodrigo Maia (de Cesar Maia) é o apagado líder do fosco DEM. Deve ter recebido uma quantidade grande de argumentos para servir ao petebista paraibano.

Janio de Freitas
No fAlha
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Isto é formação de quadrilha?

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30 de mai de 2015

Corrupção e impunidade


O PIG – Partido da Imprensa Golpista — há alguns anos tenta convencer a população brasileira, com relativo sucesso, que a corrupção é coisa recente, quase uma “invenção” do PT. Até podem admitir que ela existia marginalmente, em estado de letargia. Mas o “monstro” despertou e cresceu nos governos petistas, tornando-se prática corrente Há dez anos batem diuturnamente, rádio, jornal e tevê nos episódios do “Mensalão” e do “Petrolão”, da operação Lava Jato. Para isso criaram dois “heróis nacionais”: os justiceiros Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, do Paraná. Falsos heróis, como já se viu (o Barbosão”) e logo se verá (Moro).

A corrupção existe em todas as sociedades desde suas origens. No Brasil ela campeou solta desde o início do período colonial, império e república.

No Brasil Colônia suas formas correntes eram a sonegação fiscal e o contrabando, que perpassaram os ciclos do pau brasil, da cana de açúcar e do ouro. D. João VI aportou no Rio em 1808, fugindo da invasão napoleônica e nomeou o barão Francisco Maria Targini seu Tesoureiro Mor. Em pouco mais de uma década o Tesoureiro Mor de ilícito em ilícito, construiu uma imensa fortuna. Contrariou interesses também poderosos que pediram sua cabeça a D. João VI. Não lograram êxito: Targini mostrou que era um verdadeiro “amigo do rei”: contando com a proteção do conde D’Arcos, não foi punido e ainda lhe foi concedido o título de visconde. Voltou para Portugal com a família real na posse de uma considerável fortuna. Este episódio é sintetizado numa famosa quadrinha: “quem furta pouco é ladrão; quem furta muito é barão; quem mais furta e mais esconde, passa de barão a visconde”. Maria Targini foi o nosso primeiro “intocável” ilustre. Como se sabe, nos dois séculos seguintes surgiram muitos outros.

Nos primeiro e segundo reinados há registros de descumprimento ostensivo das leis anti-escravatura por membros do primeiro escalão do próprio governo. O primeiro ministro de D. Pedro II, marquês de Olinda e o ministro da Justiça Paulino de Souza faziam “vistas grossas” ao tráfico de escravos proibido pela lei Eusébio de Queiroz, sancionada em 1850. Garantiam, assim, mão de obra que movimentava suas propriedades e da “coronelada” dona de grandes latifúndios.

Depois de 1989, na velha República “café com leite” imperaram os absurdos subsídios aos detentores do poder, os “barões do café”. Com ampliação do direito ao voto, campeou, também a corrupção eleitoral aberta sendo prática comum o voto comprado e a “cabresto”. A oligarquia se perpetuava no poder.

No período 1930 a 1945, a primeira fase da era Vargas, surgiu uma outra personagem que se tornaria um mito precursor da corrupção paulista. Ademar de Barros, nomeado interventor por Vargas após a derrota de São Paulo na revolta “constitucionalista” de 1932 começou aí sua longa e bem sucedida carreira política. Elegeu-se prefeito e governador de São Paulo e, paralelamente, foi acumulando uma considerável fortuna. Como à época — anos quarenta e cinquenta — a remessa ilegal de dinheiro para o exterior através de contas CC5 não existia, Ademar guardava os preciosos dólares acumulados — dezenas de milhões —, em grandes cofres instalados em “bunkers” espalhados por todo estado. Um dos seus slogans de campanha ficou famoso: “rouba mais faz”. Um segundo “intocável” ilustre, que mais tarde seria substituído por um terceiro “intocável”, um mestre dos desvios e ilícitos, Paulo Malluf.

No governo JK — 1956/1961 — que alguns denominam de “anos dourados” houve denúncias de superfaturamento e desvios na construção de Brasília: o excesso de gastos com utilização de recursos do sistema previdenciário deu origem a um longo período de espiral inflacionária.

Os vinte e um anos da ditadura militar (1964/1985), apesar da censura à imprensa, foram marcados por inúmeros escândalos de corrupção. Grandes obras superfaturadas foram denunciadas: ponte Rio-Niterói, Transamazônica, Ferrovia do Aço, dentre muitas outras. Na área previdenciária os desvios da Capemi e na área financeira os escândalos do Grupo Delfin e da Coroa-Brastel. Aqueles que hoje protestam pedindo a volta da ditadura militar ou são velhos de má memória ou jovens que não viveram o período. É claro que isso não os exime da responsabilidade: antes de pedir uma absurda “volta ao passado” deveriam consultar os registros históricos e jornalísticos do período.

O primeiro presidente eleito depois da ditadura, Fernando Collor, foi deposto por denúncias de corrupção e prática de ilícitos. PC Farias seu “operador de mal feitos” foi morto numa operação de “queima de arquivos”. Em compensação deixou um discípulo, Eduardo Cunha que prosperou e até se tornou presidente da Câmara Federal. Adquiriu o status de “intocável.

O governo FHC foi, muito provavelmente, “campeão” da corrupção na história brasileira. Nos seus oito anos entre 1995 e 2002 foram vendidos a preço de banana centenas de bilhões do patrimônio público em operações descritas no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro. Surgiu no período outro poderoso intocável: Daniel Dantas, salvo duas vezes da prisão por liminares de Gilmar Mendes. Houve também a maciça remessa ilegal de dólares para o exterior através de contas CC5 num montante, fala-se, superior a 250 bilhões de dólares. Dentre os 91 indiciados na CPI do Banestado estava o nome de Gustavo Franco um dos presidentes do Banco Central do governo FHC. Como sempre, ninguém foi condenado ou preso. Segundo apurações da operação Lava Jato o início dos desvios da Petrobras datam de 1997, terceiro ano do primeiro governo FHC.

Por fim, nos governos Lula/Dilma (2003/2015) tivemos o episódio do “mensalão”, ao que tudo indica uma repetição de prática já ocorrida no governo FHC para conseguir os votos suficientes para aprovar a emenda da reeleição. Só que a grande mídia deu ao episódio uma dimensão muito maior do que ele realmente merecia: os tradicionais “mal feitos” que o Executivo faz para conseguir os votos necessários no Congresso. O velho “toma lá da cá”. O ataque ao PT e a uma de suas maiores figuras, o ex-ministro José Dirceu, foi impiedoso: depois de muito tentar o PIG, comandado pela Globo, conseguiu seu velho objetivo: ferir mortalmente o PT. Não que os desvios de rota, os acordos e as práticas da velha política não tivessem, como efetivamente tiveram, contaminado boa parte do partido. Mas paulatina transformação do PT, que aos poucos foi perdendo o norte e se “domesticando”, não foi o suficiente para a oligarquia, que tem um objetivo central: varrer o PT do cenário político brasileiro, reduzindo ou eliminando seu potencial eleitoral.

Três outros episódios vieram ao conhecimento público nos últimos anos: os desvios na Petrobras originaram a operação Lava Jato, que ganhou excepcional destaque na grande mídia. Objetivos: atingir o PT e desvalorizar a Petrobras com vistas a uma futura privatização. Outros dois escândalos, de proporções ainda maiores, tiveram pouca — quase nula — divulgação na grande mídia. A operação Zelotes esta investigando a sonegação de 19 bilhões de reais envolvendo grandes empresas, dentre elas a Gerdau. Corrupção da grossa de poderosos empresários, não interessa ao PIG divulgar. Idêntico tratamento teve um segundo escândalo, o do HSBC. Foi descoberta a existência de mais de oito mil contas de brasileiros que sonegaram impostos e “lavaram” centenas de bilhões de dólares enviados ilegalmente para o exterior A turma da “pesada” — donos de redes nacionais de rádio tevê, de grandes jornais, empresários, banqueiros, a velha oligarquia cabocla — impede a divulgação na grande mídia e determina marcha “a passos de cágado” na apuração dos ilícitos.

Paulo Muzell é economista.
No Sul21
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